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Capitulo 5

O documento aborda o Zoneamento Geoambiental da Região Metropolitana de Curitiba, destacando a caracterização de diferentes domínios geoambientais e suas implicações para a urbanização e uso do solo. Além disso, discute os impactos ambientais da mineração, incluindo conceitos como risco, conflito e poluição, enfatizando a necessidade de um tratamento diferenciado para as consequências ambientais dessa atividade. O texto também menciona a importância do planejamento regional e a análise dos riscos associados à mineração para a proteção do meio ambiente.

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Capitulo 5

O documento aborda o Zoneamento Geoambiental da Região Metropolitana de Curitiba, destacando a caracterização de diferentes domínios geoambientais e suas implicações para a urbanização e uso do solo. Além disso, discute os impactos ambientais da mineração, incluindo conceitos como risco, conflito e poluição, enfatizando a necessidade de um tratamento diferenciado para as consequências ambientais dessa atividade. O texto também menciona a importância do planejamento regional e a análise dos riscos associados à mineração para a proteção do meio ambiente.

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CONVÊNIO DNPM / MINEROPAR

Capítulo 5

Mineração e Meio Ambiente

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5.1 - Zoneamento Geoambiental

5.1.1 - INTRODUÇÃO

A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, publicou em 1998 um projeto de


Zoneamento Geoambiental da Região Metropolitana de Curitiba, baseado no método de análise
dos sistemas de drenagem e relevo de GUY e RIVERAU (in THEODOROVICZ et al, 1998). A área
2
estudada cobriu 8.577km , na região central. Este estudo será utilizado como base na
caracterização do zoneamento geoambiental da RMC.

O referido projeto resultou na identificação de domínios e subdomínios geoambientais a partir da


integração dos atributos de solo, relevo, drenagem, substrato, riscos geológicos, adequabilidades
e características geotécnicas, com foco na urbanização, na agricultura, na implantação de malhas
viárias, infra-estrutura, disposição de rejeitos, quanto ao potencial mineral, à vulnerabilidade de
aqüíferos e problemas relacionados ao uso e ocupação atuais. Este diagnóstico do meio físico tem
grande utilidade no planejamento regional, em projetos de expansão urbana e ordenamento do
território. As principais características dos domínios geoambientais da RMC, como definidas por
THEODOROVICZ et al (1998), estão relacionadas a seguir.

5.1.2 – DESCRIÇÃO DOS DOMÍNIOS GEOAMBIENTAIS DA RMC

Domínio 1

Corresponde às planícies de inundação dos rios. São terrenos de alta permeabilidade, com lençol
freático subaflorante, configurando aqüíferos livres, com solos compressíveis e baixas
declividades. A ocupação é desaconselhada pelos problemas geotécnicos e riscos de
enchentes/inundações, sendo áreas indicadas para preservação permanente. Predominam solos
hidromórficos.

Domínio 2

Está relacionado aos terrenos da Bacia de Curitiba, sobre a Formação Guabirotuba. Predominam
sedimentos argilosos e arcosianos, com relevo suavemente ondulado, predominando declividades
médias a baixas. Apresenta problemas de erosão e alta expansividade das argilas
montmoriloníticas. Predominam solos podzólicos, cambissolos e latossolos. Este domínio
corresponde às áreas mais densamente urbanizadas da RMC, pelas características topográficas
favoráveis.

Domínio 3

O domínio 3 corresponde às rochas magmáticas mesozóicas, incluindo diques básicos e intrusivas


alcalinas. Os diques formam cristas alongadas SE-NW, configurando barreiras litológicas quando
cortam unidades litoestratigráficas que contém rochas calcárias, o que é determinante na dinâmica
do aqüífero karst. Além dos diques, este domínio inclui intrusões alcalinas, em geral circulares,

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onde são freqüentes blocos e matacões no manto de alteração. Os terrenos apresentam


declividades médias mais elevadas, com potencial para movimentos de massa nas declividades
superiores a 35-45%. Os solos predominantes são podzólicos (cambissolos e litossolos).

Domínio 4

O domínio 4 corresponde aos terrenos da Bacia do Paraná (Formação Furnas e Grupo Itararé),
formados na região da RMC por sedimentos paleozóicos predominantemente arenosos.
Apresentam baixa plasticidade, alta ruptibilidade, permeabilidade primária reduzida pela
silicificação e permeabilidade secundária conferida pelos fraturamentos. O potencial hidrogeológico
é alto, e o relevo predominante é suavemente ondulado. Apresenta solos podzólicos, cambissolos,
litossolos e afloramentos de rocha.

Domínio 5

Corresponde aos terrenos pertencentes à Formação Guaratubinha, constituídos por rochas ígneas
e sedimentares eo-paleozóicas. Situa-se na região da Serra do Mar, com relevo montanhoso e
declividades médias variando de 35 a 45%, com potencial para movimentos de massa. Predominam
solos residuais pouco evoluídos, solos podzólicos rasos e afloramentos rochosos.

Domínio 6

Refere-se aos terrenos da Formação Camarinha, predominando rochas sedimentares síltico-


argilosas e conglomeráticas, com declividades médias entre 25 e 35%. O relevo é ondulado.
Predominam litossolos, cambissolos e em menor proporção solos podzólicos rasos.

Domínios 7 e 8

Estes domínios estão relacionados a rochas granitóides. O domínio 7 inclui os granitos alcalinos e
o domínio 8 refere-se ao Complexo Três Córregos e ao Granito Guajuvira, este situado nos limites
do embasamento. Em geral o relevo é ondulado a montanhoso, com freqüentes concentrações de
blocos e matacões. As declividades em geral são médias a elevadas, muitas vezes superiores a 35 e
45%, com potencial para movimentações naturais de massas. Os solos são residuais e transportados,
incluindo cambissolos, podzólicos rasos e litossolos.

Domínio 9

São os terrenos pertencentes aos grupos Açungui e Setuva, com grande variedade de rochas
metamórficas de origem sedimentar e secundariamente vulcano-sedimentar. Os principais
subdomínios referem-se aos metassedimentos e xistos síltico-argilosos (9a, 9b e 9c). Outros
subdomínios apresentam rochas carbonáticas (9d, 9e e 9f), incluindo intercalações de várias
dimensões de metassedimentos, metamargas, ou ocorrendo grandes camadas com predomínio
de rochas calcárias (dolomíticas e calcíticas).

Onde há predominância de rochas pelíticas e psamíticas (subdomínios 9a, 9b e 9c), o relevo é


muito ondulado a montanhoso, com freqüentes movimentações naturais de massa, rochas com
baixa permeabilidade e baixa transmissividade, ocorrendo permeabilidade secundária relacionada
a fraturas e falhamentos. Os solos são geralmente rasos, incluindo solos residuais pouco
evoluídos, como cambissolos, litossolos e mais raramente podzólicos rasos. Também são comuns
solos coluviais jovens nos sopés das encostas.

