ATLS
ATLS
”
Nunca utilize pano sujo ou material retirado da roupa do
X - Hemorragia Externa Exsanguinante no Trauma A resposta é: não há erro.
próprio paciente para compressão.
A imobilização cervical pertence à letra “A” (Airway) — e na
1.0 Introdução O preenchimento da ferida deve sempre ser seguido de etapa “X”, ainda não se chegou ao A.
compressão contínua — não é apenas preencher e parar. O paciente ainda está sendo avaliado quanto à exsanguinação
A hemorragia externa maciça é uma das principais causas de
Esse princípio foi reforçado nas aulas de controle de (sangramento maciço).
morte evitável em pacientes politraumatizados.
A introdução da letra “X”, referente à exsanguinação, formaliza hemorragia, incluindo demonstrações práticas em vídeo.
Portanto, controlar o sangramento vem antes de proteger a
o controle do sangramento como a intervenção prioritária na cervical.
sequência de atendimento. Em casos como sangramento no pescoço, a mobilização pode
2.0 Avaliação Primária: Identificação da Hemorragia Crítica ser inevitável — e é preferível correr o risco de tetraplegia a
As intervenções de controle de hemorragia externa, embora (Etapa “X”) deixar o paciente morrer por hemorragia.
simples e rápidas, são fundamentais para salvar vidas.
Elas podem ser realizadas simultaneamente com outras A etapa “X” representa uma avaliação visual rápida e Resumo prático:
prioridades — como a estabilização das vias aéreas — desde direcionada, realizada imediatamente na chegada do paciente à “É melhor ficar tetraplégico do que morrer.”
que haja distribuição adequada de funções na equipe. emergência.
A - Manejo Avançado de Vias Aéreas em Trauma A seleção da intervenção adequada depende de avaliação 3.0 Avaliação Clínica Rápida da Via Aérea (o que checar no A)
rápida que considere múltiplos fatores: lesão, anatomia,
1.0 Introdução — O Pilar Crítico no Atendimento ao Trauma fisiologia e ambiente. 3.1 Perviedade e proteção espontânea
O manejo das vias aéreas é o aspecto mais fundamental e 2.1 Fatores de Avaliação (quatro domínios) ● Primeira coisa a checar: queda da base da língua ou
prioritário no tratamento do paciente traumatizado. Exige incapacidade de proteção espontânea da via aérea.
equilíbrio entre intervenção rápida e abordagem criteriosa, pois ● Lesão: fraturas maxilofaciais, laríngeas, traqueais,
um procedimento inadequado pode agravar uma obstrução queimaduras — distorcem anatomia e aumentam ● Como verificar: chame o paciente.
parcial e levar ao bloqueio completo. A falha em garantir risco.
o Se responder: via aérea protegida (sem
oxigenação e ventilação adequadas é uma das principais causas
● Anatomia: obesidade, pescoço curto/volumoso, rebaixamento do nível de consciência).
de mortes evitáveis, sendo responsável por até 15% desses
desfechos. Isso sublinha a importância de planejamento distância tireomentoniana curta, retrognatismo, o Se não responder: provável rebaixamento
meticuloso e abordagem individualizada, conforme preconiza o mobilidade cervical limitada, barba. do nível de consciência → risco de
ATLS®. obstrução.
● Fisiologia: hipoxemia e hipotensão aumentam risco de
Os objetivos fisiológicos primários, em ordem de importância: deiscência durante manobras; considerar 3.2 Sinais de obstrução ou perda de via aérea
ressuscitação volêmica, oxigenação e vasopressores
1. Oxigenação — fornecer ar oxigenado aos pulmões. pré-procedimento. ● Via aérea ruidosa (roncos, gorgolejo) → possível
obstrução.
2. Ventilação — remover CO₂. ● Ambiente: disponibilidade de equipamentos, treino
3. Proteção contra aspiração — proteger os pulmões de
da equipe e carga cognitiva/situações de alto estresse. ● Desaturação, esforço respiratório ineficaz, respiração
ruidosa → sinais de obstrução.
sangue, secreções ou conteúdo gástrico. 2.2 Ferramentas de monitorização essenciais
Intervenções vão do básico ao cirúrgico; aplique a técnica ● Causas: queda da base da língua, secreção, sangue,
1. Oximetria de pulso (SpO₂): útil, mas com atraso de
menos invasiva eficaz, mantendo preparo para escalonar. vômito, corpo estranho, trauma facial.
30–60 s; leitura pode ser falsamente alta em
intoxicação por CO (vítimas de incêndio). Observação: muitas vezes não é necessário olhar dentro da boca
Lembrete prático: para verificar se o paciente responde e tem
via aérea protegida, chame o paciente — se responder, via para saber que a via aérea está perdida — sinais clínicos
2. Capnografia: mede CO₂ exalado; melhor indicador
aérea protegida; se não, suspeite de rebaixamento do nível de geralmente suficientes.
prático para confirmar intubação (CO₂ sustentado por
consciência e potencial perda da via aérea. ≥7 respirações confirma posição traqueal). Útil 3.3 Trauma facial e queimadura de via aérea
também em pacientes não intubados para monitorar
ventilação. ● Trauma facial: investigar secreção na via aérea,
2.0 Fundamentos da Avaliação e Monitorização das Vias fratura que tenha permitido queda de coágulo para
Aéreas vias aéreas.
