Prevalência e Fatores Associados À Vitimização Por Entre Escolares Brasileiros, 2019
Prevalência e Fatores Associados À Vitimização Por Entre Escolares Brasileiros, 2019
DOI: 10.1590/2358-2898202614810270P
ABSTRACT The present study aimed to analyze the prevalence, reasons, and factors associated with bully-
ing among Brazilian schoolchildren, aged 13 to 17 years. This was a cross-sectional, analytical study using
data from the 2019 National School-Based Health Survey. The outcome assessed was reported as bullying.
Prevalence rates were estimated, along with 95% confidence intervals, and crude and adjusted prevalence
ratios were calculated to investigate the association between the outcome and covariates. Bivariate analysis
was followed by multivariate analysis using Poisson regression. Of the 125,123 participants, 23.1% reported
having been bullied. The following were positively associated with the outcome in the final model: feeling
lonely, feeling sad, believing life is not worth living, not having friends, suffering from family violence, missing
classes, and using tobacco. In conclusion, one in four students reported having been bullied, with unidentified
1 UniversidadeFederal de reasons, followed by body and facial appearance, associated with individual and contextual determinants. It is
Minas Gerais (UFMG), crucial that anti-bullying interventions involve health professionals, education professionals, social workers,
Escola de Enfermagem
(EE) – Belo Horizonte
and public authorities, considering the multiple individual, contextual, and social factors that permeate and
(MG), Brasil. are associated with the occurrence of this phenomenon.
dcmalta@[Link]
KEYWORDS Bullying. Adolescent. Schools. Health surveys. Brazil.
2 Universidade de São
Paulo (USP), Escola de
Enfermagem de Ribeirão
Preto (EERP) – Ribeirão
Preto (SP), Brasil.
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative
Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer
meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado. SAÚDE DEBATE | RIO DE JANEIRO, V. 50, N. 148, e10270, Jan-Mar 2026
2 Malta DC, Souza JB, Prates EJS, Mello FCM, Silva MAI
(nunca) ou sim (1 ou mais vezes nos últimos A análise e o processamento dos dados
30 dias); apanhar familiar (sim ou não). foram realizados no software Stata, versão
14.0 (StataCorp LP, College Station, Estados
III. Saúde mental: a) sentir-se sozinho/soli- Unidos), utilizando o procedimento ‘svy’, que
tário – agregada em não (nunca, às vezes nos considera os pesos aplicados em função do
últimos 12 meses), sim (na maioria das vezes, plano amostral complexo.
sempre nos últimos 12 meses); b) sentir-se
triste – não ou sim; c) amigos – categorizada Aspectos éticos
como não (nenhum) ou sim: (1, 2, 3 ou mais
amigos); sentir que a vida não vale a pena – Este estudo utilizou dados secundários de
não ou sim. domínio público e acesso irrestrito, disponi-
bilizados pelo IBGE, dispensando a submissão
IV. Comportamentos: a) uso de cigarro nos do projeto para apreciação de um Comitê de
últimos 30 dias ou regular (sim, não); b) uso Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos.
de tabaco nos últimos 30 dias ou regular
(sim, não); c) uso do álcool regular, uso nos
últimos 30 dias (sim, não); d) drogas regular Resultados
nos últimos 30 dias (sim, não); e) ter tido
relação sexual (sim, não). Em 2019, a amostra foi composta por 125.123
escolares, sendo 49,3% de estudantes do
Análise de dados sexo masculino e 50,7% do sexo feminino.
A tabela 1 apresenta que 23,1% (IC95%:
Inicialmente, estimaram-se a prevalência e 22,6-23,7) dos estudantes relataram ter
os intervalos de confiança de 95% (IC95%) sofrido bullying perpetrado pelos colegas
de sofrer bullying segundo as variáveis so- de escola. Para a maioria dos estudantes
ciodemográficas, contexto familiar, violência (61,7%; IC95%: 60,7-62,7), as causas de
familiar, saúde mental, comportamentos de bullying não foram identificadas, seguidas
risco e relação sexual. A prevalência de viti- pela preocupação com a imagem corporal
mização por bullying foi desagregada pelos ou aparência (16,7%; IC95%: 15,9-17,4); apa-
motivos de sofrer bullying, sendo estratificada rência facial (11,4%; IC95%: 10,9-12,2); raça
por raça-cor, aparência do rosto, orientação ou cor (4,4%; IC95%: 3,9-5,0); orientação
sexual, região de origem ou outros motivos. sexual (2,5%; IC95%: 2,3-2,9); religião (2,4%;
Para explorar fatores associados ao desfe- IC95%: 2,1-2,7); e região de origem 0,9%
cho, procedeu-se, inicialmente, à análise biva- (IC95%: 0,8-1,1).
