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Processo Civil

O documento aborda conceitos fundamentais do Direito Processual Civil, incluindo jurisdição, ação e competência, além de princípios processuais como devido processo legal, contraditório e publicidade dos atos processuais. Destaca a importância da motivação das decisões judiciais e a isonomia entre as partes no processo. O texto também menciona a necessidade de celeridade processual e a boa-fé como princípios que devem nortear a conduta das partes.

Enviado por

Wilson Soares
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O documento aborda conceitos fundamentais do Direito Processual Civil, incluindo jurisdição, ação e competência, além de princípios processuais como devido processo legal, contraditório e publicidade dos atos processuais. Destaca a importância da motivação das decisões judiciais e a isonomia entre as partes no processo. O texto também menciona a necessidade de celeridade processual e a boa-fé como princípios que devem nortear a conduta das partes.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA E


PRINCÍPIOS

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Sumário
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA .................................................................... 3
1. DA FUNÇÃO JURISDICIONAL .......................................................................................................................... 3
1.1 Alguns Princípios Processuais .................................................................................................................. 3
2. JURISDIÇÃO .................................................................................................................................................. 11
2.1. Conceito ................................................................................................................................................ 11
2.2. Equivalentes Jurisdicionais ................................................................................................................... 11
2.3. Características principais da jurisdição................................................................................................. 14
2.4. Princípios da jurisdição ......................................................................................................................... 15
2.5. Jurisdição contenciosa e voluntária ..................................................................................................... 16
3. AÇÃO ............................................................................................................................................................ 16
3.1 Conceito ................................................................................................................................................. 16
3.2 Teorias da Ação ..................................................................................................................................... 17
3.3 Requisitos de admissibilidade do processo (pelo CPC/73 seriam as condições da ação) ..................... 17
3.4 Elementos da Ação ................................................................................................................................ 19
3.5 Pressupostos Processuais ...................................................................................................................... 20
3.6 Preclusão ............................................................................................................................................... 21
4. COMPETÊNCIA ............................................................................................................................................. 21
4.1 Generalidades ................................................................ ........................................................................ 21
4.2. Princípios .............................................................................................................................................. 22
4.3 Critérios determinativos da competência ............................................................................................. 23
4.4 Competência Absoluta E Relativa .......................................................................................................... 26
4.5 Modificação De Competência ............................................................................................................... 26
4.6 Prorrogação De Competência ............................................................................................................... 27
4.7 Derrogação De Competência ................................................................................................................. 27
4.8 Conexão ................................................................................................................................................. 28
4.9 Continência ............................................................................................................................................ 29
4.10 Prevenção ............................................................................................................................................ 30
4.11 Conflito De Competência..................................................................................................................... 30
5. COOPERAÇÃO NACIONAL ............................................................................................................................ 31

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

DIREITO PROCESSUAL CIVIL: JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA

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● Art. 62

1. DA FUNÇÃO JURISDICIONAL

1.1 Alguns Princípios Processuais

a) Devido Processo Legal: funciona como um princípio-base ou superprincípio, norteador de todos os demais.
A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da CF/88 que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens
sem o devido processo legal”. Subdivide-se em:
● Devido processo legal substancial (ou material): forma de controle de conteúdo das decisões
(razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades;
● Devido processo legal formal (processual): diz respeito ao conjunto de garantias processuais
mínimas.

b) Contraditório: tradicionalmente, é formado pelo binômio informação e possibilidade de reação. As partes


devem ser devidamente comunicadas de todos os atos processuais, para que possam se manifestar em juízo,
caso desejem.
ATENÇÃO! Em algumas hipóteses, o contraditório pode ser diferido, a exemplo do que ocorre nas tutelas de
urgência, situações de extrema urgência, nas quais a decisão judicial precede informação e possibilidade de
reação da parte adversa. Um exemplo para ilustrar diz respeito à concessão de tutela antecipada para
cobertura de planos de saúde.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

c) Motivação das decisões: de acordo com esse princípio, todas as decisões judiciais precisam ser motivadas,
exceto os despachos, pois não possuem conteúdo decisório. Está previsto no art. 93, IX, da Constituição
Federal.
A motivação não é dirigida apenas às partes, mas é também uma prestação de contas dada à população
sobre o exercício do poder jurisdicional.

O CPC trouxe de forma inovadora a busca por esse princípio, conforme art. 489, §1º, o qual dispõe que:

§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela


interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar
sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto
de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,
infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a
superação do entendimento.

● Princípio da fundamentação (art. 11) e validade da fundamentação per relationem:


A motivação por meio da qual se faz remissão ou referência às alegações de uma das partes, a precedente
ou a decisão anterior nos autos do mesmo processo é chamada pela doutrina e jurisprudência de motivação
ou fundamentação per relationem ou aliunde. Também é denominada de motivação referenciada, por
referência ou por remissão. Veja:

(...) MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. LEGITIMIDADE JURÍDICO-CONSTITUCIONAL


DESSA TÉCNICA DE MOTIVAÇÃO. (...) Esta Corte já firmou o entendimento de que a
técnica de motivação por referência ou por remissão é compatível com o que
dispõe o art. 93, IX, da Constituição Federal. Não configura negativa de prestação
jurisdicional ou inexistência de motivação a decisão que adota, como razões de
decidir, os fundamentos do parecer lançado pelo Ministério Público, ainda que em
fase anterior ao recebimento da denúncia. (AI 738982 AgR, Relator Min. Joaquim
Barbosa, Segunda Turma, julgado em 29/05/2012)

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

O art. 489, § 1º, do CPC/2015 previu uma série de exigências para a fundamentação das decisões
judiciais. Diante disso, alguns autores sustentaram que, a partir da entrada em vigor desse novo diploma,
teria sido proibida a motivação per relationem. Essa não foi, contudo, a conclusão adotada pelo STJ. Para o
Tribunal, mesmo com o novo CPC, continua sendo possível esta técnica de motivação:

(...) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, bem assim a do Supremo


Tribunal Federal, admitem a motivação per relationem, pela qual se utiliza a
transcrição de trechos dos fundamentos já utilizados no âmbito do processo. Assim,
descaracterizada a alegada omissão e/ou ausência de fundamentação, tem-se de
rigor o afastamento da suposta violação do art. 489 do CPC/2015, conforme pacífica
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (...)
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1440047/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em
11/06/2019. 1

d) Isonomia: Está pautada na ideia de “paridade de armas”, a fim de manter equilibrada a disputa judicial
entre as partes. No entanto, alguns sujeitos processuais possuem tratamento diferenciado no processo, seja
pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a exemplo da assistência judiciária gratuita.

ATENÇÃO! Outra hipótese de tratamento diferenciado diz respeito às prerrogativas da Fazenda Pública no
processo civil, a exemplo do prazo em dobro para se manifestar, isenção do recolhimento de custas, vedação
à concessão de liminar em algumas matérias, justificáveis pelos interesses da coletividade e burocracia
inerente à atividade estatal.
Necessário destacar que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, que estabelece que os
juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão.

e) Publicidade dos atos processuais: o processo, para ser devido, precisa ser público.
Está previsto nos art. 5º, LX e art. 93, IX e X, da Constituição Federal. O referido princípio possui duas
funções: proteger as parte de julgamentos arbitrários e permitir o controle público das decisões.
Não é um direito absoluto, pois sofre restrições por razões de interesse público ou para preservar a
intimidade das partes.

CPC. Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos,
e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.

1
(CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Princípio da fundamentação (art. 11) e validade da fundamentação
per relationem. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
26>. Acesso em: 19/04/2023)

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério
Público.

