Processo Civil
Processo Civil
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Sumário
DIREITO PROCESSUAL CIVIL: JURISDIÇÃO, AÇÃO, COMPETÊNCIA .................................................................... 3
1. DA FUNÇÃO JURISDICIONAL .......................................................................................................................... 3
1.1 Alguns Princípios Processuais .................................................................................................................. 3
2. JURISDIÇÃO .................................................................................................................................................. 11
2.1. Conceito ................................................................................................................................................ 11
2.2. Equivalentes Jurisdicionais ................................................................................................................... 11
2.3. Características principais da jurisdição................................................................................................. 14
2.4. Princípios da jurisdição ......................................................................................................................... 15
2.5. Jurisdição contenciosa e voluntária ..................................................................................................... 16
3. AÇÃO ............................................................................................................................................................ 16
3.1 Conceito ................................................................................................................................................. 16
3.2 Teorias da Ação ..................................................................................................................................... 17
3.3 Requisitos de admissibilidade do processo (pelo CPC/73 seriam as condições da ação) ..................... 17
3.4 Elementos da Ação ................................................................................................................................ 19
3.5 Pressupostos Processuais ...................................................................................................................... 20
3.6 Preclusão ............................................................................................................................................... 21
4. COMPETÊNCIA ............................................................................................................................................. 21
4.1 Generalidades ................................................................ ........................................................................ 21
4.2. Princípios .............................................................................................................................................. 22
4.3 Critérios determinativos da competência ............................................................................................. 23
4.4 Competência Absoluta E Relativa .......................................................................................................... 26
4.5 Modificação De Competência ............................................................................................................... 26
4.6 Prorrogação De Competência ............................................................................................................... 27
4.7 Derrogação De Competência ................................................................................................................. 27
4.8 Conexão ................................................................................................................................................. 28
4.9 Continência ............................................................................................................................................ 29
4.10 Prevenção ............................................................................................................................................ 30
4.11 Conflito De Competência..................................................................................................................... 30
5. COOPERAÇÃO NACIONAL ............................................................................................................................ 31
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
CPC
● Arts. 16 a 69
1. DA FUNÇÃO JURISDICIONAL
a) Devido Processo Legal: funciona como um princípio-base ou superprincípio, norteador de todos os demais.
A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da CF/88 que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens
sem o devido processo legal”. Subdivide-se em:
● Devido processo legal substancial (ou material): forma de controle de conteúdo das decisões
(razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades;
● Devido processo legal formal (processual): diz respeito ao conjunto de garantias processuais
mínimas.
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c) Motivação das decisões: de acordo com esse princípio, todas as decisões judiciais precisam ser motivadas,
exceto os despachos, pois não possuem conteúdo decisório. Está previsto no art. 93, IX, da Constituição
Federal.
A motivação não é dirigida apenas às partes, mas é também uma prestação de contas dada à população
sobre o exercício do poder jurisdicional.
O CPC trouxe de forma inovadora a busca por esse princípio, conforme art. 489, §1º, o qual dispõe que:
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O art. 489, § 1º, do CPC/2015 previu uma série de exigências para a fundamentação das decisões
judiciais. Diante disso, alguns autores sustentaram que, a partir da entrada em vigor desse novo diploma,
teria sido proibida a motivação per relationem. Essa não foi, contudo, a conclusão adotada pelo STJ. Para o
Tribunal, mesmo com o novo CPC, continua sendo possível esta técnica de motivação:
d) Isonomia: Está pautada na ideia de “paridade de armas”, a fim de manter equilibrada a disputa judicial
entre as partes. No entanto, alguns sujeitos processuais possuem tratamento diferenciado no processo, seja
pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a exemplo da assistência judiciária gratuita.
ATENÇÃO! Outra hipótese de tratamento diferenciado diz respeito às prerrogativas da Fazenda Pública no
processo civil, a exemplo do prazo em dobro para se manifestar, isenção do recolhimento de custas, vedação
à concessão de liminar em algumas matérias, justificáveis pelos interesses da coletividade e burocracia
inerente à atividade estatal.
Necessário destacar que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, que estabelece que os
juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão.
e) Publicidade dos atos processuais: o processo, para ser devido, precisa ser público.
