PERFIL DA PRODUÇÃO AQUÍCOLA DO BRASIL
Andrea Elena Pizarro Muñoz
Pesquisadora Embrapa Pesca e Aquicultura
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Roberto Manolio Valladão Flores
Pesquisador Embrapa Pesca e Aquicultura
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Manoel Xavier Pedroza Filho
Pesquisador Embrapa Pesca e Aquicultura
[Link]@[Link]
Grupo de Pesquisa 2: Economia e Gestão no Agronegócio
Resumo
A aquicultura no Brasil é uma atividade recente e em franca expansão. O país possui uma
série de condições favoráveis ao desenvolvimento do setor, que conta ainda com demanda
doméstica e externa crescentes. Entretanto, alguns gargalos persistem, como a insuficiência de
dados econômicos agregados e ao nível da propriedade aquícola. A informação qualificada é
fundamental para o processo de tomada de decisão do produtor e também para subsidiar as
políticas públicas em temas como seguros, crédito, políticas de fomento, licenciamento
ambiental, pesquisa, transferência de tecnologia e assistência técnica.
O presente trabalho se propõe a delinear um perfil da produção aquícola no Brasil através do
levantamento de informações gerenciais de pólos aquícolas no país, no qual é caracterizada a
propriedade aquícola típica de cada pólo selecionado e são levantados os custos de produção
de aquicultura e coeficientes zootécnicos junto aos produtores, utilizando a metodologia de
painel. Posteriormente, os pólos são monitorados, por meio da atualização mensal dos custos
de insumos e preços de mercado praticados nas regiões selecionadas, o que servirá de base
para a construção de significativa base de dados do setor, beneficiando todos os elos da
cadeia produtiva.
Palavras-chave: aquicultura, custos, produção, rentabilidade
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Abstract
Aquaculture in Brazil is a recent activity and booming. The country has a number of favorable
conditions for the development of the sector, which also includes increasing domestic and
external demand. However, some bottlenecks persist, as the lack of aggregated economic data
as well as economic data at the level of aquaculture property. The quality of information is
essential to the decision-making process of the producer and also to support public policies on
issues such as insurance, credit, development policies, environmental licensing, research,
technology transfer and technical assistance.
This paper aims to outline a profile of aquaculture production in Brazil by collecting
management information in selected aquaculture centers in the country. The typical
aquaculture property of each selected pole is described and aquaculture production costs, and
zoo technical coefficients are gathered along with producers using the panel methodology.
Subsequently, the poles are monitored through monthly update of input costs and market
prices in the selected regions, which is expected to be the basis for the construction of a
meaningful database for the sector, in benefit of all actors in the production chain.
Key words: aquaculture , costs, , production, profitability
1. INTRODUÇÃO
A aquicultura é a atividade de produção de alimentos que mais cresce no mundo (FAO
2014), sendo a proteína animal mais produzida e consumida no planeta e possui um papel
importante na segurança alimentar e redução da pobreza de muitos países emergentes, além
de contribuir para atenuar a pressão ambiental sobre os estoques pesqueiros. O comércio de
pescado é o maior negócio global entre todas as proteínas animais no mundo, superando as
grandes commodities animais: carnes bovina, suína e de aves. Segundo o Rabobank, maior
banco do setor de alimentos e agronegócios do mundo, apenas em 2014 foram movimentados
mais de US$ 140 bilhões em compras e vendas de pescado, montante que dobrou nos últimos
cinco anos.
No Brasil, a aquicultura é um setor relativamente novo e apresenta grandes
perspectivas de expansão devido a uma série de condições favoráveis ao seu florescimento,
como a vasta área territorial (8,5 milhões de km2 ), farta disponibilidade de água doce (12%
das reservas mundiais), extensa orla marítima (8.698km), condições climáticas propícias,
grande produção de grãos, principal matéria-prima das rações e mercado consumidor
crescente.
Por outro lado, até mesmo por seu desenvolvimento recente, as cadeias produtivas do
setor encontram-se muito menos organizadas que outras cadeias de proteína animal no país,
como bovinocultura, suinocultura e avicultura. Estas cadeias se concentraram em uma espécie
principal, tornando-as commodities, o que, junto a outros fatores impulsionou a consolidação
da competitividade brasileira, inserindo o país como grande player mundial. Já na aquicultura,
cerca de 40 espécies de pescado são cultivadas comercialmente no Brasil, entre marinhas e
continentais, cada uma com suas necessidades específicas quanto a sistema de produção,
nutrição, reprodução, sanidade etc. o que dificulta a padronização de processos, investimento
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em pacotes tecnológicos e consequentemente o ganho de escala e redução de custos de
produção.
Pelas razões elencadas, a falta de informação econômica agregada e ao nível da
propriedade constitui um dos gargalos mais importantes no setor da aquicultura,
especialmente em países em desenvolvimento (Flores & Pedroza Filho, 2014). Este tipo de
informação é fundamental para o processo de tomada de decisão do produtor e também para
subsidiar as políticas públicas em temas como seguros, crédito, políticas de fomento,
licenciamento ambiental, pesquisa, transferência de tecnologia e assistência técnica.
2. PANORAMA DA AQUICULTURA BRASILEIRA
A produção aquícola nacional tem registrado taxas de crescimento sustentado ao longo
do tempo, apresentando um aumento de 31,2% na produção anual no período entre 2008 e
2010, segundo dados do Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA). O setor vem recebendo
suporte de diversas ações governamentais tais como fomento, políticas públicas e pesquisa, a
exemplo da criação do próprio ministério em 2009.