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Nos subdomínios com ocorrências de rochas carbonáticas (9d, 9e e 9f), as características


principais estão relacionadas às cavidades cársticas, o que significa alto potencial para água
subterrânea e também altos riscos geológicos para a ocupação. São terrenos com potencial para
colapsos e afundamentos de solo. O terreno pode configurar o relevo cárstico característico, com
dolinas, sumidouros e extensas planícies de abatimentos. As áreas podem ser suavemente
onduladas, onde predominam solos transportados espessos, ou mostrar relevo montanhoso nas
zonas de afloramentos das camadas de calcários intercaladas com outros metassedimentos.
Assim, as declividades variam de médias a elevadas. O nível freático é muito oscilante em função
da periodicidade climática. Os solos são residuais, argilosos, predominando solos podzólicos e
latossólicos, quase sempre profundos. São comuns áreas deprimidas com grandes acúmulos de
solos transportados espessos, desenvolvidos sob regime climático semi-árido, distinto do clima
úmido atual, onde a ocupação humana se desenvolve com freqüência.

Domínios 10, 11, 12 e 13

O domínio 10 inclui terrenos sustentados por rochas granitóides leucocráticas, gnaissificadas ou


não, em geral associadas ao embasamento cristalino; o domínio 11 corresponde a rochas
granitóides e gnaisses; o domínio 12 inclui as rochas supracrustais do Complexo Turvo-Cajati,
inseridas em seqüências do embasamento; o domínio 13, com várias subdivisões, refere-se aos
diversos complexos de rochas gnáissico-migmatíticas do embasamento, com intercalações de
quartzitos e rochas básico-ultrabásicas.

Estes terrenos mostram-se suavemente ondulados a montanhosos, estendendo-se desde o sul da


RMC até os limites com a Serra do Mar, a leste e nordeste. São freqüentes as declividades
médias superiores a 35%, com intenso sistema de escoamento superficial, potenciais para
movimentações naturais de massa. O potencial hídrico está relacionado principalmente à
permeabilidade secundária.

Os solos são podzólicos, residuais e pouco evoluídos, como cambissolos, litossolos e às vezes
afloramentos do substrato rochoso. As espessuras de solo podem ser significativas, eventualmente
com níveis erosivos, dependendo da composição da rocha original.

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5.2 - Impactos Ambientais da Mineração

5.2.1 – CONCEITOS BÁSICOS

A mineração tem como objetivo a apropriação do recurso mineral, procurando máximas


quantidades nos menores prazos e com menores custos, em busca de maiores taxas de retorno,
independentemente de alguma função social. A atividade pode se relacionar a situações históricas
de demanda ou a fatores locais de suprimentos de matérias primas. Neste contexto a indústria
extrativa funciona como fornecedora e também como consumidora, sobretudo de energia,
assumindo um grande potencial indutor de transformações do meio ambiente. Entre os aspectos
característicos da mineração, relacionados a seguir, alguns são mencionados como justificativa
para um tratamento diferenciado face às resultantes ambientais da mineração (PELLENZ, 2001):

• Caráter estratégico do controle dos minerais para a soberania dos estados;


• Caráter temporário da extração mineral e possibilidade de reutilização do sítio minerado
para outras finalidades, após a exaustão ou abandono da área;
• Caráter de anomalia geológica dos jazimentos, onde cada projeto é singular;
• Caráter de incerteza do desenvolvimento da mina, ligado a fatores internos (variações da
jazida) ou externos (fatores econômicos e de mercado);
• Por fim, o caráter de rigidez locacional dos jazimentos minerais.

Considerando ainda alguns conceitos básicos, para a discussão ambiental:

O conceito de risco está ligado à noção de perigo e/ou probabilidade de que ocorram prejuízos à
vida humana, ou danos materiais à propriedade pública. Vincula-se com o conceito de alteração
ambiental, na medida em que modificações nas condições do meio ambiente podem gerar
alterações nos processos do meio físico e biótico e, a partir daí, potencializar os riscos aos
diferentes ecossistemas. O risco pode envolver as condições dos trabalhadores envolvidos na
mineração e as comunidades humanas e/ou ecossistemas atingidos ou ameaçados por processos
produtivos, opções técnicas ou concepções ultrapassadas de produção, inadequadas ou
impróprias.

O sentido básico de conflito envolve a idéia de confronto entre partes. Do ponto de vista social e
político, conflito também envolve o acesso e a distribuição de recursos, incluindo neste caso os
recursos minerais, solo urbano, terras rurais e recursos hídricos.

Efeito ambiental é um processo, conseqüência de uma alteração provocada pela ação humana,
como a erosão, a dispersão de poluentes, a alteração no regime hídrico, o deflorestamento, a
remoção do solo, etc.

Impacto ambiental é a alteração cujos efeitos resultam em mudanças na qualidade do meio


ambiente e incluem a noção de julgamento de valor, sendo assim um valor relativo. Nesse sentido,
impacto ambiental é a alteração julgada significativa para um determinado analista baseado em
critérios previamente estabelecidos. A resolução CONAMA n° 001/86 define como impacto
ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente,
causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta
ou indiretamente, afeta a saúde, a segurança, o bem-estar da população, as atividades sociais e

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econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos


recursos ambientais.

O termo poluição significa qualquer forma de matéria ou energia lançada ao meio ambiente que
possa afetar negativamente o homem ou outros organismos. Assim, o conceito de poluição é mais
restrito que o do impacto ambiental e um empreendimento pode, de fato, causar impacto sem
poluir. Exemplo: o impacto visual causado pelas minas a céu aberto.

Dentre os impactos geralmente relacionados às atividades de mineração, podemos considerar


principalmente os impactos sobre o meio físico. Nestes, podem ser considerados os impactos
sobre as águas, que incluem aspectos relativos à poluição das águas e da drenagem superficial
das minas; os resíduos sólidos e seu gerenciamento, com ênfase nos estéreis e rejeitos; impactos
sobre a atmosfera, incluindo a poluição do ar, ruído e sobrepressão acústica; e vibrações no solo
causadas pelo desmonte com explosivos.

5.2.2 – IMPACTOS DA MINERAÇÃO NA RMC

A mineração marca a história da Região Metropolitana de Curitiba, seja aquela intensiva, a de


caráter especulativo, ou aquela puramente destinada ao abastecimento local. Considerando o
longo período de tempo envolvido, a identificação dos impactos decorrentes da extração de
minérios pode ser difícil ou mesmo impossível, caso não existam registros adequados das
atividades. Desde a intensificação da extração mineral a partir da segunda guerra mundial, até a
época da regulamentação e aplicação da legislação ambiental no estado, se identifica uma cultura
extrativista ligada de forma marcante ao abandono e degradação das áreas mineradas.

