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Universidade Zambeze Faculdade de Ciências Agrárias Curso de Engenharia Agro-Pecuária Disciplina: Bioquimica

O documento aborda o metabolismo dos ácidos nucleicos, destacando sua importância na transmissão e expressão da informação genética. Os objetivos incluem compreender a síntese e degradação de purinas e pirimidinas, além de discutir doenças associadas a essas bases. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica, utilizando fontes científicas e especializadas.
Direitos autorais
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Universidade Zambeze Faculdade de Ciências Agrárias Curso de Engenharia Agro-Pecuária Disciplina: Bioquimica

O documento aborda o metabolismo dos ácidos nucleicos, destacando sua importância na transmissão e expressão da informação genética. Os objetivos incluem compreender a síntese e degradação de purinas e pirimidinas, além de discutir doenças associadas a essas bases. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica, utilizando fontes científicas e especializadas.
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UNIVERSIDADE ZAMBEZE

FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS


CURSO DE ENGENHARIA AGRO-PECUÁRIA
DISCIPLINA: BIOQUIMICA

Tema: Metabolismo dos Acidos Nucleicos

Discentes: Docente:
Eunice Abel dr. Gabriel Naquira

Ulóngué, Maio de 2024


Índice
1. Introdução......................................................................................................................1

1. Objectivos......................................................................................................................2

1.1 Objectivo Geral...........................................................................................................2

1.2. Objectivos Específicos...............................................................................................2

1.2. Metodologia................................................................................................................2

2. Revisão de Literatura.....................................................................................................3

2.1. Contextualização dos ácidos nucleicos......................................................................3

2.2. Ácidos nucleicos.........................................................................................................3

2.2.1. Componentes dos Ácidos Nucleicos.......................................................................4

2.2.2. Tipos de ácidos nucleicos........................................................................................5

2.3. Transmissão hereditária..............................................................................................5

2.3.1. Mecanismo de Transmissão....................................................................................6

2.4. Purinas e Pirimidinas..................................................................................................6

2.4.1. Purinas.....................................................................................................................6

2.4.2. Pirimidinas...............................................................................................................6

2.5. Síntese e degradação das purinas e pirimidinas.........................................................7

2.5.1. Síntese de Purinas....................................................................................................7

[Link]. Degradação de Purinas.........................................................................................8

2.5.2. Síntese de Pirimidinas...........................................................................................10

2.6. Doenças ligadas a alterações nas bases purinas e pirimidinas.................................11

2.7. Organização do material genético na célula eucariótica..........................................13

3. Conclusão....................................................................................................................14

4. Referências bibliográficas...........................................................................................15
1. Introdução

Os ácidos nucleicos são moléculas fundamentais para a vida, desempenhando


papéis essenciais na armazenamento, transmissão e expressão da informação genética
em todos os organismos vivos (NELSON & COX, 2009).

De acordo com Berg et al., (2007) os ácidos nucleicos são compostos por
unidades básicas chamadas nucleotídeos, os ácidos nucleicos são responsáveis por
codificar as instruções necessárias para o desenvolvimento, funcionamento e reprodução
dos seres vivos. Cada nucleotídeo que constitui os ácidos nucleicos é composto por três
componentes principais: uma base nitrogenada, uma pentose (um açúcar de cinco
carbonos) e uma ou mais moléculas de fosfato. Esses componentes se combinam em
uma estrutura complexa que determina a funcionalidade e a diversidade dos ácidos
nucleicos (BERG et al., 2007).

Conforme Voet & Voet (2008) referem que a função primordial dos ácidos
nucleicos é controlar a síntese de proteínas, sendo responsáveis por armazenar e
transmitir as informações genéticas através das moléculas de DNA e RNA.

Assim sendo, este trabalho tem como objectivo explorar os principais aspectos
do metabolismo dos ácidos nucleicos, desde a síntese e degradação das purinas e
pirimidinas até as vias metabólicas envolvidas na transmissão e expressão das
informações genéticas.

