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Prevalência e Fatores Associados À Vitimização Por Entre Escolares Brasileiros, 2019

O estudo analisou a prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros de 13 a 17 anos, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019. Dos 125.123 participantes, 23,1% relataram ter sofrido bullying, com associações positivas a sentimentos de solidão, tristeza, e consumo de tabaco. As intervenções contra o bullying devem envolver profissionais de saúde, educação e serviços sociais, considerando fatores individuais e contextuais.

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Prevalência e Fatores Associados À Vitimização Por Entre Escolares Brasileiros, 2019

O estudo analisou a prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros de 13 a 17 anos, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019. Dos 125.123 participantes, 23,1% relataram ter sofrido bullying, com associações positivas a sentimentos de solidão, tristeza, e consumo de tabaco. As intervenções contra o bullying devem envolver profissionais de saúde, educação e serviços sociais, considerando fatores individuais e contextuais.

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ARTIGO ORIGINAL

Prevalência e fatores associados à


vitimização por bullying entre escolares
brasileiros, 2019
Prevalence and factors associated with bullying victimization among
Brazilian students, 2019
Deborah Carvalho Malta1, Juliana Bottoni de Souza1, Elton Junio Sady Prates1, Flávia Carvalho
Malta de Mello2, Marta Angélica Iossi Silva2

DOI: 10.1590/2358-2898202614810270P

RESUMO Objetivou-se analisar a prevalência, os motivos e os fatores associados a sofrer bullying em


escolares brasileiros de 13 a 17 anos. Estudo transversal e analítico que utilizou dados da Pesquisa Nacional
de Saúde do Escolar de 2019. O desfecho avaliado foi o relato de ter sofrido bullying. As prevalências foram
estimadas, com Intervalos de Confiança de 95%, e as razões de prevalência brutas e ajustadas foram
calculadas, investigando a associação entre o desfecho e as covariáveis. A análise bivariada foi seguida
da multivariada, utilizando regressão de Poisson. Dos 125.123 participantes, 23,1% relataram ter sofrido
bullying. Associaram-se positivamente ao desfecho no modelo final: sentir-se solitário, triste, acreditar
que a vida não vale a pena, não ter amigos, sofrer violência familiar, faltar às aulas, consumir tabaco. Em
conclusão, um em cada quatro estudantes refere ter sofrido bullying, tendo como motivo a não identificado,
seguido pela aparência corporal e do rosto, associando-se com determinantes individuais e contextuais. É
crucial que as intervenções antibullying envolvam profissionais da saúde, educação, serviço social e atores
do poder público, considerando os múltiplos fatores individuais, contextuais e sociais que permeiam e se
associam à ocorrência desse fenômeno.

PALAVRAS-CHAVE Bullying. Adolescente. Instituições Acadêmicas. Inquéritos Epidemiológicos. Brasil.

ABSTRACT The present study aimed to analyze the prevalence, reasons, and factors associated with bully-
ing among Brazilian schoolchildren, aged 13 to 17 years. This was a cross-sectional, analytical study using
data from the 2019 National School-Based Health Survey. The outcome assessed was reported as bullying.
Prevalence rates were estimated, along with 95% confidence intervals, and crude and adjusted prevalence
ratios were calculated to investigate the association between the outcome and covariates. Bivariate analysis
was followed by multivariate analysis using Poisson regression. Of the 125,123 participants, 23.1% reported
having been bullied. The following were positively associated with the outcome in the final model: feeling
lonely, feeling sad, believing life is not worth living, not having friends, suffering from family violence, missing
classes, and using tobacco. In conclusion, one in four students reported having been bullied, with unidentified
1 UniversidadeFederal de reasons, followed by body and facial appearance, associated with individual and contextual determinants. It is
Minas Gerais (UFMG), crucial that anti-bullying interventions involve health professionals, education professionals, social workers,
Escola de Enfermagem
(EE) – Belo Horizonte
and public authorities, considering the multiple individual, contextual, and social factors that permeate and
(MG), Brasil. are associated with the occurrence of this phenomenon.
dcmalta@[Link]
KEYWORDS Bullying. Adolescent. Schools. Health surveys. Brazil.
2 Universidade de São
Paulo (USP), Escola de
Enfermagem de Ribeirão
Preto (EERP) – Ribeirão
Preto (SP), Brasil.

Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative
Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer
meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado. SAÚDE DEBATE | RIO DE JANEIRO, V. 50, N. 148, e10270, Jan-Mar 2026
2 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI

Introdução mais elevada na África Subsahariana (48,2%),


enquanto na América do Norte era de 31,7%;
A vitimização devido ao bullying foi descrita na América do Sul, de 30,2%; e na América
na literatura desde os anos 19601,2. A palavra Central, de 22,8%14. Portanto, há uma grande
de origem inglesa bully (valentão, brigão)3 tem variação na magnitude e na carga do bullying
sido traduzida como assédio escolar e refere- entre os países, embora o fenômeno tenha sido
-se ao comportamento agressivo entre pares4, descrito em diversos territórios.
sendo resultado de uma prática sistemática Com relação aos fatores associados ao
com atitudes de intimidação, humilhação ou bullying, há evidências de que ser do sexo
discriminação, que podem se somar à violência masculino, adolescente mais jovens, da etnia
física ou psicológica5. negra, filho de pais com baixa escolaridade15, e
O fenômeno do bullying manifesta-se pela enfrentar problemas relacionados com a saúde
relação desigual de poder entre os pares en- mental, como ter poucos amigos, fazer uso de
volvidos e pode ocorrer no ambiente escolar, substâncias e tabaco, sofrer depressão, ansie-
bem como em outros cenários3. Sabe-se que o dade e ter ideações suicidas, possuir diferentes
bullying tem sido estudado com maior frequ- orientações sexuais e de gênero, além de ter
ência no contexto escolar; no entanto, também pouco apoio familiar, apresentam maior risco
pode ocorrer no ambiente virtual, no ambiente de vivenciar esse tipo de violência5,9,10,16–18.
laboral, no ambiente familiar, em equipes es- No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde
portivas e em outros espaços sociais6. do Escolar (PeNSE) integra a vigilância de
A literatura descreve desfechos adversos doenças e agravos não transmissíveis entre os
para a saúde das vítimas de bullying, os quais adolescentes escolares, sendo realizada pelo
incluem distúrbios de sono, dificuldades nas Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
atividades escolares, maior propensão para o (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde,
abandono escolar, dificuldades nos relaciona- constituindo-se como uma fonte importante
mentos, piora da autoestima e da autoimagem, de informações para o delineamento de ações
distúrbios mentais na vida adulta e tentativas e de políticas públicas19. A última edição da
de suicídio5,7–11. Esses desfechos impactam ne- PeNSE20, realizada em 2019, incorporou im-
gativamente a saúde e a autoestima, resultando portantes mudanças metodológicas, como a
em elevados ônus social e econômico para ampliação da amostra única de escolares de
as vítimas, famílias, governos e sociedades12. 13 a 17 anos, além de modificar a pergunta
Um estudo com dados de 317.869 adolescen- sobre bullying, ampliando sua sensibilidade,
tes de 12 a 17 anos, provenientes de 83 países e incluiu, pela primeira vez, questões sobre
de baixo e médio rendimento, assim como de ideação suicida.
alto rendimento, encontrou uma prevalência Considerando as mudanças ocorridas na
combinada de vitimização por bullying em PeNSE e a importância de investigar a ocor-
um ou mais dias nos últimos 30 dias de 30,5% rência e os fatores associados entre adolescen-
(IC95%: 30,2-31,0)13. No entanto, revelou que tes no Brasil, este estudo objetivou analisar a
essa prevalência foi mais elevada na região do prevalência, os motivos e os fatores associados
Mediterrâneo Oriental (45,1%; IC95%: 44,3- a sofrer bullying em escolares brasileiros de
46,0) e na região africana (43,5%, 43,0-44,3), e a 13 a 17 anos.
mais baixa na Europa (8,4%; IC95%: 8,0-9,0)13.
Um relatório publicado pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência Material e métodos
e a Cultura (Unesco) em 2019, conduzido em
71 países, identificou prevalências muitos Estudo transversal, analítico, que utili-
distintas entre nações e continentes, sendo zou dados da PeNSE 2019. A PeNSE foi

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Prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros, 2019 3

realizada em escolas públicas e privadas das a violência, a segurança, os acidentes e outras


