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Módulo 10

O documento aborda o Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa, destacando a importância da Estratégia Saúde da Família (ESF) e o papel do agente comunitário de saúde (ACS) na promoção da saúde e prevenção de doenças entre a população idosa. A ESF é apresentada como um modelo de atenção primária que visa reorganizar o acesso à saúde, enfatizando a integralidade e a equidade no atendimento. O ACS atua como um vínculo entre as famílias e os serviços de saúde, realizando ações educativas e de acompanhamento para garantir o bem-estar dos idosos.

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Módulo 10

O documento aborda o Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa, destacando a importância da Estratégia Saúde da Família (ESF) e o papel do agente comunitário de saúde (ACS) na promoção da saúde e prevenção de doenças entre a população idosa. A ESF é apresentada como um modelo de atenção primária que visa reorganizar o acesso à saúde, enfatizando a integralidade e a equidade no atendimento. O ACS atua como um vínculo entre as famílias e os serviços de saúde, realizando ações educativas e de acompanhamento para garantir o bem-estar dos idosos.

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Curso de Capacitação em

Saúde da Pessoa Idosa

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa


Módulo 10 O agente comunitário de saúde e as ações da Estratégia Saúde da Família

O Programa Saúde da Família (PSF) teve início em 1994 e posteriormente foi implementado como Estratégia
Saúde da Família (ESF), pelo Ministério da Saúde. Essa estratégia, como o nome já diz, é voltada para o aten-
dimento das famílias, por profissionais das diversas áreas da saúde que trabalham em conjunto e veio como
um modelo revolucionário, que deu ao Sistema Único de Saúde (SUS) um grande impulso no cumprimento
de seus princípios básicos visando reorganizar o acesso à Atenção Básica. Assim, com esta organização, tem
buscado a melhoria do atendimento nos demais níveis de atenção.
Tópico 01 A EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA E O SUS

Com a implantação do SUS na década de 1980, houve a organização de um novo modelo de as-
sistência à saúde, fortalecido pelo então PSF (posteriormente expandido para ESF). Inicialmente o
sistema de saúde do Brasil era baseado no modelo hospitalocêntrico e curativista, modelo este que
foi de certa forma rompido pelo desenvolvimento da atenção primária, da multiprofissionalidade e
do direcionamento de estratégias voltadas ao atendimento das vulnerabilidades e reorganização
dos cuidados primários à saúde, que permite um acesso mais amplo aos serviços básicos de saúde
(SILVA; CALDEIRA, 2010).

As ações da ESF seguem os princípios do SUS, ou seja, estão pautadas na universalidade, equidade
e integralidade da atenção à saúde. A universalidade parte da premissa que a equipe deve ser capaz
de atender a todos e para tanto precisa expandir-se por todo o país, ampliando o alcance à toda a
população. A equidade se propõe a tratar desigualmente os desiguais, ou seja, vai ao encontro dos
que mais necessitam de atendimento para garantir-lhes facilidade de acesso que os equipare aos
demais. A integralidade contempla ações variadas que possam garantir a saúde em sua totalidade
nos seus mais amplos aspectos (BRASIL, 1990).

O SUS tem sua organização pautada na regionalização e hierarquização. A hierarquização das ações
e serviços de saúde é realizada pelos níveis de complexidade, tendo a Atenção Básica ou de baixa
complexidade como nível inicial, seguido pela atenção secundária ou de média complexidade e ter-
ciária ou de alta complexidade, como dispõe a Lei nº 8080/90:

“Art.7° [....] IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de


governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierar-
quização da rede de serviços de saúde” (BRASIL, 1990).

Com relação ao modelo organizacional da Rede de Atenção à Saúde, alguns atributos são conside-
rados essenciais pelo Ministério da Saúde para o seu funcionamento, como:

[...]
10. Recursos humanos suficientes, competentes, comprometidos e com incentivos pelo alcan-
ce de metas da rede;
11. Sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, com identificação
de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e outras variáveis pertinentes;
12. Financiamento tripartite, garantido e suficiente, alinhado com as metas da rede;
13. Ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde e da equidade em saúde; e
14. Gestão baseada em resultado (BRASIL, 2010).

