0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações10 páginas

Transferência de Oócitos em Éguas: in Vitro

O documento aborda os avanços lentos nas biotécnicas de reprodução em equinos, destacando a transferência de oócitos como uma técnica promissora para a conservação genética. A revisão discute fatores que influenciam o sucesso da transferência, como a origem dos oócitos, protocolos hormonais e a qualidade do sêmen. O objetivo é fornecer uma compreensão abrangente da técnica e suas aplicações na melhoria da reprodução equina.

Enviado por

Mateus Lima
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações10 páginas

Transferência de Oócitos em Éguas: in Vitro

O documento aborda os avanços lentos nas biotécnicas de reprodução em equinos, destacando a transferência de oócitos como uma técnica promissora para a conservação genética. A revisão discute fatores que influenciam o sucesso da transferência, como a origem dos oócitos, protocolos hormonais e a qualidade do sêmen. O objetivo é fornecer uma compreensão abrangente da técnica e suas aplicações na melhoria da reprodução equina.

Enviado por

Mateus Lima
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 460

TRANSFERÊNCIA DE OÓCITOS EM ÉGUAS

Bruna Marcele Martins de Oliveira1


Carina de Fátima Guimarães1
Juliana Nascimento Bittar2
Eneiva Carla Carvalho Celeghini1
Claudia Barbosa Fernandes1

RESUMO

Os progressos das biotécnicas da reprodução nos equinos são lentos quando comparados a
outras espécies. Isso se deve primariamente ao grande número de particularidades
anatomofuncionais inerentes à espécie e também à escassa disponibilidade de material para
pesquisa. Produtos advindos de fêmeas de elevado padrão genético, por meio da conservação
dos ovários, tornaram-se possíveis, determinando a continuidade do material genético em
técnicas de Maturação in vitro (MIV) e Transferência de Oócitos (TO). As potenciais
candidatas a doadoras de ovócitos são as fêmeas acometidas por afecções ovarianas, uterinas
e cervicais, éguas que não apresentam bons resultados na Monta Natural (MN), Inseminação
Artificial (IA) e/ou Transferência de Embriões (TE), sem causa definida, ou animais com
anormalidades adquiridas durante a vida reprodutiva. Para a obtenção de oócitos em boas
condições para transferência, alguns protocolos hormonais são utilizados com o objetivo de
acelerar a maturação folicular e oocitária. Atualmente, a colheita dos oócitos é feita por meio
de aspiração e lavagem dos folículos via transvaginal, guiada por ultrassonografia (TVA), no
entanto, punções pelo flanco ou laparotomia com exposição dos ovários e aspiração dos
folículos foram relatadas com sucesso. Os ovários de éguas abatidas em matadouro são as
fontes mais abundantes de gametas, são excelentes modelos experimentais e material de
treinamento. O sucesso da TO depende de vários fatores, um dos mais importantes tange a
origem do oócito e a dificuldade de maturá-los in vitro, resultando em baixas taxas de
desenvolvimento embrionário. Oócitos originários de folículos pré ovulatórios, maturados in
vivo, apresentam taxas mais elevadas que as de oócitos maturados in vitro. A qualidade e o
tipo de conservação do sêmen também interferem nos resultados, assim como a idade da
doadora e da receptora determinam fator importante no sucesso da concepção por meio de
TO. Assim, por se tratar de uma biotecnologia com grandes perspectivas e de uso ainda
restrito, pela ausência de conhecimentos consolidados no assunto, o objetivo desta revisão é
abordar os pontos relevantes para a compreensão e desenvolvimento da técnica de
transferência de oócitos na espécie equina.

Palavras-chave: maturação in vitro, biotecnologia da reprodução, equinos, ovócitos.

OOCYTE TRANSFER IN MARES

ABSTRACT

The progress of reproduction biotechnologies in horses are slow compared to other species.
This is due to the large number of anatomical peculiarities inherent to the species and also by
the limited availability of research material. Products from females of high genetic pattern,
through the ovary conservation became possible, determining the continuity of genetic
material through techniques like Oocytes in Vitro Maturation (IVM) and Oocyte Transfer

1
Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.
Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87 - Cidade Universitária - São Paulo, SP CEP 05508-270. fernandescb@[Link]
2
Departamento de Ciências Básicas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo.

