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Júri:
Presidente: [Link] António João Nunes Serrador
Vogais: Prof. Doutor António Luís Campos da Silva Topa
Prof. Doutor Pedro Renato Tavares Pinho
Outubro, 2021
Our greatest weakness lies in giving up. The most certain
way to succeed is always to try just one more time
Thomas A. Edison
Agradecimentos
À minha família em geral, aos meus irmãos, muito obrigado pelo apoio contínuo e in-
teresse ao longo destes anos.
À minha irmã Marisa Sousa, agradeço o seu apoio constante, palavras de encoraja-
mento e por ser um exemplo a seguir.
Por fim um agradecimentos aos meus pais Domingos Barbosa de Sousa e Maria Rosa
Tavares Semedo pelo amor, suporte incondicional e por me terem apoiado sempre,
mesmo nos momentos de incerteza.
v
Resumo
Nos dias que correm, a tecnologia de Feixes Hertzianos (FH), tem vindo a perder pre-
ponderância, face a outras de outras maior débito como fibras óticas. Apesar de tudo,
os FH continuam a ser utilizados em redes de transporte como backhaul e em redes de
TV, pelo seu baixo custo e facilidade de integração em diversos tipos de terreno. Os sis-
temas funcionam, com a premissa de existir um caminho desobstruído entre o emissor
e o recetor.
No dimensionamento dum sistema por FH, é necessário fazer um estudo prévio das
condições de propagação e do percurso onde a ligação será estabelecida. Muita vezes
o processo torna-se complexo, sendo necessário o auxilio de ferramentas. Muitas das
ferramentas disponibilizadas são de acesso profissional e customizadas para definições
especificas de fabricantes. Existem outras de utilização aberta, mas estas muitas vezes,
não são mantidas de forma regular, tornando-se desatualizadas, face às recomenda-
ções do ITU-R(International Telecommunication Union Radiocommunication).
Nesse seguimento, ao longo desta dissertação, foi desenvolvida uma ferramenta mo-
dular de código-aberto, com uma interface Web implementada com a framework javas-
cript [Link] e um web service na linguagem python. A ferramenta foi desenvolvida com
base nas últimas recomendações ITU-R e nela é possível, analisar o impacto dos fenó-
menos de propagação na qualidade do sinal recebido. Com base no software desen-
volvido, foram apresentados um conjuntos de testes e cenários. Os resultados foram
comparados com os dados da ferramenta profissional Path Loss de forma a aferir a
validade do programa desenvolvido.
vii
Abstract
Nowadays the Microwave radio links technology has lost some preponderance com-
pared to other technologies of high speed such as optical fibers. Despite everything,
Microwave radio links, continues to be used in transport networks such as backhaul
and television, due to their low cost and its simplicity of integration in different types
of terrain. The system work in the context, that there is an unobstructed path between
the sender and receiver.
In the design of a Microwave Radio link system, it’s necessary to do a prior study of the
propagation conditions and the path where the connection will be established. Some-
times the process becomes complex, being required the use of auxiliary tools. Most of
the tools available, are for professional use and customized for specific manufacturers.
There some free solutions, but those are not maintained, and become outdated com-
pared to International Telecommunication Union - Radiocommunication (ITU-R).
Having that in mind, during the process of this dissertation development, an open-
source tool with a web-based JavaScript interface with the framework [Link] was im-
plemented with the complement of a python webservice. The tool was created adopt-
ing the latest ITU-R recommendations and using it, is possible to evaluate the impact
of the propagation phenoms on the quality of the received signal. Using the developed
application, some use cases and tests were presented. The results were compared with
the professional tool PathLoss to validate the developed software .
ix
Índice
Lista de Figuras xv
Acrónimos xix
1 Introdução 1
1.1 Enquadramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.3 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2 Projeto de FH 5
xi
xii ÍNDICE
[Link] Ductos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.4.2 MlinkPlanner . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.4.3 PathLoss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
2.4.5 RadioMobile . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.3 Serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
[Link] OpenWheather . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
[Link] Opentopodata . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
[Link] User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
[Link] Project . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
[Link] Project User . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
[Link] Project Object . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
[Link] Frequency Band . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] Manufacturer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] WaveGuide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
[Link] Antena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
[Link] Unit . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
[Link] Radio Equipment . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
[Link] Link . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
3.3.3 Módulo de Cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
[Link] Espaço Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
[Link] Atmosfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
[Link] Analisador de Terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4 Avaliação da aplicação 57
4.1 Ligação Monsanto - Montejunto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.1.1 Análise de perfil de terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.1.2 Cálculo das Atenuações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.2 Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.2.1 Análise de perfil de terreno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.2.2 Cálculo das atenuações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
5 Conclusões 67
5.1 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
5.2 Limitações e Trabalhos Futuros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
Referências 71
A Constantes i
xiv ÍNDICE
2.5 Tipos de redes existentes que podem ser usadas em ligações de Feixes
Hertzianos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.2 Autenticação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
xv
xvi LISTA DE FIGURAS
xvii
xviii LISTA DE TABELAS
E.1 Detalhes da ligação Marinha Grande Figueira Foz Path Loss . . . . . . . . xiii
Acrónimos
xix
xx Acrónimos
1.1 Enquadramento
1.2 Motivação
De modo geral as ferramentas existentes no mercado, tais como Path Loss [1], Atoll
Microwave [2], Global Mapper [3], são proprietárias, de acesso profissional e sua docu-
mentação restrita. Olhando para o espetro de ferramentas para o projeto e análise de
de redes de comunicações por FH, verifica-se que a premissa mantém-se. Nesse sen-
tido a motivação da presente dissertação foi a construção de uma ferramenta aberta
1
1. I NTRODUÇÃO 1.3. Objetivos
1.3 Objetivos
2
1. I NTRODUÇÃO 1.5. Contribuição Principal
3
2
Projeto de FH
O presente capítulo tem como propósito apresentar uma breve resenha histórica ao
conceito de comunicações sem fios, termo utilizado no presente trabalho para descre-
ver as comunicações realizadas com recurso a Ondas Eletromagnéticas. Ao longo deste
capítulo são descritos os vários tipos de comunicações sem fios, os conceitos de FH e os
parâmetros utilizados para o planeamento de sistemas de comunicação por FH. Adici-
onalmente são apresentadas algumas ferramentas, que podem ser utilizadas durante a
etapa de planeamento de uma rede deste tipo.