Das atividades de extração mineral que constroem a economia paranaense e deixam suas
“cicatrizes” de maior ou menor impacto no ambiente, os minerais não-metálicos, cuja destinação
final, direta ou indireta, é a construção civil (habitação, saneamento, transporte), ocupam de longe
o maior destaque.

Em anos mais recentes, após a consolidação da legislação ambiental, o nível de consciência em


relação à conservação e recuperação do meio ambiente aumentou, tornando obrigatória a
elaboração de estudos prévios de impacto ambiental e de planos de controle e recuperação de
áreas que sofreram ou sofrem degradação significativa.

O maior problema reside no fato de o aparato legal não encontrar suporte numa estrutura
operacional que materialize o dia-a-dia das economias e das empresas, limitando-se, na prática a
gerir o cumprimento das rotinas e exigências legais, fatos hoje denunciados pelo Ministério Público
e organizações civis não governamentais.

No mapa da figura 38 observam-se as minas ativas e paralisadas distribuídas no território da


RMC, classificadas pela substância, conforme cadastro realizado no decorrer do PDM. O mapa
ilustra a ampla distribuição geográfica e a vocação regional de alguns bens minerais, e sugere
ainda que a concentração da atividade pode representar uma concentração de impactos
ambientais, significativa em termos regionais.

Em 2001 a MINEROPAR realizou um diagnóstico preliminar dos impactos ambientais da


mineração no Paraná (PELLENZ, 2001). Utilizando este trabalho como base, serão descritos os
principais impactos ambientais com relação aos principais insumos minerais explorados na RMC.

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# Chumbo e Z inco
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26 ° 15'
50° 49°

20 0 20 Km

Figura 38 - Localização na RMC das principais minas cadastradas, classificadas pelas


substâncias lavradas.

5.2.3 – IMPACTOS AMBIENTAIS NA EXTRAÇÃO DE AREIA

Embora a avaliação de impactos possa ser feita com base nos métodos de lavra, pelas
similaridades observadas em diferentes depósitos, a abordagem neste relatório foi direcionada aos
principais bens minerais, devido a algumas características específicas de cada um.

Os depósitos de areia são constituídos de sedimentos aluvionares recentes. A área de produção


se inicia nas cabeceiras do Iguaçu, em Piraquara, estendendo-se pelos municípios de Pinhais,
Curitiba, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Araucária e, em anos mais recentes, Balsa
Nova, apesar da distância média de transporte.

Este pólo de produção se constitui numa amostra representativa dos acertos e desacertos da
indústria extrativa de areia, desde a prospecção e pesquisa, lavra e beneficiamento, distribuição,

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alterações, efeitos e impactos ambientais decorrentes, além de impasses administrativos e


conflitos internos (entre produtores) e externos (com outros grupos e outros usos do solo).

Em Piraquara, Pinhais e Curitiba, as possibilidades de extração estão praticamente eliminadas


pelas restrições ambientais, pela criação de áreas de mananciais, além dos conflitos com outros
usos, bem como a própria exaustão das reservas. Em São José dos Pinhais ainda existem áreas
potenciais de exploração, mas os conflitos com outros usos e a legislação ambiental são
reforçados pelas exigências da municipalidade local. Em Fazenda Rio Grande ainda existem áreas
potenciais, mas também há extensos passivos ambientais das antigas lavras. Em Araucária existe
um processo de recuperação das matas ciliares que vem sendo acompanhado de expressiva
participação de organizações não governamentais. A fronteira de exploração deste pólo é Balsa
Nova, cujo centro consumidor é Curitiba.

A areia é extraída das planícies de inundação do rio Iguaçu e alguns afluentes, onde o relevo é
plano, com inundações periódicas. As lavras exibem cavas inundadas como característica comum,
de tamanho e forma variáveis, separadas por faixas de terra, e não raramente preenchidas por
dejetos diversos. Salvo algumas poucas exceções, as áreas são abandonadas pelos mineradores
criando uma paisagem bastante degradada.

A extração de areia, conforme descrito no capítulo 4, é feita basicamente por três métodos:
garimpagem, desmonte a seco com equipamentos pesados e dragagem. A garimpagem é feita por
canoa, com dois a três garimpeiros, com produção marginal e impactos inexpressivos. O segundo
método é o desmonte a seco, utilizando-se escavadeiras hidráulicas, pás carregadeiras e
caminhões, removendo o capeamento e transferindo-se a areia aos caminhões. Quando é o caso,
usam-se plantas de lavagem e peneiramento. O terceiro método é a dragagem, realizada no leito
ou fora dele, com o uso de escavadeiras e pás carregadeiras, com escavação até o nível freático e
depois o uso de uma balsa de sucção de 4 a 8 polegadas. O material dragado é transferido
diretamente para um pátio e para os caminhões, ou jogado sobre uma peneira. Nas fotografias 1 e
2, a seguir, são observados aspectos característicos da extração de areia na planície do Iguaçu.

Fotografia 1 - Área com extração de areia na região de Araucária (Folha COMEC -


A133). Pode-se observar o perfil típico do pacote aluvionar do rio Iguaçu, com argila
turfosa no topo, argila branca caulinítica intermediária e areia e/ou cascalho na base. A
área foi escavada, drenada com dragas e minerada com retroescavadeira e
caminhões. (Foto: MINEROPAR).

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Fotografia 2 - Aspecto dos areais já lavrados e abandonados, com as cavas inundadas.


(Folha COMEC - A133, região de Araucária. Foto: MINEROPAR).

Em função dos métodos descritos, podem ser relacionados os seguintes impactos:

• Impacto visual (paisagístico) gerado pela formação de grande número de cavas, pela
inexistência de projetos de recuperação da área minerada;
• Aumento de turbidez dos corpos d’água, pela remobilização de finos;
• Perda do solo vegetal, pela disposição inadequada no decapeamento e falta de
conservação antes dos trabalhos de mineração;
• Desmatamento da vegetação de várzea e mata ciliar;
• Desequilíbrio do fluxo hidráulico dos cursos d’água, pelas alterações nos canais e na
planície de inundação;
• Poluição das águas pelo eventual lançamento de combustíveis, óleos, graxas e esgoto
sanitário;
• Inviabilização do uso futuro do solo para outros fins, pela inexistência de projetos de
recuperação da área;
• Impactos sociais derivados. Após a lavra, as áreas degradadas são objeto de ocupação
irregular e favelização, além de acúmulo de esgotos e lixo.

