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Sepic Base 2

Este trabalho apresenta uma análise comparativa entre duas técnicas de controle aplicadas ao conversor SEPIC PFC no modo de condução descontínuo. As técnicas incluem uma abordagem linear clássica e a linearização por realimentação de estados, avaliadas através de simulações numéricas no software PSIM. O estudo foca na comparação do fator de potência, distorção harmônica da corrente de entrada e regulação de tensão do lado DC.
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Este trabalho apresenta uma análise comparativa entre duas técnicas de controle aplicadas ao conversor SEPIC PFC no modo de condução descontínuo. As técnicas incluem uma abordagem linear clássica e a linearização por realimentação de estados, avaliadas através de simulações numéricas no software PSIM. O estudo foca na comparação do fator de potência, distorção harmônica da corrente de entrada e regulação de tensão do lado DC.
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ANALISE COMPARATIVA ENTRE TECNICAS DE CONTROLE APLICADAS AO


CONVERSOR SEPIC PFC NO MODO DE CONDUC¸AO DESCONTINUO

Conference Paper · October 2016

CITATIONS READS

0 525

4 authors, including:

L.M.F. Morais Arthur Rosa


Federal University of Minas Gerais Instituto Federal Minas Gerais (IFMG)
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ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE TÉCNICAS DE CONTROLE APLICADAS AO
CONVERSOR SEPIC PFC NO MODO DE CONDUÇÃO DESCONTÍNUO

Thiago M. de Souza∗, Lenin M. F. Morais∗, Seleme I. S. Júnior∗, Arthur H. R. Rosa∗



Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica - PPGEE
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Av. Antônio Carlos, 6627, 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil

Emails: thiagomsouza2009@[Link], lenin@[Link], seleme@[Link],


arthurcpdee@[Link]

Abstract— In this paper a comparative analysis between two control techniques is made for the Single Ended
Primary Inductance Converter (SEPIC) PFC in the discontinuous conduction mode (DCM). The first applies
the classic linear approach to regulate the control loop. In the other technique, this control is made by the
state feedback linearization (SFL) of the dc-dc converter’s state-space averaging modell. In order to compare
the performance of these control techniques, numerical simulations were made in software PSIM for nominal
conditions and for disturbances in the operation, analyzing the power factor(PF) at the ac side, the harmonic
distortion (THD) of the input current and the voltage regulation at the dc side.

Keywords— Control, dc-dc Converter, Power Factor Correction.

Resumo— Neste trabalho, uma análise comparativa entre duas técnicas de controle é realizada para o Single
Ended Primary Inductance Converter (SEPIC) PFC no modo de operação descontı́nuo (DCM). A primeira delas
aplica a abordagem linear clássica para regular a malha de controle. Na outra técnica, essa regulação é realizada
através da linearização por realimentação de estados (SFL) do modelo médio do conversor cc-cc em espaço de
estados. No intuito de comparar a performance dessas técnicas de controle, simulações numéricas foram realizadas
no software PSIM tanto para a condição nominal quanto para distúrbios na operação, analisando-se o fator de
potência (FP) do lado ca, a distorção harmônica (THD) da corrente de entrada e a regulação da tensão do lado
cc.
Palavras-chave— Controle, Conversor cc-cc, Correção do Fator de Potência.

