A INTERNET COMO UM ICEBERG
Surface Web (Web Superficial)
A parte visível da internet, acessada por mecanismos de busca como Google e Bing. Representa cerca de
4% de todo o conteúdo da web.
Deep Web (Web Profunda)
Conteúdo não indexado por buscadores, acessado por login, links diretos ou páginas protegidas. Inclui:
o Sistemas bancários
o Processos judiciais em segredo
o Bases acadêmicas (CAPES, Scopus)
o Painéis internos de empresas
o Dados governamentais protegidos
Dark Web (Web Escura)
Uma pequena fração da Deep Web, acessível apenas por softwares específicos como o Tor, com foco
total em anonimato.
A Deep Web é legal e essencial para manter a segurança e a confidencialidade de informações.
Exemplos:
• Hospitais armazenando prontuários médicos.
• Governo gerindo sistemas internos e fiscais.
• Sistemas internos de empresas (intranet e ERP).
Mito: A Deep Web não é sinônimo de ilegalidade.
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A Dark Web é uma rede sobreposta (overlay network) que exige softwares especiais para acesso,
como:
• Tor (The Onion Router)
• I2P (Invisible Internet Project)
• Freenet
É usada para:
• Preservar anonimato extremo
• Acessar sites .onion (não acessíveis por navegadores comuns)
• Comunicação segura em países com censura
• Mas também pode abrigar:
o Tráfico de dados pessoais
o Mercado ilegal (drogas, armas, documentos falsos)
o Exploração infantil e outras atividades criminosas
TOR (The Onion Router)
• Tor é um software gratuito que permite navegar anonimamente.
• Usa roteamento em camadas (“como uma cebola” – daí o nome).
• Cada pacote de dados é criptografado múltiplas vezes e passa por vários nós da rede Tor,
dificultando o rastreamento.
• Pode ser usado para o bem (jornalismo investigativo, ativismo) ou para crimes.
I2P – Invisible Internet Project (Projeto de Internet Invisível)
Rede anônima e fechada, criada para comunicações privadas e seguras entre usuários — uma
“internet paralela”, diferente da comum.
Como funciona
• Usa um programa chamado I2P Router, que cria túneis criptografados entre os usuários.
• Todo o tráfego fica dentro da rede I2P — ele não sai para a internet normal.
• Cada site ou serviço na I2P tem o final “.i2p” (ex: forum.i2p).
Navegador usado
• I2P Browser (versão modificada do Firefox).
• Funciona através do I2P Router local (endereços [Link]:4444 e [Link]:7657).
• Serve para acessar os “eepsites” (.i2p) dentro da rede.
Para que serve
• Comunicação e troca de arquivos anônima.
• Hospedagem de sites e fóruns internos, sem censura.
• Proteção de identidade e privacidade total.
Diferença para o Tor
Tor I2P
Acessa a internet comum e sites .onion Fica dentro da própria rede (.i2p)
Foco em navegação anônima Foco em comunicação segura entre usuários
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Tor I2P
Usa o Tor Browser Usa o I2P Browser + I2P Router
É mais conhecido e simples É mais técnico e fechado
O I2P é uma rede fechada e anônima, acessada pelo I2P Browser.
Seus sites terminam em “.i2p”, e todo o tráfego é criptografado e interno.
Diferente do Tor, ele não acessa a web comum — é uma “internet invisível” própria.
INVESTIGAÇÃO DA DARK WEB
Apesar do anonimato, a Dark Web não é imune à investigação. Eis como polícia, Receita Federal,
auditores fiscais, Ministério Público e agências internacionais atuam:
1. Monitoramento e infiltração
• Criam perfis falsos e se infiltram em fóruns, chats e mercados da Dark Web.
• Usam técnicas de engenharia social para obter informações de criminosos.
2. Inteligência Cibernética
• Uso de ferramentas de rastreamento avançado e bancos de dados de IPs.
• Investigadores monitoram padrões de acesso, horários e linguagem.
3. Análise de tráfego de rede
• Mesmo com Tor, é possível observar padrões de comportamento em endpoints (entrada e saída da
rede).
• Em muitos casos, os criminosos cometem erros de configuração que revelam sua identidade.
4. Rastreamento de Criptomoedas
• Transações ilegais muitas vezes usam Bitcoin e Monero.
• As autoridades usam blockchain forensics para seguir rastros financeiros, identificando contas em
exchanges (como Binance, Coinbase).
5. Mandados judiciais e cooperação internacional
• Ações legais permitem quebra de sigilo de dados e cooperação entre países.
