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TCC Ensino Religioso

O Ensino Religioso é um componente curricular essencial para a formação ética e cidadã dos estudantes, promovendo valores como respeito à diversidade e cultura de paz. Este artigo analisa suas contribuições no contexto escolar contemporâneo, destacando a importância de uma abordagem não confessional e plural. Os resultados indicam que o Ensino Religioso fortalece o diálogo inter-religioso e a convivência democrática, sendo fundamental para uma educação inclusiva e socialmente comprometida.

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O Ensino Religioso é um componente curricular essencial para a formação ética e cidadã dos estudantes, promovendo valores como respeito à diversidade e cultura de paz. Este artigo analisa suas contribuições no contexto escolar contemporâneo, destacando a importância de uma abordagem não confessional e plural. Os resultados indicam que o Ensino Religioso fortalece o diálogo inter-religioso e a convivência democrática, sendo fundamental para uma educação inclusiva e socialmente comprometida.

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O ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUIÇÕES

PARA A FORMAÇÃO ÉTICA E CIDADÃ


Gizele Marcelino Terto
Educa Total – Pós-graduação em Ensino Religioso
Baía da Traição – PB, Brasil 2026

RESUMO
O Ensino Religioso, enquanto componente curricular da educação básica, desempenha
papel relevante na formação integral dos estudantes, especialmente no que se refere ao
desenvolvimento de valores éticos, ao exercício da cidadania e ao respeito à diversidade
religiosa e cultural. Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições do Ensino
Religioso para a formação ética e cidadã dos estudantes no contexto da escola contemporânea,
considerando seus fundamentos teóricos, legais e pedagógicos. Metodologicamente, trata-se
de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada em
autores clássicos e contemporâneos das áreas da educação, sociologia, filosofia e Ciências da
Religião, bem como em documentos legais que orientam essa prática no Brasil. Os resultados
indicam que o Ensino Religioso, quando desenvolvido a partir de uma perspectiva não
confessional, plural e dialógica, contribui significativamente para o fortalecimento do diálogo
inter-religioso, para a promoção da cultura de paz, para o desenvolvimento do pensamento
crítico, para a valorização da dignidade humana e para a consolidação da convivência
democrática no ambiente escolar. Conclui-se que esse componente curricular possui elevado
potencial formativo, constituindo-se como espaço pedagógico essencial para a construção de
uma educação ética, inclusiva, democrática e socialmente comprometida.
Palavras-chave: Ensino Religioso. Ética. Cidadania. Diversidade religiosa. Educação
integral.

1
1 INTRODUÇÃO
A escola contemporânea enfrenta desafios cada vez mais complexos relacionados à
formação integral dos estudantes. Inserida em uma sociedade marcada pela pluralidade
cultural, religiosa, social e ideológica, a instituição escolar é constantemente convocada a
repensar suas práticas pedagógicas, de modo a atender não apenas às demandas cognitivas,
mas também às dimensões ética, moral, social e cidadã da formação humana. O crescimento
de discursos de intolerância, preconceito, exclusão social e violência simbólica evidencia a
urgência de uma educação comprometida com valores humanizadores e democráticos.
Nesse cenário, o Ensino Religioso emerge como um componente curricular de
significativa relevância pedagógica, pois se propõe a estudar o fenômeno religioso enquanto
manifestação histórica, cultural e social da humanidade. Diferentemente de abordagens
confessionais ou catequéticas, o Ensino Religioso escolar, conforme orientações legais
brasileiras, fundamenta-se no respeito à laicidade do Estado, à liberdade de crença e à
diversidade religiosa presente na sociedade brasileira.
Libâneo (2013) compreende a educação como prática social intencional, voltada para
a formação de sujeitos críticos, conscientes e participativos. Sob essa perspectiva, o Ensino
Religioso contribui de forma expressiva ao abordar temas relacionados aos valores humanos,
ao sentido da vida, à ética, à moral e à cidadania, favorecendo o desenvolvimento de uma
consciência crítica e reflexiva nos estudantes.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece o Ensino Religioso como
componente curricular comprometido com os direitos humanos, a diversidade cultural e
religiosa e a promoção da cultura de paz. Assim, esse componente assume papel estratégico
na construção de uma educação inclusiva, democrática e humanizadora, alinhada às demandas
da sociedade contemporânea.
Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo analisar de maneira aprofundada
as contribuições do Ensino Religioso para a formação ética e cidadã dos estudantes,
articulando fundamentos teóricos, legais e pedagógicos, bem como discutindo seus impactos
no contexto da escola contemporânea.
1.1 Problema de pesquisa:
De que maneira o Ensino Religioso, desenvolvido a partir de uma perspectiva não
confessional e plural, contribui para a formação ética e cidadã dos estudantes no contexto da
escola contemporânea?