cinco regiões geográficas do Brasil, incluindo condições de vida desses adolescentes que
todas as Unidades da Federação, Municípios frequentam a escola.
das Capitais e Distrito Federal. A PeNSE
ocorre trienalmente, e os dados referentes Variáveis
ao ano de 2019 foram coletados entre abril
e setembro. Compuseram a amostra: os es- A variável de desfecho deste estudo foi
tudantes brasileiros de 13 a 17 anos de idade sofrer bullying, sendo aferida a partir da
matriculados e frequentando do 6º ao 9º ano pergunta:
do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª série do
Ensino Médio. Nos últimos 30 dias, quantas vezes algum dos
Em 2019, o IBGE utilizou uma única seus colegas de escola o esculachou, zoou,
amostra de estudantes de 13 a 17 anos de idade, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você
provenientes de escolas públicas e privadas, ficou magoado, incomodado, aborrecido, ofen-
abrangendo 4.242 escolas e 6.612 turmas, para dido ou humilhado?22.
os seguintes níveis geográficos: Brasil, Grandes
Regiões, Unidades da Federação, Municípios As opções de resposta foram: Nenhuma vez
das Capitais e Distrito Federal. Considerando nos últimos 30 dias; 1 vez; 2 ou mais vezes.
o esperado de escolares e o coletado, a perda Para analisar os possíveis fatores associa-
amostral foi de 15,2%. dos à vitimização por bullying, utilizou-se
A amostra da PeNSE foi composta por con- o modelo conceitual proposto por Malta e
glomerados em dois estágios, em que as escolas colaboradores5, estruturado em quatro di-
representaram o primeiro estágio de seleção, mensões: I) fatores demográficos, II) fatores
e as turmas dos estudantes matriculados, o relacionados à saúde mental; III) situações
segundo. Em turmas selecionadas, todos os es- familiares; IV) comportamentos.
tudantes foram convidados voluntariamente a Além disso, testou-se com as seguintes va-
responder ao questionário da pesquisa. Foram riáveis explicativas:
calculados pesos amostrais considerando os
pesos das escolas, das turmas e dos escolares, I. Características sociodemográficas: a) sexo
ajustados a partir dos dados do Censo Escolar (categorizada em masculino e feminino); b)
201921. faixa etária (categorizada em 13-15 anos e
A amostra da PeNSE foi dimensionada para 16-17 anos); c) cor da pele (categorizada em
estimar parâmetros populacionais para os ado- branca, preta, parda, amarela e indígena); d)
lescentes de 13 a 17 anos de idade, visando escolas (pública ou privada); e) escolaridade
estimar uma proporção (ou prevalência) P da mãe (sem escolaridade, primário [incom-
da ordem de 0,5 (50%) com um coeficiente pleto/completo], secundário [incompleto/
de variação de 4%20. completo], superior [incompleto/completo]).

Coleta de dados II. Contexto familiar: a) morar com mãe e/


ou pai – categorizada como sim (escolares
Nas turmas selecionadas, todos os alunos que residem com pai e ou mãe) ou não (residir
foram convidados a responder ao questioná- sem pai e mãe); b) supervisão familiar – ca-
rio da pesquisa adaptado para smartphones, tegorizada em sim (na maior parte do tempo,
estruturado e autoaplicável. Esse questionário sempre pais ou responsáveis sabiam realmen-
abrange informações sobre a situação socioe- te o que o adolescente estava fazendo) ou
conômica, o contexto familiar, a experimenta- não (nunca, raramente, às vezes); c) faltar às
ção e o uso de cigarro, álcool e outras drogas, aulas sem autorização – categorizada em não

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4 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI

(nunca) ou sim (1 ou mais vezes nos últimos A análise e o processamento dos dados
30 dias); apanhar familiar (sim ou não). foram realizados no software Stata, versão
14.0 (StataCorp LP, College Station, Estados
III. Saúde mental: a) sentir-se sozinho/soli- Unidos), utilizando o procedimento ‘svy’, que
tário – agregada em não (nunca, às vezes nos considera os pesos aplicados em função do
últimos 12 meses), sim (na maioria das vezes, plano amostral complexo.
sempre nos últimos 12 meses); b) sentir-se
triste – não ou sim; c) amigos – categorizada Aspectos éticos
como não (nenhum) ou sim: (1, 2, 3 ou mais
amigos); sentir que a vida não vale a pena – Este estudo utilizou dados secundários de
não ou sim. domínio público e acesso irrestrito, disponi-
bilizados pelo IBGE, dispensando a submissão
IV. Comportamentos: a) uso de cigarro nos do projeto para apreciação de um Comitê de
últimos 30 dias ou regular (sim, não); b) uso Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos.
de tabaco nos últimos 30 dias ou regular
(sim, não); c) uso do álcool regular, uso nos
últimos 30 dias (sim, não); d) drogas regular Resultados
nos últimos 30 dias (sim, não); e) ter tido
relação sexual (sim, não). Em 2019, a amostra foi composta por 125.123
escolares, sendo 49,3% de estudantes do
Análise de dados sexo masculino e 50,7% do sexo feminino.
A tabela 1 apresenta que 23,1% (IC95%:
Inicialmente, estimaram-se a prevalência e 22,6-23,7) dos estudantes relataram ter
os intervalos de confiança de 95% (IC95%) sofrido bullying perpetrado pelos colegas
de sofrer bullying segundo as variáveis so- de escola. Para a maioria dos estudantes
ciodemográficas, contexto familiar, violência (61,7%; IC95%: 60,7-62,7), as causas de
familiar, saúde mental, comportamentos de bullying não foram identificadas, seguidas
risco e relação sexual. A prevalência de viti- pela preocupação com a imagem corporal
mização por bullying foi desagregada pelos ou aparência (16,7%; IC95%: 15,9-17,4); apa-
motivos de sofrer bullying, sendo estratificada rência facial (11,4%; IC95%: 10,9-12,2); raça
por raça-cor, aparência do rosto, orientação ou cor (4,4%; IC95%: 3,9-5,0); orientação
sexual, região de origem ou outros motivos. sexual (2,5%; IC95%: 2,3-2,9); religião (2,4%;
Para explorar fatores associados ao desfe- IC95%: 2,1-2,7); e região de origem 0,9%
cho, procedeu-se, inicialmente, à análise biva- (IC95%: 0,8-1,1).
riada para avaliação isolada do efeito de cada Na análise por fatores sociodemográficos,
variável, considerando-se um nível de signifi- observou-se que a maioria dos adolescentes
cância de 5%. A medida de associação estimada de raça-cor preta referiu ter sofrido bullying
foi a Razão de Prevalência Bruta (RPb), com os por motivo racial, sendo reportado por 15,5%
respectivos IC95%. Em seguida, estimaram- (IC95% 13,1-18,3), assim como entre os in-
-se as Razão de Prevalência Ajustadas (RPaj) dígenas (6,3%; IC95%: 4,5-8,8). Entre as
por meio análise multivariada, utilizando a meninas, o principal motivo foi a aparência
regressão de Poisson, sendo selecionadas, para do corpo, relatado por 19,0% (IC95%: 18,0-
o modelo final, as variáveis que apresentaram 20,1) (tabela 1).
p ≤ 0,01.

