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Vers

O filme 'Quem Matou Dylan' narra a história de Dylan, que vive um conflito interno entre sua identidade e as expectativas familiares, enquanto se envolve em um relacionamento secreto com Penélope. A trama se desenrola em um ambiente de mentiras, segredos e tensões familiares, culminando em um assassinato que revela as complexidades das relações interpessoais. A narrativa é marcada por diálogos intensos e flashbacks que exploram a psique dos personagens e suas motivações.

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Kauan Oliveira
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O filme 'Quem Matou Dylan' narra a história de Dylan, que vive um conflito interno entre sua identidade e as expectativas familiares, enquanto se envolve em um relacionamento secreto com Penélope. A trama se desenrola em um ambiente de mentiras, segredos e tensões familiares, culminando em um assassinato que revela as complexidades das relações interpessoais. A narrativa é marcada por diálogos intensos e flashbacks que exploram a psique dos personagens e suas motivações.

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Filme: Quem Matou Dylan

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CENA 1 – APARTAMENTO DE DYLAN – NOITE (FLASHBACK)

MONTAGEM
Luzes fracas iluminam o pequeno apartamento de Dylan. Tudo está em silêncio, exceto pelo
som distante da cidade. Close nas mãos de Dylan trêmulas. Ele encara alguém fora de quadro –
vemos apenas a silhueta da pessoa segurando um revólver, a arma apontada diretamente
para ele. O rosto da figura permanece nas sombras.

DYLAN
(voz firme, mas com medo oculto)
Você não tem Coragem pra puxar esse gatilho… e muito menos pra sustentar as suas mentiras.

DYLAN
(pausa, encara a arma)
A diferença entre eu e você… é que eu assumo quem eu sou. Diferente de você.

A arma dispara.
Corte rápido antes de vermos o impacto — apenas o som do tiro ecoando e o corpo de Dylan
indo ao chão em câmera lenta.

CORTE PARA PRETO.

...........................................................................................................................

CENA 2 – CARRO / ESTRADA – NOITE

IMAGEM:
Carros passam iluminando a estrada molhada.
Os faróis refletem no rosto de Dylan, que dirige sozinho, de jaqueta preta e cigarro aceso entre
os dedos.
No rádio, toca uma música suave e melancólica.
O celular vibra sobre o painel — “Penélope ”.

📞 DIÁLOGO (via viva-voz)

PENÉLOPE (voz suave)


Oi, meu amor… já chegou na cidade?

DYLAN (sorrindo de leve)


Já. E morrendo de saudade da minha belezura.
Essas férias pareciam curtas, mas sem você foram eternas.

PENÉLOPE
(rindo baixo)
Está preparado pro semestre?
DYLAN
Pra tudo e pra nada.
Principalmente pra enfrentar o senhor Héctor…
(minipausa, tom muda)
E minha mãe, claro. Ligou mandando eu ir direto pra casa.
Então já estou me preparando pro inferno.

PENÉLOPE
(suspira)
E… sobre a gente?

DYLAN
O que tem?

PENÉLOPE
Tem que às vezes eu olho pra noite e penso…
Por que a gente ainda precisa se esconder?
Por que o amor precisa ser segredo?
Tudo por causa dos preconceitos da sua família…
E por causa dela… da Alicia.

DYLAN
(olha pro retrovisor, inquieto)
Você sabe como é o jogo, amor.
É assim que as coisas funcionam.
Mas…
(voz baixa, sincera)
Eu também queria que fosse diferente.

PENÉLOPE
(voz trêmula)
Será mesmo?

DYLAN
Penélope…

Silêncio. Som da chuva fraca batendo no vidro.

Ela desliga o telefone.


O som da ligação cortando ecoa dentro do carro — frio, vazio.
Dylan tenta ligar de volta, mas a chamada cai direto na caixa postal.

Dylan encosta no carro, o olhar distante. Joga o celular no banco do passageiro, irritado.
Acende outro cigarro.
A fumaça sobe lentamente, iluminada pelas luzes frias do posto.

Um carro se aproxima e estaciona ao lado. Helena desce — elegante, mas com o semblante
cansado.
HELENA
(suspirando)
Filho… seu pai está nervoso. Disse pra você voltar pra casa logo, ele está impaciente.

DYLAN
(irônico, tragando o cigarro)
Se ele conseguiu esperar todos esses anos pra ser pai, pode esperar mais quarenta minutos.
Tô no norte da cidade ainda, cortando caminho.

HELENA
Ok… eu vou ficar acalmando ele.

DYLAN
(dá um meio sorriso)
Boa sorte.

Helena o encara por um momento — há algo nos olhos dela, um misto de amor e medo. Ela
entra no carro e parte.
Dylan observa o carro sumir na estrada, traga o cigarro mais uma vez e solta a fumaça no ar
frio da noite.

..............................................................

CENA 3 – CASA DE DYLAN – DIA

O portão da mansão se abre. O carro de Dylan entra lentamente.


Ele desce com um ar confiante, o cigarro entre os dedos. Helena o espera na porta, radiante.

HELENA
Oh, meu filho… que bom te ver! Essa viagem te fez bem.
A Alice deve estar morrendo de saudades.

DYLAN
(debochado)
É, deve estar… ou fingindo bem.

HELENA
(confusa)
Como assim? Tá tudo bem entre vocês dois?

DYLAN
(ri, andando até a sala)
A gente nem se falou desde que eu voltei.
Mas não se preocupa, mãe — o namoro é só pra foto mesmo.

HELENA
(surpresa)
Como assim “só pra foto”?

DYLAN
(misterioso, dando de ombros)
Digamos que… tem alguém que realmente importa. Mas o papai não ia gostar de saber.

Helena o encara, sem entender completamente.


HELENA
(suspira)
Seu pai está no escritório. Boa sorte.

DYLAN
(irônico)
Ah, ótimo. Mais um sermão do senhor Augusto Medeiros. Mal posso esperar.

Dylan segue pelo corredor e entra no escritório sem bater.

AUGUSTO
(olhando por cima dos óculos)
Olha só quem resolveu aparecer. O filho que mandei viajar pra ver se parava de arruinar o
nome da família.

DYLAN
(se recosta na porta)
Se for pra começar com drama, pode pular a parte da decepção paterna. Eu tô cansado.

AUGUSTO
(erguendo a voz)
Cansado? Eu é que devia estar!
Como vou confiar a empresa a alguém que vive se metendo com gente errada?
Você sabe o que estão dizendo sobre a família daquela garota, né?

DYLAN
(finge inocência)
Qual delas? A falsa ou a verdadeira?

AUGUSTO
(irritado)
Não brinca comigo, Dylan. A Pélope!
Aquela família suja, envolvida em escândalo e lavagem de dinheiro.
E você ainda tem coragem de se envolver com ela?

DYLAN
(debochado, se aproximando)
Ah, então você sabe.
Pensei que não prestasse atenção em nada além das suas ações na bolsa.

