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Enfrentar Um Ambiente Global em Transformação

A economia global enfrenta mudanças significativas e incertezas que impactam o crescimento na América Latina e no Caribe, com previsão de desaceleração em 2026. A necessidade de políticas fiscais sólidas e reformas estruturais é destacada para enfrentar desafios fiscais e fomentar a produtividade. Apesar da volatilidade, o crescimento econômico na região se manteve estável no primeiro semestre de 2025, impulsionado por exportações e uma recuperação nas remessas.

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Jorge Gomes
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Enfrentar Um Ambiente Global em Transformação

A economia global enfrenta mudanças significativas e incertezas que impactam o crescimento na América Latina e no Caribe, com previsão de desaceleração em 2026. A necessidade de políticas fiscais sólidas e reformas estruturais é destacada para enfrentar desafios fiscais e fomentar a produtividade. Apesar da volatilidade, o crescimento econômico na região se manteve estável no primeiro semestre de 2025, impulsionado por exportações e uma recuperação nas remessas.

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1.

Enfrentar um ambiente global em transformação 1

1. Enfrentar um ambiente global em transformação1


A economia global enfrenta mudanças significativas na política econômica e choques persistentes em
meio a uma incerteza excepcionalmente alta. Nesse contexto, o crescimento na América Latina e no Caribe
deve ser afetado por diversos graus de exposição ao comércio mundial e pela dependência de remessas,
commodities e mercados de capitais globais. A previsão é que a maioria das economias desacelere,
embora uma retomada em alguns países que estão se recuperando de choques recentes possa ajudar a
sustentar o crescimento regional em 2025. Em meio às repercussões das mudanças na política econômica
em todo o mundo e à incerteza persistente, projeta-se uma ligeira desaceleração em 2026, com os riscos
pendendo para o lado negativo. O processo de desinflação continua, mas a convergência para as metas em
alguns países deve levar mais tempo do que o previsto. Nesse contexto, onde viáveis, quadros de políticas
confiáveis, respaldados pela independência do banco central, por uma política fiscal baseada em regras
e pela flexibilidade cambial, são essenciais. O aumento contínuo da dívida pública salienta a necessidade
de consolidação fiscal, com o apoio de um fortalecimento ainda maior dos quadros de políticas. Enfrentar
os desafios fiscais também ajudaria na implementação da política monetária. Em meio a perspectivas de
crescimento apagadas no médio prazo — que refletem, em parte, a persistente má alocação de recursos — as
reformas estruturais continuam sendo fundamentais para fomentar a produtividade, melhorar o ambiente de
negócios e aproveitar as oportunidades para ampliar a integração comercial, até mesmo dentro da região.

1.1. A economia global


Uma conjuntura global em transformação
A economia global enfrenta mudanças significativas na política econômica e choques persistentes. Os Estados
Unidos anunciaram uma série de medidas de política comercial, com destaque para tarifas específicas por país
e por produto aplicadas às importações de cerca
Figura 1.1. Indicadores de incerteza
de 70 países, alguns acordos bilaterais, uma tarifa (Índice)
universal de 10% para muitos países e algumas
A incerteza chegou aos níveis mais altos em décadas.
isenções — que elevaram as tarifas de importação
americanas a níveis não vistos desde 1930. Isso 120,000
WUI 1,200
levou a algumas medidas retaliatórias de vários Índice TPU (escala à direita)
100,000 Índice EPU (escala à direita)
países — algumas delas revertidas — à medida 1,000
que as negociações comerciais se desenrolaram.
80,000 800
Uma mudança nas políticas de imigração também
está ocorrendo em várias economias avançadas,
60,000 600
sobretudo nos Estados Unidos, o que deve ter um
impacto negativo nos fluxos migratórios líquidos
40,000 400
para esses países. Conflitos geopolíticos persistem e
continuam a atrapalhar o comércio global e afetar os 20,000 200
mercados de commodities. Esses desdobramentos,
combinados com uma desaceleração contínua 0 0
em algumas economias de grande porte e o Jan. 2015 Jan. 17 Jan. 19 Jan. 21 Jan. 23 Jan. 25

consequente aumento da incerteza (Figura 1.1), Fontes: Ahir, Bloom e Furceri (2022); Caldara et al. (2020); Davis
(2016) e Haver Analytics.
poderiam afetar os países da América Latina e do Nota: Os indicadores de incerteza são índices dos veículos de notícias
Caribe (ALC) por meio de vários canais (Quadro 1.1). e meios de comunicação que quantificam a atenção da mídia às
notícias globais relacionadas à incerteza. EPU = incerteza da política
Os principais mercados mundiais permaneceram econômica; TPU = incerteza da política comercial; WUI = índice de
relativamente estáveis e o crescimento global foi incerteza mundial.

robusto durante o primeiro semestre de 2025. Os


anúncios sobre políticas comerciais provocaram um aumento na volatilidade dos mercados, mas não tiveram um
impacto persistente sobre os preços das commodities e as condições financeiras. Os preços das ações e de outros

1
Elaborado por Camila Casas (co-líder), Eric Huang, Gevenieve Lindow e Juan Treviño (co-líder).

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


2 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

ativos caíram, o dólar americano se desvalorizou e os preços das principais commodities recuaram inicialmente,
mas as condições financeiras se suavizaram, as bolsas globais se recuperaram e os preços das commodities
permaneceram estáveis de modo geral, em torno dos níveis do fim de 2024. Embora a incerteza em torno das
políticas comerciais tenha permanecido alta e as tensões geopolíticas se mantenham, a atividade econômica global
mostrou uma força notável no primeiro semestre do ano, em meio a condições financeiras acomodatícias, alguma
antecipação do comércio na expectativa de tarifas mais altas, tarifas mais baixas do que as anunciadas originalmente
e políticas fiscais mais flexíveis em algumas das principais economias.
Apesar desses desdobramentos, prevê-se que o crescimento dos principais parceiros comerciais da ALC perca
impulso em 2025. Nos Estados Unidos, o corpo técnico do FMI prevê que o crescimento do PIB desacelere para
2,0% em 2025 e permaneça estável em 2,1% em 2026, frente a 2,8% em 2024. A desaceleração prevista se explica
pelo enfraquecimento dos gastos do consumidor e pela desaceleração do investimento. Na China, o crescimento
em 2025 está projetado em 4,8% — próximo dos 5,0% de 2024 — com outra desaceleração, para 4,2%, em 2026.
A atividade da China foi sustentada graças às exportações para destinos além dos Estados Unidos e bem como
pela demanda interna, possivelmente impulsionada por estímulos de políticas públicas. O crescimento da atividade
econômica na zona do euro deve registrar um ligeiro aumento de 0,9% em 2024 para 1,2% neste ano, e de cerca de
1,1% no próximo, refletindo, em parte, um aumento historicamente alto nas exportações farmacêuticas da Irlanda
para os Estados Unidos neste ano e o provável impacto do aumento dos gastos com defesa nos anos seguintes.
Prevê-se que as outras economias avançadas desacelerem, em parte devido ao impacto das tarifas. A inflação global
deve recuar em meio ao arrefecimento da demanda global e à queda dos preços da energia. Já no caso dos países
onde as tarifas representam um choque negativo na demanda, espera-se um alívio das pressões inflacionárias.

1.2. Evolução econômica recente na América Latina e no Caribe


Crescimento ainda apoiado pela conjuntura externa no primeiro semestre do ano
Fatores estruturais e externos amorteceram o impacto de curto prazo das mudanças globais na América Latina
e no Caribe. Destacam-se a exposição comercial relativamente baixa de muitas economias aos Estados Unidos
(Quadro 1.1), as tarifas globais mais baixas do que as anunciadas originalmente e as tarifas da região mais baixas

Figura 1.2. Tarifas, exportações e spreads

Tarifas oficiais baixas na ALC em relação às dos seus pares. Após um pico de curta duração, os spreads soberanos
caíram abaixo dos níveis do fim de 2024.
1. Tarifas oficiais e parcela das exportações para 2. Spreads soberanos do EMBIG2
os Estados Unidos1 (Índice: 1º de janeiro de 2025 = 100)
(Porcentagem)
Tarifas após 2 de abril BRA CHL COL
90 Tarifas a partir de 1 de setembro MEX PRY PER 145
Parcela das exportações de bens URY AL-7
75 para os EUA, 2024
130

40
115
30
100
20

85
10

0 70
CAN MEX ALC AL-8 ACPRD EMDEs EMDEs AEs Jan. Mar. Mai. Jul. Set. Nov. Jan. Mar. Mai. Jul. Set.
Ásia Europa 2024 24 24 24 24 24 25 25 25 25 25
Fontes: Bloomberg Finance L.P.; FMI, base de dados Direction of Trade Statistics; FMI, base de dados World Economic Outlook; e cálculos do
corpo técnico do FMI.
Nota: Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países da Organização Internacional de Normalização (ISO). ACPRD = América Central,
Panamá e República Dominicana; ALC = América Latina e Caribe; AL-7 = América Latina 7 (Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e
Uruguai); AL-8 = América Latina 8 (AL-7 mais Argentina); EAs = economias avançadas; EMBIG = índice JP Morgan Emerging Market Bond Global;
EMEDs = economias de mercados emergentes e em desenvolvimento.
1
Os agregados das alíquotas tarifárias são médias simples. ALC e AL-8 excluem o México.
2
AL-7 é a mediana.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 3

em comparação com as de outras economias de Figura 1.3. ALC: Valorização das moedas e
mercados emergentes (Figura 1.2, painel 1). A evolução macroeconômica
conjuntura externa permaneceu de modo geral (Porcentagem)
favorável para a América Latina e o Caribe no A valorização das moedas está associada a uma inflação
primeiro semestre do ano. Após o período inicial de mais baixa.
volatilidade em meados do primeiro semestre, os
spreads soberanos caíram abaixo dos níveis do fim Consumo
de 2024 (Figura 1.2, painel 2), as moedas regionais
se recuperaram após uma desvalorização inicial, os
rendimentos dos títulos recuaram e apresentaram Investimento
maior diferenciação entre os países, e os preços
das commodities se estabilizaram. Além disso,
evidências empíricas apontam para a defasagem no Conta corrente
efeito da incerteza global sobre o crescimento na
região (Anexo online 1), e a atividade surpreendeu
positivamente em vários países da ALC no início Inflação

do ano.
−10 −5 0 5 10
A recente desvalorização do dólar americano
também pode estar atenuando os efeitos dos Fonte: Cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: A valorização ou desvalorização da moeda é avaliada com base
choques, por exemplo, ao reduzir as pressões na movimentação anual das taxas de câmbio efetivas nominais. As
inflacionárias. As flutuações cambiais podem estimativas são derivadas de projeções locais para o período de 1990
a 2023, e a abertura comercial, o tipo de regime cambial e os preços
afetar a ALC por meio da variação dos preços das das commodities são controlados. As barras representam estimativas
importações, da competitividade das exportações pontuais do impacto no primeiro ano de uma valorização de um
e das condições financeiras (FMI 2023a, Obstfeld e desvio-padrão, e as barras de erro indicam intervalos de confiança de
90%. ALC = América Latina e Caribe.
Zhou 2023). A valorização das moedas na ALC pode
reduzir os preços dos produtos importados, aliviando as pressões inflacionárias e possivelmente abrindo espaço para
a política econômica. Por sua vez, isso pode sustentar a renda real e impulsionar o consumo privado (Figura 1.3). Uma
moeda local mais forte pode abrandar as condições financeiras e fomentar o investimento, embora as evidências
não sejam conclusivas. Trabalhos anteriores também sugerem que a valorização real pode reduzir a dívida.2
Nesse contexto, o crescimento econômico durante o primeiro semestre de 2025 permaneceu relativamente
estável na ALC. A contribuição das exportações para o crescimento foi maior, pois os volumes de exportação
aumentaram em paralelo às tendências globais (Figura 1.4, painéis 1 e 2). Isso reflete as fortes exportações de
cobre e manufaturados (Chile, México) e o aumento das exportações associado à sólida produção agrícola em
vários países (Argentina, Brasil, Colômbia, Uruguai). Por outro lado, a contribuição do consumo privado para o
crescimento diminuiu em algumas grandes economias (Brasil, México), embora ainda tenha se mostrado forte em
alguns países (Argentina, Colômbia, Paraguai, Uruguai), pois os mercados de trabalho e a expansão do crédito
ao consumidor permaneceram relativamente fortes (Figura 1.4, painéis 3 e 4). O crédito empresarial mostrou
sinais de moderação em linha com a contribuição contínua e moderada do investimento para o crescimento
nos últimos anos (FMI 2024b). Na América Central, Panamá e República Dominicana (ACPRD), a atividade foi
sustentada por uma recuperação das remessas durante o primeiro semestre de 2025 (Quadro 1.2), enquanto o
crescimento no Caribe permaneceu sólido graças à expansão das atividades do turismo e construção civil em
alguns países e ao aumento da produção de energia em outros (Quadro 1.3).

O processo de desinflação continua lento


A convergência da inflação para as metas continua, embora a um ritmo mais lento desde o início de 2024 (Figura
1.5, painel 1). A inflação geral está oscilando em torno das metas ou se aproximando delas em alguns países, mas a
convergência é um pouco mais lenta em outros. Mais especificamente, a inflação geral tem se mantido estável em
torno da meta no Peru e no Paraguai e continuou a cair no Chile e no Uruguai, em meio à valorização das moedas,
políticas mais restritivas e/ou os efeitos cada vez menores de aumentos anteriores das tarifas dos serviços públicos.