Segundo Fredie Didier Jr., publicidade é direito fundamental e tem, basicamente, duas funções:
· proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos (e, nesse sentido, é conteúdo do devido
processo legal, como instrumento a favor da imparcialidade e independência do órgão jurisdicional);
· permitir o controle da opinião pública sobre os serviços da justiça, principalmente sobre o exercício
da atividade jurisdicional.

O autor também pondera que o princípio possui duas dimensões:

· dimensão interna: publicidade para as partes do processo;

· dimensão externa: a publicidade pode ser restringida quando houver razões que justifiquem a
preservação da intimidade ou razões de interesse público. Sofre restrições com relação a defesa da
intimidade ou em razão de interesse social, conforme art. 5º, LX, da CF, bem como nas situações
dispostas no art. 189 do CPC.
Essa restrição é apenas em relação a terceiros, tendo em vista que as partes e os advogados
habilitados não se submetem a tais impedimentos. Desta forma, o art. 189, § 1°, do CPC dispõe que
nos processos que tramitem em segredo de justiça, somente as partes e os seus procuradores
poderão consultar os autos do processo e pedir certidões.

f) Instrumentalidade das formas: busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à forma
legal, desde que:
● o ato tenha preenchido a sua finalidade;
● NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo.
Esse princípio pode ser encontrado nos seguintes dispositivos do CPC:

Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada,


salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que,
realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial.

Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o
ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.

Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que
não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a
fim de se observarem as prescrições legais.
Parágrafo único. Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não
resulte prejuízo à defesa de qualquer parte.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

g) Razoável duração do processo: busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver uma
harmonização, haja vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das partes
com o escopo de obter a celeridade processual.

h) Princípio da boa-fé e lealdade processual: a boa-fé é regra de conduta que deve nortear o comportamento
das partes. Nesse sentido, diante da prática de ato que macule o processo, o NCPC tutela mecanismos para
-fé. A exemplo:
coibir a litigância de má

Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se serviram do


processo para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá
decisão que impeça os objetivos das partes, aplicando, de ofício, as penalidades da
litigância de má-fé.

Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação


de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a
efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente.
§ 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má
-fé quando
injustificadamente descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua
responsabilização por crime de desobediência.

Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável


quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.
A boa-fé objetiva surgiu inicialmente no Direito Civil, mas a sua aplicação foi expandida para todos
os demais ramos do Direito, inclusive para os ramos do chamado “Direito Público”, como é o caso do Direito
Administrativo. Assim, por exemplo, de acordo com o STJ, a teoria dos atos próprios (venire contra factum
proprium) é aplicada ao poder público. Em suma, a boa-fé objetiva deve estar presente em toda e qualquer
relação jurídica.
É possível a aplicação da boa-fé objetiva no Processo Civil? SIM, com certeza. Nesse sentido, e dada
a relevância do referido princípio para o Direito Processual Civil, passa-se a alguns esclarecimentos,
amparados na obra do Professor Fredie Didier Jr. (Curso de direito processual civil, 13ª ed.).
De acordo com o autor, o princípio possui fundamento na Constituição, mais precisamente no
princípio do devido processo legal (STF RE 464.963-2/GO) e estabelece que os sujeitos do processo devem
comportar-se de acordo com a boa-fé, entendida como uma norma de conduta (boa-fé objetiva). Tem como
objetivo não frustrar a legítima confiança da outra parte. Uma das importantes funções da boa-fé objetiva é
impedir que a parte exerça o seu direito de forma abusiva. Por isso, diz-se que a boa-fé objetiva serve como
limitação contra os abusos de direito.
Além disso, é importante destacar que o princípio da boa-fé processual não é destinado somente às
partes. Pelo contrário, os destinatários da norma são todos aqueles que de qualquer forma participam do
processo, o que inclui, não apenas as partes, mas também o próprio juiz.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Por fim, o autor aponta os seguintes exemplos como sendo aplicação da boa-fé objetiva no processo
civil:
Ex.1: a impossibilidade de a parte recorrer contra uma decisão que já havia manifestado sua aceitação. Isso
seria venire contra factum proprium.
Ex.2: a impossibilidade de a parte requerer a invalidação de um ato cujo defeito foi ela própria quem deu
causa. Isso também seria venire contra factum proprium.
Ex.3: se o réu exerce seu direito de defesa de forma abusiva, o juiz poderá, como sanção, conceder a tutela
provisória ao autor. O réu, nesse caso, violou a boa-fé objetiva.
Ex.4: se a parte interpõe recurso com intuito manifestamente protelatório, significa que violou o princípio da
boa-fé processual, podendo ser multada por litigância de má-fé.
Veja o que diz o CPC/2015:
Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de
acordo com a boa-fé.
Confira o que diz a doutrina:
Enunciado 375-FPPC: O órgão jurisdicional também deve comportar-se de acordo
com a boa-fé objetiva.

Enunciado 376-FPPC: A vedação do comportamento contraditório aplica-se ao


órgão jurisdicional. (Dizer o Direito)

● Boa fé objetiva e nulidade de algibeira


A 'nulidade de algibeira' ocorre quando a parte se vale da 'estratégia' de não alegar a nulidade logo depois
de ela ter ocorrido, mas apenas em um momento posterior, se as suas outras teses não conseguirem ter
êxito. Dessa forma, a parte fica com um trunfo, com uma “carta na manga”, escondida, para ser utilizada
mais a frente, como um último artifício.

Esse nome foi cunhado pelo falecido Ministro do STJ Humberto Gomes de Barros. Algibeira = bolso. Assim, a
“nulidade de algibeira” é aquela que a parte guarda no bolso (na algibeira) para ser utilizada quando ela
quiser.
Tal postura viola claramente a boa-fé processual e a lealdade, que são deveres das partes e de todos aqueles
que participam do processo. Por essa razão, a “nulidade de algibeira” é rechaçada pela jurisprudência do STJ.
STJ. 3ª Turma. REsp 1372802-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/3/2014 (Info 539).

ATENÇÃO: duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição prevê
a possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo em grau de
recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser um desdobramento
da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO conste na CF/88, consta
expressamente no Pacto São José da Costa Rica.

i) Primazia do julgamento do mérito: dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas processuais que
não maculem o processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na boa-fé objetiva. Nesse sentido, o
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

art. 4º do CPC prevê que as partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.
Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças eventualmente
ausentes no recurso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças:

Art. 932. Incumbe ao relator:


(..)
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o
prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada
a documentação exigível.

O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo irremediavelmente não
poderão ser sanadas.

ATENÇÃO! Segundo decidiu o STF no ARE 953221 AgR/SP, tal previsão do artigo 932, parágrafo único, CPC
não se aplica para o caso em que o recorrente não ataca todos os fundamentos da decisão recorrida, pois,
nesta hipótese, seria necessária a complementação das razões do recurso, o que não é permitido. Assim, o
parágrafo único do artigo 932 só tem aplicação nos casos em que seja necessário sanar vícios formais.

j) Proibição da decisão surpresa: o juiz NÃO pode proferir decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida (art. 9º, NCPC), SALVO algumas hipóteses legalmente previstas, a exemplo da tutela de
urgência.

· Observe-se que o que não se pode proferir é decisão contra uma das partes sem que seja ouvida.
Contudo, é possível que se profira decisão a favor da parte sem que seja ouvida. Seria o caso de
improcedência liminar, em que o juiz julga de plano, sem provocar a parte contrária.
· As exceções do art. 9º tratam de decisões provisórias, ou seja, decisões que podem ser revistas
posteriormente. Apenas decisões definitivas não podem ser tomadas sem ouvir a outra parte. Logo,
conclui-se que o rol do art. 9º é exemplificativo, havendo outros exemplos de decisões provisórias
concedidas sem a oitiva do réu.

k) Princípio da Cooperação: depreende-se que o processo é produto de uma atividade cooperativa


triangular, composta pelo juiz e pelas partes, que exige uma postura ativa, de boa fé e isonômica de todos
os atores processuais e, especificamente, do juiz, exigindo-se a atuação como agente colaborador do
processo, e não mero fiscal de regras, visando à tutela jurisdicional específica, célere e adequada. Sobre o
tema:2

2
(BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Editora Saraiva. pág. 45).