A participação brasileira na aquicultura mundial é de cerca de 0,8% (FAO 2014),
assim como também é baixo o consumo per capita de pescado no país, atualmente estimado
em cerca de 10 kg anuais, comparado ao consumo médio mundial por pessoa, de
aproximadamente 19 kg por ano. Considerando a previsão de aumento populacional mundial
para 8,3 bilhões de pessoas em 2030, a FAO projeta que serão necessários no mínimo 23
milhões de toneladas adicionais para se manter a média de consumo per capita atual naquele
ano, aumento este que deverá ser suprido essencialmente pela aquicultura e que pode
contribuir para melhorar a inserção do Brasil no mercado internacional.
Desde 2006 o saldo da balança comercial de pescado no Brasil vem apresentando
déficits cada vez maiores, principalmente devido ao crescimento do valor importado. Embora
as exportações tenham apresentado ligeira queda nos últimos 8 anos, foi o crescimento das
importações que elevou o déficit para pouco mais de um bilhão de dólares em 2013.
O crescimento da renda da população no Brasil, onde 35 milhões de pessoas
ascenderam à classe média nos últimos anos, classificação que em 2013 já abrigava 108
milhões de pessoas, aliado a uma maior procura por alimentos saudáveis, vem elevando o
consumo de pescado no país. Apesar do contínuo crescimento, a produção aquícola brasileira
não tem se mostrado suficiente para atender a alta da demanda por essa proteína. Dessa forma,
o Brasil precisa comprar o pescado do exterior, principalmente do Chile, China, Noruega,
Argentina e Portugal. Esses países oferecem espécies amplamente aceitas pelo consumidor
brasileiro, mas que não são produzidas internamente como salmão e bacalhau, por exemplo.
Outro fator que possui influência sobre a balança comercial de pescado é a taxa de
câmbio. Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil (Bacen) vinha realizando políticas
cambiais não permitindo uma grande desvalorização do real, principalmente através do swap
cambial no mercado financeiro. Essa política foi importante para a economia, principalmente
devido ao controle da inflação, mas, por outro lado, prejudicou a balança comercial, pois
elevou os preços das commodities brasileiras e incentivou a importação de bens substitutos.
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Para o pescado não foi diferente. Entre 2006 e 2010, período que apresenta o maior
crescimento do déficit da balança comercial de pescado, a taxa de câmbio (real/dólar) foi
reduzida de R$ 2,18 para R$ 1,76. Já a partir de 2011, o real se desvalorizou e a taxa de
câmbio passou de R$ 1,68 para R$ 2,15 em 2013. Essa desvalorização da moeda brasileira foi
acompanhada por uma forte desaceleração no crescimento do déficit da balança comercial
brasileira de pescado.
Balança Comercial Brasileira de Pescado (US$ milhões)
Fonte: MDIC (formulação própria).
Taxa de Câmbio (Real/Dólar) x Balança Comercial de Pescado no Brasil
Fonte: MDIC e IPEADATA (formulação própria).
A resposta do resultado da balança comercial de pescado ao movimento da taxa de
câmbio pode representar uma melhora significativa no saldo para os próximos anos. Se
confirmadas, essas projeções de continuidade de desvalorização do real devem reduzir o
déficit da balança comercial do pescado no Brasil, ou pelo menos desacelerar o ritmo de
crescimento das importações. Por outro lado, é necessário considerar o impacto sobre a
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importação de insumos utilizados na aquicultura, bem como o desempenho econômico dos
mercados consumidores de pescado brasileiro, com destaque para os Estados Unidos, maiores
compradores.
Perfil da produção aquícola nacional
Em 2013, a produção nacional de peixe em cativeiro atingiu 392.493 mil toneladas,
enquanto a carcinicultura atingiu 64.669 t e a malacocultura 19.360 t, segundo Pesquisa
Pecuária Municipal, que pela primeira vez incluiu dados de aquicultura (IBGE 2014),
resultando em uma produção aquícola total de 476.522 toneladas equivalentes a mais de R$ 3
bilhões, como mostrado na tabela abaixo. Entre os peixes, a espécie mais cultivada no país foi
a tilápia, com 43,1% da produção piscícola nacional, seguida pelo tambaqui e seus híbridos –
tambacu e tambatinga (38%). A título de comparação, a produção aquícola apurada pelo
IBGE no último Censo Agropecuário, de 2006, atingiu 181.798 toneladas naquele ano, o que
configura um crescimento de 162% entre 2006 e 2013.
