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Sócrates

Sócrates foi um filósofo ateniense do século V a.C., considerado um dos fundadores da filosofia ocidental, conhecido principalmente através dos diálogos de Platão e Xenofonte. Ele desenvolveu conceitos como o método socrático e a ironia socrática, enfatizando a busca pelo conhecimento e a ética. Sócrates foi condenado à morte por corromper a juventude e não acreditar nos deuses da cidade, optando por não fugir e aceitando seu destino com serenidade.

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Juliana Medeiros
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Sócrates

Sócrates foi um filósofo ateniense do século V a.C., considerado um dos fundadores da filosofia ocidental, conhecido principalmente através dos diálogos de Platão e Xenofonte. Ele desenvolveu conceitos como o método socrático e a ironia socrática, enfatizando a busca pelo conhecimento e a ética. Sócrates foi condenado à morte por corromper a juventude e não acreditar nos deuses da cidade, optando por não fugir e aceitando seu destino com serenidade.

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Sócrates

Sócrates (em grego: Σωκράτης, AFI: [sɔːkrátɛːs],


transl. Sōkrátēs; Alópece, c. 470 a.C. – Atenas, 399 Sócrates
a.C.)[1] foi um filósofo ateniense do período clássico
da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores
da filosofia ocidental, é até hoje uma figura
enigmática, conhecida principalmente através dos
relatos em obras de escritores que viveram mais tarde,
especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte,
bem como pelas peças teatrais de seu contemporâneo
Aristófanes. Muitos defendem que os diálogos de
Platão seriam o relato mais abrangente de Sócrates a
ter perdurado da Antiguidade aos dias de hoje.[2]

Através de sua representação nos diálogos de seus


estudantes, Sócrates tornou-se renomado por sua
contribuição no campo da ética, e é este Sócrates
platônico que legou seu nome a conceitos como a
ironia socrática e o método socrático (elenchus). Este
permanece até hoje a ser uma ferramenta comumente Estatua de Sócrates na Academia de Atenas
utilizada numa ampla gama de discussões, e consiste Nome completo Sócrates (Σωκράτης)
de um tipo peculiar de pedagogia no qual uma série de
Escola/Tradição Filosofia grega
questões são feitas, não apenas para obter respostas
Data de ca. 469 a.C. ou 470 a.C.
específicas, mas para encorajar também uma
nascimento
compreensão clara e fundamental do assunto sendo
discutido. Foi o Sócrates de Platão que fez Local Atenas
contribuições importantes e duradouras aos campos da Morte 399 a.C. (70 anos)
epistemologia e da lógica, e a influência de suas ideias Local Atenas
e de seu método continuam a ser importantes alicerces
Principais Epistemologia, ética
para boa parte dos filósofos ocidentais que se seguiram
interesses
a ele.
Ideias notáveis Método socrático, ironia
Nas palavras do filósofo britânico Martin Cohen, socrática
Platão, o idealista, oferece "um ídolo, a figura de um Era Filosofia antiga
mestre, para a filosofia. Um santo, um profeta do
Influências Parmênides, Homero
'Deus-Sol', um professor condenado por seus
Influenciados Maior parte da filosofia
ensinamentos como herege".[3]
ocidental posterior; mais
especificamente, Platão,
Aristóteles, Aristipo,
Antístenes
Biografia
Detalhes sobre a vida de Sócrates derivam de três fontes
contemporâneas: os diálogos de Platão, as peças de Aristófanes e os
diálogos de Xenofonte. Não há evidência de que Sócrates tenha ele
mesmo publicado alguma obra. Alguns autores defendem que ele não
deixou nada escrito pois, além de na sua época a transmissão do saber
ser feita, essencialmente, pela via oral, Sócrates assumia-se como
alguém que sabe que nada sabe. Assim, para ele, a escrita fecharia o
conhecimento, deixando-o de forma acabada, amarrando o seu autor ao
estrito contexto de afirmações inamovíveis: se essas afirmações
contemplam o erro, a escrita não só o perpetua como garante a sua
Platão, discípulo de Sócrates
transmissão.[4]
e um dos mais influentes
filósofos até os dias de hoje.
As obras de Aristófanes retratam Sócrates como um personagem cômico
É através de seus diálogos
que se pode saber sobre a
e sua representação não deve ser levada ao pé da letra.[5]
vida de Sócrates.

