Aula 2
Aula 2
Ricarte
Dep. de Matemática-UFC Data: 05/03/2026
• Esta nota de aula contém um esboço das aulas presenciais. As ilustrações e mais exemplos
são apresentados durante as aulas. As aulas são principalmente seguindo:
(2) Tom Apostol, Calculus, Volume II. John Wiley & Sons, 1967.
(3) Jerrold Marsden e Alan Weinstein. Calcus III. Undergraduate Texts in Mathematics. Springer.
1 Reparametrização de curvas
Definição 1.1. Uma curva r : I → R3 é dita regular se r′ (t ) ̸= 0, para todo t ∈ I.
Definição 1.3. Uma aplicação φ : [c, d ] → [a, b] é dita um difeomorfismo se, e somente se, φ é uma
bijeção diferenciável e sua inversa φ −1 : [a, b] → [c, d ] é ainda uma função diferenciável.
Observação 1.4. É um fato bastante conhecido dos cursos de cálculo de uma variável que uma
aplicação como φ acima para possuir inversa deve ser moótona crescente ou monótona decrescente.
Daí se φ for crescente diremos que a mesma é um difeomorfismo crescente, caso contrário a
terminologia utilizada será análoga.
1
Definição 1.5. Dada uma curva r : [a, b] → R3 e um difeomorfismo φ : [c, d ] → [a, b] uma
reparametrização da curva r é a curva r ◦ φ de tal forma que r(t ) = r(φ (s)), onde φ (s) = t
para todo t ∈ [a, b] e s ∈ [c, d ]. Assim como mostra o diagrama abaixo
√
Exemplo 1.6. Considere o difeomorfismo φ : [0, 2 2π ] → [0, 2π ] dado simplesmente por φ (s) = √s2 .
√
Temos que r : [0, 2 2π ] → [0, 2π ] dado por
s s s
r(s) = cos √ , sen √ , √
2 2 2
[c, d ]
r◦φ
φ
!
[a, b] r / R3
√
Exemplo 1.8. Considere o difeomorfismo φ : [0, 2 2π ] → [0, 2π ] dado simplesmente por φ (s) = √s2 .
√
Temos que r : [0, 2 2π ] → [0, 2π ] dado por
s s s
r(s) = cos √ , sen √ , √
2 2 2
Exemplo 1.10.
2
“Dada uma curva regular r, sempre existe uma reparametrização
da mesma pelo comprimento de arco?"
A resposta é afirmativa e brevemente teremos o momento oportuno de provar tal resultado. Mas
antes disto nos atentemos a mais algumas considerações. Vimos que, dada uma curva r : [a, b] → R3
de classe C1 ([a, b]), associamos a função comprimento de arco s : [a, b] → [o, ℓ] definida por
Z t
S(t ) = ∥r′ (τ )∥ dτ,
a
Rb
onde ℓ = a ∥r′ (t )∥dt. Portanto, pelo Teorema fundamental do cálculo
dS
= ∥r′ (t )∥ > 0, pois r é regular
dt
Portanto, temos que S possui uma função inversa S−1 : [0, ℓ] → [a, b] o qual é um difeomorfismo.
Chegou a hora de responder, de forma positiva, a pergunta sobre a reparametrização pelo comprimento
de arco.
Teorema 1.11. Seja r : [a, b] → R3 uma curva regular de classe C1 ([a, b]). Então r admite uma
reparametrização pelo comprimento de arco.
Proof. Seja S : [a, b] → [0, ℓ] a função comprimento de arco da curva r. Como r é regular, segue,
por considerações feitas acima que s é um difeomorfismo. Seja S−1 : [0, ℓ] → [a, b] a função inversa
do comprimento de arco de r, afirmamos que r ◦ S−1 é uma reparametrização de r pelo comprimento
de arco. De fato, temos, dessa forma, que t = S−1 (s) e assim r(s) = r(t (s)) e portanto
dt (s) 1
= ′
ds ∥r (s)∥
e portanto
Concluindo assim que de fato r(s) = r(t (s)) é uma reparametrização de r, pelo comprimento de
arco.
3
2 Triedro de Frenet
Com base nos resultados da seção anterior, podemos sempre considerar curvas regulares
parametrizadas pelo comprimento de arco, isto é, ∥r′ (s)∥ = 1. Seja então r : [0, ℓ] → R3 uma curva
regular parametrizada pelo comprimento de arco. Nesta seção, faremos o estudo somente das curvas
de velocidade unitária e de classe Ck , k ≥ 3 no espaço R3 e na próxima, estenderemos os resultados
para curvas de classe Ck regulares. Vamos denotar por
dr(s)
T(s) = r′ (s) = (1)
ds
O vetor tangente unitário a curva r = r(s). Com base no fato de que ∥T (s)∥ = 1 (lembre-se que
T(s) = r′ (s) e ∥r′ (s)∥ = 1) temos
d dT(s)
0= ⟨T(s), T(s)⟩ = 2⟨ , T(s)⟩, ∀s ∈ [0, ℓ]
ds ds
dT(s)
temos com tal argumento que o vetor T′ (s) = ds é ortogonal ao vetor T(s). Supondo por um
momento que ∥T′ (s)∥ ̸= 0, para todo s ∈ [0, ℓ], podemos definir o vetor
dT(s)
r′′ (s)
N(s) = = ds (2)
∥r′′ (s)∥ ∥ dT(s) ∥
ds
que ficará a partir de agora conhecido com vetor normal unitário a r. Vamos denotar por
dT(s)
k(s) = ∥r′′ (s)∥ = (3)
ds
e tal quantidade será denominada de curvatura da curva r e quando a curvatura é diferente de zero
em todos ponto a função definida por
1
ρ (s) =
k (s)
é chamada de raio de curvatura de r.