Com base nestas disposições sobre as redes de atenção, fica claro que a Atenção Básica no Brasil é
a porta de entrada para o sistema de saúde e envolve as atividades de práticas gerenciais e sanitá-
rias democráticas, organizadas por ações de trabalho em equipes voltadas a populações geográficas
específicas, levando em consideração a variabilidade das necessidades de cada território.

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 2


REFLITA COMIGO!
Você já conhece as redes de atenção disponíveis no
município onde você trabalha? Qual a real função de
sua equipe para que essas redes funcionem e se or-
ganizem?

Papel do agente comunitário de saúde nas ações na ESF


Como já falamos, a Estratégia Saúde da Família (ESF) segue os preceitos do SUS e é a principal
estratégia para reorganizar a Atenção Básica. Dentre as características, destacam-se:

Apresentar um caráter substitutivo à rede de Atenção Básica tradicional nos locais de atuação;

Realizar cadastramento domiciliar e diagnóstico situacional;

Ações voltadas aos problemas de saúde da comunidade por meio de pactuação comunitária;

Cuidar dos indivíduos e família, com postura pró-ativa diante dos problemas de saúde e doença
de sua população;

Atuar de forma planejada e organizada a partir do diagnóstico situacional direcionado à família


e à comunidade; promover a integração entre as instituições e organizações sociais, por meio
de parcerias; participar do processo de formação da cidadania (BRASIL, 2012).

Trata-se um modelo de atenção primária pautado em estratégias e ações preventivas, que visam
à promoção e recuperação da saúde, reabilitação e oferta de cuidados paliativos. Para desenvolver
suas ações, a ESF foi composta por equipes multidisciplinares que trabalham de forma conjunta para
atender às suas populações, voltadas para uma assistência integral à saúde, à pessoa e à família, e
não somente para a doença (BARRETO et al., 2012).

IMPORTANTE!
Na ESF as ações de promoção da saúde e prevenção de agravos organizam-se por
meio do trabalho em equipe, adscrição da clientela, estabelecimento de vínculos e
estabelecimento da família como seu foco de atenção.

As equipes basicamente reúnem profissionais como: médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos em


Enfermagem e agentes comunitários de saúde; além de cirurgiões-dentistas e auxiliares ou técnicos
de saúde bucal, que trabalham de forma interdisciplinar, por meio de abordagem integral e resolutiva
(SILVA et al., 2012).

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Esta multidisciplinaridade da equipe impõe ações e práticas que se fundamentam na extrapolação
do âmbito individual e clínico e ampliação do objeto de trabalho, que permite a integração das di-
ferentes percepções e saberes das diversas profissões. A articulação de olhares diferenciados tem
como característica intrínseca a presença dos agentes comunitários de saúde (ACS), o que favorece
a promoção de ações além do âmbito assistencial curativo – focado no resolutismo imediato de proble-
mas de saúde individuais, que não deve ser desmerecido, embora não seja suficiente para proporcionar
transformações nos níveis de saúde da população (PEREIRA; RIVERA; ARTMANN, 2013).

A característica mais marcante desse trabalho é funcionar como um estreitamento de vínculo entre
a comunidade e o serviço de saúde, na medida em que realiza atividades de promoção, acompanha-
mento e educação em saúde, voltados à qualidade de vida da população, para garantir uma situação
de bem-estar e reduzir as tensões de sua clientela ao atender as demandas de saúde (GALAVOTE
et al., 2011).

O ACS desempenha, portanto, importante papel dentro


da ESF, com a responsabilidade de ser o vínculo entre
as famílias e as unidades de saúde.

