I.
INTRODUÇÃO
1.1. Contexto
Após as primeiras infecções na China no final de 2019, a doença do Coronavírus (COVID-19)
continuou a espalhar-se pelo mundo. Nenhum continente foi capaz de escapar a este vírus, que
registou uma mortalidade média de cerca de 2,3%. (De acordo com o Centro Chinês de
Controlo e Prevenção de Doenças). Até então, a nível mundial, houve quase 54.207 mortes,
com mais de 1.030.324 pessoas infectadas e 219.896 recuperações em 204 países e territórios
em todo o mundo e em 2 transportes internacionais: o navio de cruzeiro Diamond Princess,
ancorado em Yokohama, Japão, e o navio de cruzeiro MS Zaandam da Holland America,
retratando assim a gravidade do vírus globalmente (Relatório situacional da OMS 3 de Abril
de 2020, 10h00 TUC).
Declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a 11 de Março 2020, a
COVID-19 tornou-se uma emergência global, dado o seu impacto em toda a população
mundial e na economia. De acordo com as simulações de cenários do Fundo Monetário
Internacional (FMI), o crescimento global poderia cair 0,5 para o ano 2020. Várias outras
fontes estão também a prever uma queda no crescimento global, devido aos efeitos directos do
surto da COVID-19. A economia global pode entrar numa recessão, pelo menos na primeira
metade do ano 2020, quando se acrescentam os efeitos directos e indirectos da crise (por
exemplo, choques de oferta e procura, queda dos preços das mercadorias, queda na chegada de
turístas, etc.). No entanto, à medida que a pandemia avança lentamente no continente africano,
os estudos das organizações internacionais têm abordado menos o impacto económico nos
países africanos separadamente. De facto, a África não está imunizada contra a Covid19. Até
hoje, de acordo com a actualização de vigilância contra a COVID-19: 3 de Abril 2020 9:00 da
manhã do CDC de África, a propagação do vírus atingiu 50 Estados-Membros da União
Africana: 7.028 casos, 561 recuperações e 284 mortes; e não mostra sinais de abrandamento.
África, por conta da sua abertura ao comércio internacional e a migração, não é imune aos
efeitos nocivos da COVID19, que são de dois tipos: endógenos e exógenos.
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Os efeitos exógenos provêm das ligações comerciais directas entre continentes parceiros
afectados como a Ásia, a Europa e os Estados Unidos; do turismo; do declínio em remessas
da diáspora Africana; do investimento directo estrangeiro e da ajuda pública ao
desenvolvimento; dos fluxos financeiros ilícitos e do aperto do mercado financeiro
nacional, etc.
Os efeitos endógenos ocorrem como resultado da rápida propagação do vírus em muitos
países africanos. Por um lado, estão ligados à morbilidade e mortalidade. Por outro lado,
conduzem a perturbação das actividades económicas. Isto pode causar, uma diminuição da
procura interna em receitas fiscais devido à perda de preços de petróleo e de mercadorias
juntamente com um aumento das despesas públicas para salvaguardar a saúde humana e
apoiar as actividades económicas.
1.2. Objectivos
É importante avaliar o impacto socioeconómico da COVID-19, embora a pandemia esteja
numa fase menos avançada em África, devido à sua menor quantidade de chegada de migrantes
internacionais relativamente à Ásia, Europa e América do Norte e a fortes medidas preventivas
em alguns países africanos. As economias africanas permanecem informais e muito
extrovertidas e vulneráveis a obstruções externas. No estudo, utilizamos um método baseado
em cenários, para avaliar o potencial impacto da pandemia em várias dimensões das economias
Africanas. Por conta da dificuldade de quantificar o real impacto como resultado da incerteza,
da natureza de evolução rápida da pandemia, e da escassez dos dados, o nosso trabalho foca-
se em compreender as possíveis repercussões socioeconómicas a fim de propôr recomendações
políticas para responder à crise. As lições aprendidas com o estudo darão mais esclarecimento
sobre o caminho a seguir, uma vez que o continente está numa fase crítica da implementação
da Zona de Comércio Livre Continental (ZCLC).