2
Um choque de um desvio-padrão na taxa de câmbio real poderia reduzir a dívida em cerca de quatro pontos percentuais do PIB nos
próximos cinco anos (FMI 2024a).

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


4 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Figura 1.4. Principais indicadores econômicos

A contribuição das exportações para o crescimento …refletindo a expansão dos volumes ocorrida no início
aumentou… de 2025.

1. AL-7: Contribuições para o crescimento do PIB real1 2. Crescimento das exportações2


(Variação percentual em 12 meses) (Variação percentual em 12 meses)

Consumo privado Consumo público Investimento Volume do comércio Exportações reais do AL-7
Estoques Exportações Importações internacional
8 Exportações reais 10
Crescimento do AL-8
6 do PIB real Crescimento do PIB 8
do AL-7 real do AL-8
6
4
4
2
2
0
0
−2 −2

−4 −4
2021:T4

22:T1

22:T2

22:T3

22:T4

23:T1

23:T2

23:T3

23:T4

24:T1

24:T2

24:T3

24:T4

25:T1

25:T2

2023:T1

23:T2

23:T3

23:T4

24:T1

24:T2

24:T3

24:T4

25:T1

25:T2
Os mercados de trabalho mantiveram a solidez… …enquanto a expansão do crédito privado se moderou.
3. Taxa de desemprego 4. Crescimento do PIB real3
(Porcentagem) (Variação percentual em 12 meses)

20 Percentil 10 a 90 (2000–19) 8
Média (2000–19) Crescimento real do crédito
16 Dados mais recentes 6

4
12
2
8
0
4 Crédito corporativo
Crédito ao consumidor/das famílias −2
Crédito hipotecário
0 −4
ARG BRA CHL COL MEX PRY PER URY Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan.
2019 20 21 22 23 24 25

Fontes: CPB Netherlands Bureau for Economic Policy Analysis; Haver Analytics; FMI, base de dados World Economic Outlook; autoridades
nacionais; e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: Os agregados são médias ponderadas pelo PIB-PPC, salvo outra indicação. Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países
da Organização Internacional de Normalização (ISO). AL-7 = América Latina 7 (Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai);
AL-8 = América Latina 8 (AL-7 mais Argentina).
1
Dessazonalizadas. Os estoques incluem discrepâncias estatísticas.
2 O crescimento das exportações real é a média ponderada pelo PIB-PPC. O volume do comércio mundial corresponde ao fim do período.
3
Abrange Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

Contudo, a inflação no Brasil e no México acelerou no início de 2025 devido à demanda ainda forte e/ou ao
repasse residual da taxa de câmbio decorrente de desvalorizações anteriores (revertido parcialmente nos
primeiros meses do ano); já na Colômbia, a inflação teve ligeira alta após um declínio no primeiro semestre de
2025. A Argentina continuou a avançar no contexto do seu programa de estabilização. Após cair rapidamente
do seu pico em 2022, o núcleo da inflação dos bens e dos serviços essenciais subiu ligeiramente em 2025
(Figura 1.5, painel 2), refletindo hiatos do produto positivos, aumentos nos custos da mão de obra e/ou
expectativas de inflação acima da meta em alguns países. A pressão exercida pela inflação importada está
diminuindo gradualmente, refletindo em grande parte a dinâmica cambial — as desvalorizações cambiais em
2024 impulsionaram a inflação importada no final daquele ano, mas as pressões inflacionárias estão diminuindo
à medida que as moedas se fortalecem (Figura 1.5, painel 3).

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 5

Figura 1.5. Evolução da inflação


A inflação geral continua a recuar… …com o recente aumento do núcleo …sendo compensado pela queda da
da inflação… inflação dos preços de importação.
1. Inflação geral dos preços ao consumidor 2. AL-7: Inflação dos bens e serviços 3. AL-7: Inflação importada2
(Desvio em relação à meta de inflação; básicos1 (Variação percentual em 12 meses)
pontos percentuais) (Variação percentual em 12 meses) Taxa de câmbio
BRA CHL Índice de preços de
Bens Serviços importação (USD)
16 COL MEX 12 50
PRY PER Índice de preços de
importação (ML) 40
URY AL-7 10
12 IPP interno
30
8
8 20
6
4 10
4
0
0
2 ―10

―4 0 ―20
Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan. Jan.
2020 21 22 23 24 25 2018 19 20 21 22 23 24 25 2020 21 22 23 24 25
Fontes: Haver Analytics; FMI, base de dados World Economic Outlook; autoridades nacionais; e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: Os agregados são médias ponderadas pelo PIB-PPC. Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países da Organização
Internacional de Normalização (ISO). AL-7 = América Latina 7 (Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai); IPP = índice de preços
ao produtor; ML = moeda local.
1 Os produtos básicos excluem rubricas de alimentação, transporte e moradia. Os serviços básicos excluem rubricas de transporte e moradia.
2 AL-7 exclui o Chile e o Paraguai devido a limitações de dados.

1.3. Políticas
Os esforços de consolidação fiscal não estão alterando a trajetória da dívida
A previsão é que a maioria dos países fortaleça suas posições fiscais em 2025, mas os índices da dívida pública
continuam a subir e atingiram ou ultrapassaram os picos da pandemia em alguns casos (Figura 1.6, painéis 1 e
2; Tabela 1.2 do apêndice). Isso gera uma preocupação especial, pois o diferencial entre as taxas de juros e o
crescimento na região é desfavorável, sobretudo porque os custos de financiamento aumentam com a dívida.3
As melhorias no saldo primário refletem uma combinação de elevação da receita, também devido a melhorias
na administração tributária (Paraguai) e contenção de gastos. Alguns países estão planejando ajustes fiscais
ambiciosos, embora continuem enfrentando desafios para identificar e promulgar medidas de médio prazo
(Brasil, México). Outros países estão buscando reduções mais graduais do déficit e enfrentam incertezas acerca
do desempenho das receitas e/ou da aprovação das medidas necessárias pelo legislativo (Chile, Peru). Supondo
que os custos de financiamento mantenham as tendências de longo prazo, os saldos primários necessários para
estabilizar a dívida do AL-7 nos níveis (elevados) atuais são, em média, cerca de 1,50 ponto percentual do PIB
superiores aos resultados de 2024 (Figura 1.6, painel 3).

A desinflação exigiu continuar a calibrar a política monetária


A política monetária na ALC respondeu devidamente à evolução da inflação em toda a região, mantendo os
preços contidos em meio a atrasos na consolidação fiscal. Os bancos centrais continuaram a se orientar por
dados à medida que a incerteza global crescia. O México continuou no ciclo de flexibilização iniciado no começo
de 2024, enquanto outros países o retomaram após uma pausa e/ou mudança de rumo no início de 2025 (Chile,
Colômbia, Peru, Uruguai). O Brasil mudou para uma postura de aperto no início de 2025 e o Paraguai manteve-se
em compasso de espera. Em alguns países (Brasil, Colômbia, México), a postura monetária continua restritiva
(Figura 1.6, painel 4). As medidas oportunas de política monetária também ajudaram a manter as expectativas de
inflação próximas das metas (Figura 1.6, painel 5). Contudo, na atual conjuntura de maior incerteza, é justificado
manter uma abordagem cautelosa na política monetária, pois as expectativas de inflação estão estáveis, mas
permanecem acima da meta, e as expectativas quanto à trajetória da taxa básica de juros no curto prazo e à taxa
terminal aumentaram de modo geral em comparação com o ano passado (Figura 1.6, painel 6).

3
Uma análise detalhada da dinâmica da dívida na ALC desde 2003 e dos fatores determinantes, como o aumento dos custos de
financiamento em moeda local e estrangeira em FMI 2024a.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


6 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Figura 1.6. Principais indicadores fiscais e medidas recentes de política monetária

Os saldos primários devem melhorar na maioria dos países …mas a dívida pública continua em alta e deve atingir
do AL-8… picos vistos na pandemia.
1. Saldo primário do governo geral 2. Dívida bruta do governo geral1
(Porcentagem do PIB) (Porcentagem do PIB)
2,4 ARG BRA CHL COL MEX PRY 160
1,8 PER URY AL-7
MEX ARG 100
1,2
PRY 80
0,6
AL-8 (ponderado)
0
2025

AL-8 (simples) 60
−0,6 PER BRA
URY
−1,2 AL-8 40
CHL (mediano)
−1,8
20
−2,4 COL
−3,0 0
-3,0 −2,4 −1,8 −1,2 −0,6 0 0,6 1,2 1,8 2,4 2014 16 18 20 22 24 26 28 30
2024

Saldos primários mais altos são necessários para estabilizar A política monetária tem sido, em geral, oportuna e bem
a dívida. calibrada…
3. AL-7: Saldo primário estabilizador da dívida, 4. Taxas básicas de juros
dívida pública bruta e taxa de juro nominal2 (Taxas nominais; porcentagem)
2,4 Dívida = 56 Brasil Chile 16
Saldo primário estabilizador

2,0 Colômbia México


(porcentagem do PIB)

1,6 Paraguai Peru


12
1,2 Uruguai Estados
da dívida

0,8 Unidos
0,4 8
0
−0,4
Saldo primário (2024) 4
−0,8
−1,2
−1,6 0
4 5 6 7 8 9 10
Jan. 2019

Set. 19

Maio 20

Jan. 21

Set. 21

Maio 22

Jan. 23

Set. 23

Maio 24

Jan. 25

Set. 25
Taxa de juros nominal
(percentagem)

…contendo as expectativas de inflação. A previsão é que as taxas terminais sejam mais altas.
5. AL-7: Distribuição das expectativas de inflação de 6. Expectativas para as taxas básicas de juros3
dois anos à frente pelos analistas3,4 (Porcentagem)
(Pontos percentuais; desvio em relação à meta) Final de out. de 2024
Final de abr. de 2025 9
Julho 2025 Final de set. de 2025
Abr. 25 8
Jan. 25
Dez. 24 7
Julho 24 AL-7 (média simples)
Dez. 23
Julho 23 6
Dez. 22
Julho 22 5
Dez. 21
Julho 21
Dez. 20 Estados Unidos 4
Julho 20
Dez. 19 3
Julho 19
2024:T4

25:T1

25:T2

25:T3

25:T4

26:T1

26:T2

26:T3

26:T4

Dez. 18
Julho 18

−2 −1 0 1 2 3
Fontes: Bloomberg Finance L.P.; Consensus Economics; Haver Analytics; FMI, base de dados World Economic Outlook; e cálculos do corpo
técnico do FMI.
Nota: Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países da Organização Internacional de Normalização (ISO). AL-7 = América Latina 7
(Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai); AL-8 = América Latina 8 (AL-7 mais Argentina).
1 AL-7 é a média simples. No caso da dívida bruta, a quebra no eixo y se aplica apenas à Argentina.
2 Os pontos azuis são calculados aumentando ou diminuindo a taxa nominal média da dívida em moeda local e estrangeira em 100 pontos-base,
mantendo-se o crescimento e a relação dívida/PIB fixos.
3 AL-7 exclui o Paraguai e o Uruguai devido a limitações de dados.
4 Gráfico de densidade do desvio da previsão da inflação de dois anos à frente (de dezembro a dezembro) em relação às metas de inflação por
conjunto de dados da Consensus Forecasts.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 7

1.4. Perspectivas e riscos


Moderação do crescimento em meio à convergência gradual da inflação
O crescimento na ALC está projetado em 2,4% em 2025, recuando para 2,3% em 2026 (Tabela 1.1 do apêndice;
Quadros 1.2 a 1.4). A previsão é que o crescimento em 2025 seja puxado por uma retomada nas economias que
estão adotando políticas de aperto e/ou que passaram por choques em 2024 (Argentina, Equador, Jamaica). Por
outro lado, o crescimento no AL-7 deve desacelerar,
principalmente por causa do Brasil e do México.
Quanto a 2026, a ligeira moderação projetada Figura 1.7. Hiato do produto e hiato da inflação,
decorre, sobretudo, de uma desaceleração 2024–26
na maioria dos países do AL-7 e na Argentina, O produto deve se aproximar um pouco mais do potencial em
alguns países à medida que os hiatos da inflação diminuem.
parcialmente compensada por uma recuperação
2,5
no México, além do Equador, República Dominicana

Hiato da inflação (em pontos percentuais)


COL
e vários países do Caribe. A desaceleração global 2,0
está contribuindo para essa perspectiva, mas BRA
CHL
fatores específicos de cada país são importantes, 1,5
URY MEX
pois os países da região continuam se aproximando 1,0
do potencial a partir de diferentes posições no ciclo
econômico (Figura 1.7): 0,5 PRY

