História A: Atual E Completo
História A: Atual E Completo
António Ribeiro
Lia Ribeiro
REVISÃO CIENTÍFICA
Manuel Loff
llídio Silva
ATUAL E COMPLETO
Teste diagnóstico
com feedback online imediato
LpYà EDUCAÇAO
HISTÓRIA A
Avelino Ribeiro
REVISÃO CIENTÍriCA
Manuel Loff
llídio Silva
LpYd EDUCAÇAO
Testes e Exame História A - 12? ano é um instrumento orientador c facilitador
da aprendizagem dos alunos de 12? Ano - História A - tendo em vista, funda-
mentalmcnte, a condensação de informação histórica relevante conciliando a
aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento das competências necessárias
para o sucesso e a excelência nos testes e no Exame Nacional de História A, que,
em 2013-2014, integrará conteúdos programáticos dos 11? e 12? anos c, a partir
de 2014-2015, dos 10?, 11? e 12? anos de escolaridade.
Não obstante estes apoios, importa ter em conta que 0 objetivo da excelên
cia exige um grande investimento pessoal no trabalho e capacidade de orga
nizar os saberes, com autonomia e alguma originalidade, em contextos inter-
pretativos coerentes, críticos e reflexivos.
A História c uma ciência fascinante. Sem ela vaguearíamos num mundo sem
referências, perderíamos o norte, a identidade. Mas também c verdade que,
se o seu estudo não requer capacidades específicas de ordem anormalmcnte
elevada, exige muito de cada um.
Bom trabalho!
0 Autor
3
ÍNDICE
10? Ano
Módulo 1 I Raízes medí terra nicas da civilização europeia - cidade, cidadania
e império na antiguidade clássica
11? Ano
Módulo 4 I A Europa nos séculos XVII e XVIII - sociedade, poder e dinâmicas
coloniais
Unidade 3 - Triunfo dos estados e dinâmicas económicas nos séculos XVIIe XVIII....... 80
ÍNDICE
12? Ano
Módulo 7 I Crises, embates ideológicos e mutações culturais na primeira
metade do século XX
Unidade 2 - O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 1930.............. 165
2.1. A Grande Depressão e 0 seu impacto social....................................................................... 165
2.2. As opções totalitárias............................................................................ .................................... 168
2.3. A resistência das democracias liberais................................................................................... 171
2.4. A dimensão social e política da cultura................................................................................ 173
2.5* Portugal e 0 Estado Novo......................................................................................................... 181
1. Tenho tanto para Primeira decisão: elabore um plano de estudo A planificação do trabalho é tanto
estudar... com alguma antecedência mais importante quanto maior for
Por onde devo No plano devem constar: a dimensão e complexidade da
começar? tarefa a realizar.
- a calendarização dos dias e das horas que vai
dedicar à preparação do teste ao exame;
- a registo das restantes tarefas que tem de
realizar na escola e fora dela.
2. Tenho tanto para Nas aulas: Não deixe ficar para trás nenhuma
estudar... - sinalize no manual os conteúdos mais matéria por não gostar ou por não
Como poderei saber importantes que, no caso da Historia, são os a compreender! Os amigos [e o
tudo? conteúdos designados por estruturantes1' no professor é um deles] são para as
Programa da diisciplina; ocasiões!
- preste muita atenção às indicações dD
professor sobre a avaliação formativa c à Procure sempre entender o que
estrutura e conteúdos dos testes e exames; está a estudar. Optar por decorar
- anote as matérias em que tem dúvidas e que os conteúdos não contribui para a
precisam de um estudo mais atento compreensão dos mesmos.
No trabalho de casa:
- comece por reler, com atenção, os seus Só interiorizamos os
apontamentos e notas que registou nas conhecimentos que, de algum
aulas; modo, compreendemos e fazem
- interrogue-se rcgullarmente sobre o que é sentido para nós.
mais importante saber sobre as matérias
que está a estudar; Estudar é, essencialmente,
- à medida que vai lendo sublinhe as palavras organizar e integrar as novas
e/ou expressões c afirmações mais informações nos conhecimentos
significativas para as matérias em estudo e que já possuímos.
tome notas;
- à medida que vai estudando procure Procure conhecer-se cada vez
estabelecer mentalmente relações cditi ds melhor - descobrir as suas
conhecimentos do que já dispõe; deste modo, qualidades e dificuldades.
ser-lhe-á mais fácil reter du memorizar os A motivação, o empenho e a
novos conhecimentos adquiridos; se estudar persistência permitem superar
em grupo discuta com os[as] colegas os todas [ou quase todas] as
pontos que considera mais importantes e dificuldades.
sobre os que tem dúvidas;
- para facilitar a memorização e a
0 trabalho intelectual é física e,
compreensão, recorra a algumas técnicas:
sobretudo, mentalmente
■ elaboração dle esquemas e/ou de pequenas esgotante. Por isso, deve evitar
sínteses; horários prolongados de estudo,
■ anotação de palavras e/ou expressões fazendo regularmente pequenos
s ignifi cantes; intervalos (Note Bem: nunca faça
■ organização de um glossário; “diretas”).
a] Comece por ler todo o teste ou exame antes de começar a responder; Escrever é um ato de
desta forma, ficará desde logo com uma ideia geral sobre as matérias comunicação e, quanto melhor
e as questões que irá abordar, o seu grau de dificuldade e a questão o fizermos, melhor será a
do tempo. nossa capacidade de sermos
compreendidos da forma que o
b] Nesta primeira leitura assinale, sublinhando ou anotando, os elementos pretendemos ser.
fundamentais dos documentos - palavras e/ou expressões, dados
quantitativos, pormenores das figuras...
Podemos aprender a escrever
c] Antes de iniciar cada resposta, anote e ordene os tópicos de conteúdo bem se criarmos um hábito de
que considera adequados à questão e depois siga-os na elaboração da ler e escrever regularmente.
sua resposta.
d] Na redação das respostas tenha presente que irá ser avalliado, tendo em Escrever bem requer esforço,
consideração os seguintes aspetos: dedicação e concentração.
Também ajuda (e muito] ter
sempre um dicionário e uma
- formulação da questão, em particular do verbo que a introduz, pois gramática por perto.
este define o alcance da mesma. [Consulte o significado dos
verbos mais utilizados nos testes/exames na pág. 9);
Não tenha receio da escrita,
- relevância da informação na resposta à questão formulada; dos testes. Aproveite-os para
avaliar e melhorar o seu
- mobilização de informação circunscrita ao assunto em análise;
desempenho.
- articulação (obrigatória] com as fontes;
- forma como a fonte é explorada, sendo valorizada a interpretação Não tenha medo de errar; o erro
e não a mera transcrição; deve ser encarado como um
instrumento para a melhoria.
- correção na transcrição de excertos das fontes e pertinência
desses excertos como suporte de afirmações ou argumentos;
Confie em si próprio, nas suas
- utilização adequada da terminologia específica da disciplina.
capacidades.
NOTA:
OBJETO DE AVALIAÇÃO
• Competências
A Prova de Exame Nacional de História A tem como objeto de avaliação os saberes c competências defi
nidos nos programas c que foram sendo desenvolvidos ao longo do ciclo de estudos do Ensino Secundá
rio, concretamente:
- analisar fontes de natureza diversa, distinguindo informação explícita c implícita, assim como os res
petivos limites para o conhecimento do passado;
- analisar textos historiográfícos, identificando a opinião do autor c tomando-a como uma interpretação
suscetível de revisão, em função dos avanços historiográfícos:
- rellacionar a História de Portugal com a História europeia e mundial, distinguindo articulações dinâmicas
e analogias/especificidades, quer de natureza temática quer de âmbito cronológico, regional ou local;
- mobilizar conhecimentos de realidades históricas estudadas para fundamentar opiniões, relativas a pro
blemas nacionais e do mundo contemporâneo;
• Conteúdos
Os conteúdos a avaliar no Exame Nacional da disciplina de História A no ano letivo de 2013-2014 repor-
tam-se às matérias estudadas nos 11.“ e 12? anos, a partir de 2014-2013 nos 3 anos do ciclo de estudos
do Ensino Secundário (1D“/11“/12?].
De entre os conteúdos a avaliar, assumem particular importância as matérias consideradas pelos pro
gramas da disciplina como aprendizagens estruturantes que devem merecer especial atenção
Assim, na prova de exame nacional as questões incidem sobre os conteúdos de aprofundamento, as apren
dizagens e os conceitos estruturantes assinalados na abertura de cada unidade com um [*] e dois [**]
astericos, respetivamente.
4 Interpretação das questões dos testes e do Exame Nacional de Historia A
A carreta interpretação das perguntas ou questões dos testes e do exame nacional de História A é funda
mental para compreender o seu alcance c adequar os conteúdos das respostas ao solicitado
Importa, pois, compreender corretamente os significados dos verbos que introduzem as questões
Contextualização
Cronologia Eurnpa que acolheu e difundiu, à escala do globo, o berança político-cultural clássica que
tem no democracia e no humanismo dos Gregos, e nD universalismo e no pragmatismo dos
As grandes etapas da Romanos, os seus pilares cruciais.
evolução política em Atenas
583 a. C.
A oligarquia substitui Unidade 1 0 modelo ateniense
a monarquia. Crise política:
legislação de Drácon
SUMÁRIO
[624 a. C.J e Sólon
[594 a. C.J.
LI A democracia antiga; os direitos dos cidadãos e o exercício dos poderes
550 a. C 1.2 Uma cultura aberta à cidade
Tirania: PisístratD
[560-527 a. C.J; Hípias
APRENDIZAGEN5 RELEVANTES
e Hiparco [527-514 a. C.J.
510 a. C.
- Identificar os elementos definidores dia polis grega.
Democracia: reformas de - Caracterizar o modelo democrático ateniense: as suas limitações, os fundamentos e os
Clístenes (510-507 a. C.J:
mecanismos de funcionamento. Analisar o funcionamento da democracia ateniense, real
Péricles e Efialtes (462 a. C.].
