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Sepic Base 5

O trabalho apresenta a análise, simulação e implementação de um conversor SEPIC Bridgeless para o carregamento de baterias de carros elétricos, visando a redução de perdas térmicas. O conversor opera em Modo de Condução Descontínuo, permitindo o controle da tensão e corrente de saída com um fator de potência de 0,98. Os resultados experimentais confirmam a eficácia do sistema, validando a conexão com uma bateria de chumbo-ácido para carregamento.
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O trabalho apresenta a análise, simulação e implementação de um conversor SEPIC Bridgeless para o carregamento de baterias de carros elétricos, visando a redução de perdas térmicas. O conversor opera em Modo de Condução Descontínuo, permitindo o controle da tensão e corrente de saída com um fator de potência de 0,98. Os resultados experimentais confirmam a eficácia do sistema, validando a conexão com uma bateria de chumbo-ácido para carregamento.
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UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES

PRÓ-REITORIA DE ENSINO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


CÂMPUS DE ERECHIM
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS E CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

LUCAS SERRANO

PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE UM CONVERSOR SEPIC BRIDGELESS


APLICADO AO CARREGAMENTO DE BATERIAS DE CARROS ELÉTRICOS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ERECHIM - RS
2020
LUCAS SERRANO

PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE UM CONVERSOR SEPIC BRIDGELESS


APLICADO AO CARREGAMENTO DE BATERIAS DE CARROS ELÉTRICOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Engenharia Elétrica como requi-
sito parcial à obtenção do título de Bacharel
em Engenharia Elétrica, Departamento de
Engenharias e Ciência da Computação da
Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões – Câmpus de Erechim.

Orientador: Prof. Cássio Luciano Baratieri


Coorientador: Eng. Anderson José Balbino

ERECHIM - RS
2020
LUCAS SERRANO

PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE UM CONVERSOR SEPIC BRIDGELESS


APLICADO AO CARREGAMENTO DE BATERIAS DE CARROS ELÉTRICOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Engenharia Elétrica como requi-
sito parcial à obtenção do título de Bacharel
em Engenharia Elétrica, Departamento de
Engenharias e Ciência da Computação da
Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões – Câmpus de Erechim.

Erechim, 07 de dezembro de 2020.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Cássio Luciano Baratieri (Orientador)


URI Erechim

Eng. Me. Anderson José Balbino (Coorientador)


UFSC

Prof. Me. Adilson Luis Stankiewicz (Examinador)


URI Erechim

Prof. Me. Claudio Augusto Zakrzevski (Examinador)


URI Erechim
Dedico esta caminhada a todos que estiveram
ao meu lado, em especial para minha família,
namorada e amigos.
AGRADECIMENTOS

Meus sinceros agradecimentos ao professor Cássio Luciano Baratieri por sua orientação
ao longo deste trabalho, conhecimento compartilhado durante a graduação e também por toda a
atenção dedicada.
Ao meu coorientador, Anderson José Balbino, pelo conhecimento compartilhado durante
a graduação e orientação ao longo do trabalho e, acima de tudo, pelos conselhos e amizade.
Agradeço imensamente aos meus pais, Amairi e Jair, que me apoiaram e incentivaram
em toda a minha jornada, me dando a base para minha formação pessoal, amo vocês e serei
eternamente grato. À minha irmã, Rosiane, que é de vital importância por quem sou hoje,
obrigado por me apoiar e inspirar.
A minha namorada, Mariana Tres, por estar ao meu lado em todos os momentos, desde
os bons até os ruins. Obrigado de coração, por me dar apoio e auxílio quando mais precisei.
Aos meus colegas que estiveram comigo durante a graduação, inclusive aos sábados,
domingos, feriados e madrugadas pré-prova, no poker e nas brincadeiras. Agradecimento
especial ao Afonso Carlos Hinkel Júnior, Amerson Dapper, César Mecca, Cristiano Rafael
França, Jean Michel Brondani, Leonardo Luiz Szydloski, Mateus Santin, Osmar Francisco
Zaparolli e Ricardo Kistemacher. Obrigado meus amigos!
A empresa Grupo WTEC e colegas de trabalho, por fazerem parte de mais da metade
de minha graduação. Agradecimento especial aos colegas de trabalho e amigos Deividi Felipe
Zaions e Jaques Hoscharuck pelo aprendizado durante esse tempo e por contribuírem de forma
significativa em minha formação profissional.
A minha banca, composta pelo Prof. Me. Adilson Luis Stankiewicz e pelo Prof. Me.
Claudio Augusto Zakrzevski pelos conhecimentos compartilhados durante a graduação e pelas
contribuições ao desenvolvimento deste trabalho.
A monitora dos laboratórios do curso, Marciele Schwanke, pela ajuda e contribuição no
desenvolvimento deste trabalho.
À Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Câmpus de Erechim,
ao curso de Engenharia Elétrica e a todos os funcionários e professores que contribuíram de
alguma forma para minha formação acadêmica, profissional e moral.
Comece onde você está, use o que você tem e
faça o que você pode.

(Arthur Ashe)
RESUMO

Carros Elétricos apresentam um papel promissor na sociedade moderna, uma vez que configuram-
se como uma alternativa sustentável para a mitigação dos índices de poluição atmosféricos e
sonoros. Em virtude disso, estudos aplicados à análise dos sistemas de processamento de ener-
gia dos carros elétricos são de suma importância, em especial ao carregamento das baterias.
Por esse motivo, o presente trabalho almeja analisar, simular e implementar na prática um
conversor SEPIC Bridgeless operando em Modo de Condução Descontínuo (MCD) aplicado ao
carregamento de baterias para uso em carros elétricos. A escolha da topologia Bridgeless foi
devido à redução de perdas térmicas e internas do conversor, pois a quantidade de dispositivos
semicondutores no caminho de corrente é menor. O MCD, por sua vez, foi selecionado devido
ao fato de ser necessário realizar apenas o controle da tensão e corrente de saída do conversor
SEPIC Bridgeless, sendo que o alto fator de potência é naturalmente obtido sem o controle
da corrente de entrada. Então, iniciou-se a análise das correntes e tensões nos componentes
do conversor. Em seguida, elaborou-se o projeto do circuito de potência em conjunto com o
de controle do conversor. Ademais, buscou-se analisar um modelo matemático de bateria do
tipo chumbo-ácido a fim de conectá-la ao conversor para validação completa do sistema. Os
resultados apresentados nos testes em bancada convergem com os resultados de simulação do
conversor, sendo que foi possível se obter um fator de potência de 0,98 na entrada do conversor
experimentalmente. Com relação a utilização da bateria, foram obtidos resultados de simulação
para o carregamento da bateria em corrente constante até atingir sua tensão nominal, para depois
ser mantida em sua tensão de manutenção.

Palavras-chave: Carro Elétrico. Carregamento de baterias. Modo de Condução Descontínuo.


Retificador SEPIC Bridgeless. Bateria.
ABSTRACT

Electric Cars play a promising role in modern society, as they are configured as a sustainable
alternative for the mitigation of air and noise pollution levels. As a result, studies applied to
the analysis of the energy processing systems of electric cars are of paramount importance,
especially for battery charging. For this reason, the present work aims to analyze, simulate and
implement in practice a SEPIC Bridgeless converter operating in Discontinuous Driving Mode
(MCD) applied to the charging of batteries for use in electric cars. The choice of the Bridgeless
topology was due to the reduction of thermal and internal losses of the converter, since the
number of semiconductor devices in the current path is less. The MCD, in turn, was selected
due to the fact that it is only necessary to control the voltage and output current of the SEPIC
Bridgeless converter, and the high power factor is naturally obtained without controlling the
current input. Then, the analysis of currents and voltages in the converter components began.
Then, the design of the power circuit was elaborated together with the control of the converter.
In addition, an attempt was made to analyze a mathematical model of a lead-acid battery in order
to connect it to the converter for complete system validation. The results presented in the bench
tests converge with the converter simulation results, and it was possible to obtain a power factor
of 0.98 at the converter input experimentally. Regarding the use of the battery, simulation results
were obtained for charging the battery in constant current until reaching its nominal voltage, to
then be maintained at its maintenance voltage.

Keywords: Electric Cars. Battery Charging. Discontinuous Conduction Mode. SEPIC Brid-
geless Rectifier. Battery.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Evolução da produção dos carros elétricos de 2013 à 2018 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17


Figura 2 – Tipos de carros elétricos comparados a estrutura de um veículo à combustão 21
Figura 3 – Modos de carregamento de baterias para carros elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 4 – Sistema de carregamento off-board . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Figura 5 – Sistema de carregamento on-board . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Figura 6 – Conversor ZETA convencional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Figura 7 – Conversor CÚK convencional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 8 – Conversor SEPIC convencional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
Figura 9 – Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Figura 10 – Controle PWM para modo de tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Figura 11 – Exemplificação de uma célula de bateria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Figura 12 – Variados tipos de baterias de acordo com a densidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Figura 13 – Método a um nível de corrente e um nível de tensão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Figura 14 – Método a um nível de corrente e um nível de tensão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Figura 15 – Fluxograma de trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Figura 16 – Conversor SEPIC Bridgeless analisado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Figura 17 – Primeira etapa: chave 𝑆1 em condução e o diodo 𝐷 𝑜 bloqueado . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 18 – Segunda etapa: chave 𝑆1 bloqueada e o diodo 𝐷 𝑜 em condução . . . . . . . . . . . . . 36
Figura 19 – Terceira etapa: chave 𝑆1 e diodo 𝐷 𝑜 bloqueados (MCD) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 20 – Formas de ondas teóricas para MCD em um período de comutação 𝑇𝑠 . . . . . . 38
Figura 21 – Circuito implementado em simulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Figura 22 – Protótipo montado em bancada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Figura 23 – Modelo matemático de uma bateria de Chumbo-Ácido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
Figura 24 – Diagramas de blocos para modo de tensão constante e corrente constante. . . 51
Figura 25 – Modelo equivalente para controle de corrente e tensão de saída . . . . . . . . . . . . . 52
Figura 26 – Parâmetros do controlador para o projeto do controle de tensão. . . . . . . . . . . . . . 53
Figura 27 – Sistema de controle de tensão de saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
Figura 28 – Parâmetros do controlador para o projeto do controle de corrente . . . . . . . . . . . 55
Figura 29 – Sistema de controle de corrente de saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Figura 30 – Implementação do controle digital do controlador de tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
Figura 31 – Implementação do controle digital do controlador de corrente . . . . . . . . . . . . . . . 56
Figura 32 – Formas de onda de corrente (simulado) nos capacitores 𝐶1 (vermelho) e 𝐶2
(azul) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Figura 33 – Formas de onda de tensão (simulado) nos capacitores 𝐶1 (vermelho) e 𝐶2
(azul) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Figura 34 – Forma de onda de corrente (simulado) nos indutores 𝐿 1 (vermelho) e 𝐿 2
(azul) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Figura 35 – Forma de onda de corrente (simulado) no indutor 𝐿 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Figura 36 – Forma de onda de corrente em 𝐷 𝑜 simulado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Figura 37 – Forma de onda de corrente simulado em 𝐷 𝑜 para representação do MCD. . . 60
Figura 38 – Forma de onda de corrente em 𝐷 𝑜 prático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
Figura 39 – Forma de onda de corrente prática em 𝐷 𝑜 para representação do MCD . . . . . 61
Figura 40 – Forma de onda de corrente nos diodos 𝐷 𝑛 (vermelho) e 𝐷 𝑝 (azul) . . . . . . . . . . 61
Figura 41 – Forma de onda de corrente (simulado) nas chaves de potência 𝑆1 (vermelho)
e 𝑆2 (azul) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Figura 42 – Forma de onda de corrente (prático) nas chaves de potência 𝑆1 (vermelho) e
𝑆2 (verde). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Figura 43 – Forma de onda de tensão (simulado) nas chaves de potência 𝑆1 (vermelho)
e 𝑆2 (azul) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Figura 44 – Forma de onda de tensão (prático) nas chaves de potência 𝑆1 (verde) e 𝑆2
(verde) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Figura 45 – Tensão e corrente (simulado) de entrada do conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Figura 46 – Tensão e corrente (prático) de entrada do conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Figura 47 – Tensão e corrente (prático) de saída em malha aberta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
Figura 48 – Corrente de saída para o controlador de corrente definido (simulado) . . . . . . . 67
Figura 49 – Tensão de saída para o controlador de tensão definido (simulado) . . . . . . . . . . . 68
Figura 50 – Estado de carga da bateria (simulado) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
Figura 51 – Tensão da bateria (simulado). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Comparação de componentes e caminhos de condução de corrente entre a


topologia Convencional e Bridgeless do conversor SEPIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Tabela 2 – Definições de projeto do conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Tabela 3 – Componentes comerciais utilizados no protótipo - Etapa de potência . . . . . . . . . 47
Tabela 4 – Componentes comerciais utilizados no protótipo - Etapa de controle . . . . . . . . . 48
Tabela 5 – Valores teóricos, simulados e práticos para os componentes do conversor . . . . 66
Tabela 6 – Definições para o projeto do modelo de bateria de Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . 69
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

IEA International Energy Agency


SLA Sealed Lead Acid
VRLA Valve Regulated Lead Acid
CE Carro Elétrico
HEV Hybrid Electric Vehicle
E-REV Extended Range Electric Vehicle
PHEV Plug-in Hybrid Electric Vehicle
BEV Battery Electric Vehicle
SEPIC Single-Ended Primary Inductance Converter
CC-CV Corrente Constante Tensão Constante
TDH Taxa de Distorção Harmônica
FP Fator de Potência
LISTA DE SÍMBOLOS

