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2 Modulo 1

O documento discute o conceito de desenvolvimento sustentável, introduzido pelo Relatório Brundtland em 1987, que busca integrar questões ambientais ao desenvolvimento econômico. Apresenta medidas para governos e a comunidade internacional, enfatizando a importância da gestão de recursos naturais e a criação de Agendas 21 locais para promover a sustentabilidade. A Agenda 21 Brasileira é destacada como um marco para o desenvolvimento sustentável no país, com foco em seis pilares essenciais.

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2 Modulo 1

O documento discute o conceito de desenvolvimento sustentável, introduzido pelo Relatório Brundtland em 1987, que busca integrar questões ambientais ao desenvolvimento econômico. Apresenta medidas para governos e a comunidade internacional, enfatizando a importância da gestão de recursos naturais e a criação de Agendas 21 locais para promover a sustentabilidade. A Agenda 21 Brasileira é destacada como um marco para o desenvolvimento sustentável no país, com foco em seis pilares essenciais.

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Módulo 1

Parte 2

1. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

As últimas décadas mostraram um ritmo desenvolvimentista distorcido. Tanto


o crescimento quanto o desenvolvimento econômico se pautaram por fatores
estritamente financeiros, produtivos e de mercado, não levando em consideração o
fator ambiental.
Todavia, como já visto anteriormente, em certo momento a consciência
humana se deparou com uma assombrosa constatação: os rumos produtivos e
econômicos que o mundo tomara prescreviam ao meio ambiente um futuro caótico
a médio e longo prazos.
Claro estava a necessidade de uma forma diferente de desenvolvimento
econômico em todo o planeta. Não bastava apenas crescer economicamente, mas
sim garantir que crescimento e desenvolvimento se dessem com compromisso
ambiental. Neste contexto, o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido e
apresentado pelo Relatório Brundtland.
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, também
conhecida como Comissão Brundtland, foi criada pela ONU e responsável, em 1987,
pela elaboração de um documento intitulado “Nosso Futuro Comum”.
Este documento apresentou a proposta de integrar a questão ambiental no
desenvolvimento econômico, surgindo não apenas um novo termo, mas uma nova
forma de progredir. O Relatório Brundtland 1, como é conhecido, indicou algumas
medidas a serem tomadas pelos governos nacionais:

a) Limitar do crescimento populacional;


b) Garantia de alimentação em longo prazo;
c) Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
d) Diminuir o consumo de energia e promover o desenvolvimento de
tecnologias que admitam o uso de fontes energéticas renováveis;
e) Aumentar a produção industrial nos países não-industrializados à base
de tecnologias ecologicamente adaptadas;
f) Controlar a urbanização selvagem e integração entre campo e cidades
menores.

Indicou também algumas medidas a serem implementadas no âmbito


internacional:

g) As organizações de desenvolvimento devem adaptar uma estratégia de


desenvolvimento sustentável;
h) A comunidade internacional deve proteger os ecossistemas
supranacionais como a Antárctica, os oceanos e o espaço;
i) Que as guerras devem ser banidas e que a ONU deve implantar um
programa de desenvolvimento sustentável.

O documento apresentou o conceito de desenvolvimento sustentável. Trata-se


do conceito “oficial” utilizado em todo o mundo e serve como orientação para as
mais diversas políticas e programas de preservação do meio ambiente. Segue o
conceito:

1 BRUNDTLAND, Gro Harlem. Nosso futuro comum: comissão mundial sobre meio ambiente e
desenvolvimento. [Link]. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991.
O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração
atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem
as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e
no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e
econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo,
um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os
habitats naturais2.

O desenvolvimento sustentável se desdobra em três áreas interligadas.


Sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e sustentabilidade
sociopolítica.
• Sustentabilidade ambiental: Consiste na manutenção das funções e
componentes do ecossistema, de modo sustentável, podendo igualmente designar-
se como a capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições de vida
para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta a habitabilidade, a
beleza do ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis.
• Sustentabilidade econômica: É um conjunto de medidas e politicas que
visam a incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais. Assim, o
lucro não é somente medido na sua vertente financeira, mas igualmente na vertente
ambiental e social, o que proporciona um uso mais correto, tanto das matérias-
primas, quanto dos recursos humanos.
Há ainda a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos naturais de
forma a garantir uma exploração sustentável dos mesmos, ou seja, a sua exploração
sem objetivar seu esgotamento, sendo introduzidos elementos como nível ótimo de
poluição ou as externalidades ambientais, acrescentando aos elementos naturais um
valor econômico.