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

“Observação importante que merece ser feita é que a cooperação prevista no


dispositivo em comento deve ser praticada por todos os sujeitos do processo. Não
se trata, portanto, de envolvimento apenas entre as partes (autor e réu), mas
também de eventuais terceiros intervenientes (em qualquer uma das diversas
modalidades de intervenção de terceiros), do próprio magistrado, de auxiliares da
Justiça e, evidentemente, do próprio Ministério Público quando atue na qualidade
de fiscal da ordem jurídica”.

l) Princípio da vedação à decisão surpresa: inscrito nos artigos 9º e 10 do CPC, o princípio estabelece que o
Magistrado está impedido de decidir com base em fundamento a respeito do qual não tenha dado às partes
a oportunidade de se manifestarem, ainda que se trate de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício.
O referido postulado jurídico objetiva evitar prejuízos a qualquer das partes com base em fatos por elas ainda
desconhecidos e não debatidos, impondo-se a efetivação do contraditório substancial com a intimação
prévia para manifestação sobre o vício identificado pelo Magistrado, garantindo-se às partes a possibilidade
de influenciar a convicção do Magistrado.

CPC. Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica:
I - à tutela provisória de urgência;
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III ;
III - à decisão prevista no art. 701 .
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.

Fique de olho na jurisprudência:

Não há ofensa ao princípio da não surpresa (art. 10 do CPC) quando o magistrado,


diante dos limites da causa de pedir, do pedido e do substrato fático delineado nos
autos, realiza a tipificação jurídica da pretensão no ordenamento jurídico posto,
aplicando a lei adequada à solução do conflito, ainda que as partes não a tenham
invocado (iura novit curia) e independentemente de oitiva delas, até porque a lei
deve ser do conhecimento de todos, não podendo ninguém se dizer surpreendido
com a sua aplicação (STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1.799.071/PR, Rel. Min. Moura
Ribeiro, julgado em 15/8/2022).
Assim, esse princípio não é absoluto e sua aplicação não é automática e irrestrita
(STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1.778.081/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 21/2/2022).
Desse modo, não há ofensa ao art. 10 do CPC/2015 se o Tribunal dá classificação
jurídica aos fatos controvertidos contrários à pretensão da parte com aplicação da
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

lei aos fatos narrados nos autos (STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1.889.349/RJ, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16/11/2021).
Não ofende o art. 10 do CPC/2015 o provimento jurisdicional que dá classificação
jurídica à questão controvertida apreciada em sede de embargos de divergência.
STJ. 1ª Seção. EDcl nos EREsp 1.213.143-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 8/2/2023 (Info 763).

2. JURISDIÇÃO

2.1. Conceito

A jurisdição pode ser compreendida como o PODER-DEVER Estatal de APLICAR O DIREITO objetivo ao
caso concreto, para resolver com DEFINITIVIDADE uma situação de crise jurídica e gerar a PACIFICAÇÃO
SOCIAL. O poder jurisdicional é o que permite o exercício da função jurisdicional e se materializa por meio da
atividade jurisdicional.

a) É um poder estatal atribuído a um terceiro imparcial: o juiz decide, colocando sua vontade no lugar
da vontade dos sujeitos conflitantes. É exemplo de heterocomposição.

OBS.: não confundir IMPARCIALIDADE com NEUTRALIDADE. O juiz não é neutro. Neutro é o que não tem
valor, nem positivo, nem negativo. Imparcialidade é condição de ser terceiro. O juiz não é parte. A
despeito de não ser neutro, o juiz deve ficar em pé de igualdade.

b) A jurisdição pressupõe uma atividade processual prévia que lhe confia legitimidade: não deve ser
exercida instantaneamente, pois depende de um processo anterior que a legitime;

c) Atua de forma imperativa: a jurisdição é um poder, é manifestação de império;

d) As decisões são insuscetíveis de controle externo: a atividade jurisdicional só pode ser controlada
pela própria jurisdição. Não pode ser controlada por nenhuma outra função estatal, apenas
internamente, como, por exemplo, mediante recursos. O juiz decide com base no que o legislador
determina, portanto, não há desarmonia entre os poderes. A coisa julgada é indiscutível, inclusive
para a própria jurisdição.

2.2. Equivalentes Jurisdicionais

São formas alternativas de solução de conflitos e funcionam como técnica de tutela de direitos, pois resolvem
conflitos ou certificam situações jurídicas.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

a) Autotutela: É o sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvidas em função do exercício da
força pela parte vencedora. Não é admitida de forma ampla e irrestrita, salvo nas hipóteses legalmente
previstas. Ex: legítima defesa e desforço imediato no esbulho.
Atenção! É possível, no entanto, rever a autotutela pelo Poder Judiciário, ante o princípio da inafastabilidade
da jurisdição.

b) Autocomposição: trata-se de solução negocial do conflito. A solução não é imposta, mas sim produto de
atividade negocial
São espécies:
● Transação: há sacrifício recíproco de interesses; no tocante à transação, necessário destacar a
mediação e conciliação:
· Conciliação: um terceiro oferece soluções fundadas no sacrifício recíproco dos interesses das
partes;
· Mediação: o terceiro NÃO faz propostas, mas possibilita um diálogo entre as partes, a fim de
que elas resolvam o conflito entre si.
● Renúncia: o titular de pretenso direito abdica;
● Submissão: o sujeito se submete à pretensão contrária, ainda que fosse legítima a sua resistência.

c) Arbitragem: as partes escolhem um terceiro de sua confiança, responsável pela solução do conflito, e a
decisão desse terceiro será impositiva. Pode ser realizada de duas formas:
● Cláusula compromissória: é uma convenção entre as partes que estabelece que eventuais conflitos
futuros serão dirimidos pela arbitragem;
● Compromisso arbitral: é convenção de arbitragem para solucionar conflito que já existe, ainda que
não haja cláusula compromissória prévia.

A decisão arbitral é:
· título executivo judicial;
· não depende de homologação judicial.
· insuscetível de controle do mérito pelo poder judiciário.
· não pode ser revisada, mas pode ser invalidada, caso tenha defeito FORMAL, no prazo de 90 dias.

Além disso:
· o árbitro não tem o poder de executar suas decisões, pois a execução é feita pelo poder judiciário.
· não pode haver cláusula de arbitragem nos contratos de adesão, pois ela deve ser voluntária.
· recurso contra sentença arbitral: embargos de declaração.