4
Figure 1: À medida que P se desloca ao
longo da curva na direção do comprimento de Figure 2: FO vetor dT ds , normal à curva,
arco crescente, o vetor tangente unitário vira. sempre aponta na direção para a qual T está
O valor de k(s) em P é chamada curvatura virando. O vetor N é a direção de dT
ds
aplicada nos vetores T, N, concluímos que B é um vetor unitário, isto é, ∥B∥ = 1, cujo mesmo será
conhecido como vetor binormal unitário. Sendo assim temos
Definição 2.1. Seja r : [0, ℓ] → R3 uma curva regular tal que k(s) ̸= 0, ∀ s ∈ [0, ℓ]. A base ortonormal,
para cada valor de s, de R3 dado por
β = {T, N, B} (6)
é chamada triedro de Frenet associado a curva r.
Observação 2.2. No que o triedro de Frenet possui um comportamento cíclico com respeito a
operação de produto vetorial
T = N × B, N = B × T, B = T×N
Exemplo 2.3 (Curvatura de uma reta). Seja P0 ∈ R3 um ponto fico e u um vetor unitário (isto é,
∥u∥ = 1). Sobre a reta
r(s) = P0 + s · u,
o vetor tangente unitário T sempre aponta na mesma direccão de u, ou seja, T(s) = r′ (s) = u.
5
Figure 3: O triedro de Frenet de vetores unitários mutuamente ortogonais percorrendo uma curva
espacial.
dT
Logo, como T(s) é constante igual a u, temos que ds = 0. Logo,
dT
k (s) = ∥ ∥ = 0.
ds
A recíproca também vale, ou seja, a única curva no espaço com curvatura k(s) = 0 é uma reta
(Exercício).
Portanto, s 2 2
′ 12 5
∥r (s)∥ = + = 1.
13 13
6
Logo, r está parametrizada pelo comprimento de arco. Sendo assim, temos que
′ 12 12s 12 12s 5
T(s) = r (s) = − sin , cos ,
13 13 13 13 13
Logo,
dT
dT 144 ds 12s 12s
k (s) = ∥ ∥ = e N(s) = = − cos , − sin ,0 .
ds 169 k (s) 13 13
⃗i ⃗j ⃗k
5 12s 5 12s 12
− 12 12s 12 12s 5
B(s) = 13 sin 13 13 cos 13 13
= sin , − cos , .
13 13 13 13 13
− cos 12s
13 − sin 12s
13 0
7
Como ∥B(s)∥ = 1, temos que ⟨B(s), B(s)⟩ = 1. Derivando, obtemos
d dB
0= ⟨B(s), B(s)⟩ = 2⟨ , B(s)⟩
ds ds
ou seja dB dB
ds ⊥ B(s). Portanto, ds pertence ao plano gerado por T e N, chamado plano osculador
(veja Figura 5). Logo, existem funções a, b : [0, ℓ] → R tais que
dB
= a(s) · T(s) + b(s) · N(s).
ds
Agora,
dB
⟨ , T⟩ = a(s)⟨T(s), T(s)⟩ + b(s)⟨N(s), T(s)⟩ = a(s),
ds
pois ⟨T, T⟩ = 1 e ⟨N, T⟩ = 0. Logo,
dB
a(s) = ⟨ , T⟩.
ds
Ademais, como ⟨B, T⟩ = 0, derivando obtemos
d dB dT
0 = ⟨B, T⟩ = ⟨ , T⟩ + ⟨B, ⟩
ds ds ds
dB
= ⟨ , T⟩ + ⟨B, (k(s)N)⟩
ds
dB
= ⟨ , T⟩ + k(s)⟨B, N⟩
ds
dB
= ⟨ , T⟩ = a(s).
ds
Na segunda igualdade acima, aplicamos a fórmula (4). Portanto, a(s) = 0, ∀ s ∈ [0, ℓ]. Logo
dB
= b(s) · N(s). (7)
ds
Para encontrar b(s), façamos
dB
⟨ , N⟩ = b(s)⟨N(s), N(s)⟩ = b(s),
ds
pois ⟨N, N⟩ = 1. Ou seja,
dB
b(s) = ⟨ , N⟩.
ds
Definição 2.5 (Torção). A torção de uma curva r : [0, ℓ] → R3 , parametrizada pelo comprimento de
arco, é a função escalar dada por:
dB
τ (s) = −⟨ , N⟩.
ds
8
Utilizando a definição acima na Fórmula (7), obtemos
dB
= −τ (s) · N(s). (8)
ds
Diferentemente da curvatura, a qual nunca é negativa, a torção τ pode ser negativa, positiva ou nula.
Os três planos determinados por T, N e B são mostrados na Figura 5. A curvatura k(s) = ∥ dT ds ∥ pode
ser pensada como a taxa na qual o plano normal vira à medida que o ponto P se move ao longo do
seu caminho. De maneira similar, a torção τ (s) = −⟨ dB
ds , N⟩ é a taxa na qual o plano osculador vira
ao redor de T à medida que P se move ao longo da curva. A torção mede como a curva se enrola
(torce).
Se pensarmos na curva como a trajetória de um corpo em movimento, então ∥ dT ds ∥ nos diz quanto a
trajetória torce para a esquerda ou para a direita conforme o objeto se movimenta; a isso chamamos
de curvatura da trajetória do objeto. O número −⟨ dB ds , N⟩ nos diz quanto a trajetória gira ou torce
para fora do seu plano de movimento à medida que o objeto se move; a isso chamamos de torção da
trajetória.