1 Introdução

As fontes chaveadas off-line convencionais usual-


mente apresentam no estágio de entrada apenas
um retificador a diodos de onda completa e um
grande filtro capacitivo. Esse circuito de entrada
opera com elevada distorção harmônica na cor-
rente de entrada, baixo fator de potência - FP
(0,5-0,7) e, normalmente, não atende às normas
regulamentadoras, como, por exemplo, a impor- Figura 1: Diagrama esquemático de um sistema de
tante norma internacional IEC 61000-3-2. Dentre retificação ca-cc com estágio de correção do fator
as possı́veis alternativas para melhorar o desem- de potência.
penho das fonte chaveada, grande destaque é dado
ao emprego de um conversor cc-cc destinado à cri-
ação de um estágio de correção do fator de potên- lação entre a entrada e a saı́da;
cia - PFC (do inglês, Power Factor Correction), • Ausência do controle de sobre carga e sobre
como mostra a Fig.(1). Essa solução possibilita corrente devido à inexistência de uma chave série
criar retificadores quase ideais (emula um resistor) entre a entrada e a saı́da;
e ainda atingir uma regulação de tensão, corrente • Incapacidade de start-up.
ou potência na saı́da do conversor. Contudo, as topologias Cuk e SEPIC supe-
Várias topologias de conversores usados na ram essas desvantagens apresentadas pelo conver-
correção do fator de potência estão presentes na sor boost PFC, as quais passam a ser uma boa
literatura. Dentre elas, a topologia mais popular escolha em aplicações nas quais deseja-se corrigir
é o conversor boost. No entanto, esse conversor o fator de potência do sistema.
possui algumas desvantagens nesse tipo de aplica- Neste trabalho, são apresentadas as caracte-
ção: rı́sticas da operação, a modelagem e o sistema
• Tensão de saı́da relativamente elevada (pelo de controle do conversor SEPIC PFC em DCM.
menos igual ao valor de pico da tensão da fonte Além disso, uma análise comparativa entre duas
ca), que pode gerar estresse por sobre tensão nos técnicas de controle será realizada para esse con-
interruptores; versor. A primeira delas aborda a técnica linear
• Dificuldade na implementação de uma iso- clássica baseada no modelo de pequenos sinais e
a outra é fundamentada na abordagem da linea- 2.2 Análise da Operação
rização por realimentação de estados (SFL). No
Os detalhes da operação do conversor SEPIC em
intuito de analisar a operação do conversor SE-
DCM são mostrados na Fig.(3). Observa-se nessa
PIC PFC, simulações numéricas foram realizadas
figura que existem três configurações na operação
no software Physical Security Information Mana-
desse conversor, as quais dependem dos estados
gement (PSIM) tanto para a condição nominal
da chave semicondutora S e do diodo D. A ter-
quanto para distúrbios na operação desse conver-
ceira configuração (c) evidencia o modo de opera-
sor, analisando-se o fator de potência (FP) do lado
ção descontı́nuo, o qual é caracterizado pelo anula-
ca, a distorção harmônica (THD) da corrente de
mento da corrente drenada através do diodo. Tal
entrada e a regulação da tensão do lado cc.
fato se deve à inversão numa das correntes dos in-
dutores do conversor, que também se igualará em
2 Conversor SEPIC PFC em DCM intensidade à corrente do outro indutor de modo
que a soma dessas correntes (iL1 + iL2 ) tornará-
2.1 Caracterı́sticas do Conversor PFC se nula durante um pequeno intervalo de tempo.
Em aplicações de correção do fator de potência, Caso a soma dessas correntes seja sempre maior
como mostra a Fig.(2) para o conversor SEPIC que zero (iL1 + iL2 > 0) ao longo de todo o in-
PFC, a tensão e a corrente na entrada desse con- tervalo em que a chave permanece aberta, existirá
versor podem ser descritas, respectivamente, da uma corrente através do diodo e apenas as configu-
seguinte maneira: rações (a) e (b) serão observadas, o que represen-
tará a operação do conversor no modo contı́nuo.
vg = Vin |sen(wt)| (1) Segundo (Kanaan and Al-Haddad, 2005), essa
operação do conversor SEPIC em DCM pode ser
iL1 = Iin |sen(wt)| (2) representada analiticamente pelo sistema de equa-
ções mostrado em (5), onde SQ e θ(L1 +L2 ) repre-
onde Vin e Iin são os valores das amplitudes dessas sentam a função de chaveamento e a função de
grandezas e w é a frequência angular da rede ca. limiar, respectivamente. Essas funções são apre-
sentadas em (6) e (7), sendo z = iL1 + iL2 . Além
disso, SQ e θ(z) são seus respectivos complemen-
tos.



