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Capitulo 2 - Valor e Risco - Parte 2

O Capítulo 2 aborda o conceito de risco financeiro, suas medidas e tipos, enfatizando a importância do tempo na avaliação do valor dos investimentos. O documento detalha como medir o risco através de variância e desvio padrão, além de discutir estratégias para mitigação de riscos, como diversificação e cobertura. Por fim, são apresentados diferentes tipos de risco, incluindo risco de crédito, de mercado e operacional.

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Capitulo 2 - Valor e Risco - Parte 2

O Capítulo 2 aborda o conceito de risco financeiro, suas medidas e tipos, enfatizando a importância do tempo na avaliação do valor dos investimentos. O documento detalha como medir o risco através de variância e desvio padrão, além de discutir estratégias para mitigação de riscos, como diversificação e cobertura. Por fim, são apresentados diferentes tipos de risco, incluindo risco de crédito, de mercado e operacional.

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Economia Monetária e Financeira

Capítulo 2 – Valor e risco

Luanda, 2025
Sumário:

• Capítulo 2 – Valor e risco

▪ 2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

▪ 2.3. Estratégias para redução do risco dos investimentos financeiros

2
Capítulo 1 – Sistema financeiro e a moeda

Objectivo de aprendizagem

Quando terminarmos esta aula os alunos devem ser capazes de:

▪ Compreender o conceito de risco.

▪ Identificar os diferentes tipos de risco e as formas mais utilizadas para o medir

▪ Descrever as principais estratégias de redução do risco dos investimentos


financeiros

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Capítulo 2 – Valor e risco
Nota introdutória
Na aula passada procuramos estudar o conceito de valor actual e valor futuro, no sentido de
percebermos a importância do tempo na determinação do valor dos investimentos financeiros.
Agora lembre-se que na medida em que um investimento financeiro implica tempo, ele
comporta também risco. Isto porque, se por um lado, podemos não estar vivos amanhã para
colhermos os frutos desses investimentos, por outro lado, os resultados esperados desses
investimentos comportam, geralmente, um certo grau de incerteza*.

*Abreu et al (2018)
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco
Risco financeiro*:

O risco de um investimento, é, basicamente, a medida da volatilidade dos rendimentos futuros associados a esse investimento, num dado intervalo de tempo e
relativamente a um valor de referencia.

Portanto, podemos dizer que algumas das características inerentes ao conceito de risco dos investimentos são as seguintes:

• Parte-se do pressuposto de que se conseguem conhecer as hipóteses (em termos de probabilidades) de cenários possíveis (de resultados esperados).

• A quantificação do risco financeiro de um investimento deve ter sempre em conta uma comparação com o investimento alternativo. Assim sendo, é necessário
usar uma medida comum de risco entre estes investimentos financeiros. Essa medida comum é o desvio padrão (ou a variância).

• A avaliação do risco financeiro requer a comparação com um valor de referência, que é dado, normalmente, pela taxa de juro de um activo considerado sem risco.
Por exemplo, pode-se adoptar como referência a taxa de juro de Bilhetes do Tesouro.

• O factor tempo é importante, por isso, o risco é medido para um horizonte temporal.

• Todos os investimentos financeiros têm a expectativa de ter uma recompensa, pelo sacrifício do consumo presente e também pelo risco assumido (quanto mais
elevado o risco, maior a recompensa exigida).

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco
Medidas de risco*:

A medida de risco é baseada na teoria das probabilidades, segundo a qual deve se conhecer à priori todos os resultados possíveis, bem
como a probabilidade de ocorrência de cada resultado.

No caso dos investimentos, os resultados são medidos em termos de retorno esperado.

O Valor esperado é dado pelo somatório dos retornos possíveis multiplicados pela sua probabilidade de ocorrência.

Repare que para um Valor Esperado (dado) de EUR 1 200, advindo de um investimento de EUR 1 000, o ganho esperado é de EUR 200 e a
taxa esperada de retorno é de 20% (dada por Taxa de retorno esperada = valor esperado/ investimento – 1).

As medidas de risco normalmente mais usadas para os investimentos financeiros são a variância e o desvio padrão. Quanto maior for o
valor dessas medidas maior é a incerteza/risco associada ao investimento em análise. Para o cálculo (da variância e do desvio padrão) é
necessário determinar primeiro o valor esperado.

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco
Medidas de risco*

Valor esperado:

Onde:

𝒑𝒊 é a probabilidade de ocorrer o resultado i

n é o número de resultados possíveis

𝑹𝒊 é o retorno associado ao resultado i

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Medidas de risco*

Desvio padrão: Onde:

𝒑𝒊 é a probabilidade de ocorrer o resultado i

n é o número de resultados possíveis

𝑹𝒊 é o retorno associado ao resultado i


Variância:

ഥ é o retorno esperado
𝐑

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Medidas de risco

Exemplo:

Considere-se um investimento de 1 000 u.m. e a informação constante no quadro abaixo:

Calcular o valor esperado, a taxa de retorno esperada, a variância e o desvio padrão.