AUGUSTO
(gritando)
Você é um Medeiros! Foi criado pra comandar, não pra se misturar com lixo de imprensa!
E ainda mantém essa farsa com a Alice? Ridículo!

DYLAN
(sorri com cinismo)
A fachada com a Alice é o que te mantém de pé, pai.
Se eu aparecesse com a verdadeira, o seu castelo de moral cairia em segundos.

AUGUSTO
(raivoso)
Você não tem noção do que está fazendo!
DYLAN
(olhar frio, calculista)
Tenho sim. E talvez um dia você descubra também… do mesmo jeito que a mamãe vai
descobrir da Stefany.

Augusto empalidece.

AUGUSTO
(tenso)
Do que você tá falando, Dylan?

DYLAN
(sorri de canto)
Do seu caso, claro.
Você acha que alguém acredita nessa história de “viagens de trabalho”?
Por favor, pai… você é o dono da empresa, mas não engana nem o porteiro.

Augusto fica em silêncio, engolindo o orgulho. Dylan o encara com prazer pelo desconforto do
pai.

DYLAN
(virando-se para sair)
Foi uma conversa incrível, como sempre.

No corredor, Helena o aborda.

HELENA
Deu tudo certo, filho?

DYLAN
(sarcástico, subindo as escadas)
Sim… foi uma conversa reveladora.

Helena o observa confusa.


Dylan sobe com um sorriso debochado no rosto — o olhar de quem já sabe o poder que tem
nas mãos.

.....................................

CENA 4 – UNIVERSIDADE MEDEIROS – DIA

IMAGENS EXTERNAS – UNIVERSIDADE


Alunos chegando, risadas, passos apressados, mochilas, cafés.
A câmera desliza até uma sala de aula iluminada, onde Gabriel escreve no quadro: “Motivos
para um assassinato.”

EM SALA:

GABRIEL
(olhando para a turma)
Às vezes, o assassino não mata por ódio.
(pausa)
Mata porque foi traído, humilhado… ou porque alguém sabia demais.
(olha para os alunos)
Quais seriam os motivos?

ALICE
(sem hesitar)
Segredos. E mentiras.

LUCAS
(olhando para o chão)
Vingança.

GABRIEL
(sorri, encarando Lucas por tempo demais)
Boa resposta.
(pausa)
Mas a vingança sempre cobra caro.

O olhar de Gabriel e Lucas se encontra por um segundo intenso. Dylan, ao fundo, percebe. Ele
observa tudo, quieto, com um meio sorriso. Sabe mais do que mostra.

CORTE PARA: CORREDOR – MOMENTOS DEPOIS

Lucas anda apressado. Dylan surge, encostado na parede, com um ar provocador.

DYLAN
(apontando para ele com o queixo)
Você tá ficando bom em disfarçar, hein?
(pausa curta)
Mas… será que o seu namorado ia gostar de saber como você tá passando nas matérias?

LUCAS
(se vira, irritado)
Cuidado com o que fala, Dylan.

DYLAN
(ri, sarcástico)
Ah, eu tô só perguntando.
(pausa)
Até porque… depois daquela noite, acho que a gente ficou íntimo demais pra fingir que nada
aconteceu, não acha?

CENA 5 - FLASHBACK – NOITE ANTERIOR – APARTAMENTO DE DYLAN

O apartamento é pequeno, mal iluminado. Dylan e Lucas sentados no sofá, clima pesado.
Música baixa toca ao fundo.

LUCAS
(olhando pro chão)
Eu não devia ter vindo. Isso é errado.

DYLAN
(aproximando-se, voz suave)
Errado é continuar mentindo pra si mesmo.
Silêncio. Dylan encosta a mão na nuca de Lucas, que hesita, mas não recua. O beijo acontece —
tenso, proibido.
A câmera gira em torno deles. O som de respiração, o toque, o peso do erro.

VOLTA AO CORREDOR – PRESENTE

LUCAS
(baixo, firme)
Você não vai abrir a boca.

DYLAN
(irônico, se aproximando)
Depende.
(sorri)
Lucas fica imóvel. Dylan se afasta lentamente, olhando por cima do ombro, com aquele sorriso
que mistura poder e prazer em provocar.

DYLAN (cont.)
Nem sempre quem parece vítima é inocente, né?

Dylan se vai. Lucas encosta na parede, tentando controlar a respiração.

..........................................

CENA 6 – UNIVERSIDADE MEDEIROS – PÁTIO / FUNDOS – TARDE

O som distante dos alunos ecoa. O pátio dos fundos da universidade é quase vazio, com
árvores e bancos escondidos.
Alice olha para os lados antes de entrar. Eva já está lá, de fones e mexendo no celular,
despreocupada.

EVA
(sorrindo, provocante)
Ué... pensei que sua “vida perfeita com o Dylan” te ocupava demais pra me ver.

ALICE
(olha em volta, tensa)
Fala baixo, Eva. Se alguém escuta...

EVA
(interrompendo, debochada)
Se alguém escuta... o quê? Que a princesinha da prefeita beija garotas?
(ri, se aproxima)
Relaxar faz bem, sabia?

ALICE
(suspiro contido)
Não é só por causa da minha mãe, tá? É... mais complicado.

EVA
(olhando com curiosidade)
Complicado tipo “meu namoro de mentira com um cara que todo mundo acha que eu amo”?
Esse tipo?

ALICE
(baixa o olhar, sincera)
Dylan sabia demais.
Ele sempre sabia.
E eu... achei que era mais seguro ficar do lado dele do que contra.

EVA
(ergue a sobrancelha, mais séria)
Seguro?
(ri com ironia)
Nada é seguro quando o Dylan tá envolvido.

Alice tenta esconder o nervosismo. Eva, percebendo, se aproxima e a segura pelo rosto.

EVA
(mais suave)
Mas ele não vai mandar em você pra sempre, princesa.
(um pequeno sorriso)
Nem eu.

Elas se olham por um instante — mistura de medo e desejo.


Eva puxa Alice e a beija, delicada, mas intensa.
O som ambiente desaparece. Só o vento, as folhas e o instante secreto entre as duas.

Quando o beijo termina, Alice fecha os olhos, respirando fundo.

ALICE
(sussurrando)
Se descobrirem isso... acabou tudo.

EVA
(sarcástica, mas com ternura)
Ou finalmente começa, né?

Alice dá um meio sorriso — frágil.


A câmera se afasta, mostrando-as pequenas no pátio vazio, escondidas do mundo.

CENA 7 – UNIVERSIDADE MEDEIROS – ESTACIONAMENTO / FIM DE TARDE

Alice sai apressada pelos portões da universidade, ajeitando o cabelo, tentando parecer calma.
Dylan vem do pátio, com passo leve, quase sorrindo, como se tivesse acabado de sair de algo
divertido. Ele se encosta no carro, olhando para ela.

