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Uma Revisão Da Literatura Brasileira Sobre Os Modelos de Gerenciamento Matricial de Despesas

Este artigo apresenta uma revisão da literatura brasileira sobre o Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD), destacando sua importância para a gestão eficaz dos gastos e a competitividade das empresas. A pesquisa identificou que o GMD é mais aplicado em setores como Saúde, Alimentação e Órgãos Públicos, e fornece um arcabouço teórico que pode auxiliar gestores e pesquisadores. O estudo sugere a adaptação do GMD a diferentes segmentos empresariais no Brasil como uma diretriz para futuras investigações.

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Uma Revisão Da Literatura Brasileira Sobre Os Modelos de Gerenciamento Matricial de Despesas

Este artigo apresenta uma revisão da literatura brasileira sobre o Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD), destacando sua importância para a gestão eficaz dos gastos e a competitividade das empresas. A pesquisa identificou que o GMD é mais aplicado em setores como Saúde, Alimentação e Órgãos Públicos, e fornece um arcabouço teórico que pode auxiliar gestores e pesquisadores. O estudo sugere a adaptação do GMD a diferentes segmentos empresariais no Brasil como uma diretriz para futuras investigações.

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ABCustos, São Leopoldo: Associação Brasileira de Custos, v. 18, n.2, p. 01-26, mai./ago.

2023 ISSN 1980-4814


___________________________________________________________________________________________________

Uma Revisão da Literatura Brasileira sobre os Modelos de


Gerenciamento Matricial de Despesas
___________________________________________________________________

Ermerson Rogério de Souza


Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade de Araraquara –UNIARA
Contador
Rua Carlos Gomes, 1217. Centro Araraquara/SP. CEP: 14801-340
E-mail: [Link]@[Link]

Anderson Rogério Faia Pinto


Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo - USP
Professor na Universidade de Araraquara - UNIARA
Rua Carlos Gomes, 1217. Centro Araraquara/SP. CEP: 14801-340
E-mail: anderson@[Link]

Bruna Cristine Scarduelli Pacheco


Pós-Doutorado em andamento em Engenharia de Produção pela Universidade de
São Paulo - USP
Professora na Universidade de Araraquara - UNIARA
Rua Carlos Gomes, 1217. Centro Araraquara/SP. CEP: 14801-340
E-mail: bcspacheco@[Link]

Roni Cleber Bonizio


Doutorado em Controladoria e Contabilidade pela Faculdade de Economia
Administração e Contabilidade - FEA/USP
Professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo - FEA-RP/USP
Av. Bandeirantes, 3900, Sala 39, Bloco C1. Monte Alegre. Ribeirão Preto/SP. CEP:
14040900
E-mail: rbonizio@[Link]

RESUMO

A melhoria da capacidade competitividade de uma empresa requer uma gestão eficaz


dos gastos. Uma ferramenta que propicia uma visão detalhada e estratégica dos
gastos é o Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD). Entretanto, não há
produções científicas com foco em revisões de literatura sobre o GMD. Logo, este
artigo tem como objetivo apresentar uma revisão da literatura brasileira sobre os
estudos publicados acerca do GMD. É o primeiro artigo a fornecer uma análise sobre
abordagens do GMD publicadas nas bases científicas do Brasil. A metodologia de
pesquisa empregou uma revisão de literatura de natureza exploratória e descritiva em
torno do GMD. As buscas nas bases de dados científicas se estenderam até junho de
2022. As análises dos resultados demostraram que o GMD é mais aplicado nos
segmentos de Saúde (25%), Alimentícia (15%), Metalúrgica (10%) e Órgãos Públicos
(10%). A principal contribuição deste artigo está em fornecer um arcabouço teórico
que corrobora com os avanços na aplicação do GMD no Brasil. Assim sendo, este
artigo pode apoiar gestores, estudantes e pesquisadores sobre os processos de
Uma revisão da literatura brasileira sobre os modelos de Gerenciamento Matricial de Despesas
Ermerson Rogério de Souza, Anderson Rogério Faia Pinto, Bruna Cristine Scarduelli
Pacheco, Roni Cleber Bonizio

implantação e implementação do GMD. Uma importante sugestão para futuros


estudos é melhor adaptar o GMD às empresas de vários segmentos no Brasil.

