Módulo 10
Módulo 10
O Programa Saúde da Família (PSF) teve início em 1994 e posteriormente foi implementado como Estratégia
Saúde da Família (ESF), pelo Ministério da Saúde. Essa estratégia, como o nome já diz, é voltada para o aten-
dimento das famílias, por profissionais das diversas áreas da saúde que trabalham em conjunto e veio como
um modelo revolucionário, que deu ao Sistema Único de Saúde (SUS) um grande impulso no cumprimento
de seus princípios básicos visando reorganizar o acesso à Atenção Básica. Assim, com esta organização, tem
buscado a melhoria do atendimento nos demais níveis de atenção.
Tópico 01 A EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA E O SUS
Com a implantação do SUS na década de 1980, houve a organização de um novo modelo de as-
sistência à saúde, fortalecido pelo então PSF (posteriormente expandido para ESF). Inicialmente o
sistema de saúde do Brasil era baseado no modelo hospitalocêntrico e curativista, modelo este que
foi de certa forma rompido pelo desenvolvimento da atenção primária, da multiprofissionalidade e
do direcionamento de estratégias voltadas ao atendimento das vulnerabilidades e reorganização
dos cuidados primários à saúde, que permite um acesso mais amplo aos serviços básicos de saúde
(SILVA; CALDEIRA, 2010).
As ações da ESF seguem os princípios do SUS, ou seja, estão pautadas na universalidade, equidade
e integralidade da atenção à saúde. A universalidade parte da premissa que a equipe deve ser capaz
de atender a todos e para tanto precisa expandir-se por todo o país, ampliando o alcance à toda a
população. A equidade se propõe a tratar desigualmente os desiguais, ou seja, vai ao encontro dos
que mais necessitam de atendimento para garantir-lhes facilidade de acesso que os equipare aos
demais. A integralidade contempla ações variadas que possam garantir a saúde em sua totalidade
nos seus mais amplos aspectos (BRASIL, 1990).
O SUS tem sua organização pautada na regionalização e hierarquização. A hierarquização das ações
e serviços de saúde é realizada pelos níveis de complexidade, tendo a Atenção Básica ou de baixa
complexidade como nível inicial, seguido pela atenção secundária ou de média complexidade e ter-
ciária ou de alta complexidade, como dispõe a Lei nº 8080/90:
Com relação ao modelo organizacional da Rede de Atenção à Saúde, alguns atributos são conside-
rados essenciais pelo Ministério da Saúde para o seu funcionamento, como:
[...]
10. Recursos humanos suficientes, competentes, comprometidos e com incentivos pelo alcan-
ce de metas da rede;
11. Sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, com identificação
de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e outras variáveis pertinentes;
12. Financiamento tripartite, garantido e suficiente, alinhado com as metas da rede;
13. Ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde e da equidade em saúde; e
14. Gestão baseada em resultado (BRASIL, 2010).
Com base nestas disposições sobre as redes de atenção, fica claro que a Atenção Básica no Brasil é
a porta de entrada para o sistema de saúde e envolve as atividades de práticas gerenciais e sanitá-
rias democráticas, organizadas por ações de trabalho em equipes voltadas a populações geográficas
específicas, levando em consideração a variabilidade das necessidades de cada território.
Apresentar um caráter substitutivo à rede de Atenção Básica tradicional nos locais de atuação;
Ações voltadas aos problemas de saúde da comunidade por meio de pactuação comunitária;
Cuidar dos indivíduos e família, com postura pró-ativa diante dos problemas de saúde e doença
de sua população;
Trata-se um modelo de atenção primária pautado em estratégias e ações preventivas, que visam
à promoção e recuperação da saúde, reabilitação e oferta de cuidados paliativos. Para desenvolver
suas ações, a ESF foi composta por equipes multidisciplinares que trabalham de forma conjunta para
atender às suas populações, voltadas para uma assistência integral à saúde, à pessoa e à família, e
não somente para a doença (BARRETO et al., 2012).
IMPORTANTE!
Na ESF as ações de promoção da saúde e prevenção de agravos organizam-se por
meio do trabalho em equipe, adscrição da clientela, estabelecimento de vínculos e
estabelecimento da família como seu foco de atenção.
A característica mais marcante desse trabalho é funcionar como um estreitamento de vínculo entre
a comunidade e o serviço de saúde, na medida em que realiza atividades de promoção, acompanha-
mento e educação em saúde, voltados à qualidade de vida da população, para garantir uma situação
de bem-estar e reduzir as tensões de sua clientela ao atender as demandas de saúde (GALAVOTE
et al., 2011).
Mas como o ACS consegue aproximar esse vínculo do usuário do SUS com a equipe de saúde?
Vejamos algumas ações que permitem essa intermediação (BRASIL, 2005):
Mapear sua
área de atuação.
Além das atribuições definidas, são atribuições mínimas específicas de cada categoria profissional,
cabendo ao gestor municipal ou do Distrito Federal ampliá-las, de acordo com as especificidades
locais.