● Queimadura de via aérea: preocupação apenas em ● Queda da base de língua isolada → não ● Conversão: cricotireoidostomia deve ser convertida
pacientes queimados. Suspeite se houver fuligem na necessariamente intubar; maneje com manobras e em traqueostomia em 48–72 horas.
boca/nariz; qualquer queimadura na face deve cânula.
levantar suspeita — basta suspeitar, pois edema pode ● Contraindicação: cricotireoidostomia por incisão
evoluir. Inalação de fumaça mais frequentemente ● Fratura facial grave → intubação pode ser contraindicada em crianças <12 anos — nesses
causa comprometimento que a queimadura direta da difícil/arriscada; preferir cricotireoidostomia (não é menores prefere-se cricotireoidostomia por punção.
face. A suspeita só deve ser afastada após avaliação proibido tentar intubar, mas chance de sucesso
reduzida). o Cricotireoidostomia por punção: punciona
definitiva.
com venocath, ventila-se 1:4 (5 s ventilando,
● Existem somente duas indicações absolutas de 20 s sem ventilar). É temporária —
intubação ainda no A: converter para via aérea avançada em 30–
4.0 Manobras Básicas para Restaurar Perviedade 45 minutos.
1. Queimadura de via aérea (intubar o mais
Se houver suspeita de queda da base da língua ou obstrução por rápido possível para evitar edema).
secreção:
2. Afogamento (vídeo/água nas vias aéreas — 7.0 Cricotireoidostomia por Punção (pediátrica/temporária)
4.1 Manobras manuais paciente hipóxico; intubação indicada).
● Uso: crianças e situações temporárias.
● Chin lift (elevação do queixo): levantar o queixo para Observação: na queimadura, há uma "janela de oportunidade"
deslocar a base da língua. Contraindicação: suspeita — faça intubação cedo, antes do edema; muitas vezes quando o ● Limitação: não protege completamente (não atinge
de fratura de mandíbula (não fazer). paciente chega já há edema e intubação pode ser impossível. traqueia formalmente), apenas ganha tempo.
● Jaw thrust (propulsão/anteriorização da mandíbula): ● Conversão obrigatória para via aérea definitiva em
movimenta a mandíbula para frente, útil com 30–45 minutos.
imobilização cervical. Cautela se fratura de face. 6.0 Via Aérea Definitiva, Cirúrgica e Temporária
Se houve melhora com chin lift/jaw thrust → problema 6.1 Via aérea definitiva — intubação traqueal
8.0 Observações sobre Intubação no A
provavelmente era queda da base da língua.
● Definição: tubo na traqueia com balonete (cuff)
insuflado → via aérea protegida. ● Intubar um paciente no A pode piorar outros
4.2 Aspiração
problemas (por isso restrição das indicações).
● Se houver secreções (sangue, vômito), aspirar a via ● Riscos: falha na intubação, intubação esofágica não
reconhecida, instabilidade cardiovascular. ● Indicações imediatas no A: queimadura de via aérea e
aérea com cateter rígido de grande calibre para
afogamento.
remoção. Essencial em trauma facial e sangramento.
● Mitigação: realizar de forma estruturada (Sequência
4.3 Cânulas Rápida de Intubação — SRI). ● Em todos os outros casos, priorize manobras básicas,
aspiração, cânulas e, se necessário, planeje SRI com
● Cânula orofaríngea (OPA): indicada quando queda de 6.2 Via aérea cirúrgica/incisional — cricotireoidostomia preparo.
base da língua e paciente inconsciente (risco de
● Indicação: cenário catastrófico CICO (não consigo
vômito). Vai até atrás da língua e mantém perviedade.
intubar, não consigo oxigenar) e impossibilidade de
via aérea superior. 9.0 Protocolos para Controle Cervical — NEXUS, CCR e UCR
● Cânula nasofaríngea (NPA): mais fácil de passar,
(CCR = Canadian C-spine Rule; UCR = você descreveu o
melhor tolerada quando consciente; contraindicada
● Técnica (descrita no seu texto): palpar espaço procedimento) – PRANCHA/IMOBILIZAÇÃO
em fratura de base do crânio ou fratura facial. A
cricotireoide (entre membrana tireoide e cartilagem
nasofaríngea é mais comum em contextos de 9.1 NEXUS (preferido por facilidade)
cricoide); pequena incisão vertical, depois transversa;
medicina tática, mas também usada em serviços civis
passar um bougie e, em seguida, o tubo via bougie; ou Procurar cinco condições; se todas ausentes, coluna cervical
quando indicada.
inserir cânula própria diretamente. não precisa ser imobilizada:
● Proteção: crico protege a via aérea quando há ● Dor cervical (presença sugere risco).
5.0 Decisão sobre Intubação no A balonete insuflado (definição de via aérea protegida).
● Déficit neurológico focal (por ex.: não consegue o Se o paciente tem todos esses fatores de 1. Planejamento e planos de falha: Plano A —
levantar o braço). baixo risco → prosseguir. intubação; Plano B — máscara laríngea; Plano C — via
aérea cirúrgica/incisional.
● Intoxicação (impede avaliação confiável). 3. Passo 3 — mobilização cervical: pedir para o paciente
girar o pescoço 45°. 2. Preparação do equipamento: laringoscópios (pelo
● Rebaixamento do nível de consciência. menos 2; idealmente videolaringoscópio), tubos
o Se não sentir dor ao girar 45° → dispensa o endotraqueais (vários tamanhos; cuffs testados),
● Lesão por distração (qualquer lesão dolorosa que uso do colar cervical. bougie/estilete, sucção funcional, máscara laríngea,
distraia do exame cervical — ex.: fratura de ossos
Observação didática: no passo 1 o paciente não pode ter kit cirúrgico.
longos, trauma abdominal/torácico significativo).
nenhum fator de alto risco; no passo 2 ele deve ter todos os 3. Preparação da equipe: funções atribuídas (líder,
Se nenhuma dos cinco presentes → sensibilidade >99% para fatores de baixo risco. Se preencher criteria, você pode operador de via aérea, monitor, assistente para
excluir lesão cervical. dispensar colar. estabilização cervical).