Os Impactos Sociais Derivados

Apesar de serem consideradas áreas de risco para enchentes/inundações, as áreas situadas na


planície de inundação do rio Iguaçu são freqüentemente invadidas e ocupadas por loteamentos
irregulares, atendendo a uma demanda gerada por fluxos migratórios da população de baixa
renda. Os diversos conflitos da mineração com a expansão urbana foram detalhados em estudo
de FABIANOVICZ (1998).

A maior parte das famílias carentes concentra-se em áreas de risco em São José dos Pinhais e
sul de Curitiba. As casas ocupam até a faixa de proteção do rio, têm baixa metragem e são
desprovidas de infra-estrutura que garanta qualidade de vida aos moradores. Onde os “lotes” são
adjacentes às cavas, ocorre o franco comprometimento da qualidade das águas ali armazenadas,
em razão da disposição direta de resíduos sólidos e esgotos. Existe um entendimento da
população de que as cavas se prestam naturalmente a depósitos de lixo. Assim, os próprios
moradores contribuem para o entulhamento indiscriminado com lixo orgânico e materiais passíveis
de reciclagem, acreditando que este procedimento pode contribuir para a drenagem do terreno e à
ampliação da área disponível para ocupação.

Nas margens do Iguaçu, próximo à ponte da BR-277, os moradores chegam a construir “diques”
com lixo para evitar a invasão das águas. A degradação visual é amplificada pelo modo como a

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retirada da areia é feita, sendo comum que o capeamento argiloso seja abandonado em montes
ao redor da cava.

Outro aspecto sócio-ambiental está relacionado à qualidade das águas para abastecimento da
população. Com freqüência os sistemas de tratamento dos rios Iraí e Iguaçu são paralisados
devido à qualidade inadequada da água in natura. Em parte o problema é causado pelo despejo
clandestino de rejeitos da mineração de areia, diretamente nestes rios. Segundo a SANEPAR, as
alterações de cor e turbidez causadas pelos efluentes das cavas de areia impossibilitam a
obtenção da água tratada dentro dos padrões de potabilidade.

Para o tratamento da água em situações normais são consumidas como coagulante 1,14 t e 7,25 t
de sulfato de alumínio por dia, nos sistemas Iraí e Iguaçu, respectivamente. Nos dias em que há
interferências oriundas do despejo dos efluentes das minerações, o consumo de reagentes na
estação do Iraí chega a 1,6 t/dia, e na estação Iguaçu o consumo atinge 16,49 t/dia. Quando as
estações chegam ao limite de suas capacidades técnicas é necessário diminuir o volume de água
tratado ou até paralisar completamente os sistemas (ROCHA, 1996).

5.2.4 – MEDIDAS DE CONTROLE E REABILITAÇÃO PARA A MINERAÇÃO DE AREIA

Nos Trabalhos de Extração

As medidas mitigadoras nos trabalhos de extração de areia devem ser adotadas como
procedimentos operacionais, visando maior racionalidade e diminuição dos danos ambientais
decorrentes do método de lavra adotado, compreendendo:

• Deve-se evitar a mineração em áreas com cobertura vegetal, mantendo uma distância
mínima de segurança entre as cavas e as áreas de mata;
• Deve-se realizar a operação de lavra com decapeamento progressivo e o armazenamento
do material removido da cobertura (solo orgânico e argilas), para a recomposição posterior
da área;
• Deve-se adotar uma distância mínima entre as cavas e o limite legal da área (direito
minerário);
• Deve-se estabelecer uma distância mínima, obedecendo a legislação federal, entre as
cavas e o curso atual do rio. As zonas em processo de extração deverão ser isoladas do
curso do rio, para evitar o aumento de turbidez;
• A área do empreendimento deve ser demarcada com marcos resistentes e de fácil
visualização. A área também deve ser cercada para evitar os problemas de acesso da
população local e os riscos de segurança decorrentes;
• Durante o período de extração e na finalização do empreendimento as áreas mineradas
deverão passar por um processo de reconformação topográfica. Os materiais estéreis de
cobertura armazenados previamente, e mesmo materiais inertes de outra procedência,
poderão ser usados para preenchimento das cavas. Como este processo representa um
custo elevado, os mineradores deverão considerá-lo no próprio processo de lavra, para
amortização de custos ao longo da vida do empreendimento. Na finalização o solo
orgânico deve ser reutilizado para cobertura final das cavas.

Na Redução da Turbidez

O objetivo da redução do índice de turbidez (precipitação forçada de partículas) é limitar o aporte


de sedimentos gerados pela mineração à drenagem de captação, (SIEDLECKI e LIMA, 2001). A
resolução CONAMA n° 20/86 classifica os usos preponderantes das águas doces, salinas e
salobras. Os parâmetros estabelecidos devem ser considerados na compatibilização das águas
residuárias da ativi dade de extração de matéria-prima mineral.

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O respeito aos parâmetros definidos exige um programa de controle de poluição, sustentado por
coleta sistemática de amostras para ensaios físico-químicos de monitoramento. Os mecanismos
eletroquímicos que regem a interação das partículas dos argilo-minerais com a água, respondem a
fatores que regulam a estabilidade das suspensões, tais como: pH, concentração e tamanho do
argilo-mineral, natureza e teor dos cátions trocáveis, teor e concentração de sais solúveis e
presença de matéria orgânica (SIEDLECKI e LIMA, 2001).

A adição de determinadas substâncias químicas à suspensão (água + partículas) provoca a


diminuição do potencial eletrocinético, diminuindo também a repulsão entre os argilo-minerais.
Formam-se assim, aglomerados de partículas que sedimentam sob a ação da própria massa, por
floculação ou precipitação.

No Impacto Visual

A mitigação dos impactos visuais passa pela adoção de medidas complementares ao do processo
de extração. O objetivo é atenuar, à percepção humana, o contraste das áreas desnudadas e as
áreas circunvizinhas. Algumas medidas podem ser destacadas:

• Adoção de barreiras vegetais, com o plantio de espécies vegetais arbóreas ou arbustivas


alinhadas, formando uma ou mais linhas paralelas entre as zonas mineradas e as
propriedades vizinhas;
• Arborização dispersa na área da mineração, com plantio nas zonas de recomposição das
cavas;
• Reconformação topográfica, já referida acima.

Na Recuperação das Áreas Degradadas

Para a recuperação das áreas degradadas, ou das cavas abandonadas, poderá ser usada a
revegetação, a suavização de taludes e/ou preenchimento das cavas com materiais inertes,
conforme descrito no item relativo às medidas mitigadoras.

