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Aula 05: 7) Aborto

O documento aborda a legislação sobre aborto no Brasil, detalhando os artigos do Código Penal relacionados ao tema e suas implicações jurídicas. Discute as diferentes formas de aborto, incluindo o consentido e o não consentido, e analisa as teorias sobre o início da vida intrauterina. Além disso, apresenta questões de concurso relacionadas ao tema e as nuances do consentimento e da responsabilidade penal dos envolvidos.
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Aula 05: 7) Aborto

O documento aborda a legislação sobre aborto no Brasil, detalhando os artigos do Código Penal relacionados ao tema e suas implicações jurídicas. Discute as diferentes formas de aborto, incluindo o consentido e o não consentido, e analisa as teorias sobre o início da vida intrauterina. Além disso, apresenta questões de concurso relacionadas ao tema e as nuances do consentimento e da responsabilidade penal dos envolvidos.
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CURSO PENTÁGONO – PRÉ E PÓS EDITAL DELEGADO PCERJ - 2025

AULA 05
# já vimos anteriormente:
1) A PROTEÇÃO PENAL DA PESSOA HUMANA (EDIÇÃO 2025);
2) HOMICÍDIO;
3) FEMINICÍDIO;
4) INFORMATIVOS SOBRE HOMICÍDIO;
5) COLABORAÇÃO AO SUICÍDIO OU AUTOMUTILAÇÃO;
6) INFANTICÍDIO;

7) ABORTO;
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)
Pena - detenção, de um a três anos.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é
alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência
Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de
natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando
incapaz, de seu representante legal.
-A OBSTETRÍCIA diferencia aborto, parto imaturo ou prematuro. Para a MEDICINA LEGAL basta
a extinção do concepto ANTES DO INÍCIO DO PARTO que haverá aborto.

-1C) o aborto não deveria estar no rol dos crimes contra à vida, pois nascituro não tem vida.
PROFESSOR GIORDANO BARRETO
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-2C) BG – o CP adotou o critério BIOLÓGICO DE VIDA. O feto no útero vive. BG não


discute se o feto é ou não pessoa respeitando as divergências do direito civil. Aqui, o direito
penal vê a existência de VIDA. BG enxerga a vida do feto e que no futuro ele terá uma vida
autônoma, pouco importando as teses que apontam que o feto seja uma vida acessória à da
mãe.

7.1) OBJETIVIDADE JURÍDICA;

– VIDA INTRAUTERINA, ou seja, vida cujo parto ainda não se iniciou. Caso o parto já tenha
iniciado estaremos diante de 121 ou 123.

-INÍCIO DA VIDA INTRAUTERINA – BG aponta cinco correntes;

-teoria da concepção com duas subteses: a vida se iniciaria com a


fecundação. Singamia basta que o gameta masculino penetre no óvulo
E Cariogamia exige a fusão dos gametas, o que ocorre entre 12 e 24
horas depois da fecundação.

-teoria da nidação/pré-embrião, embriológica, individualização.


BG concorda e critica a tese da concepção.

-teoria fenotípica – somente há vida quando o concepto adquire forma


humana.

-teoria da atividade encefálica – a vida se inicia quando começam as


ondas eletroencefalográficas. A morte ocorre com a cessação da
atividade encefálica, logo, não haveria início da vida enquanto essa
atividade não se inicia. BG discorda afirmando que com a morte não há
mais chance de recuperação. O feto, porém, ainda se desenvolverá a
alcançará a atividade cerebral.

-teoria ecológica – viabilidade de vida fora do útero, geralmente a partir


da vigésima semana.

-FIM DA VIDA INTRAUTERINA – início do parto. O Parto natural se dá com as DORES DE


ABERTURA que se dão com a DILATAÇÃO DO CANAL DO PARTO. BG concorda com a
jurisprudência alemã que aborda 3 estágios para se reportar às dores do parto:

-Dores Prévias → têm início nas últimas semanas de gestação e vão até
o início do parto.

-Dores de Abertura → como conceituada acima, significa o início do


parto e consequentemente da vida extrauterina.

-Dores de Pressão → correspondem ao trabalho de expulsão do


nascente.

-GRAVIDEZ EXTRAUTERINA/ECTÓPICA/TUBÁRIA – não há crime na interrupção – CRIME


IMPOSSÍVEL.

PROFESSOR GIORDANO BARRETO


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-GRAVIDEZ MOLAR – degeneração vascular do ovo, MOLA HIDATIFORME. O ovo não é viável
sendo formado somente pelo embrião e pelo Trofoblasto.

7.2) SUJEITO ATIVO;

-No 124 o sujeito ativo é PRÓPRIO. Já nos crimes do 125 e 126 o sujeito ativo pode ser qualquer
pessoa.