riada para avaliação isolada do efeito de cada Na análise por fatores sociodemográficos,
variável, considerando-se um nível de signifi- observou-se que a maioria dos adolescentes
cância de 5%. A medida de associação estimada de raça-cor preta referiu ter sofrido bullying
foi a Razão de Prevalência Bruta (RPb), com os por motivo racial, sendo reportado por 15,5%
respectivos IC95%. Em seguida, estimaram- (IC95% 13,1-18,3), assim como entre os in-
-se as Razão de Prevalência Ajustadas (RPaj) dígenas (6,3%; IC95%: 4,5-8,8). Entre as
por meio análise multivariada, utilizando a meninas, o principal motivo foi a aparência
regressão de Poisson, sendo selecionadas, para do corpo, relatado por 19,0% (IC95%: 18,0-
o modelo final, as variáveis que apresentaram 20,1) (tabela 1).
p ≤ 0,01.
Tabela 1. Distribuição dos percentuais e intervalos de confiança dos motivos atribuídos para sofrer bullying entre adolescentes, Pesquisa Nacional de
Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Aparência do Aparência do
Cor ou raça Religião rosto corpo Orientação sexual Região de origem Outros motivos
IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* IC95%* %† IC95%*
Variável %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ %† LI‡ LS§ LI‡ LS§
Total 4,4 3,9 5,0 2,4 2,1 2,7 11,4 10,8 12,2 16,7 15,9 17,4 2,5 2,3 2,9 0,9 0,8 1,1 61,7 60,7 62,7
Faixa etária
13 a 15 anos 4,3 3,8 4,9 2,3 2,0 2,7 12,1 11,2 13,0 17,6 16,8 18,5 2,4 2,1 2,7 0,7 0,5 0,8 60,6 59,3 61,9
16 e 17 anos 4,6 3,8 5,7 2,4 2,0 3,0 10,2 9,3 11,1 14,7 13,7 15,9 2,9 2,4 3,5 1,4 1,0 1,9 63,7 62,2 65,3
Sexo
Masculino 6,3 5,5 7,2 2,4 2,0 2,9 12,5 11,5 13,5 13,6 12,7 14,5 3,0 2,5 3,5 1,1 0,8 1,4 61,1 59,7 62,6
Feminino 3,0 2,5 3,5 2,3 2,0 2,7 10,6 9,7 11,6 19,0 18,0 20,1 2,2 1,9 2,6 0,8 0,6 1,0 62,1 60,7 63,4
Raça/cor
Branca 2,1 1,6 2,7 2,1 1,7 2,6 11,3 10,3 12,3 17,5 16,3 18,7 2,5 2,0 3,0 0,7 0,5 1,0 63,9 62,2 65,5
Preta 15,5 13,1 18,3 2,6 2,0 3,5 11,1 9,4 13,1 12,0 10,4 13,9 2,4 1,7 3,3 1,2 0,7 2,1 55,2 52,3 58,0
Amarela 3,0 2,0 4,6 2,5 1,5 4,1 11,8 9,0 15,2 14,6 12,1 17,6 2,2 1,4 3,5 1,4 0,6 3,3 64,5 59,9 68,8
Parda 3,0 2,5 3,7 2,4 2,0 2,8 11,6 10,7 12,6 17,8 16,7 18,9 2,7 2,3 3,1 0,9 0,7 1,1 61,7 60,2 63,1
Indígena 6,3 4,5 8,8 3,3 2,1 4,9 12,4 8,7 17,2 13,0 10,0 16,6 3,0 1,5 6,1 1,8 1,0 3,2 60,3 54,9 65,5
Escola
Pública 4,9 4,3 5,6 2,5 2,2 2,9 11,8 11,0 12,7 17,1 16,2 17,9 2,6 2,3 3,0 1,0 0,8 1,2 60,1 58,9 61,3
Privada 1,8 1,5 2,1 1,5 1,2 1,7 9,6 9,0 10,2 14,5 13,8 15,3 2,1 1,8 2,4 0,7 0,5 0,9 69,9 68,8 70,9
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.
* IC95% = Intervalo de Confiança de 95%; † % = Percentual; ‡ LI = Limite Inferior; § LS = Limite Superior.