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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco
Medidas de risco

Valor esperado do retorno:

E(R) = (0,5 * 800) + (0,5*1600)

E(R) = 400 + 800 = 1 200 u.m.

Taxa de retorno esperada:

1200
E(R) = - 1 = 0,2
1000

E(R) = 20%

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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Medidas de risco

Desvio Padrão:

O risco a que o investidor incorre é de 400 u.m.

Variância:

2
= 400 = 160 000 u.m.

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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Medidas de risco

Valor em risco*:

A definição geral de valor em risco pode ser entendida como a pior perda possível num determinado
período de tempo e com uma dada probabilidade.

Análises do tipo value at risk são normalmente mais sofisticadas incluindo uma análise das
probabilidades e definição de um horizonte temporal. O cálculo do valor em risco é particularmente
utilizado na gestão e regulação de instituições financeiras.

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco
Medidas de risco

Alavancagem*:

A possibilidade de se recorrer a empréstimos permite aumentar o montante investido através de um


processo que muitas vezes se designa por “alavancagem”.

Trata-se de um processo que não só pode contribuir para um grande incremento das possibilidades de
financiamento como também para o aumento das taxas de retorno esperadas do investimento realizado.
Mas, simultaneamente, também aumenta (e por vezes muito) o risco dos investimentos realizados.

O rácio de alavancagem é dado pela divisão do investimento total pelo valor do capital próprio.

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Tipos de risco (quanto à sua abrangência)*

É um risco específico ou único para um


Risco determinado tipo de activos financeiros, empresa,
mercado, país, região, sem grande perigo de se
idiossincrático propagar a outros activos, empresas, mercados,
países ou regiões.

É um risco que afecta todo o sistema ou o sector


de actividade. Pode ter como causas factores Risco
macroeconómicos, influenciando um sector, país ou
região, generalizando-se via contágio. sistémico

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Tipos de risco (quanto à sua origem)*

Risco de
incumprimento Risco de Risco de taxa Risco de Risco de Risco
Risco país Risco cambial
(ou risco de liquidez de juro mercado insolvência operacional
crédito)

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Tipos de risco (quanto à sua origem)*

- Risco de incumprimento (ou risco de crédito): é o risco de não cumprimento do serviço da dívida de um empréstimo, total ou parcialmente.

- Risco país: corresponde ao risco de vir a ocorrer uma crise nacional.

- Risco de liquidez: este possui várias dimensões. Pode resultar da incapacidade de uma empresa em obter fundos a um preço normal para financiar a sua
actividade; do risco de liquidez do mercado (que tem a ver com o risco de ser efectuado um reduzido volume de transacções); ou do risco de liquidez de um activo
específico.

- Risco de taxa de juro: é o risco de diminuição do retorno devido a variações na taxa de juro.

- Risco de mercado: é o risco de evolução desfavorável do preço de mercado dos activos, durante o período de detenção do mesmo em carteira. Quanto maior a
maturidade maior o risco de mercado.

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.2. Risco financeiro, medidas de risco e tipos de risco

Tipos de risco (quanto à sua origem)*

- Risco cambial: risco de perdas devido a alterações na taxa de câmbio.

- Risco de insolvência: é o risco do capital disponível não permitir absorver as perdas geradas por outros tipos de risco. A regulação das instituições financeiras tem
em conta este tipo de risco ao exigir um determinado montante de capitais próprios mínimos para cada instituição.

- Risco operacional: é o risco de ocorrência de erros humanos, erros nos processos, erros técnicos, ou erros dos sistemas de informação. Em suma, é o risco ligado
ao normal funcionamento de uma organização.

*Ibidem
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Capítulo 2 – Valor e risco
2.3. Estratégias para redução do risco dos investimentos financeiros*
As estratégias para redução do risco (idiossincrático) dos investimentos financeiros são:

Diversificação da carteira
Consiste na estratégia de diversificação dos títulos que compõem a carteira,
pois “não convém colocar todos os ovos na mesma cesta”.

Cobertura do risco
Consiste na estratégia que garanta que a perda associada à detenção de um título se traduza,
necessariamente, no ganho de outro tipo de títulos detidos.

Transferência do risco
Consiste na transferência do risco para outra entidade, mediante o pagamento de uma compensação (e.g.
apólice de seguro).
*Ibidem
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Referência bibliográfica

Básica:

ABREU, Margarida et al. Economia Monetária e Financeira. 3 ed.

Lisboa: Escolar Editora, 2018. Pág. 63 – 76

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