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A dissertação apresenta uma ferramenta modular de código-aberto para análise de sistemas de feixes Hertzianos, desenvolvida com base nas recomendações da ITU-R. A aplicação, que utiliza uma interface Web com Vue.js e um serviço em Python, permite avaliar o impacto dos fenômenos de propagação na qualidade do sinal. Os resultados obtidos foram comparados com a ferramenta profissional PathLoss, validando a eficácia do software desenvolvido.

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A dissertação apresenta uma ferramenta modular de código-aberto para análise de sistemas de feixes Hertzianos, desenvolvida com base nas recomendações da ITU-R. A aplicação, que utiliza uma interface Web com Vue.js e um serviço em Python, permite avaliar o impacto dos fenômenos de propagação na qualidade do sinal. Os resultados obtidos foram comparados com a ferramenta profissional PathLoss, validando a eficácia do software desenvolvido.

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INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE LISBOA

Área Departamental de Engenharia de Eletrónica e Telecomunicações e de


Computadores

Aplicação para projeto e análise de sistemas de feixes


Hertzianos

Milton Jorge Semedo Barbosa

(Licenciado em Engenharia Eletrónica, Telecomunicações e Computadores)

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre


em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Orientador : Prof. Doutor Pedro Renato Tavares Pinho

Júri:
Presidente: [Link] António João Nunes Serrador
Vogais: Prof. Doutor António Luís Campos da Silva Topa
Prof. Doutor Pedro Renato Tavares Pinho

Outubro, 2021
Our greatest weakness lies in giving up. The most certain
way to succeed is always to try just one more time
Thomas A. Edison
Agradecimentos

Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Instituto Superior de Engenharia de Lisboa


(ISEL), local onde me formei não só em engenharia, mas como jovem adulto. Gostaria
também de mostrar o meu apreço pelo Instituto Politécnico de Lisboa e em especial aos
Serviços de Ação Social (SAS), por permitirem que eu e tantos outros não pudéssemos
desistir das nossas formações. Gostaria também de agradecer ao Instituto de Tele-
comunicações (IT), pelo apoio técnico disponibilizado ao longo desta dissertação, em
termos de máquinas e servidores para o teste e desenvolvimento da aplicação.
Gostaria também de expressar a minha enorme gratidão ao professor Pedro Pinho por
ter aceite este trabalho, nunca ter desistido de mim, ter-me apoiado, puxado por mim
sempre ao longo desta jornada atribulada. A ele deixo-lhe um grandessíssimo obri-
gado.
Aos vários colegas de curso com quem privei ao longo dos anos na Licenciatura e
Mestrado, deixo o meu obrigado pela amizade e espírito de camaradagem.

Um agradecimento especial à Patrícia Semedo, porque sem ela definitivamente não


teria conseguido. A sua perseverança e encorajamento foram fundamentais e por isso
digo-lhe muito obrigado porque esta vitória não é só minha como dela.

À minha família em geral, aos meus irmãos, muito obrigado pelo apoio contínuo e in-
teresse ao longo destes anos.
À minha irmã Marisa Sousa, agradeço o seu apoio constante, palavras de encoraja-
mento e por ser um exemplo a seguir.
Por fim um agradecimentos aos meus pais Domingos Barbosa de Sousa e Maria Rosa
Tavares Semedo pelo amor, suporte incondicional e por me terem apoiado sempre,
mesmo nos momentos de incerteza.

v
Resumo

Nos dias que correm, a tecnologia de Feixes Hertzianos (FH), tem vindo a perder pre-
ponderância, face a outras de outras maior débito como fibras óticas. Apesar de tudo,
os FH continuam a ser utilizados em redes de transporte como backhaul e em redes de
TV, pelo seu baixo custo e facilidade de integração em diversos tipos de terreno. Os sis-
temas funcionam, com a premissa de existir um caminho desobstruído entre o emissor
e o recetor.
No dimensionamento dum sistema por FH, é necessário fazer um estudo prévio das
condições de propagação e do percurso onde a ligação será estabelecida. Muita vezes
o processo torna-se complexo, sendo necessário o auxilio de ferramentas. Muitas das
ferramentas disponibilizadas são de acesso profissional e customizadas para definições
especificas de fabricantes. Existem outras de utilização aberta, mas estas muitas vezes,
não são mantidas de forma regular, tornando-se desatualizadas, face às recomenda-
ções do ITU-R(International Telecommunication Union Radiocommunication).

Nesse seguimento, ao longo desta dissertação, foi desenvolvida uma ferramenta mo-
dular de código-aberto, com uma interface Web implementada com a framework javas-
cript [Link] e um web service na linguagem python. A ferramenta foi desenvolvida com
base nas últimas recomendações ITU-R e nela é possível, analisar o impacto dos fenó-
menos de propagação na qualidade do sinal recebido. Com base no software desen-
volvido, foram apresentados um conjuntos de testes e cenários. Os resultados foram
comparados com os dados da ferramenta profissional Path Loss de forma a aferir a
validade do programa desenvolvido.

Palavras-chave: Projeto, Feixes Hertzianos, ITU-R, Código-aberto, Aplicação Planea-


mento

vii
Abstract

Nowadays the Microwave radio links technology has lost some preponderance com-
pared to other technologies of high speed such as optical fibers. Despite everything,
Microwave radio links, continues to be used in transport networks such as backhaul
and television, due to their low cost and its simplicity of integration in different types
of terrain. The system work in the context, that there is an unobstructed path between
the sender and receiver.
In the design of a Microwave Radio link system, it’s necessary to do a prior study of the
propagation conditions and the path where the connection will be established. Some-
times the process becomes complex, being required the use of auxiliary tools. Most of
the tools available, are for professional use and customized for specific manufacturers.
There some free solutions, but those are not maintained, and become outdated com-
pared to International Telecommunication Union - Radiocommunication (ITU-R).

Having that in mind, during the process of this dissertation development, an open-
source tool with a web-based JavaScript interface with the framework [Link] was im-
plemented with the complement of a python webservice. The tool was created adopt-
ing the latest ITU-R recommendations and using it, is possible to evaluate the impact
of the propagation phenoms on the quality of the received signal. Using the developed
application, some use cases and tests were presented. The results were compared with
the professional tool PathLoss to validate the developed software .

Keywords: Project, Microwave radio link, ITU-R, Open-source, Design Application

ix
Índice

Lista de Figuras xv

Lista de Tabelas xvii

Acrónimos xix

1 Introdução 1

1.1 Enquadramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1

1.2 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1

1.3 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

1.4 Organização da Dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

1.5 Contribuição Principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3

2 Projeto de FH 5

2.1 Comunicações sem Fios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

2.2 Feixes Hertzianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

2.2.1 Arquitetura dos Feixes Hertzianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

2.3 Planeamento dos Feixes Hertzianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

2.3.1 Atenuação em espaço livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

2.3.2 Influência da Troposfera na propagação e Refração . . . . . . . . 11

[Link] Gradiente de refratividade rádio . . . . . . . . . . . . . . 13

xi
xii ÍNDICE

[Link] Classificação da propagação na Troposfera . . . . . . . . 14

[Link] Ductos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

[Link] Encurvamento do raio: Raio efetivo da Terra . . . . . . . 15

2.3.3 Elipsóide de Fresnel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

2.3.4 Atenuação devido à chuva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

[Link] Método ITU-R . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

2.3.5 Atenuação devido aos gases atmosféricos (H2 O e O2 ) . . . . . . . 21

2.3.6 Balanço de Potência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

2.3.7 Considerações gerais para o planeamento de feixes Hertzianos . 26

[Link] Perfil do terreno e desobstrução . . . . . . . . . . . . . . 27

[Link] Topologia das Redes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

2.4 Aplicações disponíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

2.4.1 Smart Link Planning Tool . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

2.4.2 MlinkPlanner . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

2.4.3 PathLoss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

2.4.4 Atoll Microwave . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

2.4.5 RadioMobile . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

3 Descrição da Aplicação Proposta 35

3.1 Arquitetura da Solução Proposta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

3.2 Interface do Utilizador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

3.2.1 Módulo de Autenticação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

3.2.2 Módulo de Projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

3.2.3 Módulo Main . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

3.3 Serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

3.3.1 Dados Externos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

[Link] OpenWheather . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

[Link] Opentopodata . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

3.3.2 Base de dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49


ÍNDICE xiii

[Link] User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
[Link] Project . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
[Link] Project User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
[Link] Project Object . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
[Link] Frequency Band . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] Manufacturer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] WaveGuide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] Antena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
[Link] Unit . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
[Link] Radio Equipment . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
[Link] Link . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
3.3.3 Módulo de Cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
[Link] Espaço Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
[Link] Atmosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
[Link] Analisador de Terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

4 Avaliação da aplicação 57
4.1 Ligação Monsanto - Montejunto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.1 Análise de perfil de terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.1.2 Cálculo das Atenuações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.2 Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.2.1 Análise de perfil de terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.2.2 Cálculo das atenuações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

5 Conclusões 67
5.1 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
5.2 Limitações e Trabalhos Futuros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

Referências 71

A Constantes i
xiv ÍNDICE

B Características do equipamento rádio Alcatel MDR-800 vii

C Características do equipamento rádio Nokia Flexi-Hopper 18 ix

D Detalhes da ligação Monsanto a Serra de Montejunto Path Loss xi

E Detalhes da ligação Marinha Grande Figueira Foz Path Loss xiii


Lista de Figuras

2.1 Exemplo de uma ligação por FH, adaptado de [12] . . . . . . . . . . . . 10

2.2 Coeficientes de atenuação dos gases atmosféricos [19] . . . . . . . . . . . 24

2.3 Diagrama dos vários cálculos envolvidos na implementação de [10] . . . 25

2.4 Exemplo de perfil de percurso representado por modelo fictício da Terra 28

2.5 Tipos de redes existentes que podem ser usadas em ligações de Feixes
Hertzianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

3.1 Arquitetura da Aplicação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

3.2 Autenticação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

3.3 Vista de projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

3.4 Interface para novo projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

3.5 Vista Main . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

3.6 Interface Mapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

3.7 Interface gestão de Links . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

3.8 Formulário novo link . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

3.9 Vista Formulário nova unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

3.10 Formulário nova unidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

3.11 Interface de gestão para fabricantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

3.12 Formulário para fabricantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

3.13 Interface de gestão de bandas de frequência . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

xv
xvi LISTA DE FIGURAS

3.14 Formulário de bandas de frequência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44


3.15 Interface de gestão guias de onda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.16 Formulário de gestão guias de onda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.17 Interface de gestão equipamentos de rádio . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.18 Formulário de equipamentos de rádio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.19 Interface de gestão de antenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.20 Formulário de antenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.21 Comparação de perfil de terreno entre a aplicação desenvolvida e o Path-
Loss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.22 Módulo de Cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.23 Perfil de Terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

4.1 Sites e ligação representadas no mapa OpenLayers . . . . . . . . . . . . . 58


4.2 Elipsóide de Fresnel e Perfil do Terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.3 Sites e ligação representadas no mapa OpenLayers . . . . . . . . . . . . . 61
4.4 Elipsóide de Fresnel e Perfil de terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.5 Perfil de ligação desobstruído . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

B.1 Características do equipamento rádio Alcatel MDR-800 . . . . . . . . . . vii

C.1 Características do equipamento rádio Nokia Flexi-Hopper 18 . . . . . . . ix


Lista de Tabelas

2.1 Coeficientes para pressão saturada do vapor de água, e s . . . . . . . . . . 13

2.2 Factor k para diferentes condições de refração [10] . . . . . . . . . . . . . 17

3.1 Campos do modelo User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

3.2 Campos do modelo project . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

3.3 Campos do modelo Project_User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

3.4 Campos do modelo Project Object . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.5 Campos do modelo Frequency Band . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.6 Campos do modelo WaveGuide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.7 Campos do modelo Antenna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

3.8 Campos do modelo Unit . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

3.9 Campos do modelo Radio Equipment . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

3.10 Campos do modelo link . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

4.1 Localização site Monsanto-Montejunto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57

4.2 Balanço de potência ligação Monsanto-Montejunto . . . . . . . . . . . . . 61

4.3 Localização dos sites Marinha Grande e Figueira da Foz . . . . . . . . . . 62

4.4 Balanço de potência da ligação Marinha-Figueira . . . . . . . . . . . . . . 65

A.1 Coeficientes horizontais para Kh . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . i

A.2 Coeficientes verticais para Kv . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . i

xvii
xviii LISTA DE TABELAS

A.3 Coeficientes horizontais para alfa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ii


A.4 Coeficientes verticais para alfa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ii
A.5 Dados espetroscópicos para atenuação por oxigénio . . . . . . . . . . . . ii
A.6 Dados espetroscópicos para o cálculo da atenuação pelo vapor de água . iv

D.1 Detalhes da ligação Monsanto Montejunto Path Loss . . . . . . . . . . . . xi

E.1 Detalhes da ligação Marinha Grande Figueira Foz Path Loss . . . . . . . . xiii
Acrónimos

ACM Codificação e modulação Adaptativa. 9


API Application Programming Interface. 47, 48, 56
ASTER Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection
Radiometer. 48

DAV Data Above Voice. 8


DAVID Data Above Video. 8
DUV Data Under Voice. 8

EU-DEM European Digital Elevation Model. 48

FH Feixes Hertzianos. vii, xi, xv, 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12,


13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29,
30, 31, 32, 33, 36, 39, 41, 49, 52, 53, 54, 57, 58, 67, 68

GIS Sistema de Informação Geográfico. 31


GPS Sistema de Posicionamento Global. 6

HTML HyperText Markup Language. 1, 67

ITU-R International Telecommunication Union - Radiocommu-


nication. ix, 1, 2

MIMO Multiple Input Multiple Output. 9

xix
xx Acrónimos

OEM Ondas Eletromagnéticas. 1, 2, 5, 18

QAM Quadrature Amplitude Modulation. 9

SDH Synchronous Digital Hierarchy. 8


SRTM Shuttle Radar Topography Mission. 31, 32, 33, 36, 48

TDT Televisão Digital Terrestre. 57

XPIX Cross Polarization Interference Cancellation. 9


1
Introdução

1.1 Enquadramento

A presente dissertação enquadra-se nas áreas de telecomunicações e informática. Ao


longo da dissertação foi realizado um estudo teórico dos fenómenos de propagação as-
sociados a propagação de Ondas Eletromagnéticas (OEM) e as recomendações ITU-R
necessários para o projeto e análise dum sistema de FH. Para além da temática associ-
ada a componente rádio, foi também realizado um estudo de tecnologias da ciências de
computação como a linguagem Python, HyperText Markup Language (HTML), Javascript,
as frameworks Django e [Link], para a implementação da aplicação desenvolvida.

1.2 Motivação

As redes de telecomunicações fazem parte do dia a dia. O projeto, supervisão e expan-


são das redes é feito maioritariamente através de ferramentas computorizadas.

De modo geral as ferramentas existentes no mercado, tais como Path Loss [1], Atoll
Microwave [2], Global Mapper [3], são proprietárias, de acesso profissional e sua docu-
mentação restrita. Olhando para o espetro de ferramentas para o projeto e análise de
de redes de comunicações por FH, verifica-se que a premissa mantém-se. Nesse sen-
tido a motivação da presente dissertação foi a construção de uma ferramenta aberta

1
1. I NTRODUÇÃO 1.3. Objetivos

para o dimensionamento e análise de redes de comunicações por FH, que permitisse o


acesso fácil dos utilizadores independentemente da plataforma que se encontrassem.