çando as suas qualidades e limitações
443-429 a. L
0 “Século de Péricles". C0NCEIT05/N0ÇÕE5
Polis, Agora; Democracia antiga; Cidadão”; Meteco; Escravo; Urdem arquitetónica
zl DEmncracias antigas: ern Atenas, □ puder suberanu estava na Assembleia Popular ou EiJésid, constituída por todus
US cidadãos, que tomava dedsues pur maiuiia. Q Luriceitu rnuderriu de dernuLrdLid representa luva uu parla rnerilar íui
desenvolvido nu sémlu XVIII pur pensadores rurnu Muntesquieu "divisão dE podEresll, Rousseau (sotiErania popular] ou
Vultaire (igualdade de direitos entre todos os homens].
M EstraÍEgos: erri Aterias, a partir de 501 a. C.. QS dez maqisliadus que se em arredavam du rurriandu dus impus de
hoplitas (soldados de infantaria]. Lrarn eleitos pela Eclésia.
' Mistoforia: subsídiu de paitiLipaçãú rias assembleias concedido pelu Estado aos i idadaus mais pobres; o objetivo
era íurnbater o absentismo, estimulando a partuipa^au dus cidadãos na vida pulíiiia.
- dos prováveis 400000 habitantes da Ática no século V a. C., apenas uma minoria
O sistema de educação procurava conciliar num só programa duas tendências: uma, 0 teatro: autores e obras
maís antiga, visando a formação de homens vigorosos, guerreiros e atletas com uma mais importantes
sólida preparação moral; a outra, virada para a formação intelectual. A formação para o Ésquilo [525-456 a. C):
Os Persas [472 a. C],
exercício da cidadania é essencial para o funcionamento do regime democrático.
Os Sete contra lebas
(467 a. C.J, Oréstia
Os rapazes iniciavam os seus estudos por volta dos 7 anos de idade, quando saíam da
(458 a. C.)
companhia das mulheres (do gineceu, espaço feminino) e iniciavam a sua aprendizagem
Sófocles [497-405 a. CJ:
em escolas privadas. Os mais ricos eram acompanhados no seu percurso escolar por um Antígana [442 a. C.J,
Rei Édipo [427 a. C.J,
pedagogo, um escravo culto. Na escola, a aprendizagem ficava a cargo de três mestres -
tlectra [420-410 a. C.)
0 paidotribes, professor de ginástica, o kitharistês, que ensinava música, e 0 gramático,
Eurípedes [4 B 0-4 06 a. C.J:
responsável pelo ensino da leitura, escrita, aritmética e literatura. Esta aprendizagem Medeia [431 a. C.J,
prolongava-se até aos 13 ou 14 anos. Hipõlito [428 a. C.].
As Troianos (415 a. C.)
A partir dos 15 anos, a educação prosseguia no ginásio (aprendizagem de Matemá
Artstófanes [445-3S5 a. C):
tica e Filosofia) e na palestra^"1. Os mais abastados que pretendessem prosseguir os estu A Assembleia dos
Mulheres [392 a. C.J, As
dos faziam-no junto de um mestre disponível para os orientar.
Rãs [405 a. C.J, /Is Aves
A partir do século V a. C., em Atenas, este modelo de educação orientado para a for (414 a. C.J, As Vespas
(422 a. C.J, As Nuvens
mação integral do jovem, futuro cidadão, sofreu a concorrência dos sofistas, professores (423 a. C.)
itinerantes que privilegiavam a retórica"21 (a arte da persuasão) e a dialética (a arte do
debate), habilidades importantes para 0 cidadão interessado em fazer valer as suas ideias
e levar os restantes a segui-las, ou seja, fazer demagogia e alcançar 0 sucesso político.
O esquema de construção do templo assentava numa relação racional e coerente de realizava 0 mercado e que
se situavam construções
elementos horizontais e verticais que transmitiam a ideia de ordem e proporção. As relacionadas com a vida
ordens arquitetónicas* gregas mais antigas são a dórica e a jónica, contemporâneas mas política.
Retórica: [Link]. a mesma ruisa que urdiária. Puíém, numa linguagem mais precisa, a retórica designa a
üfte teórica de persuadir pele puitiwu, ao passo que a oratória cuida da sua aplicação nu prdtiLu.
14
A ordem jónica distingue-se da dórica pela coluna ter base, pelo seu fuste ser mais
alto e elegante, com caneluras de aresta chata, e por ter um capitel mais elaborado, com
volutas. A arquitrave é tripartida, dividida por três filas horizontais, o friso é liso e fre
quentemente decorado com pinturas ou esculturas. Por vezes, as colunas são substituí
das por figuras femininas (Cariátides) ou masculinas (Atlantes).
Nos finais do século V a. C., surge uma nova ordem arquitetónica, a ordem coríntia,
estruturalmente idêntica à ordem jónica mas diferenciando-se desta por uma maior abun
dância decorativa e monumentalidade. A diferença mais significativa reside no capitel
(Fíg. 5)1 muíto elaborado, decorado com folhas de acanto e folhas de água.
cornija
Capitel dórico.
métopa
friso
tríklifb
a rq ui trave — entablamento
Capitel jónico.
ábaco
capitel
equino
Hg. 4. Pormenor do
caneluras de
Pártenon, templü
aresta viva fuste consagrado à deusa
Ate na construído no
Capitel coríntio. séc. V a. C. na acrópole
de Atenas.
Fiç. 5. Capitéis das ordens
arquitetónicas gregas.
- A escultura como expressão do culto público e da procura da harmonia
27-23 a. C.
CONCEITOS/MOÇÕES 0 Senado confere-lhe
o títulü de “Imperador"
Urbe**, Império’*, Fórum, Direito**, Magistratura. Urbanismo**, Pragmatismo, Romanização**, [Imperator] e “Augusto"
Município, Aculturação’* [At/gustus].
23 a. C.
* Conteúdos de aprofundamento 0 Povd e o Senadü
** Aprendizagens e conceitos estruturantes conferem-lhe o “Püder
Tribunício" [Tribunida
Potestus).
12 a. C
2.1. Roma, cidade ordenadora de um império urbano É “Sumo Pontífice"
[Pontifex Maximus].
Constituído ao redor do Mediterrâneo e da relação de forças que se desenvolveram no
1D a. C.
seu seio, o Império Romano levou a cabo a unificação de um espaço vastíssimo que, no seu Recebe o título de “Pai da
Pátria" [Pater Patriae].
apogeu (séculos I e II d. CJ, se estendia, de Ocidente para Oriente, da Península Ibérica a
Mesopotâmia, e, de norte para sul, das Ilhas Britânicas ao Egito. 5- Lfljss de pedra
4 Aroí.i
3 Pedras miúdai
Ao redor do Mar Mediterrâneo erguiam-se os seus principais cen 2 Pedras sonde?
à sociedade romana e importantes consequências políticas. A vastidão dos seus domí Roma, constituindo desta
forma um instrumento
nios fez com que a Constituição da Roma Republicana, assente no modelo da polis grega, indispensável para
se tornasse cada vez menos eficaz para o governo do Império* que já não pode dispen a exploração económica das
regiões dominadas e para a
sar o exército e os seus generais. afirmação do domínio imperial.
* Império: na Roma antiga, É assim que se impoe Júlio César, o conquistador da Gália, que governa sozinho
imperium era a püder
supremo militar e civil do
durante alguns meses, nos anos 45 e 44 a. C., após uma sangrenta guerra civil, inves
rei, e posteriormente düs tido de amplos poderes ditatoriais. Esta experiência política termina abruptamente no
altos magistrados da
República. Com Augusto,
ano de 44 a. C. com o seu assassinato às mãos dos seus adversários republicanos. No
o imperium passou entanto, a conservação do Império reclamava cada vez mais 0 estabelecimento de um
a constituir a base de
legitimação ou
regime monárquico.
fundamentação do seu
Caberá a Augusto (63 a. C.-14 d. C.), sobrinho-neto e herdeiro do ditador assassinado,
poder e autoridade e do
domínio Romano sobre os após derrotar Marco António, Iniciar 0 regime de Principado411.
povos submetidos a Roma
(Império Romano]. Convictos de que essa era a melhor forma de garantir a coesão do Estado e do Impé
rio, as autoridades romanas empenharam-se em promover a disseminação dos valores
da romanidade. 0 culto ao Imperador e o modo de vida romano foram difundidos de um
extremo ao outro do Império (Fíg. 2), nas cidades fundadas à imagem de Roma, com
forum, templos e banhos públicos, que as elites
A O Provindas Senatoriais
N Arovinuo Impcrfoit cultas adotaram e tinham orgulho em ostentar.
Conquistas de Augusto
Judleia
dãos romanos, era o costume que, segundo a
AFRICA
Alexandria tradição, tinha sido codificado na Lei das Doze
& ICOkm
1_________ 1
ri- Principado (princeps, primus inter pares - príncipe, o primeiro entre iguais]: regime que se baseia nu principie da
aceitaçãu uu consenso geral e que representa urn compromisso entre república e monarquia. Cl príncipe recebe fur-
rridlrnente □ puder da povo e du Senado. As suas prindpais r aracterísticas S3O: rEforço do padEr exEcutivo [ourxariíos]
e respeita pelas formas tradicionais (mores muiururn].
Direito público e direito privadoi: ú primei ru regula as relações entre os cidadãos e ü bstadu: ú segunda as relações
entre os cidadãos. Havia ainda o /us gentium [a letra, direito das gentes] que regulava as relações de Ruma curn os
puvus du Império. A influência du dneitu rurnanu sobre us direitos nacionais enrupeus perdura até a atualidade.