9
2.2 As Equações de Frenet
Vejamos agora o que acontece a derivarmos o triedro de Frenet. Nosso objetivo é provar o seguinte
resultado
Teorema 2.6. Seja r : [a, b] → R3 uma curva regular parametrizada pelo comprimento de arco.
Então:
dT
a) ds = k (s)T(s);
dN
b) ds = −k(s)T(s) + τ (s) · B(s);
dB
c) ds = −τ (s)N(s).
Proof. Os itens a) e c) seguem, respectivamente, das equações (4) e (8). Vamos provar somente o
item b). De fato, como ⟨N, N⟩ = 1, derivando obtemos:
dN
⟨ , N⟩ = 0,
ds
ou seja, dN dN
ds ⊥ N. Portanto, ds pertence ao plano gerado por {T, B}. Logo, existem funções escalares
λ1 , λ2 : [a, b] → R tais que
dN
= λ! (s)T(s) + λ2 (s)B(s).
ds
Por outro lado, como ⟨T, N⟩ = 0, derivando obtemos
d dN dT
0 = ⟨T, N⟩ = ⟨ , T(s)⟩ + ⟨ , N⟩
ds ds ds
= ⟨λ1 T(s) + λ2 B, T⟩ + ⟨k(s)N(s), N(s)⟩ (aqui usamos a) e c))
= λ1 ( s ) + k ( s ) ,
dB d dT dN
= (T × N) = ×N+T×
ds ds ds ds
= ( k ( s ) N ) × N + T × ( λ1 T + λ 2 B )
= λ2 (s)T × B = −λ2 (s)N(s).
dB
Mas, por c), ds = −τ (s)N(s). Logo,
λ2 ( s ) = τ ( s ) .
10
Resumo
dT
T = N×B ⟨T, T⟩ = 1 ds = κ (s)N
dN
N = B×T ; ⟨N, N⟩ = 1 ; ds = −κ (s)T + τ (s)N
dB
B = T×N ⟨B, B⟩ = 1 −τ (s)N
ds =
Se a curva r(t ) não está parametrizado pelo comprimento de arco, definimos o vetor tangente como
sendo:
r′ (t )
T(t ) = ′ . (9)
∥r (t )∥
Para definir o vetor normal, basta observar que, pela regra da Cadeia,
dT dT dt 1
= · (Derivada da inversa, (s−1 )′ = ′ )
ds dt ds s
dT 1 ds
= · ds = ∥r′ (t )∥
dt dt dt
dT 1
= · ′ . (10)
dt ∥r (t )∥
Então, a curvatura de uma curva r(t ), não necessariamente parametrizada pelo comprimento de
arco, é:
1 dT
k(t ) = ′ · . (11)
∥r (t )∥ dt
1
Se k(t ) ̸= 0 então o valor ρ (t ) = k(t )
é chamado de raio de curvatura. Para o vetor normal, vimos
em (10) que
dT 1 dT
= ′ · .
ds ∥r (t )∥ dt
Portanto,
dT dT
ds dt
N(t ) = N(s(t )) = = . (12)
∥ dT
ds ∥ ∥ dT
dt ∥
11
Definimos o vetor binormal como feito em (5), ou seja,
Torção Se a curva b f r (t ) não está parametrizado pelo comprimento de arco, basta observar que
dB dB dt 1 dB
= · = ′ · .
ds dt ds ∥r (t )∥ dt
Logo,
1 dB(t )
τ (t ) = − ·⟨ , N(t)⟩
∥r′ (t )∥ dt
Temos que r′ (t ) = (−3 sint, 3 cost, 4) de modo que, ∥r′ (t )∥ = 5, ou seja, a hélice não está
parametrizada pelo comprimento de arco. Portanto, devemos aplicar a fórmula (9), ou seja
r′ (t )
3 3 4
T (t ) = ′ = − sint, cost, , t ∈ [0, 2π ].
∥r (t )∥ 5 5 5
dT
= − 53 cost, − 53 sint, 0 , ou seja,
Para calcular a curvatura, precisamos calcular a norma do vetor dt
r
dT 3 3 9 3
∥ ∥= − cost, − sint, 0 = = .
dt 5 5 25 5
1 dT 3 1 3
k(t ) = · = · = , t ∈ [0, 2π ].
∥r′ (t )∥ dt 5 5 25
⃗i ⃗j ⃗k
4 4 3
B(t ) = T(t ) × N(t ) = − 53 sin (t ) 35 cos (t ) 45 = sin (t ) , − cos (t ) , .
5 5 5
− cos (t ) − sin (t ) 0
12
Observação 2.8. Com relação ao exemplo anterior, podemos aplicar as fórmulas (1), (2), (3) e (5),
se reparametrizarmos a curva pelo comprimento de arco. De fato, a função comprimento de arco
será Z t Z t
′ s
s(t ) = ∥r (τ )∥dτ = 5dt = 5t =⇒ t = .
0 0 5
Logo s s 4
r(s) = 3 cos , 3 sin , s , s ∈ [0, 10π ].
5 5 5
Agora, a hélice está parametrizado pelo comprimento de arco. Portanto,
s 4
′ 3 s 3
T(s) = r (s) = − cos , sin , , s ∈ [0, 10π ].
25 5 25 5 5
Ademais,
s
3 2
dT 3 s 3 s 3
k (s) = ∥ ∥ = − cos , sin ,0 = = , s ∈ [0, 10π ].
ds 25 5 25 5 25 25
Portanto,
dT s s
ds
N(s) = = − cos , − sin ,0
k (s) 5 5
Para finalizar,
⃗i ⃗j ⃗k s 3
4 s 4
− 35 sin 5s 3 s 4
B(s) = T(s) × N(s) = 5 cos 5 5
= sin , − cos , .