1
1. Objectivos

1.1 Objectivo Geral

 Compreender sobre o metabolismo dos ácidos nucleicos.

1.2. Objectivos Específicos

 Situar os ácidos nucleicos em seu contexto biológico.


 Analisar o processo de transmissão hereditária e suas implicações.
 Detalhar os mecanismos de síntese e degradação das bases purinas e pirimidinas.
 Descrever as doenças ligadas as bases purinas e pirimidinas.
 Explicar a organização do material genético na célula eucariótica, elucidando
sua importância funcional.

1.2. Metodologia

O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica,


com base em artigos científicos, livros e sites especializados. A pesquisa foi realizada
em bibliotecas virtuais, como o Google Scholar, Scribd, e Docero.

Segundo Marconi & Lakatos (2003), “a pesquisa bibliográfica é um tipo de


pesquisa que se baseia na análise de documentos já publicados, como livros, artigos
científicos, teses, dissertações, relatórios, entre outros”.

2
2. Revisão de Literatura

2.1. Contextualização dos ácidos nucleicos

Os ácidos nucleicos, como o DNA (ácido desoxirribonucleico) e o RNA (ácido


ribonucleico), têm uma origem evolutiva antiga e desempenham papéis fundamentais na
vida celular. Acredita-se que essas moléculas tenham surgido nos estágios iniciais da
evolução biológica, possivelmente antes mesmo do surgimento das células tal como as
conhecemos hoje (STRYER et al., 2004).

Conforme Voet e Voet (2008) a origem dos ácidos nucleicos está relacionada à
necessidade de armazenar e transmitir informações genéticas. O DNA, em particular, é
a molécula mestra que contém as instruções necessárias para o desenvolvimento,
funcionamento e reprodução dos organismos. O RNA desempenha papéis cruciais na
tradução dessas informações em proteínas e em vários outros processos celulares.

No entanto Nelson e Cox (2009) referem que:

Embora a origem exata dos ácidos nucleicos ainda seja objeto de estudo e debate, algumas
teorias sugerem que essas moléculas podem ter surgido em ambientes primitivos da Terra, como
poças de água ou fontes hidrotermais. Nessas condições, moléculas simples contendo
nucleotídeos poderiam ter se formado espontaneamente a partir de precursores orgânicos
abundantes na Terra primordial.

Além disso, experimentos de laboratório demonstraram que condições similares


às da Terra primitiva podem levar à formação de nucleotídeos e até mesmo à síntese
espontânea de pequenas cadeias de RNA em condições pré-bióticas. Esses estudos
fornecem insights importantes sobre os processos químicos que podem ter levado à
origem dos ácidos nucleicos e à emergência da vida na Terra (NELSON & COX, 2009)

2.2. Ácidos nucleicos

De acordo Magalhães (s.d) “os ácidos nucleicos são macromoléculas


constituídas por nucleotídeos, que formam dois importantes componentes das células, o
DNA e o RNA”. Eles recebem essa denominação pelo fato de possuírem
carácter ácido e por serem encontrados no núcleo da célula.

3
Os ácidos nucleicos são essenciais para todas as células, pois é a partir das
moléculas de DNA e RNA que são sintetizadas as proteínas, as células se multiplicam e
ainda ocorre o mecanismo de transmissão das características hereditárias
(MAGALHÃES, s.d).

Além disso, os nucleotídeos são importantes em diversos processos, como a


síntese de alguns carboidratos e lipídios e a regulação do metabolismo intermediário,
activando ou inibindo enzimas (MAGALHÃES, s.d).

