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Dhammapada

O Dhammapada ensina que a mente é o criador de todos os estados mentais e que ações impuras levam ao sofrimento, enquanto ações puras trazem felicidade. O caminho da iluminação envolve autocontrole, diligência e a prática do bem, seguindo as quatro nobres verdades e o caminho óctuplo do Buda. A verdadeira felicidade é encontrada na renúncia ao desejo e na prática da generosidade e da paz interior.

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Tulio Ferneda
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Dhammapada

O Dhammapada ensina que a mente é o criador de todos os estados mentais e que ações impuras levam ao sofrimento, enquanto ações puras trazem felicidade. O caminho da iluminação envolve autocontrole, diligência e a prática do bem, seguindo as quatro nobres verdades e o caminho óctuplo do Buda. A verdadeira felicidade é encontrada na renúncia ao desejo e na prática da generosidade e da paz interior.

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Dhammapada: O Caminho da Sabedoria do

Buda

O caminho do monge

A mente antecede todos os estados mentais. A


mente é o seu criador, pois são todos forjados pela
mente.

Se uma pessoa fala ou age com a mente impura, o


sofrimento a segue.

Se uma pessoa fala ou age com a mente pura, a


felicidade a segue e jamais a abandona.

Quem alimenta o rancor não acalma o próprio


ódio. Quem desapega do rancor acalma o ódio.

O ódio nunca é apaziguado pelo ódio, apenas pelo


não ódio. Esta é uma lei eterna.

Quem não percebe que um dia todos morreremos,


mantém suas desavenças. Quem percebe a
brevidade da vida, resolve suas desavenças.

Mara é a figura no budismo que representa a


tentação, o obstáculo que tenta impedir o homem
de alcançar a iluminação.

Assim como a tempestade derruba a árvore fraca,


Mara vence o homem que só busca por prazeres,
descontrolado, sem moderação.

1
Assim como a tempestade não abala a montanha
rochosa, Mara não afeta o homem centrado, que
sempre medita sobre o que é puro ou impuro, que
tem autocontrole, fé e esforço sinceros.

Quem não tem autocontrole e verdade não é digno


do hábito do monge.

Quem tem pleno autocontrole e se orienta pela


verdade é digno do hábito do monge.

Não podemos confundir o que é essencial com o


que não é essencial.

Assim como a chuva entra na casa com goteiras,


também a paixão entra na mente pouco vigiada. O
caminho da iluminação requer abdicar das paixões.

Quem faz o mal sofre no presente e no futuro,


sofre em ambos os mundos. Renasce em um reino
de aflição.

Quem faz o bem alegra-se no presente e no futuro,


alegra-se em ambos os mundos. Renasce em um
reino de felicidade.

Por muito que recite os textos sagrados, o homem


que não vive como tal não se beneficia das
bênçãos da vida sagrada.

Por pouco que recite os textos sagrados, o homem


que vive como tal realmente se beneficia das
bênçãos da vida sagrada.

2
Uma vida é sábia e livre se for vivida sem luxúria,
ódio ou ilusão, sem apego a nada deste ou de
qualquer outro mundo.

A diligência

Diligência significa zelo, cuidado, empenho na


realização de uma tarefa. Pode ser a qualidade de
um estilo de vida.

A diligência é o oposto da negligência. A segunda


conduz à morte. A primeira conduz à vida plena, à
iluminação, à libertação.

A verdadeira glória cresce naquele que é enérgico,


consciente e puro em conduta, com discernimento
e autocontrole, justo e diligente.

A diligência é o melhor tesouro do sábio. Ela


conduziu Indra a se tornar o soberano dos deuses.

A negligência é atributo dos tolos e ignorantes. Ela


conduz ao sofrimento.

O sábio é aquele que é desperto entre os


sonolentos, consciente entre os inconscientes.

A mente

Assim como um arqueiro endireita a haste da


flecha, o homem firme endireita sua mente, pois
esta é volúvel e instável, difícil de domar.

3
A mente agitada é veloz, ela se apossa de tudo o
que deseja sem pensar. Só a mente controlada
traz felicidade.

A sabedoria nunca será perfeita na mente sem


determinação. Para conquistar uma mente sábia, é
preciso disciplina, paciência, perseverança.