Está previsto nos art. 5º, LX e art. 93, IX e X, da Constituição Federal. O referido princípio possui duas
funções: proteger as parte de julgamentos arbitrários e permitir o controle público das decisões.
Não é um direito absoluto, pois sofre restrições por razões de interesse público ou para preservar a
intimidade das partes.
CPC. Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos,
e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
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(CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Princípio da fundamentação (art. 11) e validade da fundamentação
per relationem. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
26>. Acesso em: 19/04/2023)
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Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério
Público.
Segundo Fredie Didier Jr., publicidade é direito fundamental e tem, basicamente, duas funções:
· proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos (e, nesse sentido, é conteúdo do devido
processo legal, como instrumento a favor da imparcialidade e independência do órgão jurisdicional);
· permitir o controle da opinião pública sobre os serviços da justiça, principalmente sobre o exercício
da atividade jurisdicional.
· dimensão externa: a publicidade pode ser restringida quando houver razões que justifiquem a
preservação da intimidade ou razões de interesse público. Sofre restrições com relação a defesa da
intimidade ou em razão de interesse social, conforme art. 5º, LX, da CF, bem como nas situações
dispostas no art. 189 do CPC.
Essa restrição é apenas em relação a terceiros, tendo em vista que as partes e os advogados
habilitados não se submetem a tais impedimentos. Desta forma, o art. 189, § 1°, do CPC dispõe que
nos processos que tramitem em segredo de justiça, somente as partes e os seus procuradores
poderão consultar os autos do processo e pedir certidões.
f) Instrumentalidade das formas: busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à forma
legal, desde que:
● o ato tenha preenchido a sua finalidade;
● NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo.
Esse princípio pode ser encontrado nos seguintes dispositivos do CPC:
Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o
ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.
Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que
não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a
fim de se observarem as prescrições legais.
Parágrafo único. Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não
resulte prejuízo à defesa de qualquer parte.
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g) Razoável duração do processo: busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver uma
harmonização, haja vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das partes
com o escopo de obter a celeridade processual.
h) Princípio da boa-fé e lealdade processual: a boa-fé é regra de conduta que deve nortear o comportamento
das partes. Nesse sentido, diante da prática de ato que macule o processo, o NCPC tutela mecanismos para
-fé. A exemplo:
coibir a litigância de má
Por fim, o autor aponta os seguintes exemplos como sendo aplicação da boa-fé objetiva no processo
civil:
Ex.1: a impossibilidade de a parte recorrer contra uma decisão que já havia manifestado sua aceitação. Isso
seria venire contra factum proprium.
Ex.2: a impossibilidade de a parte requerer a invalidação de um ato cujo defeito foi ela própria quem deu
causa. Isso também seria venire contra factum proprium.
Ex.3: se o réu exerce seu direito de defesa de forma abusiva, o juiz poderá, como sanção, conceder a tutela
provisória ao autor. O réu, nesse caso, violou a boa-fé objetiva.
Ex.4: se a parte interpõe recurso com intuito manifestamente protelatório, significa que violou o princípio da
boa-fé processual, podendo ser multada por litigância de má-fé.
Veja o que diz o CPC/2015:
Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de
acordo com a boa-fé.
Confira o que diz a doutrina:
Enunciado 375-FPPC: O órgão jurisdicional também deve comportar-se de acordo
com a boa-fé objetiva.
Esse nome foi cunhado pelo falecido Ministro do STJ Humberto Gomes de Barros. Algibeira = bolso. Assim, a
“nulidade de algibeira” é aquela que a parte guarda no bolso (na algibeira) para ser utilizada quando ela
quiser.
Tal postura viola claramente a boa-fé processual e a lealdade, que são deveres das partes e de todos aqueles
que participam do processo. Por essa razão, a “nulidade de algibeira” é rechaçada pela jurisprudência do STJ.
STJ. 3ª Turma. REsp 1372802-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/3/2014 (Info 539).
ATENÇÃO: duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição prevê
a possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo em grau de
recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser um desdobramento
da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO conste na CF/88, consta
expressamente no Pacto São José da Costa Rica.
i) Primazia do julgamento do mérito: dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas processuais que
não maculem o processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na boa-fé objetiva. Nesse sentido, o
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art. 4º do CPC prevê que as partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.
Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças eventualmente
ausentes no recurso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças:
O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo irremediavelmente não
poderão ser sanadas.
ATENÇÃO! Segundo decidiu o STF no ARE 953221 AgR/SP, tal previsão do artigo 932, parágrafo único, CPC
não se aplica para o caso em que o recorrente não ataca todos os fundamentos da decisão recorrida, pois,
nesta hipótese, seria necessária a complementação das razões do recurso, o que não é permitido. Assim, o
parágrafo único do artigo 932 só tem aplicação nos casos em que seja necessário sanar vícios formais.
j) Proibição da decisão surpresa: o juiz NÃO pode proferir decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida (art. 9º, NCPC), SALVO algumas hipóteses legalmente previstas, a exemplo da tutela de
urgência.
· Observe-se que o que não se pode proferir é decisão contra uma das partes sem que seja ouvida.
Contudo, é possível que se profira decisão a favor da parte sem que seja ouvida. Seria o caso de
improcedência liminar, em que o juiz julga de plano, sem provocar a parte contrária.
· As exceções do art. 9º tratam de decisões provisórias, ou seja, decisões que podem ser revistas
posteriormente. Apenas decisões definitivas não podem ser tomadas sem ouvir a outra parte. Logo,
conclui-se que o rol do art. 9º é exemplificativo, havendo outros exemplos de decisões provisórias
concedidas sem a oitiva do réu.
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(BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Editora Saraiva. pág. 45).
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l) Princípio da vedação à decisão surpresa: inscrito nos artigos 9º e 10 do CPC, o princípio estabelece que o
Magistrado está impedido de decidir com base em fundamento a respeito do qual não tenha dado às partes
a oportunidade de se manifestarem, ainda que se trate de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício.
O referido postulado jurídico objetiva evitar prejuízos a qualquer das partes com base em fatos por elas ainda
desconhecidos e não debatidos, impondo-se a efetivação do contraditório substancial com a intimação
prévia para manifestação sobre o vício identificado pelo Magistrado, garantindo-se às partes a possibilidade
de influenciar a convicção do Magistrado.
CPC. Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica:
I - à tutela provisória de urgência;
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III ;
III - à decisão prevista no art. 701 .
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
lei aos fatos narrados nos autos (STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1.889.349/RJ, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16/11/2021).
Não ofende o art. 10 do CPC/2015 o provimento jurisdicional que dá classificação
jurídica à questão controvertida apreciada em sede de embargos de divergência.
STJ. 1ª Seção. EDcl nos EREsp 1.213.143-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 8/2/2023 (Info 763).
2. JURISDIÇÃO
2.1. Conceito
A jurisdição pode ser compreendida como o PODER-DEVER Estatal de APLICAR O DIREITO objetivo ao
caso concreto, para resolver com DEFINITIVIDADE uma situação de crise jurídica e gerar a PACIFICAÇÃO
SOCIAL. O poder jurisdicional é o que permite o exercício da função jurisdicional e se materializa por meio da
atividade jurisdicional.
a) É um poder estatal atribuído a um terceiro imparcial: o juiz decide, colocando sua vontade no lugar
da vontade dos sujeitos conflitantes. É exemplo de heterocomposição.
OBS.: não confundir IMPARCIALIDADE com NEUTRALIDADE. O juiz não é neutro. Neutro é o que não tem
valor, nem positivo, nem negativo. Imparcialidade é condição de ser terceiro. O juiz não é parte. A
despeito de não ser neutro, o juiz deve ficar em pé de igualdade.
b) A jurisdição pressupõe uma atividade processual prévia que lhe confia legitimidade: não deve ser
exercida instantaneamente, pois depende de um processo anterior que a legitime;
d) As decisões são insuscetíveis de controle externo: a atividade jurisdicional só pode ser controlada
pela própria jurisdição. Não pode ser controlada por nenhuma outra função estatal, apenas
internamente, como, por exemplo, mediante recursos. O juiz decide com base no que o legislador
determina, portanto, não há desarmonia entre os poderes. A coisa julgada é indiscutível, inclusive
para a própria jurisdição.
