Moeda, Taxa de Juro e Funções Políticas do Estado
Resumo
Este trabalho analisa a inter-relação entre moeda, taxa de juro e as funções políticas do Estado,
com foco na sua relevância para o curso de Administração e Gestão de Empresas. A moeda,
como meio de troca e unidade de conta, é fundamental para a dinâmica econômica, enquanto a
taxa de juro é um instrumento crucial de política monetária. O objetivo deste estudo é
compreender como essas variáveis influenciam a gestão econômica e as decisões empresariais.
Introdução
A moeda é um elemento central nas economias modernas, facilitando as transações e servindo
como um padrão para medir o valor. A taxa de juro, que representa o custo do capital, tem um
impacto significativo nas decisões de investimento e financiamento das empresas. As funções
políticas do Estado, que incluem a regulação do sistema financeiro e a implementação de
políticas monetárias, são essenciais para garantir a estabilidade econômica e promover o
crescimento. Este trabalho busca explorar como o Estado utiliza a política monetária para
influenciar a economia e, consequentemente, o ambiente de negócios.
Metodologia
A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica de literatura acadêmica e
relatórios de instituições financeiras. A análise qualitativa das políticas monetárias de diferentes
países e suas consequências para o setor empresarial foi fundamental para o desenvolvimento
deste trabalho.
Resultados e Discussão
Moeda
Para um economista, moeda não se refere a todos os tipos de riqueza, e sim a um único tipo de
riqueza: moeda significa um estoque de ativos que podem ser prontamente utilizados para
realizar transações. (Mankiw, 2015).
Segundo (Paiva & Cunha, 2008) moeda ou dinheiro é um conceito central dentro do estudo da
Economia. Entretanto, sua conceituação não é trivial, na medida em que as principais tradições
teóricas tendem a tratá-la de forma distinta.
Os mesmos autores afirmam que em geral, a literatura se refere ao termo “moeda” para expressar
o instrumento utilizado para a liquidação de contratos em uma economia mercantil. O termo
dinheiro pode aparecer, de forma indistinta, com um sinônimo de moeda, ou de forma mais
estrita, como sendo o instrumento de uso cotidiano para as transações econômicas. Assim, moeda
seria uma denominação mais geral, e o dinheiro (as notas representativas e as moedas metálicas)
algo mais específico, que estaria representando em certo período e local as funções atribuídas à
moeda.
Para (Ferraz) a moeda é algo que é geralmente aceite como pagamento de bens e serviços ou
como reembolso de dívidas.
Antes da existencia da moeda, o fluxo de trocas de bens e serviços na economia, dava-se através
do escambo, com trocas directas de mercadoria por mercadoria (economia de trocas).
A Moeda é a parte dos activos financeiros que se caracteriza por:
Liquidez – capacidade para realizar transações e liquidar dívidas, imediatamente e sem
custos de transação.
Aceitação universal – circulação obrigatória, por lei, numa nação.
Activos que constituem moeda
Circulação monetária = M0
Moeda metálica
Notas
Depósitos à ordem + MO = M1.
Características da Moeda
Aceitabilidade no espaço territorial em que é adoptada.
Liquidez pela capacidade de se transformar de imediato em outros activos e não sofrer
variações no seu valor nominal.
Rendimento nulo para a moeda em circulação mas não para os depósitos à ordem “DO”.
(Ferraz)
Tipos de Moeda
Moeda Mercadoria: azeite; gado; vinho; sal (origem da palavra salário); metais preciosos
(nomeadamente prata e ouro).
Tem valor intrínseco.
Desvantagens- Difícil de transportar e de fazer troco.
Papel-Moeda (notas e moedas fiduciárias):
Moeda sem valor intrínseco que é usada como moeda porque o governo decretou.
Vantagens- Mais fácil de transportar e fazer troco.
Desvantagens- O transporte de valores elevados se torna dispendioso e é facilmente
objecto de roubo.
Moeda Bancária/Escritural (DO):
Cheque: é uma instrução de transferência de moeda de um agente para a conta de outro
aquando do depósito do cheque.
Vantagens- Reduzem o custo de transporte.
Desvantagens- Tempo necessário para que o valor do cheque fique disponível e custos
associados ao seu processamento.
Moeda Electrónica (cartões de débito e de crédito, etc.) (Ferraz)
Funções da Moeda
Para (Mankiw, 2015), a moeda tem três finalidades: é uma reserva de valor, uma unidade de
conta e um meio de troca:
Como reserva de valor, a moeda representa um meio de transferir o poder de compra do
presente para o futuro. Evidentemente, a moeda é uma reserva de valor imperfeita: se os preços
estão aumentando, a quantidade que se consegue comprar com qualquer quantidade específica de
moeda está diminuindo. Ainda assim, as pessoas guardam moeda, uma vez que podem negociá-
la em troca de bens e serviços em algum momento no futuro.