# QUESTÃO DE CONCURSO – João, morador de local isolado, ao saber que Maria está grávida a
instiga a abortar. João procura Bozena, famosa parteira local e a induz a praticar o aborto em Maria?

R) João cometeu o 124 e Bozena o 126, porém, João também participou do 126. BG afirma que João
responderá pelo 126 apenas, pois é mais grave e o 124 será absorvido.

7.3) ELEMENTOS OBJETIVOS, SUBJETIVOS E NORMATIVOS;

– o aborto pode ser praticado POR AÇÃO ou OMISSÃO IMPRÓPRIA (nunca por omissão própria).

-Cabe qualquer meio executório CRIME DE FORMA LIVRE. Independe da expulsão do concepto
do ventre materno, pois em certos casos pode ocorrer ABSORÇÃO PELA AUTÓLISE, LITOPÉDIO,
MUMIFICAÇÃO ou MACERAÇÃO.

-TIPO SUBJETIVO é o DOLO DIRETO OU EVENTUAL. NÃO EXISTE ABORTO CULPOSO


(Inf. 539 STF – médico que atendeu grávida duas vezes à noite e a mandou voltar para casa. De
manhã foi feita Cesariana e o feto estava morto. Entendeu o STF não haver dolo). O aborto culposo
só será punido se precedido de lesão dolosa contra a gestante (129, § 2°, Inciso V). Se alguém
culposamente lesiona a gestante e culposamente há aborto responde somente pela lesão culposa. Caso
o agente haja com dolo de matar a gestante (121, 157 § 2° ou 158 com resultado morte) responderá
em concurso formal pelo aborto por dolo de segundo grau, este tentado ou consumado.

7.4) CONSUMAÇÃO E TANTATIVA;

– morte do nascituro, CRIME MATERIAL. A consumação se dá dentro ou fora do ventre, desde que
as manobras ensejem a morte do concepto. TENTATIVA é admissível, pois é plurissubsistente.

EX) O agente lesiona a gestante com o intuito de provocar o aborto, mas ocorre aceleração do parto
e o feto nasce com vida. Aborto tentado, pois não houve aborto por circunstância alheias à vontade
do agente em concurso de crimes com a lesão.

-No entanto, se o agente apenas queria lesionar a gestante sem, contudo, querer o aborto, caberá o
129, § 1°, Inciso IV.

-Se o dolo do agente é de acelerar o parto não gerando aborto e nem lesão na gestante, BG aponta
como subsidiário o crime de perigo para a vida de outrem, 132 caso haja perigo concreto para o
nascituro que se não restar provado ensejará atipicidade.

7.5) AUTOABORTO – 124 PRIMEIRA PARTE;

-CRIME DE MÃO-PRÓPRIA – admite participação, somente.

– No 124 o sujeito ativo será a gestante, CRIME DE MÃO PRÓPRIA. Admite participação. Não é possível
coautoria, que cairá no 125 ou 126.
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-CONDUTA SUICIDA FRACASSADA:

1C) o autoaborto exige dolo típico, logo, a conduta suicida que enseje a morte do feto deve
ser impunível – JACKOBS

2C) MPSP – a gestante assume o risco de morte do feto.

-Somente na modalidade DOLOSA (DIRETO OU EVENTUAL). NÃO HÁ ABORTO CULPOSO;

– EX) negligência no pré-natal, ingestão acidental de remédio abortivo… PORÉM em certos


casos a culpa pode se transmudar em dolo eventual como no caso de prática de esportes
radicais, consumo contínuo de drogas como cocaína…

-Para consumação deve haver MORTE DO FETO, sendo ele expulso ou não do ventre. Pode ocorrer
do feto morrer no ventre e ser absorvido pelo organismo OU mumificar OU Calcificar.

-É CRIME MATERIAL/DE DANO. INTRANSEUNTE exigindo exame pericial. Cabe exame


indireto, porém, a confissão da gestante não supre a necessidade de prova técnica.

-TENTATIVA DE AUTOABORTO – mais se aproxima de uma desistência voluntária ou de


arrependimento eficaz do que da tentativa punível.

7.6) CONSENTIMENTO PARA QUE TERCEIRO PROVOQUE O ABORTO – 124 IN FINE;

-CRIME COMISSIVO POR OMISSÃO. Basta o assentimento, a postura passiva de aceitação do


comportamento do terceiro.

-Deve haver DOLO GENÉRICO da gestante em permitir o aborto.

-O terceiro incorre no art. 126. EXCEÇÃO PLURALISTA À TEORIA MONISTA;

-O consentimento deve ser VÁLIDO, ou seja:

1) com capacidade de discernimento;

2) conhecimento pleno dos fatos;

3) liberdade de manifestação.

