Mec 2
Mec 2
Contents
I Introdução 6
II Princípio Variacional 7
0.1 Variação de funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
0.2 Função de multi-variãveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
0.3 Ordens superior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
0.4 Funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
0.5 Energia Potencial da Corda Pendurada como Funcional da
Forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1
6 Vínculo Funcional 34
7 A Primeira Ingegral 38
8 Vínculos Locais 39
8.1 A primeira integral no caso de duas variáveis . . . . . . . . . . 43
8.2 Exemplo 2. Uma Mola Homogênea . . . . . . . . . . . . . . . 44
10 Transformação de Variáveis 56
10.1 Exemplo: Massa e Mola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
10.1.1 Movimento Restrito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
10.1.2 Pêndulo Bidimensional . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
11 Coordenadas Generalizadas 61
12 Conservação da Energia 65
13 Vínculos 67
2
19 Problemas 90
IV Formalismo Hamiltoniano 95
20 Graus de Liberdade na Condição Inicial vs. Graus de Liber-
dade na Equação de Movimento 95
22 Transformação de Legendre 99
22.1 Interpretação Geométrica da Transformação de Legendre . . . 100
22.2 Transformação de Legendre para Mais de Uma Variável . . . . 100
22.3 Transformação de Legendre na Termodinâmica . . . . . . . . . 101
24 Problemas 107
3
33 Momento como Função Geratriz de translação 138
34 Problemas 141
4
36.9.2 Eixos Principais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223
36.9.3 Elipsoide de Momento de Inercia . . . . . . . . . . . . 226
36.9.4 Mudança da Origem e Centro de Massa . . . . . . . . . 228
36.10Equação de Movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230
36.11Ângulos de Euler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235
36.12Hamiltoniana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242
36.13Equação de Euler para Movimento de um Corpo Rígido com
um Ponto Fixo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242
36.14Movimento de Um Corpo Rígido na Ausênsica de Torque . . . 244
36.14.1 Relação de Desigualdade . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
36.15Integração da Eqaução de Movimento . . . . . . . . . . . . . . 246
36.16Movimento de Um Pião - Precessão . . . . . . . . . . . . . . . 248
43 Hamiltoniana 265
46 Exemplo 271
5
IX Elementos Básicos da Mecânica dos Fluídos 275
48 Variáveis Hidrodinâmicas 275
48.1 Sistema de Coordenadas Lagrangeano . . . . . . . . . . . . . . 275
48.1.1 Sistema de Coordenadas Euleriano . . . . . . . . . . . 278
Part I
Introdução
O objetivo principal deste curso de Mecânica II é, dando continuidade da
Mecânica I, aprender como expressar e desenvolver as idéias físicas em termos
da linguagem matemática, além de esclarecer a estrutura lógia da Mecânica
Clássica do ponto de vista do formalismo variacional e Mecânica Lagrangiana
e Hamiltoniana. Discutiremos sobre o papel da simetria de um sistema nas
propriedades dinâmica, os conceitos de quantidades conservadas, o conceito
de espaço de fase, etc. Estes conceitos são fundamentais não só no formalismo
6
da Mecânica Clãssica, mas também fazem parte básicas nas outras áreas, tais
como Mecânica Quàntica, Teoria Quântica de Campos e etc.
Como menciomamos na Introdução da Mecânica Clássica I, os fenômenos
que podem ser descritas do ponto de vista da Mecânica Clássica são inu-
meráveis. Em um curso de um semestre, obviamente não é possível cobrir
todos os assuntos relacionados à Mecânica Clássica. Assim, escolhemos al-
guns exemplos que podem ilustrar a estrutura do pensamento e as técnicas
matemáticas típicas e necessárias, mas os leitores não devem se limitar a
estes exemplos. Ao contrário, devem buscar outros exemplos análogos para
quais consigam aplicar os conceitos e métodos ilustrados nos exemplos. O
parâmetro de aprendizagem deste curso será justamente como se pode for-
mular um novo problema dentro do formalismo da Mecânica Clássica ap-
resentado. Assim sendo, a compreenção completa que permita reproduzir
os resultados tratados neste texto sem cunsultar-lo é o mínimo necessário.
Lembre que decorar apenas os resultados finais dos problemas é não só insu-
ficiente mas absolutamente inútil.
Esta nota é apenas uma guia que demostra a estrutura básica da Mecânica.
É fundamental para os leitores que procure outros livros textos, tais como
Symon e Goldstein.
Part II
Princípio Variacional
Muitos problemas da natureza, aparentemente complicados, podem ser en-
tendidos de forma simples. Por exemplo, vamos considerar uma corda bem
flexível pendurada na parede pelos dois pontos extremos (Ver Fig.1).
7
Fig.1 Uma corda flexível pendurada.
Porque ela fica nesta forma particular? Existe alguma razão pela qual a
forma da corda tem que ficar assim? Será que podemos expressar matem-
aticamente a forma desta curva? A resposta é sim e pelo menos, a parte da
razão é bem simples.
Considere uma situação em que uma parte da corda seja ligeiramente
levantada ou puxada (Fig.2).
8
Vamos pensar em termos da energia em vez de pensar em termos de
forças. Isto porque, já vimos que na Equação de Hamilton na Mec.I, que a
quantidade escalar é mais fácil de tratar.
Para puxar a corda, deformando-a da sua configuração estável, precisamos
deslocar a parte da corda com a força externa. Isto é, a configuração da corda
da Fig.2 ganhou um trabalho em relação a da Fig.1. Podemos considerar que
a quantidade da energia dada em termos do trabalho feito da força que puxa
a corda fica arrumazenada na corda1 como a energia potencial gravitacional.
Assim, podemos concluir que a configuração da Fig.1 deve ter o valor do
potencial gravitacional menor que o da Fig.2. Também concluimos que a
força gravitacional atua sempre na direção de diminuir o valor do potencial
gravitacional do sistema. Isto é sempre verdade pois, é sempre necessário
fornecer a energia para levantar um objeto contra seu peso, isto é, a força
gravitacional que atua nele.
Do fato de que a configuração da Fig.1 é sempre recuperada para qualquer
outra deformação da corda, podemos concluir que a configuração da corda
na Fig.1 deve corresponder ao menor valor da energia potencial gravitacional
dentro de todas as configurações fisicamente permitidas.
9
0.1 Variação de funções
Vamos considerar primeiro o problema de se obter o ponto mínimo (ou máx-
imo) de uma função,
y = f (x). (1)
Seja o ponto x = xm o ponto mínimo (ou máximo). Neste caso, sabemos que
o mínimo (ou máximo) é dado pelo ponto onde a derivada é nula,
¯
df ¯¯
= 0. (2)
dx ¯x=xm
Isto significa que a variação de y em torno do ponto x = xm é nula até a
primeira ordem2 em δx,
δy|x=xm = 0 (4)
A Eq.(2) constitui uma equação que determina quem é xm , quando f (x) for
especificada. Por exemplo, seja
f (x) = x2 + 2x + 5, (6)
2
Já sabemos a expansão de Taylor de uma função em torno de um valor de x = x0 :
1 1
f (x) = f (x0 ) + f 0 (x0 )δx + f 00 (x0 )δx2 + · · · f (n) (x0 )δxn + · · ·
2 n!¯
d 1 n dn ¯
= (1 + δx + · · · δx n
+ · · · )f (x)¯¯
dx n! dx x=x0
³ ´ ¯
d
δx dx ¯
= e f (x)¯
x=x0
10
então,
df
= 2x + 2 (7)
dx
portanto, xm deve satisfazer a equação,
2xm + 2 = 0. (8)
Daí, temos
xm = −1.
De fato, da Eq.(6), temos
y = f (x1 , x2 ), (10)
11
Da mesma forma, podemos introduzir o vetor gradiente ∇f da função f por
µ ¶ µ ¶
∂f /∂x1 ∂ /∂x1
∇f = = f (13)
∂f /∂x2 ∂ /∂x2
onde3 µ ¶
δx1
δx ≡
δx2
e utilizamos o produto escalar entre dois vetores de n componentes (no caso
acima n = 2),
b1
b2
a · b = (a1 a2 · · · · an ) .. = aT b = a1 b1 + a2 b2 + · · · an bn . (16)
.
bn
12
A vantagem do uso da notação vetorial é que nesta forma, o resultado não
depende de número de variáveis. Quando a função é de n variáveis, a fórmula
acima continua valendo se os vetores r e δr têm n componentes,
x1 δx1
x2 δx2
r = .. , δr = .. ,
. .
xn δxn
δf ≡ f (r + δr) − f (r)
Xn µ ¶
∂f
= δxi . (19)
i=1
∂xi
13
para
x1
x2
r= .. .
.
xn
Agora consideramos a função f acima depende não só de r = (x1 , x2 , ..., xn )
e uma outra variável xn+1 ,
14
3. De item 1 e item 2, provamos pela indução que a Eq.(20) é válida para
qualquer número inteiro positivo n.
f (r + 2δr) = f (r + δr + δr)
= (1 + δr · ∇) f (r + δr)
= (1 + δr · ∇) (1 + δr · ∇) f (r)
= (1 + δr · ∇)2 f (r) ,
Denotando
N δr = a,
temos µ ¶N
1
f (r + a) = 1 + a · ∇ f (r) . (22)
N
Isto só vale que o vetor de deslocamento
δr
é infinitesimal e, portanto,
a = Nδr
deve ser também infinitesimal, quando N é finito. Entretanto, podemos
escolher um a finito mas N infinito, δr se torna infinitesimal. Assim, tomando
N → ∞ na Eq.(22), a pode ser um vetor finito. Assim, para um deslocamento
finito a do vetor r, temos
µ ¶N
1
f (r + a) = lim 1 + a · ∇ f (r) . (23)
N →∞ N
15
Já que
³ x ´N
lim 1 + = eX ,
N→∞ N
Podemos escrever formalmente
f (r + a) = ea·∇ f (r) ,
r → r0 = Ar,
16
Em resumo, a expansão de Taylor de uma função é para agrupar a dependên-
cia da variação da função em mesmas potências de variações {δx0i s} nos var-
iáveis. O primeiro termo é de ordem 0, o segundo é linearmente depende em
{δx0i s}, o terceiro quadraticamente, e assim por diante.
r → r0 = Ar.
0.4 Funcional
Um funcional é uma função de uma função4 . Por exemplo, a área entre uma
função, y = f (x) e o eixo horizontal X no intervalo [a, b] da variável x é dada
pela integral Z b
A= f (x)dx. (28)
a
A é um funcional de f . Isto é, o valor de A depende da forma de f . Escreve-
mos então A = A [f (x)]. Como sabemos, a integral acima é o limite n → ∞
da soma,
X
n
A = lim ∆x fi (29)
n→∞
i=1
= ∆x {f1 + f2 + · · · fn + · · · } , (30)
onde
fi = f (xi ),
4
Matematicamente falando, um funcional é mapeamento de um epaço vetorial ao corpo,
ou seja, o conjunto de números.
17
b−a
∆x = ,
n
e
xi = a + (i − 1)∆x.
Desta forma, podemos considerar A como uma função (neste caso, é linear) de
{fi , i = 1, ..., ∞}. Em geral, um funcional é nada mais do que uma função de
infinitas (contínua) variáveis. Por exemplo, a energia potencial gravitacional
da corda mencionada no início desta sessão é uma quantidade que depende
da forma da corda. Assim, a energia potencial da corda é um funcional da
forma da curva. Devemos calcular a energia potencial da corda para uma
dada configuração.
x x
i i+1
Fig. 3
18
A energia potencial total é a soma das energias potenciais dos pequenos
segmentos, [xi , xi+1 ],
Xn
U= ∆U[i,i+1] .
i=1
Como podemos ver, a energia potencial da corda foi expressa como um fun-
cional da forma da corda y = f (x), isto é, U = U [f (x)]. Só que, neste caso, o
valor da energia não só depende de f mas também depende da sua derivada,
df /dx. De qualquer modo, a derivada é a função da forma do f e, então, U
é uma função da forma da curva. Uma vez sabemos a função f (x), podemos
obter o valor do U. Quando mudamos a forma de f , pode mudar o valor do
U.
19
A consideração anterior indica que a forma da função f (x) da corda em
equilíbrio deve ser aquela forma que a energia potencial U seja o menor
possível entre todas as formas possíveis. Esta condição deve determinar a
forma da função f . No caso de mínimo de uma função, utilizamos a condição
de que a derivada anula no ponto. No caso funcional, devemos introduzir o
analogo da derivada, o que é chamado de derivada funcional.
20
Assim, é usual omitimos a variável da função dentro de um funcional e es-
crevemos apenas
I = I [f ] .
Aqui, é importante o uso do simbolo [ ] para indicar que I é um funcional.
Por outro lado, utilizamos o símbolo ( ) para expressar a função, por ex-
emplo,
L = L (f ) .
Neste caso, L é uma função de só um valor de f no ponto específica da
variável do f . Por exemplo,
L (f ) = sin (f (x))
f → f + δf
21
Vemos que a quantidade C (x) corresponde a coeficiente Cα e a variável x
está fazendo o papel do indice α. Já que
∂F
Cα = ,
∂fα
é razoável escrever
δI
C (x) ≡
δf (x)
e é chamada de derivada funcional (a primeira ordem). Note que C (x) é
uma função de x, como a coeficiente Cα possui o indice α. Analogamente,
H (x, y) corresponde a Hessiana Hαβ , e denotamos por
δ2I
H (x, y) ≡
δf (x)δf (y)
é a derivada funcional de segunda ordem. Ela é uma função de duas variáveis,
x e y.
δI = I [f + δf ] − I [f ]
Z b Z b
= dx F (f (x) + δf (x)) − dx F (f (x))
a a
Z b
= dx {F (f (x) + δf (x)) − F (f (x))}
a
22
Comparando com a definição de derivadas funcionais, temos
δI ∂F
= (x), (45)
δf (x) ∂f
δ2I ∂2F
= (x)δ(x − y), (46)
δf (x)δf (y) ∂f 2
onde δ(x − y) é a função δ de Dirac.
Exercício: Calcule as derivadas funcionais (até segunda ordem) dos fun-
cionais, (28), (37) e (38).
Aqui, a condição,
∀
δf (x)
(para qualquer δf arbitrária) é fundamental.
23
Exercício: Prove que se Z
dx A (x) B (x) = 0,
B (x) ≡ 0.
para todos os valores de x. Esta equação impõe uma condição para a função
fm (x). Por exemplo, seja
Z b © ª
I [f ] = dx f (x)2 + 2f (x) . (51)
a
2fm (x) + 2 = 0,
ou
fm (x) = −1 = const. (53)
isto é, a função fm deve ser uma constante, com valor −1.
Exercício: Mostre que este tipo de resultado, fm (x) = const. sempre ocorre
para qualquer funcional do tipo (36).
Para um funcional mais geral, a condição (50) fornece uma condição não
trivial como veremos a seguir.
24
3 Variação de um funcional que depende de
derivada - Equação de Euler-Lagrange
Como calcular a derivada funcional de um funcional mais generico? Por
exemplo, para o funcional tipo Eq.(32) não se aplica a fórmula, Eq.(45) ou
Eq.(46). Infelizmente não existe a fórmula geral para escrever a derivada
funcional diretamente para um dado funcional. Devemos aplicar a definição
da derivada funcional caso por caso. Mas existe uma classe de funcionais
que aparecem frequentemente nos problemas de física, para a qual, podemos
obter a fórmula para derivada funcional.
Vamos considerar um funcional com a forma5 ,
Z xb µ ¶
df
I[f ] = L f, dx (54)
xa dx
onde L = L(f, g) é uma função dada de duas variáveis f e g. Calculamos a
variação do funcional associada a variação da função f ,
f → f + δf. (55)
A variação de I fica
δI ≡ I[f + δf ] − I[f ]
Z xb ½ µ ¶ µ ¶¾
d(f + δf ) df
= dx L f + δf, − L f, . (56)
xa dx dx
Utilizando a relação,
d(f + δf ) df d(δf )
= + ,
dx dx dx
e expandindo a função L nas suas variáveis, o primeiro termo da Eq.(56) fica,
µ ¶ µ ¶
d(f + δf ) df ∂L d(δf ) ∂L
L f + δf, = L f, + δf + ¡ df ¢ + · · · , (57)
dx dx ∂f dx ∂ dx
e, consequentemente, temos
Z xb ( )
∂L d(δf ) ∂L
δI = dx δf + ¡ df ¢ . (58)
xa ∂f dx ∂ dx
5
Muitos problemas na Mecânica se reduzem a este tipo de funcional. Na Mecânica, I
é referido como ação e L é chamado de função Lagrangeana.
25
Fazendo a integração por partes no segundo termo, a variação do I até
primeira ordem em δf fica
Z xb ( Ã !) " #¯x=xb
∂L d ∂L ∂L ¯¯
δI = dxδf (x) − ¡ df ¢ + δf (x) ¡ df ¢ ¯ , (59)
xa ∂f dx ∂ dx ∂ dx ¯ x=xa
para qualquer variação δf . Assim, concluímos que a função fm (x) tem que
satisfazer à equação diferencial,
( Ã !)
∂L d ∂L
− ¡ df ¢ = 0. (64)
∂f dx ∂ dx
f =fm
26
Exercício: Considere uma função I({fi }) de n variáveis, {fi } = {f1 , · · · , fn } ,
tipo
X 1
I = ∆x L(fi , (fi − fi−1 )), (65)
i
∆x
onde ∆x = (xb − xa ) /n e fi = f (xi ) com xi = xa + (i − 1)∆x. Obvia-
mente, no limite de n → ∞, (65) se recupera (54).
27
exatamente ao processo de procurar a configuração da corda que tenha a
menor energia potencial gravitacional. O fato de que os dois extremos da
corda são fixos corresponde a condição de contorno Eq.(60). Identificamos
s µ ¶2
df
L=σ f 1+ , (66)
dx
portanto, s µ ¶2
∂L df
=σ 1+ , (67)
∂f dx
e
∂L 1 df
¡ df ¢ = σf q ¡ ¢ . (68)
∂ dx df 2 dx
1 + dx
Assim, pela Equação de Euler-Lagrange, a função y = fm (x) deve satisfazer
a equação diferencial,
s
µ ¶2
d f df df
q ¡ ¢ = 1+ . (69)
dx df 2 dx dx
1 + dx
A integral, s
Z x µ ¶2
df
l(x) = dx 1 + (71)
xa dx
mede o comprimento da corda medido do ponto x = xa até x = x. Podemos
inverter (em princípio) esta relação
l = l(x)
28
e utilizar l como a variável em vez de x,
x = x(l).
29
Mas, se a Eq(78) seja verdadeira, então a forma da corda seria uma linha
vertical!! 6 O que significa isto? Será que algo errado no raciocínio?
Na verdade, a resposta (78) é correta dentro da pergunta formulada.
A pergunta foi, “Qual é a configuração da corda que minimiza a energia
potencial?” Nesta pergunta, não foi indicado nenhum momento que qual é
o comprimento da corda. Assim, na verdade, a pergunta foi, “Qual é a
configuração da corda que minimiza a energia potencial independentemente
do comprimento da corda?” Ou seja, foi permitido implicitamente que a
corda possa esticar livremente. Neste caso, obviamente, a configuração que
tem menor energia é tal que a corda estica indefinidamente, pendurada dos
pontos da extremidade (ver Fig.4).
30
Desta forma, a função y = f (x) que representa a forma da corda não será
mais tão arbitrária como antes. Da Eq.(71), o comprimento da corda total
deve ser igual a l0 ,
s µ ¶2
Z xb
df
dx 1 + = l0 = const, (79)
xa dx
o que não deve ser satisfeito pela fução f (x) tão artibrária. Ou seja, a Eq.(79)
constitui um vínculo para o problema de princípio variacional.
x + y = a. (81)
Se o vínculo for simples como este, poderíamos eliminar uma das variáveis, x
ou y da Eq.(81) e procurar o mínimo de S. Entretanto, nos problemas mais
geral, o vínculo poderia ter uma forma mais complicada do que a Eq.(81)
e a eliminação de uma das variáveis pode se tornar complicada ou até não
é possível fazer analiticamente. Um método muito eficiente e, portanto, é
frequentemente usado é o método da constante multiplicadora de Lagrange.
Vamos ver no caso acima mais simples. Escrevendo o vínculo (81) na
forma
φ(x, y) = 0, (82)
onde obviamente
φ(x, y) = x + y − a
31
as variações de x e y devem satisfazer
δφ = 0, (83)
∇S = λ∇φ, (89)
32
para qualquer δr, agora sem nenhum vínculo. Isto é, o problema de procurar
o máximo da função S(x, y) sob o vínculo dado pela Eq.(82) é equivalente a
procurar o máximo da função,
S − λφ,
sem nenhum vínculo, onde λ é uma constante. O valor de λ deve ser de-
terminado utilizando a equação de vínculo posteriormente. Este é o método
da constante multiplicadora de Lagrange o qual incorpora o vínculo num
problema de princípio variacional.
Vejamos um exemplo de como funciona. Vamos aplicar o método para o
caso de procurarmos o máximo da área de rectângulo com circuferência fixo.
Neste caso,
S = xy,
φ = x + y − a,
e, portanto, deve existir um constante λ tal que
δ[xy − λ(x + y − a)] = 0
para qualquer δx e δy. Tomando independentemente as derivadas em relação
a x e y, temos
y − λ = 0,
x − λ = 0.
Daí, eliminando λ e utilizando o vínculo, temos os valores de x e y que dão
o máximo de S como
x = y = a/2.
O valor máximo de S é, portanto, (a/2)2 .
Exercício: Qual é a forma de um paralelepipido que tem o maior volume,
sendo a área de superfície constante?
Exercício: Duas variáveis, x e y satisfazem a relação,
2x2 + y 2 = 1.
Determina os valores de x e y que máximize a função,
z = x2 + y 2 + 2(x + y).
33
O método de constante multiplicadora de Lagrange pode ser fácilmente
generalizado para casos de muitos variáveis, inclusive existam mais do que
um vínculo entre as variáveis. Sejam
φ1 (x1 , x2 , ..., xn ) = 0,
..
.
φm (x1 , x2 , ..., xn ) = 0,
m(< n) vínculos entre as variáveis, x1 , ..., xn . Um máximo (ou mínimo) local
de uma função f (x1 , ..., xn ) é dado pela condição
" #
X m
δF = δ f − λi φi = 0, (92)
i=1
6 Vínculo Funcional
No problema de procular máximo (mínimo) de um funcional, quando existir
alguns vínculos para a função, podemos trata-los em termos do método de
constantes multiplicadoras de Lagrange. Seja I = I[f ] um funcional que deve
ser maximizado (minimizado) e Φ[f ] = 0 o vínculo para a função f , dado na
forma funcional. Neste caso, a função f deve ser obtida pela variação,
δ[I − λΦ] = 0, (93)
onde λ é uma constante. Em termos da derivada funcional, podemos expres-
sar esta condição por
δI δ (λΦ)
− = 0.
δf δf
34
A justificativa deste método é completamente análoga ao caso das funções.
Vamos aplicar o método para resolver o problema da corda pendurada. Neste
caso, s
Z xb µ ¶2
df
I = σg dx f (x) 1 + , (94)
xa dx
e s
Z xb µ ¶2
df
Φ= dx 1 + = l0 (95)
xa dx
Assim, o princípio variacional fica,
δ[I − λΦ] = 0, (96)
ou, podemos escrever na forma,
Z xb µ ¶
df
δ dx L f, = 0, (97)
xa dx
onde, agora, s µ ¶2
df
L = σg (f − ζ) 1+ , (98)
dx
com ζ = λ/σg. Desta forma, poder aplicar a equação de Euler-Lagrange e
obtemos, s
µ ¶2
d 1 df df
(f − ζ) q ¡ df ¢2 dx = 1 + . (99)
dx dx
1 + dx
Da mesma forma que foi feita anteriormente, introduzimos uma nova variável,
s µ ¶2
p df
dl = dx2 + dy 2 = dx 1 + . (100)
dx
Assim, a Eq.(99) pode ser re-escrita por
µ ¶
d df
(f − ζ) = 1. (101)
dl dl
A primeira integral em l fica
df
(f − ζ) = l + C1 , (102)
dl
35
onde C1 é uma constante de integração e a segunda integral fica
(f − ζ)2 = (l + C1 )2 + C2 . (103)
36
e integrando ambos lados, temos
p 1
f (x) = ± C2 cosh √ (x − x0 ) + ζ, (110)
C2
onde x0 é uma constante de integração.
ya = f (xa ),
yb = f (xb ),
e
s µ ¶2
Z xb
df
l0 = dx 1 +
xa dx
p · 1 1
¸
= C2 sinh √ (xb − x0 ) − sinh √ (xa − x0 ) .
C2 C2
√
Exercício: Expresse x0 , C2 e ζ em termos de xa , xb , yD e l0 quando dois
extreminades da corda tem a mesma altura, yD .
37
7 A Primeira Ingegral
Uma das vantagens da abordagem variacional é que podemos extrair algumas
propriedades da solução do problema do ponto de visat banstante genério,
sem resolver a equação diferencial. Como vimos o princípio variacional para
um funcional da forma,
Z xb
df
I= dx L(f, ), (111)
xa dx
resulta a equação de Euler-Lagrange,
à !
d ∂L ∂L
¡ df ¢ − = 0, (112)
dx ∂ dx ∂f
que é, em geral, a equação difrencial de segunda ordem para f (x). A solução
de uma equação diferencial de segunda ordem contém 2 constantes de inte-
gração. No caso da equação de Euler-Lagrange acima, Eq.(112), podemos
mostrar que a primeira integral é obtida por
df ∂L df
H(f, ) ≡ ¡ df ¢ − L = const. (113)
dx ∂ dx dx
De fato, tomando a derivada desta quantidade, temos
" #
dH d ∂L df
= ¡ df ¢ −L
dx dx ∂ dx dx
à !
d ∂L df ∂L d2 f dL
= ¡ df ¢ + ¡ df ¢ 2 − . (114)
dx ∂ dx dx ∂ dx dx dx
df
Por autro lado, já que L é uma função de f e dx
, temos
dL ∂L df ∂L d2 f
= + ¡ df ¢ 2 . (115)
dx ∂f dx ∂ dx dx
Substituindo esta expressão em Eq.(114), temos
à !
dH d ∂L df ∂L df
= ¡ df ¢ −
dx dx ∂ dx ∂f dx
" Ã dx ! #
d ∂L ∂L df
= ¡ df ¢ − (116)
dx ∂ dx ∂f dx
38
Mas a quatidade dentro do chave [ ] acima é exatamente o lado esquerdo
da Equação de Euler-Lagrange, Eq.(112). Assim, se a equação de Euler-
Lagrange é satisfeita, temos
dH
= 0.
dx
Consequentemente, para a solução da equação de Euler-Lagrange, é sempre
verdade que
∂L df
¡ df ¢ − L = const. (117)
∂ dx dx
Vamos aplicar este resultado ao problema de corda que estudamos. Tomando
L como na Eq.(98), temos
∂L df
H= ¡ df ¢ −L
∂ dx dx
f −ζ
= −σg q ¡ df ¢2 . (118)
1 + dx
Daí, temos r
df σg
=± (f − ζ)2 − 1, (120)
dx C
que é exatamente igual a Eq.(109) com a idendificação,
σg 1
=√ . (121)
C C2
Desta forma, a primeira integral do nosso problema é sempre obtida de forma
immediata. Na sessão anterior, sabendo este fato, poderiamos ter abreviado
todas as contas entre a Eq.(98) e a Eq.(109).
8 Vínculos Locais
Um funcional pode depender de mais de uma função. Por exemplo, no prob-
lema anterior da corda, poderiamos ter considerado a forma da corda em
39
termos de função de seu comprimento l,
x = x(l)
y = y(l).
dx2 + dy 2 = dl2 ,
ou sµ ¶2 µ ¶2
dx dy
1= + , (122)
dl dl
A Eq.(122) é um vínculo entre as duas funções x = x(l) e y = y(l) para todos
os valor de l. Em contraste ao vínculo integrado como a Eq.(95), este vínculo
é “local” no sentido de que a Eq.(122) tem que ser satisfeita localmente (cada
valor de l). Para aplicar o método de constante multiplicador de Lagrange,
podemos expressar a Eq.(122) na forma ingegrada,
s
Z l0 µ ¶2 µ ¶2
dx dy
dl λ(l) + − 1 = 0, ∀ λ(l). (123)
0 dl dl
Exercício: Verifique que a exigência que esta equação vale para qualquer
λ(l) é equivalente a Eq.(122).
