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Sentença

João Miguel Sampaio Sena ajuizou uma ação trabalhista contra Lopes e Bernardes Comércio de Alimentos Ltda, reivindicando reconhecimento de vínculo empregatício e pagamento de horas extras, entre outros pedidos. O juiz reconheceu o vínculo desde 22/08/2023, mas indeferiu pedidos relacionados a salários e danos morais, além de não converter a demissão em rescisão indireta. A decisão inclui a retificação da CTPS e a apresentação de guias e-Social pela reclamada após o trânsito em julgado.

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Sabrina Letícia
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João Miguel Sampaio Sena ajuizou uma ação trabalhista contra Lopes e Bernardes Comércio de Alimentos Ltda, reivindicando reconhecimento de vínculo empregatício e pagamento de horas extras, entre outros pedidos. O juiz reconheceu o vínculo desde 22/08/2023, mas indeferiu pedidos relacionados a salários e danos morais, além de não converter a demissão em rescisão indireta. A decisão inclui a retificação da CTPS e a apresentação de guias e-Social pela reclamada após o trânsito em julgado.

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Fls.

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Poder Judiciário
Justiça do Trabalho
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região

Ação Trabalhista - Rito Ordinário


0010618-75.2024.5.03.0156

Processo Judicial Eletrônico

Data da Autuação: 29/07/2024


Valor da causa: R$ 63.310,70

Partes:
AUTOR: JOAO MIGUEL SAMPAIO SENA
ADVOGADO: FLAVIA ALVES DA SILVA
RÉU: LOPES E BERNARDES COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA
ADVOGADO: ALEXANDRE RODRIGUES DE OLIVEIRA SIGNORELLI
PERITO: KEYLA DIAS DE SOUZA
PAGINA_CAPA_PROCESSO_PJE
Fls.: 2

PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 3ª REGIÃO
VARA DO TRABALHO DE FRUTAL
ATOrd 0010618-75.2024.5.03.0156
AUTOR: JOAO MIGUEL SAMPAIO SENA
RÉU: LOPES E BERNARDES COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA

I – RELATÓRIO

JOAO MIGUEL SAMPAIO SENA, qualificado na petição inicial,


ajuizou reclamação trabalhista, em face de LOPES E BERNARDES COMERCIO DE
ALIMENTOS LTDA, postulando os pedidos deduzidos à inicial. Juntou documentos e
atribuiu à causa o valor de R$ 63.310,70.

A reclamada, devidamente notificada, apresentou defesa escrita,


instruída com documentos, na qual contestou os pedidos, pugnando pela
improcedência das pretensões.

Foram produzidas provas documental e oral. Sem outras provas


a serem produzidas, encerrou-se a instrução.

Razões finais remissivas. Propostas conciliatórias rejeitadas.

É o relatório. DECIDO.

II – FUNDAMENTAÇÃO.

DO RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO EM


PERÍODO ANTERIOR A ANOTAÇÃO.

A reclamada, em contestação, aduziu que o reclamante não lhe


prestou serviços sem registro na CTPS, competindo ao autor comprovar suas
alegações, nos termos do art. 818, I, da CLT.

Sobre o tema, a própria troca de mensagens anexadas pela


reclamada demonstra que em 22/08/2023 já havia prestação de serviços pelo
reclamante (fl. 185).

Dessa forma, DECLARO o vínculo empregatício entre as partes


desde 22/08/2023, com relação ao segundo contrato, devendo a CTPS ser retificada,
nos termos do art. 29 da CLT.

Para tanto, o reclamante deverá apresentar sua CTPS na


Secretaria da Vara, que intimará a reclamada para as anotações, no prazo de 05 dias

Assinado eletronicamente por: MARCOS VINICIUS BARROSO - Juntado em: 17/09/2024 16:09:34 - dc32821
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contados do trânsito em julgado, incorrendo em astreintes em caso de


descumprimento, quando as anotações serão feitas pelo Judiciário.

Fica desde já autorizada a anotação na CTPS digital, pelo e-


Social, conforme estabelecido na Portaria nº 1.065, de 23 de setembro de 2019 e da
Portaria nº 1.195, de 30 de outubro de 2019, comprovando nos autos no prazo de 05
dias, após intimação acima.