2.2.1. Componentes dos Ácidos Nucleicos

Conforme Magalhães (s.d) os ácidos nucleicos são formados por nucleotídeos, são as
unidades básicas dos ácidos nucleicos. Cada nucleotídeo é composto por três
componentes principais:

 Grupo fosfato: é um grupo funcional contendo fósforo, que forma a "espinha


dorsal" da molécula de ácido nucleico.
 Pentose: uma molécula de açúcar de cinco carbonos. No DNA, a pentose é a
desoxirribose; no RNA, é a ribose.
 Base nitrogenada: existem quatro tipos de bases nitrogenadas encontradas nos
ácidos nucleicos: adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T) no DNA, e
uracila (U) no RNA (que substitui a timina). Quando existe apenas uma base
nitrogenada ligada a um carboidratos do grupo das pentoses, forma-se
um nucleosídeo. Graças à adição do grupo fosfato aos nucleosídeos, as
moléculas passam a ter cargas negativas e tornam-se nucleotídios, apresentando
o carácter ácido.

Fig. Estrutura de um Acido Nucleico

4
2.2.2. Tipos de ácidos nucleicos

De acordo com Voet e Voet (2008) existem dois principais tipos de ácidos
nucleicos encontrados nos organismos vivos: o ácido desoxirribonucleico (DNA) e o
ácido ribonucleico (RNA). Aqui está uma visão geral de cada um:

a) Ácido Desoxirribonucleico (DNA)


 O DNA é o material genético encontrado na maioria dos organismos.
 Ele é uma molécula dupla hélice composta por duas cadeias complementares de
nucleotídeos.
 Cada nucleotídeo no DNA é composto por uma pentose chamada desoxirribose,
um grupo fosfato e uma das quatro bases nitrogenadas: adenina (A), citosina
(C), guanina (G) e timina (T).
 As bases nitrogenadas em cada cadeia de DNA se emparelham de maneira
específica: adenina (A) com timina (T) e citosina (C) com guanina (G).
 O DNA armazena informações genéticas que são transmitidas de uma geração
para a próxima e é responsável pela síntese de proteínas.
b) Ácido Ribonucleico (RNA)
 O RNA desempenha vários papéis na célula, incluindo a transcrição do DNA em
moléculas de RNA mensageiro (mRNA), transporte de informações genéticas do
núcleo para os ribossomos, e síntese de proteínas.
 Assim como o DNA, o RNA é composto por nucleotídeos, mas em vez de
timina (T), ele contém uracila (U) como uma das bases nitrogenadas.
 Existem vários tipos de RNA, incluindo mRNA, RNA transportador (tRNA) e
RNA ribossômico (rRNA), cada um desempenhando funções específicas no
processo de síntese de proteínas.

2.3. Transmissão hereditária


A transmissão hereditária, ou hereditariedade, refere-se à passagem de
características genéticas de uma geração para outra. Essa transmissão ocorre através dos
ácidos nucleicos, especialmente do DNA (BERG et al., 2007).

5
2.3.1. Mecanismo de Transmissão
Conforme STRYER et al., (2004) a o mecanismo da transmissão hereditária ocorre da
seguinte forma:

 A hereditariedade ocorre através da reprodução, seja ela sexuada ou assexuada.


 Na reprodução sexuada, os organismos produzem células reprodutivas
especializadas chamadas gametas (por exemplo, óvulos e espermatozoides) que
contêm metade do número de cromossomos da célula somática.
 Durante a fertilização, os gametas masculino e feminino se fundem, combinando
seu material genético para formar um zigoto, que se desenvolverá em um novo
organismo.
 Na reprodução assexuada, os organismos se reproduzem por meio de processos
como a divisão celular mitótica, onde a célula-mãe se divide para formar
células-filhas geneticamente idênticas.

2.4. Purinas e Pirimidinas

As purinas e pirimidinas são dois tipos de bases nitrogenadas que compõem os


nucleotídeos, que, por sua vez, são os blocos de construção dos ácidos nucleicos, como
o DNA e o RNA (VOET & VOET, 2008).

2.4.1. Purinas

 As purinas são bases nitrogenadas de dois anéis. Elas são caracterizadas por sua
estrutura de dois anéis fundidos, um hexagonal e um pentagonal.
 Existem duas purinas comumente encontradas nos ácidos nucleicos: adenina (A)
e guanina (G).
 A adenina (A) é encontrada tanto no DNA quanto no RNA. Ela se emparelha
com a timina (T) no DNA e com o uracila (U) no RNA.
 A guanina (G) também está presente no DNA e no RNA, emparelhando-se com
a citosina (C) nas moléculas de DNA e RNA.