Palavras-chave: Gestão de Custos. Orçamento Matricial. Gerenciamento Matricial de


Despesas.

A Brazilian Literature Review on Models of Matrix Expense Management

ABSTRACT

Improving a company’s competitive capacity requires effective management of


expenses. A tool that provides a detailed and strategic view of expenditures is the
Matrix Expense Management (MEM). However, there are no scientific productions
focusing on literature reviews on the MEM. This article aims to present a review of
Brazilian literature on published studies about MEM, though. It is the first article to
provide an analysis to MEM approaches published in Brazil’s scientific databases. The
research methodology employed a literature review of an exploratory and descriptive
nature around MEM. The searches in scientific databases were extended until June
2022. The results analysis showed that MEM is more applied in Health Segments
(25%), Food (15%), Metallurgical (10%) and Public Bodies (10%). The main
contribution of this article is to provide a theoretical framework that corroborates the
advances in MEM application in Brazil. Therefore, this article can support managers,
students, and researchers on the processes of MEI implantation and implementation.
An important suggestion for future studies is to better adapt MEM to companies from
various segments in Brazil.

Keywords: Cost Management. Matrix Budget. Matrix Expense Management.

Una Revisión de la Literatura Brasileña sobre Modelos de Gestión de Matriz de


Gastos

RESUMEN

Mejorar la capacidad competitiva de una empresa requiere una gestión eficaz de los
gastos. Una herramienta que proporciona una vista detallada y estratégica de los
gastos es la Matrix Expense Management (GMG). Sin embargo, no existen
producciones científicas centradas en revisiones bibliográficas sobre el GMG. Por lo
tanto, este artículo tiene como objetivo presentar una revisión de la literatura brasileña
en torno a los estudios publicados sobre GMG. Es el primer artículo con un análisis
de los enfoques del GMG publicados en las bases de datos científicas de Brasil. La
metodología de investigación empleó una revisión bibliográfica de carácter
exploratorio y descriptivo en torno al GMG. Búsquedas en bases de datos científicas
extendidas hasta junio de 2022. El análisis de los resultados mostró que la GMG es
más aplicada en los segmentos de Salud (25%), Alimentaria (15%), Metalúrgico (10%)
y Organismos Públicos (10%). La principal contribución de este artículo es
proporcionar un marco teórico que corrobore los avances en la aplicación de la GMG
en Brasil. Siendo así, este artículo puede apoyar a los administradores, estudiantes e

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investigadores sobre los procesos de implantación e implementación del GMG. Una


sugerencia importante para futuros estudios es adaptar mejor el GMG a empresas de
varios segmentos en Brasil.

Palabras clave: Gestión de Costos. Matriz de Presupuesto. Gestión de Matriz de


Gastos.

1 INTRODUÇÃO

A melhoria da capacidade competitiva de uma empresa requer uma gestão


eficaz dos gastos (Souza & Mello, 2011). É nesse contexto que muitas empresas
buscam por ferramentas aptas ao gerenciamento de gastos (Da Silva et al., 2014;
Voltz, Schmidt, & Santos, 2017; Reis, 2019). Fato é que a escassez de ferramentas
capazes de planejar, controlar e reduzir gastos é uma realidade no Brasil. Entretanto,
uma ferramenta que propicia uma visão detalhada e estratégica dos gastos é o
Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD).
A aplicação do GMD melhora a gestão orçamentária dos Departamentos,
Centros de Custo (CCs) ou Unidades de Negócios (Lourenço & Castilho, 2006;
Wanzuit, 2009). Porém, a falta de sistemas estruturados ao planejamento e controle
orçamentário dificulta a implementação do GMD (Dias, de Ávila, Tisott, Tisott, Cruz,
Nespolo, & Camargo, 2013; Da Silva & Bezerra, 2014). Junta-se a isso: i) as barreiras
culturais nas empresas (Beber, 2007; Vieira, 2011; Damasceno, 2019) e; ii) as
limitações de muitos gestores em adequar as empresas ao GMD (Dallora & Forster,
2013; Oliveira et al., 2015; Claas, Victor, & Carraro, 2016).
A maioria das publicações encontradas na literatura são estudos de casos que
expressaram a eficiência do GMD comparando-o a uma evolução do Orçamento
Base-Zero (OBZ). Assim, o OBZ é muitas vezes empregado como uma etapa do
planejamento estratégico que controla os gastos no GMD. Exemplos desses estudos
são Oliveira et al., (2015), Carraro & Galvan (2016), Claas et al., (2016), Spaniol,
Kliemann Neto, Faria Correa, & Denicol, (2016) e Pessoa, Arita e Leitão (2022).
Todavia, não há análises comparativas sobre quais os melhores estudos ou formas
de aplicações do GMD (Sampaio, Peterli, Vallim, & Vallim, 2016; Da Silva et al., 2020).
A questão chave que motiva este artigo é que também não há abordagens cujo
objetivo é apresentar revisões e análises da literatura sobre o GMD. A dificuldade de