Tabela 2. Prevalência e razões de prevalências brutas do autorrelato de sofrer bullying segundo fatores sociodemográficos,
variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Sofrer Bullying
IC95%‡ IC95%‡
Variáveis %† LI§ LS|| RPb* LI§ LS|| p-valor¶
Total 23,1 22,6 23,7
Faixa etária
13 a 15 anos 24,2 23,5 24,9 1,00
16 e 17 anos 21,2 20,3 22,0 0,87 0,83 0,92 < 0,001
Sexo
Masculino 19,6 19,0 20,3 0,74 0,71 0,77 < 0,001
Feminino 26,5 25,8 27,3 1,00
Raça
Branca 23,3 22,4 24,1 1,00
Preta 21,7 20,4 23,0 0,93 0,87 1,00 0,046
Amarela 25,0 22,4 27,7 1,07 0,96 1,20 0,212
Parda 23,2 22,4 24,0 1,00 0,95 1,04 0,908
Indígena 25,4 22,7 28,4 1,09 0,97 1,24 0,153
Escola
Pública 23,2 22,5 23,8 1,00
Privada 22,9 22,3 23,5 0,99 0,95 1,03 0,555
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 23,6 21,1 26,3 1,00
Primário (incompleto/completo) 24,1 23,0 25,3 1,02 0,91 1,15 0,717
Secundário (incompleto/completo) 22,7 21,7 23,8 0,96 0,86 1,08 0,522
Superior (incompleto/completo) 23,0 22,0 24,1 0,98 0,87 1,10 0,693
Mora com mão e ou pai
Não 26,1 24,3 28,0 1,00
Sim 22,9 22,4 23,5 0,88 0,81 0,94 0,001
Sentir-se solitário
Não 13,5 12,9 14,1 1,00
Sim 31,4 30,6 32,2 2,33 2,22 2,45 < 0,001
Sentir-se triste
Não 12,1 11,4 12,9 1,00
Sim 28,9 28,2 29,7 2,39 2,24 2,54 < 0,001
Vida não vale a pena
Não 34,3 33,3 35,3 1,00
Sim 16,3 15,8 16,9 2,10 2,02 2,19 < 0,001
Amigos
1 ou mais 22,8 22,2 23,3 1,00
Não tenho 32,0 29,3 34,8 1,40 1,29 1,53 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 20,2 19,6 20,8 1,0
Sim 34,2 32,8 35,6 1,69 1,6 1,8 < 0,001
Tabela 2. Prevalência e razões de prevalências brutas do autorrelato de sofrer bullying segundo fatores sociodemográficos,
variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
Sofrer Bullying
IC95%‡ IC95%‡
Variáveis %† LI§ LS|| RPb* LI§ LS|| p-valor¶
Supervisão familiar
Não 25,7 24,7 26,7 1,00
Sim 22,1 21,5 22,7 0,86 0,83 0,89 < 0,001
Faltar às aulas
Não 22,2 21,6 22,8 1,00
Sim 27,1 25,9 28,3 1,22 1,16 1,28 < 0,001
Cigarro regular
Não 22,7 22,1 23,2 1,00
Sim 29,8 27,7 32,0 1,31 1,22 1,42 < 0,001
Tabaco regular
Não 22,1 21,5 22,6 1,00
Sim 29,3 27,9 30,8 1,33 1,26 1,40 < 0,001
Álcool regular
Não 21,7 21,1 22,4 1,00
Sim 26,7 25,6 27,9 1,23 1,17 1,30 < 0,001
Drogas regular
Não 22,8 22,2 23,3 1,00
Sim 30,3 27,8 33,0 1,33 1,22 1,45 < 0,001
Relação sexual
Não 22,5 21,9 23,2 1,00
Sim 24,3 23,5 25,2 1,08 1,04 1,12 < 0,001
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.
* RPb = Razão de Prevalência Bruta; † % = Prevalência; ‡ IC95% = Intervalo de Confiança de 95%; § LI = Limite Inferior; || LS = Limite
Superior; ¶ p-valor = Nível de Significância
Tabela 3. Fatores associados ao autorrelato de sofrer bullying entre escolares brasileiros de 13 a 17 anos, Pesquisa Nacional
de Saúde do Escolar 2019. Brasil, 2019
IC95%†
Variável RPaj* LI‡ LS§ p-valor||
Idade
13 a 15 anos 1,00
16 e 17 anos 0,84 0,81 0,88 < 0,001
Sentir-se solitário
Não 1,00
Sim 1,60 1,51 1,69 < 0,001
Sentir-se triste
Não 1,00
Sim 1,61 1,50 1,72 < 0,001
Vida não vale a pena
Não 1,00
Sim 1,39 1,33 1,45 < 0,001
Amigos
1 ou mais 1,00
Não tenho 1,21 1,11 1,31 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 1,00
Sim 1,39 1,33 1,46 < 0,001
Faltar às aulas
Não 1,00
Sim 1,08 1,03 1,14 0,001
Tabaco regular
Não 1,00
Sim 1,10 1,05 1,15 < 0,001
Fonte: elaboração própria com base nos dados do IBGE20.