APROFUNDAMENTO: JUSTIÇA MULTIPORTAS

Conciliação, mediação e arbitragem

12
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

A conciliação, mediação e arbitragem eram tradicionalmente chamadas de métodos alternativos de solução


dos conflitos. Com o advento do CPC/2015, contudo, a doutrina afirma que elas não devem mais ser
consideradas uma “alternativa”, como se fosse acessório a algo principal (ou oficial).
Segundo a concepção atual, a conciliação, a mediação e a arbitragem integram, em conjunto com a jurisdição,
um novo modelo que é chamado de “Justiça Multiportas”.
Conceito: a ideia geral da Justiça Multiportas é, portanto, a de que a atividade jurisdicional estatal não é a
única nem a principal opção das partes para colocarem fim ao litígio, existindo outras possibilidades de
pacificação social. Assim, para cada tipo de litígio existe uma forma mais adequada de solução. A jurisdição
estatal é apenas mais uma dessas opções.
Como o CPC/2015 prevê expressamente a possibilidade da arbitragem (art. 3º, §1º) e a obrigatoriedade,
como regra geral, de ser designada audiência de mediação ou conciliação (art. 334, caput), vários
doutrinadores afirmam que o novo Código teria adotado o modelo ou sistema multiportas de solução de
litígios (multi-door system).
Vejamos como Leonardo Cunha, com seu costumeiro brilhantismo, explica o tema: “Costumam-se chamar
de ‘meios alternativos de resolução de conflitos’ a mediação, a conciliação e a arbitragem (Alternative
Dispute Resolution - ADR).
Estudos mais recentes demonstram que tais meios não seriam ‘alternativos’: mas sim integrados, formando
um modelo de sistema de justiça multiportas. Para cada tipo de controvérsia, seria adequada uma forma de
solução, de modo que há casos em que a melhor solução há de ser obtida pela mediação, enquanto outros,
pela conciliação, outros, pela arbitragem e, finalmente, os que se resolveriam pela decisão do juiz estatal.
Há casos, então, em que o meio alternativo é que seria o da justiça estatal. A expressão multiportas decorre
de uma metáfora: seria como se houvesse, no átrio do fórum, várias portas; a depender do problema
apresentado, as partes seriam encaminhadas para a porta da mediação, ou da conciliação, ou da arbitragem,
ou da própria justiça estatal.
O direito brasileiro, a partir da Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça e com o Código de
Processo Civil de 2015, caminha para a construção de um processo civil e sistema de justiça multiportas, com
cada caso sendo indicado para o método ou técnica mais adequada para a solução do conflito. O Judiciário
deixa de ser um lugar de julgamento apenas para ser um local de resolução de disputas. Trata-se de uma
importante mudança paradigmática. Não basta que o caso seja julgado; é preciso que seja conferida uma
solução adequada que faça com que as partes saiam satisfeitas com o resultado.” (CUNHA, Leonardo
Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo. 13ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 637).

Vantagens
Marco Aurélio Peixoto e Renata Peixoto, citando a lição de Rafael Alves de Almeida, Tânia Almeida e Mariana
Hernandez Crespo apontam as vantagens do sistema multiportas:
a) o cidadão assumiria o protagonismo da solução de seu problema, com maior comprometimento e
responsabilização acerca dos resultados;
b) estimulo à autocomposição;
c) maior eficiência do Poder Judiciário, porquanto caberia à solução jurisdicional apenas os casos mais
complexos, quando inviável a solução por outros meios ou quando as partes assim o desejassem;

13
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

d) transparência, ante o conhecimento prévio pelas partes acerca dos procedimentos disponíveis para a
solução do conflito. (PEIXOTO, Marco Aurélio Ventura; PEIXOTO, Renata Cortez Vieira. Fazenda Pública e
Execução. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 118).

Origem da expressão
A origem dessa expressão “Justiça Multiportas” remonta os estudos do Professor Frank Sander, da Faculdade
de Direito de Harvard, que mencionava, já em 1976, a necessidade de existir um Tribunal Multiportas, ou
“centro abrangente de justiça”.

2.3. Características principais da jurisdição

a) Substitutividade: o Estado substitui a vontade das partes pela vontade da lei no caso concreto, a
fim de promover a pacificação social.

CAIU NA PROVA - Delegado de Polícia Federal, 2021:


A respeito da jurisdição, da competência e do poder geral de cautela no processo civil, julgue o item
subsequente.
As características da jurisdição incluem substituir, no caso concreto, a vontade das partes pela vontade do
(a assertiva foi considerada
juiz, o que, por sua vez, resolve a lide e promove a pacificação social.
INCORRETA)

b) Lide: segundo Carnelutti, é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida.

c) Inércia: o movimento inicial da jurisdição é condicionada à provocação do interessado. Note que


a inércia diz respeito ao início do processo, pois uma vez provocada pelo interessado com a
propositura da demanda, a jurisdição já não será mais inerte, aplicando-se a regra do IMPULSO
OFICIAL.
⮚ Há algumas exceções à inércia, com a possibilidade de atuação de ofício do magistrado, a
exemplo do inventário (art. 610 NCPC) e exibição de testamento (art. 626 NCPC).
d) Definitividade ou imutabilidade:
As decisões jurisdicionais tendem à imutabilidade, não podendo mais ser discutidas. O objetivo é o de
evitar a eternização dos conflitos, como consequência da segurança jurídica.

ATENÇÃO! Embora a definitividade seja característica da jurisdição, apenas decisões de mérito transitadas
em julgado são imutáveis. As decisões sobre jurisdição voluntária, por exemplo, não fazem coisa julgada.
e) Imperatividade: a decisão proferida pelo Estado é imperativa e de observância compulsória, obriga
o litigante. Podem ser adotados mecanismos de coerção para obrigar seu cumprimento.
f) Inafastabilidade: a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça
a direito (CF, art. 5º, XXXV).

14
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

g) Indelegabilidade: a jurisdição não pode ser delegada, sob pena de ofensa ao princípio do juiz natural.
Só pode ser exercida pelo Judiciário.

2.4. Princípios da jurisdição

a) Investidura: a jurisdição só pode ser exercida por quem dela se encontre


legitimamente investido. Assim, atos
processuais praticados por quem não é investido legitimamente são considerados inexistentes,
e inclusive caracterizam crime tipificado no Código Penal. No Brasil, admitem-se duas formas de
investidura originária: concurso público (art. 91, I, da CF) e através do quinto constitucional (art. 94 da CF).

b) Territorialidade ou aderência: o juiz devidamente investido de jurisdição só pode exercê-la dentro do


território nacional, como consequência da limitação da soberania do Estado brasileiro ao seu próprio
território.

c) Indelegabilidade: a atividade jurisdicional não pode ser delegada. Ressalte- se que a carta precatória
não constitui delegação de competência, já que é expedida justamente porque o juízo
deprecante não possui competência para realizar aquele ato.

ATENÇÃO: HÁ EXCEÇÃO À INDELEGABILIDADE? Embora seja a regra, é possível excepcionar a


indelegabilidade em algumas hipóteses:
● Na expedição de carta de ordem pelo Tribunal;
● Na delegação da função executiva dos julgados dos Tribunais aos juízes de primeiro grau. Nessa
hipótese, a delegação NÃO é completa, porque atinge somente os atos materiais de execução, e o
Tribunal mantêm-se como o único órgão competente para proferir decisões que digam respeito ao
mérito da execução.

d) Inafastabilidade: o art.5º, XXXV, da CF/88 preleciona que o Estado não pode negar decisão, uma vez
provocado (Non liquet). O aludido princípio pode ser entendido em algumas acepções:
● relação entre jurisdição e solução administrativa de conflitos: não há obrigatoriedade de
provocação prévia da Administração para, só então, buscar o judiciário.
Exceção:
● Justiça Desportiva (art. 217, §1º, CF/88): exige-se o exaurimento prévio do processo
administrativo na Justiça Desportiva;
● Habeas Data: Só é cabível se houver recusa das informações pela autoridade administrativa.
● Acesso à ordem jurídica justa:
· acesso ao processo, com o mínimo possível de obstáculos;
· acesso dos necessitados econômicos, a exemplo da assistência judiciária gratuita;
· tutela jurisdicional coletiva, em especial a Lei de Ação Civil Pública e o Código de Defesa do
Consumidor (“Molecularização dos conflitos”);

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

e) Juiz Natural: ninguém será processado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII, da CF/88).

2.5. Jurisdição contenciosa e voluntária

A jurisdição contenciosa pode ser compreendida como a jurisdição propriamente dita, pois se
trata da atuação da vontade concreta da lei. Já a jurisdição voluntária ou integrativa é conceituada como
a administração pública de interesses privados para integrar e fiscalizar a vontade das partes.

