MESTRADO EM
CONTABILIDADE FISCALIDADE E FINANÇAS
EMPRESARIAIS
TRABALHO FINAL DE MESTRADO
DISSERTAÇÃO
O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E
A PERCEÇÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA
PROFISSÃO EM ANGOLA
ROSEMARY JOYCE COIMBRA CAMBANGO KHELIFA
OUTUBRO - 2019
MESTRADO EM
CONTABILIDADE FISCALIDADE E FINANÇAS
EMPRESARIAIS
TRABALHO FINAL DE MESTRADO
DISSERTAÇÃO
O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E
A PERCEÇÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA
PROFISSÃO EM ANGOLA
ROSEMARY JOYCE COIMBRA CAMBANGO KHELIFA
ORIENTAÇÃO:
PROFESSORA DOUTORA CRISTINA BELMIRA GAIO MARTINS DA SILVA
OUTUBRO – 2019
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
“A felicidade, a riqueza e o sucesso são subprodutos dos
objetivos que estabelecemos. Não podem ser os próprios
objetivos.”
Denis Waitley
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Resumo
O presente estudo tem como objetivo principal, a partir de uma análise descritiva
qualitativa, compreender a problemática do acesso à profissão de contabilista e a perceção
sobre a importância da profissão em Angola. Como objetivos secundários pretende-se
evidenciar as perspetivas atuais e futuras dos profissionais de contabilidade, a fase em
que se encontra a profissão, e os principais acontecimentos inerentes à evolução histórica
da contabilidade em Angola. A recolha de dados foi feita com entrevistas a 12
profissionais especialistas do setor, como profissionais conhecedores da matéria,
auditores e contabilistas certificados pela Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas
de Angola doravante OCPCA ou Ordem. Relativamente a análise realizada, podemos
concluir que o normativo angolano carece de uma revisão, pois apresenta algumas
insuficiências para o alcance de uma harmonização com outros normativos
internacionais; o acesso à profissão em Angola está cada vez mais dependente da
certificação por meio de cursos de atualização obrigatória ministrados pela OCPCA; o
mercado ainda não conta com um número suficiente de contabilistas qualificados apesar
do acesso fácil para o exercício da profissão quando se trata de um contabilista com
experiência; e a profissão de contabilista exige que o profissional seja ético, responsável,
rigoroso, organizado e fidedigno.
Palavras-chave: Acesso á profissão de contabilista, perfil do contabilista, importância
da profissão de contabilista, Angola.
i
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Abstract
The present study aims, from a qualitative descriptive analysis, to understand the problem
of access to the accounting profession and the perception of the importance of the
profession in Angola. As secondary objectives, we intend to highlight the current and
future perspectives of accounting professionals, the current state of the profession, and
the main events inherent in the historical evolution of accounting in Angola. The data was
obtained from interviews with 12 professionals, who are experts in the field,
knowledgeable professionals, auditors and accountants certified by the Order of
Accountants, Accounting Experts of Angola, henceforth OCPCA. Based on the analysis
done, we can conclude that the Angolan normative needs a revision, since it presents
some insufficiencies to achieve a harmonization with other international norms; the
access to the profession in Angola is increasingly dependent on certification through
compulsory refresher courses taught by OCPCA; there is not sufficient number of
qualified accountants despite the easy access to the profession when it comes to an
experienced accountant; and the accounting profession requires the professional to be
ethical, responsible, strict, organized and trustworthy.
Keywords: Access to accountant profession, accountant profile, importance of
accountant profession, Angola.
ii
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Agradecimentos
Agradeço à Deus que nunca desistiu de mim e ama incondicionalmente. À minha
orientadora Professora Doutora Cristina Gaio pela paciência que teve desde os mínimos
detalhes, sugestões até ao produto final que apresento com gratidão.
Agradeço aos entrevistados por partilharem generosamente as suas experiências.
Agradeço ao meu Pai Teddy (sempre vivo em mim) e ao meu esposo Hamid, que
são e sempre serão a minha força para a realização de grandes feitos na minha vida
profissional.
A minha mãe Júlia Cambango que é o meu anjo de pessoa, melhor mãe do mundo
sem a qual nada disso seria possível, obrigada por sempre estares nos bons e maus
momentos.
Ao meu filho Karim Samuel e a minha querida família, por todo o apoio, ajuda e
motivação que deram nesta importante etapa da minha vida.
iii
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Índice
Resumo .............................................................................................................................. i
Abstract............................................................................................................................. ii
Agradecimentos ............................................................................................................... iii
Lista de Tabelas ................................................................................................................ v
Lista de Figuras ............................................................................................................... vi
Lista de abreviaturas ....................................................................................................... vii
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1
2. ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL .............................................................. 3
2.1. Enquadramento da economia em Angola ............................................................. 3
2.2. Breve descrição da Ordem dos Contabilistas e dos Peritos Contabilistas de
Angola .............................................................................................................................. 4
3. ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA .................................................... 6
3.1. Situação atual da profissão de contabilista ........................................................... 6
3.2. Requisitos e funções do profissional contabilista ............................................... 12
3.3. Principais desafios, obstáculos e futuro da profissão ......................................... 14
4. ESTUDO EMPÍRICO .............................................................................................. 16
4.1. Metodologia de Investigação e dados ................................................................. 16
4.1.1. Desenho da Investigação ................................................................................. 16
4.1.2. Recolha de Dados ............................................................................................ 17
4.2. Análise de resultados .......................................................................................... 18
4.2.1. Caraterização dos entrevistados ....................................................................... 18
4.2.2. Descrição dos resultados .................................................................................. 20
[Link]. Acesso à profissão de contabilista ................................................................ 20
[Link]. Perceção do papel do contabilista ................................................................. 25
[Link]. Futuro da profissão, principais desafios e obstáculos ................................... 26
[Link]. Contexto da OCPCA ..................................................................................... 31
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 34
5.1. Conclusões, Limitações e Investigações futuras................................................. 34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 36
ANEXOS ....................................................................................................................... 39
iv
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Lista de Tabelas
Tabela 1: Faixa Etária dos Entrevistados ...................................................................... 18
Tabela 2: Género dos Entrevistados .............................................................................. 19
Tabela 3: Formação Profissional dos Entrevistados...................................................... 19
Tabela 4: Experiência Profissional dos Entrevistados................................................... 19
Tabela 5: Área de Atuação dos Entrevistados ............................................................... 19
Tabela 6: Tipo de Empresa que os Entrevistados Atuam .............................................. 20
v
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Lista de Figuras
Figura 1: Fatores Muito Importantes para a Evolução da Contabilidade ...................... 27
Figura 2: Fatores Importantes para a Evolução da Contabilidade ................................ 27
Figura 3: Papel do Contabilista nas Empresas Atualmente .......................................... 28
Figura 4: Meios de Atualização da Profissão ................................................................ 29
Figura 5: Preparação dos Profissionais Perante Mudanças ........................................... 30
Figura 6: Visão dos Profissionais Quanto as Mudanças da Contabilidade ................... 30
Figura 7: Profissional Valorizado pelo Mercado .......................................................... 30
vi
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Lista de abreviaturas
AATCA - Associação Angolana dos Técnicos de Contas e Auditores
AGT - Administração Geral Tributária
CNNA - Conselho Nacional de Normalização Contabilística de Angola
BNA – Banco Nacional de Angola
BODIVA – Bolsa de Dívida e Valores de Angola
CMC – Comissão de Mercado de Capitais
CONTIF - Plano de Contas das Instituições Financeiras
DR – Diário da República
ECSAFA – Eastern, Central and Southern African Federation of Accountants
FMI - Fundo Monetário Internacional
IAS - International Accounting Standards
IDE - Investimento Direto Estrangeiro
IFRS - International Financial Reporting Standards
IFAC – International Federation of Accountants
MEP - Ministério de Economia e Planeamento
MINFIN – Ministério das Finanças
ROC - Revisor Oficial de Contas
SNCGDP - Sindicato Nacional de Contabilidade do Distrito do Porto
SPC - Sociedade Portuguesa de Contabilidade
PAFA - Pan African Federation of Accountants
PCA - Presidente do Conselho de Administração
PGCA - Plano Geral de Contabilidade de Angola
PIB - Produto Interno Bruto
vii
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
OCPCA – Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola
OGE - Orçamento Geral do Estado
USAID - Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento
Internacional
viii
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
1. INTRODUÇÃO
Para Batista & Cançado (2016), as constantes mudanças sociais, económicas e
políticas ocorridas desde a década de 80 no mercado de trabalho, mostram que o
conhecimento e o expertise do capital humano geram inovações e têm sido uma vantagem
para as organizações.
Segundo Yu et al (2015), a globalização do trabalho profissional, os distintos
conceitos e pensamentos de gestão, as modificações nas organizações empresariais, são
fatores que determinam o processo pelo qual profissionais se identificam com a sua
profissão. Alteiam ainda, que a contabilidade é importante, pois, foi a primeira profissão
historicamente a operar entre países. Esta profissão tem contribuído para o
desenvolvimento mundial e concomitantemente tem sido fortemente influenciada pela
economia global.
“... Quando se ouve dizer que Angola é o país mais caro do mundo, é porque todos
os dias pagamos o preço das más práticas nos atos públicos. A contabilidade e a
auditoria conscientes serão importantes ferramentas no combate a estas práticas que
concorrem para o prejuízo do Estado” (Sampaio, 2014, p.28).
Segundo Neves (2014), subsiste uma aliciante e depreda história sobre a evolução
da contabilidade angolana, que deve ainda ser tema de estudo aprofundado e de
investigação por parte dos especialistas que estudam a profissão do contabilista.
Assim sendo, os objetivos deste trabalho são a identificação do estado atual e da
evolução da profissão de contabilista; o acesso à profissão; o papel da OCPCA a nível
normativo, formativo, qualitativo do profissional, o perfil do contabilista; e qual a
perceção da importância que os intervenientes da contabilidade têm sobre a profissão de
contabilista.
Os resultados sugerem que o acesso à profissão de contabilista em Angola está cada
vez mais dependente da certificação por meio de cursos de atualização obrigatória
ministrados pela OCPCA e exigências alinhadas às melhores práticas internacionais por
causa de constantes atualizações legislativas; as empresas estão ainda muito dependentes
de consultorias internacionais, pois o mercado ainda não conta com um número suficiente
de contabilistas qualificados apesar do acesso a profissão de contabilista não ser fácil,
1
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
pode ser acessível quando se trate de um contabilista com experiência; para os
entrevistados o ensino superior em contabilidade esta desajustado à realidade do mercado
em Angola. Quanto a perceção do papel do contabilista os resultados apontam para que
as empresas e a sociedade em geral ainda não dão a devida importância ao contabilista,
pois, algumas empresas conseguem sobreviver sem que haja contabilidade organizada e
nada lhes acontece, não obstante a isso, os grandes contribuintes já vêm o profissional
como parceiro estratégico para tomada de decisões, pagamentos das obrigações fiscais a
AGT e para atender as exigências da OCPCA. Quanto ao futuro da profissão de
contabilista, temos que os resultados indicam ainda que, os entrevistados referem que
existirá desafios e oportunidades com a adoção das IFRS e com adoção do IVA a partir
de Outubro do ano de 2019, o profissional de contabilidade atualmente não está
totalmente preparado, pelo que, deve buscar conhecimento e se preparar para dar
respostas atempadamente.
Este estudo é importante pois, dada a escassa literatura existente, contribui para que
se tenha um maior conhecimento sobre a situação atual da profissão, sobre a evolução do
sistema contabilístico em Angola, informação pertinente para os principais órgãos
reguladores da profissão como é o caso da OCPCA, a Administração Geral Tributária,
doravante AGT, e o Banco Nacional de Angola, doravante BNA,. Pode também ser do
interesse dos profissionais do setor e ainda para outros países que almejem constantes
mudanças nos seus sistemas contabilísticos, pois Angola encontra-se num período crise
cambial e económica oriunda da baixa do preço do barril de petróleo, período de grandes
mudanças com as adoções do IVA e das IFRS nas instituições financeiras.
O presente trabalho está dividido em 5 secções. A presente introdução é a primeira
secção na qual se define os objetivos, contribuição do estudo e resumidamente os
principais resultados. A segunda secção apresenta o enquadramento Institucional de
Angola, nomeadamente a evolução histórica da OCPCA e do normativo Angolano. A
terceira secção faz menção ao acesso à profissão de contabilista, desde os requisitos
necessários, a sua evolução e contexto atual. A quarta secção apresenta o estudo empírico,
concretamente a metodológica utilizada a partir de entrevistas feitas a profissionais
contabilistas e especialistas, bem como a análise dos resultados obtidos. Na quinta e
última secção, são apresentadas algumas considerações finais no âmbito conclusivo,
limitações e pistas futuras de investigação.
2
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
2. ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL
2.1. Enquadramento da economia em Angola
Conotado como um dos países que mais tem crescido nos últimos anos, devido às
suas reservas petrolíferas, recursos hídricos, minerais, florestais e vastas extensões de
terras favoráveis à agricultura, sendo assim referência para o mundo em especial ao
continente africano, “…Angola é uma boa oportunidade de trabalho, porque tem uma
economia em crescimento acelerado, mas é também uma sociedade com uma cultura
forte, diversificada, e um mercado ainda em construção, o que cria assimetrias e
especificidades muito próprias” (Santos, 2011, p.15). Fortes & Makanda (2012), narram
que Angola assinalou a sua independência do domínio português em 1975, altura em que
se seguia um sistema político comunista leninista com apenas um partido político no
poder, situação que terminou em 1991.
“…Angola é o segundo maior produtor de petróleo de África, depois da Nigéria,
produzindo mais de 1,9 milhões de barris por dia (bpd). Na sequência dos choques
provocados pela desaceleração económica mundial e pela forte queda do preço do
petróleo, que provocou desequilíbrios orçamentais e na balança de pagamentos, o país
tem vindo gradualmente a recuperar” (Fortes & Makanda, 2012, p.4).
De acordo com o Relatório Anual e Contas do BNA (2018), com a queda da
produção no sector petrolífero que se iniciou em 2014, a economia angolana encontra-se
em recessão pelo terceiro ano consecutivo, apesar da cotação do preço do petróleo no
mercado internacional apresentar uma melhoria. Conforme apontam os dados
preliminares do Ministério de Economia e Planeamento doravante MEP, a atividade
económica em 2018 apresenta uma taxa de crescimento real, medida pelo Produto Interno
Bruto doravante PIB, de -1,70% uma forte baixa face aos 4,9% previstos pelo Orçamento
Geral do Estado doravante OGE de 2018, reflexo de uma maior contração da atividade
petrolífera em -9,20%, da menor dinâmica da atividade não petrolífera (0,28%) e de
oscilações que continuam a influenciar na desvalorização da moeda local Kwanza,
concludentemente um aumento da inflação.
