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CAP27

Esta unidade explora a interação entre seres vivos e o ambiente, destacando a importância da sustentabilidade e da educação ambiental. O documento discute como o consumo humano impacta o meio ambiente e a necessidade de práticas sustentáveis para garantir recursos para futuras gerações. Além disso, aborda os biomas brasileiros, suas características e a importância da conservação da biodiversidade.

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CAP27

Esta unidade explora a interação entre seres vivos e o ambiente, destacando a importância da sustentabilidade e da educação ambiental. O documento discute como o consumo humano impacta o meio ambiente e a necessidade de práticas sustentáveis para garantir recursos para futuras gerações. Além disso, aborda os biomas brasileiros, suas características e a importância da conservação da biodiversidade.

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Esta unidade aborda conteúdos que se inserem nos temas estruturadores Interação entre

unidade os seres vivos e desses com o ambiente e Qualidade de vida das populações humanas.
O conteúdo desta unidade

AMBIENTE E
9
favorece o desenvolvimen-
to dos TCT Meio Ambiente:
Educação Ambiental e Edu-
cação para o Consumo.

SU ST EN TA BI LI DA DE
Todos os seres vivos consomem recursos do ambiente. Entre
os seres humanos, enquanto algumas comunidades provocam
menos impacto, produzindo apenas o que consomem, outras
apresentam atividades bastante predatórias.
A necessidade cada vez maior de consumir, sem levar em con-
ta os impactos socioambientais, tem afetado o meio ambiente de
uma forma que pode ser irreversível. Para evitar que os recursos
naturais sejam comprometidos, é preciso que a interferência hu-
mana no ambiente seja mais consciente e responsável.
Nesse sentido, garantir padrões de consumo e produção sus-
tentáveis, conforme o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12
(ODS 12), é essencial para assegurar que as próximas gerações te-
nham acesso aos recursos necessários para sua qualidade de vida.
Adotar práticas sustentáveis não é apenas uma questão de
conservação ambiental, mas também de justiça social e econômi-
ca. A sustentabilidade deve ser considerada um compromisso
coletivo, de modo que cada indivíduo e cada comunidade de-
sempenhe um papel crucial na construção de um futuro mais
equilibrado e acessível para todos.

adora
al marisqueira e pesc
Comunidade tradicion A), 20 24. Em bora
Maranhão (M
em Santo Amaro do a pe sca
ambiente, elas usam
transformem o meio pri a su bsistência.
s para sua pró
e a coleta de marisco
ens
Cadu De Castro/Pulsar Imag

384
O estudo deste tema favorece o desenvolvimento da competência geral 1 e das habilidades

tema (EM13CNT301), (EM13CNT302) e (EM13CNT303).


2. Respostas pessoais. É possível que os estudantes conhe-

27
Biomas
çam a Floresta Amazônica, que é a maior floresta tropical do
mundo; a Mata Atlântica, situada ao longo da costa brasileira; a
Caatinga, situada no Nordeste, em região de clima semiárido; o
Cerrado, que ocorre no Brasil central; os Pampas, ou Campos
Sulinos, que ocorrem no Rio Grande do Sul; e o Pantanal, loca-
lizado nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul.
As cutias se alimentam das sementes da castanheira (Bertholletia
excelsa), uma árvore que pode chegar a 50 metros de altura. Esses ani-
mais abrem os frutos da castanheira e enterram suas sementes, as cas-
tanhas, voltando depois para comê-las. Muitas sementes, no entanto,
não são encontradas pelos animais e podem germinar e se desenvolver
em novas castanheiras. A coleta da castanha é uma atividade tradicional
de povos indígenas como os Kayapó, e outras comunidades (figura 27.1).
Essa forma de extrativismo contribui tanto para a conservação dessas
comunidades como da própria floresta.
Esse é um exemplo de interação entre pessoas, animais, plantas e
ambiente que ocorre na Floresta Amazônica. Os biomas apresentam
muitas interações semelhantes a essa, mas elas estão ameaçadas por
atividades como o desmatamento e as queimadas.
Neste tema, vamos conhecer os biomas e alguns ecossistemas
brasileiros, bem como debater as particularidades de cada um em re-
lação ao clima, à biodiversidade e à sua importância para algumas co-
munidades tradicionais. Conheceremos também ameaças e impactos
provocados por diferentes atividades humanas.
Renato Soares/Pulsar Imagens

27.1 Indígena da etnia


Kayapó, da aldeia Aukre,
exibe castanhas-do-pará
em Tucumã (PA), 2023.

Iní cio de conversa


1. Como as chuvas e a temperatura variam ao longo do ano no local onde você mora? Você se lem-
bra de secas ou inundações em sua região? 1. Respostas pessoais. As respostas dependem
do local onde os estudantes residem.
2. Quais biomas brasileiros você conhece? Que plantas e animais são encontrados neles?
3. Que características você espera encontrar em uma planta que vive em clima muito seco?
3. Plantas de clima seco apresentam características que diminuem a perda de água, como folhas reduzidas. Muitas
dessas plantas podem armazenar água na raiz, ou em outras estruturas, e apresentar raízes longas, que absorvem água
de camadas profundas do solo. 385
O clima e os biomas
Carrossel
de imagens O clima de uma região depende de vários fatores. Um deles é a latitu-
de, ou seja, a distância dessa região à linha do equador. Em geral, quanto
mais próximo uma região está dessa linha, maiores são as temperaturas
Os profissionais médias por causa do ângulo de incidência dos raios solares. Quanto mais
especialistas em clima afastada está uma região do equador, mais baixas são as temperaturas.
são os meteorologistas.
Mas, sobretudo por O clima de um lugar depende também de sua altitude. Em regiões
causa das mudanças
mais altas, em que o ar é mais rarefeito, as temperaturas tendem a
climáticas e suas
consequências, outros cair mais, especialmente à noite. Por isso, em áreas de grande altitude,
profissionais podem podemos encontrar vegetação e animais típicos de regiões frias, mesmo
se especializar no
assunto, como biólogos, próximo ao equador. Além da latitude e da altitude, outros fatores de in-
engenheiros, geólogos, fluência são: o calor transportado pelas correntes marítimas e pelas mas-
arquitetos e sociólogos.
sas de ar da atmosfera, o relevo da região e a proximidade com o mar.
Biomas são grandes áreas caracterizadas por um tipo principal de ve-
getação. Dentro de um único bioma podem existir vários ecossistemas.
ecossistemas:
A diversidade da vegetação e de outros organismos de um bioma é
unidades funcionais
do bioma, compostas influenciada pelo tipo de solo e por fatores climáticos, como a quanti-
de organismos vivos dade de chuva (pluviosidade) e variação das temperaturas. A figura 27.2
(comunidade biológica)
e do ambiente físico apresenta o mapa de distribuição dos principais biomas no mundo.
(meio abiótico) com o
qual eles interagem.
Principais biomas do planeta
Isso inclui todos os