[í| Editas: urdens/leis escritas e comunicadas através de anúncios públicos.
conheceu um desenvolvimento gradual até à sua generalização nos primeiros anos do Documento 1
século III, pelo Édito de Ca r ac ala de 212 d. C. A cidadania romana foi concedida a todos
A generalização da cidadania
os homens livres do Império integrando a pluralidade dos povos no Estado imperial. romana: Édito de Laracala
[212]
Contrariamente ao conceito grego, para os Romanos a cidadania é uma noção aberta.
To do 5 05 que habitam
0 critério determinante para um novo cidadão é a adesão aos valores da cidade. Esta 0 mundo romano são
considerados cidadãos
liberalidade de Roma na atribuição da cidadania constituiu 0 melhor fator de coesão do
romanos por determinação
Império. do imperador.
Digesto, V, 17
gravita e ã imagem da qual se erguem novas cidades, segundo o seu modelo político,
cultural e urbanístico. Pode assim falar-se de um tipo de “cidade romana” com um pla
neamento urbanístico de caráter utilitário, edificada a partir do traçado das vias e tendo
como centro o forum* com os templos, a basílica e a cúria. * Forum nome dado pelüs
romanos à praça principal
Outras construções com fins práticos, como aquedutos, fontes, termas1^ e esgotos, ou da cidade. 0 seu centra
político, religioso,
recreativos, como ginásios, teatros e anfiteatros, ou ainda obras de caráter comemora económico e social.
tivo, como arcos de triunfo e colunas monumentais, completavam um conjunto arquite 0 mesmo que ágora para
os Gregos.
tónico imponente, sólido e funcional, características próprias de um povo positivo e com
grande sentido de pragmatismo*. * Pragmatismo:
pensamentü/atitude que
A admiração por Roma, pelos seus modelos urbanísticos e artísticos e pelo modo de condiciona a validade de
uma ideia ou conhecimento
vida dos Romanos levou os povos do Império, em particular as suas elites, a aceitarem
à sua utilidade ou
a supremacia romana, colaborando deste modo na pacificação e na unidade imperial, ou aproveitamento. Por outras
palavras, dá prioridade ao
seja, na pax Tomana'^, um instrumento fundamental para a segurança e prosperidade do
efeito útil. 0 pragmatismo
Império. dos Romanos revela-se em
áreas muito diversas: na
religião, na arte, na
- A fixação dos modelos arquitetónicos
literatura, nü direito,
na política interna e externa.
Os Romanos não criaram um estilo arquitetónico próprio. Expressão do seu espírito
pragmático, a arquitetura romana é essencialmente uma síntese de influências etruscas
e gregas. O plano do templo é herdado dos Etruscos, tal como 0 arco de volta perfeita
(ou arco romano), um dos elementos fundamentais da sua arquitetura aplicado às pon
tes, aquedutos e edifícios públicos e privados. A decoração é grega, sendo a ordem corín-
tia a preferida pela sua exuberância e dimensões mais conformes à escala de grandeza
do Império. Não obstante, também inovaram. São criação romana as ordens toscana e
compósita, esta integrando elementos das ordens jónica e coríntia e dois novos materiais
de construção: 0 cimento (opus caementicium), extremamente resistente, e 0 ladrilho
(opus luterícium) (Fig. 3). Combinados, possibilitaram a construção de abóbadas de gran
des dimensões e, não obstante, leves. ©_ Questões
1. Que instrumentos
utilizou Roma no processo
Urbs Orbi: cidade do Mundo.
de unificação do seu
Termas: edifícios públicos ou privados destinados d banhos, cujo esquema basicu é constituído por uni vestiário e
Império?
três salas de banhos curn piscinas de água fria. Lépida e queriLe, e a sala da caldeira.
1:1 Pax romano: a Paz fftJx] era, para os Romanos, o principal objetivo du que consideravam ser a missão sagrada de 2. Qual 0 papel do Direito
Ruma: furmar urn vasto império de abundância e bem-estar, sob 0 governo romano. nesse processo?
- A fixação dos modelos escultóricos
Fiç. 3. Mosaico romano nas comemorativas dos imperadores Trajano e Marco Aurélio. Mas a característica mais
(ConímbrigaJ. original da escultura romana é o retrato. A preocupação da representação detalhada dos
traços fisionómicos e do vestuário manifesta um apurado realismo, que chega a deixar
transparecer 0 próprio caráter psicológico das personagens retratadas.
Fiç. í|. Busto de Marco A historiografia segue a mesma linha: Tito Lívío (59 a. C.-17 d. C.), 0 grande historia
Aurélio [121-180 d. C.J.
dor romano, autor de Ab Urbe Condita^, um trabalho monumental sobre a história de
Roma, exalta as virtudes romanas e a proteção dos deuses na realização do seu destino
â Questão glorioso; Tácito (56/57-120 d. C.), autor de Histórias e Anais, evidencia dotes narrativos
e de análise psicológica; Suetónio (c. 69-140 d. C.), autor de Vidas dos Dozes Césares,
L Quais ds objetivos da
épica e da historiografia uma coleção de biografias imperiais.
romana?
No início da época imperial, a par do interesse pelas artes e literatura, cresce a preo
cupação com a formação intelectual dos jovens. 0 objetivo da instrução é promover e
reforçar o projeto imperial, romanizar, pelo que era importante criar uma rede escolar
urbana uniformizada, coerente. Os mestres eram normalmente escravos ou libertos, fre
quentemente gregos. 0 Htterator, “aquele que ensina as letras", ensinava as crianças,
rapazes e raparigas, a ler, a escrever e a contar. Esta escola (íurfus) para as crianças dos
7 aos 11 anos funcionava em sala ou ao ar livre.
ü segundo grau de ensino (“secundário") começava por volta 12 anos e la até aos 15
anos e estava a cargo do grammaticus. Estudava-se o latim e 0 grego, poesia e noções de
história, geografia, astronomia e física. No terceiro grau de ensino (“superior”) os alunos
possuíam mais de 16 anos. A prioridade era 0 estudo dos prosadores e da retórica. Tal
como entre os gregos, a educação romana fundamentava-se largamente no ensino das
Humanidades^, tendo em vista a formação de oradores eloquentes e moralmente bem
formados.
IH- Humanidades [da palavra llatina bumortjttrs]: está associada a reflexão íiIusuíilj e às atividades culturais, em espe
cial literárias. Daí que a palavra significasse também “ nstrução", “eduLa^au", “cultura’, “letras" e "artes liberais".
2.3. A romanização da Península Ibérica, um exemplo Cronologia
Púnica, os Romanos invadem a Península Ibérica para combater os Cartagineses. Roma 197 a. C.
Conquista romana de Cádis
venceu Cartago e, apercebendo-se da importância económica e estratégica da Península, aos cartagineses.
promoveu a sua conquista e ocupação. Ainda antes do fim da Guerra, em 206 a. C., os A Hispãnia fica sob
0 controlo de Roma.
Romanos procederam pela primeira vez à divisão da Hispãnia em duas províncias, a
155 a. C
Citeríor e a Ulterior. Início da guerra lusitano-
-romana.
Pacificados os resistentes Celtiberos e Lusitanos, 0 imperador Augusto fixou a orga 29 a. C.
nização administrativa da Hispãnia, dividindo a Ulterior em duas províncias - a Lusitânia Roma impõe 0 seu domínio
ao espaço hispânico.
(capital Emérita Augusta) e a Bética (capital Cordoba) -, dando ã Citerior 0 nome de Tar-
EU a C.
raconense estas em Conventos (leis e justiça). Paralelamente estimulou a fixação de vete
Augusto divide a província
ranos das legiões e emigrados de Itália (fundação de colónias), que impulsionaram a Ulterior em duas: Lusitânia
(capital - Lmerita Augusto,
romanização*. A presença de mercadores e funcionários dinamizou o comércio e a circu
Mérida) e Bética [capital -
lação monetária. As villae, grandes unidades de exploração agrícola, abasteciam de Cordoba], dando à Citerior
0 nome de Tarracünense.
cereais, vinho, azeite e carne as despensas romanas, a par de outras atividades como 0
19 a. C.
fabrico da cerâmica, a mineração, a pesca e a extração do sal.
Conquista definitiva da
Península Ibérica.
As cidades peninsulares indígenas possuíam estatutos político-jurídicos distintos.
74 ri.C
Dividiam-se em dois tipos:
0 imperador VespasianD
- estipendiarias - resistentes à conquista, pagavam um tributo (stipendium), mas aos concede 0 direito de
cidadania [Jus latii minus]
habitantes, livres, era-lhes permitido manter leis próprias e a propriedade da terra;
aos hispânicos.
- livres, podendo ser federadas e, como federadas, em alguns casos imunes, isto é, 212
ções romano.
■' Acultuiração: processo pelo qual urn grupo entra em contacto com uma cultura diferente da sua e a assimila lutai
ou parLíalmente.
20
niu o Credo (dogma) da fé cristã. Superada a crise, 0 Cristianismo pôde reafirmar o seu
caráter católico (universal), integrando a totalidade dos homens numa única sociedade,
a da comunidade dos fiéis de Cristo, sob 0 primado da Igreja Romano-Cristã*.
Mas o papel dos Padres não se limitou ao plano doutrinal.. Alguns deles revelam urna
grande simpatia pelas línguas e filosofia da Época Clássica* que pensavam poder servir * Época Clássica:
período áureo
o objetivo da propagação do Cristianismo. Neste particular, sobressaíram Lactâncio,
das civilizações grega
Santo Ambrõsio, 5. Jerónimo e Santo Agostinho (Fig, 2), estudiosos dos filósofos heléni (sécs. V-IV a. C.) e romana
cos e das leis romanas. (sécs. I a. C.-ll d. C).
todo o Império diversos reinos bárbaros: os Visigodos, na Híspãnia, os Francos no Norte Fig. 2. Santo Agostinho
da Gália, os Vândalos na África, etc. Em 476, Odoacro, chefe dos Hérulos, afasta 0 último (354-430) ensinando os
seus discípulos. 0 seu
Imperador Romano, Rómulo Augústulo (475-476) e provoca a queda e a desagregação pensamento sobre
a questão da relação
do Império Romano do Ocidente.
entre ciência e fé pode
Limites de ijHXfses
resumir-se na célebre
Xh k Droresedos prefeitos
pretorianos das Gálias
Tefiitórios povoados por
Francos.. OstnogixicH eVtsiqodos
que possas compreender.