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 461

(OT). Potential candidates to oocyte donors are older females and / or affected by ovarian,
uterine, cervical disorders, and mares that have not had good results in Natural Mating (NM),
Artificial Insemination (AI) and / or TE (Embryo Transfer) without apparent or acquired
causes during their reproductive life. To obtain oocytes for transfering in good conditions,
some hormonal protocols are used in order to accelerate follicular and oocyte maturations.
Nowadays, collection of oocytes is made by aspiration and washing of the follicles guided by
transvaginal ultrasound (TVA), however, punches through the flank or laparotomy with
ovarian follicles exposure and aspiration have been reported with success. The ovarian
oocytes from slaughterhouse are the most abundant gametes sources, excellent experimental
models and training materials for valuable mares that may die. TO's success depends on
several factors: one of the most important is related to the oocyte origin and in vitro
maturation difficulty, resulting in embryonic development low rates. Oocytes from pre-
ovulatory follicles, matured in vivo are higher than the ones matured in vitro. The quality and
type of semen conservation also interfere in the results, as well as the donor and recipient age,
determining success ful factor. Thus, it is a great prospects biotechnology with use still
restricted because there are littler knowledge. The aim of this review is to address the relevant
points for understanding and oocytes transfer technique development in mares.

Keywords: in vitro maturation, reproduction biotechnology, equine specie, oocytes

TRANSFERENCIA DE OVOCITOS EN YEGUAS

RESUMEN

Los avances en la biotecnología reproductiva de equinos son lentos en comparación con otras
especies, esto se debe principalmente al gran número de particularidades anatomofuncionales
inherentes a la especie y también a la escasa disponibilidad de material para investigación. La
conservación de ovarios hizo posible la generación de productos procedentes de hembras de
elevado potencial genético mediante el uso de técnicas de maduración in vitro (MIV) y
transferencia de ovocitos (TO). Las hembras con potencial para ser donadoras de ovocitos son
las hembras más viejas y/o afectadas por disturbios ováricos, uterinos o cervicales, así como
yeguas que no presentan buenos resultados con monta natural, inseminación artificial o
transferencia de embriones, sean estos resultados de origen idiopático o adquirido durante la
vida reproductiva. Para obtener ovocitos en buenas condiciones para la transferencia, son
utilizados algunos protocolos hormonales, con el objetivo de madurar el folículo y el ovocito.
Actualmente la colecta de ovocitos es realizada por medio de aspiración y lavado de los
folículos vía transvaginal guiada por ultrasonografía (TVA), sin embargo, las punciones por el
flanco o laparotomía con exposición de los ovarios y aspiración de folículos han sido
reportadas con éxito. Los ovarios de yeguas sacrificadas en mataderos son las fuentes más
grandes de gametos, son excelentes modelos experimentales y material de entrenamiento para
el aprovechamiento de los ovocitos de yeguas valiosas que van a morir. El éxito de la TO
depende de varios factores, uno de los más importantes relacionado con el origen de los
ovocitos y la dificultad de su maduración in vitro, lo que resulta en tasas bajas de desarrollo
embrionario. La calidad y tipo de conservación del semen, así como la edad de la donadora y
receptora son factores determinantes para el éxito de la concepción por medio de TO. El
objetivo de esta revisión es abordar los puntos relevantes para la comprensión y desarrollo de
la técnica de transferencia de ovocitos en yeguas.

Palabras clave: maduración in vitro, biotecnología de la reproducción.

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 462

INTRODUÇÃO

A equinocultura é um setor crescente no Brasil, desempenhando papel importante como