9.2 CCR (Canadian C-spine Rule)
4. Preparação dos fármacos: sedativos (cetamina,
● Estrutura em 3 passos: fatores de alto risco (se 10.0 Instrumentos de Extração e Imobilização etomidato), bloqueadores neuromusculares
presentes → imagem), fatores de baixo risco (se (suxametônio, rocurônio), vasopressores rotulados.
presentes → permitem avaliação), e teste de ● Prancha rígida, maca-vácuo ou maca-scoop são
5. Posicionamento do paciente: otimizar para
mobilização cervical (girar 45°) para dispensar o colar. instrumentos de extricação — não instrumentos de
laringoscopia — cabeça semi-reclinada, “rampa” em
restrição. Servem para mobilizar o paciente em bloco
obesos.
● CCR: mais complexo, mais específico; menos chance com mais facilidade; assim que chegar ao hospital,
de imobilizar desnecessariamente, mas mais difícil de remover (não manter por tempo prolongado). 6. Pré-oxigenação: desnitrogenar — máscara bolsa-
aplicar rapidamente. válvula com PEEP é ideal; SpO₂ normal não garante
● Sequência prática ao chegar ao hospital: assim que
pré-oxigenação adequada (leituras normais ocorrem
9.3 UCR / Como você faz (passos que descreveu — integrar possível retirar da prancha.
antes do nitrogênio ser totalmente deslocado).
aqui sem alterar)
o Se for restringir: colocar colar cervical, girar Máscara com reservatório é menos eficaz.
Como faço o UCR? o paciente em bloco para um lado, colocar a
7. Proteção da coluna cervical: estabilização manual em
prancha embaixo e girar para o outro lado
1. Passo 1 — fatores de alto risco: verificar: linha (MILS) mantida por assistente em pacientes com
para deitar sobre a prancha e usar
suspeita de lesão cervical.
o Idade >65 anos; headblock.
o Mecanismo de trauma perigoso / alta ● Headblock: necessário porque o colar cervical impede
cinética; movimentos verticais, mas não impede lateralização; 11.2 Execução e confirmação
o headblock impede lateralização cervical. Lembrar:
o Parestesias de extremidades. headblock não é instrumento de restrição definitiva ● Após confirmar prontidão, administrar sedativo e
→ retirar assim que possível no hospital. bloqueador em rápida sucessão; realizar
o Se qualquer um presente → restrição laringoscopia.
(imobilização).
● A primeira tentativa é a melhor; tentativas repetidas
2. Passo 2 — fatores de baixo risco: (se nenhum fator de 11.0 Sequência Rápida de Intubação (SRI) — Guia Prático aumentam trauma e risco. Se falhar, modificar um
alto risco) verificar se são atendidos fatores de baixo (quando indicada) fator (posição, equipamento, operador).
risco:
A SRI é padrão para conseguir via aérea definitiva em pacientes ● Confirmação padrão-ouro: capnografia com detecção
o Paciente estava andando ou sentado traumatizados não em parada. “Rápida” refere-se ao curto sustentada de CO₂.
(situação de baixo risco); intervalo entre fármaco e intubação, não a pressa
desorganizada.
o Ausência de dor cervical ou dor cervical
iniciada muito depois (baixo risco). 11.1 Fase de preparação: os 7 'P's 11.3 Pós-intubação — estabilização e reavaliação
● Fixar tubo endotraqueal. intubação nasotraqueal (contraindicação se suspeita posicionamento em “rampa” essencial; PEEP maior
de fratura da base do crânio), quando ir direto para frequentemente necessário.
● Iniciar ventilação mecânica com configurações via aérea cirúrgica.
protetoras (ex.: Vt 6 mL/kg, PEEP 5 cmH₂O).
● Foco: aspiração agressiva e contínua; preparar
● Sedação contínua. 14.0 Pranchas e Equipamentos de Extração (sua observação:
cirurgião maxilofacial; transição rápida para
“ACRESCENTAR PRANCHAS!”)
cricotireoidostomia se necessário.
● Reavaliar continuamente com mnemônico DOPE ao
primeiro sinal de deterioração: ● Armadilha: fixação da tarefa — insistir em intubação
● Prancha rígida, maca-vácuo, maca-scoop — são
oral quando impossível. ferramentas de extricação para mover o paciente em
o Deslocamento (tubo deslocado), bloco; não são dispositivos de restrição definitiva.
4. Realizar medidas imediatas para desobstrução: 8. Manter estabilização manual da coluna cervical durante
● Elevação do queixo (chin lift) – se não houver toda a abordagem.
suspeita de trauma cervical. ● Colar cervical deve ser aplicado após inspeção e
● Tração da mandíbula (jaw thrust) – se houver palpação da região.
suspeita de trauma cervical. ● Confirmar alinhamento neutro da cabeça e
● Aspiração de secreções, sangue ou vômitos com pescoço.
sonda. ● Evitar hiperextensão durante procedimentos de via
● Remoção de corpos estranhos visíveis. aérea.
5. Avaliar necessidade de dispositivos básicos: 9. Após estabilização definitiva (colar, blocos e tiras
● Cânula orofaríngea (Guedel) – se paciente laterais):
inconsciente sem reflexo de vômito. ● Avaliar presença de dor, deformidade, crepitação
ou déficit neurológico.