• Parcerias com empresas de tecnologia, ISPs e plataformas de hospedagem.
6. Perícia Digital
• Análise de dispositivos apreendidos (notebooks, HDs, celulares).
• Técnicas como forense de RAM e recuperação de dados criptografados.
• Identificação de softwares de acesso à Dark Web instalados (Tor, Tails, Whonix).
INVETIGAÇÃO - I2P / redes anônimas
A investigação policial sobre crimes cometidos usando I2P (ou Tor/outros serviços anônimos) combina
investigação tradicional, técnicas forenses e cooperação legal/internacional. Principais abordagens
— em alto nível:
1. Pedido judicial e cooperação com provedores
o Mandados para provedores de acesso (ISPs), hospedagem, provedores de pagamentos e plataformas
que possam ter metadados ou registros.
o Requisições internacionais quando os servidores/operadores estão em outras jurisdições.
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2. Análise de metadados e correlação temporal
o Cruzar horários de atividade com logs legíveis (por exemplo, acessos à internet, pagamentos, contas
externas) para encontrar relações temporais que identifiquem suspeitos.
o Isso é difícil com tráfego totalmente cifrado/encapsulado, mas metadados ainda podem vazar.
3. Forense em endpoints (terminais dos investigados)
o Buscar evidências nos computadores, celulares e dispositivos do suspeito: históricos, arquivos, chaves,
dados de aplicativos, credenciais, backups e artefatos (logs, caches).
o Muitas investigações bem-sucedidas ocorrem por acesso ao endpoint, que é o ponto fraco da cadeia
de anonimato.
4. Técnicas de infiltração/operacionais (investigação tradicional e online)
o Operações de infiltração (undercover), criação de perfis, contatos em comunidades — visando obter
provas, combinar testemunhos e induzir transações que deixem rastro.
o Uso de honeypots e registros controlados para atrair operadores e coletar evidências (sempre com
respaldo legal).
5. Recuperação e análise de transações financeiras
o Rastreio de pagamentos (transferências bancárias, pagamentos via intermediários, criptomoedas),
identificação de conversões para moeda fiduciária e contas beneficiárias.
o Cooperação com instituições financeiras e exchanges, quando aplicável.
6. Análise técnica e inteligência digital (OSINT/INT)
o Monitoramento de fóruns, redes sociais, marketplaces clandestinos e canais de comunicação públicos
para identificar atores e padrões.
o Combinar informações abertas com dados restritos obtidos legalmente.
7. Mapeamento de infraestrutura e serviços
o Identificar eepsites/.i2p ou serviços ocultos usados para operarem, e buscar possíveis operadores ou
pontos de manutenção que possam fornecer pistas (sempre observando limites legais e necessidade de
autorização).
8. Uso de perícia digital e cadeia de custódia
o Coleta, preservação e análise que assegurem validade probatória (hashes, logs com carimbo, registro
de quem acessou cada evidência etc.).
9. Limitações e cuidados jurídicos
o Jurisdição e obtenção de provas fora do país; necessidade de mandados e observância da LGPD e
outros direitos fundamentais; evitar evidências coletadas ilegalmente que possam ser invalidadas.
APLICAÇÕES PARA O FISCO E TRIBUTAÇÃO
• Receita Federal e fiscos estaduais podem monitorar a venda de produtos ilegais ou sonegados na
Dark Web.
• Detectam a movimentação de ativos digitais não declarados.
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• Investigações podem partir da Dark Web para bloquear CNPJs, emitir autos de infração e
encaminhar denúncias ao MP.
RESUMO COMPARATIVO
Camada da Web Acesso Conteúdo Principal Legalidade
Surface Web Navegadores comuns Sites abertos, indexados (Google) Legal
Deep Web Login/autenticação Sistemas internos, bancos de dados Legal
Dark Web Navegadores especiais Fóruns anônimos, mercados ilegais e legais Depende do uso
RECOMENDAÇÕES
• Uso do Tor não é ilegal, mas o que se faz com ele pode ser.
• Para estudar ou pesquisar, sempre em ambientes seguros e protegidos.
• Nunca insira dados pessoais ou realize downloads em sites .onion.
• Para fins investigativos ou acadêmicos, utilizar VPN, sistema operacional seguro e ambiente
isolado.
QUESTÕES DE PROVAS
1) FUNDATEC - 2025 - É composta por redes de computadores que se caracterizam pelo anonimato,
criptografia, descentralização e codificação aberta, onde o conteúdo normalmente é inacessível
pelas ferramentas de busca convencionais. O trecho apresenta a definição de:
a) Navegação anônima.
b) Web semântica.
c) Deep Web.
d) urface Web.
e) Web Service.