A recuperação e o uso futuro das áreas ainda permanece um encargo majoritariamente reservado
ao poder público, cujos critérios de priorização de ações não são completamente transparentes.
As propostas que atualmente são previstas como formas de recuperação/reabilitação prevêem a
utilização das áreas como parques para o lazer, pesque-pague, etc., que raramente têm sido
incorporadas pelos mineradores. Na RMC existem algumas iniciativas nesse sentido, com
destaque para o Areal Costa na região do Umbará (sul de Curitiba), mas a maior incidência destas
ações se concentra na região oeste do estado, que por sinal representa a região produtora mais
recente.

Conforme ressaltado por BITAR (1997), em tese relativa à recuperação de áreas degradadas em
São Paulo, é notável a ausência de políticas públicas específicas para recuperação de áreas deste
tipo no país, em que pese a freqüência dos conflitos da mineração com a ocupação urbana nas
áreas metropolitanas. É evidente a oportunidade de estabelecer critérios de recuperação destes
terrenos, que muitas vezes podem assumir um grande valor para as políticas de planejamento
regional pela sua localização geográfica.

A questão da recuperação da área degradada é essencial para evitar a ocupação irregular e


assegurar a reutilização para outros fins. Após o acidente de derramamento de óleo do oleoduto
da PETROBRAS, em julho de 2000, o governo do Estado lançou um projeto de reabilitação do
Alto Iguaçu, que pode representar o caminho mais racional para se integrar um conjunto de
soluções de ordenamento territorial, com a reutilização das áreas lavradas, manutenção da
qualidade das águas, impedimento de ocupações irregulares e melhoria no sistema hídrico do

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Iguaçu. A figura 39 apresenta um esboço da conformação final e consolidação do espaço,


conforme o Projeto Iguaçu Rio Limpo, hoje no âmbito da SUDERHSA.

Figura 39 – Esboço de proposta de recuperação das áreas mineradas do Vale do


Iguaçu, incluindo agricultura orgânica, conformação de cavas, criação de áreas de
lazer, náutica e piscicultura, delimitação de áreas para relocação e
reassentamentos populacionais. Neste projeto a mineração tem o espaço
preservado, seguindo critérios técnicos (Fonte: Projeto Rio Limpo, COMEC, 2000).

5.2.5 – IMPACTOS AMBIENTAIS NA EXTRAÇÃO DE ARGILA

A Região Metropolitana de Curitiba tem o maior número de olarias e o maior consumo de argila,
mas as empresas são de menor porte quando comparadas com outras regiões do estado. Na
RMC as olarias concentram-se na parte sul de Curitiba, Fazenda Rio Grande, São José dos
Pinhais e Balsa Nova, sendo empresas familiares, sem traços significativos de modernização, com
muitas dificuldades relacionadas com o fornecimento e a qualidade da matéria prima.

A questão das olarias foi tratada neste Plano Diretor na análise da economia mineral, incluindo o
cadastro de mais de 300 empresas concentradas na região a sul de Curitiba. Os dados
econômicos podem ser apreciados em detalhes no capítulo 3. Na figura 40 estão representadas
as olarias cadastradas no decorrer do PDM.

A argila como insumo mineral constitui a principal matéria prima para indústria cerâmica e pode
ser subdividida em dois grandes grupos:

• Depósitos de argilas transportadas, representadas pelas acumulações sedimentares


atuais e subatuais, associadas aos aluviões, chamadas de argilas de várzea;
• Argilas residuais ou primárias: aquelas extraídas no local em que se formaram, pela ação
do intemperismo sobre a rocha matriz que lhes deu origem.

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Figura 40 – Olarias cadastradas na RMC. Fonte: PDM.

Inicialmente, a argila era obtida em várzeas e extraída para uso direto na moldagem das peças,
sem mistura. Na bacia do Alto Iguaçu, principal pólo de produção da cerâmica vermelha, a argila
utilizada pelas olarias era proveniente exclusivamente das jazidas de areia, o que ainda é feito em
parte. Com a evolução da tecnologia de produção e a necessidade de atendimento a novas
especificações, a produção de argila se diversificou até a situação atual, onde podem ser
misturados materiais provenientes de até quatro jazidas diferentes para obter a massa industrial.

Os conflitos existentes, mais evidentes, acontecem nas áreas de produção periférica aos grandes
centros urbanos e dizem respeito ao uso competitivo do solo com os loteamentos, e também com
relação às áreas degradadas pela lavra que dão origem a ocupações irregulares. As alterações
ambientais produzidas pelas lavras de argila em áreas de várzea são semelhantes àquelas
produzidas pela extração de areia nas mesmas áreas:

§ Desmatamento;
§ Perda de solo vegetal pela sua não remoção e correta disposição antes do início dos
trabalhos de mineração para uso na recuperação posterior;
§ Aumento da turbidez dos corpos d’água pela remobilização de finos;
§ Perda da mata ciliar pelas quedas das margens por solapamento;
§ Desequilíbrio do fluxo hidráulico dos cursos d’água pela modificação do regime
hidrodinâmico;
§ Poluição e assoreamento hídricos produzidos pela erosão da frente de lavra e pilhas de
rejeito e minério;
§ Formação de grandes lagoas e inviabilização do uso futuro do solo (cavas) pela
inexistência de projetos de recuperação da área minerada/degradada;
§ Poluição das águas pelo eventual lançamento de combustível, óleos, graxas e esgoto
sanitário;
§ Descaracterização da paisagem pela implantação da mina e pela criação de taludes de
solo e construção de bacias de decantação para retenção de finos;
§ Danos à flora e fauna.

Para as lavras em barranco as alterações são praticamente as mesmas, com uma abrangência
menor e impactos e passivos menos significativos. Tecnicamente a recuperação das áreas
degradadas é mais fácil. Por outro lado, a intensificação destas áreas de extração está ampliando

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a distribuição das áreas degradadas (fotografia 3), sem identificação dos responsáveis e sem
recuperação. A mistura das matérias-primas, como as argilas provenientes das lavras da areia
com argilas de solos de alteração da Formação Guabirotuba e das rochas gnáissico-migmatíticas,
tem causado uma busca generalizada por fontes de insumos para as olarias e intensificado estas
lavras de barrancos e de encostas (LOYOLA, 2000).

Fotografia 3 –. Lavra de argila vermelha extraída de forma inadequada, sem


planejamento e recuperação. Município de São José dos Pinhais, rio do Despique
(Foto: PDM, ponto CM092a).

As características atuais da extração de argila são as incontáveis pequenas lavras, com grande
distribuição geográfica, conforme foi explicitado acima. A operação típica de uma lavra de argila
envolve um ou dois equipamentos (pá-carregadeira e/ou retroescavadeira e escavadeira
hidráulica) e caminhões alimentando o estoque das olarias, geralmente em períodos
descontínuos.

