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O editorial discute a evolução das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e os estilos de vida da população brasileira entre 2013 e 2019, destacando a importância da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) para monitorar esses indicadores. A análise revela um aumento nas DCNT e nas desigualdades socioeconômicas relacionadas à saúde, além de enfatizar a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade. Os artigos do suplemento oferecem uma visão abrangente dos avanços e desafios enfrentados na saúde pública brasileira.

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O editorial discute a evolução das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e os estilos de vida da população brasileira entre 2013 e 2019, destacando a importância da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) para monitorar esses indicadores. A análise revela um aumento nas DCNT e nas desigualdades socioeconômicas relacionadas à saúde, além de enfatizar a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade. Os artigos do suplemento oferecem uma visão abrangente dos avanços e desafios enfrentados na saúde pública brasileira.

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EDITORIAL

EDITORIAL

Situação das principais doenças crônicas não


transmissíveis e dos estilos de vida da população
brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde, 2013 e 2019

Celia Landmann Szwarcwald 1


Sheila Rizato Stopa 2
Deborah Carvalho Malta 3

doi: 10.1590/0102-311XPT276021

No Brasil, a população idosa vem crescendo em ritmo acelerado, principalmente devido 1 Instituto de Comunicação
e Informação Científica
às intensas transformações em termos de desenvolvimento socioeconômico, urbanização e Tecnológica em Saúde,
e assistência de saúde nos últimos 30 anos 1. Desde a criação do Sistema Único de Saúde Fundação Oswaldo Cruz,
Rio de Janeiro, Brasil.
(SUS), o Brasil fez avanços consideráveis no sentido de estender uma série de proteções so- 2 Ministério da Saúde,
ciais a toda a população. Realizações notáveis incluem o alcance de cobertura de saúde qua- Brasília, Brasil.
3 Escola de Enfermagem,
se universal, com a expansão da atenção primária fundamentada na priorização das áreas
Universidade Federal
com maior precariedade das condições de vida 2. de Minas Gerais, Belo
O crescimento significativo da longevidade no país trouxe, entretanto, o aumento das Horizonte, Brasil.

doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que trazem considerável grau de incapaci-
dade e piora na qualidade de vida, além de provocar aumento de demanda aos serviços de
saúde 3. Nesse contexto, o monitoramento das DCNT e a avaliação dos comportamentos
saudáveis, fatores de proteção às DCNT, são atividades de relevância que devem ser basea-
das na coleta e análise periódica de dados fidedignos e frequentes.
Este Suplemento de CSP apresenta a situação das principais doenças crônicas não trans-
missíveis e dos estilos de vida da população brasileira. A publicação fornece um resumo dos
progressos alcançados entre 2013 e 2019, e identifica áreas, grupos e comportamentos de
saúde que exigirão esforços adicionais. Os artigos contidos no fascículo variam considera-
velmente em seus métodos e abordagens, mas todos utilizam dados da Pesquisa Nacional de
Saúde (PNS).
Inquéritos de saúde são ferramentas essenciais para fornecer informações confiáveis
que possibilitam orientar as políticas de saúde para atender às necessidades e expectativas
da população – seja nas áreas de assistência, promoção da saúde ou prevenção de doenças.
No Brasil, diante da necessidade cada vez maior de informações para a formulação de polí-
ticas nas áreas de promoção, vigilância e assistência em âmbito nacional, compreendeu-se
que seria preciso desenvolver um inquérito nacional de saúde, visando atender às priorida-
des do Ministério de Saúde 4.
O processo de desenvolvimento da PNS teve início em 2009 e foi fundamentado em
quatro eixos: avaliação do desempenho do SUS sob a ótica da população usuária; estabe-
lecimento das condições de saúde da população brasileira; vigilância das doenças crôni-
cas não transmissíveis e comportamentos de saúde; e a equidade, envolvendo as ações dos

Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença


Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodu-
ção em qualquer meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja
corretamente citado. Cad. Saúde Pública 2022; 38 Sup 1:e00276021
S2 EDITORIAL
EDITORIAL

determinantes sociais da saúde – fatores socioeconômicos, culturais, comportamentais e