Relativamente a balança de pagamentos em 2018, o Relatório Anual e Contas do
BNA (2018), aponta para uma melhoria no seu saldo, ao passar de um défice até ao
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
terceiro trimestre de 2017 para um superavit no período em referência, correspondente a
9,06 % do PIB até ao terceiro trimestre de 2018, contra os 2,60 % negativos do período
homologo. Segundo Relatório do Fundo Monetário Internacional doravante FMI (2017),
houve um aumento das exportações em 2017, de 19,5%, devido ao aumento do preço de
petróleo. Já as importações foram contidas tendo como principal fator entre outros a
afetação de divisas aplicado pelo BNA a partir de um sistema ineficiente. Verificou-se
um desequilíbrio na taxa cambial em 2017, chegando-se a uma diferença de 150% entre
a taxa de câmbio praticada no mercado formal e a taxa de câmbio do mercado informal.
Sem esquecer de referenciar o Investimento Direto Estrangeiro doravante IDE em
Angola, aspeto relevante, o site Jornal de Angola faz menção que o IDE se revelou
negativo após 24 anos de abertura do país ao exterior, o facto é dado por uma economia
com elevada taxa de desemprego e o nível de pobreza acentuado. Segundo o site África
21 digital (2018) o IDE, caiu entre os anos 2013 e 2017 em 70% devido a crise que afetou
Angola com a quebra na cotação internacional do barril de crude. Se esta queda continuar,
pode levar ao desinteresse do investimento estrangeiro em Angola.
Finalmente com o rápido desenvolvimento económico, Angola é um pais que se
abriu para o mundo e como tal tem que acompanhar os métodos de relato financeiro
impostos internacionalmente, é imprescindível que os profissionais de contabilidade e
peritos contabilistas respondam a este desafio.
2.2 . Breve descrição da Ordem dos Contabilistas e dos Peritos
Contabilistas de Angola
A OCPCA “existe desde 2010, os primeiros órgãos só foram eleitos em 2013, e tem
como prioridade que os profissionais tenham conhecimentos técnicos necessários, como
noções de ética e deontologia” (José, 2017, p.2). A OCPCA tem um papel importante na
atividade contabilística, estimulando a transparência das transações financeiras, criando
um maior controlo sobre a gestão das empresas e a atuação dos órgãos fiscais, que têm
uma grande responsabilidade de acordo com as exigências das leis da Ordem.
O Decreto Presidencial nº 232/10 de 11 de outubro, referente ao Estatuto da
OCPCA nos termos do artigo nº 1, conforme publicado no Diário da República doravante
DR nº 193, I série, define a “OCPCA como pessoa coletiva de direito público no âmbito
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nacional, dotada de personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e
patrimonial à qual compete representar, amparar os interesses dos seus membros
profissionais, a dignidade e prestígio das suas funções, assim como fiscalizar o exercício
da profissão”.
Conforme previsto no artigo nº 3, do decreto citado acima, este organismo tem
como objetivos: “(i) Promover e zelar pelo respeito dos princípios éticos e deontológicos
e defender os interesses dos seus membros; (ii) Promover e contribuir para a formação
profissional e aperfeiçoamento dos seus membros; (iii) Definir normas e esquemas
técnicos; (iv) Colaborar no ensino da contabilidade em todos os níveis; (v) Estabelecer
um regime de estágios e exames para os candidatos a contabilistas e peritos contabilista”.
A OCPCA, almeja afiliar-se a organismos internacionais de contabilidade, como o
International Federation of Accountants doravante IFAC, e com a Eastern, Central and
Southern African Federation of Accountants doravante ECSAFA. Conforme relatório
xFAP da Pan African Federation of Accountants doravante PAFA (2017), em agosto de
2016 a OCPCA já conseguiu se tornar membro afiliado da organização internacional
PAFA.
Segundo Sampaio (2014), a Ordem deve ser um órgão que deve agir em defesa dos
contabilistas perante situações em que se recusem a dar pareceres favoráveis as entidades
que entendam serem práticas que violem os princípios deontológicos, a lei e a ética. A
OCPCA, também deve intervir a mão pesada punindo ou a proibir que o profissional
exerça a sua atividade, em situações que se observem que o profissional contabilista
venha a violar a lei, com fraudes e enganos a clientes.
“…. No que à inclusão de profissionais estrangeiros como membros da OCPCA
diz respeito, dada a insuficiência de quadros qualificados no setor, e pelo facto de sermos
um país jovem e em fraco crescimento que necessita de bons recursos humanos capazes
de alicerçar o seu desenvolvimento, a flexibilidade na inclusão de profissionais
estrangeiros como membros efetivos da Ordem é inevitável. No entanto, essa abertura
deve ser feita com regras, controle e salvaguardando sempre as oportunidades dos
quadros nacionais.” (Santos, 2014, p.47). Para José (2017) a OCPCA não vai impedir os
profissionais estrangeiros de prestarem serviços no mercado nacional, pois, Angola ainda
não tem companhias de contabilidade de grande dimensão. O autor retrata ainda que, o
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
anterior presidente da Comissão Instaladora, Júlio Sampaio considerou ser impensável
que os profissionais expatriados bem como as suas firmas de atuação não estejam em
Angola contribuído assim para o desenvolvimento da profissão, pois não existem
empresas suficientes para substituir as internacionais.
Para Lopes (2014), a Ordem é um órgão que contribui de forma positiva na
credibilização da atividade e na valorização dos profissionais do setor, pois durante estes
anos esta atividade tem sido desvalorizada. A OCPCA como órgão regulador do setor tem
a responsabilidade de afiançar, que as demonstrações financeiras dos contribuintes
espelham a sua verdadeira situação patrimonial.
3. ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA
3.1. Situação atual da profissão de contabilista
Salazar & Benedicto (2004) defendem que o contabilista deve levar em conta
princípios de contabilidade, aplicados a conceitos e práticas detalhadas, incluindo
convenções, leis, regras e procedimentos geralmente aceites num dado momento. Os
mesmos autores rememoram que as categorias profissionais devem respeitar os seus
próprios códigos de condutas éticas, não sendo o profissional de contabilidade uma
exceção a regra.
Sampaio (2014) refere que a profissão de contabilidade atualmente na sociedade
angolana, é considerada por muitos gestores empresariais como um ato enfado que serve
apenas para prestação de contas e obrigações fiscais. Não olham para o relato financeiro
como uma ferramenta de gestão e tomada de decisões. Kinanga (2014) lamenta que
muitas das vezes o profissional seja visto como simples técnico que se limita a efetuar a
classificação de documentos e a cumprir requisitos impostos pelas leis da sociedade
comercial e fiscal, situação que se alterou com o surgimento da OCPCA.
“…Num mercado competitivo como o nosso, onde se regista, fruto das
competências que lhes são reconhecidas, um domínio por parte das grandes empresas
internacionais do setor, não é fácil o crescimento dos jovens na profissão. Há
necessidade de se criar condições que permitam aos jovens licenciados o tão desejado
acesso ao mercado de trabalho. Como jovens profissionais, auguramos que, também a
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
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este nível, a OCPCA tenha a capacidade de regulamentar e supervisionar” (Filipe, 2014,
p.77).
Magro (2010) destaca que o conhecimento profissional se encontra
maioritariamente em Luanda que é a capital de Angola, situação que se alastra desde o
período de guerra colonial até a atualidade. Salienta ainda, que existe uma carência de
mais quadros qualificados e a necessidade de se fazer alguma coisa para atraí-los. Não
obstante a crise em Angola, Fortes & Makanda (2012) salientam que por ser um país em
desenvolvimento e em reestruturação, existe a necessidade da criação de uma comissão
de normalização contabilística em Angola para acompanhar a evolução contabilística
mundial e se poder ajustar o Plano Geral de Contabilidade de Angola doravante PGCA,
de maneira a se obter uma maior harmonização contabilística.
Almeira (2014) refere que antes da criação da OCPCA, a falta da devida regulação
e certificação da profissão do contabilista foi prejudicial à classe, pois, a profissão era
desempenhada muitas vezes por técnicos de outras especialidades sem a devida
qualificação na área de contabilidade, o que levava a pareceres erróneos sobre
demonstrações financeiras sem o mínimo rigor exigido, desprestigiando toda a classe
contabilista e condicionando o acesso correto a mesma. Segundo relatório do Banco
Mundial (2017) antes de a OCPCA se tornar regulador da profissão, quem efetuava o
registo das empresas e pessoas que prestavam serviços de contabilidade era o Ministério
das Finanças doravante MINFIN, que apresentavam na altura 96 empresas e 5.139
pessoas registadas.
Para Neves (2014) o reconhecimento e desenvolvimento da profissão de
contabilista em Angola, passa por critérios de capacitação, como a formação profissional
exigida pela OCPCA através de disposições previstas no seu Estatuto para o acesso a
profissão, formação técnica e formação académica, monitorizadas por organismos que
regulam a profissão no país. Almeira (2014) frisa que as ações de formações de
atualizações realizadas pela OCPCA, permitiram que houvesse um acréscimo e
alinhamento de conhecimentos dos profissionais de contabilidade no que a princípios de
deontologia/ética, normativos e normas de relato financeiro previstos pelo organismo
IFAC.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Lopes (2014) destaca que para que os profissionais integrassem na Ordem foi
previsto um período transitório do qual os profissionais que exerciam até 2014 as suas
atividades teriam que participar num curso de capacitação e assim de forma direta
tornarem-se membros da OCPCA, período que foi de dezembro de 2014 a dezembro de
2017, altura em que foi aprovado o novo PGCA e com ele novas conceções relacionadas
com a aproximação às Normas Internacionais de Contabilidade doravante NIC ou IAS.
José (2017) frisa que relativamente aos profissionais contabilistas mais antigos, a OCPCA
está a trabalhar para que estes façam cursos de atualização e possam exercer a profissão.
Existem duas classes de profissionais dentro do setor para fazerem a formação, a primeira
que são os contabilistas e a outra classe os peritos contabilistas, que são aqueles que se
exige “no caso dos contabilistas, no mínimo 10 anos do exercício da profissão e no caso
dos peritos contabilistas um mínimo de 15 anos” (Neto, 2010, p.64).
Consta no Relatório de Atividades e Contas do exercício de 2016 da OCPCA, que
do grupo de membros pertencentes a OCPCA, foram admitidos numa primeira fase 500
depois de terem participado dos 5 primeiros cursos ministrados até 2015, em que 259
eram contabilistas normais e 241 peritos contabilistas. Num universo de 5.000
profissionais no setor, esta pouca aderência de 500 participantes na primeira fase, deveu-
se ao tempo continuo de formação (full time), ou seja, 105 horas para se tornar membros
efetivos e 142 horas de formação de certificação para se tornar contabilista e auditor, o
que dificultou a presença de muitos profissionais, situação revista atualmente. Conforme
instituído pelo Estatuto da OCPCA surge a posterior uma primeira edição do curso de
atualização profissional diferente dos cursos ministrados até 2015, ministrado em julho
de 2016, seguindo-se uma 2ª edição em outubro do mesmo ano. Quanto ao número de
empresas inscritas na OCPCA neste ano cifrava-se em 74.
Segundo informação contida no Plano de Atividades da OCPCA (2019, p.3) “a
Ordem conta atualmente com 4.691 membros associados, entre contabilistas, peritos
contabilistas, empresas de especialidade, um total de 2.649 candidatos a membros e 2.463
estagiários.” Segundo José (2017) existe ainda um défice de 40 mil contabilistas para
apoiar mais de 60 mil empresas em exercício no mercado nacional. Para Fortes &
Makanda (2012) no contexto social angolano urge a necessidade de se ministrar um
número maior de formações adaptadas à realidade do país para obtenção de uma maior
qualificação profissional, pois, o país ainda apresenta um alto nível de pobreza, e
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IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
desemprego o que influencia o desenvolvimento humano e torna deficiente o ingresso a
instrução.
Para Calixto (2014) embora o exercício da atividade ter evoluído expressivamente,
tendo em conta o atual panorama de competências profissionais no país, existe ainda uma
carência de quadros quer a nível quantitativo como qualitativo, apesar de existirem
pessoas com muita experiência as mesmas não estão preparadas para utilizarem as normas
impostas internacionalmente e são insuficientes para fazer face ao mercado. A OCPCA
para minimizar este impasse, tem como iniciativas inscrever mais contabilistas e certificar
aqueles que já estão no mercado a prestar serviços neste ramo sem estarem inscritos na
Ordem. A OCPCA, quer ainda incluir no plano curricular um estágio profissional aos
alunos do ensino médio e universitário, para serem certificados após fazerem o exame,
com o objetivo de formarem alunos já com domínio das normas internacionais.
Calixto (2014) defende que no que a formação ministrada pela Ordem diz respeito,
deveria destacar-se mais a componente curricular da temática nacional e só depois de bem
alicerçados esses conhecimentos, se vincar para componentes internacionais, pois muitas
matérias lecionadas ainda não têm aplicabilidade em Angola.
Filipe (2014) como profissional integrado numa das empresas nacionais esteve a
colaborar na organização do segundo curso ministrado pela OCPCA, classifica que as
temáticas do curso adotadas foram adequadas à realidade do mercado nacional. Não seria
possível introduzir uma grande carga de exigência no que tange às normas internacionais
e competências técnicas sem que existisse organizativamente uma carga horária para
cobrir temas internacionalmente instituídos e formar membros competentes. Acredita que
o que já se fez é suficiente para iniciar o processo de forma nivelada e equilibrada.
Barber (2014) relata que as grandes empresas nacionais, para responderem
atempadamente ao rápido desenvolvimento dos setores financeiros, petrolíferos entre
outros setores, que têm que efetuar reportes financeiros a nível interno e internacional
para o alcance de melhores práticas internacionais, se veem obrigadas a recorrer a grandes
firmas de Outsourcing de renome internacional e auditoria para a preparação e revisão de
contas. Embora existam já algumas empresas e particulares nacionais de contabilidade,
com iniciativas que tem contribuído expressivamente para o desenvolvimento da
profissão.
9
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Relativamente ao PGCA utilizado para efetuar as classificações contabilísticas,
Bastos (2017) elucida que subsiste a carência de se fazer um ajuste ao PGCA às práticas
e normas internacionais, pois este fator afeta as grandes, pequenas e micros empresas no
acesso à financiamentos no setor bancário e consequentemente investimentos a nível
internacional no que toca aos IDE. Estes ajustes são imprescindíveis, pois com o
surgimento da Bolsa de Valores de Angola doravante BODIVA ou Bolsa de Valores, faz-
se apelo à aproximação das normas de contabilidade aceites em Angola às internacionais,
visto que empresas cotadas na Bolsa de Valores têm que ter as contas verificadas por
entidades internacionais, situação que esta interlaçada e a ser resolvida com a OCPCA,
na qual a BODIVA não teria como atuar num mercado secundário sem que houvesse a
OCPCA. A Bolsa de Valores, surge em 1998 que culminou com a criação do Mercado de
Capitais em Angola em 2006, e tem como responsabilidades assegurar a transparência,
eficiência e segurança das transações de valores mobiliários, com o intuito de incentivar
a participação e concorrência de investidores.