 • L1 didtL1 = SQ .vg + S Q .θ(z) .(vg −
L1

vc1 − vo ) + S Q .θ(z) . L1 +L2 .(vg − vc1 )



• L diL2 = S .v − S .θ .v

2 dt Q c1 Q (z) o
(5)
−S Q .θ(Q) . L L+L2
.(v g − vc1 )
1 2


dvC1
• −

Figura 2: Conversor SEPIC PFC. 

 C1 dt = S .i
Q L1 SQ .iL2
 dvo
• Co dt = SQ .θ(z) .(iL1 + iL2 ) − io

Por outro lado, a tensão de saı́da vo per- (
manece praticamente constante ao longo de cada 0, para chave f echada
SQ = (6)
meio ciclo da rede devido à presença do grande ca- 1, para chave aberta
pacitor de saı́da Co . Desse modo, essa tensão pode (
ser aproximada de um valor constante vo ' Vo . 0, se z ≤ 0
θ(z) = (7)
Além disso, o conversor PFC trabalha sob 1, se z > 0
condições muito especiais, onde a transformação
de tensão cc nominal m(wt) e a carga r(wt) “vista” Aplicando agora a técnica de modelagem em
pelo conversor em cada perı́odo da rede são dadas espaço de estados aos valores médios das variáveis
por (Simonetti et al., 1992): mostradas em (5) para a operação do conversor
SEPIC em DCM, obtem-se o modelo médio de
vo Vo M baixa frequência desse conversor:
m(wt) = ' = (3)
vg Vin |sen(wt)| |sen(wt)|  diL1
•L1 dt = vg − (1 − d).(vc1 + vo )

+(1 − d). L1L+L

R 
 1
(vg − vc1 )
r(wt) = (4)  2
2sen2 (wt) • L diL2 = d.v − (1 − d).v

2 dt c1 o
L2 (8)
onde essa grandezas variam constantemente de um 

 −(1 − d). L1 +L2 .(vg − vc1 )
valor mı́nimo M e R/2 (em wt = π/2) até o infi- 


 •C1 dvdtC1 = (1 − d).iL1 − d.iL2
nito (em wt = kπ, com k = 0, 1, 2, 3, ...) em cada 
•Co dvdt = (1 − d).(iL1 + iL2 ) − io
o

meio ciclo da frequência da rede. Tais caracterı́sti-
cas se estendem a qualquer tipo de conversor cc-cc onde d é o ciclo de trabalho da chave semicondu-
usado como PFC. tora.
Figura 3: Configuração elétrica da operação do conversor SEPIC em DCM: (a) chave fechada, (b) chave
aberta e diodo em condução e (c) chave aberta e diodo bloqueado.