𝑣 𝑎𝑐 Tensão RMS de entrada


𝑖 𝑎𝑐 Corrente RMS de entrada
𝑉𝑜 Tensão de saída
𝐼𝑜 Corrente de saída
𝑅𝑜 Resistência de saída
𝑓𝑠 Frequência de comutação
𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Frequência da tensão de entrada
𝑉𝑜 Tensão de saída
𝐼𝑜 Corrente de saída
𝑅𝑜 Resistência de saída
𝑓𝑠 Frequência de comutação
𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Frequência da tensão de entrada
𝐿𝑛 Indutor 𝑛, sendo n=1,2,3
𝐼𝑆1, 𝑝𝑘 Corrente máxima na chave 𝑆1
𝐿𝑒 Indutância equivalente
𝑇𝑠 Tempo total para um período de comutação da chave
𝑉𝑝 Tensão de pico máxima de entrada
𝑡1 Tempo de comutação 1
𝑡2 Tempo de comutação 2
𝐷𝑛 Duty Cycle para cada período de comutação, sendo n=1,2,3
𝐷𝑜 Diodo de saída
𝐼𝐷𝑜 Corrente média no diodo 𝐷𝑜 em um semiciclo da rede elétrica
𝑖𝐷𝑜 Corrente média no diodo 𝐷𝑜 em um período de comutação
𝐺 Ganho estático do conversor
𝐼 𝐿 𝑛,𝑚𝑎𝑥 Corrente máxima no indutor, sendo n=1,2,3
𝐼 𝐿 𝑛,𝑚𝑖𝑛 Corrente mínima no indutor, sendo n=1,2,3
𝐼 𝐿𝑛 Corrente no indutor, sendo n=1,2,3
𝐼𝐶𝑛,𝑎𝑣𝑔 Corrente média no capacitor, sendo n=1,2
𝐼𝐶𝑛 Corrente no capacitor, sendo n=1,2
𝐼𝑆1,𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 Corrente média na chave 𝑆1 para um período de comutação
𝐼𝑆1,𝑎𝑣𝑔 Corrente média na chave 𝑆1 em um semiciclo da rede elétrica
𝐼𝑆1,𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧 Corrente eficaz na chave 𝑆1 em um semiciclo da rede elétrica
𝑉𝑆1,𝑚𝑎𝑥 Tensão máxima na chave de 𝑆1 de potência
𝑉𝐷 𝑜,𝑚𝑎𝑥 Tensão máxima no diodo 𝐷 𝑜
𝐼 𝐷 𝑝,𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 Corrente média no diodo 𝐷 𝑝
𝐼 𝐷 𝑝,𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧 Corrente eficaz no diodo 𝐷 𝑝
𝑉𝐷 𝑝,𝑚𝑎𝑥 Tensão máxima no diodo 𝐷 𝑝
𝐸𝑚 Tensão de circuito aberto
𝐸 𝑚0 Tensão de circuito aberto com carga total
𝐾𝐸 Constante
𝑆𝑂𝐶 Estado de carga da bateria
𝑆𝑂𝐶0 Estado de carga inicial da bateria
𝑄 Capacidade nominal da bateria
𝑖 𝑚 (𝑡) Corrente de carga da bateria
𝑅𝑏 𝑜 Resistência de terminal
𝑅𝑏 𝑜𝑜 Resistência de terminal com estado de carga 1
𝐴𝑜 constante
𝑅𝑏 1 Resistência de ramo principal
𝑅𝑏 2 Resistência interna
𝑅20 Valor de resistência constante
𝐼𝑚 Corrente medida na entrada da bateria
𝐼∗ Corrente nominal da bateria
𝐴21 Constante
𝐴22 Constante
𝐸𝑛 Capacidade energética da bateria
𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑎𝑥 Tensão máxima de circuito aberto a plena carga
𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑖𝑛 Tensão mínima de circuito aberto descarregado totalmente [V]
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎 𝑣 𝑑 Função de transferência da planta de tensão
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎𝑖𝑑 Função de transferência da planta de corrente
𝑣 𝑑1 Variável de tensão 1
𝑣 𝑑2 Variável de tensão 2
𝑖 𝑑1 Variável de corrente 1
𝑖 𝑑2 Variável de corrente 2
𝑘𝑖 Percentual de variação de corrente
𝐾𝑖 Ganho integral
𝐾𝑝 Ganho proporcional
𝐷𝑏1 Diodo de bloqueio 1
𝐷𝑏2 Diodo de bloqueio 2
𝑃𝑖𝑛 Potência de entrada
𝑃𝑜𝑢𝑡 Potência de saída
𝜂 Eficiência do conversor
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.2 Organização do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2 REVISÃO DE LITERATURA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.1 Breve Histórico dos Carros Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.2 Tipos de Carros Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.3 Sistemas de Carregamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.3.1 Comparação Entre os Sistemas de Carregamento Off-board e On-board . . . . . . . . . . 23
2.4 Carregadores de Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.4.1 Conversor ZETA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.4.2 Conversor CÚK . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.4.3 Conversor SEPIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
[Link] Conversor SEPIC Convencional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
[Link] Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.4.4 Modos de Condução (MCD, MCC e MCCr) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.4.5 Modulação PWM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.5 Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.5.1 Baterias de Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.6 Métodos de Carregamento de Baterias do Tipo Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3 METODOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
3.1 Etapas de Operação do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.1.1 Análise dos Semiciclos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
[Link] Primeira etapa de operação (𝑡0 a 𝑡1 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
[Link] Segunda etapa de operação (𝑡1 a 𝑡2 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
[Link] Terceira etapa de operação (𝑡2 a 𝑇𝑠 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3.2 Análise Estática do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3.2.1 Ganho Estático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
[Link] Limite de condução entre MCC e MCD . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2.2 Corrente de Entrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2.3 Correntes Máximas e Mínimas nos Indutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
3.3 Projeto do Circuito de Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3.1 Dimensionamento dos Indutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3.2 Dimensionamento dos Capacitores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.3.3 Esforço nos Semicondutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.4 Especificações do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.4.1 Dimensionamento dos Elementos do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.5 Etapa de Simulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.6 Implementação Prática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.6.1 PCI de Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.6.2 PCI de Controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.7 Modelagem Matemática da Bateria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.7.1 Tensão de Derivação Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.7.2 Estado de Carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.7.3 Resistência de Terminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.4 Resistência de Ramo Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.5 Resistência Interna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.6 Capacitância de Ramo Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.8 Modelagem Dinâmica e Estratégia de Controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.8.1 Modelo Dinâmico para Controle da Tensão de Saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
3.8.2 Discretização dos Controladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1 Validação do Conversor Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.1 Capacitores 𝐶1 e 𝐶2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.2 Indutores 𝐿 1 , 𝐿 2 e 𝐿 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.1.3 Diodos 𝐷 𝑝 , 𝐷 𝑛 e 𝐷 𝑜 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.1.4 Chaves de Potência 𝑆1 e 𝑆2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.1.5 Tensão e Corrente de Entrada do Conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
4.1.6 Tensão e Corrente de Saída em Malha Aberta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
4.1.7 Eficiência do Conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
4.1.8 Validação dos Controladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
[Link] Controlador de Corrente de Saída Discretizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
[Link] Controlador de Tensão de Saída Discretizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.2 Análise do Modelo Matemático da Bateria de Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
APÊNDICES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
17

1 INTRODUÇÃO

As mudanças climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis por diversos


setores da sociedade tem desafiado a comunidade global motivando a busca pela redução da
poluição do ar, aquecimento global e esgotamento dos recursos naturais do planeta (EHSANI;
GAO; EMADI, 2010). Contudo, desenvolver produtos que sejam economicamente viáveis e
sustentáveis é um desafio da atualidade, especialmente em setores industriais líderes de produção
e consumo, como o de transportes.
O setor automobilístico contribui com a alteração climática do planeta, uma vez que os
veículos, em sua maioria, são movidos a motores de combustão (ANDERSON; ANDERSON,
2010). Segundo a International Energy Agency (IEA, 2019), o setor de transporte representou
uma fatia em torno de 21% de emissão de 𝐶𝑂 2 de um total de 49 Gigatoneladas no ano de 2013.
Neste sentido, considera-se pertinente desenvolver alternativas sustentáveis que miti-
guem esses problemas, sendo que uma das alternativas é o desenvolvimento de carros movidos
à eletricidade, os chamados carros elétricos (CE’s) (HABIB et al., 2018). Os carros elétricos
são identificados como ecológicos pois, não emitem gases atmosféricos nocivos diretamente ao
meio ambiente (LARMINIE; LOWRY, 2012).
Atualmente, a indústria de carros elétricos apresenta uma produção ínfima quando com-
parada com a indústria de veículos à combustão, pois desvantagens como alto custo e baixa
autonomia são identificadas. Contudo, a International Energy Agency (IEA) aponta que a
produção de carros elétricos está em expansão, como mostra a Figura 1.

Figura 1 – Evolução da produção dos carros elétricos de 2013 à 2018

Milhões
6
China Europa Estados Unidos Outros Países
5

0
2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Adaptado de IEA (2019)
18

Na Figura 1, o número de carros elétricos produzidos entre os anos 2013 à 2018,


apresentou um crescimento de 1000%, ou seja, em 2013 eram produzidos 500 mil carros e em
2018 essa produção passou a ser de 5 milhões. Identifica-se que os países que apresentam maior
índice de crescimento são China e Estados Unidos.
Os carros elétricos recebem energia advinda de baterias, isso faz com que seus índices
de poluição sejam menores (HABIB et al., 2018). Um banco de baterias é utilizado para ali-
mentação parcial ou integral do motor de propulsão do CE (ANDERSON; ANDERSON, 2010).
Entretanto, melhorias nos sistemas que realizam o processamento da energia para carregamento
das baterias nos carros elétricos se tornam objetos de estudo. Logo, essas melhorias podem ser
identificadas nos sistemas para o carregamento de baterias, os chamados conversores estáticos
(HABIB et al., 2018). Dentre eles, identifica-se retificadores Bridgeless, os quais possuem no
caminho de corrente menos semicondutores quando comparado com topologias convencionais
de retificadores. Essa diminuição de semicondutores acarreta em uma redução de perdas por
condução, resultando em uma maior eficiência de conversão de energia (SABZALI et al., 2011).
Em virtude da possibilidade de melhoria do sistema de carregamento de energia em carros
elétricos, investigou-se na literatura assuntos pertinentes a este trabalho, com a identificação
de diferentes topologias de conversores estáticos e tecnologias de baterias a serem utilizadas.
Ademais, projetou-se o modelo de simulação e protótipo experimental do conversor e, por fim,
analisaram-se os resultados obtidos.

1.1 Objetivo Geral

Projetar e implementar um conversor SEPIC Bridgeless operando em Modo de Condução


Descontínuo (MCD) aplicado ao carregamento de baterias de Carros Elétricos.
Para alcançar o objetivo geral, propõem-se os seguintes objetivos específicos:

• Investigar na literatura aplicações do conversor SEPIC ao carregamento de baterias;

• Selecionar os componentes eletrônicos que irão compor o projeto;

• Projetar e desenvolver as placas de circuito impresso relacionados ao circuito de potência,


controle e aquisição de dados;

• Prototipar o sistema de carregamento completo em bancada;

• Avaliar e comparar os resultados em bancada com os resultados de simulação.


19

1.2 Organização do Trabalho

Este presente capítulo visa destacar a motivação do trabalho proposto, evidenciando o


objetivo geral e os objetivos específicos.
No Capítulo 2 são apresentados os principais conceitos a respeito da história, principais
tipos e sistemas de carregamento de carros elétricos. Na sequência, estudam-se algumas topo-
logias de conversores estáticos e a abordagem da topologia SEPIC convencional e Bridgeless.
Por fim, são abordados conceitos pertinentes ao princípio de funcionamento de baterias, alguns
tipos de baterias e também método de carregamento para bateria de chumbo-ácido.
O Capítulo 3 dedica-se à metologia adotada para a elaboração deste trabalho. Iniciando
com a análise do conversor SEPIC Bridgeless proposto. Evidenciando suas etapas de operação,
modos de condução, razão cíclica de operação e determinação das equações para o projeto de
indutores, capacitores e semicondutores. Posteriormente são definidas as especificações para
o projeto da etapa de potência do conversor proposto para esta etapa, bem como as definições
para o projeto do protótipo, incluindo os componentes físicos utilizados. As equações para
dimensionamento de um modelo matemático de bateria também são abordadas neste capítulo,
para que sejam definidas as especificações para o projeto da bateria. Por fim, é realizado o
projeto do controlador (tanto no domínio do tempo contínuo quanto no domínio discreto) para
realizar o controle da tensão e corrente de saída do conversor para o método de corrente constante
e tensão constante.
No Capítulo 4 são apresentados os resultados calculados, simulados e práticos do con-
versor, validação do modelo de simulação da bateria analisado e a validação da estratégia de
controle (prático e simulado).
Por fim, no Capítulo 5, serão apresentadas as considerações finais do trabalho e as
perspectivas futuras para o projeto físico do conversor.
20

2 REVISÃO DE LITERATURA

Neste capítulo são apresentados os principais conceitos teóricos vinculados ao conversor


SEPIC Bridgeless para o entendimento completo do sistema a ser aplicado. Além disso é
abordado o histórico sobre carros elétricos e sistemas de carregamento, de forma a expor
aspectos gerais sobre conversores estáticos, explanando sobre o conversor SEPIC Bridgeless,
baterias e métodos de carregamento de baterias.