B - Avaliação e Manejo do Trauma Torácico com Base no Manual ATLS® - COLOCAR IMAGENS
1.0 Introdução à Gravidade do Trauma Torácico parede torácica quanto nos órgãos intratorácicos. Com um alto gravemente a respiração ao interromper os processos de troca
potencial de letalidade, essas lesões podem comprometer gasosa e oxigenação.
O trauma torácico é uma ocorrência extremamente comum no
atendimento de emergência, abrangendo lesões tanto na
O reconhecimento e o tratamento rápidos são cruciais, pois a Esse fenômeno ocorre quando há duas fraturas em uma mesma ● Desvio do mediastino
demora na abordagem adequada pode resultar em morbidade costela, em dois ou mais arcos costais consecutivos, criando
significativa ou morte, frequentemente devido a um um segmento flutuante da parede torácica. ● Compressão do retorno venoso
comprometimento respiratório severo.
O retalho costal móvel é visível na inspeção e é um sinal ● Queda do débito cardíaco
clássico, embora raro de se observar na prática.
● Hipotensão e choque
2.0 Avaliação Inicial – Etapa “B” (Breathing) no xABCDE A principal causa de insuficiência respiratória nesses casos é a
A ventilação com pressão positiva pode converter um
dor intensa, que leva à respiração superficial (hipoventilação) e
Durante a avaliação primária do paciente politraumatizado, o à dificuldade de tossir, predispondo à insuficiência respiratória pneumotórax simples em hipertensivo. 🡪 Aula de VM.
“B” (Breathing) é voltado para a identificação das lesões hipercápnica.
torácicas que ameaçam a vida.
Durante a ventilação mecânica (pressão positiva), o movimento 3.3 Pneumotórax Aberto (“Ferida Torácica de Sucção”)
No “B”, o objetivo é identificar lesões intratorácicas, paradoxal tende a desaparecer, dificultando sua detecção
especialmente aquelas relacionadas à cavidade torácica e aos clínica. Ocorre quando há um defeito na parede torácica com diâmetro
pulmões. ≥ 2/3 da traqueia ou fuga aérea evidente pela ferida.
Lesões como uma simples fratura de costela não são prioritárias O ar entra preferencialmente pelo ferimento, impedindo a
nesse momento, mas o tórax instável, o pneumotórax aberto, o 3.0 Fisiopatologia das Principais Lesões Torácicas expansão pulmonar.
pneumotórax hipertensivo e o hemotórax maciço representam Isso resulta em hipoxemia e hipercapnia.
ameaças imediatas à vida e exigem intervenção precoce. As lesões torácicas comprometem mecanismos fisiológicos
vitais, levando à hipoxemia (baixa oxigenação), hipercapnia Tratamento inicial: Curativo oclusivo estéril de três pontas (ou
(retenção de CO₂) e acidose. selo torácico).
2.1 Exposição e Avaliação Inicial 3.1 Contusão Pulmonar Tratamento definitivo: Fechamento cirúrgico do orifício e
drenagem torácica.
A primeira conduta no “B” é expor completamente o tórax do É a lesão intratorácica mais comum.
paciente, permitindo avaliação visual, palpação e ausculta. Decorre do dano aos capilares alveolares, com extravasamento
de sangue e fluido para o tecido pulmonar, causando
Na inspeção, já é possível identificar duas lesões desequilíbrio ventilação-perfusão e comprometendo as trocas 4.0 Abordagem Diagnóstica e Avaliação Clínica
potencialmente fatais: gasosas.
A avaliação sistemática baseia-se na metodologia “Olhar, Ouvir
● Tórax instável O quadro clínico tende a piorar entre 24 e 72 horas após o e Sentir”, associada a exame físico completo e ultrassonografia
trauma, conforme evoluem o edema e a inflamação. (E-FAST).
● Pneumotórax aberto
4.1 Inspeção (Olhar)
C - Guia de Identificação e Classificação do Choque no Trauma 2.0 Tamponamento cardíaco (suspeita e abordagem) ● Observação crítica: em trauma perfurante (ex.: ferida
por bala na zona de Ziegler — paraesternal esquerdo),
1.0 Cenário inicial / chegada ao C 2.1 Quando suspeitar o coágulo pode ser volumoso e a punção não drenará
Chegou ao C. O A e o B não tinham nada, o X também não. O Sinais orientadores de tamponamento cardíaco: adequadamente; retirar o sangue pode desestabilizar
que eu vou fazer? o tamponamento (que estava tamponando o
● Turgência jugular. sangramento) e levar a recidiva maciça do
1.1 Verificações clínicas rápidas (ao lado da cama) sangramento.
● Taquicardia.
Rechecar, de forma rápida e dirigida:
● Hipotensão.
● Pressão arterial. 2.3 Quando a punção é inadequada — toracotomia de
● Murmúrio vesicular preservado (se já avaliado no B). ressuscitação
● Frequência cardíaca.
● Bulhas hipofonéticas. ● Se trauma perfurante ou punção falha → toracotomia
● Cor da pele — verificar palidez cutânea. (ressuscitação) é a conduta mais correta.
● No E-FAST: sinal do “swinging heart” (coração
● Tempo de enchimento capilar. “dançando”/“nadando”) — o ultrassom pode ● Justificativa clínica: a toracotomia permite controlar
demonstrar o “choque foide” na janela pericárdica. lesões ativas (tamponamento por controle direto),
● Temperatura e suor da pele — “pele pegajosa”.
realizar massagem cardíaca direta, clampear a aorta,
● Estado neurológico — desorientação, agitação. reparar lesões etc.
