Dhammapada: O Caminho da Sabedoria do
Buda
O caminho do monge
A mente antecede todos os estados mentais. A
mente é o seu criador, pois são todos forjados pela
mente.
Se uma pessoa fala ou age com a mente impura, o
sofrimento a segue.
Se uma pessoa fala ou age com a mente pura, a
felicidade a segue e jamais a abandona.
Quem alimenta o rancor não acalma o próprio
ódio. Quem desapega do rancor acalma o ódio.
O ódio nunca é apaziguado pelo ódio, apenas pelo
não ódio. Esta é uma lei eterna.
Quem não percebe que um dia todos morreremos,
mantém suas desavenças. Quem percebe a
brevidade da vida, resolve suas desavenças.
Mara é a figura no budismo que representa a
tentação, o obstáculo que tenta impedir o homem
de alcançar a iluminação.
Assim como a tempestade derruba a árvore fraca,
Mara vence o homem que só busca por prazeres,
descontrolado, sem moderação.
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Assim como a tempestade não abala a montanha
rochosa, Mara não afeta o homem centrado, que
sempre medita sobre o que é puro ou impuro, que
tem autocontrole, fé e esforço sinceros.
Quem não tem autocontrole e verdade não é digno
do hábito do monge.
Quem tem pleno autocontrole e se orienta pela
verdade é digno do hábito do monge.
Não podemos confundir o que é essencial com o
que não é essencial.
Assim como a chuva entra na casa com goteiras,
também a paixão entra na mente pouco vigiada. O
caminho da iluminação requer abdicar das paixões.
Quem faz o mal sofre no presente e no futuro,
sofre em ambos os mundos. Renasce em um reino
de aflição.
Quem faz o bem alegra-se no presente e no futuro,
alegra-se em ambos os mundos. Renasce em um
reino de felicidade.
Por muito que recite os textos sagrados, o homem
que não vive como tal não se beneficia das
bênçãos da vida sagrada.
Por pouco que recite os textos sagrados, o homem
que vive como tal realmente se beneficia das
bênçãos da vida sagrada.
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Uma vida é sábia e livre se for vivida sem luxúria,
ódio ou ilusão, sem apego a nada deste ou de
qualquer outro mundo.
A diligência
Diligência significa zelo, cuidado, empenho na
realização de uma tarefa. Pode ser a qualidade de
um estilo de vida.
A diligência é o oposto da negligência. A segunda
conduz à morte. A primeira conduz à vida plena, à
iluminação, à libertação.
A verdadeira glória cresce naquele que é enérgico,
consciente e puro em conduta, com discernimento
e autocontrole, justo e diligente.
A diligência é o melhor tesouro do sábio. Ela
conduziu Indra a se tornar o soberano dos deuses.
A negligência é atributo dos tolos e ignorantes. Ela
conduz ao sofrimento.
O sábio é aquele que é desperto entre os
sonolentos, consciente entre os inconscientes.
A mente
Assim como um arqueiro endireita a haste da
flecha, o homem firme endireita sua mente, pois
esta é volúvel e instável, difícil de domar.
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A mente agitada é veloz, ela se apossa de tudo o
que deseja sem pensar. Só a mente controlada
traz felicidade.
A sabedoria nunca será perfeita na mente sem
determinação. Para conquistar uma mente sábia, é
preciso disciplina, paciência, perseverança.
A mente desperta é aquela que não está
embriagada nem aflita. Ela superou tanto o mérito
quanto o demérito. Ela se mantém em desapego.
A mente mal dirigida inflige a si mesma dano
maior do que a qualquer inimigo.
A mente nem orientada faz a si mesma um bem
maior que qualquer amigo.
As flores
Aquele que se esforça no caminho há de superar
esta terra, como a florista faria com perfeição seu
arranjo de flores.
O corpo humano é como espuma, absorve aquilo
que o cerca. Sua natureza é ilusória.
Que ninguém procure os defeitos nos outros. Que
ninguém observe as ações e omissões dos outros.