2) 2025 - Julgue o item a seguir, com base nas atividades de investigação digital realizadas por
autoridades policiais no ambiente da Dark Web.
Apesar do alto nível de anonimato proporcionado por ferramentas como o Tor, é possível que a polícia
identifique usuários da Dark Web por meio de falhas humanas, análise forense de dispositivos
apreendidos, monitoramento de endpoints e rastreamento de transações de criptomoedas.
3) 2025 - Em relação à atuação de auditores fiscais e agentes de inteligência tributária no combate
a crimes cometidos na Deep Web e na Dark Web, assinale a alternativa correta.
a) A Receita Federal não possui autorização legal para atuar em ambientes da Dark Web, mesmo quando
há indícios de movimentação de ativos digitais não declarados.
b) A atuação dos fiscos se limita às atividades da Surface Web, pois transações criptografadas não são
passíveis de rastreamento.
c) A cooperação entre órgãos de fiscalização tributária e órgãos policiais é inconstitucional, mesmo para
apuração de sonegação com base em dados obtidos na Deep Web.
d) A utilização de ferramentas de blockchain forensics e análise de carteiras digitais pode auxiliar os fiscos
na identificação de movimentações financeiras ocultas realizadas por meio da Dark Web.
e) A Deep Web não representa risco fiscal, pois todo conteúdo nela presente está devidamente registrado
nos sistemas oficiais da Receita Federal.
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4) ANTT - Deep Web e Dark Web são expressões sinônimas utilizadas para descrever uma parte da
Internet que, em contraposição à chamada Surface Web, é acessada para a realização de atividades
ilegais.
5) CESPE - TJ-DFT - Deep Web é o conjunto de conteúdos da Internet não acessível diretamente por sítios
de busca, o que inclui, por exemplo, documentos hospedados em sítios que exigem login e senha.
A origem e a proposta original da Deep Web são legítimas, afinal nem todo material deve ser acessado
por qualquer usuário. O problema é que, longe da vigilância pública, essa enorme área secreta foi
tomada pelo desregramento, e está repleta de atividades ilegais.
6) CESPE - ABIN - Oficial de Inteligência - O aplicativo TOR permite o acesso a sítios na deep web, isto é,
sítios que não possuem conteúdo disponibilizado em mecanismos de busca.
7) PC-SP - Investigador de Polícia - Existe uma parte da Internet considerada como uma Internet
invisível, também chamada de deep web. Assinale a afirmação correta relacionada com a deep web.
a) A deep web tem como sinônimo dark web, não existindo diferenças entre esses termos.
b) Ela é acessível pelos mecanismos de busca tradicionais, e é composta de sites e conteúdos que não são
públicos por serem todos ilegais.
c) Ela é uma zona da internet que pode ser detectada e acessada facilmente por qualquer motor de busca
tradicional, como o Google ou o Bing.
d) Na deep web, o conteúdo invisível é sempre mais inseguro e ilegal.
e) A maioria das páginas presentes na deep web é mantida oculta do navegador de Internet para proteger
informações e privacidade do usuário.
8) 2025 - Supervisor de Administração - No contexto da navegação na Internet, a Deep Web refere-
se a uma parte da rede que não é indexada por mecanismos de busca convencionais, como o
Google. Qual das seguintes alternativas descreve corretamente um aspecto associado à Deep
Web?
a) Um diretório público de sites governamentais.
b) Uma área da internet usada exclusivamente para pesquisas acadêmicas.
c) Uma rede social popular entre adolescentes.
d) Uma seção da internet que oferece apenas sites de notícias.
e) Um ambiente com baixa regulamentação e controle.
9) ESCRIVÃO DE POLÍCIA - Assinale a alternativa verdadeira, em relação aos conceitos Dark Web e Deep
Web.
a) Dark Web é acessada apenas por pessoas que cometem crimes.
b) Dark Web inclui a Deep Web.
c) Dark Web e Deep Web são a mesma coisa, mas os nomes mudaram ao longo do tempo.
d) Deep Web é acessada apenas por pessoas que cometem crimes.
e) Deep Web inclui a Dark Web.
