Sepic Base 5
Sepic Base 5
LUCAS SERRANO
ERECHIM - RS
2020
LUCAS SERRANO
ERECHIM - RS
2020
LUCAS SERRANO
BANCA EXAMINADORA
Meus sinceros agradecimentos ao professor Cássio Luciano Baratieri por sua orientação
ao longo deste trabalho, conhecimento compartilhado durante a graduação e também por toda a
atenção dedicada.
Ao meu coorientador, Anderson José Balbino, pelo conhecimento compartilhado durante
a graduação e orientação ao longo do trabalho e, acima de tudo, pelos conselhos e amizade.
Agradeço imensamente aos meus pais, Amairi e Jair, que me apoiaram e incentivaram
em toda a minha jornada, me dando a base para minha formação pessoal, amo vocês e serei
eternamente grato. À minha irmã, Rosiane, que é de vital importância por quem sou hoje,
obrigado por me apoiar e inspirar.
A minha namorada, Mariana Tres, por estar ao meu lado em todos os momentos, desde
os bons até os ruins. Obrigado de coração, por me dar apoio e auxílio quando mais precisei.
Aos meus colegas que estiveram comigo durante a graduação, inclusive aos sábados,
domingos, feriados e madrugadas pré-prova, no poker e nas brincadeiras. Agradecimento
especial ao Afonso Carlos Hinkel Júnior, Amerson Dapper, César Mecca, Cristiano Rafael
França, Jean Michel Brondani, Leonardo Luiz Szydloski, Mateus Santin, Osmar Francisco
Zaparolli e Ricardo Kistemacher. Obrigado meus amigos!
A empresa Grupo WTEC e colegas de trabalho, por fazerem parte de mais da metade
de minha graduação. Agradecimento especial aos colegas de trabalho e amigos Deividi Felipe
Zaions e Jaques Hoscharuck pelo aprendizado durante esse tempo e por contribuírem de forma
significativa em minha formação profissional.
A minha banca, composta pelo Prof. Me. Adilson Luis Stankiewicz e pelo Prof. Me.
Claudio Augusto Zakrzevski pelos conhecimentos compartilhados durante a graduação e pelas
contribuições ao desenvolvimento deste trabalho.
A monitora dos laboratórios do curso, Marciele Schwanke, pela ajuda e contribuição no
desenvolvimento deste trabalho.
À Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Câmpus de Erechim,
ao curso de Engenharia Elétrica e a todos os funcionários e professores que contribuíram de
alguma forma para minha formação acadêmica, profissional e moral.
Comece onde você está, use o que você tem e
faça o que você pode.
(Arthur Ashe)
RESUMO
Carros Elétricos apresentam um papel promissor na sociedade moderna, uma vez que configuram-
se como uma alternativa sustentável para a mitigação dos índices de poluição atmosféricos e
sonoros. Em virtude disso, estudos aplicados à análise dos sistemas de processamento de ener-
gia dos carros elétricos são de suma importância, em especial ao carregamento das baterias.
Por esse motivo, o presente trabalho almeja analisar, simular e implementar na prática um
conversor SEPIC Bridgeless operando em Modo de Condução Descontínuo (MCD) aplicado ao
carregamento de baterias para uso em carros elétricos. A escolha da topologia Bridgeless foi
devido à redução de perdas térmicas e internas do conversor, pois a quantidade de dispositivos
semicondutores no caminho de corrente é menor. O MCD, por sua vez, foi selecionado devido
ao fato de ser necessário realizar apenas o controle da tensão e corrente de saída do conversor
SEPIC Bridgeless, sendo que o alto fator de potência é naturalmente obtido sem o controle
da corrente de entrada. Então, iniciou-se a análise das correntes e tensões nos componentes
do conversor. Em seguida, elaborou-se o projeto do circuito de potência em conjunto com o
de controle do conversor. Ademais, buscou-se analisar um modelo matemático de bateria do
tipo chumbo-ácido a fim de conectá-la ao conversor para validação completa do sistema. Os
resultados apresentados nos testes em bancada convergem com os resultados de simulação do
conversor, sendo que foi possível se obter um fator de potência de 0,98 na entrada do conversor
experimentalmente. Com relação a utilização da bateria, foram obtidos resultados de simulação
para o carregamento da bateria em corrente constante até atingir sua tensão nominal, para depois
ser mantida em sua tensão de manutenção.
Electric Cars play a promising role in modern society, as they are configured as a sustainable
alternative for the mitigation of air and noise pollution levels. As a result, studies applied to
the analysis of the energy processing systems of electric cars are of paramount importance,
especially for battery charging. For this reason, the present work aims to analyze, simulate and
implement in practice a SEPIC Bridgeless converter operating in Discontinuous Driving Mode
(MCD) applied to the charging of batteries for use in electric cars. The choice of the Bridgeless
topology was due to the reduction of thermal and internal losses of the converter, since the
number of semiconductor devices in the current path is less. The MCD, in turn, was selected
due to the fact that it is only necessary to control the voltage and output current of the SEPIC
Bridgeless converter, and the high power factor is naturally obtained without controlling the
current input. Then, the analysis of currents and voltages in the converter components began.
Then, the design of the power circuit was elaborated together with the control of the converter.
In addition, an attempt was made to analyze a mathematical model of a lead-acid battery in order
to connect it to the converter for complete system validation. The results presented in the bench
tests converge with the converter simulation results, and it was possible to obtain a power factor
of 0.98 at the converter input experimentally. Regarding the use of the battery, simulation results
were obtained for charging the battery in constant current until reaching its nominal voltage, to
then be maintained at its maintenance voltage.