DYLAN
(sorrindo, descontraído)
Olha só quem finalmente resolveu dar o ar da graça, Alice.
Mudou a vibe... ou só a companhia?

Alice para, desconfiada, ajeitando os ombros.


ALICE
(frontal, fria)
Não começa, Dylan. Eu não te devo satisfação.

DYLAN
(rindo levemente)
Ah, mas devia.
Principalmente depois de hoje... lá nos fundos da universidade.
(a voz fica baixa, perigosa)
A Eva é corajosa, né?

Alice empalidece. Fica em silêncio por um instante.

ALICE
(baixa o tom, ameaçadora)
Você tá me seguindo agora?

DYLAN
(sarcasmo leve)
Só observando.
Algumas pessoas esquecem que o mundo tem olhos... e câmeras.
(olha fixamente pra ela)
Inclusive os meus.

Alice respira fundo, tentando não demonstrar medo.

ALICE
(seca)
O que você quer, Dylan?

DYLAN
(voz calma, quase doce)
Nada demais.
Só… que você continue sendo a menina perfeita que todo mundo acredita.
(um passo à frente)
Aquela que sorri ao lado do namorado da fachada…
(a voz endurece)
…e finge que não sabe nada sobre o dinheiro da família Peolepele lavado na campanha da sua
mãe.

Alice trava. Dylan percebe e sorri de canto, vitorioso.

ALICE
(entre dentes)
Você não sabe do que tá falando.

DYLAN
(aproxima-se mais, tom suave)
Sei sim.
E sei também que não é só sobre política, é sobre poder.
E você, Alice…
(olha fixamente)
…sempre teve medo de perder o seu.

Silêncio. Alice desvia o olhar, tremendo por dentro.

ALICE
(sussurrando)
Você não vai conseguir .

DYLAN
(sorri, sarcástico)
Eu não preciso.
Você já tá fazendo isso sozinha.

Ele abre a porta do carro e entra, deixando Alice parada, confusa e tensa.
A câmera foca no reflexo dela no vidro do carro — pequena, frágil, cercada por segredos.

CENA 8 – CASA DA FAMÍLIA MEDEIROS – NOITE

ÁREA DA PISCINA –

Luzes azuladas refletem na água calma.


Dylan e Peópele estão sozinhos na beira da piscina, rindo baixo, os pés mergulhados.
A química entre os dois é evidente — há carinho, mas também um medo de serem vistos.

PEÓPELE
(olhando pra ele, meio debochada)
Eu devia ter ido embora faz tempo.

DYLAN
(sorri, provocante)
Mas você não foi.

Ela se aproxima, brincando com os dedos na água.


Os olhares se cruzam, e Dylan murmura, quase num sussurro:

DYLAN
Eu sei que você acredita em mim.

Um silêncio. Ela o encara, hesitante, e então o beija.


O som da água respingando mistura-se ao da respiração acelerada dos dois.

Eles se afastam, rindo discretamente.


O momento é leve, até Peópele suspirar e dizer:

PEÓPELE
(baixa)
Isso é errado, Dylan. Se alguém vir...

DYLAN
(olhando pra ela)
Deixa eles verem.
A gente não tá fazendo nada que já não façam por trás das cortinas dessa casa.
Ela ri, nervosa.
Dylan se levanta, oferece a mão para ela sair da piscina.
Enquanto ela pega uma toalha, ele a observa com ternura e culpa.

PEÓPELE
(mais séria)
Você ainda não contou pra sua mãe, né?

DYLAN
(baixa a cabeça)
Não. E nem pretendo.

PEÓPELE
(cínica)
Claro que não. Helena Medeiros nunca aprovaria uma “Peópele” no álbum de família.

Dylan solta um riso curto, sem graça.

DYLAN
Vamos esquecer isso por uma noite, tá?

Ela o encara, ainda em dúvida, mas cede.


Um último olhar — entre amor e medo — antes dela sair discretamente pela lateral do jardim.

Dylan entra pela porta de vidro, ainda com o cabelo molhado.


Ele pega o celular sobre o sofá, abre o chat com Peópele — uma última mensagem piscando.
Sorri de leve.

DYLAN
(baixo, pra si mesmo)
Hum...

HELENA (O.S.)
Mãe? O que você está fazendo aqui?

A voz o interrompe — Dylan se vira.


Helena surge no corredor, imponente, com uma taça de vinho na mão.

HELENA
Encontrei a Peópele na saída.
Não sabia que vocês dois eram amigos.

DYLAN
(engole seco)
Temos algumas aulas juntas.

HELENA
Ela é muito atraente.

DYLAN
Ela é só uma amiga.

HELENA
Bom, vamos manter assim.
Você não precisa do drama da família dela.
Você está no caminho certo com a Alice

Dylan se encosta no sofá, desconfortável.


Helena toma um gole do vinho e continua com o mesmo tom frio:

HELENA
Ah, conversei com o professor Heitor.
Ele quer que você lidere o grupo de apresentação na próxima semana.

DYLAN
(olha pra baixo)
Hum... eu queria falar com você sobre isso.
Talvez eu não participe neste semestre.

HELENA
(surpresa)
Mas você trabalhou tanto pra conseguir isso, Dylan.
Por que jogaria tudo fora?

DYLAN
Porque eu tô cheio, mãe.
Talvez eu queira um tempo... pra mim.

HELENA
Pra fazer o quê?

Silêncio. Dylan a encara, cansado.

HELENA
(olhar duro)
Você dá conta, Dylan.
Você sempre dá.
Ah — e estou ansiosa pra conversar com a Peópele na festa amanhã.
Você vai pedir pra ela me encontrar?

DYLAN
(baixo, sem expressão)
Sim.

Helena sobe as escadas lentamente, deixando Dylan sozinho na sala.


Ele solta o ar, nervoso, e encara a própria imagem refletida no vidro da piscina —
duas versões de si mesmo, distorcidas pela água.

CORTE SECO.

CENA 9 – CASA DE LUCAS – NOITE

Luzes quentes. Um piano de segunda mão ocupa o canto do cômodo.


Lucas toca, concentrado. As notas ecoam suaves, até que ele erra e para de repente.

LUCAS
(suspira, frustrado)
Hum-hum.
RAFAEL
(sorri, do sofá)
Por que você parou? Foi lindo.

LUCAS
(rindo de leve)
Lindo? Eu toquei igual um desastre.
Não vou ganhar essa audição se continuar errando assim.

RAFAEL
(levantando-se, caminhando até ele)
Você vai sim.
Já consigo te ver lá… tocando com a Orquestra Sinfônica.
Foco, luzes, aplausos — e você sorrindo como se o mundo inteiro fosse seu.

LUCAS
(olha pra ele, provocando)
Ah é? E o que eu tô vestindo nesse seu sonho maluco?

RAFAEL
Um terno azul, elegante, simples.
Mas o brilho vem de você.

LUCAS
(rindo)
E você? Vai estar lá também?