5 5 5 5 5
− cos 5s − sin 5s
0
13
1
ou seja a curvatura da circunferência de centro na origem e raio R é constante e igual a R.
Evidentemente que o raio de curvatura é R.
dT
k (s) = ∥ ∥ = 0.
ds
Donde,
dB 4 4
= cost, sint, 0 .
dt 5 5
Portanto,
1 dB 1 4 4
τ (t ) = − ′ ⟨ , N⟩ = − · − = .
∥r (t )∥ dt 5 5 25
No mesmo exemplo (Exemplo 2.7), vimos que a reparametrização da curva é
s s 4s
r(s) = 3 cos , 3 sin , .
5 5 5
14
Logo,
s
dB 4 s 4 s s
τ (s) = −⟨ , N⟩ = −⟨ cos , sin , 0 , − cos , − sin ,0 ⟩
ds 25 5 25 5 5 5
4
= .
25
Ou seja, a torção não muda via reparametrização.
d2s
′′ dv d ds ds dT
a = r (t ) = = ·T = 2 ·T+ ·
dt dt dt dt dt dt
d2s d2s
ds dT ds ds ds
= ·T+ · = 2 ·T+ k (s)N Usamos a fórmula (4)
dt 2 dt ds dt dt dt dt
2 2
d s ds dv
= 2
·T+k N = T(t ) + κ (t )v2 (t )N. (15)
dt ds dt
a = aT · T + aN · N, (16)
onde 2
d 2 s dv
ds
aT = 2 = e aN = k = kv2 (17)
dt dt dt
Observe que o vetor binormal B não aparece na equação (16). Não importa quanto o caminho
do corpo em movimento que estamos observando pareça torcer e virar no espaço, a aceleração a
sempre está no plano de T e N, ortogonal a B. A equaç ao tamb´;em nos diz exatamente quanto da
2
aceleração atua na direção tangente ao movimento ddt 2s = dv
dt e quanto atua na direção normal ao
2
movimento k(t )v (Figura ??).
15
Observe que a componente escalar normal da aceleração é a curvatura multiplicada pelo quadrado
do módulo da velocidade. Isso explica por que temos de nos segurar quando nosso carro faz uma
curva acentuada (k) grande em alta velocidade (v grande). Se dobrarmos a velocidade do carro,
sentiremos a componente normal da aceleração para a mesma curvatura quadruplicar.
⟨a, v⟩
q
aT = ⟨a, T⟩ = , aN = ⟨a, N⟩ = ∥a∥2 − |aT |2 (19)
∥v∥
e
⟨a, v⟩ ⟨a, v⟩ ⟨a, v⟩
aT T = v= , aN N = a − a T T = a − v, (20)
⟨v, v⟩ ∥v∥ ⟨v, v⟩
onde v(t ) = r′ (t ) e a(t ) = r′′ (t )
r′ (t ) v
e como T(t ) = ∥r′ (t )∥
= ∥v∥ , temos que
⟨a, v⟩ v ⟨a, v⟩
aT T = (⟨a, T⟩)T = = v
∥v∥ ∥v∥ ⟨v, v⟩
e
⟨a, v⟩
aN N = a − aT T = a − v.
⟨v, v⟩
Finalmente, os vetores aT T e aN N são lados de um triângulo retângulo com hipotenusa a (veja
Figura ??). Portanto, pelo Teorema de Pitágoras
q
2 2 2
∥a∥ = |aT | + |aN | ⇒ aN = ∥a∥2 = |aT |2 .
16
Teorema 3.3. Seja r : I ⊂ R → R3 uma curva regular de classe Ck , k ≥ 3. Então,
a) r′ (t ) = v(t )T(t );
b) r′′ (t ) = dv 2
dt T + κ (t )v N;
∥r′ (t )×r′′ (t )∥
c) κ (t ) = v3
;
⟨r′′′ (t ),r′ (t )×r′′ (t )⟩
d) τ (t ) = ∥r′ (t )×r′′ (t )∥3
Proof. Os itens a) e b) já estão demonstrados nas fórmulas (14) e (15). Para o item c), observe que
′ ′′ dv dv
r (t ) × r (t ) = (vT) × T + kv N = v T × T + kv3 T × N = kv3 B.
2
(21)
dt dt
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥ = k (t )v3 (t )∥B∥ = k (t )v3 (t ) ⇒ κ (t ) =
v3
Para o item d), note que
d2v dv dT ds d dN ds
r′′′ (t ) = T + + ( k (t ) v 2
(t )) N + k (t ) v2
(t ) . (22)
dt 2 dt ds dt dt ds dt
Sabemos que:
dT ds
= k(t )v(t )N
ds dt
dN ds
= −k(t )v(t )T + v(t )τ (t )B.
ds dt
Substituindo as equações acima em (22), ficamos com:
d2v
′′′ dv d
r (t ) = − k v T + kv + (kv ) N + τ (t )k(t )v3 (t )B
2 3 3
(23)
dt 2 dt dt
d2v
′′′ ′ ′′ 2 3 dv d 3 3 3
⟨r , r (t ) × r (t )⟩ = − k v T + kv + (kv ) N + τ (t )k(t )v (t )B, k(t )v (t )B
dt 2 dt dt
= k2 (t )v6 (t )τ (t ). (24)
17
Segue de (26) e (25) que
⟨r′′′ (t ), r′ (t ) × r′′ (t )⟩
τ (t ) =
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥2
r′ (t )×r′′ (t )
b) B(t ) = ∥r′ (t )×r′′ (t )∥
dT
dt
N(t ) = dT
.
∥ dt ∥
Para o item b), vimos na equação (61) que r′ (t ) × r′′ (t ) = κv3 B e ∥r′ (t ) × r′′ (t )∥ = kv3 , daí
r′ (t ) × r′′ (t )
B(t ) = .