De acordo com (Simonetti et al., 1992), a • Resulta num circuito equivalente com carac-
corrente média na saı́da do conversor SEPIC em terı́sticas muito próximas às do conversor real;
DCM para meio ciclo da rede ca e a corrente • O circuito equivalente pode ser usado de
ca nessa própria rede são calculadas, respectiva- forma direta em previsões digitais (SPICE, Ma-
mente, da seguinte forma: tlab, PSIM e outros).
2 2
No desenvolvimento da abordagem CIECA,
Vin d TS o primeiro passo consiste em identificar a parte
Io = (9)
4Leq vo não linear do circuito do conversor (que contém
a chave) e linearizá-la, o que é feito a partir do
iin = Iin sen(wt) (10) cálculo da corrente média que a atravessa. Tal
onde Leq é a indutância equivalente resultante da fato torna simples a aplicação dessa abordagem e
associação em paralelos dos indutores do conver- o resultado final da modelagem é um conjunto de
sor SEPIC e Iin é dado por: equações de pequenos sinais, que representam as
relações de transferência do conversor, ou um mo-
Vin d2 TS delo de circuito equivalente linear para o conversor
Iin = (11)
2Leq não linear.
As propriedades dinâmicas do conversor são
Quanto à escolha dos elementos reativos do
determinadas a partir da introdução de uma vari-
circuito de potência do conversor SEPIC PFC
ação de pequeno sinal ca sobre o ponto de ope-
em DCM abordado neste trabalho, a qual é di-
ração em regime permanente, onde os valores
retamente influenciada pelo modo de operação
de pequeno sinais são considerados muito meno-
desse conversor, ela foi fundamentada no traba-
res do que os valores das grandezas em regime:
lho (Simonetti et al., 1997). A partir dessa refe- ˜ Vin = V in + ṽin , vo = V o + ṽo ,
d = D + d,
rência, foram calculados os valores dos elementos
Iin = I in + ĩin e io = I o + ĩo , onde “−” indica
do circuito de potência do conversor SEPIC, os
o valor em regime e “∼” representa a perturbação
quais são mostrados na Tab.(1) juntamente com
de pequeno sinal introduzida.
as caracterı́sticas do projeto desse conversor.
Aplicando essas perturbações em (9), que re-
trata o valor da corrente de saı́da em regime, e
Tabela 1: Especificações do projeto. negligenciando os termos não lineares de segunda
Parâmetros Valor Unid.
ordem, resulta em:
Tensão da fonte ca (vin ) 127 VRM S 1
Freq. da fonte ca (f ) 60 Hz ĩo = j2 d˜ + g2 ṽin − ṽo (12)
r2
Pot. nominal (Pnom ) 100 W
Tensão de saı́da (Vo ) 100 V V
2
DTS
2