1.3. Metodologia e estrutura
O documento apresenta a actual situação económica do mundo e analisa o potencial impacto na
economia global. Com base na descrição de indicadores-chave específicos da economia Africana,
são construídos três cenários. Posteriormente, avaliamos o impacto sobre a economia Africana
para cada um dos cenários e apresentamos algumas das principais medidas tomadas por alguns
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estados-membros seleccionados da União Africana. O documento termina com uma conclusão e
recomendações políticas fundamentais.
II. ACTUAL CONTEXTO ECONÓMICO INTERNACIONAL
A crise causada pela pandemia do coronavírus está a mergulhar a economia mundial para
profundidades desconhecidas desde a Segunda Guerra Mundial, acrescentando aos problemas de
uma economia que já estava a lutar para recuperar da crise anterior a 2008. Para além do seu
impacto na saúde humana (materializado pela morbilidade e mortalidade), a COVID-19 está a
perturbar uma economia mundial interligada através de cadeias de valores mundiais, que
representam quase metade do comércio mundial, quedas abruptas nos preços das mercadorias,
receitas fiscais, receitas em divisas, fluxos financeiros estrangeiros, restrições de viagem, declínio
do turismo e dos hotéis, congelamento do mercado de trabalho, etc.
A pandemia da Covid-19 afecta todas as principais economias mundiais, prevendo uma
grande crise económica mundial em 2020.
A União Europeia, os Estados Unidos e o Japão representam metade do Produto Interno Bruto
(PIB) mundial. Estas economias baseiam-se no comércio, nos serviços e nas indústrias. No entanto,
as medidas para travar a pandemia obrigaram-nos a fechar as suas fronteiras e a reduzir
drasticamente as actividades económicas; o que conduzirá a uma recessão em algumas destas
economias desenvolvidas. A economia chinesa representa cerca de 16% do PIB global e a China
é o maior parceiro comercial da maioria dos países africanos e do resto do mundo. A Organização
de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE) prevê um declínio nas taxas de
crescimento económico para estas grandes economias, tal como se segue: China 4,9% em vez de
5,7%, Europa 0,8% em vez de 1,1%, o resto do mundo 2,4% em vez de 2,9%, com o PIB mundial
a cair até 0,412 a partir do primeiro trimestre de 2020. A Conferência das Nações Unidas sobre
Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) prevê uma pressão descendente sobre o investimento
directo estrangeiro de -5% para - 15%. O Fundo Monetário Internacional anunciou em 23 de Março
de 2020 que os investidores retiraram 83 bilhões de dólares norte-americanos dos mercados
emergentes desde o início da crise.
Além disso, de acordo com as perspectivas económicas mundiais do FMI, o crescimento global
foi projectado para 2,5% em 2020, um ligeiro aumento em relação aos 2,4% em 2019, graças à
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retomada gradual do comércio e dos investimentos. Nas economias avançadas, um abrandamento
de 1,6% para 1,4% foi previsto, principalmente devido à persistente fraqueza do sector
transformador. A OCDE desvalorizou a sua previsão para a economia mundial, indicando que o
crescimento global poderá cair para 1½% em 2020, metade da taxa projectada antes do surto do
vírus. No entanto, embora seja difícil medir o impacto exacto da COVID-19 na economia mundial,
alguns factos estilizados podem mostrar como a economia mundial será afectada:
Uma queda considerável nos preços das mercadorias.
Os preços do petróleo perderam cerca de 50% do seu valor, caindo de 67 dólares norte-americanos
por barril para menos de 30 dólares norte-americanos por barril (como mostra o gráfico).