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA


Objetiva a composição de litígios Objetiva a integração da vontade, para
torna-la apta a produzir efeitos
Há lide Ausência de lide, porque as vontades são
convergentes
Existem partes Existem interessados
A decisão faz coisa julgada material e A decisão faz coisa julgada apenas formal
formal
O juiz segue estrita legalidade O juiz pode decidir com base em juízo de
equidade.
Há os efeitos da revelia Não há os efeitos da revelia
Princípio do dispositivo Princípio do inquisitivo:
- o juiz pode dar início de ofício a algumas
demandas de jurisdição voluntária;
- maiores poderes instrutórios para o juiz,
que pode produzir provas mesmo contra a
vontade das partes;
- o juiz pode decidir contra a vontade de
ambas as partes;
Caráter Jurisdicional Caráter administrativo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil (13th edição). Editora Saraiva, 2022

3. AÇÃO

3.1 Conceito

“A ação é o poder de exigir do Estado um determinado provimento jurisdicional. Do ponto de vista


constitucional, a ação é uma garantia constante do art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal, segundo o

16
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito”. A ação é,
portanto, um instituto ligado ao direito processual constitucional, método particular de exame do processo
a partir dos princípios, garantias e regras constantes da Constituição Federal. Por esse prisma
constitucional, a ação pode ser vista, a princípio, como uma garantia de acesso aos órgãos jurisdicionais.”3

Conforme ensina o professor Marcus Vinicius Gonçalves “É a ação que tira o Estado da sua
originária inércia e o movimenta rumo à tutela ou provimento jurisdicional. É exercida contra o Estado,
porque dirigida a este, e não à parte contrária. É verdade que o adversário do autor é sempre o réu, mas o
direito de ação não é dirigido contra este, mas contra o próprio Estado, porque serve para movimentá-lo”.4

3.2 Teorias da Ação

I. Teorias civilista (clássica ou imanentista) – Savigny: o direito material e o direito de ação se confundem,
de modo que NÃO existe direito de ação sem existir o direito material. O direito de ação seria mero
procedimento.

II. Teoria concretista – Adolf Wach: o direito de ação corresponderia ao direito a um sentença favorável. O
direito de ação é independente do direito material, mas só possui o direito de ação quem possui o direito
material. Portanto, só haveria direito de ação nas hipóteses em que a pretensãodo autor fosse acolhida.
Obs.: Wach desenvolveu suas ideias a partir das ações declaratórias.

III. Teoria abstrata - Degenkolb (Alemanha), Plosz (Hungria) e Alfredo Rocco (Itália): ação é tratada com
total autonomia do direito material, por isso considerada abstrata. Assim, haverá o direito de ação
independentemente do resultado da sentença, pelo simples fato de alguém ter provocado o Poder Judiciário.

III. Teoria eclética – Liebman: O direito de ação seria autônomo e independente do


seria universal e incondicionado. Só seria considerado seu titular o autor que,
direito material, mas não
em concreto, tem direito a um julgamento de mérito, o que só ocorrerá se preenchidas as chamadas
condições da ação. A ação seria, portanto, direito a julgamento de mérito.
Para Liebman, o direito de ação é visto como o direito de ter uma sentença de mérito, no caso do
preenchimento das condições da ação.

3.3 Requisitos de admissibilidade do processo (pelo CPC/73 seriam as condições da ação)

Conforme disposto na obra do professor Haroldo Lourenço, as condições da ação têm como
finalidade precípua otimizar a atividade jurisdicional, evitando o desperdício de tempo e atividade

3
Marcato, Antonio C. Código de Processo Civil Interpretado. Grupo GEN, 2022
4
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. (13th edição). Editora Saraiva, 2022
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

jurisdicional, assim, objetivam evitar a propositura de ações totalmente descabidas e infundadas e, durante
o processo, evitar a prática de atos desnecessários, claramente incabíveis.5
A petição inicial pode ser indeferida se faltar quaisquer das condições (art. 330, CPC), bem como pode
a sua falta ser reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição (art. 485, CPC), desde que se observe
o contraditório.

a) Interesse de agir: o interesse processual ou interesse de agir se refere sempre à utilidade que o
provimento jurisdicional pode trazer ao demandante.
Duas concepções são adotadas para verificação da presença ou não do interesse de agir: bipartida
(engloba utilidade e necessidade); tripartida (engloba utilidade, necessidade, adequação).
· Utilidade: presente toda vez que o provimento puder propiciar ao demandante o resultado
favorável pretendido;
· Necessidade: deve ser encarada como a última forma de solução de conflitos, na hipótese
de não haver meios de satisfação voluntários;
· Adequação: consiste no ajuizamento da demanda correta para a solução do conflito de
interesses, o demandante deverá ir a juízo em busca de um provimento jurisdicional
adequado para a tutela do direito supostamente lesado ou ameaçado.

b) Legitimidade da parte: é a aptidão para conduzir um processo em que se discuta determinada


situação jurídica.
● Legitimidade ordinária: o legitimado está em juízo defendendo, em nome próprio, direito próprio,
portanto, coincidem o legitimado e o titular da relação jurídica discutida;
● Legitimidade extraordinária: ocorre quando o legitimado está em nome próprio defendendo
interesse alheio, não havendo coincidência entre o legitimado e o titular da relação discutida.

Principais características da legitimidade extraordinária


· É excepcional em nosso sistema, somente sendo possível mediante autorização do
ordenamento jurídico.
· O legitimado extraordinário atua na qualidade de parte.
· Pode ocorrer tanto no polo ativo quanto no polo passivo.
· O legitimado extraordinário somente poderá dispor do direito discutido quando autorizado
expressamente pela lei, tendo em vista que tal direito não lhe pertence.
· O legitimado extraordinário arcará com os efeitos da sucumbência, ficando, assim, responsável
pelas custas e honorários advocatícios. Pode ser sujeito passivo de medidas processuais, como
litigância de má-fé e de astreintes.

No tocante à diferença entre substituição, sucessão e representação processual, é importante


conhecer da tabela a seguir:

5
Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL SUCESSÃO PROCESSUAL REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL


Atua em nome próprio na Passa a atuar em nome próprio Atua em nome alheio na defesa
defesa de direito alheio na defesa de direito próprio de direito alheio
É parte no processo e pode ser É parte no processo e pode ser É parte no processo, mas não é
parte na demanda parte na demanda parte na demanda

● Formas de verificação de condição da ação


Para a TEORIA DA ASSERÇÃO (prevalente no STJ, tema 939 – Repetitivo), as condições da ação
devem ser demonstradas in status assertionis, ou seja, em abstrato, da maneira em que foram
apresentadas ao juiz na petição inicial. O juiz verificará se elas estão preenchidas considerando
verdadeiro aquilo que consta da inicial, em abstrato.
Já para a TEORIA DA EXPOSIÇÃO OU COMPROVAÇÃO, as condições da ação devem ser examinadas
em concreto, com todos os dados possíveis fornecidos pelo autor à luz do direito material e
eventualmente refutados pelo réu e pelas provas constantes dos autos.

3.4 Elementos da Ação


De acordo com Marcus Vinicius Rios Gonçalves, os elementos da ação a constituem e a identificam e
permitem que seja analisada se ela é idêntica a outra (hipótese em que haverá litispendência ou coisa
julgada), se é semelhante a outra (hipótese em que haverá conexão ou continência), ou se é diferente.
Os elementos da ação são três: partes, pedido e causa de pedir.

a) PARTES: é quem solicita a tutela jurisdicional (autor) e em face de quem ela é postulada (réu).
Os representantes legais não têm qualidade de parte. A parte será o incapaz, não o representante. Nos
casos de processos submetidos a jurisdição voluntária as partes são chamadas de “interessados”.
b) PEDIDO: é a resposta ou provimento judicial que se espera que o juiz defira. Por exemplo: condenação
do réu, que constitua ou desconstitua uma relação jurídica, que declare a existência de uma relação
jurídica.
· Pedido certo: é o que identifica perfeitamente seu objeto, individualizando-o;

Art. 322. O pedido deve ser certo.