ƒ Os hiatos positivos do produto devem diminuir 0


PER
no Brasil e no México e permanecer de
−0,5
modo geral equilibrados no Chile. No Brasil,
projeta-se uma moderação do crescimento em −1,0
−1,5 −1,0 −0,5 0 0,5 1,0 1,5
2025 e 2026 em meio a políticas mais restritivas
Hiato do produto
e ao impacto das tarifas, embora o forte (em porcentagem do PIB potencial)
crescimento da agricultura no início deste ano
Fontes: Haver Analytics; FMI, base de dados World Economic Outlook;
ajude a moderar a desaceleração. No Chile, o autoridades nacionais; e cálculos do corpo técnico do FMI.
crescimento também deve moderar-se neste Nota: O hiato da inflação é o desvio da inflação de fim de período em
relação à meta de inflação. Os rótulos dos dados na figura usam os
ano e no próximo; a demanda interna deve
códigos de países da Organização Internacional de Normalização (ISO).
ser o principal motor da atividade econômica,
enquanto a contribuição das exportações
líquidas diminuirá com o aumento das importações e a moderação do crescimento das exportações da
mineração. O México deve desacelerar em 2025 devido à consolidação fiscal em curso, à política monetária
ainda restritiva e aos ventos contrários da incerteza relacionada às tarifas — em vista da profunda integração
com os Estados Unidos —, apesar da recente resiliência das exportações. A atividade deve se recuperar em
2026, apoiada, em parte, por políticas macroeconômicas menos restritivas.
ƒ Após uma forte retomada em 2024, o crescimento no Peru e no Uruguai deve moderar-se neste ano e no
próximo, apesar da demanda interna mais forte do que a prevista (Peru) e do turismo e agricultura fortes
(Uruguai) no início de 2025. Já no Paraguai, a previsão é que o ritmo de crescimento continue em 2025 e se
modere em 2026.
ƒ Em meio ao forte consumo privado e a certa flexibilização fiscal, o crescimento na Colômbia deve acelerar
neste ano, mas se moderar um pouco em 2026. Na Argentina, as projeções mostram a demanda interna
sustentando o crescimento em 2025, apesar das políticas macroeconômicas restritivas; o crescimento deve
moderar em 2026.
ƒ O crescimento na ACPRD (Quadro 1.2) deve desacelerar em 2025, para então se recuperar em 2026, em
especial na República Dominicana — um reflexo da exposição da região ao comércio com os Estados Unidos.
ƒ As economias do Caribe (excluindo a Guiana e o Haiti) devem crescer 1,9% em 2025 e 2026, na esteira da forte
recuperação após a pandemia (Quadro 1.3).
A inflação na ALC (excluindo a Argentina e a Venezuela) em 2025 deve permanecer de modo geral estável,
em 4,3%, retomando sua tendência de queda para atingir 3,5% em 2026. Projeta-se que alguns países fiquem
dentro do intervalo da meta (Paraguai, Peru e Uruguai), enquanto outros permaneçam acima do limite

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


8 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

superior, convergindo gradualmente para a meta (Brasil,


Figura 1.8. Riscos para o crescimento e a inflação
(Porcentagem do número total de países da ALC) Chile, Colômbia, México). Espera-se que a Argentina
Riscos para o crescimento pendem para o lado negativo,
continue avançando no controle da inflação no contexto
riscos equilibrados para a inflação. de seu programa de estabilização, apesar da recente
100 Pendem para o lado positivo 60
desvalorização do peso. No ACPRD, a inflação deve subir
Pendem para o lado negativo para 2,2% em 2025 e 3,3% no próximo ano, refletindo
Equilibrados
80 50 uma retomada nos países dolarizados com índices muito
baixos em 2024 (El Salvador e Panamá) e Costa Rica, onde
40
60 a inflação tem estado abaixo da meta desde o início de
30 2023 (Quadro 1.2). No caso do Caribe, fatores externos,
40 como a alta dos custos do transporte e das importações,
20 devem elevar moderadamente a inflação em 2025, antes
20 de ela cair para 6,1% ao fim de 2026 (Quadro 1.3).
10

0 As perspectivas de crescimento de médio prazo para a


0
ALC continuam sem brilho, com o produto crescendo
Crescimento

Inflação

AL-8

ACPRD

CARIBE

AL-8

ACPRD

CARIBE

cerca de 2,5% ao ano, perto de sua baixa média histórica


e inferior ao de seus pares. Essas perspectivas apagadas
ALC Crescimento Inflação
se devem, em parte, à desaceleração do crescimento da
Fonte: Cálculos do corpo técnico do FMI. força de trabalho, pois o crescimento populacional vem
Nota: ACPRD = América Central, Panamá e República perdendo força e a participação no mercado de trabalho
Dominicana; ALC = América Latina e Caribe; AL-8 = se estabilizou (FMI 2024c). A acumulação de capital deve
América Latina 8 (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia,
México, Paraguai, Peru e Uruguai). permanecer em níveis historicamente baixos, refletindo
também o baixo investimento público. O crescimento da
produtividade total dos fatores, embora tenha melhorado ligeiramente, deve permanecer estagnado e baixo
em relação ao de países comparáveis, em meio à persistente má alocação de recursos (Capítulo 2).

Riscos para o crescimento pendem para o lado negativo, riscos para a inflação
estão equilibrados
Os riscos para o crescimento continuam a pender para o lado negativo (Figura 1.8). No nível global, o crescimento
mais lento do que o previsto nas principais economias, o aumento da incerteza sobre a política econômica global,
as condições financeiras mais restritivas e as barreiras comerciais e custos de transporte mais altos podem pesar
sobre o crescimento. No plano interno, políticas macroeconômicas mais restritivas do que o esperado e desastres
naturais mais frequentes ou intensos representam riscos de deterioração da conjuntura para vários países. O
possível desvio dos fluxos comerciais, o progresso mais forte em reformas de longa data e os preços mais elevados
das commodities indicam que os riscos para o crescimento pendem para o lado positivo em alguns países.
Já os riscos para a inflação estão mais equilibrados. A inflação persistente dos serviços, os custos de mão de obra
mais elevados e os atrasos na consolidação fiscal poderiam ocasionar um aumento da inflação, enquanto um choque
negativo mais forte na demanda devido às políticas comerciais e à elevada incerteza poderiam pressionar para
baixo os preços. A movimentação das taxas de câmbio e as flutuações dos preços das commodities representam
riscos em ambas as direções.

1.5. Recomendações de política econômica


A consolidação fiscal é crucial e não pode ser adiada novamente
A conjuntura externa incerta, os altos custos de financiamento e um diferencial desfavorável entre as taxas de juros
e o crescimento na região exigem uma consolidação fiscal para reduzir os níveis de endividamento. Apesar da
retirada oportuna do apoio da política econômica implementado durante a pandemia, continua a ser necessário
um reequilíbrio da combinação de políticas, pois a política fiscal tem sido expansionista em um contexto de política
monetária restritiva desde 2022 (Figura 1.9, painel 1). Os saldos primários estruturais para 2025 e 2026 devem ser
inferiores ao previsto em outubro de 2024 (Figura 1.9, painel 2), apontando para atrasos na consolidação fiscal.
Além disso, será necessário envidar mais esforços para posicionar a dívida numa trajetória descendente, e as

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 9

Figura 1.9. Consolidação fiscal

A política fiscal tem sido expansionista em meio a uma …com a consolidação adiada mais uma vez.
política monetária restritiva…
1. AL-7: Políticas monetária e fiscal 2. AL-7: Saldo primário estrutural do governo geral
(Porcentagem do PIB potencial)
6 PF exp. PF con.
Diferencial da taxa básica

PM con. PM con.
(pontos percentuais)

0,5
de juros real ex ante

4 2022
2023
0
2
2024 −0,5
0 −1,0
2021
−1,5
−2 2020
PF exp. PF con.
PM exp. WEO, outubro 2025 −2,0
PM exp.
−4 WEO, outubro 2024 −2,5
−4 −2 0 2 4 WEO, outubro 2023
−3,0
Variação no saldo primário estrutural
(pontos percentuais do PIB potencial) −3,5
2021 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Fontes: Calderon, Dhungana e Wales (no prelo); Consensus Economics; Haver Analytics; FMI, base de dados World Economic Outlook; e cálculos
do corpo técnico do FMI.
Nota: AL-7 é a média simples. O saldo primário estrutural no caso do Chile se refere ao saldo primário estrutural do governo central, excluída a
mineração; no caso da Colômbia, ao saldo primário estrutural do setor público consolidado, excluído o petróleo; no caso do Peru, ao saldo
primário estrutural do setor público não financeiro. AL-7 = América Latina 7 (Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai);
con. = contracionista; exp. = expansionista; PF = política fiscal; PM = política monetária.

metas fiscais devem ser respaldadas por ações concretas, pois dependem de medidas que ainda precisam ser
identificadas em alguns países. A consolidação fiscal é crucial para reconstruir as reservas e também ajudaria na
convergência da inflação para as metas, por exemplo, com o seu impacto sobre a inflação e as expectativas de
inflação (Capítulo 3). Atacar as ineficiências dos gastos e implementar uma mobilização de receitas favorável ao
crescimento devem ajudar a proteger os investimentos e os gastos sociais (FMI 2021). Ancorar a política fiscal em
quadros plurianuais confiáveis, sustentados por regras claras, é fundamental para reduzir a dívida e os custos de
financiamento, apoiando o crescimento ao longo do tempo por meio da melhoria do clima de investimento.

A política monetária deve continuar a ser orientada por quadros de política sólidos
A conjuntura global complexa exige uma abordagem cautelosa e baseada em dados para a política monetária,
a fim de trazer a inflação de volta às metas e evitar pressões indevidas sobre a atividade econômica. Nesse
contexto, as autoridades monetárias devem se manter atentas à evolução do comércio mundial e às condições
financeiras, às expectativas de inflação e às posturas da política fiscal. Também devem buscar preservar os
sólidos quadros de política monetária estabelecidos nas últimas décadas, sustentados por reformas que
reforçaram a independência dos bancos centrais. Essas reformas foram úteis para a região na tarefa de reduzir
a inflação e ancorar melhor as expectativas, sobretudo em contextos de dívida pública baixa (Figura 1.10). Mais
medidas para continuar fortalecendo a autonomia, a capitalização e a governança dos bancos centrais serão
fundamentais para manter a estabilidade de preços e gerir choques externos (Capítulo 3). Sempre que possível,
convém deixar que as taxas de câmbio absorvam os choques e, quando necessário, o Quadro Integrado de
Políticas do FMI pode orientar as intervenções no mercado de câmbio para lidar com os riscos para a estabilidade
financeira decorrentes de condições de mercado desordenadas.

Enfrentar os desafios estruturais


Levar a frente as reformas estruturais será crucial para enfrentar desafios de longa data e elevar o potencial de
crescimento e o padrão de vida na América Latina e no Caribe. Essas reformas são cruciais para lidar com as
transformações na conjuntura global e fomentar o investimento em meio à crescente incerteza, pois as políticas
macroeconômicas de curto prazo por si só não permitem atingir esses objetivos. O crescimento apagado da
produtividade associado à persistente má alocação de recursos está entre as restrições mais limitantes da
região (Figura 1.11, painel 1), juntamente com o lento crescimento da produtividade das empresas (Capítulo
2). Várias fricções, como as políticas baseadas no tamanho, as restrições financeiras e a concorrência limitada,

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


10 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Figura 1.10. Independência do banco central e política monetária


A independência do banco central ajudou a reduzir a …com a política monetária altamente eficaz nas economias
inflação… com baixo endividamento.
1. Resposta da inflação às variações na IBC1 2. Resposta a um choque de aperto da política monetária de
(Variação acumulada de 100 x log IPC) 100 pontos-base em um horizonte de 18 meses2
(Porcentagem)
100
1 12
Resposta, log IPC x 100

0 9
0
−1 6
−2 3
−100 −3 0
−4 −3
−200 EMDEs −5 −6
ALC

Inflação

de infl.

Taxa de
câmbio

Inflação

de infl.

Taxa de
câmbio
Rend. LP

Rend. LP
Exp.

Exp.
−300
0 2 4 6 8 10
Horizonte (anos futuros) Endividamento baixo Endividamento elevado
Fontes: Romelli (2024); e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: ALC = América Latina e Caribe; EMEDs = economias de mercados emergentes e em desenvolvimento; IBC = independência do banco
central; IPC = índice de preços ao consumidor; Exp. de infl. = expectativa de inflação; LP = longo prazo.
1 Projeção local da variação acumulada de 100 vezes o log do IPC no país i entre o ano t+h e o ano t sobre o índice IBC, em um horizonte de 10
anos. As variáveis de controle são uma defasagem do hiato do produto, a inflação do IPC transformada, o regime cambial, a dívida bruta do
governo geral, um indicador das regras fiscais e a inflação nos EUA. A linha sólida é a estimativa pontual; as áreas sombreadas em cor escura e
clara são os intervalos de confiança de 90% e 95%, respectivamente.
2 Variação no nível de cada uma das variáveis em um horizonte de 18 meses a partir de uma projeção local em choques de política monetária de Checo,
Grigoli, e Sandri (2024). A especificação das projeções locais é calculada da seguinte forma: Υc,t+h − Υc,t = αch + δth + βΙhΙt + γhΙ Interaçãoit × Ιt + uit.
A interação é um indicador para cada país de que a dívida é superior ao percentil 80. Os gráficos representam a resposta a um choque de 100
pontos-base. Painel à esq.: βhΙ . Painel à dir.: βhΙ + γΙh. Inflação, expectativas de inflação e rendimentos de longo prazo denotam a variação no nível
da variável (medido em porcentagem). As taxas de câmbio são medidas em logs e um aumento denota depreciação. Frequência mensal.
Amostra: África do Sul, Brasil, Chile, Colômbia, Egito, Filipinas, Hungria, Índia, Indonésia, Malásia, México, Nigéria, Peru, Polônia, Romênia,
Rússia, Tailândia, Türkiye.