atividade na economia do país, por gerar cerca de 3,2 milhões de empregos diretos ou
indiretos (1). Atualmente, o cavalo tem grande importância nos esportes como corrida,
hipismo, pólo, provas funcionais, enduro equestre, entre outros, além de ser utilizado como
ferramenta de lazer, trabalho e transporte. Com esse intuito, os criadores, cada vez mais,
demonstram interesse na transferência da genética de animais com alto valor zootécnico, ou
seja, existe a necessidade de que algumas características hereditárias sejam transmitidas aos
descendentes, para que o melhoramento genético e consequente melhora no desempenho dos
equinos sejam alcançados (2).
A implantação de biotécnicas da reprodução tem como principal objetivo melhorar os
índices reprodutivos, favorecendo a produção de animais geneticamente superiores,
maximizar a utilização reprodutiva de fêmeas e machos que apresentem características
hereditárias desejáveis e permitir que animais portadores de alterações adquiridas não
compatíveis com a reprodução natural, não interrompam a atividade (3).
Com isso, a geração de potros resultantes da reprodução assistida na espécie equina, é
uma realidade atual. Produtos advindos de fêmeas, de elevado padrão genéticos, por meio da
conservação dos ovários, tornaram-se possíveis, determinando a continuidade do material
genético com as técnicas de Maturação in vitro (MIV) e Transferência de Oócitos (TO) (4, 5).
A TO trata-se de uma biotecnologia que auxilia no incremento dos índices reprodutivos,
além de permitir a rápida multiplicação de linhagens genéticas, favorecer os estudos com
relação à biologia, manipulação e maturação dos oócitos e aperfeiçoar técnicas básicas para
tecnologias mais avançadas como a produção in vitro (PIV) de embriões e a clonagem (6).
A técnica de transferência de oócitos consiste na deposição do gameta feminino,
advindo de uma égua doadora, já maturo (in vivo ou in vitro), no oviduto de uma receptora, a
qual foi previamente inseminada. A fertilização e o desenvolvimento embrionário acontecem
no trato reprodutivo da receptora de maneira natural, após a transferência artificial do gameta.
A primeira TO que obteve sucesso foi realizada por McKinnon e colaboradores em 1988,
contudo, apenas em 1993, Carnevale e Ginther obtiveram sucesso, com o nascimento do
primeiro potro gerado por meio da técnica.
No que diz respeito ao local de deposição dos gametas, se o espermatozóide for
depositado diretamente no oviduto, juntamente com o oócito, o procedimento é denominado
transferência intrafalopiana de gametas (GIFT) (7), que possibilita a utilização do número
reduzido de espermatozóides, viabilizando a utilização de sêmen de qualidade inferior, sêmen
congelado, sexado e de garanhões subférteis (4, 6).
A aplicação dessas técnicas exige investimento em equipamentos e treinamento de
profissionais, sendo indispensável o conhecimento técnico com relação à morfologia,
desenvolvimento e maturação dos oócitos, domínio da técnica de inseminação artificial e
principalmente da técnica de transferência dos gametas (6).
Dessa forma, o objetivo desta revisão é abordar os pontos relevantes para a
compreensão e desenvolvimento da técnica de transferência de oócitos em equinos.

Fêmeas doadoras de oócitos

As potenciais candidatas a doadoras de ovócitos são as fêmeas acometidas por afecções


ovarianas, uterinas, cervicais e éguas que não apresentam bons resultados na MN, IA e/ou TE
sem causa definida (8). As condições fisiológicas da doadora como: escore corporal, idade,
raça e variação comportamental individual são aspectos biológicos que interferem nas taxas
de prenhez. Animais subnutridos ou submetidos a situações de estresse são doadores de
oócitos com menor capacidade de desenvolvimento (9).

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 463

Na maioria das vezes, as fêmeas que necessitam do auxílio da biotécnica de TO para


produzir prenhez viável são as de idade mais avançada devido, principalmente, às alterações
adquiridas durante a vida reprodutiva. A senilidade reduz a qualidade e a competência
oocitária pela permanência destes gametas estacionados na fase de diplóteno, da prófase I da
meiose até o momento do recrutamento (4). Assim, índices razoáveis de prenhez são
possíveis, contudo o número de transferências necessárias para se obter produto de uma
doadora idosa é maior quando comparado a uma doadora jovem (10).

Recuperação de oócitos in vivo

A recuperação de oócitos pode ser influenciada por terapias gonadotróficas, frequência