Mas como o ACS consegue aproximar esse vínculo do usuário do SUS com a equipe de saúde?
Vejamos algumas ações que permitem essa intermediação (BRASIL, 2005):

Mapear sua
área de atuação.

Mobilizar a comunidade e realizar Fazer o cadastro de cada uma das


ações coletivas de saneamento, que famílias e mantê-lo atualizado.
visem a melhoria ambiental.

Promover atividades educativas e de vigilância


Identificar indivíduos e famílias que estejam
à saúde, priorizando a promoção da saúde e
expostos em situações de risco.
prevenção de doenças.

Exercer o cumprimento de suas ações e Orientar os sujeitos quanto à correta


atividades nas áreas de maior prioridade da utilização dos serviços de saúde.
Atenção Básica.

Fazer visitas domiciliares e acompanhar


mensalmente todas as famílias sob sua Promover a identificação das áreas de risco.
responsabilidade.

Exercer o cumprimento de suas ações e


Encaminhar e/ou agendar consultas
atividades nas áreas de maior prioridade da
médicas e odontológicas, além de exames.
Atenção Básica.

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Está na lei!

Conforme a Portaria n° 648/GM, de 28 de março de 2006, existem atri-


buições comuns a todos os profissionais de saúde das equipes de Saúde
da Família, de saúde bucal e de ACS.

SÃO ATRIBUIÇÕES COMUNS A TODOS OS PROFISSIONAIS:


1- Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe,
identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos, inclusive aqueles relativos ao
trabalho, e da atualização contínua dessas informações, priorizando as situações a serem
acompanhadas no planejamento local;
2- Realizar o cuidado em saúde da população adscrita, prioritariamente no âmbito da unidade
de saúde, no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre ou-
tros), quando necessário;
3- Realizar ações de atenção integral conforme a necessidade de saúde da população local,
bem como as previstas nas prioridades e protocolos da gestão local;
4- Garantir a integralidade da atenção por meio da realização de ações de promoção da saúde,
prevenção de agravos e curativas; e da garantia de atendimento da demanda espontânea,
da realização das ações programáticas e de vigilância à saúde;
5- Realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de notificação compulsória e de ou-
tros agravos e situações de importância local;
6- Realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as ações, proporcionan-
do atendimento humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo;
7- Responsabilizar-se pela população adscrita, mantendo a coordenação do cuidado mesmo
quando esta necessita de atenção em outros serviços do sistema de saúde;
8- Participar das atividades de planejamento e avaliação das ações da equipe, a partir da uti-
lização dos dados disponíveis;
9- Promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o controle so-
cial;
10- Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais
com a equipe, sob coordenação da SMS;
11- Garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas nacionais de informação na
Atenção Básica;
12- Participar das atividades de educação permanente; e
13- Realizar outras ações e atividades a serem definidas de acordo com as prioridades locais
(BRASIL, 2006).

Além das atribuições definidas, são atribuições mínimas específicas de cada categoria profissional,
cabendo ao gestor municipal ou do Distrito Federal ampliá-las, de acordo com as especificidades
locais.

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SÃO ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS:
Do agente comunitário de saúde (ACS):
1- Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita
à UBS, considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento de
indivíduos e grupos sociais ou coletividade;
2- Trabalhar com adscrição de famílias em base geográfica definida, a microárea;
3- Estar em contato permanente com as famílias desenvolvendo ações educativas, visando à
promoção da saúde e à prevenção das doenças, de acordo com o planejamento da equipe;
4- Cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros atualizados;
5- Orientar famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis;
6- Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e de agravos, e
de vigilância à saúde, por meio de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e
coletivas nos domicílios e na comunidade, mantendo a equipe informada, principalmente a
respeito daquelas em situação de risco;
7- Acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas as famílias e indivíduos sob sua responsa-
bilidade, de acordo com as necessidades definidas pela equipe; e
8- Cumprir com as atribuições atualmente definidas para os ACS em relação à prevenção e ao
controle da malária e da dengue, conforme a Portaria nº 44/GM, de 3 de janeiro de 2002.
9- Nota: É permitido ao ACS desenvolver atividades nas unidades básicas de saúde, desde que
vinculadas às atribuições acima (BRASIL, 2006).