-ERRO QUANTO AO CONSENTIMENTO – EX) casal descobre gravidez e a mulher diz não
desejar a criança. Marido serve bebida abortiva a ela, sem que ela saiba – caberá o art. 125 – SEM
CONSENTIMENTO. Se houver CERTEZA do consentimento caberá ERRO DE TIPO.

-ERRO DE TIPO INVERTIDO – médico pratica aborto acreditando que a gestante não consentiu,
porém, a mesma deu consentimento. Nesse caso, o médico responde pelo crime menos grave (126) e
tendo somente o feto como vítima e não a gestante em conjunto.

7.7) ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO SEM CONSENTIMENTO E COM


CONSENTIMENTO – 125 E 126;

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A) SEM CONSENTIMENTO;

A ausência do consentimento existe:

1) se a vítima não possui discernimento - se a gestante não é maior de quatorze anos,


ou é alienada ou débil mental;

2) se o consentimento é obtido mediante fraude;

3) se o consentimento é obtido mediante grave ameaça ou violência.

# SE O TERCEIRO AGREDIR A GESTANTE VISANDO A MORTE DO FETO, QUE SOMENTE


OCORRE APÓS SEU NASCIMENTO COM VIDA?

1C) responde pelo aborto em razão do dolo;

2C) STJ – deve responder por homicídio e lesão corporal grave pela aceleração do
parto em concurso formal.

B) COM CONSENTIMENTO;

– O consentimento deve ser válido, sob pena de haver o 125, salvo se o agente desconhecer o vício
de vontade – EX) médico faz aborto a pedido da gestante sem saber que esta estava sendo coagida
pelo marido – ERRO DE TIPO.

-O dissentimento manifestado durante o ato exclui o consentimento anterior. Se o agente usa meio
diverso do meio pedido pela gestante como condição para o aborto, haverá aborto não consentido. O
consentimento somente pode ser dado pela gestante.

7.8) CAUSAS DE AUMENTO DE PENA;

– LESÃO GRAVE ou MORTE da gestante.

-BG afirma que não se trata de qualificadora conforme o CP anuncia. Os resultados são sempre
culposos para haver aborto majorado, ou seja, preterdolo.

-Devem as lesões, para majorar o aborto, serem extravagantes às lesões naturais que ocorrem com as
manobras abortivas. Devem os resultados serem, ao menos, objetivamente previsíveis para haver
majoração.

# PRETERDOLO vs CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO;

PRETERDOLO CRIMES QUALIFICADOS PELO


RESULTADO
O resultado ulterior, mais grave, derivado O resultado ulterior, mais grave, derivado
involuntariamente da conduta criminosa, lesa um involuntariamente da conduta criminosa, lesa um
bem jurídico que, por sua natureza, contém o bem bem jurídico que, por sua natureza, não contém o
jurídico precedentemente lesado. bem jurídico precedentemente lesado.

EX) lesão + morte EX) aborto + morte da gestante

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# QUESTÃO DE CONCURSO – em caso de autoaborto que gere lesão grave ou morte da gestante,
como fica a situação do partícipe do 124?

R) BG – ele não pratica outro crime senão o 124, pois não há nexo entre a participação do agente no
124 e os resultados lesão ou morte. O AUTOABORTO E O ABORTO CONSENTIDO SÃO CASOS
DE AUTOCOLOCAÇÃO E HETEROCOLOCAÇÃO EM PERIGO.

# QUESTÃO DE CONCURSO – como fica a situação em que o aborto almejado não ocorre, mas a
gestante sofre lesões graves ou morre?

R) a regra é que crimes preterdolosos não admitem tentativa. PORÉM, BG aponta que existem nos
casos bens jurídicos diversos, o que permitiria a tentativa.

-BG aponta esse crime majorado como QUALIFICADO PELO RESULTADO e não
preterdoloso. BG aproveita o ensejo para criticar a súmula do latrocínio.

7.9) ABORTO NECESSÁRIO/TERAPÊUTICO;

– Desnecessário o consentimento da gestante. PORÉM, BG APONTA QUE MUDOU O


ENTENDIMENTO ANTERIOR afirmando que se a gestante souber dos riscos e optar por não fazer
o aborto de forma livre e consciente, deve o médico respeitar sua decisão, embora o art. 28 do código
de ética médica o permita agir diante de risco de vida.

-Se há erro no diagnóstico e esse erro for invencível, não haverá crime, por descriminante putativa.
Se vencível, não há aborto culposo, logo, restaria lesão culposa, no máximo.

7.10) ABORTO SENTIMENTAL/HUMANITÁRIO/ÉTICO;

– 1C) afirma que não exclui a ilicitude, pois a origem criminosa de uma vida não pode
autorizar sua aniquilação devendo o Estado cuidar dos filhos das estupradas.