40
Para facilitar a visão geral, vamos considerar o funcional
Z lb
dx dy
I [x, y] = dl L(x(l), y(l), , ; l),
la dl dl
e o principio variacional,
Z lb
dx dy
δI = δ dl L(x(l), y(l), , ; l) = 0. (126)
la dl dl
41
Assim, obtemos a equação de Euler-Lagranges para cada uma das funções,
x e y. No caso da corda, Eq.(127), temos
∂L
= 0,
∂x
∂L λ(l) dx
¡ dx ¢ = q¡ ¢ ¡ ¢
∂ dl dx 2 2 dl
dl
+ dy dl
∂L
= σg,
∂y
∂L λ(l) dy
¡ dy ¢ = q¡ ¢ ¡ ¢ ,
∂ dl dx 2 dy 2 dl
dl
+ dl
42
onde C = −C1 /σg é uma constante a ser determinada. Chamando dy/dx de
φ(x), a equação acima fica na forma
dφ 1p
= 1 + φ2 , (130)
dx C
que fácilmente integrada. Temos
x − x0
φ = sinh( ) (131)
C
onde x0 é a constante de integração. Assim,
dy x − x0
= sinh( ). (132)
dx C
Integrando, temos,
x − x0
y = C cosh( ) + y0 (133)
C
que é novamente a solução obtida anteriormente.
Exercício: Deduza as equações de Euler-Lagrange para 3 funções f, g e h
cuja Lagrangiana é
df dg dh
L = L(f, g, h, , , ).
dx dx dx
43
8.2 Exemplo 2. Uma Mola Homogênea
Vamos aplicar as ideias discutidas acima para tratar um problema analogo da
corda pendurada, mas agora no lugar de uma corda, consideramos uma mola
elástica. No caso de uma mola, o próprio peso faz com que a mola estica, e
diferentemente do caso de uma corda, não podemos saber o comprimento da
mola, apriori. Por outro lado, o princípio que determina a configuração da
mola deve ser igual ao caso da corda. Isto é, no equilíbrio, a mola deve atingir
a configuração cuja energia total seja mínima. A diferença é que quando a
mola estica, a energia interna da mola aumenta. Assim, na medida que
a mola pendura e estica, a redução da energia potencial gravitacional acaba
equlibrando com o aumento da energia interna da mola pela sua elasticidade.
Como sabemos, se a mola estica homogeniamente, a energia interna da
mola associada a sua estensão é dada por
k ∗
Uint (Homog.) = (l − l0 )2 (135)
2
onde l0 é o comprimento da mola no estado natural e l∗ o comprimento
estendida da mola. Agora, quando a mola fica pendurada, a estenção da mola
não é homogênea. Assim, devemos subdividir a mola em pequenos pedaços,
e calcular a energia como a soma das energias internas dos estes pequenas
pedaços. Para isto, temos que lembrar que, quando subdividir uma mola em
pequenos pedaços, a constante da mola para cada pedaço não é igual a da
corda como todo. Isto é fácil de ver de seguinte forma. Considere que a mola
no estado natural como uma sequência dos n pedaços iguais (Fig.5).
44
dl
45
Comparando esta expressão com a Eq.(135), temos
l0
k0 = nk = k . (136)
dl
Quanto maior que subdividimos a mola, a constante da mola de cada pedaço
fica maior, ou seja, a mola pequena fica mais dura.
Uma vez calculado o valor da constante da mola do pequeno segumento
da mola, podemos agora calcular a eneriga interna da mola mesmo quando a
grau da estensão for inhomogenia. Suponhamos que a mola estende de forma
inhomogênia de forma que
dl∗ = dl∗ (l),
onde l é o comprimento até o segumento medodo de um dos extremidades
quando a mola não esteja esticada. A energia interna da mola fica
X1
Uint = k0 (dl∗ − dl)2
2
X 1 l0 dl∗
= k ( − 1)2 dl2
2 dl dl
Z l0 µ ∗ ¶2
1 dl
= k dl −1 .
2 0 dl
e, portanto, sµ
∗
¶2 µ ¶2
dl dx dy
= + . (138)
dl dl dl
A energia total da mola é a soma da energia potencial gravitacional e a
energia interna da mola. Assim, temos
46
Agora podemos aplicar o princípio variacional para obter a forma do equi-
líbrio da mola. A configuração de equilíbrio da mola deve satisfazer o princí-
pio,
δUtot = 0, (140)
para qualquer variações δx e δy das duas funções x(l) e y(l) em torno da sua
forma equilíbrio,
x(l) → x(l) + δx(l),
y(l) → y(l) + δy(l), (141)
A energia total, Eq.(139) tem a forma que a equação de Euler-Lagrange é
diretamente aplicável. Assim, temos
s
µ ¶2 µ ¶2 dx
d dx dy
k + − 1 q¡ ¢ dl ¡ ¢ = 0, (142)
dl dl dl dx 2 dy 2
dl
+ dl
s
µ ¶2 µ ¶2 dy
d dx dy
k + − 1 q¡ ¢ dl ¡ ¢ = −σg, (143)
dl dl dl dx 2 dy 2
dl
+ dl
As primeras integrais são fácilmente feitas e temos
s
µ ¶2 µ ¶2 dx
k dx dy
+ − 1 q¡ ¢ dl ¡ ¢ = C1 , (144)
dl dl dx 2 2
dl
+ dy
dl
s
µ ¶2 µ ¶2 dy
k dx dy
+ − 1 q¡ ¢ dl ¡ ¢ = σgl + C2 . (145)
dl dl dx 2 2
dl
+ dy
dl
ou sµ ¶2 µ ¶2 q
dx dy 1
+ = C12 + (σgl + C2 )2 + 1.
dl dl k
47
Substituindo esta expressão nas equações (144) e (145), temos
dx C1 C1
= +q ,
dl k 2 2
(σgl + C2 ) + C1
dy σgl + C2 σgl + C2
= +q ,
dl k 2 2
(σgl + C2 ) + C1
7
a mola rígido para estensão, mas flexível = a corda
48
Part III
Princípio Variacional na
Mecânica
Muitos problemas de Física podem ser formulados em termos de Princípio
Variacioal. Por exemplo, na ótica geométrica, a trajétoria de raio de luz
no meio da matéria pode ser obtida pelo Princípio de Huygens: a luz es-
colhe o caminho que custa o menor tempo para chegar. Do ponto de vista
matemática, podemos escrever o Princípio de Huygens na forma de Princí-
pio Variacional. Para simplificar, consideramos o caso bidimensional ( a luz
propaga num plano). A trajetória da luz pode ser expressa pela função,
y = f (x), (148)
onde
ya = f (xa ),
yb = f (xb ),
49
Independentemente de saber o porque deste Princípio, a formulação varia-
cional acima é, sem dúvida, útil para determinar o caminho da propagação
da luz na matéria. Este princípio de Huygens deve ser naturalmente ex-
plicado em termos de propagação da onda eletromagnetica, o que viremos
posteriormente.
É interessante é que, a trajetória de uma partícula sob ação de uma
força conservativa também pode ser formulada em termos de um princípio
variacional. Vejamos em seguida.
50
então, a equação de Euler-Lagrange resulta em
d2 x dV
m 2
=− . (155)
dt dx
Isto tem a forma de equação de movimento de uma partícula unidimensional
sob a força derivada do potencial,
dV
F =− . (156)
dx
Por exemplo, considere uma massa m que movimenta alongo ao eixo x livre-
mente, ligada numa mola com massa disprezivel. Neste caso, a equação de
movimento de Newton fica
d2 x
m = −kx, (157)
dt2
onde k é a constante da mola. Esta equação pode ser obtida pela Equação
de Euler-Lagrange com a Lagrangiana,
µ ¶2
1 dx 1
L= m − kx2 . (158)
2 dt 2
com Z tb
I= Ldt, (161)
ta
δx(t)|t=ta ,tb = 0.
51
O argumento pode ser fácilmente generalizado para o caso de uma partícula
em movimento tridimensional. A energia cinética de uma partícula com
massa m é
õ ¶ µ ¶2 µ ¶2 ! µ ¶2
2
1 dx dy dz 1 dr
T = m + + = m , (162)
2 dt dt dt 2 dt
Colocando
dr
L = L(r, ) = T − V
dt
µ ¶2
1 dr
= m − V (r). (164)
2 dt
ou,
µ ¶
d ∂L ∂V
=− , (168)
dt ∂ ẋ ∂x
µ ¶
d ∂L ∂V
=− , (169)
dt ∂ ẏ ∂y
µ ¶
d ∂L ∂V
=− . (170)
dt ∂ ż ∂z
52
onde ẋ = dx/dt, etc. Verificamos que estas resultam em
d2 x ∂V
m 2
=− ,
dt ∂x
d2 y ∂V
m 2 =− ,
dt ∂y
d2 z ∂V
m 2 =− ,
dt ∂z
ou
d2 r
m = −∇V. (171)
dt2
Isto é a equação de movimento de uma partícla sob a força derivada do
potencial V .
É importante notar que a quantidade,
∂L
∂ ẋ
é igual a componente x do momento linear da partícula. Isto é,
∂L
∂ ẋ px
∂L
∂ ẏ
= py , (172)
∂L pz
∂ ż
ou
∇v L = p, (173)
onde introduzimos a notação,
∂
∂ ẋ
∇v = ∂
∂ ẏ
, (174)
∂
∂ ż
53
O lado direito da equação de Euler-Lagrange é a negativa do gradiente do
potencial, ou seja a força. A estrutura da equação de Euler-Lagrange então
tem a forma
d
p = f. (175)
dt
54
para i = 1, ..., n.
Consideramos que este Princípio de Mínima Ação (Princípio de Hamil-
ton) como o princípio que substituir as leis de Newton. Nesta posição, esta-
mos considerando que todos os movimentos da Natureza devem ser dirigido
por este princípio. Ou seja, existe sempre uma quantidade chamada de La-
grangiana, expressa em termos de coordenadas e suas derivadas temporais,
de tal forma que a trajétoria que se realiza na Natureza é aquela que faz
o mínimo da ação, a integral da Lagrangiana no tempo. Então, o que é
significado deste princípio variacional? O que é “ação”? As respostas para
estas perguntas não são simples. Se a lei da dinâmica é obtida pelo Princípio
de Mínima Ação, então, nos nunca podemos observar movimentos que não
corresponde o ponto mínimo da ação I. Ou seja, o ação como funcional de
possíveis trajetórias nunca seria mensurável em natureza. Assim, pode se
parecer que o conceito da ação é apenas uma coisa virtual, o conceito apenas
matémático. Por ser equivalente, o todo que pode se obter pelo Princípio de
Mínima Ação também pode ser obtido em termos de Equação de Newton.
Neste sentido, pode se pensar que o formalismo não acrecenta nenhuma coisa
nova do ponto de vista física e, que é puramente um jogo matemático.
Naturalmente devemos evitar de brincar com apenas mero formalismos,
só para ser pedante sem ter nenhum utilidade prática. Mas, no caso do
Princípio de Mínima Ação, é mais do que comprovado que o formalismo
fornece uma visão esclarecedora para compreensão da estrutura da lógica
da Mecânica Clássica, além de ser um ferramento extremamente útil para
resolver problemas práticos. Podemos citar alguns pontos como:
55
• Para certos sistemas, em particular, quando existe vínculos entre var-
iáveis, é muito mais fácil identificar a Lagrangiana do que construir a
equação de movimento.
10 Transformação de Variáveis
A primeira vantagem do formalismo variacional é que o ação Eq.(161) trata
com apenas uma função, Lagrangiana, que é um escalar. Pelo escalar, refe-
rimos uma quantidade que está definida independentemente do escolhe do
coordenada. Por exemplo, o valor da energia cinética de uma partícula não
depende de como expressar-la, seja em coordenada cartesiana, seja em cood-
enada esferica. Temos para a energia cinética em cada um dos sistemas de
coordenadas como
õ ¶ µ ¶2 µ ¶2 !
2
1 dx dy dz
T = m + +
2 dt dt dt
õ ¶ µ ¶2 µ ¶2 !
2
1 dr dθ dφ
= m + r2 + r2 sin2 θ (179)
2 dt dt dt
x = r sin θ cos φ,
y = r sin θ sin φ, (180)
z = r cos θ.
V = V (x, y, z)
= V (r cos φ sin θ, r sin φ sin θ, r cos θ) = Ṽ (r, θ, φ). (181)
56
Desta forma, o ação pode ser considerado como um funcional das 3 funções,
{x(t), y(t), z(t)} ou {r(t), θ(t), φ(t)}.
I = I [x, y, z] (182)
= I [r, θ, φ] . (183)
δI = 0,
57
gravitacional é dada por −mgz, escolhendo a direção de eixo z para baixo.
Assim, temos,
1 ³p 2 ´2
V = −mgz + k x + y 2 + z 2 − l0 . (184)
2
Aqui, l0 é o comprimento natural da mola, k a constante da mola e, por
simplicidade, escolhemos o ponto que a mola está fixa como a origem das
coordenadas. A Lagrangiana fica em coordenadas Cartesianas,
õ ¶ µ ¶2 µ ¶2 !
1 ³p 2 ´2
2
1 dx dy dz
L= m + + + mgz − k x + y 2 + z 2 − l0 ,
2 dt dt dt 2
(185)
ou em coordenadas esfericas,
õ ¶ µ ¶2 µ ¶2 !
2
1 dr dθ dφ 1
L= m + r2 + r2 sin2 θ + mgr cos θ − k(r − l0 )2 .
2 dt dt dt 2
(186)
Vamos explicitar as equações de Euler-Lagrange para cada caso. Da Eq.(185),
temos
µ ¶ p
d dx x
m = −k( x2 + y 2 + z 2 − l0 ) p , (187)
dt dt x + y2 + z 2
2
µ ¶ p
d dy y
m = −k( x2 + y 2 + z 2 − l0 ) p , (188)
dt dt x2 + y 2 + z 2
µ ¶ p
d dz r
m = mg − k( x2 + y 2 + z 2 − l0 ) p , (189)
dt dt x2 + y 2 + z 2
e da Eq.(186), temos
µ ¶ õ ¶ µ ¶2 !
2
d dr dθ dφ
m = mr + sin2 θ + mg cos θ − k(r − l0 ),
dt dt dt dt
(190)
µ µ ¶¶ µ ¶2
d dθ dφ
mr2 = mr2 cos θ sin θ − mgr sin θ, (191)
dt dt dt
µ µ ¶¶
d 2 2 dφ
mr sin θ = 0. (192)
dt dt
58
Embora bastante trabalhoso, é possível deduzir diretamente as Eqs.(190,191,192)
a partir das Eqs.(187,188,189) pela transformação da variável, Eq.(180).
Neste exemplo mostra claramente que a transformação de variáveis fica muito
menos trabalhosa no nível de Lagrangiana do que no nível de equação de
movimento. Isto deve simplesmente ao fato de que a Lagrangiana é um
escalar, e também contém apenas as derivadas de primeira ordem. Desta
forma, podemos escolher um sistema de coordenadas apropriado ao prob-
lema em questão e aplicando simplesmente a equação de Euler-Lagrange,
temos a equação de movimento escrita no sistema de coordenadas desejado.
Certos sistemas de coordenadas são mais vantagiosas que outros, dependendo
do problema.
Por exemplo, no exemplo acima de mola-massa, o sistema de coorde-
nadas esféricas tem sua vantagem ao sistema de coordenadas Cartesianas.
Da Eq.(192), temos a primeira integral de imediato,
µ ¶
2 2 dφ
mr sin θ = Lz = Const. (193)
dt
Este é nada mais que a conservação de momento angular em torno de eixo
z, pois
µ ¶ µ ¶
2 2 dφ dφ
mr sin θ = m r sin θ r sin θ
dt dt
= m r|⊥ v|φ , (194)
onde r|⊥ é o compontente perpendicular do vetor r ao eixo z (isto é, o
componente que está no plano x − y) e v|φ é o componente φ do vetor da
velocidade.
A Eq.(193) mostra que, uma vez dado valor da quantidade do lado es-
querdo da equação pela condição inicial do movimento, esta quantidade per-
manece igual ao tempo todo. Ou seja,
µ ¶¯ µ ¶¯
2 2 dφ ¯¯ 2 2 dφ ¯¯
mr sin θ = mr sin θ = ··· (195)
dt ¯t=t0 dt ¯t=t1
59
então, esta quantidade sempre permanece a zero. Neste caso, eliminando a
possibilidade não interessante de r = 0, temos
sin θ = 0, (197)
ou
dφ
= 0. (198)
dt
Para Eq.(197), temos θ = 0 (ou múltipla de π) e concluimos que o movimento
só ocorre alongo ao eixo z, e o problema se torna ao problema unidimensional.
Neste caso, a única equação significada é da para r,
d2 r
m = mg + k(r − l0 ), (199)
dt2
que é um simples oscilador harmônico. Note que esta equação é obtida como
a consequência da equação de Euler-Lagrange para a Lagrangiana,
µ ¶2
1 dr 1
L= m + mgr − k(r − l0 )2 , (200)
2 dt 2
que é obviamente a Lagrangiana para o movimento unidimensional de uma
partícula com massa m pendurada pela mola.
Para o caso da (198), temos
φ = φ0 = Const. (201)
Isto é, o movimento ocorre somente no plano com φ = φ0 . Mas, podemos
escolher a direção de eixo x de forma tal que sempre φ0 = 0. O movimento
fica confinado no plano x − z, tendo sempre y = 0. Assim, o problema se
reduz ao de bi-dimensional. Neste caso, temos duas equações de movimento
acopladas de r e θ:
µ ¶2
d2 r dθ
m 2 = mr + mg cos θ − k(r − l0 ), (202)
dt dt
µ µ ¶¶
d 2 dθ
mr = −mgr sin θ. (203)
dt dt
Estas equações podem ser obtidas diretamente da Lagrangiana,
õ ¶ µ ¶2 !
2
1 dr dθ 1
L= m + r2 + mgr cos θ − k(r − l0 )2 . (204)
2 dt dt 2
60
Exercício: Utlizando um recurso computacional apropriado (seja FORTRAN,
MATHEMATICA, MAPLE), resolva as equações (202,??) numerica-
mente com diversas condições iniciais.
r= ,
dr
= 0.
dt
Então a Lagrangiana fica
"µ ¶ µ ¶2 #
2
1 2 dθ dφ
L= m + sin2 θ + mg cos θ. (205)
2 dt dt
11 Coordenadas Generalizadas
Como vejamos nos exemplos acima, podemos utlizar qualquer sistema de
coordenadas apropriado para descrever a Lagrangiana. A equação de Euler-
Lagrange correspondente fornece a correta equação de movimento para este
sistema de coordenadas. Em geral, isto vale, não só para escolhe de sistema
61
de coordenadas, mas para transformação de variáveis, em geral. Por exemplo,
se tiver uma Lagrangiana de, digamos n partículas,
µ ¶
dr1 dr2 drn
L = L r1 , r2 , · · · , rn ; , ,··· , , (208)
dt dt dt
existem 3×n graus de liberdade para descrever o sistema. Podemos introduzir
novas 3 × n variáveis, dadas pela transformação,
q1 = f1 (r1 , r2 , · · · , rn ) ,
q2 = f2 (r1 , r2 , · · · , rn ) ,
..
. (209)
q3n = f3n (r1 , r2 , · · · , rn ) .
Quando esta transformação não é singular, então podemos inverter (em
princípio) a relação e expressamos as coordenadas cartesianas e suas derivadas
temporais em termos de {qi } e {dqi /dt}:
x1 = x1 (q1 , · · · , q3n ),
..
.
zn = zn (q1 , · · · , q3n ),
e
dx1 X ∂x1 dqi
3n
= ,
dt i=1
∂qi dt
..
. (210)
dzn X
3n
∂zn dqi
= .
dt i=1
∂qi dt
Substituindo estas expressões na Lagrangiana original, teremos a Lagrangiana
para as novas variáveis e escrevemos na forma,
µ ¶
dq1 dq3n
L = L q1 , · · · , q3n ; ,··· , . (211)
dt dt
Partindo desta Lagrangiana, temos a equação de Euler-Lagrange,
à !
d ∂L ∂L
¡ dqi ¢ = , i = 1, ..., 3n (212)
dt ∂ dt ∂qi
62
A Eq.(212) é completamente equivalente a Eq.(178). Note que a equação de
movimento em termos da Equação de Euler-Lagrange tem a forma idêntica ao
caso do sistema de coordenadas Cartesianas. Aqui, chamaremos as variáveis
{qi } como coordenadas generalizadas, e a quantidade,
∂L
pi ≡ ¡ dqi ¢ (213)
∂ dt
63
e
3n · ¸ X
∂L X ∂L ∂ql
3n
∂L ∂ q̇l ∂L ∂ q̇l
= + = . (218)
∂ ṙj l=1
∂ql ∂ ṙj ∂ q̇l ∂ ṙj l=1
∂ q̇l ∂ ṙj
Na Eq.(218), utilizamos o fato de que {qi } não depende em {ṙj } e, portanto,
a dependência em {ṙj } da Lagrangiana vem somente através da derivada em
relação à {q̇i }. Ainda, utilizando Eq.(210), {ṙj } depende linearmente em {q̇i }
e temos,
∂ q̇l ∂ql
= . (219)
∂ ṙj ∂rj
Assim, a Eq.(218) fica
∂L X ∂L ∂ql
3n
= . (220)
∂ ṙj l=1
∂ q̇l ∂rj
Consequentemente, temos
X3n µ ¶
d ∂L ∂L ∂ql
− = 0, (223)
l=1
dt ∂ q̇l ∂ql ∂rj
64
Esta equação pode ser vista como um sistema de equações lineares para um
vetor X com a matriz A
AX = 0, (224)
sendo µ ¶
δI d ∂L ∂L
Xl ≡ = − (225)
δql dt ∂ q̇l ∂ql
e
∂ql
Ajl = . (226)
∂rj
Se
det |A| 6= 0, (227)
então a unica solução da Eq.(224) é
X = 0,
ou
d ∂L ∂L
− = 0, l = 1, ..., 3n, (228)
dt ∂ q̇l ∂ql
que é a equação de Euler-Lagrange, Eq.(212. A condição, Eq.(227) é exata-
mente a condição para a transformação Eq.(209) seja não singular.
12 Conservação da Energia
Na Eq.(113), vimos que existe uma quantidade conservada que vem da es-
trutura da Equação de Euler-Lagrange. No caso da Lagrangiana, Eq.(176),
é fácil de mostrar que a quantidade correspondente é
à !
Xn
dri ∂L
H= · ¡ dri ¢ − L. (229)
i=1
dt ∂ dt
65
Em geral, para Eq.(211), temos
à !
X µ dqi ¶ ∂L
H= ¡ dqi ¢ − L, (232)
i
dt ∂ dt
é a quantidade conservada,
dH
= 0. (233)
dt
66
13 Vínculos
Uma das mensagens importantes da subsessão anterior é que, quando ex-
iste alguns vínculos que reduz o grau de liberdades do sistema, podemos
expressar a Lagrangiana em termos de grau de liberdades já reduzidos. Se a
energia cinética e a energia potencial são expressas em termos destes graus
de liberdades reduzidos, a equação de Euler-Lagrange para esta Lagrangiana
leva naturalmente as equações de movimento destes graus de liberdades, sem
se preocupar a força de vínculos, etc. Por exemplo, vamos considerar o
problema de um disco, rolando para baixo alongo a uma ladeira, sem alisar
(Fig.6). Neste caso, a rotação do disco está diretamente ligado a distância
que percorre alongo a ladeira.
y
y = l sin α = Rθ sin α,
Ug = −MgRθ sin α,
67
onde M é a massa do disco. Por outro lado, a energia cinética do disco é
a soma da energia cinética translacional e da energia de rotação. A energia
translacional é dada por
µ ¶2 µ ¶2
1 dr 1 dl
Ttrans. = M = M
2 dt 2 dt
µ ¶2
1 dθ
= MR2 . (237)
2 dt
A energia de rotação é dada por
µ ¶2
1 dθ
Trot. = I , (238)
2 dt
onde I é o momento de inercia do disco em torno do centro de massa. Assim,
a Lagrangiana fica
L = Ttrans. + Trot. − Ug
µ ¶
1¡ 2
¢ dθ 2
= MR + I + MgRθ sin α. (239)
2 dt
68
Aqui, a energia cinética do sistema é a soma das energias cinéticas de cada
parte da barra que movimenta em torno do ponto fixo. Como a barra é fina,
podemos ignorar a rotação da barra em torno do comprimento. Neste caso,
os graus de liberdade são duas ângulos polares (zenital θ e azimutal φ) com
a origem no ponto fixo. Escolhendo o eixo z na direção vertical para baixo,
a energia cinética da barra fica escrita como
Z " µ ¶2 µ ¶2 #
ρ l0 2 dθ dφ
T = l + l2 sin2 θ dl, (240)
2 0 dt dt
Por outro lado, a eneriga potencial gravitacional é também a soma das ener-
gias de cada segmento da barra,
Z l0
Ugrav = −ρg l cos θ dl
0
1
= − Mgl0 cos θ. (242)
2
Desta forma, a Lagrangiana do sistema fica
"µ ¶ µ ¶2 #
2
M 2 dθ dφ 1
L= l0 + sin2 θ + Mgl0 cos θ. (243)
6 dt dt 2
69
14 Método de Multiplicadora de Lagrrange
Nas certas situações, o vínculo pode ser complicado a ser eliminado apriori
pela escolhe de varíaveis. Neste caso, o método de multiplicadora de Lagrange
junto com o Princípio de Mínimo Ação facilita a situação. Vamos ver o caso
de um disco, rolando a ladeira, mas agora, a superfície da ladeira não é uma
reta, mas dada em termos de uma função,
y = h(x). (244)
x
y
y=h(x)
70
De acordo com a receita discutida anteriormente (o vínculo local), o Princípio
de Mínima Ação deve ser modificado como
Z tb
δI = δ L0 dt = 0, (248)
ta
onde s
µ ¶2
dh dx dθ
L0 = L(θ, x) − λ(t) 1 + −R (249)
dx dt dt
junto com a Eq.(246). Note também que a equação de vínculo pode ser
obtida como a consequência de Princípio Variacional da ação em relação a
λ. Isto é, s µ ¶2
δI dh dx dθ
=− 1+ +R ,
δλ(t) dx dt dt
portanto, δI/δλ = 0 implica a Eq.(246).
Explicitando a derivada temporal do lado esquerda da Eq.(251) temos
s µ ¶2
dλ dh dh
= −Mg / 1 + . (252)
dt dx dx
71
Exercício: Elimine θ das Eqs.(246) e (253) e obtenha a equação de movi-
mento para x = x(t).
Exercício: Discuta o movimento do disco quando h(x) = x2 .
72
com um conjunto de vínculos,
73
pode ser interpretado como a força dos vínculos exercida sobre a variável
qi . Por exemplo, vamos considerar uma partícula ponteforme com massa m,
escorrega sem atrito sobre uma ladeira, representada pela função,
y = h(x). (264)
A Lagrangiana desta partícula sem vínculo em termos de coordenadas (x, y)
fica
1 ¡ ¢
L = m ẋ2 + ẏ 2 − mgy, (265)
2
e o vínculo,
y − h(x) = 0. (266)
Assim,
1 ¡ ¢
L0 = m ẋ2 + ẏ 2 − mgy − λ(t) [y − h(x)] ,
2
é a Lagrangiana efetiva com o vínculo. As equações de Euler-Lagrange para
x e y ficam
d2 x dh
m 2
=λ , (267a)
dt dx
d2 y
m 2 = −mg − λ. (267b)
dt
e para λ, temos
y − h(x) = 0,
que é a equação de vínculo10 .
Exercício: Demonstre a conservação da energia,
1 ¡ ¢
H = m ẋ2 + ẏ 2 + mgy = Const.
2
10
Na verdade, quando uma partícula escorrega alongo a um ladeira curva sem atrito,
dependendo da variação da curva, a partícula não necessariamente acompanha a superfície
da ladeira. Vejamos este tipo de cena frequentemente nos filmes de acao americanos, onde
os carros pulam das ladeiras e voam. No tratamento anterior do disco numa ladeira
curva, ou da partícula ponteforme, fixamos sempre o disco ou partícula esteja amarrado
na superfíce da ladeira. Se o objeto não for amarrada, as equações, Eq.(250,251) ou
Eq.(267a,267b) são válidas desde que a força de vínculo esteja positiva. No caso das
Eqs.(267a,267b), devemos ter
λ(t) < 0
para a força de vínculo seja de fato real.
74
14.1 Lei de Conservação e Simetria do Sistema
Nos exemplos anteriores, vimos que podemos integrar a equação de movi-
mento fácilmente para o ângulo φ, levando imediatamente a lei da con-
servação do momento angular. Isto ocorreu, porque na equação de Euler-
Lagrange para φ, µ ¶
d ∂L ∂L
= ,
dt ∂ φ̇ ∂φ
o lado direito se tornou identicamente nulo, porque a Lagrangiana L não
depende da variável φ.