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se encontrar referenciais teóricos foi relatada por autores como Conte & Dutra (2014).
Logo, este artigo apresenta uma revisão da literatura brasileira sobre os estudos
publicados acerca do GMD. É o primeiro artigo a fornecer uma revisão de literatura
sobre as abordagens do GMD publicadas nas bases científicas do Brasil. Esses
estudos são analisados sob uma perspectiva de entendimento em torno da
aplicabilidade do GMD. Também é discutido sobre como o GMD vem sendo proposto
aos diversos segmentos empresariais do Brasil.
A principal contribuição deste artigo está em fornecer um arcabouço teórico que
corrobora com os avanços do GMD no Brasil. Também apoia na melhor compreensão
e direcionamento de pesquisas futuras abordando o GMD. Assim sendo, este artigo é
relevante para estudantes e pesquisadores como meio de fundamentação teórica
sobre o GMD. Na prática, possibilita aos profissionais de diferentes segmentos um
importante arcabouço científico em torno da gestão de gastos sob a perspectiva do
GMD. Este artigo está estruturado da seguinte forma; a seção 2 fornece um breve
referencial teórico do GMD; a seção 3 é traz a metodologia de pesquisa e de
abordagem do GMD; a seção 4 apresenta a análise e os resultados da revisão de
literatura do GMD; e o artigo se encerra com as considerações finais acerca do GMD.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Gerenciamento Matricial de Despesas


A origem do GMD foi no ano de 1988 na empresa brasileira Companhia de
Bebidas das Américas (AMBEV). Neste ano, a AMBEV utilizou o OBZ para elaborar o
planejamento orçamentário do ano de 1999 (Claas et al., 2016). Esse projeto obteve
expressivos resultados em relação ao ano anterior de 1988 com redução dos gastos
fixos em cerca de R$ 152 milhões (Claas et al., 2016). Em seguida, o GMD foi utilizado
com muito sucesso por diversas empresas, como a Vale, a BRF, a ABinBev e a
Braskem (Aleixo, 2020).
Tecnicamente, o GMD é uma metodologia que agrupa gastos semelhantes em
uma mesma matriz para melhor gerenciá-los de forma a otimizar os resultados da
empresa (Padoveze, 2015; Sampaio et al., 2016; Reis, 2019). Uma gestão detalhada
aloca tipos de gastos idênticos a um mesmo grupo que são comuns à vários

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departamentos ou CCs (Sá, 2005). Portanto, o GMD também é conhecido como