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥ = ∥(1, 2at + b, 0) × (0, 2a, 0)∥ = ∥(0, 0, 2a)∥ = 2|a|.
√
Como v(t ) = ∥r′ (t )∥ = ∥(1, 2at + b, 0)∥ =
p
1 + (2at + b)2 = 1 + b2 + 4abt + 4a2t 2 . Portanto,
2|a|
k(t ) = .
(1 + b2 + 4abt + 4a2t 2 )3/2
Note que da função k facilmente se verifica que a curvatura não se anula. É máxima para t = 0, isto
é na origem a curvatura é máxima e vale (1+2|a|
b2 )3/2
. A curvatura tende para zero quando t → ±∞.
Geometricamente isto significa que a parábola se assemelha a uma reta quando t → ±∞.
Exemplo 3.6. Vamos calcular o triedro de Frenet, a curvatura da curva r(t ) = (sint,t 2 , et ), t ∈ R
no ponto r(0) = (0, 0, 1).
18
Temos que r′ (t ) = (cost, 2t, et ). Logo,
r′ (t ) (cost, 2t, et )
T(t ) = =
∥r′ (t )∥ ∥(cost, 2t, et )∥
(cost, 2t, et )
= √
cos2 t + 4t 2 + e2t
Para finalizar,
2 1 2 1 1 1 4 1
N(0) = B(0) × T(0) = − , − , × √ , 0, √ = − √ , √ , √ .
3 3 3 2 2 3 2 3 2 3 2
19
Inicialmente, temos
r′ (t ) = (3t 2 , 6, 6t ) e r′′ (t ) = (6t, 0, 6).
√
Como v(t ) = ∥r′ (t )∥ = t 4 + 4t 2 + 4 = (t 2 + 2)2 = t 2 + 2 > 0, temos que r é uma curva regular.
p
r′ (t ) (3t 2 , 6, 6t )
T(t ) = =
∥r′ (t )∥ t2 + 2
2
t 2 2t
= , ,
t2 + 2 t2 + 2 t2 + 2
Antes de encontrar o vetor normal, pelo Teorema ??-(d), podemos encontrar o vetor binormal antes.
De fato,
⃗i ⃗j ⃗k
′ ′′
r (t ) × r (t ) = 3t 2 6 6t = 18(2,t 2 , −2t ).
6t 0 6
Logo, p
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥ = 18 t 4 + 4t 2 + 4 = 18(t 2 + 2).
Com isso, temos
r′ (t ) × r′′ (t ) t2
2 −2t
B(t ) = ′ = , , .
∥r (t ) × r′′ (t )∥ t2 + 2 t2 + 2 t2 + 2
Por fim,
⃗i ⃗j ⃗k
−2t 2 − t 2
1 2t
N(t ) = B(t ) × T(t ) = 2 2 t 2 −2t = , , .
(t + 2)2 t2 + 2 t2 + 2 t2 + 2
t 2 2 2t
∥r′ (t ) × r′′ (t )∥ 2 1
k(t ) = ′
= · 2
∥r (t )∥ 3 (t + 2)2
Equações de Frenet para curvas regulares quaisquer. Se a curva r : [a, b] → R3 uma curva
regular (não necessariamente parametrizada pelo comprimento de arco). Então as fórmulas de
Frenet ficam:
dT
a) dt = k(t )v(t )T(t );
dN
b) dt = v(t ) · [−k(t )T(t ) + τ (t ) · B(t )];
dB
c) dt = −τ (t )v(t )N(s).
Exemplo 3.8. Vejamos então uma excelente aplicação das equações de Frenet. Seja fl : [0, ℓ] → R3
20
uma curva regular parametrizada pelo comprimento de arco e suponha ainda que k(s) ̸= 0, ∀ s ∈ [0, ℓ].
Suponha ainda que todas as retas normais a fl passa por um ponto p ∈ R3 não pertencente a fl.
Então fl é um arco de círculo.
De fato, Vejamos, na figura ??, que podemos escrever a seguinte equação vetorial:
A segunda equação acima mostra que λ (s) = C (constante). Tal constante é não nula, pois caso
contrário, λ (s) = p, contrariando a hipótese de p ̸∈ γ. Denotando λ (s) = −r, temos que τ = 0
e k(s) = 1r . Portanto, γ está contida num círculo de raio |r|. Uma outra forma de ver que γ está
contida num círculo é ver que
21
qualquer ponto t ∈ I é dada por
Equação do círculo osculador: Seja Q(α, β ) o centro de curvatura da curva r num ponto
P(x, y) ∈ r. Então
(x − α )2 + (y − β )2 = ρ 2 (27)
é a equação do círculo osculador. Dado um ponto r(t0 ) = (x0 , y0 ), a equação da reta
é normal à curva r passando pelo ponto (x0 , y0 ). No que segue, iremos denotar por:
ẋ0 = x′ (t0 ), ẏ0 = y′ (t0 ), ẍ0 = x′′ (t0 ), ÿ0 = y′′ (t0 ).
Ou seja,
ẋ02 + ẏ20
β − y0 = ±ẋ0 ·
|ẍ0 ẏ0 − ẋ0 ÿ0 |
22
Então a fórmula para as coordenadas do centro de curvatura da curva r será:
2 2
α = x0 ∓ ẏ0 · ẋ0 +ẏ0
(ẋ0 ÿ0 −ẍ0 ẏ0 )
(⋆) 2 2
β = y0 ± ẋ0 · ẋ0 +ẏ0
(ẋ0 ÿ0 −ẍ0 ẏ0 )
| f ′′ (x)| 2
κ (x ) = ′ 2 3/2
= .