RAFAEL
Claro.
Na primeira fileira… gritando mais que todo mundo.

Lucas ri, relaxando. Ele segura a mão de Rafael e o puxa pra perto.

LUCAS
Tá, e depois do concerto?
Pra onde a gente vai comemorar?

RAFAEL
(pensa um instante, com um sorriso nostálgico)
Praquele lugar…
onde tudo começou.

LUCAS
(finge dúvida)
A sorveteria?

RAFAEL
(sorri)
Aquela mesma.
A mesa do canto, a música ruim tocando no rádio…
e você tentando disfarçar o nervosismo derrubando o milkshake.
LUCAS
(rindo alto)
Ei, eu tava nervoso! Você é quem não parava de me olhar.

RAFAEL
(sincero)
E eu ainda não parei.

Os dois se encaram por um momento.


Silêncio. O som distante do piano se mistura à respiração dos dois.

LUCAS
(baixo)
Você acha mesmo que eu consigo?

RAFAEL
(toca o rosto dele, suave)
Acho.
Porque quando você toca… parece que o mundo todo para pra ouvir.

Lucas sorri, emocionado.


Eles se beijam, de forma calma, doce — um amor real, simples, e bonito.

A câmera gira em volta deles, captando o reflexo dos dois no espelho — um momento de paz
antes da tempestade.

CENA 10 – APARTAMENTO DE GABRIEL – NOITE

O apartamento está com luz baixa e aconchegante.


Lucas está deitado no sofá, mexendo no celular. Gabriel chega, tira os sapatos e se joga ao lado
dele, apoiando a cabeça no ombro de Lucas.

GABRIEL
(sorri, brincando)
Ainda estudando, meu aluno nota 10?

LUCAS
(sorri de volta, sem olhar)
Você sabe que eu não consigo parar.

GABRIEL
E se eu te distraísse um pouco?

Ele roça os dedos no braço de Lucas de forma leve, carinhosa. Lucas olha pra ele, divertido.

LUCAS
(depende do que você tem em mente…)

Gabriel se inclina e beija a testa dele, depois o cabelo.


Eles riem baixinho, como se aquele fosse um ritual comum entre eles.

GABRIEL
É estranho… depois de tudo isso, ainda me pego admirando como você toca piano. Mesmo nos
dias ruins.
LUCAS
(sorri, encostando a cabeça no peito de Gabriel)
E eu ainda fico nervoso se você chega atrasado.

GABRIEL
(rindo)
Você ainda quer que eu te ajude com os estudos ou prefere que eu só fique aqui te distraindo?

LUCAS
(olha pra ele, brincando)
Hmm… acho que hoje só quero ficar aqui com você.

Gabriel abraça Lucas por trás, os dedos brincando com os cabelos dele, enquanto eles se
acomodam no sofá.
O som da chuva batendo na janela entra suavemente, como pano de fundo.

GABRIEL
(sussurrando)
A gente já tá nesse segredo há tempo demais… mas às vezes é bom só… ser a gente mesmo.

LUCAS
(concorda, encostando a testa na dele)
Sim… só a gente.

Eles ficam ali, rindo baixo, trocando olhares, a intimidade de anos marcada em cada gesto.
O momento é calmo, íntimo, natural — mostra o relacionamento deles sem precisar de tensão
dramática.

....................................................

CENA 11 – MANSÃO MEDEIROS – NOITE (DIA)

[música ambiente, luzes douradas e risadas de fundo]

Peópele observa Dylan de longe, encostado numa coluna, com a taça na mão e o olhar
distante.
Ela se aproxima, determinada.

PEÓPELE
(baixo)
Por que você faz isso?

DYLAN
(sem olhar pra ela)
O quê?

PEÓPELE
Finge que nada te atinge.
Finge que não sente nada por mim.

DYLAN
(irônico)
Sentir é superestimado.
PEÓPELE
(cansada, sincera)
Eu não aguento mais viver escondida, Dylan.
Fingir pra todo mundo que a gente é só amigo.

DYLAN
(olha pra ela, frio)
É o preço que a gente paga por querer o que não devia.

PEÓPELE
(voz embargada)
Você tem medo de ser amado.

DYLAN
(sem emoção)
Eu tenho medo é do que o amor faz com as pessoas.

PEÓPELE
E o que ele faz?

DYLAN
Tira o controle.
E o controle é a única coisa que eu ainda tenho.

Peópele o encara, decepcionada.

PEÓPELE
Você vai acabar sozinho.

DYLAN
(sorri leve, quase triste)
Sozinho é o único jeito que dá pra sobreviver aqui.

Ela se afasta.
Dylan fica olhando o copo por alguns segundos — o reflexo distorcido da luz tremula como se
fosse ele.

[música abafada, mais isolado, som distante da piscina]

Alice e Eva estão sentadas num banco, longe da festa, com garrafas nas mãos.

EVA
(brincalhona)
Você tá mais tensa que a prefeita em época de eleição.

ALICE
(risos curtos)
Difícil não ficar... quando você é a filha dela.

EVA
(irônica)
Ah, a herdeira perfeita da cidade

Alice revira os olhos.


ALICE
(séria)
Você não entende. Não dá pra sair disso.
Minha mãe, a imagem dela... tudo depende de manter o show.

EVA
(mais leve)
Então deixa cair o palco.

ALICE
(olhar pesado)
Não é tão simples.
Dylan sabe coisas...
(olha ao redor, voz mais baixa)
E ele adora lembrar a todo mundo que segredos nunca morrem.

EVA
(sem paciência)
Ele não é Deus, Alice.

ALICE
Não, mas às vezes parece que ele acha que é.
E o pior é que, de algum jeito...
(pausa, respira)
Ele tem poder pra isso.

Eva se inclina, pega a mão dela.

EVA
(baixo, com ternura)
Então a gente precisa tirar esse poder dele.
Do nosso jeito.

Alice olha pra ela — meio assustada, meio curiosa.

Gabriel está encostado na mureta, com um copo de uísque.


Dylan se aproxima, tranquilo.

DYLAN
Professor… fugindo da multidão?

GABRIEL
(rindo leve)
Você também, pelo visto.

DYLAN
(risos curtos)
Ah, é.
Festas demais me dão alergia.
De mentira, especialmente.
GABRIEL
(confuso)
Como assim?

DYLAN
(olha pro copo, distraído)
Algumas pessoas vivem de fachada, professor.
Outras… ensinam a manter uma.

GABRIEL
(franzindo o cenho)
Dylan, tá tudo bem?

DYLAN
(sorri de canto)
Depende.
Pro senhor, talvez não muito.

GABRIEL
(baixo, tenso)
Como é que é?

DYLAN
(olhar frio)
Não precisa fingir.
Luca, as noites no campus, as mensagens...

Gabriel empalidece.

GABRIEL
(baixo, desesperado)
Dylan, isso pode acabar com tudo.

DYLAN
(irônico, calmo)
Ah, eu sei.
Sua carreira, seu nome, sua reputação...