Mas observemos os nossos próprios atos.
Tal como a flor bonita mas sem perfume,
infrutífera é a palavra justa daquele que não as
pratica.
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Tal como a flor bonita e com perfume, frutuosa é a
palavra justa daquele que as pratica.
De um grupo de flores pode-se fazer muitos
arranjos. Do mesmo modo, de uma vida pode-se
fazer muitas boas ações.
O homem virtuoso atravessa todos os caminhos
exalando a fragrância da sua virtude.
Mesmo sobre o lodo cresce a flor de lótus,
agradável e perfumada.
O sábio
O sábio aponta falhas, em si mesmo e no outro
quando solicitado. É um guia e conselheiro.
O sábio é apreciado pelos bons e destetado pelos
maus.
A natureza do sábio é o autocontrole. Ele não se
deixa afetar por louvor ou culpa.
O sábio é como um lago profundo, calmo e sereno.
O sábio pratica o desapego, renuncia a tudo. Não
faz conversa sobre desejos e prazeres. Não mostra
euforia ou depressão quando tocado pela
felicidade ou tristeza.
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O sábio não faz nada de errado nem para si nem
para os outros. Não anseia por riqueza ou sucesso.
O aperfeiçoado
O sábio que alcançou o desapego pleno não tem
tristezas nem paixões, ele está totalmente liberto.
Eis a expressão máxima do caminho da
iluminação.
O ser iluminado não se apega a nenhum lar, é
como um cisne que abandona seu lago. Não
acumula nada, é como um pássaro no ar. É puro,
leve, liberto.
O ser iluminado destruiu suas impurezas e seu
orgulho. Ele de nada se vangloria e de nada se
ressente.
Calmo é seu pensamento, sua fala e sua ação.
A conquista de si mesmo, baseada no
autocontrole, é a melhor das conquistas. Ela
conduz à paz.
O bem e o mal
Seja diligente e faça sempre o bem.
Quem não faz o bem, sua mente é suscetível ao
mal.
Se cometer um mal, não o repita. Penosa é a
acumulação do mal.
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Se fizer um bem, que o repita. Abençoada é a
acumulação do bem.
Tudo pode correr bem com aquele que faz o mal,
por algum tempo, enquanto o mal não amadurece.
Mas quando o mal amadurece, o malfeitor sente o
efeito negativo de suas ações.
Tudo pode correr mal com aquele que faz o bem,
por algum tempo, enquanto o bem não
amadurece. Mas quando o bem amadurece, o
benfeitor sente o efeito positivo de suas ações.
A não violência
O caminho da iluminação é o da não violência.
Não se deve matar, nem levar alguém a matar.
Não se deve oprimir outros seres com violência.
Não se fala asperamente a ninguém.
Não se deve praticar vingança. Só assim encontra-
se paz.
O ser iluminado é aquele que pôs de lado qualquer
forma de violência contra todos os seres.
O eu
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Aquele que se estima deve vigiar-se com
diligência.
O sábio cuida primeiro do próprio aprendizado e do
próprio caminho. Só depois pode instruir os outros.
O sábio deve primeiro realizar em sua vida o que
pretende ensinar aos outros.
Uma pessoa é protetora de si mesmo. O
autocontrole é a melhor forma de proteção.
É fácil realizar algo que nos prejudica. É difícil
realizar algo que nos faz bem.
Quem despreza os ensinamentos dos
aperfeiçoados não encontra o caminho da
iluminação.
Pureza e impureza são obtidas pelas ações que
fazemos a nós mesmos.
Não se deve negligenciar o próprio bem estar em
benefício de outra pessoa. Cuida de si para poder
cuidar do outro.
O mundo
O mundo nos oferece caminhos fáceis, que nem
sempre são virtuosos, assim como opiniões fáceis,
que nem sempre são verdadeiras.
O mundo nos desafia a nos elevar, a viver uma
vida justa e correta. Só assim seremos felizes
nesse mundo e no próximo.