∂L
= 0.
∂φ
Neste caso, temos µ ¶
d ∂L
= 0,
dt ∂ φ̇
e, por consequente, temos
∂L
= Const. (268)
∂ φ̇
Lembramos que a equação de Euler-Lagrange tem a a estrutura,
d
p = f, (269)
dt
Assim, a conservaçõ de momento angular é a consequência de que a força
generalizada para φ é nula. Isto é exatamente a mesma do caso do mo-
mento linear. Quando não existe força, ou seja, não existe potencial, então
a Lagrangiana de uma partícula livre fica
µ ¶2
1 dr
L=T = m . (270)
2 dt
Como
∇L = 0, (271)
temos
d
p = 0, (272)
dt
ou,
p = p0 = Const. (273)
75
Do modo geral, a origem de não existência da força para uma variável especí-
fica é que a Lagrangiana não depende desta variável. Isto é, se a Lagrangiana
não contém explicitamente uma das variáveis generalizadas, digamos qi , en-
tão,
∂L
= 0, (274)
∂qi
e, portanto,
d
pi = 0, (275)
dt
ou,
pi = const. (276)
onde
∂L
pi = . (277)
∂ q̇i
O que siginifica a Lagrangiana não depende explicitamente em uma das
variáveis particular, digamos11 , qi ? Já que a Lagrangiana não depende em
qi , então, se tivesse escolhido a origim desta coordenada deslocada por
qi → qi − a, (278)
76
Simetria do sistema
⇓
Existência de variáveis cíclicas
⇓
Conservação dos momentos correspondentes
x → x0 = x cos α − y sin α,
y → y 0 = x sin α + y cos α.
z → z0 = z
77
Em termos de notação matricial, a transformação causada pela rotação fica
escrita por
0
x x cos α − sin α 0 x
y → y = sin α cos α 0 y , (279)
z z 0 0 1 z
ou, mais simbolicamente,
r → r0 = Ar,
dr dr 0 dr
→ =A . (280)
dt dt dt
Quando existe a simetria axial, a Lagrangiana é invariante sob esta transfor-
mação. Ou seja,
L = L0 (281)
onde µ 0¶
0 0 dr
L ≡L r, . (282)
dt
Para analizar as propriedades de uma dada transformação, é útil intro-
duzir o conceito de transformação infinitesimal. Para transformações in-
finitesimais, as variações de coordenadas causadas pelas transformações po-
dem ser descritas como
r → r0 = r + δr,
onde δr é uma quantidade infinitesimal. No caso da Eq.(279), isto corre-
sponde α ¿ 1. Assim, até a primeira ordem em α temos
0
x 1 −α 0 x
y = α 1 0 y
z 0 0 1 z
x 0 −α 0 x
= y + α 0 0 y ,
z 0 0 0 z
ou
r0 = r + δr = r + αΞ r,
onde
0 −1 0
Ξ= 1 0 0 . (283)
0 0 0
78
Podemos expandir L0 em α até primeira ordem,
µ ¶
0 ∂L ∂L dr
L =L+ δr + ¡ dr ¢ δ
∂r ∂ dt dt
" #
∂L ∂L dr
=L+α Ξ r + ¡ dr ¢ Ξ (284)
∂r ∂ dt dt
L0 − L = 0,
∂L d ∂L
= ¡ ¢. (286)
∂r dt ∂ dr
dt
ou à !
d ∂L
¡ dr ¢ Ξ r = 0. (288)
dt ∂ dt
Isto é, a quantidade à !
∂L
¡ dr ¢ Ξ r
∂ dt
79
onde p é o momento canônico de r. Assim,
pT Ξr = Const. (289)
Este ponto vai ser discutido mais uma vez na seção de Teoria de Campos
Clássicos.
81
17.1 Separação do Movimento do Centro de Massa
Vamos considerar um sistema composto de duas partículas, com massa m1
e m2 , interagindo através de uma força conservativa entre elas. A energia
cinética do sistema é simplesmente a soma das energias cinéticas das partícu-
las,
T = T1 + T2
µ ¶2 µ ¶2
1 dr1 1 dr2
= m1 + m2 . (299)
2 dt 2 dt
Supormos que a energia potencial entre duas partículas é dada por,
V = V (|r1 − r2 |). (300)
Neste caso, a Lagrangiana do sistema é
µ ¶2 µ ¶2
1 dr1 1 dr2
L = m1 + m2 − V (|r1 − r2 |).
2 dt 2 dt
É conveniente utlizar a coordenada do centro de massa
m1 m2
R= r1 + r2 ,
m1 + m2 m1 + m2
e a coodenada relativa,
r = r1 − r2 .
A transformação de coodenadas,
(r1 , r2 ) → (R, r) (301)
pode ser considerada como uma transformação linear
µ ¶ µ 0 ¶ µ m1 m2
¶ µ m1 m2
¶µ ¶
a a m1 +m2
a + m1 +m2
b m1 +m2 m1 +m2 a
→ = = ,
b b0 a−b 1 −1 b
82
Já que
µ ¶µ ¶
1¡ ¢ m1 0 ȧ
ȧ ḃ
2 0 m2 ḃ
µ ¶µ ¶µ ¶µ ¶
1¡ 0 0 ¢ 1 1 m1 0 1 m1m+m2
ȧ0
= ȧ ḃ m2
2
2 m1 +m2
− m1m+m
1
2
0 m2 m1
1 − m1 +m2 ḃ0
µ ¶µ 0 ¶
1¡ 0 0 ¢ m1 + m2 0 ȧ
= ȧ ḃ m1 m2
2 0 m1 +m2 ḃ0
onde à !2
1 dR
LCM = M ,
2 dt
refere só de coordenadas do centro de massa, e
µ ¶2
1 dr
Lrel = µ − V (r),
2 dt
83
outra.
d ∂LCM ∂LCM
³ ´ = , (304)
dt ∂ dR ∂R
dt
à !
d ∂Lrel ∂Lrel
¡ ¢ = . (305)
dt ∂ dr dt
∂r
dR ∂L dr ∂L
H= · ³ ´+ · ¡ dr ¢ − L
dt ∂ dR dt ∂ dt
dt
à !2 µ ¶2
1 dR 1 dr
= M + µ − V (r)
2 dt 2 dt
= HCM + Hrel ,
84
movimento se decompõem em K conjuntos desacopladas, e a Hamiltoniana
é a soma das K Hamiltonianas de cada subsistema. Quando um sistema é
desacoplado em duas subsistemas independentes, então, podemos considerar
os movimentos de cada subsistema completamente independente de outro.
85
posição inicial r(0). Neste caso, sin θ|t=0 = 0 e, portanto, podemos tomar
sempre
z = 0. (311)
Então para t > 0, da Eq.(309), temos
dφ
= 0, (312)
dt
ou
φ = Const. (313)
A escolhe da direção do eixo x também irrelevante neste problema. Assim,
podemos escolher φ = 0. Desta forma, o movimento da coordenada relativa
r fica restringido sempre no plano (x − z).
Agora substituindo a Eq.(312) na Eq.(308), temos
õ ¶ µ ¶2 !
2
1 dr dθ
Lrel = µ + r2 − V (r). (314)
2 dt dt
86
de Lorentz). Consideramos o movimento de uma partícula carregada num
campo elétrico E = E(r, t) e magnético B = B(r, t). A força que atua para
a partícula com carga e é dada por
h i
F =e E+v×B . (317)
∂A
E=− − ∇φ, (318)
∂t
B = ∇ × A, (319)
Mas
v × ∇ × A = ∇(v · A) − (v · ∇) A, (320)
então " #
∂A
F =e − − ∇φ + ∇(v · A) − (v · ∇) A . (321)
∂t
A = A(r, t).
87
pois a partícula se move a distância, vdt. Assim, temos
dA ∂A
= (v · ∇) A + . (322)
dt ∂t
Substituindo esta expressão na Eq.(321), temos
" #
dA
F =e − − ∇φ + ∇(v · A) . (323)
dt
A equação de movimento da partícula carregada fica então,
" #
d2 r dA
m 2 =e − − ∇φ + ∇(v · A) , (324)
dt dt
ou ½ ¾ n o
d dr
m + eA = −∇ eφ − e(v · A) . (325)
dt dt
Pela inspecção, esta equação pode ser escrita na forma de uma equação de
Euler-Lagrange,
d ∂L
¡ ¢ = ∇L, (326)
dt ∂ dr
dt
se escolhemos
µ ¶2 µ ¶
1 dr dr
L= m +e · A − eφ (327)
2 dt dt
1 2 ³ ´
= mv + e v · A − eφ, (328)
2
onde v é a velocidade da partícula. Quando comparar com a forma,
L = T − U, (329)
então, ³ ´
U = eφ − e v · A . (330)
Isto é, o potencial correspondente a interação com o campo eletromagnético
depende não só da posição mas também depende da velocidade da partícula.
Note que, devido a dependencia em v do potencial U, o momento canonico
para r já não é mais mv. Temos
∂L
p= = mv + eA 6= mv ! (331)
∂v
88
Exercício: Prove Eqs.(318,319).
89
19 Problemas
1. Mostre que no sistema de coordenadas esfêricas, a energia cinética de
uma partícula no espaço tridimensional é dada por
(µ ¶ µ ¶2 µ ¶2 )
2
1 dr dθ dφ
T = m + r2 + r2 sin2 θ .
2 dt dt dt
90
7. A partir de princípio variacional, obtenha a equação de movimento de
um sistema quando sua Lagrangiana é dada por
∂A
E = −∇φ − ,
∂t
B = ∇ × A,
r, θ, φ
91
com
r = R = Const.
Assim, a distância entre dois pontos próximos P1 = (R, θ, φ) e P2 =
(R, θ + dθ, φ + dφ) é dada por
X
n
2
ds = gij dxi dxj ,
i,j=1
xi = xi (s) , i = 1, ..., n
que ligue dois pontos Pa = (x1a , x2a , ..., xna ) e Pb = (x1b , x2b , ..., xnb ) tem o
comprimento total,
v
Z b Z b uX
u n dxi dxj
ds = t gij ds.
a a i,j=1
ds ds
92
(e) Uma bola esferica e homogênea de raio a, a massa m, rolando
numa ladeira sem deslizar.
(f) O sistema de n massas iguais ligadas linearmente pelas molas
iguais.
(a) Z Z
∞ x
I [f ] = dx xf (x) x02 f (x0 )dx0
0 0
(b) Z ∞
df d2 f
I [f ] = , L(f,
)dx,
0 dx dx2
onde L é uma função arbitrária de 3 argumentos.
(c) Z Z
∞ ∞
I [f ] = dx dy f (x)G(x, y)f (y)
0 0
onde G é uma função de 2 argumentos.
93
18. Obtenha a equação de movimento do sistema cuja Lagrangiana é
s µ ¶2
1 dr
L = −m 1 − 2 ,
c dt
19. Prove que quando a Lagrangeana L(q1 , .., qn , q̇1 , .., q̇n ) for invariante sob
a mudança de variável,
94
Part IV
Formalismo Hamiltoniano
20 Graus de Liberdade na Condição Inicial
vs. Graus de Liberdade na Equação de
Movimento
Como vimos, a formulação da Mecânica Clássica através do Princípio Varia-
cional tem vários aspectos vantagiosos comparados com a abordagem dire-
tamente através da Equação de Movimento de Newton, embora o formal-
izmo Lagrangiano é restrito para sistemas não dissipativos12 . O formalismo
Lgrangiana oferece um ponto de vista extremamente elegante e interpretação
simples, especialmente quando se trata de simetria e lei de conservação.
Entretanto, existe aspecto um pouco misterioso no formalismo Lagrangiano.
A Lagrangiana é uma função de coordenada q (ou para n graus de liberdade,
{qi0 s, i = 1, ..., n}) e sua derivada temporal q̇(ou {q̇i0 s, i = 1, ..., n}). Conse-
quentemente, a equação de movimento para q é uma equação diferencial
de segunda ordem. Para determinar o movimento temos que especificar a
condição inicial para o par (q(0), q̇(0)) (ou {(qi (0), q̇i (0)) , i = 1, ..., n}). As-
sim, para a condição inicial, a coordenada inicial q(0) e a velocidade inicial
q̇(0), atuam como duas variáveis completamente independentes. No entanto,
para a evolução temporal subsequente, as funções q(t) e q̇(t) obviamente não
são independentes, pois sabendo q(t), a derivada temporal q̇(t) = dq/dt é
determinada pela simples operação matemática de calcular a derivada. Em
outras palavras, no instante inicial, a posição e a velocidade atuam como se
fossem 2 graus de liberdades independentes, mas para dinâmica posterior,
a velocidade é dada como a consequência da função q(t). Qual é a razão
para qual a velocidade q̇(0) atue como um grau de liberdade independente
de q(0) só no instante inicial? Ou, será que a velocidade q̇(t) também poderia
ser um grau de liberdade independente para a dinâmica o tempo todo? Em
outras palavras, será que existe uma forma de tratar q e q̇ como se fossem
independentes para o desenvolvimento temporal do sistema?
12
Usualmente consideramos que as forças dissipativas são a consequência de efeitos de
muitos corpos.
95
21 Velocidade como uma Variável Indepen-
dente
Para isto, talvez, podemos imaginar que as variáveis da Lagrangiana, q e v,
sejam de fato independentes,
L = L(q, v; t).
96
Entretanto, a situação ainda não é totalmente satisfatória, pois temos
que utilizar a equação (334) como vínculo, e neste sentido, os papeis desem-
penhados pelas variáveis q e v não são equivalentes, além de um processo
adicional de elimar uma nova incognita λ.
Agora, podemos obervar da Eq.(337) e da definição do momento canônico
de q, que λ é o momento da variável q:
∂L
λ= = p. (340)
∂v
Assim, a Lagrangiana efetiva fica
µ ¶
0 dq
L = L(q, v; t) − p v −
dt
dq
= p − (pv − L) . (341)
dt
Mas a quantidade dentro do parentese é exatamente a Hamiltoniana,
H = pv − L(q, v) (342)
com
∂L
p= . (343)
∂v
Temos, portanto,
dq
L0 = p − H.
dt
Na Eq.(342), estamos ainda considerando q e v e p como se fossem inde-
pendentes e, então a Hamiltoniana é uma função destas tres variáveis,
97
dH da Hamiltoniana H, causada pelas variações de q e v e p. Temos
∂L
dH = vdp − dq. (345)
∂q
A equação acima mostra que a variação de H é dada diretamente como
uma combinação linear de variações dq e dp. Isto significa que as variáveis
“naturais” da Hamiltoniana são (q, p) e não (q, v), pois para uma função
f (x, y) de duas variáveis independentes x e y, a variação de f é escrita como
df = Adx + Bdy,
onde
∂f
A= ,
∂x
∂f
B= .
∂y
H = H (q, p)
e
∂L ∂H (q, p)
− = ,
∂q ∂q
∂H (q, p)
v= .
∂p
98
22 Transformação de Legendre
O par de equações, (342,343) constitui uma transformação chamada de trans-
formação de Legendre. Vamos estudar esta transformação de Legendre de
modo geral.
Consideramos uma função f de uma variável x,
f = f (x). (346)
Então, a pequena variação de f deve ser escrita como
df = udx, (347)
onde
df
u = u(x) = . (348)
dx
Agora vamos introduzir uma nova função h definida por
h = ux − f (x), (349)
e calcular uma pequena variação de h. Temos
dh = xdu + udx − df
= xdu
onde utilizamos a relação Eq.(347). Assim, a variação da função h é direta-
mente proporcional a du. Isto implica que a variável “natural” da função h
deve ser u, e não x:
h = h(u). (350)
Assim, a partir de uma função da variável x, f (x), construimos uma
função h cuja variável natural é u(= df /dx). A transformação f → h,
definida por Eqs.(348,349) é chamada de transformação de Legendre e é um
dos recursos mais usados na física.
Na verdade, para obter a forma explicita da função h em termos de u,
temos que resolver a equação algébrica de x,
df (x)
u= → x = x(u), (351)
dx
e substituir x na Eq.(349) para obter h(u). Este procedimento eventualmente
pode ser complicado (a Eq.(351) pode ser complicada de resolver explicita-
mente). Mas a vantagem da transformação de Legendre fica aparente quando
se discutem as variações da função, e não necessariamente a função em si.
99
y=f(x)
dy/dx=u : fixo
h=h(u) x
100
podemos introduzir a transformação de Legendre para a parte da variável y,
h = vy − f,
∂f
v= .
∂y
Podemos identificar as variáveis naturais de h acima calculando a variação
de h por
∂f ∂f
dh = d(vy − f ) = ydv + vdy − dx − dy
∂x ∂y
∂f
=− dx + ydv,
∂x
i.e., a variação de h é dada pela combinação linear em dx e dv, indicando
que as variáveis naturais de h devem ser x e v.
101
As quantidades acima não são, necessariamente, convenientes para descr-
ever o estado do sistema. Assim, na Termodiâmica introduzimos as quanti-
dades intensivas definidas por:
µ ¶
∂E
µ= ,
∂N V,S
µ ¶
∂E
P =− ,
∂V N,S
µ ¶
∂E
T = ,
∂S V,N
dE = −P dV + T dS + µdN, (353)
F = E − T S,
a enthalpia H,
H = E + P V,
a energia livre de Gibbs G,
G = E − T S + P V,
e o potencial termodinâmico Ω
Ω = E − T S − µN.
102
23 Equação de Hamilton e Espaço de Fase
O par de operações, Eq.(342) e Eq.(343) formam a transformação de Legendre
na parte v. As variáveis naturais da Hamiltoniana são então q e p, além do
tempo t, se tiver a força externa. Então
δI = 0, (356)
103
Vamos ver um exemplo simples da Equação de Hamilton. Num problema
unidimensional, uma partícula de massa m sob uma força derivada de um
potencial V (q) tem a Hamiltoniana,
1 2
H= p + V (q),
2m
onde o primeiro termo é a energia cinética da partícula expressa em termos
de momento p, e o segundo termo é o potencial. Já que
∂H dV
= ,
∂q dx
∂H 1
= p,
∂p m
a equação de Hamilton fica
dq 1
= p,
dt m
dp dV
=− ,
dt dx
que fornece a correta equação de movimento. Note que a relação,
p = mq̇
O ação é ( n )
Z t2 X dqi
I= pi −H dt. (359)
t1 i=1
dt
A Equação de Hamilton fica
½
dpi /dt = −∂H/∂qi
, i = 1, ..., n (360)
dqi /dt = ∂H/∂pi
104
Exercício: Obtenha a Eqação de Hamilton, Eq.(360) partindo do Princípio
Variaçional para a Eq.(359).
Exercício: Descreva a dinâmica de um oscilador harmonico tridimensional
no formalismo de Hamilton.
Exercício: Expresse a Hamiltoniana de uma partícula carregada num campo
eletromagnético em termos de coordenadas e de seu momento canônico.
105
que é o análogo do operador gradiente, mas agora no espaço de fase. Assim,
a dinâmica pode ser vista como movimento de um vetor φ no espaço de
fase alongo do tempo t. A derivada temporal está associada ao gradiente da
Hamiltiniana no espaço de fase.
Para um sistema de n graus de liberdades, o espaço de fase tem dimensão
2n. Um vetor neste espaço representa um estado do sistema. Como foi visto,
os estados de um sistema de n graus de liberdade têm a correspondência um
a um com os pontos do seu espaço de fase de dimensão 2n. A dinâmica do
sistema é representada em termos de movimento de um vetor cuja posição
inicial é especificada pela condição inicial. Assim, o desenvolvimento tem-
poral do sistema por uma dada condição inicial traça uma trajetória neste
espaço de fase. No formalismo de Hamilton, os q0 s e p0 s desempenham papeis
em mesmo pé de igualdade.
Na verdade, o ponto acima não traz, na prática, nenhum fato novo na
Mecânica Clássica em si, a não ser uma questão de coerência lógica. Entre-
tanto, o conceito de espaço de fase se torna fundamental para tratar simul-
taneamente um conjunto de estados de um sistema tendo várias condições
iniciais. Isto ocorre justamente na Mecânica Estatística. A introdução do
momento como segundo grau de liberdade independente em qualquer instante
também desempenha papel fundamental na Mecânica Quântica. O estudo
mais detalhado da estrutura da Mecânica Clássica no espaço de fase será
feito mais adiante.
106
24 Problemas
1. Calcule a energia potencial gravitacional de um elipsoide homogêneo,
muito próximo de uma esfera (a pequena deformação).
L0 = Lpθ − pθ θ̇
1 1 2
= mṙ2 − p − V (r)
2 2mr2 θ
fornece a equação de movimento correta para r.
107
(g) Obtenha a Hamiltoniana correspondente e compare com a Eq.(367).
L0 = L − pi0 q̇
108
onde
X
n
H(q, p) = pi q̇i − L
i=1
não sofre alterações mesmo substituindo nesta Hamiltoniana, pi0 =
Const.
e sua diagonalização.)
7. Prove que a equação para y obtida pela a mudança de variável,
x = f (y)
L0 (y, ẏ),
onde
df (y)
L0 (y, ẏ) = L(f (y), ẏ).
dy
109
8. Mostre que a equação de Hamilton fica inalterada quando adicinar para
mudança do ação,
Z tf
I= {pq̇ − H (q, p)}
ti
↓
Z tf ½ ¾
0 dF
I = pq̇ − H (q, p) +
ti dt
110
Part V
Mudânça de Variáveis da
Mecânica Hamiltoniana
Um dos aspectos importante do formalismo Hamiltoniano da Mecânica Clãs-
sica é a transformação de variáveis. Como o conceito de ”estado´´ de um
sistema está representado em termos de espaçõ de fase, onde os papeis de
variáveis q e p são completamente equivalentes, a mudnânca de sistema de
coordenadas pode ser extendida para incluir o momento p. Este tipo de
transformação é chamado a transformação canônica. Antes de generalizar
o conceito, primeramente tratamos a transformação de coordenadas usuais
no esquema de formalismo Hamiltoniano e introduzimos a noção de função
geratriz.
25 Um grau de liberdade
Vamos considerar um sistema cuja Hamiltoniana é dada por
H = H(q, p),
111
de variável original, q,
L = L(q, q̇),
e calculamos o momento,
∂L
p= .
∂ q̇
Se introduzimos a mudânça de variável, Eq.(371), temos a Lagrangiana,
L0 = L0 (χ, χ̇)
1
= L(q, 0 χ̇), (372)
f (q)
onde q é considerada como a função de χ, escrita em termos de inversa da
função f ,
q = f −1 (χ)
e utilizamos a relação,
χ̇ = f 0 (q)q̇.
Assim, se
q → χ = f (q) , (373)
então, o novo momento deve ser dado por
1
p→π= p. (374)
f0 (q)
112
As Eqs.(373) e (374) constituem um sistema de transformação das variáveis
canonicamente conjugadas. Tendo esta transformação, podemos obter a
Hamiltoniana em relação ao novo par de variáveis canônicas,
113
queremos retroceder a Lagrangiana. Estamos supondo que inicialmente um
par de variáveis canônicas, (q, p) é dado. A relação entre o momento p e a
derivada temporal q̇ deve ser tratada como a consequência da equação de
movimento e não como a definição do momento.
Então, a pergunta é, sera que possível, pelo Princínpioo de Hamilton,
estabelecer a mudânça de variável sem recorrer a Lagrangiana? A resposta
é sim, e vejamos a seguida.
Vamos formular o problema. Consideramos que a transformação de var-
iável
q → χ = f (q) (377)
induz a mudança em momento,
q = q(χ),
p = p (χ, π) .
H 0 = H 0 (χ, π).
114
A questão é determinar, para dada transformação, Eq.(377), a forma do novo
momento Eq.(378) partindo a imposição das Eqs.(379), (380) e (381).
Utlizando a regra de cadeia, temos
dq dq dχ
= , (382)
dt dχ dt
dp ∂p dχ ∂p dπ
= + , (383)
dt ∂χ dt ∂π dt
portanto, utilizando as Eqs.(379) e (380) temos
∂H dq ∂H 0
= , (384)
∂π dχ ∂π
∂H ∂p ∂H 0 ∂p ∂H 0
− = − . (385)
∂q ∂χ ∂π ∂π ∂χ
Agora, da Eq.(381) temos
∂H 0 ∂H ∂p
= .
∂π ∂p ∂π
Substituindo esta expressão em Eq.(384), temos
∂p dq
= 1,
∂π dχ
or
∂p dχ
= = f 0 (q) .
∂π dq
Integrando em π, temos
p = f 0 (q) π,
o que é mesmo resultado da Eq.(374).
Exercício: Verifique que a segunda equação, Eq.(385) é automaticamente
satisfeita com o momento π acima.
115
mais eficiente e transparente no caso de sistema Hamiltoniano como vejamos
a seguir.
O Princípio variacional que leva a equação de Hamilton Eq.(379) é
Z tf
δI = δ dt [pq̇ − H(q, p)] = 0. (386)
ti
Por outro lado, a equação de Hamilton para as novas variáveis é obtida por,
Z tf
0
δI = δ dt [π χ̇ − H 0 (χ, π)] = 0. (387)
ti
116
Para pequeno intervalo δt do tempo t, a idenditade (388) pode ser escrita
como
pδq − Hδt − (πδχ − H 0 δt + δF ) ≡ 0, (390)
onde δq, δχ e δF são as variações de q, χ e F associado a variação dt do t,
respectivamente.
Note que podemos considerar que a transformação (389) como duas re-
lações algébricas entre 4 variáveis independentes, q, p, χ e π em cada instante
t. Para ver a situação melhor do ponto de vista puramente algébrico, con-
sideramos o tempo t também uma variável independente. Então, podemos
considerar a Eq.(389) como 2 relações algébricas entre 5 variáveis
q, p, χ, π, t.
Deste ponto de vista, o significado da identidade (390) é equivalente a dizer
que a combinação linear entre variações das diversas quantidades,
pδq, (H − H 0 )δt, πδχ, δF (391)
se anula sempre para qualquer variação das variáveis
q, p, χ, π, t,
desde que a relação algebrica, Eq.(389) seja satisfeita.
Quando existem duas relações entre 5 variáveis, restam 3 variáveis inde-
pendentes. Um dele é o tempo t. Outras duas podem ser escolhidas livre-
mente entre q, χ, p e π. Se escolhemos q e χ, a variação da função F fica
escrita por
∂F ∂F
δF = δq + δχ.
∂q ∂χ
Subsituindo na (391), temos
µ ¶ µ ¶
∂F 0 ∂F
p− δq − (H − H ) δt − π + δχ ≡ 0. (392)
∂q ∂χ
Já que q, t e χ são as variáveis independentes, temos que ter
∂F
p− = 0,
∂q
H − H 0 = 0,
∂F
π+ = 0.
∂χ
117
Em resumo, se especificamos uma função,
F = F (q, χ), (393)
podemos ter as seguintes expressões para os respectivos momentos.
∂F
p = p(q, χ) = , (394)
∂q
∂F
π = π (q, χ) = − . (395)
∂χ
Resolvendo
χ = χ(q, p)
da Eq.(394) e substituindo na Eq.(395), completamos a transformação,
(q, p) → (χ, π) = (χ (q) , π (q, p)) .
Em outras palavras, quando especificamos a função F explicitamente, a
transformação de variáveis fica univocamente determinada. Neste sentido,
F é chamada de função geratriz da transformação.
Note que F é a função de q e χ
F = F (q, χ) ,
cuja variação em relação a estas variáveis é dada por
dF = pdq − πdχ, (396)
devido as Eqs.(394) e (395).
27 Transformação de Legendre
Do ponto de vista prática, a função geratriz da forma Eq.(393) não neces-
sariametne mais conveniente. Por exemplo, não é trivial encontrar a função
geratriz F (q, χ) que resulta a transformação tipo Eq.(377,378). Aqui, vamos
utilizar a transformação de Legendre para ter outas tipos de função geratiz
da transformação.
No lugar de q e χ, podemos escolher, por exemplo, q e π como as duas
variáveis independentes da identidade (390). Mas, neste caso, é conveniente
modificar a expressão como
pδq − Hδt − (πδχ − H 0 δt + δF ) = pδq − Hδt − (δ [πχ] − χδπ − H 0 δt + δF )
118
e introduzimos a nova função F2 por
F2 = F + πχ.