GABRIEL
Por favor...

DYLAN
(interrompe)
Relaxa, professor.
Eu ainda não decidi o que fazer com essa informação.
Mas, por enquanto, talvez seja melhor conversarmos em outro lugar.

GABRIEL
(assustado)
O quê?

Dylan termina o copo e coloca sobre a mureta, olhando de relance.


DYLAN
(venenoso)
Com essa bomba, sua carreira vai estourar mais rápido que o champanhe da minha mãe.

Ele sai.
Gabriel fica estático, sem saber o que fazer.

Lucas está sozinho, com o celular na mão.


Gabriel entra apressado, ainda abalado.

LUCAS
(baixo)
O que aconteceu?

GABRIEL
(pálido)
Ele sabe, Lucas.

LUCAS
(suspira)
Eu imaginei.

GABRIEL
(olhando ao redor)
Você sabia que isso ia acontecer?

LUCAS
(baixo)
Dylan sempre sabe.
Ele vê o que ninguém percebe.

Lucas abaixa o olhar, sentindo o peso da situação.

CENA 12 - ESCRITÓRIO DA MANSÃO MEDEIROS – NOITE

[música tensa, som distante da festa lá fora]

O escritório é luxuoso, com estantes repletas de livros e troféus políticos.


Augusto Medeiros (pai de Dylan) revisa documentos sobre a mesa — planilhas, extratos,
pastas com o selo da Universidade Medeiros.

A porta se abre bruscamente.


Dylan entra, com expressão firme.

AUGUSTO
(sem levantar o olhar)
Não sabe bater?

DYLAN
(atravessa a sala)
Perdi o costume de pedir permissão pra falar na minha própria casa.

Augusto ergue o olhar, irritado.


AUGUSTO
(duro)
Você devia estar na festa, não aqui me incomodando.

DYLAN
(olhar cortante)
Incomodando ou descobrindo o que você anda escondendo?

AUGUSTO
(suspira, se recosta na cadeira)
Mais uma das suas teorias conspiratórias?

DYLAN
(puxa uma folha da mesa e lê)
“Fundos destinados à reforma dos laboratórios da universidade.”
(ergue o olhar)
Engraçado... o dinheiro nunca chegou lá.

Augusto fecha o laptop com força.

AUGUSTO
(cortante)
Onde você conseguiu isso?

DYLAN
(sorri)
Ah, pai… eu nasci dentro desse teatro.
Você devia saber que eu aprendi com o melhor.

AUGUSTO
(levantando-se)
Você tá me acusando de quê, Dylan?

DYLAN
(aproxima-se, firme)
De desviar dinheiro da universidade pra financiar campanha política.
E de achar que ninguém perceberia.

AUGUSTO
(irônico, ríspido)
E o que vai fazer com isso? Postar nas suas redes sociais de rebelde mimado?

DYLAN
(olhar frio)
Ainda não decidi. Mas o mundo adora um escândalo de família.

Augusto o encara, controlando a raiva.

AUGUSTO
Você acha mesmo que pode me destruir com meia dúzia de papéis?
Eu construí tudo isso, Dylan.
Tudo.
DYLAN
E destruiu também.
A universidade, a reputação da mãe

AUGUSTO
(voz mais alta)
Você não tem moral pra falar comigo!
Passa os dias se metendo na vida dos outros, gravando segredos, vendendo medo!
Você é igual a mim — só não tem coragem de admitir.

Dylan dá uma risada curta e amarga.

DYLAN
(seco)
A diferença é que eu não escondo o que sou.
Você vive de máscara.

AUGUSTO
(avança um passo, furioso)
Vai ficar me ameaçando, é isso?
Vai jogar meu nome na lama pra se sentir importante?

DYLAN
(olha diretamente pra ele, voz baixa e firme)
Não é ameaça, pai. É aviso.
O que você fez… vai vir à tona.
Mais cedo ou mais tarde.

AUGUSTO
(frio, encarando-o)
Então é isso.
Meu próprio filho quer me ver cair.

DYLAN
Talvez eu só queira ver a verdade em pé, pela primeira vez.

Augusto se aproxima até ficar frente a frente com o filho.

AUGUSTO
(olhar gélido)
Você acha que tem poder, mas ainda é só um garoto brincando de vingança.
E quando tudo desabar, Dylan...
(voz sombria)
Eu não vou te proteger.

Dylan segura o olhar dele por um instante, o queixo firme.

DYLAN
(não pisca)
Nem precisa.
Eu nunca precisei.
Ele sai, batendo a porta.
Augusto fica sozinho, tenso, com o olhar perdido na mesa.
A música da festa se mistura ao som da respiração pesada dele.

Câmera fecha no rosto de Augusto — raiva e medo ao mesmo tempo.

🎬 CENA 13 – UNIVERSIDADE MEDEIROS / SALA DE INTERROGATÓRIO – DIA

[música instrumental suave, som distante de chuva batendo nas janelas]

Uma semana após o crime.


O clima na universidade é de luto e escândalo.
Cartazes com a foto de Dylan Medeiros e a frase “Em memória” enfeitam os corredores.
Alunos cochicham. Jornalistas aguardam do lado de fora.

A câmera segue Investigadora OLÍVIA RAMOS, 38, olhar calmo, firme, mas cansado.
Ela segura uma pasta com o nome do caso:
“Operação Véu Carmesim – Caso Dylan Medeiros.”

Ela entra na pequena sala de interrogatório improvisada na universidade.

🎬 DENTRO DA SALA – CONTÍNUO

PEÓPELE é a primeira a ser ouvida.


Ela está abatida, sem maquiagem, mãos trêmulas segurando um anel.

OLÍVIA
(suave)
Você era próxima de Dylan, não era?

PEÓPELE
(voz embargada)
Próxima o suficiente pra saber que ele era… complicado.
Mas… ele também era…
(pausa)
…melhor do que deixava parecer.

OLÍVIA
O que quer dizer com isso?

PEÓPELE
Todo mundo via o Dylan arrogante. Mas ninguém via o que ele carregava.
Ele só... queria ser ouvido.

OLÍVIA
E você o amava?

Peópele olha pra baixo, lágrimas contidas.

PEÓPELE
Talvez mais do que devia.
Silêncio.
Olívia observa, anota, mas seu olhar é empático.

CE

Corta para ALICE, sentada no mesmo lugar.


Ela está impecável, como se tentasse manter a imagem perfeita da família.

OLÍVIA
Você sabia que Dylan tinha provas de um desvio de verba ligado à universidade?

ALICE
(sem hesitar)
Boatos. O Dylan vivia atrás de histórias pra se sentir importante.

OLÍVIA
Mas você era próxima da família dele, certo?
Sua mãe e o pai de Dylan tinham negócios em comum.

Alice dá um meio sorriso gelado.

ALICE
Negócios acontecem entre adultos.
E o Dylan… nunca soube agir como um.

