Clary
-- Ei, acordem – sinto alguém me sacudindo – é o nosso
primeiro dia no Junior!
-- Hum... – resmungo virando de lado – me deixa dormir.
-- Nem pense, vamos levantar – continua me sacudindo –
vamos logo, se animem, nós precisamos ir para escola.
-- Se sua ideia de me animar é falar que vamos para escola,
você não me conhece bem – escuto Kate resmungando ao
meu lado.
-- Vamos logo, acordem – Alisson começa a nos puxar para
fora da cama – eu falei para não irem dormir tão tarde.
-- Para de ser chata Ali – Kate fala, e sinto a cama se
movimentar levemente.
-- É, para que escola? – Resmungo me aconchegando mais
na cama – Posso muito bem não ser ninguém na vida.
-- Verdade, não podemos pular direto para a faculdade? –
Pergunta Kate. – Eu seria mais feliz.
-- Não, nós não podemos, levantem agora – nos puxou mais
uma vez, dessa vez com mais força, não que adiantasse
muita coisa – o café da manhã já está pronto, e tem bolo de
chocolate.
-- Espera – abro um dos olhos – café da manhã? – ela
assente – chocolate? – ela assente de novo – e estamos
esperando o que? --- me levanto da cama em um pulo.
Minha vista ainda estava embaçada de sono, mas eu nunca
nego comida e Alisson sabia disso, principalmente quando
envolvia bolo.
Ali já estava arrumada com o uniforme da escola e os
cabelos ruivos arrumados, como ela tinha toda essa energia
de manhã eu nunca saberia.
-- Calem a boca, quero dormir –Kate diz, se enrolando mais
no cobertor rosa da minha cama e voltando a dormir.
Meu quarto estava uma verdadeira zona, não que isso seja
uma surpresa depois de uma festa do pijama, saquinhos de
salgadinho e bagunça pela guerra de travesseiros eram
inevitáveis, claro que devíamos ter ido dormir cedo para o
primeiro dia de aula, mas isso era um mero detalhe que
preferimos não dar importância.
-- Nem pense – brigo com Kate, se deixasse ela nunca
levantaria da cama -- vamos levantar – pulo em cima dela,
ela não acordaria por vontade própria.
-- Sai de cima – resmunga me empurrando no chão duro e
gelado.
-- Ei – reclamo com o braço dolorido pelo tombo – bem
delicada você viu – reclamo, ela estava quase pegando no
sono de novo.
-- Eu sou, muito obrigada – fala meio embolado.
Claro que eu não deixaria assim, sou um pouco vingativa
quando quero.
--Vem aqui – seguro o braço dela e a puxo da cama,
fazendo-a cair ao meu lado no chão.
-- Ai! – exclama – para que tudo isso - pergunta agora já
acordada e não parecendo muito feliz.
-- Você me empurrou primeiro! – Me defendi, afinal foi
legitima defesa, ou legitima vingança, realmente não
importa.
-- Mas só porque você pulou em cima de mim – retrucou
enquanto tentava ajeitar os cabelos azuis bagunçados do
sono e logo depois desferindo um tapa em mim.
-- Ei! – grito – doeu viu – reclamo devolvendo o tapa.
Antes que a discussão pudesse prosseguir Ali interferiu.
-- Chega! – gritou. -- Se levantem e vão se arrumar logo,
não é hora para briga, são 6 da manhã.
-- Ta bom, mamãe Ali – eu e Kate dizemos juntas fazendo
Alisson revirar os olhos.
Ela sempre foi e sempre será a única responsável entre
nós.
✽✽✽✽✽
-- Pensei que nunca sairiam – reclama Ali desviando o olhar
do celular.
-- Não é nossa culpa que você acorde cedo e se arrume
rápido – Kate revira os olhos se sentando ao lado dela na
cama.
-- Fato – concordo também me sentando.
-- Não enche – revira os olhos e mostra a língua para nós –
e Kate sua gravata está torta – se vira para arrumar.