- 2C) pode ser causa excludente segundo a lei.

-BG defendia ser caso de inexigibilidade de conduta diversa, mas MUDOU O ENTENDIMENTO
para aceitar a causa de justificação.

-A própria gestante pode praticar o autoaborto no caso de estupro e estará acobertada pela excludente
de ilicitude.

-ADPF 54, ANENCEFALIA – BG MUDOU SEU ENTENDIMENTO aderindo à tese de que não
ocorre aborto e sim antecipação do parto, pois não haveria vida. Antes ele falava que era aborto, pois
entendia que havia vida.

7.11) ABORTO NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE GESTAÇÃO;

– NOVIDADE 2021 – HC 124.306-RJ – BARROSO e ROSA WEBER defenderam a


descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação com base em julgados nos EUA,
Alemanha, Portugal, CIDH E Corte Europeia de DH. A tese se baseia no seguinte;

1-até o terceiro mês o feto não é viável, pois não tem formado córtex cerebral.

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2-os tipos do 124 e 126 precisariam de interpretação conforme à CF, pois feririam DIREITOS
FUNDAMENTAIS DAS MULHERES EM TER AUTONOMIA SOBRE O PRÓPRIO
CORPO e O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.

3-AUTONOMIA DA MULHER – decorreria da DPH, autodeterminação de acordo com seus


valores morais. Para Barroso, uma mulher manter uma gravidez indesejada por medo da lei
penal violaria a integridade física e psíquica. Isso violaria os direitos sexuais e reprodutivos.
Apontou a igualdade de gênero. Apontou que a criminalização é uma discriminação social.

4-PROPORCIONALIDADE – a criminalização feriria a adequação, necessidade e a


proporcionalidade em sentido estrito. Aponta que a criminalização aponta uma
REPROVAÇÃO SIMBÓLICA incapaz de equilibrar a balança entre os direitos em conflito:
VIDA vs DPH.

OBS: GILABERTE CONCORDA COM BARROSO E WEBER!!!!!!!!!

# QUESTÃO 04 PROVA OBJETIVA DE 2022;

Ao analisar sob o prisma jurídico-penal um abortamento, o delegado de polícia deverá verificar se a


interrupção da gravidez, nas circunstâncias em que ocorreu, era permitida. Acerca do abortamento
permitido, assinale a opção correta.

A) Conforme entendimento majoritário do STF, o abortamento de feto anencefálico é possível, haja


vista a tese de que a gestante que opta pela interrupção da gravidez atua em estado de necessidade.

B) Deve ser responsabilizado por aborto culposo o médico que, por erro vencível, diagnostique uma
gravidez com sério risco para a vida da gestante e realize a intervenção abortiva por equívoco.

C) Consoante o STJ, a Síndrome de Body Stalk autoriza a intervenção abortiva porque, embora exista
uma mínima chance de salvar o feto e garantir o nascimento com vida, determina a morte da gestante
durante o parto, cuidando-se de abortamento terapêutico.

D) Em discussão acerca da possibilidade de aborto no primeiro trimestre de gravidez, ministro


do STF proferiu voto defendendo a inexistência de aborto criminoso nesse período, invocando
para tanto, entre outros argumentos, o critério da proporcionalidade.

E) No aborto sentimental ou humanitário, dado que a ocorrência de um estupro nem sempre será
verificável de plano, exige-se ordem judicial, sem a qual a intervenção será criminosa.

7.12) CONCURSO APARENTE DE NORMAS E CONCURSO DE CRIMES;

– Vejamos;

-se o agente tem o dolo de matar a gestante desejando ou assumindo o risco de abortamento
também, haverá concurso formal impróprio do 125 com o 121.

-se o dolo é de lesão, BG entende que as lesões leves são absorvidas se ocasionadas para a
prática de aborto, mas BG defende o concurso formal imperfeito entre o aborto com a lesão
qualificada pelo aborto.

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-há concurso material se a gestante comunica falsamente um estupro para abortar – 340 +
124.

7.13) MICROCEFALIA E ABORTO;

-Em setembro de 2016 a PGR encaminhou parecer favorável à interrupção da gestação de feto com
microcefalia pelo Zica vírus por INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.