Isto é um tipo de transformação de Legendre. Usando a Eq.(396), temos
dF2 = pdq − χdπ,
mostrando que as variáveis naturais de F2 são q e π. Isto é,
F2 = F2 (q, π) . (397)
A identidade (390) agora é escrita por
pδq − Hδt − (−χδπ − H 0 δt + δF2 ) ≡ 0. (398)
Já que
∂F2 ∂F2
δF2 = δq + δπ,
∂q ∂π
substituindo esta expressão na Eq.(398), temos
µ ¶ µ ¶
∂F2 0 ∂F2
p− δq − (H − H ) δt + χ − δπ ≡ 0.
∂q ∂π
Agora estamos considerando (q, π, t) como 3 variáveis independentes, temos
∂F2
p= , (399)
∂q
∂F2
χ= , (400)
∂π
H = H 0. (401)
Novamente, se especificamos uma função F2 = F2 (q, π) , então p e χ são
determinados através de derivadas desta função. F2 é também uma função
geratriz para uma transformação canônica.
Este tipo de função geratriz é mais conveniente para obter a transfor-
mação (377,378). Isto porque, se escolhemos
F2 = F2 (q, π) = πf (q) , (402)
então, da Eq.(400), temos
χ = f (q) ,
que é a Eq.(377) e da Eq.(399) temos
p = πf 0 (q),
que é nada mais que a Eq.(374).
119
28 Mais de um grau de liberdade
A generalização da discussão acima para n graus de liberdade é imediata.
Consideramos o sistema Hamiltoniano,
H = H({q1 , q2 , . . . , qn } , {p1 , p2 , . . . , pn }).
O problema é se introduzimos a mudânça de variáveis,
χ1 = f1 (q1 , q2 , . . . , qn ) ,
χ2 = f1 (q1 , q2 , . . . , qn ) ,
..
.
χn = f1 (q1 , q2 , . . . , qn ) ,
como obter os novos momentos,
π1 = g1 (q1 , q2 , . . . , qn ; p1 , p2 , . . . , p2 ) ,
π2 = g2 (q1 , q2 , . . . , qn ; p1 , p2 , . . . , p2 ) ,
..
.
πn = gn (q1 , q2 , . . . , qn ; p1 , p2 , . . . , p2 ) .
Para isto, introduzimos a função geratriz,
X
n
F2 (q1 , q2 , . . . , qn ; π1 , π2 , . . . , π2 ) = πi fi (q1 , q2 , . . . , qn ) . (403)
i=1
Então teremos
∂F2
χi = , i = 1, ..., n, (404)
∂πi
∂F2
pi = , i = 1, ..., n. (405)
∂qi
Exercício: Demonstre Eqs.(404,405) a partir do Princícpio de Hamilton.
Da Eq.(405) junto com a Eq.(403), temos
∂f ∂f
p1 1
∂q1
2
∂q1
· · · ∂fn
∂q1
π1
p2 ∂f1 π2
.. = ∂q2 .. . (406)
. .
∂f1 ∂fn
pn ∂qn ∂qn πn
120
Assim, os novos momentos podem ser calculados por
π1 p1
π2 p2
.. = A−1 .. ,
. .
πn pn
q → χ = q,
p → π = p.
(x, y, z) → (r, θ, φ) .
29 Transformação Canônica
Na subseção anterior, vimos que a exigência de uma invariância do Princiípio
de Hamilton sob a transformação de coordenadas,
µ ¶ µ ¶ µ ¶
q χ f (q)
→ = (407)
p π g (q, p)
121
geral, dada pelas Eqs.(394) e (395). Deste ponto de vista, a transformação
Eq.(407) é uma classe de transformações bastante restrita. A função geratriz
(393) ou Eq.(397) mosra que podemos escolher as variáveis canônicas muito
mais livremente. Podemos introduzir a transformação de variáveis que mis-
tura q e p, completamente. Isto significa que podemos realmente tratar q e p
como duas variáveis de mesmo pé de igualdade. Podemos até trocar os seus
papeis. Por exemplo, se escolhemos
F = qχ, (408)
então, temos
∂F
p= = χ,
∂q
e
∂F
π= = −q.
∂χ
Ou seja, a função geratriz F = qχ induz a transformação de variáveis,
q → χ = p,
p → π = −q.
122
Exercício: Estude a transformação gerada pela função geratriz,
mω 2
F (q, χ) = q cot χ, .
2
para um oscilador harmonico,
1 2 1
H (q, p) = p + mω 2 q 2 ,
2m 2
e obtenha as equações de Hamilton para novas variáveis (χ, π).
onde
e podemos considerar que (Q, P ) como um novo par de variáveis que descreve
o estado dinâmico deste graus de liberdade. Mas, não é qualquer tipo de
transfomação da forma Eq.(410) e (411) que preservar a forma da equação
de Hamilton. Como vimos, quando introduzimos a transformação, Eq.(410),
a forma do novo momento P deve estar definida para preservar a equação de
Hamilton.
q → {q1 , q2 , . . . , qn } ,
p → {p1 , p2 , . . . , pn } ,
123
pode ser feita facilmente. Por exemplo, a função geratriz
X
n
F (q1 , q2 , . . . , qn , χ1 , χ2 , . . . , χn ) = qi χi
i=1
qi → χi = pi ,
pi → πi = −qi , i = 1, ...., n
qi → χi = qi ,
pi → πi = pi , i = 1, ...., n
124
a transformação de coordenadas de um sistema fixo no espaço para um sis-
tema em movimento terá esta forma. Daqui por diante, consideramos esta
transformação mais geral, Eq.(413) e (414).
Se sempre mantemos o tempo t como uma variável independente, restam
2 variáveis independentes. Existem então, os seguntes possibilidades de es-
colher as variáveis independentes para especificar a função F :
1.
q, Q, t
2.
q, P, t
3.
p, Q, t
4.
p, P, t
(q, p, t)
não terá sentido pois isto não traz nenhuma informação sobre as novas var-
iáveis, Q e P .
Na verdade, todos os 4 casos acima estão equivalentes. Mas na prática,
uma certa combinação adequada de variáveis independentes pode facilitar o
trabalho, como vimos no caso de transformação de coordenadas, Eq.(402).
Para o escolhe #1, a função F deve ser expressa por
F = F1 (q, Q, t).
125
donde concluímos que
∂F1
p= ,
∂q
∂F1
P =− ,
∂Q
∂F2
H0 = H + .
∂t
Note que quando a transformação contém o tempo t explicitamente, a Hamil-
toniana já não fica igual.
Para o escolhe #2, é conveniente introduzir a transformação de Legendre,
como vimos na seção anterior. Escrevendo,
F = F2 (q, P, t) − P Q,
temos
∂F2 ∂F2 ∂F2
δF = δq + δP + δt − QδP − P δQ.
∂q ∂P ∂t
Escolhendo
∂F2
Q= , (415)
∂P
temos
∂F2 ∂F2
δF = δq + δt − P δQ,
∂q ∂t
e a identidade Eq.(412) fica
∂F2 ∂F2
pδq − H (q, p) δt = −H 0 (Q, P ) δt + δq + δt.
∂q ∂t
Desta forma, temos
∂F2
p= , (416)
∂q
∂F2
H0 = H + . (417)
∂t
As Eqs.(415),(416) e (417) constituem a transformação correspondente a
função geratriz do caso #2,
F2 = F2 (q, P, t) . (418)
Exercício: Complete os cálculos correspondente aos casos #3 e #4.
Exercício: Generalize a discussão desta sessão para n graus de liberdades.
126
31 Colchete de Poisson
Consideramos um sistema composto de n graus de liberdades, ou seja,
q = {q1 , q2 , . . . , qn } ,
p = {p1 , p2 , . . . , pn } ,
H = H (q1 , q2 , . . . , qn ; p1 , p2 , . . . , pn ; t) .
O = O (q1 , q2 , . . . , qn ; p1 , p2 , . . . , pn ; t) .
A quantidade,
X µ ∂O ∂H ∂O ∂H
¶
−
i
∂qi ∂pi ∂pi ∂qi
aparece frequentemente na Mecânica, e denotamos por
[O, H]
127
Usando esta notação, a variação temporal de um observável qualquer fica
escrita como
dO ∂O
= + [O, H] .
dt ∂t
Quando o observável O não depende explicitamente em t e sua dependência
vem somente via variação das coordenadas e seus momentos, então
dO
= [O, H] .
dt
Em particular, isto aplica para prórpios coordenadas e seus momentos. Temos
dqi
= [qi , H] ,
dt
dpi
= [pi , H] , i = 1, .., n. (419)
dt
Esta é a outra forma de escrever a Equação de Hamilton. Note que nesta
forma, qi e pi são tratados completamente simétrica. Naturalmente, esta
forma de Equação de Hamilton é mantida para qualquer variáveis canônicas.
Isto é, sejam
{Qi , Pi , i = 1, , , , , n}
outro conjunto de variãveis canônicas. Então, temos
dQi
= [Qi , H] ,
dt
dPi
= [Pi , H] , i = 1, .., n. (420)
dt
mas aqui, o colchete de Poissson é definido por
X µ ∂A ∂B ∂A ∂B
¶
[A, B] = − .
i
∂Q i ∂P i ∂Pi ∂Qi
Desta forma, parece que melhor indicar as variáveis para calcular o colchete
de Poisson, tipo
[A, B](q,p) ,
ou
[A, B](Q,P ) .
128
Assim, a Eq.(419) seria
dqi
= [qi , H](q,p) ,
dt
dpi
= [pi , H](q,p) , i = 1, .., n. (421)
dt
e a Eq.(420) seria
dQi
= [Qi , H](Q,P ) , (422)
dt
dPi
= [Pi , H](Q,P ) , i = 1, .., n. (423)
dt
Entretanto, podemos provar que o colchete de Poisson tem mesm valor inde-
pendentemente das variãveis utilizadas. Isto é,
X µ ∂A ∂B ∂A ∂B
¶ Xµ
∂A ∂B ∂A ∂B
¶
− = − ,
i
∂Qi ∂Pi ∂Pi ∂Qi i
∂qi ∂pi ∂pi ∂qi
desde que
Q = Q (q, p) .
P = P (q, p)
é uma transformação canônica, e as funcções A e B são funções escalares da
transformação, ou seja
A (q, p) = A (Q (q, p) , P (q, p)) ,
B (q, p) = B (Q (q, p) , P (q, p)) .
Para provar a propriedade geral acima, vamos provar primeira a seguinte
propriedade básica de colchete de Poisson:
[Qi , Pj ](q,p) = δij , (424)
[Qi , Qj ](q,p) = 0, (425)
[Pi , Pj ](q,p) = 0, (426)
Note que
[qi , pj ](q,p) = δij , (427)
[qi , qj ](q,p) = 0, (428)
[pi , pj ](q,p) = 0, (429)
129
e
i = k = j,
e, portanto
[qi , pj ](q,p) = δij .
Idem para a Eq(430) e analogamente para outras equações.
Para provar a Eq.(424), devemos utilizar a propriedade da transformação
canônica. Lembramos que a transformação canônica é caracterizada pela
função geratriz. Por exemplo, se {Q, P } são novas variáveis canònicas, então
existe uma função
F2 = F2 (q, P, t)
tal que
∂F2 (q, P, t)
pi = ,
∂qi
∂F2 (q, P, t)
Qi = .
∂Pi
Note que é essencial para tomar cuidado de lembrar as variáveis fixas quando
efeturar as derivadas parciais. Aqui, para explicitar isto, colocamos as var-
iáveis fixas dentro de ( ) da função a ser tomada derivada. Por exemplo,
∂Qi (q, p)
∂qj
130
e
∂Qi (q, P )
∂qj
são diferentes. Tomando cuidado deste detalhe, e podemos calcular as derivadas
de Q em relação a q como
131
Vemos que os termos dentro das somatórios se cancelam. Assim, temos
[Qi , Qj ](q,p) = 0.
Exercício: Calcule
[Pi , Pj ]
132
Agora, vamos provar que para quaisquer duas funções, A e B,
Mas
· ¸
∂A (q, p) X ∂A (Q, P ) ∂Qk ∂A (Q, P ) ∂Pk
= + ,
∂qi k
∂Qk ∂qi ∂Pk ∂qi
· ¸
∂B (q, p) X ∂B (Q, P ) ∂Qk ∂B (Q, P ) ∂Pk
= + ,
∂qi k
∂Qk ∂qi ∂Pk ∂qi
· ¸
∂A (q, p) X ∂A (Q, P ) ∂Qk ∂A (Q, P ) ∂Pk
= + ,
∂pi k
∂Qk ∂pi ∂Pk ∂pi
· ¸
∂B (q, p) X ∂B (Q, P ) ∂Qk ∂B (Q, P ) ∂Pk
= + ,
∂pi k
∂Qk ∂pi ∂Pk ∂pi
então,
XXX
[A, B](q,p) =
i k l
µ· ¸ · ¸
∂A (Q, P ) ∂Qk ∂A (Q, P ) ∂Pk ∂B (Q, P ) ∂Ql ∂B (Q, P ) ∂Pl
+ × +
∂Qk ∂qi ∂Pk ∂qi ∂Ql ∂pi ∂Pl ∂pi
· ¸ · ¸¶
∂A (Q, P ) ∂Qk ∂A (Q, P ) ∂Pk ∂B (Q, P ) ∂Ql ∂B (Q, P ) ∂Pl
− + × +
∂Qk ∂pi ∂Pk ∂pi ∂Ql ∂qi ∂Pl ∂qi
• somente derivadas de Q0 s
• somente derivadas de P 0 s
133
O primeiro grupo fica
X X X ∂A (Q, P ) ∂B (Q, P ) µ ∂Qk ∂Ql ∂Qk ∂Ql
¶
−
i k l
∂Q k ∂Q l ∂q i ∂p i ∂pi ∂qi
X X ∂A (Q, P ) ∂B (Q, P ) X ∂Qk ∂Ql ∂Qk ∂Ql ¶
µ
= −
k l
∂Qk ∂Q l i
∂q i ∂pi ∂pi ∂qi
X X ∂A (Q, P ) ∂B (Q, P )
= [Qk , Ql ](q,p)
k l
∂Qk ∂Q l
= 0,
134
Assim, provamos que
[A, B](q,p) = [A, B](Q,P ) . (433)
Este resultado mostra que o valor de colchete de Poisson é sempre mesmo
independente de variáveis canônicas utilizadas. Ou seja, o colchete de Poisson
pode ser calculado usando qualquer conjunto de variáveis, desde que eles
são ligadas pela transformação canônica. Neste sentido, podemos eliminar
o indice que especifica as variáveis para calcular o colchete. Então, daqui
adiante, escrevemos simplesmente
Q (0) = q, (434)
P (0) = p. (435)
135
é especificada, podemos construir a transformação finita pela transformação
sucessiva.
Primeira vamos estudar a transformação induzida pela função geratriz,
F2 (q, P ) = qP.
Temos
∂F2
Q= = q,
∂P
∂F2
p= = P,
∂q
∂F2 ∂G (Q, P )
Q (α + dα) = = Q (θ) + dα ,
∂P (α + dα) ∂P
∂F2 ∂G (Q, P )
P (α) = = P (α + dα) + dα .
∂Q (α) ∂Q
13
Considere a substituição,
q → Q (α) ,
p → P (α) ,
Q → Q (α + dα) ,
P → P (α + dα) .
136
No limite de dθ → 0, podemos escrever,
dQ (θ) ∂G (Q, P )
= , (437)
dα ∂P
dP (α) ∂G (Q, P )
=− . (438)
dα ∂Q
dQ (t) ∂H (Q, P )
= , (439)
dt ∂P
dP (t) ∂H (Q, P )
=− . (440)
dt ∂Q
Isto significa que o desenvolvimento temporal de variáveis pode ser visto
como a sucessção de transformação canônica contícula cuja função geratriz é
a Hamiltoniana ! Para um sistema cuja Hamiltoniana é
H (q, p)
q → Q = Q (q, p; t)
p → P = P (q, p; t) .
137
Aqui, os valores finais, Q e P são função de seus valores iniciais, q e p. Estes
constituem um par de variáveis canônicas, e portanto, o desenvolvimento
temporal é uma transformação canônica contínua, com o tempo t o parâmetro
da transformação. Vimos que a função geratriz do desenvolvimento temporal
é a própria Hamiltoniana H.
G (Q, P ) = P,
Já que
dQ ∂G
= = 1,
dα ∂P
dP ∂G
=− = 0,
dα ∂Q
Estas equações são facilmente resolvidas e temos
Q (α) = Q (0) + α = q + α,
P (α) = P (0) = p.
q → q0 = q + a,
p → p0 = p,
138
Por exemplo, em vez de coordenadas Cartesianas, vamos usar as variáveis
esféricas,
x = r sin θ cos φ,
y = r sin θ sin φ,
z = r cos θ.
ou inversamente
p
r= x2 + y 2 + z 2 ,
³y ´
φ = tan−1 ,
px
−1 x2 + y 2
θ = tan ,
z
e a função geratriz de transformação de coordenadas é dada por
p ³y ´
p x2 + y 2
F2 (x, y, z; pr , pθ , pφ ) = pr x2 + y 2 + z 2 +pθ tan−1 +pφ tan−1 .
z x
De fato, temos
∂F2 p 2
r= = x + y2 + z2,
∂pr
p
∂F2 −1 x2 + y 2
θ= = tan ,
∂pθ z
∂F2 ³y ´
φ= = tan−1 .
∂pφ x
Por outro lado, temos
∂F2 x 1 x 1 ³ y´
px = = pr p + pθ µ √ ¶2 p + pφ ¡ y ¢2 − 2
∂x 2 2
x +y +z 2
x2 +y 2 z x2 + y 2 +1 x
+1 x
z
x z x y
= pr + pθ 2 p − pφ 2 ,
r r x2 + y 2 x + y2
∂F2 y z y x
py = = pr + pθ 2 p + pφ 2 ,
∂y r r 2
x +y 2 x + y2
p
∂F2 z x2 + y 2
pz = = pr − pθ .
∂y r r2
139
Das primeiras duas equações acima, podemos verificar facilmente que
xpy − ypx = pφ .
pφ = Lz ,
G (φ, pφ ) = Lz
corresponde a translação em φ,
φ → φ + α,
140
34 Problemas
1. Considere um oscilador harmonico unidimensional, cuja função Hamil-
toniana é
1 2 mω2 2
H (q, p) = p + q .
2m 2
(a) Introduzindo a função geratriz para a transformação ccanônica
(q, p) → (Q, P ) ,
mω2 2
F (q, Q) = q cot Q,
2
obtenha as expressões de Q e P em termos de (q, p).
(b) Resolva a equação de Hamilton em termos de (Q, P ) e expresse o
resultado em termos de (q, p).
141
(a) No caso de um campo magnético constante homogênio, B0 , mostre
que o potencial vetor é dado por
1
A=− r × B0 .
2
dL h i
= L, H
dt
e resolve a equação.
142
Part VI
Modos Normais para Pequenas
Oscilações
35 Ponto de Equilíbrio
Vamos considerar o sistema cuja Lagrangiana é dada por
L = L (q1 , ..., qn , q̇1 , ..., q̇n ) .
Aqui, supomos que a Lagrangiana não depende explicitamente no tempo,
isto é, o sistema em questão é um sistema isolado, sem trocar a energia com
a ambiente. O estado do sistema é dito em equilíbrio quando todos os q 0 s
são constantes no tempo,
qi (t) = q̄i = Const., i = 1, ..., n (443)
Naturalmente, em equilíbrio, temos
q̇i (t) ≡ 0, i = 1, ..., n. (444)
O ponto Peq. = (q̄1 , q̄2 , ..., q̄n ) no espaço de coordenadas {qi ; i = 1, ..., n} é
chamado de ponto de equilíbrio do sistema. No ponto de equilíbrio, a equação
de Euler-Lagrange, µ ¶
d ∂L ∂L
= , i = 1, ..., n
dt ∂ q̇i ∂qi
deve ter a solução estática, Eq.(444), e isto implica que
µ ¶
d ∂L
= 0, i = 1, ..., n.
dt ∂ q̇i
Portanto, devemos ter
¯
∂L ¯¯
= 0, i = 1, ..., n. (445)
∂qi ¯Peq.
Inversamente, se a condição inicial do sistema for dada como
½
qi (0) = q̄i ,
i = 1, ..., n (446)
q̇i (0) = 0,
143
a Eq.(445) garante as Eqs.(443,444). Assim, a Eq.(445) é a condição necessária
e suficiente para que o ponto Peq. = (q̄1 , q̄2 , ..., q̄n ) seja o ponto de equilíbrio
do sistema. Para um dado sistema, pode haver mais de um ponto de equi-
librio. Neste Capítulo, vamos estudar o comportamento do sistema perto de
ponto de equiliíbrio.
144
não contribui na equação de movimento para η´s pois este termo é escrita
como derivada total de uma função de η´s.
Exercício: Mostre que o termo
X X ∂ 2 L ¯¯
¯ ηi η̇j
∂qi ∂ q̇j
¯
i j Peq
onde definimos
¯
∂ 2 L ¯¯
Tij = ,
∂ q̇i ∂ q̇j ¯Peq ,0
¯
∂ 2 L ¯¯
Cij = − .
∂qi ∂qj ¯ Peq ,0
145
T11 · · · T1n
..
T= . ,
Tn1 Tnn
C11 · · · C1n
..
C= . . (450)
Cn1 Cnn
Note que as matrizes T e C são simetricas e reais. A matriz T é chamada
de tensor de massa. Aqui, vamos supor que a matriz T é positiva definida15 .
Neste caso, existe a matriz,
T1/2
tal que
T1/2 T1/2 = T,
e o seu inverso
T−1/2 .
Temos
T−1/2 TT−1/2 = T−1/2 T−1/2 T1/2 = 1.
Vamos agora introduzir uma transformação de variáveis definida por
η = T−1/2 ξ.
A Lagrangiana em termos de ξ fica
µ ¶ µ ¶T µ ¶
d 1 dξ −1/2 dξ 1
L ξ, ξ = T −1/2
TT − ξ T T−1/2 CT−1/2 ξ
dt 2 dt dt 2
µ ¶T µ ¶
1 dξ dξ 1
≡ − ξ T Qξ,
2 dt dt 2
15
Uma matriz M é dita positiva definida, quando a forma biquadrada
F (x1 , x2 , .., xn ) = xT M x
146
onde
Q = T−1/2 CT−1/2
é uma matriz simérica. Assim, podemos diagonalizar-la por uma transfor-
mação ortogonal. Vamos denotar por M tal matriz ortogonal que diagonaliza
a matriz Q,
MT QM = D.
onde
d1 0 ··· 0
0 d2
D = .. ...
. 0
0 ··· 0 dn
é a matriz diagonal, cujos elementos diagonais são dados pelos autovalores
da matriz Q.
Agora, vamos introduzir mais uma vez a mudânça de variáveis por
ξ = Mx.
A Lagrangiana para x fica
µ ¶T µ ¶
dx 1 dx dx 1
L(x, ) = − xT Dx
dt 2 dt dt 2
(µ ¶ )
1 Xn
dxi
2
= − di x2i .
2 i=1 dt
Desta forma, a Equação de Euler-Lagrange fica completamente desacoplada
para cada uma das variáveis, xi . Ou seja,
d2 xi
= −di xi , i = 1, ..., n
dt2
A solução é
xi (t) = Aeiωi t + Be−iωi t , (451)
sendo p
ωi = di ,
e A e B são constantes que serão determinadas em termos de condição inicial.
Em outras palavras, a solução geral é dada como uma combinação linear de
xi (t)´s, como
X
n
η (t) = ui xi (t) ,
i=1
147
onde {ui , i = 1, ...n} é um conjunto de vetores constantes.
Como determinar os vetores {ui , i = 1, ...n} para determinar o movimento
em termos de variáveis originais η ? Para ver isto, vamos seguir de volta a
sequência de várias mudânças de variáveis que foram introduzidas. Temos
η = T−1/2 ξ
= T−1/2 Mx
≡ S x.
Assim,
x1
x2
η= u1 u2 ··· un ..
.
xn
= x1 u1 + x2 u2 + · · · + xn un .
148
Denotanto por vi o autovetor da matriz D de autovalor di = ωi2 , temos
Mas,
ST CSvi = ωi2 vi . (454)
¡ ¢−1
Multiplicando ST aos dois lados, temos
¡ ¢−1
CSvi = ωi2 ST vi
¡ ¢−1 −1
= ωi2 ST S Svi . (455)
149
portanto, ¡ 2 ¢
ωi T − C ui = 0. (459)
Em resumo, o pequeno movimento geral em torno do ponto de equilíbrio
de um sistema é dada por uma combinação linear do tipo,
X
n
η(t) = xi (t) ui , (460)
i=1
onde
xi (t) = Ai e+iωi t + Bi e−iωi t , (461)
e ωi e ui satisfazem a Eq.(459). A0i s e Bi0 s são constantes e devem ser deter-
minadas em termos da condição inicial do problema.
Em particular, se
Ai = Bi = 0, ∀ i, exceto i = i0 , (462)
então,
η(t) = xi0 (t) ui0 (463)
é a solução. Em outras palavras, se o movimento inicial estiver na direção de
um dos u0i s, então o movimento posteriror fica sempre nesta direção. Assim,
os vetores u0i s são chamados de modos normais do sistema.
• O movimento geral do sistema em torno do ponto de equilíbrio é uma
combinação linear dos modos normais.
Note que, se ωi for real, ou seja se ωi2 > 0, então o movimento de xi é
de um oscilador e oscilando em torno de xi = 0 com a frequência ωi . Se ωi
for imaginária, ou seja se ωi2 < 0, o movimento da variável xi é a função
exponencial, e exceto para condição inicial bastante especial, sempre tende
a amplificar seu movimento exponencialmente. Assim, o modo próprio ui é
estável se ωi2 > 0 e instável se ωi2 < 0.
O ponto de equilíbrio é dito estável se não existe nenhum modo inestável,
ou seja, se todos os modos for estáveis.
Quando ocorre
ωi2 = 0,
a solução para amplitude do modo próprio correspondente fica
xi (t) = a + bt. (464)
Físicamente, este modo não possui a força restauradora quando uma pequena
perturbação for applicada no ponto de equilíbrio.
150
36.1 Exemplos
36.1.1 Exemplo I:
Vamos considerar um sistema de tres massas iguais num plano sem atrito,
ligadas por molas sem massa.
k k
m
k
m
151
Em termos destas novas variáveis, a Lagrangiana do sistema fica
à !2 µ ¶2 µ ¶2
3m dR m dρ1 m dρ2
L= + +
2 dt 4 dt 3 dt
½ ¯ ¯ ¯ ¯¾
3k 2 ¯1 ¯ ¯1 ¯ 3
− ρ1 − kρ2 + kl0 |ρ1 | + ¯ ρ1 − ρ2 ¯ + ¯ ρ1 + ρ2 ¯¯ − l03 .
2 ¯ ¯ ¯ (466)
4 2 2 2
dR
= 0,
dt
e também podemos despresar o termo constante. Assim, a dinâmica da parte
não trivial do sistema é descrita em termos da Lagrangiana,
µ ¶2 µ ¶2
m dρ1 m dρ2
L(ρ1 , ρ2 , ρ1 , ρ2 ) = +
4 dt 3 dt
½ ¯ ¯ ¯ ¯¾
3k 2 ¯1 ¯ ¯1 ¯
− ρ1 − kρ2 + kl0 |ρ1 | + ¯ ρ1 − ρ2 ¯ + ¯ ρ1 + ρ2 ¯¯ .
2 ¯ ¯ ¯
4 2 2
(467)
152
e a Eq.(469) em
( )
1 1
−2 + l0 ¯1 ¯ ¯ ¯
¯ ρ1,0 − ρ2,0 ¯ + ¯ 1 ρ1,0 + ρ2,0 ¯ = 0,
2 2
1 1
− ¯¯ 1 ¯ + ¯1 ¯ = 0. (470)
ρ − ρ2,0 ¯ ¯ 2 ρ1,0 + ρ2,0 ¯
2 1,0
Assim, temos
¯ ¯ ¯ ¯
¯1 ¯ ¯1 ¯
¯ ρ1,0 − ρ2,0 ¯ = ¯ ρ1,0 + ρ2,0 ¯ = l0 ,
¯2 ¯ ¯2 ¯
|ρ1 | = l0 ,
e ainda concluimos que
ρ1,0 · ρ2,0 = 0,
e √
3
|ρ2,0 | = l0 . (471)
2
Em fim, a configuração das tres massas em equilíbrio é um triangulo equi-
latero, como é de ser esperado intuitivamente. A orientação do triangulo não
fica determinada. Podemos escolher,
µ ¶
1
ρ1,0 = l0 ,
0
√ µ ¶
3 0
ρ2,0 = l0 .