-- Odeio esse uniforme – Kate bufa torcendo a saia– é
desconfortável, e tem muito vermelho – torce o nariz com
nojo forçado.
-- Não é tão desconfortável – discordo, tudo bem que era
um pouco arcaico, mas sempre achei saias e camisas
sociais bem confortáveis, ainda mais que as blusas da
escola eram de seda – e eu gosto do vermelho – sorrio
provocando Kate, sabia muito bem porque ela reclamava da
cor.
O uniforme consistia em uma camisa social branca com
saia e gravata de um tipo de vermelho xadrez, e só para
encher o saco, ainda tínhamos que usar blazer e sapatos
pretos, não era a pior coisa do mundo, mas realmente usar
nossas próprias roupas seria melhor.
-- Claro que você gosta de vermelho, você é uma Grifinória
– se indigna Kate – me sinto traindo minha casa.
Digamos apenas que Kate era completamente viciada em
Harry Potter, praticamente respirava isso, não que eu possa
julgar, sou a mesma coisa com Percy Jackson.
-- Bom todas nós estamos traindo nossas casas de alguma
forma – comenta Ali desligando o celular– claro que eu e
você duplamente – aponta para os cabelos delas. – Só a
Clary que está com a cor certa, menos no cabelo já que ela
é loira.
Alisson era outra viciada, mas no caso dela era em
crepúsculo, nenhuma de nós tinha salvação nesse sentido,
mas creio que é impossível você ser uma leitora sem viciar
em pelo menos uma saga de livros, não importa quanto
tente evitar, uma hora vai acontecer.
-- Não, as cores da minha casa são o vermelho e o dourado,
então estou totalmente certa – me gabei sorrindo
triunfante.
-- Chata – Kate e Alisson dizem.
As duas eram respectivamente da Sonserina e da Lufa-Lufa,
enquanto eu era uma Grifinória, o uniforme combinava
perfeitamente com minha casa, então eu não tinha do que
reclamar.
-- Ta bom, vamos descer, precisamos comer logo ou vamos
nos atrasar. – Diz Ali já se levantando. – E eu estou com
fome, Doritos com chantili é bom mas não sustenta.
-- Olha não me oponho ao atraso, mas estou realmente com
fome – falo saindo do quarto – e a propósito, nunca vou
entender seu problema com Doritos e chantili.
-- Não posso fazer nada se é bom, vocês que são chatas –
resmunga Ali me seguindo.
-- Nós somos chatas ou você é estranha – riu Kate – de
qualquer forma, 1uando você não está com fome, Clary? –
Ouço Kate do meu quarto, logo me vindo até nós.
-- Quando ela está dormindo – Ali responde por mim dando
risada junto com Kate.
-- Ah não, eu também tenho fome quando estou dormindo –
digo rindo também.
-- Pensei que tinham morrido– brinca minha mãe quando
chegamos a espaçosa sala de jantar.
A sala era espaçosa e interligada com a cozinha formando
um conceito aberto, havia uma grande mesa branca de oito
lugares disposta em frente a ilha de mármore branco, as
paredes eram em um tom de branco puxado para o bege. A
cozinha tinha armários cinza escuro e bancadas de
mármore branco, os eletrodomésticos eram extremamente
modernos e do teto pendiam lustres de cristal, tudo bem
espalhafatoso e admito, um tanto quanto exagerado.
-- Essas duas preguiçosas que não queriam levantar – disse
Alisson apontando para mim e para a Kate e lançando um
olhar acusador.
-- Ei, não sou preguiçosa – Kate coloca a mão no coração
fingindo estar ofendida – só sou uma apreciadora das coisas
boas da vida. – ri se jogando em uma cadeira.
-- E isso seria dormir? – pergunta Ali também se sentando.
-- Ham... sim! – digo – não existe nada melhor que isso.
No dia que inventassem algo melhor que dormir, eu... bom
não iria nada, provavelmente só fazer essa coisa, porque se
é melhor que dormir, eu realmente não perderia isso.