§ 1º Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas
de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios.
§ 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará
o princípio da boa-fé.

· Pedido determinado: é o que o autor indica a quantidade que pretende receber.


O art. 324 do CPC estabelece exceções em que se admite a formulação de pedidos genéricos ou
ilíquidos.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Art. 324. O pedido deve ser determinado.


§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:
I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do
fato;
III - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato
que deva ser praticado pelo réu.

No entanto, mesmo que o pedido seja genérico, é necessário que seja identificável.

c) CAUSA DE PEDIR: Possui dois componentes: fatos e fundamentos jurídicos.


· Fatos: dizem respeito aos acontecimentos concretos e específicos que se realizaram na vida do autor,
tendo sido esses dos motivos que o levaram a buscar o Poder Judiciário.
· Fundamentos Jurídicos: trata-se do direito que o autor deseja que seja aplicado ao caso concreto. É
o que diz o ordenamento jurídico a respeito do assunto. Não pode ser confundido que o fundamento
legal, pois este é a indicação do artigo de lei que trata sobre o assunto. O autor não precisa indicar o
artigo de lei, apenas que exponha o direito.

3.5 Pressupostos Processuais


São requisitos mínimos para que a relação processual se desenvolva regularmente. Subdividem-se
em
a) Subjetivos:
● Investidura: exige que o julgador possua poder jurisdicional, o qual é conferido pelo Estado. É
pressuposto de existência.
● Imparcialidade: necessidade de que o julgador seja um terceiro neutro na relação jurídica
processuais. Pressuposto de validade.
● Competência: gera a nulidade de pleno direito dos atos decisórios, sendo pressuposto processual
de validade.

ATENÇÃO: a competência relativa, segundo parte da doutrina, não pode ser considerada como
pressuposto processual subjetivo, pois pode ser convalidada.

1. Capacidade de ser parte: capacidade do sujeito de gozo e exercício de direitos e obrigações. É


pressuposto processual de existência.
2. Capacidade de estar em juízo: é a capacidade processual, tendo os incapazes representação ou
assistência no processo. É pressuposto de validade.
3. Capacidade postulatória: diferencia-se das demais por exigir a presença de advogado habilitado
pela OAB. É pressuposto de validade do processo.

b) Objetivos:

20
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

● EXTRÍNSECOS: Referentes a fatos estranhos ao processo que não podem se verificar para que o
processo seja considerado válido. São pressupostos de validade:
✔ Coisa julgada material;
✔ Litispendência;
✔ Perempção;
✔ Convenção de arbitragem;
✔ Transação.

● INTRÍNSECOS
✔ Demanda: é pressuposto de existência;
✔ Petição inicial apta: é pressuposto de validade;
✔ Citação válida: é pressuposto de validade;
✔ Regularidade formal: é pressuposto de validade.

3.6 Preclusão

É a perda de uma faculdade processual.


Espécies:
1. Preclusão temporal: impossibilidade de praticar o ato, por não ter sido praticado no prazo previsto
em lei;
2. Lógica: impossibilidade de praticar um ato, pois o ato processual anterior, produzido pela mesma
parte, é incompatível com o novo ato.
3. Consumativa: impossibilidade de se repetir ou complementar ato processual já praticado
validamente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil, (13th edição). Editora Saraiva, 2022.

4. COMPETÊNCIA

4.1 Generalidades
A jurisdição é una (manifestação do poder estatal). Entretanto, é exercida por órgãos distintos,
distribuídos conforme suas atribuições.
A competência é o poder de exercer a jurisdição nos limites estabelecidos por lei, é a medida da
jurisdição.
Obedecidos os limites estabelecidos pela CF/88, a competência é determinada pelas normas
previstas no CPC, em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber,
pelas constituições dos Estados (art. 44).

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Caiu na prova Delegado de Polícia (PC-BA), 2018:


A respeito do instituto da competência, é correto afirmar que as suas regras são exclusivamente
determinadas pelas normas previstas no Código de Processo Civil ou em legislação especial. (a assertiva foi
considerada INCORRETA)
⮚ Não há vácuo de competência: sempre haverá um juízo competente para processar e julgar
determinada demanda.
Além das competências enumeradas na Constituição, o STF admite a existência de competências
implícitas (implied power). Ex.: embora não esteja previsto expressamente, cabe ao STF julgar os embargos
de declaração opostos contra suas decisões.
Regra da KOMPETENZ KOMPETENZ: todo juízo tem competência para julgar sua própria
competência. Também chamada de competência mínima, pois o juiz pode decidir se é ou não competente
para determinada demanda. É aplicável tanto em relação à jurisdição pública, quanto à jurisdição privada,
no caso de juízo arbitral.
Pela regra da PERPETUATIO JURISDICTIONIS a competência, fixada pelo registro ou pela
distribuição da petição inicial (e não mais no momento do despacho da inicial ou da distribuição),
perpetua-se até a prolação da decisão, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito
ocorridas posteriormente.
O final do art. 43 do CPC, traz duas exceções à perpetuatio:
· supressão de órgão judiciário; ou
· alteração de competência absoluta.
Obs: o desmembramento da comarca só implicará a redistribuição da causa se alterar competência
absoluta, inclusive competência territorial absoluta.

Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC-PA), 2021 – Adaptada:


De acordo com o Código de Processo Civil, é correto afirmar que determina-se a competência no momento
do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de
direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência
absoluta. (assertiva considerada CORRETA)

4.2. Princípios

a) Juiz Natural: o juiz deve ter a competência determinada previamente e de forma abstrata;
b) Indisponibilidade: o órgão jurisdicional não pode renunciar sua competência;
c) Tipicidade das competências: dispõe que toda competência está tipificada, ou seja, está
determinado na lei quais são suas regras, órgão competente e qual juiz irá julgar;
d) Competência adequada: determina que a regra de competência seja adequada ao caso;

22
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

4.3 Critérios determinativos da competência


O critério é denominado objetivo quando toma por base as características da demanda para a fixação
da competência, isto é, a distribuição da competência se dá com base nos elementos da ação (partes, pedido
e causa de pedir).
A fixação da competência é determinada quando ocorre a identificação de qual órgão irá julgar
determinada causa, conforme estabelece o art 43 do CPC:

CPC, Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da


distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato
ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário
ou alterarem a competência absoluta.

Será funcional quando o critério básico para determinação da competência relacionar-se com o
conjunto de atribuições que as leis conferem aos diversos órgãos judiciários que vão atuar no processo.
Diz-se territorial quando o critério levar em conta a divisão do poder jurisdicional em razão de foros
ou circunscrições judiciárias em que está dividido o país.

CRITÉRIO OBJETIVO
a) Em razão da pessoa: ocorre quando a parte litigante possui vários órgãos competentes para análise
daquele tipo de caso. Exemplo: quando envolve a Fazenda Pública, o processo é julgado na Vara da
Fazenda Pública, independentemente das outras opções.
b) Em razão da matéria: é necessário analisar qual a natureza jurídica daquela matéria em controvérsia.
Exemplo: Divórcios, onde a Vara de Família é competente.
c) Em razão do valor da causa: há determinados casos em que a competência é definida de acordo com o
valor da causa em julgamento. Exemplo: Juizado Especial que julga ações de até 40 salários mínimos.