1.3 Objetivos

A presente dissertação tem por objetivo o desenvolvimento de uma ferramenta de có-


digo aberto, que permita fazer o projeto e estudo de redes de comunicação por FH
através da análise dos fenómenos associados a propagação de OEM. A aplicação de-
senvolvida, permitirá fazer uma análise do balanço de potência duma ligação com
base nas recomendações ITU-R. Através da aplicação será possível escolher os elemen-
tos que compõe uma ligação como antenas, equipamentos rádio e também observar
o perfil de terreno duma ligação de forma dinâmica através da alteração das alturas
das antenas do emissor e recetor por parte do utilizador. Por fim com base na aplica-
ção, serão realizados cenários de teste e os resultados obtidos serão comparados com a
ferramenta de planeamento PathLoss.

1.4 Organização da Dissertação

A dissertação está organizada em 5 capítulos:

• Capítulo 1: Introdução - No primeiro capítulo, é feita uma introdução do tra-


balho realizado, o seu enquadramento, os objetivos que se esperam atingir e a
motivação inerente a esta solução. Por fim é apresentada a organização do docu-
mento;

• Capítulo 2: Trabalho Relacionado - Neste capítulo é feita uma introdução sobe


os fatos históricos relacionados com os sistemas de FH. São também abordados,
os conceitos necessários a ter em conta, para o balanceamento de uma ligação por
FH. No final do Capítulo, são apresentadas, algumas ferramentas utilizadas para
o projeto duma ligação de FH, com as suas vantagens e desvantagens;

• Capítulo 3: Descrição da Solução Proposta - Neste capítulo é feita uma apresen-


tação da solução proposta, os requerimentos necessários para o seu desenvolvi-
mento e por fim uma descrição da solução implementada e os passos tomados
para sua concretização;

• Capítulo 4: Avaliação - Neste capítulo é apresentada a avaliação da aplicação


implementada, comparando os resultados obtidos com a ferramenta PathLoss [1];

2
1. I NTRODUÇÃO 1.5. Contribuição Principal

• Capítulo 5 : Conclusão- Por fim, neste capítulo são apresentadas as principais


conclusões do trabalho realizado e alguns dos possíveis tópicos a serem aborda-
dos futuramente.

1.5 Contribuição Principal

A presente dissertação teve como contribuição principal, o desenvolvimento inicial


duma aplicação de código aberto que possibilite o estudo e análise de elementos cir-
cundantes a um sistema de comunicações por FH, quer a projetistas a um nível pro-
fissional, mas sobretudo a estudantes a um nível académico quer na sua utilização ou
possível desenvolvimento de novas funcionalidades.

3
2
Projeto de FH

O presente capítulo tem como propósito apresentar uma breve resenha histórica ao
conceito de comunicações sem fios, termo utilizado no presente trabalho para descre-
ver as comunicações realizadas com recurso a Ondas Eletromagnéticas. Ao longo deste
capítulo são descritos os vários tipos de comunicações sem fios, os conceitos de FH e os
parâmetros utilizados para o planeamento de sistemas de comunicação por FH. Adici-
onalmente são apresentadas algumas ferramentas, que podem ser utilizadas durante a
etapa de planeamento de uma rede deste tipo.

2.1 Comunicações sem Fios

Nos dias que correm o conceito de comunicação sem fios é algo inerente ao quotidi-
ano estando presente nas mais diversas áreas. O conceito das comunicações sem fios,
emergiu por volta do ano de 1873 quando o James Clerk Maxwell teorizou equações que
previam a existência de Ondas Eletromagnéticas, capazes de se propagar com uma ve-
locidade finita, igual à luz [4]. As primeiras comunicações sem fios, datam de 1896
quando o Guglielmo Marconi transmitiu sinais de código Morse, utilizando ondas de
rádio sem fios, a uma distância de 2.5 km. No ano de 1903 Marconi, começou a trans-
missão de serviços de mensagens entre Poldhu, Inglaterra e estações construídas pelo
mesmo, próximas de Glace Bay, Nova Escócia e South Wellfleet em Cape Cod, Estados
Unidos da América [5].

5
2. P ROJETO DE FH 2.1. Comunicações sem Fios

Existem vários tipos de sistemas de comunicações sem fios, utilizados para a transmis-
são de dados. A lista abaixo indica e descreve sumariamente alguns dos mesmos:

• Comunicações por Radar : As comunicações por Radar, utilizam ondas electro-


magnéticas radiadas no espaço, para identificação e localização de obstáculos
numa determinada posição geográfica. A identificação dos objetos é feita através
da análise, no recetor, dos sinais refletidos;

• Wi-Fi: É um tecnologia que permite a criação de redes de comunicação sem fios,


permitindo intercâmbio da informação de dispositivos conetados dentro da da
rede ou por acesso à internet;

• Difusão Celular : A difusão celular é um tipo de sistema que permite a comu-


nicação com dispositivos moveis numa vasta área. Este tipo de sistemas pode
transportar vários tipos de informação, como voz, dados e mensagens de sinali-
zação [6] ;

• Sistema de Posicionamento Global (GPS): O GPS é um sistema de posiciona-


mento baseado em satélites, desenvolvido e gerido pelo departamento de defesa
Norte Americano, que permite determinar uma localização na superfície terres-
tre através da triangulação por satélites. Este meio de comunicação utiliza 24
satélites em órbita sincronizada à volta da Terra, onde os mesmos têm posições
diferentes [7]. A arquitetura do sistema, baseia-se na utilização de cada satélite
para o envio de sinais para os recetores portáteis sediados na Terra, de forma a
que uma posição fixa possa ser estimada com três satélites e os restantes para
correção dos erros e aumento de precisão;

• Difusão Rádio: A difusão rádio é a transmissão de ondas de radiofrequência


moduladas em amplitude ou frequência para transmissão de sinais de televisão
ou rádio;

• Bluetooth : É uma tecnologia sem fios usada para transmitir dados entre dispo-
sitivos eletrónicos numa curta distância. Os dispositivos eletrónicos podem ser
telemóveis, computadores, tablets entre outros;

• Comunicações via satélite : São como o nome indica, comunicações realizadas,


utilizando satélites, que permitem a comunicação de dispositivos em áreas remo-
tas onde não exista cobertura celular. As frequências usadas situam-se entre os 1
GHz e 10 GHz.

6
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos

2.2 Feixes Hertzianos

A primeira ligação conduzida por FH, data de 1931 entre Calais (França) e [Link]
Bay (Inglaterra) [6]. Esta ligação foi realizada por André Clavier e sua equipa sobre a
supervisão de Maurice Deloraine, todos membros do LCT (Laboratoire Central des Télé-
communications). A ligação tinha uma capacidade para um canal telefónico e operava a
uma frequência de 1700 MHz, em modulação de amplitude, com emissores que tinham
uma potência de transmissão de 1 W e antenas parabólicas com 3 m de diâmetro. Após
dois anos, foi instalada a primeira ligação permanente entre os aeroportos de Lympne
(Inglaterra) e [Link] (França) cuja a distância é de 56 km, atravessando o canal da
Mancha [4].

Nos anos de 1945-1946 na Alemanha, as forças armadas dos Estados Unidos instalaram
links de FH à uma distância de 1200 Km, entre Bremen e Munich utilizando equipamen-
tos modulados entre os 500-600 MHz.

A utilização dos FH tornou-se popular depois da segunda guerra mundial para res-
tabelecer os serviços de redes que foram destruídos durante o período da guerra. Na
Europa os equipamentos começaram a ser produzidos e implementados para operar
a 2 GHz para transmissão de 24, 60 e 20 canais nos anos 1950. A transmissão por FH,
tomou grande preponderância para a transmissão de informação, com o surgimento
da televisão na década de 50. As estações de televisão, precisavam de ser conetadas,
com os diversos emissores de televisão espalhados pelo mundo. A transmissão dos
sinais de vídeo, usava tipicamente uma largura de banda de 4 MHz para sinais preto e
branco, 6 MHz para sinais a cores. A transmissão não era possível usando cabos simé-
tricos e os cabos coaxial eram de elevado custo. Tirando partido das frequências das
portadoras de sistemas de comunicação por FH possuírem uma variação entre os 2 e
os 20 GHz, foi possível então, modular sinais de TV a larga escala.

Na década 60 , estabeleceu-se a produção dos equipamentos all-solid-state, este desen-


volvimento tornou-se tecnicamente possível, com o surgimento dos semicondutores.
Os novos equipamentos possibilitaram a redução do consumo , tamanhos dos equipa-
mentos e os custos associados a dimensão das fontes de energia, (geradores, retifica-
dores , baterias). Com esta evolução, a transmissão dos FH passou a ser económica,
flexível e segura.

No inicio da década de 70, o baixo custo dos semi-condutores, possibilitou uma nova
era na electrónica, dando início, a mais um avanço no mundo das telecomunicações e
computadores. Consequentemente de modo a atender as necessidades das trocas de
informação entre computadores e os seus requerimentos de transmissões sem falhas

7
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos

e ruído, a transmissão começou gradualmente a passar de analógica para digital. A


transmissão usando as fibras ópticas ainda não estava disponível e a utilização do cabo
coaxial, requeria o uso de repetidores em intervalos extremamente curtos, tornando-se
pouco económica [8]. A transmissão digital tinha a vantagem sobre a analógica, porque
o sinal podia ser regenerado na sua forma original, independentemente do ruído até
um certo limite. Assim a transmissão digital tornou-se uma solução usada nas redes
públicas, privadas, bancos, seguradoras entre outras.
A primeira transmissão digital operacional, começou no ano 1969, no Japão. Os equi-
pamentos operavam a uma largura de banda de 2 GHz em que a capacidade da trans-
missão tinha o limite de 17 Mbps.
Na década de 1970, a conversão do analógico para digital, pode ser atenuada, pela
introdução de equipamentos que adicionavam fluxo de dados digitas à banda base
analógica existente. A esses equipamentos foram dados nomes de Data Under Voice
(DUV), Data Above Voice (DAV) e Data Above Video (DAVID).
Contudo esses equipamentos, deixaram de ser necessários no anos 80, visto que os
equipamentos digitais se tornaram disponíveis. A capacidade da transmissão era 34 e
140 Mbps para a Europa , 45, 90, 135, 180 e 270 Mbps para os Estados Unidos, Canadá
e Japão. Desde dessa altura, os sistemas de FH começaram a operar nas bandas 2, 6,
11, 13, 15, 18,23, 38, 42, 50 e 60 GHz mundialmente.
O sucesso da transmissão por meios de fibra óptica na década de 80, o rápido cresci-
mento da capacidade de transmissão e dos intervalos de repetição e especialmente a
introdução do Synchronous Digital Hierarchy (SDH), fez com que uma nova era des-
poletasse para os engenheiros. Estes aceitaram o desafio e desenvolveram novas tec-
nologias como, a técnica de cancelamento da interferência da polarização cruzada, que
permite o uso simultâneo da polarização vertical e horizontal na mesma portadora au-
mentando a capacidade de transmissão; Esquemas de modulação com frequências al-
tas que podem acomodar capacidade mais altas de uma determinada largura de banda;
Transmissão com várias portadoras num determinado emissor/recetor aumentado a
capacidade da transmissão para o dobro ou quádruplo.
Como resultado dessas novas tecnologias, os FH foram introduzidos na década de 90,
com a transmissão através dos SDH com a velocidade de 155-Mbps, 2x 155-Mbps e
622-Mbps. Desde dessa altura em diante, os esforços no desenvolvimento do sistemas
de FH, foram no sentido de aumentar as capacidades de transmissão.
Nos últimos anos, a tecnologia de sistemas de comunicação por FH tem vindo a perder
preponderância face a outras tecnologias como fibras óticas. Apesar de tudo os siste-
mas de comunicação por FH, continuam a ser utilizados em diversas áreas. Uma das

8
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos

grandes áreas onde os FH são utilizados, são os núcleos das redes moveis celulares co-
nhecidos como backhauls. Apesar da fibra ser a primeira escolha de muitos operadores
moveis para os backhaul 4G e 5G, os operadores ainda dependem muito de soluções
baseados em sistemas de microondas nas bandas dos 7GHz a 60GHz, tal como bandas
de frequências mais altas como a banda V (60 GHz) e E (70/80 GHz) [9]. Os FH propor-
cionam uma solução de baixo custo e sistemas com a banda E permitem que ligações
possam ser implementadas num espaço de dias com um alcance na ordem dos km.
As microondas e tecnologias na banda E, incluem algumas inovações como Codifica-
ção e modulação Adaptativa (ACM), High Order Quadrature Amplitude Modulation (QAM),
Cross Polarization Interference Cancellation (XPIX), Compression accelerators e Multiple In-
put Multiple Output (MIMO). Todas estas inovações tem objetivo primordial aumentar
a largura de banda das ligações. Uma breve descrição destas inovações é apresentada
abaixo:

• ACM: Ajuda a gerir a modulação, codificação e outros parâmetros como o sinal


e o protocolo relacionados com as condições das ligações por FH;

• MIMO: Permite a utilização de múltiplas antenas no emissor e recetor de forma


a melhorar a performance da ligação;

• XPIX: O cancelamento de interferência de polarização cruzada possui o potencial


para aumentar a capacidade da ligação;

• Compression Accelerators: Os aceleradores de compressão permitem aumentar


a capacidade das ligações, através da compressão do conteúdo das comunicações
quer seja através de hardware ou software. Através desta compressão é possível
então transportar mas informação nas ligações aumentando sua capacidade;

• High Order QAM: Utilização de modulações superiores como 1024-QAM .

2.2.1 Arquitetura dos Feixes Hertzianos

FH são sistema de comunicações, que utilizam ondas de electromagnéticas na gama


das microondas para transmitir informação entre dois pontos fixos sobre a superfície
terrestre. As frequências variam dos 30 MHz aos 30 GHz. Uma ligação simples de
FH pode ser descrita por duas estações, cada uma nas extremidades do feixe sem que
hajam obstáculos na linha de propagação que possam bloquear o sinal ou causar difra-
ção do mesmo, usando antenas altamente diretivas [10]. Os sistemas de FH podem ser
utilizados na mais variadas aplicações como sistemas de vigilância, campos militares,
sistemas de localização, entre outras áreas [11].

9
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

A Figura 2.1 é um exemplo de uma estrutura de FH entre dois terminais.

Figura 2.1: Exemplo de uma ligação por FH, adaptado de [12]

Os meios de comunicação por FH possuem algumas vantagens em relação a outros.


Os FH apresentam vantagens, tais como o seu baixo custo, fácil implementação e ma-
nutenção. Uma das outras vantagens é o fato de serem menos suscetíveis a desastres
naturais, razão essa que leva muitas vezes estes sistemas a serem utilizados como sal-
vaguarda para sistemas baseados em fibras ópticas.

2.3 Planeamento dos Feixes Hertzianos

O planeamento dum sistema de comunicação por FH, é um processo exigente e me-


tódico caracterizado por diversas etapas onde inúmeros parâmetros devem ser tidos
em conta, desde os fenómenos de propagação, ao hardware escolhido entre outras. O
estudo de fenómenos tais como atenuações, desvanecimentos, perfil do terreno, pode
tornar-se complexo, sendo muitas vezes indispensável a utilização de ferramentas au-
xiliares para os diferentes cálculos necessários. Nas próximas secções serão descritos
os fenómenos que devem ser considerados no planeamento dum sistema de FH.

