XXIII JORNADA CIENTÍFICA DOS CAMPOS GERAIS
Ponta Grossa, 22 a 24 de outubro de 2025
A IDEOLOGIA DOMINANTE E O MOVIMENTO HIGIENISTA DOS SÉCULOS XIX E
XX: O PAPEL DA REFORMA SANITÁRIA NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Cristiane Aparecida Costa1
Resumo: No fim do século XIX e início do XX, surgia uma nova mentalidade que se propunha a
cuidar da população, educando e ensinando novos hábitos. Convencionou-se chamá-la de
movimento higienista. O movimento higienista, desenvolvido entre os séculos XIX e XX,
constitui-se como um dos principais pilares das reformas sanitárias, inspirado em um conjunto de
práticas médicas, jurídicas e pedagógicas. Esse movimento buscou não apenas intervir nas
condições objetivas de saúde, mas também moldar comportamentos, hábitos e valores da
população. Tem-se como objetivo geral discorrer sobre o papel da ideologia dominante no
movimento higienista nos séculos XIX e XX, a pesquisa teve caráter qualitativo e histórico
documental baseada em revisão bibliográfica. Percebe-se que as implicações geradas na reforma
sanitária e educação em saúde, estruturaram um aparato de dominação cultural e social, bem
como teve relação com políticas de embranquecimento da população brasileira, mediante a vinda
de imigrantes europeus. Para Marx (2011), a ideologia não é simples distorção da realidade, mas
um sistema de representações que naturaliza as relações sociais. No caso do higienismo, isso se
expressou na culpalização dos pobres pelas epidemias (Marx, Engels, 2011). Neste sentido o
médico-sanitarista, aparece como personagem de uma elite que propiciará as intervenções
necessárias ao estabelecimento da nova ordem higienista; ações sanitárias serão desenvolvidas
com vistas a combater epidemias, um ideal de limpeza e, ao mesmo tempo, desejo utópico do
progresso. Caldeira (2003), explica como se exercia um controle sobre a pobreza como sintoma
de doença associada à desordem e à sujeira. É a partir das doenças que se identificam os desvios
morais e os crimes como diagnóstico da elite no último quartel do século XIX. Para combater
doenças, foi criado o Serviço Sanitário para tratar as áreas propícias ao contágio. A literatura
analisada permite afirmar que o higienismo foi um campo privilegiado de articulação entre
ciência, política e ideologia. Permanece evidente que o higienismo exerceu papel central na
consolidação da ideologia dominante, tornando a educação em saúde e a reforma sanitária
instrumentos de disciplinamento e conformação social.
Palavras-chave: Movimento Higienista. Reforma Sanitária. Ideologia dominante.
REFERÊNCIAS
CALDEIRA, T. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São Paulo:
Editora 34/Edusp.
MARX,K; ENGELS, F. A ideologia Alemã. São Paulo, Boitempo, 2011.
1
Professora Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, docente Faculdade
Anhanguera; criscosta16@[Link]