da realização de técnicas, fase do ciclo estral; tamanho do folículo e experiência do
profissional que realiza o procedimento (11).
Oócitos provenientes de folículos em desenvolvimento resultam em baixos índices de
recuperação (7, 12). Isso acontece porque na fêmea equina, o folículo apresenta uma camada
de células da teca logo abaixo da junção com o cumulus, fazendo com que o oócito fique mais
aderido à parede folicular (10). Com o desenvolvimento do folículo, o índice de recuperação
oocitária torna-se maior devido ao afrouxamento das junções entre as células do cumulus e a
parede folicular. Isso ocorre em decorrência do aumento da concentração de LH em folículos
pré ovulatórios ou com a aplicação exógena de hormônios (11). Outra vantagem da
recuperação de oócitos proveniente de folículos pré-ovulatórios é a minimização da
necessidade do cultivo e maturação in vitro (10).
Para a obtenção de oócitos em boas condições para transferência, alguns protocolos
hormonais são utilizados com o objetivo de acelerar a maturação folicular e oocitária. Os
hormônios utilizados com maior frequência para essa finalidade são hCG (gonadotrofina
coriônica humana), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) e LH (hormônio
luteinizante) (13).
A hCG vem sendo utilizada há muitos anos para auxiliar a maturação folicular,
diminuindo o período de estro e acelerando a ovulação. Quando os folículos com diâmetro de
aproximadamente 35 mm são detectados, a administração de hCG promove a ovulação em até
48 horas. Contudo, por se tratar de uma molécula glicoprotéica de elevado peso molecular, se
for utilizada por repetidas vezes em uma mesma estação reprodutiva, pode induzir ação
antigênica por parte do sistema imunológico. Assim, o GnRH e o LH têm sido utilizados
como alternativa na sincronização e indução da ovulação em éguas (14).
Atualmente, a colheita dos oócitos é feita por meio de aspiração e lavagem dos folículos
via transvaginal, guiada por ultrassonografia (TVA) (15), no entanto, punções pelo flanco ou
laparotomia com exposição dos ovários e aspiração dos folículos foram relatadas com sucesso
(10).
A punção dos folículos pelo flanco pode ser realizada com ou sem auxílio de
ultrassonografia. Com a égua em estação, por meio da palpação transretal, o ovário é
localizado e colocado próximo à parede abdominal, de modo que o folículo pré ovulatório
possa ser alcançado pela agulha, que atravessará a musculatura do abdômen e a parede do
folículo (16). Apesar de ser pouco utilizada nos dias de hoje, a punção pelo flanco apresenta
bons resultados e tem como vantagem o fato de minimizar a necessidade de equipamentos
sofisticados (17).
Outra técnica possível para obtenção de oócitos de éguas in vivo é a laparotomia,
técnica que consiste na realização de uma incisão no flanco, exposição dos ovários e
localização dos folículos. Com auxílio de agulhas e seringas ou bombas de vácuo, o fluido
folicular é aspirado e, em seguida, lava-se o folículo. Depois de realizada a aspiração, o ovário
é reposicionado e a sutura da parede abdominal é realizada (18).

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 464

A laparotomia pode ser utilizada em equinos, principalmente na falta de recursos para a


realização de outros meios de recuperação de oócitos. Porém, por tratar-se de um
procedimento cirúrgico, é um método invasivo, que pode trazer complicações posteriores
(10).
Para a TVA, a fêmea é contida em estação, realiza-se o esvaziamento retal, higienização
do períneo e sedação do animal. Por palpação transretal os ovários são manipulados e
posicionados para que a imagem ultrassonográfica do ovário e dos folículos possa ser obtida,
por meio de uma probe ultrassonográfica linear, convexa ou setorial, acoplada a um suporte e
a uma agulha de aspiração (2, 10). A agulha normalmente utilizada para aspiração tem lúmen
de 14 G (19) a 16 G (20), que pode ser simples ou duplo (2). A agulha de lúmen duplo tende a
aumentar a taxa de recuperação de ovócitos devido à possibilidade de lavar o folículo,
puncionado com solução de recuperação, o que faz com que o oócito se desprenda da parede
do folículo com mais facilidade. Quando os ovários estão devidamente posicionados, e a
imagem do folículo a ser aspirado é encontrada, a agulha é impulsionada suavemente para que
atravesse a parede do fundo da vagina e do folículo, aspirando o fluido folicular, que é
armazenado no copo coletor. Os níveis de pressão negativa utilizados na aspiração podem
variar, havendo relatos de utilização de pressões de 90mmHg, 150mmHg, 230mmHg,
300mmHg e 400mmHg. A utilização de níveis de pressão muito altos pode causar lesões e
desnudamento dos oócitos (2). Concomitante à aspiração, o folículo é lavado com 100 mL de
solução tamponada e 10 UI/mL de heparina a 37ºC para evitar coagulação do material
aspirado (21). A aspiração transvaginal tem a vantagem de ser um procedimento não
cirúrgico, e se realizada com cautela, pode ser repetida várias vezes, sem que a fertilidade da
égua seja afetada (22).
A TVA é uma metodologia simples e eficiente na obtenção de oócitos de éguas
subférteis, com doenças reprodutivas adquiridas e histórico de insucesso nos programas de
transferência de embriões (TE) (11, 23).
Após a aspiração, realiza-se a busca e a classificação do(s) oócito(s) em estéreo-
microscópio binocular na solução de aspiração. Quando localizados, os gametas são
transferidos para os meios de cultura, onde recebem condições para serem imediatamente
transferidos, maturados in vitro ou até mesmo criopreservados (7).