Carga resistiva (RL ) 100 Ω onde: j2 = Vin 2L eq


, g2 = VVin D2LTeqS e r2 = VI o .
o o o
Freq. de chaveamento (fs ) 50 kHz Utilizando-se essas mesmas perturbações em
Corrente de ripple (Irip ) 20%Iin A (11), segue que:
Indutores (L1 /L2 ) 4/100 mH/µH
Capacitores (C1 /Co ) 470/330 nF/µF 1
ĩin = j1 d˜ + ṽin (13)
r1
2L
onde: j1 = V inLDT S
e r1 = 2 eq .
2.3 Modelagem do Conversor SEPIC eq D TS
As expressões (12) e (13) representam o mo-
A abordagem CIECA (do inglês, Current Injec- delo de pequenos sinais de baixa frequências do
ted Equivalent Circuit Approach), proposta em conversor SEPIC. Elas também são usadas para
(Chetty, 1981), simplifica a modelagem do con- obter o circuito equivalente de pequenos sinais
versor SEPIC em DCM devido à algumas de suas desse conversor, o qual é representado na Fig.(4).
caracterı́sticas: A partir desse circuito equivalente, pode-se ob-
• Simples e clara, independente do modo de ter as funções de transferências desejadas do con-
operação do conversor (CCM ou DCM); versor SEPIC. Além disso, vale a pena ressaltar
que a impedância equivalente de pequeno sinal da frequência apresentada em (Erickson and Maksi-
carga (Zcarga ) nesse modelo depende diretamente movic, 2007). Essa técnica de projeto do controla-
da carga à qual o conversor PFC está conectado. dor PWM utiliza a função de transferência Gvd(s) ,
No caso deste trabalho, que faz uso de uma carga que relaciona a tensão de saı́da com o ciclo de tra-
puramente resistiva (RL ), a impedância equiva- balho. Tal função de transferência, obtida do cir-
lente de pequeno sinal será considerada igual à cuito equivalente de pequeno sinais da Fig.(4), é
própria carga, ou seja, Zcarga = RL . mostrada a seguir:
j2
Gvd(s) =  
1 1 (14)
Co s + +
r2 RL
Além disso, essa abordagem clássica de ajuste
do controlador PI é fundamentada na definição da
Figura 4: Circuito equivalente de pequenos sinais Função de Transferência da Malha T(s) , a qual é
do conversor SEPIC PFC. dada por:
T(s) = H(s) GC(s) Gvd(s) /VM (15)
3 Sistema de Controle Já no caso da abordagem SFL, ocorre uma
linearização da dinâmica não linear do sistema por
Diversas técnicas de controle para os conversores realimentação de estados, a qual é aplicada a todo
chaveados são apresentadas na literatura e neste o domı́nio do espaço de estado com exceção de
trabalho é realizado uma comparação entre o de- alguns pontos singulares, ou seja, é global. Com
sempenho de duas delas aplicadas ao conversor isso, essa abordagem se diferencia da linearização
SEPIC PFC em DCM: a abordagem tradicional, na vizinhança de um ponto de equilı́brio, a qual
com o uso de um controlador Propocional-Integral foi utilizada para construir o modelo equivalente
(PI), e a técnica de caracterı́stica não linear base- da Fig.(4).
ada na linearização por realimentação de estados O projeto do sistema de controle na aborda-
- SFL (do inglês, State Feedback Linearization). gem SFL é realizado com o auxı́lio de uma mu-
Quando se trata do sistema de controle dos dança de variável, a qual evidencia a estrutura do
conversores cc-cc usados como PFC, existem controlador projetado (Khalil and Grizzle, 1996).
duas abordagens principais: a multiplicativa e Além disso, a lei de controle nessa abordagem
a seguidor de tensão, as quais são abordadas baseia-se no conhecimento do modelo médio do
em (Simonetti et al., 1992). No caso da operação conversor, o qual foi apresentado em (8). Em
do conversor SEPIC PFC em DCM, existe uma relação à esse modelo, observa-se que o sistema
caracterı́stica de correção do fator de potência in- apresenta grau relativo 1. Tal fato possibilita a
trı́nseca à essa operação, o que simplifica o sistema derivação da lei de controle da corrente a partir
de controle devido à necessidade em controlar-se da primeira equação desse modelo médio:
apenas a tensão de saı́da desse conversor.
(L1 vi −vg )(L1 +L2 )
Na abordagem linear tradicional, o sistema de d= (L1 +L2 )(vc1 +Vo )+L1 (vc1 −vg ) +1 (16)
controle se resume à uma única malha de tensão, a
qual foi representada na Fig.(2). Esse sistema de sendo:  
controle também pode ser representado na forma 1 ui
d= 1+ (17)
de diagramas de blocos da Fig.(5), onde o con- 2 VM
versor SEPIC e o controlador PWM (do inglês, onde ui é a saı́da do controlador SFL, VM cor-
Pulse-Width Modulation) foram substituı́dos por responde à amplitude da onda triangular e vi é a
suas respectivas funções de transferências: Gvd(s) nova variável, dada por:
e GC(s) . Os demais blocos desse diagrama corres-
i∗L1
pondem à amplitude da onda triangular VM e ao vi = − K(iL1 − i∗L1 ) (18)
ganho do sensor de tensão H(s) . dt
Ademais, devido aos possı́veis erros em regime
causados pelas incertezas paramétricas e no in-
tuito de regular a tensão de saı́da no valor dese-
jado Vo∗ , faz-se necessário a introdução de uma
ação integral, a qual é representada da seguinte
forma:
Figura 5: Diagrama de blocos do sistema de con- Z t
trole em modo tensão.
Vo = −Kint (vo − Vo∗ ) dt (19)
0
O projeto do controlador PWM do tipo
Proporcional-Integral (PI) em modo tensão foi Por fim, a Fig.(6) mostra o sistema de con-
realizado com a técnica clássica no domı́nio da trole na abordagem SFL. Nessa figura, a função
T representa a relação entre a variável auxiliar vi
e a saı́da do controlador ui . Tal função pode ser
obtida com o auxı́lio das expressões (16) e (17).