2.1 Breve Histórico dos Carros Elétricos

A história dos carros elétricos pode ser divididas em três fases: dentre os anos de 1890
a 1929 e na denominada era de ouro dos carros elétricos, em que dominava o mercado de
1895 até 1905; nos anos intermediários de 1930 a 1989; e por fim, a fase atual que iniciou
em 1990. Os primeiros países que experimentaram carros elétricos foram a França, Inglaterra
e Estados Unidos da América (EUA). Este último mostrou seu interesse em meados de 1895
(ANDERSON; ANDERSON, 2010).
Em 1899, havia uma percepção de que veículos elétricos tinham inúmeras vantagens
quando comparado com carros movidos à combustão. Dentre as vantagens destacavam-se a
redução de ruídos, visto que eram silenciosos, confiáveis, fáceis de ligar e dirigir. Entretanto,
desvantagens como o curto alcance e o alto custo de aquisição, foram identificados (ANDER-
SON; ANDERSON, 2010; LARMINIE; LOWRY, 2012), fato que provocou a redução da
procura por essa tecnologia.
Nos anos de 1930 à 1989, os CE‘s voltaram a ter outro pico de interesse, em virtude da
escassez de gasolina e, em 1960, pelas preocupações ambientais e escassez de petróleo. Nos
anos atuais a partir de 1990, os CE’s retornam ao interesse de consumidores e fabricantes, pois
busca-se uma redução da poluição causada por motores à combustão, melhorando a qualidade do
ar (ANDERSON; ANDERSON, 2010). Em todas as fases, o CE foi elogiado por apresentar três
vantagens quando comparados a seus concorrentes, serem silenciosos, confiáveis e ecológicos
(CHAN, 2007).

2.2 Tipos de Carros Elétricos

É possível diferenciar os CE’s como carros que possuem um ou mais motores elétricos,
sendo que esses motores são utilizados para uma ou toda a etapa de propulsão (DELGADO et
21

al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015). Na Figura 2 as estruturas dos CE‘s são
sumarizadas em comparação com um carro movido à combustão.

Figura 2 – Tipos de carros elétricos comparados a estrutura de um veículo à combustão

Fonte: Adaptado de Spath et al. (2011)

Conforme a Figura 2, no Hybrid Electric Vehicles (HEV) seu principal motor possui
combustão interna e não é movido a eletricidade. O motor elétrico deste veículo tem a função
de propor melhorias na eficiência energética do motor à combustão, fornecendo tração em baixa
potência (DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015). O Extended
Range Electric Vehicles (E-REV) apresenta o motor elétrico como principal, e é alimentado
diretamente por fontes externas de energia elétrica, sendo que o motor à combustão se torna
secundário, fazendo a função de fornecer energia a um gerador que, posteriormente se necessário,
irá manter o nível de carga mínimo na bateria do CE, aumentando assim a autonomia (DELGADO
et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015).
A Figura 2 mostra também os carros em que o motor principal continua sendo à com-
bustão, chamado Plug-in Hybrid Electric Vehicles (PHEV), mas o motor pode receber energia
elétrica diretamente de uma alimentação externa (DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GAR-
CHE; TILLMETZ, 2015). Por fim, o Battery Electric Vehicles (BEV) possui sua fonte principal
de energia elétrica, com alimentação externa, sendo armazenada em banco de baterias internas
para que alimente o motor elétrico principal. O motor elétrico propulsiona as rodas e gera movi-
mento. Um veículo que usa exclusivamente a eletricidade é considerado um veículo all-electric
(DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015).
22

2.3 Sistemas de Carregamento

Para o carregamento das baterias individuais ou dos bancos de baterias presentes nos
CE’s, são necessárias infraestruturas de carregamento específicas, pois os carregadores desem-
penham um papel considerável no sistema total. A vida útil da bateria e o tempo total de
carregamento têm influência direta com as propriedades dos carregadores (HABIB et al., 2018).
Segundo Habib et al. (2018) e Lunz e Sauer (2015), os sistemas de carregamento de
baterias para o Carro Elétrico (CE) são divididos em três tipos: on-board, off-board e Wireless
(Indutivo), com suas ramificações sendo mostradas na Figura 3.

Figura 3 – Modos de carregamento de baterias para carros elétricos

Fonte: Adaptado de Lunz e Sauer (2015)

Estes sistemas possuem ramificações e são divididos entre tensões monofásicas e trifá-
sicas, com fluxo unidirecional de energia (onde a energia elétrica flui somente da rede elétrica
para a bateria) e bidirecional (onde a energia elétrica flui tanto da rede elétrica para a bateria
quanto ao contrário).
23

2.3.1 Comparação Entre os Sistemas de Carregamento Off-board e On-board

Segundo Lunz e Sauer (2015) e Habib et al. (2018), o carregamento off-board é co-
mumente utilizado para altas transferências de potência em corrente contínua da estação de
recarga até o CE. A adequação e a conversão de energia pela eletrônica de potência desse tipo
de carregamento ocorre de modo externo ao CE, propiciando a redução de peso e aumento do
espaço disponível no interior do veículo. Como desvantagem, o sistema de carregamento do
veículo elétrico não pode ser realizado em tomadas de energia padrão, ou seja, o usuário comum
não é capaz de fazer a recarga de seu CE. A longo prazo, essa desvantagem pode resultar em
um problema para a aceitação em massa deste sistema de carregamento.

Figura 4 – Sistema de carregamento off-board

Carro Elétrico
EVSE

Carregador { Bateria Controlador Motor


Entrada AC
Monofásica Conector
Fonte: Adaptado de Habib et al. (2018)

Nos dias atuais, carregadores on-board são os mais utilizados e difundidos no mercado.
Comumente utilizados para baixas potências (LUNZ; SAUER, 2015), há uma limitação de velo-
cidade de carregamento dos CE’s. Nesta aplicação, a conversão CA-CC é realizada internamente
ao Carro Elétrico. Em consequência disso, ocorre um aumento do peso e uma diminuição no
espaço útil do CE quando comparado ao sistema off-board (HABIB et al., 2018).

Figura 5 – Sistema de carregamento on-board

Carro Elétrico
EVSE

Controlador { Carregador Bateria Controlador Motor


Entrada AC
Conector
Monofásica
Fonte: Adaptado de Habib et al. (2018)
24

2.4 Carregadores de Baterias

No contexto de eletrônica de potência, existem muitas topologias de conversores estáticos


que realizam a conversão de uma tensão alternada para tensão contínua. Como é o caso das
topologias ZETA, CÚK e Buck-Boost, sendo propícias ao carregamento de baterias. Desse
modo, serão analisadas na sequência algumas topologias de conversores estáticos utilizadas na
literatura para carregamento de baterias.

2.4.1 Conversor ZETA

O conversor ZETA tem por base uma estrutura de quarta ordem por possuir 4 elementos
armazenadores de energia, pode-se visualizar a estrutura do mesmo de duas formas, com relação
a sua entrada e outro com relação a sua saída. Com relação a entrada tem-se um conversor Buck-
Boost e um conversor Buck como carga. Para esse entendimento, a chave comandada 𝑆 está
sempre conduzindo e o diodo 𝐷 bloqueado. Devido a característica da tensão média no diodo
𝐷 ser igual a tensão média na carga e, com um reajuste da estrutura, tem-se o conversor ZETA
(MARTINS; BARBI, 2006).
Ao contrário do Buck-Boost, o conversor ZETA não tem sua polaridade de tensão de
saída invertida. Importante ressaltar que o ZETA tem como característica baixa ondulação de
corrente na saída e também a baixa ondulação de tensão de entrada. O conversor ZETA tem
seu comportamento aproximado ao do conversor SEPIC, sendo também conhecido como Dual-
Sepic (MARTINS; BARBI, 2006). Nos estudos de Peres, Martins e Barbi (1994), a topologia
ZETA é utilizada para correção de fator de potência. Na Figura 6 é representado o retificador
ZETA.

Figura 6 – Conversor ZETA convencional

S Lo
D1 D2 C1
+
iac
vac L1 Do Co Ro Vo

-
D3 D4

Fonte: Elaborado pelo autor


25

2.4.2 Conversor CÚK

Também conhecido como conversor a acumulação capacitiva, o conversor CÚK, pode ser
representado como um conversor Boost em conjunto com um conversor Buck, sendo representado
como um conversor Boost-Buck, dual a um conversor Buck-Boost, inclusive com relação a sua
tensão de saída com polaridade invertida (MARTINS; BARBI, 2006). Muito similar a topologia
SEPIC (Figura 8), o conversor CÙK possui alteração de posição do diodo de saída 𝐷 𝑜 com o
indutor de saída 𝐿 3 , sendo que, nesta modificação, sua polaridade se inverte.
O indutor de entrada do CÚK atua como um filtro de entrada para evitar grande conteúdo
harmônico e diferente de outras topologias, em que a transferência de potência está atrelada aos
indutores, sua transferência de energia depende dos capacitores (HART, 2010). Na Figura 6 é
apresentado o retificador CÚK.

Figura 7 – Conversor CÚK convencional

L1 Lo
D1 D2 C1
-
iac Do
vac S Co Ro Vo

+
D3 D4

Fonte: Elaborado pelo autor

2.4.3 Conversor SEPIC

Segundo Hart (2010), o conversor Single-Ended Primary Inductance Converter (SE-


PIC) pode produzir tensões maiores e menores na saída com relação a sua entrada. Por sua
característica elevadora/abaixadora, o conversor SEPIC pode ser utilizado para diversas aplica-
ções, podendo ser citados dois exemplos: Correção do Fator de Potência (HABIB et al., 2018;
ISMAIL, 2009) e carregamento de baterias (SINGH; KUSHWAHA, 2016). Esse conversor
opera como um seguidor de tensão, quando operando em MCD, o que significa que a corrente
de entrada segue naturalmente a tensão. Assim, é dispensada a inclusão de uma malha para
controle da corrente de entrada e podem ser facilmente implementados (BARBI, 2015).
26

[Link] Conversor SEPIC Convencional

Na Figura 8 está mostrada a topologia do conversor SEPIC convencional para conversão


de tensão CA em CC. Sendo que a operação desse conversor se dá em três modos de condução
de corrente: modo de condução contínuo, modo de condução descontínuo e modo de condução
crítico (HEMANN et al., 2016; BARBI, 2015).

Figura 8 – Conversor SEPIC convencional

L1

+
iL1 C1 Do
D1 D2
+
iac
vac S L2 Co Ro Vo

-
D3 D4

Fonte: Elaborado pelo autor

Se torna plausível realizar a análise genérica do conversor da Figura 8 para os dois


semi-ciclos da tensão de rede CA, sendo somente alterado a comutação dos diodos 𝐷 1 e 𝐷 4 por
𝐷 2 e 𝐷 3 para cada semiciclo da rede elétrica (BARBI, 2015). Em um período de comutação
da chave de potência 𝑆 podem ocorrer três etapas de funcionamento do conversor, sendo que a
terceira etapa só ocorre se o modo de condução for descontínuo.
Para a primeira etapa de operação, quando a chave de potência 𝑆 está conduzindo, há
o armazenamento de energia nos indutores 𝐿 1 e 𝐿 2 , advindos da fonte CA. O diodo 𝐷 𝑜 não
está conduzindo, pois está polarizado reversamente, 𝑉𝑜 é maior que 𝑉𝐶1 e o capacitor 𝐶𝑜 está
fornecendo energia para a carga 𝑅𝑜 . No momento em que a chave de potência 𝑆 é bloqueada e
para de conduzir e então, se inicia a segunda etapa de operação (BARBI, 2015).
Na segunda etapa de operação, a energia armazenada nos indutores 𝐿 1 e 𝐿 2 está sendo
transferida para a carga 𝑅𝑜 e o capacitor 𝐶𝑜 , pois nesta etapa o diodo 𝐷 𝑜 começa a conduzir e,
sendo que a corrente nesse diodo é igual à corrente na carga 𝑅𝑜 . Quando a corrente no diodo 𝐷 𝑜
é anulada, há o início da terceira etapa até que a chave de potência 𝑆 volte a conduzir novamente.
Se houver anulação da corrente em 𝐷 𝑜 há a caracterização do modo de condução descontínua.
27

[Link] Conversor SEPIC Bridgeless

Quando comparada com a topologia convencional do Conversor SEPIC (Figura 8), a


topologia Bridgeless (Figura 9) apresenta menos perdas térmicas (dissipação de potência) e por
condução nos semicondutores, pois há somente 1 ou 2 semicondutores no caminho do fluxo
de corrente em cada ciclo de operação. Na tabela 1 é visualizada uma comparação entre o
conversor de topologia Convencional e topologia Bridgeless. Portanto, com a diminuição das
perdas internas do conversor analisado ocorre um aumento da eficiência na saída (SABZALI et
al., 2011).

Figura 9 – Conversor SEPIC Bridgeless

C1 C2 Do
+
+

iac L1
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo

iL2 -
Dp Dn
S1 S2
Fonte: Elaborado pelo autor

Tabela 1 – Comparação de componentes e caminhos de condução de corrente entre a topologia Convencional e


Bridgeless do conversor SEPIC

Tipo de Componente SEPIC Convencional SEPIC Bridgeless

Diodo 3 5

Chave de Potência 2 1

2 diodos 1 diodo
Caminhos de Etapa 1
1 Chave de Potência 1 Chave de Potência
Condução de
Etapa 2 3 Diodos 2 Diodos
Corrente
Etapa 3 (MCD) 2 Diodos 1 Diodo
Fonte: Elaborado pelo autor

As desvantagens da topologia Bridgeless com relação à convencional estão relacionadas


ao aumento dos componentes passivos do circuito: indutores e capacitores (BALBINO et al.,
2019). Diferentemente da topologia convencional, as chaves de potência na topologia Bridgeless
28

devem ser unidirecionais em corrente, ou seja, devem apresentar capacidade de bloqueio reversa
(SABZALI et al., 2011). Pois, no caso das chaves de potências serem do tipo MOSFET, o diodo
intrínseco de 𝑆1 irá criar um caminho de corrente no semiciclo negativo da tensão alternada de
entrada, invalidando o funcionamento do conversor.