Um impacto paralelo à mineração da argila é o desmatamento destinado à produção de lenha, que


num passado não muito distante se servia de qualquer reserva florestal para cobrir a demanda,
gerando um passivo ambiental difícil de quantificar. Na RMC o consumo de lenhas pelas olarias e
também pelas “caieiras” (produção de cal) originou a atividade de reflorestamento com bracatinga
destinada à produção de lenha. Atualmente a tecnologia de queima de resíduos da indústria da
madeira (serragem) vem substituindo a queima da bracatinga nas caieiras e nas olarias, situação
que pode mudar com a recente instalação da indústria de moldados de produtos florestais (MDF)
que não geram resíduos, aproveitando integralmente a biomassa florestal.

5.2.6 – MEDIDAS DE CONTROLE E REABILITAÇÃO PARA A MINERAÇÃO DE ARGILA

Trabalhos de controle e/ou recuperação dos impactos ambientais são praticamente


desconhecidos, ocorrendo apenas a formação de parques de lazer, tanques de piscicultura e/ou
pesque – pague. Os impactos ambientais da mineração de argila acabam sendo pulverizados, no
tempo e no espaço, e em muitos casos são mascarados pela própria natureza, com alguma
regeneração vegetal natural e estabilização de processos erosivos.

Conforme ressaltado no capítulo 4, relativo ao Planejamento na Mineração, as principais medidas


de controle envolvem a capacitação técnica dos mineradores. Na fase de extração, a recuperação
tem de ser desenvolvida ao longo do empreendimento, usando horas ociosas de máquinas e

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empregados. Ressalta-se que o processo de recuperação adiado para o final do empreendimento


pode se tornar inviável LOYOLA (2000). Entre as medidas passíveis de aplicação, ressaltam-se:

• Suavização de cortes e aterros;


• Atenuação de taludes;
• Replantio da vegetação com preparação prévia de solo;
• Controle na extração indiscriminada de material argiloso, sem qualquer tipo controle;

A argila apresenta dificuldades pela dependência da mineração de areia, como fonte de matéria-
prima. O esgotamento e a migração das empresas extrativas de areia ao longo do Vale do Iguaçu
gera problemas de logística e transporte. Ultimamente, além deste aspecto, uma parte da
mineração de areia está em suspenso pelo contencioso ambiental, estando em andamento um
processo de ajustamento de conduta dos mineradores com os órgãos ambientais e o Ministério
Público, para decidir os termos em que a atividade pode vir a se desenvolver nesta região.

Outro pólo de produção de argila é Tijucas do Sul, onde a produção atende à indústria de
cerâmica branca e apresenta áreas de mineração intensiva, com equipamentos pesados, grandes
volumes de material e atividades de recuperação sendo desenvolvidas de forma adequada
(fotografia 4). Neste caso, ainda, os direitos minerários são parte do processo, em contraste com
as pequenas lavras de argila para cerâmica vermelha, clandestinas na maior parte.

Fotografia 4 – Aspecto da mineração de argila caulinítica para a indústria de


cerâmica branca, em Tijucas do Sul (Foto: PDM, ponto CM450).

5.2.7 – IMPACTOS NA EXTRAÇÃO DE ROCHA PARA BRITA, ORNAMENTAL E CANTARIA

Pedra Britada

As litologias principais usadas para produção de brita são granitos, gnaisses-graníticos, vulcânicas
ácidas, gnaisse-migmatitos e diabásios. A brita resulta da cominuição de blocos obtidos do
desmonte com explosivos de maciços de rocha dura, através de britadores, sendo largamente
empregada na confecção de concretos estruturais, pavimentos e obras de infra-estrutura.

Na Região Metropolitana de Curitiba as pedreiras se concentram nos granitos da Serra do Mar


(Quatro Barras) e nos complexos de rochas gnáissico-migmatíticas, a sul de Curitiba, geralmente
localizadas próximas das grandes vias rodoviárias. As lavras nas pedreiras seguem as seguintes

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etapas: desmatamento, decapeamento, desmonte a fogo (perfuração, carregamento com


explosivos e detonação), que pode incluir o desmonte secundário ou fogacho, britagem,
classificação ou peneiramento, carregamento e transporte.

As pedreiras começam a operar afastadas dos núcleos urbanos, mas com o tempo as áreas
desvalorizadas do entorno acabam ocupadas. São áreas consideradas de risco, com o
desconforto causado pela poeira, ruídos, vibrações e a possibilidade de ultralançamentos,
principalmente onde se usa o fogacho para redução de matacões. Um conjunto de problemas
técnicos e operacionais é comum na maioria das lavras existentes no Paraná, em particular as de
menor porte ou que ocupam mercados menos competitivos.

Pedra de Cantaria e Rochas Ornamentais

A RMC é produtora de rochas para fins ornamentais e de cantaria, principalmente no Sienito


Tunas (Verde Tunas), em rochas graníticas nas regiões de Quatro Barras e Três Córregos e
rochas carbonáticas. Também são aproveitadas, em menor escala, rochas gnáissico-migmatíticas
e diabásios. As lavras se desenvolvem em maciços ou matacões.

Na Serra do Mar subsiste uma atividade semi-artesanal de corte de blocos, paralelepípedos, guias
e lousinhas, às vezes em áreas de preservação ou com restrições ambientais. Esta mineração de
pequeno porte opera em regime familiar ou em associações, utilizando métodos manuais e a
pólvora negra para o rompimento dos blocos. Também subsiste o talhe de pedra para utilização no
revestimento de vias urbanas e rurais.

A região de maior importância econômica é a do Sienito Tunas, com intensa atividade de lavra, na
maior parte em blocos e matacões, para obtenção da rocha comercializada com a denominação
de Verde Tunas para fins ornamentais (fotografia 5).

As etapas são similares às demais lavras a céu aberto, com desmatamento, decapeamento,
desmonte a fogo (perfuração, carregamento com explosivos e detonação), que pode incluir o
desmonte secundário ou fogacho. Eventualmente se emprega fio diamantado, onde a
conformação da rocha permite o seu uso com eficácia.

Fotografia 5 –– Aspecto de lavra no Sienito Tunas, realizada sem o planejamento e


controle adequados, pelas irregularidades do maciço lavrado (Foto: PDM, ponto
CM229c).

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Os principais impactos decorrentes das atividades de lavras, tanto nas pedreiras para brita, quanto
nas lavras de rocha ornamental e de cantaria são similares, diferindo na escala da operação,
envolvendo:

• Desmatamento;
• Remoção da cobertura de solo que pode chegar a vários metros;
• Operação de britagem, normalmente processada junto à área de lavra, agrava os
problemas de ruídos e poeiras, acentuando os efeitos negativos para a vizinhança e
os operários;
• Desmontes mal dimensionados, proporcionando ultralançamento e vibrações
resultantes da propagação de ondas liberadas pelas explosões. Inclui a utilização
sistemática e perigosa de fogos secundários (fogacho);
• Destinação não controlada de estéreis, com erosão associada e o aumento da carga
sólida das drenagens adjacentes, causando desequilíbrio do fluxo hidráulico dos
cursos d’água e modificação do regime hidrodinâmico;
• Entulhamento eventual de cabeceiras de drenagem, pela falta de planejamento na
lavra.