Keywords: Electric Cars. Battery Charging. Discontinuous Conduction Mode. SEPIC Brid-
geless Rectifier. Battery.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.2 Organização do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2 REVISÃO DE LITERATURA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.1 Breve Histórico dos Carros Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.2 Tipos de Carros Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.3 Sistemas de Carregamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.3.1 Comparação Entre os Sistemas de Carregamento Off-board e On-board . . . . . . . . . . 23
2.4 Carregadores de Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.4.1 Conversor ZETA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.4.2 Conversor CÚK . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.4.3 Conversor SEPIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
[Link] Conversor SEPIC Convencional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
[Link] Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.4.4 Modos de Condução (MCD, MCC e MCCr) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.4.5 Modulação PWM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.5 Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.5.1 Baterias de Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.6 Métodos de Carregamento de Baterias do Tipo Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3 METODOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
3.1 Etapas de Operação do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.1.1 Análise dos Semiciclos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
[Link] Primeira etapa de operação (𝑡0 a 𝑡1 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
[Link] Segunda etapa de operação (𝑡1 a 𝑡2 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
[Link] Terceira etapa de operação (𝑡2 a 𝑇𝑠 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3.2 Análise Estática do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3.2.1 Ganho Estático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
[Link] Limite de condução entre MCC e MCD . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2.2 Corrente de Entrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2.3 Correntes Máximas e Mínimas nos Indutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
3.3 Projeto do Circuito de Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3.1 Dimensionamento dos Indutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3.2 Dimensionamento dos Capacitores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.3.3 Esforço nos Semicondutores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.4 Especificações do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.4.1 Dimensionamento dos Elementos do Conversor SEPIC Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.5 Etapa de Simulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.6 Implementação Prática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.6.1 PCI de Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.6.2 PCI de Controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.7 Modelagem Matemática da Bateria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.7.1 Tensão de Derivação Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.7.2 Estado de Carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.7.3 Resistência de Terminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.4 Resistência de Ramo Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.5 Resistência Interna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.7.6 Capacitância de Ramo Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.8 Modelagem Dinâmica e Estratégia de Controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.8.1 Modelo Dinâmico para Controle da Tensão de Saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
3.8.2 Discretização dos Controladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1 Validação do Conversor Bridgeless . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.1 Capacitores 𝐶1 e 𝐶2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.2 Indutores 𝐿 1 , 𝐿 2 e 𝐿 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.1.3 Diodos 𝐷 𝑝 , 𝐷 𝑛 e 𝐷 𝑜 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.1.4 Chaves de Potência 𝑆1 e 𝑆2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.1.5 Tensão e Corrente de Entrada do Conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
4.1.6 Tensão e Corrente de Saída em Malha Aberta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
4.1.7 Eficiência do Conversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
4.1.8 Validação dos Controladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
[Link] Controlador de Corrente de Saída Discretizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
[Link] Controlador de Tensão de Saída Discretizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.2 Análise do Modelo Matemático da Bateria de Chumbo-Ácido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
APÊNDICES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
17
1 INTRODUÇÃO
Milhões
6
China Europa Estados Unidos Outros Países
5
0
2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Adaptado de IEA (2019)
18
2 REVISÃO DE LITERATURA
A história dos carros elétricos pode ser divididas em três fases: dentre os anos de 1890
a 1929 e na denominada era de ouro dos carros elétricos, em que dominava o mercado de
1895 até 1905; nos anos intermediários de 1930 a 1989; e por fim, a fase atual que iniciou
em 1990. Os primeiros países que experimentaram carros elétricos foram a França, Inglaterra
e Estados Unidos da América (EUA). Este último mostrou seu interesse em meados de 1895
(ANDERSON; ANDERSON, 2010).
Em 1899, havia uma percepção de que veículos elétricos tinham inúmeras vantagens
quando comparado com carros movidos à combustão. Dentre as vantagens destacavam-se a
redução de ruídos, visto que eram silenciosos, confiáveis, fáceis de ligar e dirigir. Entretanto,
desvantagens como o curto alcance e o alto custo de aquisição, foram identificados (ANDER-
SON; ANDERSON, 2010; LARMINIE; LOWRY, 2012), fato que provocou a redução da
procura por essa tecnologia.
Nos anos de 1930 à 1989, os CE‘s voltaram a ter outro pico de interesse, em virtude da
escassez de gasolina e, em 1960, pelas preocupações ambientais e escassez de petróleo. Nos
anos atuais a partir de 1990, os CE’s retornam ao interesse de consumidores e fabricantes, pois
busca-se uma redução da poluição causada por motores à combustão, melhorando a qualidade do
ar (ANDERSON; ANDERSON, 2010). Em todas as fases, o CE foi elogiado por apresentar três
vantagens quando comparados a seus concorrentes, serem silenciosos, confiáveis e ecológicos
(CHAN, 2007).
É possível diferenciar os CE’s como carros que possuem um ou mais motores elétricos,
sendo que esses motores são utilizados para uma ou toda a etapa de propulsão (DELGADO et
21
al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015). Na Figura 2 as estruturas dos CE‘s são
sumarizadas em comparação com um carro movido à combustão.
Conforme a Figura 2, no Hybrid Electric Vehicles (HEV) seu principal motor possui
combustão interna e não é movido a eletricidade. O motor elétrico deste veículo tem a função
de propor melhorias na eficiência energética do motor à combustão, fornecendo tração em baixa
potência (DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015). O Extended
Range Electric Vehicles (E-REV) apresenta o motor elétrico como principal, e é alimentado
diretamente por fontes externas de energia elétrica, sendo que o motor à combustão se torna
secundário, fazendo a função de fornecer energia a um gerador que, posteriormente se necessário,
irá manter o nível de carga mínimo na bateria do CE, aumentando assim a autonomia (DELGADO
et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015).
A Figura 2 mostra também os carros em que o motor principal continua sendo à com-
bustão, chamado Plug-in Hybrid Electric Vehicles (PHEV), mas o motor pode receber energia
elétrica diretamente de uma alimentação externa (DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GAR-
CHE; TILLMETZ, 2015). Por fim, o Battery Electric Vehicles (BEV) possui sua fonte principal
de energia elétrica, com alimentação externa, sendo armazenada em banco de baterias internas
para que alimente o motor elétrico principal. O motor elétrico propulsiona as rodas e gera movi-
mento. Um veículo que usa exclusivamente a eletricidade é considerado um veículo all-electric
(DELGADO et al., 2017; SCROSATI; GARCHE; TILLMETZ, 2015).
22
Para o carregamento das baterias individuais ou dos bancos de baterias presentes nos
CE’s, são necessárias infraestruturas de carregamento específicas, pois os carregadores desem-
penham um papel considerável no sistema total. A vida útil da bateria e o tempo total de
carregamento têm influência direta com as propriedades dos carregadores (HABIB et al., 2018).
Segundo Habib et al. (2018) e Lunz e Sauer (2015), os sistemas de carregamento de
baterias para o Carro Elétrico (CE) são divididos em três tipos: on-board, off-board e Wireless
(Indutivo), com suas ramificações sendo mostradas na Figura 3.