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Prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros, 2019 5

Tabela 1. Distribuição dos percentuais e intervalos de confiança dos motivos atribuídos para sofrer bullying entre adolescentes, Pesquisa Nacional de
Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Aparência do Aparência do
Cor ou raça Religião rosto corpo Orientação sexual Região de origem Outros motivos
IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* %† IC95%*
Variável %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ LI‡ LS§
Total 4,4 3,9 5,0 2,4 2,1 2,7 11,4 10,8 12,2 16,7 15,9 17,4 2,5 2,3 2,9 0,9 0,8 1,1 61,7 60,7 62,7
Faixa etária
13 a 15 anos 4,3 3,8 4,9 2,3 2,0 2,7 12,1 11,2 13,0 17,6 16,8 18,5 2,4 2,1 2,7 0,7 0,5 0,8 60,6 59,3 61,9
16 e 17 anos 4,6 3,8 5,7 2,4 2,0 3,0 10,2 9,3 11,1 14,7 13,7 15,9 2,9 2,4 3,5 1,4 1,0 1,9 63,7 62,2 65,3
Sexo
Masculino 6,3 5,5 7,2 2,4 2,0 2,9 12,5 11,5 13,5 13,6 12,7 14,5 3,0 2,5 3,5 1,1 0,8 1,4 61,1 59,7 62,6
Feminino 3,0 2,5 3,5 2,3 2,0 2,7 10,6 9,7 11,6 19,0 18,0 20,1 2,2 1,9 2,6 0,8 0,6 1,0 62,1 60,7 63,4
Raça/cor
Branca 2,1 1,6 2,7 2,1 1,7 2,6 11,3 10,3 12,3 17,5 16,3 18,7 2,5 2,0 3,0 0,7 0,5 1,0 63,9 62,2 65,5
Preta 15,5 13,1 18,3 2,6 2,0 3,5 11,1 9,4 13,1 12,0 10,4 13,9 2,4 1,7 3,3 1,2 0,7 2,1 55,2 52,3 58,0
Amarela 3,0 2,0 4,6 2,5 1,5 4,1 11,8 9,0 15,2 14,6 12,1 17,6 2,2 1,4 3,5 1,4 0,6 3,3 64,5 59,9 68,8
Parda 3,0 2,5 3,7 2,4 2,0 2,8 11,6 10,7 12,6 17,8 16,7 18,9 2,7 2,3 3,1 0,9 0,7 1,1 61,7 60,2 63,1
Indígena 6,3 4,5 8,8 3,3 2,1 4,9 12,4 8,7 17,2 13,0 10,0 16,6 3,0 1,5 6,1 1,8 1,0 3,2 60,3 54,9 65,5
Escola
Pública 4,9 4,3 5,6 2,5 2,2 2,9 11,8 11,0 12,7 17,1 16,2 17,9 2,6 2,3 3,0 1,0 0,8 1,2 60,1 58,9 61,3
Privada 1,8 1,5 2,1 1,5 1,2 1,7 9,6 9,0 10,2 14,5 13,8 15,3 2,1 1,8 2,4 0,7 0,5 0,9 69,9 68,8 70,9
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.
* IC95% = Intervalo de Confiança de 95%; † % = Percentual; ‡ LI = Limite Inferior; § LS = Limite Superior.