Fruto do vínculo de emprego reconhecido, a reclamada deverá


juntar aos autos, no prazo de 20 dias contados da intimação que a Secretaria da Vara
fará, depois do trânsito em julgado, as guias e-Social recolhidas do período contratual
ora reconhecido, observado o regime da competência mensal, sob pena de ser
expedido ofício à Receita Federal, e aplicada multa por descumprimento de ordem
judicial, a ser oportunamente fixada (art. 139, III e IV, do CPC).

Quanto à primeira contratação, nenhuma prova foi produzida


quanto ao período diverso da anotação. Portanto, considerando o conjunto probatório,
entendo que não restou comprovada a prestação de serviços em período anterior,
motivo pelo qual indefiro o pedido de retificação da CTPS.

DO SALÁRIO POR FORA.

O reclamante não produziu provas do alegado salário extra-


folha, ônus que lhe cabia (art.818, I, da CLT) e do qual não se desvencilhou.

Competia ao reclamante comprovar que recebia salário extra-


folha, nos termos do art. 373, inciso I, do CPC e art. 818, I, da CLT, o que não ocorreu,
razão pela qual indefiro o pedido de incorporação e os reflexos pecuniários
pretendidos.

DA JORNADA. HORAS EXTRAS E INTERVALARES. DOMINGOS E


FERIADOS.

O reclamante alega a existência de labor além do limite legal,


fazendo jus ao pagamento de horas extras, bem como de domingos e feriados em
dobro (com exceção do natal e ano novo). Alega ainda que não usufruía integralmente
do intervalo intrajornada.

A reclamada alegou que o intervalo intrajornada foi respeitado e


as horas extras laboradas foram devidamente quitadas, ou compensadas, não estando
submetido a controle de jornada após ser promovido ao cargo de gerente (a partir de
01/05/2024).

Assinado eletronicamente por: MARCOS VINICIUS BARROSO - Juntado em: 17/09/2024 16:09:34 - dc32821
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A testemunha Sheila declarou que o controle de jornada foi


instituído em 2024; que antes de ser gerente o reclamante era auxiliar de escritório;
que o escritório abre sábados, domingos e feriados, mas domingo não era registrado
no ponto; que o reclamante não tinha poderes para admitir e dispensar funcionários.

Já a testemunha Daniele declarou que tinha controle de ponto,


no início era feito no papel, depois no aplicativo; que o reclamante trabalhava
domingos e feriados, mas não registrava, a empresa só pagava R$90,00; que não fazia
1h de intervalo, só comia e já voltava.

Inexiste prova nos autos de que o reclamante se enquadrava na


hipótese do art. 62, II da CLT, de forma a não sujeitá-lo a jornada de trabalho e a
controle de horários.

Apesar da testemunha Sheila declarar que o controle de jornada


foi instituído em 2024, há registros anexados pela empresa desde dezembro de 2023.

Verifico que havia o controle de jornada, mas não foram


apresentados todos os controles de ponto do reclamante, em desacordo com o
previsto no art.74, §2º da CLT.

A ausência dos cartões de ponto gera presunção relativa de


veracidade da jornada de trabalho apontada na petição inicial, que pode ser elidida por
prova em contrário, o que só ocorreu nos períodos em que os registros foram
anexados.

Diante disso, para os dias em que não há anotações nos


controles de ponto, fixo a jornada do reclamante, com base na prova oral produzida e
nas alegações das partes:

- 1º contrato: 08h às 18h, com 10 minutos de intervalo, de


segunda a sábado, e em dois domingos por mês (a cada 15 dias); com labor aos
feriados, exceto natal e ano novo.

- 2º contrato: segunda a quinta, 08:00h às 20:00, com 03:00h de


intervalo; sexta das 08h às 21h, com 3h intervalo; sábado das 08h às 20h, com 10
minutos de intervalo; dois domingos por mês (a cada 15 dias) e feriados (exceto natal e
ano novo), das 08h às 18h, com 10 minutos de intervalo.

Nos termos do art. 71, §4º, da CLT, defiro ao reclamante o


pagamento, de natureza indenizatória, do tempo suprimido do intervalo intrajornada,
conforme se apurar.

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Na apuração, deverá ser observada a jornada registrada nos


cartões de ponto, e a jornada fixada, para os períodos em que o controle não foi
apresentado, assim como o adicional convencional de 100% previsto no parágrafo
único da cláusula 14ª da CCT: “O percentual de que trata o caput desta cláusula aplica-
se à hipótese do §4º do artigo 71, da CLT”.