2
1.2 Objetivo do estudo:
Analisar as contribuições do Ensino Religioso para a formação ética e cidadã dos estudantes,
considerando seus fundamentos legais, teóricos e pedagógicos no contexto da escola
contemporânea.

2 FUNDAMENTACÃO TEÓRICA
2.1 O Ensino Religioso na Educação Brasileira: Aspectos Históricos e Legais
O Ensino Religioso possui uma trajetória histórica significativa na educação brasileira,
estando presente desde o período colonial, inicialmente vinculado às práticas catequéticas
desenvolvidas pelos jesuítas. Nesse contexto histórico, a educação escolar encontrava-se
fortemente associada à evangelização e à formação moral orientada por uma tradição religiosa
específica, o que refletia a organização social e política da época.
Com o avanço do processo de secularização, a proclamação da República e a
consolidação do Estado laico, o Ensino Religioso passou por um processo gradual de
ressignificação. A Constituição Federal de 1988 reafirma o princípio da laicidade do Estado
brasileiro, assegurando a liberdade religiosa e o respeito à diversidade de crenças, ao mesmo
tempo em que garante a oferta facultativa do Ensino Religioso nas escolas públicas de ensino
fundamental.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) estabelece que
o Ensino Religioso deve ser ofertado sem caráter proselitista, respeitando a diversidade
cultural e religiosa do país. Para Junqueira (2015), esse marco legal representa um avanço
significativo ao reconhecer o Ensino Religioso como área do conhecimento, dotada de objeto
de estudo próprio, fundamentos pedagógicos específicos e finalidades educativas claramente
definidas.
2.2 Ensino Religioso como Área do Conhecimento
O reconhecimento do Ensino Religioso como área do conhecimento implica
compreendê-lo como um campo interdisciplinar que dialoga com a antropologia, a sociologia,
a filosofia, a história e as Ciências da Religião. Tal perspectiva amplia sua função educativa,
afastando-o de práticas doutrinárias e aproximando-o de uma abordagem científica, reflexiva
e pedagógica.
Segundo Junqueira (2015), o Ensino Religioso contribui para a formação integral do
estudante ao possibilitar a compreensão das manifestações religiosas como expressões
culturais e históricas da humanidade. Essa abordagem favorece o desenvolvimento do

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pensamento crítico, da empatia e da valorização da diversidade cultural e religiosa, aspectos
essenciais para a convivência democrática.
Além disso, o Ensino Religioso promove a compreensão do fenômeno religioso como
dimensão constitutiva da experiência humana, auxiliando o estudante a refletir sobre questões
existenciais, éticas e sociais que atravessam diferentes culturas e períodos históricos.
2.3 Ética, Moral e Cidadania na Formação Escolar
A ética refere-se aos princípios que orientam as ações humanas, enquanto a moral diz
respeito aos valores construídos socialmente ao longo da história. A cidadania, por sua vez,
relaciona-se ao exercício consciente de direitos e deveres no contexto social. A escola
desempenha papel central na construção dessas dimensões formativas.
Durkheim (1978) compreende a educação como fato social responsável pela
transmissão de valores coletivos necessários à coesão social. Nesse sentido, o Ensino
Religioso contribui para a formação ética ao promover reflexões sobre valores universais,
como solidariedade, justiça social, respeito mútuo, responsabilidade coletiva e dignidade
humana.
Paulo Freire (1996) defende que a educação deve ser um processo dialógico, crítico e
emancipador. Aplicado ao Ensino Religioso, esse pressuposto reforça a importância de
práticas pedagógicas que promovam a reflexão crítica, o diálogo intercultural e a consciência
ética, contribuindo para a formação de cidadãos comprometidos com a transformação social e
com a defesa dos direitos humanos.
2.4 Diversidade Religiosa, Cultura de Paz e Direitos Humanos
A diversidade religiosa constitui uma das marcas centrais da sociedade brasileira
contemporânea, resultado de processos históricos, culturais, migratórios e de resistência social
que atravessaram séculos. Povos indígenas originários, populações africanas escravizadas,
colonizadores europeus e, posteriormente, fluxos migratórios asiáticos e do Oriente Médio
contribuíram para a constituição de um mosaico religioso plural, complexo e dinâmico.
Nesse cenário, a escola assume papel estratégico na mediação dos conflitos simbólicos
e culturais decorrentes dessa diversidade. O Ensino Religioso, ao tratar o fenômeno religioso
de forma pedagógica e não confessional, contribui para a desconstrução de estigmas,
preconceitos e práticas discriminatórias historicamente enraizadas no tecido social brasileiro.
Boff (2002) destaca que o diálogo inter-religioso é condição essencial para a
construção de uma ética global fundamentada no cuidado, na solidariedade e na dignidade
humana. Para o autor, a convivência pacífica entre diferentes crenças pressupõe
reconhecimento mútuo, escuta sensível e compromisso ético com a vida em todas as suas