2.3.1 Atenuação em espaço livre

Em condições normais de propagação, isto é, na ausência de hidrometeoros, outras


condição de refrações anómalas e garantindo que o sistema não tem obstáculos à pro-
pagação, as perda dum sistema são iguais as perdas por propagação em espaço livre,
dadas pelo modelo de propagação em espaço livre. Este modelo permite estimar a
potência recebida quando o emissor e o recetor tem um caminho livre, completamente

10
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

desobstruído entre os mesmos. O modelo de propagação em espaço livre prediz que a


potência recebida decai em função da distância entre o recetor e o emissor. A potência
recebida pela antena do recetor é dada pela equação 2.1 assente na fórmula de Friis,

PR “ PE ` G E ` GR ´ LFS rdBms (2.1)

onde PE é a potência emitida, PR a potência recebida no recetor, G E ganho da antena


emissora dBi, GR ganho da antena recetora dBi e LFS a atenuação em espaço livre dada
pela equação 2.2,

LFS “ 32.5 ` 20 log drkms ` 20 log frMHzs rdBs (2.2)

2.3.2 Influência da Troposfera na propagação e Refração

A atmosfera terrestre é composta por diversas camadas, sendo uma delas a troposfera.
A troposfera situa-se entre 0 a 10 Km acima da superfície do mar. A sua influência e ca-
racterísticas têm um grande impacto na propagação e dimensionamento dum sistema
de FH.
A troposfera não é um meio homogéneo, ela é formada por camadas, cuja composição,
distribuição, altura e a própria duração são variáveis. Tendo em conta a lei de Snell,
que assume que quando um sinal se propaga ao longo dum meio estratificado irá so-
frer refração. É possível verificar que a propagação dum sinal na troposfera não segue
uma trajetória linear mas curva, que dependerá da variação da refração entre emissor
e o recetor. O efeito de refração é definido pelo índice de refração.

O índice de refração relaciona a velocidade de propagação duma onda electromagné-


tica no vácuo em relação a outro meio, no caso a troposfera. O índice de refração não
é constante e possui uma distribuição variável em toda a atmosfera. A variação do
índice é muito pequena sendo grande parte dos valores muito próximos da unidade.
Sendo o valor absoluto muito próximo de um, as variações do índice de refração di-
ferem entre os 2 ˆ 10´4 a 3 ˆ 10´4 . Pelo facto da variação ser diminuta foi definido
um novo parâmetro para cálculos, estatísticas e análises relacionadas como o índice de
refração. O novo parâmetro foi definido como índice de refratividade rádio ou refra-
tividade, N. As relações entre o índice de refração e a refratividade são descritas nas
equações (2.3) e (2.4) .

n “ 1 ` N ˆ 10´6 (2.3)

11
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

N “ pn ´ 1q106 (2.4)

A refratividade rádio, N, pode ser também expressa através das condições atmosférica,
como pressão, temperatura e pressão do vapor de água. A recomendação ITU-R P.453-
14 [13] , descreve como obter a refratividade através da equação (2.5),

77.6 e
N “ Ndry ` Nwet “ pP ` 4810 q (2.5)
T T
onde,
Ndry : termo para ambientes secos;
Nwet : termo para ambientes húmidos;
P : pressão atmosférica (hPa);
T : temperatura (°K;)
e : pressão do vapor de água (hPa).

É possível determinar a pressão do vapor de água, e , em função da humidade relativa


do ar utilizando a equação (2.6).

He s
e“ (2.6)
100
onde,
H : humidade relativa (%);
e s : pressão saturada do vapor de água (hPa) à temperatura t (°C) .

A pressão saturada do vapor de agua, e s , a uma determinada temperatura, é dada pela


equação (2.7) »´ t¯ fi
b´ ˆt
e s “ EF ˆ a ˆ exp –
— d ffi
(2.7)
fl
t`c

em que,

“ ‰
EF “ 1 ` 10´4 7.2 ` Pp0.0320 ` 5.9 ˆ 10´6 ˆ t2 q para água (2.8)

“ ‰
EF “ 1 ` 10´4 2.2 ` Pp0.0383 ` 6.4 ˆ 10´6 ˆ t2 q para gelo (2.9)

onde,

12
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

t : temperatura (°C);
P : pressão total atmosférica (hPA;)
a, b, c, d : coeficientes utilizadas na equação 2.7 indicados na tabela (2.1) .

Temperatura[°C] a b c d
Água -40 a 50 6.1121 18.678 257.14 234.5
Gelo -80 a 0 6.1115 23.036 279.82 333.7

Tabela 2.1: Coeficientes para pressão saturada do vapor de água, e s

A densidade do vapor de água , ρ, pode ser obtida através da equação (2.10)

ρT
e“ rhPAs (2.10)
216.7

onde p é dado em g{m3 . Os valores de ρ podem ser encontrados na recomendação


ITU-R P.836-6 [14].

[Link] Gradiente de refratividade rádio

O valor de refratividade rádio num sistema de FH, para uma determinada localização
não é essencial, mas sim a variação do mesma, em função da altura. As influências
da refração na propagação dum sinal rádio podem ser estimadas através da variação
de refratividade em função da altura, designada por gradiente de refratividade rádio
definido pela equação (2.11)
BNphq
∆N “ (2.11)
Bh

O gradiente de refratividade rádio varia com a altura em conformidade com as va-


riações da pressão, temperatura e pressão do vapor de água com a altitude. As três
grandezas atmosféricas podem ser estimadas em função da altura através dum modelo
descrito na recomendação ITU-R P-835-6 [15]. Baseado nesse modelo a recomendação
ITU-R P.453-14 [13], contem uma expressão que permite o cálculo da refração rádio em
função da altura, utilizando a altura ao nível do mar como referência. A expressão é
descrita na equação (2.12). ˆ ˙
´h
Nphq “ N0 exp (2.12)
h0

onde,

13
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

N0 “ valor médio da refratividade atmosférica ao nível do mar;


h0 “ altura para fins de de normalização (m);
h “ altura acima do nível do mar (m).

N0 e h0 dependem das características climatéricas de cada região. Para fins de referência


podem ser utilizados os valores médios de 315 para N0 e 7.35 Km para h0 .

[Link] Classificação da propagação na Troposfera

A propagação troposférica depende de vários fatores entre os quais a refratividade.


A refratividade não é uniforme e varia de região para região, como descrito na secção
[Link] em função da altura. As condições em que propagação rádio, se dá na troposfera
podem ser classificadas e definidas através do gradiente de refratividade rádio , ∆N. As
condições de propagação rádio na troposfera são denominadas por troposfera normal,
troposfera sub-refrativa e super-refrativa.

Troposfera Normal - Considera-se troposfera normal ou standard quando o gradi-


ente refractivo tem um valor de ´39 N units/km. Este valor é mediano na Terra,
sendo geralmente o valor padrão a ser utilizado no dimensionamento dum sistema
de telecomunicações;

Troposfera Sub-refrativa - A designação de troposfera sub-refrativa é feita em si-


tuações que os valores da refratividade rádio são próximos de zero ou positivos. A
troposfera sub-refrativa está associada a condições climatéricas onde o gradiente da
temperatura é negativo ou a pressão do vapor de água é positivo. Esta condição pode
ocorrer também se ambas as situações se verificarem. A sub-refração é mais provável
em localizações onde a temperatura seja alta e humidade baixa (temperatura >30°C,
humidade <40 % );

Troposfera Super-refrativa - A troposfera super-refrativa ocorre quando o gradiente


de refratividade rádio é menor que -100 N units/km. A super-refração está normal-
mente associada à inversão da temperatura.

14
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

[Link] Ductos

Um ducto é uma região da troposfera, que devido a valores anómalos de refratividade,


mantém a propagação de um sinal confinada entre duas camadas da troposfera ou en-
tre a camada da troposfera e a superfície da Terra. Existem três tipos de ductos, ductos
de superfície, superfície elevada e ductos elevados. Os ductos de superfície, originam
regiões que confinam a propagação entre a camada baixa da troposfera e a superfície
da Terra. Os ductos elevados são estabelecidos entre duas camadas das troposfera, es-
tes ductos costumam-se situar nos primeiros quilómetros da troposfera. Os ductos são
gerados em condições de super-refração onde os gradiente da refratividade rádio são
menores a -157 N unidades/km. A propagação rádio num ducto é difícil caraterizar
sendo a sua quantificação muitas vezes teórica. Uma das abordagens para o estudo da
propagação num ducto, são a aplicações de técnicas como multi-raio que tem em conta
as diferentes trajetórias num ducto.
A recomendação ITUR-R P.453-14 [13] estabelece um novo parâmetro referido como
refratividade rádio modificada (M), para situações onde o gradiente da refratividade
rádio é inferior a -157 N units/km. Os ductos são descritos em função de M pela equa-
ção(2.13).

Mphq “ Nphq ` 157h (2.13)

onde, M é dimensional e h é a altura acima do nível terrestre em quilómetros.

[Link] Encurvamento do raio: Raio efetivo da Terra

A trajetória efectuada pela frente de onda entre um emissor e um recetor num sistema
de FH na troposfera é curva e esta depende directamente do valor de refratividade ao
longo do percurso. Em condições de atmosfera standard, onde o gradiente de refrativi-
dade rádio é próximo de -39, a curvatura da frente da onda rádio é superior a trajetória
horizontal entre o emissor e o recetor. Na ocorrência de sub-refração, a trajetória da
frente de onda é severamente encurvada sendo menor que que o raio ótico. Para ca-
sos de super-refração a trajetória da frente de onda diverge em relação a curvatura
da Terra, sendo que a trajetória da frente de onda tem tendência a fugir da superfície
terrestre.

Em termos práticos e de forma a simplificar, é ignorado o facto do gradiente não ser


constante no trajeto entre o emissor e o recetor. Em dimensionamento de sistemas de
FH é assumido que o sinal segue uma trajetória curva com um raio constante, que

15
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

depende do valor médio do gradiente ao longo do percurso entre o emissor e o recetor.


O raio pode ser obtido através da aplicação da Lei de Snell demonstrada na equação
(2.14).

1 cos ϕ dn
“´ (2.14)
ρ n dh

onde,

ρ “ raio da curvatura da trajetória da onda;


n “ índice de refração;
dn{dh “ gradiente vertical de refratividade;
ϕ “ ângulo medido em relação ao caminho horizontal .

Assumindo que na maioria do casos, o ângulo de emissão da antena emissora é pratica-


mente zero e o índice de refração é próximo de 1 é possível escrever o raio da trajetória
curva pela equação (2.15).

1 BNphq
ρ“ “´ (2.15)
R Bh

Apresentando a relação entre a refratividade, N e o índice de refração, n, na equação


(2.15), a curvatura pode ser expressa em função da refratividade rádio, como ilustrado
na equação(2.16).

BNphq 1
∆N “ “ ´106 “ ´106 ρ (2.16)
Bh R

Existem diversos modelos geométricos para representar o percurso da onda e as alturas


ao longo da superfície terrestre. Porém o mais utilizado em sistemas de FH é o modelo
baseado no raio efetivo da Terra dado pela equação (2.17). Este modelo representa a
propagação de uma onda rádio entre um emissor e um recetor como uma linha reta,
compensando a curvatura da Terra com a real trajetória de propagação seguida pelo
sinal rádio. O raio modificado da Terra é denominado de raio efetivo da Terra, pode
ser obtido através do factor k que define um rácio entre o o raio real da Terra, R0 , e o
efetivo, R. O factor k é calculado em função do gradiente de refração rádio e o raio real
da Terra, através da equação (2.18).

R “ k ˚ R0 (2.17)

16
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

1 157
k“ “ (2.18)
1 ` R0 ∆N.10 ´6 157 ` ∆N

Desta forma e tendo em consideração as condições de refração descritas nas secções


anteriores, a Tabela 2.2 descreve as relações entre o factor k e o gradiente de refrativi-
dade.

Condições da Troposfera ∆N (N units/km) k


Normal 0 ď ∆N ă ´39 1 ďkă 4{3
Subrefração ∆N ą 0 0 ďkă 1
Super-refração ∆N ă ´39 k ą 4{3
Ductos ∆N ď ´157 k“8

Tabela 2.2: Factor k para diferentes condições de refração [10]

Em condições de propagação standard o fator k tem o valor 4/3. Este valor é obtido
através da média dos valores ao longo dum grande período de tempo.

2.3.3 Elipsóide de Fresnel

Os sistemas de comunicação por FH, são por norma desenhados de forma a terem
perfeitas condições de propagação, onde não existam quaisquer perdas por difração
causadas pelas irregularidades do terreno. Em condições de propagação normal o feixe
que conecta um emissor e um recetor deverá estar bem acima de qualquer obstáculo
causado pelo terreno e as perdas por difração devem ser nulas. Como ilustrado na
secção 2.3.2 a propagação ao longo da troposfera, não segue uma linha recta e em
condições de subrefração, o caminho seguido pela fronte de onda pode ser curvado
e intersectar com obstáculos no terreno. É considerada a existência de difração, se
o elipsóide de Fresnel ou zona de Fresnel estiverem obstruídos. O elipsóide de Fresnel
surge do principio de Huygens, que sustenta que uma onda esférica é originada a partir
de um ponto de uma frente de onda plana e que a junção de todas as ondas esféricas
formadas a partir de vários pontos da frente de onda plana origina uma nova frente
de onda plana a uma distância r. Tendo em conta este principio, Fresnel demonstrou
que a energia entre um emissor e um recetor é distribuída entre um número infinito de
elipsóides. De acordo com o modelo de Fresnel, a potência total recebida será estimada,
através da influência dos elipsóides constituintes numa ligação, onde alguns irão ter
uma influência positiva e outros negativa.
O raio dum elipsóide numa determinada localização entre a ligação entre o emissor e
o recetor, depende da frequência e da ordem n do elipsóide. O raio pode ser obtido

17
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

através da equação (2.19).

d
n.d1 .d2
Rn “ 548 pmq (2.19)
f.d

onde,
n “ ordem do elipsóide;
d1 “ distância até ao emissor [Km] ;
d2 “ distância até ao recetor [Km] ;
d “ distância entre o recetor e emissor [Km] ;
f “ frequência [MHz] .

O dimensionamento de sistemas de FH é feito, geralmente com base apenas no elip-


sóide de Fresnel de primeira ordem, visto, que grande parte da energia da OEM se
concentrar no mesmo. Para efeitos de análise da obstrução dos obstáculos é assumido
que se 60% ou mais do elipsóide de Fresnel estiver desobstruído, é considerado uma
ligação em espaço livre.

O horizonte rádio é um factor fulcral para o dimensionamento, dos sistemas de FH,


pois consiste na localização duma ligação onde o raio directo entre a antena emissora e
recetora, é tangente à superfície terrestre. Através do horizonte rádio é possível, assu-
mindo a não existência de anomalias na atmosfera e uma terra perfeitamente esférica,
estabelecer uma distância máxima duma ligação, através da equação 2.20.

? ?
D “ 3.569 ˆ h1 ` 3.569 ˆ h2pmq (2.20)

em que h1 e h2 são as alturas efetivas no emissor e recetor respetivamente.