Figura 1.11. Produtividade total dos fatores e integração comercial


O baixo crescimento da produtividade reflete, em parte, Há oportunidades para ampliar o comércio na região.
a má alocação de recursos.
1. Perdas da PTF decorrentes da má alocação de recursos1 2. ALC: Integração comercial em relação aos pares após
(Pontos percentuais) levar em conta as características dos países2
(Porcentagem)
0 0

−10
−10
+
−20
−20 ** **
−30
−30
*** −40
***
−40 −50
2005–09 2010–14 2015–21
***
−50 −60
América Latina Economias Ásia Europa Bens Serviços Bens Serviços Bens Serviços Bens
avançadas emergente emergente ALC ALC (excl. MEX) Intra−ALC Intra+ISX

Fontes: Moody’s, Orbis; World Bank Enterprise Survey (WBES); e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: ALC = América Latina e Caribe; ISX = índice de similaridade das exportações; MEX = México; PTF = produtividade total dos fatores.
1
As estimativas para toda a economia vão de 2005 a 2021. As observações são reponderadas de modo a corresponder à distribuição de
tamanho na World Bank Enterprise Survey. As economias avançadas são Alemanha, Espanha, Estônia e França. As economias de mercados
emergentes da Ásia são Malásia, Tailândia e Vietnã. As economias de mercados emergentes da Europa são Eslovênia, Letônia, Lituânia, Polônia,
República Eslovaca e Romênia. América Latina abrange Brasil, Colômbia e México.
2
Diferença percentual nos fluxos comerciais de cada região em relação aos fluxos comerciais fora da ALC, condicionada pela população, PIB,
distância, fronteira, idioma comum e ausência de saída. O índice de similaridade das exportações é o índice de Spearman para o comércio de
bens no nível dos produtos. *p < 10%, **p < 5%, ***p < 1%, +p < 20%.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 11

provavelmente estão por trás do fraco dinamismo das empresas e da prevalência de empresas pequenas e
ineficientes na região. Para elevar a produtividade, é preciso eliminar as barreiras à realocação de fatores e as
fricções financeiras que impedem a expansão das empresas. Eliminar distorções na política econômica, como
subsídios e o tratamento tributário diferenciado, também poderia fortalecer os incentivos para o crescimento
das empresas.
A baixa integração comercial, mesmo dentro da Figura 1.12. Incerteza e efeitos no PIB real por
região, também está restringindo o crescimento vulnerabilidades internas, dois anos após o choque
na ALC (FMI 2023b). As recentes mudanças no Os efeitos da incerteza são mais contidos com instituições
cenário do comércio internacional ressaltam mais fortes e dívida menor.
a necessidade de a região aproveitar as
oportunidades para aprofundar a integração
Volatilidade
global e promover a diversificação comercial. da inflação
Salvo poucas exceções, as exportações regionais
dependem fortemente de produtos relacionados
a commodities, e a maioria dos países não está Dívida
integrada às cadeias globais de valor (quadro 1.1).
O baixo nível de integração é particularmente
marcante quando se analisa o comércio
intrarregional: ele é entre 40% e 50% menor do Controle
da corrupção Elevado
que em regiões com características econômicas Baixo
e geográficas semelhantes (Figura 1.11, painel
−3 −2 −1 0 1
2). Isso se explica, em parte, pelas deficiências
Fonte: Cálculos do corpo técnico do FMI.
na infraestrutura de transportes e alfândegas e, Nota: As estimativas são derivadas das respostas de impulso do
em alguns casos, pela governança fraca e pelas crescimento real do PIB a um aumento de um desvio-padrão no
limitações de capacidade. Assim, os possíveis Índice de Incerteza Mundial usando projeções locais. Detalhes sobre
a estimação podem ser consultados no Anexo online 1.
ganhos com a melhoria da infraestrutura na
região são consideráveis. Simplificar os quadros
regulatórios e celebrar acordos comerciais
poderiam ajudar a impulsionar a integração, o
investimento e o crescimento.
Uma governança mais forte, uma inflação menos volátil e uma dívida menor são essenciais para promover
o crescimento, por exemplo, ao atenuar o impacto negativo da incerteza (Figura 1.12). Nos últimos anos, as
melhorias nos quadros de políticas vêm sendo cruciais para a capacidade dos mercados emergentes de
suportar choques decorrentes da aversão ao risco (FMI 2025a). Além disso, melhorar a segurança e reduzir a
criminalidade na região, o que passa pelo combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo,
ajudaria ainda mais a impulsionar o investimento, a produtividade e o crescimento de longo prazo (FMI 2023c,
2025b).

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


12 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.1. Repercussões e canais de transmissão das mudanças na política econômica


O impacto dos recentes choques na política econômica dependerá das características e vulnerabilidades
específicas de cada país. A estrutura do comércio, a dependência das commodities, o grau de dependência
dos mercados de capitais globais e a importância das remessas como fonte de renda externa podem
contribuir para a propagação dos choques. Essas características também podem amplificar os efeitos
negativos da maior incerteza em torno das políticas, o que, por sua vez, poderia pressionar o crescimento
global, perturbar os mercados de commodities e afetar as condições de financiamento para a região.
A estrutura heterogênea do comércio da região em termos de destinos das exportações e da participação nas
cadeias globais de valor sugere que as recentes mudanças na política comercial podem ter um efeito maior
tanto na América Central, Panamá e República Dominicana (ACPRD) como no México, onde a participação
das exportações para os Estados Unidos é maior do que no resto da região (Figura 1.1.1 do Quadro, painel
1). Quanto à participação nas cadeias globais de valor, as exportações da América Latina e do Caribe
(ALC) são menos empregadas como insumos nas exportações de outros países (participação a jusante) em
relação aos seus pares, ao passo que o México emprega mais insumos importados nas suas exportações
(participação a montante) (Figura 1.1.1 do Quadro, painel 2).1 A ALC também se caracteriza pela dependência
das commodities (Figura 1.1.1 do Quadro, painel 3). As economias que dependem de commodities primárias
podem ser particularmente afetadas pela queda das receitas de exportação e por mudanças maiores nos
termos de troca das commodities (Gruss 2014).2 Uma desaceleração nos principais parceiros comerciais (FMI
2025c) também poderia afetar o crescimento regional por meio de uma queda na demanda por exportações
e, em alguns países, por meio da redução do turismo e dos fluxos de remessas (FMI 2019a).3
O aumento da incerteza acerca das políticas também pode afetar a atividade econômica por intermédio
de vários canais interligados. Ele pode impactar o crescimento ao distorcer as decisões de consumo e
investimento, sobretudo na presença de vulnerabilidades internas (Carrière-Swallow e Céspedes 2013;
Bloom 2014; FMI 2025d). No caso da ALC, o impacto imediato estimado da incerteza sobre o crescimento
é limitado (Anexo online 1), mas se torna cada vez mais negativo ao longo do tempo (Figura 1.1.1 do
Quadro, painel 4). Cumpre notar que isso se mantém a despeito de a incerteza decorrer de choques
globais, regionais ou internos.4 O aumento das tensões e da incerteza também pode desencadear uma
reavaliação do risco e do valor dos ativos, levando a maior volatilidade dos preços e dos prêmios de
risco (FMI 2024d, 2025e). Esses desdobramentos podem restringir as condições financeiras, elevando os
custos de financiamento (Figura 1.1.1 do Quadro, painel 5).
No cômputo geral, e apesar das diferenças entre os países, o impacto das transformações nas políticas
e do consequente aumento da incerteza sobre o crescimento da ALC provavelmente seria negativo. Isso
poderia ser atenuado por uma reconfiguração dos padrões comerciais mediante o redirecionamento das
exportações para onde houver potencial de intercâmbio comercial (Figura 1.1.1 do Quadro, painel 6). A
complexa interação entre choques e canais de propagação torna o impacto sobre a inflação na região
menos claro, mas é provável que ele seja deflacionário. A desaceleração do crescimento global — um choque
negativo na demanda — e a desvalorização do dólar americano devem aliviar as pressões sobre a inflação.
Contudo, no caso dos países mais integrados com os Estados Unidos, os desdobramentos atuais podem
perturbar as cadeias de suprimentos (um choque negativo na oferta), pressionando a inflação. O efeito total
dependeria do espaço da política monetária para responder a choques, com destaque para os decorrentes
dos regimes cambiais, dos hiatos do produto e da inflação, da ancoragem das expectativas inflacionárias e
do nível e composição da dívida, em termos tanto denominação da moeda como da estrutura de prazos.

A autora deste quadro é Camila Casas.


1
No geral, a participação da região nas cadeias globais de valor é consideravelmente menor do que em outros mercados
emergentes (FMI 2023b).
2
O impacto agregado da variação dos preços das commodities e da variação dos termos de troca pode mascarar as diferenças
específicas de cada país (Gruss 2014). De modo geral, a teoria do comércio sugere que os preços dos bens com alta (baixa)
elasticidade da demanda (oferta) e uma grande participação na demanda por países que impõem tarifas seriam os que melhor
se ajustariam nos mercados internacionais.
3
Esse impacto dependerá da correlação com o crescimento do PIB dos Estados Unidos e/ou da China (Ahuja e Nabar 2012;
Duval et al. 2014; Dizioli et al. 2016; Kose et al. 2017).
4
O Anexo online 1 mostra a decomposição estatística do Índice de Incerteza Mundial (WUI), bem como as respostas de impulso
do crescimento a um choque em cada componente do WUI.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 13

Quadro 1.1. (continuação)

Figura 1.1.1 do Quadro. Comércio e efeito da incerteza sobre a atividade econômica e as


condições financeiras da ALC
1. Exportações de bens por destino 2. Participação nas CGVs a montante e a jusante1
(Média 2018–24 excluindo 2020; porcentagem) (Média 2015–18; percentagem das exportações brutas)
30
A montante A jusante
Estados Unidos Ásia avançada Europa avançada 25
EMDEs Ásia EMDEs Europa ALC
China Resto do mundo 20
ARG
BOL 15
BRA
CHL
COL 10
ECU
MEX 5
PRY
PER
URY 0
ACPRD EMDEs EMDEs ALC América MEX ACPRD Caribe
0 20 40 60 80 100 Ásia Europa do Sul

3. Exportações de commodities2 4. Resposta do crescimento do PIB real a um aumento


(Média 2018–24; porcentagem) de um desvio-padrão na incerteza
Exp. de commodities/total de exp. de bens (Porcentagem)
100 Exp. de commodities/PIB (escala à direita) 25 0,3
80 20 0
−0,3
60 15 Intervalo de −0,6
40 10 confiança de 90% −0,9
20 5 Estimativa pontual −1,2
0 0 −1,5
0 1 2 3 4
MEX
SLV
DOM
CRI
NIC
GTM
CHL
ARG
HND
PER
BRA
BOL
COL
URY
PRY
PAN
ECU

Ano

5. Resposta do spread soberano a um aumento 6. Importações dos Estados Unidos e da China por origem:
de um desvio-padrão na incerteza4 Principais produtos de exportação do AL-8, 2022–243
(Porcentagem) (Porcentagem das importações de bens)
2,0 ARG BRA CHL COL MEX PER
1,5 PRY URY USA CHN ROW
100
1,0 80
60
0,5
40
0 20
0
−0,5
Carne congelada
Café
Soja
Minério de ferro
Minério de cobre
Petróleo bruto
Carbonatos
Cobre refinado
Veículos pessoais
Veículos de transp. de carga
Peças para veículos
Carne congelada
Café
Soja
Minério de ferro
Minério de cobre
Petróleo bruto
Carbonatos
Cobre refinado
Veículos pessoais
Veículos de transp. de carga
Peças para veículos

−1,0 Intervalo de confiança


de 90%
−1,5 Estimativa pontual
−2,0
0 1 2 3 4
Ano CHN USA

Fontes: Base de dados EORA Global Supply Chain; FMI, base de dados Direction of Trade Statistics; FMI, base de dados World Economic Outlook;
Trade Data Monitor; ONU, Comtrade (SITC Rev.4); Banco Mundial, base de dados World Integrated Trade Solution; e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países da Organização Internacional de Normalização (ISO). ACPRD = América Central,
Panamá e República Dominicana; ALC = América Latina e Caribe; AL-8 = América Latina 8 (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e
Uruguai); CGVs = cadeias globais de valor; EMEDs = economias de mercados emergentes e em desenvolvimento; RDM = resto do mundo; transp. =
transportes.
1 Participação a jusante se refere à exportação de insumos empregados nas exportações do país importador. A participação a montante, ao uso de
insumos importados nas exportações.
2 As exportações de commodities abarcam os códigos 0–4 da Classificação Uniforme para o Comércio Internacional (CUCI), Revisão 4, para
commodities tradicionais (não manufaturadas).
3 Os agregados dos países são calculados como o total das importações nominais em dólares americanos no nível de 4 dígitos do SH. Os principais
produtos de exportação selecionados do AL-8 são itens de 4 dígitos do SH que representam mais de 10% das exportações para os Estados Unidos ou a
China. Os carbonatos abrangem os percarbonatos.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


14 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.2. ACPRD e a evolução das políticas migratórias e comerciais