Segundo relatório do FMI (2017, p.5), um dos primeiros passos já foi dado, pois
“todos os bancos migraram para o regime de contabilidade International Financial
Reporting Standard ou Normas internacionais doravante IFRS que, entre outras regras,
possui requerimentos de provisionamento mais robustos”.
No que a situação da profissão de contabilista diz respeito, em Junho de 2017, foi
ainda emitido um relatório do Banco Mundial, que efetuou uma revisão da profissão de
contabilidade no período de Setembro a outubro de 2016, com a participação da OCPCA
e do Ministério das Finanças. O objetivo foi o de determinar qual era o estágio da
profissão de contabilista em Angola e sugerir recomendações políticas, para o
crescimento de mais profissionais de contabilidade necessários no mercado, bem como
aumentar os investimentos em Angola. O relatório concluiu resumidamente o seguinte:
• Apesar de Angola ter tido avanços significativamente notáveis ainda tem que ser
desenvolvido todos os setores institucionais que amparam a profissão de
contabilista;
• Foram aprovados aos 01 de Janeiro de 2015, códigos tributários com a exigência
que as demonstrações financeiras de contribuintes com receitas e capital superior
aos limites definidos sejam auditadas;
10
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
• A nível do quadro legal, as leis que regem o estabelecimento e registo de
empresas, relatórios financeiros e auditoria, carecem de atualizações, é o caso da
Lei 1/04 das Sociedades Comerciais de 13 de Fevereiro de 2004 que não
especifica: (a) as normas a serem aplicadas para preparar as demonstrações
financeiras; (b) requisitos de auditoria e (c) requisitos de monitoramento e
aplicação; a Lei 82/01, de 16 de Novembro de 2001 que aprovou o PGC se
apresenta inconsistente com outras leis e não esta alinhada com as IFRS;
• O mercado encontra-se com um número limitado de contabilistas profissionais e
técnicos qualificados, existindo assim uma procura acentuada conforme espelha
o anexo 2;
• Os profissionais técnicos habilitados adquirem as suas qualificações profissionais
com estrangeiros, pois temos poucos professores qualificados, o mercado interno
não oferece qualificações profissionais, existe poucos programas de graduação
em contabilidade dados pelas universidades que apesar do esforço, está pela
negativa pois estas não exigem estágios profissionais aos alunos;
• Com a adoção das Normas Internacionais pelos bancos comerciais, exigida pelo
BNA a partir de 2016, a implementação afetou negativamente este programa pela
falta de conhecimento de especialistas em IFRS no país;
Não obstante ao diagnostico feito acima, o relatório do Banco Mundial (2017)
propôs resumidamente as seguintes recomendações políticas:
• Reforçar e atualizar o quadro jurídico que regula os relatórios financeiros e a
auditoria, especificamente a Lei 1/04 das Sociedades Comerciais que deverá
classificar todas as empresas em Angola em classes, determinando requisitos de
contabilidade e auditoria para cada categoria, monitorizando e aplicando sanções
caso não sejam cumpridos; a OCPCA deveria ser responsável por emitir normas
contabilísticas para as empresas médias e pequenas aplicarem as IFRS ao seu PGC
e um modelo de PGC mais simples seria aplicado apenas as micro empresas; entre
outras atualizações jurídicas como a Lei do Exercício de Contabilidade e
Auditoria; o decreto de Auditoria e Demonstrações Financeiras por formas a
eliminar fragilidades;
11
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
• Com o intuito de ampliar as categorias de membros, devem ser revistos os
estatutos da OCPCA para abarcar empresas e indivíduos envolvidos no processo
de elaboração de reportes financeiros;
• A OCPCA deve desenhar e oferecer ao pais qualificações profissionais com
reconhecimento global para profissionais e técnicos contabilistas, o que irá
aumentar o número de contabilistas.
A OCPCA segundo relatório de plano de atividades para 2019 (p.7,8,9), já tem
definido algumas ações importantes a serem executada, que irá afetar a profissão do
contabilista com grandes desafios e obstáculos, mas que no final ao serem realizadas
servirá para colmatar as deficiências apontadas acima pelo Banco Mundial e contribuir
para a evolução da contabilidade angolana.
Segundo Magro (2010), Angola na época colonial, período em que era tida como
província de Portugal, contribuiu grandemente para a evolução da contabilidade
portuguesa, prova disso é que foi constituída em território angolano a Direção dos
Serviços de Fazenda Nacional em 1901, ainda no tempo da monarquia, contribuindo para
o andamento da profissão de contabilista a nível nacional. O normativo contabilístico
angolano, sofreu uma grande influência também de conduta ética e princípios
contabilísticos vigentes em Portugal, ou seja, os portugueses deixaram um legado
legislativo que ainda vigora em Angola, assim sendo, elaborou-se um quadro no anexo 1
que mostra a evolução normativa e fiscal da contabilidade ao longo dos anos em Angola.
3.2. Requisitos e funções do profissional contabilista
No que a empresa angolana diz respeito, um profissional polivalente, com sólidos
saberes da Ciência Contabilística, especialmente das normas internacionais de
contabilidade, são requisitos essenciais que o mercado demanda, para atuação na área da
contabilidade financeira (Neto, 2010).
Para Hermes (2014) a função de contabilidade acaba por estar dependente de
alterações fiscais, organizativas, legislativas e pela competitividade global num contexto
económico social, o que leva a que se invista cada vez mais na qualificação de
profissionais.
12
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Segundo Decreto Presidencial nº 232/10 de 11 de outubro, do Estatuto da OCPCA
as funções definidas ao contabilista são de extrema importância para o crescimento
político e económico de um pais no qual o interessado principal pela informação
financeira que esses profissionais produzem será o Estado. Nos termos do Art.º 41º e 73º
do Decreto Presidencial nº 232/10 de 11 de outubro, a OCPCA definem algumas funções
a desempenhar pelo profissional contabilista em todo o território nacional:
• “Efetuar o processamento contabilístico das transações das entidades sujeitas ao
PGC e de acordo com o normativo contabilístico aplicável;
• Zelar pela regularidade fiscal da forma e registo das transações;
• Assegurar o apuramento do Imposto do Rendimento a pagar;
• Preparar demostrações financeiras de acordo com os princípios contabilísticos
(Balanço, Demonstração de Resultados, Demonstração de Fluxos de Caixa e
Notas as Contas;
• Exercer as demais funções que por lei lhe sejam atribuídos.
• Os contabilistas podem ainda exercer funções de consultoria em matérias
relacionadas com as habilitações que possuam, e de docência das matérias que
constituam objeto de exame da OCPCA para obtenção de qualificação de
Contabilistas”.
O mesmo Decreto, nos termos do Art.º 47º, circunscreve que para a obtenção da
certificação como contabilista em Angola deve-se efetuar a inscrição na OCPCA sob
determinadas condições, na qual a mesma serve para nacionais e estrangeiros. Esta
inscrição deve ser feita sob pedido em requerimento acompanhado de um leque de
documentos e os candidatos devem possuir habilitações académicas para a obtenção de
qualificação de Contabilista Certificado, como: “a) curso superior de economia,
licenciatura ou bacharelato em finanças, contabilidade e gestão, curso superior de
organização e gestão de empresas ou cursos equivalentes tirados no estrangeiro e
reconhecidos pela Ordem; b) curso médio de contabilidade ministrado nos Institutos
Médios de Economia, pelo Instituto de Formação Profissional do Ministério das Finanças
antigos cursos geral do comércio, geral de administração e comercio e complementar, e
outros cursos oficiais considerados equiparados e ministrados por instituições
internacionais reconhecidas no ramo da contabilidade.”
13
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Nos termos do Art.º 48º e 49º do mesmo estatuto, não obstante aos requisitos e
funções acima definidos exigidos pela OCPCA, existe ainda o requisito de experiência
profissional relevante, que se subtende que qualquer profissional interessado pode
requerer a sua inscrição, podendo ser dispensado de qualquer exame ou estágio, para obter
a qualificação de contabilista desde que exerça funções no domínio de matérias
contabilistas, financeiras e jurídicas de natureza empresarial por um período mínimo de
10 anos. O qual deve ser comprovado com declarações do interessado a especificar as
funções exercidas, confirmada pelas entidades nas quais as atividades foram exercidas,
caso contrário passa por um processo de estágio para adquirir maiores níveis de
conhecimento e experiência a todos os profissionais que venham a ter acesso a profissão,
estando para o efeito sujeitos apenas a um curso de atualização. Os documentos exigidos
para inscrição na Ordem podem ser consultados ainda nos artigos 45º, 46º, 47º, 50º e 77º.
Nos termos do art.º 12º do Regulamento de Estágio, para se ser contabilista apto a
estagiário contabilista, compete executar todas as tarefas conducentes à preparação das
demonstrações financeiras e apuramento do imposto sobre o rendimento, sob orientação
do seu patrono, não devendo por sua conta praticar atos que por lei estão restringidos ao
contabilista. Estando assim aptos a inscrever-se conforme art.º 30º do Regulamento de
Estágio, como membros estagiários da Ordem os candidatos a peritos contabilistas,
aqueles que reúnam as condições descritas nos artigos 45.º, 76.º e 77.º do Estatuto da
Ordem.
3.3. Principais desafios, obstáculos e futuro da profissão
Hermes (2014) argumenta que a profissão se depara com o enorme desafio de como
colocar em prática o conhecimento obtido. Situação que se encontra interligada com a
complexidade da formação profissional. O desafio aqui esta em adequar a educação do
ensino médio e superior/programas de formação ao trabalho, que se pode adquirir no
mercado nacional, atualmente existe uma discrepância.
Conforme cita (Hermes 2014, p.80-81) o plano de Desenvolvimento Económico
2013-2017, identificou algumas deficiências no setor económico angolano que formam
obstáculos para o crescimento da profissão de contabilista, tais como: “…(i) baixo nível
de qualificação da população economicamente ativa; (ii) elevada taxa de desemprego;
(iii) escassez de quadros com formação académica e profissional qualificada; (iv)
14
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
insuficiente crédito concedido a economia pelo sistema financeiro nacional para fazer
face as necessidades de financiamento da economia do País”.
Sampaio (2014) ressalta que a Ordem deve supervisionar a profissão através de
medidas de controlo de qualidade e acompanhamento dos técnicos do setor, pois a
inexistência de um código de controlo de qualidade do profissional contabilista constitui
um obstáculo.
Bastos (2017) evidencia que a adoção das IAS e as IFRS em Angola, ainda é um
obstáculo que afeta seriamente a evolução da contabilidade e inquieta os contabilistas,
stakeholders nacionais e internacionais que queiram investir em Angola, bem como os
gestores, porque ainda não foram adotadas em todos os setores, pela sua complexidade e
falta de especialistas capazes de interpreta-las.
Com a adoção futura do IVA e as Normas Internacionais nos setores ainda em falta,
para Galhardas (2015), a Reforma Tributária tem vindo a ser discutida, construída e
ajustada ao longo dos últimos tempos. Os principais desafios prendem-se com a
velocidade e simplicidade com que as organizações irão adaptar-se ao novo regime com
intuito de uma maior eficiência administrativa e fiscal.
Foi implementação o IVA no dia 1 de Outubro de 2019, obrigatório para as
empresas enquadradas no Regime Geral primeiramente, consideradas os grandes
contribuintes, seguindo-se em 2020 as restantes empresas enquadradas num regime
transitório, tornando-se um grande desafio na vertente de que existem ainda muitos
problemas com que se debater. Hermes (2019) preocupa-se com o IVA, pois primeiro é
preciso avaliar qual é a capacidade organizacional das empresas que estão obrigadas a
entrar no regime do IVA; qual é a capacidade organizacional das empresas que gostariam
de entrar para a esfera do IVA; e qual será a preparação da AGT para fiscalizar e
acompanhar a sua implementação.
Almeira (2014) defende que a nivelação de conhecimentos dos profissionais do
setor é essencial para o futuro da profissão no mercado de trabalho e harmonização da
profissão. Conforme Filipe (2014) a troca de experiências dos cursos ministrados pela
OCPCA, muitas das vezes obtidas com formadores estrangeiros, permitiu aos
15
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
profissionais do setor adquirirem conhecimentos positivos de outras realidades distintas
internacionais, o que leva a uma opinião ampliada sobre o futuro da profissão.
Na abordagem para o desenvolvimento de competências futuras da contabilidade,
Hermes (2014) defende que importa perspetivar que o que se pretende será atrair,
satisfazer e reter indivíduos competentes, a partir já do ensino médio, com iniciativas de
formação continua para dar resposta a evolução do exercício da atividade de contabilista
que faça germinar no futuro quadros médios e superiores com conhecimentos em
contabilidade, com vontade de atualização face a novos desafios e obstáculos. Segundo
Sampaio (2014) com o intuito de se observar nos futuros gestores angolanos uma
mudança de mentalidade, relativamente à pouca importância que alguns atribuem aos
profissionais contabilistas, as universidades estão a fazer um grande esforço nessa matéria
para mitigar esta opinião e a OCPCA quer ajudar nesta caminhada.
Relativamente a cursos futuros que serão ministrados pela Ordem, Palhares (2014)
sugere que seja dada atenção a áreas como, o setor petrolífero e mineiro, que possuem
normas particulares, com a introdução de módulos formativos específicos, sendo assim
uma mais valia para os profissionais do setor.
4. ESTUDO EMPÍRICO
Com o objetivo de aprofundar a temática em análise, foi desenvolvido um estudo
empírico qualitativo descritivo com uma recolha de dados feita através de entrevistas.
4.1. Metodologia de Investigação e dados
4.1.1. Desenho da Investigação
O método de pesquisa empregue a este estudo para aferir sobre o acesso à profissão
de contabilista e avaliar qual a atual situação da profissão no período desde a época
colonial até a atualidade em Angola, foi feito recorrendo a evidências documentais, de
uma revisão de literatura em toda a extensão do documento realizada na sua maioria com
apoio em artigos acedidos nas bases de dados disponibilizadas pela Universidade do
ISEG, revistas, livros, decretos e entrevistas semiestruturadas com perguntas abertas e
outras de múltipla escolha com apoio de um guião com um total de quarenta e nove
questões, composto por cinco separadores.
16
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
As entrevistas foram realizadas a 12 profissionais, com uma vasta gama de
experiência no mercado contabilístico, para se obter evidência oral e escrita sobre a
evolução histórica da contabilidade e o acesso à profissão de contabilista em Angola. Esta
abordagem permite que se recolham informações que não se prestam à documentação,
sobre a interpretação de fenómenos históricos. Os critérios para a seleção dos
entrevistados, foi principalmente o exercício da profissão de contabilista em Angola, a
experiência na área de contabilidade, o conhecimento da evolução do normativo
angolano, bem como da OCPCA, conhecimento da situação atual de acesso a profissão
de contabilista. O Anexo 3 apresenta o perfil dos participantes.