-- Você é igual ao seu pai – minha mãe negou, ela tinha
estatura média, apenas um pouco mais alta que eu, seus
cabelos eram de um loiro dourado e seus olhos azuis claros
como os meus (ou seriam os meus como os dela?), nós
éramos muito parecidas na verdade.
-- Falando de mim? – Perguntou meu pai entrando na
cozinha, ele diferente da minha mãe, era alto e moreno,
seus olhos verdes claros contrastando com seu cabelo
escuro.
-- Só comentando como sua filha puxou a sua preguiça –
zombou minha mãe com um pequeno sorriso no rosto,
dando um beijo de bom dia nele.
-- Ah querida, nossa filha só sabe quais são as coisas boas
da vida – meu pai riu, enfatizando o “nossa” na hora de
falar. – Falando nos nossos filhos, o Adrien ainda não
desceu? – Perguntou meu pai depois de nos dar bom dia e
sentar em seu lugar na mesa.
-- Você se surpreende com isso? – ela bufou balançando a
cabeça – vou ir lá acordar ele – disse indo em direção a
escada.
Meu irmão não era exatamente a pessoa mais exemplar do
mundo, e sempre acabava com a paciência da minha mãe,
e com a minha também.
-- Ela não podia deixar ele lá? Não estou com humor para
aguenta-lo – Kate resmunga do meu lado, deitando a
cabeça na mesa, ela e meu irmão mais velho não se davam
bem, na verdade se odiavam.
-- Eu nunca estou com humor para ele – respondo Kate.
-- Ele não é tão ruim – Ali tenta defender ele, por motivos
desconhecidos. Tenho quase certeza que ela tem uma
quedinha por ele, bom, sempre dizem que gosto não se
discute, então quem sou eu para julgar.
-- Tem razão, ele não é tão ruim – falo e Kate me encara
como se tivesse crescido uma segunda cabeça em mim –
ele é o pior – termino sorrindo travessa, fazendo Kate rir.
-- Mas... – o que quer que Alisson fosse falar foi
interrompido pelos gritos da minha mãe e do meu irmão
descendo a escada.
-- Quantas vezes eu tenho que falar para você não beber?
Muito menos no dia anterior ao início das aulas – minha
mãe brigou – eu não sei mais o que fazer com você, já tirei
tudo que podia tirar de você, já te proibi de sair de casa, já
fiz tudo. – Minha mãe continuou brigando, mas duvido que
Adrien escutou alguma coisa, ele estava de pijama ainda,
seu cabelo loiro bagunçado, os olhos verdes desfocados, a
cara amaçada e uma expressão de dor pela ressaca,
nenhuma cena incomum até aí.
Ao meu lado Kate tenta segurar a risada, e falha
miseravelmente, não aguentei e a sigo para logo em
seguida meu pai se juntar a nós.
Essa cena era tão rotineira que era impossível não achar
hilária.
-- Para gente – Ali sussurrou para nós enquanto encarava
seu colo, seu rosto completamente vermelho – tadinho
dele.
Ali era muito tímida, então seu rosto ficar vermelho não era
uma coisa rara, pelo contrário, oque era muito fofo e muito
engraçado ao mesmo tempo.
-- Tadinho pelo que? – Perguntou Kate, seus olhos azuis
brilhavam em diversão – ninguém mandou ele beber.
-- Como se vocês não bebessem – zombou Ali.
-- Não bebemos nem metade do tanto que ele bebe, você
sabe disso – Ali não respondeu, não porque estávamos
certas, uma vez ou outra acabávamos extrapolando, mas
porque meus pais estavam presentes e eles realmente não
precisavam saber deu tudo que acontecia.
-- É seu filho viu? – Apontou para meu pai como se ele fosse
o único culpado pelo gene estragado do meu irmão --Você
tem cinco minutos para subir e se arrumar, ou você vai ficar
no lugar da Clary na cafeteria pelo resto de mês! – minha
mãe ralhou por fim.