2 Ibidem.
• Sustentabilidade sociopolítica: Centra-se no equilíbrio social, tanto na sua
vertente do desenvolvimento social quanto na socioeconômica. É um veículo de
humanização da economia e, ao mesmo tempo, pretende desenvolver o tecido
social nos seus componentes humanos e culturais. Destacam-se dois elementos: A
agenda 21 e as Metas de Desenvolvimento do Milênio.
A Agenda 21 tem como função principal ser um norte basilar para que países e
governos desenvolvam suas próprias agendas, nos âmbitos nacional, regional e local.
Este é o compromisso de todas as nações signatárias perante a comunidade
internacional e seus nacionais.
A Agenda 213 promove uma série de valores que deverão estar presentes em
uma educação com vistas à concretização da educação para a preservação
ambiental, ou seja, a tão falada e deficitariamente praticada educação ambiental.
Lembramos que, por educação ambiental, entende-se práticas amplas em
meio à sociedade visando promover a conscientização preservacionista, indo muito
além das salas de aulas do sistema de ensino, como muitos pensam. São os valores
enfatizados pela pauta:

• Cooperação entre atores internacionais, principalmente países e entre


diferentes níveis de governo, nacional, regional e local, e entre os inúmeros
segmentos que integram o meio social, como entidades do terceiro setor, da
iniciativa privada, cidadãos, etc.

• Igualdade de direitos e fortalecimento dos grupos socialmente


vulneráveis, buscando não só para estes grupos a básica igualdade de direitos e de
participação, como trazer para o processo a contribuição valiosa e específica de
cada um deles em termos dos seus valores, conhecimentos e sensibilidade.
3 CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO - Agenda 21.
Rio de Janeiro, 1992.
• Democracia e participação com o emprego de metodologias participativas
na busca de consenso [...] instrumento extraordinariamente reforçador dos ideais
democráticos, [...] a igualdade de direitos, o combate à pobreza e o respeito à
diversidade cultural […].

• A sustentabilidade como um valor ético, uma vez que abordando-se sob


um enfoque ético, a sustentabilidade passa a ser algo inerente às melhores práticas
sociais, não dependendo de questões singulares para sua busca e efetivação.

A Agenda 21 Brasileira foi criada no ano de 1997 por meio de Decreto do


Presidente da República. Atualmente, a norma que a respalda é o Decreto de 3 de
Fevereiro de 20044, o qual, segundo a própria norma, cria no âmbito da Câmara de
Políticas dos Recursos Naturais, do Conselho de Governo, a Comissão de Políticas
de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira, e dá outras
providências.
Uma vez criada, A Agenda 21 Brasileira passou a figurar como um elemento
norteador, com efeito cascata sobre todas os outros entes da Federação, como
Estados, Distrito Federal e Municípios e também organizações da iniciativa privada
e terceiro setor, fomentando o desenvolvimento das respectivas Agendas regionais,
locais, organizacionais, etc.
Assim como no campo internacional a Agenda 21 Global é um dos
referenciais quando o assunto é desenvolvimento sustentável e preservação
ambiental, a sua versão brasileira, nacional, é também um referencial dentro das
fonteiras nacionais, a quem quer que seja.

4 BRASIL. Decreto de 3 de Fevereiro de 2004. Cria, no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do
Conselho de Governo, a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Brasileira, e dá
outras providências. Disponível em
<[Link] Acesso em: 13 de julho de 2021.
Os pilares da nossa agenda (brasileira) são seis:

1. Gestão dos Recursos Naturais.


2. Agricultura Sustentável.
3. Cidades Sustentáveis.
4. Infraestrutura e Integração Regional.
5. Redução das Desigualdades Sociais.
6. Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável.