Relativamente as questões (Anexo 4), pretende-se avaliar a coerência ou nível de
concordância existente nas respostas dos entrevistados sendo que, o primeiro separador é
referente a identificação do entrevistado, permite saber qual o uno atual da pessoa com a
contabilidade. O segundo separador, tem como objetivo avaliar na opinião dos
entrevistados o nível do acesso da profissão em Angola desde os requisitos necessários,
grau de importância da contabilidade, vantagens e desvantagens a realçar na profissão do
contabilista, formações, dentre outros pontos. O terceiro separador, já serve para se ter
uma perceção do papel do contabilista nas empresas, sociedade e relevância das
formações ministradas pela OCPCA. O quarto separador, dá-nos uma visão de qual será
o futuro, desafios e obstáculos com que se depara a profissão, por último o quinto
separador é virado apenas para órgãos pertencentes à OCPCA, vai desde a sua evolução
histórica, regulamentação, promotores e formações. Este guião, foi feito a partir de
diferentes abordagens qualitativas, ou seja, uma junção de diferentes questionários de
artigos dos autores Dessalegn Getie Mihreta, Mohammed Naif Alshareefb e Ayman
Bazhairc (2017); Vera Fernandes, Delfina Gomes e João Leite Ribeiro (2016) e a
monografia de Maria Alice Gambatto de Melo (2012).
4.1.2. Recolha de Dados
A pesquisa adotada é descritiva qualitativa, pois é de carater exploratório suportado
numa amostra por conveniência escolhida conforme percurso profissional e empresas em
que os profissionais se encontram. As entrevistas foram realizadas nos meses de Maio a
Julho de 2019 em horários agendados conforme disponibilidade de cada participante, com
uma duração em média de 1 hora. Um total de 4 entrevistas foram respondidas por escrito
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
dado a indisponibilidade dos participantes por se tratar de um período de fecho de contas
de exercícios anuais, e 8 entrevistas foram presenciais, gravadas e transcritas
posteriormente. Os entrevistados passaram os seus depoimentos de livre vontade sem
interrupções do entrevistador. Inicialmente foi- lhes questionado sobre a possibilidade de
se fazer uma gravação pelo que os mesmos autorizaram sem qualquer inconveniente,
sendo que no final lhes foi colocada a questão do anonimato ou não das suas identidades
e respetivas empresas, sendo que apenas dois se opuseram quanto a confidencialidade dos
dados da empresa.
Todos os participantes responderam parcialmente ao questionário, sendo que até ao
quarto separador as questões são relacionadas ao contabilista, já o último separador por
se tratar do contexto da OCPCA, foi respondido apenas pelo participante E10 que fez a
entrevista completa. Além disso, usou-se revistas disponíveis para obter transcrições de
artigos dados por pessoas envolvidas com a OCPCA, documentos relevantes foram
revistos para apoiar a evidência da entrevista, sobre a evolução da Ordem e da
contabilidade angolana, ampliando assim a credibilidade dos dados. Os documentos
revisados incluem relatórios produzidos de grandes entidades, como o Banco Mundial,
BNA e FMI, legislações e decretos.
4.2. Análise de resultados
4.2.1. Caraterização dos entrevistados
Por se tratar de um estudo qualitativo, não é objetivo principal quantificar as
informações mais sim ter como foco principal a análise das perceções e profundidade das
respostas.
Os entrevistados, em termos de faixa etária, são distribuídos entre 20 e mais de 51
anos de idade (Tabela 1), observa-se que 50% tem idade compreendida entre os 31 a 40
anos. A escolha desse grupo de entrevistados, teve como objetivo respostas de
experiências de diferentes gerações de profissionais da contabilidade.
Tabela 1: Faixa Etária dos Entrevistados
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
A Tabela 2 mostra a identificação dos inquiridos em termos de género. Neste
contexto com 67% a maioria pertence ao género masculino.
Tabela 2: Género dos Entrevistados
Na Tabela 3 é apresentado a formação profissional dos inquiridos que se encontra
distribuído em 58% licenciados nos cursos de contabilidade e administração, gestão e
economia, 25% com formação em pós-graduação no curso de sistemas de informação e
de gestão bancária e 17% mestrandos nos cursos de administração e finanças, e gestão.
Tabela 3: Formação Profissional dos Entrevistados
A experiência profissional também é de grande relevância para o profissional de
contabilidade. Assim sendo, conforme Tabela 4 o grupo está distribuído entre menos de
5 anos a mais de 31 anos de experiência profissional, dos quais não se observou ninguém
com menos de 5 anos.
Tabela 4: Experiência Profissional dos Entrevistados
Relativamente a área de atuação (Tabela 5), predomina a área de contabilidade com
33%, seguida da Financeira e Consultoria.
Tabela 5: Área de Atuação dos Entrevistados
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Relativamente ao tipo de empresas que os entrevistados exercem a sua atividade
(Tabela 6), 38% trabalham em empresas de prestação de serviços, seguindo-se outras
áreas (organização filantrópica, recursos humanos, banca, hotelaria, construção civil)
com 29%.
Tabela 6: Tipo de Empresa que os Entrevistados Atuam
No que ao nível de satisfação com a profissão diz respeito, relativamente à questão
número 7 do primeiro separador, todos responderam estarem muito satisfeitos ou apenas
satisfeitos.
4.2.2. Descrição dos resultados
[Link]. Acesso à profissão
Com o propósito de avaliar o que é necessário ao acesso à profissão de contabilista
em Angola, foram abordadas algumas questões nas entrevistas que serão analisadas à
posterior. A maior parte dos entrevistados enveredou para a profissão de contabilista por
causa da formação académica, gosto e facilidade em lidar com os números.
Os participantes salientam como requisitos básicos para se ser um bom profissional
de contabilidade estar em constante atualização; a busca constante pelo conhecimento;
“saber o plano de contas que agora com a nova evolução no mercado será incluído o IVA
e as IFRS” (E5); “é necessário gostar da contabilidade, estar muito atento aos números,
aos procedimentos contabilísticos, ser disciplinado, investir muito tempo no período de
aprendizagem, fazer o intercâmbio com os outros profissionais da área” (E9); “requisito
acadêmico, a capacidade ou a vertente analítica das pessoas e depois numa índole muito
pessoal a integridade” (E4). É salientado ainda como requisitos de um bom profissional
o sentido e cumprimento dos princípios éticos, a formação continua, o amor à profissão,
humildade e foco financeiro. É tido como uma mais-valia “a visão global que o
contabilista pode ter da empresa” (E7).
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Existe unanimidade entre os entrevistados, em considerar como uma das principais
vantagens que o contabilista tenha uma perceção clara dos processos do negócio da
empresa, da situação financeira da empresa o que o leva “naturalmente ao crescimento e
a maturidade profissional mais rápida” (E4), sem esquecer de realçar os aspetos negativos
no exercício da profissão, os entrevistados apontam para o facto de ser uma profissão que
exige uma maior confidencialidade e integridade, “nós não podemos fazer publicidade do
nosso exercício” (E10), “caso o contabilista somente fazer registos pode ser uma
limitação” (E2), existe ainda a falta de disponibilidade por ser uma profissão que consome
muito tempo na execução das tarefas o que leva muitas das vezes a “abdicar da vida
pessoal” (E1).
A maioria dos participantes salientam que as constantes atualizações legislativas
fiscais não afetam a consistência da profissão no geral, pelo contrário são necessárias para
“melhor desempenho das suas tarefas” (E9), e caso o contabilista não consiga acompanha-
las poderá ficar ultrapassado, “existem consequências para contabilidade quando a
legislação fiscal desvia-se significativamente dos princípios contabilísticos” (E4), mas
alguns deles realçam que “num curto prazo, prejudica a consistência do trabalho
apresentado, pois, muitas das vezes a legislação não é clara, suscita muitas dúvidas e os
profissionais acabam caindo no engano e apresentando um trabalho com menor qualidade
a nível de cumprimentos das obrigações fiscais e anuais” (E9), isto é “com a adoção das
IFRS por parte do setor bancário, muitas vezes são impostas novas normas e a AGT não
explica como se deve aplicar, recorre-se as consultorias pois, acabam por afetar exercícios
anteriores” (E1).
O normativo contabilístico angolano, sofreu uma grande influência de conduta
ética, legislativa e de princípios contabilísticos vigentes em Portugal. As entrevistas são
unânimes em realçar a importância da ética e a deontologia no exercício das funções de
um contabilista em conjugação com o saber técnico,” todo o profissional e firma deve
reger-se por normas, leis” (E9), “não se consegue imaginar contabilidade sem ética, o
contabilista quando dá tratamento a informação, dá tratamento de factos ocorridos na
transação, as relações das empresas e as alterações no patrimônio, ele usa bem as normas
objetivamente, tecnicamente e corretamente resulta em informação fiável, informação
financeira apropriada para tomada de decisões, logo se os contabilistas não forem éticos
e permitirem que aqueles números não sejam necessariamente os verdadeiros farão com
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
que outros tomem decisões erróneas que afetam famílias e a economia” (E4). Embora
algumas das respostas sejam no sentido desta relação “um contabilista sem ética é um
perigo, daí o surgimento de muitos escândalos internacionais e mesmo cá em Angola se
calhar em menor escala mas existe, a partir do momento em que a Ordem vai se
responsabilizar, os contabilistas e as pessoas hão-de entender que a parte ética é muito
importante” (E12), “é muito fácil não ser transparente e nessa profissão tem que ser e tem
que parecer” (E11). Estes comportamentos éticos, segundo os entrevistados devem ser
promovidos pelo próprio contabilista certificado “a condição número um da manutenção
da sua condição de membro da Ordem e profissional autorizado a assinar contas, é o
desenvolvimento contínuo sobre a matéria de ética e deontologia e para isso a Ordem
cria os vários instrumentos” (E4), princípios promovidos pelas empresas, “na pessoa dos
lideres de equipa” (E9) e em primeira instância pela OCPCA “temos que influenciar
enquanto Ordem que o aspeto ético é trabalhado nas escolas e nas famílias desde muito
cedo, ao estudante de contabilidade cabe a Ordem assegurar futuramente que na sua
matriz curricular acadêmica existam matérias sobre a ética, e que existam professores
capazes de cultivar a ética” (E4). A partir de iniciativas como “a criação do instrumento
de controle de qualidade que a Ordem vai desenvolver, para no seu âmbito de avaliação
do que está a ser feito no aspeto ético” (E4); “sessões de formação profissional no que
toca a ética e deontologia profissional, reforçando sempre a postura dos profissionais
mediante a sociedade” (E9).
A perceção dos entrevistados é de que o ensino superior em contabilidade esta
desajustado à realidade do mercado em Angola, “este ensino é novo cá em Angola, a
maior parte das pessoas formaram-se em economia, gestão” (E4), “hoje em dia ninguém
faz contabilidade em papel e há poucas universidades que têm a contabilidade
informatizada, sabe-se que é um investimento elevado, mas pode-se ter protocolo com
empresas e também fazer-se estágios. Uma coisa fundamental são as línguas, o inglês, a
informática. Atualmente a situação está a melhorar mas 80% dos licenciados ainda está
muito abaixo do que se é esperado” (E11), “academicamente não se ensina como preparar
e elaborar um Relatório e Contas e as respetivas notas ao balanço e demonstrações de
resultados“ (E8), “numa escala de 0 a 10 eu acho que estamos em 1” (E4). Alguns
participantes defendem que o ensino superior em contabilidade se ajusta parcialmente à
realidade do mercado em Angola, apresentando como pontos positivos “ algumas cadeiras
22
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
foram boas porque os professores deram exatamente aquilo que estou a ver hoje no meu
dia a dia, como os princípios da contabilidade, como contabilizar, método das partidas
dobradas, os conceitos mais básicos” (E1), algumas universidades “como a Metodista já
fala em IFRS, já não é uma coisa vaga” (E12).
Relativamente à questão se existe complementaridade entre a formação académica
facultada pelas universidades e a formação contínua proporcionada pela OCPCA, os
entrevistados concordam sem dúvidas com está afirmação, defende-se que “as formações
da Ordem são importantes e boas enquanto que as formações acadêmicas estão num nível
muito mais baixo, há um salto qualitativo muito bom da Ordem face as universidades. A
Ordem está muito mais virada para prática” (E11). No sentido de apoiar na harmonização
curricular “existe uma iniciativa da própria OCPCA em trabalhar com o Ministério da
Educação nesse sentido, olhar para esses cursos e tentar ajustar às necessidades do
mercado” (E12).
No que respeita ao acesso à profissão de contabilista, constata-se que o nível de
exigência tem vindo a aumentar a nível curricular, definida pela OCPCA, e do exame de
acesso. Por unanimidade os participantes concordam com esta exigência feita aos
profissionais da área, “está alinhada às melhores práticas internacionais, o órgão reitor da
profissão das ordens do mundo que é a IFAC tem este roteiro de como se tornar um
profissional certificado, e este é o nosso caminho de exigência igual ao que se faz em
toda parte do mundo” (E4), pese embora alguns defendem que deveria ser um pouco mais
moderado para os estagiários. “Existe uma parte da formação que está virada apenas para
o plano de contas e acredito que teriam que desagregar, darem uma parte virada para o
PGC e outra parte para outros setores como é o caso do setor bancário” (E7).
O percurso dos participantes no que ao acesso e desempenho da atividade de
contabilista se refere, foi descrevido quase por todos como sortudo, tendo como suportes
o facto de terem tido oportunidades desde o ensino académico, “grandes e bons mentores”
(E2), “falo de chefes nacionais e não expatriados” (E1) o que fez com que tivessem um
crescimento progressivo, pelo que apenas uma das entrevistadas foi tido como não fácil
”o percurso, foi longo e de muita luta para alcançar os objetivos do saber e tornar-me
mais autónoma” (E9).
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
A maioria dos entrevistados é de opinião de que o acesso à profissão em Angola
não é fácil para os contabilistas, pelas exigências atuais do mercado, como “a maior parte
das empresas exigir experiência de trabalho” (E8), ”para os jovens recém licenciados
acederem a esta profissão é difícil, pois a maioria deles não possui os requisitos
solicitados: experiência de trabalho comprovada e estarem inscritos na OCPCA” (E3),
“apesar de sermos muitos já afiliados à Ordem, ainda assim é um número insuficiente ao
mercado. Por exemplo, existem ainda empresas que para fazerem o fecho anual têm que
contratar contabilistas externos “(E7). Mas 3 dos entrevistados são de opinião contrária
“é razoável o acesso à profissão, existem pessoas que não estudaram contabilidade e estão
em empresas a fazer contabilidade, acho que é fácil pelo menos cá em Angola” (E1), “a
minha visão é de que o acesso é adequado à realidade do país e às normas internacionais”
(E4), “um bom contabilista acaba por ter sempre lugar porque o mercado está a precisar
de organizar as suas contas” (E7).