Na ausência de CCT vigente, deverá ser observado o adicional


legal de 50%.

Considerando o disposto no art. 71, §4º, da CLT, com a redação


da Lei 13.467/17, rejeito a pretensão reflexos das horas intervalares.

Defiro o pagamento das horas excedentes à 8ª diária e/ou 44ª


semanal, como extras, de forma não cumulativa, não quitadas ou compensadas, com a
dedução dos valores quitados ao mesmo título, conforme se apurar em liquidação.

Na liquidação, devem ser observados o divisor 220; o adicional


convencional (cláusula 14ª), na ausência, o legal; e, para repousos e feriados, o
adicional de 100%; a jornada registrada nos cartões de ponto, e, na falta, a jornada
fixada, conforme calendário oficial; a dedução dos valores quitados ao mesmo título; a
Súmula 264 do TST; o disposto no art. 58, §1º, da CLT; Súmula 366, do TST e OJ 415 da
SDI-1 do TST; OJ 394 da SDI-1.

Defiro ainda o pagamento em dobro dos domingos e feriados


trabalhados (com exceção do natal e ano novo), sem prejuízo da remuneração do dia
(súmula 146 do TST), com a dedução dos valores quitados ao mesmo título, conforme
se apurar em liquidação.

Na apuração deverá ser deduzido o valor de R$90,00 pago pela


empresa pelo labor nos domingos e feriados, conforme comprovou a prova oral.

Oportunamente, após decisão quanto ao pedido de rescisão


indireta, apreciarei os reflexos da verba ora deferida.

DOS DIREITOS PREVISTOS NA CCT. DA MULTA CONVENCIONAL.

Considerando que a prova oral comprovou o labor em feriados,


defiro o pagamento do abono previsto no parágrafo terceiro, da cláusula 26ª da CCT,
conforme se apurar, apenas para a segunda contratação, diante da vigência das
convenções anexadas.

Descumprida as cláusulas normativas (parágrafo segundo e


terceiro) da cláusula 26ª, defiro o pagamento da multa convencional prevista no
parágrafo décimo primeiro, no valor de R$2.000,00.

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DOS DANOS MORAIS - ASSÉDIO MORAL

A responsabilidade civil é disciplinada, em linhas gerais, pelos


artigos 186, 187 e 927 do Código Civil Brasileiro, aplicáveis na seara trabalhista por
força do art. 8º do texto consolidado.

Seus pressupostos são a conduta, omissiva ou comissiva, dolosa


ou culposa, do agente que cause danos a direitos de outrem, sejam de ordem material
ou moral (neste último caso, o dano é indenizável também com base no art. 5º, V e X,
da Constituição da República e nos arts. 11 e seguintes do Código Civil Brasileiro).

No caso dos autos, a inicial relata que o trabalhador sofreu


humilhações, sendo tratado com rigor e vigilância excessivos.

A testemunha Daniele declarou que já presenciou a Sra. Andreza


gritando quando chegava mercadoria, vinha com grosseria perguntando porque não
tinha sido cadastrada, porque não tinha guardado, falava na frente de qualquer um,
com grosseria.

Já a testemunha Sheila declarou que não viu a Sra. Andreza


gritar com alguém; que o relacionamento era bom, sempre conversava, se tinha
alguma coisa, ela chamava o reclamante para conversar e resolver; que nunca viu o
reclamante ser destratado.

A prova oral não provou que o reclamante era humilhado, ou


submetido a situações vexatórias.

Fiquei convencido de que a Sra. Andreza possuía um


comportamento ríspido, mas não ofensivo ao trabalhador.

O reclamante não produziu provas acerca das alegações, ônus


que lhe cabia (art. 818, I, da CLT), razão pela qual, indefiro o pedido.

DA REVERSÃO DO PEDIDO DE DEMISSÃO EM RESCISÃO


INDIRETA.

O reclamante pleiteia a conversão do seu pedido de demissão


em rescisão indireta, pois o real motivo do término da prestação dos serviços foram as
condutas ilícitas praticadas pelo empregador, que descumpriu obrigações essenciais
do contrato, não registrando a CTPS na data em que efetivamente iniciou o labor,
deixando de recolher o FGTS, não pagou horas extras e descumpriu normas coletivas.

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Nos termos do art. 104 do Código Civil a validade do negócio


jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou
determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.