No grupo América Central, Panamá e República
Figura 1.2.1 do Quadro. ACPRD: Dominicana (ACPRD), o crescimento do PIB real
Crescimento do PIB real caiu em 2024, para 3,6%, e continuou a recuar no
(Variação percentual em 12 meses) primeiro semestre de 2025. A projeção é que o
crescimento desacelere ainda mais, para 3,4%,
6
em 2025–26 (Figura 1.2.1 do Quadro), refletindo
5 o crescimento mais fraco dos principais parceiros
comerciais e a elevada incerteza global que pesa
4
sobre as exportações e o investimento privado da
3 região. A resiliência do consumo continua a apoiar a
atividade interna. As remessas devem permanecer
2 robustas ao longo de 2025, sustentadas por
1 transferências preventivas, e começar a diminuir a
partir de 2026. A inflação deve ficar praticamente
0 inalterada frente a 2024, com uma desinflação mais
2011–21 22–23 24 25–26
acentuada prevista para a Nicarágua e um aumento
da inflação na Costa Rica rumo à meta de 3%, em
Fontes: FMI, base de dados World Economic Outlook; e relação a níveis muito baixos.
cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: O agregado é a média simples. O crescimento das remessas acelerou no
ACPRD = América Central, Panamá e República Dominicana. primeiro semestre de 2025, em consonância com
transferências preventivas temporárias, mas deve
recuar no futuro, em meio ao endurecimento da
política migratória dos Estados Unidos. A taxa de
Figura 1.2.2 do Quadro. ACPRD: crescimento das remessas para o ACPRD de janeiro
Crescimento das remessas a agosto de 2025 foi muito superior à de 2024
(Acumulado de janeiro a agosto; (Figura 1.2.2 do Quadro). Isso não foi causado pelo
variação percentual em 12 meses) mercado de trabalho dos EUA: o desemprego entre
os hispânicos nos Estados Unidos subiu, o que
30
2025 2024 deveria ter reduzido o crescimento das remessas.1
25
Os dados de El Salvador e da Nicarágua mostram
que essa subida refletiu, sobretudo, montantes
20 maiores por transferência. O aumento recente das
15
remessas deve se reverter, pois se prevê que o
endurecimento das políticas migratórias dos EUA
10 supere o aumento das transferências dos migrantes
5
remanescentes, levando a um declínio das
remessas (sobretudo como porcentagem do PIB)
0 a partir de 2026. No caso do ACPRD, os Estados
República El Guatemala Honduras Nicarágua
Dominicana Salvador Unidos encerraram o programa de liberdade
condicional para a Nicarágua e a condição de
proteção temporária para a Nicarágua e Honduras.
Fontes: Autoridades nacionais; e cálculos do corpo técnico
As estimativas do corpo técnico do FMI mostram
do FMI.
Nota: No caso da Nicarágua, os dados de maio foram um aumento das repatriações dos Estados Unidos
estimados pelo corpo técnico do FMI. para os países do ACPRD em 2025, em particular a
ACPRD = América Central, Panamá e República Dominicana.
partir de maio (Figura 1.2.3 do Quadro).

Os autores desta caixa são Juan Pablo Celis e Alexander Culiuc, com análise de pesquisa de Manuel Escobar e Alfredo Alvarado.
Bas Bakker, Alina Carare e Varapat Chensavasdijai contribuíram com alterações e sugestões úteis.
1
Uma melhoria nas condições econômicas do país anfitrião (medida pela taxa de desemprego dos hispânicos nos Estados
Unidos ou pelos salários reais nos Estados Unidos) está associada a um aumento das remessas e explica uma parte significativa
da dinâmica das remessas na região. Por exemplo, ver Babii et al. (2022).

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 15

Quadro 1.2. (continuação)


Figura 1.2.3 do Quadro. ACPRD: Evolução das remessas e das repatriações

O crescimento das remessas indica a transferência ...e os dados mais recentes sugerem que
de uma poupança preventiva em 2025, e não as repatriações estão em alta, embora
mudanças no mercado de trabalho dos EUA... ainda estejam abaixo do pico de 2022.

1. Remessas para o ACPRD e taxa de 2. Repatriações para o ACPRD2


desemprego nos EUA1 (Milhares de pessoas)
(Bilhões de US$, salvo outra indicação)
República Dominicana
7 Remessas para o ACPRD 21 El Salvador 40
Taxa de desemprego entre os Guatemala
6 18 Honduras
hispânicos nos EUA (porcentagem
da força de trabalho; escala à direita) Nicarágua 30
5 15
ACPRD
4 12 Estimativas
20
3 9

2 6 10
1 3

0 0 0
Jan. 2003

Jan. 05

Jan. 07

Jan. 09

Jan. 11

Jan. 13

Jan. 15

Jan. 17

Jan. 19

Jan. 21

Jan. 23

Jan. 25

Jan. 2022
Abr. 22
Jul. 22
Out. 22
Jan. 23
Abr. 23
Jul. 23
Out. 23
Jan. 24
Abr. 24
Jul. 24
Out. 24
Jan. 25
Abr. 25
Jul. 25
Fontes: Autoridades nacionais; Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA; Departamento de Segurança Interna dos
EUA; Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE); e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: Inclui a República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. ACPRD = América Central, Panamá e
República Dominicana.
1
Dessazonalizadas. Para a Nicarágua, os dados de maio são estimados pelo corpo técnico do FMI. Os dados de remessas de
junho a agosto de 2025 excluem a Nicarágua.
2
As repatriações abrangem retornos administrativos e coercitivos, remoções e expulsões ao abrigo do Título 42. Desde
dezembro de 2024, as repatriações são estimadas com base no número de pessoas postas sob custódia do ICE. A relação
entre repatriações e esses processos de custódia foi calculada até novembro de 2024 e projetada para permanecer constante.
Como os dados dessas custódias foram publicados até agosto de 2025, é possível estimar as repatriações em 2025.

A maior parte do ACPRD está sujeita a tarifas de importação dos EUA relativamente baixas, mas a
dependência da região em relação ao mercado americano, combinada com uma cesta de exportações que
se sobrepõe fortemente à do México, constitui um risco. Os Estados Unidos são o maior mercado para o
ACPRD: as exportações representam entre um terço e metade do total das exportações, respondendo por
4% a 21% do PIB (exceto no Panamá, onde as exportações de bens são uma pequena parcela do PIB).

Os riscos associados a essa dependência são atenuados parcialmente pelo fato de que os países do
ACPRD (exceto a Costa Rica e a Nicarágua)2 arcam com a tarifa básica de 10% no mercado dos Estados
Unidos, comparativamente mais baixa do que a aplicada a outros mercados emergentes. Contudo,
conforme mostrado na Figura 1.2.4 do Quadro, uma parcela significativa dos produtos que os países
do ACPRD exportam para os Estados Unidos também é exportada pelo México, e praticamente todos
esses produtos são cobertos pelo Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA). Atualmente,
o México não enfrenta tarifas sobre esses produtos no mercado dos Estados Unidos, o que deixa o
ACPRD em desvantagem competitiva.3

2
Em 7 de agosto de 2025, as tarifas anunciadas eram de 15% para a Costa Rica e 18% para a Nicarágua, de modo geral alinhadas
com a média mundial ponderada pelo comércio da Organização Mundial do Comércio, de cerca de 18%.
3
A direção do desvio do comércio, influenciada pelas diferentes tarifas impostas aos países no mercado dos Estados Unidos,
apresenta incertezas devido à rápida evolução do panorama das tarifas. Além disso, a análise não leva em conta possíveis vantagens
criadas pelas tarifas em relação a outras regiões ou países que poderiam resultar em um desvio do comércio para o ACPRD.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


16 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.2. (continuação)


Além disso, como os produtores do ACPRD não estão profundamente integrados nas cadeias de
suprimentos previstas no USMCA, os benefícios indiretos de uma possível expansão do comércio no
âmbito desse acordo seriam limitados.

Figura 1.2.4 do Quadro. Exportações de bens do ACPRD para os Estados Unidos e sua sobreposição com
as exportações de bens do México
1. ACPRD: Exportações para os Estados Unidos, 2023 2. ACPRD: Sobreposição com as exportações do México
(Porcentagem do PIB) para os Estados Unidos
(Porcentagem das exportações para os Estados Unidos)
25 Sem sobreposição com as exportações do México
para os Estados Unidos
Com sobreposição com as exportações do México,
20 cobertas pelo USMCA
100
15 80

10 60

40
5
20

0 0
NIC CRI SLV HND DOM GTM PAN CRI SLV GTM HND DOM NIC PAN

Fontes: FMI, base de dados Direction of Trade Statistics; ONU, Comtrade; e cálculos do corpo técnico do FMI.
Nota: Os rótulos dos dados na figura usam os códigos de países da Organização Internacional de Normalização (ISO). ACPRD = América Central,
Panamá e República Dominicana; USMCA = Acordo Estados Unidos–México–Canadá.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 17

Quadro 1.3. Caribe: Enfrentar as incertezas externas com resiliência fiscal


O crescimento do PIB real na região, excluindo a
Guiana e o Haiti, deve aumentar para 1,9% em Figura 1.3.1 do Quadro. Crescimento do PIB
2025, após um ligeiro recuo em 2024, na esteira real e inflação
da forte retomada após a pandemia (Figura (Porcentagem)
Exportadores de Sem paridade cambial
1.3.1 do Quadro).1 Em 2024, os ciclones tropicais commodities (escala à direita)
5 Com paridade cambial 14
(sobretudo o furacão Beryl) impactaram o (excluindo a Guiana)
Dependente do turismo (escala à direita)
crescimento em algumas economias dependentes 12
4
do turismo (como a Jamaica), e a atual crise de 10
segurança continuou a pesar sobre o Haiti. Nesse 3 8
meio tempo, o crescimento da Guiana, tanto
6
incluindo como excluindo o setor petrolífero, 2
permaneceu excepcionalmente forte. A previsão é 4
1
que, em 2025, os países dependentes do turismo 2
tenham um crescimento estável de modo geral, 0 0
apoiado pela ampliação da capacidade turística, 2023 24 25 2023 24 25
Crescimento do PIB real Inflação
pelo aumento da atividade de construção e
pela retomada após a desaceleração causada
Fontes: FMI, base de dados World Economic Outlook; e
pelas tempestades. A atividade nas economias cálculos do corpo técnico do FMI.
exportadoras de commodities deve crescer de Nota: O crescimento do PIB real se baseia em médias
ponderadas pelo PIB-PPC, e a inflação é apresentada como
forma modesta em 2025, graças a uma maior médias anuais. Os números de 2025 são previsões do
produção de energia e à resiliência do setor corpo técnico do FMI. O Haiti não é classificado como um
país dependente do turismo nem como um exportador de
não energético. No Haiti, o crescimento deve se commodities. Devido a fatores idiossincráticos, o Haiti
contrair pelo sétimo ano consecutivo em virtude apresentou taxas de crescimento negativas durante o
período analisado.
da insegurança persistente, que deslocou mais de
1,3 milhão de pessoas dentro do país. O impacto
direto das tarifas dos Estados Unidos sobre a
região tem sido limitado até o momento, pois grande parte das suas exportações para os Estados Unidos
está isenta de tarifas. A expectativa é que a inflação no Caribe em 2025 suba de forma moderada, para 6,9%
(em 12 meses), após registrar 6,1% em 2024. Essa variação é puxada pela alta dos preços das importações e
pelo repasse da depreciação do dólar americano nas economias com regime de taxa de câmbio vinculada.
Projeta-se um abrandamento da inflação a partir de 2026.
Os riscos para o crescimento estão inclinados para o lado negativo, enquanto os riscos para a inflação
pendem para o lado positivo. No caso dos países dependentes do turismo, os principais riscos são uma
possível desaceleração nos principais mercados de origem de turistas, em especial os Estados Unidos.
As economias dependentes de programas de cidadania com base no investimento podem enfrentar
uma redução das receitas fiscais em meio a um maior escrutínio internacional. No caso dos exportadores
de commodities, a volatilidade dos preços desses produtos e um crescimento global mais fraco do que o
previsto podem prejudicar o desempenho da economia. A alta vulnerabilidade da região a desastres naturais
também constitui uma ameaça à infraestrutura e à atividade econômica. No Haiti, as mudanças nas políticas
dos Estados Unidos — por exemplo, o vencimento da condição de proteção temporária, o fim do acesso
comercial preferencial HOPE/HELP para produtos têxteis e de vestuário, e o imposto de 1% sobre remessas —,
combinado com o aumento da violência das gangues, podem aprofundar as crises humanitária e econômica.
No que diz respeito à inflação, os aumentos inesperados de preços em parceiros comerciais importantes, a
alta dos preços das commodities (por exemplo, alimentos ou petróleo), a movimentação das taxas de câmbio
e rupturas na cadeia de suprimentos relacionadas a tensões geopolíticas poderiam elevar a inflação.

Os autores deste quadro são Junghwan Mok, Peter Nagle e Jongsoon Shin, com análise de pesquisa de Spencer Siegel.
1
A Guiana e o Haiti estão excluídos das taxas de crescimento médias do Caribe, pois os dois são casos atípicos em termos de
desempenho econômico: (i) a Guiana teve uma das taxas de crescimento mais altas do mundo em 2024 (43,6%) graças ao
aumento da produção de petróleo e (ii) o Haiti enfrenta uma crise multidimensional causada por choques globais e específicos
do país, o que resultou em taxas de crescimento negativas durante o período.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


18 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.3. (continuação)


Exposição à incerteza da política comercial
As economias do Caribe, afetadas por fatores como o isolamento geográfico, a difícil logística de produção e
comércio, e a forte dependência de produtos importados, são altamente vulneráveis a mudanças na política
comercial global. Os dados de alta frequência até julho indicam que os volumes de importação são de modo
geral comparáveis aos níveis de 2024
(Figura 1.3.2 do Quadro), o que sugere um
Figura 1.3.2 do Quadro. Volumes de impacto ainda limitado das mudanças nas
importação mensais políticas sobre o comércio internacional
(Milhares de toneladas) da região. Não obstante, a persistente
2.000 incerteza da política comercial, sobretudo
se ela se traduzir em custos elevados de
1.800 transporte e importação, pode aumentar
a inflação e corroer a competitividade
1.600 do turismo da região, principalmente
ao causar rupturas nas cadeias de supri-
1.400 mentos. Em consequência, a diversificação
Intervalo (2019–25) geográfica das fontes de importação surge
2020 como uma forma estratégica de reforçar
1.200
2024 a resiliência econômica com o passar
2025
do tempo.
1.000
Enfrentar as incertezas externas
Jan.