-- Olha, pode ficar aí o tempo que quiser viu – rio da cara
dele, que me mostra o dedo do meio antes de voltar a subir
a escada.
-- Então meus amores, ansiosas para o primeiro dia de
aula? – Minha mãe pergunta sorrindo para nós enquanto
senta e se serve, nem parecia que estava gritando a todos
pulmões um segundo atrás.
-- Não – eu e Kate respondemos.
-- Sim – Ali pula animada – vou começar a aula de
trigonometria avançada nesse ano.
-- Sério? Que legal – minha mãe sorri animada e logo depois
faz uma careta – nunca fui boa em nada envolvendo
números.
-- Ah, então você puxou a tia Lauren – Kate me zoa. Ela
pegou o costume de chamar minha mãe de tia da Alisson,
os pais dela são brasileiros, pelo que ela me falou lá é
comum chamar os adultos de tia ou tio, não entendo o
porquê, mas a mania pegou em mim e Kate.
-- Sim, ela me puxou – minha mãe concorda – mas tem uma
solução – minha mãe sorriu travessa – é só casar com um
gênio da matemática como eu fiz. – Contou como se
estivesse revelando o maior segredo do universo.
-- Eu sei que sou um gênio – meu pai se gaba.
-- E muito humilde, não se esqueça tio Joseph – Ali entra na
brincadeira.
Logo meu irmão de juntou a nós e ficamos conversando e
brincando uns com os outros pelo resto do café da manhã.
Fomos para a escola no meu carro, o último lançado da Fly,
empresa do meu pai, além da briga diária da Ali sobre como
é errado passar do limite de velocidade, que foi
prontamente ignorada por mim e pela Kate, não era nossa
culpa que amávamos correr. Provavelmente se não fosse
por Alisson já estaríamos mortas a muito tempo, é uma
troca justa, ela põe limites em nós e nós tiramos um pouco
do dela, todo mundo sai ganhando.
Como era primeiro dia de aula, ou seja 1 de setembro, nós
teríamos a mesma reunião chata de início de ano de
sempre, seguida por aulas chatas para os professores se
apresentarem e só no fim do dia os testes de cheerleader e
do time de futebol, então foi inevitável fazer um pequeno
desvio no caminho para comprar um milk-shake antes de ir
para aula, mesmo que significasse que iriamos nós atrasar
alguns minutos, por incrível que pareça nem Alisson
reclamou muito por isso, ela não admite mas eu sei que ela
odeia a reunião de início das aulas tanto quanto eu e Kate.
Tivemos que correr pelos corredores até o auditório para
chegarmos a tempo, nos sentamos em uma das primeiras
fileiras já que não tinha lugar nas outras.
-- Nem conseguimos nos atrasar – lamenta Kate.
-- Que bom! – exclama Ali – uma detenção no primeiro dia
de aula é o suficiente para uma vida toda.
-- Já faz dois anos, já está na hora de ter outra – pontuo – e
outra, sem aquela detenção vocês não teriam a minha
ilustre presença – faço pose.
Antes que as meninas pudessem dizer qualquer coisa o
diretor apareceu no palanque e se pôs a falar.
-- Bem vindos de volta para mais um ano, espero que
tenham aproveitado as férias porquê agora elas acabaram
e está na hora de colocar seus cérebros para funcionar
novamente – o diretor começou – bom, antes de qualquer
coisa, bem vindos alunos novos, tenho certeza que vão
gostar daqui... – Minha mente desligou nesse momento e eu
não ouvia mais nada que saia da boca do diretor.
-- Ei – sinto Kate me cutucar – parece que a cinderela
resolveu aparecer – apontou para a porta.
Na entrada do auditório, meu irmão se esgueirava
sorrateiramente para dentro, se alguém o visse agora ele
receberia uma bela detenção, nosso diretor não tolera
atrasos, claro que essa regra só vale para os meros mortais,
se a pessoa for do time de futebol da escola ela pode
chegar quase no fim da aula que mesmo assim não leva
bronca.