Vida
Filho de Sofronisco,[6] um escultor, e Fainarete, uma parteira, Sócrates nasceu em Alopece, Ática.[7]

Durante sua infância, ajudou seu pai no ofício de escultor. Porém, muitas
vezes, seus amigos zombavam da sua incapacidade de trabalhar o
mármore. Mesmo quando aparecia uma oportunidade de ajudar o seu
pai, sempre acabava atrapalhando.[carece de fontes?]

Sócrates foi casado com Xântipe, que era bem mais jovem que ele, e
teve com ela um filho, Lamprocles.[8] Porém, segundo Aristóteles e seu
discípulo Aristóxenes, Sócrates teria tido outra esposa, Mirto, com quem
teve os filhos Sofronisco e Menexêno. Segundo relato posterior de
Diógenes Laércio, ela teria sido a segunda esposa e era filha de
Aristides, o Justo.[8] Sátiro e Jerônimo de Rodes, também citados por
Diógenes Laércio, dizem que, pela falta de homens em Atenas, era Ilustração (do anno 1607)
permitido a um ateniense casado ter filhos com outra mulher, e que retratando Xântipe
Sócrates teria tido Xântipe e Mirto ao mesmo tempo.[9] Armand esvaziando um pote sobre
D'Angour argumenta que Mirto fora na verdade a primeira esposa de Sócrates.
Sócrates, conforme evidenciado pela sua omissão nos relatos de
Xenofonte e Platão, que eram jovens quando encontraram com um
Sócrates em idade adulta avançada e nem a teriam conhecido.[10]

Seu amigo Críton criticou-o por ter abandonado seus filhos quando se recusou a tentar fugir para evitar
sua execução. Este fato mostra que ele (assim como outros discípulos) não teria entendido a mensagem
que Sócrates passa sobre a morte (diálogo Fédon).

Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo, ficava imóvel por horas, meditando sobre
algum problema. Certa vez o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, o que demonstra
seu caráter lendário.[11]
Cláudio Eliano lista Sócrates como um dos grandes homens que gostavam de brincar com crianças: uma
vez, Alcibíades surpreendeu Sócrates brincando com seu filho Lamprocles.[12]

Vocação
Conta-se que, um dia, Sócrates foi levado junto à sua mãe para ajudar
em um parto complicado. Vendo sua mãe realizar o trabalho, Sócrates
logo filosofou: Minha mãe não irá criar o bebê, apenas ajudá-lo-á a
nascer e tentará diminuir a dor do parto. Ao mesmo tempo, se ela não
tirar o bebê, logo ele irá morrer, e igualmente a mãe morrerá!

Sócrates concluiu, então, que, de certa forma, ele também era um


parteiro. O conhecimento está dentro das pessoas (que são capazes de
aprender por si mesmas). Porém, eu posso ajudar no nascimento deste
conhecimento. Concluiu ele. Por isso, até hoje os ensinamentos de Anaxágoras, um dos
professores de Sócrates.
Sócrates são conhecidos por maiêutica (que significa parteira em grego).

Assim, logo sua vocação falou mais alto e ele partiu para aprender
filosofia, vindo a ser discípulo dos filósofos Anaxágoras e Arquelau. Seu talento logo chamou a atenção.
Tanto que foi chamado pela Pítia (sacerdotisa do templo de Apolo, em Delfos, na Antiga Grécia) de o
mais sábio de todos os homens!.[6]

Trabalho
Sócrates defendia que deve-se sempre dar mais ênfase à procura do que
não se sabe, do que transmitir o que se julga saber, privilegiando a
investigação permanente.

Sócrates tinha o hábito de debater e dialogar com as pessoas de sua


cidade. Ao contrário de seus predecessores, ele não fundou uma escola,
preferindo também realizar seu trabalho em locais públicos
Sócrates e seus alunos, de (principalmente nas praças públicas e ginásios), agindo de forma
Johann Friedrich Greuter
descontraída e descompromissada, dialogando com todas as pessoas, o
(obra datada do século XVII).
que fascinava jovens, mulheres e políticos de sua época.[13]

Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua
pobreza era prova de que não era um sofista.