Tabela 1 – Quantidade e valor dos produtos da aquicultura 2013
Quantidade produzida valor (R$1000)
% qtde % valor
2013 piscicultura 2013 aquicultura
Piscicultura R$ 2.150.368 70,38
Total de peixes (t) 392.493 100,00 R$ 2.020.922 66,15
Tilápia (t) 169.306 43,14 R$ 100.731 3,30
Tambaqui, Tambacu e Tambatinga (t) 149.182 38,01 R$ 18.713 0,61
Carpa (t) 18.837 4,80 R$ 1.932 0,06
Pintado, Cachara, Cachapira e Pintachara, Surubim (t) 15.715 4,00 R$ 5.316 0,17
Pacu e Patinga (t) 13.653 3,48 R$ 1.598 0,05
Matrinxã (t) 5.486 1,40 R$ 36.302 1,19
Pirapitinga (t) 4.766 1,21 R$ 77.627 2,54
Piau, Piapara, Piauçu e Piava (t) 3.793 0,97 R$ 25.632 0,84
Outros peixes (t) 3.170 0,81 R$ 127.019 4,16
Curimatã, Curimbatá (t) 2.774 0,71 R$ 27.837 0,91
Pirarucu (t) 2.301 0,59 R$ 21.591 0,71
Traíra e Trairão (t) 1.155 0,29 R$ 772.205 25,27
Truta (t) 957 0,24 R$ 766.251 25,08
Jatuarana, Piabanha e Piracanjuba (t) 855 0,22 R$ 6.611 0,22
Lambari (t) 256 0,07 R$ 10.640 0,35
Tucunaré (t) 147 0,04 R$ 1.335 0,04
Dourado (t) 139 0,04 R$ 19.582 0,64
Alevinos (1 000 unidades) 818.850 R$ 129.446 4,24
Carcinicultura R$ 841.234 27,53
Camarão (t) 64.669 R$ 765.014 25,04
Larvas e pós-larvas (1 000 unidades) 11.179 R$ 76.220 2,49
Malacocultura R$ 59.361 1,94
Ostras, vieiras e mexilhões (t) 19.360 R$ 58.048 1,90
Sementes de moluscos (1 000 unidades) 67 R$ 1.313 0,04
Outros animais da aquicultura R$ 4.287 0,14
Total da aquicultura 476.522 R$ 3.055.250 100,00
Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal 2014.
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É possível observar diferenças regionais na produção de espécies de pescado. Na
região Norte predominam peixes nativos como o tambaqui e seus híbridos. No Nordeste, os
mais principais produtos são os exóticos tilápia e camarão marinho. A tilápia exerce forte
presença na aquicultura do Sudeste, assim como no Sul, onde há outras espécies exóticas
expressivas como carpas e ostras e os nativos mexilhões. Os nativos tambaqui e híbridos,
pacu e pintado são destaque no Centro-Oeste.
Esta distribuição da produção aquícola ao longo do país refletiu-se nos dados
pesquisados pelo IBGE. Na piscicultura, a região Centro-Oeste ocupou a primeira posição,
respondendo por 26,8% desse resultado. Em seguida, apareceram as regiões Sul (22,4%),
Nordeste (19,5%), Norte (18,6%) e Sudeste (12,8%).
No Centro-Oeste encontrava-se o maior estado produtor aquícola nacional – Mato
Grosso, com 19% de participação na produção nacional.
3. METODOLOGIA DO LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS DE
PÓLOS AQUÍCOLAS NO BRASIL
O vasto potencial do setor aquícola brasileiro e a contribuição ao suprimento da lacuna
de informações gerenciais qualificadas que auxiliem na tomada de decisão do piscicultor e na
formulação de políticas públicas para o setor tendo como objetivo último alavancar o
crescimento da aquicultura no país constituíram as justificativas para a elaboração do projeto
de levantamento de informações gerenciais de pólos aquícolas no Brasil, cuja execução teve
início em 2014.
Através do projeto, caracteriza-se a propriedade aquícola modal (típica) de uma
determinada região, selecionada entre os pólos produtores mais representativos do país.
Também são levantados os custos de produção no pólo em questão. Estas informações são
coletadas em reunião técnica denominada painel, que congrega piscicultores, técnicos e
fornecedores (em geral entre 6 e 12 pessoas), e é moderada por profissionais das instituições
que promovem o projeto. Durante a reunião, através de debate e consenso, os moderadores
questionam os participantes sobre dados técnicos e econômicos do sistema de produção
predominante, como estrutura das propriedades, investimentos, tipo de produção, índices
zootécnicos, gastos com insumos, entre outros, registrando tais informações em planilha
eletrônica desenvolvida especificamente para este fim.
Ao final da reunião, pode-se afirmar que toda a caracterização da propriedade típica da
região tem o aval dos produtores rurais. Com isso, os índices de produtividade, custos de
implantação, custos fixos e variáveis, ou seja, todos os indicadores resultantes do painel
tendem a ser bastante próximos da realidade regional e proporcionam um panorama sobre o
desempenho e rentabilidade da atividade na região.
É importante destacar que os índices e custos declarados por cada participante não
estarão relacionados com as suas respectivas propriedades, mas sim, com uma única,
declarada no início do painel como aquela que representa melhor o tamanho e o sistema de
produção da maioria das propriedades locais. Entretanto, o resultado não permite extrair
inferências estatísticas, devido ao reduzido tamanho amostral.
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Além disso, uma vez que a metodologia é aplicada em várias regiões de produção, é
possível comparar a viabilidade econômica de espécies diferentes em várias zonas
geográficas. Este procedimento é utilizado na comparação internacional de indicadores em
outras cadeias produtivas, através da metodologia Agribenchmark.
Após a realização dos painéis, os custos de insumos e preços de mercado continuam a
ser monitorados através de atualização mensal de planilha de acompanhamento com
produtores e fornecedores da cadeia. Deste modo, ao longo do tempo a meta é construir base
de dados consistente de informações gerenciais de um número cada vez maior de pólos
aquícolas espalhados pelo país e abrangendo um número cada vez maior de espécies, que
servirão para elaborar séries históricas e análises divulgadas aos participantes dos painéis e ao
setor aquícola em geral través de boletins e publicações online.
Indicadores econômico-financeiros
A metodologia de levantamento de custos de produção empregada baseia-se no
conceito de Custo Operacional Efetivo utilizada pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e
descrita por Matsunaga et al, 1976, amplamente usada na literatura econômica, porém
adaptada às especificidades do setor aquícola. Assim, foram definidos os seguintes
componentes de custos:
Custo operacional efetivo (COE) = despesas efetuadas com compra de alevinos, ração,
mão-de-obra, gastos administrativos, energia, combustíveis, impostos, assistência técnica,
operações de máquinas/equipamentos e demais materiais assumidos pela propriedade ao
longo de um ano e consumidos no mesmo intervalo de tempo.