# ARTIGO GILABERTE JUSBRASIL - "BODY STALK" NÃO É IGUAL À ANENCEFALIA


FETAL, MAS PERMITE O ABORTO – QUESTÃO 04 DA PROVA OBJETIVA DE 2022;
Na ADPF nº 54, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu a possibilidade de interrupção da
gravidez em caso de anencefalia fetal. O argumento vencedor foi a ausência de um bem jurídico a
ser tutelado: de acordo com o art. 3º da Lei nº 9.434/1997 (Lei de Transplantes), a morte é
caracterizada pela ausência de atividade encefálica. Como essa atividade não se faz presente no
anencéfalo, ele não está juridicamente vivo. Consequentemente, sua destruição não pode ser
interpretada como abortamento, que é a morte do embrião ou do feto. Trata-se de interrupção
terapêutica da gravidez, necessariamente precedida de autorização da gestante ou de seus
representantes legais.

Autorizações para a interrupção da gravidez – mais recentemente – vem sendo concedidas em casos
clínicos de body stalk. Assim se deu, por exemplo, em decisão de tutela antecipada exarada pela
13ª Câmara Cível de Uberlândia (Agravo de Instrumento nº 1.0000.21.010130-9/001). A Justiça do
Paraná já enfrentara a hipótese em 2016.

Convém ressaltar, desde logo, que o quadro clínico produzido pelo body stalk é substancialmente
diverso daquele oriundo da anencefalia fetal, embora a principal consequência seja a mesma:
inviabilidade de vida extrauterina. No entanto, o body stalk não se caracteriza pela ausência de
ondas cerebrais, de modo que é impossível invocar a Lei nº 9.437/1997 como fundamentação. Em
outras palavras: o bem jurídico vida intrauterina, notoriamente tutelado pelo direito penal, existe.
Assim, a interrupção da gravidez pela destruição do nascituro no body stalk é uma situação de
abortamento. O que cumpre analisar é se se trata de abortamento criminoso ou permitido.

É certo que – legalmente – as permissões para o abortamento se encontram no art. 128 do CP,
resumindo-se ao abortamento terapêutico ou necessário (risco de morte para a gestante, previsto no
inciso I) e sentimental ou humanitário (inciso II, que contempla a gravidez resultante de estupro).
Contudo, ainda que de forma supralegal, a destruição do embrião ou do feto pode ocorrer, desde
que a situação não albergada pela legislação infraconstitucional seja considerada uma resposta
constitucionalmente correta.
Na síndrome de body stalk, que tem incidência de 1/14.000 nascidos vivos, a interrupção localizada
da vascularização leva a diversos defeitos no desenvolvimento fetal. Como consequência, o cordão
umbilical é curto ou inexistente, fazendo com que tórax e abdômen estejam aderidos à placenta. É
uma condição que inevitavelmente produz a morte do nascituro ao se desapegar do corpo materno.
Nem sempre, todavia, determina risco de morte para a gestante. Nesse ponto, a situação se aproxima
com aquela decidida da ADPF nº 54: a gestante pode ser obrigada a levar a gestação a termo,
considerando todas as sequelas psicológicas que a acometerão?

Observando os votos proferidos na ADPF, embora se exclua de plano o argumento de ausência de


vida, outro argumento usado por diversos Ministros pode ser incensado como razão de decidir: a
dignidade dos pais, a privacidade e a autonomia privada prevaleceriam sobre o direito à vida do
nascituro, que se limita ao aspecto intrauterino. Pondere-se que não existe uma régua
predeterminada de valores na interpretação constitucional, de modo que a vida não aparece
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inexoravelmente como interesse supremo. Em muitas hipóteses, o direito à vida aparece como
menos importante do que outros valores, a depender do caso concreto. Fosse outra a resposta, seria
impossível, por exemplo, arguir legítima defesa quando a vítima mata o agressor que a está
estuprando, quando inexiste alternativa. Partindo desse pressuposto e considerando a inviabilidade
de vida extrauterina, parece-nos que a autorização para o aborto é a resposta constitucionalmente
correta no caso do body stalk, com esteio nos mesmos direitos ressaltados pelo STF outrora.

Saliente-se que a tensão entre valores constitucionais já foi apreciada pelo STJ, mais precisamente
no REsp 1.467.888/GO. A Corte, na ocasião, afirmou que os mesmos motivos que permitem a
interrupção da gravidez na anencefalia podem ser reproduzidos na síndrome de body stalk, o que é
apenas parcialmente verdadeiro. Com correção, no entanto, pode-se afirmar que o resultado é
comum às duas hipóteses: a critério da gestante, a gravidez pode ser interrompida.

# INFORMATIVOS STF/STJ SOBRE ABORTO;

-Não é possível autorizar o aborto em caso de feto com Síndrome de Edwards; essa condição não se
equipara ao feto anencéfalo Origem: STJ - Informativo: 820

-Interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação Origem: STF - Informativo: 849

8) LESÕES CORPORAIS;
Lesão corporal

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:


Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:

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Pena - reclusão, de dois a oito anos.


Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu
o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a
pena de um sexto a um terço.
Substituição da pena
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena

§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art.
121 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de
1990)
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou


com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. (Redação dada pela Lei nº 14.994, de 2024)

§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no §
9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)

§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006)
§ 12. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se a lesão dolosa for praticada
contra: (Redação dada pela Lei nº 15.134, de 2025)

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I - autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela,
ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até o terceiro grau, em razão dessa
condição; (Incluído pela Lei nº 15.134, de 2025)
II – membro do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da Advocacia
Pública, de que tratam os arts. 131 e 132 da Constituição Federal, ou oficial de justiça, no exercício
da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente, inclusive por
afinidade, até o terceiro grau, em razão dessa condição. (Incluído pela Lei nº 15.134, de 2025)
§ 13. Se a lesão é praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do
§ 1º do art. 121-A deste Código: (Redação dada pela Lei nº 14.994, de 2024)
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. (Redação dada pela Lei nº 14.994, de 2024)
8.1) OBJETIVIDADE JURÍDICA;

-Tutela a INTEGRIDADE CORPORAL, A SAÚDE FISIOLÓGICA E A SAÚDE MENTAL.


(os códigos anteriores só protegiam a integridade corporal e ainda exigiam dor). Haverá 129 ainda
que a lesão não seja aparente, como na desintegração da saúde mental da vítima.

-INTEGRIDADE CORPORAL – alteração anatômica prejudicial ao corpo humano como:


ferimentos, luxações, fraturas, equimoses, mutilações, etc..

-DANOS À SAÚDE – alteração das FUNÇÕES FISIOLÓGICAS do organismo OU mórbida


perturbação da MENTE.

-DANOS À SAÚDE MENTAL – alteração da atividade intelectiva, volitiva ou sentimental –


ex) choque nervoso, convulsões...

-DANOS À SAÚDE PSÍQUICA – danos como terror, síndrome do pânico....

-PERSEGUIÇÃO/STALKING – embora seja crime autônomo do art. 147-A, pode


configurar lesão corporal quando, em razão da constância da perseguição, a vítima cai
em depressão profunda.

-Lesões pré-natais são atípicas como no caso de o médico receitar remédio que cause danos ao feto.
Se há dolo, estaremos na subsunção ao aborto tentado ou consumado.

8.2) CONSENTIMENTO DO OFENDIDO E A DISPONIBILIDADE DO BEM JURÍDICO;

1C) DOUTRINA CLÁSSICA - o bem é indisponível, logo, o consentimento do ofendido é


irrelevante.

2C) DOUTRINA MODERNA – é disponível, desde que em lesões leves.

3C) BRUNO GILABERTE – é sempre um bem jurídico disponível, pouco importa se leve,
grave ou gravíssima. Não pode o Estado limitar a autonomia individual. O
CONSENTIMENTO EXCLUI A TIPICIDADE.

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-Discorda-se de posições mais conservadoras, segundo as quais o bem jurídico não é somente
individual, mas também social, pois é inquestionável ser o Estado interessado na inviolabilidade
corpórea e mental da pessoa. Claus Roxin trouxe a teoria liberal do bem jurídico.

Uma considerável parcela da doutrina penal, contudo, impõe limites à eficácia do consentimento em
relação a determinados bens, especialmente no contexto das lesões corporais. O recurso a fórmulas
subjetivas decorre do enorme risco de se privilegiar apenas concepções morais — as chamadas
cláusulas dos bons costumes — como limite ao consentimento do ofendido.

Não se pode desprezar o princípio da autonomia na ponderação entre a indisponibilidade do bem


(integridade física) e a liberdade individual. Ainda que o Estado tente proteger as pessoas contra
danos a si mesmas, há o direito de optar, aceitar ou solicitar lesões corporais pela própria vontade —
como nos casos de alterações voluntárias no próprio corpo (ainda que sejam leves, graves ou
gravíssimas) e também no contexto de lutas fora do âmbito esportivo, nos chamados "clubes da
luta".

Sustenta-se que não há bem jurídico absolutamente indisponível. Não se pode ignorar também os
casos de consentimento para contaminação por vírus em pesquisas científicas, ainda que isso
enseje pagamento pela disponibilidade do corpo.

-Ainda que se adote a tese da disponibilidade parcial, haverá casos em que o consentimento será
válido por não haver criação de um risco socialmente reprovado:

-lesões esportivas dentro das regras do jogo. Havendo excesso haverá responsabilização.

-prática cirúrgica curativa – para que haja lesão como crime o resultado deve ser oriundo
de risco proibido o que ocasionará lesão na modalidade culposa.

-intervenção para salvar a vida, ainda que não consentida, não gera 129 e nem 146.

-prática cirúrgica estética – o consentimento também gera risco socialmente aceito.