Em resposta, para apoiar os preços do petróleo bruto afectados pela doença pandémica do
coronavírus, os principais produtores de petróleo propuseram-se a reduzir a produção, uma vez
que as pessoas consomem menos e o declínio nas viagens. O grupo de exportadores de petróleo da
OPEP concordou em cortar o abastecimento em 1,5 milhões de barris por dia (bpd) até junho e o
plano era para os estados não pertencentes a Organização dos Países Exportadores de Petróleo
(OPEP), incluindo a Rússia, para seguir a tendência. No entanto, isto não aconteceu uma vez que
a Arábia Saudita, a 08 de Março anunciou que iria aumentar a produção, o que intensificou as
guerras petrolíferas à medida em que os não membros da OPEP retaliavam, resultando na queda
dos preços de petróleo. A queda dos preços do petróleo bruto no final de 2014 contribuiu para um
declínio significativo no crescimento do PIB da África Subsariana de 5,1% em 2014 para 1,4%
em 2016. Durante esse episódio, os preços do petróleo bruto caíram 56% ao longo de sete meses.
A actual queda dos preços do petróleo bruto tem sido muito mais rápida, com alguns analistas a
projectarem descidas de preços ainda mais graves do que em 2014. Os preços do petróleo bruto já
caíram 54% nos últimos três meses desde o início do ano, com os preços actuais a descer abaixo
dos 30 dólares por barril. Preços de matérias-primas não-petrolíferas também diminuíram desde
Janeiro, com os preços do gás natural e dos metais a descer 30% e 4%, respectivamente (Brookings
Institution, 2020). O alumínio também caiu 0,49%; o cobre 0,47% e o chumbo 1,64%. O cacau
perdeu 21% do seu valor nos últimos cinco dias. Os preços globais dos principais produtos
alimentares, tais como arroz e trigo, podem também ter impacto nos países africanos. Vários países
africanos são importadores líquidos destes produtos. Se o surto da COVID-19 durasse até ao fim
de 2020 ou além, então a questão seria como os preços destes produtos irão evoluir (Gráfico 3).
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A indústria de aviação e viagens é um dos sectores mais afectados.
As receitas da indústria de aviação foram de 830 bilhões de dólares em 2019. Estas receitas foram
projectadas em 872 bilhões de dólares em 2020. Como o número de novas infecções continua a
aumentar em todas as partes do mundo, os governos estão a trabalhar incansavelmente para
abrandar a contágio. Muitos países cessaram as viagens a longa distância. A 5 de Março de 2020,
a Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) projectou que a Covid-19 poderia
perturbar seriamente a indústria e causar um prejuízo de cerca de 113 bilhões de dólares norte-
americanos. Este valor é subestimado, uma vez que a maioria dos países está a fechar as suas
fronteiras e ninguém sabe quando serão reabertas.
A indústria do turismo também está a enfrentar desafios semelhantes. De acordo com a última
estimativa da Organização Mundial do Turismo (OMT), espera-se uma queda entre 20-30% que
se poderia traduzir num declínio nas receitas internacionais do turismo (exportações) entre 300-
450 bilhões de dólares norte-americanos, quase um terço dos 1,5 triliões de dólares norte-
americanos gerados em 2019. Tendo em consideração as tendências de mercado passadas, que
mostra que entre cinco e sete anos de crescimento perder-se-iam por causa do coronavírus. A
introdução sem precedentes das restrições de viagem em todo o mundo, levará a uma queda na
chegada de turistas internacionais de 20% para 30% em 2020, em comparação com os números de
2019. Muitos milhões de empregos na indústria estão em risco de serem perdidos, uma vez que
cerca de 80% de todas as empresas de turismo são pequenas e médias empresas (PME’s). A
indústria hoteleira e de hospitalidade perderia 20% do seu volume de negócios e esta percentagem
pode atingir 40% a 60% em países como o Camboja, Vietname e Tailândia (onde o sector
representa cerca de 20% do emprego). Os destinos turísticos de topo no mundo são a França com
cerca de 89 milhões de chegadas turísticas por ano, a Espanha com cerca de 83 milhões; os EUA
(80 milhões), a China (63 milhões), a Itália (62 milhões), a Turquia (46 milhões), o México (41
milhões), a Alemanha (39 milhões), a Tailândia (38 milhões), e o Reino Unido (36 milhões). O
Turismo juntamente com as viagens estão na base de 1 em cada 10 empregos (319 milhões) no
mundo e geram 10,4% do PIB mundial. O confinamento nestes países mostra que o impacto da
COVID-19 será muito forte na indústria do turismo no mundo.