Figura 6: Diagrama de blocos do sistema de con- (a) Regime (b) Transiente


trole SFL.
Figura 7: (a) Operação em regime à carga plena
4 Resultados Numéricos (100W ) e (b) resposta transitória para uma vari-
ação de carga (50W − 100W ).
No intuito de verificar a performance dos siste-
mas de controle aplicados ao conversor SEPIC
PFC em DCM, realizou-se simulações no software
PSIM utilizando as especificações apresentadas na
Tab.(1). Uma grandeza importante a ser calcu-
lada a partir dessas especificações é a função de
transferência Gvd(s) mostrada em (14), a qual é
dada numericamente por:
400
Gvd(s) = (20)
0, 016S + 1
onde: j2 = 8, 06 e r2 = 99, 20.
Essa função de transferência é de grande im-
portância para o ajuste da malha de controle na
abordagem clássica, a qual precisa ser suficien-
temente lenta de modo a evitar a injeção do se- Figura 8: Comparação da corrente harmônica com
gundo harmônico da saı́da na corrente de entrada, os limites impostos pela IEC 61000 − 3 − 2.
que resultaria no surgimento de uma expressiva
componente harmônica de terceira ordem. Como
sugerido em (Dixon, 1988), é necessário alocar a
frequência de crossover da malha de controle pelo
menos três vezes menor do que a frequência da
fonte ca, o que torna esse sistema de controle na-
turalmente lento.
Haja visto isso, ajustou-se o controlador PI
com a técnica clássica no domı́nio da frequência.
As caracterı́sticas desse sistema de controle são
mostradas na Tab.(2) juntamente com os parâ-
mentros do controle SFL.
Realizadas essas observações, o próximo passo
consiste em analisar o fator de potência (FP) do
lado ca, a distorção harmônica total (THD) da
corrente de entrada e a regulação da tensão do
lado cc no sistema simulado tanto para a condição
nominal quanto para distúrbios na operação desse (a) Tensão de entrada uni- (b) Variação da carga
versal
sistema.
A primeira análise foi realizada para a opera-
Figura 9: Fator de potência e T.H.D. para: (a)
ção do conversor em regime à carga plena (100W ),
tensão de entrada universal (90V-265V) e (b) di-
como mostra a Fig.(7 − a). Nessa figura é pos-
fentes valores da carga.
sı́vel observar a caracterı́stica de correção do fa-
tor de potência do conversor SEPIC PFC, o
na forma de onda da corrente na passagem por
Tabela 2: Especificações dos sistemas de controle.
zero devido à presença de uma ação derivativa na
Parâmetros Valor Unid. abordagem do controle SFL.
Ampl. onda triangular (VM ) 1 V
Ganho sensor de tensão (H) 0.05 −
5 Conclusões
Ganho proporcional (Kp,P I ) 0.2 −
Ganho integral (Ki,P I ) 10 −
A caracterı́stica de correção do fator de potência
Ganho escalar (Kv ) 1/180 −
Ganho escalar (Ki ) 1 −
intrı́nseca à operação em DCM inclui o conver-
Ganho do controle SFL (K) 40000 − sor SEPIC num grupo particular de conversores.
Ganho integral SFL (Kint ) 40 − Além disso, o desempenho do sistema de controle
projetado a partir do modelo criado na abordagem
CIECA é satisfatório, revelando que essa modela-
qual apresenta alto fator de potência (Linear − gem é capaz de representar as reais caracterı́stica
0, 9975; SF L − 0, 9971), baixo conteúdo harmô- do conversor modelado. Por fim, verificou-se tam-
nico (Linear − 6, 33%; SF L − 7, 60%) e ainda é bém a efetividade do tratamento não linear do sis-
capaz de manter a tensão de saı́da na referência de tema de controle, cuja lei de controle mostrou-se
100V dentro dos limites estimados no projeto nas eficiente, sobre tudo para a regulação de tensão.
duas abordagens do controle. O baixo conteúdo
