II.
Ciclo de Barro e Luz: A Resiliência da Matéria
O céu desce em gotas pesadas, carregadas de prata, de história e de
vida, A terra se abre em sede absoluta, com a boca seca pelo longo e
duro estio, O nó da madeira escura, em sua forma retorcida, sofrida e
também vencida, É a força bruta de uma alma vegetal que não
conhece o medo ou o desvio. Toda folha que cai no outono é um
adubo que o inverno pacientemente prepara, Toda morte na mata é,
em essência, uma vida nova que nunca se interrompe ou para. O ciclo
é uma roda que gira sem eixos, movida por uma vontade soberana,
Que ignora as cercas, os mapas, os muros e toda a vã pretensão
humana.
A raiz é a âncora invisível que segura o mundo instável em seu
devido lugar, Mergulhando no escuro do barro para buscar o sustento
que a luz não pode dar, A flor é o espanto, o grito súbito de cor e
perfume no meio do imenso nada, O mundo se cura sozinho, sem
precisar implorar, na relva fria e orvalhada. A natureza não pede
licença para ser o que ela é em sua total plenitude, Ela impõe sua
verdade, sua beleza selvagem e sua imutável e forte atitude. Ela
quebra o asfalto com a ponta macia de um broto que busca o
oxigênio, Provando que o tempo da biologia é muito mais sábio que o
falso gênio.
Onde a mão humana esquece, onde o progresso falha ou o homem se
ausenta, A selva retoma o seu posto de comando, o verde vence a
batalha cinzenta, As frestas do muro são portas abertas para que o
mato possa livre passar, Ocupando com pressa os vãos que o ego
humano parou de vigiar e cuidar. Um pulsar constante de seiva, um
brilho de bicho que espreita na escuridão, A vida selvagem não
conhece o luxo, o capricho ou a falsa ostentação. Ela é o que precisa
ser: bico, garra, pétala, espinho e semente ao vento, Um mecanismo
perfeito que encontra no agora o seu único e sagrado momento.
Tudo se transforma em um movimento perpétuo, sem começo e sem
fim, Nada se perdeu no caminho tortuoso, desde o primeiro átomo até
o jardim: O chão que eu piso hoje, com meu orgulho passageiro e com
o meu brio, Um dia já foi eu, no pó das eras remotas, no leito seco de
um antigo rio. Somos poeira de estrelas distantes moldada em
camadas de barro e lama, Parte integrante e inseparável da mesma,
única e sagrada flama da vida. Quando o corpo descansa, a terra o
reclama como um filho que volta ao lar, Para que das cinzas do que
fomos, uma nova floresta possa enfim despertar.
II. Ciclo de Barro e Luz: A Resiliência da Matéria
O céu desce em gotas pesadas, carregadas de prata, de história e de
vida, A terra se abre em sede absoluta, com a boca seca pelo longo e
duro estio, O nó da madeira escura, em sua forma retorcida, sofrida e
também vencida, É a força bruta de uma alma vegetal que não
conhece o medo ou o desvio. Toda folha que cai no outono é um
adubo que o inverno pacientemente prepara, Toda morte na mata é,
em essência, uma vida nova que nunca se interrompe ou para. O ciclo
é uma roda que gira sem eixos, movida por uma vontade soberana,
Que ignora as cercas, os mapas, os muros e toda a vã pretensão
humana.
A raiz é a âncora invisível que segura o mundo instável em seu
devido lugar, Mergulhando no escuro do barro para buscar o sustento
que a luz não pode dar, A flor é o espanto, o grito súbito de cor e
perfume no meio do imenso nada, O mundo se cura sozinho, sem
precisar implorar, na relva fria e orvalhada. A natureza não pede
licença para ser o que ela é em sua total plenitude, Ela impõe sua
verdade, sua beleza selvagem e sua imutável e forte atitude. Ela
quebra o asfalto com a ponta macia de um broto que busca o
oxigênio, Provando que o tempo da biologia é muito mais sábio que o
falso gênio.
Onde a mão humana esquece, onde o progresso falha ou o homem se
ausenta, A selva retoma o seu posto de comando, o verde vence a
batalha cinzenta, As frestas do muro são portas abertas para que o
mato possa livre passar, Ocupando com pressa os vãos que o ego
humano parou de vigiar e cuidar. Um pulsar constante de seiva, um
brilho de bicho que espreita na escuridão, A vida selvagem não
conhece o luxo, o capricho ou a falsa ostentação. Ela é o que precisa
ser: bico, garra, pétala, espinho e semente ao vento, Um mecanismo
perfeito que encontra no agora o seu único e sagrado momento.
Tudo se transforma em um movimento perpétuo, sem começo e sem
fim, Nada se perdeu no caminho tortuoso, desde o primeiro átomo até
o jardim: O chão que eu piso hoje, com meu orgulho passageiro e com
o meu brio, Um dia já foi eu, no pó das eras remotas, no leito seco de
um antigo rio. Somos poeira de estrelas distantes moldada em
camadas de barro e lama, Parte integrante e inseparável da mesma,
única e sagrada flama da vida. Quando o corpo descansa, a terra o
reclama como um filho que volta ao lar, Para que das cinzas do que
fomos, uma nova floresta possa enfim despertar.