A Agenda 21 transmite clara atenção à gestão e tem esta atividade como um


dos principais pontos abordados, uma vez que com a correta gestão das mais
diversas áreas e elementos, os objetivos da própria Agenda poderão ser
alcançados.
Corretas práticas e abordagens de gestão são capazes proporcionar
transformação nas diversas áreas do cotidiano, desde a administração pública à
iniciativa privada, das entidades da sociedade civil ás igrejas e grêmios recreativos e
desportivos, por exemplo. Em todo canto a gestão é essencial para se atingir
objetivos, metas e melhor gerenciar aquilo que se pretende.
Desta forma, a Agenda 21 Nacional apresenta propostas e metas de gestão,
dentre elas, a gestão de recursos naturais, ponto central quando falamos em
sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.
Embora possa ser resumido em um termo (gestão de recursos naturais), o
quando analisamos o que seriam as práticas de gestão de recursos naturais, ou
então, práticas de gestão do meio ambiente, temos um universo novo e totalmente
multidisciplinar: De fauna a flora, de emissões de carbono a licenciamento
ambiental, de responsabilidade jurídica pelo dano a crimes ambientais, de análises
químicas de efluentes a restauração ecológica de área degradada, de educação
ambiental a logística reversa, de planos urbanos e plano diretor urbano a inventário
florestal, e muito, mas muito mais.
Assim, a Agenda 21 apresenta-se como um marco dotado de ideias gerais
que, conforme novas Agendas sejam criadas, nos níveis regional e local, tornam-se
mais específicas. A gestão de recursos naturais, por si só, requer dos governos, das
organizações e da sociedade em geral um maior empenho para seu cumprimento.

Vários aspectos influenciam e interagem no processo de gestão dos


recursos naturais. E o que deve ser considerado, além das relações
intrínsecas entre os próprios recursos, são as relações de interdependência
com as dinâmicas econômica, social e política, pressupondo:

• conhecimento específico sobre os fatores naturais como recursos


potenciais inseridos em um ecossistema;
• conhecimento específico quanto ao estado desses fatores;
• definição precisa de unidades de análise e, dentro destas, das inter-
relações e sinergias que ocorrem entre os fatores bióticos e abióticos. 5

Um fator diferencial da Agenda Brasileira em relação às demais experiências


no mundo é a opção pela inclusão das Agendas Locais. Num país de dimensões
continentais e de múltiplas diferenças, a criação destas Agendas tornou-se condição
indispensável para o êxito do programa. Uma das importantes inovações da Agenda
21 Brasileira é que o objetivo comum a ser atingido não está restrito à preservação
do meio ambiente, mas ao desenvolvimento sustentável amplo e progressivo que a
busca do equilíbrio entre crescimento econômico, equidade social e preservação
ambiental.

5 AGENDA 21 Brasileira. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC SP.


Assim, a sociedade brasileira está procurando por uma nova racionalidade
que garanta a solidariedade e a cooperação, tanto quanto a continuidade do
desenvolvimento e da própria vida para as Agendas 21 Locais.
A Agenda 21 Brasileira, como já falamos, tem como opção a criação de
Agendas 21 Locais. A proposta é que cada cidade faça a sua Agenda 21 Local com a
participação da sociedade civil. Assim como cada país, cada cidade deve adequar a
Agenda à sua realidade e às suas diferentes situações e condições, sempre
considerando os seguintes princípios gerais: Participação e cidadania; respeito às
comunidades e diferenças culturais; integração; melhoria do padrão de vida das
comunidades; diminuição das desigualdades sociais; e mudança de mentalidades.
Os compromissos assumidos pelos representantes dos países que aprovaram
a Agenda 21 Global são muito claros e objetivos.
Preservar as florestas e as nascentes, buscar substitutos para o CFC e outras
substâncias que destroem a camada de ozônio, proibir a pesca destrutiva, buscar
novas fontes de energia renováveis, reduzir o lixo produzido e encontrar
combustíveis alternativos são alguns dos compromissos que devem ser traduzidos
em ações, quando couber, na formulação de cada Agenda 21 Local.
A Agenda 21 é um documento amplo, responsável por abordar temas e
assuntos diversos, porém conexos e importantíssimos ao desenvolvimento
sustentável. Neste sentido, levando em consideração o escopo deste curso,
passamos a destacar importantes trechos do documento relacionados a resíduos e
suas práticas. Seguem:6