Recuperação de ovócitos post-mortem

Em animais abatidos em matadouro ou animais valiosos que vieram a óbito, a


recuperação dos oócitos pode ser realizada por meio de punção folicular, curetagem da parede
folicular (scraping) e fatiamento do ovário (slicing) ou até mesmo pela combinação destas
técnicas (24).
Os ovários de éguas abatidas em matadouro são as fontes mais abundantes de gametas,
porém, nem sempre é possível conhecer a fêmea doadora, por isso a qualidade dos oócitos e a
genética a ser transmitida não são garantidas (10), no entanto, são excelentes modelos
experimentais, e material de treinamento para que éguas valiosas que venham a óbito tenham
os oócitos utilizados.
É importante salientar que a temperatura e o tempo transcorrido durante o transporte dos
ovários influenciam na competência meiótica dos oócitos e a taxa de desenvolvimento
embrionário (17). A temperatura pode diminuir a viabilidade do oócito por interferir na
estrutura da membrana oocitária (23, 25), assim como, quanto maior o período de transporte
dos ovários até o laboratório, menor a taxa de maturação dos oócitos e, consequentemente, do
desenvolvimento embrionário (26). Uma alternativa para aumentar a viabilidade dos oócitos
post-mortem é a aspiração ou curetagem dos folículos no próprio local de abate, com
transporte dos oócitos até o laboratório em meio de maturação e em incubadoras portáteis,
podendo, assim, favorecer as taxas de concepção (17).

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 465

Nos casos em que os oócitos provenientes de ovários conservados post-mortem são a


última possibilidade de obter descendentes de uma fêmea morta, o transporte e a recuperação
dos gametas devem ser realizados de forma cautelosa, a fim de maximizar a taxa de
recuperação. Os oócitos são coletados em diversas fases do ciclo, o que gera a necessidade de
serem maturados in vitro até atingirem a fase meiótica ideal para transferência (25).
Para a coleta dos oócitos, as túnicas vaginal e albugínea são retiradas, os ovários são
lavados em solução tamponada para remover o sangue e debris celulares (11). No laboratório,
os folículos em vários estágios de desenvolvimento são identificados e aspirados.
Independente da técnica de coleta selecionada é importante associar a curetagem da parede
folicular para que o oócito possa ser recuperado, respeitando a anatomia da fêmea equina
(26). A curetagem da parede folicular permite ótimos índices de recuperação, com pouca
ocorrência de lesões no complexo cumulus oophorus, porém trata-se de uma atividade
laboriosa, que consome muito tempo para sua realização (24).
O líquido resultante dos procedimentos de lavagem folicular é mantido aquecido a 37ºC
em béquer por 20 minutos, quando o sobrenadante é desprezado e o sedimento é examinado
para a identificação dos oócitos sob estéreo-microscopia (9).
Outra técnica descrita é o fatiamento ovariano, que consiste no corte dos ovários em
partes de aproximadamente cinco milímetros de espessura. As fatias são lavadas com solução
tamponada, acrescida de 10 UI/mL e a 37ºC. O líquido resultante da lavagem é deixado em
descanso por 20 minutos, para que ocorra a sedimentação dos oócitos (27). A técnica de
fatiamento ovariano demonstra ser uma técnica prática e rápida, porém não se pode
determinar o tamanho dos folículos utilizados, resultando em populações heterogêneas de
oócitos (28).
Apesar da variabilidade de opções, o sucesso da técnica ainda não é satisfatório. No ano
de 2003 Carnevale e seus colaboradores reportaram o nascimento do primeiro potro
proveniente de TO, advindo de ovários de abatedouro. Desde então, as taxas de obtenções de
oócitos e de desenvolvimento embrionário, a partir de TO maturados in vitro, recuperados de
éguas mortas, permanecem ao redor de 15 % e 12, 8% de sucesso respectivamente (25, 28).
Deleuze et al. (12) obtiveram cerca de 40% de sucesso na obtenção de embriões, a partir de
oócitos maturados in vitro. Todavia, mesmo nessa relação com taxas de maturação in vivo em
torno de 70%, o rendimento permanece menor quando comparados às taxas de produção de
embriões e gestações obtidas com a utilização de oócitos provenientes de folículos pré
ovulatórios.