HUNGRIA afirma que se a plástica não tiver motivação razoável como no caso de o cirurgião
mudar o rosto de um criminoso para se ocultar da justiça, haveria crime de lesão em concurso
com favorecimento pessoal. BG DISCORDA, afirmando que não há crime contra à pessoa e
sim contra a administração da justiça.

-redesignação de sexo - o consentimento também gera risco socialmente aceito.

8.3) SUJEITOS DO CRIME;

-CRIME COMUM - qualquer pessoa pode praticar, desde que não a própria vítima, pois o direito não
pune a autolesão (alteridade). No crime de estelionato contra seguradoras a autolesão é meio para a
fraude.

8.4) ELEMENTOS OBJETIVOS, SUBJETIVOS E NORMATIVOS DO TIPO;

-NÚCLEO DO TIPO – OFENDER – ferir, causar lesão - CRIME DE DANO.

-OBJETO MATERIAL – pessoa humana.

-DOR – é sintoma dispensável ao crime.

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-CRIME DE AÇÃO LIVRE, por AÇÃO OU OMISSÃO IMPRÓPRIA. NUNCA POR OMISSÃO
PRÓPRIA, que gera o 135. Pode a conduta gerar lesão OU agravar lesão já existente.

-RESULTADO - no crime do 129 os resultados são extensos, variáveis. No homicídio há um só


resultado (morte). Não lesão deve haver o ANIMUS VULNERANDI/LAEDENDI, o que diferencia
do crime de homicídio em que há o ANIMUS NECANDI.

-ELEMENTO SUBJETIVO – pode ser DOLOSO ou CULPOSO. Pode ainda o agente desejar lesar,
mas culposamente matar. O que ensejaria a subsunção ao tipo do 129, § 3°.

-CONSUMAÇÃO E TENTATIVA – CRIME MATERIAL, consumando-se com a lesão.

A TENTATIVA é tormentosa em razão dos crimes subsidiários de ameaça (147) e exposição a perigo
(132), mas é possível, em tese, desde que comprovada sua intenção de lesionar frustrada por
circunstância alheias à sua vontade.

Em relação às LESÕES GRAVES fica mais fácil apontar a tentativa como no caso de jogar ácido em
alguém querendo gerar deformidade permanente e a vítima desvia, como no caso de o agente desejar
lesionar um pianista por mais de 30 dias, mas somente consegue gerar lesões leves, caberá lesão grave
tentada em razão do animus que caso não seja comprovada ensejará a subsunção ao tipo de lesão leve.

-PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – cabível em lesões diminutas/levíssimas.

Não cabendo no caso de lesões no ambiente da 11.340/06. BG DISCORDA aceitando a


insignificância na Maria da Penha.

art. 206, § 6º CPM – prevê a insignificância para lesões levíssimas.

-ADEQUAÇÃO SOCIAL E AS OFENSAS SOCIALMENTE ADEQUADAS – aqui a conduta se


move por inteiro na moldura social da vida histórica, ensejando a atipicidade. A insignificância ocorre
no plano da atipicidade em razão da pequena ofensa ao bem jurídico. Há condutas que formalmente
são 129, mas são socialmente aceitas – ex) perfuração de orelhas de crianças, tatuagem, piercing, jus
corrigendi de forma moderada em relação aos filhos.

8.5) LESÃO QUALIFICADA PELO RESULTADO – LESÃO GRAVE, GAVÍSSIMA OU


SEGUIDA DE MORTE;

# QUESTÃO DE CONCURSO – pessoa puxa o cabelo da outra que sofre lesão na coluna cervical
e morre?

R) BG – o resultado deve, a depender do tipo de lesão visada (leve, grave, gravíssima ou seguida de
morte) decorrer de DOLO ou CULPA. Nos casos em que sequer há probabilidade do resultado, como
no caso acima. A IMPREVISIBILIDADE DO RESULTADO MORTE gera apenas lesão leve.

A) LESÃO GRAVE - § 1º SE RESULTA: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais


de trinta dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV -
aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos.

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- INCISO I - INCAPACIDADE PARA AS OCUPAÇÕES HABITUAIS, POR MAIS DE TRINTA


DIAS – BG adota o posicionamento que há essa lesão ainda que a vítima não fique incapacitada para
toda e qualquer atividade.

Deve a atividade ser lícita para caber a qualificadora. EX) se um traficante fica 30 sem traficar em
razão de uma lesão, não cabe a qualificadora.

Deve ter corpo de delito complementar que se ausente é suprido por exame indireto ou prova
testemunhal. Ausente qualquer prova como um BAM sequer, cai a lesão para a simples.

-RESULTADO DOLOSO ou CULPOSO.