(1 + [ f (x)] ) (1 + 4x2 )3/2
√
Portanto, para x = 1/2, κ (1/2) = √1 . Então, o raio de curvatura é ρ = 2. Fazendo x(t ) = t e
2
y(t ) = t 2 , então r(t ) = (t,t 2 ) e para t = 1/2:
ẋ = 1, ẍ = 0, ẏ = 1, ÿ = 2.
(−1,1
√ )
Então r′ (1/2) = (1, 1). O vetor ⃗N = 2
é ortogonal ao vetor tangente. A reta normal é
1 1 −1 1
s(t ) = , +t · √ , √
2 4 2 2
√
Para determinar o centro Q, caminhamos a distância ρ = 2 na direção normal:
√ −1 1
Q = r(1/2) ± ρ⃗N = (1/2, 1/4) ± 2 √ , √
2 2
1 2 5 2
x+ + y− =2
2 4
Definição 3.10. O conjunto de todos os centros de curvatura de uma curva r(t ) regular de classe C2
23
determina uma outra curva chamada evoluta de r.
Solução: A curva r(x) = (x, x2 ) é de classe C∞ . Utilizando as fórmulas (⋆⋆) para y = x2 , temos
ẏ = 2x e ÿ = 2.
1 + (2x)2
α = x − (2x) · = x − x(1 + 4x2 ) = −4x3
2
1 + (2x)2 1 1
β = x2 + = x2 + + 2x2 = + 3x2 .
2 2 2
√
Isolando x em α: x = − 3 α/4. Substituindo em β , obtemos a equação cartesiana da evoluta:
2 1/3 r
1 α 1 3 3 α2
β = +3 = + .
2 16 2 2 2
1. Primeira Lei. Cada planeta se move em uma órbita elíptica, tendo o Sol em um dos seus
focos.
2. Segunda Lei. O raio vetor ligando o Sol a um dado planeta varre áreais iguais em tempos
iguais.
3. Terceira Lei. A razão entre o quadrado do perído de um planeta e o cubo do semi-eixo maior
de sua órbita é a mesma para todos os planetas.
Nosso objetivo é demonstrar as três leis de Kepler e aplicar esse conhecimento. Para isso iremos
enunciar algumas Leis que Newton enunciou e demonstrou através de sua Mecânica.
Primeira Lei de Newton. Se nenhuma força resultante atua sobre um corpo, sua velocidade não
pode mudar, ou seja, o corpo não pode sofrer uma aceleração.
24
Em termos matemáticos,
⃗Fres = 0.
Agora, quando um corpo sofre uma mudança de velocidade, ou seja, ⃗Fres ̸= 0, então este corpo está
submetido a uma aceleração.
Segunda Lei de Newton. A força resultante que age sobre um corpo é igual ao produto da massa
do corpo pela sua aceleração.
Em termos matemáticos,
⃗Fres = m⃗a
e em módulo
F = ma.
Seja F a força que rege o movimento de P, então pela segunda Lei de Newton, temos
F = mẌ (29)
onde Ẋ = dXdt representa a derivada com respeito a t (tempo) e m é a massa do planeta P. Entretanto,
tal força é oriunda do campo gravitacional gerado pela presença do Sol e, portanto, tal força é dada
pela Lei Universal da Gravitação, que afirma que a mesma deve ser diretamente proporcional ao
produto das massas do planeta e do Sol e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre
25
Figure 6: Órbita do planeta
os mesmos, possuindo ainda a direção do raio vetor que os une, o que matematicamente é expresso
por
mMG X
F=− 2 · (30)
r r
onde r = ∥X∥, M é a massa do Sol e G é a constante de proporcionalidade que é conhecida como
constante universal da gravitação. O sinal negativo é devido à força gravitacional ser de atração,
portanto contrária à orientação do raio vetor X. Usando as equações (29) e (30) tem-se
MG
Ẍ = − X. (31)
r3
Y := X × Ẋ. (32)
Note que o momento angular é, em cada t, ortogonal ao raio vetor (vetor posição) e ao vetor
26
Figure 7: Momento angular
Proof. Para provarmos tal resultado é suficiente provarmos que o momento angular de P é
constante, pois assim sendo a órbita estará no plano de R3 contendo a origem, que é ortogonal a Y.
Com efeito, calculando a derivada do momento angular Y, temos
MG
Ẏ = Ẋ × Ẋ + X × Ẍ = − 3 · X × X = 0, (33)
r
onde usamos a Equação (31) e que X × X = 0. Daí segue que Y(t ) = cte. Assumiremos que tal
constante é não nula, uma vez que, caso Y(t ) = ⃗0, teríamos um movimento retilíneo, o que não
condiz com a realidade orbital.
Sendo Y(t ) = ⃗κ ̸= ⃗0, temos que k1 x(t ) + k2 y(t ) + k3 z(t ) = 0, ou seja, X = (x(t ), y(t ), z(t ))
representa um plano que contém a origem e é perpendicular ao vetor constante ⃗κ ̸= ⃗0. Portanto, a
órbita é plana.
27
5 A órbita em coordenadas polares
Vimos na seção anterior que a órbita de X é planar e, portanto, não há perda de generalidade em
considerarmos tal plano como sendo o plano z = 0. Assim, a órbita de P assumirá a forma
e ainda Y(t ) = (0, 0, x(t )ẏ(t ) − ẋ(t )y(t )). Representando apenas por κ a única coordenada não
nula de Y, temos que x(t )ẏ(t ) − ẋ(t )y(t ) = κ (constante).