Quando se pensa em todas estas ações e atividades exercidas pelo ACS, podemos também visualizar
o atendimento de uma clientela diversificada que envolve crianças, jovens, adultos e idosos, com os
mais diversificados problemas socioeconômicos, ambientais e de saúde, que devem ser observados
quando se fala em atendimento integral.

Sendo assim, deve-se levar em consideração a atual transição epidemiológica e demográfica encon-
trada no Brasil, pois com aumento da população idosa e das doenças crônico-degenerativas, ocorre
aumento da necessidade de se repensar os modelos assistenciais. Estes modelos de assistência
devem atender às necessidades de cuidado e garantir a autonomia, analisando as características
inerentes à cada população atendida.

Uma parcela desta população, os idosos são amparados pela Política de Saúde do Idoso, que tem
como propósito a promoção do envelhecimento saudável. Para que se alcance este propósito e se
maximize sua capacidade funcional, devemos trabalhar com a prevenção das doenças, recuperação
da saúde e reabilitação que lhe permitam o máximo de liberdade no desenvolvimento de atividades
cotidianas. Dentro de suas vulnerabilidades, os idosos devem ser assistidos de forma especial, que
inclui assistência diferenciada, como o atendimento domiciliar (GARCIA et al., 2006).

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 6


As ações da Atenção Básica/Saúde da Família em envelhecimento e saúde da pessoa idosa previstas
a serem desenvolvidas são:

Atribuições comuns a todos os profissionais da equipe:

a) Planejar, programar e realizar as ações que envolvem a atenção à saúde da pessoa idosa
em sua área de abrangência;
b) Identificar e acompanhar pessoas idosas frágeis ou em processo de fragilização;
c) Alimentar e analisar dados dos Sistemas de Informação em Saúde - Sistema de Infor-
mação da Atenção Básica (Siab) - e outros para planejar, programar e avaliar as ações
relativas à saúde da pessoa idosa;
d) Conhecer os hábitos de vida, valores culturais, éticos e religiosos das pessoas idosas, de
suas famílias e da comunidade;
e) Acolher pessoas idosas de forma humanizada, na perspectiva de uma abordagem integral
e resolutiva, possibilitando a criação de vínculos com ética, compromisso e respeito;
f) Prestar atenção contínua às necessidades de saúde da pessoa idosa, articulada com os
demais níveis de atenção, com vistas ao cuidado longitudinal – ao longo do tempo;
g) Preencher, entregar e atualizar a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, conforme manual
de preenchimento específico;
h) Realizar e participar das atividades de educação permanente relativas à saúde da pessoa
idosa;
i) Desenvolver ações educativas relativas à saúde da pessoa idosa, de acordo com o pla-
nejamento da equipe.

Atribuições do agente comunitário de saúde (ACS):

a) Cadastrar todas as pessoas idosas de sua microárea e manter o cadastro atualizado;


b) Preencher, entregar e atualizar a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, conforme seu
manual de preenchimento específico;
c) Identificar e encaminhar o idoso frágil à unidade de saúde;
d) Realizar visitas domiciliares às pessoas idosas conforme planejamento assistencial, dando
prioridade às frágeis ou em processo de fragilização;
e) Buscar a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita à unidade, mantendo
a equipe informada, principalmente, a respeito dos idosos frágeis;
f) Estar em contato permanente com as famílias;
g) Avaliar condições de risco de quedas observáveis no domicílio (BRASIL, 2007).