2.4.2. Pirimidinas

 As pirimidinas são bases nitrogenadas de um único anel.


 Existem três pirimidinas comumente encontradas nos ácidos nucleicos: citosina
(C), timina (T) e uracila (U).

6
 A citosina (C) é encontrada tanto no DNA quanto no RNA. No DNA, ela se
emparelha com a guanina (G), enquanto no RNA ela se emparelha com a
guanina (G).
 A timina (T) é encontrada apenas no DNA. Ela se emparelha especificamente
com a adenina (A) no DNA.
 O uracila (U) é encontrado apenas no RNA. Ele se emparelha com a adenina (A)
no RNA.

2.5. Síntese e degradação das purinas e pirimidinas

A síntese e degradação das purinas e pirimidinas são processos vitais que


ocorrem nas células para garantir a disponibilidade adequada dessas bases nitrogenadas
para a síntese de ácidos nucleicos e outras moléculas essenciais (VOET & VOET,
2008)..

2.5.1. Síntese de Purinas

A síntese de purinas é um processo fundamental nas células, responsável pela


produção de nucleotídeos purínicos, que são componentes essenciais dos ácidos
nucleicos (DNA e RNA), além de desempenharem papéis vitais na sinalização celular e
no metabolismo energético. Existem duas vias principais para a síntese de purinas: a via
de novo e a via de salvamento (ou reciclagem) (NELSON & COX, 2009).

a) Via de Novo

De acordo com Nelson e Cox (2009) na via de novo, as purinas são sintetizadas
a partir de precursores simples como aminoácidos, bicarbonato e glutamina. Essa via é
responsável pela produção de purinas a partir do zero.

I. Formação de PRPP (Fosforribosil Pirofosfato)

O processo começa com a formação de PRPP a partir da ribose-5-fosfato, que é


fornecida pela via das pentoses fosfato:

 Enzima: PRPP sintetase


 Reação: Ribose-5-fosfato + ATP → PRPP + AMP

7
II. Formação de 5-Fosforribosilamina

O PRPP reage com a glutamina para formar 5-fosforribosilamina:

 Enzima: Glutamina-PRPP amidotransferase


 Reação: PRPP + Glutamina → 5-Fosforribosilamina + Glutamato + PPi

III. Construção do Anel Purina


 O PRPP é combinado com glutamina para formar 5-fosforribosilamina, que
serve como o primeiro substrato na síntese do anel purina.
 O anel purina é formado por uma série de reações que incluem a adição de
átomos de carbono e nitrogênio de diferentes fontes, como glicina, aspartato,
formil-THF (tetrahidrofolato) e bicarbonato.

IV. 4. Conversão de IMP a AMP e GMP

O IMP serve como o precursor para a formação dos dois principais nucleotídeos
purínicos, AMP e GMP:

 Formação de AMP:
o Enzima: Adenilosuccinato sintetase
o Reação: IMP + Aspartato + GTP → Adenilosuccinato
o Enzima: Adenilosuccinato liase
o Reação: Adenilosuccinato → AMP + Fumarato

 Formação de GMP:
o Enzima: IMP desidrogenase
o Reação: IMP + NAD⁺ + H₂O → Xantosina monofosfato (XMP) +
NADH + H⁺
o Enzima: GMP sintetase
o Reação: XMP + ATP + Glutamina → GMP + AMP + PPi + Glutamato

[Link]. Degradação de Purinas

De acordo com NELSON & COX (2009) a degradação de purinas é um processo


essencial para a célula, no qual os nucleotídeos purínicos, como o AMP e o GMP, são

8
decompostos em produtos finais que podem ser excretados ou reutilizados. Assim sendo
os autores referem que as principais etapas da degradação das pruínas são:

I. Degradação de Nucleotídeos Purínicos

Nesta primeira fase, os nucleotídeos purínicos, como o AMP e o GMP, são convertidos
em nucleosídeos purínicos, que são moléculas mais simples.