-- Nem parece que saímos juntos de casa – reviro os olhos.
-- Eu até tentaria falar que ele pegou trânsito, mas ele fez o
mesmo caminho que nós – Alisson balançou a cabeça.
-- Shh – Kate mandou com um dedo na frente da boca – ta
na hora do diretor puxar saco pros pais da putymberly, e eu
estou realmente precisando rir.
-- Como sempre, quero agradecer as doações generosas
dos srs. Clifford, os pais da senhorita Kimberly nossa líder
das cheerleaders – disse apresentando Kimberly que já
subia no palco, Clifford era uma menina bonita, ninguém
podia negar, sua pele negra não tinha nenhuma
imperfeição e seus cabelos cacheados e volumosos eram
bem hidratados, mas o que ela tem de bonita tem de falsa,
vaca, arrogante e manipuladora.
-- Muito obrigada diretor, meus pais e eu sempre ficamos
felizes em ajudar essa maravilhosa escola, e vou aproveitar
que estou aqui para avisa-los que hoje tem teste para
cheerleaders na última aula, é só pedir que seus
professores vão liberar vocês, e depois da aula tem testes
para o time de futebol, lembrando que nosso time é o
melhor de toda New York – piscou para o time que estava
no fundo do salão.
-- Olha, eu acredito firmemente que as mulheres tem direto
de vestir o que quiserem, mas não acho esse decote
apropriado para uma escola – Ali negou com a cabeça – eu
consigo ver a aréola do peito dela!
-- Com esse decote era melhor ter vindo de sutiã – ressalto,
enquanto Clifford falava ela se mexia mostrando ainda mais
dos seios dela, obviamente era intencional se o olhar dela
para o time junto com as mordiscadas nos lábios e as
piscadas dissessem alguma coisa.
-- Até mesmo nua – responde Kate.
-- Bom como a senhorita Clifford disse e vale destacar, os
testes do time vão acontecer hoje no campo logo após as
aulas, lembrando que nosso time não perde uma partida a
três anos, e é obvio que vamos ganhar mais esse ano,
nunca perdemos com nosso capitão – aponta para um
menino no fundo da sala que sorri presunçoso e acena para
o salão.
Nicola Morais, um dos melhores amigos do meu irmão e
capitão do time, e claro, ele é super popular, e um babaca,
não sei qual é a do mundo que os populares sempre são
babacas, ele tem olhos verdes escuro e o cabelo castanho,
forte e muito bonito, praticamente metade da escola tem
um crush nele.
Passei o resto da reunião lendo um livro pelo celular, assim
como Kate, só percebi que ela tinha acabado quando
Alisson me cutucou e disse que tínhamos que ir buscar o
horário das aulas, não sei como ela conseguia prestar
atenção nessas reuniões.
-- Sério, eu odeio essas reuniões – diz Kate se
espreguiçando – toda vez eu quase durmo, pelo menos
consegui ler alguns capítulos da fanfic.
-- Toda vez não – rebate Ali – ano passado você realmente
dormiu. – Zomba.
-- Verdade – faz uma careta – acordei toda descabelada –
arruma os fios azuis, mesmo que eles já estejam
arrumados.
-- Você estava muito engraçada – rio – ainda tenho a foto
daquele dia.
-- Se atreva a mostra aquela foto para alguém que eu
mostro a sua dormindo toda pintada em cima de uma moita
– me olha feio.
-- Eu abusei de mais da bebida naquele dia – amaldiçoo,
aquela foi uma festa e tanto e juntou o fato que meus pais
estavam fora da cidade, não pude evitar ficar bêbada.
-- Aí – grita Alisson, um menino passou correndo e trombou
nela.
-- Nem liga, olha quem está lá na frente – aponta Kate.
-- Uma semana inteira de pessoas babando por ele e
parecendo um bando de acéfalos, maravilha – resmungo.