Avaliação e classificação morfológica de oócitos recuperados

Após a recuperação dos oócitos, os mesmos devem ser avaliados e classificados para o
cultivo in vitro ou para a transferência direta à receptora (25).
O oócito equino pode ter seu potencial de maturação, fecundação e capacidade de
desenvolvimento embrionário, estimado pelas características do complexo cumulus oophorus.
Oócitos com maior viabilidade, em geral, apresentam ooplasma homogêneo, de coloração
marrom, granulações finas e devem estar completamente envolvidos ao menos por uma
camada completa de células do cumulus (24).

Fêmeas receptoras de oócitos

Para que haja melhor resultado com esta biotécnica, é recomendado que as fêmeas
utilizadas como receptoras sejam jovens, saudáveis, férteis, com habilidade materna e não
apresentem histórico de distocias (7). Preferencialmente são selecionadas fêmeas entre três e
dez anos de idade, consideradas aptas em exame ginecológico (8). O aparelho reprodutivo das

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 466

receptoras deve fornecer as condições necessárias para ocorrer fertilização, desenvolvimento


embrionário e fetal (10).
A utilização de éguas receptoras em atividade cíclica favorece o transporte espermático,
a capacitação dos gametas e a fertilização. Éguas não cíclicas devem ser tratadas
hormonalmente para que apresentem as características cíclicas do período folicular, desta
forma apresentem trato reprodutivo, apto a receber os gametas, fornecendo as condições
necessárias para que ocorra a fertilização e posterior desenvolvimento embrionário. A fim de
evitar a fecundação dos oócitos, quando se opta pela utilização de fêmea cíclica, faz-se
necessário realizar aspiração folicular antes da transferência oocitária, evitando assim a
fertilização do oócito da própria receptora (15).

A transferência do oócito

O período de competência para fertilização após a TO é o período em que os gametas


estão aptos à fertilização para o desenvolvimento embrionário normal. O transporte de
gametas está altamente relacionado com a taxa de concepção. Nos sistemas de monta natural,
os espermatozóides são depositados no trato reprodutivo da fêmea entre dez e doze horas
antes da ovulação (29). Por este motivo, em protocolos de TO, a inseminação artificial deve
ser realizada entre doze horas antes e duas horas após a transferência do oócito. No entanto, o
momento ideal da inseminação depende da qualidade e do tipo de conservação do sêmen
utilizado (2).
Se a inseminação for realizada tardiamente, existe o risco de haver a degeneração dos
oócitos, sendo o período crítico nas fêmeas equinas entre seis e oito horas. Oócitos
degenerados ou envelhecidos têm viabilidade alterada, perdendo a capacidade de serem
fertilizados, ou quando fertilizados, favorecendo a formação do zigoto com número incorreto
de cromossomos, podendo resultar em morte embrionária precoce (24). Os procedimentos
cirúrgicos para GIFT e para TO podem ser realizados com o animal em estação, por meio da
laparotomia pelo flanco, utilizando sedação e anestesia local. Assim, após a higienização da
área cirúrgica, é realizada a incisão de aproximadamente 15 cm de extensão no flanco, na
linha média entre a última costela e a tuberosidade coxal. Os músculos são afastados para que
o ovário seja localizado na cavidade abdominal. Após a localização, ovário e oviduto são
expostos, e o infundíbulo é localizado. Oócito, ou oócitos e espermatozóides (no caso da
GIFT) são transferidos em aproximadamente 0,2 ml de meio de cultivo com auxílio de pipeta
de vidro de ponta fina e arredondada, introduzida 2 a 3 cm dentro do infundíbulo. Após a
realização da transferência, o ovário é reposicionado, e os planos musculares e pele são
suturados (21).
No pós operatório, as receptoras são tratadas com antibiótico e antiinflamatório durante
cinco dias após a TO (22). Adicionalmente, são administrados 200mg/dia de progesterona na
receptora para garantir a manutenção da gestação, até a confirmação do diagnóstico de
prenhez nos dias 15 e 90 após a transferência (8).