Nos dias que correm o conceito de comunicação sem fios é algo inerente ao quotidi-
ano estando presente nas mais diversas áreas. O conceito das comunicações sem fios,
emergiu por volta do ano de 1873 quando o James Clerk Maxwell teorizou equações que
previam a existência de Ondas Eletromagnéticas, capazes de se propagar com uma ve-
locidade finita, igual à luz [4]. As primeiras comunicações sem fios, datam de 1896
quando o Guglielmo Marconi transmitiu sinais de código Morse, utilizando ondas de
rádio sem fios, a uma distância de 2.5 km. No ano de 1903 Marconi, começou a trans-
missão de serviços de mensagens entre Poldhu, Inglaterra e estações construídas pelo
mesmo, próximas de Glace Bay, Nova Escócia e South Wellfleet em Cape Cod, Estados
Unidos da América [5].
5
2. P ROJETO DE FH 2.1. Comunicações sem Fios
Existem vários tipos de sistemas de comunicações sem fios, utilizados para a transmis-
são de dados. A lista abaixo indica e descreve sumariamente alguns dos mesmos:
• Bluetooth : É uma tecnologia sem fios usada para transmitir dados entre dispo-
sitivos eletrónicos numa curta distância. Os dispositivos eletrónicos podem ser
telemóveis, computadores, tablets entre outros;
6
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos
A primeira ligação conduzida por FH, data de 1931 entre Calais (França) e [Link]
Bay (Inglaterra) [6]. Esta ligação foi realizada por André Clavier e sua equipa sobre a
supervisão de Maurice Deloraine, todos membros do LCT (Laboratoire Central des Télé-
communications). A ligação tinha uma capacidade para um canal telefónico e operava a
uma frequência de 1700 MHz, em modulação de amplitude, com emissores que tinham
uma potência de transmissão de 1 W e antenas parabólicas com 3 m de diâmetro. Após
dois anos, foi instalada a primeira ligação permanente entre os aeroportos de Lympne
(Inglaterra) e [Link] (França) cuja a distância é de 56 km, atravessando o canal da
Mancha [4].
Nos anos de 1945-1946 na Alemanha, as forças armadas dos Estados Unidos instalaram
links de FH à uma distância de 1200 Km, entre Bremen e Munich utilizando equipamen-
tos modulados entre os 500-600 MHz.
A utilização dos FH tornou-se popular depois da segunda guerra mundial para res-
tabelecer os serviços de redes que foram destruídos durante o período da guerra. Na
Europa os equipamentos começaram a ser produzidos e implementados para operar
a 2 GHz para transmissão de 24, 60 e 20 canais nos anos 1950. A transmissão por FH,
tomou grande preponderância para a transmissão de informação, com o surgimento
da televisão na década de 50. As estações de televisão, precisavam de ser conetadas,
com os diversos emissores de televisão espalhados pelo mundo. A transmissão dos
sinais de vídeo, usava tipicamente uma largura de banda de 4 MHz para sinais preto e
branco, 6 MHz para sinais a cores. A transmissão não era possível usando cabos simé-
tricos e os cabos coaxial eram de elevado custo. Tirando partido das frequências das
portadoras de sistemas de comunicação por FH possuírem uma variação entre os 2 e
os 20 GHz, foi possível então, modular sinais de TV a larga escala.
No inicio da década de 70, o baixo custo dos semi-condutores, possibilitou uma nova
era na electrónica, dando início, a mais um avanço no mundo das telecomunicações e
computadores. Consequentemente de modo a atender as necessidades das trocas de
informação entre computadores e os seus requerimentos de transmissões sem falhas
7
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos
8
2. P ROJETO DE FH 2.2. Feixes Hertzianos
grandes áreas onde os FH são utilizados, são os núcleos das redes moveis celulares co-
nhecidos como backhauls. Apesar da fibra ser a primeira escolha de muitos operadores
moveis para os backhaul 4G e 5G, os operadores ainda dependem muito de soluções
baseados em sistemas de microondas nas bandas dos 7GHz a 60GHz, tal como bandas
de frequências mais altas como a banda V (60 GHz) e E (70/80 GHz) [9]. Os FH propor-
cionam uma solução de baixo custo e sistemas com a banda E permitem que ligações
possam ser implementadas num espaço de dias com um alcance na ordem dos km.
As microondas e tecnologias na banda E, incluem algumas inovações como Codifica-
ção e modulação Adaptativa (ACM), High Order Quadrature Amplitude Modulation (QAM),
Cross Polarization Interference Cancellation (XPIX), Compression accelerators e Multiple In-
put Multiple Output (MIMO). Todas estas inovações tem objetivo primordial aumentar
a largura de banda das ligações. Uma breve descrição destas inovações é apresentada
abaixo:
9
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
10
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
A atmosfera terrestre é composta por diversas camadas, sendo uma delas a troposfera.
A troposfera situa-se entre 0 a 10 Km acima da superfície do mar. A sua influência e ca-
racterísticas têm um grande impacto na propagação e dimensionamento dum sistema
de FH.