Orçamento Matricial (OM) ou Orçamento Matricial de Despesas (OMD). Esse modelo
orçamentário se utiliza de uma série de elementos internos para melhorar a gestão da
empresa (Santos, Schmidt, Pinheiro, & Martins, 2008).
A aplicação do GMD é baseada em três princípios (Sá, 2005; Santos et al.,
2008): i) Controle cruzado – as despesas orçadas versus realizadas devem ser
acompanhadas pelo dono do Pacote (visão horizontal) e pelo responsável pela
Entidade (visão vertical); ii) Desdobramento de gastos – os gastos devem ser
detalhados até os níveis de atividades e de unidades orçamentárias e; iii)
Acompanhamento sistemático – acompanhar os resultados de forma dinâmica
comparando-os com as metas e fazendo as correções necessárias no GMD.
As despesas são orçadas e controladas pelos gerentes das Entidades e dos
Pacotes de gastos dos CCs. As Entidades são os setores da estrutura organizacional
e os Pacotes são grupos de despesas semelhantes e comuns a vários CCs (Sá, 2005).
Isto é, as linhas são representadas pelas contas contábeis e as colunas pelos CCs
(Silva, 2003; Carraro & Galvan, 2016; Reis, 2019). A ideia é que essas informações
se cruzem em linhas (Pacotes) e colunas (Entidades) para formar uma matriz de
despesas que facilite a visualização de quaisquer alterações (Reis, 2019).
É baseado na lógica de que a responsabilidade pelos gastos de uma conta
contábil é de gestores estrategicamente escolhidos para Pacotes e Entidades
(Padoveze, 2015). Todos os líderes de cada área têm como função gerenciar os
gastos sob sua gestão e de fornecer apoio ao processo orçamentário (Spaniol et. al.,
2016). Logo, os gestores de Pacotes são os responsáveis em garantir que o
orçamento seja executado conforme o planejamento estratégico, e cada gerente de
Entidade responde pelos gastos de sua área ou CCs (OECD, 2009; Sampaio et al.,
2016; Voltz et al., 2017).
As reduções dos gastos são obtidas quando os gerentes de Pacotes e de
Entidades definem parâmetros de comparação entre os CCs (Padoveze, 2015). Tais
reduções demandam uma estrutura de planejamento e controle que são
desmembradas em contas e subcontas para melhor apuração e acompanhamento da
Contabilidade (Carraro & Galvan, 2016). As análises e metas de redução dos gastos

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permitem uma visão geral de cada área que reflete no resultado orçamentário (Silva,
2006; Magalhães, 2009; Nogueira, Ramos, & Walker, 2012; Voltz et al., 2017).
Isto posto, o GMD corrobora com que a empresa alcance índices de
desempenho com altos padrões de excelência (Sá, 2005). Isso é feito mantendo o
lucro e garantindo tanto a qualidade do produto/serviço quanto a satisfação dos
clientes (Santos et al., 2008). Uma analogia entre o GMD e o OBZ pode ser feita
mediante a gestão dos Pacotes (Carpes, Oro, Eidt, & Sterz, 2008; Oliveira et al., 2015).
São nos Pacotes que os cruzamentos das contas contábeis são realizados e cujos
gestores das áreas e do orçamento controlam os gastos (Padoveze & Taranto, 2009).
Exemplo de controle cruzado é ilustrado pela Figura 1.

Entidades

Atuação do Gestor Atuação do Gestor Atuação do Gestor


do Centro A do Centro B do Centro C

Pacote de
Atuação do Gestor de Pacote
Salários

Pacote de
Pacotes Atuação do Gestor de Pacote
Manutenção

Pacote de Serviços
Atuação do Gestor de Pacote
de Terceiros

Figura 1. Controle cruzado no Gerenciamento Matricial de Despesas


Fonte: Adaptado de Silva (2006).

A Figura 1 demonstra que o controle cruzado torna possível aos gestores de


Pacotes realizarem ações de forma que se execute o GMD. Esse controle cruzado é
estruturado de maneira que os gastos efetivados não sejam maiores que os definidos
no processo orçamentário do GMD. A implantação do controle cruzado corrobora com
um maior controle das Entidades e quiçá com uma redução de gastos maior do que o
previsto no GMD. Na sequência, as vantagens e desvantagens do GMD são
sintetizadas pelo Quadro 1.

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Vantagens Desvantagens
Cumprimento de prazos Choques hierárquicos
Redução de desperdícios Adaptação cultural da empresa
Uso adequado de recursos Aprovações mais lentas e atrasar os projetos
Integração dos gestores e entidades
Permite a racionalização dos gastos
Aprimoramento técnico das equipes
Melhor visão da movimentação dos gastos
Adequado grau de controle para os gestores
Permite a comparação com outras entidades
Regras claras e controle contínuo das atividades

Quadro 1. Vantagens e desvantagens do Gerenciamento Matricial de Despesas


Fonte: Adaptado de Rebouças (2005), Souza et al., (2010), Carvalho (2012) e Conte e Dutra (2014).