A mente desperta é aquela que não está


embriagada nem aflita. Ela superou tanto o mérito
quanto o demérito. Ela se mantém em desapego.

A mente mal dirigida inflige a si mesma dano


maior do que a qualquer inimigo.

A mente nem orientada faz a si mesma um bem


maior que qualquer amigo.

As flores

Aquele que se esforça no caminho há de superar


esta terra, como a florista faria com perfeição seu
arranjo de flores.

O corpo humano é como espuma, absorve aquilo


que o cerca. Sua natureza é ilusória.

Que ninguém procure os defeitos nos outros. Que


ninguém observe as ações e omissões dos outros.
Mas observemos os nossos próprios atos.

Tal como a flor bonita mas sem perfume,


infrutífera é a palavra justa daquele que não as
pratica.

4
Tal como a flor bonita e com perfume, frutuosa é a
palavra justa daquele que as pratica.

De um grupo de flores pode-se fazer muitos


arranjos. Do mesmo modo, de uma vida pode-se
fazer muitas boas ações.

O homem virtuoso atravessa todos os caminhos


exalando a fragrância da sua virtude.

Mesmo sobre o lodo cresce a flor de lótus,


agradável e perfumada.

O sábio

O sábio aponta falhas, em si mesmo e no outro


quando solicitado. É um guia e conselheiro.

O sábio é apreciado pelos bons e destetado pelos


maus.

A natureza do sábio é o autocontrole. Ele não se


deixa afetar por louvor ou culpa.

O sábio é como um lago profundo, calmo e sereno.

O sábio pratica o desapego, renuncia a tudo. Não


faz conversa sobre desejos e prazeres. Não mostra
euforia ou depressão quando tocado pela
felicidade ou tristeza.

5
O sábio não faz nada de errado nem para si nem
para os outros. Não anseia por riqueza ou sucesso.
O aperfeiçoado

O sábio que alcançou o desapego pleno não tem


tristezas nem paixões, ele está totalmente liberto.
Eis a expressão máxima do caminho da
iluminação.

O ser iluminado não se apega a nenhum lar, é


como um cisne que abandona seu lago. Não
acumula nada, é como um pássaro no ar. É puro,
leve, liberto.

O ser iluminado destruiu suas impurezas e seu


orgulho. Ele de nada se vangloria e de nada se
ressente.

Calmo é seu pensamento, sua fala e sua ação.

A conquista de si mesmo, baseada no


autocontrole, é a melhor das conquistas. Ela
conduz à paz.

O bem e o mal

Seja diligente e faça sempre o bem.

Quem não faz o bem, sua mente é suscetível ao


mal.

Se cometer um mal, não o repita. Penosa é a


acumulação do mal.

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Se fizer um bem, que o repita. Abençoada é a
acumulação do bem.

Tudo pode correr bem com aquele que faz o mal,


por algum tempo, enquanto o mal não amadurece.
Mas quando o mal amadurece, o malfeitor sente o
efeito negativo de suas ações.

Tudo pode correr mal com aquele que faz o bem,


por algum tempo, enquanto o bem não
amadurece. Mas quando o bem amadurece, o
benfeitor sente o efeito positivo de suas ações.

A não violência

O caminho da iluminação é o da não violência.

Não se deve matar, nem levar alguém a matar.

Não se deve oprimir outros seres com violência.

Não se fala asperamente a ninguém.

Não se deve praticar vingança. Só assim encontra-


se paz.

O ser iluminado é aquele que pôs de lado qualquer


forma de violência contra todos os seres.

O eu

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Aquele que se estima deve vigiar-se com
diligência.

O sábio cuida primeiro do próprio aprendizado e do


próprio caminho. Só depois pode instruir os outros.
O sábio deve primeiro realizar em sua vida o que
pretende ensinar aos outros.

Uma pessoa é protetora de si mesmo. O


autocontrole é a melhor forma de proteção.

É fácil realizar algo que nos prejudica. É difícil


realizar algo que nos faz bem.

Quem despreza os ensinamentos dos


aperfeiçoados não encontra o caminho da
iluminação.

Pureza e impureza são obtidas pelas ações que


fazemos a nós mesmos.