A tabela 2 apresenta as prevalências e RPb Entre as características da família, sofre-


de ter sofrido bullying, sendo mais frequente ram mais vitimização escolares que relata-
entre meninas (26,5%; IC95%: 25,8-27,3) e estu- ram apanhar de familiares (34,2%; IC95%:
dantes de 13-15 anos (24,2%; IC95%: 23,5-24,9), 32,8-35,6) e os que faltam às aulas sem co-
enquanto escolares de raça-cor preta tiveram municar à família (27,1%; IC95%: 25,9-28,3).
prevalência menor (21,7%; IC95%: 20,4-23,0). Diferentemente dos que relatam supervisão
Não houve diferença entre escolares de escolas familiar, que sofreram menos bullying (22,1%;
públicas e privadas, nem em relação à escola- IC95%: 21,5-22,7) (tabela 2).
ridade da mãe. Dos que referiram comportamentos de risco,
Verificou-se que sofrer bullying foi menos sofrer bullying foi mais frequente entre escola-
frequente entre os escolares que moravam res que consomem tabaco (29,3%; IC95%: 27,9-
com os pais. Entre as características da saúde 30,8), usaram cigarro regular (29,8%; IC95%:
mental, foi mais frequente ser vitimizado 27,7-32,0), consomem álcool (26,7%; IC95%
entre os que relatam solidão (31,4%; IC95%: 25,6-27,9), consumiram drogas nos últimos
16,1-17,2), sentem-se tristes (28,9%; IC95%: 30 dias (30,3%; IC95%: 27,8-33,0), bem como
28,2-29,7), e não têm amigos (32,0%; IC95%: entre os que relataram ter tido relação sexual
29,3-34,8), referem que a vida não vale a pena (24,3%; IC95%: 23,5-25,2) (tabela 2).
(34,3%; IC95% 33,3-35,3) (tabela 2).

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6 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI

Tabela 2. Prevalência e razões de prevalências brutas do autorrelato de sofrer bullying segundo fatores sociodemográficos,
variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Sofrer Bullying
IC95%‡ IC95%‡
Variáveis %† LI§ LS|| RPb* LI§ LS|| p-valor¶
Total 23,1 22,6 23,7
Faixa etária
13 a 15 anos 24,2 23,5 24,9 1,00
16 e 17 anos 21,2 20,3 22,0 0,87 0,83 0,92 < 0,001
Sexo
Masculino 19,6 19,0 20,3 0,74 0,71 0,77 < 0,001
Feminino 26,5 25,8 27,3 1,00
Raça
Branca 23,3 22,4 24,1 1,00
Preta 21,7 20,4 23,0 0,93 0,87 1,00 0,046
Amarela 25,0 22,4 27,7 1,07 0,96 1,20 0,212
Parda 23,2 22,4 24,0 1,00 0,95 1,04 0,908
Indígena 25,4 22,7 28,4 1,09 0,97 1,24 0,153
Escola
Pública 23,2 22,5 23,8 1,00
Privada 22,9 22,3 23,5 0,99 0,95 1,03 0,555
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 23,6 21,1 26,3 1,00
Primário (incompleto/completo) 24,1 23,0 25,3 1,02 0,91 1,15 0,717
Secundário (incompleto/completo) 22,7 21,7 23,8 0,96 0,86 1,08 0,522
Superior (incompleto/completo) 23,0 22,0 24,1 0,98 0,87 1,10 0,693
Mora com mão e ou pai
Não 26,1 24,3 28,0 1,00
Sim 22,9 22,4 23,5 0,88 0,81 0,94 0,001
Sentir-se solitário
Não 13,5 12,9 14,1 1,00
Sim 31,4 30,6 32,2 2,33 2,22 2,45 < 0,001
Sentir-se triste
Não 12,1 11,4 12,9 1,00
Sim 28,9 28,2 29,7 2,39 2,24 2,54 < 0,001
Vida não vale a pena
Não 34,3 33,3 35,3 1,00
Sim 16,3 15,8 16,9 2,10 2,02 2,19 < 0,001
Amigos
1 ou mais 22,8 22,2 23,3 1,00
Não tenho 32,0 29,3 34,8 1,40 1,29 1,53 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 20,2 19,6 20,8 1,0
Sim 34,2 32,8 35,6 1,69 1,6 1,8 < 0,001

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Prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros, 2019 7