2 1
Agora, vamos calcular o tensor de massa T e o coeficiente C da força res-
touradora. Tomando a base como
ρ1,x
ρ1,y
q→
ρ2,x
ρ2,y
temos
1/4 0 0 0
0 1/4 0 0
T = m
0
. (472)
0 1/3 0
0 0 0 1/3
153
A matriz C é um pouco mais trabalhosa, mas um calculo direto leva ao
resultado, √
9/8 0 0
√ 3/4
0 3/8 3/4 0
C = k 0
√ .
(473)
√ 3/4 1/2 0
3/4 0 0 3/2
O autovalor d = ω 2 pode ser obtida pela equação,
¯ ¯
det ¯ω 2 T − C¯ = 0. (474)
ou,
1 3 1 5 3
ω − ω2 + ω − = 0
144 12 16 8
: 1
144
(ω − 6) (ω − 3)2
154
36.1.2 Exemplo II:
Considere um sistema de n + 2 massas iguais, ligadas em linha por molas
iguais. As massas se movem unidimensionalmente ao longo desta reta. As
duas massas de pontassão amarradas nas paredes e, portanto, imóveis. A
Lagrangiana do sistema é
X
n µ ¶2 X
n+1
1 dζi k
L= M − (ζi − ζi−1 )2 , (477)
i=1
2 dt i=1
2
ζ0 = ζn+1 = 0, (478)
e, assim,
dζ0 dζn+1
= = 0. (479)
dt dt
Desta forma, as variáveis, de fato, são
ζ1 , ζ2 , ..., ζn .
155
onde C é a matriz n × n,
2 −1 0
··· 0
. .
−1 2 −1 . . ..
. .
C = ω02
0 −1 . . . . 0
. ... ...
.. 2 −1
0 ··· 0 −1 2
com ω02 = k/M.
A matriz C é simétrica e tridiagonal. Isto é, todos os elementos de matriz
são nulos exceto os dois lados da linha diagonal. Em geral, uma matriz
simétrica tridiagonal pode ser diagonalizada analiticamente como segue. Seja
a b 0 ··· 0
. . . ..
b a b .
. .
A= 0 b . . . . 0
. . .
. . . . . . a b
0 ··· 0 b a
uma matriz n × n simétrica e tridiagonal. Queremos resolver o problema de
autovalor,
Aζ = λζ. (483)
Em termos de componentes, temos
bζk−1 + aζk + bζk+1 = λζk , k = 1, ..., n (484)
onde convencionamos que
ζ0 = ζn+1 = 0. (485)
A equação de diferença Eq.(484) pode ser resolvida em termos de ansatz 16 ,
ζk = sin (qk) , (486)
onde q é um parâmetro a ser determinado. Substituindo este ansatz na
Eq.(484), temos
sin (q (k − 1)) + sin (q (k + 1)) = u sin (qk) ,
16
A palavra ansatz é vem do alemão, significando uma solução advinhada de um prob-
lema, seja exata, seja aproximada. Muitas vezes, utilizamos um ansatz contendo alguns
parâmetros a ser determinados.
156
onde u = (λ − a) /b. Utilizando a formula de adição para dois senos,
a = 2,
b = −1,
157
e o autovetor correspondente para λm é
sin (qm )
sin (2qm )
..
1 .
ζm = √ . (493)
Zm sin (kq m)
.
..
sin (nqm )
158
para x arbitrário. Com esta normalização, podemos provar, analogamente,
que
T
ζm · ζl = δml , (495)
ou seja, o conjunto de vetores, Eq.(493), m = 1, ..n, forma uma base ortonor-
mal. Podemos escrever um vetor arbitrário ζ(t) dependente no tempo em
termos de uma combinação linear destes vetores base,
X
n
ζ= ηm ζm , (496)
m=1
ηm = ηm (t). (497)
A Eq.(496) pode ser vista como a mudança de variáveis de {ζk } para {ηm }.
Substituindo a Eq.(496) na Lagrangiana,
n o a Eq.(482) e utilizando a pro-
priedade ortonormal dos vetores ζm , temos
(µ ¶2 )
M X
n
dηm
L= − λm ω02 ηm
2
,
2 m=1 dt
ηm = Am sin ωm t + Bm cos ωm t,
com µ¶
π m
ωm = 2ω0 sin . (499)
2n+1
Desta forma, vemos que o sistema de n + 2 massas ligadas pelas molas iguais,
com a condição de contorno, Eq.(478) tem os modos normais de vibrações
159
com frequências dadas pela Eq.(499). Em geral, a solução da equação de
movimento fica escrita pela combinação linear das soluções correspondente a
modos mormais,
X
n
[Am sin (ωm t) + Bm cos (ωm t)] ζm , (500)
m=1
160
Part VII
Movimento de Corpo Rígid
Neste Capítulo, vamos estudar a dinâmica de corpos rígidos. Por corpos
rígidos nos referimos a objetos que têm dimensão espacial finita mas não se
deformam, ou sua deformação é desprezível. A primeira questão que se coloca
é quantos graus de liberdade são necessários e como escolher-los. Para ver
isto, vamos considerar um sistema de coordenadas, digamos Cartesiano, fixo
no corpo rígido. Naturalmente, independente do movimento do corpo, todos
os pontos do corpo rígido mantêm sua posicão sempre idêntica neste sistema
de coordenadas. Isto significa que o movimento de um corpo rígido é equiva-
lente ao movimento de um (qualquer) sistema de coordenadas fixo a ele. Por
outro lado, a configuração de um sistema de coordenadas Cartesiano é com-
pletamente especificada quando determinamos o movimento de sua origem
e a variação temporal de orientação dos eixos deste sistema. Desta forma,
concluímos que para descrever o movimento de um corpo rígido precisamos
especificar o movimento de um ponto qualquer do corpo e as 3 direções
dos eixos. Para descrever o movimento de um ponto precisamos 3 graus de
liberdade. Para especificar as orientações de 3 eixos de um sistema de coor-
denadas, precisamos de outros 3 graus de liberdade18 . Assim, o número de
graus de liberdade de um corpo rígido é 6. Naturalmente, se existirem outros
vínculos como, por exemplo, quando um ponto do corpo é fixo ( no caso de
um pião com sua ponta fixo no chão) ou um objeto rola numa superfíce, o
número de graus de liberdade fica menor que 6.
Para discutir o movimento de um corpo rígido, frequentemente consider-
amos a rotação do sistema como uma transformação contínua de sistema de
coodenadas. Com objetivo de estabelecer uma liguagem matemática mais
precisa, vamos fazer a pequena revisão matemática sobre um espaço vetorial.
18
Para fixar a direção de um dos 3 eixos, digamos o eixo z, precisamos definir 2 ângulos
(azimutal e zentital em relação ao sistema de coordenadas fixo no expaço), e para fixar o
segundo eixo, digamos o eixo y, precisamos mais 1 ângulo. Quando fixarmos os dois eixos,
o terceiro eixo é determinado se tomamos a convenção de sistema destrogiro. Assim, para
determinar as orientações dos eixos de um sistema de coordenadas Cartesiano, precisamos
3 números, ou seja, existem 3 graus de liberdade para determinar a orientação de um corpo
rígido.
161
36.2 Revisão Matemática
36.2.1 Espaço Vetorial
Para compreender as leis de transformação das varias quantidades físicas, é
importante ter uma noção clara sobre o conceito de transformação de base
num espaço vetorial no sentido mais geral. Mesmo se começarmos com o
espaço vetorial com números reais, quando tratamos um problema de auto-
valores, os autovalores não são necessariamente reais e, portanto, os autove-
tores não ficam no espaço real. Assim, começamos com o espaço vetorial com
números complexos, que é mais geral.
Vamos considerar um espaço vetorial V e denotar um elemento (vetor)
de V por |xi.19 Um conjunto V = {|xi, |yi, ...} é dito um espaço vetorial se
satisfaz às seguintes propriedades:
1. Está definida a adição entre dois elementos do conjunto, i.e.,
∀ |xi, |yi ∈ V,
∃
|zi = |xi + |yi ∈ V
• Comutatividade,
|xi + |yi = |yi + |xi
• Associatividade,
(|xi + |yi) + |zi = |xi + (|yi + |zi)
162
• Existe o inverso,
∀|xi ∈ V
∃ |x̄i ∈ V
tal que
|xi + |x̄i = 0
21
Por razão óbvia, denotamos |x̄i por −|xi.
•
∀
α ∈ R,∀ |xi ∈ V → ∃ |yi = α|xi ∈ V.
• Distributividade;
• Associatividade;
(αβ)|xi = α(β|xi)
163
Definição: O número máximo de vetores linearmente independentes de um
espaço vetorial é chamado a dimensão do espaço. A dimensão de um
espaço pode ser infinita. Um conjunto de vetores é dito uma base, se
qualquer vetor do espaço é escrito em termos de uma combinação linear
dos elementos deste conjunto.
|xi = 0.
164
Para qualquer vetor |xi ∈ V , podemos introduzir um funcional linear24 ,
hx|,
|xi† ,
ou seja,
hx| = |xi† .
Note que, pela definição de produto escalar, temos
então, ¡ ¢
hx| → xT = x1 x2 x3 .
Se o espaço for complexo, temos que ter
¡ ¢
hx| → x† = x∗1 x∗2 x∗3 ,
165
Considerando V † como um espaço vetorial, podemos introduzir o espaço
dual do V † pelo processo análogo acima feito para V . Como a propriedade
de produto escalar,
hx|yi∗ = hy|xi, (506)
podemos identificar o vetor conjugado hermitiano de hx| é o próprio |xi. Ou
seja,
(hx|)† = |xi. (507)
Isto é,
¡ † ¢†
|xi = |xi. (508)
Nos referimos a um mapeamento do espaço vetorial em si mesmo26 como
um operador. Seja O um operador. Então,
∀
|xi ∈ V, O|xi = |yi ∈ V. (509)
Como um exemplo, podemos construir um operador a partir de dois vetores
|ai e |bi ∈ V por
O = |ai hb|. (510)
A atuação deste operador para um vetor qualquer |xi ∈ V é definido por
O|xi = |ai ( hb|xi) . (511)
Para um vetor |ai normalizado,
ha|ai = 1,
o operador definido por
Λa ≡ |ai ha| (512)
é chamado de operador de projeção, ou projetor, no sentido de que a aplicação
de Λa em |xi constroi um vetor na direção de |ai com a coeficiente ha|xi. Isto
é, para qualquer vetor, |xi ∈ V,
Λa |xi = |ai (ha|xi)
= xa |ai,
166
36.2.3 Representação, Mudança de Base
Para uma base orthonormal, {|e1 i, |e2 i, ..., |en i}, podemos construir n proje-
tores,
Λi = |ei i hei |. (514)
Temos
X
n
Λi = I, (515)
i=1
Então,
X
n
hei |xi = cj hei |ej i
j
X
n
= cj δij = ci . (517)
j
167
e podemos associar a |xi o vetor de coluna,
c1
c2
|xi → .. . (519)
.
cn
Se utilizarmos uma outra base orthonormal, {|e01 i, |e02 i, ..., |e0n i}, podemos
escrever analogamente,
Xn
|xi = c0j |e0j i, (521)
j=1
e, portanto, temos a representação do vetor |xi na base {|e01 i, |e02 i, ..., |e0n i},
c01
c0
2
|xi → .. . (522)
.
c0n
168
e inserir esta identidade nos locais apropriados. Por exemplo,
c0 = U c, (524)
U † U = I. (527)
169
Exercício: Prove que U † U = 1.
ci = hei |ci.
170
fica sob a transformação da base (523) por
à n !∗ à n !
X
n X X
S0 = he0i |ej i xj he0i |ek i yk
i j=1 k=1
X
n X
n X
n
∗
= x∗j yk (he0i |ej i) he0i |ek i
j=1 k=1 i
Xn X n X
n
= x∗j yk hej |e0i i he0i |ek i
j=1 k=1 i
Xn X n
= x∗j yk hej |ek i
j=1 k=1
Xn X n X
n
= x∗j yk δjk = x∗i yi
j=1 k=1 i=1
=S
(ha|bi)∗ = hb|ai,
e da terceira para quarta linha, a completeza da base {|e01 i, |e02 i, ..., |e0n i},
X
n
|e0i i he0i | = I.
i
171
36.2.4 Operador e sua representação
Um mapeamento linear de um espaço vetorial no próprio espaço é chamado
de operador linear. Seja O um operador linear no espaço vetorial V.
∀
|xi ∈ V, ∃ |yi = O|xi ∈ V. (528)
Vamos expressar a relação acima numa base, {|e1 i, |e2 i, ..., |en i}. Temos
xi = hei |xi,
yi = hei |yi
= hei |O|xi
= hei |O|I|xi
Xn
= hei |O |ej i hej |xi
j
X
n
= hei |O|ej i hej |xi
j
X
n
= Oij xj , (529)
j
é equivalente a
X
n
yi = Oij xj . (531)
j
em termos de representação dos vetores na base {|e1 i, |e2 i, ..., |en i}. Mas na
Eq.(531), o papel do operador O nada mais é do que o da matriz {Oij }. Isto
é, o operador O é representado em termos da matriz,
O11 O12 · · · O1n he1 |O|e1 i he1 |O|e2 i · · · he1 |O|en i
... .
O he2 |O|e1 i . .
O → . 21 = . .
.. ..
On1 Onn hen |O|e1 i hen |O|en i
172
A matriz acima é dita uma representação do operador O. Obviamente, o op-
erador O é uma noção independente da base, no entanto, a matriz da sua rep-
resentação depende da base. Quando mudarmos da base {|e1 i, |e2 i, ..., |en i}
para uma outra base {|e01 i, |e02 i, ..., |e0n i}, a nova matriz fica
0 0 0 0
O11 O12 · · · O1n he1 |O|e01 i he01 |O|e02 i · · · he01 |O|e0n i
0 ... 0 .
O21 he2 |O|e01 i . .
. ≡ . .
.. ..
0 0 0 0 0 0
On1 Onn hen |O|e1 i hen |O|en i
A relação desta matriz com a matriz no sistema anterior pode ser obtida pela
seguinte forma:
0
Oij = he0i |O|e0j i = he0i |I|O|I|e0j i
Xn X n
= he0i |ek i hek |O|el i hel |e0j i
k=1 l=1
Xn X n
= Uik Okl Ulj† . (532)
k=1 l=1
173
36.2.5 As quantidades invariantes
2. A determinante da matriz,
¯ ¯
¯ O11 O12 · · · O1n ¯
¯ ¯
¯ . ¯
¯ O21 . . ¯
det |O| = det ¯ .. ¯. (536)
¯ . ¯
¯ ¯
¯ On1 Onn ¯
V † = {hx| ; |xi ∈ V} .
174
conjugado hermitiano. Note que pela definição, para qualquer dois vetores
arbitrários em V, temos
¡ ¢
hx|O† |yi = hy| (O|xi)∗ . (537)
Embora os operadores, O e O† atuem nos espaços distintos, podemos rep-
resentar ambos os operadores em termos da mesma base, digamos {|e1 i, |e2 i, ..., |en i}.
O → {Oij } = {hei |O|ej i} ,
n o ©¡ ¢ ª
O† → Oij† = hei |O† |ej i . (538)
ou seja, ¡ ¢
hei |O† O|ej i = δij . (541)
No espaço vetorial real, os elementos de matriz se tornam reais e a condição
de ser unitário se reduz a ser ortogonal. Um operador unitário é representado
por matriz unitária. Se O é um operador unitário, então,
k det |O| k = 1. (542)
Exercício: Prove a Eq.(542) acima.
175
36.2.7 Autovalores e autovetores de um operador
Seja O um operador no espaço V . Se um vetor |xi satisfaz a equação,
Daí, temos
hx|O† |xi = λ∗ hx|xi. (551)
Mas, pela condição de hermiticidade do operador O, temos
176
Como hx|xi 6= 0, temos
λ = λ∗ , (554)
isto é, o autovalor do O é real.
com λ 6= λ0 , então
hx|yi = 0. (557)
Para provar isto, vemos que da Eq.(555),
e da Eq.(556),
hx|O|yi = λ0 hx|yi. (559)
Só que pera hermiticidade,
λ0 hx|yi = λhx|yi,
ou
(λ0 − λ) hx|yi = 0. (560)
Pela condição dada, λ0 6= λ, então, concluimos que
hx|yi = 0. (561)
177
A equação para autovalores, a Eq.(547) é a equação algébrica de ordem
n. Portanto, existem n raizes. Quando os valores de raizes coincidem, este
autovalor é dito degenerado. O número de raízes que coincidem é o grau de
degenerescência deste autovalor.
Quando os autovalores de um operador não tem degenerescência, isto é,
todos os autovalores são distintos, então todos os autovetores são ortogonais
entre si. Também podemos normalizar todos os autovetores sem alterar
nenhuma propriedade de autovetores. Assim,
© (1 podemos construir
ª uma base
(2) (n)
ortonormal, formada peloa autovetores, |x i, |x i, ..., |x i , sendo
O|x(i) i = λ(i) |x(i) i, i = 1, ..., n. (562)
Quando há degenerescência, a prova acima não vale, pois a Eq.(560) não
necessariamente implica a Eq.(561). Mesmo assim, podemos construir uma
base ortogonal, formada de autovetores. Por exemplo, suponhe que |xi e |x0 i
são dois distintos autovetores de autovalor λ comun.
O|xi = λ|xi,
O|x0 i = λ|x0 i.
Neste caso, vemos que a combinação linear dos dois autovetores,
|x00 i = α|xi + β|x0 i
também o autovetor de O com autovalor λ.
O|x00 i = λ|x00 i. (563)
Agora, escolhendo
hx|xi
α = −β , (564)
hx|x0 i
podemos fazer |x00 i se tornar ortogonal à |xi,
hx|xi
hx|x00 i = −β 0
hx|xi + βhx|x0 i = 0.
hx|x i
Assim, podemos construir dois autovetores ortogonais que têm o mesmo au-
tovalor de O,
O|xi = λ|xi,
O|x00 i = λ|x00 i,
hx|x00 i = 0.
178
Analogamente, se um autovalor for triplamente degenerado, podemos cons-
tuir os três autovetores para este autovalor, orthogonais entre si.
Assim, em geral, podemos ter o seguinte teorema.
179
Z X Y Z -- Sistema de Coordenadas
C C C
C Intrinseco
Y
C
X
C
(c)
xC hex |P i
rC = yC = hey(c) |P i . (566)
zC (c)
hey |P i
180
ser representado por outro vetor coluna, digamos r ,
x
r= y . (567)
z
n o
Os vetores da base ortonormal i, j, k do sistema de coordenadas XY Z são
denotados
i → |ex i,
j → |ey i,
k → |ez i.
Os
n vetores-base {|e o x i, |ey i, |ez i} podem ser expressos em termos
n da base o
(c) (c) (c) (c) (c) (c)
|ex i, |ey i, |ey i . Para isto, utilizamos a completeza da base |ex i, |ey i, |ez i ,
= |ex(c) i hex(c) |ex i + |ey(c) i hey(c) |ex i + |ez(c) i hez(c) |ex i. (570)
181
Isto constitui uma transformação linear de coordenadas, de rC para r.
rC → r = A rC , (573)
com
(c) (c) (c)
hex |ex i hex |ey i hex |ez i
(c)
A = hey |ex(c) i hey |e(c)
y i hey |ez i , (574)
(c) (c) (c)
hez |ex i hez |ey i hez |ez i
ou
(c)
Aij = hei |ej i, i = x, y, z. (575)
Note que a matriz A é uma matriz ortogonal,
AT A = 1, (576)
pois os elementos de matriz são reais. Uma matriz real que satisfaça a
condição (576) é chamada de matriz ortogonal. A transformação de coor-
denada por uma matriz orthogonal,
rC → r = A rC , (577)
rC = AT r = A−1 r. (578)
|ex(c) i = R|ex i,
|ey(c) i = R|ey i,
|ez(c) i = R|ez i.
182
que é exatamente Aij . Assim, a matriz A é a representação da rotação do
corpo rígido em termos da base {|ex i, |ey i, |ez i} ,
hex |R|ex i hex |R|ey i hex |R|ez i
A = hex |R|ex i hey |R|ey i hey |R|ez i . (579)
hez |R|ex i hez |R|ey i hez |R|ez i
Note que, aqui, a rotação R atua no sistema de coordenadas intrinsecas
(com índice C), mantendo o vetor |P i do ponto. Ou seja, a rotação é equiv-
alente a mudança da base do sistema de coordenadas fixo no espaço para o
sistema de coordenadas intrínsecas. As novas coordenadas é dadas pelo vetor
rC . Este tipo de rotação é as vezes chamada de rotação passiva.
Uma outra forma de transformação é mexer o proprio vetor |P i pela
rotação no mesmo sistema de coordenadas. Neste caso, o vetor que se trans-
forma como
|P i0 = R|P i,
e a representação donovo vetor |P i0 pela base {|ex i, |ey i, |ez i} fica
0
x hex |ri0
y0 = hey |ri0
z0 hez |ri0
hex |R|ri
= hey |R|ri
hez |R|ri
hex |R|ex i hex |R|ey i hex |R|ez i hex |P i
= hex |R|ex i hey |R|ey i hey |R|ez i hey |P i
hez |R|ex i hez |R|ey i hez |R|ez i hey |P i
= Ar.
Isto é, após a rotação, as novas coordenadas do vetor são dadas pelo vetor,
0
x
r0 = y 0 = Ar. (580)
0
z
Neste caso, a base é sempre fixa. Este tipo de rotação é as vezes chamada
de rotação ativa.
Devemos tomar cuidado de não confundir as rotações passivas e as ro-
tações ativas, pois no caso de rotações ativas, as coordenadas resultantes são
183
obtidas em termos da aplicação da matriz A no vetor original, a Eq.(580),
no entanto, no caso de rotações passivas, as coordenadas no novo sistema de
coordenadas são dadas pela aplicação da matriz A−1 no vetor original, a
Eq.(578).
Como vimos acima, uma transformação orthogonal é a transformação
entre dois sistemas de coordenadas que possuem a mesma origem. Mas, para
determinar as direções de um sistema de coordenadas Cartesianos, basta
efetuar um certa rotação do sistema em torno da origem. Desta forma, os
dois sistemas de coordenadas estão relacionados por uma rotação. Assim,
uma transformação ortogonal é equivalente a uma rotação dos eixos em tôrno
da origem.
De modo geral, uma matriz real 3×3 tem 9 elementos independentes. Mas
para uma matriz ortogonal, a condição (576) impõe 3(3 + 1)/2 = 6 condições
independentes. Assim, uma matriz orthogonal 3 × 3 é determinada por 9 −
6 = 3 números. Para determinar as direções de um sistema de coordenadas
Cartesiano, precisamos 3 ângulos, que são justamtente os números necessários
para determinar uma matriz orthogonal 3 × 3.
Da discussão acima, estabelecemos o seguinte esquema: Para um corpo
rígido em rotação, num instante do tempo t,
Rotaccão
Sistema Cartesiana (XY Z)C −→ Sistema Cartesiana XY Z
rC −→ r = A rC
⇓
A = A(Rotaccão)
184
Note que a sucessão de duas rotações é representada pelo produto de
duas matrizes, correspondentes. Neste sentido, o ato de rodar sucessivamente
também fica representado pela operação matemática de produto matricial.
Naturalmente, quando o corpo rígido está em movimento, a rotação R
varia no tempo e, consequentemente, a matriz de transformação A varia no
tempo. Isto é, A = A(t). A dinâmica do corpo rígido, além do movimento
translacional, é descrita em termos de uma matriz ortogonal 3×3 dependente
no tempo.
1. Ortogonalidade, AT A = 1, e, portanto,
AT A = 1,
B T B = 1,
então, o produto
C = BA
tem a propriedade,
C T C = (BA)T (BA)
= AT B T BA = AT 1A = AT A = 1. (581)
Do ponto de vista física, isto significa que as duas rotações sucessivas também
é uma rotação.
185
Pela definição, uma matriz ortogonal A claramente tem seu inverso, A−1 .
A−1 = AT . (582)
tal que
∀
A ∈ G → IA = AI = A. (587)
=rotação de ângulos nulos (não rodar).
3. Existência do elemento inverso,
∀
A ∈ G → ∃ A−1 ∈ G,
tal que
A−1 A = AA−1 = 1. (588)
=sempre pode-se desfazer uma rotação.
186
Um conjunto que tem as propriedades acima é chamado de um grupo.
Assim, o conjunto de todas as matrizes ortogonais 3 × 3 forma um grupo.
Este grupo em particular é denomidado de grupo O(3). Já que as matrizes
ortogonais correspondem a rotações, concluimos que:
• O conjunto de todas as rotações forma um grupo, que é equivalente ao
grupo O(3).
187
Se um subconjunto de um grupo forma um grupo com a regra de mul-
tiplicação do grupo, o subconjunto é chamado de subgrupo. Naturalmente
o elemento identidade, I, do grupo tem que estar no subgrupo. Assim, o
conjunto de todas as matrizes orthogonais de dimensão 3, com determinante
+1 forma um subgrupo do grupo O(3). O grupo é denominado SO(3).
Por outro lado, o conjunto de todas as matrizes do grupo O(3) com de-
terminante −1 não forma um grupo. Isto é trivial, pois, em primeiro lugar,
o elemento identidade tem o determinante +1 e, também pode ser visto pelo
fato de que o produto de duas matrizes com ambos determinantes negativos
tem o determinante positivo e, portanto, não pertence ao mesmo conjunto.
O que significa o sinal do determinante? Para ver isto, vamos calcular o
determinante da transformação,
0
x x −x
y → y = y ,
z z z
ou seja, a direção do eixo x foi invertida. Neste caso, a matiriz da transfor-
mação fica
−1 0 0
A= 0 1 0 ,
0 0 1
e obviamente
det |A| = −1.
Assim, se a transformação envolve a inversão de uma das direções dos eixos, o
determinante da matriz fica negativo. Suponhamos que inicialmente começamos
com um sistema de coordenadas destrogiro. Note que após a transformação
de coordenadas, se um dos eixos tiver a direção invertida, o novo sistema de
coordenadas se torna levogiro. Quando a transformação envolve a inversão
de duas direções dos eixos, o determinante fica positivo. Mas neste caso, a
transformação não leva de um sistema destrogiro para levogiro, pois, por ex-
emplo, a inversão dos eixos X e Y simultaneamente equivalente a rotação do
sistema em torno do eixo Z por 180 graus. Assim, o sinal do determinante da
matriz de transformação está associado à mudança de um sistema destrogiro
para levogiro ou vice-versa.
As transformações que correspondem a matrizes com determinante pos-
itivo são chamadas de transformações ortogonais próprias, e envolvem pu-
ramente rotações. O conjunto de todas as transformações próprias forma
188
um subgrupo, equivalente a SO(3). Na discussão adiante, nos limitamos às
transformações próprias, a não ser que especificado explicitamente o con-
trário.
O grupo de rotações tem 3 ângulos para especificar a rotação. Um grupo
cujo elemento é especificado em termos de um (ou mais de um ) parâmetro
é chamado de grupo contínuo. Assim, o grupo de rotação 3-dimensional (=
grupo SO(3)) é um grupo contínuo.
Ax = λx, (592)
onde λ é o autovalor e
x1
x = x2 , (593)
x3
é o autovetor. A Eq.(592) é um sistema de equações lineares
λ3 −T r (A) λ2 +(a11 a22 + a22 a33 + a33 a11 − a23 a32 − a13 a31 − a12 a21 ) λ−det |A| = 0.
(597)
a
Assim, a Eq.(595) é uma equação de 3 grau em relação a λ e, portanto,
existem 3 raízes para λ. Note que as raízes não são necessariamente reais.
189
Para equações de 3a grau com coeficientes reais, sempre existe pelo menos
uma raíz real e as outras duas, se forem complexas, uma é o complexo
conjugado da outra. Denotamos estas raízes por λ1 , λ2 e λ3 , respectiva-
mente. Para cada um destes λ, existe a solução para x da Eq.(594). Assim,
a solução
³ para x =´ (x1 , x2 , x3 ) correspendende à raíz λi , denotamos por
(i) (i) (i)
x(i) = x1 , x2 , x3 . Explicitamente,
Ax(i) = λi x(i) .
190
ou
AU = UΛ, (602)
onde
λ1 0 0
Λ = 0 λ2 0 (603)
0 0 λ3
é a matriz diagonal, composta de autovalores de A. Da Eq.(602), temos
U −1 AU = Λ. (604)
A = U ΛU −1 . (605)
U −1 AU = Λ.