A troposfera não é um meio homogéneo, ela é formada por camadas, cuja composição,
distribuição, altura e a própria duração são variáveis. Tendo em conta a lei de Snell,
que assume que quando um sinal se propaga ao longo dum meio estratificado irá so-
frer refração. É possível verificar que a propagação dum sinal na troposfera não segue
uma trajetória linear mas curva, que dependerá da variação da refração entre emissor
e o recetor. O efeito de refração é definido pelo índice de refração.
n “ 1 ` N ˆ 10´6 (2.3)
11
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
N “ pn ´ 1q106 (2.4)
A refratividade rádio, N, pode ser também expressa através das condições atmosférica,
como pressão, temperatura e pressão do vapor de água. A recomendação ITU-R P.453-
14 [13] , descreve como obter a refratividade através da equação (2.5),
77.6 e
N “ Ndry ` Nwet “ pP ` 4810 q (2.5)
T T
onde,
Ndry : termo para ambientes secos;
Nwet : termo para ambientes húmidos;
P : pressão atmosférica (hPa);
T : temperatura (°K;)
e : pressão do vapor de água (hPa).
He s
e“ (2.6)
100
onde,
H : humidade relativa (%);
e s : pressão saturada do vapor de água (hPa) à temperatura t (°C) .
em que,
“ ‰
EF “ 1 ` 10´4 7.2 ` Pp0.0320 ` 5.9 ˆ 10´6 ˆ t2 q para água (2.8)
“ ‰
EF “ 1 ` 10´4 2.2 ` Pp0.0383 ` 6.4 ˆ 10´6 ˆ t2 q para gelo (2.9)
onde,
12
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
t : temperatura (°C);
P : pressão total atmosférica (hPA;)
a, b, c, d : coeficientes utilizadas na equação 2.7 indicados na tabela (2.1) .
Temperatura[°C] a b c d
Água -40 a 50 6.1121 18.678 257.14 234.5
Gelo -80 a 0 6.1115 23.036 279.82 333.7
ρT
e“ rhPAs (2.10)
216.7
O valor de refratividade rádio num sistema de FH, para uma determinada localização
não é essencial, mas sim a variação do mesma, em função da altura. As influências
da refração na propagação dum sinal rádio podem ser estimadas através da variação
de refratividade em função da altura, designada por gradiente de refratividade rádio
definido pela equação (2.11)
BNphq
∆N “ (2.11)
Bh
onde,
13
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
14
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
[Link] Ductos
A trajetória efectuada pela frente de onda entre um emissor e um recetor num sistema
de FH na troposfera é curva e esta depende directamente do valor de refratividade ao
longo do percurso. Em condições de atmosfera standard, onde o gradiente de refrativi-
dade rádio é próximo de -39, a curvatura da frente da onda rádio é superior a trajetória
horizontal entre o emissor e o recetor. Na ocorrência de sub-refração, a trajetória da
frente de onda é severamente encurvada sendo menor que que o raio ótico. Para ca-
sos de super-refração a trajetória da frente de onda diverge em relação a curvatura
da Terra, sendo que a trajetória da frente de onda tem tendência a fugir da superfície
terrestre.
15
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
1 cos ϕ dn
“´ (2.14)
ρ n dh
onde,
1 BNphq
ρ“ “´ (2.15)
R Bh
BNphq 1
∆N “ “ ´106 “ ´106 ρ (2.16)
Bh R
R “ k ˚ R0 (2.17)
16
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
1 157
k“ “ (2.18)
1 ` R0 ∆N.10 ´6 157 ` ∆N
Em condições de propagação standard o fator k tem o valor 4/3. Este valor é obtido
através da média dos valores ao longo dum grande período de tempo.
Os sistemas de comunicação por FH, são por norma desenhados de forma a terem
perfeitas condições de propagação, onde não existam quaisquer perdas por difração
causadas pelas irregularidades do terreno. Em condições de propagação normal o feixe
que conecta um emissor e um recetor deverá estar bem acima de qualquer obstáculo
causado pelo terreno e as perdas por difração devem ser nulas. Como ilustrado na
secção 2.3.2 a propagação ao longo da troposfera, não segue uma linha recta e em
condições de subrefração, o caminho seguido pela fronte de onda pode ser curvado
e intersectar com obstáculos no terreno. É considerada a existência de difração, se
o elipsóide de Fresnel ou zona de Fresnel estiverem obstruídos. O elipsóide de Fresnel
surge do principio de Huygens, que sustenta que uma onda esférica é originada a partir
de um ponto de uma frente de onda plana e que a junção de todas as ondas esféricas
formadas a partir de vários pontos da frente de onda plana origina uma nova frente
de onda plana a uma distância r. Tendo em conta este principio, Fresnel demonstrou
que a energia entre um emissor e um recetor é distribuída entre um número infinito de
elipsóides. De acordo com o modelo de Fresnel, a potência total recebida será estimada,
através da influência dos elipsóides constituintes numa ligação, onde alguns irão ter
uma influência positiva e outros negativa.
O raio dum elipsóide numa determinada localização entre a ligação entre o emissor e
o recetor, depende da frequência e da ordem n do elipsóide. O raio pode ser obtido
17
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
d
n.d1 .d2
Rn “ 548 pmq (2.19)
f.d
onde,
n “ ordem do elipsóide;
d1 “ distância até ao emissor [Km] ;
d2 “ distância até ao recetor [Km] ;
d “ distância entre o recetor e emissor [Km] ;
f “ frequência [MHz] .
? ?
D “ 3.569 ˆ h1 ` 3.569 ˆ h2pmq (2.20)
18
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
modo a perceber qual é a percentagem do tempo que uma ligação tem de estar operaci-
onal. Esta disponibilidade é depois usada em conjunto com outros fatores que podem
causar as falha de uma ligação. Ao longo do tempo, muitos modelos foram usados
para calcular a atenuação devido as precipitação, mas nesta dissertação é descrito o
método ITU-R .