Olívia a encara por alguns segundos.


Alice, tensa, mexe no anel — o mesmo gesto de Peópele.

Corte para LUCAS.


Ele parece cansado, o olhar perdido, os dedos batendo nervosamente na mesa.

OLÍVIA
Você foi o último a ver Dylan com vida, certo?

LUCAS
(baixo)
Não exatamente… mas sim, eu o vi na festa.

OLÍVIA
E como ele estava?

LUCAS
(risos nervosos)
Dylan sempre estava… “bem demais”.
(pausa longa)
Tinha alguma coisa diferente.
Ele parecia… decidido.

OLÍVIA
Decidido a quê?

LUCAS
Não sei. Mas… parecia o tipo de decisão que não tem volta.
Silêncio pesado.

Corte para EVA, mexendo nas pulseiras, desconfortável.

OLÍVIA
Você e Alice estavam juntas na noite do crime?

EVA
(sarcástica, tentando disfarçar o nervosismo)
Se isso for um interrogatório de casal, eu prefiro um advogado.

OLÍVIA
(séria, sem se abalar)
Não é sobre amor, Eva. É sobre verdade.

EVA
(tenta rir, mas a voz falha)
A verdade é que o Dylan sabia tudo.
Sobre todo mundo.
E quando alguém sabe demais...

OLÍVIA
(olhar atento)
Alguém se certifica de calar essa pessoa?

CENA 14 - UNIVERSIDADE MEDEIROS / GABINETE DE GABRIEL – DIA

[música baixa, som distante de vozes no corredor]

A câmera mostra o corredor da universidade — alunos cochichando, cartazes sobre a morte de


Dylan espalhados nas paredes.

Luca aparece tenso, ofegante, atravessando o corredor.


Ele para em frente à porta do gabinete de Gabriel, hesita, respira fundo e entra.

DENTRO DO GABINETE

O ambiente é abafado, silencioso. Pilhas de livros e papéis desorganizados sobre a mesa.


Gabriel está sentado, olhando para a tela do computador, mas não parece ver nada.

A porta se fecha atrás de Luca.


O som o faz se sobressaltar. Gabriel se vira.

GABRIEL
(baixo, tenso)
Luca? O que faz aqui?

LUCA
(apressado, nervoso)
A polícia… eles me chamaram hoje.
Disseram que querem conversar comigo sobre o Dylan.
GABRIEL
(levanta-se, tentando manter a calma)
E o que você disse?

LUCA
(nervoso)
Nada!
Mas eles sabem que a gente brigou

GABRIEL
(passa a mão no rosto, disfarçando o pânico)
Você tem que respirar.
(olha fixamente pra ele)
Ouviram? Respira.

Luca obedece, tentando se acalmar.


Silêncio breve.

LUCA
(voz baixa)
Eu tô com medo.
Eles acham que eu…

GABRIEL
(interrompe, firme)
Você não é culpado de nada.
E vai manter essa versão até o fim.

LUCA
(olha pra ele, quase suplicando)
Mas e o Dylan? Ele tinha provas… ele sabia do...

GABRIEL
(corta, mais ríspido)
Chega!
(suspiro pesado)
O Dylan sabia coisas demais sobre todo mundo.
Agora… ele não sabe mais de nada.

O silêncio é gelado.
Luca engole seco.
Gabriel tenta recompor a postura — volta pra trás da mesa, mas a mão treme ao segurar a
caneta.

GABRIEL
(mais baixo, tenso)
Você vai dizer à polícia que não tinha nada com ele.
Que foi uma discussão boba.
E nada além disso.
LUCA
(olha pra ele, com medo)
E se eles perguntarem sobre… nós?

Gabriel o encara.
Por um segundo, o olhar é mais humano — um traço de dor.

GABRIEL
(baixo, quase um sussurro)
Então... mente.

Luca desvia o olhar, segurando as lágrimas.


Gabriel volta a se sentar, mas a expressão denuncia o pânico.
Ele tenta anotar algo, mas a caneta cai da mão.

LUCA
(olha pra ele)
Você também tá com medo, né?

GABRIEL
(sorri fraco)
Quem não estaria?

Luca se levanta, vai até a porta.


Antes de sair, para, sem olhar pra trás.

Ele sai.
Gabriel fica imóvel, olhando para o vazio — o som do relógio ecoa.
A câmera se aproxima lentamente até o rosto dele:
olhos marejados, mas frios.

CORTE SECO.

CENA 15 – APARTAMENTO DE DYLAN – DIA

[música baixa; luz quente entrando pela janela. O apartamento está bagunçado: garrafas,
roupas jogadas, perfume no ar.]

Peópele entra apressada, com o rosto iluminado por um sorriso — até parar na porta do
quarto.
A expressão muda instantaneamente: choque, incredulidade.

Na cama, Dylan com outra garota (figurante).


Os dois se separam rápido, assustados.

FIGURANTE
(sem graça, cobrindo-se)
Não é o que você tá pensando...

DYLAN
(sem se mover, frio)
É exatamente o que ela tá pensando.
(pausa, olhando pra Peópele)
Você nunca percebe as coisas — sempre foi lerda pra isso.
Silêncio. Peópele tenta respirar fundo, sem chorar.

PEÓPELE
(voz firme, magoada)
Você não vai nem tentar uma desculpa esfarrapada?

DYLAN
(se levanta, veste a camisa)
Eu não preciso de desculpa.
Pelo menos eu falo a verdade.

PEÓPELE
(olhar ferido)
Por que você tá fazendo isso?
A gente tava bem, Dylan...

DYLAN
(rindo, sem emoção)
Pra mim, era só sexo.
E, sinceramente... eu tô entediado com você.

[música dramática começa a subir bem de leve]

PEÓPELE
(sem acreditar)
Do que você tá falando?
Você não é assim.

DYLAN
(olhando nos olhos dela, duro)
Eu sempre fui assim.
Esse papo de amor, de sentimento... era só da sua cabeça.
(pausa)
Sabe o que é?
Você é fraca.
E por isso vai continuar sozinha.

PEÓPELE
(voz embargada, ainda tentando se manter forte)
Eu consigo superar isso…
se você simplesmente conversar comigo, de verdade.

DYLAN
(ríspido, afastando-se)
Se controla, Peópele.
Desespero não combina com você.

Ele pega a jaqueta, passa por ela sem olhar nos olhos.
Peópele permanece parada, imóvel, as lágrimas finalmente caindo.

Dylan abre a porta e sai.


A câmera se aproxima lentamente de Peópele, o rosto partido entre raiva e amor.
[música sobe, tensão no ar]

CORTE SECO.

......................................................

CENA 16 – CASA DE ALICE / ESCRITÓRIO DA PREFEITA – TARDE

(Chuva suave batendo na janela. O escritório de RENATA FONTES é elegante, com pastas
empilhadas e uma bandeira municipal ao fundo. Ela fala ao telefone, tensa, até que ALICE
entra de repente, com o rosto firme e os olhos marejados.)

RENATA
(sem tirar os olhos dos papéis)
Alice, quantas vezes já disse pra não entrar assim? Estou no meio de algo importante.

ALICE
(sem se abalar)
Importante? Mais importante do que o Dylan?
Eu quero saber o que realmente está acontecendo entre a nossa família e os Medeiros.

RENATA
(largando a caneta, respirando fundo)
Você não sabe o que está dizendo. Isso é política, não assunto pra você se meter.

ALICE
(avançando, irritada)
Não tenta me enganar, mãe! Todo mundo sabe que os Medeiros estão por trás de metade dos
investimentos da cidade.
E agora que o Dylan sabia de algo... Que ele queria contar.

RENATA
(irônica, cruzando os braços)
Dylan sempre foi um garoto impulsivo.
E perigoso, sim.
Você acha que eu não sei o tipo de gente com quem ele andava?
O único motivo de eu ter tolerado aquele namoro foi por respeito à família dele — ao dinheiro
e à influência dos pais.

ALICE
(espantada, magoada)
Como é que você pode dizer isso? mãe

RENATA
(cortando, fria)
Errado?
Alice, acorda!
Aquele garoto vivia fuçando onde não devia, questionando contratos, gravações, doações... Ele
podia acabar com tudo o que construímos.
Você não entende o perigo que ele representava — pra mim, pra você, pra todos nós.

ALICE
(chorando, mas furiosa)
você transformou isso num problema político.
Você tá falando dele como se fosse um inimigo, mas o que te assusta é o que ele sabia!

RENATA
(aproximando-se, séria, com voz controlada)
O que me assusta, Alice, é ver minha filha colocando em risco o próprio futuro .Ele te usava —
assim como usava todo mundo.

ALICE
(dando um passo pra trás, chocada)
Você... você é terrível.

(Silêncio tenso. Alice, com lágrimas nos olhos, dá as costas e sai, batendo a porta. Renata fica
parada, respirando fundo, tentando manter a compostura — mas seus olhos denunciam
culpa. A câmera foca na mesa: uma pasta marcada com o selo “MEDEIROS GROUP” e a
etiqueta “CONFIDENCIAL – DOAÇÃO CAMPANHA 2022”.)

CORTE PARA PRETO.

..............................................

CENA 17 – ENCONTRO PEOPELE E LUCA – NOITE

LOCAL: RUAS DE DEL VALE / PRÓXIMO AO RIO – NOITE

(A noite é fria. Peopele caminha sozinha pela rua quase deserta, iluminada apenas pelos
postes. O som do rio ao fundo mistura-se ao vento. Ela segura o celular, olhando fixamente
para a tela — uma mensagem de Dylan. O rosto dela revela dor e raiva contida. Luca a
espera, nervoso, ao lado de um carro estacionado.)

LUCA
(tentando parecer calmo)
Você disse que precisava falar comigo... o que aconteceu?

PEOLEPELE
(parando diante dele, fria)
Recebi uma mensagem do Dylan.
Antes de ele morrer.

LUCA
(surpreso)
O quê? Que mensagem?

PEOLEPELE
(olha pra ele, com os olhos marejados)
Uma mensagem de voz.
(pausa, depois toca o áudio)

“Peo... se alguma coisa acontecer comigo, procura o Luca. Ele sabe mais do que diz.”

(Silêncio. Luca desvia o olhar, visivelmente abalado. Peopele se aproxima, a voz embargada.)
PEOLEPELE
Você quer me explicar o que ele quis dizer com isso?
O que você sabia, Luca?

LUCA
(respira fundo, hesitando)
O Dylan... ele tava diferente.
Tenso, paranoico, achando que tinha gente vigiando ele.
Eu tentei ajudar, mas ele não me ouvia.
Falava de arquivos, nomes, mensagens — como se tivesse descoberto algo grande.

PEOLEPELE
(fria, cruzando os braços)
E você sabia do que se tratava?

LUCA
(olha pra ela, sincero)
Eu sabia que ele tava em perigo.
Mas eu não fazia ideia do quanto.
Ele não confiava mais em ninguém... só em você.

PEOLEPELE
(voz trêmula)
E mesmo assim ele te citou.
Por quê, Luca?
Por que ele diria que você sabia mais do que dizia?

LUCA
(elevando um pouco o tom, emocionado)
Você acha que eu não me culpo todos os dias?!
Ele era meu amigo, Peo! Eu só queria proteger a gente.

PEOLEPELE
(dando um passo pra trás, decepcionada)
Proteger... ou se proteger?

(Luca não responde. O silêncio é cortado apenas pelo vento e o som do rio. Peopele o encara
por alguns segundos, o olhar despedaçado.)

PEOLEPELE
(voz baixa, saindo)
Se o Dylan confiava em você... ele errou.

(Ela se afasta, chorando. Luca fica imóvel, tentando conter as lágrimas. A câmera fecha no
celular de Peopele enquanto ela caminha — a mensagem de Dylan ainda aberta na tela,
terminando com as palavras:)

“Cuidado em quem você confia. Às vezes, quem parece proteger... é quem te entrega.”

CORTE PARA PRETO.

.....................

CENA 18 – APARTAMENTO DE DYLAN – NOITE (PRESENTE)


O apartamento está exatamente como na noite do crime. Copos, cigarros, silêncio pesado.
A porta bate. Peópele encara cada rosto conforme entram: Alice, Luca, Augusto, Gabriel.

PEÓPELE
(olhar duro)
Fechem a porta. Ninguém sai até falar a verdade sobre o Dylan.

Alice cruza os braços, fria. Luca nem consegue manter contato visual.
Augusto observa com desprezo; Gabriel se posiciona ao lado de Luca como um escudo.

A tensão é palpável.

PEÓPELE
Algum de vocês esteve aqui com ele antes de morrer.
(alternando o olhar)
E todos tinham motivo.

ALICE
(irônica, contendo nervosismo)
Você está delirando. Isso é ridículo.

PEÓPELE
Você tinha medo dele expor sua mãe.
(passo à frente)
E tinha ainda mais medo do que ele sabia sobre você... e a Eva.

Alice empalidece.

ALICE
(agressiva)
Ah, por favor. E quem garante que você não surtou porque ele ia te largar?

PEÓPELE
(engole seco, queima)
Eu amava ele! Não estava usando ele

Luca explode súbito.

LUCA
(voz trêmula)
Ele sabia de mim… da audição… dos favores do professor…

Gabriel o corta, rápido.

GABRIEL
(afavelmente falso)
Luca, respira. Você não precisa se incriminar. Eu estou aqui para ajudar.

Peópele encara Gabriel, desconfiada.

PEÓPELE
Chegar para “ajudar” quem?
Ou para controlar o que ele vai dizer?

Augusto dá uma risada amarga.