*'4 Sfrmío 1
DÁC1A
Andrinoplk
^Cdoedónia
Questão
,s] Mercenários: aquele que serve uu trabalha por urn preço ou salário ajustado. Aqui, soldados. que combalem pur
dinheiro, muitas dos quais recrutadas entre as povos Bárbaros.
■h] Federados: ptwüs inteiras que se encontravam ligados a Roma por meio de urn tratado [fuedus]. Estes povos Lon-
servavam as seus lusiurnes, a sua organização social e política; ocupam as terras romanas e ern compensação for
necem ao governo imperial urn Lertu número de soldados.
Questões para Exame
Não é a habitação que constitui o cidadão: os estrangeiros [metecos] e os escravos não são "cidadãos”,
mas “habitantes”. (...) Não participam, portanto,, senão dama maneira imperfeita nos direitos de cidada
nia, Quase a mesma coísa acontece com as crianças, que não têm ainda idade para estarem inscritos no
recenseamento dos cidadãos (...). Com maioria de razão se devem delíberadamente riscar desta lista os
infames e os proscritos. 0 que constitui propriamente o cidadão, a sua qualidade verdadeiramente carac
terística, é o direito de sufrágio nas Assembleias e de participação no exercício do poder público na sua
pátria.
Direi em primeiro lugar que é justo que, em Atenas, os pobres e a multidão gozem de mais benefícios
do que os ricos e os bem-nascidos, porque é o povo que embarca nos navios e que faz o poder da cidade.
(...) Também é justo que todos igualmente participem nas magistraturas, sorteadas ou eletivas, e que todo
o cidadão que o peça possa tomar a palavra.
Pseudo Xenofontc, República Ateniense, i, 2.
Fig. 1. Uma eleição sob a proteção divina de Atenas, os cidadaos depositavam 0 voto numa urna
(pintura sobre cerâmica, século V a. C.).
Documento 4 I A arquitetura e escultura gregas, expressão do culto público e procura da harmonia
Fig, 2. Fachada principal do Pártenon (448-436 a. C.) na Acrópole Fíg^ 3- Estátua do deus Hermes com 0
ateniense. pequeno Dioniso, de Praxílcles (35O_33°
a. C-),
1.1. Caracterize 0 regime democrático ateniense nos séculos V e IV a. C. tendo em conta os tópicos a seguir
enunciados:
- os fundamentos da democracia;
Para além dos seus conhecimentos, deve integrar na sua resposta os dados dos documentos 1 a 3.
Aos aldeamentos do Centro e Norte da Península e às “cidades" (pppídd) indígenas do sul, os Roma
nos vão contrapor as suas cidades (urbes), com os seus sistemas próprios de governo e os seus monu
mentos.
A habitação privada vai sofrer também alterações, embora o novo modelo de casa tenha sido mais
característico do colono romano ou do indígena romanizado de médio ou alto poder económico. Os aldea
mentos (vici) continuaram a ter a sua tradicional habitação indígena, com algumas modificações, sobre
tudo a nível de materiais (cobertura de telhado em telhas planas - tegullae (...) - de cerâmica, substituindo
a tradicional cobertura de fibras vegetais, e a utilização de cimentos e argamassa), captação e abasteci
mento de águas, vias de acesso e um ou outro eventual monumento de tipo religioso ou dedicatório. (...).
Conímbriga é um dos poucos locais onde podemos estudar a casa (domus) romana com alguma segurança.
Aqui as casas ricas desenvolvem-se em torno de um peristilo com um tanque central e zonas ajardinadas.
(...). Os únicos exemplares de “ilhas" (msí/fàe) que conhecemos são os escavados em Conímbriga. (...).
O templo mais conhecido é o impropriamente chamado templo “de Diana”, na cidade de Évora. Seria dedi
cado, mais provavelmente, ao culto do imperador e de Roma (...). Uma das zonas importantes das cida
des romanas era o fórum, grande praça retangular ou subquadrangular à volta da qual, ou perto da qual,
se concentravam alguns edifícios públicos: templo, basílica, cúria, mercado. (...) A estes (...) deveremos jun
tar vários balneários, públicos ou privados (...).
SARAIVA, J. H.(dir.), História de Portugal, vot. 1, Lisboa, Publ. Alfa, pp. 374-376.
2.1. A partir dos dados dos documentos $e6, explicite o sentido pragmático dos Romanos.
A sua resposta deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes tópicos de desenvolvimento:
A sua resposta deve integrar, para além dos seus conhecimentos, os dados disponíveis nos documentos
Unidade 1 - A identidade civilizacional da Europa 0 cidental
10? Ano
Contextualizaçâo
Unida no c pelo Cristianismo e o sistema feudal, a Europa □cidental nos séculos XIII e XIV
apresenta contudo uma grande diversidade política - impérios, reinos, senhorios e comunas.
É o tempo da conflituosa ordenação das relações entre ds poderes espiritual e temporal, do
renascimento das cidades e das novas formas de sociabilidade, cultura e mentalidade que
tiveram a sua origem nesta fase mais dinâmica c criativa da história medieval da Europa
Ocidental. É ainda o tempo da afirmação de Portugal comD entidade política autónoma.
SUMARIO Cronologia
- Reconhecer o senhorio como o quadro organizador da vida económica c social dD mundo Fins séc. XIII
rural tradicional, caracterizando as formas de dominação exercidas sobres as comunida Avanço turco sobre d
Império Bizantino.
des campesinas**.
Séc. XIV
CONCEITOS/NOÇÕES Termina d movimento de
expansão para o leste.
Reina**; Senhorio**; Comuna; Papado; Igreja Ortodoxa grega; Islão; Burguesia; Economia monetária
Fomes, pestes (Peste
* Conteúdos de aprofundamento
Negra, 1347-1350] e
guerras (Guerra dos Cem
** Aprendizaçens e conceitos estruturantes
Anos, 1337-1453].
* Reino: estado governado Diferentemente, no norte da Península Itálica e no Mar Báltico, áreas comerciais muito
por um regime monárquico ativas, fortalece-se a autonomia política das cidades-estados onde a aristocracia mercan
ou realeza.
til controla o governo. Veneza e Génova sustentam o seu poder numa hegemonia comer
* Comuna: cidade
emancipada da tutela cial e militar que vão construindo no Mediterrâneo. Lubeck, sede da Liga Hanseática
senhorial; situação (1241) - uma poderosa associação comercial e militar das cidades alemãs impõe 0 seu
alcançada através de um
processo de luta ou domínio no Mar do Norte. Na Flandres e no Norte de França, 0 movimento comunal, expri
simplesmente através da mindo as aspirações de liberdade dos burgueses das cidades, libertou diversas cidades
compra de uma carta de
franquia, a carta comunal. da dependência dos senhores feudais e transferiu para as elites mercantis 0 governo des
Na Idade Média, as fronteiras dos estados europeus estavam longe de estar estabili
zadas. ü mesmo se verificava relativamente ao exterior. Além disso, o seu traçado não
era rígido nem definitivo. Nos finais do século XIII, Portugal era uma notável exceção,
pois 0 seu território ficou praticamente definido. O mesmo não se passava no resto da
Península Ibérica onde a presença muçulmana irá prolongar-se até ao século XV.
Saicro limpéno Romana Germânica: império fundadn ipur Liãu I, cnruadu como imperador pelo papa, em 962, nascido
da união dos territórios urienlais du fragmentado Impérid Carolíngio dividido apâs a rrmr te du seu íuridadur Carlos
Magno; subsistiu até 1006, quando Foi abolido por Napoleão Bonaparte.
Direita de bcjrtntr/m poder de curnaridar, ohrigar e castigar homens livres; nu seja, poderes de caráter militar e indi
ciai e a irnpnsiçãu de serviços e tributos.
N Ü papa InncêriLio III [IIÜ0-I2I6] pretendeu irnpnr rin Ocidente uma espécie de teotracia, prucurandu submeter tndus
os príncipes a sua autoridade, ou seja, a aulnridade dn representante de Deus na ferra. Estas píetensdes prnvuca-
rarri urn grave conflito itirn l-rederico II. imperador du Sacro-Império.
Unidade 1 - A identidade civiUzacional da Euro pa 0cidental 27
monarcas feudais recorrem à guerra para unificar o território sob a sua autoridade pro
curando retirar aos ingleses os domínios que possuem no continente, nomeadamente na
Normandia e na Aquitânia.
0 avanço turco a Oriente nos finais do século XIII, a paragem dos arroteamentos e o
regresso da "trilogia sinistra" (fome, peste e guerra) no século XIV iriam interromper de
forma dramática o surto expansionista dos séculos anteriores.
O resultado foi a desorganização do sistema de relações que a teoria das três ordens
quisera eternizar. Os antagonismos sociais surgiram tanto nos campos como nas cidades
onde o contraste entre a riqueza de uns e a miséria de outros se tornava cada vez mais
escandaloso. No seio da própria Igreja surgiram movimentos reformadores: uns heréti O Questões
cos, outros auto reformadores, como as Ordens Mendicantes e as Confrarias, defendendo
1. Qual o modelo de
novas formas de religiosidade mais próximas dos ideais evangélicos da Igreja primitiva.
organização social
Ao mesmo tempo, a difusão de uma cultura laica, ã margem dos padrões da moral reli defendido pela Igreja?
Quais os seus objetivos?
giosa, retirou o monopólio do ensino e da cultura ao clero.