Custo operacional total (COT) = custo operacional efetivo acrescido dos gastos com a
depreciação de benfeitorias, máquinas, equipamentos e pró-labore do produtor.
Custo total (CT) = custo operacional total acrescido da remuneração de capital de
benfeitorias, máquinas, equipamentos e terra. A taxa de juros utilizada é de 6 %.
O cálculo da receita considerou a venda de toda a produção final ao preço de mercado
Assim, a receita bruta (RB) resulta da quantidade produzida de peixes multiplicada pelo preço
unitário do produto.
Para avaliar a viabilidade econômica, foram utilizados os seguintes indicadores:
Margem bruta: RB-COE
Margem líquida: RB-COT
Lucro: RB-CT
A margem bruta (MB) é resultado da renda bruta total obtida na exploração
considerada, subtraído o custo operacional efetivo. Utilizando-se este conceito, pode-se
chegar a algumas conclusões sobre o desempenho da atividade produtiva:
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a) Margem bruta positiva (MB>0) significa que a receita bruta é superior ao COE, ou
seja, consegue-se saldar pelo menos o custeio da atividade, o que significa que a exploração
sobreviverá no curto prazo.
b) Margem bruta negativa (MB<0) significa que a receita bruta é inferior ao COE, o
que torna a exploração antieconômica. No curto prazo, o produtor, se abandonar essa
exploração, estará minimizando seus prejuízos, pois ficará sujeito apenas aos custos indiretos
que continuarão a existir.
Certamente, conforme apontado por Marques et. al, 2010, alguns cuidados deverão ser
observados, antes da decisão de sair da atividade. É importante verificar a composição dos
custos e índices tecnológicos, bem como observar se há possibilidade de melhorar o
remanejamento dos fatores de produção e técnicas que poderão minimizar custos e, ou,
aumentar a produtividade.
A margem líquida é definida como sendo a diferença entre a renda bruta e o custo
operacional total. Conforme o resultado obtido, pode-se concluir:
a) Margem líquida positiva (ML>0) significa que a receita bruta é superior ao custo
operacional total, ou seja, a atividade produtiva sobreviverá no médio a longo prazo a medida
que a RB é suficiente para pagar os custos de desembolsos, remunerar o produtor e cobrir os
custos com depreciação.
b) Margem líquida negativa (ML<0) significa que a receita bruta é inferior ao custo
operacional total. Neste caso, a atividade pode não remunerar adequadamente o produtor e,
parte ou totalmente os custos de depreciação, causando, com o passar dos anos, o
“sucateamento/descapitalização” da propriedade.
O lucro é o resultado da renda bruta total subtraído o custo total. Como no custo total
foram incorporados os custos de oportunidade, o lucro positivo (L>0) significa que a opção
do produtor em alocar seus recursos na atividade agropecuária proporcionou maior
rendimento que a atividade alternativa (caderneta de poupança, por exemplo).
Da mesma forma, o lucro negativo (L<0) implica que o produtor, no mínimo deixou
de ganhar, ao optar pelo emprego dos recursos produtivos na atividade agropecuária, pois
obteria maior rendimento na atividade alternativa.
Finalmente, o lucro nulo (L=0) significa que o retorno do capital investido na empresa
proporcionou o mesmo retorno que seria obtido, se o produtor tivesse optado pelo uso
alternativo.
A análise do lucro permite chegar as seguintes conclusões:
a) Se o lucro for positivo, pode-se concluir que a exploração é estável e com
possibilidade de expansão (lucro supernormal).
b) Se o valor da produção for igual ao custo total, ou seja, o lucro igual a zero, a
propriedade estará no ponto de equilíbrio e em condições de refazer, no longo prazo, seu
capital fixo – máquinas, benfeitorias, equipamentos entre outros (lucro normal).
c) Se o lucro for negativo, mas em condições de suportar o COT, pode-se concluir que
a atividade é viável a longo prazo, porém não suficiente para proporcionar melhor retorno que
a atividade alternativa (prejuízo econômico).
Indicadores zootécnicos
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Em relação aos indicadores técnicos, foram analisados os seguintes parâmetros
zootécnicos aquícolas:
Biomassa inicial (kg): peso médio inicial do peixe/número de peixes estocados
Biomassa final (kg): peso médio final do peixe/número de peixes despescados
Taxa de sobrevivência (%): número de peixes despescados/número de peixes estocados
X 100
Período de cultivo (dias): data de despesca – data de estocagem
Ganho de biomassa (kg): biomassa final – biomassa inicial
3
Densidade inicial (peixes/m ): número de peixes estocados/volume do tanque
3 3
Produtividade por m (kg/m ): (peso médio final do peixe/número de peixes despescados)/
volume do tanque
Conversão alimentar total: quantidade de ração/biomassa final
Além destes, outros indicadores técnicos compuseram a análise, variando de acordo
com o sistema de produção empregado.
4. DISCUSSÃO DE RESULTADOS DO LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES
GERENCIAIS DE AQUICULTURA
Em 2014, primeiro ano do levantamento, foram promovidos 8 painéis em 3 regiões
aquícolas de destaque na produção nacional: Tocantins, Mato Grosso, Bahia/ Pernambuco,
abrangendo tambaqui e seus híbridos, além de tilápia e pintado.