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Sábio é olhar o mundo como uma bolha e uma
miragem. O mundo material nos oferece ilusões.
O sábio não se apega a esse mundo, mas cuida
dele. O cuidado ilumina o mundo.
O mundo é um lugar de cegos. Poucos se abrem
para uma expansão de consciência, para ver além
das aparências.
O sábio se contenta em ser generoso.
O Buda
O Buda é o ser iluminado, que alcançou o pleno
desapego e a plena paz interior.
O caminho do Buda é a meditação e a renúncia.
Evitar todo o mal, cultivar o bem e purificar a
mente. Eis o ensinamento dos Budas.
O Buda é paciente, não prejudica nem despreza
ninguém. Contém-se pelo código da conduta
monástica. Modera-se na comida e nos hábitos.
Vive em retiro. Dedica-se à meditação
O discípulo do Buda deleita-se na renúncia aos
desejos.
O verdadeiro refúgio do sofrimento é o caminho de
iluminação do Buda.
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O Buda compreende as quatro nobres
verdades:
1) O sofrimento é inerente à vida terrena.
2) A causa do sofrimento é o desejo.
3) A cessação do desejo faz cessar o
sofrimento.
4) O caminho de iluminação faz cessar o
desejo.
O caminho da iluminação
O caminho da iluminação do Buda pode ser bem
descrito pela ideia do caminho óctuplo.
O caminho óctuplo é formado pelas oito práticas:
Sabedoria:
Visão/compreensão correta: Entender as
quatro nobres verdades e a natureza da
realidade (impermanência, não-eu).
Pensamento/intenção correta: Cultivar
pensamentos de não violência, renúncia e
amor, livres de ganância, ódio e ilusão.
Conduta ética:
Fala correta: Abster-se de mentir, fofocar,
caluniar, falar áspero, falar inutilmente; falar
sempre a verdade e de forma benéfica.
Ação correta: Agir sem prejudicar outros
seres vivos; não matar, não roubar, não ter
má conduta sexual.
Meio de vida correto: Ganhar a vida de
forma honrada, sem explorar ou causar dano
a outros.
Disciplina mental:
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Esforço correto: Esforçar-se para prevenir
o surgimento de estados mentais negativos e
cultivar os positivos.
Atenção plena correta: Manter a
consciência clara e equilibrada sobre o
corpo, sensações, mente e fenômenos.
Concentração correta: Desenvolver a
concentração mental por meio da meditação,
para alcançar estados profundos de quietude
e iluminação
O objetivo final do caminho óctuplo, para o monge,
é a iluminação, isto é, a cessação do sofrimento e
a libertação do ciclo de renascimentos.
Para a pessoa comum, o objetivo é cultivar uma
vida boa e evoluir espiritualmente.
É um caminho gradual de autoconhecimento,
desenvolvimento ético e mental.
A felicidade
Felicidade é viver de forma amistosa, livre do ódio.
Felicidade é viver de forma moderada, livre da
aflição e do desejo.
Felicidade é viver de forma generosa, livre da
avareza.
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Felicidade plena é nada possuir e alimentar a
felicidade de todos, como uma luz radiante.
Felicidade é viver de modo pacífico, sem vitória
nem derrota.
Saúde é o ganho mais precioso. Contentamento, a
maior riqueza.
Por meio do recolhimento e da paz, o discípulo
torna-se livre de dor. Bebe assim a felicidade da
vida monástica.
Felicidade é seguir aquele que é justo, sábio,
diligente, responsável, devoto, como a lua segue o
caminho das estrelas.
O sábio renuncia uma felicidade menor para obter
uma felicidade maior.
Aquele que procura a própria felicidade causando
dor aos outros jamais será feliz, pois não está livre
do ódio.
Não seja um andarilho sem rumo, isso conduz ao
sofrimento. A felicidade requer um caminho e
propósito na vida.
Felicidade é encontrar contentamento com o que
se tem, sem ambições exageradas, e seguir um
caminho de iluminação.