O documento do ITU-R P.530-17 [16] explica os vários passos que devem ser considera-
dos para obter a atenuação da chuva. A atenuação da chuva é caracterizada através do
parâmetro R p que representa o coeficiente de precipitação não excedido durante uma
percentagem do tempo. Os passos necessários para obter a atenuação devido à chuva,
são descritos abaixo:
1. Obtenção da intensidade da chuva R0.01 pmm{hq, que excede 0,01% do tempo, com
um tempo de integração de 1 minuto. No caso de não termos informação através
de fontes locais, é possível obter o valor do mesmo através da fórmula do ITU-R
P.837 [17].
« ˜ ¸2 ff
4
ÿ log10 f ´ b j
α“ a j exp ´ ` mα log10 f ` cα (2.23)
j“1
cj
onde,
f = frequência [GHz]
a, b, c, m, = constantes dos coeficiente k e α para polarização horizontal e vertical.
19
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
˜ ¸
KH αH ` KV αv ` KH αH ´ KV αV cos2 H cos p2τq
α“ (2.25)
2k
onde,
H = ângulo de Elevação da ligação [°]
τ = ângulo de polarização em relação à horizontal ou 45 graus polarização na
circular.
1
r“ (2.27)
0.47d0.663 R0.073α
001 f 0.12 ´ 10.579p1 ´ expp´0.024dq
em que,
f = frequência [GHz];
α = coeficiente calculado a partir da equação 2.25 ou 2.23;
d = distância do percurso [Km]
O valor máximo recomendado para r é 2.5, no caso de o denominador da equação
2.27 for menor que 0.4, deve-se considerar igual a 2.5.
20
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
onde as constantes C1 , C2 , C3 são calculadas através das equações 2.30, 2.31, 2.32
respectivamente,
C1 “ p0.07C0 qr0.121´C0 s (2.30)
A atmosfera é composta por gases, que absorvem energia electromagnética para dife-
rentes frequências. Os gases considerados numa ligação de FH, são o vapor de água
e o oxigénio. Os gases atmosféricos como vapor de agua e oxigénio, podem provocar
atenuações suplementares, dependendo do comprimento e da inclinação das ligações.
A recomendação ITU-R P676-12 [19], descreve uma solução para o cálculo da atenua-
ção pelos gases atmosféricos. Este modelo é válido para frequências acima de 1000 Hz.
A atenuação específica, devido aos gases atmosféricos é descrita pela equação 2.34,
« ff
γ “ γ0 ` γw “ 0.1820 f pNoxygen
2 2
p f q ` NwaterVapour p f qq (2.34)
onde,
21
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
2 2
As constantes, Noxygen e NwaterVapour podem ser obtidas através da equação 2.35 e 2.36
respetivamente,
ÿ
2
Noxygen “ S i Fi ` ND2 p f q rdB{kms (2.35)
ipoxygenq
ÿ
2
NwaterVapour “ S i Fi rdB{Kms (2.36)
ipwaterVapourq
onde,
P= Pressão do ar seco [hPa];
e = Pressão parcial do vapor de água [hPa];
θ = 300/Temperatura [K]:
T = Temperatura [K] .
No caso dos valores de e, P, T , não estarem disponíveis, os mesmos podem ser obtidos
através da recomendação do ITUR-P.835 [15]. A pressão parcial de vapor de água, e,
pode ser obtida através da equação 2.39,
ρT
e“ (2.39)
216.7
O fator Fi é o fator da forma de linha, que pode ser calculado através da expressão
2.40, « ff
f ∆ f ´ δp fi ´ f q ∆ f ´ δp fi ´ f q
Fi “ ` (2.40)
fi p fi ´ f q2 ` ∆2f p fi ` f q2 ` ∆2f
onde, fi é a linha da frequência para oxigénio ou para água , ∆ f é a largura da linha que
22
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
O ∆ f pode ser modificado, para levar em conta os efeitos de Zeeman e Doppler [19] pela
expressão, 2.43 e por 2.44,
b
∆ f “ ∆2f ` 2.25 ˚ 10´6 Para Oxigénio (2.43)
d
2.1316 ˚ 10´12 fi2
∆ f “ 0.535∆ f ` 0.217∆2f ` Para Vapor de Água (2.44)
θ
O factor de correção, δ, surge por efeitos de interferência causado nas linhas de oxigé-
nio, sendo dada pela equação 2.45, 2.46 respetivamente,
« ff
´5 ´12 1.5
6.14 ˚ 10 1.4 ˚ 10 pθ
ND2 p f q “ f pθ2 ` (2.47)
dr1 ` p df q2 s 1 ` 1.9 ˚ 10´5 f 1.5
23
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
A Figura 2.3 , exemplifica um diagrama de blocos que inclui todos os elementos genéri-
cos de uma rede de telecomunicações, desde do transmissor até ao recetor. O diagrama
ilustra os vários cálculos envolvidos na implementação do FH. O diagrama contém
um conjunto de elementos associados com o equipamento de transmissão, equipa-
mento transmissor(TX), distribuição de antena e circuitos de acoplamento como, fee-
der,mltiplexers, o circuito de antena, que é responsável por todos os elementos asso-
ciados com as perdas da antena. Do lado do recetor, existem as antenas com perdas
ideais, circuito da antena da receção, circuitos de acoplamento antena recetora e o re-
cetor (RX).
24
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
onde,
Ptx = A potência transmitida [dBm];
Ltt = Perdas nos circuitos de acoplamento que conectam a antena (Entre a Interface T’
e AT) [dB];
Ltr = Perdas nos circuitos de acoplamento que conectam a antena (Entre a interface R’
e R);
Lb = Perdas de propagação básica, em função da distancia, frequência e mecanismos
de propagação;
Gt = Ganho da antena transmissora [dBi];
Gr = Ganho da antena recetora [dBi].