CRITÉRIO FUNCIONAL
O critério funcional de competência vai determinar qual órgão é competente de acordo com a função
que ele desempenha dentro da estrutura do Poder Judiciário. Leva em consideração fatores endoprocessuais
(internos), que tenham relação com as diversas atribuições que são exigidas aos magistrados durante o
trâmite processual.
a) Horizontal (fases do mesmo processo): quando ela ocorre entre órgãos do mesmo nível hierárquico,
existindo uma vinculação do juiz, que deve atuar em diversas fases procedimentais, por exemplo, o juiz
que proferiu sentença líquida será competente para conduzir a liquidação da sentença (art 509, CPC).
b) Horizontal (fases de outro processo): ocorre quando os juízes estão no mesmo grau hierárquico, porém
a vinculação funcional correrá em outro processo a ele conexo, por exemplo, o juízo dos embargos de
terceiro será o mesmo da causa principal (art. 676, CPC).
c) Vertical (competência hierárquica): muda de acordo com as instâncias. Ou seja, 1º instância, 2º instância
e 3ª instância.

CRITÉRIO TERRITORIAL
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

Visa determinar qual é o local em que aquela demanda deve ser proposta. Tem previsão a partir do
artigo 46 do Novo CPC.
· Regra Geral – Direito pessoal ou real sobre bens MÓVEIS, será proposto a demanda no domicílio do
réu (art. 46).
· Réu com mais de um domicílio: o autor pode escolher qual dos domicílios vai propor aquele caso.
· Réu em local incerto ou desconhecido: o autor pode optar por demandá-lo onde o réu for encontrado
ou no domicílio do autor.
· Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil: no foro de domicílio do autor, e, se este
também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer for. Obs.: deve-se observar o
previsto no artigo 23.
· Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios: no foro de qualquer deles, à escolha do
autor.
· Execução Fiscal – No foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for
encontrado.
⮚ O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a regra de competência do
Novo Código de Processo Civil (CPC/2015) que permitia que os estados e o Distrito Federal
pudessem responder a ações em qualquer comarca do país, restringindo sua aplicação aos
limites do território do Estado/DF ou ao local de ocorrência do fato gerador (ADIs 5737 e
5492).

EXCEÇÕES À REGRA GERAL


a) Ações fundadas em direito real sobre IMÓVEIS (ART. 47) – é competente o foro de situação da
coisa. O autor também pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o
litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de
terras e de nunciação de obra nova.

Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC-PA), 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto
afirmar que, para as ações fundadas em direito real sobre imóveis, é competente o foro de situação da coisa.
O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio recair sobre direito de
propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. (a assertiva
foi considerada INCORRETA)

b) Herança (ART. 48): o foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o
inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a
impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu,
ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Se o autor da herança não possuía domicílio certo, será competente: I – o foro de situação dos
bens imóveis; II – havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III – não havendo
bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
c) Réu incapaz (ART. 50): Foro de domicílio de seu representante ou assistente.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA, PRINCÍPIOS

d) União como Autora ou Assistente (ART. 51): no foro de domicílio do autor.


Caso a União seja ré, o foro competente é o de ocorrência do ato ou fato que originou a
demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.

Caiu na prova Delegado PC-PA, 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto afirmar que é
competente o foro onde a obrigação deve ser satisfeita para as causas em que seja autora a União. (a
assertiva foi considerada INCORRETA)

e) Estado ou DF como Autor ou Assistente (ART. 52): No foro de domicílio do réu.


Caso o Estado ou DF sejam réus: (i)no foro de domicílio do autor, (ii) no de ocorrência do ato ou fato
que originou a demanda, (iii) no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado.
f) Divórcio, Anulação de Casamento, Reconhecimento ou Dissolução de União Estável (ART. 53),
será competente o foro:
· de domicílio do guardião de filho incapaz;
· do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
· de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;
· de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de
agosto de 2006 (Lei Maria da Penha).
g) Ação de alimentos (ART. 53, II): a competência é do domicílio ou residência do alimentando
(quem recebe).
h) Do Lugar (ART. 53, III)
· onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
· onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
· onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem
personalidade jurídica;
· onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento;
· de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto;
· da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato
praticado em razão do ofício;
· do lugar do ato ou fato para a ação (art. 53, IV) de reparação de dano; em que for réu
administrador ou gestor de negócios alheios;
· para ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos e
aeronaves (ART. 53, V): domicílio do Autor ou Local do Fato.

Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC-PA), 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto
afirmar que é competente o foro de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano
sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. (a assertiva foi considerada
CORRETA)

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4.4 Competência Absoluta E Relativa

COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA


Pode ser alegada a qualquer tempo, por quaisquer das Deve ser alegada em preliminar de contestação, sob
partes pena de preclusão
Deve ser declarada de ofício Não pode ser declarada de ofício
· Exceção: abusividade na cláusula de
eleição de foro – o juiz pode declinar
sua competência
Matérias de ordem pública Matéria de interesse das partes
O juiz deve remeter os autos ao juízo competente, mas Somente se acolher a incompetência, remeterá o juiz o
salvo decisão judicial em contrário, serão conservados processo para juízo incompetente para apreciar a
os efeitos da decisão proferida pelo juízo incompetente questão, tendo as seguintes opções: reconhecer a
até que outra seja proferida pelo juízo competente competência ou divergir, declarando-se também
incompetente e suscitar conflito de competência
Em razão da MATÉRIA, PESSOA, FUNÇÃO Em razão do VALOR e TERRITÓRIO*
· Exceção: ação possessória imobiliária é
absoluta

4.5 Modificação De Competência

De acordo com os artigos 63 e 64 do CPC:

Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território,


elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e
aludir expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada
ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro
de domicílio do réu.
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na
contestação, sob pena de preclusão.
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão
preliminar de contestação.
§ 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de
jurisdição e deve ser declarada de ofício.
§ 2º Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a
alegação de incompetência.

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§ 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao


juízo competente.
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de
decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o
caso, pelo juízo competente.
Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência
em preliminar de contestação.
Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público
nas causas em que atuar.

As regras de competência podem ser divididas em absolutas ou relativas. Somente as relativas


podem ser modificadas, nunca as absolutas.
Haverá modificação de competência quando as regras de competência relativa apontarem a
competência de um foro X, mas algumas circunstâncias definirem que o foro competente é o Y, diferente
daquele inicialmente previsto.
As causas de modificação da competência são: prorrogação; derrogação; conexão; e continência.

4.6 Prorrogação De Competência

É a consequência da não alegação da incompetência relativa em preliminar de contestação.


Se o réu não se manifestar no momento correto, o foro que era incompetente tornar-se-á competente, não
sendo mais possível a qualquer dos litigantes ou ao juiz tornar ao assunto.

Caiu na prova Delegado de Polícia PC-MA/2018:

De acordo com o CPC, a incompetência relativa será prorrogada se o réu não a alegar na contestação.
(assertiva foi considerada CORRETA)

4.7 Derrogação De Competência

Ocorre quando há eleição de foro. Neste caso, as partes escolhem qual foro será competente para
processar e julgar futuras demandas.
Não é possível em casos de competência absoluta.
Não prevalece sobre as regras de conexão. Desta forma, a existência de foro de eleição não impedirá
a reunião de ações conexas para julgamento conjunto.
O foro de eleição obriga contratantes, sucessores, por atos inter vivos ou causa mortis.
Obs.1: pode haver eleição de foro em contrato de adesão? A cláusula prevista pode valer ou não, desde que
não haja prejuízo ao direito de acesso à justiça do aderente.
Obs.2: a nulidade da eleição de foro nos contratos de adesão deve ser declarada de ofício (art. 63, § 3º, CPC).