191
onde cn = f (n) (0)/n!. Neste caso,
P∞ n
n=0 cn λ1 0P∞ 0
f (Λ) = 0 n
n=0 cn λ2 0
P∞
n
0 0 n=0 cn λ3
n
X∞ λ1 0 0
= cn 0 λn2 0
n=0 0 0 λn3
n
X∞ λ1 0 0
= cn 0 λ2 0
n=0 0 0 λ3
X∞
= cn Λn .
n=0
192
Exercício: Seja µ ¶
0 1
σ= .
1 0
Calcule a matriz,
M = eitσ
onde i2 = −1, e t é um número arbitrário.
U −1 MU.
Calcule também
U −1 σU.
det |A − I| = 0. (610)
Já que AT A = 1, temos
¡ ¢
I − AT A = A − 1, (611)
e, portanto,
¯¡ ¢ ¯ ¯ ¯
det |A − 1| = det ¯ I − AT A¯ = det ¯I − AT ¯ det |A| . (612)
Sabemos que28
det |A| 6= 0, (613)
concluimos que ¯ ¯
det ¯I − AT ¯ = 0. (614)
¯ ¯
28
Alias, da det ¯AT A¯ = 1, temos det|A|2 = 1.
193
Mas
¯ ¯
det ¯I − AT ¯ = det |I − A|
= det |− (A − 1)|
= (−1)3 det |A − 1|
= det |A − 1| .
Aqui, foi utlizado o fato de que para qualquer matriz M de dimensão ímpar,
θ = θn. (617)
A = A(θ). (618)
194
O teorema de Euler mostra que um dos autovalores de uma matriz ortog-
onal é 1. Por outro lado, para transformações próprias,
det |A| = +1.
Por outro lado, temos
¯ ¯
det |A| = det ¯U −1 ΛU ¯ = det |Λ| = λ1 λ2 λ3 . (619)
Assim, temos
λ1 λ2 λ3 = 1. (620)
Sem perder generalidade, podemos escolher sempre λ1 = 1. Assim,
λ2 λ3 = 1.
Lembre-se que os autovalores não são necessariamente reais. Em geral, λ3 =
λ∗2 . Portanto,
|λ2 | = |λ3 | = 1. (621)
A solução geral é
λ2 = eiδ ,
λ3 = e−iδ ,
com δ um número real.
Para ver qual é o significado deste δ, vamos considerar a transformação
de sistema de coordenadas em termos de uma rotação de um ângulo θ em
torno do eixo z. Neste caso,
0
n = 0 ,
1
0
θ= 0 ,
θ
e as coordenadas transformam como
x0 = cos θ x − sin θ y,
y 0 = sin θ x + cos θ y,
z 0 = z,
195
e, portanto
cos θ − sin θ 0
A(θ) = sin θ cos θ 0 .
0 0 1
Como pode ser visto diretamente, um dos autovalores é de fato 1. Os outros
autovalores satisfazem a equação,
Daí, temos
λ = cos θ ± i sin θ = e±iθ . (623)
Assim, neste caso, a fase δ é o ângulo de rotação θ. Como pode ser visto
adiante, isto é simpre verdade, ou seja, para uma rotação especificada pelo
vetor θ, os autovalores são e±iθ , além de 1.
O fato de que os autovalores são complexos, além daquele que é 1, implica
que os autovetores correspondentes também não são reais. Isto quer dizer
que não existe uma base na qual a matriz de rotação fica diagonal, exceto
para a rotação de identidade, ou seja, a rotação nula. Este é reflexo de
um fato quase trivial de que não existe mais de um vetor que mantem sua
direção sob a rotação. Matematicamente, uma matriz ortogonal não pode
ser diagonalizada pela transformação ortogonal.
θ = θn
196
Podemos considerar esta rotação como uma sequência sucessiva de N rotações
de pequeno ângulo, δθ = θ/N. Assim, podemos escrever
N termos
z }| { Y
N
A(θ) = A(δ θ)A(δ θ) · · · A(δ θ) = A(δ θ). (624)
i=1
onde
δθx nx
θ
δ θ = δθy = ny
N
δθz nz
é o vetor da rotação Sabemos que se o ângulo desta pequena rotação tende
a zero, a matriz correspondente tem que convergir a matriz de identidade,
A(δ θ) −→ I, (625)
δθ→0
197
sucessivas em torno de cada um dos tres eixos do sistema de Coordenadas,
com ângulos,
δθ nx , δθny , δθnz
respectivamente. Também, o resultado não depende da ordem destas 3 ro-
tações. Note que este fato só é válido para rotações de ângulos infinitesimais.
Para ângulos gerais, a afirmação acima não é verdade.
Rx |ex i = |ex i,
Rx |ey i = cos θ|ey i + sin θ|ez i,
Rx |ez i = cos θ|ez i − sin θ|ey i.
198
Assim, podemos calcular a matriz Σx por
¯
1 0 0 ¯
d ¯
Σx = 0 cos θ − sin θ ¯¯
dθ ¯
0 sin θ cos θ θ=0
0 0 0
= 0 0 −1 . (632)
0 1 0
Analogamente, obtemos
0 0 1 0 −1 0
Σy = 0 0 0 , Σz = 1 0 0 . (633)
−1 0 0 0 0 0
Exercício: Obtenha as matrizes Σy e Σz .
199
Exercício: Interprete o resultado acima geometricamente.
= lim (A(δθ))N
N→∞
³ ´N
T
= lim I + δ θ · Σ
N→∞
µ ¶N
1 T
= lim I + θ · Σ
N→∞ N
X 1
∞ ³ ´n
= θT · Σ (638)
n=0
n!
1³ T ´2 1 ³ ´3
= I + θT · Σ + θ ·Σ + θT · Σ + · · · (639)
2 3!
Aqui utilizamos a fórmula bem conhecida29
t N 1 1
lim (1 + ) = et = 1 + t + t2 + t3 + · · · . (640)
N →∞ N 2! 3!
Exercício: Talvez alguns leitores possam dúvidar do truncamento de A(δ θ)
só até a primeira ordem em δθ. Será que os outros termos de ordem
superior que foram jogados fora não são importante para recuperar a
rotação original, A(θ) como a sequência das rotações infinitesimais?
Para ver isto, prove que
µ ¶N µ ¶N
t s t
lim 1 + + = lim 1 + . (641)
N→∞ N N2 N→∞ N
29
Note que este fórmula vale, mesmo x seja uma matriz. Alias, para uma matriz A, esta
equação pode ser vista como a definição de eA , i.e.,
1 2 1
eA ≡ 1 + A + A + A3 + · · · .
2! 3!
200
Agora, vamos calcular os termos da série, Eq.(639). Em primeiro lugar,
θ · Σ = θ nT · Σ
0 nz −ny
= θ −nz 0 nx . (642)
ny −nx 0
Assim, ³ ´n ³ ´n
θT · Σ = θn nT · Σ . (643)
³ ´n
Para calcular nT · Σ , começamos com n = 2.
2
³ ´2 0 −nz ny
nT · Σ = nz 0 −nx
− ny nx 0
0 −nz ny 0 −nz ny
= nz 0 −nx nz 0 −nx
− ny nx 0 − ny nx 0
−n2y − n2z nx ny nx nz
= nx ny −n2z − n2x ny nz
2 2
nx nz ny nz −nx − ny
2
nx nx ny nx nz 1 0 0
= nx ny n2y ny nz − 0 1 0
nx nz ny nz n2z 0 0 1
= nnT − I, (644)
¡ ¢
onde utilizamos o fato de que o vetor n é normalizado n2x + n2y + n2z = 1 , e
a quantidade nnT , chamado de diadica,
2
nx ¡ ¢ nx nx ny nx nz
nnT ≡ ny nx ny nz = nx ny n2y ny nz . (645)
nz nx nz ny nz n2z
201
Note que
P// + P⊥ = I, (648)
e
2
P// = P// , (649)
P⊥2 = P⊥ . (650)
então,
r// = Const. × n, (651)
onde Const = (nT · r). O vetor P// r é, portanto, a projeção do vetor r
na direção n. Em particular,
P// n = n. (652)
então,
nT · r⊥ = 0. (653)
O vetor P⊥ r é, portanto, a projeção do vetor r na direção perpendicular
a n dentro do plano formado de r e n. Em particular,
P⊥ n = 0. (654)
202
Exercício: As matrizes P// , P⊥ são chamadas de projetor. Considere o sig-
nificado das equações,(649,650) do ponto de vista do projetor.
Exercício: Prove que os autovalores de um projetor é 0 e 1.
203
onde utilizamos as expressões;
1 3 1 5 X∞
(−1)n−1/2 n
sin θ = θ − θ + θ + · · · = θ , (660)
3! 5! n=1
n!
ı́mpar
1 1 X ∞
(−1)n/2 n
cos θ = 1 − θ2 + θ4 + · · · = θ . (661)
2! 4! n=0
n!
par
204
onde N2 e N3 são as constantes de normalização. A base, {e1 , e2 , e2 } é de-
strogira nesta ordem.
U T U = UU T = 1,
A → A0 = U AU −1 ,
sendo,
eT1 h ³ ´i ¡ ¢
A0 = eT2 P// + cos θ P⊥ + sin θ nT · Σ e1 e2 e3
eT
3
1 0 0
= 0 cos θ − sin θ . (663)
0 sin θ cos θ
205
Aqui, utlizamos as propriedades,
Nesta base, a matriz da rotação tem a forma bem familiar. Isto é, a rotação
com ângulo θ em torno do primeiro eixo. Já vimos que os autovalores da
matriz desta forma são 1 e e±iθ . Considerando que a transformação da base
não altera os autovalores (ver a Eq.(623), provamos que os autovalores de
quauler matriz de rotação A(θ) é sempre 1 e e±iθ .
206
A (t) representa a rotação do sistema de coordenadas fixo no objeto. Para
cada instante, sempre existe θ com que podemos escrever
θ = θ (t) . (669)
e, consequentemente,
207
portanto,
d
rC (t) = 0.
dt P ∈Ω
208
Temos
(c)
hex (t)| ¯
d (c) ∂|P (t)i ¯¯
rC (t) = hey (t)| . (674)
dt (c) ∂t ¯C
hez (t)|
Agora, o derivado temporal do vetor de coordenadas para um observador fixo
no espaço fica
hex |
d d|P (t)i d
r = hey | + r0 ,
dt dt dt
hey |
já que a base {|ex i, |ey i, |ey i} não muda no tempo. Por outro lado, usando a
Eq.(568), temos
µ ¶ µ ¶
d dA drc d
r= rC + A + r0
dt dt dt dt
(c)
µ ¶ hex (t)| ¯
dA T (c) ∂|P (t)i ¯¯ d
= A (r − r0 ) + A hey (t)| ¯ + r0
dt (c) ∂t C dt
hez (t)|
µ ¶ hex | ¯
dA T ∂|P (t)i ¯¯ d
= A (r − r0 ) + hey | ¯ + r0 , (675)
dt ∂t dt
hez | C
Por outro lado, a derivada dA/dt pode ser calculada pela definição,
dA A(t + dt) − A(t)
= . (677)
dt dt
Devemos lembrar que a matriz A(t + dt) é dada pelas transformações suces-
sivas,
A(t + dt) = A(t → t + dt)A(t) (678)
onde A(t → t+dt) é a transformação correspondente ao intervalo infinitesimal
do tempo, dt.
209
Pela transformação infinitesimal que já discutimos, temos
−→
A(t → t + dt) = I + ∆θ · Σ, (679)
−→
onde ∆θ é um vetor infinitesimal que corresponde a rotação infinitesimal do
tempo t para o tempo t+dt. É fundamental notar que este vetor infinitesimal
não é a diferença dos dois vetores θ (t + dt) e θ (t) , ou seja,
−→
∆θ 6= θ (t + dt) − θ (t) = dθ !!
então,
−→
A(t → t + dt) = e∆θ·Σ eθ(t)·Σ .
Por outro lado,
Assim,
−→
e{θ(t)+dθ}·Σ = e∆θ·Σ eθ(t)·Σ .
Multiplicando a matriz inversa do eθ(t)·Σ do lado direito, temos
−→
e∆θ·Σ = e{θ(t)+dθ}·Σ e−θ(t)·Σ . (680)
210
são matrizes. O fato importante, diferente do caso de simples número, não
vale a regra,
eM eN = eM+N (errado!).
Isto porque, a exponenciação de matriz é definida por
X∞
1 n
M
e = M ,
n=0
n!
X∞
1 n
N
e = N ,
n=0
n!
e caso M e N não comuta,
Ã∞ !à ∞ !
X 1 X 1 X 1
Mn N n 6= (M + N)n .
n=0
n! n=0
n! n!
Para ver que forma fica o produto de dois exponenciais, eM eN , vamos intro-
duzir o parâmetro t
eMt eNt = eF (t)
e expandimos F (t) em série de t.
1 1
F (t) = F1 t + F2 t2 + F3 t3 + · · ·
2! 3!
onde F1 , F2 ... são matrizes a serem determindadas. Temos
2 +F t3 +···
eMt eNt = eF1 t+F2 t 3
211
Fazendo t = 0, temos
M + N = F1 ,
M + 2MN + N 2 = F12 + F2 ,
2
..
.
F2 = M 2 + 2MN + N 2 − (M + N)2
= MN − NM
= [M, N ] ,
212
comutam.
Podemos calcular a variação temporal da matriz A (t) . Temos
dA A (t + dt) − A (t)
=
dt dt
1 ³³ ´ ´
= I + dθ · Σ A (t) − A (t)
³dt ´
= ω · Σ A (t) ,
−→
onde introduzimos o vetor da velocidade angular, ω = ∆θ/dt32 . Substituindo
esta expressão na Eq.(675), temos
³ ´ hex | ¯
d ∂|P (t)i ¯
r = ω · Σ (r − r0 ) + hey | ¯ + d r0
dt ∂t ¯C dt
hez |
¯
∂r ¯¯ d
= ω × (r − r0 ) + + r0 , (681)
∂t ¯C dt
onde abreviamos o último termo usando a notação,
hex | ¯ ¯
∂|P (t)i ¯ ∂r ¯
hey | ¯ = ¯ , (682)
∂t ¯C ∂t ¯C
hez |
pois este termo é a representação do vetor ∂|P (t)i/∂t|C na base {|ex i, |ey i, |ey i}.
Utilizamos também a propriedade das matrizes Σ = (Σ1 , Σ2 , Σ3 )
³ ´
a · Σ b = a × b. (683)
213
em torno deste ponto que é descrita em termos de A(t). Em primeiro lugar,
vamos estudar o movimento de um corpo com um ponto fixo no expaço. Neste
caso, o movimento do corpo é uma sucessão contínua de rotações em torno do
ponto fixo |r0 i. Vamos escolher o ponto fixo como a origem comun dos dois
sistemas de coordenadas, um intrinsêco, outro fixo no espaço. O corpo rígido
é um conjunto de todos os pontos constituintes cujas coordenadas denotamos
por rC no sistema de coordenadas intrinsêco.
Seja |P (t)i o vetor no espaço de um ponto do corpo rígido33 P no instante
t. Seja R (t) a rotação do corpo rígido da configuração inicial t = 0 para a
configuração do tempo t. Então,
∀
|P (t)i = R (t) |P (0)i, P ∈ Ω, (684)
onde,
hex |
A (t) = hey | R (t) (|ex i |ey i |ey i) (686)
hez |
hex |R (t) |ex i hey |R (t) |ex i hez |R (t) |ex i
= hex |R (t) |ey i hey |R (t) |ey i hez |R (t) |ey i , (687)
hex |R (t) |ez i hey |R (t) |ez i hez |R (t) |ez i
e
hex |
rC = hey | |P (0)i = r(0). (688)
hez |
A equação acima mostra que, neste caso, o vetor de coordenadas intrinsecas
pode ser identificado como o vetor de coordenadas fixo no espaco no instante
t = 0. A dependência temporal é reflexo da transformação que depende no
tempo.
Vamos calcular a energia cinética do sistema. Como escolhemos o ponto
fixo como a origem, e o vetor rC se move junto com o sistema de coordenadas
33
Como antes, denotamos por Ω o conjunto de todos os pontos do corpo.
214
intrinseco, temos
r0 = 0,
¯
¯
∂r ¯
= 0,
∂t ¯C
dr
= ω × r, (689)
dt
onde ω ≡ dθ/dt.
A energia cinética total T do corpo é dada como a soma das energias
cinéticas dos todos os pontos constituintes do corpo. Assim, temos
X1 µ ¶2
dr(P ; t)
T = µ(P ) , (690)
P ∈Ω
2 dt
µ → ρdV.
215
X1
T = µ(P ) {ω × r}2
P ∈Ω
2
X1
= µ(r) (ω × r)T (ω × r)
P ∈Ω
2
1X
= µ(P ) ω · (r × ω × r)
2 P ∈Ω
1X
= µ(P ) [(ω · ω) (r · r) − (ω · r) (r · ω)]
2 P ∈Ω
à !
1 T X £ 2 ¡ T ¢¤
= ω µ(P ) r I − r r ω
2 P ∈Ω
1
≡ ωT I ω (692)
2
A quantidade, X £ ¡ ¢¤
I= µ(P ) r2 I − r rT (693)
P ∈Ω
sendo X £ ¤
Iij = µ(P ) r2 (P )δij − xi (P ) xj (P ) , (695)
P ∈Ω
δij = 1, se i = j,
= 0, se i 6= j. (696)
216
e denotamos as coordenadas Cartesianas (em termos da base fixa no espaço)
do ponto P , x, y e z por x1 , x2 e x3 , respectivamente.
x1
r = x2 . (697)
x3
Naturalmente
X
3
2
r = x2i = rT · r (698)
i=1
Iij = Iji ,
ou seja,
I = IT .
ωi = hei |ωi,
xi = hei |P i,
217
onde os vetores, |ωi e |P i são as quantidades independente de base. A energia
cinética fica nesta notação,
1 XX X
3 3
£ ¤
T = ωi ωj µ(P ) r2 δij − xi xj
2 i=1 j=1 P ∈Ω
" 3 #
1 XX X X
3 3
= hei |ωi hej |ωi µ(P ) hP |ek i hek |P iδij − hei |P i hej |P i
2 i=1 j=1 P ∈Ω k=1
1 XX X
3 3
= hω|ei i µ(P ) [hP |P iδij − hei |P i hP |ej i] hej |ωi
2 i=1 j=1 P ∈Ω
" #
1 X
= hω| µ(P ) (I hP |P i − |P i hP |) |ωi. (699)
2 P ∈Ω
ha|bi = hb|ai,
X
3
|ei i hei | = I,
i=1
218
Quando um observador utilza um sistema de coordenadas com os vetores
de base {|e01 i, |e02 i, |e03 i}, a matriz correspondente ao tensor de momento de
inercia fica
Iij0 = he0i |Ib |e0j i. (702)
Utilizando a completeza da base,
X
3
|ei i hei | = I,
i=1
podemos escrever
X
3 X
3
Iij0 = he0i |Ib | I |e0j i = he0i |ej i hej |Ib |ek i hek |e0j i
l=1 k=1
X
3 X
3
= he0i |ej i Ijk hek |e0j i, (703)
l=1 k=1
34
Ingles: rank
219
que é uma quantidade independente da base em uso. Vemos que
xi = hr|ei ; ti, i = 1, 2, 3
220
Z
m m
m
m
m
m y
m m
0 1 1 1
221
A soma do primeiro termo fica
X
7
m r(l)2 I = ma2 (1 + 1 + 1 + 2 + 2 + 2 + 3) I = 12a2 I,
l=1
Assim, temos
8 −2 −2
I = ma2 −2 8 −2 .
−2 −2 8
Solução: Neste caso, o somatório sobre os elementos do corpo deve ser uma
integral. Utiliando o sistema de coordenadas esfericas,
r sin θ cos φ
r = r sin θ sin φ ,
r cos θ
222
temos
Z
£ ¤
I= d3 r ρ r2 I − r rT
Ω
Z a Z π Z 2π
2
=ρ r dr sin θdθ dφ
0 0 0
1 − sin2 θ cos2 φ − sin2 θ cos φ sin φ − cos θ sin θ cos φ
r − sin θ cos φ sin φ 1 − sin2 θ sin2 φ
2 2
− cos θ sin θ sin φ
− cos θ sin θ cos φ − cos θ sin θ sin φ 1 − cos2 θ
8
Z a π 0 0
= 8π ρa5 I = 2
3
=ρ r4 dr 0 8
3
π 0 Ma2 I
0 8 15 5
0 0 3
π
onde M = 4πa3 ρ/3 é a massa da esfera.
223
com ¯ (i) ¯
¯u ¯ = 1, i = 1, 2, 3. (711)
© (1) (2) (3) ª
Os vetores da base u , u , u são chamados os eixos principais do sis-
tema em relação ao ponto fixo. A matriz do momento de inercia nesta base
(diagonal) é o momento de inercia intrinsêco do sistema.
Podemos ver que a Eq.(708) é a representação do tensor de momento de
inercia na base de seu autovetores. Para verificar, podemos lembrar a nossa
convenção de que um vetor de coluna x é a representação do vetor |xi no
espaço, na base {|ex i, |ey i, |ez i} ,
x hex |xi
y = hey |xi (712)
z hez |xi
Assim,
¡ ¡ (1) ¢ ¡ (2) ¢ ¡ (3) ¢ ¢
U= u u u
hex |u i hex |u i hex |u(3) i
(1) (2)
224
de coluna transformado pela matriz U T de um vetor geral da Eq.(712) fica
0
x x x
y → y0 = U T y
z z0 z
(1)
hu | ¡ ¢ he x |xi
= hu(2) | |ex i, |ey i, |ez i hey |xi
hu(3) | hez |xi
(1)
hu |
= hu(2) | {|ex i hex |xi + |ey i hey |xi + |ey i hex |xi}
hu(2) |
(1)
hu |
= hu(2) | {|ex i hex | + |ey i hey | + |ey i hex |} |xi
hu(3) |
(1) (1)
hu | hu |xi
= hu(2) | |xi = hu(2) |xi . (714)
(3) (3)
hu | hu |xi
Assim,
x0 = hu(1) |xi,
y 0 = hu(2) |xi,
z 0 = hu(3) |xi,
mostrando
© (1) que o vetor
ª (x0 , y 0 , z 0 ) é a representação do vetor |xi na base
|u i, |u(2) i, |u(3) i .
Num sistema de coordenadas fixo no espaço, os eixos principais de um
corpo em movimento variam no tempo, mas a matriz do momento de iner-
cia intrinsêco é uma matriz constante. A matriz do tensor no sistema de
coordenada fixo, I é dada pela relação inversa da Eq.(708),
I = UI0 U T . (715)
A matriz de transformação da base
¡ ¡ (1) ¢ ¡ (2) ¢ ¡ (3) ¢ ¢
U= u u u (716)
© ª
depende no tempo, pois os vetores u(1) , u(2) , u(3) variam acompanhando o
movimento do corpo.
225
Exercício: Prove que se as duas matrizes simétricas, A e B, estão rela-
cionadas pela transformação orthogonal,
B = UAU T ,
com
UU T = I,
então ambas matrizes possuem mesmos autovalores e autovetores.
Exercício: Obtenha os autovalores e autovetores do tensor de momento de
inercia do cubo no Exemplo 1.
F (P ) ≡ hP |I|Pb i (717)
© (1) ª
é um escalar. Se utilizamos a base intrinsêca, |u i, |u(2) i, |u(3) i , temos
à 3 ! à 3 !
X X
F (P ) = hP | |u(i) i hu(i) | Ib |u(j) i hu(j) | |P i
i=1 j=1
X
3 X
3
= Iij xi xj
i=1 j=1
X
3
= Ii x2i = I1 x21 + I2 x22 + I3 x23 , (718)
i=1
xi = hu(i) |P i,
b (j) i = Ii δij .
Iij = hu(i) |I|u (719)
F (P ) = Const. (720)
226
estão na superfície de um elipsoide. Em particular, se escolhemos F (P ) = 1,
temos a forma padrão da superfície do elipsoide,
227
Ir
P
r
rP − r1 = rP − r0 + r0 − r1
≡ rP,0 + ∆r,
228
onde
rP,0 = rP − r0
é o vetor da posição do ponto P medido do ponto r0 e
∆r0 = r0 − r1
(726)
229
Note que se escolhemos o ponto r0 como o centro de massa do sistema, então,
R0 = 0,
e o termo no meio da Eq.(727) se anula.
Finalmente, o tensor de momento de inercia de um corpo rígido em relação
à um ponto arbitrário r fica escrita por
· ³ ´2 ³ ´³ ´T ¸
I (r) = I (CM) + M I RCM − r − RCM − r RCM − r , (728)
230
Tendo a energia cinética e o potencial em termos de θ e ω, agora, podemos
escrever a Lagrangiana de um corpo rígido.
L = T − VT
1
= ωT Iω − VT (θ). (732)
2
Por outro lado, O princípio de Hamilton ( o Princípio de Mínima Ação) para
esta Lagrangiana leva a equação de Euler-Lagrange,
d ∂VT
(Iω) = − , (733)
dt ∂θ
onde
∂VT /∂θx
∂VT
= ∂VT /∂θy . (734)
∂θ ∂VT /∂θz
Como já vimos, o momento conjugado de um ângulo é o momento angular.
Isto é, o momento angular J do sistema é
J = Iω. (735)
δVT = VT (θ + δ θ) − VT (θ)
X X
= V (rP + δrP ) − V (rP ), (736)
P ∈Ω P ∈Ω
231
Sendo δ θ infinitesimal, podemos expandir V (rP + δrP ) por
onde
fP = −∇V (rP )
é a força que exerce no ponto P e, portanto, rP × fP é o torque τP desta força
no ponto P em relacão a origem do sistema de coordenadas. Da Eq.(739),
temos
dV X³ ´
=− rP × fP
dθ P ∈Ω
X
=− τP
P ∈Ω
= −T , (740)
dJ
= T. (741)
dt
Como já vimos no caso geral, aqui, se o torque total T for nulo, então o
momento angular total é a quantidade conservada. Mas, note que isto não
232
significa necessariamente que o vetor de velocidade angular fique constante.
O que é conservada é
J = I ω, (742)
mas em geral cada um dos fatores, ou seja I e ω, podem variar no tempo.
Em outras palavras, dJ/dt = 0 não implica dω/dt = 0 devido ao fato de
233
dI/dt 6= 0. 36 Isto só acontece se a direção do vetor ω coincide com a direção
de num dos eixos principais de I. Para ver isto, se ω está numa das direções
36
Para ver como o tensor de momento de inercia varia no tempo, vamos utlizar a Eq.(715)
com ¡ ¢
U= x(1) x(2) x(3) . (743)
Quando o corpo rígido roda, então, os vetores de eixos principais também rodam. As
variações temporal destes vetores são dadas pela Eq.(??),
d (i) ³ ´
x = ω × x(i) = ω · Σ x(i) , i = 1, 2, 3. (744)
dt
e portanto,
d ³ ´
U = ω · Σ U, (745)
dt
onde Σ é o vetor das matrizes já utlizado na Eq.(??). Por outro lado, já que
U T U = I,
h³ ´ i
= ω · Σ ,I , (747)
234
dos autovetores do I, temos
Iω = λω, (749)
com λ é um dos autovalores e, portanto, uma constante. Então,
µ ¶
d d
(Iω) = λ ω .
dt dt
235
z
θ
ψ
O
y
φ
x
Fig.11 Coordenadas para um pião
Na base fixo no espaço, este operador é representado pela matriz A(θ, φ, ψ),
por sua vez é dada por
236
onde Az (φ) , Az (θ) e Az (ψ) são as representações dos operadores, Rz (φ) , Ry (θ)
eRz (ψ), respectivamente. Isto é,
cos φ sin φ 0
Az (φ) = − sin φ cos φ 0 , (751)
0 0 1
cos θ 0 − sin θ
Az (θ) = 0 1 0 , (752)
sin θ 0 cos θ
cos ψ sin ψ 0
Az (ψ) = − sin ψ cos ψ 0 . (753)
0 0 1
Assim, temos
cos φ − sin φ 0 cos θ 0 sin θ cos ψ − sin ψ 0
A (φ, θ, ψ) = sin φ cos φ 0 0 1 0 sin ψ cos ψ 0
0 0 1 − sin θ 0 cos θ 0 0 1
cos φ cos θ cos ψ − sin φ sin ψ − cos φ cos θ sin ψ − sin φ cos ψ cos φ sin θ
= sin φ cos θ cos ψ + cos φ sin ψ − sin φ cos θ sin ψ + cos φ cos ψ sin φ sin θ .