São formas alternativas de solução de conflitos e funcionam como técnica de tutela de direitos, pois resolvem
conflitos ou certificam situações jurídicas.
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a) Autotutela: É o sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvidas em função do exercício da
força pela parte vencedora. Não é admitida de forma ampla e irrestrita, salvo nas hipóteses legalmente
previstas. Ex: legítima defesa e desforço imediato no esbulho.
Atenção! É possível, no entanto, rever a autotutela pelo Poder Judiciário, ante o princípio da inafastabilidade
da jurisdição.
b) Autocomposição: trata-se de solução negocial do conflito. A solução não é imposta, mas sim produto de
atividade negocial
São espécies:
● Transação: há sacrifício recíproco de interesses; no tocante à transação, necessário destacar a
mediação e conciliação:
· Conciliação: um terceiro oferece soluções fundadas no sacrifício recíproco dos interesses das
partes;
· Mediação: o terceiro NÃO faz propostas, mas possibilita um diálogo entre as partes, a fim de
que elas resolvam o conflito entre si.
● Renúncia: o titular de pretenso direito abdica;
● Submissão: o sujeito se submete à pretensão contrária, ainda que fosse legítima a sua resistência.
c) Arbitragem: as partes escolhem um terceiro de sua confiança, responsável pela solução do conflito, e a
decisão desse terceiro será impositiva. Pode ser realizada de duas formas:
● Cláusula compromissória: é uma convenção entre as partes que estabelece que eventuais conflitos
futuros serão dirimidos pela arbitragem;
● Compromisso arbitral: é convenção de arbitragem para solucionar conflito que já existe, ainda que
não haja cláusula compromissória prévia.
A decisão arbitral é:
· título executivo judicial;
· não depende de homologação judicial.
· insuscetível de controle do mérito pelo poder judiciário.
· não pode ser revisada, mas pode ser invalidada, caso tenha defeito FORMAL, no prazo de 90 dias.
Além disso:
· o árbitro não tem o poder de executar suas decisões, pois a execução é feita pelo poder judiciário.
· não pode haver cláusula de arbitragem nos contratos de adesão, pois ela deve ser voluntária.
· recurso contra sentença arbitral: embargos de declaração.
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Vantagens
Marco Aurélio Peixoto e Renata Peixoto, citando a lição de Rafael Alves de Almeida, Tânia Almeida e Mariana
Hernandez Crespo apontam as vantagens do sistema multiportas:
a) o cidadão assumiria o protagonismo da solução de seu problema, com maior comprometimento e
responsabilização acerca dos resultados;
b) estimulo à autocomposição;
c) maior eficiência do Poder Judiciário, porquanto caberia à solução jurisdicional apenas os casos mais
complexos, quando inviável a solução por outros meios ou quando as partes assim o desejassem;
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d) transparência, ante o conhecimento prévio pelas partes acerca dos procedimentos disponíveis para a
solução do conflito. (PEIXOTO, Marco Aurélio Ventura; PEIXOTO, Renata Cortez Vieira. Fazenda Pública e
Execução. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 118).
Origem da expressão
A origem dessa expressão “Justiça Multiportas” remonta os estudos do Professor Frank Sander, da Faculdade
de Direito de Harvard, que mencionava, já em 1976, a necessidade de existir um Tribunal Multiportas, ou
“centro abrangente de justiça”.
a) Substitutividade: o Estado substitui a vontade das partes pela vontade da lei no caso concreto, a
fim de promover a pacificação social.
b) Lide: segundo Carnelutti, é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida.
ATENÇÃO! Embora a definitividade seja característica da jurisdição, apenas decisões de mérito transitadas
em julgado são imutáveis. As decisões sobre jurisdição voluntária, por exemplo, não fazem coisa julgada.
e) Imperatividade: a decisão proferida pelo Estado é imperativa e de observância compulsória, obriga
o litigante. Podem ser adotados mecanismos de coerção para obrigar seu cumprimento.
f) Inafastabilidade: a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça
a direito (CF, art. 5º, XXXV).
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g) Indelegabilidade: a jurisdição não pode ser delegada, sob pena de ofensa ao princípio do juiz natural.