-- Problemas de estudar com alguém famoso – Ali dá de
ombros, já estava acostumada com aquilo.
No fim do corredor Scott dava autógrafos alegremente para
os alunos novos, ele tem um grande canal de covers no
YouTube, também um dos populares da escola e melhor
amigo do meu irmão, e pode-se dizer que de certa forma
um amigo meu, crescemos juntos afinal, mas não nos
falamos muito hoje em dia. Ele é loiro de olhos azuis que
nem eu, forte do time de futebol, e nem preciso dizer que
ele é lindo, não que eu esteja reclamando, mas as vezes
acho que o diretor só deixa entrar pessoas bonitas nessa
escola, não encontrei ninguém feio nessa escola nos 5 anos
que estudo aqui.
Pegamos o horário e o sinal bateu, então fui para sala
dormir o resto das aulas, estou morrendo de sono já que
fomos dormir tarde ontem mesmo com os protestos da Ali.
E mais tarde eu ainda ia ter que assistir os testes para
cheerleader, todas que fazem parte da equipe tem que ir.
✽✽✽✽✽
-- Eu conheci a nova professora de álgebra, ela é muito
legal – disse Ali se sentando na mesa do refeitório entre
Kate e eu.
-- Sério Ali, já desisti de todas as aulas e o ano nem
começou direito – reviro os olhos.
-- Você não tem direito de reclamar, sai mais cedo quase
todos os dias para ir treinar. – Kate resmunga.
-- Eu tenho que aguentar ser liderada pela putimberly,
então não estou muito melhor – retruco.
-- O dó – Ali da um riso anasalado e balança a cabeça.
-- Dó de quem – pergunta Zack se sentando do meu lado.
Zack é meu melhor amigo de infância, crescemos juntos,
claro que ele também faz parte do grupinho do meu irmão,
na verdade só o conheci porque ele era amigo dele, mas
diferente dos outros ele não é um idiota completo, com os
cabelos castanhos cacheados e olhos do azul mais claro
que já vi, muito bonito também.
-- Da Clary que tem que aguentar a Clifford todo dia no
treino – Kate deu de ombros.
-- Ah, falando nisso – Zack se virou para mim – Você vai ir
nos testes para cheerleader?
-- É obrigatório, eu tenho que ir – reviro os olhos.
-- Eu e os meninos vamos estar lá também.
-- É claro que vão – Ali o encara.
-- É mais por eles do que por mim – dá de ombros –
disseram que queriam ver a carne nova – franziu o nariz.
-- Não posso acreditar que um desses seres compartilha o
sangue comigo – digo com nojo.
-- No fundo eles são boas pessoas – se encolhe um pouco –
bom, eu tenho que ir, tchau meninas – se levanta – te vejo
no teste Clary.
✽✽✽✽✽
Isso é um tédio, esse teste parece que não vai acabar mais,
e o pior é ficar ouvindo meu irmão e os amigos dele
comentando de cada menina que vai fazer o teste, se pelo
menos fosse da performance delas ainda estaria bom. E
para piorar ainda tenho que aguentar a azeda da Clifford
zombando de todas as meninas.
-- Olha a bunda daquela ali – Nicolas aponta para uma
menina no meio da fila.
-- Gostosa, deve ser boa de... – Interrompi meu irmão antes
que ele terminasse a frase.
-- Da para calarem a boca? -- Brigo.
-- Não – respondeu Scott e voltou a conversar.
-- Só ignora Clary – Zack sussurra para mim.
-- Vocês são uns idiotas – me revolto – Adrien, você gostaria
que seus amiguinhos ficassem falando assim de mim?
-- Eles não são idiotas, tem amor a vida deles – Adrien
zomba.
-- Para mim chega – saio de lá exasperada e vou até as
meninas que já faziam parte do time.
Mesmo nos testes nos temos que usar o uniforme de
cheerleader, então todas estavam com um vestido curto e
colado no corpo, vermelho puxado para o vinho e com
detalhes em cinza.