− sin θ cos ψ sin θ sin ψ cos θ
(754)
O vetor de coluna no sistema fixo no espaço é transformado para o vetor do
sistema de coordenadas intrisêco do pião por
xc x x
yc = A−1 y = AT y
zc z z
cos φ cos θ cos ψ − sin φ sin ψ sin φ cos θ cos ψ + cos φ sin ψ − sin θ cos ψ x
= − cos φ cos θ sin ψ − sin φ cos ψ − sin φ cos θ sin ψ + cos φ cos ψ sin θ sin ψ y .
cos φ sin θ sin φ sin θ cos θ z
x
= A (φ, θ, ψ) y ,
T (755)
z
onde
cos φ cos θ cos ψ − sin φ sin ψ sin φ cos θ cos ψ + cos φ sin ψ − sin θ cos ψ
AT (φ, θ, ψ) = − cos φ cos θ sin ψ − sin φ cos ψ − sin φ cos θ sin ψ + cos φ cos ψ sin θ sin ψ
cos φ sin θ sin φ sin θ cos θ
237
é a matriz da transformação de coordenadas do sistema fixo no espaço para
o sistema fixo no pião (rotação passiva). De fato, por exemplo, o vetor do
eixo do pião
sin θ cos φ
n = sin θ sin φ
cos θ
se transforma como
nc = AT (φ, θ, ψ) n
0
= 0 , (756)
1
238
Eq.(754);
− sin φ − cos φ 0 cos θ 0 sin θ cos ψ − sin ψ 0
dA
= φ̇ cos φ − sin φ 0 0 1 0 sin ψ cos ψ 0
dt
0 0 0 − sin θ 0 cos θ 0 0 1
cos φ − sin φ 0 − sin θ 0 cos θ cos ψ − sin ψ 0
+ θ̇ sin φ cos φ 0 0 0 0 sin ψ cos ψ 0
0 0 1 − cos θ 0 − sin θ 0 0 1
cos φ − sin φ 0 cos θ 0 sin θ − sin ψ − cos ψ 0
+ ψ̇ sin φ cos φ 0 0 1 0 cos ψ − sin ψ 0
0 0 1 − sin θ 0 cos θ 0 0 0
Sabemos que
dA
= (ω · Σ) A, (758)
dt
podemos obter ω pela
dA −1 dA T
ω·Σ= A = A .
dt dt
Vamos calcular o termo por termo. A parte que é proporcional a φ̇ fica
dAz (φ)
φ̇ Ay (θ) Az (ψ) (Az (φ) Ay (θ) Az (ψ))T
dφ
dAz (φ)
= φ̇ Ay (θ) Az (ψ) Az (ψ)T Ay (θ)T Az (φ)T
dφ
− sin φ − cos φ 0 cos φ − sin φ 0
dAz (φ)
= φ̇ Az (φ)T = φ̇ cos φ − sin φ 0 sin φ cos φ 0
dφ
0 0 0 0 0 1
− sin φ − cos φ 0 cos φ sin φ 0
= φ̇ cos φ − sin φ 0 − sin φ cos φ 0
0 0 0 0 0 1
0 −1 0
= φ̇ 1 0 0 .
0 0 0
239
A parte que é porporcional a θ̇ fica
dAy (θ)
θ̇ Az (φ) Az (ψ) (Az (φ) Ay (θ) Az (ψ))T
dθ
dAy (θ)
= θ̇ Az (φ) Ay (θ)T Az (φ)T
dθ
− sin θ 0 cos θ cos θ 0 − sin θ
= θ̇ Az (φ) 0 0 0 0 1 0 Az (φ)T
− cos θ 0 − sin θ sin θ 0 cos θ
0 0 1
= θ̇ Az (φ) 0 0 0 Az (φ)T
−1 0 0
cos φ − sin φ 0 0 0 1 cos φ sin φ 0
= θ̇ sin φ cos φ 0 0 0 0 − sin φ cos φ 0
0 0 1 −1 0 0 0 0 1
0 0 cos φ
= θ̇ 0 0 sin φ .
− cos φ − sin φ 0
240
A parte que é porporcional a ψ̇ é
dAz (ψ)
ψ̇Az (φ) Ay (θ) (Az (φ) Ay (θ) Az (ψ))T
dψ
0 −1 0
= ψ̇Az (φ) Ay (θ) 1 0 0 Ay (θ)T Az (ψ)T
0 0 0
cos θ 0 sin θ 0 −1 0 cos θ 0 − sin θ
= ψ̇Az (φ) 0 1 0 1 0 0 0 1 0 Az (ψ)T
− sin θ 0 cos θ 0 0 0 sin θ 0 cos θ
0 − cos θ 0
= ψ̇Az (φ) cos θ 0 − sin θ Az (ψ)T
0 sin θ 0
cos φ − sin φ 0 0 − cos θ 0 cos φ sin φ 0
= ψ̇ sin φ cos φ 0 cos θ 0 − sin θ − sin φ cos φ 0
0 0 1 0 sin θ 0 0 0 1
0 − cos θ sin φ sin θ
= ψ̇ cos θ 0 − cos φ sin θ .
− sin φ sin θ cos φ sin θ 0
Assim, temos
0 −1 0 0 0 cos φ
ω · Σ = φ̇ 1 0 0 + θ̇ 0 0 sin φ
0 0 0 − cos φ − sin φ 0
0 − cos θ sin φ sin θ
+ ψ̇ cos θ 0 − cos φ sin θ
− sin φ sin θ cos φ sin θ 0
0 −φ̇ − ψ̇ cos θ θ̇ cos φ + ψ̇ sin φ sin θ
= φ̇ + ψ̇ cos θ 0 θ̇ sin φ − ψ̇ cos φ sin θ .
−θ̇ cos φ − ψ̇ sin φ sin θ −θ̇ sin φ + ψ̇ cos φ sin θ 0
241
concluimos que
−θ̇ sin φ + ψ̇ cos φ sin θ
ω = θ̇ cos φ + ψ̇ sin φ sin θ .
φ̇ + ψ̇ cos θ
36.12 Hamiltoniana
Podemos calcular a Hamiltoniana. A Hamiltoniana é dada por
H = ωT · J − L
1
= ω T · J + VT (θ).
2
Já que
J = Iω,
temos o vetor da velocidade angular ω em termos de momento angular37
ω = I −1 J. (759)
242
do vetor de momento angular é escrita em termos de derivada temporal no
sistema intrinsêco por
µ ¶
d ∂
J= J + ω × J.
dt ∂t C
243
36.14 Movimento de Um Corpo Rígido na Ausênsica
de Torque
Quando não há torque,
dω1
I1 dt (I2 − I3 ) ω2 ω3
I2 dω2 − (I3 − I1 ) ω3 ω1 = 0. (765)
dt
I3 dω
dt
3
(I1 − I2 ) ω1 ω2
2. Conservação da energia,
1 b
hω|I|ωi = E = Const. (767)
2
244
O
h=const.
Iω
Fig:10 Movimento do elipsoide
A Eq.(767) fica
I1 ω12 + I2 ω22 + I3 ω32 = 2E. (770)
245
Sem perder a generalidade, vamos supor que
I3 ≤ I2 ≤ I1 , (771)
ou seja, I1 é o mair dos momentos de inercia principais, e I3 o menor. Assim,
se substituimos I12 e I22 na Eq.(769) por I1 I3 e I2 I3 , respectivamente, temos
menor valor do que antes, ou seja,
I1 I3 ω12 + I2 I3 ω22 + I32 ω32 ≤ 2
.
Mas, ¡ ¢
I1 I3 ω12 + I2 I3 ω22 + I32 ω32 = I3 I1 ω12 + I2 ω22 + I3 ω32 = 2I3 E
da Eq.(770). Portanto, concluimos que
2
2I3 E ≤ . (772)
Analogamente
2
2I1 E ≥ . (773)
Isto é, temos
2 2
≤E≤ . (774)
2I1 2I3
Naturalmente, se
I1 = I2 = I3 = I,
temos
2
E= . (775)
2I
246
Estas constituem um sistema linear para ω12 , ω22 e ω32 . Temos
2 −1 2
ω1 1 1 1 ω
ω22 = I12 2
I2 I32 2
ω32 I1 I2 I3 2E
ou
I2 I3 ¡ 2 ¢
ω12 = ω − Ω21 ,
(I1 − I2 ) (I1 − I3 )
I3 I1 ¡ 2 ¢
ω22 = ω − Ω22 ,
(I2 − I3 ) (I2 − I1 )
I1 I2 ¡ 2 ¢
ω32 = ω − Ω23 ,
(I3 − I1 ) (I3 − I2 )
onde
2E (Ij + Ik ) − 2
Ω2i
= , (i, j, k) = (1, 2, 3) .
Ij + Ik
No caso de I1 > I2 > I3 , temos
s
I2 I3
ω1 = ± (ω 2 − Ω21 ), (777)
(I1 − I2 ) (I1 − I3 )
s
I3 I1
ω2 = ± (Ω2 − ω 2 ), (778)
(I2 − I3 ) (I1 − I2 ) 2
s
I1 I2
ω3 = ± (ω 2 − Ω23 ) . (779)
(I1 − I3 ) (I2 − I3 )
ωc = M (φ, θ, ψ) ω
cos φ cos θ cos ψ − sin φ sin ψ sin φ cos θ cos ψ + cos φ sin ψ − sin θ cos ψ −θ̇ sin φ +
= − cos φ cos θ sin ψ − sin φ cos ψ − sin φ cos θ sin ψ + cos φ cos ψ sin θ sin ψ θ̇ cos φ +
cos φ sin θ sin φ sin θ cos θ φ̇ +
−φ̇ sin θ cos ψ + θ̇ sin ψ
= φ̇ sin θ sin ψ + θ̇ cos ψ . (782)
φ̇ cos θ + ψ̇
248
pião em termos de ângulos de Euler fica
1
T = ωC I0 ωC
2·
1 ³ ´2 ³ ´2 ¸ 1³ ´2
= −φ̇ sin θ cos ψ + θ̇ sin ψ + φ̇ sin θ sin ψ + θ̇ cos ψ I⊥ + φ̇ cos θ + ψ̇ IL
2 2
h
1 2 i 1 ³ ´2
= θ̇ + φ̇2 sin2 θ IT + φ̇ cos θ + ψ̇ IL . (784)
2 2
Por outro lado, a energia potencial vem somente da força gravitacional, e
UG = MG cos θ, (785)
L=T −V
1h 2 2 2
i 1³ ´2
= θ̇ + φ̇ sin θ IT + φ̇ cos θ + ψ̇ IL − MG cos θ. (786)
2 2
As veriáveis φ e ψ são coordenadas cíclicas. Portanto, os momentos corre-
spondentes,
∂L ³ ´
2
pφ = = φ̇ sin θ IT + cos θ φ̇ cos θ + ψ̇ IL , (787)
∂ φ̇
∂L ³ ´
pψ = = φ̇ cos θ + ψ̇ IL , (788)
∂ ψ̇
são as constantes de movimento. O momento para θ é
pθ = θ̇IT . (789)
249
Sabemos que a Hamiltoniana é quantidade conservada neste caso, temos
u = cos θ.
Z θ
√ Z √
IT dθ IT du
p =− s ½ ¾
θ0 2 (E − U (θ)) (pφ −pψ cos θ)
2
1 2
sin θ 2 E − 2IT sin2 θ − p
2IL ψ
− MG cos θ
Z
IT du
=− r h i
2 1 2
− (pφ − pψ u) + 2IT E − 2IL pψ − MG u (1 − u2 )
Z
IT du
=− √ p . (795)
2MG f (u)
√
A função f (u) dentro de no denominador é um polinômio de terceira grau
em u, sendo
f → ±∞, u → ±∞,
f (±1) = − (pφ ∓ pψ )2 /2IT MG < 0,
f (u) < 0,
250
para −1 < u = cos θ < 1, então não há movimento real. Assim, para uma
situação física, f (u) = 0 deve possuir mais dois raízes reais, u1 e u2 , tal que
−1 ≤ u1 ≤ u2 ≤ +1.
u = u1 + (u2 − u1 ) sin2 ζ,
então,
Z Z
du dζ
p = p ≡ E(ζ; k). (796)
(u2 − u) (u − u1 ) (u0 − u) 1 − k 2 sin2 ζ
onde
u2 − u1
k2 = < 1.
u0 − u1
Assim, temos √
2MG
E(ζ; k) = (t − t0 ) . (797)
IT
Para dada solução θ = θ (t), podemos obter as outras variáveis em função do
tempo. Da Eqs.(787) e (788), temos
ou
1 pφ − u pψ
φ̇ = . (799)
IT 1 − u2
A variação do ângulo φ representa a precessão do eixo do pião em torno do
eixo Z. A variação temporal de u = cos θ do pião é chamada nutação. Com
isto, formalmente estaria completa a solução do problema do pião. Pode-
mos analisar ainda qualitativamente as diversas formas do movimento de um
pião, em particular, em torno do ponto de equilíbrio, mas não entramos na
discussão mais detalhada no momento.
251
Part VIII
Dinâmica de Meio Contínuo -
Teoria Clássica dos Campos
37 Limite de n → ∞ do sistema de Massas
ligadas por Molas
A Lagrangeana Eq.(482) na seção anterior serve como o ponto de partida
para formular, por exemplo, o fenômeno de propagação de onda num meio
contínuo. Em vez de indexar as variáveis ζi ’s pelo i, consideramos como
função da posição de equilíbrio, digamos, xi ,
ζi = ζ(xi ). (800)
onde
x = x −1 + ∆, = 1, ..., n (801)
com ∆ o comprimento natural da mola. A Lagrangeana fica
X
n µ ¶2 X
n+1
1 dζ k
L= M − (ζ − ζ −1 )2
=1
2 dt =1
2
X
n µ X
n+1 ¶2
1 ∂ζ(x , t) k
= M − (ζ(x ; t) − ζ(x −1 ; t))2
=1
2 ∂t =1
2
(µ ¶2 µ ¶2 )
1 X n
∂φ(x , t) φ(x ; t) − φ(x − ∆; t)
= ∆ −D ,
2 =1 ∂t ∆
252
Agora, vamos considerar o sistema composto de, por exemplo, o doblo
de número de massas e molas, mas mantendo constantes a massa total e a
constante de mola do sistema como todo. Neste caso, como vimos antes,
a constante de mola da cada uma das molas deve ser reduzida a metade.
Em geral, se consideramos o sistema contínuo como o limite de n infinito,
devemos tomar o limite tal que
n → ∞,
∆ × (n + 1) = Const = xf − x0 ,
k/n = Ktot = Const.,
Mn = Mtot = Const.,
onde ktot e Mtot são as constantes de mola do sistema como todo e a massa
total do sistema, respectivamente. Neste limte, note que D tende a constante,
ktot n2 ktot
D= (xf − x0 ) 2 → (xf − x0 ) .
Mtot (n + 1) Mtot
c2 = D (805)
253
é a velocidade da propagação da onda. Isto é, a Lagrangeana que fornece a
equação de onda para uma função φ(x, t) é dada por
Z (µ ¶ µ ¶2 )
2
1 xf ∂φ ∂φ
L= dx − c2 . (806)
2 x0 ∂t ∂x
254
Vamos utlizar de volta a variável x em vez de . Como na Eq.(801), estes
são relacionadas por
xf − x0
x − x0 = ∆ = .
n+1
onde ∆ é o intervalo entre dois x0 s consecutivos. Assim, xi é o valor da
coordenada x da −esima massa. Com isto, temos
mπ
f → f (x ) ∝ sin (x − x0 ) ,
xf − x0
No limite n → ∞, ∆ → 0,portanto, x tende como se fosse uma variável
contínua (x − x −1 = ∆x → 0). Assim, no limite contínuo, o autovetor se
torna uma função contínua,
µ ¶
πm
ζm → fm (x) ∝ sin (x − x0 ) = sin km (x − x0 ) , (809)
xf − x0
onde definimos
πm
km = . (810)
xf − x0
A frequência correspondente é dada por
µ ¶
π m
ωm = 2ω0 sin
2n+1
√ µ ¶
D π ∆
= sin m
∆ 2 (xf − x0 )
√ µ ¶
D 1
= sin km ∆
∆ 2
√
→ Dkm = ckm .
As soluções correspondentes aos modos normais (Eq.(500)) ficam então,
{sin (ωm t) sin (km x) , cos (ωm t) sin (km x)} ,
sendo,
ωm = ckm
Assim, a solução geral da equação de onda, satisfazendo a condição de con-
torno Eq.(807) pode ser escrita como uma combinação linear da forma,
X
∞
φ(x, t) = {Am sin (ωm t) sin (km x) + Bm cos (ωm t) sin (km x)} .
m=1
255
Podemos verificar diretamente que a expressão acima satifaz a equação de
onda, Eq.(804), inclusive a condição de contorno, Eq.(807).
A condição de contorno para o campo não necessariamente sempre é dada
por Eq.(807). A solução que corresponde a condição de contorno mais geral
é dada por
X
∞
φ(x, t) = {Am sin (ωm t) sin (km x) + Bm cos (ωm t) sin (km x)}
m=1
X
∞
+ {Cm sin (ωm t) cos (km x) + Dm cos (ωm t) cos (km x)} . (811)
m=1
256
onde a variação δφ = δφ(x, t) é uma função arbitrária, com a condição de
δφ = 0,
δI = I [φ + δφ] − I [φ]
Z Z ½ µ ¶ µ ¶¾
∂(φ + δφ) ∂ (φ + δφ) ∂φ ∂φ
= dtdx L φ + δφ, , − L φ, ,
Ω ∂t ∂x ∂t ∂x
Z Z ( )
∂L ∂L ∂ (δφ) ∂L ∂ (δφ)
= dtdx δφ + ¡ ∂φ ¢ + ¡ ∂φ ¢ ,
Ω ∂φ ∂ ∂t ∂t ∂ ∂x ∂x
temos
Z Z ( )
∂L ∂ ∂L ∂ ∂L
δI = dtdx − ¡ ¢− ¡ ∂φ ¢ δφ
Ω ∂φ ∂t ∂ ∂φ ∂x ∂
I (à ! Ã∂t ! ∂x)
∂L ∂L
− ¡ ∂φ ¢δφ dx + ¡ ¢δφ dt .
C ∂ ∂t ∂ ∂φ
∂x
257
Pela condição de contorno, δφ|C = 0, a segunda linha da equação acima é
zero. Assim,
Z Z ( )
∂L ∂ ∂L ∂ ∂L
δI = dtdx − ¡ ∂φ ¢ − ¡ ¢ δφ.
Ω ∂φ ∂t ∂ ∂t ∂x ∂ ∂φ
∂x
∂L
= 0,
∂φ
∂L ∂φ
¡ ∂φ ¢ = ,
∂ ∂t ∂t
∂L ∂φ
¡ ∂φ ¢ = −c2 ,
∂ ∂x ∂x
e, portanto,
∂2φ 2
2∂ φ
−c = 0,
∂t2 ∂x2
que é a equação de onda.
Vemos acima que o procedimento do Princípio Variacional para um campo
φ(x, t) é essencialmente idêntico com o caso de um sistema de muitas var-
258
iáveis, {qi (t)}, com a seguite correspondência,
x → i,
φ(x, t) → φi (t),
Z X
dx → ,
i
∂φ/∂x → φi − φi−1 ,
∂L/∂qi → δL/δφ(x),
Z
L → dxL
259
de um campo. Como o momento canonicamente conjugado com a variável
qi é dado por ∂L/∂ q̇, devemos definir o momento canonicamente conjugado
para o campo φ no ponto x por
δL
π(x, t) = .
δ φ̇(x, t)
No caso em que a Lagrangeana L é dada por
h i Z µ ¶
∂φ
L φ, φ̇ = dxL φ, , φ̇ ,
∂x
estamos considerando a Lagrangeana como um funcional das duas funções
independentes φ e φ̇, pois a Lagrangena é definida para cada t fixo. A variação
da Lagrangeana para a variação de φ e φ̇ é dada por
Z ( µ ¶ )
∂L ∂L ∂φ ∂L
δL = dx δφ + ¡ ∂φ ¢δ + δ φ̇
∂φ ∂ ∂x ∂x ∂ φ̇
Z (" # )
∂L ∂ ∂L ∂L
= dx − ¡ ¢ δφ + δ φ̇ .
∂φ ∂x ∂ ∂φ ∂x ∂ φ̇
A quantidade,
H = π(x, t)φ̇(x, t) − L
∂L
= φ̇(x, t) − L (814)
∂ φ̇
é chamada de densidade Hamiltoniana.
261
que é a quantidade da energia do campo no intervalo, x1 ≤ x ≤ x2 . Temos,
Z
dH[x1 ,x2 ] d x2 n o
= dx π φ̇ − L
dt dt
Z x2 x1
∂ n o
= dx π φ̇ − L
x ∂t
Z 1x2 ½ ¾
∂L ∂L ∂L
= dx π̇φ̇ + π φ̈ − φ̇ − φ̇x − φ̈
x1 ∂φ ∂φx ∂ φ̇
Z x2 ½µ ¶ ¾
∂L ∂ ∂L ∂L ∂L
= dx − φ̇ − φ̇ − φ̇x
x1 ∂φ ∂x ∂φx ∂φ ∂φx
Z x2 ½µ ¶ ¾
∂ ∂L ∂L
=− dx φ̇ + φ̇x
x1 ∂x ∂φx ∂φx
Z x2 µ ¶
∂ ∂L
=− dx φ̇
x1 ∂x ∂φx
µ ¶¯x2 (µ ¶ µ ¶ )
∂L ¯ ∂L ∂L
=− φ̇ ¯ = − φ̇ − φ̇ . (815)
∂φx ¯x1 ∂φx x2 ∂φx x1
262
41 Equação de Hamilton para Campos
Podemos formular a dinâmica de um campo em termos de Hamiltoniana.
Note que as variáveis naturais da densidade Hamiltoniana são
φ, π
e não
φ, φ̇.
Isto é, devemos expressar a Hamiltoniana por
H = H (φ, π) . (818)
263
onde L é a densidade Lagrangeana e Ω representa um domínio onde a dinâmica
de φ é definida. O açao é
Z Z Z µ ¶
3 ∂φ
I [φ] = dt L [f ] = dt d r L φ, ∇φ, .
dt
δI = I [φ + δφ] − I [φ]
Z Z ½ µ ¶ µ ¶¾
3 ∂ (φ + δφ) ∂φ
= dt d r L φ + δφ, ∇ (φ + δφ) , − L φ, ∇φ,
dt dt
Z Z ( )
∂L ∂L ∂L ∂ (δφ)
= dt d3 r δφ + · ∇ (δφ) + ¡ ∂φ ¢ ,
∂φ ∂ (∇φ) ∂ ∂t ∂t
e, portanto,
∂L X ∂L3
∂ (δφ)
· ∇ (δφ) = ³ ´· .
∂ (∇φ) i=1 ∂ ∂φ ∂x i
∂xi
δφ (r, t) = 0, se r ∈ S, ou t = ti , tf .
264
Assim,
Z Z ( µ ¶ Ã !)
∂L ∂L ∂ ∂L
δI = dt d3 r δφ −∇· − ¡ ∂φ ¢ ,
∂φ ∂ (∇φ) ∂t ∂ ∂t
1. ( µ ¶2 )
1 1 ∂φ
L= − (∇φ)2 ,
2 c2 ∂t
2. ( µ ¶2 )
1 1 ∂φ 2
L= − (∇φ) − m2 φ2 ,
2 c2 ∂t
3. ( µ ¶2 )
1 1 ∂φ
L= − (∇φ)2 − V (φ),
2 c2 ∂t
onde V é uma função arbitrária.
4.
1© ª
φ¤φ − m2 φ2 ,
L=−
2
onde ¤ é operador D’Alambertiano, definido por
1 ∂2
¤= − ∇2 .
c2 ∂t2
43 Hamiltoniana
Podemos definir a Hamiltoniana da mesma forma como antes. Temos
Z
H = d3 r H,
265
onde H = H (φ, π) é a densidade Hamiltoniana e definida por
H = H (φ, π)
= π φ̇ − L,
onde
∂L
π= .
∂ φ̇
A lei de conservação da energia fica escrita na forma de equação de con-
tinuidade,
∂H
+ ∇ · j = 0, (822)
∂t
onde
j = φ̇∇φ. (823)
A Equação de Hamilton fica da mesma forma como no caso unidimensional,
Eq.(820).
266
A Hamiltoniana do sistema é definida por
Z
H = d3 r H, (825)
com
X
n
H= πi φ̇i − L, (826)
i=1
∂H
+ ∇ · j = 0,
∂t
só que agora,
X
n
j= φ̇i ∇φi . (828)
i=1
45 Teorema de Noether
Um dos teoremas mais importantes numa teoria de campos é o teorema
de Noether. O protótipo deste teorema no contexto de transformação de
variáveis foi visto antes. Aqui, vamos considerar a simetria da Lagrangeana
sob a transformação linear entre os campos. Por exemplo, considere uma
densidade Lagrangeana da seguinte forma,
³ ´
L = L φ1 , φ2 , ∇φ1 , ∇φ2 , φ̇1 , φ̇2 ,
1n 2 o
= φ̇1 + φ̇22 − (∇φ1 )2 − (∇φ2 )2 − m2 φ21 − m2 φ22 . (829)
2
Para ver a simetria, podemos utlizar a notação matricial para o conjunto de
campos, µ ¶ µ ¶ µ ¶
φ1 φ̇1 φ1
φ= , ∂t φ = , ∇φ = ∇
φ2 φ̇2 φ2
267
Com esta notação, a densidade Lagrangeana fica,
½ ¾
1 ³ ´T ³ ´ ³ ´T ³ ´ 2 T
L= ∂t φ ∂t φ − ∇φ ∇φ − m φ φ . (830)
2
Desta forma, fica evidente que a densidade Lagrangeana tem a invariância
sob a transformação,
φ → φ0 = U φ, (831)
ou ½
φ1 → φ01 = u11 φ1 + u12 φ2
, (832)
φ2 → φ02 = u21 φ1 + u22 φ2
sendo µ ¶
α11 α12
U= (833)
α21 α22
é uma matriz ortogonal, ou seja,
U T U = 1. (834)
Com isto, podemos inverter a relação a Eq.(831),
φ = U −1 φ0
e substituindo esta expressão na Eq.(830), temos a densidade Lagrangeana
para os novos campos,
½ ¾
0 1 ³ 0 ´T −1 T −1 ³ 0 ´ ³ 0 ´T −1 T −1 ³ 0 ´ 2
³ ´T −1
0 T −1 0
L = ∂t φ U U ∂t φ − ∇φ U U ∇φ − m φ U U φ
2
½ ³ ´T ¾
1 ³ 0 ´T ³ 0 ´ ³ 0 ´T ³ 0 ´
= ∂t φ ∂t φ − ∇φ ∇φ − m φ0 φ0
2
2
µ ¶
0 0 ∂ 0
= L φ , ∇φ , φ , (835)
∂t
ou seja, a nova densidade Lagrangeana tem a mesma forma como antes.
Quando acontece isto, é dita que a densidade Lagrangeana é invariante sob
a transformação,
φ → φ0 = U φ,
e o sistema destes campos possui a simetria sob a transformação. Usual-
mente, é mais conveniente considerar uma transformação infinitesimal,
φ = φ0 = φ + εΞφ,
268
onde ε é um pequeno parâmetro e Ξ é uma matriz (3 × 3) neste exemplo.
O teorema de Noether se trata a relação entre a invariância da densidade
Lagrangeana (simetria do sistema) e a quantidade conservada do sistema.
Vamos considerar um sistema de n campos cuja densidade Lagrangeana é
dada por, ³ ´
L = L φ1 , .., φn , ∇φ1 , .., ∇φn , φ̇1 , .., φ̇n , .
Suponhe que o sistema possui a simetria sob a transformação infinitesimal
de campos,
φ → φ0 = φ + εΞφ, (836)
onde
φ1
φ2
φ= .. ,
.
φn
e Ξ é uma matrix (n × n). ε é um pequeno parâmetro. A simetria implica
³ ´ ³ ´
L φ01 , .., φ0n , ∇φ01 , .., ∇φ0n , φ̇01 , .., φ̇0n , = L φ1 , .., φn , ∇φ1 , .., ∇φn , φ̇1 , .., φ̇n , .
(837)
A expansão do lado esquerdo em serie de Taylor em termos de ε, dá
X ∂L X ∂L X ∂L
Ξij φj + · ∇ (Ξij φj ) + Ξij φ̇j = 0. (838)
i,j
∂φi i,j
∂ (∇φi ) i,j
∂ φ̇i
temos
X½ ∂L ∂ ∂L
¾ X ∂L X ∂L
∇· + Ξij φj + ·∇ (Ξij φj )+ Ξij φ̇j = 0,
i,j
∂ (∇φi ) ∂t ∂ φ̇i i,j
∂ (∇φi ) i,j
∂ φ̇i
ou à ! à !