25
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
Consequentemente, para fins de projeto de sistema, as perdas por excesso são dividi-
das em, perdas fixas ou constantes e as perdas variáveis. As perdas constantes, estão
associadas com a atenuação dos gases atmosféricos referidas na secção 2.3.4. As per-
das variáveis, são aquelas que variam ao longo do tempo, relevantes o suficiente para
sem incluídas nos cálculos dos links, tais como as perdas provocadas pela difração,
pela precipitação, pelas condições anómalas de refração, pelas reflexões e por multi-
percurso [10]. A atenuação em excesso é calculada através da equação 2.49.
onde,
Lbexc f = perdas fixas;
Lbexcv = perdas Variareis.
As perdas fixas e variáveis, Lbexc f , Lbexcv são calculadas através equações 2.50 e 2.51
respetivamente,
Lbexc f “ Lgases ` Lvegetation rdBs (2.50)
Lbexcv “ Ldi f f raction ` L scintillation ` Lhydrometeors ` Lmultipath ` LXPD ` Lmisaligment rdBs (2.51)
onde,
Ldi f f raction : Atenuação devido à difração nos obstáculos;
L scintillation : Atenuação devido cintilação troposférica;
Lhydrometeors : Atenuação devido à precipitação;
Lmultipath : Atenuação devido ao multi-percurso;
LXPD : Atenuação devido à despolarização;
Lmisaligment : Atenuação causada por condições anómalas de refrações.
Está secção, descreve as considerações gerais que devem ser levados em conta durante
o planeamento dos FH. Para o planeamento são consideradas três fases como essenci-
ais [10],
26
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
3. Nesta fase são feitos os testes, optimizações e manutenções dos sistemas. Após
a instalação dos links, são realizados, os primeiros testes e validações dos siste-
mas e a optimização dos parâmetros que possam melhorar a performance do dos
mesmos.
27
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
1. Raio real da Terra : A curvatura real da Terra é representada, usando uma linha
de base ou curva de altura zero, de natureza parabólica. O percurso do sinal é
representado pelo traçar real do percurso percorrido pelo sinal de radio.
2. Terra Plana : A superfície da Terra é representada por uma linha recta e o percurso
do sinal, é desenhado de forma a incluir a curvatura causada pela refração da
atmosfera e a correção associada a planificação da superfície terrestre.
3. Terra Fictícia: Neste cenário o percurso do sinal é representado por uma linha
reta. Consequentemente, a superfície da Terra é desenhada usando uma linha de
base parabólica que inclui a curvatura real da Terra e o factor da refração de modo
a compensar o desenho da propagação como uma linha reta. O raio equivalente
da Terra é kRo .
A Figura 2.4 demonstra um perfil dum percurso representado pelo modelo fictício da
Terra.
Figura 2.4: Exemplo de perfil de percurso representado por modelo fictício da Terra
28
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
xpd ´ xq
f pxq “ (2.52)
2kR0
Zpdq ´ Zp0q
Ypxq ´ Zp0q “ x (2.54)
d
onde,
d, é a distância horizontal entre a antena transmissora e a antena recetora
Zp0q, Zpdq, altura das estações a nível do mar pela equações 2.55, 2.56,
onde,
ht , hr são as alturas das antenas na torre acima do solo.
Cp0q, Cpdq são alturas do terreno acima do nível médio do mar na estação transmissora
e recetora.
O desimpedimento, hpxq, numa determinada localização é dada pela equação 2.57. A
desobstrução representa o rácio entre o raio direto e os obstáculos no terreno.
O sinal da desobstrução pode pode ser negativo ou positivo. O sinal é negativo quando
o raio directo está acima da altura efetiva do terreno. A teoria indica que as perdas por
difração devido a um obstáculo, ocorrem se o raio direto, tiver uma margem acima do
obstáculo igual ao 60% do primeiro elipsóide de Fresnel.
29
2. P ROJETO DE FH 2.3. Planeamento dos Feixes Hertzianos
Figura 2.5: Tipos de redes existentes que podem ser usadas em ligações de Feixes Hert-
zianos
30
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis
nó, de modo a informação ser transmitida para a próxima ramificação. Numa liga-
ção em anel, os terminais estão conetados em série, formando um circuito fechado. O
envio dos pacotes para os respetivos destinos, é feito através de dois percursos, sen-
tido horário e anti-horário. Numa topologia em estrela todos os nós estão conetados
a um nó central, onde todo a informação deve passar obrigatoriamente. A Figura 2.5,
representa os vários tipos de redes que podem ser usados em ligações FH
Esta secção apresenta algumas das ferramentas existentes para o planeamento dos sis-
temas de FH.
Existem ferramentas no mercado como, Smart Link Planning Tool, MlinkPlanner, Path-
Loss, Global Mapper, Atoll Microwave, RadioMobile, contudo algumas destas possuem
um elevado custo monetário, devido às licenças necessárias para a sua utilização.
Smart Link Planning Tool [20] é uma ferramenta, que pode ser utilizada para o plane-
amento das comunicações ponto-a-ponto utilizando os FH. A solução proposta usa
Sistema de Informação Geográfico, Google Maps, com uma interface simples que fa-
cilita a introdução das posições dos emissores recetores, o número de repetidores ao
longo do percurso. Esta ferramenta também possibilita, que o utilizador, possa ver em
tempo real a evolução dos cálculos e as implicações das decisões dos utilizadores.