Sobre a desigualdade a nível de acesso à profissão entre homens e mulheres, os
entrevistados destacam dois fatores que se tornam principais obstáculos para a progressão
na carreira feminina: a maternidade e a disponibilidade. “Desigualdade no acesso à
profissão não existe aqui na Deloitte, nós temos 50/50 de equilíbrio de gênero. Na
evolução da carreira, as mulheres têm uma situação que os homens não têm, a questão da
maternidade, acho que isso não deveria implicar algo negativo, as empresas têm que
proporcionar condições para haver este equilíbrio, mais do que haver quotas” (E11), “o
ideal seria olharem para a capacidade mas, sim, há sempre está limitação no exercício“
(E12), “neste capítulo o que nós achamos é um grande equilíbrio entre homens e
mulheres, estamos quase numa linha por volta de 50% e 50% em termos de membros da
OCPCA” (E4).
No momento da contratação as entrevistadas consideram que a maternidade é um
fator muito relevante, “a natureza feminina obriga que a mulher em algum período da sua
carreira, interrompa por período determinado o percurso da sua carreira profissional, para
obrigatoriamente atender a outros temas pessoais” (E9), “estatisticamente, os resultados
da avaliação de desempenho são inferiores em mulheres com filhos do que em mulheres
sem filhos” (E3), “eu posso falar do cá, a Deloitte uma big four. Quando recruto pessoas
procuro sempre o equilíbrio em equipas com mulheres e homens, a única distinção que
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
faço não é a questão da maternidade, acho que os homens têm mais competência para
umas coisas e as mulheres têm mais competências para outras” (E11).
[Link]. Perceção do papel do contabilista
Quanto às respostas às questões de perceção do papel do contabilista, os
entrevistados apresentam uma unanimidade de opiniões no sentido de concordarem que
os contabilistas para as empresas têm uma alta importância e um papel de muita
relevância, pois o tratamento contabilístico que o contabilista faz dos factos patrimoniais
são essências para tomada de decisão importantes a nível da gestão, “o entendimento aqui
pode ser apenas de preparar demonstrações financeiras mas na verdade preparam
orçamentos, relatórios de gestão, indicadores financeiros essa é que é a competência do
contabilista entre outras” (E4), “as empresas ainda não dão importância ao papel do
contabilista por causa dos condicionalismos, pois no mercado existem empresas que
conseguem sobreviver sem que haja contabilidade organizada e nada lhes aconteça” (E4).
A perceção que a sociedade e empresários têm sobre a profissão de contabilista para
os participantes é de que não atribuem a devida importância, são vistos como “meros
responsáveis pela produção de relatórios financeiros anuais, para efeitos fiscais e não para
a gestão como um todo” (E2), apesar de que na realidade “hoje já começam a ser vistos
numa perspetiva diferente e de maior utilidade. Num banco comercial, qualquer empresa
que necessite de um empréstimo necessita de apresentar ao banco os seus relatórios e
contas, portanto, precisa de um contabilista” (E3). “Nós não temos ainda uma sociedade
de informação contabilista e financeira, durante muitos anos esteve sonegada, logo a
própria sociedade não percebe o papel do contabilista. Mas pelo interesse da sociedade
que quer transparência, já começa a encarar a profissão com outros olhos e como é
necessário. Os empresários também já têm outra perspetiva, mas ainda acham os
contabilistas muito úteis nos combates com a AGT” (E4).
Com a criação da Ordem o mercado passou a olhar com outra perspetiva para o
contabilista, ou seja, a profissão atingiu um nível de dignidade e bases consistentes para
se desenvolver. As suas formações tiveram um impacto positivo que reverteu o quadro
de profissionais qualificados insuficientes para atender a procura do mercado, pelo que
os entrevistados concordam que essas formações devem ser continuas, “porque a OCPCA
olha muito para outros estatutos de outras organizações internacionais e também estão
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
sempre a atualizar normas, é praticamente obrigatório estar atualizado o que leva a
credibilização do contabilista” (E1). “Ao contabilista hoje em Angola é necessário que
tenha uma certificação dada pela OCPCA após participar de formações para exercer a
profissão, o que leva a uma maior credibilização da profissão” (E6).
[Link]. Futuro da profissão, principais desafios e obstáculos
Relativamente às questões sobre a evolução atual da profissão e o futuro da
profissão de contabilista, os entrevistados consideram existir oportunidades e ameaças.
No âmbito das oportunidades observa-se uma “reorganização do pais em que se apela
pela transparência, luta à corrupção, esta já se torna uma oportunidade de ouro para a
profissão de contabilista, por outro lado a tendência crescente do Estado em privatizar as
empresas públicas e o desenvolvimento do Mercado de Capitais, também contribui para
o desenvolvimento da economia” (E4); e o surgimento da “Comissão de Normalização
Contabilística em Angola e atualização permanente dos diplomas fiscais e regras
contabilísticas” (E2). No que tange as ameaças os entrevistados frisam “o débil sistema
educacional” (E4); “o contexto econômico do país leva por exemplo ao desemprego,
empresas estão a ser obrigadas a fechar as portas” (E7); observa-se ainda “a concorrência,
sobre se o Estado angolano não trabalhar para a proteção da profissão e a Ordem não fizer
um esforço significativo, principio da reciprocidade, e deixarmos que esses espaços sejam
ocupados por estrangeiros, sobre a falácia de que não temos competências, será uma
ameaça” (E10). As ameaças acima indicadas também se tornam obstáculos principais. Os
participantes salientam alguns de fórum importante “o fraco domínio da língua inglesa,
as normas internacionais são editadas em inglês e a tradução nem sempre é fiel e demora,
falta de domínio no inglês para participar em outras formações de fórum técnico” (E2),
“Não ter uma formação adequada, ser um mal técnico, não cumprir os objetivos a nível
da contabilidade, não ser uma pessoa disponível e não saber gerir o tempo” (E1).
Para a questão sobre como as empresas olham para o contabilista, ficamos num
impasse porque alguns participantes defendem que olham para os contabilistas como um
parceiro estratégico e outros defendem que olham apenas como alguém que auxilia no
cumprimento das obrigações fiscais. No entanto, três participantes concordam que são as
duas coisas.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Seguidamente foi solicitado aos entrevistados, a avaliação do grau de importância
de alguns fatores que influenciaram na evolução da contabilidade (questão 4).
Relativamente a estes, nenhum dos factos levantados foi de pouca importância para o
processo de evolução da contabilidade. As figuras 1 e 2 mostram os pontos mais
destacados:
Figura 1: Fatores Muito Importantes para a Evolução da Contabilidade
Informática
17% 16%
Globalização
14% 11%
Internet
8%
Status da profissão
17%
17% Mercado profissional
Contribuição para a gestão das empresas
Procura de Informação por parte dos usuários /
gestores
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
Figura 2: Fatores Importantes para a Evolução da Contabilidade
Informática
14% 5%
19% Globalização
10%
Internet
14%
24% Status da profissão
14% Mercado profissional
Contribuição para a gestão das empresas
Procura de Informação por parte dos usuários /
gestores
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
Segue-se a questão 5, sobre o que poderia melhorar na profissão, na qual relataram
que deveria melhorar a valorização no que a melhores subsídios diz respeito em face de
trabalharem com informação sigilosa e sensível; maior interação entre os contabilistas; se
a classe contabilística fosse mais unida teria uma maior valorização juntos; “poderia se
melhorar o sistema de educação, mais e melhor formação contínua, o quadro legal é
preciso ver a lei do exercício da contabilidade e de auditoria” (E4); “Empowerment, o que
a OCPCA tem que fazer, tem que partir muito da Ordem e esta tem que crescer no sentido
de dignificar a profissão, chamar os melhores à profissão, mantê-los na profissão,
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
suportá-los em termos de os contabilistas verem na Ordem como um parceiro, colocarem
questões transversais, dificuldades que possam sentir ou sugestões de melhoria, não
apenas parceiros para ouvir as dificuldades mas também para ouvir sugestões de
melhoria” (E6), “Atitude, domínio das normas internacionais, conhecimento e aceitação
das nossas próprias limitações e vontade de as ultrapassar quer em matéria técnica quer
em matéria comportamental, em matéria do reconhecimento do próprio país” (E10).
Na questão de como o individuo identifica as necessidades dos seus clientes,
pergunta muito mais virada para os participantes pertencentes a big four, da qual
relataram que “querem trabalho de qualidade e a custos controlados, com eficiência, o
que sinto mais é que necessitam de apoio, as vezes é mais fácil uma empresa de fora
estar focada num projeto, prestar um melhor serviço do que as pessoas que lá estão, ou
porque estão desmotivados, ou porque não tem formação específica para aquilo, ou
porque não viram a realidade de outras empresas, e precisam que um par de olhos
diferente com espírito crítico, e conseguem ter melhores resultados” (E11).
Relativamente ao papel do contabilista (Figura 3), podemos verificar que o grupo
de entrevistados, observa como uma das caraterísticas principais a função de produzir
informação para tomada de decisões.
Figura 3: Papel do Contabilista nas Empresas Atualmente
Gerar informações para tomada de
decisões
29% 36% Escriturar os fatos contabilísticos
Orientar o administrador nos negócios da
empresa
21% 7% Prestar serviços contabilísticos e fiscais
7%
para a empresa e para o fisco
Elaborar demonstrações financeiras
contabilísticas
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
A seguir surge a questão que identifica o nível de satisfação dos profissionais,
quanto aos órgãos de regulamentação e fiscalização da profissão de contabilista, que são
o BNA, a AGT e a OCPCA, quanto à colaboração para agregar conhecimento e
enriquecer a carreira do profissional. Verificou-se segundo as respostas obtidas que a
atuação destes órgãos é positiva e que possuem grande importância no desenvolvimento
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
da profissão, mas ainda não é suficiente para aquilo que é a nossa profissão. Por outro
lado, foi ressaltado que algumas normas emitidas pelo BNA são complexas e dessa forma
dificultam um entendimento unânime sobre certas questões, gerando algumas
dificuldades na hora de aplicar as exigências. “O profissional de contabilidade começa a
perceber o que é que se tem que entregar, como têm que entregar e tudo que está
subjacente à não entrega ou comprimento das nossas obrigações, quanto mais nos for
exigido da parte destes reguladores melhor vamos desempenhar as nossas funções” (E12).
Ao perguntar sobre a maneira como os entrevistados adquirem conhecimentos
sobre as mudanças e novidades que ocorrem na profissão, foi verificado que a maioria
busca através de consulta na internet e em contato com outros profissionais da área
(Figura 4).
Figura 4: Meios de Atualização da Profissão
12% Consultoria Particular
18%
Contato com outros profissionais da área
29%
29% Cursos na área
12% Internet
Clientes/colaboradores
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
Relativamente à visão que os entrevistados têm sobre o futuro da profissão, após as
mudanças ocorridas seja com as normas internacionais e com a adoção do IVA, a maioria
de respostas obtidas foram de que atualmente os profissionais não estão totalmente
preparados para esses ajustes. Entretanto, existe uma perspetiva de valorização da
profissão e naturalmente do profissional, que deverá ter mais responsabilidades e
melhorias nas atividades a desenvolver. “Quanto à adoção do IVA, é como falamos, vai
ser bastante desafiante, mas acho que vai distribuir mais a carga fiscal para todos os
contribuintes em Angola” (E11).
Quanto ao nível de conhecimento que possuem sobre as mudanças que ocorreram
na contabilidade, as respostas obtidas sugerem que os participantes se encontram
preparados para atender as demandas e para opinar sobre as decisões da empresa (Figura
5).
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Figura 5: Preparação dos Profissionais Perante Mudanças
17%
83%
Preparado para atender as necessidades e opinar nas tomadas de decisões na empresa
Possui certo grau de conhecimento, mas não o suficiente para opinar sobre as decisões da empresa.
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
Quanto à questão sobre a visão dos profissionais quanto às mudanças da
contabilidade, acreditam que as mudanças ocorridas contribuem maioritariamente para o
processo da evolução da contabilidade, servindo para a valorização da profissão,
conforme apresentado na Figura 6.
Figura 6: Visão dos Profissionais Quanto as Mudanças da Contabilidade
Um meio de valorizar a profissão
25% contabilistica
41%
Auxilia mais os gestores, investidores, do que
17% o profissional contábil
Aumenta as responsabilidades do profissional
17% contábil
Um processo de evolução na contabilidade
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
A questão sobre o perfil de profissional mais valorizado pelo mercado (Figura 7),
os entrevistados acreditam que é o profissional que conheça práticas contabilísticas, esteja
inteirado das legislações vigentes, e que atenda as necessidades primárias dos clientes.
Figura 7: Profissional Valorizado pelo Mercado
29% 43%
28%
Um profissional que conheça a prática contabilística, esteja inteirado sobre as legislações vigentes, e que atenda
as necessidades primárias dos clientes (lançar notas, atender o fisco, gerir impostos)
Um profissional que seja pró ativo, e exerça um papel de “parceiro de negócios”, atuando com os gestores nos
negócios das empresas
Um profissional que analisa as informações contábeis e auxilia na tomada de decisões
Fonte: Elaboração própria, resposta entrevistados
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
[Link]. Contexto da OCPCA
No que ao contexto da OCPCA diz respeito, entrevistou-se o participante E10 (Luís
Neves) pelo conhecimento longínquo que tem sobre a Ordem, e por se tratar de um dos
fundadores da OCPCA e atualmente Coordenador do Conselho de Normalização
Contabilística.
O entrevistado começou a responder a primeira questão, relacionada com a história
da OCPCA, que começa “nos finais do regime colonial, muito próximo de 25 de Abril
houve uma tentativa de alguns profissionais de fazerem uma associação de profissionais.