-CONTAGEM DO PRAZO – BG entendia correr pelo art. 10 CP, incluindo o primeiro dia. Mudou
de posição adotando o prazo processual.

- INCISO II - PERIGO DE VIDA – o perigo de vida gerado deve ser sério e atual, não bastando a
mera possibilidade de ocorrência de morte.

Ainda que o perigo não ocorra de imediato, mas ser em decorrência da lesão, cabe a qualificadora.
Não se baseia no tempo da incapacidade provocada pela lesão. É o exame médico-legal que determina
se houve ou não o perigo, mas a doutrina aponta alguns casos consagrados:

-Hemorragia de vasos calibrosos


-Traumatismo cranioencefálico
-Feridas penetrantes no abdômen com intervenção cirúrgica
ou ablação de órgão importante
-Feridas penetrantes de tórax com perfuração de vísceras
nobres
-Lesão no lobo hepático
-Traumatismo na coluna com dano medular
-Comoção cerebral
-Coma
-Queimaduras extensas
-Choque
-Pneumotórax
-Colapso total de pulmão

-SOMENTE RESULTADO CULPOSO sob pena de haver 121 tentado.

- INCISO III - DEBILIDADE PERMANENTE DE MEMBRO, SENTIDO OU FUNÇÃO – é a


diminuição da eficiência. Não se exige a extinção funcional. Ser permanente não significa que deve
ser perpétua. Permanece a lesão grave ainda que seja possível reversão do quadro através de cirurgia.

- RESULTADO DOLOSO ou CULPOSO.

-MEMBRO – é um apêndice do corpo. SUPERIORES (braços, antebraços e mãos) INFERIORES


(coxas, pernas e pés). Pode haver debilidade com o comprometimento de todo o membro, ou não.
Caso haja uma lesão em um feixe de nervos que cause fraqueza nos movimentos, haverá a debilidade.
O pênis não é considerado membro.
-dedos – não são membros, mas integrantes de mãos e pés. A
perda de um dedo pode ou não ensejar debilidade, a depender

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do comprometimento da função motora. (TJRJ entende que gera


deformidade permanente).

-SENTIDO – forma de percepção do mundo exterior;

-visão, audição, olfato, paladar e tato.

-FUNÇÃO – é a atividade peculiar de um órgão:

-respiratória, circulatória, secretora, reprodutiva, locomotora,


digestiva, etc...

-MEMBROS DUPLOS - a perda de um deles gera lesão


gravíssima (§ 2°, inciso III - perda ou inutilização do membro,
sentido ou função)

-ÓRGÃOS DUPLOS – gera lesão grave por redução da


capacidade funcional/debilidade, como no caso de ABLAÇÃO
de um olho ou perda de um pulmão. Se perder os dois órgãos
duplos gera lesão gravíssima.

-DENTES - a situação deve ser avaliada no caso concreto em


relação à função mastigatória podendo ser grave ou leve.

-ÓRGÃO ÚNICO CUJA FUNÇÃO PODE SER SUPRIDA


POR OUTRO – como no caso do baço há lesão grave por mera
debilidade.

- INCISO IV - ACELERAÇÃO DE PARTO – pratica lesão contra mulher que sabe grávida, sem o
dolo de provocar aborto ou lesão do feto, mas esta lesão acelera o parto fazendo com quer o feto nasça
com vida. Deve haver DOLO na lesão e DOLO OU CULPA na aceleração do parto.

-o agente deseja acelerar o parto, lesiona a gestante, mas o feto


morre – lesão gravíssima por aborto.
-se o agente deseja o aborto e para tal agride a gestante – aborto
do 126.
-se o agente deseja acelerar o parto, mas não provoca lesões na
gestante, cabe atipicidade OU 132.

B) LESÃO GRAVÍSSIMA - § 2º SE RESULTA; I - Incapacidade permanente para o trabalho; II


- enfermidade incurável; III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV - deformidade
permanente; V - aborto:

-INCISO I - INCAPACIDADE PERMANENTE PARA O TRABALHO - a duvida que paira é se a


incapacidade deve atingir qualquer forma de trabalho remunerado OU se incidiria se in incapacitasse
a vítima para o seu trabalho rotineiro. DOLOSO ou CULPOSO.

1C) FRAGOSO - deve incapacitar para qualquer forma de trabalho.

2C) DAMASIO - segue a mesma linha do FRAGOSO, embora divida


o trabalho em genérico e específico.

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3C) BG - basta que incapacite para o trabalho que a pessoa exerce com
habitualidade, sob pena de inviabilizar a aplicação da qualificadora.
EX) violinista pode ser radialista, mas não foi treinado para isso.

-não incide a qualificadora se a pessoa não exerce atividade remunerada como uma criança.

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