2.2 Pericardiocentese (punção pericárdica) — quando e como
● Escuta cardíaca simples (não detalhada): não busco ● Nota ética/prática: qualquer médico pode realizar o
B3/B4; não preciso do ritmo/aritmia se o monitor já ● Indicação: tamponamento por trauma fechado pode procedimento se se sentir capacitado — não é
me deu isso. ser temporariamente aliviado por pericardiocentese. proibido pela ética; a não realização por falta de
habilidade não é condenada, mas, quando indicada e
o O objetivo da ausculta aqui é saber se a ● Limitações: muitas vezes ineficaz se o sangue for tecnicamente possível, a toracotomia pode salvar
bulha está normal ou hipofonética — coaguloso; não resolve tamponamento por trauma vidas.
bulhas hipofonéticas são um dado que ajuda perfurante (pioraria).
a identificar lesão ameaçadora da vida (ex.:
tamponamento cardíaco). ● Técnica descrita (convencional):
3.0 Toracotomia de ressuscitação — indicações clássicas
1.2 Cálculo do índice de choque (se não feito antes) o Ponto de entrada: abaixo do apêndice
Indicações clássicas de toracotomia de ressuscitação (paciente
xifoide.
● Se não foi calculado no B ou no X, calcular o choque em parada ou quase parando):
índice (Índice de Choque = FC / PAS). o Direção: apontar para o ombro esquerdo.
1. Trauma penetrante com parada cardíaca no pré-
● Valores aproximando-se ou ≥ 1 indicam hipoperfusão o Idealmente guiada por ultrassom hospitalar — (parou antes de chegar ao hospital):
significativa. (insonação); avançar a agulha sob costuma indicar abertura imediata.
visualização.
2. Trauma penetrante ou contuso com parada cardíaca ● Alternativa: cinta pélvica comercial (preferível). ● Para cada 2 bolsas de hemoderivados transfundidas,
na chegada ao hospital. administrar 1 ampola de cálcio (corrigir hipocalcemia
Observação: cada vez mais recomenda-se não manipular a por citrato no sangue transfundido).
3. Paciente com trauma penetrante ou contuso que pelve para exame se houver suspeita de fratura pélvica, pois a
entra em parada cardíaca durante um procedimento manipulação pode aumentar o sangramento. Suspeite sempre 5.4 Meta pressórica — hipotensão permissiva
(ex.: laparotomia). que houver dor ou mecanismo compatível.
● Objetivo de hipotensão permissiva: manter PAS entre
4. Trauma contuso com parada antes de chegar ao 80–90 mmHg (ou PAM 50–60), exceto:
hospital — indicação relativa (chance de sucesso
menor no contuso do que no perfurante). 5.0 Ressuscitação volêmica e transfusão (abordagem no C) o Traumatismo cranioencefálico (TCE):
manter PAM mais alta (ex.: PAM > 80) para
3.1 O que se pode fazer com a toracotomia 5.1 Princípios gerais
garantir perfusão cerebral.
Choque Hemorrágico / Hipovolêmico - Estado mental alterado: ansiedade, 1. Controle Imediato: Hemorragia
agitação, confusão, externa compressível (compressão ou
- É a causa mais comum de choque letargia/diminuição do nível de torniquete).
em trauma. consciência.
Tratamento e 2. Acesso: IV ou intraósseo (IO) de
- Taquicardia (aumenta para - Déficit de base / lactato elevado Procedimentos grosso calibre ≥16G.
Identificação
preservar o débito cardíaco). (metabolismo anaeróbico e má Chave
(Sinais e Sintomas)
perfusão contínua). 3. Fluidos Ideais: Hemácias e outros
- Pele fria e úmida devido à hemoderivados (plasma, plaquetas),
vasoconstrição periférica proporção 1:1:1, pré-aquecidos a
(redistribuição para órgãos vitais). 39°C.
4. Hipotensão Permissiva: PA Sistólica - Pneumotórax Hipertensivo: - Objetivo: tratar falha da bomba e
90 mmHg (exceto TCE, LM, descompressão torácica de emergência garantir perfusão.
hipertensão prévia → 110 mmHg). (toracostomia com agulha/dreno).
- Arritmias: manter eletrólitos, pH, O₂ e
5. Ácido Tranexâmico (ATX): dentro de - Tamponamento Cardíaco: intervenção CO₂ normais.
Tratamento e
3h, bolus 1g + infusão 1g/8h ou dose cirúrgica; pericardiocentese guiada por Tratamento e
Procedimentos - Exames: ECG 12 derivações,
única 2g. ultrassom como temporária. Procedimentos
Chave Ecocardiograma para motilidade e
- Taquicardia é o primeiro sinal - Parada cardíaca traumática (PCT): Chave anormalidades estruturais.
mensurável. considerar toracotomia de
ressuscitação se houver pessoal e - Isquemia/bloqueio: angiografia,
- Hipotensão e estreitamento da recursos. angioplastia ou cirurgia (ST elevado) ou
pressão de pulso após perda marcapasso temporário/permanente
moderada/grave. - Diagnóstico clínico imediato, não (bloqueio cardíaco completo).
esperar exames de imagem.
Fatores - Índice de Choque (FC/PAS) ≥1 - LCC frequentemente após acidentes
Importantes para a correlacionado com maior - Pneumotórax hipertensivo: pressão de trânsito ou atropelamento.
