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Message 1

A narradora sempre se sentiu atraída pelo céu, em contraste com sua tribo que se conectava com a terra. Após encontrar o Espírito Primal Sylvior, ela ganha a habilidade de ter visões que a tornam uma guia e curandeira, mas uma visão aterradora revela uma ameaça iminente que pode destruir tudo. Agora, ela deve entender essa visão e buscar ajuda antes que seja tarde demais.

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Message 1

A narradora sempre se sentiu atraída pelo céu, em contraste com sua tribo que se conectava com a terra. Após encontrar o Espírito Primal Sylvior, ela ganha a habilidade de ter visões que a tornam uma guia e curandeira, mas uma visão aterradora revela uma ameaça iminente que pode destruir tudo. Agora, ela deve entender essa visão e buscar ajuda antes que seja tarde demais.

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Desde que me entendo por gente, sempre olhei para o céu.

Enquanto outras crianças corriam


pela floresta, se embrenhavam entre raízes ou aprendiam a escalar as árvores altas da
Floresta das Brumas, eu me deitava sobre o musgo, observando as estrelas. Cada ponto de luz
no firmamento parecia me chamar, sussurrando segredos que eu ainda não conseguia
entender. Aprendi a identificar os padrões celestes muito cedo, antes mesmo de saber contar
com precisão. Para os outros, aquilo era apenas um jeito estranho de me distrair. Para mim,
era mais do que isso. Era um chamado.

Cresci entre os meus, aprendendo com os mais velhos os ritos do mundo natural. Aprendi a me
conectar com as árvores, a ouvir o vento e a sentir o pulsar da terra sob os pés. Eles me
ensinaram como curar, como aliviar dores, como preparar ervas para acalmar a mente e
fortalecer o espírito. Mas, apesar do amor pela minha tribo e por tudo que aprendia, algo dentro
de mim não se conectava completamente com a terra como acontecia com os outros. Meus
olhos sempre voltavam para o alto, buscando algo mais, uma resposta entre as constelações.

Foi então, em uma noite de lua nova, quando as estrelas brilhavam com uma intensidade
quase sobrenatural, que minha vida mudou para sempre.

Eu estava sozinha no topo de um penhasco, longe da vila, contemplando o céu. O vento frio
soprava meus cabelos, e minha mente se perdia nas constelações quando senti algo diferente
no ar. Um silêncio profundo caiu ao meu redor, e a brisa parou como se o mundo prendesse a
respiração. Foi quando o vi.

Entre as sombras da floresta, emergiu uma criatura majestosa: um cervo gigantesco de


pelagem verde reluzente, seus olhos como orbes cintilantes refletindo a própria infinitude do
cosmos. Sylvior. O Espírito Primal de nossa tribo. Meu coração acelerou, meu corpo congelou
entre o medo e a reverência. Ele se aproximou com passos leves, como se pisasse sobre o
próprio tecido do universo. Então, sem palavras, sem um gesto sequer, ele me ofereceu algo
que eu não sabia que podia receber.

Uma conexão, não com o solo, mas com o céu. Com o firmamento.

Meu corpo começou a brilhar, e pequenos pontos luminosos surgiram em minha pele como
constelações vivas, mudando de forma a cada instante. O mundo ao meu redor pareceu
desaparecer, e em minha mente, visões começaram a surgir. Imagens fugazes, como lampejos
de algo que ainda não acontecera. Quando voltei a mim, Sylvior já não estava mais ali, mas
sua marca permaneceu em mim, e com ela, uma nova percepção do mundo.

A partir daquele dia, comecei a ter visões. Elas vinham como fragmentos de sonhos,
desconexos e nebulosos, mas sempre com um propósito. Algumas eram pequenas—uma
criança que se machucaria ao cair de uma árvore, um viajante que precisaria de cura. Outras,
mais enigmáticas, demoravam dias, até semanas para que eu pudesse compreender. Com o
tempo, aprendi a usar um Mapa Astral que eu mesma criei—uma peça de madeira, cristais e
seiva cristalizada—para tentar interpretar esses presságios.

Minha tribo começou a ver em mim não apenas uma curandeira, mas uma guia. Eu podia sentir
a influência das estrelas na vida daqueles ao meu redor, e com isso, a cada dia me tornava
mais forte, mais certa de que meu destino era curar e proteger aqueles que precisavam de
mim. Eu tinha encontrado meu propósito.

Mas então veio a visão que mudou tudo.

Era mais intensa do que qualquer outra. Não foi apenas um lampejo ou um presságio incerto.
Era algo claro, definitivo. Eu estava no Reflexo Lunar, o lago de águas prateadas onde gostava
de observar o céu. A superfície tranquila refletia as estrelas, e a lua nova pairava sobre mim.
De repente, fui tomada por um torpor, um transe incontrolável.

Vi ilhas sendo sugadas para o fundo do oceano, engolidas pelas profundezas, uma a uma. Vi o
mar se abrindo e uma luz tão forte que parecia queimar minha alma. E então, das entranhas do
mundo, um monstro colossal emergiu. Uma criatura de puro terror e destruição. E eu
soube—com uma certeza absoluta e desesperadora—que aquilo não destruiria apenas a mim
ou minha tribo. Destruiria tudo.

A visão me derrubou. Quando despertei, estava suando, tremendo, o reflexo das estrelas
distorcido pela água. Aquele não era um presságio qualquer. Era uma verdade inevitável. Algo
estava vindo. Algo que ninguém poderia deter sozinha.

Agora, meu caminho está traçado. Não posso ignorar esse chamado. Se as estrelas me
guiaram até aqui, se Sylvior me concedeu essa conexão, então há uma razão para isso.

Preciso descobrir o que essa visão significa. Preciso encontrar aqueles que possam me ajudar.
Antes que seja tarde demais.

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