5.2.8 – MEDIDAS DE CONTROLE E REABILITAÇÃO

A mitigação dos passivos gerados e a recuperação ou reabilitação das áreas (adequação das
áreas mineradas para outros usos) tem bons exemplos na cidade de Curitiba (Pedreira Paulo
Leminski, Ópera de Arame, Parque Tanguá, Universidade Livre do Meio Ambiente), mas todas se
referem a iniciativas da administração pública, às vezes até beneficiando os detentores das áreas
circunvizinhas pela valorização das áreas remanescentes da extração mineral (e esta é uma
questão crítica nas iniciativas públicas de recuperação ambiental em geral).

A implantação de atividades rotineiras de monitoramento dos índices da qualidade ambiental,


como o nível da propagação de ruídos e deslocamento de ar, partículas em suspensão, qualidade
das águas drenadas durante a operação, programas de treinamento em meio ambiente,
segurança do trabalho e saúde ocupacional, permitiriam ajustar os processos aos parâmetros
aceitáveis.

Um aspecto essencial é a emissão de particulados e o desmonte de rocha, que têm recebido


maior atenção por parte das pedreiras, antecipando a necessidade de trabalhar com melhor
tecnologia para melhores resultados econômico-financeiros. A minimização de rejeitos é
extremamente necessária, o que pode ser auxiliado pelo aproveitamento de blocos menores, por
exemplo. Isso pressupõe medidas de planejamento da lavra, implantação de bancadas e
conformação dos depósitos de rejeitos e adoção de tecnologias de corte. O abandono da prática
de fogacho é outra medida de grande importância na minimização dos riscos de ultralançamentos.

Outros aspectos envolvem:

• Suavização de cortes e aterros;


• Atenuação de taludes;
• Replantio da vegetação com preparação prévia de solo.

5.2.9 – IMPACTOS AMBIENTAIS NA EXTRAÇÃO DE ROCHAS CALCÁRIAS

No Paraná as rochas carbonáticas (calcíticas e dolomíticas) são lavradas intensamente nos


terrenos metamórficos do primeiro planalto, nas faixas noroeste, central e sudeste. A produção é
na maior parte realizada nos limites da Região Metropolitana de Curitiba. São calcários destinados
preferencialmente à produção de cimento, corretivo de solos, cal, cal calcítica, ração animal,
granilha e outros usos menores (PELLENZ, 2001).

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Segundo DIAS (1995), a extração do calcário para o setor cimenteiro é processada em larga
escala e totalmente mecanizada, com bancadas de 10 a 20 metros de altura e taludes de 70 a 90
graus, enquanto na mineração de dolomito (em menor escala), as frentes de lavra apresentam
bancadas únicas, cuja altura pode atingir até 60 metros, com inclinação próxima da vertical, o que
dificulta a extração e resulta em maior custo de produção e decréscimo da produtividade.

O ponto central, sob o enfoque dos eventuais impactos e passivos produzidos pela indústria de
extração de rochas carbonatadas, ressalvadas as proporções das lavras destinadas à indústria
cimenteira, é que elas trabalham de forma muito semelhante às pedreiras para brita. Em ambos os
casos as lavras são implantadas a céu aberto, cuja operação inicial se faz com supressão da
vegetação e remoção da camada estéril, e continua com perfuração, detonação e desmonte
secundário, britagem e moagem, transporte, vibrações, ruídos e poeiras, além de provocar erosão
e assoreamento.

O pó de calcário e principalmente o de óxido de cálcio (cal virgem) são altamente higroscópicos,


combinando-se facilmente à umidade do ar, podendo causar queimaduras na pele e mucosas,
além de problemas oftalmológicos e pulmonares. Os gases expelidos pelos fornos de calcinação
são constituídos de anidrido carbônico, composto extremamente tóxico. É uma característica das
pedreiras de cal o grande número de lavras embocadas e abandonadas pelos mineradores,
reveladoras do empirismo da atividade, que até o início da década de 70 desconhecia ou ignorava
a prospecção e a pesquisa mineral.

Verifica-se um crescente conflito pelo avanço da urbanização em direção às minas, ou mais


freqüentemente em direção às áreas de beneficiamento, que nos calcários geralmente são mais
distantes e nas pedreiras para brita geralmente são contíguas às frentes de lavra. Existe conflito
em áreas de interesse e/ou de proteção ambiental, que abrigam relevos cársticos e áreas de
interesse espeleológico. A atividade de aproveitamento de calcários é muito antiga na Região
Metropolitana de Curitiba, registrando-se que o povoado de Rio Branco do Sul surgiu em 1790 em
torno de arraiais de mineração. Relatos de moradores dão conta que no século XIX a extração de
calcário iniciava-se nas entradas das cavernas. Há algumas décadas praticava-se também a cata
de calcita dos espeleotemas, como ocorreu nas grutas da Piedade e Jesuítas/Fadas. Na década
de 1960 a determinação de locais potenciais para preservação acabou por estimular a destruição
de muitas grutas, pois os proprietários temiam perder áreas altamente promissoras para a
mineração (SESSEGOLO et al, 1996).

Por conta do intenso trabalho desenvolvido pelo Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná
GEEP-Açungui muitas cavernas foram localizadas, identificadas e mapeadas, sendo necessário
incluir um reconhecimento espeleológico nos requerimentos de licenciamento ambiental de
empreendimentos mineiros envolvendo rochas carbonatadas.

A rigor, as minerações de calcário calcítico e de calcário dolomítico produzem a mesma resultante


de impactos ambientais, padecem dos mesmos conflitos e geram os mesmos tipos de passivos. A
grande diferença que pode ser apontada é a estrutura e a tecnologia de produção aplicada pelas
empresas menores, geralmente operadas diretamente por familiares, ao contrário das empresas
vinculadas a grupos econômicos de maior porte que têm sua administração profissionalizada,
como é o caso das cimenteiras.

Na seqüência, a fotografia 6 mostra um aspecto característico de uma frente de lavra de calcário


dolomítico, situada na Formação Capiru, na região de Colombo, para produção de cal e corretivo
de solo, onde se registram centenas de cavas similares abandonadas. A fotografia 7, em
contraste, mostra a situação da mineração de grande porte do calcário calcítico na Formação
Votuverava, produzindo insumos para a indústria cimenteira de Rio Branco do Sul.