Banco de imagens/Arquivo da editora


0º OCEANO GLACIAL ÁRTICO
processos biológicos,
Círculo Polar Ártico
químicos e físicos
possíveis que ocorrem
dentro dessas
unidades. OCEANO
Trópico de Câncer ATLÂNTICO
OCEANO
OCEANO
PACÍFICO
PACÍFICO
Equador
Meridiano de Greenwich


OCEANO
ÍNDICO
Trópico de
Elaborado com base em: Florestas tropicais Capricórnio
COLLINS School World Atlas. Campos e savanas
London: Collins, 2009. Desertos
Tundra
27.2 Mapa do mundo Taiga (floresta boreal) Círculo Polar Antártico OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
com os principais Florestas temperadas
0 2 800
biomas do ambiente Biomas do Brasil
km
terrestre.

As Florestas Tropicais são caracterizadas por árvores de grande


porte e vegetação densa, com chuvas frequentes e temperaturas al-
tas o ano todo. Já as Florestas Temperadas apresentam as estações
do ano bem definidas, apresentando vegetação que perde as folhas
no final do outono, quando as temperaturas caem mais.
As Savanas e os Campos são caracterizados por vegetação rasteira e
clima mais seco, com estações de seca e chuvas bem definidas. Os
Desertos são áreas com pouca vegetação, solo arenoso e clima seco. A
Taiga é caracterizada por vegetação com muitos pinheiros e baixas tem-
peraturas. A Tundra apresenta tipicamente uma vegetação esparsa e solo
parcialmente coberto por gelo, com baixas temperaturas o ano inteiro.

386
Biomas brasileiros Biomas do Brasil
50º O

Banco de imagens/Arquivo da editora


A seguir, vamos conhecer melhor os
RR AP
biomas brasileiros: Floresta Amazônica, Equador

Mata Atlântica, Pampas, Cerrado, Caatinga


e Pantanal (figura 27.3). Estudaremos ainda AM
MA CE
PA RN
alguns ecossistemas associados a esses PB
PI PE
biomas: a Mata das Araucárias e a Mata AC
AL
TO
RO SE
dos Cocais.
BA
MT
As florestas tropicais localizam-se na DF
Amazônia
região equatorial. Ocupando apenas 7% da Caatinga GO
MG ES
superfície do planeta, as Florestas Tropi- Pampa
MS
Cerrado
cais contêm mais espécies de plantas e Mata Atlântica SP RJ Trópico de
Pantanal
animais que todos os outros biomas jun- Zona Costeira PR
Capricórnio

OCEANO
tos. A Floresta Amazônica e a Mata Atlânti- Transição SC ATLÂNTICO
Amazônia-Caatinga
ca são as florestas tropicais que ocorrem Transição RS
Amazônia-Cerrado
no Brasil. Transição 0 535
Cerrado-Caatinga
km

Floresta Amazônica Elaborado com base em: FUNDO


Mundial para a Natureza (WWF).
Biomas brasileiros.
A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical e a com maior bio- Disponível em: [Link]
nk7phk. Acesso em: 22 ago. 2024.
diversidade do planeta, localizada ao norte da América do Sul, com
60% de sua área em território brasileiro (figura 27.4). O clima desse 27.3 Mapa dos biomas
brasileiros originais e
bioma é quente e muito úmido o ano todo, com chuvas frequentes e de áreas de transição
abundantes. As folhas e os frutos no alto das árvores alimentam ani- entre alguns biomas.
Com a intensa ocupação
mais, como os macacos e as preguiças, além de diversas espécies de humana, grande parte
aves, anfíbios e artrópodes. da vegetação original foi
destruída.
Podemos identificar na floresta regiões com algumas especifici-
dades, como as matas de terra firme, de igapó e de várzea. A mata de
igapó é formada por uma região inundada; já as matas de várzea são
aquelas localizadas na planície pluvial e dependem do regime de chu-
vas e do fluxo dos rios, sendo periodicamente inundadas. # Fica a dica !
Andre Dib/Pulsar Imagens

Por que Amazônia


virou “barril de
pólvora” e queimadas
batem recordes
Matéria da BBC
News Brasil sobre
as principais causas
e as consequências
das queimadas no
bioma amazônico.
Disponível em:
[Link]
net/8zf3iy. Acesso
em: 19 set. 2024.