Prova mortalidade. intrapleural elevada → desloca
mediastino → impede retorno venoso Fatores - Achados clínicos inespecíficos: dor
- “Quatro e o Chão”: Tórax, Abdome, Fatores Importantes para torácica, taquipneia.
Importantes para → diminui débito cardíaco.
Pelve, Ossos Longos, Sangramento a Prova
Externo. a Prova - Tamponamento: taquicardia e - Biomarcadores cardíacos: papel na
hipotensão refratárias à fluidoterapia; avaliação da LCC não claramente
- Fratura de fêmur: até 1,5 L de perda mais comum em trauma penetrante. estabelecido.
sanguínea.
- FAST/eFAST útil no diagnóstico
suspeito de tamponamento. Choque Distributivo
Choque Obstrutivo
Aspecto Detalhes
Aspecto Detalhes Choque Cardiogênico
- Choque causado por perda da
- Débito cardíaco comprometido por Aspecto Detalhes resistência vascular periférica
pré-carga prejudicada. (vasodilatação).
- Lesão miocárdica direta, falha da
- Etiologias comuns: Pneumotórax bomba. - Etiologias comuns: Neurogênico
Hipertensivo, Tamponamento (mais comum no trauma), Séptico,
Cardíaco. - Etiologias comuns: Lesão Cardíaca Identificação Anafilático.
Contusa (LCC) e Infarto Agudo do (Sinais e Sintomas)
Identificação - Pneumotórax Hipertensivo: Miocárdio (IAM). - Choque Neurogênico: hipotensão,
(Sinais e desconforto respiratório agudo, Identificação bradicardia, paralisia, dormência,
Sintomas) ausência de sons respiratórios (Sinais e - Sinais: dor torácica, falta de ar, extremidades aquecidas.
unilaterais, hipotensão, desvio Sintomas) taquipneia, sensibilidade ou “sinal do
traqueal. cinto de segurança”. - Sinais semelhantes a choques não
traumáticos → excluir hemorragia e
- Tamponamento Cardíaco: trauma - ECG anormal: taquicardia sinusal, revisar contexto clínico.
penetrante, taquicardia, hipotensão, contrações ventriculares prematuras,
sons cardíacos abafados, veias cervicais fibrilação atrial, bloqueio de ramo Tratamento e 1. Volume Primordial: ressuscitação
ingurgitadas (sinais difíceis de avaliar). (comum direito), alterações ST. Procedimentos volêmica com cristaloides isotônicos.
Chave
2. Meta de PA elevada: PAM ≥85 - Vasopressores: não recomendados
mmHg, devido ao risco neurológico. primariamente no hemorrágico;
essenciais no neurogênico.
3. Vasopressores: se volume não
atingir metas; agentes que restauram - Fenilefrina pode ser usada em LM
resistência vascular periférica (ex: abaixo de T6, mas pode exacerbar
norepinefrina). bradicardia em lesões mais altas.
A avaliação neurológica inicial ocorre durante o componente D ● Precaução: não realizar sondagens nasais ou
da avaliação primária, focando em identificar rapidamente nasogástricas, pois podem penetrar na cavidade
alterações do nível de consciência e déficits neurológicos que craniana se houver fratura de base.
possam colocar o paciente em risco imediato.
1.3 Avaliação Pupilar e Glasgow
1.1 Hipoglicemia e Glicemia Capilar (HGT)
● Pupilas: avaliar bilateralmente, tamanho, isocoria e
● Primeira ação no “D”: medir a glicemia capilar. fotorreação.
● Mobilizar membros para avaliar força global; exame Sangue entre crânio Lente biconvexa na TC;
fino não necessário nesta etapa. 🡪 como faz? Hematoma e dura-máter, limitado pelas suturas; 5. Fisiopatologia da Lesão da Medula Espinhal (LME)
Extradural (HED) geralmente artéria evacuação rápida →
● Se disponível, ultrassom do nervo óptico pode auxiliar 5.1 Anatomia e Mecanismos
meníngea média recuperação completa
na avaliação da pressão intracraniana (PIC).
● Medula espinhal dentro da coluna vertebral,
1.5 Princípio Central composta por substância cinzenta (neurônios) e
branca (tratos ascendentes/descendentes).
