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02 - Conceitos

O documento aborda conceitos fundamentais sobre riscos e desastres, destacando a importância da gestão adequada e a evolução dos marcos internacionais. Define elementos como risco, ameaça, exposição, vulnerabilidade, capacidade e resiliência, além de classificar desastres em naturais e tecnológicos. Também discute ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, enfatizando a necessidade de um planejamento eficaz para minimizar os impactos de desastres.
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02 - Conceitos

O documento aborda conceitos fundamentais sobre riscos e desastres, destacando a importância da gestão adequada e a evolução dos marcos internacionais. Define elementos como risco, ameaça, exposição, vulnerabilidade, capacidade e resiliência, além de classificar desastres em naturais e tecnológicos. Também discute ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, enfatizando a necessidade de um planejamento eficaz para minimizar os impactos de desastres.
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CONCEITOS

CEL QOBM CATARINELI


Objetivos

• Recordar detalhes do contexto internacional;


• Reconhecer algumas definições fundamentais para o
entendimento do processo de desastre, desde a sua
ocorrência até a sua gestão adequada.
• Os estudos sobre riscos e
desastres ocorrem em
todo o mundo e têm na
Organização das Nações
Unidas (ONU) uma das
referências mais
importantes e difundidas.
• Ao longo de décadas,
profissionais e
pesquisadores trabalham
atualizando conceitos e
diretrizes de gestão para,
cada vez mais,
adequarem-se à realidade
de nossa sociedade.
• Evidências e relatórios em diversos âmbitos demonstram que, desde
a aprovação do Marco de Ação de Hyogo (2005-2015) e do Marco de
Sendai (2015-2030), houve um significativo avanço na RRD em âmbito
local e global.
EXERCÍCIO CONCEITOS DE RISCO
RISCO DE DESASTRE
• A construção social do risco, ou
produção social do risco,
remete à ideia de que entre os
fatores geradores das
circunstâncias de risco sempre
haverá um processo social
(interação do ser humano com o
ambiente) que os
desencadeiam.
• São problemas de
desenvolvimento, na maior
parte das vezes relacionados ao
planejamento inadequado do
uso e ocupação do solo.
Para compreender cada um dos elementos que
compõe o risco de desastre, acompanhe as
definições a seguir:
• O risco é circunstância potencial ou, segundo consta na IN MDR nº 36/2020, “[...] potencial de
ocorrência de um evento adverso sob um cenário vulnerável [...]” (BRASIL, 2020c). São três os
fatores que, combinados, influenciam na concretização dessa possibilidade: a ameaça, a
exposição e a vulnerabilidade, cada um deles descritos na sequência.
• A ameaça é definida como “[...] um processo, fenômeno ou atividade humana que possa causar
perdas de vidas, lesões ou outros impactos à saúde, danos materiais, perturbação social e
econômica ou degradação ambiental” (UNISDR, 2017, tradução nossa).
• Por sua vez, a exposição refere-se às pessoas, propriedades, infraestruturas e outros elementos
ou sistemas localizados em áreas sujeitas a ocorrências de ameaças. Essas situações podem
referir-se ao número de pessoas ou variar em função do tipo de infraestrutura e edificações
expostas. Pode ser combinada com a vulnerabilidade e a capacidade dos elementos frente a uma
ameaça para avaliar o seu impacto nas pessoas ou na economia, por exemplo, e suas
consequências futuras (UNISDR, 2017).
• A vulnerabilidade é determinada por fatores ou processos físicos, sociais, econômicos e
ambientais que aumentam a predisposição aos impactos de um evento natural, tecnológico ou de
origem antrópica em um indivíduo, uma comunidade, infraestruturas, propriedades ou sistemas
(UNISDR, 2017).
CONCEITOS DE CAPACIDADE E RESILIÊNCIA
CAPACIDADE
combinação de todas as forças, atributos e recursos
existentes em uma comunidade, sociedade ou
organização para gerir e reduzir os riscos e aumentar
a resiliência.
Do ponto de vista operacional, a
resiliência está relacionada à
RESILIÊNCIA forma como o governo e a
a habilidade de um sistema, comunidade ou sociedade sociedade civil compreendem
exposta a ameaças em resistir, absorver, acomodar, os riscos que enfrentam e são
adaptar-se, transformar e recuperar-se de maneira capazes de se auto-
eficaz dos efeitos de um evento adverso, inclusive por organizarem.
meio da preservação e restauração de suas estruturas
e funções básicas essenciais de gestão de riscos.
(UNISDR, 2017).
DESASTRE
• Uma grave perturbação do funcionamento de uma comunidade ou
sociedade, em qualquer escala, devido a eventos adversos que
interagem com as condições de exposição, vulnerabilidade e
capacidade, levando a perdas e impactos humanos, materiais,
econômicos e ambientais. (UNISDR, 2017, online).
• O Cobrade, resume os desastres em dois grandes grupos:
• NATURAIS E TECNOLÓGICOS.
• Os desastres classificados como naturais estão associados
a eventos da própria natureza, como as inundações e
deslizamentos ocasionados pelo excesso de chuva.
• Os do grupo tecnológico envolvem apenas a ação
humana direta, como colapso de edificações e incêndios
urbanos.
Quanto a VELOCIDADE DE EVOLUÇÃO, os desastres são classificados de duas maneiras, de acordo
com os conceitos apresentados no Anexo VI da IN MDR nº 36, de 4 dezembro de 2020:
Súbitos
São eventos adversos que ocorrem de forma inesperada e surpreendente, caracterizados pela
velocidade da evolução e pela violência dos eventos causadores, como enxurradas e deslizamentos.
Graduais
São eventos adversos que ocorrem de forma lenta e se caracterizam por evoluírem em etapas de
agravamento progressivo, por exemplo, a estiagem.
Quanto à identificação, o
Cobrade adota dois
conjuntos principais de
classificação, naturais e
tecnológicos, que são
subdivididos em:
» Grupos;
» Subgrupos;
» Tipos;
» Subtipos.
Os registros de desastres são realizados, na
grande maioria, pelos órgãos municipais de
P&DC. Suas ocorrências e seus relativos danos
e prejuízos são informados ao criar um
protocolo por meio do Formulário de
Informações do Desastres (FIDE), o qual é
encaminhado ao Governo Federal via S2ID.