Fev.

Mar.

Abr.

Mai.

Jun.

Jul.

Ago.

Set.

Out.

Nov.

Dez.

com resiliência fiscal


Fontes: Portwatch; e cálculos do corpo técnico do FMI.
As incertezas em torno da política
Nota: A figura mostra apenas os volumes de importação de carga e
exclui a Guiana. econômica global também salientam
a necessidade de reservas mais fortes.
Embora vários países do Caribe tenham
obtido avanços notáveis na redução do
endividamento em relação ao PIB desde a pandemia, os níveis da dívida pública continuam elevados,
restringindo a capacidade das autoridades para responder com eficácia a choques externos (Figura 1.3.3
do Quadro). Além disso, a preocupação com a sustentabilidade da dívida pode limitar os investimentos que
promovem o crescimento — sobretudo em educação, saúde e infraestrutura —, vitais para reverter o declínio
do potencial de crescimento da região (ver mais detalhes no Quadro 2 em FMI 2024b).
Nesse contexto, fortalecer os quadros de política fiscal e reconstruir as reservas fiscais são ações cruciais
para salvaguardar a resiliência macroeconômica. A análise do corpo técnico do FMI sugere que a região —
excluindo Guiana e Haiti — está operando atualmente cerca de 8,5% do PIB abaixo de seu potencial tributário
estimado, o que revela um amplo espaço para a mobilização de receitas tributárias (Figura 1.3.4 do Quadro).
Entre as possíveis reformas prioritárias, destacam-se a ampliação da base tributária, a redução de isenções
fiscais distorcivas e o fortalecimento da capacidade de administração tributária. Ao mesmo tempo, aumentar
a eficiência dos gastos públicos, ao simplificar despesas sobrepostas e priorizar investimentos de capital,
pode melhorar a qualidade dos ajustes fiscais.
Em conjunto, essas reformas apoiarão uma trajetória mais sustentável da dívida pública e, ao mesmo tempo,
salvaguardarão os investimentos públicos e a proteção social voltada para os mais vulneráveis.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 19

Quadro 1.3. (continuação)

Figura 1.3.3 do Quadro. Dívida bruta do Figura 1.3.4 do Quadro. Hiato tributário
governo geral médio: diferença média entre a receita
tributária e seu potencial
(Porcentagem do PIB)
(Média 2014–18; porcentagem do PIB)
120
2024
2025 (projeção) 14
100
12
80 10

60 8

6
40
4
20 2

0 0
Caribe ECCU ALC, excl. EMEDs,
BHS

VCT
KNA

GRD

DMA

EMEDEs
HTI
GUY

JAM
TTO
BLZ
ATG
ABW

LCA
SUR

BRB

CARIBE

EMEDAs
PEDs
AL-7

Caribe excl. PBR

Fontes: Rayner et al. (2022); e cálculos do corpo técnico


Fontes: FMI, base de dados World Economic Outlook; e do FMI.
cálculos do corpo técnico do FMI. Nota: Os resultados são obtidos a partir de uma análise de
Nota: Os agregados são médias simples. CARIBE exclui fronteira estocástica com dados de 2000–19 de 127
Guiana e Haiti. AL-7 = América Latina 7 (Brasil, Chile, EMEDs. CARIBE exclui Guiana e Haiti. ALC = América Latina
Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai); EMEDAs = e Caribe; ECCU = União Monetária do Caribe Oriental;
economias de mercados emergentes e em desenvolvimento EMEDs = economias de mercados emergentes e em
da Ásia; EMEDEs = economias de mercados emergentes e desenvolvimento; PBR = países de baixa renda.
em desenvolvimento da Europa; PEDs = pequenos
Estados em desenvolvimento (excluindo o Caribe).

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


20 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.4. América Latina 8 e outros países sul-americanos: países em destaque


Na Argentina, políticas fiscais e monetárias restritivas no âmbito do novo Programa de Financiamento
Ampliado (EFF) apoiaram a transição para um regime cambial mais flexível e o abrandamento da maioria
das restrições cambiais. O indicador anual do núcleo de inflação continua a cair gradualmente, enquanto
a atividade econômica perdeu força mais recentemente, o que também reflete os choques e incertezas
relacionados às eleições. São necessários esforços sustentados para manter a âncora fiscal, fortalecer o
quadro de gestão monetária e de liquidez e reforçar as reservas para facilitar o acesso duradouro aos
mercados de capitais internacionais. De acordo com as políticas tomadas como referência, o crescimento
do PIB real deve se moderar, passando de cerca de 4,5% neste ano para 4% em 2026, com a inflação
anual caindo de cerca de 28% no fim de 2025 para cerca de 7% a 12% no fim de 2026.
Tendo demonstrado uma resiliência notável nos últimos três anos, o crescimento no Brasil deve se
moderar em 2025. A previsão é que o crescimento do PIB desacelere para 2,4% em meio a uma política
monetária restritiva, uma redução do apoio fiscal e o aumento da incerteza global. Projeta-se que a
elevação das tarifas dos EUA tenha um efeito relativamente pequeno sobre a economia brasileira por
várias razões: os Estados Unidos são o terceiro maior mercado de exportação do Brasil (cerca de 12%),
depois da China (30%) e da União Europeia (14%); os produtos afetados representam apenas cerca de
36% das exportações brasileiras para os Estados Unidos e muitos são commodities, que podem ser
redirecionadas para outros mercados. A inflação geral recuou nos últimos meses e está projetada em
4,9% para o fim de 2025, acima do intervalo de tolerância da meta, enquanto as expectativas de inflação
permanecem acima da meta. Em consequência, continua a ser apropriado manter a restrição monetária;
o corpo técnico prevê uma convergência gradual da inflação para a meta de 3% até o fim de 2027. Em
cerca de 0,6% do PIB, o déficit fiscal primário deve permanecer dentro do intervalo de tolerância da meta
em 2025, feitas as deduções permitidas. O compromisso das autoridades de melhorar a situação fiscal e,
ao mesmo tempo, proteger o apoio social direcionado e os gastos com investimentos, é bem-vindo. Para
posicionar a dívida pública em uma trajetória firmemente descendente e abrir espaço para investimentos
prioritários, o corpo técnico do FMI recomenda um esforço fiscal sustentado e ambicioso.
Na Bolívia, a conjuntura econômica se deteriorou notadamente em 2025. As reservas internacionais
líquidas estão quase esgotadas e o boliviano tem sido negociado a uma média de quase o dobro da
taxa de câmbio oficial nos mercados paralelos, forçando uma grande compressão das importações. A
inflação disparou, chegando a 24% em agosto, devido aos altos custos de importação e aos gargalos
nas cadeias de suprimentos, com destaque para uma prolongada escassez de combustível. A inflação
de alimentos subiu para 37%. As pressões externas estão aumentando, pois o financiamento externo
continua limitado e uma queda de 36% nas exportações de gás num período de 12 meses elevou o
déficit comercial para 1,1% do PIB anual no primeiro semestre de 2025. O crescimento do PIB caiu para
0,7% em 2024 e deve se moderar ainda mais em 2025. Os desequilíbrios fiscais continuam elevados, com
o déficit de 2025 projetado acima de 10% do PIB, financiado, sobretudo, pelo banco central, enquanto a
dívida se aproxima de 100% do PIB. São necessárias medidas urgentes para restabelecer a estabilidade
macroeconômica, como um programa de consolidação fiscal confiável, o realinhamento da taxa de
câmbio e reformas do lado da oferta para impulsionar o crescimento e apoiar a acumulação de reservas.
A economia do Chile deve crescer 2,5% em 2025, apoiada pela forte e contínua expansão das exportações
e pela retomada do consumo privado e do investimento. Em 2026, deve se moderar e chegar a um ritmo de
crescimento de 2,0% em virtude das tensões comerciais globais. A inflação deve convergir para a meta de
3% no início de 2026, à medida que os efeitos dos aumentos dos preços da energia elétrica se dissiparem.
A previsão é que o déficit fiscal do governo central caia para 2,1% do PIB em 2025, uma consolidação
notável, mas inferior ao previsto pelas autoridades (1,5% do PIB), com a diferença refletindo a incerteza
acerca da implementação de medidas corretivas. No médio prazo, são necessários mais esforços fiscais, de
cerca de 1,5% do PIB, para alcançar uma posição fiscal amplamente equilibrada até 2028.

Os autores deste quadro são as equipes encarregadas do América Latina 8 (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai,
Peru e Uruguai) e dos outros países sul-americanos.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 21

Quadro 1.4. (continuação)


O crescimento do PIB real da Colômbia deve atingir cerca de 2,5% em 2025, mas a previsão é que
recue um pouco em 2026 devido ao ajuste fiscal planejado. Projeta-se que a inflação caia gradualmente
para cerca de 4,5% até o fim de 2025 e atinja a meta de 3% no início de 2027, dependendo da política
monetária restritiva e da retomada da austeridade fiscal. Urge fazer um ajuste fiscal firme e confiável para
ancorar novamente as expectativas, baixar os custos dos empréstimos e melhorar o conjunto de políticas
em geral. Para cumprir a meta revisada do déficit para 2025 (7,1% do PIB), ainda serão necessários cortes
imediatos nos gastos e uma redução dos atrasos orçamentários. O plano fiscal proposto para 2026–28
exigirá um ajuste estrutural a ser sustentado por reformas fundamentais. Considerando as derrapagens
fiscais e o fato de os riscos para a inflação penderem para cima, a política monetária deve permanecer
restritiva, com os cortes de juros ocorrendo a um ritmo mais lento no fim do período.
No Equador, a economia está se recuperando bem da recessão do ano passado, após a normalização
do fornecimento de energia elétrica, com o crescimento previsto para atingir 3,2% em 2025, apesar da
recente interrupção na produção de petróleo devido às condições de tempo. A inflação permanece
baixa, em apenas 0,8% nos últimos 12 meses até agosto de 2025. O forte desempenho da conta corrente,
impulsionado pelo elevado superávit comercial não petrolífero e pelos consideráveis fluxos de entrada
de remessas, está ajudando a acumular reservas externas e a melhorar a liquidez no sistema financeiro
interno. O desempenho fiscal continua satisfatório e de modo geral alinhado com as metas do programa,
enquanto as autoridades continuam a adotar medidas para posicionar as finanças públicas em uma
trajetória firme e sustentável, mas sem deixar de proteger as populações vulneráveis.
No México, a atividade econômica tem sido lenta desde meados de 2024, refletindo restrições de
capacidade, um aperto fiscal e uma postura monetária restritiva. A imposição de tarifas pelos Estados
Unidos agravou esses ventos contrários, sobretudo porque a incerteza prejudicou o consumo e o
investimento. Em consequência, o crescimento em 2025 permaneceu moderado. Projeta-se uma
retomada modesta da atividade em 2026, à medida que o efeito negativo das políticas fiscais e monetárias
diminui. Contudo, as tarifas e a persistência da incerteza sobre o comércio continuarão a pesar sobre o
crescimento. A inflação deve convergir gradualmente para a meta até o segundo semestre de 2026,
acompanhada por um recuo gradual da taxa básica de juros. Embora se planeje uma consolidação fiscal
no médio prazo, faz-se necessária uma redução do déficit mais ambiciosa e antecipada para posicionar
a dívida em relação ao PIB em uma trajetória descendente.
A dinâmica de crescimento do Paraguai continua a encontrar apoio na forte demanda interna, e a previsão é
que o PIB real cresça 4,4% em 2025 e 3,7% em 2026. As perspectivas de crescimento no médio prazo continuam
robustas, apoiadas pelo investimento estrangeiro e pelas reformas estruturais. A política monetária continua
baseada em dados, a inflação está contida e as expectativas de inflação de médio prazo estão ancoradas
firmemente em torno da meta do banco central. A consolidação fiscal segue dentro do planejado. O déficit
fiscal chegaria a 1,9% do PIB neste ano, frente a 2,6% do PIB em 2024, e o projeto de orçamento para 2026
prevê uma nova redução, para 1,5% do PIB, o que restabeleceria o cumprimento da Lei de Responsabilidade
Fiscal. A dívida pública permanece relativamente baixa, em cerca de 42% do PIB, e é negociada com um dos
spreads de risco mais baixos da região. O aumento da emissão de títulos denominados em moeda local, nos
mercados de capitais interno e externos, está contribuindo para a desdolarização da dívida pública.
No Peru, após uma forte retomada em 2024, o impulso favorável ao investimento e consumo privados
continua, mas está se moderando. A economia deve crescer 2,9% em 2025, em meio à incerteza em torno
da política econômica global e à tensão pré-eleitoral. A inflação baixa, a melhoria do mercado de trabalho
e o otimismo das expectativas das empresas têm respaldado a forte demanda interna. Os termos de troca
favoráveis estão sustentando um superávit da conta corrente. Com o prognóstico de a inflação geral
permanecer firmemente dentro da meta de 1% a 3%, uma postura monetária de modo geral neutra é
adequada. O déficit fiscal caiu, após aumentar em 2024, mas será preciso implementar mais medidas para
atingir a meta para 2025. No médio prazo, medidas de consolidação fiscal são necessárias para assegurar o
cumprimento das metas fiscais e manter a dívida pública baixa e em uma trajetória descendente sustentável.
Ao mesmo tempo, urge implementar reformas estruturais para elevar o crescimento potencial.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