Tabela 2. Prevalência e razões de prevalências brutas do autorrelato de sofrer bullying segundo fatores sociodemográficos,
variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Sofrer Bullying
IC95%‡ IC95%‡
Variáveis %† LI§ LS|| RPb* LI§ LS|| p-valor¶
Supervisão familiar
Não 25,7 24,7 26,7 1,00
Sim 22,1 21,5 22,7 0,86 0,83 0,89 < 0,001
Faltar às aulas
Não 22,2 21,6 22,8 1,00
Sim 27,1 25,9 28,3 1,22 1,16 1,28 < 0,001
Cigarro regular
Não 22,7 22,1 23,2 1,00
Sim 29,8 27,7 32,0 1,31 1,22 1,42 < 0,001
Tabaco regular
Não 22,1 21,5 22,6 1,00
Sim 29,3 27,9 30,8 1,33 1,26 1,40 < 0,001
Álcool regular
Não 21,7 21,1 22,4 1,00
Sim 26,7 25,6 27,9 1,23 1,17 1,30 < 0,001
Drogas regular
Não 22,8 22,2 23,3 1,00
Sim 30,3 27,8 33,0 1,33 1,22 1,45 < 0,001
Relação sexual
Não 22,5 21,9 23,2 1,00
Sim 24,3 23,5 25,2 1,08 1,04 1,12 < 0,001
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.
* RPb = Razão de Prevalência Bruta; † % = Prevalência; ‡ IC95% = Intervalo de Confiança de 95%; § LI = Limite Inferior; || LS = Limite
Superior; ¶ p-valor = Nível de Significância

Na análise multivariada, permaneceu no vale a pena (RPaj = 1,39; IC95%: 1,33-1,45),


modelo possuir idade de 16-17 anos (RPaj = não ter amigos (RPaj = 1,21; IC95%: 1,11-1,31),
0,84; IC95%: 0,81-0,88), associando-se nega- apanhar (familiar) (RPaj = 1,39; IC95%: 1,33-
tivamente. No entanto, associaram-se positi- 1,45), faltar às aulas (RPaj = 1,08; IC95%: 1,03-
vamente ao desfecho sentir-se solitário (RPaj 1,14) e consumir tabaco regular (RPaj = 1,05;
= 1,60; IC95%: 1,51-1,69), sentir-se triste (RPaj IC95%: 1,05-1,15) (tabela 3).
= 1,61; IC95%: 1,50-1,72), achar que vida não

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8 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI

Tabela 3. Fatores associados ao autorrelato de sofrer bullying entre escolares brasileiros de 13 a 17 anos, Pesquisa Nacional
de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
IC95%†
Variável RPaj* LI‡ LS§ p-valor||
Idade
13 a 15 anos 1,00
16 e 17 anos 0,84 0,81 0,88 < 0,001
Sentir-se solitário
Não 1,00
Sim 1,60 1,51 1,69 < 0,001
Sentir-se triste
Não 1,00
Sim 1,61 1,50 1,72 < 0,001
Vida não vale a pena
Não 1,00
Sim 1,39 1,33 1,45 < 0,001
Amigos
1 ou mais 1,00
Não tenho 1,21 1,11 1,31 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 1,00
Sim 1,39 1,33 1,46 < 0,001
Faltar às aulas
Não 1,00
Sim 1,08 1,03 1,14 0,001
Tabaco regular
Não 1,00
Sim 1,10 1,05 1,15 < 0,001
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.

Discussão risco, como o uso regular de tabaco, estão mais


propensos a enfrentar esse tipo de violência.
Este estudo revelou que aproximadamente O estudo aponta prevalências elevadas
um quarto dos estudantes entre 13 e 17 anos de bullying entre adolescentes brasileiros
relataram terem sido vítimas de bullying. em 2019. No entanto, devido à mudança nas
Entre os fatores associados, observou-se que opções de resposta nesta edição, não é pos-
adolescentes mais jovens (13 a 15 anos), que sível comparar com pesquisas anteriores da
afirmam sentir-se sozinhos, não têm amigos, PeNSE. Assim, não se pode afirmar quanto a
estão tristes e acreditam que a vida não vale a uma possível mudança na tendência desse in-
pena, especialmente aqueles que experimen- dicador. Ressalta-se, todavia, que as evidências
tam violência familiar, faltam às aulas sem internacionais são variadas. Um estudo condu-
comunicar aos pais e têm comportamentos de zido entre 95.873 estudantes chineses em 2018

