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César Fontenelle, filho de uma família influente, viveu uma infância marcada por um acidente que o deixou em um hospital, onde seu irmão Vicente, em busca de entender a dor, causou um sangramento fatal. Após um longo período de sofrimento e solidão, César acorda em um lugar abandonado, preso e ferido, até ser resgatado por uma equipe da Ordo Realistas, que lhe oferece abrigo em troca de ajuda. Agora, ele deve enfrentar inimigos e buscar seu irmão, enquanto tenta recuperar a vida que perdeu.

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César Fontenelle, filho de uma família influente, viveu uma infância marcada por um acidente que o deixou em um hospital, onde seu irmão Vicente, em busca de entender a dor, causou um sangramento fatal. Após um longo período de sofrimento e solidão, César acorda em um lugar abandonado, preso e ferido, até ser resgatado por uma equipe da Ordo Realistas, que lhe oferece abrigo em troca de ajuda. Agora, ele deve enfrentar inimigos e buscar seu irmão, enquanto tenta recuperar a vida que perdeu.

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César Fontenelle nasceu em uma das famílias mais influentes do ramo de

perfumes e biotecnologia do país, crescendo em uma mansão cercada por luxo,


vastos campos e liberdade irrestrita. Apesar da riqueza, sua infância era marcada
principalmente pela companhia constante do irmão mais velho, seu parceiro
inseparável de brincadeiras. Aos seis anos, durante uma dessas aventuras pelos
terrenos da propriedade, os dois caíram de uma árvore alta e acordaram dias
depois em um hospital, ambos com fraturas graves. Enquanto eu chorava e sofria
com dores intensas, Vicente observava tudo com estranhamento — ele parecia
não sentir nada. Nenhuma dor. Nenhum desconforto. Ele não sabia como seu
irmão estava tão tranquilo com todos aqueles machucados. Incapaz de
compreender a “resistência” do irmão, decidiu ficar acordado por mais algum
tempinho -apenas espiando-. Ele reabriu os pontos e pressionou seus ferimentos,
mas mesmo assim, não esboçava nenhuma reação. Não entendia nada daquilo,
ele era maluco? Estava pirando? A curiosidade, porém, custou caro: ele se voltou
para mim e decidiu cutucar um dos meus ferimentos que estavam abertos, que
logo voltou a sangrar de forma incontrolável, e quando os médicos chegaram já
era tarde demais. As últimas palavras que César escutou seu irmão dizer foram:
“Eu só queria entender o que ele estava sentindo.”

Horas depois, o bipe dos aparelhos começava a incomodar os ouvidos de César.


Seus olhos piscavam, tentando reter parte da claridade que iluminava seu quarto
que aparentava estar normal. A primeira vista, tudo parecia um hospital normal,
César até ficou feliz por pensar que poderia ver sua família, finalmente ver o seu
irmão... O que tinha causado o sangramento novamente...

Depois de um tempo, juntou forças e conseguiu levantar, seus olhos


procuravam coisas que reconhecesse. Nada. Apenas um símbolo estranho
debaixo da sua cama. Símbolos ainda menores estavam escritos ao redor das
formas que nem a sua cabeça conseguia compreender e quando pensava que não
podia piorar, uma luz avermelhada saltava dele e preenchia o quarto e seus olhos.

Após apagar ele só se lembrava de sentir uma dor excruciante todos os dias. Na
primeira vez foi nos braços. Na segunda, foram nas pernas. Na terceira, no peito.
Na quarta, nas costas. E no final sempre repetia os mesmos lugares. Todo o dia.
Sentia-se cada vez mais fraco e drenado. Algo saia de seu corpo todas as vezes.
Talvez fosse a sua humanidade. Ou então o seu sangue.

Não sabia quanto tempo havia passado, talvez dias, talvez semanas, talvez
meses ou até anos... Mas havia passado muito tempo! Tanto que abriu seus olhos
e seu corpo não era mais pequeno como o de uma criança. Era um corpo
crescido, machucado, cheio de cicatrizes e algumas tatuagens que rodeavam dos
pés a cabeça. Suas mãos eram levantadas ao teto por correntes presas aos
pulsos, seu tronco magro, membros magros e cabelos loiros sujos que cobriam
seu rosto com algumas mechas. Sua cabeça não assimilava direito, só entendia
que aquele lugar havia sido abandonado há muito tempo e ele também. Por sua
família, por todos que ele conhecia ou pensava conhecer.

O primeiro barulho que escutou foi a respiração pesada por finalmente ter
acordado e poder ver a luz novamente, além de aparentemente não ter mais
ninguém ali. O segundo contradizia a sua solidão... Sussurros e passos avisavam
que tinha algo caminhando em sua direção. No instinto, César fechou seus olhos
e fingiu que estava desacordado, mas a sua intuição falou outra coisa: “Abra os
olhos, veja o que realmente vem até você” , o estranho era que a intuição tinha
uma voz áspera, corrosiva. Até meio... Diabólica.

César então, obedecendo a ordem da voz, abriu seus olhos e o que encontrou
foi um tanto... Peculiar. Uma equipe o ajudava, tirava as correntes que o prendiam
no teto e limpavam os seus ferimentos. Eles se afirmaram fazer parte de uma tal
Ordo Realistas e que poderiam fornecer suprimentos e moradia, caso ele fornece
ajuda pra eles também, nem que fosse com informações.

Ele, sem ter pra onde ir ou o que fazer, acabou aceitando, fazendo com que
finalmente conseguisse um emprego, um tanto diferenciado. César entrou pra
Ordo Realistas, onde enfrentou diversos inimigos que faziam coisas parecidas
com o que fizeram com ele. Sua única tarefa era, além de proteger a realidade,
encontrar o seu irmão... Aquele que havia acabado com o que restava da sua vida
tranquila. Mas que no fundo, só queria que voltassem ao que eram antes.

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