Os mercados financeiros mundiais também estão a sentir fortemente os efeitos adversos.
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Após o episódio da segunda-feira negra (9 de Março), os principais índices das bolsas de valores
passaram por um dos piores desenvolvimentos na sua história em décadas. A Dow Jones perdeu
quase 3000 pontos num dia. O FTSE mergulhou cerca de 5% e as perdas estão estimadas em mais
de 90 bilhões de dólares norte-americanos, para citar apenas duas. O sector bancário perdeu quase
40% do seu valor no último mês e a tendência continua a ser de baixa.
O índice oficial de gestores de compras do sector de fabrico da China mede o nível de
actividade da fábrica, com base na Bloomberg. A cadeia de abastecimento global sofreu graves
perturbações por parte da COVID-19. Como indicado pelos dados no Gráfico 7, desde o início da
pandemia da COVID-19, a produção na China caiu drasticamente de 50% em Janeiro para 37,5%
no final de Fevereiro. Este declínio drástico no fabrico tem um impacto grave nas nações, uma vez
que a China é o maior fornecedor de maquinaria para infra-estruturas e automóveis. Para reduzir
a propagação da doença, a maioria das fábricas teve de encerrar as operações.
Um aumento do desemprego global entre 5,3 milhões (cenário "baixo") e 24,7 milhões
(cenário "elevado").
A actual fragilidade da economia global poderia aumentar o desemprego global em quase 25
milhões, de acordo com uma nova avaliação da Organização Internacional do trabalho (OIT). A
estimativa da OIT pode estar baseada no emprego no sector formal nos países desenvolvidos. De
acordo com as estimativas mais recentes, a taxa de emprego vulnerável era de 76,6% na África
Subsaariana, com os empregos não-agrícolas na economia informal representando 66% do
emprego total e 52% no norte de África. A taxa de emprego vulnerável foi estimada em 76,6% em
2014 (OIT, 2015).
Resposta à crise em diferentes países
Os governos de todo o mundo estão a preparar-se para o impacto de uma crise sem precedentes. O
impacto da pandemia e as medidas de contenção implementadas para abrandar o contágio e
"achatar a curva" irão afectar inevitavelmente os níveis de actividade económica. Ao contrário da
crise anterior, o novo cenário combina choques do lado da oferta e da procura em múltiplos
sectores.
A fim de amortecer o efeito da crise nas famílias e empresas, os governos estão a conceber uma
vasta gama de respostas políticas, incluindo o apoio directo ao rendimento, extensão de garantias
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de incentivos fiscais, diferimento do pagamento de juros sobre a dívida. O quadro 1 ilustra algumas
das principais medidas macroeconómicas tomadas a nível internacional. A OCDE produziu um
compêndio de medidas tomadas pelos seus países membros que está disponível em: http://
[Link]/coronavirus/en/
III. ANÁLISE DO IMPACTO SOBRE AS ECONOMIAS AFRICANAS
A crise da Covid-19 está a afectar toda a economia mundial e a de África. Alguns sectores-chave
da economia africana já estão a sofrer um abrandamento como resultado da pandemia. O sector do
turismo, dos transportes aéreos e o petrolífero estão visivelmente impactados. No entanto,
esperam-se impactos invisíveis da Covid-19 em 2020 independentemente da duração da pandemia.
Para avaliar, cenários foram construídos (ver anexo 1) com base em hipóteses que têm em conta
restrições económicas, demográficas e sociais.