∂ X ∂L X ∂L
Ξij φj + ∇ · Ξij φj = 0. (839)
∂t i,j
∂ φ̇i i,j
∂ (∇φi )
269
Assim, se chamarmos
X ∂L
ρ= Ξij φj , (840)
i,j ∂ φ̇i
X ∂L
j= Ξij φj , (841)
i,j
∂ (∇φ i )
e temos
dQ
= 0,
dt
ou seja, Q é uma quantidade conservada.
Assim, mostramos o teorema de Noether:
270
46 Exemplo
Vamos considerar um sistema de dois campos reais, (ψ1 (r, t), ψ2 (r, t)) cuja
densidade Lagrangeana dada por
³ ´ ~2 ~2 ¡ ¢
L = ~ ψ2 ψ̇1 − ψ1 ψ̇2 − (∇ψ1 )2 − (∇ψ2 )2 − V (r) ψ12 + ψ22 , (843)
2m 2m
onde ~ e m são constantes e V é uma função real da posição r. Temos
∂L ∂L
= −~ψ̇2 − 2V ψ1 , = ~ψ̇1 − 2V ψ2 ,
∂ψ1 ∂ψ2
∂L ~2 ∂L ~2
= − ∇ψ1 , = − ∇ψ2 ,
∂ (∇ψ1 ) m ∂ (∇ψ2 ) m
∂L ∂L
= ~ψ2 , = −~ψ2 ,
∂ ψ̇1 ∂ ψ̇2
e, portanto as equações de movimento ficam
~2 2
−~ψ̇2 − 2V ψ1 + ∇ ψ1 − ~ψ̇2 = 0,
m
~2
~ψ̇1 − 2V ψ2 + ∇2 ψ2 + ~ψ2 = 0,
m
ou, equivalentemente,
~2 2
−~ψ̇2 = − ∇ ψ1 + V ψ1 , (844)
2m
~2 2
~ψ̇1 = − ∇ ψ2 + V ψ2 . (845)
2m
A dendidade Lagrangeana, Eq.(843) possui a simetria sob a transfor-
mação,
ψ1 → ψ10 = ψ1 − εψ2 , (846)
ψ2 → ψ20 = ψ2 + εψ1 , (847)
pois
³ ´ ~2 ~2 ¡ ¢
2 2
~ ψ20 ψ̇10 − ψ10 ψ̇20 − (∇ψ10 ) − (∇ψ20 ) − V (r) ψ102 + ψ202
2m 2m
³ ´ ~2 ~2 ¡ ¢
2
= ~ ψ2 ψ̇1 − ψ1 ψ̇2 − (∇ψ1 ) − (∇ψ2 )2 − V (r) ψ12 + ψ22 .
2m 2m
271
Assim, pelo teorema de Noether, a densidade,
X 2
∂L
ρ= Ξij ψj
i,j=1
∂ ψ̇i
e a corrente,
X
2
∂L
j= Ξij ψj
i,j=1
∂ (∇ψ i )
Ξ11 = Ξ22 = 0,
Ξ12 = −Ξ21 = −1,
e, portanto,
∂L ∂L
ρ=− ψ2 + ψ2
∂ ψ̇1 ∂ ψ̇1
¡ ¢
= ~ ψ12 + ψ22 ,
∂L ∂L
j=− ψ2 + ψ2
∂ (∇ψ1 ) ∂ (∇ψ1 )
~2 ~2
= (∇ψ1 ) ψ2 − (∇ψ2 ) ψ1 ,
m m
e a lei da conservação,
ρ̇ + ∇ · j = 0
neste caso é expressa por
∂ ¡ 2 ¢ ~2
~ ψ1 + ψ22 + ∇ · ((∇ψ1 ) ψ2 − (∇ψ2 ) ψ1 ) = 0,
∂t m
ou ³ ´ ~2 ¡ ¢ ~2 ¡ 2 ¢
~ ψ1 ψ̇1 + ψ2 ψ̇2 + ∇2 ψ1 ψ2 − ∇ ψ2 ψ1 = 0.
2m 2m
De fato, esta última equação pode ser obtida pela a soma das Eqs.(844) e
(845), após multiplicando por ψ2 e por ψ1 , respectivamente.
272
47 A Forma Complexa
Note que as duas equações Eq.(844,845) podem ser unificadas numa equação
só, se utilizamos um campo complexo,
ψ = ψ1 + iψ2 , i2 = −1,
como
~2 2
i~ψ̇ = − ∇ ψ + V ψ. (848)
2m
Verifique que a parte real e a parte imaginária desta equação correspondem
a Eq.(844) e Eq.(845), respectivamente. Nesta representação, a densidade
Lagrangeana fica
³ ← → ´ ~2
L = i~ ψ∗ ∂t ψ1 − |∇ψ|2 − ψ∗ V (r)ψ, (849)
2m
←
→
onde o símbolo, ∂t é definido como o operador que atua em duas funções,
←→ ∂B ∂A
A ∂t B ≡ A −B .
∂t ∂t
A invariância da Lagrangeana sob a transformação Eqs.(846,847) fica sim-
plesmente a invariância da Lagrangeana (849) sob a transformação,
ψ → ψ0 = eiε ψ0 ,
273
e a corrente da probabilidade é dada por
1
J= j
~
~
= {(∇ψ1 ) ψ2 − (∇ψ2 ) ψ1 }
m
~
= {ψ∗ ∇ψ − ψ∇ψ∗ } .
2im
274
Part IX
Elementos Básicos da Mecânica
dos Fluídos
Neste Capítulo, estudamos o método de descrever a dinâmica de fluidos. De-
vido sua aplicação nos problemas reais, a mecânica de fluido é um dos tópicos
da Macânica Clássica bastante desenvolvidos constituindo uma vasta área.
Assim, não podemos cobrir nem todos assuntos importantes relacionados a
mecânica de fluidos. Aqui, mostramos as equações fundamentais e pequenos
aplicações.
48 Variáveis Hidrodinâmicas
48.1 Sistema de Coordenadas Lagrangeano
A primeira coisa que temos que considerar é a definição das variáveis para
a descrição da dinâmica do sistema de um fluido. Vamos considerar o fluido
como sendo uma coleção de células infinitesimais40 . Supostamente as pro-
priedades da matéria sejam conhecidas. Podemos, então, utilizar a coleção
das seguintes variáveis para descrever o estado dinâmica do fluido
275
Exceto no regime relativístico, podemos considerar que a massa da matéria
conserva. A conservação da massa relaciona a variação da densidade de massa
e a velocidade pela seguinte forma.
Vamos considerar num instante, t, uma parte do fluido dentro de um
palalelepépido com a base formada de três pequenos (alias, infinitesimais) ve-
tores ortogonais, {x1 , x2 , x3 } com sua origem numa posição r0 , como ilustrada
na figura abaixa.
x
x 2
3
x
1
r
0
∆V = (x1 × x2 ) · x3 (852)
onde ρr0 é a densidade deste célula. Quando o tempo passa, todos os vetores
variam de acordo com a distribuição da velocidade do fluido, pois cada canto
do palalelepépido desloca com sua velocidade, que não necessariamente igual
à outras. Se a distribuição da velocidade do fluido não for homogênea, então,
por exemplo, os pontos inicial e final do vetor x1 andam com diferentes
velocidades, resultando a mudânça do vetor. Vamos calcular tal mudança.
Já que
x1 = (r0 + x1 ) − r0 ,
276
na passagem do tempo de t = t para t = t + dt, o vetor x1 varia como
onde
vi = ei · v,
∇i = ei · ∇,
e
1, se (ijk) = (1, 2, 3)+
εijk = −1, se (ijk) = (1, 2, 3)−
0, outros.
é o simbolo de Lévi-Civita. O simbolo (1, 2, 3)+ indica a permutação par ( a
permutação que pode ser obtida em termos de número par das transposições)
e (1, 2, 3)− indica a permutação ímpar ( a permutação que pode ser obtida
277
em termos de número ímpar das transposições). Isto é, (1, 2, 3)+ é um dos
seguintes casos,
(1, 2, 3) , (2, 3, 1) , (3, 1, 2)
e (1, 2, 3)− é um dos seguintes casos,
ou
dρr0
dt + ρr0 (∇ · v) dt = 0
dt
até a primeira ordem em dt. Daí, obtemos a relação entre a variação temporal
da densidade e a distribuição da velocidade como
278
espaço, digamos r , como os valores das quantidades variam no tempo. Neste
caso, as variáveis são:
ρ(r, t) e v(r, t). (861)
Este sistema de coordenadas é chamado de Euleriano. No sistema de co-
ordenadas Euleriano a variação temporal não acompanha o movimento da
matéria. É importante lembrar que, nesta representação, o vetor de posição
espacial r é uma variável independente do tempo t e não tem nenhuma re-
lação com a velocidade do fluido.
dr dr
6= v, mas ≡0!
dt dt
A variação temporal de uma quantidade, por exemplo, a densidade, visto
num ponto fixo no espaço é naturalmente diferente da variação temporal da
densidade de uma célula da matéria que desloca sua posição, acompanhando
o movimento do fluido. A primeira deve ser expressa por
¯
∂ρ (r, t) ¯¯
∂t ¯r
e a segunda é ¯
∂ ¯¯
∂t ¯m
onde m representa o pedaço da matéria que compor a célula. As duas
derivadas são relacionadas. Para ver isto, vamos calcular a derivada na forma
de Eulera, isto é, a variação da densidade da matéria que desloca com v. Num
intervalo de tempo dt, o pedaço do fluido que estava no ponto r ocupará o
ponto
r0 = r + δr = r + vdt.
Assim, a variação da densidade da mésma matéria no intervalo de tempo dt
fica
279
Da Eq.(860), temos ¯
∂ρ ¯¯
= ρ̇ = −ρ (∇ · v), (863)
∂t ¯m
e substituindo na Eq.(862), temos
¯
∂ρ ¯¯
+ v · ∇ρ = −ρ (∇ · v),
∂t ¯r
ou ¯
∂ρ ¯¯
+ ∇(ρv) = 0, (864)
∂t ¯r
que é a bem conhecida a equação de continuidade.
A relação das derivadas temporais entre dois sistemas de coordenadas, a
Eq.(862) é válida não só para ρ mas qualquer quantidade da função do tempo
e do espaço. Assim, podemos considerar que a derivada temporal no sistema
Lagrangeano está relacionada com aquela do sistema Euleriano por
¯ ¯
∂ ¯¯ ∂ ¯¯
≡ ¯ +v·∇ (865)
∂t ¯m ∂t r
280
∂ /∂ t d/dt
tempo
Espaço
281
Vamos considerar novamente um elemento de volume infinitesimal da
matéria no ponto ri . As forças que atuam neste pequeno palalelepépido
podem ser classificado em dois tipos. Um é a força volumétrica, que é o tipo
da força gravitacional (ou a forç a eletrostática se a matéria for elétricamente
carregada) que proporcional a massa (ou volume). Para este tipo da força,
podemos definir a densidade da força, f , que é a força por unidade de volume
como
FV = ∆V f .
O outro tipo é a força que é transmitida pela contato com a matéria da
visinhança, ou seja a força de contato através da superfície do elemento de
volume. Esse tipo de força é expressa em termos de pressão41 p que é a força
por unidade de área. A pressão p = p(r, t) é uma função da posição e do
tempo. Assim, a força de contato que atua no elemento de volume ∆V é
dada por I
FS = − pndS,
onde dS é o elemento de área da superfície e a integral indica a soma das
forças devido a pressão sobre a superfície do elemento de volume ∆V . Para
um fluido perfeito, a força que atua numa superfície do elemento de volume
é localmente perpendicular a superfíicie, portanto, f ora = pn × area, onde
n o vetor normal da superfície no ponto. Quando o fluido não for perfeito,
deve existir o termo de atrito.
A equação de Newton para o elemento de volume fica
I
d2 ri
∆m 2 = FS + FV = − pn · dS + ∆V f, (868)
dt
onde ∆m é a massa do elemento de volume infinitesimal, ∆V ,
∆m = ρ∆V,
O primeiro termo, a integral sobre a superfície do elemento de volume do
lado direito da Eq.(868) pode ser escrita42 que
I Z
pn · dS = ∇p d3 V. (869)
∆V
41
A força de atrito, ou seja a força de viscosidade também deste tipo. Ver mais adiante.
42
Prove esta afirmação. Para isto, considere um elemento de volume quadratico, formado
de 3 vetores infinitesimais,
dx i, dy j, dz k.
Expresse a integral nesta base e expanda p = p(x, y, z) em dx, dy, e dz.
282
Já que o elemento de volume ∆V é infinitesimalmente pequeno, podemos
considerar que o integrando ∇p é constante dentro deste volume. Assim
podemos escrever, I
pn · dS = ∇p∆V.
dv 1³ ´
= − ∇p − f . (870)
dt ρ
Esta é a equação de movimento do fluido na forma Lagrangeana.
No sistema Euleriano, aplicando a Eq.(866) na Eq.(870), temos
∂v 1
+ (v · ∇)v = − (∇p − f ). (871)
∂t ρ
Esta última forma é conhecida como equação de Euler. As equações hidrod-
inâmicas, então, ficam resumidas na seguinte forma:
283
Como sabemos, normalmente a pressão varia quando a densidade varia. Isto
é, a pressão é uma função da densidade. Esta dependência varia de uma
matéria para outra matéria. Por exemplo, no caso do gás ideal monoatômico,
a pressão é dada por
pV = NkT, (873)
onde V é o volume, N o número de partículas, k a constante de Boltzman e
T é a temperatura. Se a massa da partícula constituinte do gás é ma , então,
multiplicando aos dois lados na Eq. (873), temos
1
p= ρkT = RT ρ. (874)
ma
onde R = k/ma é a constante de gás. No entanto, não podemos usá-la sem
conhecer o valor de T . No caso do ar, talvez podemos usar a temperatura
do ambiente, T0 = Const. Neste caso, a pressão varia linearmente com a
densidade.
Vamos estudar como a onda sonora propaga no ar. Certamente uma onda
sonora é um fenômeno associado a propagação da vibração da densidade do
ar. Podemos descrever pela hidrodinâmica, como esta vibração propaga.
Na forma Euleriana, as equações hidrodinâmicas são
∂
ρ(r; t) = −∇ · (ρv) (875)
∂t
e
∂ 1
v(r; t) = −(v · ∇)v − ∇p, (876)
∂t ρ
onde p = p(ρ) é dada pela relação, (874) e não consideramos a força ex-
terna, f. Consideramos ainda que o ar homogêneo. Usualmente a variação
da densidade associada ao som tem uma amplitude bastante pequena. Se
este for o caso, podemos simplificar as equações hidrodinâmicas fazendo uma
aproximação chamada de linearização. Para este fim, escrevemos
η̇ = −ρ0 ∇ · v (878)
284
Na mesma aproximação, podemos escrever43
µ ¶
1 1 dp p0
∇p ' ∇η = 2 ∇η (879)
ρ ρ0 dρ 0 ρ0
∂ 2η
ρ0 = p0 ∇2 η (880)
∂t2
ou
1 ∂2η
− ∇2 η = 0 (881)
vs2 ∂t2
onde sµ ¶ r
dp p0 √
vs = = = RT (882)
dρ 0 ρ0
A Eq.(881) é a equação de onda, e sua solução representa a propagação
de uma onda de compressão com a velocidade vs . Esta é uma onda sonora
(onda de p
densidade). Assim, a velocidade do som em um meio deve ser dada
por vs = kT /ma . Vamos verificar. Temos os seguintes valores:
k = 1.380658 × 10−23 JK −1 ,
ma = hMi × 1.6605402 × 10−27 Kg
285
O erro vem de fato que utilizamos a Eq.(874) com a temperatura T = T0 .
A frequência sonora ν é em geral maior que dezenas de Hz que é relativamente
rápido em relação ao escala do tempo de transmissão do calor no ar. Além
disso, o escala típico da variação da densidade é dada por comprimento de
onda,
vs
λ= ,
ν
que é a ordem de dezenas de metros. Por outro lado, a amplitude de desloca-
mento causado por uma onda sonora é bem menor que este comprimento. Em
outras palavras, a variação da densidade é bastante lenta dentro da escala
do deslocamento. Desta forma, dentro do pequeno elemento de volume, a
dinâmica do gás é considerado sempre em o equilíbrio termodinâmico, tendo
uma compressão e expansão sem trocar o calor com as visinhanças. Este
processo é chamado de processo adiabático (ver a discussão mais adiante).
Vamos calucular como a pressão varia com a densidade num processo
adiabático para um gás ideal. Para um gás ideal de um mole, temos
pV = RT.
Por outro lado, a energia do gás é dada por
E = Cv T,
onde Cv é o calor específico do gás de volume constante45 . Elimando a
45
Pelo Princípio de Equipartição da Energia, em equilíbrio com a temperatura T , a
energia média de cada grau de liberdade é kT /2. Assim, em geral, temos
1
Cv = ×N ×R
2
onde N é o número de graus de liberdade. Para um gás perfeito monoatômico, existem 3
graus de liberdades translacionais e, portanto, temos
Cv 3
= .
R 2
Para um gás ideal diatômico, além de graus de liberdade translacional, existem modos
rotacionais e vibracionais. O número de graus de liberdade do modo rotacional é 2 e o
número de graus de liberdade do modo vibracional é 1. No entanto, o modo vibracional
só comenão participa para a temperatura não muito alta, pois a energia de excitação do
modo vibracional é grande. Desta forma, para a temperatura ambiente usual, temos
Cv 5
' .
R 2
286
temperatura T destas duas expressões, podemos escrever a energia em função
de p e V ,
Cv
E= pV.
R
Consequentemente, quando a pressão e o volume do gás variam, a energia
varia como
Cv
dE = (pdV + V dp).
R
Esta expressão é válida independentemente de que o processo seja adiabático
ou não. Agora para um processo adiabático, (dS = 0), a segunda lei termod-
inâmica dE = −pdV + T dS fica
dE = −pdVad .
Assim, para um processo adiabático, as variações de p e de V devem satisfazer
Cv
(pdVad + V dpad ) + pdVad = 0,
R
ou
γpdVad + V dpad = 0, (883)
onde
R Cv + R Cp
γ =1+ = = ,
Cv Cv Cv
é chamado de índice adiabático. Cp é o calor específico com a pressão con-
stante. Integrando a relação Eq.(883), temos
µ ¶−γ µ ¶γ
p V ρ
= = . (884)
p0 V0 ρ0
para um processo adiabático, onde p0 e V0 (= 1/ρ0 ) são valores no equilíbrio
de p e V , respectivamente.
A relação Eq.(884) pode ser utilzada para calcular a velocidade do som
no ar. No caso do ar, podemos considerar como um gás ideal diatômico, e
neste caso temos γ ' 7/5. Desta forma, temos
sµ ¶ r
dp p0 p
vs = = γ = γRT
dρ 0 ρ0
r
7
' × 290. 08 = 343. 23m/ sec,
5
287
que é o valor observado. Note que a variação adiabática do volume específico
V alterará a temperatura de acordo com a relação,
µ ¶γ−1
V0
T = T0 .
V
288
As quantidades intensivas são definidas como
¯
∂E ¯¯
p≡− , (887)
∂V ¯S, {Ni }
¯
∂E ¯¯
T ≡− , (888)
∂S ¯V, {Ni }
¯
∂E ¯¯
µi ≡ − , (889)
∂Ni ¯V, S
Pela primeira lei da Termodinâmica, a variação da energia da matéria é
dada pela diferença entre a quantidade de calor que foi dado ao sistema e
o trabalho que o sistema ganhou de fora (supondo que não há mudança de
número de partículas Ni0 s);
∆E = ∆Q + ∆W (890)
Isto nada mais é do que a conservação da energia e, portanto, esta relação é
sempre verdadeira, mesmo que o sistema não esteja em equilíbrio.
Se a variação for infinitesimal, e se o estado do sistema for mantido sempre
em equilíbrio térmico durante esta variação, podemos então identificar as
variações do calor e do trabalho que o sistema recebe de fora por
dQ|Equilı́brio = T dS, (891)
dW |Equilı́brio = −pdV. (892)
Consequentemente, nos estados de equilíbrio térmico, a primeira lei termod-
inâmica fica escrita como
dE|Equilı́brio = −pdV + T dS. (893)
Este tipo de processo é reversível e, em geral, só pode ser realizado se as vari-
ações das quantidades forem realizadas numa escala de tempo muito grande
comparada com o tempo de relaxação para o equilíbrio, τeq . Ou seja,
¯ ¯ ¯ ¯
¯ Q̇ ¯ ¯ Ẇ ¯ 1
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ¯,¯ ¯ ¿ , (894)
¯Q¯ ¯W ¯ τeq
de modo que o sistema mantém sempre o seu estado de equilíbrio. Por isso,
muitas vezes nos referimos a este processo como quase-estático e o denotamos
como qes no lugar de equil.
289
Quando houver variação no número de partículas, a equação correspon-
dente à Eq.(893) será
X
dE|qes = −pdV + T dS + µi dNi . (895)
i
dQ = 0.
Assim,
dE|qes = −pdV.
Por outro lado, o que acontecerá se o empurrão do pistão for feito mais
rapidamente de forma que o gás não tenha tempo de manter o equilíbrio?
Neste caso, como o cilindro é isolado termicamente, continuamos tendo dQ =
0, e portanto, pela primeira lei,
dE = dW. (898)
290
e não fica igual a
−pdV.
Escrevendo
dW = −pef f dV,
temos
dS
pef f = p − T > p, (901)
dV
pois dV < 0 e dS > 0 neste processo. Em outras palavras, a força efetiva que
reage contra o pistão na hora do empurrão é maior que a pressão. Isto ocorre
porque o movimento do pistão transfere energia cinética adicional para o gás.
Naturalmente para termos um efeito apreciável, a velocidade do pistão deve
ser comparável àquela do movimento térmico dos elementos constituintes do
gás.
Nas equações acima, não foi mencionado as variações espaciais das grandezas.
Isto porque, em equilíbrio, a matéria é por definição homogênea. Para tratar
da dinâmica da matéria em termos de hidrodinâmica, assumimos a vali-
dade de equilíbrio local. Isto é, as escalas associadas às variações (variação
temporal e inhomogeniedade) do sistema são infinitesimalmente menores se
comparadas com as escalas microscópicas.
Para ser mais específico, para que a condição de equilíbrio local seja sat-
isfeita, devemos ter, por exemplo,
¯ ¯ ¯ ¯
¯ 1 dρ ¯ 1 ¯1 ¯ 1
¯ ¯ ¯ ¯
¯ ρ dt ¯ ¿ τeq , ¯ ρ ∇ρ¯ ¿ lm , etc, (902)
291
podemos considerar uma célula de volume da ordem de lh3 como um elemento
de volume infinitesimal dV = d3 r do sistema. É justamente neste regime em
que podemos discutir a dinâmica do sistema em termos da hidrodinâmica.
Um elemento de volume, no sistema hidrodinâmica na ausência de vis-
cosidade, é considerado isolado termicamente com a visinha (não ha troca de
calor). Pelo hipotese da hidrodinâmica acima, a variação de elemento de vol-
ume é sempre quasestática. Assim, a equação de Euler para um fluido ideal
se refere necessariamente a compressão/expansão adiabática de um fluido.
292
Assim, temos
µ ¶
1 d p+ε
∇p = ∇ρ
ρ dρ ρ
µ ¶
p+ε
=∇ .
ρ
v = ∇φ + ∇ × A,
∇ × v = 0.
293
se anula identicamente num cilíndro que tem a curva fechada C como seu
anel.
Na medida que o fluido movimenta, a curva fechada C também desloca e
deforma. Mas podemos provar que, para um fluido perfeito, esta quantidade
é uma quantidade conservada, isto é,
dΓ
= 0. (907)
dt
Para provar isto, lembramos que a derivada deve ser calculada acompanhando
a matéria em movimento. Isto significa que além do termo de derivada total
do campo de velocidade, devemos calcular a contribuição à derivada que vem
do movimento da curva fechada.
I I
dΓ d d
= (dr) · v + dr · v.
dt dt dt
O primeiro termo representa a contribuição devido ao movimento da curva.
Entretanto, este primeiro termo se anula, pois
I I µ ¶
d d
(dr) · v = d r ·v
dt dt
I
= dv · v
I
1
= dv 2
2
e a integral sobre uma curva fechada de um diferencial total é sempre nula.
Assim, temos
I
dΓ d
= dr · v
dt dt
I µ ¶
p+ε
= − dr · ∇
ρ
Z Z µ ¶
p+ε
=− dS · ∇ × ∇
ρ
= 0,
294
49.4 Viscosidade, Equação de Navier-Stokes
Quando o fluido é viscoso temos que incluir a força de fricção. Vamos con-
siderar a equação de movimento para um elemento de volume arbitrário,
Z Z I
d
dV ρv = dV f + dS fs (908)
dt
Como antes, f é a densidade da força volumétrica e fs é a força aplicada ao
volume diretamente pelo contato com volumes vizinhos através das superfí-
ceis do domínio. Como vimos, quando a única força deste tipo é a pressão,
então
fs = −pn (909)
onde n é o vetor unitário normal á superfície. Caso exista viscosidade, então
a força de superfície não necessariamente fica perpendicular à superfície. De
forma mais geral,
fs = σ̂n (910)
onde σ̂ é uma matriz 3 × 3 chamada de tensor de stress. Naturalmente, se
não houver viscosidade, temos
p 0 0
σ̂0 = − 0 p 0 , (911)
0 0 p
isto é, o tensor de stress é diagonal e istotrópico. Esta forma também é válida
se o fluido estiver em repouso, o que é conhecido como o Princípio de Pascal.
Em geral, σ̂ é uma função da diferênça das velocidades entre volumes
visinhos do fluido,
σ̂ = σ̂(∆v) (912)
e σ̂(∆v = 0) = σ̂0 (Eq.911). Para uma pequena variação do campo de veloci-
dade, podemos considerar que a força de viscosidade depende linearmente
das derivadas espaciais do campo de velocidade. Neste caso, a forma mais
geral de um tensor de “stress” deve ser dada por
1 0 0
σ̂ = −σ̂0 + ζ ∇ · v 0 1 0
0 0 1
1
∂vx /∂x − 3 ∇ · v ∂vx /∂y + ∂vy /∂x ∂vx /∂z + ∂vz /∂x
+ η ∂vx /∂y + ∂vy /∂x ∂vy /∂y − 13 ∇ · v ∂vy /∂z + ∂vz /∂y (913)
∂vx /∂z + ∂vz /∂x ∂vy /∂z + ∂vz /∂y ∂vz /∂z − 13 ∇ · v
295
Esta particular forma é uma conseqüência da decomposição de σ̂ em uma
parte escalar (os dois primeiros termos) e um tensor irredutível de ordem 2
(último termo). Os dois novos parâmetros, ζ e η devem ser determinados ou
empiricamente ou por uma teoria microscópica. A grandeza ζ é referida como
coeficiente de viscosidade volumétrica, e η como coeficiente de viscosidade de
torsão.
Com a notação,
∂σxx /∂x + ∂σxy /∂y + ∂σxz /∂z
∂σyx /∂x + ∂σyy /∂y + ∂σyz /∂z ≡ σ̂ ←−
∇ (914)
∂σzx /∂x + ∂σzy /∂y + ∂σzz /∂z
∂
ρ v + ρ (v · ∇)v (916)
∂t
3ζ + η
= f − ∇p + ∇(∇ · v) + η∇2 v. (917)
3
Esta é a forma mais geral da equação de movimento de um fluido com pe-
quena viscosidade.
Quando o movimento do fluido é considerado incompressível, ou seja,
ρ = const,
47
Note que o lado esquerdo da Eq.(908) pode ser expresso como
Z Z Z
d d d d
ρvdV = vdm = (dm v + v dm)
dt dt dt dt
Z Z
d d
= dm v = dV ρ v
dt dt
já que, obviamente,
d
dm = 0,
dt
devido à conservação de massa.
296
ou equivalentemente pela equação de continuidade,
∇ · v = 0, (918)
a Eq.(917) se reduz a
∂
ρ v + ρ (v · ∇)v = f − ∇p + η∇2 v (919)
∂t
que é conhecida como Equação de Navier-Stokes.
Se o movimento de um fluido for irrotacional ou seja,
∇ × v = 0, (920)
v = ∇ψ. (921)
∂ 4η
ρ v + ρ (v · ∇)v = f − ∇p + ∇(∇ · v) . (irrotacional) (923)
∂t 3
297
50 Mecânica Relativística na Forma Lagrangiana
51 Transformação Canônica e Teoria de Hamilton-
Jacobi
51.1 Teorema de Liouville
51.2 Transformação Canônica
298