2.4.4 Modos de Condução (MCD, MCC e MCCr)

Como também em outras topologias de conversores (Buck, Boost, Zeta e Buck-Boost)


o conversor SEPIC possui três modos de condução: o Modo de Condução Contínua, Modo
de Condução Contínua Crítica e o Modo de Condução de Descontínuo. Entretanto, o SEPIC
se difere das outras topologias mencionadas pela forma como é caracterizado cada modo de
condução. Se faz necessário observar a corrente no diodo 𝐷 𝑜 , sendo que, se não houver anulação
da passagem de corrente no diodo 𝐷 𝑜 , o modo de condução é caracterizado como contínuo.
Caso ocorrer a anulação do fluxo da corrente, ocorrerá uma terceira etapa de funcionamento e
assim o conversor estará operando em modo de condução descontínuo (HIRTH, 2015). Essas
características são equivalentes também para o conversor SEPIC Bridgeless quando no MCD
possui três etapas de operação e que serão abordadas no Capitulo 3.

2.4.5 Modulação PWM

Dentre diversas técnicas para controle de chaveamento das chaves de potência a modula-
ção por largura de pulso (do inglês Pulse Width Modulation, PWM) é uma das mais empregadas
devido à sua operação e fácil implementação prática (MARTINS; BARBI, 2006).
A Figura 10 evidencia um modo de sintetizar o controle PWM, caracterizado como modo
de tensão, onde se faz necessário coletar a tensão de saída 𝑉𝑜𝑢𝑡 e compará-la a uma tensão de
referência 𝑉𝑟𝑒 𝑓 , na qual se deseja obter na saída do conversor. É gerado um sinal de erro desse
processo para o mesmo ser compensado e comparado a um oscilador dente de serra para ser
gerado um novo sinal. Posterior a isso, o oscilador 𝑂𝑆𝐶 define a frequência do dente de serra e
a frequência de chaveamento.
29

Figura 10 – Controle PWM para modo de tensão

L D +Vout
V+(in)
+
Co
CLK
S Q
OSC
SAW
R
ERROR
AMP +
Vref
+ I= gmVerr PWM
+ – R1
– COMPARATOR
(compensation) Vcomp

FB
R2

A.

Fonte: Hill e Horowitz (2015)

2.5 Baterias

O uso de baterias em Carros Elétricos (CE’s) é de suma importância para o funcionamento


dos mesmos, sendo utilizada para os modelos de CE’s descritos no início deste capítulo.
Uma bateria é constituída por uma ou mais células eletroquímicas ligadas em série ou
em paralelo, ou com a combinação mista de ambas as ligações. Na Figura 11 é mostrada a
exemplificação de uma célula de bateria.

Figura 11 – Exemplificação de uma célula de bateria

Fonte: Lazzarin (2006)

Nestas células de energia, é possível armazenar energia química e transformá-la em


energia elétrica com o fornecimento de corrente elétrica por meio de seus eletrodos que são
chamados de ânodo (negativo) e cátodo (positivo) (CHAGAS, 2007), sendo que há um eletrólito
30

fazendo a separação desses dois eletrodos. Então, uma bateria pode ser definida como uma fonte
autônoma de energia (PORCIUNCULA, 2012). Baterias são divididas em duas categorias:
baterias primárias e baterias secundárias. Baterias primárias não podem ser recarregadas,
pois produzem sua energia por meio de uma reação eletroquímica, que não tem reversão,
ou seja, assim que a mesma for descarregada ela se torna inutilizável. Por outro lado, as
baterias secundárias são definidas como recarregáveis por uma outra fonte de geração de energia.
Algumas das baterias mais difundidas desta classificação para aplicação em CE’s são as baterias
de Chumbo-Ácido e Íon de Lítio (CHAGAS, 2007).
Segundo Chagas (2007) as baterias também podem ser classificadas em mais dois tipos
de acordo com a estrutura de materiais ativos a qual está construída: acumuladores de chumbo-
ácido e acumuladores alcalinos. Nos dias atuais, as principais tecnologias de baterias secundárias
são: Níquel-Cádmio (NiCd), Níquel-hidreto Metálico (NiMH), Chumbo-Ácido e Íon de Lítio
(Li-ion) (KHALIGH; LI, 2010). Dentre estas baterias, a que possui um menor custo é a bateria
do tipo Chumbo-Ácido (CHAGAS, 2007), por esse motivo, será abordado abaixo a bateria de
chumbo-ácido e seus métodos de carregamento. Na Figura 12, é apresentado uma variedade de
baterias com relação entre energia específica (𝑊 ℎ/𝑘𝑔) e potência específica (𝑊/𝑘𝑔).

Figura 12 – Variados tipos de baterias de acordo com a densidade

Fonte: Broussely (2010)


31

2.5.1 Baterias de Chumbo-Ácido

Baterias de chumbo-ácido foram criadas por Raymond Gaston Planté em 1859, onde
se utilizou condutores de chumbo como anodo e dióxido de chumbo como catodo, sendo os
mesmos separados por uma madeira que servia como um material isolante e mergulhado em
uma solução de ácido sulfúrico. É possível diferenciar as baterias de chumbo-ácido quanto a
sua forma de confinamento do eletrólito: baterias abertas que representam a forma mais comum
das baterias de chumbo-ácido, mas que necessitam de manutenção periódica pela necessidade
de reposição de água, entre outros líquidos, e as baterias seladas, que são livres de manutenção,
ou seja, não é necessário a troca constante do fluido interno. Ressalta-se neste tipo, as baterias
Sealed Lead Acid (SLA) e Valve Regulated Lead Acid (VRLA) (CHAGAS, 2007).

2.6 Métodos de Carregamento de Baterias do Tipo Chumbo-Ácido

Do ponto de vista de circuitos elétricos, para recarregar uma bateria se faz necessário
restaurar a energia que foi removida da mesma. A bateria pode ser definida como um capacitor
interno que necessita ser carregado por injeção de corrente. Por mais simples que seja, se
faz necessário aplicar métodos específicos de carregamento, pois pode ocorrer diminuição da
vida útil, sobreaquecimento e até explosões da bateria quando não há o correto método de
carregamento (CHEN; RINCÓN-MORA, 2006). Para carregamento de baterias de Chumbo-
Ácido existem três formas específicas e que se caracterizam por aplicação de corrente constante,
tensão constante ou potência constante (LAZZARIN, 2006). O funcionamento do método de
carregamento de corrente constante, tensão constante (CC-CV) pode ser visto na Figura 13.

Figura 13 – Método a um nível de corrente e um nível de tensão

Fonte: Adaptado de Coelho (2001)


32

No método de corrente constante, tensão constante (CC-CV) há duas etapas de carre-


gamento: no primeiro há a aplicação de uma corrente constante (𝐼𝑚𝑎𝑥 ) até a tensão na bateria
chegar a seu nível de tensão de flutuação característico (𝑉𝐹 𝐿𝑇 ). Já na etapa de manutenção de
carga, há a aplicação da tensão de flutuação para manter a carga (COELHO, 2001).
Para o método a duplo nível de tensão há a divisão em três estágios de carregamento.
Como no método anterior, há a aplicação de uma corrente de valor máximo (𝐼𝑚𝑎𝑥 ) após a
aplicação de uma corrente menor, de pré carga (𝐼𝑐𝑜𝑛𝑑 ), para elevar a tensão até um valor mínimo
(LAZZARIN, 2006). No segundo estágio, a tensão é mantida no nível de equalização (𝑉𝐵𝐿𝐾 )
sobre a bateria. Já no terceiro estágio, a bateria já está com em sua carga total, e sua função
é manter a bateria sendo alimentada em sua tensão de flutuação para ser mantida a carga. Na
Figura 14 é mostrado o ciclo completo de carga (COELHO, 2001).

Figura 14 – Método a um nível de corrente e um nível de tensão

Fonte: Adaptado de Coelho (2001)


33

3 METODOLOGIA

Neste capítulo é realizada a análise das etapas de operação do conversor SEPIC Bridge-
less, equacionamento estático e dinâmico do circuito e modelagem matemática da bateria. O
conversor SEPIC Bridgeless foi definido em vista da análise bibliográfica em que foi possível
evidenciar o seu baixo custo, aplicabilidade, baixa taxa de distorção de harmônica e alto fator de
potência, quando comparado a outros conversores estáticos. Neste capítulo também são mos-
tradas as definições para a etapa de implementação prática e validação do conversor analisado.
Para a análise da bateria, foi definido, após a revisão de literatura, uma bateria de chumbo-ácido
devido a seu baixo custo quando comparada a outros modelos de baterias.
Na Figura 15, está sumarizado o fluxo de trabalho deste projeto evidenciando as principais
etapas.

Figura 15 – Fluxograma de trabalho

Fonte: Elaborado pelo autor


34

Com base nos estudos de Balbino et al. (2019) e Sabzali et al. (2011), foi abordada a
análise do conversor SEPIC Bridgeless, apresentando as etapas de operação, análise estática,
correntes máximas e mínimas nos indutores, dimensionamento dos indutores, capacitores e
esforços nos semicondutores e, por fim, as especificações para o projeto do circuito de potência.
Na segunda etapa, são definidos os componentes eletrônicos de acordo com as especificações
do projeto. Na terceira etapa, com base na modelagem matemática de uma bateria de Chumbo-
Ácido descrita por Ceraolo (2000) e, também estudada por Jackey (2007), que definiu-se como
carga para o conversor analisado com a descrição das variáveis e sua aplicabilidade no circuito.
Na quarta etapa, há o projeto do controlador para gerenciar a corrente e tensão sobre a bateria.
Para validação das equações e simulações dos circuitos foram utilizados os softwares PSIM,
MathCad e Maple. Já para o projeto das Placas de Circuito Impresso (PCI’s) foi utilizado o
software KICAD.

3.1 Etapas de Operação do Conversor SEPIC Bridgeless

O conversor SEPIC Bridgeless analisado está mostrado na Figura 16 e pode ser caracte-
rizado como dois conversores SEPIC duais, conectados de tal forma que cada conversor opere
em um semiciclo da rede elétrica. Desse modo, a análise matemática pode ser desenvolvida
para apenas um semiciclo, haja vista sua simetria.

Figura 16 – Conversor SEPIC Bridgeless analisado

C1 C2 Do
+
+

iac L1
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo

iL2 -
Dp Dn
S1 S2
Fonte: Elaborado pelo autor

3.1.1 Análise dos Semiciclos

No semiciclo positivo de funcionamento do Conversor em análise há o início da operação


e o circuito 𝐿 1 − 𝑆1 −𝐶1 − 𝐿 3 − 𝐷 𝑜 que é ativado pelo diodo 𝐷 𝑝 , caracterizando o funcionamento
35

do primeiro conversor SEPIC. E, o segundo SEPIC é ativado no semiciclo negativo da tensão


CA com o circuito 𝐿 2 − 𝑆2 − 𝐶2 − 𝐿 3 − 𝐷 𝑜 sendo ativado pelo diodo 𝐷 𝑛 e, salienta-se que o
referencial do circuito está conectado ao neutro da fonte CA de entrada em todos as etapas de
operação, fato que elimina a tensão de modo comum desta topologia.

[Link] Primeira etapa de operação (𝑡0 a 𝑡 1 )

Como mostra a Figura 17, no instante em que a chave 𝑆1 é comandada a conduzir, o


diodo 𝐷 𝑝 é polarizado diretamente pela soma das correntes em 𝑖 𝐿1 e 𝑖 𝐿2 com o diodo 𝐷 𝑝 sendo
polarizado reversamente pela tensão 𝑣 𝑎𝑐 + 𝑉𝑜 .

Figura 17 – Primeira etapa: chave 𝑆1 em condução e o diodo 𝐷 𝑜 bloqueado

iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2
+
+

iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo

iL2 iL3 -
Dp S1 iS1

Fonte: Elaborado pelo autor

Nesse momento, as correntes nos três indutores (𝑖 𝐿1 , 𝑖 𝐿2 e 𝑖 𝐿3 ) são incrementadas


proporcionalmente a tensão 𝑣 𝑎𝑐 de entrada, sendo que a taxa de aumento da corrente é dada por:

𝑑𝑖 𝐿𝑛 𝑣 𝑎𝑐
= , 𝑛 = 1, 2, 3 (3.1)
𝑑𝑡 𝐿𝑛

Durante a primeira etapa de operação, a corrente nas chaves corresponde a soma das
correntes nos três indutores, sendo que a corrente máxima na chave é dada por::

𝑉𝑝
𝐼𝑆1,𝑝𝑘 = 𝐷 1𝑇𝑠 (3.2)
𝐿𝑒

Sendo que a variável 𝐿 𝑒 é dada por:

1 1 1 1
= + + (3.3)
𝐿𝑒 𝐿1 𝐿2 𝐿3
36

Onde 𝐷 1 representa a razão cíclica de comutação das chaves potência 𝑆1 e 𝑆2 e 𝑉𝑝 representa a


tensão de pico de entrada.

[Link] Segunda etapa de operação (𝑡1 a 𝑡2 )

No instante em que a chave 𝑆1 é comandada a bloquear como mostra a Figura 18, inicia-se
a segunda etapa de operação.