Taxas de concepção

O sucesso da TO depende de vários fatores. Um dos mais importantes tange a origem


do oócito e a dificuldade de maturá-los in vitro, resultando em taxas de desenvolvimento
embrionário de oócitos, originários de folículos pré ovulatórios, maturados in vivo, mais
elevadas que as taxas de desenvolvimento de oócitos maturados in vitro (13). Estudos
realizados por Scott et al. (9) resultaram em 92% de vesículas embrionárias após a
transferência de oócitos provenientes de folículos pré ovulatórios e, somente 7%, quando
provenientes de folículos imaturos que necessitaram da maturação in vitro.

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 467

A qualidade e o tipo de conservação do sêmen também interferem nos resultados.


Sêmen de garanhões férteis, com boa motilidade e concentração, resultaram em índices mais
satisfatórios de prenhez quando comparados a sêmen de garanhões com menor qualidade
Assim, tanto na TO quanto na GIFT, o sêmen fresco resulta em maior desenvolvimento de
vesículas embrionárias quando comparado ao sêmen refrigerado ou congelado (13).
As idades das doadoras e receptoras determinam fator importante no sucesso da
concepção por meio de TO. Oócitos de doadoras jovens transferidos para receptoras também
jovens podem apresentar taxas de fertilidade superiores a 92%. O índice cai para 31% quando
oócitos provenientes de doadoras velhas são transferidos para receptoras jovens (13).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os progressos das biotécnicas da reprodução nos equinos são lentos quando comparados
a outras espécies, isso se deve primariamente ao grande número de particularidades
anatomofuncionais inerentes à espécie e também pela escassa disponibilidade de material para
pesquisa, o que resulta em aspectos da fisiologia ainda sem repetibilidade no laboratório.
Assim, para que a eficiência da TO aumente é necessária à realização de mais estudos no que
diz respeito à maturação in vitro, conservação dos ovários post-mortem e superovulação,
como importantes ferramentas para aumentar o número e competência dos oócitos
recuperados, promovendo que biotécnicas, como a TO, possam ter todo o potencial
explorado.

REFERÊNCIAS

1. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Estudo do complexo do agronegócio


cavalo. Brasília: CNA; 2004. [Coletânea Estudos Gleba, n.39].

2. Rodrigues R. Aspiração folicular por via transvaginal guiada por ultra-som em equinos
[dissertação]. Porto Alegre: Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do
Rio Grande do Sul; 2006.

3. Gonçalves PBD, Figueiredo JR, Freitas VJF. Biotécnicas aplicadas a reprodução Animal.
São Paulo: Livraria Varela; 2001.

4. Carnevale EM, Frank-Guest BL, Stokes JE. Effect of equine oocyte donor age on success
of oocyte transfer and intracytoplasmic sperm injection. Anim Reprod Sci. 2010;121:S258-
9.

5. Ribeiro BI, Love LB, Choi YH, Hinrichs K. Transport of equine ovaries for assisted
reproduction. Anim Reprod Sci. 2008;108:171-9.

6. Silva MAC. When should a mare go for assisted reproduction? Theriogenology.


2008;70:441-4.

7. Carnevale EM, Maclellan MA, Silva MAC, Checura CM, Scoggin CF, Squires EL.
Equine sperm-oocyte interaction: results after intraoviductal and intrauterine inseminations
of recipients for oocyte transfer. Anim Reprod Sci. 2001;68:305-14.

8. Carnevale EM, Silva MAC, Panzani D, Stokes JE, Squires EL. Factors affecting the
success of oocyte transfer in a clinical program for subfertile mares. Theriogenology.
2005;64:519-27.

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 468

9. Scott TJ, Carnevale EM, Maclellan LJ, Scoggin CF, Squires EL. Embryo development
rates after transfer of oocytes matured in vivo, in vitro, or within oviducts of mares.
Theriogenology. 2001;55:705-15.

10. Carnevale EM, Silva MAC, Maclellan LJ, Seidel Junior GE, Squires EL. Use of
parentage testing to determine optimum insemination time and culture media for oocyte
transfer in mares. Reproduction. 2004;128:623-8.

11. Fernandes CB, Peres KR, Alvarenga MA, Landim-Alvarenga FC. The use of
transmission electron microscopy and oocyte transfer to evaluate in vitro maturation of
equine oocytes in different culture conditions. J Equine Vet Sci. 2006;26:4.