-- Essas meninas são horríveis – escuto Kimberly falar com
Chloe, ou como eu carinhosamente chamo, personal
escrava, ela faz absolutamente tudo que a Clifford manda,
é totalmente doentio, e só de pensar que já estive no lugar
dela me dá ânsia de vomito. Bom, Chloe tinha cabelos e
olhos castanhos, bonita também - realmente acho que esse
é um requisito para entrar nessa escola – mas nada
surpreendente,
-- Aquela ali é boa – Chloe aponta para uma menina morena
no canto da fila.
-- Pode até ser, mas ela é bolsista – Clifford faz cara de nojo,
mas Chloe continuou a encarando, realmente não
entendendo, tadinha, a menina é lerda – Precisamos manter
o padrão alto, não podemos ficar aceitando qualquer
mendiga que virmos.
-- Ah claro, não podemos nos rebaixar a esse nível – Chloe
rapidamente concordou.
-- Que menina insuportável – Liz, uma menina do time,
sussurra ao meu lado.
-- Nem me fale – sussurro de volta.
-- Deixa eu perguntar o que os meninos acham – da um
sorriso malicioso e vai até os meninos que estavam na
arquibancada, sentando no colo do Nicolas.
-- Não sei porque ela pergunta para eles – falo para Liz –
não é como se eles entendessem alguma coisa de
cheerleader.
-- É a mesma coisa que eles viessem nos perguntar sobre
alguma jogada de futebol, a maioria de nó não saberia – me
responde.
-- Um dia eu mato ela – falo como um mantra – uma dia.
✽✽✽✽✽
-- Eu juro que um dia eu quebro o pescoço da putimberly e
a jogo em uma vala – falo para as meninas, os testes já
tinham terminado, assim como as aulas, e como hoje não
iriamos à cafeteria, resolvemos ficar no campo e ver os
testes de futebol.
-- No dia que for fazer isso me avisa que eu vou junto – Kate
bufa.
-- Eu odeio concordar com vocês, principalmente com seus
pensamentos homicidas, mas dessa vez eu não posso julga-
las – Ali balança a cabeça em negação.
-- Eu pensei que o time estivesse completo – comentou
Kate, mudando de assunto.
-- O Yuri quebrou o pé e não vai poder participar – respondo
– Adrien não parou de reclamar sobre como ele não tomou
cuidado e que agora teria que realizar os testes, claro que
as reclamações dele não chegaram aos pés das do Nicolas,
como capitão ele tem o dobro de trabalho.
-- O Scott não reclamou? – Pergunta Ali – eu imagino que o
Zack não reclamaria, ele é todo paz e amor, mas com
certeza o Scott não gostaria.
-- Duvido que o Scott tenha reparado – Kate sorri maldosa –
Passa o dia todo gravando storys, duvido que saiba quantos
anos a irmã tem.
-- Não exagera Kate – respondo rindo e ela apenas me
encara – quer saber, você está certa.
-- Vocês são muito más com eles – Alisson ri – não que eles
não mereçam, mas ainda assim.
-- Como você disse, eles merecem – dou de ombros.
Ficamos assistindo o aquecimento até um menino que eu
não reconhecia, devia ser novo na escola, se aproximar.
-- Ei você é cheerleader? – o menino perguntou apontando
para o botton com desenho de lobo – o símbolo da escola –
que estava na minha mochila.
-- Sou sim – sorrio – sou Clary Smith, você deve ser novo na
escola, não te reconheço.
-- Sou Adam Galanis, e sim sou novo na escola – sorri,
mostrando suas covinhas.
-- Galanis? – pergunto.
-- É grego.
-- Hum Hum – escuto Kate chamar nossa atenção – como
nossa querida amiga não vai se lembrar de nós – me olha
feio – sou Kate Evans e essa é Alisson White.
-- Bom conhece-las – acena para elas – mas então, alguma
de vocês tem alguma dica para mim?