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Prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros, 2019 9

identificou prevalência semelhante de 30,4%23. como sentir-se solitário, não ter amigos,
Por outro lado, os resultados do relatório da sentir-se triste e achar que a vida não vale
Unesco apontaram variações entre países, a pena. Esses resultados também foram en-
sendo a prevalência mais próxima do Brasil contrados em um estudo que utilizou o ques-
encontrada na América Central (22,8%)14. tionário do Global School-Based Student
Essas diferenças podem ser explicadas pela Health Survey (GSHS) em uma amostra de
metodologia empregada nas pesquisas, com 9.726 adolescentes em quatro países da África
variação na idade dos estudantes pesquisados, Ocidental (Gana, Benin, Libéria e Serra Leoa)
nos questionários utilizados, além de aspectos em 2023, o qual identificou forte associação
culturais e de compreensão sobre esse fenô- entre ideação suicida, tentativa de suicídio e
meno nos diferentes países6. bullying29. Esses achados são bastantes preocu-
Os resultados evidenciam que os motivos pantes, dadas as consequências futuras desse
e as causas do bullying, na maioria das vezes, tipo de vitimização e seus desfechos, como
não são identificados pelas vítimas; mesmo depressão e tentativas de autoextermínio9,30,31.
com a disseminação de informações sobre Nesse contexto, a PeNSE 2019 avançou ao
o problema no contexto escolar, os estu- introduzir o tema da ideação suicida por meio
dantes ainda apresentam dificuldades para da pergunta ‘se acha que a vida não vale a pena
identificar as motivações dos agressores. Em ser vivida’ em seu questionário. No entanto,
menor proporção, os escolares atribuíram as aponta-se que o questionário completo do
causas à aparência do corpo, do rosto e à cor GSHS contém outras questões sobre o tema32,
da pele ou à raça, o que já havia sido descrito as quais poderiam ser incorporadas nas futuras
em outros estudos nacionais12,18. Ressalta-se edições da PeNSE devido à gravidade do tema
que, quando perguntado aos escolares negros, e à sua magnitude. O monitoramento da saúde
a identificação da discriminação racial como mental entre os jovens torna-se ainda mais
causa foi quatro vezes mais elevada, o que relevante, dada a evidência da piora da saúde
aponta o sofrimento resultante do racismo mental entre adolescentes no contexto da
estrutural24. Além disso, as meninas relatam pandemia da covid-19 no Brasil33.
com maior frequência que sofrem bullying Diferentes estudos ao redor do mundo têm
resultante da aparência do corpo e do rosto, destacado a associação entre a vitimização e
o que reforça os padrões de beleza impostos comportamentos de risco à saúde, como o uso
às mulheres, sendo reflexo de uma sociedade do tabaco, álcool e drogas23,30,34. Na China, a
misógina e machista25. vitimização também apresentou uma forte
Este estudo não evidenciou diferenças associação com o uso atual de cigarro (OR:
segundo sexo, resultado que também foi 2,71, IC95%: 1,88-3,89) e a iniciação ao uso de
descrito em uma pesquisa realizada entre drogas (OR: 2,19, IC95%: 1,71-2,81)23. No Brasil,
escolares em Belo Horizonte26. Entretanto, essas associações foram descritas em estudos
de maneira geral, os estudos apontam que os anteriores16,17,26. No estudo atual, na bivariada,
meninos são mais frequentemente vítimas de o consumo regular de ambas as substâncias
bullying físico ou verbal, enquanto as meninas (álcool e drogas) mostrou-se associado, mas no
estão mais envolvidas em situações de cyber- modelo final, apenas o uso do tabaco manteve-
bullying23,27,28. Nesse ínterim, investigações -se associado, semelhantemente aos achados
adicionais são necessárias para compreender da PeNSE 20155.
se existem diferenças de gênero na distribui- Com relação às situações familiares e a ocor-
ção do sofrer bullying entre adolescentes no rência do bullying, uma pesquisa realizada em
contexto brasileiro. 65 países do GSHS concluiu pela importância
Destaca-se a associação entre sofrer da ‘supervisão parental’, da ‘conectividade
bullying e características da saúde mental, parental’ e do ‘vínculo parental’ como fatores

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10 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI

protetores na saúde mental dos adolescentes do bullying do que as intervenções realizadas