12. Deleuze S, Goudet G, Caillaud M, Lahuec C, Duchamp G. Efficiency of embryonic


development after intrafollicular and intraoviductal transfer of in vitro and in vivo
matured horse oocytes. Theriogenology. 2009;72:203-9.

13. Squires EL, Carnevale EM, Mccue PM, Bruemmer JE. Embryo tecnologies in the horse.
Theriogenology. 2003;59:151-70.

14. Imboden I, Janett F, Burger D, Crowe MA, Hässig M, Thun R. Influence of


immunization against GnRH on reproductive cyclicity and estrous behavior in the mare.
Theriogenology. 2006;66:1866-75.

15. Bruck I, Raun K, Synnestvedt B, Greve T. Follicule aspiration in the mare using a
transvaginal ultrasound-guided technique. Equine Vet J. 1992;24:58-9.

16. Hinrichs K, Kenney RM. A colpotomyprocedure to increase oocyte recovery rates on


aspiration of equine preovulatory follicles. Theriogenology. 1987;27:237.

17. Carnevale EM, Maclellan LJ. Collection, evaluation, and use of oocytes in equine
assisted reproduction. Vet Clin North Am Equine Pract. 2006;22:843-56.

18. Vogelsang MM, Kreider JL, Bowen MJ, Potter GD, Forrest DW, Kraemer DC. Methods
for collecting follicular from mares. Theriogenology. 1988;29:1007-8.

19. Hinrichs K, Kenney DF, Kenney RM. Aspiration of oocyte from mature and immature
preovulatory follicles in the mare. Theriogenology. 1990;27:237.

20. Mari G, Barbara M, Eleonora I, Stefano B. Fertility in the mare after repeated
transvaginal ultrasound- guided aspirations. Anim Reprod Sci. 2005;88:299-308.

21. McKinnon AO, Carnevale EM, Maclellan LJ, Preis KA, Seidel Jr GE. Heterogenous and
xenogenous fertilization of in vitro matured equine oocyte. J Equine Vet Sci. 1988;8:143-
7.

22. Silva MAC, Carnevale EM, Maclellan LJ, Preis KA, Seidel Junior GE, Squires EL.
Oocyte transfer in mares with intrauterine or intraoviductal insemination using fresh,
cooled, and frozen stallion semen. Theriogenology. 2004;61:705-13.

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.
ISSN Impresso 0102 -5716 ISSN Eletrônico 2178-3764 Veterinária e Zootecnia 469

23. Landim-Alvarenga FC, Alvarenga MA. Structural aspects of equine oocytes matured in
vivo and in vitro. Braz J Morphol Sci. 2006;23:513-24.

24. Curcio BR. Maturação e vitrificação de ovócitos equinos incubados em meios contendo
hormônio do crescimento e fator de crescimento semelhantes à insulina-I [dissertação].
Pelotas: Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Pelotas; 2005.

25. Preis KA, Carnevale EM, Coutinho da Silva MA, Caracciolo di Brienza V, Gomes GM,
Maclellan LJ, et al. In vitro maturation and transfer of equine oocytes after transport of
ovaries at 12 or 22 degrees C. Theriogenology. 2004;61:1215-23.

26. Ribeiro BI, Love LB, Choi YH, Hinrichs K. Transport of equine ovaries for assisted
reproduction. Anim Reprod Sci. 2008;108:171-9.

27. Choi YH, Hoshi S, Braun J, Sato K, Oguri N. In vitro maturation of equine oocyte
colleted by follicle aspiration and by slicing of ovaries. Theriogenology. 1993;40:959-66.

28. Fernandes CB. Maturação in vitro de ovócitos equinos: comparação entre os meios TCM
199, SOFaa e HTF:BME, e avaliação da adição de FSH bovino, FSH equino e do
hormônio de crescimento equino, utilizando a transferência de ovócitos [dissertação].
Botucatu: Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista; 2004.

29. Souza FA. Taxa de concepção de éguas cobertas 12 ou 24 horas após a ovulação
[dissertação]. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal
de Minas Gerais; 2007.

Recebido em: 22/09/11


Aceito em: 14/08/12

Oliveira BMM. et al. Transferência de oócitos em éguas. Vet. e Zootec. 2012 dez.; 19(4): 460-469.

Você também pode gostar