Só pode ser exercida pelo Judiciário.
c) Indelegabilidade: a atividade jurisdicional não pode ser delegada. Ressalte- se que a carta precatória
não constitui delegação de competência, já que é expedida justamente porque o juízo
deprecante não possui competência para realizar aquele ato.
d) Inafastabilidade: o art.5º, XXXV, da CF/88 preleciona que o Estado não pode negar decisão, uma vez
provocado (Non liquet). O aludido princípio pode ser entendido em algumas acepções:
● relação entre jurisdição e solução administrativa de conflitos: não há obrigatoriedade de
provocação prévia da Administração para, só então, buscar o judiciário.
Exceção:
● Justiça Desportiva (art. 217, §1º, CF/88): exige-se o exaurimento prévio do processo
administrativo na Justiça Desportiva;
● Habeas Data: Só é cabível se houver recusa das informações pela autoridade administrativa.
● Acesso à ordem jurídica justa:
· acesso ao processo, com o mínimo possível de obstáculos;
· acesso dos necessitados econômicos, a exemplo da assistência judiciária gratuita;
· tutela jurisdicional coletiva, em especial a Lei de Ação Civil Pública e o Código de Defesa do
Consumidor (“Molecularização dos conflitos”);
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e) Juiz Natural: ninguém será processado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII, da CF/88).
A jurisdição contenciosa pode ser compreendida como a jurisdição propriamente dita, pois se
trata da atuação da vontade concreta da lei. Já a jurisdição voluntária ou integrativa é conceituada como
a administração pública de interesses privados para integrar e fiscalizar a vontade das partes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil (13th edição). Editora Saraiva, 2022
3. AÇÃO
3.1 Conceito
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qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito”. A ação é,
portanto, um instituto ligado ao direito processual constitucional, método particular de exame do processo
a partir dos princípios, garantias e regras constantes da Constituição Federal. Por esse prisma
constitucional, a ação pode ser vista, a princípio, como uma garantia de acesso aos órgãos jurisdicionais.”3
Conforme ensina o professor Marcus Vinicius Gonçalves “É a ação que tira o Estado da sua
originária inércia e o movimenta rumo à tutela ou provimento jurisdicional. É exercida contra o Estado,
porque dirigida a este, e não à parte contrária. É verdade que o adversário do autor é sempre o réu, mas o
direito de ação não é dirigido contra este, mas contra o próprio Estado, porque serve para movimentá-lo”.4
I. Teorias civilista (clássica ou imanentista) – Savigny: o direito material e o direito de ação se confundem,
de modo que NÃO existe direito de ação sem existir o direito material. O direito de ação seria mero
procedimento.
II. Teoria concretista – Adolf Wach: o direito de ação corresponderia ao direito a um sentença favorável. O
direito de ação é independente do direito material, mas só possui o direito de ação quem possui o direito
material. Portanto, só haveria direito de ação nas hipóteses em que a pretensãodo autor fosse acolhida.
Obs.: Wach desenvolveu suas ideias a partir das ações declaratórias.
III. Teoria abstrata - Degenkolb (Alemanha), Plosz (Hungria) e Alfredo Rocco (Itália): ação é tratada com
total autonomia do direito material, por isso considerada abstrata. Assim, haverá o direito de ação
independentemente do resultado da sentença, pelo simples fato de alguém ter provocado o Poder Judiciário.
Conforme disposto na obra do professor Haroldo Lourenço, as condições da ação têm como
finalidade precípua otimizar a atividade jurisdicional, evitando o desperdício de tempo e atividade
3
Marcato, Antonio C. Código de Processo Civil Interpretado. Grupo GEN, 2022
4
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil. (13th edição). Editora Saraiva, 2022
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jurisdicional, assim, objetivam evitar a propositura de ações totalmente descabidas e infundadas e, durante
o processo, evitar a prática de atos desnecessários, claramente incabíveis.5
A petição inicial pode ser indeferida se faltar quaisquer das condições (art. 330, CPC), bem como pode
a sua falta ser reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição (art. 485, CPC), desde que se observe
o contraditório.
a) Interesse de agir: o interesse processual ou interesse de agir se refere sempre à utilidade que o
provimento jurisdicional pode trazer ao demandante.
Duas concepções são adotadas para verificação da presença ou não do interesse de agir: bipartida
(engloba utilidade e necessidade); tripartida (engloba utilidade, necessidade, adequação).