Considere agora a área A(t ), da região sob a órbita X de t0 a t. Escrevendo r = r (θ ), a área A(t ) é
expressa por:
1 t 2
Z
A(t ) = r (θ (t ))θ̇ (t )dt. (36)
2 t0
Definição 5.1. A velocidade areolar associada ao planeta P é definida por Ȧ(t ), ou seja, a taxa de
28
variação da área descrita pelo raio vetor em relação ao tempo.
e portanto
xÿ − ẏx = r2 θ̇ = κ. (38)
Aplicando o Teorema Fundamental do Cálculo a (36)
1 1
Ȧ(t ) = r2 (θ (t ))θ̇ = κ. (39)
2 2
Lei 1 (Segunda Lei de Kepler). O raio vetor ligando o Sol a um dado planeta varre áreas iguais em
tempos iguais.
1 1
A(t2 ) − A(t1 ) = κ · (t2 − t1 ) = κ · (t4 − t3 ) = A(t4 ) − A(t3 ), (41)
2 2
onde A(t4 ) − A(t3 ) é a área percorrida pelo raio vetor no intervalo de tempo (t3 ,t4 ). Desta forma,
fica provada a Segunda Lei de Kepler.
29
Usando a equação (31), obtemos
MG
r̈ cos θ − 2ṙθ̇ sin θ − rθ̇ 2 cos θ − rθ̈ sin θ = − cos θ (44)
r2
MG
r̈ sin θ + 2ṙθ̇ cos θ − rθ̇ 2 sin θ + rθ̈ cos θ = − 2 sin θ , (45)
r
Daí fazendo cos θ · (44) + sin θ · (45) temos
MG
r̈ − r · θ̇ 2 = − (46)
r2
d 2
r θ̇ = 2rṙθ̇ + r2 θ̈ = r (2ṙθ̇ + rθ̈ ).
dt
Devido a tal fato, tal equação não será levada em consideração daqui em diante.
MG
r̈ − r · θ̇ 2 = − , r2 θ̇ = κ (49)
r2
são equivalentes à equação que rege o movimento, dada por
MG
Ẍ = − X.
r3
Observação 5.4. Observe que, devido a (38), a função θ̇ (t ) ̸= 0, ∀t, tem-se que tal função possui
uma função inversa, a saber t = t (θ ). Assim podemos entender r como uma função de θ , da forma
r (θ ) = r (t (θ )). Temos ainda que
dt (θ ) 1
= . (50)
dθ θ̇ (t (θ ))
d2
1 1 MG
+ = 2. (51)
dθ 2 r r κ
30
Proof. Utilizando a regra da cadeia temos
dr dt ṙ d ṙ dt r̈
= ṙ · = e = r̈ · = (52)
dθ dθ θ̇ dθ dθ θ̇
onde usamos (50). Daí segue que
d 1 dr ṙ ṙ
= −r−2 · =− 2 =− . (53)
dθ r dθ r θ̇ κ
d2
1 d d 1 1 d ṙ r̈
= =− · =− , (54)
dθ 2 r dθ dθ r κ dθ κ θ̇
onde na última igualdade usamos (52). Substituindo a última equação em (47) obtemos o resultado
desejado.
A fórmula de Binet, vista na seção anterior, é de fato muito útil devido à equação (51) ser uma
equação linear de segunda ordem relativamente fácil de ser resolvida, uma vez que a mesma é uma
equação do tipo oscilador harmônico. É um fato bastante simples de ver que uma solução geral da
equação (51) é da forma
1 MG
= α · cos θ + β · sin θ + 2 (55)
r κ
onde α e β são constantes dependendo dos dados iniciais. Vamos supor, sem perda de generalidade,
que θ (0) = 0, isto é, que no instante t = 0 o planeta P situava-se sobre o eixo dos x a uma distância
r (0) = r0 do Sol. A equação (55) pode ser escrita na forma
1 1 MG d 1 MG
= − 2 · cos θ + · sin θ + 2
r r κ dθ θ =0 r κ
0
1 MG ṙ0 MG
= − 2 · cos θ − · sin θ + 2 , (56)
r0 κ κ κ
onde ṙ0 = ṙ (0). Fazendo mais uma simplificação na equação (56) temos
1 MG
= λ · cos(θ − ω ) + 2 , (57)
r κ
κ2
MG
r= 2 (58)
1 + λMG
κ
· cos(θ − ω )
31
λ κ2
Representando e = MG e d = λ −1 , afirmamos que a equação
d ·e
r= (59)
1 + e · cos(θ − ω )
2
e d
é uma elipse com excentricidade e e centro no ponto − 1−e 2 , 0 .
Observação 5.7. É natural assumirmos que e < 1 uma vez que r0 , M e G devem ser números
consideravelmente grandes e κ não deve ser uma constante muito grande por representar uma
velocidade (areolar) de um planeta.
r + e · r cos(θ − ω ) = d · e
Denotando por
e2 d e2 d 2 e2 d 2
c= , a2 = e b2 = , (61)
1 − e2 ( 1 − e2 ) 2 1 − e2
obtemos a equação
(x + c)2 y2
+ 2 =1
a2 b
que é uma equação da Elipse. Note que estamos assumindo que e < 1 e portanto c > 0 e ainda
a > b. Logo tal elipse possui seu eixo maior sobre o eixo x (veja figura ??). Com isso, acabamos de
provar o seguinte resultado:
Lei 2. (Primeira Lei de Kepler). Cada planeta se move em órbita elíptica, tendo o Sol em um dos
focos.
Interpretação Geométrica da Segunda Lei de Kepler. Agora que sabemos como é a forma
geométrica da órbita do planeta P, vejamos na figura ?? uma interpretação geométrica para a
Segunda Lei de Kepler. Na figura ?? acima, os intervalos de tempo são iguais, isto é, t2 −t1 = t4 −t3
e, portanto, a Segunda Lei afirma que as áreas hachuradas acima são iguais.