ambientais que influenciam a saúde 5.
A PNS foi realizada pela primeira vez em 2013, pelo Ministério da Saúde em parceria
com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e tem, hoje, uso consagrado.
Além da utilização das informações para subsidiar as estratégias e ações de saúde, vários ar-
tigos foram publicados nacional e internacionalmente, e teses e dissertações na área de saú-
de coletiva e nutrição de várias instituições acadêmicas foram elaboradas com os dados da
pesquisa. A segunda edição da PNS, realizada em 2019, possibilitou, por sua vez, monitorar
indicadores de saúde e examinar os avanços no período e os desafios a serem enfrentados 6.
As informações da PNS, incluindo os dados domiciliares, individuais e de biomarcadores
(antropométricos, pressão arterial, exames laboratoriais), estão disponíveis publicamente e
podem ser acessados gratuitamente e sem autorização prévia.
Para caracterizar as tendências socioespaciais das doenças crônicas e outros problemas
de saúde, dos estilos de vida da população brasileira e da assistência de saúde, no que se
refere ao uso dos serviços de saúde, no período 2013-2019, foi desenvolvido o Painel de
Indicadores no site da PNS, por meio da Plataforma de Ciência de Dados Aplicada à Saúde
do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Fundação
Oswaldo Cruz (ICICT/Fiocruz, [Link] Neste painel são apre-
sentados indicadores de saúde segundo características demográficas, socioeconômicas e
geográficas, sob a forma de tabelas, gráficos e mapas, disponíveis para download em dife-
rentes formatos. Adicionalmente, as duas edições da PNS suprem informações para moni-
toramento de indicadores globais, incluindo os dos Objetivos de Desenvolvimento Susten-
tável 7, do Plano de Ações Globais para Prevenção e Controle das Doenças Crônicas Não Trans-
missíveis 2013-2020 8, e o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas
Não Transmissíveis no Brasil 2011-2022 9.
Em termos de desenho, a PNS é uma pesquisa de base domiciliar e âmbito nacional,
com domínios de divulgação nos níveis nacional, regional, estadual, principais regiões me-
tropolitanas e capitais 10. A amostra da PNS é fundamentada na Amostra Mestra do IBGE,
selecionada por conglomerado em três estágios (setores censitários ou reunião de setores
censitários, domicílios e indivíduos) com amostragem aleatória simples e mantendo a es-
tratificação das unidades primárias de amostragem. Como parte deste suplemento, o artigo
metodológico, dedicado a descrever as diferenças nos planos amostrais das duas edições
da PNS 2013 e 2019, avalia como as mudanças afetaram o coeficiente de variação (CV) e o
efeito do plano amostral (EPA) das estimativas de alguns indicadores.
Diversos estudos do fascículo abrangem o escopo das principais DCNT. Foram compa-
rados os cuidados em saúde em adultos com diagnóstico de hipertensão arterial, diabetes
mellitus e depressão em 2013 e 2019, e foram analisadas as desigualdades socioespaciais no
acesso aos cuidados e nas fontes de obtenção dos medicamentos.
Em termos de desigualdades no estado de saúde, o Suplemento inclui um artigo sobre as
disparidades socioeconômicas na esperança de vida saudável e um estudo que analisa as
desigualdades na adoção de vários comportamentos saudáveis associados à prevenção das
condições crônicas e maior qualidade de vida durante o envelhecimento. Enriquecem o
conjunto de publicações sobre os comportamentos de saúde, um artigo sobre o tabagismo
e a contribuição da proteção regulamentada por lei à exposição ao fumo passivo no local
de trabalho fechado, e um estudo sobre os padrões de uso de álcool na população brasileira
nos anos 2013 e 2019.

Cad. Saúde Pública 2022; 38 Sup 1:e00276021


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Diante de um dos principais desafios epidemiológicos do Brasil contemporâneo, o cres-