2.4.2 MlinkPlanner
MlinkPlanner [21] é uma ferramenta poderosa que pode ser usada para dimensionar
ligações ponto-a-ponto e ponto-a-multipontos de links de FH. MlinkPlanner é uma fer-
ramenta profissional, desenvolvida por um conjunto de engenheiros de rádio. A gera-
ção de perfil de terreno desta ferramenta é totalmente automática e inclui as seguintes
propriedades: a elevação da superfície terrestre em relação ao nível do mar, altura das
árvores e edifícios. As elevações estimadas são baseados nas seguintes fontes de infor-
mação [21]:
31
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis
2.4.3 PathLoss
PathLoss [1] é uma ferramenta utilizada para o cálculo de ligações de FH, na qual é
possível incluir a elevação do plano sobre a área em que está a ser feito o estudo, vi-
sualização dos dados de elevação, através da apresentação duma imagem geográfica
como fundo com um esquema de cores relativo as diferentes alturas da superfície ter-
restre, demonstração dos vetores numa rede, constituição e manipulação de imagens
em 3D de uma rede, medição de distancia entre dois pontos, geração dinâmica do perfil
de terreno apenas arrastando o rato entre dois pontos da rede.
2.4.5 RadioMobile
RadioMobile [23] é uma ferramenta que pode ser utilizada para planeamento de FH,
incluindo o percurso, o critério de desobstrução, potência, dimensão das antenas e a
32
2. P ROJETO DE FH 2.4. Aplicações disponíveis
altura da torre. Esta ferramenta é de código aberto, pode ser usada tanto comerci-
almente ou para motivos educacionais . A ferramenta obtém informação do terreno
através do dos dados da missão SRTM [22].
33
3
Descrição da Aplicação Proposta
35
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
A aplicação tem uma interface web simples e guia os utilizadores em todos os passos
para o planeamento de um sistema de comunicação por meio de FH utilizando os pa-
râmetros necessários. A aplicação utiliza parâmetros como coordenadas geográficas
da biblioteca Openlayers [24], a elevação do terreno utilizando os dados da SRTM pro-
veniente da NASA com recurso a API Opentopodata [25] e a informação meteorológica
através da biblioteca OpenWeatherMap (taxa de precipitação) [26].
De forma a ter acesso a informação geográfica, foi adicionada a biblioteca de código
aberto OpenLayers a solução, que face a outras mais conhecidas como Google Maps,
MapBox etc, possibilitando a utilização e interação sem custos e limitação de pedi-
dos. Esta biblioteca possui diversas funcionalidades úteis, algumas delas integradas
na aplicação atual, desde da visualização de mapas, colocação de marcadores e suas
respectivas localizações entre outras. Para o planeamento de uma ligação de FH é ne-
cessário obter a localização geográfica das estações base onde os emissores e recetores
são instalados, bem como a altura em relação ao nível do mar dessas mesmas localiza-
ções. Apesar das suas múltiplas funcionalidades a biblioteca OpenLayers não possibi-
lita a obtenção da altitude (cota de terreno) numa determinada localização, sendo que
foi necessário utilizar uma fonte externa para a recolha dos dados. Foram analisadas
diversas ferramentas como a API de elevação da Google, Google Elevation API, mas esta
foi descartada por o número de utilizações estar limitado. Outra opção em análise foi a
OpenElevationAPI mas esta foi desconsiderada por o projeto não ser mantido de forma
estável. Após análise de todas opções, optou-se pela utilização da terceira versão dos
dados SRTM.
A aplicação desenvolvida é descrita em duas secções distintas. A primeira é dedicada
a interface gráfica adoptada para a aplicação. A segunda secção descreve o modelo
lógico implementado e as funções ITU-R utilizadas para o planeamento dum sistema
de FH.
Para a interação com os utilizadores, foi desenvolvida uma interface web, que permite
que o acesso à ferramenta, possa ser realizado através de navegadores de Internet,
independentemente do sistema operativo. A interface encontra-se optimizada para
computadores pessoais.
A interface foi desenvolvida com recurso à framework [Link] versão 2.2, que permite
desenvolver páginas web dinâmicas de forma estruturada e acessível. A aplicação de-
senvolvida é representada por três módulos principais, Autenticação, Projetos e Main,
36
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
que por sua vez, aglomeram diferentes sub-módulos necessários para a representação
e interacção com os dados do servidor.
37
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
• Edição de Projetos;
• Remoção de Projetos;
• Solicitação de partilha.
38
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
disponibilizado o formulário presente na Figura 3.4, onde deverá ser colocado o nome
do projeto a ser desenvolvido.
O módulo Main ilustrado na Figura 3.5, representa a interface responsável por todos os
sub-módulos e parametrizações necessárias para o planeamento dum sistema de FH.
• Barra Lateral;
• Painel de Elementos;
• Painel de Separadores.
39
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
O modulo Main é constituído por sub-módulos como, módulo mapa, módulo de links,
módulo de unidades, módulo de bandas de frequência, módulo de guias de onda,
módulo de equipamento de radio e módulo de antenas.
1. Modulo Mapa
O módulo mapa (Figura 3.6) foi implementado com recurso a biblioteca Javascript
Openlayers. A mesma permite o acesso sem nenhum custo associado, à mapas on-
line da superfícies terrestre e a interação e obtenção de informação dos mesmos.
As coordenadas dos pontos selecionados no mapa obtidas na biblioteca Open-
Layers são extraídas de acordo com a projeção EPSG:3857 e transformadas para
a projecção EPSG:4326 utilizada na aplicação.
40
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
2. Módulo de Links
A gestão dos links existentes no sistema, é feita através da interface presente na
Figura 3.7. Nesta interface constam as unidades que formam a ligação, factor k,
critério de desobstrução, a frequência de operação e distância da ligação em km.
No formulário de novo Link (Figura 3.8) são selecionadas unidades que serão
utilizadas na transmissão e receção do FH e a frequência de operação da ligação.
3. Módulo de Unidades
Considera-se como unidade, os elementos presentes no sistema que representem,
emissores, recetores e repetidores. A adição duma unidade é feita com recurso ao
botão "add", presente no painel de elementos. A Figura 3.9 contém o formulário
com os dados necessários para a adição duma nova unidade.