GESTÃO DOS RECURSOS NATURAIS


Estratégias 4 • Estabelecer medidas de controle da qualidade ambiental
tendo em vista a proteção e o disciplinamento do uso dos recursos
naturais e de proteção da atmosfera global, ressaltando a necessidade de

6 AGENDA 21 Brasileira. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC SP.


promoção da eficiência na produção e no consumo de energia. A
implementação dessa estratégia implicará o desenvolvimento de
atividades de monitoramento e fiscalização e a adoção de ações de
comando de controle, de instrumentos econômicos e de mecanismos de
certificação.

Estratégia 5 • Estabelecer, desenvolver e estimular o apoio aos diferentes


aspectos da gestão de recursos naturais, por meio da implementação de
medidas estruturais que envolvam o fortalecimento institucional, a
capacitação e o treinamento dos recursos humanos, a educação ambiental
e a cooperação internacional.

CIDADES SUSTENTÁVEIS
Estratégia 3 • Promover mudanças nos padrões de produção e de
consumo da cidade, reduzindo custos e desperdícios e fomentando o
desenvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis.

Estratégia 4 • Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos


econômicos no gerenciamento dos recursos naturais visando à
sustentabilidade urbana.

A Carta da Terra é uma declaração principiológica que visa a construção de


uma sociedade global justa, sustentável e pacífico. O documento apresenta seus
princípios:

• Respeitar e cuidar da comunidade de vida.


• Integridade ecológica.
• Justiça social e econômica.
• Democracia, não-violência e paz.
O documento é enfático em suas declarações, das quais destacamos abaixo7:

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando


devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção
de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do
desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença
entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância
e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande
sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem
sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança
global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não
inevitáveis. [sic]

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns
dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São
necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e
modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas
forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a
ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia
necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio
ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas
oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos
desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão
interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

Na verdade, a Carta trata-se de uma declaração universal inicialmente


fomentada pela Organização das Nações Unidas – ONU e foi finalizada como uma
manifestação das comunidades civis de todo o mundo, tendo como liderança a

7 COMISSÃO DA CARTA DA TERRA. Carta da Terra. 2000. Disponível em <[Link]


%20da%[Link]> Acesso em: 15/07/2021.
Comissão da Carta da Terra. Os princípios norteadores mencionados anteriormente
podem ser apresentados, de uma forma mais próxima e minuciosa da seguinte
forma8:

RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

a. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.


a.1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de
vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
a.2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no
potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

b. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.


b.1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos
naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os
direitos das pessoas.
b.2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do
poder, vem a maior responsabilidade de promover o bem comum.

c. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas,


sustentáveis e pacíficas.
c.1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos
humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a
oportunidade de realizar seu pleno potencial.
c.2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de
uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

8 Ibidem.
d. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras
gerações.
d.1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada
pelas necessidades das gerações futuras.
d.2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que
apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo
prazo.

INTEGRIDADE ECOLÓGICA

e. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com


especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a
vida.
e.1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de
desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação
ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
e.2. Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo
terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da
Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
e.3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
e.4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados
geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir
a introdução desses organismos prejudiciais.
e.5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos
florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que
protejam a saúde dos ecossistemas.
e.6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como
minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não
causem dano ambiental grave.

f. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção


ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de
precaução.
f.1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou
irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-
conclusivo.
f.2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta
não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam
responsabilizadas pelo dano ambiental.
f.3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as consequências
cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades
humanas.
f.4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o
aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
f.5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.

g. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as


capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar
comunitário.
g.1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas d produção e
consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas
ecológicos.
g2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez
mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
g.3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de
tecnologias ambientais seguras.
g.4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no
preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às
mais altas normas sociais e ambientais.
g.5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde
reprodutiva e a reprodução responsável.
g.6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência
material num mundo finito.

h. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o


intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
h.1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em
desenvolvimento.
h.2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria
espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-
estar humano.
h.3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e
para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis
ao domínio público.

JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

i) Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.


i.1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos
solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos
nacionais e internacionais demandados.
i.2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma
condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos
que não são capazes de se manter por conta própria.
i.3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que
sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas
aspirações.

j) Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis


promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
j.1. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as
nações.
j.2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das
nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
j.3. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos
sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
j.4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras
internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e
responsabilizá-las pelas consequências de suas atividades.

k) Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como prérequisitos para o


desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação,
assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
k.1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com
toda violência contra elas.
k.2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida
econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias,
tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
k.3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos
os membros da família.

l) Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um


ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde
corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos
indígenas e minorias.
l.1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em
raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou
social.
l.2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade,
conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com
condições de vida sustentáveis.
l.3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a
cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
l.4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

m) Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover


transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva
na tomada de decisões e acesso à justiça.
m.1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e
oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e
atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
m.2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a
participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na
tomada de decisões.
m.3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião
pacífica, de associação e de oposição.
m.4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais
administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos
ambientais e pela ameaça de tais danos.
m.5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
m.6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus
próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis
governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

n) Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os


conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida
sustentável.
n.1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades
educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento
sustentável.
n.2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das
ciências, na educação para sustentabilidade.
n.3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da
conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
n.4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma
condição de vida sustentável.

o) Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.


o.1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e
protegê-los de sofrimento.
o.2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que
causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
o.3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de
espécies não visadas.

p) Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.


p.1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a
cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
p.2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a
colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos
ambientais e outras disputas.
p.3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma
postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos
pacíficos, incluindo restauração ecológica.
p.4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de
destruição em massa.
p.5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção
ambiental e a paz.
p.6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo
mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a
totalidade maior da qual somos parte
A agenda 2030 é um compromisso internacional assumido por um total de
193 países, dentre eles o Brasil que visam o comprometimento e a aplicação de
diversos objetivos e metas práticas para a melhoria da sociedade em um futuro de
curto e médio prazos.
Tudo isso sob liderança e coordenação da Organização das Nações Unidas –
ONU por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),
nos termos da Resolução A/RES/72/279.OP32 de 2018 da Assembleia Geral da ONU.
A versão brasileira do documento apresenta como pilares:

Pessoas: Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em


todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos
possam realizar o seu potencial em matéria de dignidade e igualdade, em
um ambiente saudável.

Planeta: Estamos determinados a proteger o planeta da degradação,


incluindo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão
sustentável dos seus recursos naturais e de medidas urgentes para
combater a mudança do clima, para que possa atender as necessidades
das gerações presentes e futuras.

Prosperidade: Estamos determinados a assegurar que todos os seres


humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização
pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em
harmonia com a natureza.
Paz: Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e
inclusivas, livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento
sustentável sem paz, e não há paz sem desenvolvimento sustentável.
Parceria: Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para
implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o
Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base no espírito de
solidariedade global fortalecida, com ênfase especial nas necessidades dos
mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países,
todas os grupos interessados e todas as pessoas. As interconexões e a
natureza integrada dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são de
importância crucial para assegurar que o propósito da nova Agenda se
concretize. Se realizarmos as nossas ambições em toda a amplitude da
Agenda, todos sentirão melhoras sensíveis em suas vidas e nosso mundo
será melhor9.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável foram elaborados e assinados


como parte integrante da Agenda 2030, mais especificamente na seção o
"Sustainable Development Goals and Targets” - “Objetivos e Metas do
Desenvolvimento Sustentável” em tradução livre.
Assim, estão vigentes 17 objetivos que compreendem diversos âmbitos
sociais e, uma vez atingidos total ou parcialmente, contribuirão de forma grandiosa
para a melhoria de nosso planeta. Passamos a apresentá-los 10, com eventuais
correções e atualizações:
Observação: Como o documento foi proposto e assinado há alguns anos, em
algumas datas previstas já podem estar no passado, como, por exemplo, alguns
lugares prevendo “até 2020”. Porém, o documento segue em vigor e em plena
vigência, devendo ser interpretado como atual.

9 BRASIL. Governo Federal. Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável
2016. Disponível em <[Link]
[Link]> Acesso em: 15/07/2021.
10 PNUD. Organização das Nações Unidas. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). 2016. isponível em
<[Link] Acesso em: 15/07/2021.

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