Estes sistemas possuem ramificações e são divididos entre tensões monofásicas e trifá-
sicas, com fluxo unidirecional de energia (onde a energia elétrica flui somente da rede elétrica
para a bateria) e bidirecional (onde a energia elétrica flui tanto da rede elétrica para a bateria
quanto ao contrário).
23
Segundo Lunz e Sauer (2015) e Habib et al. (2018), o carregamento off-board é co-
mumente utilizado para altas transferências de potência em corrente contínua da estação de
recarga até o CE. A adequação e a conversão de energia pela eletrônica de potência desse tipo
de carregamento ocorre de modo externo ao CE, propiciando a redução de peso e aumento do
espaço disponível no interior do veículo. Como desvantagem, o sistema de carregamento do
veículo elétrico não pode ser realizado em tomadas de energia padrão, ou seja, o usuário comum
não é capaz de fazer a recarga de seu CE. A longo prazo, essa desvantagem pode resultar em
um problema para a aceitação em massa deste sistema de carregamento.
Carro Elétrico
EVSE
Nos dias atuais, carregadores on-board são os mais utilizados e difundidos no mercado.
Comumente utilizados para baixas potências (LUNZ; SAUER, 2015), há uma limitação de velo-
cidade de carregamento dos CE’s. Nesta aplicação, a conversão CA-CC é realizada internamente
ao Carro Elétrico. Em consequência disso, ocorre um aumento do peso e uma diminuição no
espaço útil do CE quando comparado ao sistema off-board (HABIB et al., 2018).
Carro Elétrico
EVSE
O conversor ZETA tem por base uma estrutura de quarta ordem por possuir 4 elementos
armazenadores de energia, pode-se visualizar a estrutura do mesmo de duas formas, com relação
a sua entrada e outro com relação a sua saída. Com relação a entrada tem-se um conversor Buck-
Boost e um conversor Buck como carga. Para esse entendimento, a chave comandada 𝑆 está
sempre conduzindo e o diodo 𝐷 bloqueado. Devido a característica da tensão média no diodo
𝐷 ser igual a tensão média na carga e, com um reajuste da estrutura, tem-se o conversor ZETA
(MARTINS; BARBI, 2006).
Ao contrário do Buck-Boost, o conversor ZETA não tem sua polaridade de tensão de
saída invertida. Importante ressaltar que o ZETA tem como característica baixa ondulação de
corrente na saída e também a baixa ondulação de tensão de entrada. O conversor ZETA tem
seu comportamento aproximado ao do conversor SEPIC, sendo também conhecido como Dual-
Sepic (MARTINS; BARBI, 2006). Nos estudos de Peres, Martins e Barbi (1994), a topologia
ZETA é utilizada para correção de fator de potência. Na Figura 6 é representado o retificador
ZETA.
S Lo
D1 D2 C1
+
iac
vac L1 Do Co Ro Vo
-
D3 D4
Também conhecido como conversor a acumulação capacitiva, o conversor CÚK, pode ser
representado como um conversor Boost em conjunto com um conversor Buck, sendo representado
como um conversor Boost-Buck, dual a um conversor Buck-Boost, inclusive com relação a sua
tensão de saída com polaridade invertida (MARTINS; BARBI, 2006). Muito similar a topologia
SEPIC (Figura 8), o conversor CÙK possui alteração de posição do diodo de saída 𝐷 𝑜 com o
indutor de saída 𝐿 3 , sendo que, nesta modificação, sua polaridade se inverte.
O indutor de entrada do CÚK atua como um filtro de entrada para evitar grande conteúdo
harmônico e diferente de outras topologias, em que a transferência de potência está atrelada aos
indutores, sua transferência de energia depende dos capacitores (HART, 2010). Na Figura 6 é
apresentado o retificador CÚK.
L1 Lo
D1 D2 C1
-
iac Do
vac S Co Ro Vo
+
D3 D4
L1
+
iL1 C1 Do
D1 D2
+
iac
vac S L2 Co Ro Vo
-
D3 D4
C1 C2 Do
+
+
iac L1
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo
iL2 -
Dp Dn
S1 S2
Fonte: Elaborado pelo autor
Diodo 3 5
Chave de Potência 2 1
2 diodos 1 diodo
Caminhos de Etapa 1
1 Chave de Potência 1 Chave de Potência
Condução de
Etapa 2 3 Diodos 2 Diodos
Corrente
Etapa 3 (MCD) 2 Diodos 1 Diodo
Fonte: Elaborado pelo autor
devem ser unidirecionais em corrente, ou seja, devem apresentar capacidade de bloqueio reversa
(SABZALI et al., 2011). Pois, no caso das chaves de potências serem do tipo MOSFET, o diodo
intrínseco de 𝑆1 irá criar um caminho de corrente no semiciclo negativo da tensão alternada de
entrada, invalidando o funcionamento do conversor.
Dentre diversas técnicas para controle de chaveamento das chaves de potência a modula-
ção por largura de pulso (do inglês Pulse Width Modulation, PWM) é uma das mais empregadas
devido à sua operação e fácil implementação prática (MARTINS; BARBI, 2006).
A Figura 10 evidencia um modo de sintetizar o controle PWM, caracterizado como modo
de tensão, onde se faz necessário coletar a tensão de saída 𝑉𝑜𝑢𝑡 e compará-la a uma tensão de
referência 𝑉𝑟𝑒 𝑓 , na qual se deseja obter na saída do conversor. É gerado um sinal de erro desse
processo para o mesmo ser compensado e comparado a um oscilador dente de serra para ser
gerado um novo sinal. Posterior a isso, o oscilador 𝑂𝑆𝐶 define a frequência do dente de serra e
a frequência de chaveamento.
29
L D +Vout
V+(in)
+
Co
CLK
S Q
OSC
SAW
R
ERROR
AMP +
Vref
+ I= gmVerr PWM
+ – R1
– COMPARATOR
(compensation) Vcomp
FB
R2
A.
2.5 Baterias
fazendo a separação desses dois eletrodos. Então, uma bateria pode ser definida como uma fonte
autônoma de energia (PORCIUNCULA, 2012). Baterias são divididas em duas categorias:
baterias primárias e baterias secundárias. Baterias primárias não podem ser recarregadas,
pois produzem sua energia por meio de uma reação eletroquímica, que não tem reversão,
ou seja, assim que a mesma for descarregada ela se torna inutilizável. Por outro lado, as
baterias secundárias são definidas como recarregáveis por uma outra fonte de geração de energia.