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Fotografia 6 – Aspecto de frente de lavra em rocha calcária, na região de


Colombo, evidenciando a falta de planejamento mineiro, ausência de
bancadas e o abandono da área sem medidas de recuperação (Foto: PDM,
ponto CM764).

Fotografia 7 - Mina Saivá, metacalcário calcítico – Exemplo de lavra de


grande porte, desenvolvida com técnicas adequadas de engenharia de
minas (Foto: PDM, ponto CM369).

5.2.10 – MEDIDAS DE CONTROLE E REABILITAÇÃO NA MINERAÇÃO DE CALCÁRIOS

Da mesma forma que nas lavras de rocha para brita ou para usos ornamentais, as lavras de
rochas calcárias desenvolvidas a céu aberto, devem ser conduzidas com base no planejamento da
mineração, com o conhecimento da jazida, adequação de equipamentos, planejamento e
dimensionamento das bancadas, planejamento dos planos de fogo, abandono do desmonte
secundário por meio de fogacho e correta disposição dos materiais de cobertura e dos rejeitos da

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mineração, com especial atenção à rede hidrográfica vi zinha, bem como às possíveis formações
espeleológicas.

Considerando que muitas vezes são minas de grandes dimensões (ver fotografia 7), é difícil
viabilizar a reabilitação da área ao final das atividades minerais, mas podem ser estudadas
alternativas de uso no esgotamento das reservas, em conjunto com a comunidade. Estes usos
podem envolver a deposição de materiais inertes e mesmo de outros resíduos sob condições
controladas, uso para reserva de água, áreas de lazer, etc.

Outros aspectos envolvem:

• Suavização de cortes e aterros;


• Atenuação de taludes;
• Replantio da vegetação com preparação prévia de solo;
• Melhor aproveitamento e minimização de rejeitos.

5.2.11 – IMPACTOS AMBIENTAIS DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS MINERAIS

Chumbo/Prata

A mineração de chumbo da região de Adrianópolis encontra-se paralisada há mais de meia


década. Desde 1939 a região de Panelas centralizava a lavra e a metalurgia de chumbo, com
outros metais como subproduto, como a prata. Em termos de impactos ambientais, apesar dos
perigos conhecidos dos efeitos cumulativos do chumbo sobre a fisiologia humana, nunca se
exigiram medidas de controle mais adequadas por parte do empreendedor, quanto às normas de
saúde do trabalho e também no tocante à contaminação ambiental.

De 1978 a 1985, a CETESB – Companhia de Saneamento Ambiental de São Paulo, procedeu a


amostragens sistemáticas da água e de sedimentos do rio Ribeira para detecção de metais
pesados, para monitoramento do sistema estuarino de Iguape-Cananéia. Foi constatado que o
nível de chumbo era 550 vezes superior ao limite recomendado para água e 100 vezes para os
sedimentos. Em 1989 a SUREHMA – Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental do Paraná, determinou a paralisação da usina de metalurgia. Mais tarde a usina voltou
a funcionar com dois pequenos tanques de rejeitos localizados na margem do rio Ribeira, que
estavam no limite da capacidade por ocasião da paralisação completa da usina em 1995. A
paralisação da lavra e beneficiamento se fez por contingências do mercado internacional de
metais, sem qualquer influência das eventuais restrições ambientais.

Em 2001, a geoquímica Fernanda Cunha da CPRM, em pesquisa de doutorado na Unicamp,


detectou índices de contaminação por chumbo em um grupo de 355 crianças avaliadas, com uma
média de teor de 11,89 microgramas por decilitro de sangue. Esta contaminação, segundo a
pesquisadora, indica que o processo de contaminação ainda está atuando hoje, vários anos
depois da desativação da usina de beneficiamento em 1995, já que o chumbo tem uma meia vida
curta no sangue. Este índice é superior ao limite de 10 microgramas por decilitro de sangue,
estabelecido pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA (UNICAMP, 2003). Em reação a estas
denúncias, o governo do estado autuou e multou o proprietário do espólio da Plumbum, pela
presença de pilhas de rejeito no pátio da indústria desativada, e pelo transporte de parte deste
rejeito para ser retrabalhado em São Paulo.

O fato concreto é que o passivo ambiental da mineração de chumbo do distrito do Vale do Ribeira
é significativo, não apenas na antiga planta de Panelas, e precisa ser reconhecido na sua real
extensão. Na fotografia 8 pode-se observar uma das pilha de rejeitos da mineração de chumbo na
região de Adrianópolis.

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Fotografia 8 – Aspecto das pilhas de rejeito de minério de chumbo no


Vale do Ribeira, em Adrianópolis (Foto: PDM).

Água Minerais

A legislação trata de forma diferenciada a exploração de água mineral da captação de água para o
abastecimento público, o que traz conseqüências no aproveitamento das águas subterrâneas,
quando classificadas de uma ou outra forma. Dentro deste quadro, as fontes de água mineral no
Paraná, registradas perante o DNPM em 1999 são apenas 17, enquanto os dados obtidos junto à
SUDERHSA, mostram que até junho de 1998 foram outorgados por aquela instituição 2.938 poços
para usos variados.

Um número desconhecido de poços tubulares profundos contratados por particulares também


opera sem qualquer registro. Muitos destes poços se enquadram na categoria das águas minerais,
como é o caso das águas bombeadas do karst pela SANEPAR, na região de Almirante
Tamandaré, Colombo, Bocaiúva do Sul e Campo Magro, para o sistema de abastecimento da
RMC.

A produção de água subterrânea para uso no sistema de abastecimento de água da RMC acabou
por gerar grandes conflitos de uso do solo entre os agricultores e a SANEPAR. A exploração
intensa e contínua provocou acidentes geotécnicos, com colapsos e afundamentos de solos
causados pelo rebaixamento rápido e excessivo do nível freático nas áreas de captação. A origem
destes acidentes deveu-se, fundamentalmente, à ausência de estudos prévios suficientes e a
problemas de calibragem das quantidades produzidas, o que foi resolvido em parte com um
monitoramento adequado dos níveis do aqüífero, atualmente em vi gor.

Estes impactos motivaram revisões de estratégia para o aproveitamento do aqüífero, frente aos
diferentes usos do solo na região e aos altos riscos geológicos induzidos pela exploração de água,
preocupação que está presente nos estudos em andamento na COMEC para redefinição dos
mananciais que incluem os limites do aqüífero karst.

Outro impacto previsível é a contaminação de reservatórios subterrâneos naturais por poluentes


originados de ações antrópicas (efluentes industriais, agroquímicos, etc.), sejam elas de natureza
causal ou acidental. No limite máximo, um aqüífero pode ser destruído (tornar-se improdutivo),
como resultado de aproveitamento ambicioso e predatório das suas reservas e/ou uso
imprevidente e descuidado das suas áreas de recarga.

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