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Tópico 02 REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE E REDE DE SAÚDE DO IDOSO

As Redes de Atenção em Saúde (RAS) são dispositivos para sistematizar as ações dos serviços de
saúde, com densidades tecnológicas diferentes, que se integram por sistemas técnicos, logísticos e
de gestão, para alcançar a integralidade, tendo como pilar a Atenção Primária em Saúde (BRASIL,
2010). As RAS têm como atributos principais:
1. População e território definidos com amplo conhecimento de suas necessidades e preferên-
cias que determinam a oferta de serviços de saúde;
2. Extensa gama de estabelecimentos de saúde que presta serviços de promoção, preven-
ção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos e integra
os programas focalizados em doenças, riscos e populações específicas, os serviços de saúde
individuais e os coletivos;
3. Atenção Primária em Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta de entrada
do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando,
coordenando o cuidado, e atendendo as suas necessidades de saúde;
4. Prestação de serviços especializados em lugar adequado;
5. Existência de mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e integração assisten-
cial por todo o contínuo da atenção;
6. Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo em conta as
particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade da população;
7. Sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar uma missão, visão
e estratégias nas organizações que compõem a região de saúde; definir objetivos e metas
que devam ser cumpridos no curto, médio e longo prazo; articular as políticas institucionais;
e desenvolver a capacidade de gestão necessária para planejar, monitorar e avaliar o desem-
penho dos gerentes e das organizações;
8. Participação social ampla;
9. Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico (BRASIL, 2010).

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Figura 1 - Modelos constitutivos das Redes de Atenção à Saúde (RAS).

01 População:
De responsabilidade das RAS, vive em territórios sanitários singulares, organiza-se socialmente em famílias e é cadastrada e registrada em subpopula-
ções por riscos sociossanitário. Assim, a população total de responsabilidade de uma RAS deve ser totalmente conhecida e registrada em sistemas de
informação potentes. Mas não basta o conhecimento da população total: ela deve ser segmentada, subdividida em subpopulações por fatores de
risco e estratificada por riscos em relação às condições de saúde estabelecidas.

02 Estrutura operacional:
A estrutura operacional das RAS constitui-se de cinco componentes: o centro de comunicação, a APS;
os pontos de atenção à saúde secundários e terciários; os sistemas de apoio (sistema de apoio
diagnóstico e terapêutico, sistema de assistência farmacêutica e sistema de informação em saúde); os
sistemas logísticos (cartão de identificação das pessoas usuárias, prontuário clínico, sistemas de
acesso regulado à atenção e sistemas de transporte em saúde); e o sistema de governança.

SISTEMAS DE TRANSPORTE
EM SAÚDE

SISTEMAS DE APOIO

CENTRO DE COMUNICAÇÃO

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03 Modelo de atenção à saúde:


É um sistema lógico que organiza o funcionamento das RAS e suas
S I T UAÇ Ã O

relações entre a população e suas subpopulações estratificadas por


riscos, os focos das intervenções do sistema de atenção à saúde e os
diferentes tipos de intervenções sanitárias, definido em função da
visão prevalecente da saúde, das situações demográfica e epidemioló-
gica e dos determinantes sociais da saúde, vigentes em determinado
tempo e em determinada sociedade. O ideal é propor modelos de
atenção para condições crônicas e agudas. COPYRIGHT © UFMA/UNA-SUS

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 9


Rede de Atenção à saúde e as ações para a pessoa idosa

Os modelos de redes de atenção à saúde do idoso estruturam ações integradas que visa adequar a
atenção à população idosa de forma a atendê-la plenamente, incluindo suas necessidades sociais. A
base para operacionalizar os sistemas de informações em saúde é o Cadastro Nacional de Estabeleci-
mentos de Saúde (CNES), que permite ao gestor conhecer a rede assistencial existente e sua poten-
cialidade e disponibiliza informações das condições de infraestrutura e funcionamento dos estabeleci-
mentos de saúde em todas as esferas. Acesse o CNES em: [Link]

Agora, vamos conhecer quais tipos de estabelecimentos de saúde podem integrar modelos de rede
de atenção à saúde do idoso no SUS?

