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Tipos de Rima

O documento aborda os diferentes tipos de rima na poesia, classificando-as conforme sua posição no verso (externa e interna), fonética (consoantes, toantes e imperfeitas), acentuação (agudas, graves e esdrúxulas) e categoria gramatical (ricas e pobres). Também descreve a disposição das rimas nas estrofes, como emparelhadas, alternadas, interpoladas e misturadas, além de mencionar versos brancos. Exemplos de rimas são apresentados para ilustrar cada categoria.

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Tipos de Rima

O documento aborda os diferentes tipos de rima na poesia, classificando-as conforme sua posição no verso (externa e interna), fonética (consoantes, toantes e imperfeitas), acentuação (agudas, graves e esdrúxulas) e categoria gramatical (ricas e pobres). Também descreve a disposição das rimas nas estrofes, como emparelhadas, alternadas, interpoladas e misturadas, além de mencionar versos brancos. Exemplos de rimas são apresentados para ilustrar cada categoria.

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TIPOS DE RIMA

Conforme a posição no verso, as rimas podem ser:


RIMA EXTERNA OU RIMA INTERNA

A rima externa ocorre quando há a repetição de


sons semelhantes no final de versos diferentes.

Se por vinte anos, nesta furna escura,


Deixei dormir a minha maldição,
Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.

Pode haver rima entre a palavra final de um verso e


outra no interior do verso seguinte. Temos,
então, rima interna.

Prosperamente os ventos assoprando,


Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,

Foneticamente, as rimas podem ser:


CONSOANTES, TOANTES E IMPERFEITAS.

Consoantes são as rimas que se conformam


perfeitamente no som, desde a vogal ou ditongo do
acento predominante até a última letra.

Aquela triste e leda madrugada,


Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.
Toantes são as rimas idênticas somente na vogal
tônica:

Casa e vale; mudo e último; lírio e livro; época e


pétala.

Ninguém explica a dança


Nem dança porque sabe a que isso leva:
Só dança ainda aquele que ignora,
pois toda dança um enigma carrega.
(Ângelo Monteiro)

Rimas imperfeitas são aquelas em que os sons se


conformam apenas parcialmente, imperfeitamente:

Formosa Beatriz, tendes tais jeitos


Num brando revolver dos olhos belos,
Que só no contemplá-los, se não vê-los,
Se inflamam corações e humanos peitos.

Também: Deus e céus; estrela e vela; espirais e


Satanás etc.

Conforme a posição do acento tônico, as rimas


podem ser:
1)Agudas ou masculinas (entre oxítonas): feroz e
atroz, amor e clamor.

Cá neste escuro caos de confusão,


Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

2)Graves ou femininas (entre paroxítonas): festa


e manifesta, flores e cores.

Alma minha gentil, que te partiste


Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

3)Esdrúxulas (entre proparoxítonas): mágico e


trágico, lírico e onírico.

Solar de luz de escadarias mágicas!


palácio claro! ergui-te a tanto esforço
que as tuas salas me parecem trágicas
e o teu zimbório pesa-me no dorso!
(Murilo Araújo)

Segundo a categoria gramatical, as rimas podem


ser:
RICAS (de diferentes categorias gramaticais) e
POBRES (de mesma categoria gramatical)

(A) Nasce o sol e não dura mais que um dia,


(B) Depois da luz se segue a noite escura,
(B) Em tristes sombras morre a formosura,
(A) Em contínuas tristezas, a alegria.
(Gregório de Matos)

O céu, a terra, o vento sossegado...


As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O noturno silêncio repousado...

Quanto à disposição na estrofe, as rimas podem


ser:
EMPARELHADAS (AA), ALTERNADAS (ABAB),
INTERPOLADAS (AbbA) e MISTURADAS (dispostas
livremente).
Rimas emparelhadas:

(A) Transforma-se o amador na cousa amada,


(B) Por virtude do muito imaginar;
(B) Não tenho, logo, mais que desejar,
(A) Pois em mim tenho a parte desejada.

Alternadas (ou intercaladas ou cruzadas):

(A) Se por vinte anos, nesta furna escura,


(B) Deixei dormir a minha maldição,
(A) Hoje, velha e cansada da amargura,
(B) Minha alma se abrirá como um vulcão.

No mais interno fundo das profundas


Cavernas altas, onde o mar se esconde,
Lá donde as ondas saem furibundas,
Quando às iras do vento o mar responde,
Neptuno mora, e moram as jucundas
Nereidas e outros deuses do mar, onde
As águas campo deixam às cidades
Que habitam essas húmidas deidades.
(Camões. Lusíadas, Canto VI)

Interpoladas:
(A) Transforma-se o amador na cousa amada,
(B) Por virtude do muito imaginar;
(B) Não tenho, logo, mais que desejar,
(A) Pois em mim tenho a parte desejada.

Cá nesta Babilônia, donde mana


Matéria a quanto mal o mundo cria,
Cá onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Misturadas:

De uma eu sei, entretanto,


Que cheguei a estimar,
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim:
Era toda riscada
De um traço cor de mar,
E um outro carmesim.

VERSOS BRANCOS ou SOLTOS são os versos sem


rima:

O Deus é uma voz


que nem sempre se traduz em palavra
e ai daquele que não a ouve.
(Ângelo Monteiro)

Classifique as rimas das estrofes abaixo:

Formosa Beatriz, tendes tais jeitos


Num brando revolver dos olhos belos,
Que só no contemplá-los, se não vê-los,
Se inflamam corações e humanos peitos.
(Camões)
Sobre as ondas argênteas do Adriático
Passa à noite o gondoleiro, e canta
E dobra a fonte, lânguido, cismático.
(Raimundo Correia)

Se por vinte anos, nesta furna escura,


Deixei dormir a minha maldição,
Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.
(Olavo Bilac)

Já pelo espesso ar os estridentes


Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças, e as freqüentes
Quedas co’as duras armas tudo atroam.
Recrescem os imigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno que os apouca.
(Camões. Lusíadas, Canto V)

De uma eu sei, entretanto,


Que cheguei a estimar,
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim:
Era toda riscada
De um traço cor de mar,
E um outro carmesim.

Não és bom, nem és mau: és triste e


humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
(Olavo Bilac)

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