· Utilidade: presente toda vez que o provimento puder propiciar ao demandante o resultado
favorável pretendido;
· Necessidade: deve ser encarada como a última forma de solução de conflitos, na hipótese
de não haver meios de satisfação voluntários;
· Adequação: consiste no ajuizamento da demanda correta para a solução do conflito de
interesses, o demandante deverá ir a juízo em busca de um provimento jurisdicional
adequado para a tutela do direito supostamente lesado ou ameaçado.
5
Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.
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a) PARTES: é quem solicita a tutela jurisdicional (autor) e em face de quem ela é postulada (réu).
Os representantes legais não têm qualidade de parte. A parte será o incapaz, não o representante. Nos
casos de processos submetidos a jurisdição voluntária as partes são chamadas de “interessados”.
b) PEDIDO: é a resposta ou provimento judicial que se espera que o juiz defira. Por exemplo: condenação
do réu, que constitua ou desconstitua uma relação jurídica, que declare a existência de uma relação
jurídica.
· Pedido certo: é o que identifica perfeitamente seu objeto, individualizando-o;
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No entanto, mesmo que o pedido seja genérico, é necessário que seja identificável.
ATENÇÃO: a competência relativa, segundo parte da doutrina, não pode ser considerada como
pressuposto processual subjetivo, pois pode ser convalidada.
b) Objetivos:
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● EXTRÍNSECOS: Referentes a fatos estranhos ao processo que não podem se verificar para que o
processo seja considerado válido. São pressupostos de validade:
✔ Coisa julgada material;
✔ Litispendência;
✔ Perempção;
✔ Convenção de arbitragem;
✔ Transação.
● INTRÍNSECOS
✔ Demanda: é pressuposto de existência;
✔ Petição inicial apta: é pressuposto de validade;
✔ Citação válida: é pressuposto de validade;
✔ Regularidade formal: é pressuposto de validade.
3.6 Preclusão
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil, (13th edição). Editora Saraiva, 2022.
4. COMPETÊNCIA
4.1 Generalidades
A jurisdição é una (manifestação do poder estatal). Entretanto, é exercida por órgãos distintos,
distribuídos conforme suas atribuições.
A competência é o poder de exercer a jurisdição nos limites estabelecidos por lei, é a medida da
jurisdição.
Obedecidos os limites estabelecidos pela CF/88, a competência é determinada pelas normas
previstas no CPC, em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber,
pelas constituições dos Estados (art. 44).
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
4.2. Princípios
a) Juiz Natural: o juiz deve ter a competência determinada previamente e de forma abstrata;
b) Indisponibilidade: o órgão jurisdicional não pode renunciar sua competência;
c) Tipicidade das competências: dispõe que toda competência está tipificada, ou seja, está
determinado na lei quais são suas regras, órgão competente e qual juiz irá julgar;
d) Competência adequada: determina que a regra de competência seja adequada ao caso;
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Será funcional quando o critério básico para determinação da competência relacionar-se com o
conjunto de atribuições que as leis conferem aos diversos órgãos judiciários que vão atuar no processo.
Diz-se territorial quando o critério levar em conta a divisão do poder jurisdicional em razão de foros
ou circunscrições judiciárias em que está dividido o país.
CRITÉRIO OBJETIVO
a) Em razão da pessoa: ocorre quando a parte litigante possui vários órgãos competentes para análise
daquele tipo de caso. Exemplo: quando envolve a Fazenda Pública, o processo é julgado na Vara da
Fazenda Pública, independentemente das outras opções.
b) Em razão da matéria: é necessário analisar qual a natureza jurídica daquela matéria em controvérsia.
Exemplo: Divórcios, onde a Vara de Família é competente.
c) Em razão do valor da causa: há determinados casos em que a competência é definida de acordo com o
valor da causa em julgamento. Exemplo: Juizado Especial que julga ações de até 40 salários mínimos.