§ Unidades básicas de saúde (UBS)

As Unidades Básicas de Saúde são consideradas a “porta


de entrada” do SUS e, como tal, espera-se que sejam acolhedoras,
receptivas e ofereçam condições mínimas de segurança e confor-
to, inclusive para os usuários com dificuldade de locomoção, como
é o caso de alguns idosos. Porém, sabe-se que muitas UBS no país
funcionam em construções adaptadas, sem o planejamento prévio
e fora dos parâmetros e critérios técnicos definidos pela Associa-
UBS
Unidade Básica de Saúde
ção Brasileira de Normas Técnicas (Norma 5.090/2004).

As UBS podem ou não ter equipe de Saúde da Família (e em ambas as situações estão registradas
no CNES) e sua infraestrutura e recursos necessários são definidos pela Política Nacional de Atenção
Básica, sendo eles:

• Equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, cirurgião-dentista, auxiliar de con-


sultório dentário ou técnico em higiene dental, auxiliar de Enfermagem ou técnico de Enfer-
magem, agente comunitário de saúde, entre outros;
• Consultório médico, consultório odontológico e consultório de Enfermagem;
• Área de recepção, local para arquivos e registros, sala de cuidados básicos de Enfermagem,
sala de vacina e sanitários, por unidade;
• Equipamentos e materiais adequados ao elenco de ações propostas, de forma a garantir a
resolutividade da Atenção Básica;
• Garantia dos fluxos de referência e contrarreferência aos serviços especializados, de apoio
diagnóstico e terapêutico, ambulatorial e hospitalar;
• Existência e manutenção regular de estoque dos insumos necessários para o funcionamento
das Unidades Básicas de Saúde, incluindo dispensação de medicamentos pactuados nacional-
mente (BRASIL, 2006a).

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 10


§ Atenção às urgências

Tem sido orientada pela Política Nacional de Aten-


ção às Urgências, instituída pela Portaria nº 1.863,
de 29 de setembro de 2003, e se divide nos com-
ponentes: pré-hospitalar (que pode ser fixo ou mó-
vel) e hospitalar.

SAIBA MAIS!
Política Nacional de Atenção às Urgências:
[Link]

§ Unidades de atendimento ambulatorial especializado

O atendimento especializado pode ser extremamente importante para a pessoa idosa, possibilitan-
do a recuperação da saúde por procedimentos específicos de cada especialidade. Exemplos são a
perda auditiva, que muitas vezes é encarada como “normal da idade”, e a catarata, frequentemente
encontrada no paciente idoso, que pode ser corrigida e, consequentemente, melhorar a qualidade
de vida desse paciente.

O acompanhamento na Atenção Básica deve ser mantido independentemente do acompanhamento


por especialista. É comum que o paciente idoso seja acompanhado por diversos médicos especialis-
tas, sem homogeneização dos tratamentos e sem comunicação entre eles, o que, frequentemente,
leva à iatrogenia e à polifarmácia. O profissional da Atenção Básica tem em mãos o poder de geren-
ciar e harmonizar o tratamento.

§ Unidades de reabilitação

Ainda estão surgindo no SUS e geralmente estão vinculadas a hospitais universitários, especializa-
dos e centros de referência. Sabe-se que preservar a funcionalidade é essencial para a manutenção
da condição de saúde do paciente idoso e, portanto, manter ou recuperar função é essencial. Essa
reabilitação pode ser física ou cognitiva e conta com diversos profissionais da saúde, como fisiotera-
peutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, dentre outros.

§ Atenção Domiciliar e a Saúde do Idoso - Programa


Melhor em Casa

A Atenção Domiciliar (AD), cujas ações são implementadas, no


âmbito do Ministério da Saúde, pela Coordenação-Geral de Aten-
ção Domiciliar (CGAD), constitui uma nova modalidade de atenção
à saúde, substitutiva ou complementar às já existentes, oferecida
no domicílio e caracterizada por um conjunto de ações de promo-

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 11


ção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação, com garantia da continuidade do
cuidado e integrada às Redes de Atenção à Saúde.