Para avaliar o impacto, o documento considera os 2 cenários seguintes:
Cenário 1: Neste primeiro cenário, a pandemia dura 4 meses na Europa, China e América antes
de estar sob controle, tal como segue: 15 de Dezembro 2019 - 15 de Março 2020 na China (3
meses), Fevereiro - Maio 2020 na Europa (4 meses), Março - Junho de 2020 (EUA) (4 meses)
China, Europa e América (EUA, Canadá e outros) durante os períodos de 15 de Dezembro de 2019
- 15 de Março de 2020 na China (3 meses), Fevereiro – Maio de 2020 na Europa (4 meses), Março
– Junho de 2020 (EUA) (4 meses). Espera-se que as suas economias recuperem-se a partir de Julho
de 2020. Neste cenário, a pandemia durará 5 meses, de Março a Julho de 2020 antes de ser
estabilizada (a África não está muito afectada, políticas e medidas postas em prática para conter,
bem como os apoios dos parceiros, e o tratamento médico irão reduzir a propagação da pandemia.
Cenário 2: Neste cenário, consideramos 3 formas de ocorrência pandémica: 4 meses (Dezembro
- Março) na China, 6 Meses (Fevereiro - Junho) nos países Europeus e americanos e 8 meses
(Março-Agosto) em países africanos. Neste caso, o parâmetro é a eficácia das medidas políticas
que foram acrescentadas à capacidade das infra-estruturas para avaliar a possível duração da
pandemia nas diferentes regiões.
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3.1 Impacto global sobre as economias africanas
Esta secção avalia o impacto da Covid-19 no crescimento económico africano e outros sectores
específicos.
3.1.1. Impacto no crescimento económico Africano
O crescimento Africano melhorou significativamente durante a década de 2000-2010. Após esta
década de confiança renovada, surgiram dúvidas sobre a capacidade da África para manter taxas
de crescimento sustentavelmente elevadas. Uma razão importante por detrás desta dúvida foi a
dependência persistente das maiores economias Africanas nos preços globais das mercadorias. A
inversão no preço das matérias-primas que começou em 2014, pôs fim ao episódio de crescimento
elevado sem precedentes nos anos 2000, desde os anos 70. O crescimento económico caiu assim,
de + 5% em média entre 2000 e 2014 para + 3,3% entre 2015 e 2019. Após o curto período de
entusiasmo e euforia, a África enfrenta mais uma vez taxas de crescimento insuficientes para
recuperar o atraso económico. No entanto, a União Africana estimou uma taxa de crescimento de
7% para o continente reduzir significativamente a pobreza.
As previsões com cenário médio dão um crescimento de 3,4% em 2020 (BAD, 2019). No entanto,
com o impacto negativo em sectores-chave da economia, tais como turismo, viagens, exportações;
com a queda dos preços das mercadorias, o declínio dos recursos dos governos para financiar o
investimento público, seria quase impossível de alcançar esta previsão optimista das taxas de
crescimento em 2020.
Nos dois cenários, o crescimento de África irá cair drasticamente para taxas negativas. O inicial
do cenário de base S0 era, sem o aparecimento da Covid-19, uma taxa de crescimento de 3,4%
para África em 2020 (BAD, 2020). Os cenários S1 e S2 (realista e pessimista) estimam o respectivo
crescimento económico negativo de -0,8% (uma perda de 4,18 pp em comparação com a projecção
inicial) e de -1,1% (uma perda de 4,51 pp em comparação com a projecção inicial) dos países
africanos em 2020. O cenário médio, que é a média ponderada das probabilidades (P () = 1/2 e P
() = 1/2) dos dois cenários mostra um crescimento negativo de -0,9% (-4,49% pp em comparação
com a projecção inicial).
A pandemia da COVID-19 atingiu quase todos os países africanos e parece pronta para piorar
dramaticamente. A ruptura da economia mundial através das cadeias de valor mundiais, das quedas
abruptas dos preços das mercadorias e das receitas fiscais e a imposição de restrições sociais e de
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viagens em muitos países africanos são as principais causas do crescimento negativo. As
exportações e importações de países africanos estão projetadas para cair pelo menos 35% em
relação ao nível alcançado em 2019. Assim, a perda em valor é estimada em cerca de 270 bilhões
de dólares norte-americanos. Lutar contra a propagação do vírus e o tratamento médico levarão a
um aumento da despesa pública em África estimada em pelo menos 130 bilhões.