Quando se pensa em todas estas ações e atividades exercidas pelo ACS, podemos também visualizar
o atendimento de uma clientela diversificada que envolve crianças, jovens, adultos e idosos, com os
mais diversificados problemas socioeconômicos, ambientais e de saúde, que devem ser observados
quando se fala em atendimento integral.
Sendo assim, deve-se levar em consideração a atual transição epidemiológica e demográfica encon-
trada no Brasil, pois com aumento da população idosa e das doenças crônico-degenerativas, ocorre
aumento da necessidade de se repensar os modelos assistenciais. Estes modelos de assistência
devem atender às necessidades de cuidado e garantir a autonomia, analisando as características
inerentes à cada população atendida.
Uma parcela desta população, os idosos são amparados pela Política de Saúde do Idoso, que tem
como propósito a promoção do envelhecimento saudável. Para que se alcance este propósito e se
maximize sua capacidade funcional, devemos trabalhar com a prevenção das doenças, recuperação
da saúde e reabilitação que lhe permitam o máximo de liberdade no desenvolvimento de atividades
cotidianas. Dentro de suas vulnerabilidades, os idosos devem ser assistidos de forma especial, que
inclui assistência diferenciada, como o atendimento domiciliar (GARCIA et al., 2006).
a) Planejar, programar e realizar as ações que envolvem a atenção à saúde da pessoa idosa
em sua área de abrangência;
b) Identificar e acompanhar pessoas idosas frágeis ou em processo de fragilização;
c) Alimentar e analisar dados dos Sistemas de Informação em Saúde - Sistema de Infor-
mação da Atenção Básica (Siab) - e outros para planejar, programar e avaliar as ações
relativas à saúde da pessoa idosa;
d) Conhecer os hábitos de vida, valores culturais, éticos e religiosos das pessoas idosas, de
suas famílias e da comunidade;
e) Acolher pessoas idosas de forma humanizada, na perspectiva de uma abordagem integral
e resolutiva, possibilitando a criação de vínculos com ética, compromisso e respeito;
f) Prestar atenção contínua às necessidades de saúde da pessoa idosa, articulada com os
demais níveis de atenção, com vistas ao cuidado longitudinal – ao longo do tempo;
g) Preencher, entregar e atualizar a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, conforme manual
de preenchimento específico;
h) Realizar e participar das atividades de educação permanente relativas à saúde da pessoa
idosa;
i) Desenvolver ações educativas relativas à saúde da pessoa idosa, de acordo com o pla-
nejamento da equipe.
As Redes de Atenção em Saúde (RAS) são dispositivos para sistematizar as ações dos serviços de
saúde, com densidades tecnológicas diferentes, que se integram por sistemas técnicos, logísticos e
de gestão, para alcançar a integralidade, tendo como pilar a Atenção Primária em Saúde (BRASIL,
2010). As RAS têm como atributos principais:
1. População e território definidos com amplo conhecimento de suas necessidades e preferên-
cias que determinam a oferta de serviços de saúde;
2. Extensa gama de estabelecimentos de saúde que presta serviços de promoção, preven-
ção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos e integra
os programas focalizados em doenças, riscos e populações específicas, os serviços de saúde
individuais e os coletivos;
3. Atenção Primária em Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta de entrada
do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando,
coordenando o cuidado, e atendendo as suas necessidades de saúde;
4. Prestação de serviços especializados em lugar adequado;
5. Existência de mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e integração assisten-
cial por todo o contínuo da atenção;
6. Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo em conta as
particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade da população;
7. Sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar uma missão, visão
e estratégias nas organizações que compõem a região de saúde; definir objetivos e metas
que devam ser cumpridos no curto, médio e longo prazo; articular as políticas institucionais;
e desenvolver a capacidade de gestão necessária para planejar, monitorar e avaliar o desem-
penho dos gerentes e das organizações;
8. Participação social ampla;
9. Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico (BRASIL, 2010).
01 População:
De responsabilidade das RAS, vive em territórios sanitários singulares, organiza-se socialmente em famílias e é cadastrada e registrada em subpopula-
ções por riscos sociossanitário. Assim, a população total de responsabilidade de uma RAS deve ser totalmente conhecida e registrada em sistemas de
informação potentes. Mas não basta o conhecimento da população total: ela deve ser segmentada, subdividida em subpopulações por fatores de
risco e estratificada por riscos em relação às condições de saúde estabelecidas.
02 Estrutura operacional:
A estrutura operacional das RAS constitui-se de cinco componentes: o centro de comunicação, a APS;
os pontos de atenção à saúde secundários e terciários; os sistemas de apoio (sistema de apoio
diagnóstico e terapêutico, sistema de assistência farmacêutica e sistema de informação em saúde); os
sistemas logísticos (cartão de identificação das pessoas usuárias, prontuário clínico, sistemas de
acesso regulado à atenção e sistemas de transporte em saúde); e o sistema de governança.