Algumas das baterias mais difundidas desta classificação para aplicação em CE’s são as baterias
de Chumbo-Ácido e Íon de Lítio (CHAGAS, 2007).
Segundo Chagas (2007) as baterias também podem ser classificadas em mais dois tipos
de acordo com a estrutura de materiais ativos a qual está construída: acumuladores de chumbo-
ácido e acumuladores alcalinos. Nos dias atuais, as principais tecnologias de baterias secundárias
são: Níquel-Cádmio (NiCd), Níquel-hidreto Metálico (NiMH), Chumbo-Ácido e Íon de Lítio
(Li-ion) (KHALIGH; LI, 2010). Dentre estas baterias, a que possui um menor custo é a bateria
do tipo Chumbo-Ácido (CHAGAS, 2007), por esse motivo, será abordado abaixo a bateria de
chumbo-ácido e seus métodos de carregamento. Na Figura 12, é apresentado uma variedade de
baterias com relação entre energia específica (𝑊 ℎ/𝑘𝑔) e potência específica (𝑊/𝑘𝑔).
Baterias de chumbo-ácido foram criadas por Raymond Gaston Planté em 1859, onde
se utilizou condutores de chumbo como anodo e dióxido de chumbo como catodo, sendo os
mesmos separados por uma madeira que servia como um material isolante e mergulhado em
uma solução de ácido sulfúrico. É possível diferenciar as baterias de chumbo-ácido quanto a
sua forma de confinamento do eletrólito: baterias abertas que representam a forma mais comum
das baterias de chumbo-ácido, mas que necessitam de manutenção periódica pela necessidade
de reposição de água, entre outros líquidos, e as baterias seladas, que são livres de manutenção,
ou seja, não é necessário a troca constante do fluido interno. Ressalta-se neste tipo, as baterias
Sealed Lead Acid (SLA) e Valve Regulated Lead Acid (VRLA) (CHAGAS, 2007).
Do ponto de vista de circuitos elétricos, para recarregar uma bateria se faz necessário
restaurar a energia que foi removida da mesma. A bateria pode ser definida como um capacitor
interno que necessita ser carregado por injeção de corrente. Por mais simples que seja, se
faz necessário aplicar métodos específicos de carregamento, pois pode ocorrer diminuição da
vida útil, sobreaquecimento e até explosões da bateria quando não há o correto método de
carregamento (CHEN; RINCÓN-MORA, 2006). Para carregamento de baterias de Chumbo-
Ácido existem três formas específicas e que se caracterizam por aplicação de corrente constante,
tensão constante ou potência constante (LAZZARIN, 2006). O funcionamento do método de
carregamento de corrente constante, tensão constante (CC-CV) pode ser visto na Figura 13.
3 METODOLOGIA
Neste capítulo é realizada a análise das etapas de operação do conversor SEPIC Bridge-
less, equacionamento estático e dinâmico do circuito e modelagem matemática da bateria. O
conversor SEPIC Bridgeless foi definido em vista da análise bibliográfica em que foi possível
evidenciar o seu baixo custo, aplicabilidade, baixa taxa de distorção de harmônica e alto fator de
potência, quando comparado a outros conversores estáticos. Neste capítulo também são mos-
tradas as definições para a etapa de implementação prática e validação do conversor analisado.
Para a análise da bateria, foi definido, após a revisão de literatura, uma bateria de chumbo-ácido
devido a seu baixo custo quando comparada a outros modelos de baterias.
Na Figura 15, está sumarizado o fluxo de trabalho deste projeto evidenciando as principais
etapas.
Com base nos estudos de Balbino et al. (2019) e Sabzali et al. (2011), foi abordada a
análise do conversor SEPIC Bridgeless, apresentando as etapas de operação, análise estática,
correntes máximas e mínimas nos indutores, dimensionamento dos indutores, capacitores e
esforços nos semicondutores e, por fim, as especificações para o projeto do circuito de potência.
Na segunda etapa, são definidos os componentes eletrônicos de acordo com as especificações
do projeto. Na terceira etapa, com base na modelagem matemática de uma bateria de Chumbo-
Ácido descrita por Ceraolo (2000) e, também estudada por Jackey (2007), que definiu-se como
carga para o conversor analisado com a descrição das variáveis e sua aplicabilidade no circuito.
Na quarta etapa, há o projeto do controlador para gerenciar a corrente e tensão sobre a bateria.
Para validação das equações e simulações dos circuitos foram utilizados os softwares PSIM,
MathCad e Maple. Já para o projeto das Placas de Circuito Impresso (PCI’s) foi utilizado o
software KICAD.
O conversor SEPIC Bridgeless analisado está mostrado na Figura 16 e pode ser caracte-
rizado como dois conversores SEPIC duais, conectados de tal forma que cada conversor opere
em um semiciclo da rede elétrica. Desse modo, a análise matemática pode ser desenvolvida
para apenas um semiciclo, haja vista sua simetria.
C1 C2 Do
+
+
iac L1
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo
iL2 -
Dp Dn
S1 S2
Fonte: Elaborado pelo autor
iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2
+
+
iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo
iL2 iL3 -
Dp S1 iS1
𝑑𝑖 𝐿𝑛 𝑣 𝑎𝑐
= , 𝑛 = 1, 2, 3 (3.1)
𝑑𝑡 𝐿𝑛
Durante a primeira etapa de operação, a corrente nas chaves corresponde a soma das
correntes nos três indutores, sendo que a corrente máxima na chave é dada por::
𝑉𝑝
𝐼𝑆1,𝑝𝑘 = 𝐷 1𝑇𝑠 (3.2)
𝐿𝑒
1 1 1 1
= + + (3.3)
𝐿𝑒 𝐿1 𝐿2 𝐿3
36
No instante em que a chave 𝑆1 é comandada a bloquear como mostra a Figura 18, inicia-se
a segunda etapa de operação.
iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2 iDo
+
+
iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo
iL2 iL3 -
Dp S1
𝑑𝑖 𝐿𝑛 −𝑉𝑜
= , 𝑛 = 1, 2, 3 (3.4)
𝑑𝑡 𝐿𝑛
A segunda etapa de operação se encerra quando a corrente no diodo 𝐷 𝑜 reduz até zero,
sendo que esta corrente está sendo fornecida pelos indutores sem passagem de corrente, o diodo
𝐷 𝑜 se torna reversamente polarizado. Esta etapa de operação é denominada 𝑡2 e é possível
caracterizá-lo como sendo a razão cíclica 𝐷 2 (razão de 𝑡2 pelo período de comutação 𝑇𝑠 ). A
razão cíclica 𝐷 2 é calculada por meio de:
𝐷1
𝐷2 = 𝑠𝑖𝑛(𝜔𝑡) (3.5)
𝐺
𝑉𝑜
𝐺= (3.6)
𝑉𝑝
2𝜋
𝜔= (3.7)
𝑇
𝑉𝑜 (1 − 𝐷 1 ) − 𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1
𝐷3 = 1 − 𝐷1 − 𝐷2 = (3.8)
𝑉𝑜
iC1 Do
- -
Vc1 Vc2 Io
L1 C1 C2 iDo
+
+
iac
+
vac iL1
L2 L3 Co Ro Vo
iL2 iL3 -
Dp S1
O ganho estático 𝐺 deste conversor é definido pela tensão de saída com relação à tensão
de entrada, conforme a Equação (3.6) bem como pela relação entre a corrente média 𝐼 𝐷 𝑜 no
diodo 𝐷 𝑜 para um semiciclo da rede elétrica.
t t
vac /L3
iL1,iL2,iL3
vac /L1
iL1 vS2 VO
iL2 t t
vac /L2 iL3 -vac
iC1,iC2 IL1max
IL1min i vDo
-(IL2max+IL3max) C1 vac+VO VO
IL2max
iC2 t t
IL2min
t0 t1 t2 TS t0 t1 t2 TS
∫𝑇
1
𝐼 𝐷𝑜 = h𝑖 𝐷𝑜 i 𝑑𝑡 (3.9)
𝑇
0
Após a análise das formas de ondas teóricas (Figura 20), define-se a corrente média no
diodo 𝐷 𝑜 como sendo:
Então, substituindo (3.10) em (3.9) obtêm-se uma nova equação para o ganho estático
do conversor, considerando que a corrente média na carga é igual a corrente 𝐼 𝐷𝑜 :
39
s
𝑉𝑜 𝑇𝑠 𝐷 1 2 𝑅𝑜
𝐺= = (3.11)
𝑉𝑝 4𝐿 𝑒
O valor da razão cíclica 𝐷 1 , deve ser menor que o valor da razão cíclica crítica para
operação em MCD, sendo definido por:
𝐺
𝐷 𝑐𝑟 𝑖´𝑡𝑖𝑐𝑜 = (3.12)
1−𝐺
Sendo que, a condição crítica ocorre quando o ganho do conversor operando em MCD
torna-se igual ao ganho em MCC:
𝑉𝑜
𝐷 𝑐𝑟 𝑖´𝑡𝑖𝑐𝑜 = (3.13)
𝑉𝑜 − 𝑉𝑝
Com a premissa de que o conversor opera sem perdas, a corrente média de entrada pode
ser obtida pela relação entre potência de entrada e potência de saída, ou seja, a potência que o
conversor recebe é a mesma potência que o conversor entrega em sua saída conforme:
𝑣 𝑎𝑐 h𝑖 𝑎𝑐 i = 𝑣 𝑜 h𝑖 𝐷𝑜 i (3.14)
Com a corrente de entrada média sendo representada durante um período de comutação. Subs-
tituindo (3.10) em (3.14), é obtido:
𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1 2𝑇𝑠
h𝑖 𝑎𝑐 i = (3.15)
2𝐿 𝑒
Conforme a Figura 20, que está representando as formas de ondas teóricas do conversor,
é possível determinar um sistema de equações lineares para a determinação de valores máximos
e mínimos de corrente nos indutores ((3.16) a (3.19)). Ademais, levando em consideração a
definição de que a corrente média em um capacitor é zero, é possível determina (3.20) e (3.21).
Portanto, tem-se o sistema de equações com seis equações e seis incógnitas para cálculo das
correntes médias e eficazes nos indutores do conversor.
𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿1_𝑚 𝑎𝑥 (3.16)
𝐿1
𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥 (3.17)
𝐿2
𝑉𝑝 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)𝐷 1𝑇𝑠
´ = 𝐼 𝐿3_𝑚𝑖´𝑛 +
𝐼 𝐿3_𝑚 𝑎𝑥 (3.18)
𝐿3
(𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 − (𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿3_𝑚 𝑎𝑥
´ ))𝐷 1 (𝐼 𝐿1_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 ))𝐷 2 𝐼 𝐿1_𝑚𝑖´𝑛 𝐷 3
𝑖𝐶1_𝑎𝑣𝑔 = + + = 0 (3.20)
2 2 𝑉𝑜
(𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 + 𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ )𝐷 1 (𝐼 𝐿2_𝑚 𝑎𝑥
´ + 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 )𝐷 2 𝐼 𝐿2_𝑚𝑖´𝑛 𝐷 3
𝑖𝐶2_𝑎𝑣𝑔 = + + =0 (3.21)
2 2 𝑉𝑜
Com o auxílio do software Maple, foi possível realizar o sistema das equações mostradas
anteriormente e defini-las como:
De acordo com a análise das formas de ondas teóricas na Figura 20, é possível se definir
as correntes mínimas e máximas em cada indutor, sendo que a diferença entre mínimo e máximo
é denominado denominado como ondulação de corrente, dado por:
𝑉𝑝 𝐷 1
Δ𝑖 𝐿1 = 𝐼 𝐿1,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 = (3.28)
𝐿 1 𝑓𝑠
𝑉𝑝 𝐷 1
Δ𝑖 𝐿3 = 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿3,𝑚𝑖´𝑛 = (3.29)
𝐿 3 𝑓𝑠
𝑉𝑝 𝐷 1
𝐿1 = 𝐿2 = (3.30)
𝑓𝑠 𝑘 𝑖 𝐼 𝐿1,𝑟𝑚𝑠
42
−𝑉𝑝 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 𝐿 1 𝐿 2
𝐿3 = (3.31)
𝑉𝑃 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 (𝐿 1 + 𝐿 2 ) − 4𝐿 1 𝐿 2 𝑃𝑜
𝑖𝐶1 = − 𝐼 𝐿2,𝑚𝑎𝑥 + 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥 (3.32)
Na segunda etapa de operação, a chave de potência não está mais conduzindo e a corrente
em 𝐶1 se torna o valor de 𝑖 𝐿1,𝑚𝑎𝑥 . Levando-se em conta essas questões, é possível obter a equação:
𝐼 𝐿1,𝑚𝑖𝑛 𝐷 1𝑇𝑠
Δ𝑇𝐶1 = (3.33)
𝐼 𝐿1,𝑚𝑖𝑛 − 𝐼 𝐿2,𝑚𝑎𝑥 − 𝐼 𝐿3,𝑚𝑎𝑥
Sendo que, esta equação representa o cálculo da ondulação pelo primeira etapa de operação. A
representação do cálculo do capacitor em função da ondulação de tensão em 𝐶1 é dada por:
∫𝐷 1𝑇𝑠
1 (𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 − 𝐼 𝐿2,𝑚 𝑎𝑥
´ − 𝐼 𝐿3,𝑚 𝑎𝑥
´ )
𝐶1 = (𝐼 𝐿1,𝑚𝑖´𝑛 − 𝑡)𝑑𝑡 (3.34)
Δ𝑉𝐶1 𝐷 1𝑇𝑠
Δ𝑇𝐶1
𝐶1 = 𝐶2 = (3.35)
8Δ𝑉𝐶1 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 (𝑉𝑜 𝐿 1 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 1) − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 )
Para o projeto do capacitor 𝐶𝑜 , o mesmo deve atender aos critérios de ondulação definidas
em projeto.