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dimensões.
Morin (2000) ressalta que a educação deve preparar os sujeitos para lidar com a
complexidade do mundo contemporâneo, reconhecendo a diversidade cultural e religiosa
como elemento constitutivo da humanidade. Aplicado ao Ensino Religioso, esse pensamento
reforça a necessidade de práticas pedagógicas que valorizem o diálogo, a compreensão do
outro e a superação de visões simplistas e excludentes.
Candau (2012) enfatiza que a educação intercultural é fundamental para o
enfrentamento de preconceitos, discriminações e intolerâncias. Segundo a autora, a escola
deve assumir um compromisso explícito com a valorização da diversidade e com a promoção
dos direitos humanos. Nesse sentido, o Ensino Religioso contribui para a construção da
cultura de paz, ao estimular atitudes de respeito, empatia, cooperação e convivência
democrática no espaço escolar.
2.5 Ensino Religioso e Laicidade do Estado
A laicidade do Estado brasileiro constitui um princípio fundamental assegurado pela
Constituição Federal de 1988, garantindo a liberdade de crença e a igualdade entre as
diferentes manifestações religiosas. No âmbito educacional, esse princípio orienta a
organização do Ensino Religioso escolar, que deve ser ofertado de forma não confessional e
sem práticas proselitistas.
Saviani (2011) destaca que a laicidade não implica a negação do fenômeno religioso,
mas o reconhecimento de sua importância histórica, cultural e social, desde que abordado de
forma crítica e científica. Nesse sentido, o Ensino Religioso contribui para a compreensão do
papel das religiões na organização das sociedades, sem privilegiar uma tradição específica.
Max Weber (2004), ao analisar a relação entre religião e sociedade, demonstra que as
crenças religiosas influenciam valores, comportamentos e estruturas sociais. A abordagem
weberiana permite compreender o fenômeno religioso como objeto legítimo de estudo no
espaço escolar, desde que respeitados os princípios da laicidade e da pluralidade.
2.6 Ensino Religioso e Formação Docente
A qualidade do Ensino Religioso está diretamente relacionada à formação docente.
Professores bem preparados, com fundamentação teórica sólida e compreensão crítica do
fenômeno religioso, são essenciais para garantir uma prática pedagógica coerente com os
princípios legais e educacionais.
Berger (1985) compreende a religião como construção social, produzida e reproduzida
nas interações humanas. Tal perspectiva contribui para a formação docente ao possibilitar
uma abordagem crítica e contextualizada do fenômeno religioso, evitando práticas dogmáticas