Várias fontes, inclusive os Diálogos de Platão, mencionam que Sócrates tinha servido ao exército em
várias batalhas. Na Apologia de Sócrates, Sócrates compara seu período no serviço militar a seus
problemas no tribunal, e diz que qualquer pessoa no júri que imagine que ele deveria se retirar da
filosofia deveria também imaginar que os soldados devessem bater em retirada quando era provável que
pudessem morrer em uma batalha. Estrabão conta que, após uma derrota ateniense em que Sócrates e
Xenofonte haviam perdido seus cavalos, Sócrates encontrou Xenofonte caído no chão, e carregou-o por
vários estádios, até que a batalha terminou.[14]
Do julgamento à morte

"Eu predigo-vos portanto, a vós juízes, que me fazeis morrer, que tereis de sofrer,
logo após a minha morte, um castigo muito mais penoso, por Zeus, que aquele que
me infligis matando-me. Acabais de condenar-me na esperança de ficardes livres de
dar contas de vossas vidas; ora é exatamente o contrário que vos acontecerá,
asseguro-vos (...) Pois se vós pensardes que matando as pessoas, impedireis que vos
reprovem por viverem mal, estais em erro. Esta forma de se desembaraçarem
daqueles que criticam não é nem muito eficaz nem muito honrosa."[15] (Sócrates)

O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais


da obra de Platão (Apologia e Críton). Sócrates admitiu que
poderia ter evitado sua condenação a morte, bebendo antes o
veneno chamado cicuta, se tivesse desistido da vida justa.
Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua
morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. Platão
considerou que Sócrates foi condenado por questões
evidentemente políticas. Por seu lado, Xenofonte atribuiu a
acusação a Sócrates a um fato de ordem pessoal, pelo desejo "A Morte de Sócrates", por Jacques-
de vingança. O propósito não era a morte de Sócrates mas sim Louis David (1787)
afastá-lo de Atenas e, se isso não ocorreu, deveu-se à
genialidade obstinada de Sócrates, que não abriu mão de seus
postulados filosóficos nem mesmo para salvar a própria vida.[16]

Julgamento
Tão logo as ideias de Sócrates foram se espalhando pela cidade, ele ganhava mais e mais discípulos.

Assim, pensavam eles: Como um homem poderia ensinar de graça e pregar que não se precisavam de
professores como eles? E mais: Eles não concordavam com os pensamentos de Sócrates, que dizia que
para se acreditar em algo, era preciso verificar se aquilo realmente era verdade.

Logo, Sócrates começou a fazer vários inimigos, assim causando uma grande intriga. Mas eis que a
Guerra do Peloponeso estourou, todos os homens entre 15 e 45 anos de idade foram enviados para lutar.
Sócrates, pela sua habilidade de fazer as pessoas o seguirem, foi escolhido então como um dos generais.

Ao final da guerra, com a intenção de salvar os poucos soldados que estavam vivos, Sócrates ordena que
todos voltem rapidamente para Atenas, mas deixassem os mortos no campo de batalha — contrariando
uma lei que obrigava o general a enterrar todos os seus soldados mortos, ou morrer tentando. Assim, ao
chegar, ele é preso.

Usando toda a sua capacidade de persuasão, Sócrates consegue convencer a todos de que era melhor
deixar alguns mortos do que morrerem todos, uma vez que se todos morressem, ninguém poderia enterrá-
los. Desta forma, ele consegue a liberdade.

Ficou livre por mais 30 anos, quando foi preso novamente, acusado de 3 crimes:
1- Não acreditar nos costumes e nos deuses gregos;
2- Unir-se a deuses malignos que gostam de destruir as cidades;
3- Corromper jovens com suas ideias.
Os acusadores foram: Ânito, Meleto e Lícon.