identificou prevalência semelhante de 30,4%23. como sentir-se solitário, não ter amigos,
Por outro lado, os resultados do relatório da sentir-se triste e achar que a vida não vale
Unesco apontaram variações entre países, a pena. Esses resultados também foram en-
sendo a prevalência mais próxima do Brasil contrados em um estudo que utilizou o ques-
encontrada na América Central (22,8%)14. tionário do Global School-Based Student
Essas diferenças podem ser explicadas pela Health Survey (GSHS) em uma amostra de
metodologia empregada nas pesquisas, com 9.726 adolescentes em quatro países da África
variação na idade dos estudantes pesquisados, Ocidental (Gana, Benin, Libéria e Serra Leoa)
nos questionários utilizados, além de aspectos em 2023, o qual identificou forte associação
culturais e de compreensão sobre esse fenô- entre ideação suicida, tentativa de suicídio e
meno nos diferentes países6. bullying29. Esses achados são bastantes preocu-
Os resultados evidenciam que os motivos pantes, dadas as consequências futuras desse
e as causas do bullying, na maioria das vezes, tipo de vitimização e seus desfechos, como
não são identificados pelas vítimas; mesmo depressão e tentativas de autoextermínio9,30,31.
com a disseminação de informações sobre Nesse contexto, a PeNSE 2019 avançou ao
o problema no contexto escolar, os estu- introduzir o tema da ideação suicida por meio
dantes ainda apresentam dificuldades para da pergunta ‘se acha que a vida não vale a pena
identificar as motivações dos agressores. Em ser vivida’ em seu questionário. No entanto,
menor proporção, os escolares atribuíram as aponta-se que o questionário completo do
causas à aparência do corpo, do rosto e à cor GSHS contém outras questões sobre o tema32,
da pele ou à raça, o que já havia sido descrito as quais poderiam ser incorporadas nas futuras
em outros estudos nacionais12,18. Ressalta-se edições da PeNSE devido à gravidade do tema
que, quando perguntado aos escolares negros, e à sua magnitude. O monitoramento da saúde
a identificação da discriminação racial como mental entre os jovens torna-se ainda mais
causa foi quatro vezes mais elevada, o que relevante, dada a evidência da piora da saúde
aponta o sofrimento resultante do racismo mental entre adolescentes no contexto da
estrutural24. Além disso, as meninas relatam pandemia da covid-19 no Brasil33.
com maior frequência que sofrem bullying Diferentes estudos ao redor do mundo têm
resultante da aparência do corpo e do rosto, destacado a associação entre a vitimização e
o que reforça os padrões de beleza impostos comportamentos de risco à saúde, como o uso
às mulheres, sendo reflexo de uma sociedade do tabaco, álcool e drogas23,30,34. Na China, a
misógina e machista25. vitimização também apresentou uma forte
Este estudo não evidenciou diferenças associação com o uso atual de cigarro (OR:
segundo sexo, resultado que também foi 2,71, IC95%: 1,88-3,89) e a iniciação ao uso de
descrito em uma pesquisa realizada entre drogas (OR: 2,19, IC95%: 1,71-2,81)23. No Brasil,
escolares em Belo Horizonte26. Entretanto, essas associações foram descritas em estudos
de maneira geral, os estudos apontam que os anteriores16,17,26. No estudo atual, na bivariada,
meninos são mais frequentemente vítimas de o consumo regular de ambas as substâncias
bullying físico ou verbal, enquanto as meninas (álcool e drogas) mostrou-se associado, mas no
estão mais envolvidas em situações de cyber- modelo final, apenas o uso do tabaco manteve-
bullying23,27,28. Nesse ínterim, investigações -se associado, semelhantemente aos achados
adicionais são necessárias para compreender da PeNSE 20155.
se existem diferenças de gênero na distribui- Com relação às situações familiares e a ocor-
ção do sofrer bullying entre adolescentes no rência do bullying, uma pesquisa realizada em
contexto brasileiro. 65 países do GSHS concluiu pela importância
Destaca-se a associação entre sofrer da ‘supervisão parental’, da ‘conectividade
bullying e características da saúde mental, parental’ e do ‘vínculo parental’ como fatores
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(FAPEMIG) – Chamada nº 011/2022 (Processo APQ-03788-22)