II. Desfosforilação dos Nucleotídeos:


 A desfosforilação ocorre pela ação da enzima fosfatase nucleotídica.
 Durante esse processo, o grupo fosfato é removido dos nucleotídeos,
resultando na formação de nucleosídeos purínicos, tais como adenosina e
guanosina.
III. Quebra dos Nucleosídeos
 Na próxima etapa, os nucleosídeos purínicos são quebrados em suas bases
purínicas correspondentes.
 A quebra dos nucleosídeos é catalisada pela enzima nucleotidase.
 Durante esse processo, as ligações entre os nucleotídeos e os açúcares são
rompidas, resultando na liberação das bases purínicas, como adenina e
guanina.
IV. Degradação de Bases Purínicas
 Após a quebra dos nucleosídeos, as bases purínicas seguem para a etapa final
da degradação.
V. Conversão em Ácido Úrico
 As bases purínicas, como a adenina e a guanina, são convertidas em ácido
úrico.
 Essa conversão é mediada pela enzima xantina oxidase.
VI. Eliminação de Ácido Úrico
 O ácido úrico é o produto final da degradação das purinas.
 Ele é excretado na urina como uma forma de eliminar os resíduos resultantes
do metabolismo das purinas.

2.5.2. Síntese de Pirimidinas

De acordo VOET & VOET (2008) existem duas vias principais para a síntese de
pirimidinas: a via de novo e a via de salvamento.

9
1. Via de Novo

Na via de novo, as pirimidinas são sintetizadas a partir de precursores simples


como bicarbonato, glutamina, ácido aspártico e amônia. Essa via é responsável pela
produção de pirimidinas a partir do zero (VOET & VOET, 2008). Abaixo apresenta-se
as principais etapas da síntese das pirimidinas:

Etapas Principais:

1. Formação de Carbamoilfosfato:

o O bicarbonato é convertido em carbamoilfosfato pela ação da


carbamoilfosfato sintetase II, com a utilização de glutamina e ATP.

2. Formação de Carbamoil Aspartato:

o O carbamoilfosfato reage com o ácido aspártico para formar carbamoil


aspartato, catalisado pela aspartato transcarbamilase.

3. Formação de Orotato:

o O carbamoil aspartato é convertido em orotato pela dihidroorotato


desidrogenase.

4. Conversão em UMP (Uridina Monofosfato):

o O orotato é transformado em UMP pela orotato fosforribosiltransferase,


com a adição de uma ribose-5-fosfato.

2. Via de Salvamento (Reciclagem):

Na via de salvamento, as pirimidinas são recicladas a partir de nucleotídeos ou


bases pirimídicas previamente formadas. Essa via é responsável pela recuperação de
pirimidinas a partir de nucleotídeos ou bases liberadas durante a degradação do DNA e
RNA (VOET & VOET, 2008).

Etapas Principais:

 Conversão de Bases Pirimídicas em Nucleotídeos:

10
o Bases pirimídicas, como uracila, citosina e timina, são convertidas em
nucleotídeos pela adição de uma ribose-5-fosfato.
o Essa etapa é catalisada por diferentes enzimas dependendo da base
pirimídica.
 Interconversão de Nucleotídeos Pirimídicos:
o Os nucleotídeos pirimídicos, como UMP, CMP e TMP, podem ser
interconvertidos entre si através de uma série de reações enzimáticas.