SISTEMAS DE TRANSPORTE
EM SAÚDE
SISTEMAS DE APOIO
CENTRO DE COMUNICAÇÃO
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Os modelos de redes de atenção à saúde do idoso estruturam ações integradas que visa adequar a
atenção à população idosa de forma a atendê-la plenamente, incluindo suas necessidades sociais. A
base para operacionalizar os sistemas de informações em saúde é o Cadastro Nacional de Estabeleci-
mentos de Saúde (CNES), que permite ao gestor conhecer a rede assistencial existente e sua poten-
cialidade e disponibiliza informações das condições de infraestrutura e funcionamento dos estabeleci-
mentos de saúde em todas as esferas. Acesse o CNES em: [Link]
Agora, vamos conhecer quais tipos de estabelecimentos de saúde podem integrar modelos de rede
de atenção à saúde do idoso no SUS?
As UBS podem ou não ter equipe de Saúde da Família (e em ambas as situações estão registradas
no CNES) e sua infraestrutura e recursos necessários são definidos pela Política Nacional de Atenção
Básica, sendo eles:
SAIBA MAIS!
Política Nacional de Atenção às Urgências:
[Link]
O atendimento especializado pode ser extremamente importante para a pessoa idosa, possibilitan-
do a recuperação da saúde por procedimentos específicos de cada especialidade. Exemplos são a
perda auditiva, que muitas vezes é encarada como “normal da idade”, e a catarata, frequentemente
encontrada no paciente idoso, que pode ser corrigida e, consequentemente, melhorar a qualidade
de vida desse paciente.
§ Unidades de reabilitação
Ainda estão surgindo no SUS e geralmente estão vinculadas a hospitais universitários, especializa-
dos e centros de referência. Sabe-se que preservar a funcionalidade é essencial para a manutenção
da condição de saúde do paciente idoso e, portanto, manter ou recuperar função é essencial. Essa
reabilitação pode ser física ou cognitiva e conta com diversos profissionais da saúde, como fisiotera-
peutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, dentre outros.
SAIBA MAIS!
Caderno de atenção domiciliar. Volume 1. 2012. Disponível no link:
[Link]
Caderno de atenção domiciliar. Volume 2. 2013. Disponível no link:
[Link]
§ Atenção hospitalar
Diretrizes:
• Atender como referência, casos que necessitem da atenção especializada, prioritaria-
mente os idosos frágeis, na área de geriatria ou gerontologia;
• Promover a autonomia, independência e autocuidado – itens formadores do conceito de
saúde;
• Propiciar campo de estágio gerontológico, proporcionado à multiplicação do conheci-
mento específico;
• Desenvolver a produção científica nas áreas afins;
• Instituir indicadores de atenção ao idoso;
• Estimular projetos de atenção ao idoso;
• Subsidiar instituições e serviços de saúde que atuem com foco na população idosa (BAHIA,
2014).
SAIBA MAIS!
Redes estaduais de atenção à saúde do idoso: guia operacional e portarias. Disponí-
vel no link: [Link]
O chamado “tripé da seguridade social” é composto pela rede de serviços da política de assistência
social, junto com a Rede do SUS e com os benefícios garantidos pela política de previdência social.
Em resumo, a estrutura de uma rede assistencial à pessoa idosa pode ser observada no esquema
abaixo, que representa a interface SUS-SUAS (Sistema Único de Assistência Social):
Conselho Delegacia
SUS do idoso
MP
do idoso
SUAS
Secretarias Municipal
Secretarias Municipal Ações
e Estadual de
e Estadual de Saúde intersetoriais
Assistência Social
Fonte: Adaptado de: FREITAS, Marco Polo Dias; MORAES, Edgar Nunes de. Estrutura da rede de atenção à saúde da
pessoa idosa. In: BORGES, Ana Paula Abreu; COIMBRA, Angela Maria Castilho (Org.). Envelhecimento e saú-
de da pessoa idosa. Rio de Janeiro, RJ: EAD, ENSP, 2008. 340 p. Disponível em: [Link]
biblioteca/dados/txt_594481029.pdf.
SAIBA MAIS!
Políticas e programas na atenção à saúde do idoso: um panorama nacional. Disponí-
vel no link:
[Link]
gos%20e%20Documentos%20%20Relacionados/[Link].
Neste módulo abordamos os princípios da organização da Atenção Básica por meio da Estratégia
Saúde da Família, com destaque para a importância e as atribuições do agente comunitário de
saúde dentro do contexto de multiprofissionalidade da assistência, além de apresentarmos o
conceito de Rede de Atenção à saúde do idoso e os estabelecimentos de saúde que a integram.
Esperamos que você possa incorporar esses conhecimentos e colocá-los em prática na sua rotina de
trabalho, proporcionando um atendimento integral à população idosa, de forma a assisti-la plena-
mente, incluindo suas necessidades sociais.
BAHIA. Governo do Estado. CREASI. Salvador, BA, 2014. Disponível em: < [Link]
[Link]/[Link]?option=com_content&view=article&id=306&catid=8&Itemid=49>. Acesso em:
31 out. 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 648/GM, de 28 de março de 2006. Aprova a Política Na-
cional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da
Atenção Básica para o Programa Saúde da Família (PSF) e o Programa Agentes Comunitários de
Saúde (PACS). Disponível em: < [Link]
[Link]>. Acesso em: 3 nov. 2014.
_____. _____. Portaria MS/GM Nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para
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Revisão ortográfica
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Revisão técnica
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