41
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
A gestão das unidades no projeto é feita com recurso à interface presente na Fi-
gura 3.10, onde é possível visualizar unidades presentes no projeto, editar e re-
mover as mesmas. A remoção duma unidade utilizada num link, causa que o link
42
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
4. Módulo de Fabricantes
43
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
44
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
45
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.2. Interface do Utilizador
8. Módulo de Antenas
• Comment: Comentário.
46
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
3.3 Serviços
47
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
[Link] OpenWheather
A API OpenWheather [26], é um serviço web que possibilita a recolha de dados me-
teorológicos numa determinada localização. Existem diversos módulos presentes na
API OpenWheater, alguns deles pagos, mas de forma a seguir a filosofia open-source,
sem custos, foi utilizado o módulo gratuito Current weather data da API que apenas
disponibiliza a informação meteorológica momentânea para uma localização. O mó-
dulo gratuito fornece diversos dados, mas para implementação foram recolhidos os
seguintes:
• Temperatura em graus;
• Humidade (%);
[Link] Opentopodata
48
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
A aplicação usa uma base de dados, que tem como propósito de guardar a informação
de utilizadores presentes no sistema, seus projetos e elementos presentes num projeto.
Nas próximas secções são descritas as várias entidades usadas no projeto.
[Link] User
Foi adicionado um modelo utilizador no sistema, para garantir que apenas acessos au-
torizados sejam permitidos na aplicação. Para além de facilitar a autorização, o modelo
tem como objetivo, garantir que os dados dum utilizador permaneçam na aplicação
após a sua utilização. Na tabela 3.1 estão descritas as propriedades dum utilizador.
[Link] Project
O modelo Project, foi adicionado com o intuito de agrupar todos os dados referen-
tes a um sistema de FH de forma individualizada. Todos os modelos adicionados no
49
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
sistema para além do User, estão dependentes dum projeto. A tabela 3.2 mostra as
propriedades introduzidas no sistema referentes a um projeto.
O modelo Project User tem como objetivo fazer a ligação entre os utilizadores e os pro-
jetos. O modelo faz o mapeamento entre um projeto e um utilizador através da criação
duma entrada com os identificadores das duas entidades. A tabela 3.3 mostra as pro-
priedades referentes ao modelo Project User.
50
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
[Link] Manufacturer
[Link] WaveGuide
O modelo WaveGuide representa os guias de onda existentes numa estação que fazem
a conexão entre o módulo rádio e a antena. As propriedades existentes no modelo
WaveGuide são descritas na tabela 3.6.
51
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
[Link] Antena
[Link] Unit
As unidades são entidades existentes no sistema, que têm como objetivo a representa-
ção dos elementos, de transmissão e receção presentes numa ligação por FH. A tabela
3.8 apresenta as propriedades associados a uma unidade.
52
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
O modelo Radio Equipment tem como objetivo a representação dos módulos rádio asso-
ciados a uma unidade de transmissão/receção. A tabela 3.9 descreve as propriedades
existentes num equipamento de rádio.
[Link] Link
53
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
Este bloco conta com a função espaço livre, responsável pelo cálculo da atenuação em
espaço livre, presente na equação 2.1.
[Link] Atmosfera
54
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
55
3. D ESCRIÇÃO DA A PLICAÇÃO P ROPOSTA 3.3. Serviços
56
4
Avaliação da aplicação
O primeiro cenário desenvolvido para o teste da aplicação, foi construído com base em
localizações de emissores TDT [29]. Para a realização do teste foi considerado o equi-
pamento de rádio MDR-8608-135 do fabricante Alcatel-Lucent, cujas características são
descritas em detalhe no Anexo B. A localização exacta do emissor e recetor é ilustrada
na Tabela 4.1.
57
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto
Após a análise do perfil de terreno foram dimensionadas as alturas mínimas para que
a ligação estivesse desobstruída, em termos de raio directo e primeiro elipsóide de
Fresnel. A Tabela 4.2, demonstra as alturas adoptadas.
58
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto
Ligação Monsanto-Montejunto
Aplicação Desenvolvida PathLoss
Emissor
Nome: Monsanto Monsanto
Latitude [°] 38.726635 38.726635
Longitude [°] -9.188862 -9.188862
Altitude [m] 187 183.02
Antena T5507102 T5507102
Ganho de Antena [dBd] 29.25 29.25
Ganho de Antena [dBi] 31.40 31.40
59
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.1. Ligação Monsanto - Montejunto
60
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz
Atenuação devido
0.39 N/D
ao oxigénio [dB]
Atenuação devido
0.24 N/D
ao vapor de água [dB]
Perdas Absorção dos
0.63 0.48
gases atmosféricos[dB]
Atenuação Devido à Precipitação
Polarização Vertical Vertical
Taxa de precipitação 0.01% [mm/hr] 32.74 37.51
Distância Efetiva [Km] 14.50 N/D
Atenuação [dB] 3.94 N/D
61
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz
O primeiro passo para o estudo da ligação passou por analisar o perfil de terreno (Fi-
gura 4.4) . Após a análise visual foi calculado o raio directo entre o emissor e o recetor
assumindo uma altura de zero metros para as torres de emissão e receção. Os resul-
tados são ilustrados na Figura 4.4 sendo possível observar que sem a adição de torres
de emissão e receção a ligação encontra-se obstruída quer em termos de raio directo, 1º
elipsóide de Fresnel e 60% do mesmo de acordo com o critério de desobstrução adop-
tado para a ligação.
De acordo com a análise, foram estimadas as alturas para que a ligação estive desobs-
truída. A Figura 4.5 mostra que para as alturas de 40 e 50 m no emissor e recetor
respetivamente a ligação encontra-se completamente desobstruída.
