FICHAMENTO DE TEXTO
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA/JF
Pró Reitoria Acadêmica – Direção Acadêmica
Curso: Psicologia
Professor: Camila Gonçalves
Aluno(a): Inês da Glória Viana Silveira
Disciplina: Trabalho de conclusão de curso em
psicologia, intervenções psicológicas em clínica
[Link]ência:
SOUZA, Emilly Rosa de; RIBEIRO, Joseana Moreira Assis. Mídias sociais: a influência
das redes sociais na percepção da autoimagem de adolescentes do sexo feminino. Research,
Society and Development, v. 11, n. 8, e13311830459, 2022. DOI:
[Link]
2. Resumo:
O crescimento das tecnologias digitais transformou profundamente a forma como
adolescentes constroem sua identidade e percebem o próprio corpo. As mídias sociais
passaram a ocupar um lugar central na circulação de informações e imagens,
influenciando comportamentos, valores e padrões estéticos. Nesse cenário, consolida-se
um ideal de beleza amplamente difundido, especialmente direcionado às meninas, que
associa magreza e determinados traços corporais a sucesso, felicidade e aceitação social.
A ideia de que aparência está diretamente relacionada à realização pessoal e profissional
torna-se socialmente legitimada, atravessando inclusive o mercado de trabalho.
Em termos gerais, a propagação contínua de padrões estéticos rígidos pode
desencadear impactos significativos na saúde emocional e física de adolescentes. Quando
internalizados de maneira intensa, esses modelos favorecem percepções distorcidas do
próprio corpo, podendo evoluir para quadros psicológicos marcados por insatisfação
persistente e autocrítica exacerbada, levando à adoção de comportamentos prejudiciais
na tentativa de modificar aquilo que é percebido como inadequado.
No artigo, as autoras explicam que a pesquisa foi desenvolvida por meio de uma
revisão integrativa da literatura, a metodologia adotada buscou garantir rigor e
organização na seleção dos materiais, permitindo uma análise consistente sobre a
influência das redes sociais na autoimagem de adolescentes do sexo feminino. Portanto,
os estudos sugerem que a mídia não apenas influencia a percepção corporal, mas também
pode impactar aspectos mais amplos da identidade feminina, especialmente em uma fase
marcada por vulnerabilidades emocionais e transformações físicas. A adolescência, por
si só, já constitui um período sensível do desenvolvimento, e a exposição contínua a
padrões estéticos rígidos pode intensificar conflitos relacionados à autoimagem e à
construção da identidade.
3. Citações:
“A mídia é capaz de influenciar diretamente na construção da imagem corporal feminina,
podendo afetar negativamente diversos aspectos da mulher, como mudanças na forma de
se vestir, falar, comer e de se comportar socialmente” (LIMA et al., 2022, p. 11)
“As adolescentes que estiveram expostas às redes sociais por mais de 2 horas por dia
apresentaram maior probabilidade de estarem insatisfeitas com seus corpos e
internalizarem o desejo de perder peso” (LIMA et al., 2022, p. 9).
“Indivíduos fisicamente atraentes têm maior probabilidade de serem aceitos em
ambientes sociais e profissionais” (LIMA et al., 2022, p. 5).
4. Comentário e ideação:
Diante desse cenário, durante a adolescência, ocorre uma reorganização
significativa das estruturas cognitivas, com maior capacidade de pensamento abstrato e
autorreflexivo. Nesse período, a avaliação de si passa a ser mediada de forma mais intensa
pelo olhar do outro, o que favorece processos de comparação social. Quando a adolescente
é constantemente exposta a imagens idealizadas e editadas, tende a internalizar esses
referenciais como padrões normativos, a repetição dessas comparações reforça crenças
centrais negativas.
Quando essa validação não ocorre na intensidade esperada, podem emergir
sentimentos de inadequação, ansiedade e frustração. Assim, a exposição contínua a
padrões estéticos rígidos não atua apenas no nível comportamental, mas participa
ativamente da consolidação de estruturas que organizam a percepção de si, impactando a
autoestima, a regulação emocional e, em casos mais graves, favorecendo o
desenvolvimento de transtornos alimentares e quadros ansiosos ou depressivos.
Por fim, o direcionamento não deve se limitar ao uso instrumental das tecnologias,
mas precisa incluir uma dimensão formativa que favoreça o desenvolvimento do
pensamento crítico. Dessa forma, promover debates sobre imagem corporal, padrões de
beleza e construção identitária pode contribuir para que adolescentes reconheçam os
mecanismos de influência presentes nas mídias e desenvolvam uma relação mais
consciente com esses conteúdos.