27.4 Vista aérea do encontro dos rios Moa e Azul. Ao fundo, Parque Nacional da Serra do
Divisor (AC), 2021.

387
Devido à sua localização próximo à linha do
equador, a Floresta Amazônica é atingida por raios

Cadu De Castro/Pulsar Imagens


solares de forma direta durante todo o ano. A lumi-
nosidade e as altas temperaturas favorecem o de-
senvolvimento de uma vegetação densa, com mui-
tas árvores, como a castanheira, o cedro, o açaizeiro,
a seringueira, a andiroba, o mogno e o cacaueiro
27.5 Quilombola coleta
(figura 27.5). Comunidades tradicionais, como indí-
cacau em área alagada genas, quilombolas, seringueiros e castanheiros, realizam atividades
na Ilha de Ingapijó, em extrativistas como a coleta de castanha e cacau.
Mocajuba (PA), 2022.
Muitas plantas que crescem à sombra de árvores maiores apre-
sentam folhas largas. Essa característica foi favorecida porque a su-
perfície maior permite captar mais energia da luz do Sol, usada na
Comunidades
quilombolas são fotossíntese.
aquelas que se Os animais herbívoros, que se alimentam das folhas, frutos e se-
desenvolveram de
antigos quilombos, mentes, servem de alimento para os carnívoros, como a onça-pintada,
locais afastados dos o cachorro-vinagre e o quati. Nos rios e lagos da Floresta Amazônica,
centros urbanos em
que viviam pessoas são encontrados mamíferos aquáticos, como a ariranha e o peixe-boi,
que se libertaram da além de diversas espécies de peixes. As figuras 27.6 e 27.7 mostram
escravidão. Hoje, essas
comunidades existem
alguns representantes de animais que ocorrem na Floresta Amazônica.
em praticamente todos
Adriano Kirihara/Pulsar Imagens

Rita Barreto/Fotoarena
os estados brasileiros.

27.6 Urutau (gênero


Nyctibius; o adulto tem
cerca de 40 cm de
comprimento), em
Aquidauana (MS),
2021. Muitos insetos,
aves e outros animais
apresentam camuflagem
como formato ou cor
que se confunde com o
ambiente, o que favorece 27.7 Boto (Inia geoffrensis; cerca de 2,5 m de
sua sobrevivência. comprimento), em Cajatuba (AM), 2023.

Considerando toda a biodiversidade descrita, como você espera


que seja o solo na Floresta Amazônica?
Essa é uma das
razões pelas quais
O solo nesse bioma costuma ser rico em areia e argila, mas pobre
as queimadas são em sais minerais. A camada mais superficial, no entanto, é formada
tão destrutivas
pela decomposição de restos de plantas e animais, sendo rica em nu-
especialmente nesse
bioma. Quando trientes minerais que podem ser absorvidos pelas raízes das plantas,
essa camada mais em geral pouco profundas.
superficial e rica em
nutrientes é destruída, O solo quente e úmido, quando protegido da luz solar direta pelas
a recuperação da
vegetação é muito
árvores, é propício para a reprodução dos decompositores, como fun-
prejudicada. gos e bactérias. Nessas condições, a decomposição da matéria orgâ-
nica é rápida, disponibilizando os sais minerais necessários para o de-
senvolvimento das plantas.

388
Mata Atlântica
A Mata Atlântica é uma floresta tropical, com clima predominante-
mente quente e úmido. No entanto, por ocupar diferentes latitudes, epífitas:
vem do grego epi,
acompanhando praticamente toda a costa do Brasil, o clima pode va- “sobre”, e phyton,
riar, especialmente com a ação de frentes frias durante o inverno. “planta”, indicando
plantas que se
Apresenta grande volume de chuvas, especialmente entre os meses
desenvolvem sobre
de novembro e março. outras plantas sem
parasitá-las.
A flora e a fauna da Mata Atlântica apresentam adaptações seme-
lhantes às de outras florestas tropicais. Assim como na Floresta Ama-
zônica, a vegetação é densa e abriga alta biodiversidade. Alguns
exemplos de espécies de árvores comuns são o jequitibá-rosa, a qua-
resmeira, o ipê, a peroba e a palmeira-juçara – da qual é extraído
o palmito-juçara –, além de arbustos e grande variedade de
trepadeiras e epífitas (figura 27.8).

k
to c
ers
a A ng elo/S hutt
Edson Grandisoli/Pulsar Imagens

eir
Fe rr
ulo
Sa
27.8 Vista aérea da Mata
Atlântica no Parque
Estadual Carlos Botelho
(SP), 2019. No detalhe,
a bromélia (Neoregelia
pauciflora; cerca de
12 cm de altura), uma
planta epífita. As
trepadeiras e epífitas
crescem sobre outras
plantas, ficando mais
expostas à luz do Sol.

Na Mata Atlântica vivem diversos mamíferos: marsupiais (como o


27.9 Borboleta (Heliconius
gambá e a cuíca-d’água), primatas (como o muriqui, o mico-leão e o
erato phyllis; cerca de
macaco-prego), guaxinins, quatis, onças-pintadas, cutias, ouriços-ca- 7 cm de distância entre as
cheiros, porcos-do-mato, tatus, pacas, tamanduás-mirins e pregui- pontas das asas quando
abertas em flor).
ças. Entre as aves, estão: macuco, inhambu,
Pedro Turrini Neto/Shutterstock

sanhaço, araponga, saíra-sete-cores e mui-


tas espécies de beija-flor. A diversidade de
insetos também é grande, e muitas espé-
cies participam da reprodução das plantas
da região (figura 27.9).
É importante levar em conta que, além
da enorme biodiversidade, a Mata Atlântica
abriga valiosa diversidade cultural: comuni-
dades indígenas, quilombolas e caiçaras vi-
vem nesse bioma.