Do ponto de vista de representatividade técnica, essas regiões abrangem 3 dos
principais pólos aquícolas do país: Sudeste do estado de Tocantins (TO), Baixada Cuiabana
(MT), e submédio do São Francisco (BA e PE), que inclui o Lago de Itaparica. Tais pólos são
especializados nas duas principais espécies de peixe produzidas em piscicultura no Brasil, a
tilápia e o tambaqui (juntamente com os demais peixes redondos), que constituem a primeira
e a segunda espécie de peixe mais produzidas na aquicultura brasileira, respectivamente.
Ressalta-se também que estes polos empregam os três principais sistemas de cultivo
utilizados no Brasil: tanque-rede, viveiros escavados e açudes. Além disso, a estrutura de
produção destes pólos é composta por pequenos, médios e grandes produtores. Quanto à
abrangência geográfica dos polos, estes estão localizados em três regiões distintas do Brasil:
Nordeste, Centro Oeste e Norte.
Os painéis do Tocantins aconteceram nos polos de Palmas (região central do estado) e
Almas (região sudeste do estado) e abordaram a criação de tambaqui e seus híbridos em
viveiro escavado e barragem.
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No Mato Grosso, foram pesquisados os pólos de Alta Floresta, Baixada Cuiabana e
Sorriso. Nos dois primeiros pólos foram estudados o tambaqui e peixes redondos criados em
viveiro escavado. Já em Sorriso, o alvo do estudo foi a criação de pintado - híbrido entre a
cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) e o jundiá-da-Amazônia (Leiaurius marmoratus),
popularmente conhecido por pintado-da-Amazônia - em barragem. As principais
características técnicas dos pólos do Tocantins e Mato Grosso estão resumidas no quadro a
seguir.
Palmas Almas Baixada Cuiabana Alta Floresta Sorriso
Peixe produzido Peixes redondos Peixes redondos Peixes redondos Peixes redondos Pintado
Área total de produção (ha) 5 3 2 3 5
Ciclo (dias) 304 365 364 364 365
Nº fases* Monofásico Monofásico Monofásico Monofásico Bifásico
Conversão alimentar 1,76 2,14 1,87 1,8 1,94
Produtividade média
2 0,88 0,84 0,85 1,01 1,78
(kg/m /ciclo)
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
O quadro seguinte mostra os indicadores médios da produção de tilápia nos pólos
pesquisados na região do Submédio São Francisco (Bahia e Pernambuco), apresentados
separados dos anteriores devido ao sistema de produção em tanque-rede. A estrutura de
produção desta região é formada por uma área em terra em torno de 3 ha, a qual serve como
base de apoio para realização de atividades como manutenção dos tanques-rede, despesca e
armazenagem de ração e equipamentos. O piscicultor típico possui 250 tanques-rede (de 6m3
cada), divididos em lotes de forma a se obter 12 despescas ao longo do ano. Segundo os
piscicultores, a opção por tanques-rede de pequeno volume se justifica pela facilidade de
manejo e possibilidade de se fazer despescas de menor volume a fim de atender vendas
pequenas não programadas.
INDICADORES Unidade Quantidade
Tamanho médio da área de
ha 3
apoio em terra
Número médio de tanques-
Unidade 250
rede (6m³)
Período médio de cultivo do
dias 180
peixe
Kg ração/kg de
Conversão alimentar final 1,61
peixe
Densidade final Kg de peixe/m3 144
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
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Com respeito ao desempenho econômico dos pólos pesquisados, o próximo quadro
mostra os principais indicadores obtidos nos 8 paineis, expressos em função do preço do quilo
de peixe recebido pelo produtor, em reais, na data de realização de cada painel.
Alta Paulo
Almas Palmas Cuiabá Sorriso Floresta Glória Jatobá Afonso
Margem Bruta Unitária [(RB-COE)/Produção kg] R$ 0,16 R$ 0,95 R$ 0,73 R$ 1,49 R$ 0,44 R$ 1,74 R$ 2,40 R$ 1,95
Margem Líquida Unitária [(RB-COT)/Produção kg] R$ 0,95 R$ 0,18 R$ 0,07 R$ 1,13 -R$ 0,32 R$ 1,47 R$ 1,80 R$ 1,73
Lucro Unitário [(RB-CT)/Produção] -R$ 2,48 -R$ 0,24 -R$ 0,26 R$ 0,64 -R$ 0,86 R$ 0,15 R$ 0,18 R$ 0,41
Custo (COE)/kg de peixe R$ 4,34 R$ 3,85 R$ 3,77 R$ 5,01 R$ 3,56 R$ 3,76 R$ 3,10 R$ 3,55
Custo (COT)/kg de peixe R$ 5,45 R$ 4,62 R$ 4,43 R$ 5,37 R$ 4,32 R$ 4,03 R$ 3,70 R$ 3,77
Custo (CT)/kg de peixe R$ 6,98 R$ 5,03 R$ 4,76 R$ 5,87 R$ 4,87 R$ 4,18 R$ 3,87 R$ 3,89
Preço médio de venda peixe R$/kg R$ 4,50 R$ 4,80 R$ 4,50 R$ 6,50 R$ 4,00 R$ 5,50 R$ 5,50 R$ 5,50
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
Nos polos do Tocantins, Almas apresenta maior custo operacional (COE e COT),
devido, sobretudo, ao maior gasto com ração. Dessa forma, o polo de Palmas apresenta
margem bruta unitária (Receita - COE) mais elevada: R$/kg 0,95 contra R$/kg 0,16 em
Almas. Com relação à margem líquida unitária (Receita - COT), os resultados de Palmas e
Almas são distintos, registrando R$/kg 0,18 e -R$/kg 0,95, respectivamente. Assim, o polo de
Palmas, diferentemente de Almas, apresenta viabilidade econômica no longo prazo, embora
seu lucro unitário (Receita - CT), que considera os custos de oportunidade do
empreendimento, seja negativo, -R$/kg 0,24.