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10) PC-SC – Delegado - Corriqueiramente usados no debate sobre crimes cibernéticos, os
termos deep web e dark web nem sempre são bem compreendidos pelo público em geral. Sobre
eles, é correto afirmar que
a) a deep web, ao contrário da dark web, é composta por sites facilmente localizados pelos mecanismos de
busca convencionais.
b) a dark web é um setor da deep web que concentra a maioria dos sites, em maior número inclusive que
na web de superfície, todavia normalmente não indexados.
c) mecanismos de busca convencionais conseguem acessar quase todos os sites da dark web, salvo os
não indexados, cujo acesso depende do manejo de navegadores especiais.
d) na deep web estão sites que normalmente não são encontrados pelos mecanismos de buscas
convencionais, mas que usualmente são seguros e legais, embora haja um bom número de sites ilegais
na parte denominada dark web.
e) O navegador de rede Tor foi especialmente desenvolvido para a navegação segura pela web de
superfície, pois possui mecanismos de segurança que evitam o ingresso do usuário em sites da deep e
da dark web.
11) Analista de Tecnologia da Informação - A Web Profunda (do inglês, Deep Web) permite que
usuários naveguem em sites e acessem conteúdos de forma anônima. A Deep Web é organizada
através de redes totalmente independentes entre si, tais como Onion (TOR), I2P, Freenet, Loky, Clos,
Osiris etc. Nesse contexto, dadas as seguintes afirmativas,
I. Tor é um browser web que permite navegar na rede TOR.
II. Para navegar na rede TOR, pode-se utilizar quaisquer browsers web, tais como Firefox e Chrome,
configurando propriedades de proxy.
III. Existe a possibilidade de trafegar dados na rede TOR de forma criptografada.
verifica-se que está(ão) correta(s)
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
12) Sites públicos, armazenados em servidores comerciais e indexados nos buscadores populares
como o Google, compõem a internet acessada pela grande parte dos usuários da rede de
computadores. Entretanto, existe uma infraestrutura de rede e de navegação que expande essa
possibilidade em algo conhecido como Deep web. Um exemplo é a rede implementada pelo
sistema Tor (do inglês The Onion Router, ou Roteador Cebola), no qual os sites hospedados não
serão, por exemplo, localizáveis pelos buscadores tradicionais. A informação da rede e o
processamento dos dados durante a navegação do usuário são realizados em diversos dos nós
pertencentes (em uma estrutura de acesso em camadas) e a informação é encriptada. O sites da
rede Tor são identificados pela extensão .onion em seu domínios e, são acessados pelos usuários
através do browser Tor, desenvolvido a partir do Firefox. Analise as afirmativas abaixo, dê valores
Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) O rastreamento dos dados de navegação de um usuário na rede Tor com o Tor browser em sites
.onion é praticamente impossível.
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( ) Os sites [Link] e [Link] podem ser acessados por
browsers como o Firefox ou o Google Chrome.
( ) Uma rede oculta dos mecanismos tradicionais de busca e visita foi provavelmente desenvolvida para
uso na propagação de pornografa e venda de drogas.
( ) Se um usuário da rede Tor acessa um site normal da rede http está comprometendo a segurança dos
demais usuários da rede Tor.
( ) A estrutura descentralizada do acesso aos sites na rede Tor e o processo de criptografa devem
inviabilizar a realização de buscadores de conteúdo como o Google.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
a) V, V, F, V, F
b) V, F, V, F, V
c) V, V, V, V, F
d) V, F, F, F, V
Um homem australiano foi considerado o primeiro criminoso a ser condenado por pedofilia no mundo depois
de cair em uma armadilha tecnológica e propor sexo a uma menina virtual de nove anos. A polícia de uma
cidade australiana, que o monitorava, usou uma personagem de computação gráfica, criada por uma ONG
holandesa, para atraí-lo. O criminoso fez ofertas sexuais, despiu-se e enviou imagens suas sem roupa para a
suposta criança em uma sala de bate-papo sobre sexo na Internet.
Tendo o fragmento de texto acima como referência e considerando a amplitude do tema que ele
aborda, julgue os itens subsequentes.
13) POLÍCIA FEDERAL AGENTE - No Brasil, as investigações no submundo da rede mundial de
computadores — que possibilitariam, por exemplo, a prisão de pedófilos — ainda estão cerceadas
legalmente, o que inviabiliza operações dessa natureza até que se aprove emenda constitucional que as
autorize.
14) POLÍCIA FEDERAL AGENTE - As estratégias utilizadas pelas autoridades policiais para combater
crimes como o descrito no texto em apreço incluem o rastreamento da chamada Internet profunda, isto
é, um conjunto de servidores que permitem a usuários compartilhar conteúdo criminoso sem que sua
identidade seja rastreada.
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