2.3.4 Atenuação devido à chuva

Numa ligação de FH existem vários fatores, que podem provocar a indisponibilidade


dos sistemas de comunicação, como hardware, a interferência e o desvanecimento. No
desvanecimento, existem as atenuações causadas por precipitação que podem ter uma
grande influência na disponibilidade dos FH. A atenuação provocada pela precipita-
ção, fenómeno natural que varia de região para região e de ano para ano, pode ser
considerada como um problema, nas frequências acima de 5 GHz ou entre 20-30 GHz,
dependendo da distância e das localizações das ligações. Um dos conceitos principais
para a análise da atenuação devido à precipitação, é a disponibilidade das ligações, de

18
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

modo a perceber qual é a percentagem do tempo que uma ligação tem de estar operaci-
onal. Esta disponibilidade é depois usada em conjunto com outros fatores que podem
causar as falha de uma ligação. Ao longo do tempo, muitos modelos foram usados
para calcular a atenuação devido as precipitação, mas nesta dissertação é descrito o
método ITU-R .

[Link] Método ITU-R

O documento do ITU-R P.530-17 [16] explica os vários passos que devem ser considera-
dos para obter a atenuação da chuva. A atenuação da chuva é caracterizada através do
parâmetro R p que representa o coeficiente de precipitação não excedido durante uma
percentagem do tempo. Os passos necessários para obter a atenuação devido à chuva,
são descritos abaixo:

1. Obtenção da intensidade da chuva R0.01 pmm{hq, que excede 0,01% do tempo, com
um tempo de integração de 1 minuto. No caso de não termos informação através
de fontes locais, é possível obter o valor do mesmo através da fórmula do ITU-R
P.837 [17].

2. Cálculo da atenuação específica, de acordo com a intensidade da chuva,


γR rdB{kms. A atenuação específica é dada em função da frequência, polarização
e a intensidade da chuva demonstrada na equação 2.21, usando a recomendação
ITU-R P.838-3 [18].
γR “ K ˚ Rα (2.21)

O coeficientes K e α, para polarizações horizontais e verticais para uma gama de


frequências entre os 1 a 1000 GHz, são estimados de de acordo com a equações
2.22 e 2.23 respetivamente,
« ˜ ¸2 ff
4
ÿ log10 f ´ b j
log10 K “ a j exp ´ ` mk log10 f ` ck (2.22)
j“1
cj

« ˜ ¸2 ff
4
ÿ log10 f ´ b j
α“ a j exp ´ ` mα log10 f ` cα (2.23)
j“1
cj

onde,
f = frequência [GHz]
a, b, c, m, = constantes dos coeficiente k e α para polarização horizontal e vertical.

19
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

Os valores das constantes para coeficiente k para polarização horizontal((KH ))


encontram-se na Tabele A.1 e para polarização vertical (KV ) na Tabela A.2 do
apêndice A. Os valores das constantes para coeficiente α para polarização hori-
zontal (αH ) encontram-se na A.3 e para polarização vertical (αV ) na Tabela A.4 do
apêndice A.
Os coeficientes k e α para polarizações circulares, podem ser obtidos através da
equação 2.24 e 2.25 respectivamente

KH ` KV ` pKH ´ KV q cos2 H cos p2τq


K“ (2.24)
2

˜ ¸
KH αH ` KV αv ` KH αH ´ KV αV cos2 H cos p2τq
α“ (2.25)
2k
onde,
H = ângulo de Elevação da ligação [°]
τ = ângulo de polarização em relação à horizontal ou 45 graus polarização na
circular.

3. Cálculo do comprimento efetivo do percurso de f f , duma ligação, multiplicando o


comprimento real do caminho d pelo factor da distância r.

de f f “ d.r rkms (2.26)

onde r, é representado pela equação 2.27,

1
r“ (2.27)
0.47d0.663 R0.073α
001 f 0.12 ´ 10.579p1 ´ expp´0.024dq

em que,
f = frequência [GHz];
α = coeficiente calculado a partir da equação 2.25 ou 2.23;
d = distância do percurso [Km]
O valor máximo recomendado para r é 2.5, no caso de o denominador da equação
2.27 for menor que 0.4, deve-se considerar igual a 2.5.

4. A atenuação devido a chuva não excedida 0.01% é obtida a partir da equação


2.28,
A0.01 “ γR de f f rdBs (2.28)

20
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

5. A atenuação excedida para outras percentagens do tempo p, entre 0.001% a 1%


pode ser deduzida através da equação 2.29,

A p “ C1 p´pC2 `C3 log10 pq A0.01 (2.29)

onde as constantes C1 , C2 , C3 são calculadas através das equações 2.30, 2.31, 2.32
respectivamente,
C1 “ p0.07C0 qr0.121´C0 s (2.30)

C2 “ 0.855C0 ` 0.546p1 ´ C0 q (2.31)

C3 “ 0.139C0 ` 0.043p1 ´ C0 q (2.32)

A constante C0 é calculada através do sistema,


$ „ ˜ ¸0.8 

& f
C0 “ 0.4 log 10 f ` 0.12 ě 10GHz (2.33)

0.12 ˚ f ă 10GHz
%

2.3.5 Atenuação devido aos gases atmosféricos (H2 O e O2 )

A atmosfera é composta por gases, que absorvem energia electromagnética para dife-
rentes frequências. Os gases considerados numa ligação de FH, são o vapor de água
e o oxigénio. Os gases atmosféricos como vapor de agua e oxigénio, podem provocar
atenuações suplementares, dependendo do comprimento e da inclinação das ligações.
A recomendação ITU-R P676-12 [19], descreve uma solução para o cálculo da atenua-
ção pelos gases atmosféricos. Este modelo é válido para frequências acima de 1000 Hz.
A atenuação específica, devido aos gases atmosféricos é descrita pela equação 2.34,

« ff
γ “ γ0 ` γw “ 0.1820 f pNoxygen
2 2
p f q ` NwaterVapour p f qq (2.34)

onde,

γ0 = Coeficiente de atenuação específica devido ao oxigénio [dB/km];


γw = Coeficiente de atenuação específica devido ao vapor de água [dB/Km];
f = Frequência [GHz]

21
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

2 2
As constantes, Noxygen e NwaterVapour podem ser obtidas através da equação 2.35 e 2.36
respetivamente,

ÿ
2
Noxygen “ S i Fi ` ND2 p f q rdB{kms (2.35)
ipoxygenq

ÿ
2
NwaterVapour “ S i Fi rdB{Kms (2.36)
ipwaterVapourq

Em que S i é a força na i-ésima linha do oxigénio ou vapor da água. Fi é o factor


modelador na i-ésima linha do oxigénio ou vapor da água. ND2 representa o contínuo
do Ar seco, devido à pressão induzida pela absorção do nitrogénio e espetro de Debye.
As constantes S i Fi podem ser obtidas pela equação 2.37 e 2.38 respetivamente,

S i “ a1 ˚ 10´7 ˚ p ˚ θ3 ˚ expra2 p1 ´ θqs Para Oxigénio (2.37)

S i “ b1 ˚ 10´1 ˚ e ˚ θ3.5 ˚ exprb2 p1 ´ θqs Para Vapor de Água (2.38)

onde,
P= Pressão do ar seco [hPa];
e = Pressão parcial do vapor de água [hPa];
θ = 300/Temperatura [K]:
T = Temperatura [K] .

No caso dos valores de e, P, T , não estarem disponíveis, os mesmos podem ser obtidos
através da recomendação do ITUR-P.835 [15]. A pressão parcial de vapor de água, e,
pode ser obtida através da equação 2.39,

ρT
e“ (2.39)
216.7

onde, ρ é a concentração de vapor de água e T a temperatura.

O fator Fi é o fator da forma de linha, que pode ser calculado através da expressão
2.40, « ff
f ∆ f ´ δp fi ´ f q ∆ f ´ δp fi ´ f q
Fi “ ` (2.40)
fi p fi ´ f q2 ` ∆2f p fi ` f q2 ` ∆2f
onde, fi é a linha da frequência para oxigénio ou para água , ∆ f é a largura da linha que

22
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

pode ser obtida pela equação 2.41 e 2.42 respetivamente.

∆ f “ a3 ˚ 10´4 ˚ pp ˚ θp0.8´0.4q ` 11eθq Para Oxigénio (2.41)

∆ f “ b3 ˚ 10´4 ˚ pp ˚ θb4 ` b5 eθb6 q Para Vapor de Água (2.42)

O ∆ f pode ser modificado, para levar em conta os efeitos de Zeeman e Doppler [19] pela
expressão, 2.43 e por 2.44,

b
∆ f “ ∆2f ` 2.25 ˚ 10´6 Para Oxigénio (2.43)

d
2.1316 ˚ 10´12 fi2
∆ f “ 0.535∆ f ` 0.217∆2f ` Para Vapor de Água (2.44)
θ

O factor de correção, δ, surge por efeitos de interferência causado nas linhas de oxigé-
nio, sendo dada pela equação 2.45, 2.46 respetivamente,

δ “ pa5 ` a6 θq ˚ 10´4 pp ` eqθ0.8 Para Oxigénio (2.45)

δ“0 Para Vapor de Água (2.46)

O contínuo do Ar seco, surge do espetro de Debye não ressonante para frequências


abaixo de 10 GHz e da pressão induzida pela atenuação do nitrogénio, para frequências
acima do 100 GHz sendo representado pela expressão 2.47

« ff
´5 ´12 1.5
6.14 ˚ 10 1.4 ˚ 10 pθ
ND2 p f q “ f pθ2 ` (2.47)
dr1 ` p df q2 s 1 ` 1.9 ˚ 10´5 f 1.5

onde d é o parâmetro da largura para espetro de Debye, d “ 5.6 ˚ 10´4 pp ` eqθ0.8

A Figura 2.2 representa os coeficientes de atenuação dos gases atmosféricos, calcula-


dos para frequências de 0 a 1000 GHz num intervalo de 1 GHZ, usando uma pressão
atmosférica de 1013.25 [hPa], para uma temperatura de 15 ºC, densidades de vapor de
água de 7.5g{m3 (standard) e atmosfera seca.

23
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

Figura 2.2: Coeficientes de atenuação dos gases atmosféricos [19]

2.3.6 Balanço de Potência

O balanço de potência duma ligação de FH representa o conjunto de cálculos utilizados


para estimar a potência disponível no recetor em função da potencia transmitida.

A Figura 2.3 , exemplifica um diagrama de blocos que inclui todos os elementos genéri-
cos de uma rede de telecomunicações, desde do transmissor até ao recetor. O diagrama
ilustra os vários cálculos envolvidos na implementação do FH. O diagrama contém
um conjunto de elementos associados com o equipamento de transmissão, equipa-
mento transmissor(TX), distribuição de antena e circuitos de acoplamento como, fee-
der,mltiplexers, o circuito de antena, que é responsável por todos os elementos asso-
ciados com as perdas da antena. Do lado do recetor, existem as antenas com perdas
ideais, circuito da antena da receção, circuitos de acoplamento antena recetora e o re-
cetor (RX).

24
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

Figura 2.3: Diagrama dos vários cálculos envolvidos na implementação de [10]

Cálculo do Balanço de Potência

A potência recebida em dbm, Prx , é dada pela equação 2.48

Prx “ Ptx ´ Ltt ` Gt ´ Lb ` Gr ´ Ltr ´ Lbexc (2.48)

onde,
Ptx = A potência transmitida [dBm];
Ltt = Perdas nos circuitos de acoplamento que conectam a antena (Entre a Interface T’
e AT) [dB];
Ltr = Perdas nos circuitos de acoplamento que conectam a antena (Entre a interface R’
e R);
Lb = Perdas de propagação básica, em função da distancia, frequência e mecanismos
de propagação;
Gt = Ganho da antena transmissora [dBi];
Gr = Ganho da antena recetora [dBi].

A atenuação em excesso, Lbexc , inclui todas as perdas sofridas durante a propagação


do sinal ao longo do percurso, que não podem ser associadas com as perdas no espaço
livre. Todas as perdas por excesso serão representadas por variáveis estatísticas que
irão depender de como os diferentes fatores associados afectam o sinal. Esses fatores
estão associadas a refração, difração, reflexão e espalhamento. Na prática, nem todas
as perdas de propagação têm uma variação alta o suficiente que possa ser modelada.

25
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

Consequentemente, para fins de projeto de sistema, as perdas por excesso são dividi-
das em, perdas fixas ou constantes e as perdas variáveis. As perdas constantes, estão
associadas com a atenuação dos gases atmosféricos referidas na secção 2.3.4. As per-
das variáveis, são aquelas que variam ao longo do tempo, relevantes o suficiente para
sem incluídas nos cálculos dos links, tais como as perdas provocadas pela difração,
pela precipitação, pelas condições anómalas de refração, pelas reflexões e por multi-
percurso [10]. A atenuação em excesso é calculada através da equação 2.49.

Lbexc “ Lbexc f ` Lbexcv rdBs (2.49)

onde,
Lbexc f = perdas fixas;
Lbexcv = perdas Variareis.

As perdas fixas e variáveis, Lbexc f , Lbexcv são calculadas através equações 2.50 e 2.51
respetivamente,
Lbexc f “ Lgases ` Lvegetation rdBs (2.50)

Lbexcv “ Ldi f f raction ` L scintillation ` Lhydrometeors ` Lmultipath ` LXPD ` Lmisaligment rdBs (2.51)

onde,
Ldi f f raction : Atenuação devido à difração nos obstáculos;
L scintillation : Atenuação devido cintilação troposférica;
Lhydrometeors : Atenuação devido à precipitação;
Lmultipath : Atenuação devido ao multi-percurso;
LXPD : Atenuação devido à despolarização;
Lmisaligment : Atenuação causada por condições anómalas de refrações.

2.3.7 Considerações gerais para o planeamento de feixes Hertzianos

Está secção, descreve as considerações gerais que devem ser levados em conta durante
o planeamento dos FH. Para o planeamento são consideradas três fases como essenci-
ais [10],

1. O Planeamento inicial e dimensionamento, onde os parâmetros e seus valores


padrão das ligações são definidos. Nesta fase são definidos os vários elementos

26
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

de redes, tais como, comutação de pacotes, servidores, gateways, estações base,


transmissão, conexão física entre outros elementos. Os volumes, os tipos, as pri-
oridades de tráfego que é transmitido por cada link, que inclui as rotas de desti-
nos e o tráfego de dados associado são definidos durante esta fase. Usando esses
parâmetros como uma referência inicial, a capacidade e a banda da frequência se-
rão definidos, em consequência os equipamentos dos diferentes fabricantes irão
ser definidos. A configuração desses equipamentos e antenas irão ser feitas com
base, no tipo de proteção, banda da frequência e comprimento dos saltos;

2. Nesta fase, o planeamento é feito a um nível mais detalhado, de modo a ga-


rantir a funcionalidade do sistema. Isto inclui todos os algoritmos de design, o
que pode implicar, alterações nas considerações iniciais. Esta fase é considerada
como a análise do percurso da engenharia, isto significa que é feita uma análise,
de todas as alternativas de percurso em linha de vista entre recetor e transmitir,
de forma a garantir um critério de desimpedimento alto o suficiente, para evitar
difrações, mesmo e condições atmosféricas adversas e garantir a disponibilidade
e a qualidade do sinal. As localizações de cada repetidor, o dimensionamento de
cada transmissão, os prédios, a sala de equipamentos, acessos, torres e instalação
das antenas são determinados nesta fase. A ausência de obstáculos ao longo do
percurso é garantida, através de cálculos geométricos. Esses cálculos requerem
dados topográficos usado para a extracção dos perfis de terreno. Nesta fase é re-
alizada também a análise de possíveis interferências entre estações, que possam
surgir através dos lóbulos laterais das antenas, ou por sinais indirectos espalha-
dos no terreno recebidos através do lóbulo principal da antena. Durante esta fase
a disponibilidade do link e o desempenho da rede, garantem que todos os crité-
rios que foram definidos na fase inicial estão a ser cumpridos. Nestes cálculos
estão incluídos o balanço de potência e os cálculos dos diferentes fenómenos de
desvanecimento;

3. Nesta fase são feitos os testes, optimizações e manutenções dos sistemas. Após
a instalação dos links, são realizados, os primeiros testes e validações dos siste-
mas e a optimização dos parâmetros que possam melhorar a performance do dos
mesmos.