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
A comparação entre os pólos matogrossenses mostra que a receita, ou preço do quilo
de peixe recebido pelo produtor é suficiente para cobrir o COT nos pólos de Alta Floresta e
Cuiabá. Já no pólo de Sorriso, a receita supera largamente o custo total, o que indica que a
criação de pintado, um peixe de maior valor agregado, envolve gastos maiores, porém
apresenta melhor retorno e situação financeira mais favorável do que a criação de peixes
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redondos, mostrando-se uma alternativa mais rentável para produtores com maior potencial de
investimento e intensificação da produção. Na região do município de Sorriso, observou-se
um forte perfil empresarial dos produtores, com grande capacidade de investimento e
intensificação da produção, como mão de obra contratada, consultoria técnica, máquinas
agrícolas e barcos para alimentação dos peixes e aeradores. A piscicultura é uma atividade
nova para a maioria dos produtores presentes no painel, tradicionalmente sojicultores, que
estimulados por uma grande piscicultura local, passaram a aproveitar áreas inapropriadas para
a agricultura para a criação de peixes. Essa empresa exerce grande influência na região
fornecendo alevinos e assistência técnica, além de auxiliar na despesca e comercialização do
produto final, caracterizando o princípio de um sistema de integração.
Gráfico Comparativo entre custos de produção e a receita (R$/kg), Polos do estado do
Mato Grosso
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
No que se refere ao Polo da região do Submédio São Francisco (Bahia e Pernambuco),
o custo operacional total (COT) foi de R$3,77/kg, gerando uma margem líquida de R$
1,73/kg. Apesar de ter um custo de ração maior comparado com outros polos de produção de
tilápia com Ilha Solteira-SP e Oeste do Paraná, os produtores do Polo de Itaparica conseguem
obter um maior preço de venda, o que ajuda a manter uma margem líquida razoável. Os pólos
de Paulo Afonso e Glória reúnem médios e grandes produtores, enquanto que em Jatobá
existe uma série de associações de piscicultores que se profissionalizaram na atividade.
INDICADORES ECONÔMICOS
(estrutura com 250 tanques-rede de Unidade Quantidade
6 m³ )
Preço de venda da tilápia (RB) R$/kg R$ 5,50
Custo Operacional Efetivo (COE) R$/kg R$ 3,50
Custo Operacional Total (COT) R$/kg R$ 3,77
Margem Bruta Unitária (RB-COE) R$/kg R$ 1,95
Margem Líquida Unitária (RB-COT) R$/kg R$ 1,73
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil.
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Conjuntura econômica e impacto na análise da evolução dos indicadores
Um indicador econômico-financeiro importante na composição das análises ao longo
do acompanhamento de custos de insumos e preços de mercado é a relação de troca. Este
indicador demonstra o poder aquisitivo de um aquicultor, a partir da análise de quantos quilos
de peixes são necessários para comprar 1 quilo de ração (considerando o tipo de ração mais
utilizado em cada pólo). Logo, quanto menor a relação de troca, maior o poder aquisitivo do
aquicultor na venda de seu produto. Por exemplo, afirmar que uma relação de troca alcançou
0,26, significa dizer que com a venda de 0,26 quilo do peixe o produtor conseguiria comprar 1
quilo de ração.
O gráfico seguinte ilustra a evolução desta relação de troca para cada pólo,
considerando a especificidade de ração mais utilizada em cada pólo até o mês de março de
2015. A atualização da planilha de custos de insumos e preços de mercado e
consequentemente o cálculo desta relação de troca teve início em diferentes datas: julho de
2014 para os polos do Tocantins, setembro de 2014 para os polos de Mato Grosso e novembro
de 2014 para os pólos da Bahia/Pernambuco (agrupados em 1 serie, dado que os custos para
este insumo e o preço do peixe são iguais para os 3 polos desta região). Percebe-se que Alta
Floresta, Sorriso tem mantido a relação estável por mais tempo, seguidos pelos polos da
Bahia/Pernambuco, levando em conta os dois primeiros polos possuem mais tempo de
acompanhamento do que Paulo Afonso, Gloria e Jatobá juntos.
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
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No trimestre dez/14-fev/15 foi observada, de modo geral, uma redução no custo de
produção nos polos aquícolas monitorados. Esse decréscimo pode ser verificado com a queda
do Custo Operacional Efetivo (COE) estimado no período para produtores de engorda em
Palmas e Almas, no Tocantins, Cuiabá, Alta Floresta e Sorriso, no Mato Grosso e na região
do Submédio do rio São Francisco, na Bahia e em Pernambuco.
O item de custeio responsável, na maior parte dos casos, por essa movimentação é o
gasto com ração que possui entre 65% e 83% de participação no COE dos produtores nos
polos pesquisados. Além de possuir grande peso no custo, o preço da ração apresentou queda
no trimestre para quase todos os polos. Uma explicação para este fato é a redução acentuada
do preço da soja em 2014, importante insumo das rações de piscicultura, que apresentou
variação negativa de 20,88% e de 14,33% para o ano, segundo o Indicador Soja
ESALQ/BM&FBovespa - Paranaguá e o Indicador Soja ESALQ/BM&FBovespa – Paraná,
respectivamente. Essa pressão dos preços é decorrente da safra recorde de grãos 2013/14 no
Brasil e 2014/15 nos Estados Unidos.