Felicidade é servir à mãe e ao pai, aos idosos e a
todos que precisam do nosso auxilio.
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A raiva
Para não sofrer, renuncie à raiva e ao orgulho.
Só a serenidade supera a raiva. Só a bondade
supera a maldade. Só a generosidade supera a
avareza. Só a verdade supera a mentira.
Fala a verdade. Não se renda à ira. Quando te
pedem, dá mesmo que tenha pouco.
Aqueles que sentem raiva, culpam a tudo e a
todos.
Deve agir, falar e pensar corretamente. Deve agir,
falar e pensar livre do ódio.
A impureza
O sábio sempre busca eliminar suas impurezas.
Deve sempre orar, ser cuidadoso com a casa, com
a saúde e com a forma de agir no mundo.
A pior de todas as impurezas é a ignorância.
A vida pura, modesta, desapegada e
despretensiosa, com discernimento, é uma vida
difícil. Ela requer constante vigilância.
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É fácil ver os defeitos nos outros. Mas o homem
puro aprendeu a ver os seus próprios defeitos e a
corrigi-los.
Aquele que procura o defeito nos outros, que os
censura constantemente, faz crescer suas próprias
impurezas.
A impureza só aumenta para aqueles que são
arrogantes e descuidados.
A pureza só aumenta para aqueles que são
humildes e zelosos.
O caminho
As quatro nobres verdades e o caminho óctuplo
são o caminho da iluminação.
A sabedoria brota da meditação. Sem meditação, a
sabedoria diminui.
Aquele que não se esforça no caminho, mesmo
ainda jovem e forte, não encontra a sabedoria.
O estado de aflição
O mentiroso e aquele que não assume seus erros
têm como destino o reino de aflição.
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Os que fazem o mal, ainda que ocultos por
máscaras do bem, têm como destino o reino de
aflição.
Os que agem na corrupção têm como destino o
reino de aflição.
Os que agem na violência têm como destino o
reino de aflição.
Os que fazem o mal adquirem demérito e um
renascimento infeliz no futuro.
O estado de aflição resulta do amadurecimento
das más ações praticadas.
Só a paz é o remédio para a aflição. O estado de
paz resulta do amadurecimento das boas ações
praticadas.
A vida terrena é uma oportunidade para o
crescimento espiritual. Não devemos perder esta
oportunidade.
A vergonha e o arrependimento dos maus atos,
bem como a reforma interior e a mudança das
atitudes, nos libertam dos estados de aflição.
A falta de prudência e cautela pode conduzir a
estados de aflição.
A ignorância e a percepção incorreta da realidade
pode conduzir a estados de aflição.
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O anseio
O grande anseio dos homens é ficar preso aos
desejos e prazeres. Desse modo, não é livre e fica
preso em um eterno ciclo de renascimentos.
Para a pessoa dominada por maus pensamentos,
dominada pela paixão e busca de prazeres, o seu
anseio cresce constantemente. Ela cria para si uma
forte prisão.
Aquele que desapega se liberta do anseio.
O monge e a iluminação
O monge explica o ensinamento tanto na letra
quanto em espírito, pois sempre vive o que diz. E
diz apenas o necessário, sem causar nenhuma
ofensa.
O monge não tem qualquer apego de mente e
corpo, não se lamenta por aquilo que não tem.
O monge permanece no amor universal, é
profundamente devotado ao ensinamento de Buda,
e alcança a paz no Nirvana: a plena iluminação e
cessação dos desejos e sofrimentos.
O monge busca sempre concentração meditativa e
compreensão introspectiva: uma potencializa a
outra.
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O monge é calmo no corpo, na fala e no
pensamento.
O monge que alcançou um estado no qual não faz
nenhum mal pela ação, pela fala ou pensamento,
este é um ser iluminado.
O monge no qual a pureza, a verdade e a justiça
existem é um ser iluminado.
O monge que é totalmente livre da raiva e que
carrega seu último corpo, que não mais voltará a
renascer, este é um ser iluminado.
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