TIPOS DE RIMA
Conforme a posição no verso, as rimas podem ser:
RIMA EXTERNA OU RIMA INTERNA
A rima externa ocorre quando há a repetição de
sons semelhantes no final de versos diferentes.
Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.
Pode haver rima entre a palavra final de um verso e
outra no interior do verso seguinte. Temos,
então, rima interna.
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Foneticamente, as rimas podem ser:
CONSOANTES, TOANTES E IMPERFEITAS.
Consoantes são as rimas que se conformam
perfeitamente no som, desde a vogal ou ditongo do
acento predominante até a última letra.
Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.
Toantes são as rimas idênticas somente na vogal
tônica:
Casa e vale; mudo e último; lírio e livro; época e
pétala.
Ninguém explica a dança
Nem dança porque sabe a que isso leva:
Só dança ainda aquele que ignora,
pois toda dança um enigma carrega.
(Ângelo Monteiro)
Rimas imperfeitas são aquelas em que os sons se
conformam apenas parcialmente, imperfeitamente:
Formosa Beatriz, tendes tais jeitos
Num brando revolver dos olhos belos,
Que só no contemplá-los, se não vê-los,
Se inflamam corações e humanos peitos.
Também: Deus e céus; estrela e vela; espirais e
Satanás etc.
Conforme a posição do acento tônico, as rimas
podem ser:
1)Agudas ou masculinas (entre oxítonas): feroz e
atroz, amor e clamor.
Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!
2)Graves ou femininas (entre paroxítonas): festa
e manifesta, flores e cores.
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
3)Esdrúxulas (entre proparoxítonas): mágico e
trágico, lírico e onírico.
Solar de luz de escadarias mágicas!
palácio claro! ergui-te a tanto esforço
que as tuas salas me parecem trágicas
e o teu zimbório pesa-me no dorso!
(Murilo Araújo)
Segundo a categoria gramatical, as rimas podem
ser:
RICAS (de diferentes categorias gramaticais) e
POBRES (de mesma categoria gramatical)
(A) Nasce o sol e não dura mais que um dia,
(B) Depois da luz se segue a noite escura,
(B) Em tristes sombras morre a formosura,
(A) Em contínuas tristezas, a alegria.
(Gregório de Matos)
O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O noturno silêncio repousado...
Quanto à disposição na estrofe, as rimas podem
ser:
EMPARELHADAS (AA), ALTERNADAS (ABAB),
INTERPOLADAS (AbbA) e MISTURADAS (dispostas
livremente).
Rimas emparelhadas:
(A) Transforma-se o amador na cousa amada,
(B) Por virtude do muito imaginar;
(B) Não tenho, logo, mais que desejar,
(A) Pois em mim tenho a parte desejada.
Alternadas (ou intercaladas ou cruzadas):
(A) Se por vinte anos, nesta furna escura,
(B) Deixei dormir a minha maldição,
(A) Hoje, velha e cansada da amargura,
(B) Minha alma se abrirá como um vulcão.
No mais interno fundo das profundas
Cavernas altas, onde o mar se esconde,
Lá donde as ondas saem furibundas,
Quando às iras do vento o mar responde,
Neptuno mora, e moram as jucundas
Nereidas e outros deuses do mar, onde
As águas campo deixam às cidades
Que habitam essas húmidas deidades.
(Camões. Lusíadas, Canto VI)
Interpoladas:
(A) Transforma-se o amador na cousa amada,
(B) Por virtude do muito imaginar;
(B) Não tenho, logo, mais que desejar,
(A) Pois em mim tenho a parte desejada.
Cá nesta Babilônia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria,
Cá onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Misturadas:
De uma eu sei, entretanto,
Que cheguei a estimar,
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim:
Era toda riscada
De um traço cor de mar,
E um outro carmesim.
VERSOS BRANCOS ou SOLTOS são os versos sem
rima:
O Deus é uma voz
que nem sempre se traduz em palavra
e ai daquele que não a ouve.
(Ângelo Monteiro)
Classifique as rimas das estrofes abaixo:
Formosa Beatriz, tendes tais jeitos
Num brando revolver dos olhos belos,
Que só no contemplá-los, se não vê-los,
Se inflamam corações e humanos peitos.
(Camões)
Sobre as ondas argênteas do Adriático
Passa à noite o gondoleiro, e canta
E dobra a fonte, lânguido, cismático.
(Raimundo Correia)
Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.
(Olavo Bilac)
Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças, e as freqüentes
Quedas co’as duras armas tudo atroam.
Recrescem os imigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno que os apouca.
(Camões. Lusíadas, Canto V)
De uma eu sei, entretanto,
Que cheguei a estimar,
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim:
Era toda riscada
De um traço cor de mar,
E um outro carmesim.
Não és bom, nem és mau: és triste e
humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
(Olavo Bilac)