Com relação ao preço de venda do peixe, não foi observado um padrão de variação
nos polos de piscicultura. Para a tilápia no Submédio São Francisco, o preço de venda ficou
estável em R$/kg 5,50. No caso do pintado produzido no polo de Sorriso, houve queda de
7,35% no trimestre, o que também pode ser explicado pelo aumento do número de produtores
da espécie na região. Quanto ao tambaqui, os 4 polos pesquisados apresentaram grande
variação trimestral nos preços do peixe, mas não é possível observar nenhuma tendência. De
qualquer forma, devido à redução do custo de produção, mesmo os produtores das regiões que
apresentaram queda mais acentuada no preço de venda, continuaram com margem bruta
positiva para o período.
Os resultados encontrados para a piscicultura nesse período estão na contramão dos
principais indicadores econômicos no Brasil. Os indicadores de inflação no período, como o
IGP-M e o IPCA, indicam forte crescimento dos preços no país. Do lado dos juros, a taxa
Selic vem apresentando forte ritmo de crescimento nos últimos meses. Dessa forma, a queda
nos custos de produção para as três espécies de piscicultura no trimestre é uma grande
vantagem competitiva para o aumento da lucratividade dos produtores das regiões
pesquisadas.
Para o restante do ano de 2015, espera-se um nível maior de preços e juros no Brasil.
Segundo o Boletim Focus de março de 2015, os agentes de mercado estimam IPCA de 8,12%
e Selic de 13% ao final deste ano. Além disso, acreditam que a economia do país entrará em
recesso, com previsão de queda de 0,83% no PIB de 2015. Com estes números, estima-se que
os preços da piscicultura também devem subir ao longo do ano. Itens como transporte, energia
e mão de obra já têm seus aumentos aguardados para o ano. Dessa forma, os produtores de
todas as espécies devem se preparar para conseguir manter margens de retorno positivas na
produção, pois, se por um lado existe a tendência de aumento no preço dos insumos, nada
garante o aumento dos preços de venda dos peixes, considerando que o número de produtores
vem aumentando em todas as regiões, o que deixa os pequenos e médios piscicultores com
menor poder de precificação.
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Variação Mensal e Trimestral (2014-2015)
COE (Custo Operacional Efetivo) Peixe R$/kg (Venda)
Polos Espécie Dez Jan Fev Dez-Fev Dez Jan Fev Dez-Fev
Almas - TO Tambaqui 0,09% -3,85% -7,23% -10,72% -25,00% 8,89% 2,04% -16,67%
Palmas - TO Tambaqui -0,08% -29,77% 1,33% -28,89% 0,00% 4,17% 0,00% 4,17%
Cuiabá - MT Tambaqui 5,97% 1,24% -6,93% -0,15% 0,00% 11,11% 0,00% 11,11%
Alta Floresta - MT Tambaqui 2,84% -3,38% -3,98% -4,58% 0,00% -6,98% 0,00% -6,98%
Sorriso - MT Pintado 3,01% -10,11% 5,51% -2,30% -4,41% 0,00% -3,08% -7,35%
Submédio São Fº Tilápia -2,15% -1,31% 1,74% -1,75% 5,45% -5,17% 0,00% 0,00%
Variações dos Preços dos Principais Itens de Custo (2014-2015)
as - TO (Tambaqui) Palmas - TO (Tambaqui)
Participação Variação Participação Variação
Itens Itens
no COE Trimestre no COE Trimestre
fev/14 dez - fev fev/14 dez - fev
Ração 75,98% -14,08% Ração 71,41% -36,79%
Manutenção - Benfeitorias 12,80% 0,00% Mão de obra contratada 11,16% 5,56%
Alevinos/Juvenis 6,04% 0,00% Alevinos/Juvenis 5,32% 0,00%
Gastos admin., impostos e taxas 1,53% 0,00% Manutenção - Benfeitorias 3,55% 0,00%
Cuiabá - MT (Tambaqui) Alta Floresta - MT (Tambaqui)
Participação Variação Participação Variação
Itens Itens
no COE Trimestre no COE Trimestre
fev/14 dez - fev fev/14 dez - fev
Ração 64,99% -3,60% Ração 82,56% -6,64%
Energia e combustível 8,11% -3,57% Manutenção - Benfeitorias 4,66% 0,00%
Gastos admin., impostos e taxas 8,00% 0,00% Mão de obra contratada 4,37% 0,00%
Mão de obra contratada 6,01% 0,00% Corretivos 2,84% 42,86%
Sorriso - MT (Pintado) Submédio São Fº - BA e PE (Tilápia)
Participação Variação Participação Variação
Itens Itens
no COE Trimestre no COE Trimestre
fev/14 dez - fev fev/14 dez - fev
Ração 65,38% -9,47% Ração 78,36% 4,60%
Alevinos/Juvenis 12,43% 44,19% Mão de obra contratada 10,38% 9,09%
Mão de obra contratada 7,11% 9,38% Alevinos/Juvenis 8,57% -40,00%
Energia e combustível 5,66% 3,70% Gastos admin., impostos e taxas 1,79% 0,00%
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
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Principais Indicadores Econômicos
Indicadores dez/14 jan/15 fev/15
IGP-M (% a.m.) 0,62% 0,76% 0,27%
IPCA (% a.m.) 0,78% 1,24% 1,22%
Selic (% a.a.) 11,75% 12,25% 12,25%
Salário Mínimo Mensal
(R$)
724,00 788,00 788,00
Fonte: Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
Além dos indicadores de custo, analisou-se também os níveis de investimento, que
junto com a renda bruta foram considerados para enquadramento dos produtores modais de
cada pólo para financiamento pelo Plano Safra da Pesca e Aquicultura.