22 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.4. (continuação)


A demanda interna e as exportações devem apoiar o crescimento do PIB do Uruguai de 2,5% em 2025
e 2,4% em 2026. Projeta-se que a inflação se consolide em torno da meta do Banco Central de 4,5%.
A postura da política monetária tem sido corretamente restritiva, com os cortes recentes dos juros
justificados pela inflação e expectativas de inflação mais baixas. O déficit fiscal do setor público não
financeiro, incluídos os trabalhadores na faixa de 40 a 49 anos, os chamados cuarentones, deverá subir
para 3,3% do PIB em 2025. A nova lei orçamentária quinquenal e uma nova regra fiscal com a ampliação
do mandato do conselho fiscal devem levar a uma redução do déficit de 1,5% do PIB ao longo de cinco
anos, possibilitando uma estabilização da dívida em relação ao PIB no médio prazo.
Na Venezuela, o crescimento deve desacelerar para 0,5% em 2025, em meio a desafios macroeconômicos
crescentes. A incerteza comercial e política aumentou, reavivando distorções econômicas e pressionando
a demanda interna. Apesar do desempenho relativamente forte do setor petrolífero (cerca de um milhão
de barris por dia), a queda dos preços do petróleo, os descontos de preços maiores e os problemas
logísticos enfraqueceram as receitas das exportações do produto, desencadeando uma escassez
generalizada de divisas. O déficit fiscal subiu, elevando o financiamento monetário do déficit. Nesse
contexto, se prevê que a desvalorização da taxa de câmbio continue, com o Bolívar perdendo cerca de
80% de seu valor em 2025. Apesar das intervenções maiores no câmbio e dos esforços para controlar
os aumentos de preços, a inflação reverterá sua tendência de queda de seis anos e subirá para cerca de
549%. A Venezuela continua em uma profunda crise econômica, política e humanitária, que levou cerca
de 8 milhões de pessoas (25% da população) a deixar o país desde 2014.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


1. Enfrentar um ambiente global em transformação 23

Quadro 1.5. A agenda de reformas estruturais da Argentina


Desde dezembro de 2023, o governo Milei vem implementando um ambicioso pacote de reformas
voltadas para o mercado com o objetivo de impulsionar a produtividade e o crescimento. As reformas se
concentraram em eliminar barreiras comerciais arraigadas, flexibilizar regulamentações financeiras, de
produtos e do mercado de trabalho, e promulgar reformas da governança.
Antecedentes
Figura 1.5.1 do Quadro. Evolução dos
A Argentina enfrentou substanciais impedimentos
hiatos estruturais
estruturais ao crescimento, que se agravaram (Em comparação com a fronteira dos mercados
durante o período de 2010 a 2022 (Figura 1.5.1 do emergentes)
Quadro), em decorrência de (1) restrições graves 2010 Regulamentação dos negócios
e controles rígidos de preços, juros e câmbio; 2018
2022
(2) regulamentações rigorosas do mercado de
produtos e de trabalho que desestimulavam o
Mercado Mercado
emprego formal e aumentavam o custo para as de trabalho de crédito
empresas e (3) uma deterioração da qualidade
da regulamentação, da eficácia do governo e da
governança e transparência como um todo.
Principais áreas de reforma
ƒ Liberalização do comércio —Para impulsionar Governança Setor externo
o comércio e a concorrência, o governo
Milei reduziu inúmeras barreiras comerciais
Fonte: Fraser Institute (publicação de 2023), Banco Mundial e
altamente discricionárias, tanto tarifárias cálculos do corpo técnico do FMI.
como não tarifárias, flexibilizou a maioria das Nota: Uma distância maior da origem denota um hiato maior.
restrições cambiais (embora algumas tenham
sido reintroduzidas recentemente), simplificou
os procedimentos alfandegários por meio da digitalização e alinhou melhor as regulamentações
com as normas internacionais. Um novo regime de investimento, conhecido como RIGI, captou
compromissos de mais de US$ 15 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED), sobretudo em
energia e mineração.
ƒ Desregulamentação financeira —Para fomentar o crédito e o investimento, bem como para melhorar a
transmissão da política monetária, os controles das taxas de juros sobre empréstimos e depósitos foram
eliminados e novos instrumentos financeiros foram adotados. O regulador do mercado de valores
mobiliários mudou o foco para uma supervisão pós-emissão favorável ao mercado, melhorando o
acesso aos mercados de capitais.
ƒ Desregulamentação do mercado de produtos — Para eliminar distorções do mercado, reduzir a carga
administrativa e aumentar a concorrência, mais de mil regulamentos foram revogados ou alterados em
setores-chave, como petróleo, gás, mineração, eletricidade, transportes, varejo e imóveis.
ƒ Modernização do mercado de trabalho — Como primeira medida para melhorar a flexibilidade do
mercado de trabalho, a regulamentação foi atualizada para permitir negociações coletivas setoriais,
simplificar o sistema tributário para os trabalhadores autônomos e ampliar os períodos probatórios
para novos contratados.
ƒ Transformação do Estado — Para racionalizar o Estado, elevar a eficiência, reduzir a intervenção e
aumentar a transparência, foram emitidos vários regulamentos que permitiram a racionalização de
entes públicos, o fechamento de fundos fiduciários e a conversão de empresas estatais em sociedades
por ações antes de sua privatização. Os processos administrativos também foram modernizados e uma
reforma do serviço público foi implementada.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL


24 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Quadro 1.5. (continuação)


Agenda atual e perspectivas
Após a expiração dos poderes executivos delegados em julho de 2025, o governo lançou a iniciativa
“Burocracia Zero” para continuar a reduzir o excesso de trâmites e ouvir o público a fim de aliviar ainda
mais a carga regulatória. Novos esforços para reformar os mercados de trabalho e a política tributária
são considerados vitais para lidar com a informalidade e aumentar a produtividade. O FMI prevê que, se
sustentadas e aprofundadas, essas reformas possibilitem gerar ganhos significativos no médio prazo ao
abrir a economia argentina, melhorar a qualidade e previsibilidade do regime regulatório e tributário e
simplificar os procedimentos administrativos.1 Será preciso complementar essas políticas com esforços
para resolver as deficiências de governança e fechar lacunas cruciais em termos de infraestrutura e
qualificação profissional.

1
Consulte o Quadro 5 (FMI 2025f) para uma análise dos ganhos potenciais de produção decorrentes das reformas estruturais.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


42 PERSPECTIVAS ECONÔMICAS—As Américas

Tabela 1.1 do apêndice. As Américas: Principais indicadores económicos¹


Crescimento do PIB real Inflação² Saldo da conta corrente externa
(Variação percentual em 12 meses) (Fim de período; porcentagem) (Em % do PIB)
Projeções Projeções Projeções
2022 2023 2024 2025 2026 2022 2023 2024 2025 2026 2022 2023 2024 2025 2026
América do Norte 2,8 2,9 2,6 1,8 2,0 6,6 3,4 2,8 2,7 2,3 -3,4 -3,0 -3,6 -3,6 -3,3
Canadá 4,2 1,5 1,6 1,2 1,5 6,6 3,2 1,9 2,0 2,1 -0,3 -0,6 -0,5 -1,4 -1,3
México 3,7 3,4 1,4 1,0 1,5 7,8 4,7 4,2 3,7 3,0 -1,3 -0,7 -0,9 -0,2 -0,3
Estados Unidos 2,5 2,9 2,8 2,0 2,1 6,4 3,2 2,7 2,6 2,2 -3,8 -3,3 -4,0 -4,0 -3,6
Puerto Rico3 3,0 0,5 3,2 -0,8 -0,1 6,1 1,9 1,9 1,9 2,5 … … … … …
América do Sul 4,1 1,7 2,3 2,7 2,2 18,4 24,4 16,8 8,0 4,6 -2,7 -1,5 -1,1 -1,6 -1,5
Argentina 6,0 -1,9 -1,3 4,5 4,0 94,8 211,4 117,8 28,0 10,0 -0,6 -3,2 0,9 -1,2 -0,4
Bolívia 3,6 3,1 0,7 0,6 … 3,1 2,1 10,0 26,2 … 2,6 -2,5 -3,0 -3,4 …
Brasil 3,0 3,2 3,4 2,4 1,9 5,8 4,6 4,8 4,9 3,7 -2,2 -1,3 -2,7 -2,5 -2,3
Chile 2,2 0,5 2,6 2,5 2,0 12,8 3,9 4,5 3,7 3,0 -8,8 -3,1 -1,5 -2,5 -2,2
Colômbia 7,3 0,7 1,6 2,5 2,3 13,2 9,3 5,2 4,4 3,1 -6,0 -2,3 -1,7 -2,3 -2,6
Equador 5,9 2,0 -2,0 3,2 2,0 3,7 1,3 0,5 3,6 1,7 1,9 1,9 5,7 4,9 3,4
Paraguai 0,2 5,0 4,2 4,4 3,7 8,1 3,7 3,8 4,0 3,5 -7,0 -0,4 -3,9 -3,5 -3,7
Peru 2,8 -0,4 3,3 2,9 2,7 8,5 3,2 2,0 2,0 2,0 -4,0 0,3 2,2 1,8 1,2
Uruguai 4,5 0,7 3,1 2,5 2,4 8,3 5,1 5,5 4,0 4,5 -3,8 -3,4 -1,0 -1,4 -1,5
Venezuela 8,0 4,0 5,3 0,5 -3,0 234,0 190,0 47,2 548,6 628,8 4,0 5,8 4,9 4,2 2,5
ACPRD 5,5 4,0 3,9 3,4 3,8 7,5 2,7 1,8 2,2 3,3 -2,9 -1,1 -0,4 -0,1 -1,0
Costa Rica 4,6 5,1 4,3 3,6 3,3 7,9 -1,8 0,8 0,1 3,0 -3,3 -1,4 -1,4 -1,9 -2,1
República Dominicana 5,2 2,2 5,0 3,0 4,5 7,8 3,6 3,3 3,7 4,0 -5,8 -3,7 -3,3 -2,5 -2,5
El Salvador 2,9 3,5 2,6 2,5 2,5 7,3 1,2 0,3 0,7 1,2 -6,7 -1,1 -1,8 -0,8 -1,8
Guatemala 4,2 3,5 3,7 3,8 3,6 9,2 4,2 1,7 2,2 4,0 1,2 3,1 2,9 3,9 2,2
Honduras 4,1 3,6 3,6 3,8 3,5 9,8 5,2 3,9 4,9 4,0 -6,7 -3,9 -4,4 -0,4 -2,5
Nicarágua 3,6 4,4 3,6 3,0 2,9 11,6 5,6 2,8 2,0 2,7 -2,9 8,2 4,2 7,1 2,1
Panamá 11,0 7,2 2,7 4,0 4,0 2,1 1,9 -0,2 0,7 2,0 0,0 -3,1 1,9 -0,9 -1,7
Caribe 13,6 8,1 12,1 3,6 8,2 15,3 8,8 6,1 6,9 6,1 4,5 1,7 2,6 -0,2 -0,6
Caribe: países dependentes do turismo 9,2 3,2 2,1 2,3 2,0 7,3 4,4 2,7 2,8 3,0 -5,7 -3,4 -2,5 -3,2 -3,4
Antígua e Barbuda 9,1 2,4 3,7 2,5 2,5 9,2 3,3 5,4 3,0 2,0 -15,6 -13,5 -8,2 -11,0 -10,4
Aruba 5,1 7,7 6,8 2,0 2,2 5,7 2,3 0,3 1,9 2,1 6,5 5,6 9,5 10,1 9,2
Bahamas 10,9 3,0 3,4 2,2 2,1 5,5 1,9 0,0 0,6 1,4 -8,9 -7,0 -7,6 -7,6 -7,3
Barbados 17,8 4,1 4,0 2,7 2,1 3,8 3,2 0,4 3,3 2,4 -9,9 -8,8 -4,5 -6,3 -5,7
Belize 9,3 0,5 3,5 1,5 2,4 6,7 3,7 2,6 1,5 1,3 -8,3 -0,6 -1,6 -1,7 -1,6
Dominica 5,6 4,7 3,5 4,2 3,3 8,7 2,5 2,1 3,1 2,3 -27,0 -34,2 -33,4 -32,9 -26,4
Granada 7,3 4,5 3,3 3,3 3,4 2,9 2,2 0,8 1,0 1,6 -12,1 -18,2 -16,3 -15,9 -13,9
Jamaica 6,4 2,7 -0,5 2,1 1,5 9,4 6,9 5,0 4,5 5,0 -0,7 2,7 3,1 1,8 0,4
São Cristóvão e Névis 10,3 4,7 2,0 1,7 2,2 3,9 1,6 1,9 1,7 2,1 -11,4 -11,5 -14,4 -14,5 -14,0
Santa Lúcia 20,6 3,3 4,7 2,4 2,1 6,9 1,7 1,6 1,3 -0,9 -3,6 -1,6 -1,0 -1,5 -1,0
São Vicente e Granadinas 5,0 5,5 5,2 4,4 2,7 6,7 4,0 2,1 2,2 2,0 -20,6 -16,9 -18,4 -15,8 -13,5
Caribe: países não dependentes 16,2 10,8 17,3 4,2 11,2 20,5 11,4 7,9 9,0 7,6 12,6 6,3 6,4 2,0 1,4
do turismo
Haiti4 -1,7 -1,9 -4,2 -3,1 -1,2 38,7 31,8 27,9 29,4 24,1 -2,5 -3,5 -0,6 0,0 -0,6
Países exportadores de commodities 23,7 15,4 23,5 6,1 14,0 13,6 4,8 2,7 4,2 4,1 18,9 10,5 9,7 3,1 2,5
Guiana 63,3 33,8 43,6 10,3 23,0 7,2 2,0 2,9 4,3 4,5 25,9 9,9 16,4 7,9 11,8
Suriname 2,4 2,5 3,0 2,7 3,7 54,6 32,6 10,1 10,6 8,2 1,9 4,3 0,2 -33,4 -51,8
Trinidad e Tobago 0,9 1,5 2,5 1,0 1,2 8,7 0,7 0,5 2,2 2,3 17,5 11,8 4,8 4,9 2,9
Por memória
América Latina e Caribe 4,3 2,4 2,4 2,4 2,3 14,9 17,2 12,2 6,5 4,2 -2,2 -1,2 -0,9 -1,1 -1,1
ALC (média simples) 7,7 3,9 4,0 2,7 3,0 12,5 11,6 7,3 5,3 4,4 -3,6 -2,8 -2,3 -3,6 -4,2
ALC, excluindo a Argentina e a 4,0 2,8 2,7 2,2 2,2 7,8 4,7 4,2 4,3 3,5 -2,5 -1,1 -1,3 -1,2 -1,3
Venezuela
América Latina 7 3,6 2,6 2,6 2,0 1,9 7,9 5,0 4,5 4,2 3,3 -2,8 -1,2 -1,6 -1,4 -1,4
América Latina 8 3,9 2,1 2,1 2,3 2,2 16,0 19,5 13,7 6,8 4,1 -2,5 -1,4 -1,3 -1,4 -1,3
União Monetária do Caribe Oriental5 11,6 4,0 4,0 3,0 2,6 6,7 2,3 2,4 1,9 1,2 -12,4 -10,3 -9,9 -10,4 -9,0
Fontes: FMI, base de dados do World Economic Outlook; e cálculos e projeções do corpo técnico do FMI.
Nota: ACPRD = América Central, Panamá e República Dominicana; ALC = América Latina e Caribe; América Latina 7 = Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai; América
Latina 8 = AL-7 mais Argentina.
1
Os agregados regionais do crescimento do produto são calculados como médias ponderadas pelo PIB-PPC. Os agregados da inflação segundo o índice de preços ao consumidor excluem
a Venezuela e são médias geométricas ponderadas pelo PIB-PPC. Os agregados da conta corrente são as médias ponderadas pelo PIB nominal em dólares dos EUA. Ver mais detalhes sobre
os dados nas notas sobre os países. Os dados apresentados nesta tabela foram compilados com base em informações disponíveis até 30 setembro de 2025, mas poderão não refletir em
todos os casos os últimos dados publicados. Para consultar a data da última atualização dos dados para cada país, ver as notas disponibilizadas na base de dados World Economic Outlook
(online).
2
Estas cifras em geral diferem das taxas de inflação média do período apresentadas no World Economic Outlook do FMI, embora ambas estejam baseadas nas mesmas projeções
subjacentes.
3
Porto Rico é classificado como uma economia avançada. Embora seja um território dos Estados Unidos, seus dados estatísticos são mantidos de forma separada e independente.
4
Dados do exercício.
5
A União Monetária do Caribe Oriental inclui Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, e São Vicente e Granadinas, bem como Anguila e Montserrat, que
não são membros do FMI.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL • Outubro 2025