Figura 18 – Segunda etapa: chave 𝑆1 bloqueada e o diodo 𝐷 𝑜 em condução

iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2 iDo
+
+

iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo

iL2 iL3 -
Dp S1

Fonte: Elaborado pelo autor

Nessa etapa, o diodo 𝐷 𝑜 começa a conduzir, gerando um caminho para as correntes


nos três indutores. E, ao contrário do que ocorre na primeira etapa, a corrente decresce
proporcionalmente a tensão de saída 𝑉𝑜 dada por:

𝑑𝑖 𝐿𝑛 −𝑉𝑜
= , 𝑛 = 1, 2, 3 (3.4)
𝑑𝑡 𝐿𝑛

A segunda etapa de operação se encerra quando a corrente no diodo 𝐷 𝑜 reduz até zero,
sendo que esta corrente está sendo fornecida pelos indutores sem passagem de corrente, o diodo
𝐷 𝑜 se torna reversamente polarizado. Esta etapa de operação é denominada 𝑡2 e é possível
caracterizá-lo como sendo a razão cíclica 𝐷 2 (razão de 𝑡2 pelo período de comutação 𝑇𝑠 ). A
razão cíclica 𝐷 2 é calculada por meio de:

𝐷1
𝐷2 = 𝑠𝑖𝑛(𝜔𝑡) (3.5)
𝐺

Sendo que 𝐺 é a relação de conversão de tensão, ou seja, o ganho estático do conversor,


dado por (3.6). Com 𝜔 sendo a frequência angular da tensão de entrada (Equação 3.7), 𝑉𝑜 a
tensão de saída do conversor e 𝑇 o tempo em segundos.
37

𝑉𝑜
𝐺= (3.6)
𝑉𝑝

2𝜋
𝜔= (3.7)
𝑇

[Link] Terceira etapa de operação (𝑡 2 a 𝑇𝑠 )

Nessa etapa de funcionamento ocorre a caracterização do modo de condução descon-


tínuo. Conforme a Figura 19, a chave 𝑆1 ou 𝑆2 e o diodo 𝐷 𝑜 estão em estado bloqueado e
os três indutores estão operando como fontes de corrente para manter a corrente constante e,
consequentemente, a tensão entre os indutores é zero. Nesse momento, a corrente no indutor
𝑖 𝐿1 está carregando o capacitor 𝐶1 e o capacitor 𝐶2 está sendo descarregado pelo indutor 𝐿 2 .
A duração da terceira etapa 𝑡3 pode ser caracterizado como a razão cíclica 𝐷 3 (razão de
𝐷 3 pelo período de comutação 𝑇𝑠 ) e sendo caracterizada de acordo com:

𝑉𝑜 (1 − 𝐷 1 ) − 𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1
𝐷3 = 1 − 𝐷1 − 𝐷2 = (3.8)
𝑉𝑜

Figura 19 – Terceira etapa: chave 𝑆1 e diodo 𝐷 𝑜 bloqueados (MCD)

iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2 iDo
+
+

iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo

iL2 iL3 -
Dp S1

Fonte: Elaborado pelo autor

3.2 Análise Estática do Conversor SEPIC Bridgeless

Nessa seção serão caracterizados e determinados o ganho estático, correntes e tensões


nos semicondutores.
38

3.2.1 Ganho Estático

O ganho estático 𝐺 deste conversor é definido pela tensão de saída com relação à tensão
de entrada, conforme a Equação (3.6) bem como pela relação entre a corrente média 𝐼 𝐷 𝑜 no
diodo 𝐷 𝑜 para um semiciclo da rede elétrica.

Figura 20 – Formas de ondas teóricas para MCD em um período de comutação 𝑇𝑠

iS,iDo iS1 iDo


vac /Le
vS1 vac+VO
-Vo /Le vac

t t
vac /L3
iL1,iL2,iL3
vac /L1
iL1 vS2 VO

iL2 t t
vac /L2 iL3 -vac
iC1,iC2 IL1max
IL1min i vDo
-(IL2max+IL3max) C1 vac+VO VO
IL2max
iC2 t t
IL2min
t0 t1 t2 TS t0 t1 t2 TS

D1TS D2TS D3TS D1TS D2TS D3TS


Fonte: Elaborado pelo autor

A equação da corrente média no diodo 𝐷 𝑜 para um semiciclo de rede elétrica é determi-


nada integrando-se a média da corrente 𝐷 𝑜 para um período de comutação 𝑇𝑠 :

∫𝑇
1
𝐼 𝐷𝑜 = h𝑖 𝐷𝑜 i 𝑑𝑡 (3.9)
𝑇
0

Após a análise das formas de ondas teóricas (Figura 20), define-se a corrente média no
diodo 𝐷 𝑜 como sendo:

𝑉𝑝 2 𝑠𝑒𝑛2 (𝜔𝑡)𝐷 1 2𝑇𝑠


h𝑖 𝐷𝑜 i = (3.10)
2𝐿 𝑒𝑉𝑜

Então, substituindo (3.10) em (3.9) obtêm-se uma nova equação para o ganho estático
do conversor, considerando que a corrente média na carga é igual a corrente 𝐼 𝐷𝑜 :
39

s
𝑉𝑜 𝑇𝑠 𝐷 1 2 𝑅𝑜
𝐺= = (3.11)
𝑉𝑝 4𝐿 𝑒

Verifica-se em (3.11) a dependência da resistência de carga (função da potência proces-


sada) no ganho estático do conversor operando no MCD.

[Link] Limite de condução entre MCC e MCD

O valor da razão cíclica 𝐷 1 , deve ser menor que o valor da razão cíclica crítica para
operação em MCD, sendo definido por:

𝐺
𝐷 𝑐𝑟 𝑖´𝑡𝑖𝑐𝑜 = (3.12)
1−𝐺

Sendo que, a condição crítica ocorre quando o ganho do conversor operando em MCD
torna-se igual ao ganho em MCC:

𝑉𝑜
𝐷 𝑐𝑟 𝑖´𝑡𝑖𝑐𝑜 = (3.13)
𝑉𝑜 − 𝑉𝑝

3.2.2 Corrente de Entrada

Com a premissa de que o conversor opera sem perdas, a corrente média de entrada pode
ser obtida pela relação entre potência de entrada e potência de saída, ou seja, a potência que o
conversor recebe é a mesma potência que o conversor entrega em sua saída conforme:

𝑣 𝑎𝑐 h𝑖 𝑎𝑐 i = 𝑣 𝑜 h𝑖 𝐷𝑜 i (3.14)

Com a corrente de entrada média sendo representada durante um período de comutação. Subs-
tituindo (3.10) em (3.14), é obtido:

𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1 2𝑇𝑠
h𝑖 𝑎𝑐 i = (3.15)
2𝐿 𝑒

Logo, para operação em MCD, a corrente de entrada é naturalmente senoidal e em fase


com a tensão, não necessitando assim o controle de tal variável, o que simplifica a estratégia de
controle adotada.
40

3.2.3 Correntes Máximas e Mínimas nos Indutores

Conforme a Figura 20, que está representando as formas de ondas teóricas do conversor,
é possível determinar um sistema de equações lineares para a determinação de valores máximos
e mínimos de corrente nos indutores ((3.16) a (3.19)). Ademais, levando em consideração a
definição de que a corrente média em um capacitor é zero, é possível determina (3.20) e (3.21).
Portanto, tem-se o sistema de equações com seis equações e seis incógnitas para cálculo das
correntes médias e eficazes nos indutores do conversor.

𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿1_𝑚 𝑎𝑥 (3.16)
𝐿1

𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥 (3.17)
𝐿2

𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿3_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿3_𝑚 𝑎𝑥 (3.18)
𝐿3

𝐼 𝐿3_𝑚𝑖´𝑛 = −(𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 + 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 ) (3.19)

(𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 − (𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿3_𝑚 𝑎𝑥
´ ))𝐷 1 (𝐼 𝐿1_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 ))𝐷 2 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 𝐷 3
𝑖𝐶1_𝑎𝑣𝑔 = + + = 0 (3.20)
2 2 𝑉𝑜

(𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 + 𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ )𝐷 1 (𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 )𝐷 2 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 𝐷 3
𝑖𝐶2_𝑎𝑣𝑔 = + + =0 (3.21)
2 2 𝑉𝑜

Com o auxílio do software Maple, foi possível realizar o sistema das equações mostradas
anteriormente e defini-las como:

[𝐷 1 2𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝑇𝑠 (−𝐿 2 𝐿 3 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝑉𝑝 + 𝐿 1 𝐿 2𝑉𝑜 + 𝐿 1 𝐿 3𝑉𝑜 )]


𝐼 𝐿1_𝑚𝑖𝑛 = (3.22)
2𝑉𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3

[𝑉 𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠 (−𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉 𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) + 𝐷 1 𝐿 1 𝐿 2𝑉𝑜 + 𝐷 1 𝐿 1 𝐿 3𝑉𝑜 + 2𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑜 ]


𝐼 𝐿1_𝑚𝑎𝑥 = (3.23)
2𝑉𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3
41

−𝐷 1 2 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝑉𝑝 𝑇𝑠 (𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) + 𝑉𝑜 )


𝐼 𝐿2_𝑚𝑖𝑛 = (3.24)
2𝑉𝑜 𝐿 2

−[𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠 (𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1 + 𝑉𝑜 𝐷 1 − 2𝑉𝑜 ]


𝐼 𝐿2_𝑚𝑎𝑥 = (3.25)
2𝑉𝑜 𝐿 2

−[𝐷 1 2𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝑇𝑠 (−𝐿 1 𝐿 3𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) − 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) + 𝐿 1 𝐿 2𝑉𝑜 )]


𝐼 𝐿3_𝑚𝑖𝑛 = (3.26)
2𝑉𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3

−[𝑉 𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠 (−𝐷 1 𝐿 1 𝐿 3𝑉 𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉 𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) + 𝐷 1 𝐿 1 𝐿 2𝑉𝑜 − 2𝐿 1 𝐿 2𝑉𝑜 )]


𝐼 𝐿3_𝑚𝑎𝑥 = (3.27)
2𝑉𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3

3.3 Projeto do Circuito de Potência

Nesta seção são abordados os aspectos pertinentes ao projeto do circuito de potência e


suas nuances.

3.3.1 Dimensionamento dos Indutores

De acordo com a análise das formas de ondas teóricas na Figura 20, é possível se definir
as correntes mínimas e máximas em cada indutor, sendo que a diferença entre mínimo e máximo
é denominado denominado como ondulação de corrente, dado por:

𝑉𝑝 𝐷 1
Δ𝑖 𝐿1 = 𝐼 𝐿1,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 = (3.28)
𝐿 1 𝑓𝑠

𝑉𝑝 𝐷 1
Δ𝑖 𝐿3 = 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿3,𝑚𝑖´𝑛 = (3.29)
𝐿 3 𝑓𝑠

Ajustando-se as posições, é possível definir as equações dos valores de indutância, sendo


que 𝑘 𝑖 é definido como um percentual de variação da corrente:

𝑉𝑝 𝐷 1
𝐿1 = 𝐿2 = (3.30)
𝑓𝑠 𝑘 𝑖 𝐼 𝐿1,𝑟𝑚𝑠
42

Para a definição do valor de indutância 𝐿 3 é necessário analisar (3.11) e isolar 𝐿 𝑒 . Após,


se faz necessário substituir 𝐿 𝑒 em (3.3), sendo 𝐿 3 definido por:

−𝑉𝑝 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 𝐿 1 𝐿 2
𝐿3 = (3.31)
𝑉𝑃 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 (𝐿 1 + 𝐿 2 ) − 4𝐿 1 𝐿 2 𝑃𝑜

3.3.2 Dimensionamento dos Capacitores

Conforme a análise da forma de onda na Figura 20, na primeira etapa de operação a


corrente em 𝐶1 é igual a corrente 𝑖 𝐿1,𝑚𝑖𝑛 e está decrescendo linearmente até atingir o valor
mínimo de:


𝑖𝐶1 = − 𝐼 𝐿2,𝑚𝑎𝑥 + 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥 (3.32)

Na segunda etapa de operação, a chave de potência não está mais conduzindo e a corrente
em 𝐶1 se torna o valor de 𝑖 𝐿1,𝑚𝑎𝑥 . Levando-se em conta essas questões, é possível obter a equação:

𝐼 𝐿1,𝑚𝑖𝑛 𝐷 1𝑇𝑠
Δ𝑇𝐶1 = (3.33)
𝐼 𝐿1,𝑚𝑖𝑛 − 𝐼 𝐿2,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥

Sendo que, esta equação representa o cálculo da ondulação pelo primeira etapa de operação. A
representação do cálculo do capacitor em função da ondulação de tensão em 𝐶1 é dada por:

∫𝐷 1𝑇𝑠
1 (𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 − 𝐼 𝐿2,𝑚 𝑎𝑥
´ − 𝐼 𝐿3,𝑚 𝑎𝑥
´ )
𝐶1 = (𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 − 𝑡)𝑑𝑡 (3.34)
Δ𝑉𝐶1 𝐷 1𝑇𝑠
Δ𝑇𝐶1

Com a resolução da integral, é possível obter:

− 𝑉𝑜𝑝 𝑇𝑠 2 𝐷 1 2 (𝑉𝑜 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 2)𝐿 1 − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 ) 2


𝑉

𝐶1 = 𝐶2 = (3.35)
8Δ𝑉𝐶1 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 (𝑉𝑜 𝐿 1 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 1) − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 )

Para o projeto do capacitor 𝐶𝑜 , o mesmo deve atender aos critérios de ondulação definidas
em projeto.