No caso, o reclamante é capaz, o objeto da declaração de


vontade é lícito e a CLT não prevê solenidade para a manifestação da vontade quando
se trata de pedido de demissão.

Aliás, o reclamante, maior e civilmente capaz, sabe ou deveria


saber que, quando a empresa não cumpre as obrigações dela, o empregado deve
pleitear a rescisão indireta, e não pedir demissão.

De outra parte, não restou evidenciada nos autos a hipótese de


erro ou ignorância nem conduta dolosa por parte da reclamada, para que o reclamante
formulasse o seu pedido de demissão.

O fato de ter reconhecido o vínculo em período anterior à


anotação, não demonstra que o trabalhador foi coagido a pedir demissão, sequer há
imediatidade na conduta, pois permaneceu na empresa por 9 meses.

O mero não recolhimento do FGTS não é considerada falta grave


do empregador para autorizar a rescisão do contrato. Trata-se de fundo, com
destinação vinculada, e que o acesso a ele é apenas nas restritas hipóteses do art. 20,
da Lei 8.036/90. Não iminente ou potencial prejuízo ao trabalhador.

Sobre as verbas deferidas, trata-se de questão discutível (tanto


que aqui analisei) e com isso, não há falta grave do empregador que autorize a
terminação do contrato, mas que recebe o tratamento devido pelo Judiciário.

Não existindo vícios na manifestação de vontade do reclamante,


mas tão somente entendimento dele quanto ao vivenciado na empresa, indefiro a
conversão do pedido de demissão em rescisão indireta, bem como indefiro todos os
direitos decorrentes dessa conversão.

DOS REFLEXOS DEVIDOS.

Tendo em vista o indeferimento do pedido de rescisão indireta


nesta decisão e que houve o pedido de demissão, defiro os reflexos em férias + 1/3, 13º
salários e FGTS (a ser depositado).

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

O reclamante recebia remuneração inferior à 40% do teto da


Previdência, declarou sua condição de pobreza e requereu a assistência judiciária,

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razão pela qual DEFIRO, em seu favor, os benefícios da gratuidade da justiça, a teor do
artigo 790, §3º, da CLT.

DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA

Considerando o disposto no art. 791-A, da CLT, tomando em


conta o zelo dos profissionais que atuaram no feito, presumindo o tempo de trabalho
dos Advogados como médio, arbitro os honorários sucumbenciais em 5% do valor
líquido apurado em liquidação, devidos pelo reclamado ao procurador do reclamante.

Indefiro o pedido de honorários sucumbenciais em favor dos


procuradores da reclamada, em razão do que restou decidido pelo STF, no julgamento
da ADI 5766, uma vez que devo obediência ao julgado, pelo disposto no art. 927, IV, do
CPC.

ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS – ADC 58 E 59 – ADI 5867 E 6021.

Cumprindo o decidido pelo Supremo Tribunal Federal nas


ações acima referidas, a atualização dos créditos decorrentes de condenação
trabalhista, na fase pré-processual, será calculada observando o IPCA-E e juros legais
(art. 39, caput, da Lei 8.177, de 1991 ou art. 1º-F, da Lei 9.494/1997), e após a citação, os
cálculos deverão observar a taxa SELIC (juros e correção monetária).

DO PJE – CALC.

Liquidada a sentença pelo(a) Auxiliar da Justiça (art. 149, do


CPC), deverá o profissional juntar aos autos, além de eventual planilha, a memória
elaborada no PJe-Calc, o que permitirá ao eventual devedor elaborar sua atualização e
recolhimentos de FGTS e tributos pelo e-Social.

LIMITAÇÃO DO VALOR DA CONDENAÇÃO.

Considerando o disposto no art. 927, V, do CPC, que


determina que os Juízes e Tribunais, de qualquer instância, devem observar a
jurisprudência dos Tribunais Superiores, que a SDI-1 é a Subseção especializada da
Corte Superior Trabalhista em uniformizar a jurisprudência dos dissídios individuais, e
tendo ela decidido de maneira firme, conforme AIRR10472-61.2015.5.18.0211, que a
ausência de ressalva por ocasião da indicação de valores na petição inicial, ou de o
reajuste de valores na réplica, após a apresentação dos documentos da defesa,
importará na obrigatória observância ao disposto no art. 492, do CPC.