Tabelas do apêndice 43

Tabela 1.2 do apêndice. As Américas: Principais indicadores fiscais¹


Despesa primária Saldo primário Dívida bruta do
do governo geral do governo geral governo geral
(Em % do PIB) (Em % do PIB) (Em % do PIB)
Projeções Projeções Projeções
2022 2023 2024 2025 2026 2022 2023 2024 2025 2026 2022 2023 2024 2025 2026
América do Norte 33,4 33,7 33,8 33,4 33,4 -0,8 -4,0 -4,1 -3,4 -3,6 114,4 114,8 117,6 120,4 123,5
Canadá 37,9 38,9 41,2 41,1 41,0 0,2 0,3 -1,9 -1,9 -2,0 104,2 107,7 111,3 113,9 113,0
México 23,2 22,3 23,8 22,3 22,2 0,7 1,5 0,2 1,5 1,6 53,8 52,6 58,3 58,9 59,9
Estados Unidos 33,7 34,1 34,0 33,6 33,6 -1,0 -4,7 -4,6 -3,8 -4,1 119,1 119,8 122,3 125,0 128,7
Porto Rico2 19,9 21,2 21,2 22,1 21,8 2,5 1,3 0,4 0,4 0,4 16,7 16,6 16,9 18,0 18,7
América do Sul 32,5 33,4 32,5 32,9 32,7 0,1 -1,9 -0,5 -0,7 -0,3 75,2 85,3 77,5 81,5 82,5
Argentina 35,5 35,1 29,3 30,4 30,4 -1,7 -2,8 2,2 1,8 2,7 84,3 154,6 84,7 78,8 73,6
Bolívia 34,4 36,4 36,7 35,0 … -5,5 -8,7 -7,5 -9,9 … 80,1 90,8 98,0 93,7 …
Brasil 35,4 37,2 37,4 38,0 37,9 1,3 -2,2 -0,2 -0,6 -0,4 83,9 84,0 87,3 91,4 95,0
Chile 25,7 26,3 25,5 25,5 25,3 1,8 -1,9 -2,1 -1,3 -0,6 37,9 39,4 41,7 42,7 43,7
Colômbia 29,8 30,8 30,3 29,7 29,0 -2,5 0,9 -2,3 -2,6 -1,5 61,3 55,5 61,2 58,9 61,9
Equador 37,3 37,3 35,8 … … 0,5 -2,6 -0,2 … … 57,2 54,3 53,8 … …
Paraguai 18,9 19,8 19,0 18,3 18,0 -1,4 -2,1 -0,1 0,4 0,7 40,5 41,1 44,8 41,7 40,6
Peru 21,7 20,6 20,8 20,2 19,8 0,0 -1,3 -2,1 -0,9 -0,7 33,5 32,4 32,2 32,1 33,6
Uruguai 28,0 28,4 28,9 29,9 30,2 -0,5 -1,0 -1,0 -1,0 -1,5 59,9 64,0 68,7 66,6 68,3
Venezuela 14,1 12,4 16,9 … … -4,3 -0,5 -2,9 … … 164,4 138,5 164,3 … …
ACPRD 16,9 16,9 17,1 16,8 16,6 0,2 0,2 -0,2 0,2 0,4 52,8 51,9 51,9 52,5 52,3
Costa Rica 14,3 13,7 14,0 13,5 13,4 2,1 1,6 1,1 1,3 1,3 63,0 61,1 59,8 59,7 59,5
República Dominicana 15,7 16,0 16,1 15,8 15,1 -0,4 -0,1 0,3 0,2 0,4 59,6 60,5 58,8 60,0 58,9
El Salvador 24,0 26,0 26,8 25,7 24,8 2,0 -0,1 0,0 2,0 2,9 83,7 85,1 87,5 87,6 86,9
Guatemala 12,6 12,1 11,8 13,3 13,4 0,0 0,4 0,7 -0,9 -1,0 29,0 27,2 26,3 27,0 27,8
Honduras 21,8 24,7 23,4 23,7 23,4 2,7 -0,7 -0,4 -1,0 -0,8 51,0 47,9 47,1 45,1 44,1
Nicarágua 27,3 24,5 25,1 25,5 25,6 1,9 3,8 4,4 4,0 4,3 45,9 42,3 39,1 39,3 40,1
Panamá 19,6 18,8 20,2 18,1 18,3 -2,3 -1,4 -4,5 -0,5 -0,4 52,7 51,2 57,4 59,6 60,3
Caribe 20,9 21,5 20,9 21,3 20,6 0,9 1,3 1,5 0,4 0,4 60,5 59,7 53,1 51,4 50,7
Caribe: países dependentes do turismo 23,3 22,5 22,9 23,1 22,8 2,0 2,9 3,8 3,3 3,0 81,8 77,3 72,9 70,9 68,9
Antígua e Barbuda 18,1 16,6 17,5 19,3 19,7 -0,3 0,5 3,9 2,9 0,9 82,0 76,3 67,6 65,7 63,8
Aruba 19,3 18,5 17,1 18,6 18,6 3,7 7,0 7,9 5,3 4,9 97,8 82,5 70,2 67,1 63,9
Bahamas 21,4 19,3 17,0 17,5 18,3 -1,3 0,3 2,7 3,3 3,4 84,7 78,3 73,8 74,1 72,9
Barbados 25,2 23,2 24,6 23,0 23,2 2,4 3,5 4,3 4,4 4,4 113,7 111,5 104,8 99,8 94,6
Belize 21,7 23,5 23,8 24,9 25,6 0,7 -0,2 1,3 1,3 1,0 66,8 67,5 65,4 64,7 63,5
Dominica 67,1 62,1 56,9 53,1 45,4 -4,3 -2,0 -0,3 0,3 0,6 104,3 99,8 99,9 95,7 92,5
Granada 30,4 27,2 33,8 34,8 29,6 2,6 9,4 10,0 -3,5 0,1 79,3 74,5 72,7 67,7 65,5
Jamaica 22,1 22,5 24,9 25,1 24,5 5,3 5,2 5,4 4,8 3,4 70,2 66,5 62,4 59,2 57,4
São Cristóvão e Névis 48,2 42,0 41,9 39,3 37,7 -2,9 0,9 -9,8 -11,0 -6,1 60,3 55,7 53,8 61,9 67,5
Santa Lúcia 19,9 21,9 21,1 22,1 21,8 1,3 0,2 1,1 0,5 0,7 73,9 75,2 76,6 77,0 77,2
São Vicente e Granadinas 34,3 36,4 36,0 33,3 26,4 -7,2 -10,3 -10,1 -4,8 1,9 86,3 89,4 92,7 94,0 90,5
Caribe: países não dependentes 19,0 20,6 19,3 19,9 18,9 0,0 -0,2 -0,3 -1,7 -1,6 43,2 44,1 37,9 36,9 37,1
do turismo
Haiti 8,0 6,2 5,0 4,9 5,7 -1,5 1,1 7,2 0,8 0,0 29,5 28,5 15,5 11,8 10,0
Países exportadores de commodities 23,8 26,8 25,9 28,3 25,9 0,7 -0,7 -3,8 -3,0 -2,4 49,1 50,8 48,2 50,8 51,4
Guiana 20,0 23,3 22,9 24,5 22,6 -4,8 -5,4 -7,0 -4,6 -4,0 24,8 26,7 24,3 29,0 29,3
Suriname 25,8 25,9 26,4 33,5 26,7 1,0 1,4 0,3 -5,8 2,0 116,9 98,2 87,3 89,1 82,7
Trinidad e Tobago 25,6 29,1 28,7 30,9 29,1 3,6 2,1 -1,4 -1,1 -1,6 53,2 60,2 64,6 65,3 68,5
Por memória
América Latina e Caribe 28,8 29,0 28,7 28,6 28,2 0,3 -0,8 -0,3 0,0 0,3 67,9 73,5 69,8 72,6 73,2
ALC (média simples) 25,6 25,5 25,4 25,5 24,4 -0,2 -0,1 0,0 -0,6 0,2 69,3 68,9 66,7 72,7 72,1
ALC, excluindo Argentina e Venezuela 28,2 28,6 28,9 28,5 28,2 0,6 -0,6 -0,5 -0,1 0,1 64,2 63,3 66,4 67,8 69,3
América Latina 7 29,2 29,6 30,0 29,7 29,3 0,7 -0,6 -0,5 -0,1 0,2 65,4 64,5 68,2 69,9 71,8
América Latina 8 30,0 30,2 29,9 29,8 29,5 0,4 -0,8 -0,2 0,1 0,4 67,8 74,7 70,0 70,9 72,0
União Monetária do Caribe Oriental3 30,3 29,3 30,0 30,5 26,0 -0,5 0,8 0,8 -2,1 1,7 76,5 73,9 72,1 72,4 71,3
Fontes: FMI, base de dados do World Economic Outlook; e cálculos e projeções do corpo técnico do FMI.
Nota: ACPRD = América Central, Panamá e República Dominicana; ALC = América Latina e Caribe; América Latina 7 = Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai; América
Latina 8 = AL-7 mais Argentina.
1
A cobertura do governo varia segundo o país em função das diferenças institucionais específicas a cada país, incluindo o que constitui a cobertura apropriada de uma perspectiva da
política fiscal, tal como definida pelo corpo técnico do FMI. Ver mais detalhes sobre os dados nas notas sobre os países. Todos os indicadores são apresentados com base no exercício.
Os agregados regionais são as médias ponderadas pelo PIB nominal do exercício, em dólares dos EUA. Os dados apresentados nesta tabela foram compilados com base em informações
disponíveis até 30 setembro de 2025, mas poderão não refletir em todos os casos os últimos dados publicados. Para consultar a data da última atualização dos dados para cada país, ver as
notas disponibilizadas na base de dados World Economic Outlook (online).
2
Porto Rico é classificado como uma economia avançada. Embora seja um território dos Estados Unidos, seus dados estatísticos são mantidos de forma separada e independente.
3
A União Monetária do Caribe Oriental inclui Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, e São Vicente e Granadinas, bem como Anguila e Montserrat, que
não são membros do FMI.

Outubro 2025 • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

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