cimento do excesso de peso e da obesidade na população, dois artigos do fascículo aborda-
ram os hábitos de alimentação, como a análise do escore de consumo de alimentos ultra-
processados, a partir de questões inéditas na edição da PNS 2019 sobre a alimentação no
dia anterior à pesquisa, e o estudo de comparação do consumo alimentar dos brasileiros
segundo marcadores de alimentação saudável e não saudável entre 2013 e 2019. A evolução
do estado nutricional de adultos no Brasil de 2002 a 2019 foi, igualmente, objeto de artigo
deste Suplemento de CSP.
Cada um desses artigos oferece perspectiva única sobre a magnitude das doenças crô-
nicas não transmissíveis e dos comportamentos de saúde associados, e a complexidade das
desigualdades socioeconômicas e regionais na prevenção e assistência de saúde aos doentes
crônicos. Juntos, os artigos do Suplemento fornecem partes de um cenário sobre os progres-
sos alcançados e desafios futuros no que diz respeito à ocorrência das DCNT e aos estilos
de vida dos brasileiros. Enquanto o crescimento da prevalência de várias DCNT de 2013
a 2019 reflete a transição epidemiológica no Brasil, a tendência de aumento da obesidade
ao longo dos anos 2000 influencia o crescimento de doenças relacionadas à obesidade e da
mortalidade prematura. Por sua vez, o artigo de debate avalia as mudanças na prevalência e
distribuição das DCNT e fatores de risco associados entre 2013 e 2019, com base na hipó-
tese de que a deterioração das condições socioeconômicas nesse período estaria levando ao
aumento de DCNT entre as populações menos favorecidas.
Diante do aumento da esperança de vida no Brasil, os pesquisadores que participaram
do debate alertam para a necessidade de estudos que avancem cientificamente na com-
preensão da complexa relação das desigualdades sociais e regionais na ocorrência das
doenças crônicas, e indicam que a implementação de políticas públicas intersetoriais pro-
movedoras da equidade é fundamental para estabelecer o bem-estar e evitar a perpetuação
das desigualdades na longevidade saudável, invariavelmente desfavorável para os grupos
em desvantagem social.
Finalizamos com os agradecimentos aos editores do CSP pelo apoio editorial na prepa-
ração do Suplemento; aos autores, pela preparação de artigos de grande interesse à área de
saúde pública; ao professor Cesar Victora pelo texto introdutório que enfatiza a importân-
cia dos inquéritos de saúde; aos pesquisadores James Macinko & Pricila Mullachery, que
abriram o interessante e desafiador debate sobre as desigualdades sociais relacionadas às
DCNT; aos pesquisadores convidados que participaram do debate e propuseram medidas
para promover maior equidade; ao IBGE e ao Ministério da Saúde pela realização das duas
edições da PNS; à Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, pelo incentivo
e suporte financeiro na elaboração deste fascículo; e a todos os brasileiros que responde-
ram aos questionários da PNS e nos forneceram valiosas informações para a elaboração
deste trabalho.

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Colaboradores Informações adicionais

As autoras colaboraram na concepção do editorial, ORCID: Celia Landmann Szwarcwald (0000-0002-


discussão dos artigos, elaboração do texto, e aprova- 7798-2095); Sheila Rizato Stopa (0000-0001-8847-
ram a versão final. 665X); Deborah Carvalho Malta (0000-0002-8214-
5734).

1. Paim J, Travassos C, Almeida C, Bahia L, 6. Stopa SR, Szwarcwald CL, Oliveira MM, Gou-
Macinko J. The Brazilian health system: his- vea ECDP, Vieira MLFP, Freitas MPS, et al.
tory, advances, and challenges. Lancet 2011; National Health Survey 2019: history, methods
377:1778-97. and perspectives. Epidemiol Serv Saúde 2020;
2. Leal MC, Szwarcwald CL, Almeida PVB, Aqui- 29:e2020315.
no EML, Barreto ML, Barros F, et al. Repro- 7. Organização das Nações Unidas. Objetivos de
ductive, maternal, neonatal and child health in Desenvolvimento Sustentável. [Link]
the 30 years since the creation of the Unified [Link]/pos2015/agenda2030/ (acessado
Health System (SUS). Ciênc Saúde Colet 2018; em 23/Nov/2021).
23:1915-28. 8. World Health Organization. Global action
3. Schmidt MI, Duncan BB, Azevedo e Silva G, plan for the prevention and control of NCDs
Menezes AM, Monteiro CA, Barreto SM, et al. 2013-2020. Geneva: World Health Organiza-
Chronic non-communicable diseases in Brazil: tion; 2013.
burden and current challenges. Lancet 2011; 9. Departamento de Vigilância de Doenças e
377:1949-61. Agravos Não Transmissíveis e Promoção da
4. Malta DC, Leal MC, Costa MFL, Morais-Neto Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Mi-
OL. Inquéritos Nacionais de Saúde: experiên- nistério da Saúde. Plano de ações estratégicas
cia acumulada e proposta para o inquérito de para o enfrentamento das doenças crônicas
saúde brasileiro. Rev Bras Epidemiol 2008; 11 não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-
Suppl 1:159-67. 2022. Brasília: Ministério da Saúde; 2011. (Sé-
5. Szwarcwald CL, Malta DC, Pereira CA, Vieira rie B. Textos Básicos de Saúde).
ML, Conde WL, Souza Júnior PR, et al. Pesqui- 10. Souza-Jr PRB, Freitas MPS, Antonaci GA,
sa Nacional de Saúde no Brasil: concepção e Szwarcwald CL. Desenho da amostra da Pes-
metodologia de aplicação. Ciênc Saúde Colet quisa Nacional de Saúde 2013. Epidemiol Serv
2014; 19:333-42. Saúde 2015; 24:207-16.

Recebido em 25/Nov/2021
Aprovado em 04/Fev/2022

Cad. Saúde Pública 2022; 38 Sup 1:e00276021

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