[Link] Perfil do terreno e desobstrução

A análise da desobstrução, é feita com base na altura do terreno ao longo do perfil do


percurso entre estações, comparada, com o percurso do sinal de rádio do primeiro elip-
sóide de Fresnel. A análise, inclui também, o estudo da reflexão. Através dos mesmos

27
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

estudos, são estimadas as altura das antenas, a extracção e visualização do perfil do


percurso entre as duas estações. Os perfis de altura do terreno podem ser representa-
dos usando diferentes modelos da Terra de acordo com [10]. Os modelos encontram-se
descritos aqui,

1. Raio real da Terra : A curvatura real da Terra é representada, usando uma linha
de base ou curva de altura zero, de natureza parabólica. O percurso do sinal é
representado pelo traçar real do percurso percorrido pelo sinal de radio.

2. Terra Plana : A superfície da Terra é representada por uma linha recta e o percurso
do sinal, é desenhado de forma a incluir a curvatura causada pela refração da
atmosfera e a correção associada a planificação da superfície terrestre.

3. Terra Fictícia: Neste cenário o percurso do sinal é representado por uma linha
reta. Consequentemente, a superfície da Terra é desenhada usando uma linha de
base parabólica que inclui a curvatura real da Terra e o factor da refração de modo
a compensar o desenho da propagação como uma linha reta. O raio equivalente
da Terra é kRo .

A Figura 2.4 demonstra um perfil dum percurso representado pelo modelo fictício da
Terra.

Figura 2.4: Exemplo de perfil de percurso representado por modelo fictício da Terra

A protuberância da Terra f pxq está associado a uma determina localização, P, a uma


distância x da estação transmissora e uma distância d ´ x da estação recetora é dada

28
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

pela equação 2.52,

xpd ´ xq
f pxq “ (2.52)
2kR0

onde todas as distâncias são expressas em metros e R0 é o raio real da Terra.


A altura efectiva do terreno, Zpxq, numa localização P, é a elevação geográfica mais o
valor da protuberância expressa na equação 2.52, dada pela fórmula 2.53,

Zpxq “ Cpxq ` f pxq (2.53)

A partir do modelo de protuberância, a linha recta que conecta o transmissor e o


recetor,T-R, é dada pela equação 2.54,

Zpdq ´ Zp0q
Ypxq ´ Zp0q “ x (2.54)
d

onde,
d, é a distância horizontal entre a antena transmissora e a antena recetora
Zp0q, Zpdq, altura das estações a nível do mar pela equações 2.55, 2.56,

Zp0q “ Yp0q “ Cp0q ` ht (2.55)

Zpdq “ Ypdq “ Cpdq ` hr (2.56)

onde,
ht , hr são as alturas das antenas na torre acima do solo.
Cp0q, Cpdq são alturas do terreno acima do nível médio do mar na estação transmissora
e recetora.
O desimpedimento, hpxq, numa determinada localização é dada pela equação 2.57. A
desobstrução representa o rácio entre o raio direto e os obstáculos no terreno.

hpxq “ Zpxq ´ Ypxq (2.57)

O sinal da desobstrução pode pode ser negativo ou positivo. O sinal é negativo quando
o raio directo está acima da altura efetiva do terreno. A teoria indica que as perdas por
difração devido a um obstáculo, ocorrem se o raio direto, tiver uma margem acima do
obstáculo igual ao 60% do primeiro elipsóide de Fresnel.

29
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos

[Link] Topologia das Redes

Figura 2.5: Tipos de redes existentes que podem ser usadas em ligações de Feixes Hert-
zianos

Existem várias topologias, usadas para a implementação de redes de FH, dependendo


dos requerimentos imposto pelas entidades responsáveis. As mais comuns. são as
ligações ponto-a- ponto, em linha, em árvore , em anel e estrela [10]. Uma ligação
ponto-a-ponto, refere-se a uma ligação entre dois terminais, onde o tráfego partilhado
pode ser bidireccional ou unidireccional. Numa ligação em linha cada nó é conectado,
a mais dois terminais(este e oeste), excepto para os nós que se encontram nas extre-
midades da linha. A topologia em árvore, é constituída por uma série de terminais
interconetados, que se assemelham a uma árvore. Estas tipologias são chamadas de
nós de agregação, porque concentram o tráfego de todas as ligações conetados a cada

30
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis

nó, de modo a informação ser transmitida para a próxima ramificação. Numa liga-
ção em anel, os terminais estão conetados em série, formando um circuito fechado. O
envio dos pacotes para os respetivos destinos, é feito através de dois percursos, sen-
tido horário e anti-horário. Numa topologia em estrela todos os nós estão conetados
a um nó central, onde todo a informação deve passar obrigatoriamente. A Figura 2.5,
representa os vários tipos de redes que podem ser usados em ligações FH

2.4 Aplicações disponíveis

Esta secção apresenta algumas das ferramentas existentes para o planeamento dos sis-
temas de FH.

Existem ferramentas no mercado como, Smart Link Planning Tool, MlinkPlanner, Path-
Loss, Global Mapper, Atoll Microwave, RadioMobile, contudo algumas destas possuem
um elevado custo monetário, devido às licenças necessárias para a sua utilização.

2.4.1 Smart Link Planning Tool

Smart Link Planning Tool [20] é uma ferramenta, que pode ser utilizada para o plane-
amento das comunicações ponto-a-ponto utilizando os FH. A solução proposta usa
Sistema de Informação Geográfico, Google Maps, com uma interface simples que fa-
cilita a introdução das posições dos emissores recetores, o número de repetidores ao
longo do percurso. Esta ferramenta também possibilita, que o utilizador, possa ver em
tempo real a evolução dos cálculos e as implicações das decisões dos utilizadores.

2.4.2 MlinkPlanner

MlinkPlanner [21] é uma ferramenta poderosa que pode ser usada para dimensionar
ligações ponto-a-ponto e ponto-a-multipontos de links de FH. MlinkPlanner é uma fer-
ramenta profissional, desenvolvida por um conjunto de engenheiros de rádio. A gera-
ção de perfil de terreno desta ferramenta é totalmente automática e inclui as seguintes
propriedades: a elevação da superfície terrestre em relação ao nível do mar, altura das
árvores e edifícios. As elevações estimadas são baseados nas seguintes fontes de infor-
mação [21]:

• Dataset global da elevação da superfície terrestre obtido na missão Shuttle Radar


Topography Mission (SRTM), disponibilizados globalmente no final de 2015 pelo

31
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis

governo Norte-Americano. Os dados são de domínio aberto e não tem nenhum


custo associado aos mesmos. A SRTM [22] foi uma missão levada a cabo pela
NASA no ano de 2000, que teve como objetivo a obtenção dum modelo digital do
planeta Terra onde, foram mapeadas as diferentes altitudes da superfície terrestre
com uma resolução de 30 metros;

• Mapas de alta resolução da floresta publicados pela Departamento de Ciências


Geográficas da Universidade de Maryland e o Laboratório de Propulsão do Insti-
tuto Tecnológico da Califórnia;

• Base de dados global de edifícios obtida através do projeto OpenStreetMap.

2.4.3 PathLoss

PathLoss [1] é uma ferramenta utilizada para o cálculo de ligações de FH, na qual é
possível incluir a elevação do plano sobre a área em que está a ser feito o estudo, vi-
sualização dos dados de elevação, através da apresentação duma imagem geográfica
como fundo com um esquema de cores relativo as diferentes alturas da superfície ter-
restre, demonstração dos vetores numa rede, constituição e manipulação de imagens
em 3D de uma rede, medição de distancia entre dois pontos, geração dinâmica do perfil
de terreno apenas arrastando o rato entre dois pontos da rede.

2.4.4 Atoll Microwave

Atoll Microwave [2] é uma ferramenta de planeamento e optimização de ligações ponto-


a-ponto e ponto-multiponto de redes de FH. Esta ferramenta permite projetar grandes
redes de FH de acordo com as recomendações de ITU-R, assegurando os padrões da
industria e as regras estabelecidas pelas operadoras. A ferramenta permite um alto
desempenho do GIS, utilização de dados avançados e ferramentas para a gestão dos
recursos. A aplicação, conta com módulos que permitem as operadoras modelar e
dimensionar topologias da rede baseadas no tráfego da rede móvel.

2.4.5 RadioMobile

RadioMobile [23] é uma ferramenta que pode ser utilizada para planeamento de FH,
incluindo o percurso, o critério de desobstrução, potência, dimensão das antenas e a

32
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis

altura da torre. Esta ferramenta é de código aberto, pode ser usada tanto comerci-
almente ou para motivos educacionais . A ferramenta obtém informação do terreno
através do dos dados da missão SRTM [22].

33
3
Descrição da Aplicação Proposta

Este capítulo descreve a arquitetura proposta para a solução e os passos complemen-


tares para o seu desenvolvimento.

3.1 Arquitetura da Solução Proposta

A Figura 3.1 mostra a arquitetura adoptada para a implementação da solução.

Figura 3.1: Arquitetura da Aplicação.

A aplicação implementada, baseia-se numa arquitectura de micro-serviços. Esta é ca-


racterizada por uma haver uma distinção entre a interface do utilizador e modelos
lógicos associados a aplicação que são designados de serviços.

35
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

A aplicação tem uma interface web simples e guia os utilizadores em todos os passos
para o planeamento de um sistema de comunicação por meio de FH utilizando os pa-
râmetros necessários. A aplicação utiliza parâmetros como coordenadas geográficas
da biblioteca Openlayers [24], a elevação do terreno utilizando os dados da SRTM pro-
veniente da NASA com recurso a API Opentopodata [25] e a informação meteorológica
através da biblioteca OpenWeatherMap (taxa de precipitação) [26].
De forma a ter acesso a informação geográfica, foi adicionada a biblioteca de código
aberto OpenLayers a solução, que face a outras mais conhecidas como Google Maps,
MapBox etc, possibilitando a utilização e interação sem custos e limitação de pedi-
dos. Esta biblioteca possui diversas funcionalidades úteis, algumas delas integradas
na aplicação atual, desde da visualização de mapas, colocação de marcadores e suas
respectivas localizações entre outras. Para o planeamento de uma ligação de FH é ne-
cessário obter a localização geográfica das estações base onde os emissores e recetores
são instalados, bem como a altura em relação ao nível do mar dessas mesmas localiza-
ções. Apesar das suas múltiplas funcionalidades a biblioteca OpenLayers não possibi-
lita a obtenção da altitude (cota de terreno) numa determinada localização, sendo que
foi necessário utilizar uma fonte externa para a recolha dos dados. Foram analisadas
diversas ferramentas como a API de elevação da Google, Google Elevation API, mas esta
foi descartada por o número de utilizações estar limitado. Outra opção em análise foi a
OpenElevationAPI mas esta foi desconsiderada por o projeto não ser mantido de forma
estável. Após análise de todas opções, optou-se pela utilização da terceira versão dos
dados SRTM.
A aplicação desenvolvida é descrita em duas secções distintas. A primeira é dedicada
a interface gráfica adoptada para a aplicação. A segunda secção descreve o modelo
lógico implementado e as funções ITU-R utilizadas para o planeamento dum sistema
de FH.

3.2 Interface do Utilizador

Para a interação com os utilizadores, foi desenvolvida uma interface web, que permite
que o acesso à ferramenta, possa ser realizado através de navegadores de Internet,
independentemente do sistema operativo. A interface encontra-se optimizada para
computadores pessoais.
A interface foi desenvolvida com recurso à framework [Link] versão 2.2, que permite
desenvolver páginas web dinâmicas de forma estruturada e acessível. A aplicação de-
senvolvida é representada por três módulos principais, Autenticação, Projetos e Main,

36
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

que por sua vez, aglomeram diferentes sub-módulos necessários para a representação
e interacção com os dados do servidor.

3.2.1 Módulo de Autenticação

O primeiro menu a ser disponibilizado na utilização da aplicação, é o módulo de au-


tenticação, no qual um utilizador pode aceder a aplicação, através do preenchimento
do formulário descrito na Figura 3.2.

Figura 3.2: Autenticação

Este módulo tem as seguintes funcionalidades:

• Autenticação de utilizadores autorizados;

• Registo de novos utilizadores;

• Recuperação de credenciais caso seja necessário.

Para além das credenciais tradicionais (nome de utilizador e palavra-passe), o módulo


disponibiliza uma interface para utilização serviços de autenticação externos através
do protocolo Oauth, que permite que utilizadores possam se autenticar, usando contas
de serviços como Google, Microsoft, Linkedin entre outros.

37
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

3.2.2 Módulo de Projeto

A aplicação foi desenvolvida, de forma que os elementos introduzidos pelos utilizado-


res, sejam gravados em projetos de forma individual ou partilhada. O módulo projeto
(Figura 3.3) é o responsável por garantir a um utilizador, a visualização de seus proje-
tos individuais, partilhados ou outros introduzidos por outros utilizadores no sistema
e para os quais tenha acesso.

Figura 3.3: Vista de projeto

O módulo conta com as seguintes funcionalidades:

• Geração de novos Projetos;

• Edição de Projetos;

• Remoção de Projetos;

• Partilha de Projetos com outros utilizadores;

• Solicitação de partilha.

O utilizador pode visualizar os projetos através da interface ilustrada na Figura 3.3,


onde ao carregar nos separadores presentes na barra lateral esquerda, poderá obser-
var, editar e remover os projetos existentes na base de dados da aplicação. Para a
elaboração de novos projetos o utilizador, deve aceder ao botão "New Project"e irá ser

38
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

disponibilizado o formulário presente na Figura 3.4, onde deverá ser colocado o nome
do projeto a ser desenvolvido.

Figura 3.4: Interface para novo projeto

3.2.3 Módulo Main

O módulo Main ilustrado na Figura 3.5, representa a interface responsável por todos os
sub-módulos e parametrizações necessárias para o planeamento dum sistema de FH.

Figura 3.5: Vista Main

O módulo Main é constituído pelos seguintes painéis:

• Barra Lateral;

• Painel de Elementos;

• Painel de Separadores.

A barra lateral permite alterar o conteúdo do painel de elementos entre os separado-


res Network e Equipment. No separador Network encontram-se os links e unidades, no

39
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

separador Equipments encontram-se os elementos Frequency Band, Waveguide, Manufac-


turer, Radio Equipment e Antenna. Para cada um dos elementos representados no painel
de elementos é possível adicionar, atualizar e editar os elementos presentes na base de
dados através dos botões para o devido efeito presentes na Figura 3.5.
O painel de separadores é responsável por apresentar o módulo mapa, juntamente com
os elementos disponibilizados nos separadores do painel de elementos.

O modulo Main é constituído por sub-módulos como, módulo mapa, módulo de links,
módulo de unidades, módulo de bandas de frequência, módulo de guias de onda,
módulo de equipamento de radio e módulo de antenas.