2. Como se explicam ds
No domínio do pensamento político, a Igreja impõe o ideal da reconstituição da uni frequentes conflitos nas
relações entre o PapadD e
dade imperial no Ocidente e alimenta o sonho da constituição de uma comunidade polí
o Império aD longo da
tico religiosa unida sob a autoridade do Papa e do Imperador. Mas a pretensão da Igreja Idade Média?
28
As lutas dos papas Gregõrio VII (Fig. i). no século XI, e de Inocêncio III, no século XIII»
com os imperadores do Sacro-Império marcaram decisivamente essas relações: a ideia
Imperial não desapareceria, mas o projeto universalista que a Igreja tentara encarnar
estava, definitivamente, comprometido.
Fiç. 1. Iluminura de 1114, ü Cristianismo constitui após a queda de Roma a base da unidade da Europa medie
representando Henrique IV
val, mas esta unidade era muito relativa. Com efeito, a cristandade conheceu vários con
no momento em que
suplica a presença de flitos envolvendo papas e imperadores, reis e clérigos, tendo na sua origem questões de
Gregório VII para que
natureza política e social misturadas com outras do foro religioso. Destas querelas resul
este lhe levantasse
a excomunhão. taram naturais quebras de prestígio e a rutura entre Roma e Bizâncio no ano de 1054,
quando o patriarca Bizantino e 0 legado do papa lançaram anátemas^ recíprocos, culmi
nando numa série de crises motivadas por divergências doutrinais e de autoridade.
atrair as gentes mais variadas, até mesmo servos em fuga dos seus senhores com pro
messas de terras e a garantia da sua liberdade pessoal.
Ao mesmo tempo, ocorre uma **revolução” das técnicas agrícolas (Hg. 3):
- a substituição do arado pela charrua, cuja grelha assimétrica permitia não só abrir n Questões
o solo mas também revirá-lo, arejando-o e facilitando uma melhor distribuição dos
1. Que condições
nutrientes; favoreceram a expansão
agrária na Europa Ocidental
- a introdução da rotação trienal (seguindo a sequência: trigos de inverno, trigos de
nos séculos XI-XIII?
primavera, repouso) favoreceu o aumento da produção e da produtividade;
2. Qual a relação entre
- o uso preferencial do cavalo em vez do boí; embora mais caro e mais difícil de man 0 aumento da produçãD
agrícola e 0 crescimento
ter, o cavalo permite ganhos de tempo no trabalho. demográfico então
verificado?
Apesar de a produtividade da terra continuar reduzida, do século XI ao XIV, a Europa
conseguiu ultrapassar a ameaça das fomes cíclicas, facto que esteve na origem do cres
cimento demográfico, até então contido, devido à insuficiência da produção agrícola. No
entanto, 0 equilíbrio demográfico continuava a ser frágil. As sociedades europeias ainda
não estavam suficientemente protegidas das crises de subsistências e da penúria de
homens.
12DD
0 comércio mediterrànico Instituição da feira de
Bruges.
0 longo período de expansão económica que caracterizou 0 Ocidente cristão nos sécu
1260-1266
los XI-XIII e 0 movimento das Cruzadas, conjugado com o enfraquecimento do domínio Primeira viagem dos
muçulmano e a melhoria dos meios de transporte marítimos (desenvolvimento da constru venezianüs NíccoId e Mateo
Polo à Ásia.
ção naval, adoção de novos Instrumentos e técnicas de orientação e navegação como a
1204
Os Genoveses derrotam
a frota de Pisa e afastam
esta cidade da disputa dü
1:1 ArrotEarnento:: d estirava rneriLü; tran$foirrnaç3u de áreas Incultas, bravias, em terras cultivadas, produtivas. comércio nD Mediterrâneo
Oriental.
Llunp, Cister e as Ordens Militares promovem ativarnenie u arroteamento' de novas terras.
bússola, o portulano(H: e a vela triangular), permitiram que os
“italianos" estabelecessem uma rede comercial no Mediterrâ
neo que durante vários séculos lhes assegurou a prosperidade
económica, constituindo-se como uma ponte privilegiada entre
a Cristandade e os mundos Bizantino e Muçulmano.
ü Mediterrâneo Oriental era de importância vital para as cidades italianas mas tinha
igualmente um grande interesse comercial para a Europa. Com efeito, era a partir do
comércio nesta área que, através dos “italianos", os Europeus tinham acesso aos produ
tos de luxo asiáticos (especiarias, tecidos e fazendas de algodão e de seda, pérolas e
pedras preciosas...), às matérias-primas da Ásia Menor (alúmen e metais), aos couros,
peles e cereais da Rússia e da Roménia, aos escravos da Rússia, ao peixe salgado, vinhos
e sal do Mar Negro. Por outro lado, estes mercados absorviam artigos industriais, sobre
tudo panos e tecidos, objetos de metal, bronze, estanho ou ferro produzidos nas cida
des da Tlandres, da Inglaterra e do sul da Alemanha. Do norte de África, provinha 0 ouro
1 Quais as grandes rotas No Mar do Norte e no Mar Báltico as cidades alemãs adquirem autonomia política e
do comércio mediterrânico tornam-se polos comerciais muito dinâmicos, estendendo a sua influência para além dos
no século XIII?
limites da sua jurisdição e estabelecendo acordos comerciais com outras cidades. Foi
2. Qual a importância do
neste contexto que se constituiu, em 1241, a poderosa Liga Hanseática, com sede em
comérciD do Mediterrâneo
Oriental para a Europa? Lubeque, que passou a organizar a proteção militar dos seus pesados navios de carga,
as koggé9\ carregados sobretudo com produtos em quantidade e relativamente baratos
(cereais, madeira, sal). De simples associação criada para a defesa da navegação no Mar
Báltico, a Hansa transformou-se numa importante confederação política e comercial de
cidades mercantis, monopolizando 0 comércio nesta área e estendendo a sua influência
a todo o norte europeu.
w Purtulariu: tipo de carta náutica retangular onde se Encontravam registadas as linhas de rumo e a localização dos
principais portos da costa Ocidental da turupa, Mar do Norte e Mediterrarieu.
Kogge. navio de carga curri urn único mastro e vela quadrarigular.. Os latinos chamavam-lhe corracn.
Unidade 1 - A identidade civiUzacional da Europa 0cidental 31
dade elevam-se e a mâo de obra torna-se escassa. Menos braços, menos produção. Ao
flagelo da fome junta-se 0 das epidemias (os corpos mal alimentados estão mais expos
tos à doença), o das pilhagens e 0 das guerras. Fecha-se o círculo sinistro. A crise está Questão
instalada.
1. Que fatores explicam
a fragilidade do equilíbrio
demográfico na Europa dos
séculos XIII-XV?
32
Tratado de Alcanises:
definição das fronteiras
leste de Portugal.
Foi ainda o sucesso militar que lhe permitiu obter um território suficientemente amplo
para viabilizar a existência de Portugal como reino independente, alargando a sua fron
teira sul até à linha do Tejo-Sado, com a conquista de Santarém (1147) e cuja posse abriu
0 caminho à tomada de Lisboa (1147) e feito alcançado com a ajuda dos Cruzados. Segui-
ram-se-lhes as conquistas de Sintra, Almada e Palmeia, fortalezas importantes para a de
fesa de Lisboa e de Alcácer do Sal.
A definição do espaço territorial português ficou concluída com a celebração do Tra 1137-1179
D. Afonso Henriques
tado de Alcanises (Fig. 1) (1297) entre D. Dinís de Portugal (Fig, 2) e D. Fernando IV de
concede forais a Penela
Castela que fixou de forma praticamente definitiva a fronteira leste de Portugal. [1137], Leiria [1142].
Germanelo [1142-1144],
Deste modo, ainda no século XIII, Portugal estabelecia as fronteiras do seu território Arouce [1151] e a Lisboa
(1179J.
que, com pequenas alterações posteriores, haveriam de permanecer atê aos nossos dias.
1186
D. Sancho I doa Almada,
Palmeia e Alcácer dü Sal
2.2. 0 país urbano e concelhio à Ordem de Santiago.
1192
- A multiplicação de vilas e cidades concelhias D. Sancho I concede foral
a Penacova.
As formas de povoamento e de organização das populações no território portu
guês refletem as características do melo geográfico e, sobretudo, as condições histó
ricas em que se processou a formação do território português, concluída no século XIII.
Foram as condições históricas ligadas ao avanço da Reconquista Cristã para sul que
terão tido uma influência mais marcante. A conquista e integração do sul no domínio
português implicou importantes movimentos de populações, parti cuia rm ente do norte
de Portugal mais povoado, para as regiões que iam sendo tomadas aos Mouros,
Fig. 3. Concelhos medievais
fenómeno que acabaria também por favorecer a coesão étnica e cultural do País. portugueses.
34
* Carta de foral: documentos Esta tarefa de povoamento - fundamental para assegurar a defesa e promover a explo
concedidos pelos reis ou
ração económica do território - foi Incentivada pelos reis através de doações às Ordens
pelos senhores (laicos e
eclesiásticos) que regulavam Religiosas e Militares (Templários, Hlospitaláríos, Calatrava e Santiago) como contrapartida
a vida dos concelhos,
nomeadamente os direitos ao auxílio prestado na luta contra o Islão e às ordens não militares (Cónegos Regrantes
e obrigações dos seus de St.° Agostinho, Cistercienses, Franciscanos e Dominicanos).
habitantes (“vizinhos"), em
particular a administração, Ao mesmo tempo e com idênticos objetivos, reis e senhores (nobres e eclesiásticos)
o fisco e a justiça.
concederam cartas de foral* ás vilas e cidades de Portugal. Desta forma foram criados mui
* Concelho: circunscrição
territorial e administrativa tos concelhos* (Fig. 3), importantes agentes do povoamento.
com um variável grau de
autonomia: cada concelhü - A organização do território e do espaço citadino
possuía uma assembleia
de notáveis ou homens- Sob □ ponto de vista administrativo, o território português estava dividido em terras
-bons que elegia diversos
magistrados, estando (ou territórios) e em concelhos. As primeiras eram governadas por um rico-homem que,
também d rei aí
na qualidade de delegado do rei, superentendia nos atos de administração e de justiça.
representado através de
magistrados nomeados Existiam, ainda, as terras pertencentes às ordens religiosas e ordens religiosas militares,
por si.
gozando de vários privilégios e imunidades, como a isenção fiscal.