O S2ID integra diversos produtos da Sedec,


com o objetivo de qualificar e dar
transparência à gestão de riscos e desastres
no Brasil, por meio da informatização de
processos e disponibilização de informações
sistematizadas dessa gestão.
Muitas vezes, os desastres são resultado de eventos
simultâneos e podem causar, ao mesmo tempo, vários
danos ao município.
Os impactos resultantes da ocorrência de um desastre
podem ocasionar danos humanos, materiais ou
ambientais e prejuízos econômicos e sociais (BRASIL,
2020b). Tanto os danos quanto os prejuízos
consequentes também devem ser registrados no FIDE.

No FIDE os danos e os prejuízos são organizados e


caracterizados separadamente.

DANOS
Os danos estão relacionados com as perdas
quantificáveis
e podem ser divididos em três tipos:
» Humanos;
» Materiais;
» Ambientais.
DANOS HUMANOS
De acordo com o formulário, os danos humanos são definidos pela quantidade de mortos, feridos, enfermos, desabrigados,
desalojados, desaparecidos e outras pessoas que foram diretamente afetadas pelo desastre, desde que necessitem de
auxílio do poder público ou cujos bens materiais tenham sido danificados/destruídos.
Observe os exemplos:

» Mortos: pessoas que perderam suas vidas em decorrência direta dos efeitos do desastre.

» Feridos: pessoas que sofreram lesões em decorrência direta dos efeitos do desastre e necessitam de intervenção médico-
hospitalar, materiais e insumos de saúde (medicamentos, médicos etc.).

» Enfermos: pessoas que desenvolveram processos patológicos em decorrência direta dos efeitos do desastre.

» Desabrigados: pessoas que necessitam de abrigo público, como habitação temporária, em função de danos ou ameaça de
danos causados em decorrência direta dos efeitos do desastre.

» Desalojados: pessoas que, em decorrência dos efeitos diretos do desastre, desocuparam seus domicílios, mas não
necessitam de abrigo público.

» Desaparecidos: pessoas que necessitam ser encontradas, pois em decorrência direta dos efeitos do desastre, estão em
situação de risco de morte iminente e em locais inseguros/perigosos.