1. Modulo Mapa
O módulo mapa (Figura 3.6) foi implementado com recurso a biblioteca Javascript
Openlayers. A mesma permite o acesso sem nenhum custo associado, à mapas on-
line da superfícies terrestre e a interação e obtenção de informação dos mesmos.
As coordenadas dos pontos selecionados no mapa obtidas na biblioteca Open-
Layers são extraídas de acordo com a projeção EPSG:3857 e transformadas para
a projecção EPSG:4326 utilizada na aplicação.

Figura 3.6: Interface Mapa

Para a aplicação desenvolvida no presente trabalho, foram utilizadas as seguintes


funcionalidades:

(a) Escolha de localização de unidades;


(b) Visualização de unidades no mapa e ligações estabelecidas entre as mesmas.

40
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

2. Módulo de Links
A gestão dos links existentes no sistema, é feita através da interface presente na
Figura 3.7. Nesta interface constam as unidades que formam a ligação, factor k,
critério de desobstrução, a frequência de operação e distância da ligação em km.

Figura 3.7: Interface gestão de Links

No formulário de novo Link (Figura 3.8) são selecionadas unidades que serão
utilizadas na transmissão e receção do FH e a frequência de operação da ligação.

Figura 3.8: Formulário novo link

3. Módulo de Unidades
Considera-se como unidade, os elementos presentes no sistema que representem,
emissores, recetores e repetidores. A adição duma unidade é feita com recurso ao
botão "add", presente no painel de elementos. A Figura 3.9 contém o formulário
com os dados necessários para a adição duma nova unidade.

41
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

Figura 3.9: Vista Formulário nova unidade

Para adicionar novas unidades são necessários os seguintes dados:

• Name : Nome da unidade;


• Type : tipo de unidade emissora, recetora, ou repetidora;
• Latitude: Latitude da estação base em graus;
• Longitude: Longitude da estação base em graus;
• Waveguide: Guia de Onda;
• Antenna: Antena utilizada na unidade emissora ou recetora;
• Equipment: Equipamento de rádio de um emissor ou recetor;
• Comment: Comentário customizado para adição de informações extra sobre
unidade.

A gestão das unidades no projeto é feita com recurso à interface presente na Fi-
gura 3.10, onde é possível visualizar unidades presentes no projeto, editar e re-
mover as mesmas. A remoção duma unidade utilizada num link, causa que o link

42
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

seja removido automaticamente da base de dados, visto um link ser dependente


dum emissor e recetor.

Figura 3.10: Formulário nova unidade

4. Módulo de Fabricantes

O módulo Fabricantes apresentado na Figura 3.11, permite a visualização e edi-


ção dos fabricantes dos diferentes equipamentos de radio e antenas presentes no
sistema. A inserção dum novo fabricante é feita através do botão "add"presente
no painel de elementos. A atualização dos dados dos diferentes fabricantes no
projeto são realizadas no formulário descrito pela Figura 3.12

Figura 3.11: Interface de gestão para fabricantes

Figura 3.12: Formulário para fabricantes

5. Módulo de Bandas de Frequência

As bandas de frequências, presentes no sistema podem ser visualizadas, editadas


e removidas através da interface disponível na Figura 3.13

43
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

Figura 3.13: Interface de gestão de bandas de frequência

A inserção e edição de bandas de frequência é feita a nível individual através do


formulário presente na Figura 3.14.

Figura 3.14: Formulário de bandas de frequência

6. Módulo de Guias de Onda


Os guias de onda presentes no sistema, são disponibilizados através da interface
presente na Figura 3.15.

Figura 3.15: Interface de gestão guias de onda

A edição e adição dos guias de onda, é feita através do formulário ilustrado na


Figura 3.16 onde são requisitados os seguintes campos:

• Name: Nome do guia de onda utilizado no registo;

44
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

• Losses per meter: Perdas em dB/m;

• Frequency Band: Banda de Frequência.

Figura 3.16: Formulário de gestão guias de onda

7. Módulo de Equipamento Rádio

Os equipamentos de rádio são obtidos através da interface presente na Figura


3.17, sendo possível visualizar todos os equipamentos rádios pertencentes a um
projeto.

A adição e edição de equipamentos, é feita através do formulário presente na


Figura 3.18, onde estão representados os seguintes campos:

• Name: nome do equipamento utilizado no registo;

• Transmitter Losses: perdas de acopolamento em dB nos equipamentos emis-


sores;

• Reception Losses: perdas de acopolamento em dB nos equipamentos receto-


res.

Figura 3.17: Interface de gestão equipamentos de rádio

45
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador

Figura 3.18: Formulário de equipamentos de rádio

8. Módulo de Antenas

As antenas utilizadas pelas unidades emissoras ou recetoras do sistema são dis-


ponibilizadas na interface presente na Figura 3.19.

Figura 3.19: Interface de gestão de antenas

A adição e edição de antenas é feita através de formulário representado na Figura


3.20. O formulário possui os seguintes campos:

• Name: Nome da antena;

• Gain: Ganho da antena em dBi;

• Frequency Band: Banda de frequência da antena;

• Manufacturer: Fabricante da antena;

• Comment: Comentário.

46
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

Figura 3.20: Formulário de antenas

3.3 Serviços

Considera-se como um micro-serviço, um servidor de arquitectura Restul responsável


por disponibilizar recursos a uma aplicação web, no qual cada funcionalidade é im-
plementada por um serviço. Os recursos podem ser desde dados armazenados numa
base de dados, como resultados de algoritmos e funções consoante os inputs fornecidos
pela interface do utilizador.

3.3.1 Dados Externos

Na aplicação foram utilizados dados externos para complementar as funcionalidades


da aplicação. A obtenção dos dados externos, meteorológicos e geográficos foi efec-
tuada com recurso a serviços web externos. Os serviços externos utilizados foram as
API’s OpenWeather e Opentopodata.

47
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

[Link] OpenWheather

A API OpenWheather [26], é um serviço web que possibilita a recolha de dados me-
teorológicos numa determinada localização. Existem diversos módulos presentes na
API OpenWheater, alguns deles pagos, mas de forma a seguir a filosofia open-source,
sem custos, foi utilizado o módulo gratuito Current weather data da API que apenas
disponibiliza a informação meteorológica momentânea para uma localização. O mó-
dulo gratuito fornece diversos dados, mas para implementação foram recolhidos os
seguintes:

• Pressão Atmosférica em (hPA);

• Temperatura em graus;

• Humidade (%);

• Pressão parcial vapor de água (valor estimado através de dados da API).

De forma a facilitar o cálculo da atenuação dos gases atmosféricos, no momento de


recolha é estimada a pressão parcial do vapor de água (equação (2.6)) utilizando o
valores da pressão atmosférica, temperatura e humidade.

[Link] Opentopodata

A elevação do terreno foi obtida, através da utilização do serviço web Opentopodata


[25], que fornece a elevação acima do nível do mar duma localização em metros, medi-
ante o envio da latitude e longitude. A API disponibiliza os seus recursos através dum
serviço público na Internet, ou através de alojamento local. Para a realização do traba-
lho foi adoptada a hospedagem local, para evitar quaisquer constrangimentos relativos
a disponibilidade do serviço. Para a hospedagem local do serviço Opentopodata, foi
necessário fornecer informação geográfica para que fossem extrapoladas as elevações
do terreno.
O serviço Opentopodata suporta diferentes fontes de informação geográfica, tais como
os dados da missão topográfica radar Shuttle SRTM, Advanced Spaceborne Thermal Emis-
sion and Reflection Radiometer (ASTER) [27], European Digital Elevation Model (EU-DEM)
[28], entre outros descritos na documentação. Das várias opções existentes, foi utili-
zado o dataset SRTM que contém os dados de elevação da superfície terrestre com uma
resolução de 30 m de forma ter um termo de valores semelhantes como a ferramenta
PathLoss. A Figura 3.21 mostra as elevações de terreno em m, para um percurso entre
a Serra de Monsanto e Montejunto.

48
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

Figura 3.21: Comparação de perfil de terreno entre a aplicação desenvolvida e o Path-


Loss

3.3.2 Base de dados

A aplicação usa uma base de dados, que tem como propósito de guardar a informação
de utilizadores presentes no sistema, seus projetos e elementos presentes num projeto.
Nas próximas secções são descritas as várias entidades usadas no projeto.

[Link] User

Foi adicionado um modelo utilizador no sistema, para garantir que apenas acessos au-
torizados sejam permitidos na aplicação. Para além de facilitar a autorização, o modelo
tem como objetivo, garantir que os dados dum utilizador permaneçam na aplicação
após a sua utilização. Na tabela 3.1 estão descritas as propriedades dum utilizador.

Propriedades Tipo Descrição


email Texto Email do utilizador registado
name Texto Nome de utilizador
password Texto Palavra passe

Tabela 3.1: Campos do modelo User

[Link] Project

O modelo Project, foi adicionado com o intuito de agrupar todos os dados referen-
tes a um sistema de FH de forma individualizada. Todos os modelos adicionados no

49
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

sistema para além do User, estão dependentes dum projeto. A tabela 3.2 mostra as
propriedades introduzidas no sistema referentes a um projeto.

Propriedades Tipo Descrição


name Texto Nome de projeto
is_shared Booleano Verificação se projeto é partilhado
is_private Booleano Verificação se projeto é privado
created_time Data Data de criação de projeto
created_by Texto Nome do utilizador responsável pela adição
last_modified Data data última modificação
modified_by Texto Nome de utilizador responsável pela modificação

Tabela 3.2: Campos do modelo project

[Link] Project User

O modelo Project User tem como objetivo fazer a ligação entre os utilizadores e os pro-
jetos. O modelo faz o mapeamento entre um projeto e um utilizador através da criação
duma entrada com os identificadores das duas entidades. A tabela 3.3 mostra as pro-
priedades referentes ao modelo Project User.

Propriedades Tipo Descrição


user Elemento Utilizador
project Elemento projeto

Tabela 3.3: Campos do modelo Project_User

[Link] Project Object

De forma a evitar a escrita da mesmas propriedades em vários modelos da aplicação,


foi implementado o modelo ProjectObject que tem por objetivo aglomerar todas as pro-
priedades equivalentes entre os elementos. Os modelos Frequency Band, Manufacturer,
WaveGuide, Antenna, Radio Equipment, Unit e Link, são baseados no modelo ProjectUser
e por conseguinte herdam as suas propriedades. O modelo Project Object, possui as
seguintes propriedades descritas na tabela 3.4.

50
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

Propriedades Tipo Descrição


project Elemento projeto identificador de elemento
name Texto projeto

Tabela 3.4: Campos do modelo Project Object

[Link] Frequency Band

De forma a limitar a utilização de equipamentos a uma gama de frequências e facilitar a


pesquisa por critério de frequência, foi adicionado o modelo Frequency Band. O modelo
conta com os campos presentes na tabela 3.5.

Propriedades Tipo Descrição


comment Texto Seção de comentário relativa a banda de frequência
fmax Número Frequência máxima da banda de frequência
fmin Número Frequência mínima da banda de frequência

Tabela 3.5: Campos do modelo Frequency Band

[Link] Manufacturer

O modelo Manufacturer foi introduzido com o propósito de atribuir um fabricante as


antenas e equipamentos de rádio presentes no sistema. O modelo apenas possui os
campos definidos pelo modelo Project Object (Secção [Link])

[Link] WaveGuide

O modelo WaveGuide representa os guias de onda existentes numa estação que fazem
a conexão entre o módulo rádio e a antena. As propriedades existentes no modelo
WaveGuide são descritas na tabela 3.6.

Propriedades Tipo Descrição


frequ_band Elemento Banda de frequência associado ao guia de onda
loss_per_meter Número Perdas por dB/m associados ao guida de onda

Tabela 3.6: Campos do modelo WaveGuide

51
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

[Link] Antena

O modelo Antenna, representa o elemento radiante duma ligação. As propriedades


associadas a cada antena são descritas na tabela 3.7

Propriedades Tipo Descrição


gain Número Ganho da antena em dBi
diameter Número diâmetro da antena em m
Informação sobre o diagrama da antena guardada de
pattern Blob
forma binária
frequ_band Elemento Identificador de banda de frequência associada à antena
radome_loss Número Perdas da proteção da antena em dB
manufacturer Elemento Identificador do fabricante da antena
comment Texto Comentário associados à antena

Tabela 3.7: Campos do modelo Antenna

[Link] Unit

As unidades são entidades existentes no sistema, que têm como objetivo a representa-
ção dos elementos, de transmissão e receção presentes numa ligação por FH. A tabela
3.8 apresenta as propriedades associados a uma unidade.

Propriedades Tipo Descrição


Tipo de unidade:
1- TRANSMITTER
Unit_type Número 2-RECEIVER
3-REPEATER
4-REPEATER_PASSIVE
Latitude Número Latitude do elemento [°]
Longitude Número Longitude do elemento [°]
Height Número Altura da unidade em m
Downtilt Número Downtilt em graus da antena
Wave_guide Elemento Guia de onda associado a unidade
Antenna Elemento Antena associada a unidade
Equipment Elemento Equipamento associado a unidade
Comment Text Comentário
Location Text Representação em GeoJson da localização da unidade

Tabela 3.8: Campos do modelo Unit

52
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

[Link] Radio Equipment

O modelo Radio Equipment tem como objetivo a representação dos módulos rádio asso-
ciados a uma unidade de transmissão/receção. A tabela 3.9 descreve as propriedades
existentes num equipamento de rádio.

Propriedades Tipo Descrição


tx_losses Número Perdas na transmissão em dB
rx_losses Número Perdas na receção em dB

Tabela 3.9: Campos do modelo Radio Equipment

[Link] Link

O modelo Link foi desenvolvido para armazenar os dados referentes aos FH de um


determinado projeto. O modelo Link possui as propriedades descritas na tabela 3.10.

Propriedades Tipo Descrição


Transmitter Elemento Unidade emissora associda a link
Receiver Elemento Unidade recetora associada a um link
Frequency Número Frequência de operação em Hz
Location Ponto Par de coordenadas corresponde a latitude e longitude
Distance Número Distância em km entre emissor e recetor

Tabela 3.10: Campos do modelo link

3.3.3 Módulo de Cálculo

O módulo de cálculo é responsável por albergar a lógica relacionada com os sistemas


de FH da aplicação. O módulo contém as funções e algoritmos utilizados para o di-
mensionamento duma ligação de FH . O módulo de cálculo é descrito em três blocos,
Atmosfera, Espaço Livre, Analisador de terreno. Nas próximas secções serão descri-
tas cada um desses blocos.

Os módulos estão representadas na Figura 3.22. Para validar as funções implementa-


das, foram preparados testes unitários para cada um dos blocos implementados. Os
testes unitários funcionam com a premissa, que são avaliados os resultados estimados
pelas diferentes funções e comparados os mesmos com valores conhecidos de forma a
analisar a validade das funções implementadas.

53
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

Figura 3.22: Módulo de Cálculo

[Link] Espaço Livre

Este bloco conta com a função espaço livre, responsável pelo cálculo da atenuação em
espaço livre, presente na equação 2.1.

[Link] Atmosfera

O bloco atmosfera conta as funções responsáveis para o cálculo da atenuação pelos


gases atmosféricos e a atenuação causada pela chuva. As funções foram desenvolvidas
de acordo com as recomendações ITU-R descritas no capítulo 2.

