26/03/2026, 20:48 Pesquisa propõe uso de nanofibras com óleo de capim-limão em antitranspirantes - Notícias - Jornal da Unicamp
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ATUA L I DA D E S I N OVAÇÃO PE S Q U I S A
Pesquisa propõe uso de
nanofibras com óleo de capim-
limão em antitranspirantes
Composição oferece alternativa viável aos sais de
alumínio, que podem causar irritações e alergias
24 O UT 2 0 2 5
Autoria C H R I ST I A N M A R R A ( CO M U N I CAÇÃO I N OVA U N I CA M P)
Edição de Imagem PAU LO CAVA L H E R I
Fotografia I G O R A L I S S O N ( CO M U N I CAÇÃO I N OVA U N I CA M P)
O
s compostos à base de sais de alumínio são
ingredientes comuns usados pela indústria
cosmética na formulação de desodorantes
e antitranspirantes. Esses sais reduzem ou
inibem a liberação do suor pelas glândulas sudoríparas, o
que diminui a disponibilidade de substratos para as
bactérias presentes na pele, contribuindo, assim, para a
redução do mau odor. No entanto, é comum que alguns
consumidores tenham maior sensibilidade a esses sais, que
podem causar reações adversas na pele. As queixas mais
comuns são o surgimento de irritações locais e alergias.
A ausência de alternativas eficazes motivou um grupo de
pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas
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(FCF) e da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da
Unicamp a buscar uma nova forma de aplicação dos ativos
antitranspirantes sem o uso de sais de alumínio. Com esse
objetivo, eles desenvolveram uma matriz de nanofibras de
polímeros – uma membrana ultrafina, com alta área de
superfície – capaz de absorver o suor e, ao mesmo tempo,
liberar substâncias antibacterianas.
“As nanofibras são como um tecido delicado, que pode ser
aplicado diretamente na pele. Elas têm alta capacidade de
absorção do suor e inibem o crescimento das bactérias que
causam o mau odor”, explica Valéria Holsback, doutoranda
que trabalhou na pesquisa ao lado da professora Gislaine
Leonardi, ambas da FCF.
A tecnologia desenvolvida permite, segundo a
pesquisadora, criar estruturas com alta capacidade de
absorção de líquidos, grande superfície de contato com a
pele e liberação controlada de ingredientes ativos,
tornando-a ideal para aplicações cosméticas e terapêuticas.
Ainda de acordo com Holsback, para garantir a ação
antibacteriana, foram testados dois óleos essenciais para
chegar à definição de um que obtivesse resultados mais
adequados. Após testes laboratoriais, o capim-limão
(lemongrass) se destacou por sua maior eficácia.
“Identificamos que, mesmo em concentrações menores, o
óleo de capim-limão foi mais eficiente para inibir o
crescimento das bactérias associadas à formação do mau
odor nas axilas”, observa a pesquisadora.
Holsback também ressalta que, além da ação funcional, a
escolha dos ingredientes foi pensada de modo a garantir a
segurança e a viabilidade do produto. “Não estamos lidando
com substâncias desconhecidas. Todos os componentes
escolhidos — os polímeros das nanofibras, o etanol como
solvente e o óleo de capim-limão — já são amplamente
utilizados em cosméticos”, acrescenta ela, destacando que
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isso facilita o avanço da tecnologia para etapas posteriores,
como os testes em voluntários.
A tecnologia desenvolvida permite criar estruturas com alta capacidade de absorção de
líquidos tornando-a ideal para aplicações cosméticas e terapêuticas
Aplicações das nanofibras poliméricas
Entre os principais benefícios da nova tecnologia está a
possibilidade de oferecer uma alternativa para pessoas
sensíveis aos sais de alumínio. “Atualmente, os sais de
alumínio são os únicos ingredientes com ação comprovada
para controlar a sudorese. Mas quem tem sensibilidade a
esses compostos simplesmente não tem outra opção no
mercado”, acrescenta Holsback.
Outro diferencial da tecnologia é a sua versatilidade de
aplicação. A membrana pode ser usada como um adesivo
aplicado diretamente na pele. “A pessoa poderia aplicar o
produto em casa, com facilidade, quando necessário”, diz
Holsback. Segundo ela, essa alternativa teria a vantagem de
contribuir para a redução do uso de embalagens plásticas,
que são comuns nos produtos cosméticos tradicionais.
A pesquisadora também destaca que as possibilidades de
uso da matriz de nanofibras vão além dos antitranspirantes.
A tecnologia pode ser adaptada para outras finalidades na
indústria cosmética, como máscaras faciais com ação
hidratante e antioxidante, ou mesmo no setor farmacêutico.
“A estrutura da nanofibra — com alta capacidade de
absorção e liberação controlada de compostos — pode ser
utilizada em curativos medicinais, incorporando anti-
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inflamatórios, cicatrizantes ou antialérgicos. Na realidade, a
tecnologia já é explorada na área médica, e estamos
expandindo seu uso para a área cosmética.”
A Agência de Inovação Inova Unicamp estabeleceu a
estratégia e realizou o depósito da patente desta
tecnologia tanto no Brasil quanto no âmbito internacional,
por meio do Tratado de Cooperação em Matéria de
Patentes (PCT, na sigla em inglês). Dessa forma, a
tecnologia está disponível para ser licenciada para uso
comercial no país e no exterior. Mais informações sobre este
invento podem ser encontradas aqui.
A nova tecnologia está alinhada diretamente ao Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 da Organização das
Nações Unidas (ONU), que trata de assegurar uma vida
saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as
idades. Ao oferecer uma alternativa mais segura aos sais de
alumínio, a matriz de nanofibras contribui para o
desenvolvimento de produtos cosméticos mais seguros,
inclusivos e acessíveis, promovendo a saúde da pele e o
conforto de pessoas sensíveis a ingredientes tradicionais.
Além disso, ao promover aplicações mais eficazes com
menor quantidade de ativos, a tecnologia reforça práticas
mais conscientes e ambientalmente sustentáveis na
indústria cosmética.
Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.
Foto de capa:
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Pesquisadores da FEA e FCF buscaram uma nova forma de aplicação dos
ativos antitranspirantes sem o uso de sais de alumínio
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