» Outros afetados: pessoas afetadas diretamente pelo desastre (excetuando as já definidas anteriormente).
DANOS MATERIAIS DANOS AMBIENTAIS
Os danos materiais são representados pela quantidade e valor Os danos ambientais são caracterizados por
de elementos danificados ou destruídos total ou parcialmente alterações ocorridas no meio ambiente em
pelo desastre. Seu custo é estimado na substituição ou na decorrência direta dos efeitos do desastre. Segundo o
reparação física, considerando os valores de mercado FIDE, elas podem ser:
anteriores ao desastre. São avaliados primeiramente em
termos quantitativos (número de casas de uma tipologia » Poluição ou contaminação da água;
específica, quilometragem de estradas ou oleodutos etc.) e, em
seguida, em termos de seu valor monetário, utilizando os
» Poluição ou contaminação do ar;
preços de mercado atuais da unidade. Para isso, os elementos » Poluição ou contaminação do solo;
danificados ou destruídos são discriminados da seguinte forma:
» Unidades habitacionais; » Diminuição ou exaurimento hídrico;
» Instalações públicas de saúde; » Incêndios em parques, APA’s (áreas de
proteção ambiental) ou APP’s (áreas de
» Instalações públicas de ensino; preservação permanente).
Esses danos são mensurados de acordo com a
» Instalações públicas prestadoras de outros serviços; porcentagem da área ou da população
atingida.
» Instalações públicas de uso comunitário;
» Obras de infraestrutura pública.
PREJUÍZOS
Os prejuízos, por sua vez, referem-se às mudanças nos fluxos
econômicos decorrentes do desastre, que usualmente
continuam até a recuperação econômica total e a
reconstrução, podendo perdurar vários anos. Podem ser
classificados em dois tipos:
» Públicos;
» Privados.
Para restaurar a situação de normalidade
interrompida pelo desastre e seus impactos,
podem ser necessárias ações administrativas
excepcionais que demandem uma situação
jurídica especial.
Desastres de Nível III ou de grande
Desastres de Nível I ou de pequena Desastres de Nível II ou de média intensidade: aqueles em que há
intensidade: aqueles em que há intensidade: aqueles em que há danos vultosos danos humanos, materiais e
danos humanos, materiais e humanos, materiais e ambientais além ambientais além de prejuízos
ambientais além de prejuízos de prejuízos econômicos e sociais econômicos e sociais, com sério e
econômicos e sociais, mas que a expressivos e que a situação de relevante comprometimento do
situação de normalidade pode ser normalidade precisa ser restabelecida funcionamento das instituições públicas
restabelecida com os recursos com os recursos mobilizados em nível locais ou regionais, impondo-se a
mobilizados a nível local, por meio local e complementados com o aporte mobilização e a ação coordenada das
do emprego de medidas de recursos dos demais entes três esferas de atuação do Sistema
administrativas excepcionais federativos; e Nacional de Proteção e Defesa Civil, e,
previstas na ordem jurídica. eventualmente de ajuda internacional,
para o restabelecimento da situação de
normalidade.
Os decretos de SE ou de ECP realizados pelos
governos municipais, estaduais e distrital, podem ser
reconhecidos pelo governo federal quando houver
necessidade de apoio federal para ações de resposta e
recuperação do desastre.
EXERCICIO STOP DESASTER
• [Link]
AÇÕES DE PREVENÇÃO
• As ações de prevenção podem ser conceituadas como as medidas e
atividades prioritárias destinadas a evitar riscos de desastres
existentes e instalação de novos (UNISDR, 2017).
• Elas devem evitar os possíveis impactos adversos (negativos) de um
desastre, mediante a execução de ações planejadas e realizadas de
forma antecipada, como a construção de uma represa ou muro de
contenção para eliminar o risco de inundações e/ou deslizamentos,
ou a criação de leis que proíbam a construção de moradias em áreas
de risco por meio da aplicação de políticas públicas e fiscalização.
AÇÕES DE MITIGAÇÃO
• Já as ações de mitigação são as medidas e atividades adotadas para
reduzir o impacto de um desastre (UNISDR, 2017).
• Logo, tais atividades consistem em intervenções, com o intuito de
limitar os impactos adversos das ameaças, por exemplo: melhoria nos
sistemas de drenagem, adaptações das coberturas de edificações
para resistir melhor a vendavais, desenvolvimento de políticas e
programas voltados ao aumento da resiliência, dentre outros.
AÇÕES DE PREPARAÇÃO
• As ações de preparação referem-se ao conhecimento e às
capacidades desenvolvidas por governos, organizações de resposta
e recuperação, comunidades e indivíduos para efetivamente
antecipar, responder e se recuperar dos impactos de desastres
prováveis, iminentes ou atuais (UNISDR, 2017).
• Exemplos de ações de preparação são: a elaboração de planos de
contingência, a implementação de monitoramento, sistemas de alerta
e sirenes antecipados e os treinamentos e simulados.
AÇÕES DE RESPOSTA
• Por sua vez, as atividades de resposta são aquelas realizadas durante
e imediatamente após um desastre, a fim de salvar vidas, reduzir os
impactos na saúde, garantir a segurança pública e atender às
necessidades básicas de subsistência das pessoas afetadas (UNISDR,
2017).
• Portanto, atividades de resposta são aquelas que ocorrem em
atendimento a um desastre, desde o seu impacto até o momento em
que a emergência termina, para então dar início ao processo de
recuperação.
Exercício
AÇÕES DE RECUPERAÇÃO
• Finalmente, as ações de recuperação referem-se à restauração ou
melhoria dos meios de subsistência e saúde, bem como
propriedades, sistemas e atividades econômicas, sociais, culturais e
ambientais de uma comunidade ou sociedade afetada por
desastres, alinhando-se aos princípios de desenvolvimento
sustentável e “reconstruir melhor”, a fim de evitar ou reduzir o risco
de desastres futuros (UNISDR, 2017).
ASPECTOS DAS AÇÕES DE P&DC

Ações Estruturais Não Estruturais


• São aquelas que envolvem • São as medidas que buscam reduzir
medidas de controle os danos ou consequências dos
essencialmente construtivas, desastres pela introdução de
tais como barragens, diques, planejamentos, mapeamentos,
represas, reservatórios, canais capacitações, normas,
de desvio, alargamento de rios, regulamentos e programas, como a
regularização do uso e ocupação
reflorestamento etc. do solo, implantação de sistemas
de alerta e processos de
participação da sociedade.

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