● Lesões: trauma direto, compressão óssea/hematoma, ● Síndrome de Brown-Séquard: hemissecção → perda ● TCE: evacuação HED/HSD, craniectomia
contusão ou lesão vascular. motora ipsilateral, dor/temperatura contralateral descompressiva, fraturas expostas/afundamento
5.2 Choque Neurogênico vs Choque Espinhal 7. Métodos de Imagem e Diagnóstico por Adjuvantes
● Choque Neurogênico: acima de T6, perda de tônus ● TC de crânio sem contraste: exame de escolha para 8.4 Terapias Adjuvantes
simpático → hipotensão e bradicardia, pele quente e TCE
seca ● Profilaxia de convulsões: levetiracetam 7 dias em TCE
● Critérios para TC: ECG < 15, déficit focal, suspeita de grave/penetrante
● Choque Espinhal: perda transitória de tônus muscular fratura, vômitos, idade > 65, anticoagulação
distal, arreflexia; resolução com retorno dos reflexos ● TEV: compressão mecânica + heparina de baixo peso
● TC da coluna: método de escolha, substituir molecular quando seguro
radiografias simples
● Controle glicêmico: 100–180 mg/dL
6.2 Exame Secundário ● Ressonância Magnética: planejamento cirúrgico ou
déficit não explicado ● Nutrição enteral precoce: 24–72h
● Cabeça e coluna: lacerações, fraturas, sinais de base
do crânio ● AngioTC: suspeita de BCVI
● Motora e sensorial: força dos miótomos, sensibilidade ● Exames laboratoriais: hemograma, plaquetas, 8.5 Populações Especiais
dermatomal coagulação, gasometria ● Pediátricos: anatomia diferente, SCIWORA, abuso
● Exame retal: diferencia lesão medular completa x físico suspeito
incompleta
8. Intervenções Terapêuticas e Gestão Clínica ● Geriátricos: quedas, comorbidades, anticoagulação,
● Classificação ASIA: padrão ouro para lesão medular TC com limiar baixo
8.1 Ressuscitação (xABCDE)
● Não rotina em trauma penetrante, salvo suspeita ● Lesão pode evoluir de leve/moderada → grave
8.2 Agravamento Neurológico Crítico e Hipertensão
clínica
Intracraniana
● Monitoramento frequente: Glasgow, pupilas, função
● Elevação da cabeceira, sedação, manitol/solução motora/sensorial
6.4 Síndromes Clínicas Específicas de Lesão Medular hipertônica, hiperventilação transitória, avaliação
● Repetir exames de imagem conforme necessário
neurocirúrgica urgente
● Síndrome da Medula Central: déficits motores
superiores > inferiores
9. Pontos-Chave
8.3 Gestão Cirúrgica
● TCE e LME são tempo-dependentes; intervenções ● Prevenir lesão secundária → intervenção rápida 6.2 Exame Secundário
rápidas previnem danos secundários ● Cabeça/coluna: lacerações, fraturas, sinais base de
2. Fisiopatologia do TCE crânio
● Hipóxia e hipotensão duplicam risco de morte 2.1 Lesão Cerebral ● Motora/sensorial: miótomos, dermátomos
● Primária: dano direto, irreversível ● Exame retal: completa x incompleta
● Reconhecimento do agravamento neurológico crítico ● Secundária: desencadeada por hipotensão, hipóxia, ● Classificação ASIA
é vital edema 6.3 RMC
2.2 Dinâmica Intracraniana (Monro-Kellie) ● Indicada: ECG < 15, dor linha média, déficit focal,
● TC é exame de escolha inicial
● Compartimento rígido: parênquima + LCR + sangue deformidade
● Glasgow + avaliação pupilar essenciais para ● PIC normal: 7–15 mmHg; PPC: 60–80 mmHg ● Não rotina: trauma penetrante sem suspeita
monitoramento ● Autorregulação cerebral pode ser perdida → risco 6.4 Síndromes específicas
de isquemia ● Medula Central: déficits superiores > inferiores
● Manutenção de fluxo sanguíneo oxigenado é ● Brown-Séquard: hemissecção → motora ipsilateral,
fundamental, guiado pelo ATLS (xABCDE) 3. Tipos de Lesões Cerebrais Traumáticas dor contralateral
Lesão Mecanismo Características
● Uso de etomidato e fentanil como sedação segura em Sangue entre Lente biconvexa; limitado 7. Métodos de Imagem / Exames Laboratoriais
HED ● TC crânio sem contraste: escolha inicial TCE
intubação crânio/dura suturas; evacuação rápida
Sangue entre Forma de crescente; não ● TC coluna: padrão para lesões vertebrais
HSD ● RM: planejamento cirúrgico, déficit não explicado
dura/aracnoide limitado suturas
Cisalhamento de Sangue nos sulcos e ● AngioTC: suspeita BCVI
HSAt ● Laboratório: hemograma, plaquetas, coagulação,
pequenos vasos cisternas
FLUXOGRAMA: Lesão Lobos frontal/temporal; gasometria
Contusão
parenquimatosa progressão 24h
1. Avaliação Inicial – Componente “D” 8. Intervenções Terapêuticas / Gestão Clínica
Cisalhamento axonal Microscópica; pode não
(Disability/Incapacidade) LAD 8.1 Ressuscitação (xABCDE)
multifocal aparecer na TC
1.1 HGT / Hipoglicemia ● A/B: intubação se Glasgow ≤ 8, SpO2 ≥ 94%
● Medir glicemia capilar ● C: PAS ≥ 100 (TCE), PAM 85–90 (LME); priorizar
4. Síndromes de Herniação Cerebral
● Identificar hipoglicemia em pacientes com sangue/hemoderivados
● Hérnia uncal (transtentorial descendente)
rebaixamento de consciência (ex: etilizado) ● Coagulopatia: corrigir rapidamente; TXA 1–3h
o Alteração consciência
1.2 Avaliação do Traumatismo Craniano / Base de Crânio 8.2 Agravamento Neurológico Crítico / Hipertensão
o Pupila dilatada ipsilateral
● Observar expressão facial, couro cabeludo Intracraniana
o Fraqueza e postura anormal
● Sinais de fratura de base: Battle, equimose ● Cabeceira 30°, sedação, manitol/Na hipertônica,
periorbital hiperventilação transitória, neurocirurgia urgente