-- Olha, levando em conta que o irmão dela é super
ciumento, faz parte do time e ainda é um dos melhores
amigos do capitão, eu diria que você teria mais chances se
você saísse daqui o mais rápido possível – diz Kate rindo e
encarando o campo, onde meu irmão estava nos encarando
e olhando feio.
-- Ela está falando sério? – Adam me olha assustado.
-- Gostaria te dizer que não, mas está – respondo.
Ele olha para trás e vê meu irmão e Nicolas o encarando.
-- Olha nos vemos depois – acena e sai correndo.
-- Que pena ele era bonitinho – comento, ele tinha olhos
azuis e cabelos escuros, junto com as covinhas, deixava ele
muito bonito – pena que é muito novo.
-- Não posso negar – Kate concorda comigo.
-- Vocês nem sabem a idade dele – diz Ali.
-- Quase ninguém entra na escola no meio do high school,
normalmente entram no primeiro ano, tem bem mais
chances de ele ser novo do que ser mais velho. – Respondo.
-- Talvez – Ali dá de ombros.
-- Meninas, minha mãe mandou mensagem – mostro meu
celular para elas – está pedindo para irmos ajudar na
cafeteria.
-- Por que aceitamos ir ajudar quando a cafeteria esta cheia
mesmo? -- Reclama Kate.
-- Pelo dinheiro – respondo.
-- Mas nós temos dinheiro – rebate Kate.
-- Não, nossos pais tem dinheiro – corrige Ali.
-- Da na mesma, sou a única herdeira de qualquer forma –
Kate revira os olhos.
-- Kate – repreende Ali.
-- Sei que soou babaca – diz Kate – mas estou mentindo?
-- Ela tem razão Ali – dou risada – e respondendo sua
pergunta anterior Kate, vocês aceitaram porque me amam
e não me deixariam lá sozinha, agora vamos antes que
minha mãe ligue brigando.
✽✽✽✽✽
-- Eai, como foi a escola – pergunta Kevin quando
chegamos.
Conhecemos Kevin quando viemos trabalhar na cafeteria a
dois anos atrás, nós viramos amigos bem rápido, mesmo
com a diferença de idade, Kevin é quatro anos mais velho
que eu e as meninas, ou seja, ele tem 20 anos.
-- Foi uma merda – respondo jogando minhas coisas no
armário.
-- Não foi tão ruim assim – contradiz Ali.
-- Foi sim – Kate responde jogada em uma cadeira.
-- Mas como foi a faculdade? – pergunto.
-- Um tedio – responde terminando de guardar o pagamento
de uma mulher que tinha acabado de sair.
-- Ninguém te zoou por você querer ser advogado com
cabelo de algodão doce? – Kate zoou o fato de Kevin ter o
cabelo pintado em vários tons de rosa, roxo e azul.
-- Há há, to morrendo de rir – Kevin revirou os olhos – o sujo
falando do mal lavado, não é smurf.
-- A diferença é que eu estou no ensino médio, não no
segundo ano da faculdade – Kate sorriu com sarcasmo.
-- Que seja, eu sei que você ama meu cabelo – abanou a
mão como se estivesse espantando uma mosca e em
resposta Kate mostrou a língua – mas como está o quarteto
olimpo?
Eu e as meninas nos olhamos.
-- Quem? – Ali perguntou no final.
-- O irmão da Clary e seus amigos.
-- Ah, entendi – digo.
-- Eu não – fala Ali.
-- Os meninos são bonitos como os deuses olimpianos –
explico.
-- Ahh – Ali e Kate entendem.
-- Precisam estudar mais mitologia grega – fala Kevin.
-- Talvez – Kate dá de ombros – mas agora precisamos ir
atender as mesas – fala se levantando e sorri para nós --
quem atender menos gente a contar de agora, paga milk
shake para todo mundo.
-- Não vale, vocês têm mais dinheiro que eu – reclama
Kevin.
-- Então não perca – respondo rindo e indo até as mesas –
se eu fosse você eu começava logo.