Em 1996 houve uma visita de um consultor do Banco Mundial, o senhor Malef, momento
em que se voltou à carga com um grupo de pessoas que começou a trabalhar com um
grupo de Consultores do Banco Mundial, e acabou por dar origem a Comissão
Dinamizadora da Ordem. Nessa altura não se pensava numa Ordem, mas sim em
constituir uma associação de profissionais, i.e., que tivesse voz enquanto profissionais
para instrumentos em matérias contabilísticas, altura em que estava em reforma o sistema
contabilístico, com o surgimento do PGCA. A Comissão Dinamizadora teve 5 anos para
levar ao nosso desenvolvimento. O Presidente na altura era o André Antônio Lopes que
nos coordenava a frente da assembleia nacional. Em 2001, fez com que se publicasse o
PGCA e também, em conjunto com o BNA, o primeiro modelo do Plano de Contas das
Instituições Financeiras doravante CONTIF, que foi evoluindo e chegou-se ao CONTIF
que temos recentemente, adaptado as IFRS. Fez-se a primeira Assembleia de
Profissionais em inícios de 2002, que deu origem ao primeiro rascunho de estatutos para
aprovação com algumas emendas, seguindo-se a segunda Assembleia nos finais de 2002,
no qual foram nomeados os membros que iriam compor a Comissão Instaladora de
Contabilistas e Peritos Contabilistas. Tivemos a nossa grande epopeia, que foi convencer
o governo angolano sobre as razões de constituir uma Ordem, o entendimento é que não
sendo uma Ordem acadêmica na altura, de origem basicamente acadêmica o porquê que
seria uma Ordem não poderia ter outra designação? Apenas em 2010 é que vingou a ideia
de ser uma Ordem com avanços e recuos, conseguimos aprovar os estatutos em 2010,
embora já tivéssemos indicado os membros há sete anos atrás por causa das várias
prioridades que o governo tinha. No entanto, não terminou aí a nossa epopeia, tivemos
mais 2 anos para ver nomeada a Comissão Instaladora em 2012, o que era constituído por
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
membros representativos da classe, membros indicados pelo Ministério das Finanças, isso
só teria efeito com o ato formal da tomada de posse, é nomeada, mas não foi conferida
posse. Houve uma grande evolução de políticas de ensino e acesso à informação
tecnológica, isto fez com que a primeira Comissão Instaladora cessasse a atividade e fosse
nomeada uma segunda Comissão, que levou a que se fizesse uma emenda a alguns artigos
dos estatutos em 2014, nomeadamente o artigo que refere o período de experiência
profissional que passou para 10 para se ser contabilista e 15 como peritos contabilistas, o
outro artigo era relativo ao período de estágios e o outro artigo era sobre a questão da
reciprocidade. A razão das alterações foi aquilo que era o mercado e o que é hoje a
evolução da contabilidade, a própria necessidade de o país na altura terem inscrito as
pessoas e o mercado depurar os melhores, é um processo que define os bons dos maus
profissionais.
Em 2017, foi-se para as segundas eleições, fez-se uma lista de consensos e elegeu-
se os novos órgãos sociais. Tivemos várias discussões até se ajustarem as diferentes
abordagens que os profissionais ou órgãos da Ordem tinham, uma delas foi uma grande
discussão sobre a forma como arrumamos o nosso plano de contas. Já tinha um plano
ousado, mudou-se a nomenclatura das contas, partimos da menor elegibilidade para maior
liquidez, alterou-se as classes 6 e 7 de proveitos e custos, i.e., tivemos três planos de
contas, o primeiro foi na altura que tenhamos a Economia e Direção Central em 1991,
depois tivemos um segundo, e por último passou-se para o PGC. O PGC está mais
próximo dos normativos internacionais, já relatam mais segundo a relevância de
informação ou tipo de informação. Mas a grande vitória da Ordem dos Contabilistas e
Peritos Contabilistas, um dos seus grandes objetivos, foi trazer à mesa depois de muitos
anos o Conselho Nacional de Normalização Contabilística, aprovado este ano, que estará
acima de todos os órgãos reguladores, o BNA, a OCPCA, AGT, associação de bancos,
associação de empresários. É aí que irá começar as grandes batalhas normativas da
profissão em Angola. Com 35 membros, um dos grandes desafios é de facto como é que
nós entramos para as normas internacionais, quer através das ISAS, quer através de outros
mecanismos de reconhecimento internacional. Isto é muito importante para o país, porque
quando um país quer entrar para o mercado está dependendo das normas, requer muito da
sua capacidade de convergir com os outros estados, princípio da competência.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Antes de a OCPCA ser criada, o governo regulamentou a profissão a partir da
Direção Nacional de Contabilidade no Ministério das Finanças, começando mesmo no
período antes da independência, altura em que já tínhamos a figura do guarda livros. O
que é facto é que se reconhecia profissional as pessoas cujo os requisitos eram formação
superior ou média ou técnica (ensino de base) de contabilidade, ciências econômicas, para
se inscreverem na Direção Nacional de Contabilidade, este modelo continuou após
independência. Nesta altura, fazia-se um pequeno teste para ver se tinham qualidade
técnica e conhecimento suficiente para o exercício da profissão e eram designados por
técnicos de contas e não contabilistas. Houve aqui um erro nosso, que foi a forma como
a Ordem assumiu a base de dados do Ministério das Finanças, não temos técnicos de
contas hoje, mas sim contabilistas, peritos contabilistas e auditores. De 2002 a 2010 houve
um período de discussão entre escrever ou não os profissionais pelo Ministério das
finanças, nesta altura já havia um órgão representativo da classe.
O processo da criação da OCPCA, teve como principais promotores aqui com um
grande apoio para além do arranque, do Banco Mundial que interveio no pagamento para
definição do modelo de estatuto, a participação da Agência dos Estados Unidos da
América para o Desenvolvimento Internacional doravante USAID, definiu com os
consultores o modelo 1 e pagou o mesmo, e o BNA que facilitou as diligências junto a
USAID para apoiar o 1º curso de formação para formadores que passou a ser os atuais
cursos de superação profissional, e muito particularmente duas senhoras uma nas vestes
de Vice-governadora do BNA e outra nas vestes de Secretaria de Estado do Ministério
das Finanças, na ponta final tiveram um papel muito grande, nesse processo a Dra.
Valentina, Dra. Laura Monteiro e o Dr. André Lopes. Também tivemos algum suporte
técnico e influência da Ordem de revisores Oficiais de Contas de Portugal, nos três
primeiros cursos, de 2010 a 2012 deram-nos um apoio muito grande.
Quanto a questão da formação contínua dos seus membros, aspeto que a Ordem
considera que é importante para uma maior credibilização da profissão, houve 1 período
transitório 2014/2017 em que as pessoas se escreviam e faziam apenas o curso da
atualização, nós não poderíamos exigir dos profissionais logo de início que cumprissem
os requisitos expostos nos estatutos sem regular corretamente o mercado antes. Finalizado
este período transitório as pessoas já são atualmente obrigadas a fazer estágio, que será
para aqueles que saindo agora da Universidade nunca trabalharam, e aqueles que por
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
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alguma razão foram imprudentes e não se inscreveram e ficaram sem cédulas. O suporte
da Ordem portuguesa, foi a nível de professores, os módulos de formação desde o
primeiro ao quinto curso, desenhado pelos revisores de Portugal e que vinham dar
formação.
Antes da fundação da OCPCA, não haviam contabilistas ativos certificados, mas
sim técnicos de contas certificados, por via da base de dados do Ministério das Finanças.
A OCPCA integrou esses técnicos certificados, foi preciso reavaliar os processos,
atualizar os processos de cada um, fazerem os cursos de superação profissional de
atualização e mais nada desde que preenchessem os requisitos.” (E10).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
5.1. Conclusões, Limitações e Investigações futuras
A contabilidade encontra-se em constante evolução não só em Angola como em
toda a parte, o que acarreta consigo mudanças nos procedimentos contabilísticos e leva a
necessidade que todo o profissional contabilista esteja atualizado e se adapte às novas
mutações com o intuito de atender a procura do mercado e fortalecer a profissão de
contabilista.
Este estudo teve como objetivos fazer uma busca sobre aquilo que realmente
interessa para que a profissão de contabilista continue a evoluir. Relativamente as
entrevistas realizadas, foi possível evidenciar quais são as principais expectativas dos
profissionais e adaptações necessárias para o melhor desenvolvimento da contabilidade,
e entender qual é a perceção que os profissionais têm sobre a importância de adequar o
exercício da sua atividade ao que é exigido no mercado atualmente, o que leva à
valorização da profissão contabilística que ainda não é o suficiente para aquilo que são as
necessidades do pais.
Os resultados obtidos permite-nos, concluir que só partir de 2010, quando a
OCPCA começa a atuar efetivamente com a ministração de cursos de atualizações, é que
surge a tão desejada regulamentação da profissão, ou seja, a profissão atingiu um nível
de dignidade almejada e bases consistentes para se desenvolver.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Conclui-se que os contabilistas em Angola ainda dependem muito das imposições
do governo, na pessoa dos órgãos reguladores da profissão, reagindo apenas sobre novas
situações que se impõem. O conhecimento profissional se encontra maioritariamente
concentrado em Luanda, situação que se alastra desde o período da guerra colonial até a
atualidade quando as pessoas fugiram das províncias a procura de melhores
oportunidades de subsistência, existe assim uma carência de mais quadros profissionais
qualificados pelo país.
Este estudo poderá contribuir para que se tenha uma melhor perceção da situação
atual da profissão contabilista, informação pertinente para os principais órgãos
reguladores da profissão como a OCPCA, AGT, e BNA, bem como profissionais do setor
e outros países que almejem constantes mudanças nos seus sistemas contabilísticos, bem
como servir de um acréscimo a literatura existente sobre esta temática.
A realização deste trabalho de investigação deparou-se com algumas limitações,
nos deparamos com escassa literatura e falta de informações, pois Angola não possui uma
base de dados atual e consistente para a recolha de dados, as bibliotecas físicas e online
apresentam livros com conceitos gerais de práticas contabilísticas, a explicarem apenas
os princípios contabilísticos até como deve ser feita a contabilidade e não esta vertente
que foi utilizada para este estudo.
Salientam-se, neste ponto, sugestões para futura investigação.
• Seria de elevado interesse que se efetuasse futuramente um estudo sobre
qual será o impacto na profissão do contabilista da adoção das IFRS nos restantes setores
que não seja a banca em Angola.
• O IVA foi implementado em Angola este ano de 2019, seria de importante
relevância fazer-se um estudo sobre qual será o impacto que da adoção do IVA nos setores
empresariais na profissão contabilista em Angola.
• Por se tratar de um tema atual, e não existir muitos estudos sobre o acesso
à profissão de contabilista em Angola, seria importante aprofundar mais e selecionar um
horizonte temporal de 10 anos após a crise que se instalou desde 2014 no território
nacional, fruto da quebra do preço de petróleo.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
ANEXOS
Anexo 1: Evolução da Contabilidade e da Profissão de Contabilista em
Angola
Anos Eventos
Antes de 1975
1755 Criação da junta do comércio pelo Marques do Pombal: o que impulsionou a atividade comercial
e industrial, e melhorou o ensino do comércio (Decreto de 30/09)
Criação da aula do comércio: foi o primeiro estabelecimento de ensino, criado oficialmente em
1759 Portugal para o ensino da Contabilidade. Foi a primeira lei a fazer referência á profissão "guarda-
livros"
Primeira regulamentação da profissão contabilística:
1770 - Por carta da Lei 30/08; - Os guarda-Livros deviam inscrever-se na junta do comércio e serem
graduados pela aula do comércio; - Alguns empregos na administração pública só estavam
disponíveis para os alunos da aula do comércio
Carta da Lei de 07/04 - A profissão de guarda-livros é reconhecida nas leis fiscais como uma
1838 profissão liberal: ser graduado pela aula do comércio e estar inscrito na junta do comércio já não
era requisito para ser considerado guarda-livros
1883 Publicação do primeiro Código Comercial Português, denominado "Código Ferreira Borges":
o Código faz referência à escrituração de livros, à prestação de contas e à profissão de guarda-livros
1885 Criação da Associação Portuguesa de Contabilidade: esta associação teve vida efémera, não se
sabendo o período de atividade
Novo Código Comercial, denominado “Código Veiga Beirão” em homenagem a um dos seus
autores, Francisco António da Veiga Beirão: permite que os comerciantes e as empresas
1888 entreguem a contabilidade a qualquer pessoa, fazendo com que a competência para o trabalho
deixasse de ser considerada sob a forma de lei. Assim, a profissão de guarda-livros deixa de ser
referida no Código Comercial, o que foi considerado um retrocesso.