AUGUSTO
Meu filho sempre exagerou. Ele inventava boatos para atenção.
Se alguém fez algo… foi alguém fraco.
(pausa, cruza os braços)
Não alguém com uma carreira sólida.

Luca o encara, destruído.

LUCA
(raiva contida)
Carreira sólida desviando verba da universidade?

Augusto trava a mandíbula.

ALICE
(virando para Luca)
Ah, então agora você resolveu falar?
Você brigou com o Dylan na festa.
Você saiu nervoso.
Você sumiu na noite da morte dele!

LUCA
(gritando)
E VOCÊ correu pros fundos da universidade para se esconder com a Eva!

Gabriel pisa na fala dele, mais incisivo:

PEÓPELE
(olhos estreitos)
Que conveniente.

PEÓPELE
(voz tremendo, lágrimas seguradas)
E ainda assim Dylan preferiu a mim

Silêncio pesado.

Alice explode:

ALICE
(veneno contido)
Você não sabe o que ele era capaz de fazer!
Ele gravava. Observava.
Ele podia arruinar todos nós.

Peópele avança um passo, firme:

PEÓPELE
Então VOCÊ tinha motivo.

Alice se retrai.

Luca aponta para o pai de Dylan:


LUCA
E ele também!
Dylan estava pronto para expor o desvio!
Ele ia entregar documentos!
Todos sabiam!

A sala congela.

PEÓPELE
(olhar final, devastado)
Então assumam.
Alguém aqui entrou naquele apartamento…
e puxou o gatilho.

Ninguém responde.

Um segundo de silêncio mortal.

Peópele respira fundo… e sussurra:

PEÓPELE
(olhando um por um)
Segredos mataram o Dylan.
E eu juro — eu vou descobrir qual deles.

....................................

CENA 19 - NOITE DO CRIME- DIA

Apartamento de Dylan. Luz baixa. Música abafada.

GABRIEL entra trancando a porta.

GABRIEL
(tenso)
Você não sabe o que está fazendo.

DYLAN
(frio)
Sei exatamente.

Ele joga no sofá um PEN DRIVE.


Pequeno. Simples. Mortal.

DYLAN
Tudo aqui.
Seu relacionamento com aluno…
as notas alteradas…
as mensagens de madrugada…

GABRIEL
(voz quebrando)
Isso acaba comigo.
DYLAN
(sorriso venenoso)
Talvez mereça acabar.

Gabriel avança — empurra Dylan contra a parede.

GABRIEL
Você não vai destruir a minha carreira!

DYLAN
(olhos de aço)
Eu destruo quem destruiu primeiro.

Silêncio. Gabriel perde o fôlego.

DYLAN
E sabe do pior?
(toca o peito de Gabriel)
Você gostou. De ter poder sobre ele.

Gabriel vacila, horrorizado — Dylán vê a brecha e aperta:

DYLAN
(baixo, fatal)
Vou entregar amanhã. Pra polícia, pra imprensa.
Você é um predador.

Gabriel recua — e vê algo metálico sobre a mesa.


A arma.

DYLAN
(aproxima, sorrindo)
Vai fazer o quê… professor?
Vai me mandar estudar?

Gabriel pega a arma.

Respiração. Tremor. Sufoco.

DYLAN
(um passo à frente)
No fim, ninguém é inocente, Gabriel.
E eu não tenho mais medo de você.

Os dois lutam.
Cadeira cai.
Vidro quebra.
Respiração animal.

P O U M.

Silêncio mortal.

Dylan cai em câmera lenta.


O sangue respinga na parede.
Gabriel congela, respira como se estivesse se afogando.

GABRIEL
(chorando, horrorizado)
Eu… não queria…

Ele deixa a arma cair no chão.


Olha para o corpo.
O mundo desmoronando no ritmo da respiração.

C O R T E.

CENA 20 -UNIVERSIDADE MEDEIROS — DIA

Sirene. Alunos formam um corredor de silêncio.

A viatura para.

Porta se abre.
Investigadora OLÍVIA desce, segurando uma pasta marcada PROVAS.

Ela caminha direto até Gabriel, que está dando aula no pátio.

A multidão prende a respiração.

OLÍVIA
Professor Gabriel Montoya…
você está preso pelo assassinato de Dylan Medeiros.

Algemas.
CLICK.

Gabriel empalidece.

GABRIEL
(baqueado)
Ele ia acabar com minha vida…

Olívia o encara — sem piscar.

OLÍVIA
Você puxou o gatilho.
Não foi o medo… foi o ego.

Gabriel tenta virar para Luca.


Luca desvia o olhar — lágrima única.

A viatura fecha a porta.


BAM.

VERMOS A CARA DE LUCA E DOS AMIGOS DELES SENDO PRESO

CENA 21 — “A ÚLTIMA VISITA”


PRESÍDIO MUNICIPAL — SALA DE VISITAS — NOITE

Luzes fluorescentes. Frio.


O eco metálico das portas batendo.

Gabriel entra algemado.


Agora sem terno, sem público, sem postura.
Só um homem vazio.

Ele senta diante do vidro.

Do outro lado… Luca.

Silêncio.
Respirações curtas.

LUCA
(voz baixa, quebrada)
Você podia ter pedido ajuda.

Gabriel engole seco.

GABRIEL
Eu achei…
(olhos tremem)
…que estava protegendo você.

Luca tira o olhar da mesa.

LUCA
Matar alguém não é proteção.
É medo.

Gabriel afunda.

GABRIEL
Dylan queria destruir…
…minha carreira. Minha vida.

LUCA
E você destruiu a sua com as próprias mãos.

Silêncio.

Gabriel fecha os olhos — lágrimas contidas.

GABRIEL
Eu… era melhor que isso.
Eu pensei que era.

LUCA
(lembra, dor genuína)
Você era meu professor.
Eu acreditava em você.
Gabriel tenta tocar o vidro…
Seus dedos param no meio do caminho.

GABRIEL
Eu… não tenho desculpa.

Luca levanta o rosto finalmente.

LUCA
Você tinha medo de perder controle.
Mas olha onde o controle te trouxe.

Instantâneo:
Gabriel quebra. Chora em silêncio, sem sobriedade, sem força.

Luca respira fundo, firme:

LUCA
(sternal)
Dylan não matou você.
Você se matou quando puxou o gatilho.

Corte seco no olhar de Gabriel — ele entende.

Por fim, Luca se levanta.

GABRIEL
(implorando)
Luca, por favor… não me odeie.

Luca pára na porta.

LUCA
(sem olhar pra trás)
Eu não te odeio

Pausa.

LUCA
Eu aprendi com você…
…o que o medo faz com as pessoas.

Ele sai.

O policial fecha a porta.

CLANG.

Gabriel fica sozinho.


Pequeno.
Ninguém pra manipular.
Ninguém pra impressionar.

Ele encosta a testa no vidro.


Chora.
Cai de joelhos.
A câmera sobe lentamente, deixando-o pequeno no quadro.

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