Como unidade de conta, a moeda define os termos segundo os quais os preços são determinados
e as dívidas registradas. A moeda constitui o padrão por meio do qual se mensuram as transações
econômicas.
Como meio de troca, a moeda é aquilo que é utilizado para adquirir bens e serviços. A
facilidade com que um determinado ativo pode ser convertido em um meio de troca, e utilizado
para adquirir outras coisas (bens e serviços) -geralmente é conhecida como a liquidez desse
ativo. Uma vez que, por definição, é o meio de troca, a moeda é o ativo que tem maior liquidez.
A moeda possibilita transações mais indiretas. Uma professora usa seu salário para comprar
livros; o editor utiliza a receita da venda dos livros para comprar papel; o fabricante de papel
utiliza a receita da venda de papel para comprar madeira e transformá-la em polpa de celulose; a
madeireira utiliza a renda obtida com a venda de madeira para pagar ao lenhador; o lenhador usa
sua renda para mandar o filho para a faculdade; e a faculdade utiliza a mensalidade que recebe
do aluno para pagar o salário da professora. Em uma economia moderna, complexa, o comércio
geralmente é indireto, e requer o uso de moeda.
Procura de Moeda
Parte da riqueza que um indivíduo escolhe deter sob a forma de moeda. Um critério de custo
benefício indica que um indivíduo deve aumentar a detenção de moeda se os benefícios
adicionais excederem o custo.
Vantagens na detenção de moeda- A moeda é útil para efectuar transacções.
Custos de detenção da moeda
Custo de oportunidade:
Juros que poderiam ter sido ganhos caso tivesse alternativamente detido activos
financeiros que auferem juros.
Obrigações e acções auferem um rendimento nominal positivo.
Os juros auferidos pela moeda são nulos ou muito reduzidos (depósitos bancários à
ordem).
Oferta da Moeda
A oferta da moeda é o suprimento de moeda para atender as necessidades da colectividade. A
oferta também é chamada de meios de pagamento.
Meios de pagamento constituem o total da moeda a disposição do sector privado não bancário,
de liquidez imediata, ou seja, que pode ser utilizada imediatamente para efectuar transacoes. A
liquidez da moeda é a capacidade que ela tem de ser um activo prontamente disponível e aceito
para as mais diversas transacoes.
Os depósitos a vista ou em conta corrente não são dinheiro dos bancos, mas dinheiro que
pertence ao publico não bancário. O dinheiro que pertence ao banco são seus encaixes (caixa dos
bancos comerciais) e suas reservas( quanto aos bancos comerciais mentem depositado junto ao
Banco Central).
Os meios de pagamento, conceituados como moeda de liquidez imediata, que não rendem juros,
são também chamados de M1 e também de activos ou haveres monetários. (Vasconcellos &
Garcia)
Monetização e Desmonetizacao da Economia
Em processos inflacionários intensos normalmente ocorre a chamada desmonetização da
economia, isto é, dimininui a quantidade de moeda sobre o total de activos financeiros, em
decorrência do facto de as pessoas procurarem defender-se da inflação com aplicações
financeiras que rendem juros. A monetização é o inverso: com a inflação baixa, as pessoas
mantem mais moedas que não rende juros em relação aos demais activos financeiros.
O grau de de monetização ou desmonwtizacao pode ser medido pela razão M1/MA: quando M1
aumenta em relação a M4, se tem uma monetização; quando M1 cai relativamente a M4, ocorre
a desmonetização. (Vasconcellos & Garcia)
Criação e Destruicao de Moeda ( ou Meios de pagamentos)
Ocorre a criação da moeda quando há um aumento do volume de meios de pagamento, e
destruição de moeda quando ocorre uma redução dos meios de pagamento.
Demanda da Moeda
A demanda de moeda pela colectividade corresponde a quantidade de moeda que o sector
privado não bancário retem, em media, seja com o publico, seja no cofre das empresas, e em
depósitos a vista nos bancos comerciais.
Existem três razoes pelas quais se retem a moeda:
Demanda de moeda por precaução;
Demanda de moeda para transacoes; e
Demanda de moeda por especulação. (Vasconcellos & Garcia)
Taxa de Juro
Para (Paiva & Cunha, 2008) a taxa de juros é um dos preços-chave das economias de mercados.