Criada a Associação dos Empregados da Contabilidade, também denominada Associação de
1894
Classe dos Empregados de Contabilidade, e mais tarde, Instituto da Classe Comercial de Lisboa
Criação da Direção dos Serviços de Fazenda e Contabilidade em Angola: os Serviços da
1901 Fazenda e Contabilidade com a designação de direção, foram criados na província de Angola em
03/10 através da Portaria do Ministério das Finanças e do Ultramar
Criada a Escola Comercial Raul Dória, no Porto, considerada a pioneira no ensino técnico
1902
comercial e da contabilidade, encerrou no ano letivo de 1963/64
Ricardo Sá publica o livro “Tratado de Contabilidade”: primeiro livro português sobre teoria da
1903
contabilidade
1908 Publicado o primeiro número da revista de "Guarda-Livros": da Escola Prática Comercial Raul
Dória, no Porto
Regulamento de Fiscalização das Sociedades Anônimas de 13/04 (Vigorou no ano civil de 1911
1911 e no ano económico de 1911/1912): As SAs passaram a ter que submeter as suas contas à
fiscalização oficial de peritos contabilistas. Os diretores não podiam ser guarda-livros
A Lei de 27/05, publicada no Diário do Governo nº 12 de 29/05: exige que a Contabilidade seja
executada por técnicos competentes e cria duas Câmaras de Peritos Contabilistas (uma Porto e outra
1911 em Lisboa) para verificar o relato financeiro e examinar as contas. Retorno ao corporativismo;
atribuição das camaras que não chegaram a ser constituídas. Surge pela primeira vez o nome "perito
contabilista" que se confundia com guarda-livros
Jaime Lopes de Amorim, (1891- 1973), publicou o livro “Lições de Contabilidade Geral”:
1929 constituiu um marco histórico na investigação contabilística, em Portugal, posicionando a
Contabilidade numa perspetiva científica e ao nível do ensino superior
O Governo estabelece uma comissão para estudar a regulamentação da profissão de guarda-
1933
livros e contadores: o Governo de Salazar reconhece a necessidade dessa regulamentação
39
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Criação do Sindicato Nacional de Contabilistas e Guarda-Livros do Sindicato Nacional de
1934 Contabilidade do Distrito do Porto doravante SNCGDP: este lutou pelo prestígio da profissão
de contabilistas e guarda-livros
1936 Obrigatoriedade dos contadores e guarda-livros possuírem carteira profissional do SNCGDP:
esta carteira profissional torna-se essencial para exercer a profissão de contabilista e guarda-livros
Proposta datada de 8/11, de regulamentação da profissão pela Associação Académica do
instituto comercial do Porto; Divisão dos técnicos de Contabilidade em três categorias:
- Guarda-Livros, técnico que tem a função de, por si ou conjuntamente com os seus auxiliares,
1940 executar todas as operações de escrituração;
- Contador, técnico cuja função consiste em superintender, organizar, orientar e dirigir os serviços
de Contabilidade e Administração dos organismos públicos e privados;
- Perito Contador, técnico que tem por função a finalização e a verificação da Contabilidade e factos
de gestão dos organismos econômicos
Publicação da lei 1995 de 17/05: esta Lei instituiu um novo regime de fiscalização das sociedades
anónimas da constituição e funcionamento das sociedades por ações, mediante a intervenção de
1943
técnicos especializados e ajuramentados, integrados num organismo colegial que se denominará
Câmara dos Verificadores das Sociedades por Ações
Constituição da Sociedade Portuguesa de Contabilidade doravante SPC: SPC teve atividade
1945
relevante até fim da década de 80
Publicação do Decreto nº 38.331 de 23/04: promulga o regulamento dos institutos comerciais,
tendo estabelecido no seu artigo 13º: “O curso de Contabilista constitui habilitação adequada para
1951
peritos contabilistas dos tribunais de comércio, chefes de contabilidade de serviços fabris do Estado
e de serviços municipalizados, oficiais dos serviços de Fazenda e Contabilidade do Ultramar,
administradores de falências e para o exercício de funções análogas”
Publicação do Código da Contribuição Industrial, criado pelo Decreto-Lei nº 45 103/07, o qual
exige que a tributação seja baseada no lucro real das empresas; surge a necessidade de uma
contabilidade mais rigorosa, executada por “Técnicos de Contas” (nova designação)
1963 O artigo 52º do CCI previa a regulamentação legal do exercício da profissão e, até a sua publicação,
os técnicos de contas teriam de se inscrever na Direção Geral das Contribuições e Impostos (DGCI)
o que veio a acontecer até ao início do processo de inscrição na Associação dos Técnicos Oficiais
de Contas (ATOC), criada pelo Decreto-Lei nº 265/95
O Decreto-Lei nº 49.381 de 15/11 prevê a fiscalização das Sociedades Anônimas por Revisores
Oficiais de Contas e estabelece regras para a elaboração do Balanço e da Conta de Resultados:
É o primeiro diploma a fazer referência à profissão de “Revisor Oficial de Conta (ROC)”, cujo artigo
43º estabelece no seu nº 3:
1969 “Os membros do Conselho Fiscal e o Fiscal Único podem ser ou não sócios da sociedade, mas um
deles ou o Fiscal Único e um suplente têm de ser designados entre os inscritos na lista dos Revisores
Oficiais de Contas a que se refere o artigo 43º, salvo o estabelecido nas disposições transitórias”
O artigo 43º determina que as atividades de ROC e das sociedades de revisão serão regulamentadas,
o que veio a acontecer, 4 anos mais tarde, com o primeiro Estatuto aprovado pelo Decreto-Lei nº
1/72, de 03/01, tendo a Câmara dos ROC sido criada pela Portaria nº 87/74 de 07/02
O Governo reconheceu a profissão de Revisor Oficial de Contas doravante ROC, através da
1972 respetiva Câmara com a publicação do primeiro Estatuto inserto no Decreto-Lei nº 1/72 de 03/01,
tendo a Câmara sido criada pela Portaria nº 87/74 de 07/02
Criada a Associação Angolana dos Técnicos de Contas, doravante AATCA, mas não autorizada pelo
1972
Governo Colonial
40
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Aprovação do código do Imposto Industrial pelo Diploma 35/72 de 29 de abril: (i) As
Declarações Fiscais passam a ser assinadas para além do contribuinte ou representante legal, também
pelo Técnico de Contas responsável pela contabilidade da empresa; (ii) Determina que o lucro
tributável reportar-se-á ao saldo de conta de resultado em obediência a sãos princípios de
contabilidade e consistirá na diferença entre todos os proveitos ou ganhos realizados no exercício
1972 anterior àquele a que o ano fiscal respeitar e os custos imputáveis ao mesmo exercício; (iii) Apenas
os Técnicos de Contas inscritos nos Serviços de Finanças (designados nesta altura de Serviços de
Fazenda e Contabilidade) com determinadas condições impostas, eram considerados responsáveis,
em que está inscrição regulamentada pela Portaria Nº 441/73 de 14 de Julho de 1973, seria
dependente das condições fixadas pelo Governador-Geral; (vi) em 1973 foi ainda elaborado o
anteprojeto de PGC pelo Centro de estudos Fiscais – DCI – Portugal
Após 1975
A Direção dos Serviços de Fazenda e Contabilidade passou a denominar-se Ministério das
1976
Finanças
1978 Plano de Contas criado pelo Ministério do Comércio Interno, no intuito de uniformizar o controle
econômico das suas Unidades Econômicas Estatais
1979 Aprovado o Plano de Contas Nacional, pelo Decreto nº 250/79 de 19/10: aplicado a todas as
Unidades Econômicas Estatais, mistas e privadas
Aprovado o PGC, pelo Decreto nº 82/01 de 16/11: terceiro plano de Contas de Angola, ainda em
1982
vigor
AATCA evoluiu para a constituição da Ordem dos Contabilistas e peritos contadores
1995/1996
(OCPCA): começou a ganhar corpo como associação de profissionais
O Ministério das Finanças institui, a 10 de Setembro, a “task force” para a criação do Mercado
de Capitais e Bolsa de Valores, tendo como principal função implantar o mercado de valores
1997
mobiliários A “task force” foi integrada por especialistas dos Ministérios das Finanças, do
Planejamento e da Justiça, BNA, SONANGOL e ENSA, cujo mandato visava realizar estudos
preliminares para a criação da Comissão do Mercado de Capitais e da Bolsa de Valores de Angola
Estatuto Orgânico do Ministério das Finanças, sendo que este compreende as seguintes direções
nacionais:
1 Orçamento;
2 Contabilidade;
1998
3 Tesouro;
4 Impostos;
5 Alfândegas;
6 Patrimônio do Estado
Criação do núcleo da Comissão de Mercado de Capitais doravante CMC e da Bolsa de Valores: pelo
Decreto Presidencial 97/14, de 7 de Maio, designada por BODIVA – Bolsa de Dívida e Valores de
1998
Angola, SGMR, SA, registada, mediante ato público, em 4 de Julho, sendo os seus primeiros órgãos
sociais eleitos apenas na Assembleia Geral de 10 de Julho de 2014
O Decreto nº 38/00 de 06/10 - DR 40/2000: aprovou o regime de obrigatoriedade de auditorias a
2000 serem efetuadas por peritos contabilistas, para as empresas públicas ou mistas, constituídas sob
qualquer forma jurídica
Aprovados uma série de decretos relativos a planos de contas até sobrevir efetivamente o Plano
Geral de Contabilidade de Angola, que rege atualmente o sistema contabilístico angolano: (i)
Decreto nº 250 de 23 de Dezembro de 1979 referente ao Plano de Contas Nacional; (ii) Decreto nº
2001 70/89 de 19 de outubro de 1989 referente ao Plano de Contas Empresarial; e (iii) Decreto 82/01 de
16 de Novembro de 2001 referente ao Plano Geral de Contabilidade de Angola
O PGCA, pelo Decreto-Lei nº 82/01 de 16/11, esta atualmente em vigor, sendo um plano que
obedece a uma normalização sectorial, excetuando a Banca e as Seguradoras e outras instituições
financeiras, aplicando-se essencialmente às Sociedades Comerciais
41
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
A Lei nº 3/01 de 23/03 - DR 14/2001: aprovou o exercício da Contabilidade e Auditoria, por parte
de contadores e peritos contábeis inscritos na entidade representativa dos contabilistas e peritos de
contabilidade, podendo ser pessoas singulares ou coletivas. Vem disciplinar o acesso a profissão e
explicar as bases para o exercício das atividades profissionais de contabilidade e auditoria, bem
2001
como exige que as demonstrações financeiras sejam elaboradas por técnicos inscritos na Ordem.
Esta Lei nº 3/01, surge com a necessidade de se definir regras e condutas adequadas a obtenção de
uma prestação de serviço com qualidade, fidedigna aos agentes económicos isto a nível económico
e das demostrações financeiras semelhantes aos já praticados mundialmente
A Lei nº 10/01 de 31/maio - I Série Nº 25: aprovou a alteração da figura do técnico de contas, que
surge com a publicação da Lei do exercício da Contabilidade e Auditoria que veio instituir um novo
quadro legal do exercício de funções. Esta alteração dá-se também com a criação da Entidade
2001
Representativa dos Contabilistas e Peritos Contabilistas e aprovação dos respetivos estatutos,
significa isso que a figura do técnico de contas e as funções que lhe incumbiam nos termos do Código
Industrial deve ser substituída com responsabilidades acrescidas
A Ordem, teve um marco importante a 1 de fevereiro de 2001 com uma reunião ou Assembleia
2001/2002 seguida de duas reuniões em 2002, nesta altura como grupo dinamizador e depois como comissão
instaladora
Lei das Sociedades Comerciais, criada pela Lei nº 1/04 de 13/02: Estabelece as regras com que
as sociedades comerciais devem funcionar em Angola. Esta lei estabelece novas regras em matéria
2004
de fiscalização das sociedades, exigindo que dos membros dos conselhos fiscais um seja contador
ou perito contador
Lançamento do livro “Contabilidade Geral – Conceitos Fundamentais” - Tomo I, autor José
2004
Gonçalves Dias Amaral
2004 Publicação do livro “Contabilidade Analítica Pormenorizada” do autor Capela Dombaxi Tepa
Criado o Plano de Contas das Instituições Financeiras doravante CONTIF, pelo Instrutivo nº
9/07 de 19/09, do BNA. Este Plano já está de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade
e com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS)
Estava estipulado que o CONTIF entrasse em vigor no dia 1 de Janeiro de 2010, devendo as
2007 Instituições Financeiras ter encerrado as contas até 31 de Dezembro de 2009, de acordo com o Plano
de Contas em vigor e proceder à abertura das contas com a transposição dos saldos existentes, em
conformidade com a nova classificação, mas a plano entrou em vigor apenas em Julho de 2010
O BNA flexibilizou a entrada em vigor do plano CONTIF permitindo para as instituições que o
requeiram a entrada em 01 de Julho de 2010 iniciando o reporte do Balancete, transpondo os saldos
iniciais para o CONTIF a 30 de Junho de 2010.
Publicação do livro “Consultoria Contabilística: Aspetos Contabilísticos e Fiscais das
Imobilizações” do autor Álvaro Vigário O livro é um instrumento de consulta quer a nível de
2007
conceituação e movimentação das contas do imobilizado, quer a nível das implicações fiscais sobre
os Meios Fixos
Publicação do “Plano Geral de Contabilidade”, editado por “Brito Rebelo Consultores”: É um
auxiliar para os profissionais da Contabilidade, tendo em vista reduzir ao máximo, senão eliminá-
2008
los, todos os erros e/ou irregularidades que habitualmente ainda se verificam nos assentos contábeis
que servem para registrar as operações de exploração correntes e não correntes
Publicação do “Manual de Contabilidade Angolano”, dos autores José Luís Faria Magro e
Adelaide Magro: trata-se de uma abordagem desenvolvida e integrada do Plano Geral de
2008
Contabilidade, incluindo: Teoria Geral da Contabilidade, área tributária, Lei das Sociedades
Comerciais e Lei Geral do Trabalho
Primeiro curso de atualização para contabilistas e peritos contabilistas: organizado pelo grupo
2010 dinamizador da Ordem dos Contabilistas Peritos, com apoio do Banco Mundial. A OCPCA
efetivamente “existe desde 2010
42
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Aprovação do Decreto Presidencial nº 232/10 de 11 de outubro de 2010 referente ao Estatuto
da Ordem dos Contabilistas e dos Peritos Contabilistas de Angola: veio regular o exercício da
2010 Contabilidade e auditoria pelo Estatuto dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola, assim
como certificar os profissionais do setor e estabelecer critérios para o exercício da profissão, dado
serem atividades que exigem qualidade e organização no exercício das suas funções sendo
indispensáveis para a tomada de importantes decisões aos agentes económicos
A Ordem foi nomeada como 1ª Comissão Instaladora, pelo Decreto Executivo do Ministro das
Finanças nº 72/11 de 9 de maio de 2011. Seguindo-se o Decreto Executivo do Ministro das Finanças
2011 nº 98/14 de 9 de abril que veio nomear a 2ª Comissão Instaladora e homologar os atos da 1ª Comissão
Instaladora, que teve pelo Decreto Executivo do Ministro das Finanças nº 310/14 de 8 de outubro o
alargamento do seu funcionamento e define prazo para eleições dos Órgãos Sociais
Publicação do suplemento legislativo do Diário da República, I Série Nº 252 de 30 de Dezembro
de 2011 entrou em vigor apenas em 2012: deu-se a Reforma Fiscal aonde foi divulgado vários
Decretos Legislativos Presidenciais, nomeadamente:
2012
-Nº 5/11 sobre a Aplicação de Capitais (IAC);
- Nº 6/11 que aprova o Código do Imposto de Selo (IS); e
- N º7/11 que altera vários artigos do Regulamento do Imposto de Consumo (IC).