CRITÉRIO FUNCIONAL
O critério funcional de competência vai determinar qual órgão é competente de acordo com a função
que ele desempenha dentro da estrutura do Poder Judiciário. Leva em consideração fatores endoprocessuais
(internos), que tenham relação com as diversas atribuições que são exigidas aos magistrados durante o
trâmite processual.
a) Horizontal (fases do mesmo processo): quando ela ocorre entre órgãos do mesmo nível hierárquico,
existindo uma vinculação do juiz, que deve atuar em diversas fases procedimentais, por exemplo, o juiz
que proferiu sentença líquida será competente para conduzir a liquidação da sentença (art 509, CPC).
b) Horizontal (fases de outro processo): ocorre quando os juízes estão no mesmo grau hierárquico, porém
a vinculação funcional correrá em outro processo a ele conexo, por exemplo, o juízo dos embargos de
terceiro será o mesmo da causa principal (art. 676, CPC).
c) Vertical (competência hierárquica): muda de acordo com as instâncias. Ou seja, 1º instância, 2º instância
e 3ª instância.
CRITÉRIO TERRITORIAL
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Visa determinar qual é o local em que aquela demanda deve ser proposta. Tem previsão a partir do
artigo 46 do Novo CPC.
· Regra Geral – Direito pessoal ou real sobre bens MÓVEIS, será proposto a demanda no domicílio do
réu (art. 46).
· Réu com mais de um domicílio: o autor pode escolher qual dos domicílios vai propor aquele caso.
· Réu em local incerto ou desconhecido: o autor pode optar por demandá-lo onde o réu for encontrado
ou no domicílio do autor.
· Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil: no foro de domicílio do autor, e, se este
também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer for. Obs.: deve-se observar o
previsto no artigo 23.
· Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios: no foro de qualquer deles, à escolha do
autor.
· Execução Fiscal – No foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for
encontrado.
⮚ O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a regra de competência do
Novo Código de Processo Civil (CPC/2015) que permitia que os estados e o Distrito Federal
pudessem responder a ações em qualquer comarca do país, restringindo sua aplicação aos
limites do território do Estado/DF ou ao local de ocorrência do fato gerador (ADIs 5737 e
5492).
Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC-PA), 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto
afirmar que, para as ações fundadas em direito real sobre imóveis, é competente o foro de situação da coisa.
O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio recair sobre direito de
propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. (a assertiva
foi considerada INCORRETA)
b) Herança (ART. 48): o foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o
inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a
impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu,
ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Se o autor da herança não possuía domicílio certo, será competente: I – o foro de situação dos
bens imóveis; II – havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III – não havendo
bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
c) Réu incapaz (ART. 50): Foro de domicílio de seu representante ou assistente.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Caiu na prova Delegado PC-PA, 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto afirmar que é
competente o foro onde a obrigação deve ser satisfeita para as causas em que seja autora a União. (a
assertiva foi considerada INCORRETA)
Caiu na prova Delegado de Polícia Civil (PC-PA), 2021: Sobre a competência no processo civil, é correto
afirmar que é competente o foro de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano
sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. (a assertiva foi considerada
CORRETA)
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
De acordo com o CPC, a incompetência relativa será prorrogada se o réu não a alegar na contestação.
(assertiva foi considerada CORRETA)
Ocorre quando há eleição de foro. Neste caso, as partes escolhem qual foro será competente para
processar e julgar futuras demandas.
Não é possível em casos de competência absoluta.
Não prevalece sobre as regras de conexão. Desta forma, a existência de foro de eleição não impedirá
a reunião de ações conexas para julgamento conjunto.
O foro de eleição obriga contratantes, sucessores, por atos inter vivos ou causa mortis.
Obs.1: pode haver eleição de foro em contrato de adesão? A cláusula prevista pode valer ou não, desde que
não haja prejuízo ao direito de acesso à justiça do aderente.
Obs.2: a nulidade da eleição de foro nos contratos de adesão deve ser declarada de ofício (art. 63, § 3º, CPC).
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
4.8 Conexão
Duas ações são conexas quando lhes for comum o pedido e a causa de pedir. Neste sentido, não
basta apenas a coincidência de partes.
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.
Conforme os ensinamentos preconizados na obra de Marcus Vinícius Rios Gonçalves, é preciso que
esses critérios sejam conciliados com outro, finalístico, em que o julgador deve ter em mente as razões
fundamentais para que duas ações sejam reunidas: em primeiro, evitar decisões conflitantes; e, em segundo,
favorecer a economia processual.