𝑉𝑝 𝐷 1 (1 − 𝐷 1 )
𝐶𝑜 = (3.36)
8𝜋 𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Δ𝑉𝑜 𝑓𝑠 𝐿 3
43

3.3.3 Esforço nos Semicondutores

Para determinar as correntes médias e eficazes nos semicondutores (chaves de potência


e diodos) é necessário realizar a integração dessas variáveis para um período de comutação 𝑇𝑠 .
Com a análise da Figura 20 define-se a corrente média na chave de potência 𝑆1 para um
período de comutação como:

1 𝑉𝑝 𝐷 1 2𝑇𝑠
𝐼𝑆1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜_𝜔𝑡 = (3.37)
2 𝜋𝐿 𝑒

Então, integrando-se (3.38) para um semiciclo da rede elétrica, é determinada a corrente


média no interruptor:

∫𝜋
1 𝑉𝑝 𝐷 1𝑇𝑠
𝐼𝑆1,𝑎𝑣𝑔 = h𝑖 𝑆1 i𝑑𝜔𝑡 = (3.38)
2𝜋 2𝐿 𝑒 𝜋
0

O mesmo se aplicando para a corrente eficaz na chave de potência em um período de


rede elétrica:

√ s 2 3 2
3 𝑉𝑝 𝐷 1 𝑇𝑠
𝐼𝑆1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = (3.39)
6 𝐿𝑒2

Quando tratado da questão da tensão reversa máxima nas chaves de potência, é possível
definir a mesma sendo igual a:

𝑉𝑆1_𝑚𝑎𝑥 = 𝑉𝑝 + 𝑉𝑜 (3.40)

O mesmo modo de metodologia aplicado acima pode ser aplicado a análise da corrente
eficaz no diodo 𝐷 𝑜 , pois a corrente média no diodo 𝐷 𝑜 já foi definida em (3.9). Aplicando-se
as definições, a corrente eficaz do diodo 𝐷 𝑜 pode ser dada por:
s
2 𝑉𝑝 3 𝐷 1 3𝑇𝑠 2
𝐼 𝐷𝑜_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = √ (3.41)
3 𝜋 𝐿 𝑒𝑉𝑜

Com relação a tensão reversa, a mesma é análoga à chave de potência:

𝑉𝐷𝑜_𝑚𝑎𝑥 = 𝑉𝑝 + 𝑉𝑜 (3.42)

Com a análise da Figura 16 e também da Figura 20, se torna possível definir que a tensão
44

em 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 para cada semiciclo da rede elétrica é igual a tensão de pico de entrada, então:

𝑉𝑝 = 𝑉𝐷 𝑝 _𝑚𝑎𝑥 (3.43)

Para os valores de corrente média e eficaz nos diodos 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 é determinado que as


mesmas são iguais as correntes em 𝑖 𝐿1 e 𝑖 𝐿2 . Sendo assim, o valor da corrente média é:

𝐼 𝐷 𝑝 _𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 = 𝐼 𝐿1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 (3.44)

Com 𝐼 𝐿1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 sendo igual a:

8𝑉 𝑝 2 𝐷 1
−[𝑇𝑠 [[[−6𝑉𝑜 2 + 𝜋𝑉𝑝 (𝐷 1 − 1)𝑉𝑜 + 3 ] 𝐿3 − 2𝐿 2𝑉𝑜 2 ] 𝐿 1 − 2𝑉𝑜 2 𝐿 2 𝐿 3 ]𝐷 1 2𝑉𝑝 ]
𝐼 𝐿1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 =
4𝑉𝑜 2 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 𝜋

Para a equação de 𝐼 𝐿1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 , a mesma pode ser definida como:

𝐼 𝐷 𝑝 _𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = 𝐼 𝐿1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 (3.45)

Com 𝐼 𝐿1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 sendo igual a:

s
1 1
𝐼 𝐿1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = [ 2 2 2 2
[𝑇𝑠 2 𝐷 1 3𝑉𝑝 2 (36𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 2 2 𝜋𝑉𝑜 2 + 72𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 2 𝐿 3 𝜋𝑉𝑜 2 +
24 𝐿 1 𝑉𝑜 𝐿 3 𝐿 2 𝜋

+144𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑜 2 − 27𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑝 2 + 72𝐷 1 𝐿 1 𝐿 2 2 𝐿 3 𝜋𝑉𝑜 2 + 72𝐷 1 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑜 2 −

−27𝐷 1 𝐿 2 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑝 2 + 192𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 3 2𝑉𝑜𝑉𝑝 − 192𝐷 1 𝐿 2 2 𝐿 3 2𝑉𝑜𝑉𝑝 + 48𝐿 1 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑜 2 +

48𝐿 2 2 𝐿 3 2 𝜋𝑉𝑜 2 + 128𝐿 1 2 𝐿 3 2𝑉𝑂 𝑉𝑃 + 128𝐿 2 2 𝐿 3 2𝑉𝑜𝑉𝑝 )]]


45

3.4 Especificações do Conversor SEPIC Bridgeless

Esta seção apresenta a validação da metodologia descrita acima e também são definidas
as especificações de projeto, junto com a verificação dos valores de correntes e tensões nos
componentes passivos e semicondutores.
O conversor SEPIC Bridgeless foi projetado a partir das especificações da Tabela 2 para
posterior implementação e montagem em bancada. Conforme as equações levantadas para os
componentes armazenadores de energia e esforços nos semicondutores nas etapas anteriores
ocorre a definição de suas grandezas.

Tabela 2 – Definições de projeto do conversor SEPIC Bridgeless

Definições de Projeto Valor

Tensão RMS de entrada (𝑣 𝑎𝑐 ) 127V


Frequência da rede elétrica ( 𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 ) 60Hz
Tensão de Saída (𝑉𝑜 ) 96V
Potência de saída (𝑃𝑜𝑢𝑡 ) 300W
Razão cíclica crítica (𝐷 𝑐𝑟𝑖𝑡𝑖𝑐𝑜 ) 0,348
Razão cíclica do projeto (𝐷 1 ) 0,30
Frequência de chaveamento ( 𝑓𝑠 ) 50kHz
Ondulação de tensão na saída (Δ𝑉𝑜% ) 1%
Ondulação de corrente nos indutores (Δ𝐼 𝐿% ) 10%
Fonte: Elaborado pelo autor

3.4.1 Dimensionamento dos Elementos do Conversor SEPIC Bridgeless

Os componentes passivos do circuito foram dimensionados com base nas equações


analisadas anteriormente e nas definições de projeto descritas acima. Com base em (3.30)
definiu-se os valores dos indutores de entrada 𝐿 1 e 𝐿 2 :

𝑉𝑝 𝐷 1
𝐿1 = 𝐿2 = = 3, 2258𝑚𝐻
𝑓𝑠 𝑘 𝑖 𝐼 𝐿1,𝑟𝑚𝑠

Para definição do indutor 𝐿 3 , se utilizou (3.31), então:


46

−𝑉𝑝 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 𝐿 1 𝐿 2
𝐿3 = = 49, 88𝑢𝐻
𝑉𝑃 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 (𝐿 1 + 𝐿 2 ) − 4𝐿 1 𝐿 2 𝑃𝑜

Os capacitores de entrada 𝐶1 e 𝐶2 foram definidos de acordo com (3.35):

− 𝑉𝑜𝑝 𝑇𝑠 2 𝐷 1 2 (𝑉𝑜 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 2)𝐿 1 − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 ) 2


𝑉

𝐶1 = 𝐶2 = = 5, 337𝑢𝐹
8Δ𝑉𝐶1 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 (𝑉𝑜 𝐿 1 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 1) − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 )

Por fim, o valor da capacitância de saída 𝐶𝑜 foi definida de acordo com (3.36):

𝑉𝑝 𝐷 1 (1 − 𝐷 1 )
𝐶𝑜 = = 10, 446𝑚𝐹
8𝜋 𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Δ𝑉𝑜 𝑓𝑠 𝐿 3

3.5 Etapa de Simulação

Para efetivar os cálculos anteriores é utilizado o software PSIM para simular e vali-
dar as equações. Na Figura 21 é mostrado o circuito montado em simulação para validação
computacional.

Figura 21 – Circuito implementado em simulação


Switch
Do IDo
A
50kHz 50kHz A IC1 A IC2 V
D1=0.3 1 D1=0.3
Onda Onda
Quadrada Triangular

VC1 V C1 VC2 V C2
6uF 6uF A IL3
Iout

iac L1 IL1
A A A IRo Vo
3.22mH
179.8V V Vout
60Hz vac V Vout
vac L2 IL2
L3 Co
A 30.72
49.88uH
3.22mH 10mF
A IS1 A IS2
IDp A IDn A

Switch Db1 Switch Db2

Dp V Vp Dn V Vn V VS1 V VS2

Fonte: Elaborado pelo autor


47

3.6 Implementação Prática

Tomando-se por base as fórmulas descritas neste capítulo se torna possível realizar o
dimensionamento dos componentes comerciais a serem utilizados para a fabricação e montagem
do Conversor SEPIC Bridgeless. Também é realizado o dimensionamento da etapa de controle
do chaveamento e leitura dos sensores de tensão e corrente.
Após a definição dos componentes comerciais inicia-se o projeto das (PCI’s) com a
utilização do software KICAD. Pode-se dividir a etapa de implementação prática em 3 partes:
etapa de potência, etapa de controle e etapa de aquisição de dados. No Apêndice A é mostrado
o diagrama elétrico das PCI’s.

3.6.1 PCI de Potência

A quantidade e modelo ou referência dos componentes utilizados para a etapa de potência


podem ser visualizadas na Tabela 3.

Tabela 3 – Componentes comerciais utilizados no protótipo - Etapa de potência

Componente Modelo / Referência


Indutores 𝐿 1 e 𝐿 2 02 x 3,22mH, N◦ de espiras: 254, Fio: AWG21
Capacitores 𝐶1 e 𝐶2 12 x 1uF, 400V Filme Metalizado
Chaves de potência 𝑆1 e 𝑆2 02 x IXGH60N60C2, 60A/600V
Indutor 𝐿 3 01 x 49,88uH, 6,27A
Diodo 𝐷 𝑜 01 x RURP1560, 15A/600V
Diodos 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 02 x STTA806DDIG, 8A/600V
Diodos de Bloqueio 𝐷 𝐵1 e 𝐷 𝐵2 02 x 15ETH06, 15A/600V
Capacitor 𝐶𝑜 04 x 10000uF, B41845 80V
Fonte: Elaborado pelo autor

3.6.2 PCI de Controle

Para aquisição de dados, controle do chaveamento e regulação de níveis de tensão é


necessário ser desenvolvida uma placa de controle. Os componentes utilizados na montagem da
PCI são mostrados na Tabela 4.
48

Tabela 4 – Componentes comerciais utilizados no protótipo - Etapa de controle

Componente Modelo / Referência


Microcontrolador dsPIC33FJ12MC202
Driver de acionamento para 𝑆1 e 𝑆2 IR2110
Amplificador operacional LM358
Sensor de corrente ACS712ELCTR-05B-T
Regulador de tensão 5V LM7805
Regulador de tensão 3,3V LM1117
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 22 – Protótipo montado em bancada

Fonte de
Alimentação

Osciloscópio

PCI de Controle
Resistência de Carga
Varivolt

Conversor SEPIC
Bridgeless

Fonte: Elaborado pelo autor

3.7 Modelagem Matemática da Bateria

Para simulação completa do conversor de energia alimentando uma bateria, é necessário


se utilizar modelos matemáticos que representem o comportamento dinâmico de um bateria de
Chumbo-Ácido. Com base nisso, é utilizada a modelagem matemática com omissão do ramo
parasita, descrita por Ceraolo (2000) e também estudada em Jackey (2007). Na Figura 23 está
representado o circuito equivalente para a bateria de chumbo-ácido.
49

Figura 23 – Modelo matemático de uma bateria de Chumbo-Ácido

Dbo Cb1
Rbo

+ Rb2 Rb1
Vo Em +
-
-

Fonte: Adaptado de Ceraolo (2000)

3.7.1 Tensão de Derivação Principal

É possível aproximar a tensão de derivação principal 𝐸 𝑚 de acordo com:

𝐸 𝑚 = 𝐸 𝑚0 − 𝐾 𝐸 (273 − 𝜃)(1 − 𝑆𝑂𝐶) (3.46)

Em que:

• 𝐸 𝑚 : Representa a tensão de circuito aberto em Volts;

• 𝐸 𝑚0 : Tensão de circuito aberto com carga total em Volts;

• 𝐾 𝐸 : Constante com valor de 0,004027 em Volts/ žC;

• 𝑆𝑂𝐶: Estado de carga da bateria (Varia entre 0 e 1);

3.7.2 Estado de Carga

O estado de carga é definido com valores entre 0 e 1 e indica a quantidade de carga


restante utilizável da bateria e pode ser definido como:

∫𝑡
1
𝑆𝑂𝐶 = 𝑆𝑂𝐶0 − 𝑖 𝑚 (𝑡)𝑑𝑡 (3.47)
𝑄
0

Onde 𝑆𝑂𝐶0 representa o estado inicial de carga contida na bateria, 𝑖 𝑚 (𝑡) é a corrente de carga
e também de descarga e 𝑄 é a capacidade nominal em Coulomb (2 Ampéres-hora= 7200
Coulombs).
50

3.7.3 Resistência de Terminal

A variável 𝑅𝑏 𝑜 representa a resistência de terminal da bateria e pode ser definida como:

𝑅𝑏 𝑜 = 𝑅𝑏 𝑜𝑜 [1 − 𝐴𝑜 (1 − 𝑆𝑂𝐶)] (3.48)

Onde 𝑅𝑏 𝑜𝑜 é o valor de 𝑅𝑏 𝑜 quando o estado de carga está em 1, e 𝐴0 representa uma constante.