No caso dos autos, consta da petição inicial a ressalva de que os


valores indicados são mera estimativa do valor dos pedidos e, portanto, não servirão
de limitação da apuração da importância devida.

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III – CONCLUSÃO.

Posto isso,

JULGO PROCEDENTES EM PARTE os pedidos formulados por


JOAO MIGUEL SAMPAIO SENA em face de LOPES E BERNARDES COMERCIO DE
ALIMENTOS LTDA, para condenar a reclamada nas seguintes obrigações:

a) Retificar a CTPS do reclamante com relação a segunda


contratação, para constar a data de admissão em 22/08/2023.

Para tanto, o reclamante deverá apresentar sua CTPS na


Secretaria da Vara, que intimará a reclamada para as anotações, no prazo de 05 dias
contados do trânsito em julgado, incorrendo em astreintes em caso de
descumprimento, quando as anotações serão feitas pelo Judiciário.

Fica desde já autorizada a anotação na CTPS digital, pelo e-


Social, conforme estabelecido na Portaria nº 1.065, de 23 de setembro de 2019 e da
Portaria nº 1.195, de 30 de outubro de 2019, comprovando nos autos no prazo de 05
dias, após intimação acima.

Fruto do vínculo de emprego reconhecido, a reclamada deverá


juntar aos autos, no prazo de 20 dias contados da intimação que a Secretaria da Vara
fará, depois do trânsito em julgado, as guias e-Social recolhidas do período contratual
ora reconhecido, observado o regime da competência mensal, sob pena de ser
expedido ofício à Receita Federal, e aplicada multa por descumprimento de ordem
judicial, a ser oportunamente fixada (art. 139, III e IV, do CPC).

b) Pagamento, de natureza indenizatória, do tempo suprimido


do intervalo intrajornada, conforme se apurar.

Na apuração, deverá ser observada a jornada registrada nos


cartões de ponto, e a jornada fixada, para os períodos em que o controle não foi
apresentado, assim como o adicional convencional de 100% previsto no parágrafo
único da cláusula 14ª da CCT.

Na ausência de CCT vigente, deverá ser observado o adicional


legal de 50%.

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c) Pagamento das horas excedentes à 8ª diária e/ou 44ª


semanal, como extras, de forma não cumulativa, não quitadas ou compensadas, com
reflexos em férias + 1/3, 13º salários e FGTS (a ser depositado), com a dedução dos
valores quitados ao mesmo título, conforme se apurar em liquidação.

Na liquidação, devem ser observados o divisor 220; o adicional


convencional (cláusula 14ª), na ausência, o legal; e, para repousos e feriados, o
adicional de 100%; a jornada registrada nos cartões de ponto, e, na falta, a jornada
fixada, conforme calendário oficial; a dedução dos valores quitados ao mesmo título; a
Súmula 264 do TST; o disposto no art. 58, §1º, da CLT; Súmula 366, do TST e OJ 415 da
SDI-1 do TST; OJ 394 da SDI-1.

d) Pagamento em dobro dos domingos e feriados trabalhados


(com exceção do natal e ano novo), sem prejuízo da remuneração do dia (súmula 146
do TST), com reflexos em férias + 1/3, 13º salários e FGTS (a ser depositado), com a
dedução dos valores quitados ao mesmo título, conforme se apurar em liquidação.

Na apuração deverá ser deduzido o valor de R$90,00 pago pela


empresa pelo labor nos domingos e feriados.

e) Pagamento do abono previsto no parágrafo terceiro, da


cláusula 26ª da CCT, pelo labor no feriado, conforme se apurar, apenas para a segunda
contratação.

f) Pagamento da multa convencional prevista no parágrafo


décimo primeiro, da cláusula 26ª, no valor de R$2.000,00.

Concedo ao reclamante a gratuidade da justiça.

Honorários sucumbenciais, conforme fundamentação.

No caso dos autos, consta da petição inicial a ressalva de que os


valores indicados são mera estimativa do valor dos pedidos e, portanto, não servirão
de limitação da apuração da importância devida.

POR RAZÕES DE BOA FÉ PROCESSUAL, ORIENTO AS PARTES


PARA O SEGUINTE:

A) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO SÃO DESTINADOS A


REVER FATOS E PROVAS PRODUZIDAS E QUE FORAM APRECIADAS NO JULGAMENTO.
MENOS AINDA PARA MUDAR DECISÃO DESFAVORÁVEL À PARTE EMBARGANTE,
INCLUSIVE SE NO JULGAMENTO HOUVE ERRO DE APRECIAÇÃO DESTAS PROVAS. PARA
TODOS ESSES CASOS EXISTE O RECURSO ORDINÁRIO.