𝑉𝑝 𝐷 1 (1 − 𝐷 1 )
𝐶𝑜 = (3.36)
8𝜋 𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Δ𝑉𝑜 𝑓𝑠 𝐿 3
43
1 𝑉𝑝 𝐷 1 2𝑇𝑠
𝐼𝑆1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜_𝜔𝑡 = (3.37)
2 𝜋𝐿 𝑒
∫𝜋
1 𝑉𝑝 𝐷 1𝑇𝑠
𝐼𝑆1,𝑎𝑣𝑔 = h𝑖 𝑆1 i𝑑𝜔𝑡 = (3.38)
2𝜋 2𝐿 𝑒 𝜋
0
√ s 2 3 2
3 𝑉𝑝 𝐷 1 𝑇𝑠
𝐼𝑆1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = (3.39)
6 𝐿𝑒2
Quando tratado da questão da tensão reversa máxima nas chaves de potência, é possível
definir a mesma sendo igual a:
𝑉𝑆1_𝑚𝑎𝑥 = 𝑉𝑝 + 𝑉𝑜 (3.40)
O mesmo modo de metodologia aplicado acima pode ser aplicado a análise da corrente
eficaz no diodo 𝐷 𝑜 , pois a corrente média no diodo 𝐷 𝑜 já foi definida em (3.9). Aplicando-se
as definições, a corrente eficaz do diodo 𝐷 𝑜 pode ser dada por:
s
2 𝑉𝑝 3 𝐷 1 3𝑇𝑠 2
𝐼 𝐷𝑜_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = √ (3.41)
3 𝜋 𝐿 𝑒𝑉𝑜
𝑉𝐷𝑜_𝑚𝑎𝑥 = 𝑉𝑝 + 𝑉𝑜 (3.42)
Com a análise da Figura 16 e também da Figura 20, se torna possível definir que a tensão
44
em 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 para cada semiciclo da rede elétrica é igual a tensão de pico de entrada, então:
𝑉𝑝 = 𝑉𝐷 𝑝 _𝑚𝑎𝑥 (3.43)
8𝑉 𝑝 2 𝐷 1
−[𝑇𝑠 [[[−6𝑉𝑜 2 + 𝜋𝑉𝑝 (𝐷 1 − 1)𝑉𝑜 + 3 ] 𝐿3 − 2𝐿 2𝑉𝑜 2 ] 𝐿 1 − 2𝑉𝑜 2 𝐿 2 𝐿 3 ]𝐷 1 2𝑉𝑝 ]
𝐼 𝐿1_𝑚𝑒𝑑𝑖𝑜 =
4𝑉𝑜 2 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 𝜋
s
1 1
𝐼 𝐿1_𝑒 𝑓 𝑖𝑐𝑎𝑧_𝜔𝑡 = [ 2 2 2 2
[𝑇𝑠 2 𝐷 1 3𝑉𝑝 2 (36𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 2 2 𝜋𝑉𝑜 2 + 72𝐷 1 𝐿 1 2 𝐿 2 𝐿 3 𝜋𝑉𝑜 2 +
24 𝐿 1 𝑉𝑜 𝐿 3 𝐿 2 𝜋
Esta seção apresenta a validação da metodologia descrita acima e também são definidas
as especificações de projeto, junto com a verificação dos valores de correntes e tensões nos
componentes passivos e semicondutores.
O conversor SEPIC Bridgeless foi projetado a partir das especificações da Tabela 2 para
posterior implementação e montagem em bancada. Conforme as equações levantadas para os
componentes armazenadores de energia e esforços nos semicondutores nas etapas anteriores
ocorre a definição de suas grandezas.
𝑉𝑝 𝐷 1
𝐿1 = 𝐿2 = = 3, 2258𝑚𝐻
𝑓𝑠 𝑘 𝑖 𝐼 𝐿1,𝑟𝑚𝑠
−𝑉𝑝 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 𝐿 1 𝐿 2
𝐿3 = = 49, 88𝑢𝐻
𝑉𝑃 2 𝐷 1 2𝑇𝑠 (𝐿 1 + 𝐿 2 ) − 4𝐿 1 𝐿 2 𝑃𝑜
𝐶1 = 𝐶2 = = 5, 337𝑢𝐹
8Δ𝑉𝐶1 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 (𝑉𝑜 𝐿 1 (𝐿 2 + 𝐿 3 )(𝐷 1 − 1) − 𝐷 1 𝐿 2 𝐿 3𝑉𝑝 )
Por fim, o valor da capacitância de saída 𝐶𝑜 foi definida de acordo com (3.36):
𝑉𝑝 𝐷 1 (1 − 𝐷 1 )
𝐶𝑜 = = 10, 446𝑚𝐹
8𝜋 𝑓𝑟𝑒𝑑𝑒 Δ𝑉𝑜 𝑓𝑠 𝐿 3
Para efetivar os cálculos anteriores é utilizado o software PSIM para simular e vali-
dar as equações. Na Figura 21 é mostrado o circuito montado em simulação para validação
computacional.
