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Capítulo 7 — Laço
Pela manhã, Yuno pega o celular e liga para Daniel.
— Ei, cara… você pode vir aqui?
Do outro lado da linha, a voz de Daniel soa sonolenta.
— Ah, cara… tá bem cedo… mas ok.
— Vem logo, eu tenho algo pra te mostrar.
— Tá bom, tá bom… chego aí em dez minutos.
Pouco tempo depois, Daniel bate na porta. Yuno atende com um sorriso estranho no
rosto, algo entre animação e expectativa.
— Cara… eu não tenho palavras pra descrever isso. Vem cá — diz Yuno.
Os dois caminham até o quintal dos fundos. Assim que Daniel vê o que está ali, seus
olhos se arregalam.
— Cara… mas que porra é essa?
Yuno solta uma risada curta.
— Pois é, né? Hahaha. Incrível.
Daniel passa a mão no rosto, incrédulo.
— Você é meio maluco, né não? Quem enfia um dragão no quintal? Tipo… alguém
sabe disso, cara?
— É claro que não, seu animal — responde Yuno. — Se soubessem, já teriam
matado ele. Eu quero manter ele vivo. E, bem… é só um filhote.
Daniel suspira.
— Você é maluco das ideias… mas se precisar de ajuda, eu tô aqui, né.
— Vou precisar pegar mais comida pra ele — diz Yuno. — Ele tá acabando comigo.
Daniel sorri de canto.
— Bom, isso não vai ser problema agora que você é the one, haha.
— Vai se lascar, idiota — responde Yuno, rindo.
Daniel cruza os braços.
— Que tal a gente treinar um pouco?
— Pra mim parece ótimo.
Os dois ficam frente a frente na área de treinamento de Yuno.
Daniel observa por um instante e pergunta:
— Cara… aquela esfera negra que você invoca, que atrai as coisas… você só
consegue atirar ela?
— Bom… eu nunca tentei fazer outra coisa — responde Yuno.
— Sem um pingo de criatividade, né? — provoca Daniel. — Tenta usar ela pra puxar
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algo pra perto de você.
— Tipo o quê?
Daniel aponta para o canto.
— Puxa sua espada dali.
Yuno respira fundo.
— Tá bom… eu vou tentar.
Ele se concentra e materializa a esfera negra à frente da mão, usando-a como um
tipo de capturador. A espada é puxada com força — mas vem girando, com o lado
da lâmina apontado diretamente para ele.
Yuno se esquiva por um triz.
Daniel cai na risada.
— Hahaha! Seu idiota! Não é pra se matar!
— Deixa de ser idiota — rebate Yuno. — Não é tão fácil quanto parece.
Ele fecha os olhos novamente, respira fundo e tenta outra vez. A esfera puxa a
espada com mais controle dessa vez, e Yuno a agarra com firmeza.
— É isso… eu consegui!
— Meus parabéns, super-herói — diz Daniel.
Os dois entram na casa logo depois. Daniel se despede.
— Cara, eu já tenho que ir… mas meus parabéns aí pela nova habilidade. Talvez um
dia você seja tão habilidoso quanto eu, haha.
— Já sou melhor que você, seu babaca.
— Sonhar também faz parte, haha.
— Até mais, cara.
Daniel vai embora.
Ao entardecer, Yuno joga partes do minotauro para o dragão comer. Ao se
aproximar, ele percebe algo diferente.
O dragão está acordado.
A criatura o encara fixamente. Yuno permanece imóvel, observando atentamente.
Lentamente, o dragão se aproxima e inclina a cabeça, como se estivesse pedindo
para ser tocado.
Yuno hesita… mas estende a mão.
Quando toca o focinho do dragão, uma luz suave é emitida. De repente, uma voz
ecoa em sua mente.
— Obrigado… humano…
Yuno arregala os olhos, o coração dispara.
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(O que tá acontecendo?..)
A voz continua.
— Você deve estar confuso… mas quando uma fera confia muito em alguém,
podemos ligar nossas almas… e nos entendermos.
Yuno engole em seco.
— Isso é assustador… mas incrível.
Depois de um tempo, Yuno se afasta, deixando o dragão descansar. Ele entra em
casa ainda tentando processar tudo.
Mais tarde, Yuno se deita na cama, olhando para o teto.
Tantas coisas impossíveis estavam acontecendo… e, pela primeira vez, ele sente
que não está sozinho nesse mundo estranho.
Com esse pensamento, ele finalmente adormece.