1. Atenuação causadas por gases atmosféricos


A atenuação causada por gases atmosféricos é dada, pela soma das atenuações
do oxigénio e vapor de água. Foram implementadas funções com base na re-
comendação ITU-R P-676-12 [19] descrita na secção [Link], para o cálculo das
atenuações. As funções dependem dos parâmetros, frequência, temperatura,
pressão atmosférica e polarização das antenas escolhidas para a emissão do FH.
Para a implementação das funções foram utilizados os dados atmosféricos da
API OpenWeathers e os dados espectroscópicos das Tabelas A.5 e A.6 presentes
no Anexo A. De forma a testar as funções foram implementados testes com va-
lores padrão para a temperatura de 15 C°, pressão atmosférica de 1013.35 hPa,

54
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

densidade do vapor de água Standart de 7.5 g{m3 e Seco de 0. Os valores esti-


mados encontram-se encontram-se em conformidade com os valores referência
apresentados na recomendação ITU-R P-676-12 [19].

2. Atenuação causada pela precipitação


Para o cálculo da atenuação causada pela precipitação foram implementadas fun-
ções de acordo com as recomendações ITU-R P.530-17 e P.838.3 descritas sec-
ção 2.3.4 do capítulo 2. A taxa de precipitação foi obtida através do ficheiro
[Link] presente na documentação da recomendação ITU-R P.837-7 [17]. O
ficheiro [Link] contem o mapa digital da taxa de precipitação média por ano
para uma disponibilidade de 99.99%. Para a extracção numa determinada zona
foi utilizado um algoritmo de interpolação bilinear descrito na recomendação
ITU-R P.1144 que permite obter o valor mais próximo da taxa de precipitação
para uma determinada localização geográfica.

55
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços

[Link] Analisador de Terreno

O bloco Analisador de Terreno, é responsável pelo cálculo do elipsóide de Fresnel, raio


directo, curvatura da terra de acordo com o fator k escolhido pelo utilizador e análise
do critério de desobstrução da ligação. O perfil de terreno é obtido através da API
Opentopodata descrita na secção 3.3. Para a obtenção do perfil de terreno ao longo do
percurso, são utilizadas as coordenadas do transmissor e recetor através dos dados re-
cebidos pela interface do utilizador. Com as coordenadas é calculada, a distância total
entre os pontos, tendo em consideração a curvatura da Terra. Consoante a resolução
escolhida pelo utilizador, são estimados múltiplos os pontos entre o emissor e o rece-
tor. Ao mesmo tempo é estimado o raio direto de acordo com a elevação do terreno
e o decaimento da Terra. O elipsóide de Fresnel é estimado segundo a frequência de
operação em GHz adotada na ligação.
A Figura 3.23 mostra um exemplo dum perfil de terreno obtido para um raio efetivo
da terra com um fator de k » 4{3, através dos dados recolhidos pela API OpenWeathers.

Figura 3.23: Perfil de Terreno

56
4
Avaliação da aplicação

O presente capítulo, tem como propósito a avaliação da aplicação desenvolvida, atra-


vés do dimensionamento de ligações fictícias e a comparação dos resultados obtidos
com o software Pathloss. Foram implementados dois cenários de ligações digitais, por
FH, para transmissão de canais Televisão Digital Terrestre. Mais detalhes sobres os
equipamentos rádio utilizados e ligações utilizados no Pathloss, podem ser encontra-
dos nos Anexos B, C, D e E.

4.1 Ligação Monsanto - Montejunto

O primeiro cenário desenvolvido para o teste da aplicação, foi construído com base em
localizações de emissores TDT [29]. Para a realização do teste foi considerado o equi-
pamento de rádio MDR-8608-135 do fabricante Alcatel-Lucent, cujas características são
descritas em detalhe no Anexo B. A localização exacta do emissor e recetor é ilustrada
na Tabela 4.1.

Site Latitude [°] Longitude [°]


Emissor Monsanto 38.726635 -9.188862
Recetor Montejunto 39.17375 -9.059306

Tabela 4.1: Localização site Monsanto-Montejunto

A representação dos sites e do link podem ser vistas na Figura 4.1

57
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto

Figura 4.1: Sites e ligação representadas no mapa OpenLayers

4.1.1 Análise de perfil de terreno

O perfil de terreno (Figura 4.2) do percurso entre Monsanto e Montejunto é caracteri-


zado por uma superfície bastante irregular, onde a elevação do terreno vai aumentando
ao longo da ligação. O ponto de receção sito na Serra de Montejunto encontra-se lo-
calizado a uma altitude substancialmente superior face aos vários pontos do percurso.
Analisando o perfil de terreno é possível concluir à partida, que é possível dimensio-
nar uma ligação com linha de vista desobstruída entre o ponto de emissão e receção,
dada a elevada altitude do ponto de receção de aproximadamente 618 m. De forma a
a verificar se a ligação se encontra obstruída, foi estimado o primeiro elipsóide Fresnel
e 60% do mesmo, de acordo com o critério de desobstrução adotado, com uma repre-
sentação de terra esférica, para um factor k de 4{3. Através da Figura 4.2 é possível
observar que para uma ligação com uma frequência de operação de 7 GHz, o FH entre
as duas estações, encontra-se praticamente em linha de vista, prevendo assim, que a as
torres necessárias para emissão e recepção possam ter uma dimensão reduzida.

Após a análise do perfil de terreno foram dimensionadas as alturas mínimas para que
a ligação estivesse desobstruída, em termos de raio directo e primeiro elipsóide de
Fresnel. A Tabela 4.2, demonstra as alturas adoptadas.

58
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto

Figura 4.2: Elipsóide de Fresnel e Perfil do Terreno

4.1.2 Cálculo das Atenuações

Para o dimensionamento da ligação foram calculadas as atenuações, devido à propa-


gação em espaço livre, gases atmosféricos e precipitação, descritas na secção 2.2.1 do
documento. Os dados da ligação são descritos na Tabela 4.2, juntamente com os da-
dos obtidos para o software Pathloss. Os dados dos equipamentos rádio são iguais em
ambos as ferramentas, visto que os equipamentos foram escolhidos de acordo com
informação do Pathloss.
Analisando os dados do terreno pode-se observar que as altitudes do perfil de terreno
ao longo do percurso possuem valores similares, comparando os valores no inicio e
fim do percurso, a diferença máxima de altitudes é de 30.09 m. A atenuação dos gases
atmosféricos obtida pela ferramenta é de 0.63 dB e a do Pathloss 0.48 dB. Os dados
encontram-se em conformidade apresentando uma diferença mínima de 0.25 dB e são
valores esperados dada a frequência utilizada.

Ligação Monsanto-Montejunto
Aplicação Desenvolvida PathLoss
Emissor
Nome: Monsanto Monsanto
Latitude [°] 38.726635 38.726635
Longitude [°] -9.188862 -9.188862
Altitude [m] 187 183.02
Antena T5507102 T5507102
Ganho de Antena [dBd] 29.25 29.25
Ganho de Antena [dBi] 31.40 31.40

59
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto

Altura da Antena [m] 20 20


Rádio MDR-8608-135 MRD-8608-135
Potência Emitida [dBm] 28 28
Sensibilidade [dBm] -69 -69
Receptor
Nome: Montejunto Montejunto
Latitude [°] 39.17375 39.173575
Longitude [°] -9.059306 -9.059306
Altitude [m] 618 648.09
Antena T5507102 T5507102
Ganho de Antena [dBd] 29.25 29.25
Ganho de Antena [dBi] 31.40 31.40
Altura da Antena [m] 5 5
Rádio MDR-8608-135 MRD-8608-135
Potência Emitida [dBm] 28 28
Sensibilidade [dBm] -69 -69
Ligação
Link Link
Nome
Monsanto-Montejunto Monsanto-Montejunto
Distância [km] 50.89 50.90
Frequência [GHz] 7 7
Factor K 4/3 4/3
Obstáculos
Critério de desobstrução [%] 60 60
1º Elipsóide de Fresnel Desobstruído Desobstruído
Elipsóide de
Desobstruído Desobstruído
Fresnel critério de desobstrução
Espaço Livre
Atenuação [dB] 143.48 143.48
Atmosfera
Temperatura [ºC] 15.97 15.97
Pressão [hPa] 1018 N/D
Pressão parcial
16.26 N/D
do vapor de água [hPa]
Humidade [%] 67 N/D

60
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

Atenuação devido
0.39 N/D
ao oxigénio [dB]
Atenuação devido
0.24 N/D
ao vapor de água [dB]
Perdas Absorção dos
0.63 0.48
gases atmosféricos[dB]
Atenuação Devido à Precipitação
Polarização Vertical Vertical
Taxa de precipitação 0.01% [mm/hr] 32.74 37.51
Distância Efetiva [Km] 14.50 N/D
Atenuação [dB] 3.94 N/D

Tabela 4.2: Balanço de potência ligação Monsanto-Montejunto

4.2 Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

O segundo cenário proposto para o teste da aplicação realizou-se na região de Leiria


(Figura. 4.3) entre as áreas da Marinha Grande e Figueira da Foz. Os sites constituintes
da ligação situam-se a uma distância de 41.17 km. A localização das estações base
encontra-se descrita na Tabela 4.3.

Figura 4.3: Sites e ligação representadas no mapa OpenLayers

61
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

Site Latitude [°] Longitude [°]


Emissor Marinha Grande 39.74 -8.93
Recetor Figueira da Foz 40.11 -8.86

Tabela 4.3: Localização dos sites Marinha Grande e Figueira da Foz

4.2.1 Análise de perfil de terreno

O primeiro passo para o estudo da ligação passou por analisar o perfil de terreno (Fi-
gura 4.4) . Após a análise visual foi calculado o raio directo entre o emissor e o recetor
assumindo uma altura de zero metros para as torres de emissão e receção. Os resul-
tados são ilustrados na Figura 4.4 sendo possível observar que sem a adição de torres
de emissão e receção a ligação encontra-se obstruída quer em termos de raio directo, 1º
elipsóide de Fresnel e 60% do mesmo de acordo com o critério de desobstrução adop-
tado para a ligação.

Figura 4.4: Elipsóide de Fresnel e Perfil de terreno

De acordo com a análise, foram estimadas as alturas para que a ligação estive desobs-
truída. A Figura 4.5 mostra que para as alturas de 40 e 50 m no emissor e recetor
respetivamente a ligação encontra-se completamente desobstruída.

62
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

Figura 4.5: Perfil de ligação desobstruído

4.2.2 Cálculo das atenuações

O cálculo do balanço de potência para a ligação Marinha Grande-Figueira, é descrito


na Tabela 4.4 . A diferença máxima de altitudes entre a aplicação desenvolvida e o
software Pathloss é de aproximadamente 4 m. Os dados para atenuação em espaço livre
são iguais em ambas, sendo que a ferramenta e apresentam um valor de 143.82 dB.
Comparando os valores das atenuações causadas por gases atmosféricos, existe uma
diferença de 1.27 dB. A ferramenta apresenta valores de 2.66 dB e o Pathloss 1.39 dB.
A atenuação devido à precipitação para uma indisponibilidade de 0.01%, obtida pela
ferramenta desenvolvida é de 34.97 dB .

Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz


Aplicação Desenvolvida PathLoss
Emissor
Nome: Marinha Grande Marinha Grande
Latitude [°] 39.74 39.74
Longitude [°] -8.93 -8.93
Altitude [m] 101 101.24
Antena T5507401 T5507401
Ganho de Antena [dBd] 37.05 37.05
Ganho de Antena [dBi] 39.2 39.2
Altura da Antena [m] 40 40
Rádio FlexiHopper18_16s8 E1 FlexiHopper18_16s8 E1
Potência Emitida [dBm] 16 16
Sensibilidade [dBm] -86 -86

63
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

Receptor
Nome: Figueira da Foz Figueira da Foz
Latitude [°] 40.11 40.11
Longitude [°] -8.86 -8.86
Altitude [m] 17 13.22
Antena T5507401 T5507401
Ganho de Antena [dBd] 37.05 37.05
Ganho de Antena [dBi] 39.2 39.2
Altura da Antena [m] 50 50
Rádio FlexiHopper18_16s8 E1 FlexiHopper18_16s8 E1
Potência Emitida [dBm] 16 16
Sensibilidade [dBm] -86 -86
Ligação
Link Link
Nome
Marinha-Figueira Marinha-Figueira
Distância [km] 41.15 41.15
Frequência [GHz] 16 16
Factor K 4/3 4/3
Obstáculos
Critério de desobstrução [%] 60 60
1º Elipsóide de Fresnel Desobstruído Desobstruído
Elipsóide de
Desobstruído Desobstruído
Fresnel critério de desobstrução
Espaço Livre
Atenuação [dB] 148.82 148.82
Atmosfera
Temperatura [ºC] 15.73 15.73
Pressão [hPa] 1016 N/D
Pressão parcial
19.78 N/D
vapor de água
Humidade [%] 78 N/D
Atenuação devido
0.41 N/D
ao oxigénio [dB]
Atenuação devido
2.24 N/D
ao vapor de água [dB]

64
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz

Perdas Absorção dos


2.66 1.39
gases atmosféricos [dB]
Atenuação Devido à Precipitação
Polarização Vertical Vertical
Taxa de precipitação 0.01% [mm/hr] 33.21 45.18
Distância Efetiva [Km] 16.22 N/D
Atenuação [dB] 34.97 N/D

Tabela 4.4: Balanço de potência da ligação Marinha-Figueira

65
5
Conclusões

5.1 Conclusão

O propósito deste trabalho foi desenvolver uma ferramenta código aberto que possa
ser utilizada pela comunidade académica, para o projeto e análise de sistemas de co-
municação por FH. A tarefa inicial foi concretizada e foram deixadas as fundações para
que a infraestrutura possa ser expandida num futuro próximo.
A aplicação desenvolvida, foi implementada em dois blocos distintos. O primeiro
bloco, o qual os utilizadores tem acesso direto, é o bloco web, responsável pela in-
terface de utilizador. Este bloco foi implementado com a framework [Link] que possui
curva de aprendizagem mais baixa, face a outras tecnologias como Angular ou React.
Ainda assim, foi necessário um estudo das tecnologias web como, páginas HTML e
sobretudo da linguagem JavaScript. Para a representação dos mapas foi necessário uti-
lizar a biblioteca JavaScript Openlayers, que permitiu a representação da estações base e
obtenção de coordenadas de pontos geográficos das mesmas com a interação do cursor
do utilizador sobre a área pretendida. Para além da biblioteca Openlayers, foi utilizada
a biblioteca Plotty, que permite a geração de gráficos dinâmicos em páginas HTML. A
utilização da mesma veio-se a revelar como essencial, pela possibilidade de represen-
tação de todos os elementos, tais como, terreno, obstáculos, raio directo, elipsóide de
Fresnel e altura da antena do emissor e recetor, juntamente com a fácil interação com os
mesmos por parte do utilizador.

67
5. C ONCLUSÕES 5.2. Limitações e Trabalhos Futuros

O segundo bloco desenvolvido no âmbito da aplicação, foi o modelo lógico responsá-


vel, pela execução das funções descritas nas recomendação ITU-R e persistência dos
dados da aplicação, tais como utilizadores, equipamentos rádio, antenas, guias de
onda, emissores, receptores e links. Para tal foi implementado um servidor na lin-
guagem Python com recurso à framwework Django. A escolha da linguagem Python foi
fulcral, pelo elevado número de bibliotecas científicas e pela facilidade de implemen-
tação de fórmulas matemáticas quer com números reais ou complexos. Ao longo do
trabalho deparou-se com a existência duma biblioteca em Python [30] que contempla
grande parte das recomendações ITU-R, mas esta foi desconsiderada devido à algumas
das funções estarem desatualizadas e sua possível utilização não ir ao encontro dum
trabalho académico.