Na Portaria nº 963, de 27 de maio de 2013, é redefinida a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema


Único de Saúde (SUS) que considera:

• Atenção Domiciliar: nova modalidade de atenção à saúde, substitutiva ou complementar às


já existentes, caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e
tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade
de cuidados e integrada às redes de atenção à saúde;
• Serviço de Atenção Domiciliar (SAD): serviço substitutivo ou complementar à internação hos-
pitalar ou ao atendimento ambulatorial, responsável pelo gerenciamento e operacionalização
das Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (Emad) e Equipes Multiprofissionais de
Apoio (Emap); e
• Cuidador: pessoa com ou sem vínculo familiar com o usuário, capacitada para auxiliá-lo em
suas necessidades e atividades da vida cotidiana (BRASIL, 2013).

SAIBA MAIS!
Caderno de atenção domiciliar. Volume 1. 2012. Disponível no link:
[Link]
Caderno de atenção domiciliar. Volume 2. 2013. Disponível no link:
[Link]

§ Atenção hospitalar

Quaisquer ações e serviços de promoção, prevenção e restabelecimento da saúde, realizados em


ambiente hospitalar, estão inseridos no item “atenção hospitalar”.

Todos os hospitais do SUS, independentemente do tamanho ou complexidade, são registrados no


CNES. O ingresso ao atendimento hospitalar geralmente se dá pela Autorização de Internação Hos-
pitalar (AIH), que é uma característica comum dessas unidades.

§ Centro de Referência Estadual de Atenção à


Saúde do idoso (Creasi)

O Centro atende ao idoso que necessita de atenção


especializada na área de geriatria e/ou gerontologia, e
tem organização hierárquica com a Atenção Básica, or-
ganizando a demanda.

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 12


O Creasi oferece à comunidade um serviço especializado na saúde do idoso frágil e também a inter-
locução com outras instituições, por meio de avaliação multidimensional, por equipe interdisciplinar,
com vistas à manutenção ou recuperação da saúde física, mental e funcional, adequando seus défi-
cits às novas realidades, mantendo-o socialmente ativo e dentro do contexto familiar em conformi-
dade com as diretrizes da macropolítica.

Diretrizes:
• Atender como referência, casos que necessitem da atenção especializada, prioritaria-
mente os idosos frágeis, na área de geriatria ou gerontologia;
• Promover a autonomia, independência e autocuidado – itens formadores do conceito de
saúde;
• Propiciar campo de estágio gerontológico, proporcionado à multiplicação do conheci-
mento específico;
• Desenvolver a produção científica nas áreas afins;
• Instituir indicadores de atenção ao idoso;
• Estimular projetos de atenção ao idoso;
• Subsidiar instituições e serviços de saúde que atuem com foco na população idosa (BAHIA,
2014).

SAIBA MAIS!
Redes estaduais de atenção à saúde do idoso: guia operacional e portarias. Disponí-
vel no link: [Link]

§ Unidades de proteção social

O chamado “tripé da seguridade social” é composto pela rede de serviços da política de assistência
social, junto com a Rede do SUS e com os benefícios garantidos pela política de previdência social.
Em resumo, a estrutura de uma rede assistencial à pessoa idosa pode ser observada no esquema
abaixo, que representa a interface SUS-SUAS (Sistema Único de Assistência Social):

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 13


Figura 2- Estruturas de uma rede assistencial à pessoa idosa (interface SUS-SUAS).