389
Ameaças às Florestas Tropicais
Como já vimos, a cobertura vegetal das florestas tropicais é funda-
# Fica a dica ! mental para o equilíbrio do ambiente. Os organismos que vivem asso-
ciados às florestas dependem desse tipo de vegetação para se abri-
Histórico de
deslizamentos de
gar, buscar alimento e se reproduzir. Ao mesmo tempo, muitas
terra no Brasil espécies participam da reprodução das plantas, como é o caso de
O projeto vários insetos.
Encosta Viva, da As árvores que formam as florestas também previnem o desgaste
Universidade Federal
do solo e os deslizamentos de terra: a copa das árvores impede
do Rio de Janeiro
(UFRJ), promove que a chuva caia diretamente no solo, e as raízes ajudam a reter a água
pesquisa e ações da chuva, que ao escorrer pode arrastar partículas do solo. Quando a
socioeducativas mata é destruída ou substituída por cultivos agrícolas, o solo fica vul-
para a redução de nerável, prejudicando plantas e animais do entorno. Os deslizamentos
riscos e desastres
de terra prejudicam grande parte da população, destruindo moradias
associados a
deslizamentos de e prejudicando o transporte, o comércio e o turismo.
terra. Neste artigo, As florestas também influenciam o clima da região, pois as árvores
os pesquisadores lançam na atmosfera grandes quantidades de vapor de água pela
Arthur Medeiros e
transpiração, além da água que evapora dos solos. Devido a sua gran-
Frederico Maciel
fazem um histórico de extensão, a Floresta Amazônica tem forte influência no clima de
de deslizamentos de várias regiões do planeta, pois dá origem a massas de vapor de água
terra no Brasil que são carregadas pelos ventos para outras regiões, como o Sudes-
e informam a te do Brasil.
importância do
Marco de Sendai No entanto, parte significativa das florestas tropicais tem sido des-
na prevenção truída para extração de minérios e de madeira, bem como para dar lugar
de desastres. a lavouras, pastos e hidrelétricas em regiões de rios. A mineração na
Disponível em:
Amazônia, feita sem controle do impacto ambiental e sem fiscalização
[Link]
net/4l47gw. Acesso das condições de trabalho, afeta o ambiente e a qualidade de vida das
em: 14 set. 2024. populações dessa região, especialmente indígenas. Além disso, os ani-
mais silvestres são vítimas de caça, de comércio ilegal e da pesca sem
controle.
A Mata Atlântica foi o bioma brasileiro que mais sofreu com a ocupa-
ção humana, desde o início da colonização. A extração do pau-brasil
(usado como fonte de corante vermelho para tecidos), o ciclo da
Tarcísio Schnaider/Pulsar Imagens

cana-de-açúcar e o do café, a mineração, a extração de madeiras


nobres, a pecuária, a caça predatória e o crescimento das cidades
causaram e têm causado grande devastação na região.
A destruição das florestas tropicais acarreta a extinção de espé-
cies pela perda de seu hábitat. O desmatamento é feito muitas vezes
por meio de queimadas (figura 27.10), que destroem os microrganis-
27.10 Santarém (PA) mos do solo, prejudicando a decomposição da matéria orgânica e a
encoberta por fumaça
dos incêndios na floresta
reciclagem dos nutrientes, além de poluir o ar e aumentar a concen-
em 2023. tração de gases do efeito estufa.

390
Os impactos nesses biomas também colocam em risco a sobrevi-
vência dos povos e das comunidades tradicionais, como as comuni-
dades indígenas, quilombolas, as dos seringueiros, castanheiros,
ribeirinhos, entre outras, que utilizam práticas e conhecimentos trans-
mitidos de geração a geração e que dependem diretamente dos re-
cursos naturais disponíveis.
Embora nem sempre coincida com o que se encontra na ciência, o
conhecimento transmitido dentro das comunidades tradicionais tem
grande valor. Esse conhecimento é a base da etnociência e pode ser

Andre Dib/Pulsar Imagens


utilizado para preservar a diversidade cultural e para estabelecer uma
relação mais sustentável com o ambiente.
Muitas comunidades tradicionais utilizam técnicas de exploração
dos recursos naturais sem comprometer os ecossistemas. Um exem-
plo são os seringueiros, que formam comunidades que dependem da
extração de látex das árvores conhecidas como seringueiras (Hevea
brasiliensis; em média, 25 m de altura). A obtenção desse recurso, usa-
do na produção da borracha natural, não implica a derrubada de árvo-
27.11 Coleta de látex, em
res (figura 27.11).
Apuí (AM), 2020.
Explorada em pequena escala desde o início do século XIX, a ex-
tração da borracha intensificou-se na Amazônia a partir de 1860. Prin-
cipalmente entre os anos de 1905 e 1912, a exportação do látex
chegou perto de ter importância econômica comparável à do café.
Nesse período, que ficou conhecido como Ciclo da Borracha, ocorreu
o maior movimento de migração brasileira em direção à Amazônia.
Estima-se que 500 mil pessoas tenham chegado à região da Flo-
resta Amazônica vindas do Nordeste para trabalhar nos seringais.
# Fica a dica !
O extrativismo da borracha, comandado por empresas estrangeiras, 7 coisas que a
contribuiu para a forma como a cidade de Manaus se desenvolveu. ciência “descobriu”
séculos depois dos
O Teatro Amazonas é um exemplo de construção daquela época,
povos indígenas
inaugurado em 1896 (figura 27.12). Desde então recebeu todo tipo de
Os povos indígenas
espetáculo: óperas, musicais, peças de teatro, shows de cantores líri- contribuíram
cos e populares, orquestras e muitos outros. Além de casa de espetá- significativamente
culos, o Teatro Amazonas é um lugar de referência fundamental para a para diversas
cidade, funcionando como centro cultural. áreas da Ciência,
como a Agronomia,
Nelson Antoine/Adobe Stock

a Medicina, a
Engenharia e a
Biologia. O artigo
relaciona sete
descobertas da
ciência que há
27.12 Teatro muito tempo já eram
Amazonas em conhecidas por
Manaus (AM), povos indígenas.
2021.
O local foi o
Disponível em:
antigo Palácio [Link]
da Justiça e é ohn96a. Acesso em:
o atual Centro 14 set. 2024.
Cultural.