Seu conceitopode ser apreendido de várias formas, na medida em que não existe somente uma
taxa de juros, mas sim um conjunto de taxas de juros que reflete a diversidade dos instrumentos
financeiros utilizados para a captação de recursos nos mercados monetário e de crédito. Na
óptica de quem está tomando um empréstimo, a taxa de juros é o preço pago pela captação de
recursos. Na óptica de quem está emprestando, a taxa de juros pode ser vista como o preço
exigido por se abrir mão da liquidez propiciada pela posse da moeda. Colocado nesses termos,
a taxa de juros é o resultado da interação entre as forças de oferta e demanda por recursos
monetários líquidos.
Segundo (Keynes, 1996) sendo a taxa de juros, a qualquer momento, a recompensada renúncia à
liquidez, é uma medida de relutância dos que possuem dinheiro alienar o seu direito de dispor do
mesmo. A taxa de juros não é o “preço” que equilibra a demanda de recursos para investir a
propensão de abster-se do consumo imediato. É o “preço” mediante o qual o desejo de manter a
riqueza em forma líquida se concilia com a quantidade de moeda disponível.
A taxa de juro tem um papel importante, pois a determicacao de seu patamar acabaraa por
influenciar o volume de consumo, notadamente de bens de consumos duráveis, por parte das
famílias. Alem de representar um aumento do custo do financiamento de bens de consumo, taxas
de juros elevadas acarretam também uma diminuição no consumo, porque as pessoas passam a
preferir poupança a consumo, e dirigem sua renda não gasta para os bancos, com o intuito de
auferirem receitas financeiras.
A fixação da taxa de juros doméstica, esta relacionada com a demanda de crédito junto aos
mercados financeiros internacionais. O movimento de capitais financeiros internacionais esta,
desde modo, condicionado aos diferenciais de taxa de juros entre os diversos países.
(Vasconcellos & Garcia)
Taxa de juros Nominal e Taxa de juros Real
Para (Vasconcellos & Garcia), essas taxas constituem um pagamento expresso em percentagem,
mensal, trimestral, anual, que um tornador de empréstimos faz ao emprestador em troca do uso
de uma determinada quantia de dinheiro. Se não houver inflação no período, a taxa de juros
nominal será iguala a taxa de juros real desse mesmo período de tempo.
A taxa de juros nominal mede o preço pago ao poupador por suas decisões de poupar, ou seja, de
transferir o consumo presente para o consumo futuro, a taxa de juros real mede o retorno de uma
aplicação em termos de quantidades de bens, isto é, já descontada a taxa de inflação.
A relação entre a taxa nominal de juros, a taxa real e a inflação é dada pela equação de Fisher:
(l+i)=(l+r )(l+ π)
Onde:
i= taxa nominal de juros
r= taxa real de juros;
π=¿ taxa de inflação.
Tem-se então que:
(l+ i) (l+i)
( l+i )= e r= −l
(l+ π ) (l+ π )
A moeda desempenha funções essenciais na economia, como meio de troca, unidade de conta e
reserva de valor. A taxa de juro, por sua vez, é determinada pela oferta e demanda de dinheiro no
mercado. Taxas de juro elevadas podem desestimular o consumo e o investimento, enquanto
taxas mais baixas incentivam o crescimento econômico. Para os gestores, entender essa dinâmica
é crucial para a tomada de decisões estratégicas.
Funções Políticas do Estado
O Estado exerce várias funções políticas que impactam diretamente a economia e, por
consequência, as empresas. Entre essas funções, destacam-se:
- Regulação do Sistema Financeiro: O Estado estabelece normas que garantem a estabilidade do
sistema financeiro, essencial para a confiança dos investidores e consumidores.
- Política Monetária: Através de bancos centrais, o Estado controla a oferta de moeda e as taxas
de juro, influenciando a inflação e o crescimento econômico.
- Promoção do Bem-Estar Social: O Estado utiliza políticas fiscais e monetárias para promover a
equidade social, o que pode impactar o mercado de trabalho e o consumo.
Conclusão
A moeda e a taxa de juro são elementos centrais na política econômica de um Estado e têm um
impacto direto na gestão empresarial. A forma como o Estado regula e utiliza essas variáveis
determina não apenas a saúde da economia, mas também o ambiente de negócios. Compreender
essa dinâmica é essencial para os futuros administradores, que devem estar preparados para
tomar decisões informadas em um contexto econômico em constante mudança. A análise revela
que a interação entre moeda e taxa de juro é fundamental para a política econômica. Em períodos
de crise, a redução da taxa de juro pode ser uma estratégia eficaz para estimular a economia.
Além disso, a regulação estatal é vital para assegurar a confiança no sistema financeiro, evitando
crises que possam afetar negativamente as empresas.