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ou confessionais.
Geertz (1989) define a religião como um sistema simbólico que orienta significados e
práticas culturais. Essa concepção amplia a compreensão do Ensino Religioso como espaço
de análise cultural, favorecendo práticas pedagógicas que dialoguem com a realidade
sociocultural dos estudantes.
Saviani (2011) ressalta que a formação docente deve articular teoria e prática,
garantindo ao professor condições de compreender criticamente o currículo e suas finalidades
educativas. Assim, a formação continuada em Ensino Religioso é indispensável para
assegurar uma prática pedagógica ética, democrática e alinhada aos princípios da educação
integral.
2.7 O Ensino Religioso e a Construção de Competências Socioemocionais
No contexto educacional contemporâneo, a formação de competências
socioemocionais tem sido amplamente debatida como elemento essencial para o
desenvolvimento integral dos estudantes. Essas competências envolvem habilidades como
empatia, cooperação, autorregulação emocional, respeito às diferenças, responsabilidade
social e capacidade de resolução pacífica de conflitos. O Ensino Religioso, ao abordar valores
humanos universais e promover o diálogo intercultural, contribui significativamente para o
desenvolvimento dessas competências no ambiente escolar.
De acordo com a BNCC, a educação básica deve assegurar o desenvolvimento de
competências que permitam ao estudante agir com autonomia, responsabilidade, flexibilidade
e ética nas diferentes situações da vida social. Nesse sentido, o Ensino Religioso favorece
espaços de escuta, reflexão e diálogo, nos quais os estudantes são convidados a compreender
diferentes visões de mundo, exercitar o respeito mútuo e reconhecer a dignidade humana
como valor fundamental.
Ao analisar narrativas religiosas, símbolos, rituais e tradições culturais diversas, o
estudante desenvolve sensibilidade para lidar com emoções, crenças e valores distintos dos
seus, fortalecendo atitudes empáticas e solidárias. Essa dimensão formativa contribui para a
redução de conflitos, para a promoção de relações mais justas e para o fortalecimento do
clima escolar, aspectos indispensáveis para a convivência democrática.
Além disso, o Ensino Religioso possibilita o desenvolvimento da consciência
emocional e social ao estimular reflexões sobre o sentido da vida, a finitude humana, o
sofrimento, a solidariedade e a responsabilidade ética. Tais reflexões favorecem o
amadurecimento emocional dos estudantes e ampliam sua capacidade de compreensão das

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próprias emoções e das emoções do outro, contribuindo para a formação de sujeitos mais
equilibrados e socialmente responsáveis.)
2.8 Ensino Religioso, Identidade e Formação do Sujeito
A construção da identidade pessoal e social constitui um processo contínuo, marcado
pelas experiências culturais, familiares, religiosas e educacionais vivenciadas ao longo da
vida. No ambiente escolar, o Ensino Religioso contribui significativamente para esse processo
ao oferecer aos estudantes oportunidades de reflexão sobre si mesmos, sobre o outro e sobre o
mundo, favorecendo a construção de identidades pautadas no respeito, na autonomia e na
responsabilidade ética.
Ao abordar diferentes tradições religiosas e sistemas simbólicos, o Ensino Religioso
permite que o estudante reconheça a pluralidade de sentidos atribuídos à existência humana,
ao sagrado e à vida em sociedade. Esse contato com a diversidade contribui para o
fortalecimento da identidade individual, ao mesmo tempo em que promove o reconhecimento
da alteridade como valor fundamental para a convivência democrática.
Segundo Berger (1985), a religião exerce papel relevante na construção social da
realidade, influenciando valores, normas e formas de interpretação do mundo. No contexto
educacional, essa compreensão possibilita ao estudante desenvolver uma visão crítica sobre as
influências religiosas na sociedade, sem assumir posturas dogmáticas ou excludentes. Dessa
forma, o Ensino Religioso contribui para a formação de sujeitos conscientes de sua identidade
cultural e capazes de dialogar respeitosamente com diferentes perspectivas.
2.9 O Ensino Religioso como Espaço de Mediação de Conflitos e Promoção do Diálogo
A escola contemporânea é um espaço marcado pela diversidade de crenças, valores e
visões de mundo, o que pode gerar conflitos simbólicos e tensões nas relações interpessoais.
Nesse contexto, o Ensino Religioso assume função mediadora ao promover o diálogo, a
escuta ativa e a resolução pacífica de conflitos, fundamentando-se em princípios éticos e
democráticos.
A abordagem pedagógica do fenômeno religioso possibilita a problematização de
situações de intolerância, preconceito e discriminação, contribuindo para a desconstrução de
estigmas historicamente construídos. Ao incentivar o diálogo inter-religioso e intercultural, o
Ensino Religioso favorece a construção de relações pautadas no respeito mútuo e na
valorização da dignidade humana.
Morin (2000) destaca que a educação deve preparar os sujeitos para lidar com a
complexidade e com as incertezas do mundo contemporâneo. Aplicado ao Ensino Religioso,
esse pressuposto reforça a necessidade de práticas pedagógicas que promovam a compreensão

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do outro, a empatia e a cooperação, contribuindo para a formação de cidadãos comprometidos
com a cultura de paz.)