* Mesteirais: trabalhadores de ser real, coexistindo no interior das muralhas as atividades agrícolas, comerciais e ar
em ofícios (mesteres) de tesanais.
artesanato ou indústria,
e alguns pequenos A invasão da Península pelos Bárbaros destruiu 0 modelo urbanístico romano assente
comerciantes (almocreves
e carniceiros): nas cidades no traçado regular das ruas e das praças e substituiu-o pelo emaranhado de ruas e rue
mais importantes estavam
las estreitas e tortuosas, irregularmente calcetadas, sem esgotos, comprimidas por uma
reunidos por profissões
numa mesma rua. A partir muralha circundante, que acompanha as irregularidades do solo (é a cidade a adaptar-se
do séculD XIII. crescem em
ao espaço, não o contrário). As ruas não eram pensadas para o transporte sobre rodas;
número e em força
económica e nos séculos eram sobretudo para as pessoas ou para os animais de carga utilizados como meios de
XIV e XV vão adquirir poder
transporte^. Algumas das ruas concentravam um mesmo tipo de lojas e ofícios e eram
na administração local.
mesmo identificadas pelos nomes das respetivas atividades: rua
dos sapateiros, dos caldeireiros, etc. Sentiam-se assim mais pro
tegidos e vigiavam-se mutuamente. É 0 sentido corporativista tão
caracteristicatnente medieval.
Fiffs 4 Panorâmica da
[3)
cidade de Coimbra. Nas zunas históricas das nossas pririLipais cidades ainda tiu|e se puderri utiservar estas características.
As casas de habitação, com dois ou três andares, agrupavam-se em quarteirões, abran
gendo estábulos, celeiros e lojas térreas abertas por uma só porta para a rua. Muitos des
tes conjuntos dispunham de pátios interiores em geral com um úníco acesso da rua. Em
regra, a loja situava-se em baixo e os dormitórios no andar de cima com acesso através
de escadas estreitas. Os seus interiores eram austeros, amplos e pouco iluminados. As la
reiras davam algum conforto, mas também a ameaça dos incêndios.
A autonomia (em grau variável) das comunidades concelhias era exteriorizada por cer
tos símbolos: o selo municipal (Fig. 5); 0 pelourinho, local da execução das sentenças, para
além de símbolo da autonomia; a bandeira e certos emblemas representativos do espírito
Fiff. 5- Selo dü concelho
de solidariedade coletiva ou ainda certos elementos identificativos do concelho.
de Castelo Mendo,
do século XIII. Os símbolos
Se a autonomia^ é 0 elemento essencial do regime do concelho, o exercício comuni
escolhidos (neste caso a
tário dos poderes é 0 instrumento decisivo da sua realização. De facto, 0 concelho é fun muralha) exprimem
sentimentos de autonomia
damentalmente uma comunidade de vizinhos(sl, embora tal não exclua a existência de
e de solidariedade coletiva
várias categorias sociais e direitos desiguais para os seus habitantes. das comunidades
concelhias.
Os magistrados eram em número variável e tinham diversas designações nos diferen
tes concelhos. Os mais importantes eram os juízes, alcaides ou alvasisl6\ supremos repre
sentantes e dirigentes do concelho. Depois, funcionários com funções em áreas específicas:
os meirinhos (fisco e justiça); o almotacé^ (economia); os mordomos (administração dos
bens concelhios); os sesmeiros (gestão das terras).
O rei estava sempre representado por um ou mais magistrados, por si nomeados: 0 O Questão
alcaide ou juiz; o almoxarife (cobrança dos direitos régios); o mordomo do rei, (adminis
1. Como se exprime
trador dos bens da coroa no concelho). Nos finais do século XIII, princípios do século XIV, a autonomia da vida
com 0 objetivo de reforçar 0 controlo real da vida concelhia, foram criados os corregedo municipal?
res ou juízes de fora parte, delegados do rei nos concelhos e representantes destes nas
cortes. Foram ainda criados novos funcionários administrativos, os vereadores, com poder
de decisão em áreas importantes.
wCnm u tempo, hubretodu a partir de D. Afonso III, a política de centralização régia foi restringindo a aoioriornid murn-
Lipdl.
Vizinhos: com origem ria palavra latiria viciriorum. designa os habitantes com residência permanente na área du
LoriLelhü e com posses suficientes para pagar os tributos devidos.
1:1 Alvasis: vocábulo de origem árabe [ul-wu^ir] que designa o mesmo que vereadores de urri comelho.
J Almotacé: do termo árabe ol-muhtosib.
- A afirmação política das elites urbanas
ü exercício dos poderes concelhios tinha uma natureza comunitária, mas tal não sig
nifica que existia uma igualdade de direitos entre a comunidade de vizinhos. As diferen
ças tornam-se mais notadas quando se analisa a superioridade social e económica dos
cavaleiros-vilãos ou homens-bons(íi\ uma verdadeira elite de proprietários alodiais* e mer
cadores, sobre os peões'5' (Hg. 6), a grande maioria constituída pelos pequenos proprie
tários, rendeiros, assalariados e mesteirais com baixos rendimentos.
[H| lei rriiriiddd a querra com os Mouros d designação de “cavaleiro" deixou de fazer sentido e fui sendo substituída pela
de “homem bom”, urna expressão mais adequada a nuva realidade pás-Reconquista, ja que recorda a riqueza e a
Questão honra e não a funçãu militar.
w D termo "peão’* Lern origem no tipu de partiLipaçãu na guerra; nau tendu posses para manter um cavalo e u res
1. Como se explica a petivo equipamento, o peãu combatia a pé.
formação de uma M Esta denominação significa que os ricos-homens tinham o puder e a autoridade para arregimentar soÍj u seu
oligarquia política nos estandarte cavaleiros e peues e os meius para os sustentar nu decurso de urna Lampanha militar.
concelhos? A partir du século XIII. os riubres pur nascimento passam a ser vulgarmente designadas por “fidalgos”.
No entanto, a realeza manteve sempre o controlo sobre o poder senhorial reservando
para si determinados direitos, como a justiça maior (pena de morte oll corte de membros),
ou combatendo-o abertamente.
Os senhorios eclesiásticos (coutos) e laicos (honras e reguengos) eram constituídos por 1. Como se caracterizava
a economia senhorial?
propriedades relativamente extensas (contínuas e/ou descontínuas), num mundo agrário
2. Em que condições viviam
relativamente fechado que procurava a autossuficiência. Uma boa parte da propriedade
e trabalhavam os
senhorial era explorada diretamente pelo seu proprietário (a reserva) através de um homem camponeses dependentes?
da sua confiança e nela trabalhavam sobretudo os servos adscritos (ligados) à terra.
Uma outra parte era dividida em parcelas (casais, quintas ou vilares) e entregues a
camponeses que as exploravam mediante determinadas condições: pagamento de uma
renda (censo, ração, porção, foro, renda, eirádega, terra digo...), das geiras ou corveias
(trabalho gratuito ao longo do ano) e da dízima1'2* à Igreja, entre outros tributos (peitas,
fintas, talhas...).
A prioridade da vida económica do País, tanto nos senhorios como fora deles, ia para
a produção de subsistências, para o cultivo dos cereais, bem como para a produção de
vinho e azeite, destinados não só ao consumo local como à troca dos excedentes, e ou
tras atividades como a pastorícia e a criação de gado.
Mais do que uma extensa propriedade, o senhorio ou domínio senhorial era uma
comunidade hierarquizada de pessoas que viviam e trabalhavam em condições económi
cas e jurídicas (direitos e obrigações) diferenciadas.
-< Dízima: prestação correspondente a lÜX da produção obtida na agricultura, na pesca, na salí cultura e ern uutias
atividades; podia ser curivertida ern determinado rnunlarite de prudutus ou de dinheiro.
38
1223-1248 risdição senhorial e ao mesmo tempo uma afirmação clara da supremacia da justiça real.
D. Sancho II. Outro direito era a aposentadoria11^1 a que se obrigavam as terras onde o monarca e a sua
1248-1279 corte se instalavam nas deslocações pelo Pais.
D. Afonso III.
A legitimidade e a força da monarquia portuguesa têm fundamento na tradição visigõ-
tica do exercício do poder real em nome de Deusna propriedade de terras adquiridas
ao longo do processo da Reconquista; no caráter patrimonial do poder, indivisível e ina
lienável, que legitimava a transmissão da realeza de pais para filhos segundo a regra da
primogenitura masculina. Aparentemente os poderes do rei não conheciam limites, já que
das suas decisões não existia apelo. No entanto, o rei jurava obedecer às leis e manter
as liberdades do Reino e proteger o clero e a nobreza, o que significava uma limitação ao
seu poder.
A partir do século XIII, foi criado o cargo de escrivão da puridade (secretário particu
lar que acompanhava o rei nas suas deslocações) e foram criados novos funcionários es
pecializados, como o porteiro-mor (superentendia na cobrança dos impostos) e o
tesoureiro-mor. A administração central integrava ainda um grupo restrito de conselheiros
do rei, a Cúria Régia, formada por favoritos régios, altos funcionários e membros da famí
lia real. Entretanto, a Cúria daria origem a dois órgãos: o Conselho Régio, composto por
prelados, ricos-homens e militares, e as Cortes*.