391
Pampas
Além das florestas tropicais, o Brasil também é ocupado por bio-
mas com formações vegetais características de campos e savanas.
Os Pampas ocupam cerca de 2% do território brasileiro e são
também chamados de Campos Sulinos ou Campos do Sul. Lo-
calizam-se no estado do Rio Grande do Sul e são caracterizados
pelo predomínio de vegetação de pequeno porte, como capins
(gramíneas), com algumas árvores e arbustos (figura 27.13).
Jac o b J
. Ev

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens


eri
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Shu

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to
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27.13 Paisagem
dos Pampas na Área de
Proteção Ambiental
do Ibirapuitã (RS), 2020.
No detalhe, maçarico-
-do-campo (Bartramia
longicauda; cerca de
30 cm de altura), ave
que chega ao Pampa
proveniente da
América do Norte. O clima nos Pampas é subtropical, com média anual de temperatu-
ra de 18 °C e com as quatro estações do ano bem definidas: o verão
Os Pampas não são apresenta temperaturas altas, e no inverno são comuns as geadas.
habitados por grandes
mamíferos atualmente,
Esse bioma abriga mamíferos terrestres, como o veado-campeiro, o
mas registros fósseis gato-do-pampa e o guaxinim. Entre as aves, encontram-se o marreco,
mostram que há cerca
o tachã e o quero-quero. O Pampa é considerado um local de relevân-
de 8,5 mil anos havia
espécies de preguiças cia para aves migratórias, que se deslocam na busca por recursos ali-
e tatus gigantes. mentares e propícios para a reprodução. Há aves que chegam no ve-
rão e que partem durante as épocas mais frias para outras regiões.
Por causa do clima e do relevo, a região dos Pampas é explorada
As frequentes
queimadas e o para o cultivo de monoculturas (plantações de uma só espécie) de tri-
pastoreio do gado go, arroz, milho e soja, além da pecuária. A ocupação desses locais
aceleram a erosão e o
esgotamento do solo.
vem provocando o desmatamento e a extinção de vários animais de-
vido à perda de seu hábitat natural.

Cerrado
O Cerrado é a segunda área mais rica em biodiversidade no país,
depois da Amazônia. Apesar de apresentar uma vegetação composta
principalmente de capins, árvores baixas e arbustos esparsos, apre-
espécies endêmicas: senta muitas espécies endêmicas. O clima do Cerrado é quente e
aquelas que ocorrem úmido no verão e frio e seco no inverno, com temperatura média
somente em uma
determinada região anual de 23 °C. As chuvas são mais frequentes no verão e na primavera.
geográfica.
Na estação seca, fenômenos naturais, como raios e atrito entre ro-
chas, podem provocar queimadas. Apesar de poderem ocorrer natu-
ralmente, há queimadas intencionais promovidas, por exemplo, para a
prática de atividade agropecuária.

392
O fogo natural no Cerrado nem sempre é prejudicial. Conforme a # Fica a dica !
intensidade e a duração do fogo, as árvores permanecem vivas graças
a adaptações como: raízes profundas e caules subterrâneos; presença Coisas do Cerrado
de uma cutícula espessa no caule, que age como isolante térmico; pre- Página elaborada
pela Unesp
sença de cutícula impermeável nas folhas, que protege contra a perda
(Universidade
de água. Estadual
Durante a seca, as folhas de algumas espécies de plantas caem, re- Paulista) sobre
duzindo a perda excessiva de água por transpiração. Outras espécies o fogo e outras
características do
perdem também seus ramos, restando apenas o caule subterrâneo,
Cerrado. Disponível
que permite que a planta brote novamente após um incêndio ou uma em: [Link]
seca prolongada. Há espécies que dependem do fogo para sua repro- ka9fom. Acesso em:
dução, e as queimadas naturais e superficiais permitem a reciclagem 23 ago. 2024.
de nutrientes do solo.
As árvores desse bioma têm, em geral, caules tortuosos e retorcidos e 27.15 (A) Sagui-do-
-tufo-preto (Callithrix
raízes profundas, que atingem reservas de água subterrânea (figura 27.14). penicillata; cerca de 25 cm
de comprimento, fora
O tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o sagui, o rato-do-mato, a
a cauda). Os saguis são
anta e o lobo-guará são exemplos de mamíferos que ocorrem no Cerra- animais arborícolas que
do. Mais de um terço das espécies de aves brasileiras vive no Cerrado, apresentam alimentação
variada, consumindo
entre elas a seriema, a gralha-do-campo, a asa-branca, o papagaio-gale- desde frutas até insetos
go, a araraúna, a ema (maior ave das Américas), o carcará e o urubu-rei. A e pequenos vertebrados.
(B) Seriema (Cariama
figura 27.15 mostra exemplos de animais do Cerrado. cristata; cerca de
70 cm de altura), ave típica
Apesar da rica biodiversidade, grande parte do Cerrado já foi subs-
do Cerrado; seu canto
tituída por campos de agricultura e pecuária. O manejo inadequado do pode ser ouvido a mais de
solo, o uso sem controle de defensivos agrícolas, contaminando o solo 1 quilômetro de distância.