Anito - era considerado um líder democrático, pois atuou junto a Trasíbulo na reconquista
democrática de Atenas contra o regime oligárquico dos Trinta Tiranos, no entanto, feriu um
dos principais pilares da Democracia Ateniense, o julgamento, pois subornou um júri dez
anos antes de acusar Sócrates.[17] Ele representava a classe dos políticos, sendo um
homem rico filho de um pai que subiu economicamente de classe social, através do
trabalho como curtidor de couro (que Sócrates comenta em Mênon 90a). Portanto, ele
também representava os interesses do setor de manufatura, sendo poderoso e influente e
considerado o grande manipulador do proceso de Sócrates.[18] Na antiguidade, circulava
um discurso chamado Acusação de Sócrates, escrito por Polícrates, onde alguns autores
antigos acreditavam ter sido a acusação de Anito contra Sócrates.[19]
Meleto - era um poeta trágico novo e desconhecido. Foi o acusador oficial, porém nada
exigia que ele como acusador oficial fosse o mais respeitável, hábil ou temível, mas
somente aquele que assinava a acusação. Representava a classe dos poetas e adivinhos.
Lícon - Pouco se sabe de Lícon. Era um retórico obscuro e o seu nome teve pouca
importância e autoridade no decorrer da condenação de Sócrates. Representava a classe
dos oradores e professores de retórica. Talvez Lícon pretendesse a condenação de
Sócrates, devido ao seu filho ter-se deixado corromper moralmente, filosoficamente e
sexualmente por Callias, e Callias era um associado de Sócrates.[15]
Estas 3 acusações foram assim proferidas por Meleto:

"[…] Sócrates é culpado do crime de não reconhecer os deuses reconhecidos pelo Estado e de introduzir
divindades novas; ele é ainda culpado de corromper a juventude. Castigo pedido: a morte"[16]

Condenação

"O processo e a condenação de Sócrates testemunham o perigo que a ignorância faz


correr ao saber, que o mal faz correr à virtude. Mas este perigo não é senão
aparente, pois, na realidade, é o justo que triunfa dos seus carrascos. Se bem que
seja vítima deles, o triunfo de Sócrates sobre os seus juízes data do dia da sua
execução." (Jean Brun)
[15]

Dada, a ele, a chance de se defender destas acusações, Sócrates mostra toda a sua capacidade de
pensamento.

Em sua defesa, ele mostra que as acusações eram contraditórias, questionando: Como posso não acreditar
nos deuses e ao mesmo tempo me unir a eles?.

Mesmo assim, o tribunal, constituído por 501 cidadãos, o condenou. Mas não à morte, pois sabiam que se
o condenassem à morte, milhares de jovens iriam se revoltar. Condenaram-no a se exilar para sempre, ou
a lhe ser cortada a língua, impossibilitando-o assim de ensinar aos demais. Caso se negasse, ele seria
morto.[carece de fontes?]

Após receber sua sentença, Sócrates proferiu: - Vocês me deixam a escolha entre duas coisas: uma que eu
sei ser horrível, que é viver sem poder passar meus conhecimentos adiante. A outra, que eu não conheço,
que é a morte […] escolho pois o desconhecido!
Morte

“ Mas eis a hora de partir: eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o
melhor rumo, ninguém o sabe, exceto os deuses. ”
[16]

Ao se dirigir aos atenienses que o julgaram, Sócrates disse que lhes era grato e que os amava, mas que
obedeceria antes aos deuses do que a eles, pois, enquanto tivesse um sopro de vida, poderiam estar
seguros de que não deixaria de filosofar, tendo, como sua única preocupação, andar pelas ruas a fim de
persuadir seus concidadãos, moços e velhos, a não se preocupar nem com o corpo nem com a fortuna tão
apaixonadamente quanto com a alma, a fim de torná-la tão boa quanto possível.[carece de fontes?]

Sócrates, então, deixou o tribunal e foi para a prisão. Como existia uma
lei que exigia que nenhuma execução acontecesse durante a viagem
votiva de um navio sagrado a Delos, Sócrates ficou a ferros por 30 dias,
sob custódia de onze magistrados encarregados em Atenas da polícia e
da administração penitenciária.