Em síntese, o desenvolvimento do presente trabalho, permitiu um estudo rigoroso dos


conceitos teóricos envolventes nas ligações por FH. A presente versão da aplicação
permite o cálculo de alguns dos fenómenos associadas à propagação do sinal por ondas
eletromagnéticas e permite sobretudo estabelecer uma infraestrutura para que futuros
estudantes ou engenheiros a possam utilizar, aprimorar caso seja necessário, de forma
aberta em comunidade. A ferramenta apresenta resultados satisfatórios, face aos dados
obtidos e comparados com o software de simulação PathLoss 5.0.

5.2 Limitações e Trabalhos Futuros

Ao longo do trabalho foram encontradas, algumas limitações que dificultaram o de-


senvolvimento da aplicação. Uma limitação da aplicação foi o facto da mesma ter sido
implementada em código de aberto e esse facto, impossibilitar a utilização bibliotecas
mais conhecidas como o Google Maps que integra não só a parte visual, bem como os
dados de elevação do terreno. Uma das outras dificuldades encontradas, foi o fato da
aplicação estar dividida em dois blocos, o que tornou o processo de implementação
mais complexo e lento.

A entrega da presente dissertação não significa o término deste projeto, mas apenas a
conclusão da primeira versão da aplicação. A aplicação tem como propósito ser um
bloco inicial para o desenvolvimento de uma ferramenta de simulação de ligações por
FH robusta e capaz de competir com outras ferramentas profissionais. Como indicado,
o projeto ainda não se encontra concluído, existindo ainda várias temáticas que podem
ser abordadas.
De seguida apresentam-se algumas das temáticas mais relevantes a serem implemen-
tadas:

68
5. C ONCLUSÕES

• Disponibilização do projeto em repositório Github de forma a que o acesso seja


público;

• Adição de outros módulos de cálculo tais como, multi-percurso, reflexão, desva-


necimento, interferência do canal e qualidade da ligação;

• Melhoramento da interface de utilizador;

• Adaptação da interface de utilizador para dispositivos moveis;

• Publicação de ferramenta em servidor público.

69
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73
A
Constantes

Tabela A.1: Coeficientes horizontais para Kh

Coeficientes horizontais para kh


j aj bj cj mk ck
1 –5.33980 0.10008 1.13098
2 –0.35351 1.26970 0.45400
–0.18961 0.71147
3 –0.23789 0.86036 0.15354
4 –0.94158 0.64552 0.16817

Tabela A.2: Coeficientes verticais para Kv

Coeficientes verticais para kv


j aj bj cj mk ck
1 –3.80595 0.56934 0.81061
2 –3.44965 –0.22911 0.51059
–0.16398 0.63297
3 –0.39902 0.73042 0.11899
4 0.50167 1.07319 0.27195

i
A. C ONSTANTES

Tabela A.3: Coeficientes horizontais para alfa

Coeficientes horizontais para αH


j aj bj cj mk ck
1 –0.14318 1.82442 –0.55187
2 0.29591 0.77564 0.19822
0.67849 –1.95537
3 0.32177 0.63773 0.13164
4 –5.37610 –0.96230 1.47828
5 16.1721 –3.29980 3.43990

Tabela A.4: Coeficientes verticais para alfa

Coeficientes verticais para αV


j aj bj cj mk ck
1 –0.07771 2.33840 –0.76284
2 0.56727 0.95545 0.54039
–0.053739 0.83433
3 –0.20238 1.14520 0.26809
4 –48.2991 0.791669 0.116226
5 48.5833 0.791459 0.116479

Tabela A.5: Dados espetroscópicos para atenuação por oxigénio

Dados espetroscópicos para o cálculo da atenuação pelo oxigénio


f0 a1 a2 a3 a4 a5 a6
50.474214 0.975 9.651 6.690 0.0 2.566 6.850
50.987745 2.529 8.653 7.170 0.0 2.246 6.800
51.503360 6.193 7.709 7.640 0.0 1.947 6.729
52.021429 14.320 6.819 8.110 0.0 1.667 6.640
52.542418 31.240 5.983 8.580 0.0 1.388 6.526
53.066934 64.290 5.201 9.060 0.0 1.349 6.206
53.595775 124.600 4.474 9.550 0.0 2.227 5.085
54.130025 227.300 3.800 9.960 0.0 3.170 3.750
54.671180 389.700 3.182 10.370 0.0 3.558 2.654
continuação da Tabela

ii
A. C ONSTANTES

Table A.5 –continua na próxima pagina


f0 a1 a2 a3 a4 a5 a6
55.221384 627.100 2.618 10.890 0.0 2.560 2.952
55.783815 945.300 2.109 11.340 0.0 –1.172 6.135
56.264774 543.400 0.014 17.030 0.0 3.525 –0.978
56.363399 1331.800 1.654 11.890 0.0 –2.378 6.547
56.968211 1746.600 1.255 12.230 0.0 –3.545 6.451
57.612486 2120.100 0.910 12.620 0.0 –5.416 6.056
58.323877 2363.700 0.621 12.950 0.0 –1.932 0.436
58.446588 1442.100 0.083 14.910 0.0 6.768 –1.273
59.164204 2379.900 0.387 13.530 0.0 –6.561 2.309
59.590983 2090.700 0.207 14.080 0.0 6.957 –0.776
60.306056 2103.400 0.207 14.150 0.0 –6.395 0.699
60.434778 2438.000 0.386 13.390 0.0 6.342 –2.825
61.150562 2479.500 0.621 12.920 0.0 1.014 –0.584
61.800158 2275.900 0.910 12.630 0.0 5.014 –6.619
62.411220 1915.400 1.255 12.170 0.0 3.029 –6.759
62.486253 1503.000 0.083 15.130 0.0 –4.499 0.844
62.997984 1490.200 1.654 11.740 0.0 1.856 –6.675
63.568526 1078.000 2.108 11.340 0.0 0.658 –6.139
64.127775 728.700 2.617 10.880 0.0 –3.036 –2.895
64.678910 461.300 3.181 10.380 0.0 –3.968 –2.590
65.224078 274.000 3.800 9.960 0.0 –3.528 –3.680
65.764779 153.000 4.473 9.550 0.0 –2.548 –5.002
66.302096 80.400 5.200 9.060 0.0 –1.660 –6.091
66.836834 39.800 5.982 8.580 0.0 –1.680 –6.393
67.369601 18.560 6.818 8.110 0.0 –1.956 –6.475
67.900868 8.172 7.708 7.640 0.0 –2.216 –6.545
68.431006 3.397 8.652 7.170 0.0 –2.492 –6.600
68.960312 1.334 9.650 6.690 0.0 –2.773 –6.650
118.750334 940.300 0.010 16.640 0.0 –0.439 0.079
368.498246 67.400 0.048 16.400 0.0 0.000 0.000
424.763020 637.700 0.044 16.400 0.0 0.000 0.000
487.249273 237.400 0.049 16.000 0.0 0.000 0.000
715.392902 98.100 0.145 16.000 0.0 0.000 0.000
773.839490 572.300 0.141 16.200 0.0 0.000 0.000
continuação da Tabela

iii
A. C ONSTANTES

Table A.5 –continua na próxima pagina


f0 a1 a2 a3 a4 a5 a6
834.145546 183.100 0.145 14.700 0.0 0.000 0.000

Tabela A.6: Dados espetroscópicos para o cálculo da atenuação pelo vapor de água

Dados espetroscópicos para atenuação pelo vapor de água


f0 a1 a2 a3 a4 a5 a6
22.235080 .1079 2.144 26.38 .76 5.087 1.00
67.803960 .0011 8.732 28.58 .69 4.930 .82
119.995940 .0007 8.353 29.48 .70 4.780 .79
183.310087 2.273 .668 29.06 .77 5.022 .85
321.225630 .0470 6.179 24.04 .67 4.398 .54
325.152888 1.514 1.541 28.23 .64 4.893 .74
336.227764 .0010 9.825 26.93 .69 4.740 .61
380.197353 11.67 1.048 28.11 .54 5.063 .89
390.134508 .0045 7.347 21.52 .63 4.810 .55
437.346667 .0632 5.048 18.45 .60 4.230 .48
439.150807 .9098 3.595 20.07 .63 4.483 .52
443.018343 .1920 5.048 15.55 .60 5.083 .50
448.001085 10.41 1.405 25.64 .66 5.028 .67
470.888999 .3254 3.597 21.34 .66 4.506 .65
474.689092 1.260 2.379 23.20 .65 4.804 .64
488.490108 .2529 2.852 25.86 .69 5.201 .72
503.568532 .0372 6.731 16.12 .61 3.980 .43
504.482692 .0124 6.731 16.12 .61 4.010 .45
547.676440 .9785 .158 26.00 .70 4.500 1.00
552.020960 .1840 .158 26.00 .70 4.500 1.00
556.935985 497.0 .159 30.86 .69 4.552 1.00
620.700807 5.015 2.391 24.38 .71 4.856 .68
645.766085 .0067 8.633 18.00 .60 4.000 .50
658.005280 .2732 7.816 32.10 .69 4.140 1.00
752.033113 243.4 .396 30.86 .68 4.352 .84
841.051732 .0134 8.177 15.90 .33 5.760 .45
859.965698 .1325 8.055 30.60 .68 4.090 .84
899.303175 .0547 7.914 29.85 .68 4.530 .90
902.611085 .0386 8.429 28.65 .70 5.100 .95
continuação da Tabela

iv
A. C ONSTANTES

Table A.6 –continua na próxima pagina


f0 a1 a2 a3 a4 a5 a6
906.205957 .1836 5.110 24.08 .70 4.700 .53
916.171582 8.400 1.441 26.73 .70 5.150 .78
923.112692 .0079 10.293 29.00 .70 5.000 .80
970.315022 9.009 1.919 25.50 .64 4.940 .67
987.926764 134.6 .257 29.85 .68 4.550 .90
1 780.000000 17506. .952 196.3 2.00 24.15 5.00

v
B
Características do equipamento rádio
Alcatel MDR-800

Figura B.1: Características do equipamento rádio Alcatel MDR-800

vii
C
Características do equipamento rádio
Nokia Flexi-Hopper 18

Figura C.1: Características do equipamento rádio Nokia Flexi-Hopper 18

ix
D
Detalhes da ligação Monsanto a Serra
de Montejunto Path Loss

Tabela D.1: Detalhes da ligação Monsanto Montejunto Path Loss

Path Loss Ligação Monsanto-Montejunto


Transmitter Monsanto Receiver Montejunto
Latitude 38 43 35.89 N 39 10 25.50 N
Longitude 009 11 19.90 W 009 03 33.50 W
Easting ( m) 483583.4 494877.2
Northing ( m) 4286458.6 4336059.8
UTM zone 29N 29N
True azimuth (°) 012 42 30.74 192 47 23.94
Vertical angle (°) 000 19 57.15 000 40 34.48
Elevation (m) 183.02 648.09
Antenna model T5507102 T5507215
Antenna file name t5507102_7g2s t5507215_13g4s
Antenna gain (dBi) 31.4 41.6
Antenna gain (dBd) 29.25 39.45
Antenna height (m) 22.04 5
Miscellaneous loss (dB) 0 0
Circulator branching loss (dB) 0 0

xi
D. D ETALHES DA LIGAÇÃO M ONSANTO A S ERRA DE M ONTEJUNTO Path Loss

TX switch loss (dB) 0 0


TX filter loss (dB) 0 0
Other TX loss (dB) 0 0
RX hybrid loss (dB) 0 0
RX filter loss (dB) 0 0
Other RX loss (dB) 0 0
Frequency (MHz) 7000
Polarization Vertical
Path length (km) 50.9
Free space loss (dB) 143.48
Atmospheric absorption loss (dB) 0.48
Net path loss (dB) 70.96 70.96
Radio model MDR-8608-135 MDR-8608-135
Radio file name 8608-135 8608-135
TX power (dBm) 28 28
EIRP (dBm) 59.4 69.6
RX threshold criteria 1E-6 BER 1E-6 BER
RX threshold level (dBm) -69 -69
Receive signal (dBm) -42.96 -42.96
Thermal fade margin (dB) 26.04 26.04
Climatic factor 1.5
Terrain roughness (m) 42.67
C factor 0.39
Average annual temperature (°C) 15.97
Fade occurrence factor (Po) 2.18E-01
Worst month SES (%) 0.05424 0.05424
Worst month SES (sec) 1425.45 1425.45
Polarization Vertical
0.01% rain rate (mm/hr) 37.51
Flat fade margin - rain (dB) 26.04 26.04
Rain attenuation (dB) 26.04 26.04
Worst month total BBER (ratio) 1.45E+259
Worst month total ESR (ratio) 1.80E+254
Annual rain availability (%) 100 100
Annual rain unavailability (min) 0.02 0.02

xii
E
Detalhes da ligação Marinha Grande
Figueira Foz Path Loss

Tabela E.1: Detalhes da ligação Marinha Grande Figueira Foz Path Loss

Path Loss Ligação Marinha-Figueira


Transmitter Marinha Receiver Figueira
Latitude 39 44 38.95 N 40 06 38.34 N
Longitude 008 55 38.28 W 008 51 20.88 W
Easting ( m) 506228.7 512289
Northing ( m) 4399364 4440048.4
UTM zone 29N 29N
True azimuth (°) 008 31 08.42 188 33 53.63
Elevation (m) 101.24 13.22
Antenna model T5507401 T5507401
Antenna file name t5507401_18g1s t5507401_18g1s
Antenna gain (dBi) 34.3 34.3
Antenna gain (dBd) 32.15 32.15
Antenna height (m) 0 0
Miscellaneous loss (dB) 0 0
Circulator branching loss (dB) 0 0
TX switch loss (dB) 0 0

xiii
E. D ETALHES DA LIGAÇÃO M ARINHA G RANDE F IGUEIRA F OZ Path Loss

TX filter loss (dB) 0 0


Other TX loss (dB) 0 0
RX hybrid loss (dB) 0 0
RX filter loss (dB) 0 0
Other RX loss (dB) 0 0
Frequency (MHz) 16000
Polarization Vertical
Path length (km) 41.15
Free space loss (dB) 148.82
Atmospheric absorption loss (dB) 1.39
Net path loss (dB) 81.61 81.61
Radio model FlexiHopper18_4s_4E1 FlexiHopper18_4s_4E1
Radio file name fh18_4s_4e1 fh18_4s_4e1
TX power (dBm) 16 16
Emission designator 7M00G7W 7M00G7W
EIRP (dBm) 50.3 50.3
TX channel assignments 1h 8178V 1l 7912V
RX threshold criteria 1E-6 BER 1E-6 BER
RX threshold level (dBm) -86 -86
Receive signal (dBm) -65.61 -65.61
Thermal fade margin (dB) 20.39 20.39
Climatic factor 1.5
Average annual temperature (°C) 15.73
Fade occurrence factor (Po)
Polarization Vertical
0.01% rain rate (mm/hr) 45.18
Flat fade margin - rain (dB) 20.39 20.39
Rain attenuation (dB) 20.39 20.39
Worst month total BBER (ratio) 3.03E+244
Worst month total ESR (ratio) 0.00E+00
Annual rain availability (%) 99.96376 99.96376
Annual rain unavailability (min) 190.49 190.49

xiv

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