ABnatureza/Shutterstock
e a água, o desmatamento excessivo e incêndios descomedidos têm
levado ao esgotamento e à erosão do solo. A
Munique Bassoli/
Pulsar Imagens

27.14 Aspecto da vegetação típica do Cerrado:


gramíneas, arbustos e árvores baixas com
tronco retorcido. Parque Nacional da Chapada
dos Veadeiros, Alto Paraíso de Goiás (GO), 2023.
ck
huttersto
ortugal/S
oneclickp B

393
O aspecto árido, Caatinga
desbotado e sem
folhas verdes deu A Caatinga ocupa pouco mais de 11% do território brasileiro e es-
nome a esse bioma: tende-se por estados do Nordeste e de Minas Gerais. O clima é
Caatinga. O termo é de
origem tupi e significa semiárido, com temperatura média anual de 27 ¡C, e seco, com baixo
“mata branca”, em volume de chuva e períodos de seca prolongada.
referência às plantas
que perdem as folhas Na época da seca, muitos rios e lagoas secam e a maioria das árvo-
nos períodos secos, res perde as folhas (figura 27.16). Quando chove, as árvores se cobrem
restando apenas os
galhos esbranquiçados. de folhas e a paisagem volta a ficar verde.
Como as plantas transpiram pelas folhas, a queda das folhas du-
Outras adaptações
rante a estiagem é uma adaptação ao clima seco. Algumas plantas,
das plantas ao clima como os cactos, armazenam água em tecidos da raiz ou do caule. Além
seco são: capacidade
disso, elas têm as folhas transformadas em espinhos, ou bastante im-
do caule ou da raiz
de armazenar água; permeáveis, o que diminui a perda de água.
folhas transformadas
em espinhos, o que
Na Caatinga, são comuns as plantas da família das cactáceas, como
reduz a perda de o quipá, de porte arbustivo, e os cactos arborescentes, como o man-
água (a fotossíntese
dacaru, o facheiro, a coroa-de-frade e o xiquexique.
pode ocorrer pelo
caule) e raízes bem Na fauna, observa-se a presença de répteis (calango, serpentes e
desenvolvidas que
absorvem águas
jabutis), anfíbios, aves (carcará, pomba-avoante, galo-de-campina) e
profundas. mamíferos (cutia, gambá, preá, sagui-do-nordeste, macaco-prego, cai-
titu). Em sua maioria, os animais da Caatinga possuem hábitos noturnos,
o que permite a eles evitar o calor excessivo durante o dia (figura 27.17).
As mudanças climáticas têm feito com que certas regiões do Nor-
deste passem por períodos de seca prolongada acima do padrão, di-
minuindo a cobertura vegetal dessas regiões. Essas alterações, so-
madas ao desmatamento para extração de minérios e práticas
27.17 O tatu-bola
(Tolypeutes tricinctus; agropecuárias, podem levar a um processo conhecido como deserti-
50 cm de comprimento) ficação: o solo fica sem proteção contra a erosão, perde sua camada
sai para se alimentar
ao anoitecer, quando fértil e torna-se arenoso e estéril. Há perda de fauna e flora, aumento
as temperaturas estão do risco de incêndios e aumento da contaminação por parasitas em
mais amenas e há menor
risco de ataque por
razão da falta de água potável.
predadores. Algumas alternativas para reverter esse processo são: o reflores-
tamento, ou a reconstituição da vegetação natural; os investimentos Leo Caldas/Pulsar Imagens

em obras de captação de água; e a assistência técnica aos agriculto-


rena
lamy/Fotoa

res para um manejo mais sustentável.


/A

27.16 Vegetação típica da


hier/VWPics

Caatinga na seca, município


de Canapi (AL), 2021.
Francois Go

394
Pantanal Vídeo
Luciano Queiroz/Pulsar Imagens
O Pantanal, também chamado de Pantanal Mato-
-Grossense, situa-se nos estados de Mato Grosso e
Mato Grosso do Sul, estendendo-se até a Bolívia e o
Paraguai. O verão é quente e úmido, com chuvas for-
tes e frequentes, características do clima tropical. No
inverno, frio e seco, chegam massas de ar frio do polo
sul, provocando a queda da temperatura.
Cerca de dois terços do Pantanal ficam alagados na
época das chuvas abundantes, quando os numerosos
rios que cortam as planícies transbordam (figura 27.18).
O solo recebe então fertilizantes naturais vindos da
água dos rios das regiões mais altas. Nos meses res-
tantes, permanecem na região várias lagoas que se for-
maram com as enchentes. 27.18 Pantanal, Barão de
Melgaço (MT), 2020.
A vegetação varia de acordo com o tipo de solo, a altitude e o
alagamento ou não da região. Dependendo do local, há uma vegeta-
ção típica de biomas próximos, como Floresta Amazônica, Cerrado e
Mata Atlântica, além da vegetação das lagoas e rios, onde algumas
plantas aquáticas têm tecidos com cavidades cheias de ar que faci-
litam a flutuação.
Esse bioma registra uma rica diversidade de aves, como a arara, o
# Fica a dica !
tucano, a ema e a seriema. Muitas delas são migratórias, vindas de ou- Pantanal tem este
tras regiões em busca de alimento, como o tuiuiú (ave símbolo do Pan- ano maior área
queimada em junho
tanal). Por causa da facilidade de deslocamento, as aves migratórias
A notícia informa
podem aproveitar os ciclos de enchentes e vazantes (quando as águas que, em 30 dias,
voltam aos rios) do Pantanal. as queimadas
consumiram 411 mil
Entre os problemas que ameaçam esse bioma estão as gran- hectares do Pantanal
des criações de gado, que aceleram a erosão do solo e causam o de Mato Grosso
assoreamento de alguns rios; o garimpo de ouro, que polui os rios e Mato Grosso
do Sul. Disponível
com mercúrio; a caça ilegal e a pesca predatória, que ameaçam a em: [Link]
fauna da região. net/8id4kq. Acesso
em: 20 set. 2024.
O uso sustentável dos recursos do Pantanal deve levar em conta
as particularidades e as fragilidades desse bioma. É preciso, por
exemplo, fiscalizar e controlar a pesca para evitar a captura de peixes
na época de reprodução e para impedir o uso de redes de malhas
muito finas, que apanham filhotes. A caça e a captura de animais sil-
vestres também precisam ser combatidas. assoreamento:
acúmulo de terra no
Por outro lado, o estímulo ao turismo ecológico, em parceria com fundo do rio que o torna
as comunidades locais, pode ser uma forma de contribuir para a pre- mais raso, diminuindo
sua capacidade de
servação do Pantanal. escoamento.