3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica,
cujo objetivo é analisar criticamente as contribuições do Ensino Religioso para a formação
ética e cidadã. A pesquisa bibliográfica fundamenta-se na análise sistemática de livros, artigos
científicos, dissertações, teses e documentos oficiais relacionados ao Ensino Religioso, à
educação, à ética, à cidadania e aos direitos humanos.
Segundo Severino (2007), a pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador estabelecer
um diálogo crítico com diferentes produções teóricas, possibilitando uma compreensão
aprofundada do objeto de estudo. As fontes foram selecionadas a partir de critérios de
relevância acadêmica, reconhecimento científico dos autores e pertinência temática.
A análise dos dados ocorreu por meio de leitura exploratória, analítica e interpretativa,
buscando identificar categorias conceituais, convergências teóricas e contribuições relevantes
para a compreensão do papel do Ensino Religioso na formação ética e cidadã dos estudantes.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos referenciais teóricos evidencia que o Ensino Religioso possui elevado
potencial formativo no contexto da escola contemporânea, sobretudo no que se refere à
construção de valores éticos, ao fortalecimento da cidadania e à promoção da convivência
democrática. Os autores analisados convergem ao afirmar que esse componente curricular,
quando desenvolvido de forma plural, crítica e não confessional, contribui significativamente
para a formação integral dos estudantes.
Junqueira (2015) destaca que o Ensino Religioso favorece a compreensão do
fenômeno religioso como expressão cultural, histórica e simbólica da humanidade. Ao
reconhecer as religiões como produções humanas situadas em contextos específicos, o
estudante amplia seu repertório cultural e desenvolve maior sensibilidade para compreender
diferentes visões de mundo, superando leituras estereotipadas e preconceituosas.
Freire (1996) ressalta que a educação deve ser um ato dialógico e emancipador, capaz
de promover a conscientização e o desenvolvimento do pensamento crítico. Nesse sentido, o
Ensino Religioso, ao problematizar questões relacionadas aos valores humanos, ao sentido da

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vida, às relações sociais e às desigualdades presentes na sociedade, contribui para a formação
de sujeitos críticos, participativos e comprometidos com a transformação social.
Durkheim (1978) enfatiza que a transmissão de valores coletivos é essencial para a
coesão social. O Ensino Religioso desempenha esse papel ao promover reflexões sistemáticas
sobre ética, solidariedade, justiça social e responsabilidade coletiva, fortalecendo o senso de
pertencimento social e o compromisso ético dos estudantes com a vida em sociedade.
Autores como Boff (2002) e Morin (2000) reforçam que o diálogo inter-religioso, a
ética do cuidado e o reconhecimento da complexidade humana são fundamentais para a
construção de uma cultura de paz. O Ensino Religioso, ao valorizar a diversidade religiosa e
cultural, contribui para a formação de atitudes pautadas na tolerância, no respeito mútuo, na
empatia e na dignidade humana.
Os resultados desta análise indicam, portanto, que o Ensino Religioso, quando
fundamentado em princípios pedagógicos sólidos e alinhado às orientações legais, atua como
espaço privilegiado de reflexão ética e cidadã, favorecendo a construção de práticas
educativas comprometidas com a democracia, os direitos humanos e a justiça social no
ambiente escolar.
A partir da análise dos referenciais teóricos, observa-se que o Ensino Religioso
apresenta implicações pedagógicas relevantes para a prática docente e para a organização do
currículo escolar. Quando desenvolvido de forma planejada, crítica e não confessional, esse
componente curricular possibilita a articulação entre conhecimentos conceituais,
procedimentais e atitudinais, ampliando o alcance formativo da educação básica.
Entre as principais implicações pedagógicas, destaca-se a utilização de metodologias
ativas, como rodas de diálogo, estudos de caso, análise de narrativas culturais e projetos
interdisciplinares. Tais estratégias favorecem a participação ativa dos estudantes, estimulam o
pensamento crítico e promovem a construção coletiva do conhecimento, em consonância com
os pressupostos da educação democrática.
Além disso, o Ensino Religioso contribui para o fortalecimento de práticas
pedagógicas comprometidas com a educação em direitos humanos, ao problematizar temas
como intolerância religiosa, discriminação, exclusão social e violência simbólica. Essas
discussões possibilitam ao estudante compreender a realidade social de forma crítica,
reconhecendo-se como sujeito histórico capaz de intervir de maneira ética e responsável no
meio em que vive.
Observa-se, portanto, que o Ensino Religioso atua como espaço privilegiado de
reflexão ética e cidadã, promovendo aprendizagens significativas que extrapolam o domínio