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4.8 Conexão

Duas ações são conexas quando lhes for comum o pedido e a causa de pedir. Neste sentido, não
basta apenas a coincidência de partes.

Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.

Conforme os ensinamentos preconizados na obra de Marcus Vinícius Rios Gonçalves, é preciso que
esses critérios sejam conciliados com outro, finalístico, em que o julgador deve ter em mente as razões
fundamentais para que duas ações sejam reunidas: em primeiro, evitar decisões conflitantes; e, em segundo,
favorecer a economia processual.
Desta forma, estabelece o art. 55 §3º:
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco
de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos
separadamente, mesmo sem conexão entre eles.

Não se verifica a conexão caso algum dos processos já tenha sido julgado. Conforme determina a
Súmula 235 do STJ: “A conexão não determina a reunião de processos, se um deles já foi julgado. No mesmo
sentido, o art 55, § 1º:

§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se


um deles já houver sido sentenciado.

● Onde se fará a reunião de ações conexas?


Conforme o disposto no art 286, I, do CPC, as causas que se relacionarem a outras já ajuizadas por
relação de conexão ou continência, deverão ser distribuídas por dependência. Ou seja, a nova ação será
distribuída para o mesmo juízo em que já tramita a anterior, com a qual guarda relação de conexão ou
continência.
No entanto, pode ocorrer a situação em que duas ações conexas estejam tramitando em lugares
diferentes e o autor não saiba da existência da outra. Neste caso, quando elas forem reunidas deve-se
identificar qual o juízo está prevento. De acordo com o art. 59 do CPC “o registro ou a distribuição da petição
inicial torna prevento o juízo.”

Obs.1: a conexão, sendo causa de modificação da competência, só se aplica em casos de competência


relativa.
Obs.2: pode a reunião de processos ser determinada de ofício em caso de conexão? A conexão é matéria de
ordem pública, sendo assim, pode ser determinada de ofício e a qualquer tempo pelo juiz, desde que nenhum
dos processos tenha sido sentenciado.

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Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC SE)/2018:


A empresa Soluções Indústria de Eletrônicos Ltda. veiculou propaganda considerada enganosa relativa a
determinado produto: as especificações eram distintas das indicadas no material publicitário. Em razão do
anúncio, cerca de duzentos mil consumidores compraram o produto. Diante desse fato, uma associação de
defesa do consumidor constituída havia dois anos ajuizou ação civil pública com vistas a obter indenização
para todos os lesados.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte.
Na hipótese de existir outra ação com idêntica causa de pedir da ação civil pública proposta e de tal ação ter
sido sentenciada por outro juízo, o fenômeno da conexão exigirá que as duas demandas sejam reunidas. (a
assertiva foi considerada INCORRETA)

4.9 Continência

É a relação entre duas ou mais ações quando houver identidade de partes e causa de pedir, sendo
que o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras, conforme art 56, do CPC:

Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade
quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo,
abrange o das demais.

· Ação continente: mais ampla (lembrar do continente asiático; é amplo; grande)


· Ação contida: menos ampla (lembrar de uma pessoa contida, envergonhada, que se sente inferior,
pequena)

Neste caso, a reunião só se dará se a ação continente, a mais ampla, for proposta posteriormente à ação
contida.
Então...se:
1° distribui-se a ação continente e, em 2°, a ação contida
→ esta última será extinta sem resolução de mérito
→ não haverá continência.
Por outro lado:
1° distribui-se a ação contida e, em 2°, a ação continente
→ serão necessariamente reunidas

→ ocorre continência.

ATENÇÃO! Todas as regras da conexão, valem para a continência.

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4.10 Prevenção

Ocorre nos casos em que mais de um juiz é competente para o julgamento de determinada causa.
É dada sempre pelo registro ou pela distribuição.
Se houver semelhança entre as ações, como nos casos de conexão ou continência, a nova demanda
deve ser distribuída por dependência para o juízo onde tramita a anterior ajuizada. Caso tenham sido
ajuizadas em juízos distintos, devem ser reunidas no juízo prevento, conforme art. 58 do CPC:

Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento,
onde serão decididas simultaneamente.

O art. 286, II, do CPC, dispõe sobre situação de prevenção no caso de ações idênticas, que ocorrerá
quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em
litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda. Diante disso, a
nova demanda será distribuída por dependência ao juízo no qual tramitou a antiga.
A prevenção também ocorre em segunda instância. Neste caso, o primeiro recurso protocolado no
tribunal tornará prevento o relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou
em processo conexo, conforme art. 930, parágrafo único do CPC:

Art. 930. Far-se-á a distribuição de acordo com o regimento interno do tribunal,


observando-se a alternatividade, o sorteio eletrônico e a publicidade.
Parágrafo único. O primeiro recurso protocolado no tribunal tornará prevento o
relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou em
processo conexo.

4.11 Conflito De Competência

Hipóteses:
· 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes (conflito positivo);
· 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência
(conflito negativo);
· entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
O conflito poderá ser suscitado pelas partes, pelo MP ou pelo juiz.
O MP será parte nos conflitos que suscitar e fiscal da ordem jurídica nos que forem suscitados pelos demais
legitimados, mas apenas quando presentes as hipóteses do art. 178 do CPC, a saber: interesse público ou
social; interesse de incapaz; ou litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.

Além disso, nos termos do art. 952, CPC, o réu que tiver arguido a incompetência relativa não pode suscitar
conflito de competência.

Identificação do órgão que deverá resolver o conflito:


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· TRIBUNAL DE JUSTIÇA : Juiz estadual x Juiz estadual


· TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL : Juiz federal x Juiz federal
· STJ:
Juiz federal x Juiz estadual
Juiz federal/estadual x Juiz do trabalho
Juízes estaduais de diferentes estados
Juízes federais de diferentes regiões
· STF:
STJ x quaisquer tribunais
Tribunais superiores
Tribunais superiores x qualquer outro tribunal

Obs.: sempre que o conflito envolver tribunais superiores, a competência é do STF.

O art. 953 do CPC dispõe sobre o endereçamento do conflito e a forma sob a qual deverão ser veiculados:
· iniciativa do órgão jurisdicional - deverá ser suscitado por ofício dirigido ao tribunal.
· iniciativa da parte do Ministério Público - deverá ser suscitado por petição.

⮚ Tanto o ofício quanto a petição de suscitação do conflito de competência deverão ser instruídos com
todos os documentos necessários à comprovação de suas razões.

5. COOPERAÇÃO NACIONAL

A cooperação nacional deriva da necessidade de o juízo responsável pela causa praticar algum ato
processual fora do limite territorial de sua competência jurisdicional. Desta forma, o juiz deve solicitar o
auxílio ao juízo que detém competência efetiva para a prática de tal ato, tendo em vista um dos instrumentos
de cooperação previstos no CPC. Neste caso, não são necessárias formalidades específicas para o
encaminhamento do pedido.
Compete aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum; em todas as
instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores.
A cooperação nacional objetiva a prática de qualquer ato processual e deve ser prontamente atendida,
não sendo exigida forma específica.
Pode ser executado como:
I - auxílio direto;
II - reunião ou apensamento de processos;
III - prestação de informações;
IV - atos concertados entre os juízes cooperantes.

Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consistir, além de outros, no estabelecimento
de procedimento para:

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I - a prática de citação, intimação ou notificação de ato;


II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos;
III - a efetivação de tutela provisória;
IV - a efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas;
V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial;
VI - a centralização de processos repetitivos;
VII - a execução de decisão jurisdicional.

Por fim, pode ser realizada entre órgãos jurisdicionais de diferentes ramos do Poder Judiciário.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil (13th edição). Editora Saraiva, 2022

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