Conselho Delegacia
SUS do idoso
MP
do idoso
SUAS

Reabilitação Família acolhedora


Residência
Ambulatórios de
especialidades temporária
Centro de PROTEÇÃO
Referencia ESPECIAL
do Idoso CRASI MÉDIA
PROTEÇÃO
SOCIAL BÁSICA COMPLEXIDADE
ATENÇÃO ESPECIALIZADA
ATENÇÃO BÁSICA
IDOSO
ALTA PROTEÇÃO
COMPLEXIDADE COMUNIDADE FAMÍLIA Centro e ESPECIAL
MÉDIA Programa
de Saúde Grupo de ALTA
COMPLEXIDADE Convivência
da Família COMPLEXIDADE
Atenção ás
urgéncias República ILPI
Internação domiciliar Casa-lar
Centro-dia

Secretarias Municipal
Secretarias Municipal Ações
e Estadual de
e Estadual de Saúde intersetoriais
Assistência Social

Fonte: Adaptado de: FREITAS, Marco Polo Dias; MORAES, Edgar Nunes de. Estrutura da rede de atenção à saúde da
pessoa idosa. In: BORGES, Ana Paula Abreu; COIMBRA, Angela Maria Castilho (Org.). Envelhecimento e saú-
de da pessoa idosa. Rio de Janeiro, RJ: EAD, ENSP, 2008. 340 p. Disponível em: [Link]
biblioteca/dados/txt_594481029.pdf.

SAIBA MAIS!
Políticas e programas na atenção à saúde do idoso: um panorama nacional. Disponí-
vel no link:
[Link]
gos%20e%20Documentos%20%20Relacionados/[Link].

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 14


CONSIDERAÇÕES
FINAIS

Neste módulo abordamos os princípios da organização da Atenção Básica por meio da Estratégia
Saúde da Família, com destaque para a importância e as atribuições do agente comunitário de
saúde dentro do contexto de multiprofissionalidade da assistência, além de apresentarmos o
conceito de Rede de Atenção à saúde do idoso e os estabelecimentos de saúde que a integram.

Esperamos que você possa incorporar esses conhecimentos e colocá-los em prática na sua rotina de
trabalho, proporcionando um atendimento integral à população idosa, de forma a assisti-la plena-
mente, incluindo suas necessidades sociais.

Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 15


REFERÊNCIAS

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Leitura complementar:

ALBUQUERQUE, A. B. B.; BOSI, M. L. M. Visita domiciliar no âmbito da Estratégia Saúde da Famí-


lia: percepções de usuários no município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saúde Pública, v. 25, n.
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Curso de Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa 18


UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
Reitor – Natalino Salgado Filho
Vice-Reitor – Antonio José Silva Oliveira
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – Fernando de Carvalho Silva

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - UFMA


Diretora – Nair Portela Silva Coutinho

COMITÊ GESTOR – UNA-SUS/UFMA


COORDENAÇÃO GERAL
Ana Emília Figueiredo de Oliveira
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Deborah de Castro e Lima Baesse
COORDENAÇÃO DE TECNOLOGIAS E HIPERMÍDIAS
Rômulo Martins França

Esta obra recebeu apoio financeiro do Ministério da Saúde.


Unidade UNA-SUS/UFMA: Rua Viana Vaz, nº 41, CEP: 65020-660. Centro, São Luís - MA.
Site: [Link]

Revisão ortográfica
Fábio Alex Matos Santos

Revisão técnica
Claudio Vanucci Silva de Freitas
Judith Rafaelle Oliveira Pinho

Normalização
Eudes Garcez de Souza Silva
(CRB 13ª Região nº Registro – 453)

Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA

O ACS, a ESF e a RAS: o agente comunitário de saúde e as ações da Estratégia


Saúde da Família/Consuelo Penha Castro Marques (Org.). - São Luís, 2014.

19f.: il.

1. Programa Saúde da Família. 2. Agente comunitário de saúde. 3. Atenção pri-


mária à saúde. 4. Saúde do idoso. 5. UNA-SUS/UFMA. I. Freitas, Claudio Vanucci
de. II. Pinho, Judith Rafaelle Oliveira. III. Título.

CDU 614.2: 613.98

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dos textos e imagens desta obra é da UNA-SUS/UFMA.

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