5. Lesão da Medula Espinhal (LME)
● Precaução: não realizar sondagens 8.3 Gestão Cirúrgica
5.1 Anatomia / Lesões
nasais/nasogástricas ● TCE: HED/HSD, craniectomia, fraturas
● Medula: substância cinzenta (neurônios), branca
1.3 Avaliação Pupilar + Glasgow expostas/afundamento
(tratos)
● Pupilas: tamanho, simetria, fotorreação ● Lesões: trauma direto, compressão, hematoma, ● LME: descompressão e estabilização precoce (8–
● Glasgow: ocular, verbal, motora 24h)
contusão, vascular
o Ajuste por pupilas não reagentes (1 ou 2 8.4 Terapias Adjuvantes
5.2 Choques
pontos) ● Convulsões: levetiracetam 7 dias
● Neurogênico: acima de T6 →
o Decisão via aérea: Glasgow ≤ 8 → hipotensão/bradicardia, pele quente ● TEV: compressão mecânica + heparina de baixo
intubação orotraqueal peso molecular
● Espinhal: perda transitória tônus muscular distal,
o Sedação: cetamina; ou etomidato + arreflexia ● Glicemia: 100–180 mg/dL
fentanil; propofol (cautela em ● Nutrição enteral precoce 24–72h
hipotensão) 6. Avaliação Diagnóstica 8.5 Populações Especiais
1.4 Avaliação Motora / Ultrassom 6.1 Glasgow + Pupilas ● Pediátricos: SCIWORA, anatomia distinta, abuso
● Mobilização de membros, força global ● Classificação: Leve 13–15 | Moderado 9–12 | físico suspeito
● Ultrassom do nervo óptico → PIC Grave ≤ 8 ● Geriátricos: quedas, comorbidades,
1.5 Princípio Central anticoagulação, TC com limiar baixo
8.6 Lesões Penetrantes 9. Pontos-Chave ● Fluxo sanguíneo oxigenado → base do tratamento
● Cabeça: TC obrigatória, desbridamento seletivo ● TCE/LME tempo-dependentes → intervenções (ATLS xABCDE)
● Coluna: frequentemente ASIA A, cirurgia em casos rápidas ● Etomidato + fentanil: sedação segura para
selecionados ● Hipóxia/hipotensão → duplicam risco de morte intubação
8.7 Reavaliação Contínua ● Reconhecimento de agravamento neurológico
● Lesão pode evoluir; monitoramento Glasgow, crítico vital
pupilas, força, sensibilidade ● TC exame de escolha
● Repetir exames de imagem se piora ● Glasgow + avaliação pupilar essenciais
● A avaliação precisa da extensão, profundidade e ● Trauma queimado: rouquidão, estridor, uso de o COHb >10% → exposição significativa.
gravidade da lesão, juntamente com a ressuscitação musculatura acessória, lesão facial extensa, exposição
volêmica adequada, é essencial para prevenir sequelas à fumaça em ambiente fechado. o Sintomas variam de cefaleia e náuseas a
e reduzir mortalidade. coma e morte (>60%).
● Trauma neurológico: Glasgow ≤ 8, reflexos protetores
● No trauma queimado, o choque não é imediato, mas comprometidos. ● Radiografia de tórax e gasometria arterial (GAO)
se desenvolve progressivamente por resposta ajudam no diagnóstico.
inflamatória sistêmica e perda contínua de fluidos, Cuidados:
● Toxicidade por cianeto em casos graves com acidose
podendo evoluir para falência de múltiplos órgãos.
● Intubação pelo profissional mais experiente. profunda e hipotensão persistente (consulta com
● No trauma neurológico, o objetivo central é prevenir centro de queimados/toxicologia).
● Escolha adequada do tubo (tamanho correto).
lesões secundárias por hipóxia, hipotensão ou Trauma neurológico:
elevação de pressão intracraniana. ● Sedação adequada:
● Avaliar ventilação e oxigenação; hipóxia aumenta risco
● A primeira prioridade em qualquer situação: o Trauma neurológico: cetamina, etomidato + de lesão cerebral secundária.
interromper a fonte da lesão (fogo, agente químico, fentanil, propofol (cautela em hipotensão).
eletricidade) antes da avaliação primária.
● Proteção cervical deve ser mantida em todos os
pacientes com trauma de alta energia ou suspeita de 2.3 C – Circulação e Controle de Hemorragia
lesão medular.
2. Avaliação Primária (ABCDE) Integrada Queimaduras:
A Avaliação Primária segue a sequência ABCDE para identificar e ● Não causam hemorragia imediata, mas há perda
tratar ameaças imediatas à vida. 2.2 B – Respiração e Ventilação progressiva de fluidos para terceiro espaço.
2.1 A – Vias Aéreas com Controle da Coluna Cervical Queimaduras: ● Ressuscitação volêmica inicial com cristaloides
isotônicos aquecidos (Ringer Lactato):
Objetivos: ● Oxigênio 100% em todos os pacientes queimados.
o 13 anos: 500 mL/h
● Garantir permeabilidade das vias aéreas. ● Lesão por inalação de fumaça: suspeita em ambiente
fechado. o 6–12 anos: 250 mL/h
● Prevenir lesão secundária por hipóxia.
o <5 anos: 125 mL/h o Uso de manta térmica ou fluidos aquecidos
(banho-maria ou “rabo quente”).
● Evitar bolus, a menos que haja hipotensão grave.
● Avaliar ambos os lados do corpo, procurando
● Acesso intraósseo se IV não disponível. ferimentos ocultos, tatuagens traumáticas e feridas
pequenas que possam esconder sangramento.
Trauma neurológico:
● Solicitar ao paciente movimentar braços e pernas.
● Corrigir hipotensão: PAS ≥ 100 mmHg (TCE), PAM 85–
90 mmHg (LME).
● Evitar hipóxia e hipotensão que duplicam risco de 3. Avaliação Secundária e Histórico Detalhado
morte.
3.1 Histórico AMPLE
Monitoramento contínuo:
● Alergias, Medicamentos, Passado médico/Prenhez,
● Débito urinário, sinais vitais, perfusão periférica. Líquidos e alimentos, Evento/ambiente da lesão.
Queimaduras: Profundidade: