Capitulo 5
Capitulo 5
Capítulo 5
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5.1.1 - INTRODUÇÃO
Domínio 1
Corresponde às planícies de inundação dos rios. São terrenos de alta permeabilidade, com lençol
freático subaflorante, configurando aqüíferos livres, com solos compressíveis e baixas
declividades. A ocupação é desaconselhada pelos problemas geotécnicos e riscos de
enchentes/inundações, sendo áreas indicadas para preservação permanente. Predominam solos
hidromórficos.
Domínio 2
Está relacionado aos terrenos da Bacia de Curitiba, sobre a Formação Guabirotuba. Predominam
sedimentos argilosos e arcosianos, com relevo suavemente ondulado, predominando declividades
médias a baixas. Apresenta problemas de erosão e alta expansividade das argilas
montmoriloníticas. Predominam solos podzólicos, cambissolos e latossolos. Este domínio
corresponde às áreas mais densamente urbanizadas da RMC, pelas características topográficas
favoráveis.
Domínio 3
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Domínio 4
O domínio 4 corresponde aos terrenos da Bacia do Paraná (Formação Furnas e Grupo Itararé),
formados na região da RMC por sedimentos paleozóicos predominantemente arenosos.
Apresentam baixa plasticidade, alta ruptibilidade, permeabilidade primária reduzida pela
silicificação e permeabilidade secundária conferida pelos fraturamentos. O potencial hidrogeológico
é alto, e o relevo predominante é suavemente ondulado. Apresenta solos podzólicos, cambissolos,
litossolos e afloramentos de rocha.
Domínio 5
Corresponde aos terrenos pertencentes à Formação Guaratubinha, constituídos por rochas ígneas
e sedimentares eo-paleozóicas. Situa-se na região da Serra do Mar, com relevo montanhoso e
declividades médias variando de 35 a 45%, com potencial para movimentos de massa. Predominam
solos residuais pouco evoluídos, solos podzólicos rasos e afloramentos rochosos.
Domínio 6
Domínios 7 e 8
Estes domínios estão relacionados a rochas granitóides. O domínio 7 inclui os granitos alcalinos e
o domínio 8 refere-se ao Complexo Três Córregos e ao Granito Guajuvira, este situado nos limites
do embasamento. Em geral o relevo é ondulado a montanhoso, com freqüentes concentrações de
blocos e matacões. As declividades em geral são médias a elevadas, muitas vezes superiores a 35 e
45%, com potencial para movimentações naturais de massas. Os solos são residuais e transportados,
incluindo cambissolos, podzólicos rasos e litossolos.
Domínio 9
São os terrenos pertencentes aos grupos Açungui e Setuva, com grande variedade de rochas
metamórficas de origem sedimentar e secundariamente vulcano-sedimentar. Os principais
subdomínios referem-se aos metassedimentos e xistos síltico-argilosos (9a, 9b e 9c). Outros
subdomínios apresentam rochas carbonáticas (9d, 9e e 9f), incluindo intercalações de várias
dimensões de metassedimentos, metamargas, ou ocorrendo grandes camadas com predomínio
de rochas calcárias (dolomíticas e calcíticas).
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Os solos são podzólicos, residuais e pouco evoluídos, como cambissolos, litossolos e às vezes
afloramentos do substrato rochoso. As espessuras de solo podem ser significativas, eventualmente
com níveis erosivos, dependendo da composição da rocha original.
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O conceito de risco está ligado à noção de perigo e/ou probabilidade de que ocorram prejuízos à
vida humana, ou danos materiais à propriedade pública. Vincula-se com o conceito de alteração
ambiental, na medida em que modificações nas condições do meio ambiente podem gerar
alterações nos processos do meio físico e biótico e, a partir daí, potencializar os riscos aos
diferentes ecossistemas. O risco pode envolver as condições dos trabalhadores envolvidos na
mineração e as comunidades humanas e/ou ecossistemas atingidos ou ameaçados por processos
produtivos, opções técnicas ou concepções ultrapassadas de produção, inadequadas ou
impróprias.
O sentido básico de conflito envolve a idéia de confronto entre partes. Do ponto de vista social e
político, conflito também envolve o acesso e a distribuição de recursos, incluindo neste caso os
recursos minerais, solo urbano, terras rurais e recursos hídricos.
Efeito ambiental é um processo, conseqüência de uma alteração provocada pela ação humana,
como a erosão, a dispersão de poluentes, a alteração no regime hídrico, o deflorestamento, a
remoção do solo, etc.
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O termo poluição significa qualquer forma de matéria ou energia lançada ao meio ambiente que
possa afetar negativamente o homem ou outros organismos. Assim, o conceito de poluição é mais
restrito que o do impacto ambiental e um empreendimento pode, de fato, causar impacto sem
poluir. Exemplo: o impacto visual causado pelas minas a céu aberto.
Das atividades de extração mineral que constroem a economia paranaense e deixam suas
“cicatrizes” de maior ou menor impacto no ambiente, os minerais não-metálicos, cuja destinação
final, direta ou indireta, é a construção civil (habitação, saneamento, transporte), ocupam de longe
o maior destaque.
O maior problema reside no fato de o aparato legal não encontrar suporte numa estrutura
operacional que materialize o dia-a-dia das economias e das empresas, limitando-se, na prática a
gerir o cumprimento das rotinas e exigências legais, fatos hoje denunciados pelo Ministério Público
e organizações civis não governamentais.
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# Chumbo e Z inco
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26 ° 15'
50° 49°
20 0 20 Km
Embora a avaliação de impactos possa ser feita com base nos métodos de lavra, pelas
similaridades observadas em diferentes depósitos, a abordagem neste relatório foi direcionada aos
principais bens minerais, devido a algumas características específicas de cada um.
Este pólo de produção se constitui numa amostra representativa dos acertos e desacertos da
indústria extrativa de areia, desde a prospecção e pesquisa, lavra e beneficiamento, distribuição,
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A areia é extraída das planícies de inundação do rio Iguaçu e alguns afluentes, onde o relevo é
plano, com inundações periódicas. As lavras exibem cavas inundadas como característica comum,
de tamanho e forma variáveis, separadas por faixas de terra, e não raramente preenchidas por
dejetos diversos. Salvo algumas poucas exceções, as áreas são abandonadas pelos mineradores
criando uma paisagem bastante degradada.
A extração de areia, conforme descrito no capítulo 4, é feita basicamente por três métodos:
garimpagem, desmonte a seco com equipamentos pesados e dragagem. A garimpagem é feita por
canoa, com dois a três garimpeiros, com produção marginal e impactos inexpressivos. O segundo
método é o desmonte a seco, utilizando-se escavadeiras hidráulicas, pás carregadeiras e
caminhões, removendo o capeamento e transferindo-se a areia aos caminhões. Quando é o caso,
usam-se plantas de lavagem e peneiramento. O terceiro método é a dragagem, realizada no leito
ou fora dele, com o uso de escavadeiras e pás carregadeiras, com escavação até o nível freático e
depois o uso de uma balsa de sucção de 4 a 8 polegadas. O material dragado é transferido
diretamente para um pátio e para os caminhões, ou jogado sobre uma peneira. Nas fotografias 1 e
2, a seguir, são observados aspectos característicos da extração de areia na planície do Iguaçu.
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• Impacto visual (paisagístico) gerado pela formação de grande número de cavas, pela
inexistência de projetos de recuperação da área minerada;
• Aumento de turbidez dos corpos d’água, pela remobilização de finos;
• Perda do solo vegetal, pela disposição inadequada no decapeamento e falta de
conservação antes dos trabalhos de mineração;
• Desmatamento da vegetação de várzea e mata ciliar;
• Desequilíbrio do fluxo hidráulico dos cursos d’água, pelas alterações nos canais e na
planície de inundação;
• Poluição das águas pelo eventual lançamento de combustíveis, óleos, graxas e esgoto
sanitário;
• Inviabilização do uso futuro do solo para outros fins, pela inexistência de projetos de
recuperação da área;
• Impactos sociais derivados. Após a lavra, as áreas degradadas são objeto de ocupação
irregular e favelização, além de acúmulo de esgotos e lixo.
A maior parte das famílias carentes concentra-se em áreas de risco em São José dos Pinhais e
sul de Curitiba. As casas ocupam até a faixa de proteção do rio, têm baixa metragem e são
desprovidas de infra-estrutura que garanta qualidade de vida aos moradores. Onde os “lotes” são
adjacentes às cavas, ocorre o franco comprometimento da qualidade das águas ali armazenadas,
em razão da disposição direta de resíduos sólidos e esgotos. Existe um entendimento da
população de que as cavas se prestam naturalmente a depósitos de lixo. Assim, os próprios
moradores contribuem para o entulhamento indiscriminado com lixo orgânico e materiais passíveis
de reciclagem, acreditando que este procedimento pode contribuir para a drenagem do terreno e à
ampliação da área disponível para ocupação.
Nas margens do Iguaçu, próximo à ponte da BR-277, os moradores chegam a construir “diques”
com lixo para evitar a invasão das águas. A degradação visual é amplificada pelo modo como a
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retirada da areia é feita, sendo comum que o capeamento argiloso seja abandonado em montes
ao redor da cava.
Outro aspecto sócio-ambiental está relacionado à qualidade das águas para abastecimento da
população. Com freqüência os sistemas de tratamento dos rios Iraí e Iguaçu são paralisados
devido à qualidade inadequada da água in natura. Em parte o problema é causado pelo despejo
clandestino de rejeitos da mineração de areia, diretamente nestes rios. Segundo a SANEPAR, as
alterações de cor e turbidez causadas pelos efluentes das cavas de areia impossibilitam a
obtenção da água tratada dentro dos padrões de potabilidade.
Para o tratamento da água em situações normais são consumidas como coagulante 1,14 t e 7,25 t
de sulfato de alumínio por dia, nos sistemas Iraí e Iguaçu, respectivamente. Nos dias em que há
interferências oriundas do despejo dos efluentes das minerações, o consumo de reagentes na
estação do Iraí chega a 1,6 t/dia, e na estação Iguaçu o consumo atinge 16,49 t/dia. Quando as
estações chegam ao limite de suas capacidades técnicas é necessário diminuir o volume de água
tratado ou até paralisar completamente os sistemas (ROCHA, 1996).
As medidas mitigadoras nos trabalhos de extração de areia devem ser adotadas como
procedimentos operacionais, visando maior racionalidade e diminuição dos danos ambientais
decorrentes do método de lavra adotado, compreendendo:
• Deve-se evitar a mineração em áreas com cobertura vegetal, mantendo uma distância
mínima de segurança entre as cavas e as áreas de mata;
• Deve-se realizar a operação de lavra com decapeamento progressivo e o armazenamento
do material removido da cobertura (solo orgânico e argilas), para a recomposição posterior
da área;
• Deve-se adotar uma distância mínima entre as cavas e o limite legal da área (direito
minerário);
• Deve-se estabelecer uma distância mínima, obedecendo a legislação federal, entre as
cavas e o curso atual do rio. As zonas em processo de extração deverão ser isoladas do
curso do rio, para evitar o aumento de turbidez;
• A área do empreendimento deve ser demarcada com marcos resistentes e de fácil
visualização. A área também deve ser cercada para evitar os problemas de acesso da
população local e os riscos de segurança decorrentes;
• Durante o período de extração e na finalização do empreendimento as áreas mineradas
deverão passar por um processo de reconformação topográfica. Os materiais estéreis de
cobertura armazenados previamente, e mesmo materiais inertes de outra procedência,
poderão ser usados para preenchimento das cavas. Como este processo representa um
custo elevado, os mineradores deverão considerá-lo no próprio processo de lavra, para
amortização de custos ao longo da vida do empreendimento. Na finalização o solo
orgânico deve ser reutilizado para cobertura final das cavas.
Na Redução da Turbidez
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O respeito aos parâmetros definidos exige um programa de controle de poluição, sustentado por
coleta sistemática de amostras para ensaios físico-químicos de monitoramento. Os mecanismos
eletroquímicos que regem a interação das partículas dos argilo-minerais com a água, respondem a
fatores que regulam a estabilidade das suspensões, tais como: pH, concentração e tamanho do
argilo-mineral, natureza e teor dos cátions trocáveis, teor e concentração de sais solúveis e
presença de matéria orgânica (SIEDLECKI e LIMA, 2001).
No Impacto Visual
A mitigação dos impactos visuais passa pela adoção de medidas complementares ao do processo
de extração. O objetivo é atenuar, à percepção humana, o contraste das áreas desnudadas e as
áreas circunvizinhas. Algumas medidas podem ser destacadas:
Para a recuperação das áreas degradadas, ou das cavas abandonadas, poderá ser usada a
revegetação, a suavização de taludes e/ou preenchimento das cavas com materiais inertes,
conforme descrito no item relativo às medidas mitigadoras.
A recuperação e o uso futuro das áreas ainda permanece um encargo majoritariamente reservado
ao poder público, cujos critérios de priorização de ações não são completamente transparentes.
As propostas que atualmente são previstas como formas de recuperação/reabilitação prevêem a
utilização das áreas como parques para o lazer, pesque-pague, etc., que raramente têm sido
incorporadas pelos mineradores. Na RMC existem algumas iniciativas nesse sentido, com
destaque para o Areal Costa na região do Umbará (sul de Curitiba), mas a maior incidência destas
ações se concentra na região oeste do estado, que por sinal representa a região produtora mais
recente.
Conforme ressaltado por BITAR (1997), em tese relativa à recuperação de áreas degradadas em
São Paulo, é notável a ausência de políticas públicas específicas para recuperação de áreas deste
tipo no país, em que pese a freqüência dos conflitos da mineração com a ocupação urbana nas
áreas metropolitanas. É evidente a oportunidade de estabelecer critérios de recuperação destes
terrenos, que muitas vezes podem assumir um grande valor para as políticas de planejamento
regional pela sua localização geográfica.
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A Região Metropolitana de Curitiba tem o maior número de olarias e o maior consumo de argila,
mas as empresas são de menor porte quando comparadas com outras regiões do estado. Na
RMC as olarias concentram-se na parte sul de Curitiba, Fazenda Rio Grande, São José dos
Pinhais e Balsa Nova, sendo empresas familiares, sem traços significativos de modernização, com
muitas dificuldades relacionadas com o fornecimento e a qualidade da matéria prima.
A questão das olarias foi tratada neste Plano Diretor na análise da economia mineral, incluindo o
cadastro de mais de 300 empresas concentradas na região a sul de Curitiba. Os dados
econômicos podem ser apreciados em detalhes no capítulo 3. Na figura 40 estão representadas
as olarias cadastradas no decorrer do PDM.
A argila como insumo mineral constitui a principal matéria prima para indústria cerâmica e pode
ser subdividida em dois grandes grupos:
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Inicialmente, a argila era obtida em várzeas e extraída para uso direto na moldagem das peças,
sem mistura. Na bacia do Alto Iguaçu, principal pólo de produção da cerâmica vermelha, a argila
utilizada pelas olarias era proveniente exclusivamente das jazidas de areia, o que ainda é feito em
parte. Com a evolução da tecnologia de produção e a necessidade de atendimento a novas
especificações, a produção de argila se diversificou até a situação atual, onde podem ser
misturados materiais provenientes de até quatro jazidas diferentes para obter a massa industrial.
Os conflitos existentes, mais evidentes, acontecem nas áreas de produção periférica aos grandes
centros urbanos e dizem respeito ao uso competitivo do solo com os loteamentos, e também com
relação às áreas degradadas pela lavra que dão origem a ocupações irregulares. As alterações
ambientais produzidas pelas lavras de argila em áreas de várzea são semelhantes àquelas
produzidas pela extração de areia nas mesmas áreas:
§ Desmatamento;
§ Perda de solo vegetal pela sua não remoção e correta disposição antes do início dos
trabalhos de mineração para uso na recuperação posterior;
§ Aumento da turbidez dos corpos d’água pela remobilização de finos;
§ Perda da mata ciliar pelas quedas das margens por solapamento;
§ Desequilíbrio do fluxo hidráulico dos cursos d’água pela modificação do regime
hidrodinâmico;
§ Poluição e assoreamento hídricos produzidos pela erosão da frente de lavra e pilhas de
rejeito e minério;
§ Formação de grandes lagoas e inviabilização do uso futuro do solo (cavas) pela
inexistência de projetos de recuperação da área minerada/degradada;
§ Poluição das águas pelo eventual lançamento de combustível, óleos, graxas e esgoto
sanitário;
§ Descaracterização da paisagem pela implantação da mina e pela criação de taludes de
solo e construção de bacias de decantação para retenção de finos;
§ Danos à flora e fauna.
Para as lavras em barranco as alterações são praticamente as mesmas, com uma abrangência
menor e impactos e passivos menos significativos. Tecnicamente a recuperação das áreas
degradadas é mais fácil. Por outro lado, a intensificação destas áreas de extração está ampliando
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a distribuição das áreas degradadas (fotografia 3), sem identificação dos responsáveis e sem
recuperação. A mistura das matérias-primas, como as argilas provenientes das lavras da areia
com argilas de solos de alteração da Formação Guabirotuba e das rochas gnáissico-migmatíticas,
tem causado uma busca generalizada por fontes de insumos para as olarias e intensificado estas
lavras de barrancos e de encostas (LOYOLA, 2000).
As características atuais da extração de argila são as incontáveis pequenas lavras, com grande
distribuição geográfica, conforme foi explicitado acima. A operação típica de uma lavra de argila
envolve um ou dois equipamentos (pá-carregadeira e/ou retroescavadeira e escavadeira
hidráulica) e caminhões alimentando o estoque das olarias, geralmente em períodos
descontínuos.
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A argila apresenta dificuldades pela dependência da mineração de areia, como fonte de matéria-
prima. O esgotamento e a migração das empresas extrativas de areia ao longo do Vale do Iguaçu
gera problemas de logística e transporte. Ultimamente, além deste aspecto, uma parte da
mineração de areia está em suspenso pelo contencioso ambiental, estando em andamento um
processo de ajustamento de conduta dos mineradores com os órgãos ambientais e o Ministério
Público, para decidir os termos em que a atividade pode vir a se desenvolver nesta região.
Outro pólo de produção de argila é Tijucas do Sul, onde a produção atende à indústria de
cerâmica branca e apresenta áreas de mineração intensiva, com equipamentos pesados, grandes
volumes de material e atividades de recuperação sendo desenvolvidas de forma adequada
(fotografia 4). Neste caso, ainda, os direitos minerários são parte do processo, em contraste com
as pequenas lavras de argila para cerâmica vermelha, clandestinas na maior parte.
Pedra Britada
As litologias principais usadas para produção de brita são granitos, gnaisses-graníticos, vulcânicas
ácidas, gnaisse-migmatitos e diabásios. A brita resulta da cominuição de blocos obtidos do
desmonte com explosivos de maciços de rocha dura, através de britadores, sendo largamente
empregada na confecção de concretos estruturais, pavimentos e obras de infra-estrutura.
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As pedreiras começam a operar afastadas dos núcleos urbanos, mas com o tempo as áreas
desvalorizadas do entorno acabam ocupadas. São áreas consideradas de risco, com o
desconforto causado pela poeira, ruídos, vibrações e a possibilidade de ultralançamentos,
principalmente onde se usa o fogacho para redução de matacões. Um conjunto de problemas
técnicos e operacionais é comum na maioria das lavras existentes no Paraná, em particular as de
menor porte ou que ocupam mercados menos competitivos.
Na Serra do Mar subsiste uma atividade semi-artesanal de corte de blocos, paralelepípedos, guias
e lousinhas, às vezes em áreas de preservação ou com restrições ambientais. Esta mineração de
pequeno porte opera em regime familiar ou em associações, utilizando métodos manuais e a
pólvora negra para o rompimento dos blocos. Também subsiste o talhe de pedra para utilização no
revestimento de vias urbanas e rurais.
A região de maior importância econômica é a do Sienito Tunas, com intensa atividade de lavra, na
maior parte em blocos e matacões, para obtenção da rocha comercializada com a denominação
de Verde Tunas para fins ornamentais (fotografia 5).
As etapas são similares às demais lavras a céu aberto, com desmatamento, decapeamento,
desmonte a fogo (perfuração, carregamento com explosivos e detonação), que pode incluir o
desmonte secundário ou fogacho. Eventualmente se emprega fio diamantado, onde a
conformação da rocha permite o seu uso com eficácia.
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Os principais impactos decorrentes das atividades de lavras, tanto nas pedreiras para brita, quanto
nas lavras de rocha ornamental e de cantaria são similares, diferindo na escala da operação,
envolvendo:
• Desmatamento;
• Remoção da cobertura de solo que pode chegar a vários metros;
• Operação de britagem, normalmente processada junto à área de lavra, agrava os
problemas de ruídos e poeiras, acentuando os efeitos negativos para a vizinhança e
os operários;
• Desmontes mal dimensionados, proporcionando ultralançamento e vibrações
resultantes da propagação de ondas liberadas pelas explosões. Inclui a utilização
sistemática e perigosa de fogos secundários (fogacho);
• Destinação não controlada de estéreis, com erosão associada e o aumento da carga
sólida das drenagens adjacentes, causando desequilíbrio do fluxo hidráulico dos
cursos d’água e modificação do regime hidrodinâmico;
• Entulhamento eventual de cabeceiras de drenagem, pela falta de planejamento na
lavra.
A mitigação dos passivos gerados e a recuperação ou reabilitação das áreas (adequação das
áreas mineradas para outros usos) tem bons exemplos na cidade de Curitiba (Pedreira Paulo
Leminski, Ópera de Arame, Parque Tanguá, Universidade Livre do Meio Ambiente), mas todas se
referem a iniciativas da administração pública, às vezes até beneficiando os detentores das áreas
circunvizinhas pela valorização das áreas remanescentes da extração mineral (e esta é uma
questão crítica nas iniciativas públicas de recuperação ambiental em geral).
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Segundo DIAS (1995), a extração do calcário para o setor cimenteiro é processada em larga
escala e totalmente mecanizada, com bancadas de 10 a 20 metros de altura e taludes de 70 a 90
graus, enquanto na mineração de dolomito (em menor escala), as frentes de lavra apresentam
bancadas únicas, cuja altura pode atingir até 60 metros, com inclinação próxima da vertical, o que
dificulta a extração e resulta em maior custo de produção e decréscimo da produtividade.
O ponto central, sob o enfoque dos eventuais impactos e passivos produzidos pela indústria de
extração de rochas carbonatadas, ressalvadas as proporções das lavras destinadas à indústria
cimenteira, é que elas trabalham de forma muito semelhante às pedreiras para brita. Em ambos os
casos as lavras são implantadas a céu aberto, cuja operação inicial se faz com supressão da
vegetação e remoção da camada estéril, e continua com perfuração, detonação e desmonte
secundário, britagem e moagem, transporte, vibrações, ruídos e poeiras, além de provocar erosão
e assoreamento.
Por conta do intenso trabalho desenvolvido pelo Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná
GEEP-Açungui muitas cavernas foram localizadas, identificadas e mapeadas, sendo necessário
incluir um reconhecimento espeleológico nos requerimentos de licenciamento ambiental de
empreendimentos mineiros envolvendo rochas carbonatadas.
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Da mesma forma que nas lavras de rocha para brita ou para usos ornamentais, as lavras de
rochas calcárias desenvolvidas a céu aberto, devem ser conduzidas com base no planejamento da
mineração, com o conhecimento da jazida, adequação de equipamentos, planejamento e
dimensionamento das bancadas, planejamento dos planos de fogo, abandono do desmonte
secundário por meio de fogacho e correta disposição dos materiais de cobertura e dos rejeitos da
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mineração, com especial atenção à rede hidrográfica vi zinha, bem como às possíveis formações
espeleológicas.
Considerando que muitas vezes são minas de grandes dimensões (ver fotografia 7), é difícil
viabilizar a reabilitação da área ao final das atividades minerais, mas podem ser estudadas
alternativas de uso no esgotamento das reservas, em conjunto com a comunidade. Estes usos
podem envolver a deposição de materiais inertes e mesmo de outros resíduos sob condições
controladas, uso para reserva de água, áreas de lazer, etc.
Chumbo/Prata
O fato concreto é que o passivo ambiental da mineração de chumbo do distrito do Vale do Ribeira
é significativo, não apenas na antiga planta de Panelas, e precisa ser reconhecido na sua real
extensão. Na fotografia 8 pode-se observar uma das pilha de rejeitos da mineração de chumbo na
região de Adrianópolis.
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Água Minerais
A legislação trata de forma diferenciada a exploração de água mineral da captação de água para o
abastecimento público, o que traz conseqüências no aproveitamento das águas subterrâneas,
quando classificadas de uma ou outra forma. Dentro deste quadro, as fontes de água mineral no
Paraná, registradas perante o DNPM em 1999 são apenas 17, enquanto os dados obtidos junto à
SUDERHSA, mostram que até junho de 1998 foram outorgados por aquela instituição 2.938 poços
para usos variados.
A produção de água subterrânea para uso no sistema de abastecimento de água da RMC acabou
por gerar grandes conflitos de uso do solo entre os agricultores e a SANEPAR. A exploração
intensa e contínua provocou acidentes geotécnicos, com colapsos e afundamentos de solos
causados pelo rebaixamento rápido e excessivo do nível freático nas áreas de captação. A origem
destes acidentes deveu-se, fundamentalmente, à ausência de estudos prévios suficientes e a
problemas de calibragem das quantidades produzidas, o que foi resolvido em parte com um
monitoramento adequado dos níveis do aqüífero, atualmente em vi gor.
Estes impactos motivaram revisões de estratégia para o aproveitamento do aqüífero, frente aos
diferentes usos do solo na região e aos altos riscos geológicos induzidos pela exploração de água,
preocupação que está presente nos estudos em andamento na COMEC para redefinição dos
mananciais que incluem os limites do aqüífero karst.
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