3.7.4 Resistência de Ramo Principal

Para caracterizar o funcionamento dinâmico da bateria, o valor da resistência 𝑅1 aumenta


exponencialmente e depende das variáveis de:

𝑅𝑏 1 = 𝑅10 𝑒 (1−𝐾·𝑆𝑂𝐶) (3.49)

3.7.5 Resistência Interna

A resistência interna da bateria tende a variar com o aumento de 𝑆𝑂𝐶 e depende também,
da corrente de carga, conforme:

𝑒 𝐴21 (1−𝑆𝑂𝐶)
𝑅𝑏 2 = 𝑅20 𝐴22 ·𝐼𝑚
(3.50)
1+𝑒 𝐼∗

Em que:

• 𝑅20 : Valor de resistência constante;

• 𝐼𝑚 : Corrente medida na entrada da bateria;

• 𝐼 ∗ : Corrente nominal em Amperes;

• 𝐴21 : Constante;

• 𝐴22 : Constante.
51

3.7.6 Capacitância de Ramo Principal

Pode-se definir a capacitância 𝐶1 como a capacidade da bateria em armazenar energia e


sua dinâmica. E, segundo Kushwaha e Singh (2016) seu valor pode ser definido conforme:

𝐸 𝑛 · 3600 · 1000
𝐶𝑏 1 = (3.51)
0, 5 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑎𝑥 2 − 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑖𝑛 2


Em que:

• 𝐸 𝑛 : Capacidade energética da bateria em KWh;

• 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑎𝑥 : Tensão máxima de circuito aberto a plena carga;

• 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑖𝑛 : Tensão mínima de circuito aberto descarregado totalmente;

3.8 Modelagem Dinâmica e Estratégia de Controle

Para o projeto de controle do conversor SEPIC Bridgeless operando como um carregador


de bateria é necessário realizar o controle de duas variáveis: tensão de saída e corrente de saída.
Por essa razão, se faz necessário projetar os controladores para essas duas variáveis com relação
a razão cíclica do conversor.
Na Figura 24 são apresentados os diagramas de blocos para os dois modos definidos de
carregamento de uma bateria. Os dois controles são independentes, sendo utilizados em cada
uma das etapas de carregamento descritos no Capítulo 2.

Figura 24 – Diagramas de blocos para modo de tensão constante e corrente constante


+
Erro D
IoRef å C (s)
Controlador
de iCorrente PWM C
Gvii(s)
(s) Io
-

CH
i(s)
Sensor
vo

+
Erro C D
dei(s)
Controlador
VoRef å Tensão PWM C
Gvdi(s)
(s) Vo
-

CH
i(s)
Sensor
vo

Fonte: Elaborado pelo autor


52

3.8.1 Modelo Dinâmico para Controle da Tensão de Saída

Conforme analisado no início deste capítulo, a corrente de saída 𝑖 𝐷𝑜 tem uma relação
direta com 𝑖 𝐿3 e é definida por:

𝑉𝑝 𝑑 2 (𝐿 1 𝐿 2 + 𝐿 1 𝐿 3 + 𝐿 2 𝐿 3 )
𝑖 𝐿3 = (3.52)
4𝑣 𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 𝑓𝑠

Uma das abordagens para realizar a modelagem dinâmica para controle de tensão e
corrente de saída do conversor SEPIC Bridgeless é mostrada na Figura 25 e por meio da lei de
Kirchhoff das correntes, é realizado o levantamento das equações características.

Figura 25 – Modelo equivalente para controle de corrente e


tensão de saída

iCo io
+
iL3 Co Ro vo
-
Fonte: Elaborado pelo autor

Aplicando-se as definições de tensão e corrente para os componentes de saída e colocando-


os em função da tensão de saída e o duty cycle, obtêm-se:

ˆ = 𝜕𝑖 𝑙3 𝑑ˆ + 𝜕𝑖 𝑙3 𝑣ˆ 𝑜 = 𝐶𝑜 𝑑𝑣 𝑜 + 𝑣 𝑜
𝑖 𝐿3 ( 𝑣ˆ 𝑜 , 𝑑) (3.53)
𝜕𝐷 𝜕𝐷 𝑑𝑡 𝑅𝑜

Pela aplicação da transformada de Laplace e por meio da linearização em torno do ponto


de operação do modelo de pequenos sinais:

𝑣ˆ 𝑜 𝑣𝑑1 𝑅𝑜
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎_𝑣𝑑 = = (3.54)
𝑑ˆ 𝑠𝐶𝑜 𝑅𝑜 + 𝑣𝑑2 𝑅𝑜 + 1

Onde:
𝑉𝑝 2 𝐷 1
𝑣𝑑1 = (3.55)
2𝑉𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠

𝑉𝑝 2 𝐷 1 2
𝑣𝑑2 = − (3.56)
4𝑉𝑜 2 𝐿 𝑒 𝑓𝑠
53

Com a utilização do software MATLAB, foram sintonizados os ganhos do controlador


de tensão para o projeto da função de transferência. Os parâmetros desse controlador são
apresentados na Figura 26.

Figura 26 – Parâmetros do controlador para o projeto do controle de


tensão

Fonte: Elaborado pelo Autor

Então, a partir dos ganhos 𝐾 𝑝 e 𝐾𝑖 define-se o controlador:

0, 00055658𝑠 + 0, 0036235
𝐻 (𝑠)𝑡𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 = (3.57)
𝑠

Na Figura 27 é mostrado os componentes necessários para controle em malha fechada


do conversor da Figura 21.
O mesmo procedimento descrito para a tensão de saída anteriormente é válido também
para a corrente de saída em relação ao duty cycle e pode ser definido como:

ˆ = 𝜕𝑖 𝑙3 ˆ 𝜕𝑖 𝑙3 ˆ 𝑑𝑣 𝑜
𝑖 𝐿3 (𝑖ˆ𝑜 , 𝑑) 𝑑+ 𝑖 𝑜 = 𝐶𝑜 + 𝑖𝑜 (3.58)
𝜕𝐷 𝜕𝐷 𝑑𝑡

Seguindo a mesma metodologia descrita acima, é possível obter:


54

Figura 27 – Sistema de controle de tensão de saída

0.00055658
PI
0.1536028702 Switch
96V 50kHz
Vout D1=0.3
Onda
Triangular

Fonte: Elaborado pelo Autor

𝑖ˆ𝑜 𝑖𝑑1
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎_𝑖𝑑 = = (3.59)
𝑑ˆ 𝑠𝐶𝑜 𝑅𝑜 𝐼𝑜 + 𝑖𝑑2 + 1

Onde:
𝑉𝑝 2 𝐷 1
𝑖𝑑1 = (3.60)
2𝐼𝑜 𝑅𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠

𝑉𝑝 2 𝐷 1 2
𝑖𝑑2 = − (3.61)
4𝐼𝑜 2 𝑅𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠

Com a utilização do software MATLAB, foram sintonizados os ganhos do controlador


de corrente para o projeto da função de transferência. Os parâmetros desse controlador são
dados na Figura 28.
Os valores obtidos com 𝐾 𝑝 e 𝐾𝑖 podem ser convertidos na equação seguinte para o
controlador de corrente:

0, 054115𝑠 + 0, 12243
𝐻 (𝑠)𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = (3.62)
𝑠

Na Figura 29 é mostrado os componentes necessários para controle em malha fechada


do conversor da Figura 21.

3.8.2 Discretização dos Controladores

De acordo com as definições da etapa de modelagem dinâmica e estratégia de controle


descrita anteriormente,l realiza-se o processo de discretização deste controlador para imple-
mentação em microcontrolador. O método de discretização escolhido é o método de Tustin
(transformação bilinear) e que consiste em mapear matematicamente variáveis. Geralmente
utilizado para realizar a transformação equivalente da função de transferência no domínio do
55

Figura 28 – Parâmetros do controlador para o projeto do controle de


corrente

Fonte: Elaborado pelo Autor

Figura 29 – Sistema de controle de corrente de saída

0.054115
PI
0.4420076779 Switch

3A 50kHz
Iout D1=0.3
Onda
Triangular

Fonte: Elaborado pelo Autor

tempo 𝐻 (𝑠) em um sistema no domínio discreto do tempo 𝐻 (𝑧). A equação que define o método
de Tustin pode ser visto em:

2 (𝑧 − 1)
𝑠= (3.63)
𝑇 𝑎 (𝑧 + 1)

Por conseguinte, substituindo os valores de 𝑠 pela Equação 3.63 tem-se as duas equações
discretizadas para um período de amostragem 𝑇𝑎 de 0, 2𝑚𝑠:
56

0, 000556942𝑧 − 0, 000556217
𝐻 (𝑧)𝑡𝑢𝑠𝑡𝑖𝑛_𝑡𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 = (3.64)
𝑧−1

Figura 30 – Implementação do controle digital do controlador de tensão

static double x_nm1=0; // x_nm1: x[n-1]


static double y_nm1=0; // y_nm1: y[n-1]
static double x=0;
static double y=0;
if(timer>=0.0002)
{
x=96-x1;
y=0.000556694*x - 0.000556217*x_nm1 +1*y_nm1;
y_nm1=y;
x_nm1=x;
Switch
timer=0;
}
timer=timer+delt;
y1=y;

Vout 50kHz
D1=0.3
Onda
Triangular

Fonte: Elaborado pelo autor

0, 054127243𝑧 − 0, 054102757
𝐻 (𝑧)𝑡𝑢𝑠𝑡𝑖𝑛_𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = (3.65)
𝑧−1

Figura 31 – Implementação do controle digital do controlador de corrente

static double x_nm1=0; // x_nm1: x[n-1]


static double y_nm1=0; // y_nm1: y[n-1]
static double x=0;
static double y=0;
if(timer>=0.0002)
{
x=3-x1;
y=0.054127243*x - 0.054102757*x_nm1 +1*y_nm1;
y_nm1=y;
x_nm1=x;
Switch
timer=0;
}
timer=timer+delt;
y1=y;

Iout 50kHz
D1=0.3
Onda
Triangular

Fonte: Elaborado pelo autor


57

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Neste capítulo serão abordados e apresentados os principais resultados seguindo os pro-


cedimentos do Capítulo 3. Inicialmente, é realizada a validação da topologia com os parâmetros
definidos anteriormente evidenciando as principais formas de onda nos componentes passivos
e semicondutores, tanto os resultados simulados quanto os práticos em malha aberta. Posteri-
ormente a isso, ocorre a validação em simulação dos dois métodos de controle implementados.
Por fim, é feita a validação do modelo matemático da bateria via simulação.

4.1 Validação do Conversor Bridgeless

Nesta seção será validado o conversor para os parâmetros definidos e também é avaliado
os valores de corrente e tensão em componentes passivos e semicondutores.

4.1.1 Capacitores 𝐶1 e 𝐶2

As formas de ondas de corrente e tensão nos capacitores descritos nesta sub-seção


podem ser visualizadas nas Figura 32 e 33, sendo que as comparações entre valores simulados
e calculados podem ser visualizados na Tabela 5.

Figura 32 – Formas de onda de corrente (simulado) nos capacitores 𝐶1 (vermelho) e


𝐶2 (azul)

Corrente no capacitor C1 Corrente no capacitor C2


28
24
20
Corrente (A)

16
12
8
4
0
-4
-8
15,8189 15,8256 15,8323 15,839 15,8458
Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor


58

Figura 33 – Formas de onda de tensão (simulado) nos capacitores 𝐶1 (vermelho) e 𝐶2


(azul)
Tensão no capacitor C1 Tensão no capacitor C2
200
Tensão (V) 175
150
125
100
75
50
25
0
15,8189 15,8256 15,8323 15,839 15,8458
Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor

4.1.2 Indutores 𝐿 1 , 𝐿 2 e 𝐿 3

As formas de ondas nos indutores descritos nesta sub-seção podem ser visualizadas nas
Figuras 34 e 35. Com relação a valores de corrente média e eficaz, as mesmas podem ser
visualizadas na Tabela 5.

Figura 34 – Forma de onda de corrente (simulado) nos indutores 𝐿 1 (vermelho) e 𝐿 2


(azul)
Corrente no indutor L1 Corrente no indutor L2
3,5
3
Corrente (A)

2,5
2
1,5
1
0,5
0
-0,5
16,8358 16,8425 16,8493 16,8561 16,8628
Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor


59

Figura 35 – Forma de onda de corrente (simulado) no indutor 𝐿 3


Corrente no Indutor L3

Corrente (A) 20

15

10

-5
16,85 16,86 16,87 16,88
Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor

4.1.3 Diodos 𝐷 𝑝 , 𝐷 𝑛 e 𝐷 𝑜

Nas Figuras 36 e 37 é mostrada a forma de onda característica para a corrente no diodo


𝐷 𝑜 onde ocorre a caracterização do modo de condução deste conversor. Na Figura 36 é possível
ser visualizado a forma de onda para os ciclos da rede elétrica, sendo que na Figura 37 pode
ser vista a forma de onda anterior ampliada para o período de comutação de 50kHz com a
caracterização do MCD. Para a Figura 36 (corrente 𝐷 𝑜 em ampliação) não deve ser considerado
os valores de pico e somente a descontinuidade no período.

Figura 36 – Forma de onda de corrente em 𝐷 𝑜 simulado


IDo

20
Corrente (A)

15

10

5.084 5.088 5.092 5.096 5.1


Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor


60

Figura 37 – Forma de onda de corrente simulado em 𝐷 𝑜 para representação do MCD


iDo

15
Corrente (A)

10

0
5.06942 5.06944 5.06946 5.06948
Tempo (s)

Fonte: Elaborado pelo autor

Nas Figuras 38 e 39, é visualizada a validação em bancada das formas de onda mostradas
anteriormente e das equações do capítulo anterior. Na Tabela 5 estão representados os valores
calculados, simulados e práticos.

Figura 38 – Forma de onda de corrente em 𝐷 𝑜 prático

Fonte: Elaborado pelo autor


61

Figura 39 – Forma de onda de corrente prática em 𝐷 𝑜 para representação do MCD

Fonte: Elaborado pelo autor

Por fim, na Figura 40 são mostradas as formas de onda para os outros dois diodos do
circuito: 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 . Na Tabela 5 são mostrados os valores para as correntes médias e RMS nestes
dois diodos.