Conforme aviso nº 06/2016; Diário da República, I Série, nº 102, de 22 de junho, o BNA, adotou
as Normas Internacionais em 2013: sendo assim a primeira Instituição nacional a fazê-lo. Alguns
anos depois, em 2016 e 2017 o BNA obrigou a que as Instituições Financeiras (bancos comerciais)
devessem convergir gradualmente para as IAS e as IFRS, não se sobrepondo as normas nacionais
com o intuito de se harmonizar o regime contabilístico das Instituições, reforçando-se assim o
2013
sistema Financeiro nacional e seguindo-se melhores práticas internacionais (práticas como
cumprimento das recomendações de Instituições Financeiras internacionais, comparabilidade e
transparência do desempenho financeiro das Instituições Financeiras nacionais numa escala global
e a melhoria contínua da informação prestada aos utilizadores das demonstrações financeiras das
Instituições Financeiras)
Decreto Presidencial n.º 147/13: Determina o Estatuto dos Grandes Contribuintes, regula os
2013 critérios para a classificação dos Grandes Contribuintes, os seus direitos, obrigações, bem como o
funcionamento da Repartição Fiscal dos Grandes Contribuintes criada em 2002
Decreto Presidencial n.º 149/13, Lei das faturas e seus equivalentes: regula os requisitos para a
2013 emissão, conservação e arquivamento das faturas e documentos equivalentes pelos contribuintes, no
exercício da sua atividade comercial e industrial
Lei 11/13, de Bases do Sector Empresarial Público, de 3 de Setembro: A presente Lei estabelece
o regime jurídico do Sector Empresarial Público, tendo em conta a importância que o sector
2013
empresarial público representa para a economia nacional e a necessidade de se dotar o mesmo de
uma legislação
Decreto Legislativo Presidencial nº 01/14 de 13 de outubro: Regime Fiscal aplicado aos
2014 Organismos de Investimento Coletivo, surge para atender a complexidade inerente de um mercado
de capitais participativo, a favor do investimento e desenvolvimento nacional
Decreto Presidencial nº 318/14 publicado em 28 de Novembro de 2014: Em 11 de outubro de
2010 foram publicados os estatutos, os quais, dado o tempo passado, ficaram com alguns pontos
ligeiramente desajustados e, como tal, precisando de algumas alterações. Tais alterações foram
2014 efetuadas neste decreto, permitindo assim a realização da Primeira Assembleia Geral da Ordem que
teve lugar no dia 12 de dezembro de 2014, altura em que foram nomeados os primeiros Corpos
Sociais da Ordem. O objetivo da Ordem vem expressa nos Estatutos com as alterações efetuadas em
28 de novembro de 2014
Reforma Fiscal: Livro de Legislação Fiscal de " Fátima Freitas" que apresenta várias
alterações nos códigos: com imposição de regras de apuramento do Imposto Industrial, regras de
retenção na fonte (pessoas singulares e coletivas), o Código do IRT e principais impactos na
2015/2016 tributação dos rendimentos do trabalho, Imposto sobre Aplicação de Capitais, Imposto Predial
Urbano, alterações ao Código do Imposto do Selo, Imposto sobre as Sucessões e Doações e Sisa
sobre Transmissão de Imobiliário por Titulo Oneroso, Amnistia fiscal e principais alterações ao
Imposto de Consumo e ainda quadro de incentivos fiscais
43
Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Lei 12/15 Lei de Bases das Instituições Financeiras, de 17 de Junho: está vem ajustar a Lei 13/05
2015 de 30 de setembro. A presente Lei regula o processo de estabelecimento, o exercício de atividade, a
supervisão, o processo de intervenção e o regime sancionatório das instituições financeira
Lei 19/14 do Código do Imposto Industrial de 22 de outubro: está lei visa proceder à atualização
deste imposto, responder a complexidade das operações dos seus sujeitos passivos. Inicia um novo
2015
paradigma no tratamento fiscal dos rendimentos derivados de operações comerciais ou industriais,
com destaque para os artigos nº 51º, 58º, 64º, 66º, 67º e 69º
No âmbito da regulamentação da profissão do contabilista em Angola: consta no relatório de
Atividades e Contas do exercício de 2016 da OCPCA, que foi aprovado por unanimidade em
2016 novembro de 2016, o Código de Ética e Deontologia Profissional. Relativamente a este código,
realizaram-se seminários de debate e análise em várias províncias de Angola com grande aderência
dos membros contabilistas profissionais inscritos na OCPCA
Aprovado o Regulamento de Estágio para Contabilistas e Peritos Contabilistas da Ordem dos
Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola: a luz do nº 2 do artigo 55.º e do art.º 75.º já
estabelecido no Decreto Presidencial n.º 232/10, de 11 de outubro. Conforme Regulamento de
2016 Estágio, nos termos do art.º 1º este estágio é dirigido por uma Comissão de Estágio e leva a que o
estagiário faça exercícios e práticas como profissional contabilista, adequados ao exercício da
atividade como garantia da qualidade no empenho técnico e deontológico, sob a proteção de um
patrono
Decreto Presidencial n.º 65/19: Aprova o diploma legal que cria o Conselho Nacional de
Normalização Contabilística de Angola, doravante CNNA e o respetivo Regimento Interno. É o
órgão público de natureza consultiva, representado a nível nacional, por entidades públicas e
2019
privadas interessadas no domínio da contabilidade. Esse diploma tem a missão de emitir pareceres
e recomendações, bem como propor normas contabilísticas para os sectores empresarial e público,
no sentido de uma harmonização com as melhores práticas internacionais
Fonte: Adaptada da Revista Valor Acrescentado (2010), p.46-54; Revista da OCPCA
(2014), Decreto Presidencial nº 232/10, e Relatório de Atividades e Contas do Exercício
de 2016 da OCPCA
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Anexo 2: Estimativa da demanda de contabilistas profissionais e técnicos
em Angola (2016)
Tipo de No. de Estimativa de Estimativa Estimativa Média - Premissas
Empresa/Instituições Empresas Profissionais de Técnicos Total Número por Empresa
5 profissionais e 20
BNA 1 5 20 25
técnicos
2 profissionais e 5
Bancos 25 50 125 175
técnicos
2 profissionais e 5
Empresas de Seguros 17 34 85 119
técnicos
Empresas de
Média de 2 seniores e 5
Contabilidade e de 185 370 925 1 295
técnicos
Auditoria
Média de 4 profissionais e
Ministérios e 5 técnicos para cada
33 132 165 297
Departamentos ministério e
departamento
Estimativas de
Direcção Nacional de
1 10 72 82 estabelecimento da
Contabilidade Pública
Direção
Estimativas de
Inspetoria Geral de
1 25 85 110 estabelecimento da
Finanças
Inspeção
Estimativas por
Tribunal de Contas 1 24 72 96
estabelecimento
1 profissionais e 3
Outros 41 279 2 064 6 192 8 256 técnicos para cada 20
empresas
Estimativa Total da Demanda 2,714 7,741 10,455
Fonte: Relatório Banco Mundial (2017)
Anexo 3: Perfil dos Participantes da Entrevista
Legenda: E – Entrevistado
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
Fonte: Elaboração própria, com base nas respostas entrevistados
Anexo 4: Guião das Entrevistas
Tema: O acesso à profissão de contabilista e a perceção sobre a importância da
profissão em Angola
Esta entrevista enquadra-se numa investigação no âmbito de uma tese de Mestrado em
Contabilidade, Fiscalidade e Finanças Empresariais, realizada no Instituto Superior de
Economia e Gestão da Universidade de Lisboa. Os resultados obtidos serão utilizados
apenas para fins académicos (tese de Mestrado), sendo garantida a sua confidencialidade
e anonimato.
Obrigado pela sua colaboração.
DADOS PESSOAIS
1. Qual é a sua idade?
() 20 a 30 anos
() 31 a 40 anos
() 41 a 50 anos
() 51 ou mais
2. Qual é o seu gênero?
() Masculino
() Feminino
3. Exerce a profissão de contabilidade atualmente?
() Sim
() Não
Em caso afirmativo:
Há quanto tempo exerce a profissão de contabilidade?
() Menos de 5 anos
() Entre 6 e 10 anos
() Entre 11 e 20 anos
() Entre 21 e 30 anos
() Mais de 31 anos
4. Qual a área de atuação atualmente?
() Contabilidade
() Fiscal
() Financeira
() Consultoria
() Auditoria
() Outras. Cite-a: _________________
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
5. Qual a atividade principal que prática no seu dia a dia?
() Escrituração
6. Com que tipo de empresa trabalha atualmente?
() Industrial
() Comércio
() Prestação de Serviços
() Outras. Cite-a: ____________________
7. Qual o nível de satisfação com sua profissão?
() Muito satisfeito
() Satisfeito
() Não satisfeito
() Pouco Satisfeito
() Não satisfeito
ACESSO À PROFISSÃO
1. O que a(o) levou a enveredar por uma carreira na área contabilística?
2. Na sua opinião quais são os requisitos básicos para ser um bom profissional de contabilidade e
que considera uma mais valia para a profissão?
3. Quais são os principais aspetos positivos (vantagens) e negativos (desvantagens) que realça no
exercício da profissão?
4. Ser contabilista é estar sujeito, ao longo da carreira, a uma constante atualização. Acha que as
constantes alterações legislativas fiscais podem prejudicar a consistência da profissão?
5. A ética e a deontologia em conjugação com o saber técnico são importantes no exercício das
funções de um contabilista?
6. Estando perante uma profissão de interesse público e no sentido de promover os comportamentos
éticos dos profissionais quem deve desempenhar esse papel de promotor e que iniciativas devem
ser promovidas?
7. Em seu entender a formação superior em contabilidade está ajustada às necessidades do mercado
de trabalho? Realce alguns aspetos positivos e negativos no ensino da contabilidade.
8. Considera que existe uma forte complementaridade entre a formação académica facultada pelas
instituições de ensino superior e a formação contínua proporcionada pela OCPCA?
9. No que respeita ao acesso à profissão de contabilista, constatamos que o nível de exigência tem
vindo a aumentar, não só a nível das habilitações literárias exigidas, mas também através da
institucionalização do estágio profissional ou a realização de disciplina/área curricular definida
pela OCPCA e do exame de acesso.
- Concorda com este reforço da exigência?
- Acha que esse reforço de exigência tem contribuído para a formação de melhores profissionais?
10. Como descreveria o seu percurso de acesso e desempenho da atividade de contabilista?
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
11. Qual a sua visão sobre o acesso à profissão de contabilista no nosso país?
12. Acha que existe desigualdades a nível de acesso à profissão entre homens e mulheres?
13. Na sua opinião, a maternidade torna-se um dos aspetos que os empregadores têm em
consideração quando pretendem contratar um contabilista?
PERCEPÇÃO DO PAPEL DO CONTABILISTA
1. Que importância atribui ao papel dos contabilistas nas empresas?
2. Como é que a sociedade e os empresários olham para a profissão de contabilista?
3. A OCPCA tem dado grande relevância à questão da formação contínua dos seus membros.
Considera que este aspeto é importante para uma maior credibilização da profissão de contabilista?
FUTURO DA PROFISSÃO, PRINCIPAIS DESAFIOS E OBSTÁCULOS
1. Quais as principais oportunidades e ameaças com que se depara a profissão contabilística
atualmente?
2. Quais são os principais obstáculos que podem dificultar a progressão das carreiras ligadas à área
contabilística?
3. Na sua opinião, como as empresas veem o contabilista? Como um parceiro estratégico ou apenas
como alguém que auxilia no cumprimento das obrigações fiscais?
4. Na tabela a seguir, avalie o nível de importância dos aspetos abaixo, que considera significante
para a evolução da contabilidade:
Descrição Pouca importância Importante Muito.
Importante
Informática
Globalização
Internet
Status da profissão
Mercado profissional
Contribuição para a gestão das empresas
Procura de Informação por parte dos
usuários/gestores
5. O que poderia melhorar na profissão do contabilista?
6. Como identifica a necessidade de seus clientes?
7. Na sua opinião qual é a principal função do contabilista nas empresas?
() Gerar informações para tomada de decisões
() Escriturar os factos contabilísticos
() Orientar o administrador nos negócios da empresa.
() Prestar serviços contabilísticos e fiscais para a empresa e para o fisco.
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
() Elaborar demonstrações financeiras contabilísticas
8. Como vê a atuação dos órgãos de fiscalização e regulamentação da profissão contábil, quanto a
sua necessidade de agregar conhecimento e enriquecer a sua carreira profissional? Impacto da
instabilidade da legislação fiscal no desempenho da profissão?
9. De que maneira se mantem informado sobre as mudanças e novidades que ocorrem na profissão?
() Consultoria Particular
() Em contato com outros profissionais da área
() Através de cursos na área
() Através da internet
() Através de seus clientes/colaboradores
10. Qual é a sua visão sobre o futuro da profissão, após as mudanças ocorridas com a normas
internacionais (IFRS) e futuramente a adoção do IVA?
11. Como se vê, diante das mudanças ocorridas na contabilidade?
() Preparado para atender as demandas e opinar nas tomadas de decisões na empresa.
() Possui certo grau de conhecimento, mas não o suficiente para opinar sobre as decisões da
empresa.
() Despreparado, não tendo domínio suficiente sobre assuntos que auxiliem o gestor na tomada de
decisões.
12. De que maneira vê, as mudanças ocorridas na sua profissão:
() Um meio de valorizar a profissão contábil.
() Auxilia mais os gestores, investidores, do que o profissional contábil
() Dificulta o trabalho do profissional contábil.
() Aumenta as responsabilidades do profissional contábil
() Um processo de evolução na contabilidade
13. Qual o perfil de um profissional de contabilidade que considera que o mercado valoriza mais
atualmente?
() Um profissional que conheça a prática contabilística, esteja inteirado sobre as legislações
vigentes, e que atenda as necessidades primárias dos clientes (lançar notas, atender o fisco, gerir
impostos).
() Um profissional que seja pró-ativo, e exerça um papel de “parceiro de negócios”, atuando com
os gestores nos negócios das empresas.
() Um profissional que esteja inteirado de todas as informações contabilísticas e atenda o cliente
de maneira rápida e eficaz.
() Um profissional que analisa as informações contábeis e auxilia na tomada de decisões.
14. Confidencialidade dos dados do entrevistado e da empresa?
Pretende que seja mantido o anonimato:
- Quanto à sua identidade? (SIM ou NÃO)
- Quanto à identidade da empresa? (SIM ou NÃO)
CONTEXTO ORDEM CONTABILISTAS
1. Por favor, descreva brevemente a história da OCPCA:
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Rosemary Khelifa, O ACESSO À PROFISSÃO DE CONTABILISTA E A PERCEÇÃO SOBRE A
IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO EM ANGOLA
- Quando foi formalmente estabelecido?
- Quantos membros a OCPCA tinha após a formação?
- Qual era a categoria dos membros de contabilidade no momento do estabelecimento da OCPCA?
2. Como o governo regulamentou a profissão antes de a OCPCA ser criada?
- Como os contabilísticos foram controlados (monitorados)?
- Como e por quem foram emitidas as licenças?
- Houve algum exame administrado como parte do processo de licenciamento?
- Que padrões de contabilidade / auditoria foram usados e como foram aplicados?
3. Quem foram os principais promotores no processo de criação da OCPCA?
- Qual foi o papel do estado?
- Qual foi a contribuição (ou influência) de corpos profissionais estrangeiros (ou membros
individuais de tais órgãos) no processo de estabelecimento da OCPCA?
- A OCPCA tem dado grande relevância à questão da formação contínua dos seus membros.
Considera que este aspeto é importante para uma maior credibilização da profissão?
- Como descreve a relação entre o setor universitário (acadêmicos de contabilidade) e os
contabilistas antes e depois da formação da OCPCA?
- Existe uma forte complementaridade entre a formação académica facultada pelas instituições de
ensino superior e a formação contínua proporcionada pela OCPCA?
- Os professores de contabilidade influenciaram (contribuíram para) o desenvolvimento da
OCPCA?
4. Havia contabilistas ativos certificados antes da fundação da OCPCA:
- Como a OCPCA lidou com eles?
- Eles precisaram de fazer exames ou se aposentaram?
- Alguns desses contabilistas foram transformados em membros da OCPCA?
- Se sim, como foi o processo de transformação?
5. Por favor, diga o processo pelo qual as normas contabilísticas internacionais foram adaptadas
ao contexto angolano?
- Quem realizou a adaptação?
- Que desafios foram enfrentados e superados?
6. Como descreve a relação entre o Ministério do Comércio e os contabilistas profissionais antes e
depois da formação da OCPCA?
7. A OCPCA tem dado grande relevância à questão da formação contínua dos seus membros.
Considera que este aspeto é importante para uma maior credibilização da profissão?
8. Acha que as constantes alterações legislativas fiscais podem prejudicar a consistência da
profissão?
9. Na sua opinião, qual a importância que as empresas atribuem ao Contabilista Certificado?
- Veem o CC como um parceiro estratégico ou apenas como alguém que auxilia no cumprimento
das obrigações fiscais?
10. Na sua opinião quais são os requisitos básicos para ser um bom profissional?
11. Ouve alguma alteração no acesso a Ordem?
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