Durante estes 30 dias, ele recebeu os seus amigos e conversou com eles.
Local onde Sócrates ficou
preso antes de morrer
Declarando não querer absolutamente desobedecer às leis da pátria,
Sócrates recusava a ajuda dos amigos para fugir. E passou o tempo
preparando-se para o passo extremo em palestras espirituais com os
amigos.

Chegado o momento da execução, pouco antes de beber o veneno, Sócrates, de forma irônica e sarcástica
(como de costume), proferiu suas últimas palavras:[15]

“ Críton, somos devedores de um galo a Asclépio; pois bem, pagai a minha dívida.
Pensai nisso! ”
Após essas palavras, Sócrates bebeu a cicuta (Conium maculatum) e, diante dos amigos, aos 70 anos,
morreu por envenenamento.

Platão, no seu livro Fédon, assim narrou a morte de seu mestre:

“ Depois de assim falar, levou a taça aos lábios e,


com toda a naturalidade, sem vacilar um nada,
bebeu até à última gota.

Até esse momento, quase todos tínhamos
conseguido reter as lágrimas; porém quando o
vimos beber, e que havia bebido tudo, ninguém
mais aguentou. Eu também não me contive: chorei
à lágrima viva. Cobrindo a cabeça, lastimei o meu "A morte de Sócrates"ː
infortúnio; sim, não era por desgraça que eu desenho de Daniel
chorava, mas a minha própria sorte, por ver de que Chodowiecki (1726-1801)
espécie de amigo me veria privado. Critão
levantou-se antes de mim, por não poder reter as
lágrimas. Apolodoro, que, desde o começo, não
havia parado de chorar, pôs-se a urrar, comovendo, seu pranto e lamentações,
até o íntimo de todos os presentes, com exceção do próprio Sócrates.

- Que é isso, gente incompreensível? Perguntou. Mandei sair as mulheres, para


evitar esses exageros. Sempre soube que só se deve morrer com palavras de
bom agouro. Acalmai-vos! Sede homens!

Ouvindo-o falar dessa maneira, sentimo-nos envergonhados e paramos de


chorar. E ele, sem deixar de andar, ao sentir as pernas pesadas, deitou-se de
costas, como recomendara o homem do veneno. Este, a intervalos, apalpava-lhe
os pés e as pernas. Depois, apertando com mais força os pés, perguntou se
sentia alguma coisa. Respondeu que não. De seguida, sem deixar de comprimir-
lhe a perna, do artelho para cima, mostrou-nos que começava a ficar frio e a
enrijecer. Apalpando-o mais uma vez, declarou-nos que no momento em que
aquilo chegasse ao coração, ele partiria. Já se lhe tinha esfriado quase todo o
baixo-ventre, quando, descobrindo o rosto – pois o havia tapado antes – disse, e
foram suas últimas palavras:

- Critão (exclamou ele), devemos um galo a Asclépio. Não te esqueças de saldar


essa dívida!

"Assim farei!", respondeu Critão. Vê se queres dizer mais alguma coisa. A essa
pergunta, já não respondeu. Decorrido mais algum tempo, deu um estremeção.
O homem o descobriu; tinha o olhar parado. Percebendo isso, Critão fechou-lhe
os olhos e a boca.

Tal foi o fim do nosso amigo, Equécrates, do homem, podemos afirmá-lo, que
entre todos os que nos foi dado conhecer, era o melhor e também o mais sábio e
mais justo.

No Fédon, Sócrates dá razões para crer na imortalidade. Quando Sócrates foi condenado à morte,
comentou, alegremente, que, no outro mundo, poderia fazer perguntas eternamente sem ser condenado a
morrer, porque era imortal.[21]
Ruptura e legado
Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na história da Filosofia
grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-socráticos e
pós-socráticos. Enquanto os filósofos pré-Socráticos, chamados de
naturalistas, procuravam responder a questões do tipo: "O que é a
natureza ou o fundamento último das coisas?" Sócrates, por sua vez,
procurava responder à questão: "O que é a natureza ou a realidade última
do homem?".
Sócrates (à direita) é
Os sofistas, grupo de filósofos (título negado por Platão) originários de homenageado juntamente
várias cidades, viajavam pelas pólis, onde discursavam em público e com Platão, na entrada da
ensinavam suas artes, como a retórica, em troca de pagamento. Sócrates moderna Academia de
se assemelhava exteriormente a eles, exceto no pensamento. Platão Atenas, de 1926.

afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza
era prova de que não era um sofista. Para os sofistas, tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do
homem e da forma como este vê a realidade social (subjetividade), segundo a máxima de Protágoras :"O
homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são,
enquanto não são.". Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as
posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual.
Para este fim, qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convincente, mesmo que falso ou sem
conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras, no discurso para demonstrar a
verdade[22] daquilo que se pretendia alcançar. Este tipo de argumento ganhou o nome de sofisma.

Em resumo, a sofística destruía os fundamentos de todo conhecimento, já que tudo seria relativo
(relativismo) e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de
normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis. Tanto
quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se concentrou no problema do
homem. No entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates travou uma polêmica profunda com estes, pois
procurava um fundamento último para as interrogações humanas ("O que é o bem?" "O que é a virtude?
"O que é a justiça?); enquanto os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o
sensório imediato, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude, da justiça do bem
etc., a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada.

Sócrates contribuiu para que as pessoas se apercebessem da descoberta da evidência que é a manifestação
do mestre interior à alma. Conhecer-se a si mesmo seria conhecer Deus em si.[15]

Aquilo que colocou Sócrates em destaque foi o seu método, e não tanto as suas doutrinas. Sócrates
baseava-se na argumentação, insistindo que só se descobre a verdade pelo uso da razão. O seu legado
reside sobretudo na sua convicção inabalável de que mesmo as questões mais abstratas admitem uma
análise racional.[23]
Filosofia
O seu pensamento desenvolveu-se de 3 grandes ideias:
a) a crítica aos sofistas;
b) a arte de perguntar;
c) a consciência do Homem.

Método Socrático
O método socrático consiste em uma técnica de investigação filosófica,
que faz uso de perguntas simples e quase ingênuas que têm, por objetivo,
em primeiro lugar, revelar as contradições presentes na atual forma de
pensar do aluno, normalmente baseadas em valores e preconceitos da
sociedade, e auxiliá-lo assim a redefinir tais valores, aprendendo a
pensar por si mesmo.[24] Cabeça de Sócrates. Museu
do Louvre.

Ideias filosóficas
As crenças de Sócrates, em comparação às de Platão, são difíceis de discernir. Há poucas diferenças entre
as duas ideias filosóficas. Consequentemente, diferenciar as crenças filosóficas de Sócrates, Platão e
Xenofonte é uma tarefa difícil e deve-se sempre lembrar que o que é atribuído a Sócrates pode refletir o
pensamento dos outros autores.

Se algo pode ser dito sobre as ideias de Sócrates, é que ele foi moralmente, intelectualmente e
filosoficamente diferente de seus contemporâneos atenienses. Quando estava sendo julgado por heresia e
por corromper a juventude, usou seu método de elenchos para demonstrar as crenças errôneas de seus
julgadores. Sócrates acreditava na imortalidade da alma e que teria recebido, em um certo momento de
sua vida, uma missão especial do deus Apolo Apologia, a defesa do logos apolíneo "conhece-te a ti
mesmo".

Sócrates também duvidava da ideia sofista de que a arete (virtude) podia ser ensinada para as pessoas.
Acreditava que a excelência moral é uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais
moralmente perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a causa de não ter se
importado muito com o futuro de seus próprios filhos. Sócrates frequentemente dizia que suas ideias não
eram próprias, mas de seus mestres, entre eles Pródico e Anaxágoras de Clazômenas.

Amor
Em O Banquete, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa Diotima de Mantinea que o iniciou nos
conhecimentos e na genealogia do amor. As ideias de Diotima estão na origem do conceito socrático-
platônico do amor (escada do amor). Também em O Banquete, no discurso de Alcibíades se descreve o
amor entre Sócrates e Alcibíades.