Desta forma, estabelece o art. 55 §3º:
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco
de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos
separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
Não se verifica a conexão caso algum dos processos já tenha sido julgado. Conforme determina a
Súmula 235 do STJ: “A conexão não determina a reunião de processos, se um deles já foi julgado. No mesmo
sentido, o art 55, § 1º:
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
4.9 Continência
É a relação entre duas ou mais ações quando houver identidade de partes e causa de pedir, sendo
que o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras, conforme art 56, do CPC:
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade
quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo,
abrange o das demais.
Neste caso, a reunião só se dará se a ação continente, a mais ampla, for proposta posteriormente à ação
contida.
Então...se:
1° distribui-se a ação continente e, em 2°, a ação contida
→ esta última será extinta sem resolução de mérito
→ não haverá continência.
Por outro lado:
1° distribui-se a ação contida e, em 2°, a ação continente
→ serão necessariamente reunidas
→ ocorre continência.
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
4.10 Prevenção
Ocorre nos casos em que mais de um juiz é competente para o julgamento de determinada causa.
É dada sempre pelo registro ou pela distribuição.
Se houver semelhança entre as ações, como nos casos de conexão ou continência, a nova demanda
deve ser distribuída por dependência para o juízo onde tramita a anterior ajuizada. Caso tenham sido
ajuizadas em juízos distintos, devem ser reunidas no juízo prevento, conforme art. 58 do CPC:
Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento,
onde serão decididas simultaneamente.
O art. 286, II, do CPC, dispõe sobre situação de prevenção no caso de ações idênticas, que ocorrerá
quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em
litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda. Diante disso, a
nova demanda será distribuída por dependência ao juízo no qual tramitou a antiga.
A prevenção também ocorre em segunda instância. Neste caso, o primeiro recurso protocolado no
tribunal tornará prevento o relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou
em processo conexo, conforme art. 930, parágrafo único do CPC:
Hipóteses:
· 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes (conflito positivo);
· 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência
(conflito negativo);
· entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
O conflito poderá ser suscitado pelas partes, pelo MP ou pelo juiz.
O MP será parte nos conflitos que suscitar e fiscal da ordem jurídica nos que forem suscitados pelos demais
legitimados, mas apenas quando presentes as hipóteses do art. 178 do CPC, a saber: interesse público ou
social; interesse de incapaz; ou litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
Além disso, nos termos do art. 952, CPC, o réu que tiver arguido a incompetência relativa não pode suscitar
conflito de competência.
O art. 953 do CPC dispõe sobre o endereçamento do conflito e a forma sob a qual deverão ser veiculados:
· iniciativa do órgão jurisdicional - deverá ser suscitado por ofício dirigido ao tribunal.
· iniciativa da parte do Ministério Público - deverá ser suscitado por petição.
⮚ Tanto o ofício quanto a petição de suscitação do conflito de competência deverão ser instruídos com
todos os documentos necessários à comprovação de suas razões.
5. COOPERAÇÃO NACIONAL
A cooperação nacional deriva da necessidade de o juízo responsável pela causa praticar algum ato
processual fora do limite territorial de sua competência jurisdicional. Desta forma, o juiz deve solicitar o
auxílio ao juízo que detém competência efetiva para a prática de tal ato, tendo em vista um dos instrumentos
de cooperação previstos no CPC. Neste caso, não são necessárias formalidades específicas para o
encaminhamento do pedido.
Compete aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum; em todas as
instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores.
A cooperação nacional objetiva a prática de qualquer ato processual e deve ser prontamente atendida,
não sendo exigida forma específica.
Pode ser executado como:
I - auxílio direto;
II - reunião ou apensamento de processos;
III - prestação de informações;
IV - atos concertados entre os juízes cooperantes.
Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consistir, além de outros, no estabelecimento
de procedimento para:
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Por fim, pode ser realizada entre órgãos jurisdicionais de diferentes ramos do Poder Judiciário.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Lourenço, Haroldo. Processo Civil Sistematizado, (6ª edição). Grupo GEN, 2021.
Gonçalves, Marcus Vinicius R. Esquematizado - Direito Processual Civil (13th edição). Editora Saraiva, 2022
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