Não se deve negligenciar o próprio bem estar em


benefício de outra pessoa. Cuida de si para poder
cuidar do outro.

O mundo

O mundo nos oferece caminhos fáceis, que nem


sempre são virtuosos, assim como opiniões fáceis,
que nem sempre são verdadeiras.

O mundo nos desafia a nos elevar, a viver uma


vida justa e correta. Só assim seremos felizes
nesse mundo e no próximo.

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Sábio é olhar o mundo como uma bolha e uma
miragem. O mundo material nos oferece ilusões.

O sábio não se apega a esse mundo, mas cuida


dele. O cuidado ilumina o mundo.

O mundo é um lugar de cegos. Poucos se abrem


para uma expansão de consciência, para ver além
das aparências.

O sábio se contenta em ser generoso.

O Buda

O Buda é o ser iluminado, que alcançou o pleno


desapego e a plena paz interior.

O caminho do Buda é a meditação e a renúncia.

Evitar todo o mal, cultivar o bem e purificar a


mente. Eis o ensinamento dos Budas.

O Buda é paciente, não prejudica nem despreza


ninguém. Contém-se pelo código da conduta
monástica. Modera-se na comida e nos hábitos.
Vive em retiro. Dedica-se à meditação

O discípulo do Buda deleita-se na renúncia aos


desejos.

O verdadeiro refúgio do sofrimento é o caminho de


iluminação do Buda.

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O Buda compreende as quatro nobres
verdades:
1) O sofrimento é inerente à vida terrena.
2) A causa do sofrimento é o desejo.
3) A cessação do desejo faz cessar o
sofrimento.
4) O caminho de iluminação faz cessar o
desejo.

O caminho da iluminação

O caminho da iluminação do Buda pode ser bem


descrito pela ideia do caminho óctuplo.

O caminho óctuplo é formado pelas oito práticas:

Sabedoria:
 Visão/compreensão correta: Entender as
quatro nobres verdades e a natureza da
realidade (impermanência, não-eu).
 Pensamento/intenção correta: Cultivar
pensamentos de não violência, renúncia e
amor, livres de ganância, ódio e ilusão.
Conduta ética:
 Fala correta: Abster-se de mentir, fofocar,
caluniar, falar áspero, falar inutilmente; falar
sempre a verdade e de forma benéfica.
 Ação correta: Agir sem prejudicar outros
seres vivos; não matar, não roubar, não ter
má conduta sexual.
 Meio de vida correto: Ganhar a vida de
forma honrada, sem explorar ou causar dano
a outros.
Disciplina mental:

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 Esforço correto: Esforçar-se para prevenir
o surgimento de estados mentais negativos e
cultivar os positivos.
 Atenção plena correta: Manter a
consciência clara e equilibrada sobre o
corpo, sensações, mente e fenômenos.
 Concentração correta: Desenvolver a
concentração mental por meio da meditação,
para alcançar estados profundos de quietude
e iluminação

O objetivo final do caminho óctuplo, para o monge,


é a iluminação, isto é, a cessação do sofrimento e
a libertação do ciclo de renascimentos.

Para a pessoa comum, o objetivo é cultivar uma


vida boa e evoluir espiritualmente.

É um caminho gradual de autoconhecimento,


desenvolvimento ético e mental.

A felicidade

Felicidade é viver de forma amistosa, livre do ódio.

Felicidade é viver de forma moderada, livre da


aflição e do desejo.

Felicidade é viver de forma generosa, livre da


avareza.

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Felicidade plena é nada possuir e alimentar a
felicidade de todos, como uma luz radiante.

Felicidade é viver de modo pacífico, sem vitória


nem derrota.

Saúde é o ganho mais precioso. Contentamento, a


maior riqueza.

Por meio do recolhimento e da paz, o discípulo


torna-se livre de dor. Bebe assim a felicidade da
vida monástica.

Felicidade é seguir aquele que é justo, sábio,


diligente, responsável, devoto, como a lua segue o
caminho das estrelas.

O sábio renuncia uma felicidade menor para obter


uma felicidade maior.

Aquele que procura a própria felicidade causando


dor aos outros jamais será feliz, pois não está livre
do ódio.