Conhecimento
Sócrates dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância. Segundo ele, a verdade, escondida
em cada um de nós, só é visível aos olhos da razão (daí a célebre frase "Só sei que nada sei"!). Ele
acreditava que os erros são consequência da ignorância humana. Nunca proclamou ser sábio. A intenção
de Sócrates era levar as pessoas a conhecerem seus
desconhecimentos ("Conhece-te a ti mesmo"). Através da
problematização de conceitos conhecidos, daquilo que se
conhece, percebem-se os dogmas e preconceitos existentes.

Virtude
O estudo da virtude se inicia
na chamada ética das
virtudes com Sócrates, para
quem a virtude é o fim da
Batalha de Potideia (432 a.C.):
atividade humana e se Atenienses contra coríntios. Cena de
identifica com o bem que Sócrates salvando Alcibíades. Relevo de
convém à natureza 1797. De acordo com Platão, Sócrates
humana. [26] participou da Batalha de Potideia, da
retirada da Batalha de Délio e da batalha
Sócrates acreditava que o de Anfípolis (422 aC)[25]
melhor modo para as pessoas
Busto de Sócrates no Museu viverem era se concentrando
do Vaticano. no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material.
Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de
comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer
como uma população. Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou a sentença de morte
quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade.
Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia
que a virtude era a mais importante de todas as coisas.

Política
Diz-se que Sócrates acreditava que as ideias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam
entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado. Opunha-se à
democracia aristocrática que era praticada em Atenas durante sua época; essa mesma ideia surge nas Leis
de Platão, seu discípulo. Sócrates acreditava que, ao se relacionar com os membros de um parlamento, a
própria pessoa estaria fazendo-se hipócrita.

O Sócrates também foi a favor de uma burocracia eleita, em detrimento de uma burocracia por sorteio:

[Foi] considerado que esta forma de nomeação de magistrados [isto é, as eleições] também
foi mais democrático do que o vazamento de lotes, uma vez que, no âmbito do plano de
eleição por sorteio, oportunidade decidiria a questão e os partidários da oligarquia, muitas
vezes, obtêm os escritórios; Considerando que, no âmbito do plano de selecionar os homens
dignos, as pessoas têm, em suas mãos, o poder de escolher aqueles que estavam mais ligados
à constituição existente.[27]

[Sócrates] ensinou aos seus companheiros a desprezar as leis estabelecidas insistindo na


loucura de nomeação de funcionários públicos por sorteio, quando nenhum iria escolher um
piloto ou construtor ou flautista por sorteio, nem qualquer outro artesão de trabalho em que
os erros são muito menos desastrosos do que erros na arte de governar.[28]

Paradoxo Socrático
Os "paradoxos socráticos" são posições éticas defendidas por Sócrates que vão contra (para) a opinião
(doxa) comum. Os principais paradoxos são:[29]

1. "A virtude é um conhecimento";


2. "Ninguém faz o mal voluntariamente";
3. "As virtudes constituem uma unidade";
4. "É preferível sofrer injustiça do que cometê-la" (Górgias 469 b-c) ou "jamais se deve
responder à injustiça pela injustiça, nem fazer mal a outrem, nem mesmo àquele que nos
fez mal" (Críton 49 c-d).
Sócrates afirmava que "Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a
virtude são inseparáveis.".[30]

Ver também
Ética
Método socrático
Diálogo socrático
A vida não examinada não vale a pena ser vivida

Referências
1. «Socrates» ([Link]
g/Socrates_%28philosopher%29). Encyclopædia Britannica. 1911. Consultado em 14 de
novembro de 2007. Arquivado do original ([Link]
hilosopher%29) em 29 de janeiro de 2008
2. Kofman, Sarah. Socrates: Fictions of a Philosopher (1998) ISBN 0-8014-3551-X
3. Cohen, Martin. Philosophical Tales (2008) ISBN 1-4051-4037-2
4. [Link]/ ([Link] Arquivado em (http
s://[Link]/web/20120614171328/[Link]
14 de junho de 2012, no Wayback Machine. De Sócrates a Platão: entre a Ágora e a
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("Sócrates... nascido em Alopece na Ática... c470 a.C.; morreu em Atenas 399 a.C. Ele era
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Ligações externas
«Diálogos de Platão» ([Link] (em inglês)
Socrates ([Link] - Catholic Encyclopedia

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