Assinado eletronicamente por: MARCOS VINICIUS BARROSO - Juntado em: 17/09/2024 16:09:34 - dc32821
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B) O JUIZ NÃO ESTÁ OBRIGADO A APRECIAR TODAS AS


PROVAS E ARGUMENTOS DAS PARTES, MAS APENAS A ANALISAR TODOS OS PEDIDOS
(ART. 141, DO CPC) E A FUNDAMENTAR SUAS DECISÕES (ART. 93, IX DA CF/88).

C) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SÃO DESTINADOS A


CORRIGIR AS FALHAS DE NÃO JULGAR PEDIDO FORMULADO (E QUE NÃO SEJA MATÉRIA
JÁ PREVISTA EM LEI, COMO POR EXEMPLO, OS JUROS DE MORA) , NÃO LANÇAR NO
DISPOSITIVO ITEM APRECIADO NA FUNDAMENTAÇÃO, OU AINDA A EXISTÊNCIA DE
CONTRADIÇÃO SOBRE O RACIOCÍNIO DESENVOLVIDO NA FUNDAMENTAÇÃO E O QUE
FOI LANÇADO NA CONCLUSÃO (ART. 897-A, DA CLT).

D) NÃO EXISTE PRÉ-QUESTIONAMENTO PARA RECURSOS DE


DECISÕES DA 1ª INSTÂNCIA E ENDEREÇADOS À 2ª INSTÂNCIA (AMPLO EFEITO
DEVOLUTIVO DA APELAÇÃO).

E) INTERPOR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SEM QUE


EXISTAM AS HIPÓTESES ACIMA, DE FORMA CLARA, IMPORTARÃO NA APLICAÇÃO DA
MULTA DO ART. 81, CAPUT, DO CPC (QUE DEVERÁ SER SUPERIOR A UM POR CENTO E
INFERIOR A DEZ POR CENTO DO VALOR CORRIGIDO DA CAUSA), COM A FIXAÇÃO DA
INDENIZAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA, PELO ATRASO, SEM JUSTIFICATIVA LEGAL, DA
DECISÃO FINAL (TRÂNSITO EM JULGADO) EM 4% DO VALOR DADO À CAUSA (ART. 81, §
3º, DO CPC), TUDO DE ACORDO COM O PREVISTO NOS ARTS. 80, VII, E 1.026, §§ 2º, 3º E
4º, TAMBÉM DO CPC.

A presente sentença foi liquidada dando cumprimento ao art. 4º,


da Recomendação 04/2018, da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho e, para tanto,
determinei a intimação do Auxiliar da Justiça, perito contador, para elaborar as contas,
no prazo de 10 dias, perito este que permanecerá à disposição das Doutas Instâncias
Recursais para adequação de cálculos em caso de eventuais reformas desta decisão, se
esse for o entendimento revisor.

Respeitosamente, informo às Doutas Instâncias Recursais que o


perito contador fará a atualização do Acórdão em 5 (dias), caso assim seja o
entendimento dos Excelentíssimos Julgadores, e que as decisões líquidas têm sido
muito úteis à Jurisdição em Frutal.

Por exemplo, tutelas são deferidas com precisão de valores e


não estimativas, é comum as partes, com o acórdão, celebrarem acordos com os
cálculos atualizados pelo perito contador, promovendo maior celeridade na entrega da
prestação jurisdicional, prestigiando ainda a conciliação justa em matéria de
referências de valores.

O(a) contador(a) deverá juntar aos autos o Pje-Calc.

Assinado eletronicamente por: MARCOS VINICIUS BARROSO - Juntado em: 17/09/2024 16:09:34 - dc32821
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Após a liquidação, o sigilo da sentença será liberado no PJE,


quando então as partes serão intimadas de toda a decisão.

FRUTAL/MG, 17 de setembro de 2024.

MARCOS VINICIUS BARROSO


Juiz Titular de Vara do Trabalho

Assinado eletronicamente por: MARCOS VINICIUS BARROSO - Juntado em: 17/09/2024 16:09:34 - dc32821
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Número do processo: 0010618-75.2024.5.03.0156
Número do documento: 24091716090287800000201465194

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