Não seja um andarilho sem rumo, isso conduz ao


sofrimento. A felicidade requer um caminho e
propósito na vida.

Felicidade é encontrar contentamento com o que


se tem, sem ambições exageradas, e seguir um
caminho de iluminação.

Felicidade é servir à mãe e ao pai, aos idosos e a


todos que precisam do nosso auxilio.

12
A raiva

Para não sofrer, renuncie à raiva e ao orgulho.

Só a serenidade supera a raiva. Só a bondade


supera a maldade. Só a generosidade supera a
avareza. Só a verdade supera a mentira.

Fala a verdade. Não se renda à ira. Quando te


pedem, dá mesmo que tenha pouco.

Aqueles que sentem raiva, culpam a tudo e a


todos.

Deve agir, falar e pensar corretamente. Deve agir,


falar e pensar livre do ódio.

A impureza

O sábio sempre busca eliminar suas impurezas.

Deve sempre orar, ser cuidadoso com a casa, com


a saúde e com a forma de agir no mundo.

A pior de todas as impurezas é a ignorância.

A vida pura, modesta, desapegada e


despretensiosa, com discernimento, é uma vida
difícil. Ela requer constante vigilância.

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É fácil ver os defeitos nos outros. Mas o homem
puro aprendeu a ver os seus próprios defeitos e a
corrigi-los.

Aquele que procura o defeito nos outros, que os


censura constantemente, faz crescer suas próprias
impurezas.

A impureza só aumenta para aqueles que são


arrogantes e descuidados.

A pureza só aumenta para aqueles que são


humildes e zelosos.

O caminho

As quatro nobres verdades e o caminho óctuplo


são o caminho da iluminação.

A sabedoria brota da meditação. Sem meditação, a


sabedoria diminui.

Aquele que não se esforça no caminho, mesmo


ainda jovem e forte, não encontra a sabedoria.

O estado de aflição

O mentiroso e aquele que não assume seus erros


têm como destino o reino de aflição.

14
Os que fazem o mal, ainda que ocultos por
máscaras do bem, têm como destino o reino de
aflição.

Os que agem na corrupção têm como destino o


reino de aflição.

Os que agem na violência têm como destino o


reino de aflição.

Os que fazem o mal adquirem demérito e um


renascimento infeliz no futuro.

O estado de aflição resulta do amadurecimento


das más ações praticadas.

Só a paz é o remédio para a aflição. O estado de


paz resulta do amadurecimento das boas ações
praticadas.

A vida terrena é uma oportunidade para o


crescimento espiritual. Não devemos perder esta
oportunidade.

A vergonha e o arrependimento dos maus atos,


bem como a reforma interior e a mudança das
atitudes, nos libertam dos estados de aflição.

A falta de prudência e cautela pode conduzir a


estados de aflição.

A ignorância e a percepção incorreta da realidade


pode conduzir a estados de aflição.

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O anseio

O grande anseio dos homens é ficar preso aos


desejos e prazeres. Desse modo, não é livre e fica
preso em um eterno ciclo de renascimentos.

Para a pessoa dominada por maus pensamentos,


dominada pela paixão e busca de prazeres, o seu
anseio cresce constantemente. Ela cria para si uma
forte prisão.

Aquele que desapega se liberta do anseio.

O monge e a iluminação

O monge explica o ensinamento tanto na letra


quanto em espírito, pois sempre vive o que diz. E
diz apenas o necessário, sem causar nenhuma
ofensa.

O monge não tem qualquer apego de mente e


corpo, não se lamenta por aquilo que não tem.

O monge permanece no amor universal, é


profundamente devotado ao ensinamento de Buda,
e alcança a paz no Nirvana: a plena iluminação e
cessação dos desejos e sofrimentos.

O monge busca sempre concentração meditativa e


compreensão introspectiva: uma potencializa a
outra.

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O monge é calmo no corpo, na fala e no
pensamento.

O monge que alcançou um estado no qual não faz


nenhum mal pela ação, pela fala ou pensamento,
este é um ser iluminado.

O monge no qual a pureza, a verdade e a justiça


existem é um ser iluminado.

O monge que é totalmente livre da raiva e que


carrega seu último corpo, que não mais voltará a
renascer, este é um ser iluminado.

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