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cognitivo e alcançam dimensões sociais, emocionais e morais da formação humana.)
4.1 Desafios e Possibilidades do Ensino Religioso na Escola Contemporânea
Apesar de seu elevado potencial formativo, o Ensino Religioso enfrenta desafios
significativos no contexto da escola contemporânea. Entre eles, destacam-se a formação
insuficiente de professores, a persistência de práticas confessionais inadequadas e a
resistência de parte da comunidade escolar quanto à compreensão de seu caráter pedagógico e
não proselitista.
A formação docente constitui um dos principais desafios para a consolidação de um
Ensino Religioso alinhado aos princípios da laicidade e da pluralidade. Professores sem
formação específica tendem a reproduzir abordagens reducionistas ou dogmáticas,
comprometendo os objetivos educativos desse componente curricular. Nesse sentido, a
formação inicial e continuada torna-se condição indispensável para a qualidade da prática
pedagógica.
Por outro lado, observa-se um conjunto de possibilidades que reforçam a relevância do
Ensino Religioso na educação básica. A ampliação de políticas públicas voltadas à educação
em direitos humanos, a valorização da diversidade cultural e religiosa e a incorporação de
metodologias participativas representam avanços importantes para o fortalecimento desse
campo do conhecimento.
Assim, ao enfrentar seus desafios e potencializar suas possibilidades, o Ensino
Religioso reafirma seu papel como componente curricular estratégico para a formação ética,
cidadã e democrática dos estudantes.)

5 CONCLUSÃO
Este estudo possibilitou compreender, de forma aprofundada, crítica e reflexiva, as
contribuições do Ensino Religioso para a formação ética e cidadã dos estudantes no contexto
da escola contemporânea. A ampliação da revisão bibliográfica e a análise dos referenciais
teóricos evidenciaram que esse componente curricular, quando fundamentado em princípios
pedagógicos pluralistas, não confessionais e dialógicos, desempenha papel central na
formação integral do educando.
Os autores analisados demonstram que o Ensino Religioso promove reflexões
consistentes sobre valores universais, como respeito, solidariedade, justiça social, empatia,
responsabilidade coletiva e dignidade humana. Ao abordar o fenômeno religioso como

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expressão cultural, histórica e social da humanidade, contribui para a compreensão crítica da
diversidade de crenças e visões de mundo, fortalecendo a convivência democrática e o
diálogo intercultural no espaço escolar.
Além disso, evidencia-se que o Ensino Religioso possui potencial significativo para a
promoção da cultura de paz e da educação em direitos humanos, ao estimular práticas
pedagógicas comprometidas com o enfrentamento da intolerância religiosa, do preconceito e
da exclusão social. Nesse sentido, reafirma-se sua relevância como componente curricular
alinhado às demandas contemporâneas da educação básica.
Conclui-se, portanto, que o Ensino Religioso constitui um campo do conhecimento
essencial para a construção de uma educação ética, cidadã e humanizadora, reafirmando sua
importância no currículo escolar e sua contribuição efetiva para a formação de sujeitos
críticos, conscientes e comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa, plural e
democrática.

REFERÊNCIAS
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São Paulo: Paulus, 1985.
BOFF, Leonardo. Ética da vida. Brasília: Letraviva, 2002.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996.
CANDAU, Vera Maria. Educação intercultural e diversidade cultural. Petrópolis:
Vozes, 2012.
DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São
Paulo: Paz e Terra, 1996.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
JUNQUEIRA, Sérgio Rogério Azevedo. Ensino Religioso: aspectos legais e
pedagógicos. São Paulo: Paulus, 2015.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 2013.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez,
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SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 2011.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez,

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2007.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das
Letras, 2004.

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