VC1 V C1 VC2 V C2
6uF 6uF A IL3
Iout
iac L1 IL1
A A A IRo Vo
3.22mH
179.8V V Vout
60Hz vac V Vout
vac L2 IL2
L3 Co
A 30.72
49.88uH
3.22mH 10mF
A IS1 A IS2
IDp A IDn A
Dp V Vp Dn V Vn V VS1 V VS2
Tomando-se por base as fórmulas descritas neste capítulo se torna possível realizar o
dimensionamento dos componentes comerciais a serem utilizados para a fabricação e montagem
do Conversor SEPIC Bridgeless. Também é realizado o dimensionamento da etapa de controle
do chaveamento e leitura dos sensores de tensão e corrente.
Após a definição dos componentes comerciais inicia-se o projeto das (PCI’s) com a
utilização do software KICAD. Pode-se dividir a etapa de implementação prática em 3 partes:
etapa de potência, etapa de controle e etapa de aquisição de dados. No Apêndice A é mostrado
o diagrama elétrico das PCI’s.
Fonte de
Alimentação
Osciloscópio
PCI de Controle
Resistência de Carga
Varivolt
Conversor SEPIC
Bridgeless
Dbo Cb1
Rbo
+ Rb2 Rb1
Vo Em +
-
-
Em que:
∫𝑡
1
𝑆𝑂𝐶 = 𝑆𝑂𝐶0 − 𝑖 𝑚 (𝑡)𝑑𝑡 (3.47)
𝑄
0
Onde 𝑆𝑂𝐶0 representa o estado inicial de carga contida na bateria, 𝑖 𝑚 (𝑡) é a corrente de carga
e também de descarga e 𝑄 é a capacidade nominal em Coulomb (2 Ampéres-hora= 7200
Coulombs).
50
𝑅𝑏 𝑜 = 𝑅𝑏 𝑜𝑜 [1 − 𝐴𝑜 (1 − 𝑆𝑂𝐶)] (3.48)
A resistência interna da bateria tende a variar com o aumento de 𝑆𝑂𝐶 e depende também,
da corrente de carga, conforme:
𝑒 𝐴21 (1−𝑆𝑂𝐶)
𝑅𝑏 2 = 𝑅20 𝐴22 ·𝐼𝑚
(3.50)
1+𝑒 𝐼∗
Em que:
• 𝐴21 : Constante;
• 𝐴22 : Constante.
51
𝐸 𝑛 · 3600 · 1000
𝐶𝑏 1 = (3.51)
0, 5 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑎𝑥 2 − 𝑉𝑜𝑐,𝑚𝑖𝑛 2
Em que:
CH
i(s)
Sensor
vo
+
Erro C D
dei(s)
Controlador
VoRef å Tensão PWM C
Gvdi(s)
(s) Vo
-
CH
i(s)
Sensor
vo
Conforme analisado no início deste capítulo, a corrente de saída 𝑖 𝐷𝑜 tem uma relação
direta com 𝑖 𝐿3 e é definida por:
𝑉𝑝 𝑑 2 (𝐿 1 𝐿 2 + 𝐿 1 𝐿 3 + 𝐿 2 𝐿 3 )
𝑖 𝐿3 = (3.52)
4𝑣 𝑜 𝐿 1 𝐿 2 𝐿 3 𝑓𝑠
Uma das abordagens para realizar a modelagem dinâmica para controle de tensão e
corrente de saída do conversor SEPIC Bridgeless é mostrada na Figura 25 e por meio da lei de
Kirchhoff das correntes, é realizado o levantamento das equações características.
iCo io
+
iL3 Co Ro vo
-
Fonte: Elaborado pelo autor
ˆ = 𝜕𝑖 𝑙3 𝑑ˆ + 𝜕𝑖 𝑙3 𝑣ˆ 𝑜 = 𝐶𝑜 𝑑𝑣 𝑜 + 𝑣 𝑜
𝑖 𝐿3 ( 𝑣ˆ 𝑜 , 𝑑) (3.53)
𝜕𝐷 𝜕𝐷 𝑑𝑡 𝑅𝑜
𝑣ˆ 𝑜 𝑣𝑑1 𝑅𝑜
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎_𝑣𝑑 = = (3.54)
𝑑ˆ 𝑠𝐶𝑜 𝑅𝑜 + 𝑣𝑑2 𝑅𝑜 + 1
Onde:
𝑉𝑝 2 𝐷 1
𝑣𝑑1 = (3.55)
2𝑉𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠
𝑉𝑝 2 𝐷 1 2
𝑣𝑑2 = − (3.56)
4𝑉𝑜 2 𝐿 𝑒 𝑓𝑠
53
0, 00055658𝑠 + 0, 0036235
𝐻 (𝑠)𝑡𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 = (3.57)
𝑠
ˆ = 𝜕𝑖 𝑙3 ˆ 𝜕𝑖 𝑙3 ˆ 𝑑𝑣 𝑜
𝑖 𝐿3 (𝑖ˆ𝑜 , 𝑑) 𝑑+ 𝑖 𝑜 = 𝐶𝑜 + 𝑖𝑜 (3.58)
𝜕𝐷 𝜕𝐷 𝑑𝑡
0.00055658
PI
0.1536028702 Switch
96V 50kHz
Vout D1=0.3
Onda
Triangular
𝑖ˆ𝑜 𝑖𝑑1
𝐺 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎_𝑖𝑑 = = (3.59)
𝑑ˆ 𝑠𝐶𝑜 𝑅𝑜 𝐼𝑜 + 𝑖𝑑2 + 1
Onde:
𝑉𝑝 2 𝐷 1
𝑖𝑑1 = (3.60)
2𝐼𝑜 𝑅𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠
𝑉𝑝 2 𝐷 1 2
𝑖𝑑2 = − (3.61)
4𝐼𝑜 2 𝑅𝑜 𝐿 𝑒 𝑓𝑠
0, 054115𝑠 + 0, 12243
𝐻 (𝑠)𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = (3.62)
𝑠
0.054115
PI
0.4420076779 Switch
3A 50kHz
Iout D1=0.3
Onda
Triangular
tempo 𝐻 (𝑠) em um sistema no domínio discreto do tempo 𝐻 (𝑧). A equação que define o método
de Tustin pode ser visto em:
2 (𝑧 − 1)
𝑠= (3.63)
𝑇 𝑎 (𝑧 + 1)
Por conseguinte, substituindo os valores de 𝑠 pela Equação 3.63 tem-se as duas equações
discretizadas para um período de amostragem 𝑇𝑎 de 0, 2𝑚𝑠:
56
0, 000556942𝑧 − 0, 000556217
𝐻 (𝑧)𝑡𝑢𝑠𝑡𝑖𝑛_𝑡𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 = (3.64)
𝑧−1
Vout 50kHz
D1=0.3
Onda
Triangular
0, 054127243𝑧 − 0, 054102757
𝐻 (𝑧)𝑡𝑢𝑠𝑡𝑖𝑛_𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = (3.65)
𝑧−1
Iout 50kHz
D1=0.3
Onda
Triangular
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção será validado o conversor para os parâmetros definidos e também é avaliado
os valores de corrente e tensão em componentes passivos e semicondutores.