395
Mata das Araucárias e Mata dos Cocais
[Link]/Shutterstock

A A Mata das Araucárias, também chamada de pinheiral ou Floresta


das Araucárias, é um tipo de floresta de clima subtropical que se en-
contra nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, em regiões de maior altitude. É um ecossistema com quatro
estações bem marcadas, temperaturas mais baixas no inverno e chu-
vas regulares, principalmente no verão.

Anderson Coelho/AFP
A espécie vegetal predominante é a araucária, ou pinheiro-
B
-do-paraná. Também podem ser encontradas a canela, a im-
buia e a erva-mate, entre outras plantas.
O pinheiro-do-paraná tem folhas compactas, longas e
em forma de agulhas, protegidas por uma camada de cera.
Essas características podem ser consideradas adaptações
ao clima frio porque reduzem a perda de água por transpira-
ção. No inverno, a água do solo pode congelar, reduzindo a
quantidade de água disponível para a absorção pelas raízes.
27.19 (A) Gralha-azul Entre os animais, há várias espécies de insetos, de mamíferos,
(Cyanocorax caeruleus;
cerca de 40 cm de como o tatu, e de aves, como o sabiá e a gralha-azul (figura 27.19). O
comprimento). (B) Mata pinhão, a semente do pinheiro-do-paraná, é o alimento de muitos ani-
das Araucárias em
Bom Jardim da Serra mais dessa região.
(SC), 2020.
A maior parte da Mata das Araucárias foi devastada para a retirada
de madeira e para o cultivo de eucalipto e de pinheiros do gênero Pinus,
que são utilizados, principalmente, na produção de móveis e de papel.
A Mata dos Cocais ou babaçual está localizada principalmente nos
# Fica a dica ! estados do Maranhão, Piauí e Ceará, entre a Floresta Amazônica e a
Quebradeiras Caatinga. O clima é quente, e a disponibilidade de água pode variar de
de coco babaçu acordo com a região.
preservam tradição
Esse ecossistema é formado por vários tipos de palmeira, como o
no interior do
Maranhão babaçu (planta predominante), a carnaúba, a oiticica e o buriti. As se-
Artigo da revista
mentes, as folhas e os frutos dessas palmeiras são usados pelas co-
Retratos, do munidades tradicionais da região para diversos fins.
IBGE, que traz A Mata dos Cocais tem sido intensa-
Ricardo Teles/Pulsar Imagens

informações e
mente desmatada para ceder espaço às
imagens para
contar sobre a vida monoculturas, como a soja. Essa forma
das quebradeiras de produção prejudica o ambiente e as
de coco e sua pessoas que dependem da comerciali-
cultura. Disponível zação dos produtos locais, como as ma-
em: [Link]
térias-primas extraídas do babaçu e da
net/338buk. Acesso
em: 22 ago. 2024. carnaúba. Por exemplo, nos estados do
Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará vivem
as mulheres conhecidas como quebra-
27.20 Mulheres deiras de coco-babaçu (figura 27.20).
quebradeiras de São mais de 300 mil trabalhadoras que
coco-babaçu
trabalhando em
dependem do extrativismo dessa pal-
Monção (MA), 2023. meira como atividade econômica.

396
Tales Azzi/Pulsar Imagens

Sistema costeiro-marinho
A influência do mar, na região do litoral, possibilita a
formação de ecossistemas diversos. O sistema costei-
ro-marinho é um ambiente de transição entre o mar e a
porção terrestre continental. Ele se estende por todo o
litoral brasileiro e reúne ecossistemas tão diversos
quanto manguezais, praias e recifes de corais.
A faixa marítima do sistema costeiro-marinho abrange
o mar territorial brasileiro, o que inclui as ilhas e os atóis,
bem como os recifes de corais. A faixa terrestre dele, por
estar em contato com os diferentes biomas, é influen- 27.21 Árvores (gênero
Avicennia; entre 3 m
ciada por eles e pela proximidade com o mar. Nessa

A m a d e u _ It
e 30 m de altura) em
faixa, encontram-se praias, dunas, restingas, costões manguezal de Cairu
rochosos, lagunas, estuários, manguezais e marismas. (BA), 2021.

o/S
hu
Há áreas de manguezal, também conhecido como floresta de man-

tt e
rs
to
ck

gue, em vários locais da costa brasileira, ocupando regiões onde o


mar se encontra com a água doce dos rios (figura 27.21). 27.22 No Brasil,
muitas pessoas
A matéria orgânica carregada pela água dos rios forma uma região conseguem seu
sustento com a
de solo lodoso, alagada por água salobra e mal arejada. Essas condi- comercialização de
ções limitam o desenvolvimento da vegetação, que é pouco diversifi- caranguejos (Ucides
cordatus; carapaça
cada. Entre as adaptações encontradas em algumas plantas do
com cerca de 6 cm
manguezal estão as ramificações inferiores do caule, que ajudam na de largura).
sustentação da planta, e as ramificações das raízes para acima do solo,
conhecidas como pneumatóforos. Os pneumatóforos afloram do solo
encharcado e facilitam a absorção do oxigênio do ar. Existem
aproximadamente
O manguezal é importante para a reprodução de muitas espécies 10 000 km2 de área
de manguezal no
de animais. Nele vivem diversos invertebrados, como poliquetas, mo- Brasil, desde o Amapá
luscos e crustáceos, e vertebrados, como peixes, se reproduzem nos até Santa Catarina.
manguezais, enquanto diversas espécies de aves, répteis e mamífe- O estado de São
Paulo concentra
ros buscam alimento nesse ambiente. Muitas comunidades tradicio- grandes áreas desse
nais também dependem dos manguezais para alimentação e renda ecossistema, com
240 km2 de manguezais.
(figura 27.22).
Os manguezais, assim como boa parte da área costeira, são amea-
çados pelo crescimento das cidades e pela implantação de portos. água salobra:
Outra grande ameaça é a poluição causada pelo despejo tanto de es- mistura de água doce
goto sem tratamento quanto de combustível de embarcações. e salgada.