* Cortes/pa ria mentos: As Cortes mais antigas de que há documentação realizaram-se em Coimbra (1211), no
assembleias com funções
essencialmente consultivas reinado de D. Afonso II. A sua importância deriva do facto de terem sido ai aprovadas as
e fiscais, convocadas pelü
rei e constituídas por
representantes das três Cl rei chamou a si nau sú o direito de "bater a moeda", como também u direito de a “quitar" [quebrar, desvalori
ordens sociais - clera. zar] ou "levantar" (elevar, revalorizar]., □□ seja de alterar u valor da moeda.
nobreza e povo. rin] Aposentadoria: i □ mu u termo indica, Lonsistid na hospedagem gratuita ao rei (ou senhores] e respetiva comitiva
quandu passavam por urna totalidade; tratava-se de um dos mais gravosos encargos suportados pelas populações
dependentes, tanto rurais torriu urbanas.
[h] Üs primeiros reis referiam sempre essa origem do seu poder, considerando-se por "graça" ou "vonLade" de Deus.
Unidade 2 - O espaço português — a consolidação de um reino cristão ibérico 39
primeiras leis gerais que se conhecem no Reino. Em 1254, as Cortes de Leiria contaram Cronologia
já com a participação dos procuradores dos concelhos, □ que revela 0 reconhecimento real
1210
do papel dos concelhos na administração do Reino e 0 seu interesse no apoio popular à D. Afonso II - V Lei de
Desamortização.
política de controlo do clero e nobreza.
1220
O objetivo de reforço do poder real passou também por um controlo mais rigoroso da Primeiras Inquirições
(D. Afonso II).
administração local: dos concelhos e dos senhorios. Para isso, recorreu ao aumento do nú
1254
mero e dos poderes de intervenção dos funcionários régios e a medidas legislativas de ReuniãD das Cortes de
Leiria com representantes
combate à expansão senhorial.
dü clero, nobreza e dos
concelhos.
- 0 combate à expansão senhorial e a promoção política das elites urbanas 1258
Inquirições Gerais de
Apesar da supremacia de que beneficiava a realeza, esta teve de impor um conjunto D. Afonso III.
de medidas de fortalecimento do poder real e de centralização administrativa no sentido 1284
Inquirições Gerais de
de limitar as prerrogativas senhoriais e controlar os abusos dos senhores.
D. Dinis.
D. Afonso II (1211-1223) criou 0 sistema das Confirmações, que obrigava a submeter os 1286
Lei de Desamortização de
títulos ou diplomas de posse dos bens à confirmação do rei, pretendendo desta forma aca D. Dinis.
bar com os abusos de membros do clero e da nobreza e até dos concelhos, com a apro
priação indevida de bens da coroa. Esta prática foi seguida por sucessivas Inquirições*, * Inquirições: inquéritos,
que permitiram ao rei identificar as ilegalidades, castigar e recuperar rendimentos. Com ob a nível nacional, ao estado
dos direitos reais,
jetivos idênticos, foram elaboradas Leis de Desamortização, que proibiam a aquisição de ordenados pelü poder
bens de raiz aos eclesiásticos e às instituições religiosas, com o intuito de travar a con central. Trata-se de uma
medida de fortalecimento
centração já considerável da propriedade fundiária na posse do clero. dü poder real e de
centralização
Este processo de combate à expansão senhorial prosseguiu durante 0 século XIV. A de administrativa que visava
bilidade do sistema vassálico* português facilitava a ação de controlo da realeza. D. Fer combater os abusos contra
os interesses da coroa.
nando recusou 0 direito de justiça às honras constituídas a partir de 1325, com algumas
* Vassalidade: rede de
exceções. D. João I restringiu 0 direito de transmissão das terras doadas pela Coroa, me solidariedades
dida que D. Duarte consagraria na Lei Mental (i434)06). aristocráticas assente num
vínculo vitalício de
Ao mesmo tempo que prosseguia 0 combate ã expansão do poder senhorial, a realeza dependência pessoal pelü
qual, em traça de
procurou atrair as elites urbanas à sua causa apoiando as suas atividades económicas, fidelidade e apoio, um
abrindo-lhes as portas da administração central e reforçando a sua influência nas estrutu homem livre [vassalo]
recebe proteção e outras
ras administrativas locais. Mas a grande oportunidade de afirmação política da burguesia recompensas (benefício du
urbana surgiu com a crise dinástica e a Revolução de 1383-1385. 0 seu apoio ao Mestre feudo) de um outro
(senhor).
de Avis, proclamado Rei nas Cortes de Coimbra de 1385, trouxe importantes contrapartidas
* Legistas; homens com
às elites urbanas: os legistas* assumiram lugares importantes na administração central, fürmaçãD jurídica. Nos finais
nomeadamente no Conselho do Rei onde acederam e em maioria; os mercadores reforça da Idade Média, a política
de centralização régia
ram a sua influência junto da Coroa e beneficiaram de vários apoios reais (Bolsa de abriu-lhes lugares na
Mercadores, 1293, acordos comerciais...); e os mesteirais ascenderam ao governo das cida administração central,
adquirindo entãD grande
des desafiando a força, até então dominante, dos proprietários e mercadores07'. importância política.
Segundo d Lei. a Coroa mantinha os seus direitos sobre as doações régias e estas sâ poderiam ser herdadas pelo
filho varão legítimo; 1 aso não se verificassem estes pressupostos, tais bens seriam reintegrados na Coroa.
■ ■' Nas Curtes de Coimbra de 1385 íilou assente que, de futuro, pertenceria a dois homens de i ada mester íufício) as
seguintes atribuições: a eleição dos magistrados municipais; a designação de funcionários; d elaboração das posto-
ras [leis) municipais; a fixação dos impostos.
40
Por isso, estabilizada a linha de fronteira, as prioridades do seu reinado foram: a de
fesa, investindo os seus esforços na organização da marinha e na reparação dos castelos
na fronteira para prevenir qualquer invasão de Castela; o fomento do povoamento e das
Cronologia Os esforços dos nossos monarcas para formarem uma individualidade nacional suficien
temente forte para afirmar Portugal no quadro político peninsular tiveram a sua grande
1143
Tratado de Zamora. prova na Revolução de 1383-1385 (Fig. 8). Os patriotas agrupados em redor do Mestre de
1248 Avis tinham consciência do que estava em causa com a proclamação da Rainha D. Bea
(Rejconquista do Algarve.
triz: a sobrevivência de um Estado, mas também a preservação de um sentimento nacio
1297
Tratado de Alcanises. nal que tinha já então consciência da sua individualidade. Consolidada a independência
1383 nacional, Portugal pôde partir então para a grande empresa planetária dos Descobri
Morte de D. Fernando:
mentos.
regência de D. Leonor em
nome de D. Beatriz
e D. JDão de Castela.
1384
D. JoãD de Castela cerca
Lisboa.
1385
Cortes de Coimbra:
aclamação de D. João I, Rei
de Portugal.
Batalhas de Aljubarrota,
Trancoso e Valverde.
1415
Conquista de Ceuta: início
da expansãD ultramarina
portuguesa.
Fig. 8. A vitória na Batalha de Aljubarrota (14 de agosto de BflS) foi determinante para a consolidação da
identidade nacional e a afirmação de Portugal na quadro político ibérico.
Unidade 3 - Valores, vivências e quotidiano 41
SUMÁRIO
APRENDIZAGENS RELEVANTES
A arquitetura
A escultura gótica revela na sua fase inicial um formalismo e rigidez quase românicos.
Outro aspeto característico da escultura deste período é 0 seu caráter monumental que
decorre da sua integração na arquitetura.
Nos séculos XII e XIII, a escultura gótica regista uma evolução no sentido de uma
representação mais expressiva, naturalista e humanizada (Hg. 2), ainda que procure um
tipo de beleza ideal e serena dentro de certos convencionalismos. Progressivamente, vai
abandonando a arte monumental, entrando no realismo e tornando-se independente da
arquitetura.
Fig. 2. Virgem com o
Menino (Nuno PisanD, Pisa, 4 pintura
Igreja de Santa Maria].
Tema muito comum da Na pintura gótica sobressai o vitral (Fig. 3) que aparece como um elemento inte
escultura gótica. 0 realismo
grante da arquitetura. As soluções técnicas encontradas para 0 problema da descarga
e a expressividade da
representação transformam do peso das abóbodas permitiu abrir janelas e aumentar substancialmente os espaços
a Virgem numa figura
abertos preenchidos e decorados com o vitral. Para 0 homem medieval, a luz era uma
simples de mulher e mãe,
igual a tantas Dutras. forma de manifestação divina, razão pela qual as representações projetadas no interior
das edificações através dos vidros coloridos produziam uma forte impressão mística. As
figuras e cenas mais recriadas nos vitrais são temas religiosos, como a vida de Cristo,
da Virgem e dos santos ou ainda os trabalhos dos diversos ofícios.
Uma outra técnica que marcou a última etapa da pintura gótica é a pintura de retá
bulos que substitui e impõe-se à pintura mural.
Fig. 3. Vitral alusivo à [í| Iluminura: puriLura, sobre pergaminhos e manuscritos. de representações de figuras, cenas uu ornatos ern minia
Última Ceia. tura que formavam pequenos quadrus riurri livro, uu ainda decuraçües das letras maiusculas.
Unidade 3 - Valores, vivências e quotidiano 43
Como reação á mundanização da Igreja surgiram nos séculos XII-XIII diversas seitas 1210
Inocêncio III aprova
religiosas, como a dos albigeinses^ e a dos valdensesfe\ que condenam a vida de luxo
a Ordem Franciscana criada
da hierarquia eclesiástica, apregoam 0 Ideal de pobreza e de sacrifício do Sermão da por S. Francisco de Assis.
Montanha, negam 0 purgatório, as indulgências, 0 sacerdócio e o culto dos santos, amea 1209-1229
Cruzada contra os
çando desta forma a autoridade da Igreja Católica e a ortodoxia da Fé.
Albigenses [no sul de
França).
0 Papado reage com a reunião do IV Concílio de Latrão, em 1215*^ que cria um tri
1216
bunal episcopal para a perseguição das heresias. Em 1231, Gregório IX coloca-a sob a Honório III confirma
direção e 0 controlo direto dos delegados pontifícios, criando a Inquisição papal, com a a Ordem Dominicana
fundada por S. Domingos.
missão de combater as doutrinas contrárias à ortodoxia.