62
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz
63
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz
Receptor
Nome: Figueira da Foz Figueira da Foz
Latitude [°] 40.11 40.11
Longitude [°] -8.86 -8.86
Altitude [m] 17 13.22
Antena T5507401 T5507401
Ganho de Antena [dBd] 37.05 37.05
Ganho de Antena [dBi] 39.2 39.2
Altura da Antena [m] 50 50
Rádio FlexiHopper18_16s8 E1 FlexiHopper18_16s8 E1
Potência Emitida [dBm] 16 16
Sensibilidade [dBm] -86 -86
Ligação
Link Link
Nome
Marinha-Figueira Marinha-Figueira
Distância [km] 41.15 41.15
Frequência [GHz] 16 16
Factor K 4/3 4/3
Obstáculos
Critério de desobstrução [%] 60 60
1º Elipsóide de Fresnel Desobstruído Desobstruído
Elipsóide de
Desobstruído Desobstruído
Fresnel critério de desobstrução
Espaço Livre
Atenuação [dB] 148.82 148.82
Atmosfera
Temperatura [ºC] 15.73 15.73
Pressão [hPa] 1016 N/D
Pressão parcial
19.78 N/D
vapor de água
Humidade [%] 78 N/D
Atenuação devido
0.41 N/D
ao oxigénio [dB]
Atenuação devido
2.24 N/D
ao vapor de água [dB]
64
4. AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO 4.2. Ligação Marinha Grande - Figueira da Foz
65
5
Conclusões
5.1 Conclusão
O propósito deste trabalho foi desenvolver uma ferramenta código aberto que possa
ser utilizada pela comunidade académica, para o projeto e análise de sistemas de co-
municação por FH. A tarefa inicial foi concretizada e foram deixadas as fundações para
que a infraestrutura possa ser expandida num futuro próximo.
A aplicação desenvolvida, foi implementada em dois blocos distintos. O primeiro
bloco, o qual os utilizadores tem acesso direto, é o bloco web, responsável pela in-
terface de utilizador. Este bloco foi implementado com a framework [Link] que possui
curva de aprendizagem mais baixa, face a outras tecnologias como Angular ou React.
Ainda assim, foi necessário um estudo das tecnologias web como, páginas HTML e
sobretudo da linguagem JavaScript. Para a representação dos mapas foi necessário uti-
lizar a biblioteca JavaScript Openlayers, que permitiu a representação da estações base e
obtenção de coordenadas de pontos geográficos das mesmas com a interação do cursor
do utilizador sobre a área pretendida. Para além da biblioteca Openlayers, foi utilizada
a biblioteca Plotty, que permite a geração de gráficos dinâmicos em páginas HTML. A
utilização da mesma veio-se a revelar como essencial, pela possibilidade de represen-
tação de todos os elementos, tais como, terreno, obstáculos, raio directo, elipsóide de
Fresnel e altura da antena do emissor e recetor, juntamente com a fácil interação com os
mesmos por parte do utilizador.
67
5. C ONCLUSÕES 5.2. Limitações e Trabalhos Futuros
A entrega da presente dissertação não significa o término deste projeto, mas apenas a
conclusão da primeira versão da aplicação. A aplicação tem como propósito ser um
bloco inicial para o desenvolvimento de uma ferramenta de simulação de ligações por
FH robusta e capaz de competir com outras ferramentas profissionais. Como indicado,
o projeto ainda não se encontra concluído, existindo ainda várias temáticas que podem
ser abordadas.
De seguida apresentam-se algumas das temáticas mais relevantes a serem implemen-
tadas:
68
5. C ONCLUSÕES
69
Referências
71
R EFERÊNCIAS
[9] GSMA, Mobile backhaul options. spectrum analysis and recommendations. Accessed:
27-08-2020. URL: [Link]
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gineering. John Wiley, ago. de 2012, ISBN: 9781118072738.
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[16] Recommendation ITU-R P.530-17, Propagation data and prediction methods required
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[17] RECOMMENDATION ITU-R P.838-3, Specific attenuation model for rain for use in
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[18] RECOMMENDATION ITU-R P.837-7, Characteristics of precipitation for propaga-
tion modelling, Accessed: 28-07-2020. URL: https : / / www . itu . int / dms _
pubrec/itu-r/rec/p/R-REC-P.837-7-201706-I!![Link].
[19] Recommendation ITU-R P.676-12, Attenuation by atmospheric gases andrelated ef-
fects, Accessed: 30-07-2020. URL: https : / / www . itu . int / dms _ pubrec /
itu-r/rec/p/R-REC-P.676-12-201908-I!![Link].
72
R EFERÊNCIAS
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guino, “Modern and optimized planning tool for microwave link design”, em
2014 4th International Conference on Wireless Communications, Vehicular Technology,
Information Theory and Aerospace Electronic Systems (VITAE), 2014, páginas 1–5.
DOI : 10.1109/VITAE.2014.6934505.
73
A
Constantes
i
A. C ONSTANTES
ii
A. C ONSTANTES
iii
A. C ONSTANTES
Tabela A.6: Dados espetroscópicos para o cálculo da atenuação pelo vapor de água
iv
A. C ONSTANTES
v
B
Características do equipamento rádio
Alcatel MDR-800
vii
C
Características do equipamento rádio
Nokia Flexi-Hopper 18
ix
D
Detalhes da ligação Monsanto a Serra
de Montejunto Path Loss
xi
D. D ETALHES DA LIGAÇÃO M ONSANTO A S ERRA DE M ONTEJUNTO Path Loss
xii
E
Detalhes da ligação Marinha Grande
Figueira Foz Path Loss
Tabela E.1: Detalhes da ligação Marinha Grande Figueira Foz Path Loss
xiii
E. D ETALHES DA LIGAÇÃO M ARINHA G RANDE F IGUEIRA F OZ Path Loss
xiv