32
Observação 5.8. Este resultado é impressionante! Na antiguidade, além de os povos acharem que as
órbitas eram circulares, achava-se ainda que a velocidade em que os planetas se deslocavam sobre
suas órbitas era constante. Mas a Segunda Lei mostra que tal velocidade não é constante, mas sim a
velocidade da área varrida pelo raio vetor; em particular, quando o planeta encontra-se mais perto
do Sol, sua velocidade é maior do que quando o mesmo está distante do Sol.
6 Exercícios
P ROBLEMA #1:
P ROBLEMA #2:
P ROBLEMA #3:
P ROBLEMA #4:
Dada a curva
12s 12s 5s
α (s) = cos , sen , ,
13 13 13
33
determine
P ROBLEMA #5:
Uma partícula se move sobre uma curva α : I ⊂ R → R2 de modo que o comprimento do vetor
posição é uma constante a > 0. Mostre que:
(b) O vetor aceleração e o vetor posição da partícula tem a mesma direção e sentidos opostos;
P ROBLEMA #6:
Seja α : I → R3 uma curva com velocidade ortogonal ao vetor aceleração. Mostre que a
velocidade escalar de α é constante e que a curvatura será
∥α ′′ (t )∥
k= .
v2 (t )
P ROBLEMA #7:
Seja α (t ) = (x(t ), y(t )) uma curva regular de classe Ck , k ≥ 2. Prove que sua curvatura é dada
por
|x′′ (t )y′ (t ) − x′ (t )y′′ (t )|
κ (t ) = .
[(x′ (t ))2 + (y′ (t ))2 ]3/2
Usando a fórmula acima, calcule a curvatura das seguintes curvas:
(a) α (t ) = (2t,t 2 );
√
(b) α (t ) = ( t, 2t );
34
(c) α (t ) = (3t + 2, 7 − 4t );
P ROBLEMA #8:
α (t ) = (t 2 ,t 2 − 3t, 4t )
no ponto t = 1.
P ROBLEMA #9:
P ROBLEMA #10:
Dada a curva
α (t ) = (t, lnt ),
determine os vetores T (1) e N (1). Determine a curvatura κ e o círculo osculante de α (1).
P ROBLEMA #11:
(b) (T , N );
(c) κ e ρ;
P ROBLEMA #12:
A aceleração de um ponto móvel é sempre zero. Mostre que o ponto se move sobre uma reta.
P ROBLEMA #13:
Seja α (t ) = (x(t ), y(t )) uma curva regular C2 . Mostre que se a curvatura é constante e positiva,
então α está sobre uma circunferência. Reciprocamente, se α está contido numa circunferência,
então sua curvatura é constante.
35
P ROBLEMA #14:
t 12 t 2 t3 t2 t4
α (t ) = − + t + 2, + t + 1, −
12 2 6 2 4
no ponto t = 0.
P ROBLEMA #15:
Um ponto se move sobre uma curva α (t ) = (x(t ), y(t ), z(t )) do ponto α (0) = (2, 1, −1).
Sabendo-se que a velocidade α ′ (0) = (2, 1, −4) e a aceleração α ′′ (t ) = (2, −1, 2t ), determine
o vetor posição em α (2).
P ROBLEMA #16:
P ROBLEMA #17:
P ROBLEMA #18:
Seja α : I ⊂ R → R3 uma curva regular C3 . Prove que as seguintes condições são equivalentes:
(a) A torção τ = 0;
36
P ROBLEMA #19:
P ROBLEMA #20:
Prove que a aplicação α (t ) = (1 + cos(t ), sen(t ), 2sen(t/2)), t ∈ (−∞, +∞), é uma curva
regular cujo traço etá contido na interseção do cilindro C = {(x, y, z) ∈ R3 : (x − 1)2 + y2 = 1}
e da esfera S = {(x, y, z) ∈ R3 : x2 + y2 + z2 = 4}.
P ROBLEMA #21:
Calcule o triedro de Frenet da curva regular em R3 cujo traço coincide com a interseção do
cilindro C = {(x, y, z) ∈ R3 : x2 + y2 = 1} e o plano x + 2y + z = 1.
P ROBLEMA #22:
1 + t 1 − t2
α (t ) = t, ,
t t
b) Verifique que toda curva regular de R3 , cujas funções coordenadas são polinômios de
grau menor ou igual a dois, é uma curva plana.
P ROBLEMA #23:
P ROBLEMA #24:
37
Calcule a curvatura e a torção das seguintes curvas:
P ROBLEMA #25:
α (t ) = (3t − t 3 , 3t 2 , 3t + t 3 )
em t0 = 1.
P ROBLEMA #26:
P ROBLEMA #27:
Seja α uma curva regular. Mostre que o traço de α está contido em uma circunferência de raio
R > 0 se, e só se, a torção τ ≡ 0 e a curvatura k(s) = R1 .
P ROBLEMA #28:
Uma curva regular α : I → R3 é uma hélice se existe um vetor unitário ⃗v que forma um ângulo
⟨α ′ (t ),v⟩
constante com α ′ (t ), ∀t ∈ I, isto é, ∥α ′ (t )∥ é constante.
38
k (s)
b) Prove que α é uma hélice se, e só se, τ (s)
é constante.
c) Prove que a curva α (t ) = (at, bt 2 , ct 3 ), t ∈ R é uma hélice se, e só se, 3ac = ±2b2 .
G LEYDSON C. R ICARTE
Universidade Federal Ceará
Department of Mathematics
Fortaleza, CE-Brazil 60455-760
ricarte@[Link]
39