1215
IV Concílio de Latrão:
Para este combate 0 Papado não poderia contar com as velhas instituições monásti
instituição de um tribunal
cas contemplativas refugiadas nos seus mosteiros. Esse papel foi confiado às novas ins episcopal - a Inquisição.
tituições religiosas, fundadas nos ideais evangélicos de pobreza e de fraternidade da 1232
0 papa Gregório IX cria
Igreja primitiva, as Ordens Mendicantes dos Franciscanos (São Francisco de Assis) e dos
a Inquisição papal.
Dominicanos (São Domingos), vocacionadas para 0 ensino e a pregação.
Estas novas formas de religiosidade motivaram também a ação dos leigos, impulsio
* Confrarias: irmandades
nando em particular a criação das confrarias*.
constituídas sob
0 patrocínio de um santo,
- A expansão do ensino elementar com estatutos e rituais
próprios, reunindo
A evolução demográfica, económica, social e cultural verificada na Europa nos sécu frequentemente homens
da mesma profissão, tendo
los XII e XIII não podería deixar de se refletir no ensino. A vida intelectual era até então
como objetivo a prática da
quase exclusivamente um domínio clerical. As escolas catedrais (nas sés episcopais) e as caridade.
escolas monásticas (nos mosteiros) eram totalmente controladas pelas autoridades ecle
siásticas e destinavam-se á instrução dos homens da Igreja, Por outro lado, o ensino aí
ministrado permanecia essencialmente oral e limitava-se em geral ao ensino do cate
cismo, escrita, música e aritmética.
Para responder às novas necessidades sociais, a partir de meados do século XII são
criadas escolas laicas. Desta forma, 0 ensino deixou de estar ligado exclusivamente à
preparação dos futuros clérigos. A prática do comércio tornava indispensável 0 conheci
mento da Leitura, da escrita e do cálculo. 0 ensino destas escolas era no entanto de nível
elementar. Todos aqueles que queriam um saber mais completo teriam de procurar as
instituições do clero.
- A fundação de universidades
w Albigenses fde Albi, no sul da França], ou catarus [du grego. puros]: a diíusãu desta heresia ísécs. XI-XIV] que pre
conizava urrid renovação mural e espiritual baseada na antítese entre □ bern [Deus] e d rnal [Satanás] levou papa
d pregar uma cruzada [guerra] cuntra eles (1209-1229).
,sl ValdEnses: seita religiosa fundada pelo comerciante de Lqun, Pedro Valdo, que pregava o ideal de pobreza e a per
feição evangélica, obtendo bastante adesão no norte de Itália.
■h] Ü Concílio foi particular mente duro para corri os judeus: furam proibidos de uLuipar cargos, obrigados a usar urn
vestuáriu que os distinguisse dos demais e confinadus a ghettos.
44
* Universidade: [universitas Daqui surgiu um novo tipo de comunidade de intelectuais, associando professores e
magistrorum et
schoiarium} comunidade alunos, constituídos em corporação, a universitas magistrorum et scholarium. A palavra
ou corporação de mestres universidade* (universitas) significa na Idade Média “corporação11'. A expressão que
e alunos, com instituições
próprias, destinada exprime a ideia de universidade, no sentido de instituição escolar, é o estudo geral
a aprofundar os estudos. (studium gene raie). Sustentados frequentemente pelo soberano e pelo papa, os estudos
Dirigida por um reitor.
dividia-se em Faculdades, gerais dispõem de estatutos próprios e de privilégios como qualquer outra corporação
geralmente quatro: profissional.
Teologia, Direito (canónico
e civil). Medicina e Artes A partir do século XIII, os estudos universitários eram feitos no interior de Taculdades
(letras e ciências): atribuía
os graus de bacharel, especializadas em determinadas matérias. Nem todas as universidades tinham o mesmo
licenciado e mestre. currículo.
O ensino nas universidades era ministrado em latim e o método usado era a escolás
tica, baseado sobretudo na leitura e comentário pelo mestre (ensino magistral) de textos
Cronologia
dos sábios e filósofos antigos. As universidades conferiam os graus de bacharel, Licen
Principais universidades
ciado e doutor.
europeias dos séculos
XII-XIII
Temendo pelo seu prestígio e para evitar desvios das suas doutrinas, a Igreja con
1119 Bolonha
1125 Montpellier trola a sua criação, bem como as matérias e as práticas de ensino. Em Portugal, a cria
1150 Paris ção do ensino universitário foi aprovada em 1290 por uma Bula do Papa Nicolau IV, con
1158 Oxford
1224 Pádua cedida na sequência de uma petição feita em 1288 por vários Abades e Priores e com 0
1241 Siena apoio do rei D. Dinis.
1244 Salamanca
1290 Lisboa
3.2. A vivência cortesã
- A cultura leiga e profana nas cortes régias e senhoriais: educação cavaleiresca,
O Questões
amor cortês, culto da memória dos antepassados
L Como se explica
a criação das O renascimento urbano e o desenvolvimento da burguesia e das atividades económi
universidades? cas nos séculos XII e XIII foram modificando os padrões de vida, a visão do mundo e a
escala de valores das elites da sociedade medieval. Ao mesmo tempo, a afirmação das
* Cultura erudita: Os ideais cavaleirescos de coragem na luta e de fidelidade aos ideais cristãos inspi
manifestações culturais raram os cantares épicos, escritos em língua vulgar, como as canções de gesta france
que expressam
pensamentos estruturados sas, das quais a mais célebre é a Canção de Roiando ou 0 Poema de! Mio Cid (c. 1140),
e produzidas por uma elite na Península Ibérica.
ou minoria de intelectuais,
geralmente pertencentes A partir do século XIII, expande-se a poesia trovadoresca provençal (oriunda da Pro-
às categorias sociais
superiores. É uma cultura vença, região do sul de França) cujo tema fundamental era 0 amor cortês: um amor-vas-
que a sociedade valoriza salagem envolto em disfarce, ou “mesura”, necessário à preservação do segredo sobre a
como superior du
dominante. identidade da amada (uma mulher casada). As emoções e as subtilezas de gestos e
Unidade 3 - Valores, vivências e quotidiano 45
Mar
do
Norte
Winchester/
Vladimir
Ratisboi Cracóvfà"^^ /
Viena
Santiago
Compost
__/^J^Narboi
ncclona
Córdova
■^Granai
PalerrtíD.■ Foceia
1.1, A partir dos documentos 1 a 3, explique o aumento da produção agrícola na Europa Ocidental nos
séculos XI-XIII.
1.2. Explique o dinamismo comercial e financeiro europeu no século XIII (doc, 3),
47
Dom Dinis (..J, A vós, João Soares (...) e a Gil Martins (...) e a (...). Bem sabedes em como era meu
talantel]) de fazer uma póvoa a par do meu castelo de Cerveira, e enviei-vos sobre isso minha carta para
saberdes se havia aí homens que 0 quisessem povoar e enviaste (dizer) que havia aí peças grandes^ deles,
que 0 queria fazer, e que vos pediam para acoileramento^ dessa póvoa vinte e oito casais,
w vontade
w grande número
w divisão do termo em coirelas ou casais.
2.1. Integre os documentos 4 a 6 na caracterização dos poderes em Portugal na época medieval, especi
ficando, nomeadamente:
Contextualização
□ movimento das Descobertas iniciado pelos Portugueses, logD secundados pelos Espa
nhóis, iniciou o processo de desencravamento dos diversos "mundos'' do Mundo. Ao fazê-loT
deram à Europa o domínio dos mares e com ele a oportunidade de afirmar a sua hegemonia
sobre o planeta. Ao mesmo tempo, forneceu uds europeus uma nova e correta visão sobre
a geografia física da Terra e sobretudo promoveu d encontro entre povos e culturas que até
então se ignoravam mutuamente, retirando daí a prova da unidade c da universalidade do
género humano.
Em estreita ligação com os Descobrimentos, o Renascimento c o Humanismo operaram uma
verdadeira revolução cultural e social numa Europa que procurou na reinvenção das origens
da sua matriz cultural e na renovação da sua espiritualidade e religiosidade d reencontro
consigo própria e o encontro com o outro Os tempos medievais não foram, pois, estéreis,
nem uma "época de trovas", comD se pretendeu classificar este longo pcríodD histórico.
SUMÁRIO
APRENDIZAGEN5 RELEVANTES
CONCEITOS/N0ÇÜE5
Navegação astronómica; Cartografia
- Principais centros culturais de produção e difusão de sínteses e inovações
Nos finais do século XV, a expulsão dos Médicis de Tlorença e a instabilidade política
O Questão
e social que se lhe seguiu levaram os artistas e letrados a refugi arem-se em Roma cujos
papas Alexandre VI Borgia (1492-1503), JÜIlio II (1503-1513) e, em especial, Leão X (1513- 1. Como se explica que as
-1521) desejam transformá-la na capital de um império cristão. Milão, Génova e, sobretudo, cidades italianas tenham
sido a ■'vanguarda" da
Veneza, grande potência comercial, constituem outros tantos polos de arte e cultura. renovação e progresso
cultural nos sécuIds XV
A partir de Itália, os novos princípios e valores difundiram-se pela Europa ocidental. As e XVI?
peregrinações a Roma, 0 comércio, as relações diplomáticas entre as cortes europeias, 0
gosto pelas viagens, a criação da imprensa moderna (1440) por Gutenberg e os progres
sos técnicos na navegação favoreceram essa difusão. Em volta das universidades e nas
grandes cidades mercantis, como Paris, Lião, Londres, Praga, Viena, Cracóvia, Augsburgo
e Nuremberga, formaram-se círculos de letrados e artistas que, apoiados pelos monarcas
e pelos homens de negócios, tornaram estas cidades grandes centros de cultura.