harmônico da corrente de entrada é melhor evi- Agradecimentos
denciado na análise espectral mostrada na Fig.(8),
onde nota-se que os valores obtidos nas duas abor- O presente trabalho foi realizado com o apoio fi-
dagem de controle estão muito abaixo dos valores nanceiro da CAPES - Brasil.
impostos pela norma IEC 61000-3-2, Classe C.
A Fig.(7 − b) mostra o comportamento dinâ- Referências
mico do conversor SEPIC para uma variação da
carga de 50W para 100W . Como pode ser ob- Chetty, P. R. K. (1981). Current injected equiva-
servada nessa figura, o conversor SEPIC é capaz lent circuit approach to modeling switching
de regular a tensão de saı́da em ambas as estra- dc-dc converters, IEEE Transactions on Ae-
tégia de controle, embora leve tempos diferentes rospace and Electronic Systems. [Link]-
para atingir essa regulação. No caso da aborda- 17(6): 802–808.
gem linear, o conversor SEPIC gasta aproximada- Dixon, L. H. (1988). High power factor preregu-
mente 120ms para realizar a regulação de tensão, lators for off-line power supplies, Vol. 6, Uni-
permitindo que essa tensão diminua de aproxima- trode Massachusetts. USA, pp. 1–16.
damente 20V . Por outro lado, o conversor SEPIC
consegui regular essa tensão de saı́da em menos de Erickson, R. W. and Maksimovic, D. (2007). Fun-
um ciclo da rede na abordagem SFL. Além disso, damentals of power electronics, 2 edn, Sprin-
nessa abordagem não é verificado um sobre sinal ger Science & Business Media. Boulder, Co-
de corrente ou tensão na regulação da tensão, su- lorado.
perando a abordagem linear para esse quesito.
Kanaan, H. Y. and Al-Haddad, K. (2005). A
Por fim, é realizada uma análise do fator de
novel averaged-model-based control of a se-
potência e da distorção harmônica da corrente ca
pic power factor corrector using the in-
da entrada tanto para os valores da tensão de
put/output feedback linearization technique,
entrada universal (90 − 265Vpico ) à plena carga
IEEE Transactions on Power Electronics
(100W ) quanto para diferentes valores da carga
Specialists Conference. vol.36: 565–571.
conectada ao conversor SEPIC. A primeira de-
las é apresentada na Fig.(9 − a) e mostra que o Khalil, H. K. and Grizzle, J. W. (1996). Nonlinear
conversor apresenta alto fator de potência e baixo systems, 3 edn, Prentice hall. New Jersey.
conteúdo harmônico na corrente ca ao longo de
toda a faixa de tensão da entrada universal nas Simonetti, D. S. L., Sebastian, J., Dos Reis, F. S.
duas abordagens de controle. No entanto, nota-se and Uceda, J. (1992). Design criteria for sepic
que a técnica linear apresenta uma ligeira superi- and cuk converters as power factor preregula-
oridade quanto à essa análise. A outra análise é tors in discontinuous conduction mode, IEEE
apresentada na Fig.(9-b) e, novamente, o conver- Transactions on Power Electronics and Mo-
sor é capaz de manter um alto fator de potência tion Control. vol.1: 283–288.
e baixo conteúdo harmônico em ambas as abor- Simonetti, D. S. L., Sebastian, J. and Uceda, J.
dagens de controle, agora para diferentes valores (1997). The discontinuous conduction mode
de cargas. Além disso, observa-se que existe uma sepic and cuk power factor preregulators:
superioridade mais evidente da abordagem linear analysis and design, IEEE Transactions on
nessa última análise frente aos diferentes valores Industrial Electronics. vol.44(5): 630–637.
da carga, a qual pode ser explicada pela distorção

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