Figura 40 – Forma de onda de corrente nos diodos 𝐷 𝑛 (vermelho) e 𝐷 𝑝 (azul)


Corrente no diodo Dn Corrente no diodo Dp

4
Corrente (A)

-1
16,81 16,82 16,83 16,84
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

4.1.4 Chaves de Potência 𝑆1 e 𝑆2

Na Figura 41 é representada a forma de onda para a corrente nas chaves de potência,


nota-se que cada chave opera em um determinado semiciclo da rede elétrica. Já na Figura 42
está representada a forma de onda na prática, validando a etapa matemática e simulada vista no
decorrer do documento. Na etapa prática há uma diferença entre os valores RMS de cada uma
das chaves que é ocasionada por alguma diferença de impedância entre os semi-ciclos da rede
62

elétrica. Na Tabela 5 é mostrado os valores RMS e os valores para erros relativos e absolutos.
Importante salientar a necessidade de que as chaves de potência sejam unidirecionais em
corrente, ou seja, não devem possuir um diodo antiparalelo em sua estrutura afim de evitar que
o conversor opere indevidamente.

Figura 41 – Forma de onda de corrente (simulado) nas chaves de potência 𝑆1 (vermelho)


e 𝑆2 (azul)
Corrente na chave S1 Corrente na chave S2
28
24,5
21
Corrente (A)

17,5
14
10,5
7
3,5
0
16,85 16,86 16,87 16,88
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 42 – Forma de onda de corrente (prático) nas chaves de potência 𝑆1 (ver-


melho) e 𝑆2 (verde)

Fonte: Elaborado pelo autor

As formas de onda de tensão simulada nas chaves de potência são mostradas na Figura
43. Na sequência (Figura 44) é possível visualizar as formas de onda na prática, validando esta
etapa. Foi obtido um erro absoluto de 0,45 V e relativo de 0,2% (valores mostrados na Tabela
5).
63

Figura 43 – Forma de onda de tensão (simulado) nas chaves de potência 𝑆1 (vermelho) e


𝑆2 (azul)

Tensão na chave S1 Tensão na chave S2


320
240
160
Tensão (V)

80
0
-80
-160
-240
15,9017 15,9084 15,9151 15,9218 15,9285
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 44 – Forma de onda de tensão (prático) nas chaves de potência 𝑆1 (verde)


e 𝑆2 (verde)

Fonte: Elaborado pelo autor

4.1.5 Tensão e Corrente de Entrada do Conversor

Como característica do MCD neste conversor, a corrente de entrada deve estar natural-
mente em fase com a tensão de entrada, apresentando assim um fator de potência próximo ao
unitário. Nas Figuras 45 (simulado) e Figura 46 (prático) é mostrado que a corrente está em fase
com a tensão a plena carga. Calculando-se o fator de potência por meio das Equações 4.1 e 4.2
com a utilização do angulo de fase entre tensão e corrente dos testes em bancada , obtêm-se:

𝜙 = 90◦ − 1, 59◦ = 88, 41◦ (4.1)

88, 41◦
𝐹𝑃 = = 0, 98 (4.2)
90◦
64

Figura 45 – Tensão e corrente (simulado) de entrada do conversor

iac Vac/25.65
10
8
Tensão (V)/ Corrente (A)

6
4
2
0
-2
-4
-6
-8
-10
15,869 15,8757 15,8824 15,8891 15,8958
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 46 – Tensão e corrente (prático) de entrada do conversor

Fonte: Elaborado pelo autor

Nota-se que a taxa de distorção harmônica neste conversor ficou em torno de 3.81% para
a etapa de simulação. Na Tabela 5 são mostrados os valores calculados, simulados e práticos
para tensão e corrente de entrada.

4.1.6 Tensão e Corrente de Saída em Malha Aberta

Na Figura 47 estão representadas as formas de onda de corrente e tensão de saída do


conversor em malha aberta, ou seja, sem controle das variáveis de saída. Como não há esse
controle, a tensão saída na prática ficou 2,3 V acima dos valores de simulação.
65

Figura 47 – Tensão e corrente (prático) de saída em malha aberta

Fonte: Elaborado pelo autor

4.1.7 Eficiência do Conversor

Com relação a eficiência do conversor, comparou-se a potência de entrada com a potência


de saída. Multiplicando a tensão e corrente RMS de entrada obteve-se um valor de:

𝑃𝑖𝑛 = 𝑣 𝑎𝑐 × 𝑖 𝑎𝑐 = 124 × 3, 06 = 379, 44𝑊

Para a eficiência de saída, multiplicou-se as potências médias de saída e obteve-se:

𝑃𝑜𝑢𝑡 = 𝑉𝑜𝑢𝑡 × 𝐼𝑜𝑢𝑡 = 98, 3 × 3, 16 = 310, 63𝑊

Ou seja, obtém-se uma eficiência de:

𝑃𝑜𝑢𝑡
𝜂= × 100 = 81, 6%
𝑃𝑖𝑛

Na Tabela 5 é mostrado a eficiência do conversor em simulação e na etapa prática. Notou-


se uma diferença significativa nos valores devido a idealidade dos componentes na simulação.
66

Tabela 5 – Valores teóricos, simulados e práticos para os componentes do conversor

Valor Valor Valor Erro Erro


Grandeza Mensurada
Teórico Simulado Prático Absoluto Relativo

Corrente RMS em 𝑆1 e 𝑆2 3,521 A 3,601 A 3,56 A 0,041 1,14%

Tensão de Pico Reversa 𝑆1 e 𝑆2 278,86 V 275,65 V 275,2 V 0,45 0,2%

Corrente Média em 𝐷 𝑜 3,125 A 3,144 A 3,09 A 0,054 1,7%

Tensão de Pico Reversa em 𝐷 𝑜 275,6 V 280 V 277,3 V 2,7 0,9%

Corrente Média em 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 1,106 A 1,0971 A 0,0089 0,8%

Corrente RMS em 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 1,674 A 1,7368 A 0,0628 3,75%

Corrente Média em 𝐶1 e 𝐶2 1,53 A 1,63 A 0,1 6,35%

Corrente RMS em 𝐶1 e 𝐶2 2,86 A 3,13 A 0,27 8,6%

Corrente Média em 𝐿 1 e 𝐿 2 1,106 A 1,097 A 0,009 0,8%

Corrente RMS em 𝐿 1 e 𝐿 2 1,674 A 1,737 A 0,063 3,6%

Corrente Média em 𝐿 3 3,125 A 3,124 A 0,001 0,032%

Corrente RMS em 𝐿 3 6,271 A 6,312 A 0,041 0,65%

Tensão RMS de Entrada 𝑣 𝑎𝑐 127V 127 V 124 V 3 2,36%

Corrente RMS de Entrada 𝑖 𝑎𝑐 2,127 A 2,436 A 3,06 A 0,624 25,61%

Tensão Média de Saída 96 V 96 V 98,3 V 2,3 2,39%

Corrente Média de Saída 3,00 A 3,00 A 3,16 A 0,16 5,06%

Fator de Potência 1 0,996 0,98 0,016 1,61%

TDH - 3,81 %

Potência de Entrada 270,13 W 309,37 W 379,44 W 70,07 22,64%

Potência de Saída 300 W 306,52 W 310,63 W 4,11 1,34%

Eficiência 100% 99% 81,6% 17,4 17,57%

Fonte: Elaborado pelo autor


67

4.1.8 Validação dos Controladores

Após a validação do conversor SEPIC Bridgeless, buscou-se validar os métodos para


controle das duas variáveis de saída do conversor em tempos diferentes: corrente e tensão. Esse
modo de controle foi realizado devido ao comportamento dinâmico da bateria que será utilizada
como carga. De acordo com um dos métodos de carga apresentados no Capítulo 2 e seguindo a
metodologia do Capítulo 3 são apresentadas formas de onda da corrente de saída (Figura 48) e
também da tensão de saída (Figura 49).

[Link] Controlador de Corrente de Saída Discretizado

Inicialmente, se buscou controlar a corrente de saída para um valor nominal de 3A


(corrente máxima definida pelos parâmetros de corrente bateria) e, posteriormente, quando a
bateria se aproximar de sua tensão de flutuação ocorre a troca do controle para manter a tensão
em seu valor de flutuação com a corrente decrescendo até um valor de manutenção.

Figura 48 – Corrente de saída para o controlador de corrente definido (simulado)

Corrente de saída
3,1
3,05
3
Corrente (A)

2,95
2,9
2,85
2,8
2,75
2,7
2,65
9,807 11,159 12,512 13,864 15,217
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

Como pode ser visualizado na Figura 48, na resposta transitória característica ocorre a
estabilidade da planta antes dos 15 segundos após a aplicação de um sinal de perturbação em
10 segundos. Em outras palavras, para uma perturbação do sinal em qualquer momento durante
o regime permanente, o controle deve procurar corrigir este erro e retornar a sua tensão de
referência.
68

[Link] Controlador de Tensão de Saída Discretizado

Após a etapa de carregamento por uma corrente constante, acontece a mudança da forma
de controle e passa a ser monitorada a tensão de saída em 96V e a corrente, que antes se mantinha
em 3A, começa a decrescer até um valor de manutenção. Como pode ser visualizado na Figura
49, o comportamento dinâmico de tensão de saída após a aplicação de uma perturbação para
verificar a estabilidade e o comportamento em regime transitório.

Figura 49 – Tensão de saída para o controlador de tensão definido (simulado)

Tensão de saída

96

94
Tensão (V)

92

90

88

86
9,94 10,65 11,36 12,07 12,78 13,49 14,2 14,91 15,62 16,33
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

4.2 Análise do Modelo Matemático da Bateria de Chumbo-Ácido

Utilizou-se os blocos de componentes do PSIM para simulação do modelo matemático


da bateria e também acoplamento como carga no conversor SEPIC Bridgeless. Na Figura 50,
nota-se o comportamento do estado de carga da bateria, que inicialmente estava totalmente
descarregado e no decorrer no tempo, foi carregada até seu estado de carga de 100% e após
isso, foi mantido constante. Na Tabela 6 é apresentada as definições para o projeto do modelo
de bateria.
Já na Figura 51, é possível verificar a variação da tensão da bateria ao longo de um
período de tempo e após isso se mantendo constante.
69

Tabela 6 – Definições para o projeto do modelo de bateria de Chumbo-Ácido

Definições do modelo matemático da bateria de Chumbo-Ácido

Q (C) 𝐸 𝑚0 (𝑉) I*(A) 𝑅10 (Ω) K 𝑅00 (Ω) 𝐴0 𝐶1 (𝐹) 𝑅20 (Ω) 𝐴21 𝐴22
10600 96 3 0,1 10 0,01 0,1 9224 0,015 -8 -8,45
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 50 – Estado de carga da bateria (simulado)

SOC
1

0,8
Estado de carga

0,6

0,4

0,2

0
0 1000 2000 3000 4000 5000
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 51 – Tensão da bateria (simulado)

Tensão na bateria
96
95,8
95,6
Tensão (V)

95,4
95,2
95
94,8
94,6
0 1000 2000 3000 4000 5000
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
70

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo geral proposto foi projetar e implementar um Conversor SEPIC Bridgeless


operando em modo de condução descontínuo para carregamento de baterias para uso em carros
elétricos.
Inicialmente, contextualizou-se os conceitos pertinentes para o entendimento do trabalho.
Com base nisso, optou-se pela utilização do conversor SEPIC Bridgeless, com operação em
MCD. Entendeu-se que a operação em MCD apresentou características propícias para o proposto
neste projeto. Também, com base no referencial teórico foi definido um modelo de bateria
do tipo chumbo-ácido para ser possível a implementação prática sendo que esta definição
levou em consideração o baixo custo para aquisição da bateria. Desse modo, foi simulado o
comportamento total de um sistema de carregamento de bateria, desde a adequação da tensão
alternada em contínua por meio do conversor SEPIC Bridgeless até o carregamento da bateria. Na
sequência, foram desenvolvidos os projetos da etapa de potência, controle e modelo matemático
da bateria com o auxílio dos softwares Matlab e PSIM.
Seguindo, foram desenvolvidos os projetos das PCI’s de aquisição de dados, potência
e controle com o auxílio do software KICAD em conjunto com a escolha de componentes
comerciais. Ocorreu também, a discretização dos controladores para implementação digital.
Os resultados da implementação prática com uma resistência de carga na saída apre-
sentaram valores próximos aos projetados com um erro percentual baixo na comparação entre
calculado, simulado e prático. Com relação ao modelo de bateria, o mesmo apresentou o com-
portamento esperado, atendendo aos critérios estabelecidos no Capítulo 3. Observa-se que foi
possível realizar o carregamento da bateria de forma satisfatória com o conversor recém validado
em simulação mas que na implementação em bancada não foi possível devido ao controle em
malha fechada não ter sido aplicado efetivamente no conversor, somente resultados em malha
aberta foram obtidos.
Propõe-se como continuação do trabalho a implementação do sistema de carregamento
em bancada para coleta de dados, realizando o controle em malha fechada do conversor e
aquisição da bateria. Também propõe-se a substituição das chaves de potência por MOSFET
e diodos afim de diminuir as perdas internas do conversor, aumentando assim a eficiência de
conversão. Por fim, realizar a comparação dos resultados em malha fechada com os resultados
em malha aberta.
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APÊNDICE A – DIAGRAMA ELÉTRICO DO PROTÓTIPO


75

APÊNDICE B – PROJETO FÍSICO DOS INDUTORES DE ENTRADA 𝐿 1 E 𝐿 2


76

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