Os produtores típicos pesquisados de tambaqui se enquadraram como Familiar, pois
possuem renda bruta anual abaixo de R$ 360 mil. Nessa classificação conseguem
financiamento para custeio com juros abaixo de 3,5% ao ano e para investimento de 4% ao
ano. Já o produtor típico de pintado, no polo de Sorriso, embora possua um alto investimento
inicial, é enquadrado como Médio, com renda bruta anual abaixo de R$ 800 mil. No caso dos
produtores típicos de tilápia na região do Submédio São Francisco, o enquadramento é como
Grande, apesar do investimento inicial mais modesto. Os juros para custeio e investimento,
tanto para o Médio quanto para o Grande, são de 5,5% ao ano.
Em todos os casos, os juros para financiamento são muito atrativos se comparados
com demais taxas do mercado. A Selic, taxa básica de juros definida pelo Banco Central, foi
estabelecida em 12,75% em março de 2015. Dessa forma, empréstimos e financiamentos em
bancos comerciais não costumam ficar abaixo desse valor. Do lado das aplicações financeiras,
mesmo a caderneta de poupança que é um dos investimentos mais conservadores do país
oferece retorno de pouco mais de 6% ao ano, acima das taxas do Plano. As taxas apresentadas
no Plano ficam mais próximas para comparação da TJPL (Taxa de Juros de Longo Prazo),
utilizada pelo BNDES como custo básico dos financiamentos. Essa taxa foi de 5,5% para o
primeiro trimestre de 2015, o mesmo valor para financiamento dos Grandes e Médios
aquicultores. Mesmo assim, as taxas para aquicultores Familiares, que representam grande
parte das unidades produtivas do Brasil, ficam abaixo dessa referência.
Investimento Renda Bruta Juros Custeio Juros Invest.
Polos Espécie Enquadramento³
Inicial¹ Anual² (% a.a.) (% a.a.)
Almas - TO Tambaqui R$ 666.069,00 R$ 125.654,79 Familiar entre 1,5 e 3,5 4,0
Palmas - TO Tambaqui R$ 330.745,00 R$ 254.013,16 Familiar entre 1,5 e 3,5 4,0
Cuiabá - MT Tambaqui R$ 79.389,50 R$ 85.000,00 Familiar entre 1,5 e 3,5 4,0
Alta Floresta - MT Tambaqui R$ 232.794,00 R$ 111.097,58 Familiar entre 1,5 e 3,5 4,0
Sorriso - MT Pintado R$ 837.295,00 R$ 532.110,08 Médio 5,5 5,5
Glória - BA Tilápia R$ 225.000,00 R$ 1.819.125,00 Grande 5,5 5,5
Paulo Afonso - BA Tilápia R$ 232.310,00 R$ 1.986.956,73 Grande 5,5 5,5
Jatobá - PE Tilápia R$ 311.367,00 R$ 1.210.572,00 Grande 5,5 5,5
¹Investimento em benfeitorias, máquinas, equipamentos e utilitários. Não foi considerada aquisição de terra
²Renda bruta anual medida em fevereiro de 2015
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³Enquadramento para financiamento pelo Plano Safra da Pesca e Aquicultura de acordo com a renda bruta anual
Fonte: Plano Safra da Pesca e Aquicultura 2014/2015 e Projeto Levantamento de Informações Gerenciais de Pólos Aquícolas no Brasil
(formulação própria).
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao final do primeiro ano de levantamento de custos de produção na aquicultura,
utilizando a metodologia de painel, já é possível traçar um quadro comparativo com o
desempenho dos índices econômicos obtidos nos pólos aquícolas pesquisados, que variaram
conforme o sistema de produção empregado, a intensidade do uso de tecnologia, espécie
escolhida, organização dos produtores, controle da utilização de insumos e acompanhamento
de assistência técnica. Em geral, conforme analisado, aqueles pólos que mais fizeram melhor
uso destes itens foram os que registraram melhores indicadores financeiros.
Desta forma, considerando os indicadores selecionados para avaliar a rentabilidade do
empreendimento aquícola típico de cada região, o pólo de Sorriso, onde se cultiva pintado,
peixe de maior valor agregado, apresentou o maior índice de lucro unitário, R$0,64, seguido
pelo polo de tilapia em tanque-rede em Paulo Afonso, com R$0,41 para o mesmo índice. O
pólo de Almas foi o que apresentou pior desempenho nesse indicador, registrando –R$2,48, o
que mostraria um sinal de alerta para avaliação da permanência na atividade nas condições
atuais.
Para o indicador de margem bruta unitária, o melhor desempenho foi registrado na
produção de tilapia em tanque-rede em Jatobá, R$2,40, cuja especificidade da organização
dos produtores em associações aponta melhores resultados da atividade, ao menos no curto
prazo, em comparação com a situação de produtores isolados. Em seguida, aparecem os
outros dois polos de tilapia em tanque-rede da região, Paulo Afonso e Glória.
Por fim a margem líquida unitária repete a classificação de desempenho dos polos do
indicador anterior, com o polo de Jatobá na primeira posição, com R$1,80, seguida por
Paulo Afonso e Gloria, sinalizando que estes polos apresentam maior viabilidade econômica
no médio a longo prazos.
BIBLIOGRAFIA
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Roma.2014[Link]
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