2.6. Doenças ligadas a alterações nas bases purinas e pirimidinas


Conforme STRYER et al., (2004) as doenças ligadas a alterações nas bases
purinas e pirimidinas geralmente resultam de mutações genéticas que afectam as
enzimas envolvidas na síntese, degradação ou metabolismo dessas bases. Aqui estão
algumas doenças conhecidas relacionadas a essas alterações:

1. Síndrome de Lesch-Nyhan
 Esta é uma doença genética rara causada por uma deficiência da enzima
hipoxantina-guanina-fosforribosiltransferase (HPRT).
 Como resultado da deficiência de HPRT, há uma acumulação de ácido úrico,
bem como aumento da produção de ácido úrico e purinas.
 Os sintomas incluem hiperuricemia, gota, problemas neurológicos graves
(incluindo autolesão), atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.
2. Deficiência de Adenosina Desaminase (ADA):
 A deficiência da enzima adenosina desaminase (ADA) leva à imunodeficiência
combinada grave (SCID), também conhecida como "doença da bolha".
 A ADA é responsável pela conversão da adenosina em inosina. Sem ADA
funcional, há uma acumulação tóxica de adenosina e desoxiadenosina,
resultando em danos ao sistema imunológico e imunodeficiência grave.
3. Síndrome de Lesão da Base de Timina (TBLS)
 Esta é uma doença genética rara causada por mutações no gene TYMS, que
codifica a timidilato sintase.
 A timidilato sintase é responsável pela conversão de desoxiuridina monofosfato
(dUMP) em desoxitimidina monofosfato (dTMP), um precursor essencial para a
síntese de timidina e DNA.

11
 As mutações no gene TYMS levam à deficiência na produção de dTMP,
resultando em problemas de síntese de DNA e, consequentemente, em defeitos
congênitos graves, incluindo malformações faciais, problemas cardíacos e atraso
no desenvolvimento neurológico.
4. Síndrome de Síntese de Ornitina Transcarbamilase (OTC)
 Esta é uma doença metabólica hereditária ligada ao cromossomo X que afeta a
ureia.
 É causada pela deficiência da enzima ornitina transcarbamilase (OTC), que está
envolvida na síntese da ureia, um composto necessário para a remoção de
amônia do corpo.
 Os sintomas incluem hiperamonemia, vômitos, letargia e convulsões.

5. Deficiência de Hipoxantina-Guanina-Fosforribosiltransferase (HGPRT)

Além da síndrome de Lesch-Nyhan, deficiências na enzima HGPRT podem


resultar em outras formas menos graves de hiperuricemia, como a síndrome de Kelley-
Seegmiller e a síndrome de X-linked Dominante de Hiperuricemia (VOET & VOET,
2008).

6. Deficiência de Síntese de Purina PRPP (Síndrome de superprodução de ácido


úrico)

Essa condição é causada por uma deficiência na enzima fosforribosil pirofosfato


sintetase (PRPP) que leva à superprodução de ácido úrico. Os sintomas incluem gota
precoce e outros problemas relacionados ao excesso de ácido úrico no corpo (BERG et
al., 2007).

7. Anemia de Fanconi

Embora seja uma doença principalmente relacionada a defeitos em genes envolvidos na


reparação do DNA, algumas formas de anemia de Fanconi têm sido associadas a
defeitos na síntese de pirimidinas (NELSON & COX, 2009).

8. Síndrome de DiGeorge:

12
Esta síndrome pode incluir defeitos no gene TYMS, causando problemas na
síntese de DNA e contribuindo para os sintomas da síndrome, como defeitos cardíacos
congênitos e problemas imunológicos (NELSON & COX, 2009).

2.7. Organização do material genético na célula eucariótica

Na célula eucariótica, o material genético está organizado de forma altamente


estruturada para garantir que as informações genéticas sejam mantidas, expressas e
transmitidas de maneira eficiente (QUINTAS et al., 2008).

De acordo com STRYER et al., (2004) o núcleo é o compartimento principal


onde o material genético está contido. Dentro do núcleo, o DNA (ácido
desoxirribonucleico) é encontrado em forma de cromatina. A cromatina é uma estrutura
composta por DNA, proteínas histonas e outras proteínas associadas. A cromatina pode
se apresentar em dois estados principais: heterocromatina, uma forma mais condensada
e inativa, e eucromatina, uma forma menos condensada e activa.