Fim de conversa
Neste tema, analisamos algumas características do ambiente e dos seres vivos em biomas e
alguns ecossistemas brasileiros. Ao relacionar essas características, pudemos perceber o papel da
seleção natural na formação das diversas espécies.
A compreensão sobre como a biodiversidade se formou e se mantém é fundamental para avaliar
e prever os efeitos de intervenções humanas nos ecossistemas, possibilitando o planejamento de
ações mais sustentáveis. Peça aos estudantes que voltem à abertura do tema e respondam novamente às pergun-
tas do boxe Início de conversa. Sugira que comparem suas respostas com aquelas dadas anteriormente. Questione-os se o
que eles sabiam antes de estudar este tema é diferente do que eles sabem agora sobre os biomas brasileiros, bem como
sobre o clima e as adaptações dos organismos vivos. 397
1a. Folhas com essas características têm grande superfície de ex- 2. As raízes das árvores das Florestas Tropicais cos-
posição à luz, o que favorece a realização da fotossíntese e pode tumam ser superficiais, já que a maior parte dos nu-
compensar a menor exposição ao sol em função da baixa estatura. trientes fica concentrada na camada superior do solo.

AT I V I D A D E S F I N A I S Não escreva no livro

4. Proibição da pesca em épocas de reprodução dos peixes e do uso de redes de malha fina, que capturam
filhotes; aumento da fiscalização e repressão à caça clandestina; estímulo ao turismo ecológico.
1. Algumas plantas de Florestas Tropicais não são c) I – Mata Atlântica; II – Cerrado; III – Floresta
muito altas, mas têm folhas grandes e largas. Amazônica; IV – Caatinga.
a) Que vantagem esse tipo de folha pode tra- d) I – Mata Atlântica; II – Pampas; III – Floresta
zer às plantas que vivem nesse ambiente? Amazônica; IV – Cerrado.
b) Por que plantas com essas características e) I – Pampas; II – Mata Atlântica; III – Cerrado;
não são comuns em ecossistemas mais IV – Floresta Amazônica.
1b. Porque as folhas grandes e largas favore-
secos? cem a perda de água por transpiração, o que
seria prejudicial em um ambiente seco. 8. (Fuvest-SP) “O Brasil possui a segunda maior
2. As raízes das árvores das Florestas Tropicais área de cobertura de manguezais do globo.
costumam ser superficiais ou profundas? Esses ecossistemas proporcionam segurança
Justifique sua resposta. alimentar às populações costeiras; hábitat
3. Se o solo da Floresta Amazônica é pobre em para as espécies terrestres, aves e peixes; e se-
sais minerais, como ele pode sustentar tanta questro de carbono. A conservação dos man-
riqueza no que diz respeito à fauna e à flora? guezais também é uma solução eficaz para o
Consulte o Manual do Professor. clima. No entanto, esses ecossistemas e seu
4. Cite algumas medidas que devem ser toma-
vasto potencial natural de armazenamen-
das para impedir a destruição do Pantanal.
to de carbono são vulneráveis aos impac-
5. Por que a retirada da vegetação original é tos causados por atividades antrópicas. No
prejudicial a um ecossistema, mesmo quan- Brasil, aliás, os manguezais estão em perigo.
do o desmatamento é feito para o cultivo de Em 2020, o governo brasileiro aprovou legisla-
outras plantas, como a soja? ção que eliminaria a proteção de manguezais
6. Embora não ocorram no Brasil catástrofes em benefício do desenvolvimento imobiliário.
naturais como erupções vulcânicas, períodos Felizmente, em dezembro de 2021, o Supremo
de chuvas intensas são comuns em algumas Tribunal Federal considerou essa legislação
regiões. Por que o desmatamento favorece a inconstitucional”. 8. Alternativa b.
ocorrência dessas catástrofes? BEZERRA et al. 2022. “Brazil’s mangroves: Natural
Consulte o Manual do Professor. carbon storage”. Science, 375(6586): 1239. Adaptado.
7. (Fuvest-SP) A tabela lista características bió-
Com base no texto, o processo biológico e
ticas e abióticas associadas a alguns biomas
a atividade socioeconômica sustentável que
brasileiros. 7. Alternativa d.
explicam a importância dos manguezais são,
Tipo de
Volume de Zona
respectivamente,
Bioma vegetação
chuvas climática
predominante a) a alta reciclagem de matéria orgânica e os
moderado a tropical, acúmulos de nutrientes para a exploração
I arbóreo
grande subtropical
de fertilizantes.
II herbáceo moderado temperada
b) o alto sequestro de carbono e o extrativis-
equatorial, mo por comunidades costeiras tradicionais.
III arbóreo grande
tropical
arbóreo, arbustivo tropical, c) a alta produtividade ecossistêmica e o
IV moderado
e herbáceo subtropical potencial de exploração para a indústria
Escolha a alternativa que lista os biomas cor- madeireira.
retos, na ordem em que aparecem nas linhas d) um estágio intermediário da sucessão
da tabela (I a IV).
ecológica litorânea e a proteção para as
a) I – Floresta Amazônica; II – Cerrado; áreas costeiras.
III – Mata Atlântica; IV – Caatinga. e) o alto armazenamento de carbono e as
b) I – Floresta Amazônica; II – Pampas; áreas planas que permitem expansões
III – Mata Atlântica; IV – Cerrado. imobiliárias.
5. O desmatamento retira plantas nativas de diversas espécies e tamanhos e as substitui por poucas variedades de pequenas
plantas, como soja e milho. Como os organismos de um ecossistema estão intimamente relacionados e apresentam adapta-
398 ções específicas, as novas plantas não garantem a sobrevivência dos animais e a de outros organismos nativos. Além disso,
as árvores nativas das florestas previnem a erosão do solo.

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