que vivenciaram o bullying35. Além disso, no apenas por meio dos currículos em sala de aula
Brasil, um estudo com dados da PeNSE 2015 ou da formação em competências sociais39,
destacou a importância da supervisão fami- bem como são geralmente eficazes e funcio-
liar5. O bullying mostrou-se mais frequente nam especialmente bem para as crianças mais
quando esses laços se rompem, evidenciado novas (menores de 12 anos) e os jovens que são
pela atitude de faltar às aulas sem comunicar mais fortemente vitimizados40. Outrossim,
aos pais e ser ‘agredido por familiares’. Esses intervenções com base em ações em rede, de
achados denotam a ausência de vínculos fami- modo intersetorial e multidisciplinar, têm sido
liares, ambientes permeados por insegurança valorizadas, na medida em que ampliam as
e violência, resultando em agravos à saúde possibilidades da resolução de problemas em
física e mental dos adolescentes36. suas múltiplas interfaces41–43.
As estimativas do Estudo Carga Global de
Doenças mostraram que, entre 1990 e 2019, as Potencialidades e limitações
taxas globais de anos de vida perdidos ajus-
tados por incapacidade (Disability-Adjusted A PeNSE é a pesquisa mais importante entre
Life Years – DALYs) para transtornos de an- escolares brasileiros, abrangendo diversos
siedade e transtorno depressivo maior atribu- temas sobre a saúde dos adolescentes, com re-
íveis à vitimização por bullying aumentaram presentação nacional e subnacional em escolas
23,31% e 26,60% respectivamente37. Esses públicas e privadas. No entanto, é importante
expressivos aumentos na carga atribuída ao destacar algumas limitações, como o fato de
bullying reforçam a relevância de avançar na ser um estudo transversal, o que restringe as
perspectiva intersetorial e multissetorial no conclusões sobre causalidade, além de entre-
enfrentamento desse problema em todo o vistar apenas adolescentes na escola, excluindo
mundo. Nesse sentido, é crucial que as inter- aqueles em situação de maior vulnerabilidade
venções antibullying envolvam profissionais fora do ambiente escolar. Reitera-se, ainda, que
da saúde, educação, serviço social e atores o questionário da PeNSE, no módulo sobre
do poder público, considerando os múltiplos bullying, não passou por validação, o que pode
fatores individuais, contextuais e sociais que introduzir algum tipo de viés nos resultados.
permeiam e se associam à ocorrência desse Por outro lado, os achados deste estudo podem
fenômeno entre os adolescentes brasileiros, contribuir para a compreensão da magnitude
conforme evidenciado neste estudo. desse fenômeno no País, sendo importantes
Ressalta-se, também, a potencialidade da para a formulação de ações e políticas públicas
atuação dos profissionais de saúde no am- mais direcionadas.
biente escolar na promoção e no desenvolvi-
mento de ações de prevenção do bullying entre
adolescentes38, especialmente no contexto Conclusões
do Programa Saúde na Escola12. Essa atuação
deve pautar-se na perspectiva de estimular o Em 2019, quase um em cada quatro adoles-
protagonismo dos escolares no contexto da centes brasileiros relatou ter sido vítima de
prevenção dessa violência, além de incentivar bullying no contexto escolar, o que evidencia
a ligação social dos adolescentes, com inter- a persistência dessa forma de violência e sua
venções familiares e de pares que contribuam associação com variáveis sociodemográficas,
para fomentar o respeito às diversidades e ao especialmente entre escolares mais jovens,
apoio social13. com sofrimento mental, ambiente familiar
Há evidências de que as intervenções cen- desfavorável e uso regular de tabaco. Esses
tradas na escola são mais eficazes na redução achados apontam que o ambiente escolar,

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Prevalência e fatores associados à vitimização por bullying entre escolares brasileiros, 2019 11

apesar de seu papel essencial na formação e de ações intersetoriais, considerando os múl-


socialização dos sujeitos, também pode funcio- tiplos determinantes envolvidos.
nar como espaço de reprodução de iniquidades
e vulnerabilidades que afetam diretamente a
saúde dos escolares. Colaboradores
Nesse sentido, considerando a saúde co-
letiva como um campo interdisciplinar de Malta DC (0000-0002-8214-5734)*, Souza
conhecimento, torna-se indispensável reco- JB (0000-0002-9308-7445)*, Prates EJS
nhecer a escola como um território estratégi- (0000-0002-5049-186X)*, Mello FCM (0000-
co para ações de investigação e intervenções 0001-5019-8316)* e Silva MAI (0000-0002-
antibullying, especialmente quando articulada 9967-8158)* contribuíram igualmente para
a políticas públicas que levem em conta os elaboração do manuscrito. s
determinantes sociais da saúde e a necessidade

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Programa Saúde na Escola e Promoção da Saúde: re-
html?=&t=downloads)
visão integrativa. Saude debate. 2018;42:773-89. DOI: Suporte financeiro: Ministério da Saúde/Fundo Nacional de
Saúde – Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 67/2023;
[Link]
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais
(FAPEMIG) – Chamada nº 011/2022 (Processo APQ-03788-22)

Editora responsável: Ana Maria Costa – Universidade do Distrito


Federal, Escola Superior de Ciências da Saúde – Brasília (Distrito
Federal/DF), Brasil. Orcid: [Link]
3969

SAÚDE DEBATE | RIO DE JANEIRO, V. 50, N. 148, e10270, Jan-Mar 2026

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