4.1.1 Capacitores 𝐶1 e 𝐶2
16
12
8
4
0
-4
-8
15,8189 15,8256 15,8323 15,839 15,8458
Tempo (s)
4.1.2 Indutores 𝐿 1 , 𝐿 2 e 𝐿 3
As formas de ondas nos indutores descritos nesta sub-seção podem ser visualizadas nas
Figuras 34 e 35. Com relação a valores de corrente média e eficaz, as mesmas podem ser
visualizadas na Tabela 5.
2,5
2
1,5
1
0,5
0
-0,5
16,8358 16,8425 16,8493 16,8561 16,8628
Tempo (s)
Corrente (A) 20
15
10
-5
16,85 16,86 16,87 16,88
Tempo (s)
4.1.3 Diodos 𝐷 𝑝 , 𝐷 𝑛 e 𝐷 𝑜
20
Corrente (A)
15
10
15
Corrente (A)
10
0
5.06942 5.06944 5.06946 5.06948
Tempo (s)
Nas Figuras 38 e 39, é visualizada a validação em bancada das formas de onda mostradas
anteriormente e das equações do capítulo anterior. Na Tabela 5 estão representados os valores
calculados, simulados e práticos.
Por fim, na Figura 40 são mostradas as formas de onda para os outros dois diodos do
circuito: 𝐷 𝑝 e 𝐷 𝑛 . Na Tabela 5 são mostrados os valores para as correntes médias e RMS nestes
dois diodos.
4
Corrente (A)
-1
16,81 16,82 16,83 16,84
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
elétrica. Na Tabela 5 é mostrado os valores RMS e os valores para erros relativos e absolutos.
Importante salientar a necessidade de que as chaves de potência sejam unidirecionais em
corrente, ou seja, não devem possuir um diodo antiparalelo em sua estrutura afim de evitar que
o conversor opere indevidamente.
17,5
14
10,5
7
3,5
0
16,85 16,86 16,87 16,88
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
As formas de onda de tensão simulada nas chaves de potência são mostradas na Figura
43. Na sequência (Figura 44) é possível visualizar as formas de onda na prática, validando esta
etapa. Foi obtido um erro absoluto de 0,45 V e relativo de 0,2% (valores mostrados na Tabela
5).
63
80
0
-80
-160
-240
15,9017 15,9084 15,9151 15,9218 15,9285
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
Como característica do MCD neste conversor, a corrente de entrada deve estar natural-
mente em fase com a tensão de entrada, apresentando assim um fator de potência próximo ao
unitário. Nas Figuras 45 (simulado) e Figura 46 (prático) é mostrado que a corrente está em fase
com a tensão a plena carga. Calculando-se o fator de potência por meio das Equações 4.1 e 4.2
com a utilização do angulo de fase entre tensão e corrente dos testes em bancada , obtêm-se:
88, 41◦
𝐹𝑃 = = 0, 98 (4.2)
90◦
64
iac Vac/25.65
10
8
Tensão (V)/ Corrente (A)
6
4
2
0
-2
-4
-6
-8
-10
15,869 15,8757 15,8824 15,8891 15,8958
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
Nota-se que a taxa de distorção harmônica neste conversor ficou em torno de 3.81% para
a etapa de simulação. Na Tabela 5 são mostrados os valores calculados, simulados e práticos
para tensão e corrente de entrada.
𝑃𝑜𝑢𝑡
𝜂= × 100 = 81, 6%
𝑃𝑖𝑛
TDH - 3,81 %
Corrente de saída
3,1
3,05
3
Corrente (A)
2,95
2,9
2,85
2,8
2,75
2,7
2,65
9,807 11,159 12,512 13,864 15,217
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
Como pode ser visualizado na Figura 48, na resposta transitória característica ocorre a
estabilidade da planta antes dos 15 segundos após a aplicação de um sinal de perturbação em
10 segundos. Em outras palavras, para uma perturbação do sinal em qualquer momento durante
o regime permanente, o controle deve procurar corrigir este erro e retornar a sua tensão de
referência.
68
Após a etapa de carregamento por uma corrente constante, acontece a mudança da forma
de controle e passa a ser monitorada a tensão de saída em 96V e a corrente, que antes se mantinha
em 3A, começa a decrescer até um valor de manutenção. Como pode ser visualizado na Figura
49, o comportamento dinâmico de tensão de saída após a aplicação de uma perturbação para
verificar a estabilidade e o comportamento em regime transitório.
Tensão de saída
96
94
Tensão (V)
92
90
88
86
9,94 10,65 11,36 12,07 12,78 13,49 14,2 14,91 15,62 16,33
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
Q (C) 𝐸 𝑚0 (𝑉) I*(A) 𝑅10 (Ω) K 𝑅00 (Ω) 𝐴0 𝐶1 (𝐹) 𝑅20 (Ω) 𝐴21 𝐴22
10600 96 3 0,1 10 0,01 0,1 9224 0,015 -8 -8,45
Fonte: Elaborado pelo autor
SOC
1
0,8
Estado de carga
0,6
0,4
0,2
0
0 1000 2000 3000 4000 5000
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
Tensão na bateria
96
95,8
95,6
Tensão (V)
95,4
95,2
95
94,8
94,6
0 1000 2000 3000 4000 5000
Tempo (s)
Fonte: Elaborado pelo autor
70
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