Os cromossomos são estruturas altamente organizadas formadas por DNA e


proteínas, que são visíveis durante a divisão celular. Cada cromossomo consiste em uma
única molécula de DNA altamente condensada, juntamente com proteínas histonas e
outras proteínas associadas. Os cromossomos são essenciais para garantir a segregação
correta do material genético durante a divisão celular (QUINTAS et al., 2008).

Além do núcleo, o DNA também está presente nas mitocôndrias e cloroplastos


(em células vegetais), onde desempenha papéis específicos na síntese de proteínas e na
produção de energia(NELSON & COX, 2009).

A organização do material genético é dinâmica e altamente regulada. Durante a


divisão celular, os cromossomos condensam-se ainda mais para facilitar a segregação
precisa do DNA para as células filhas. Durante a transcrição e replicação do DNA, a
cromatina sofre alterações na sua estrutura para permitir o acesso aos genes e à
maquinaria celular necessária para esses processos (NELSON & COX, 2009).

Os autores acima referem que além disso, a organização tridimensional do DNA


no núcleo é crucial para a regulação da expressão génica. Regiões específicas do DNA

13
podem interagir entre si e com proteínas reguladoras para controlar quais genes estão
activos em determinado momento e em resposta a diferentes sinais ambientais.

3. Conclusão

Os ácidos nucleicos, pilares fundamentais da biologia celular e molecular,


desempenham papéis vitais na transmissão e expressão da informação genética. O
DNA, com sua estrutura icónica de dupla hélice, carrega as instruções essenciais para o
desenvolvimento, funcionamento e hereditariedade dos organismos. O RNA, por sua
vez, desempenha múltiplos papéis na tradução, transporte e regulação dos processos
celulares.

Além disso a síntese e degradação das purinas e pirimidinas são processos


fundamentais para a manutenção do equilíbrio metabólico e genético das células. Na
síntese de purinas, as vias de novo e de salvamento são responsáveis pela produção
dessas bases a partir de precursores simples. A complexa cascata de reacções envolvidas
na síntese das purinas, desde a formação de PRPP até a conversão de IMP em AMP e
GMP, mostra a importância desse processo para a célula.

Por outro lado, a degradação das purinas é essencial para evitar o acúmulo de
produtos tóxicos no organismo. A conversão dos nucleotídeos purínicos em ácido úrico
e sua subsequente excreção na urina são etapas cruciais desse processo. Já a síntese de
pirimidinas ocorre principalmente através das vias de novo e de salvamento, onde
precursores simples são convertidos em bases pirimídicas. Essas bases são então
incorporadas aos nucleotídeos pirimídicos, que podem ser utilizados na síntese de
ácidos nucleicos ou em outros processos celulares.

As doenças relacionadas a alterações nas bases purinas e pirimidinas destacam a


importância desses processos para a saúde humana. Deficiências enzimáticas podem
levar a condições graves, como a síndrome de Lesch-Nyhan, a imunodeficiência
combinada grave e a anemia de Fanconi, ressaltando a necessidade de um equilíbrio
adequado na síntese e degradação dessas bases.

14
4. Referências bibliográficas

1. NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger principles of biochemistry. 5ª ed. W.


H. Freeman, 2009.
2. BERG, J. M.; TYMOCZKO, J. L.; STRYER, L. Bioquimica. 6ª ed. W. H.
Freeman, 2007.
3. QUINTAS, A.; PONCES FREIRE, A.; HALPERN, M. J. Bioquímica:
Organização molecular da vida. Lídel, 2008.
4. MAGALHÃES, Lana. Ácidos Nucleicos: o que são, seus tipos e como são
formados. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29
mai. 2024
5. VOET, D.; VOET, J. G. Fundamentos de bioquímica: A vida em nível
molecular. 2ª ed. Editora Artmed, 2008.
6. STRYER, L.; TYMOCZKO, J. L.; BERG, J. M. Bioquímica. 5ª ed. Editora
Guanabara, 2004.

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