No Quadro 1, nota-se que as vantagens se sobressaem às desvantagens na


implantação e implementação do GMD. Todavia, os choques hierárquicos junto à
cultura da empresa são as maiores desvantagens na implantação do GMD. A
morosidade nos processos também é uma desvantagem, porém, é decorrente das
outras duas anteriores e acabam impactando consideravelmente nas etapas do GMD.
A seguir, o Quadro 2 exibe tanto a relevância frente ao detalhamento e a redução dos
gastos quanto a compatibilidade entre os desafios e os benefícios gerais do GMD.

Formas Tradicionais de Orçamento Gerenciamento Matricial de Despesas


Centralização Descentralização
Beneficia maus gestores Benefício para todas as áreas
Poucas auditorias contábeis Constantes auditorias contábeis
Ônus da prova com a diretoria Ônus da prova de cada gerência
Desafios desiguais para as áreas Desafios compatíveis à cada área
Redução de despesas de cima para baixo Redução de despesas com negociação
Ausência de exame detalhado dos gastos Exame detalhado dos gastos de cada área
Difícil identificação e correção dos desvios Rápida identificação e correção dos desvios
Reuniões somente na confecção do orçamento Reuniões nos fechamentos mensais dos resultados

Quadro 2. Comparativo entre Orçamentos Tradicionais e o Gerenciamento Matricial de Despesas


Fonte: Adaptado de Nogueira et al. (2012)

Note que no GMD é possível realizar o acompanhamento dos gastos orçados


versus realizados e a avaliação de desempenho dos CCs (Conte & Dutra, 2014). A
técnica de controle cruzado proporciona mais transparências às operações e os
informes gerenciais viabilizam que inúmeras decisões sejam tomadas de forma mais
ágil e consistente (Dalpaz & Trentin, 2014). Há, portanto, ganhos qualitativos nas
projeções mensais que são estruturadas de modo mais criterioso e que resultam em

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economias significativas frente ao orçamento (Dalpaz & Trentin, 2014; Pessoa et al.,
2022).
As justificativas relacionadas aos valores divergentes do orçado são dadas
pelos gestores de Pacotes e de Entidades (Sampaio et al., 2016). É o gestor de cada
Pacote que tem a incumbência de apresentar os pareceres sobre o impacto dos
gastos, no total das contas contábeis, já justificados por cada responsável da Entidade
(Padoveze, 2013). Em termos gerais, as vantagens relacionadas ao foco no controle
e na efetiva redução dos gastos supera quaisquer críticas, pontos fracos e
desvantagem relacionadas ao GMD (Voltz et al., 2017).

3 METODOLOGIA DE PESQUISA

Este artigo apresenta uma revisão de literatura que utiliza procedimentos


técnicos caracterizados como uma pesquisa bibliográfica de natureza exploratória e
descritiva do GMD (Fisch & Block (2018) e Watson & Webster (2020). A revisão da
literatura foi realizada a partir das buscas nos portais de periódicos SciELO e Google
Acadêmico. As palavras-chave utilizadas nas pesquisas foram; “Gestão de Custos”,
“Redução de Custos”, “Orçamento Matricial” e “Gerenciamento Matricial de
Despesas”.
As buscas nas bases de dados científicas se estenderam até o mês de junho de
2022. A pesquisa englobou teses, dissertações e artigos de periódicos nacionais
publicados por meio eletrônico (on-line) e no idioma da Língua Portuguesa. A seleção
das publicações foi realizada excluindo as obras que não tinham relação com o GMD.
A Figura 2 ilustra o mapa de relação das palavras-chave referentes às publicações
selecionadas para revisão de literatura do GMD (elaborado com utilização do software
VOSviewer version 1.6.16).

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Figura 2. Mapa de relação palavras-chave


Fonte: Elaborado pelos autores.

A seleção das publicações foi baseada no enquadramento ao objetivo deste


artigo e inclui diferentes segmentos empresariais em que foram aplicados o GMD.
Assim sendo, este artigo descartou estudos que abordam outras especificidades que
estão fora do escopo de abordagem do GMD. As pesquisas resultaram na seleção de
20 publicações entre os anos de 2006 até 2022. As análises das publicações também
atestaram o uso de diferentes nomenclaturas para distinguir variações e/ou extensões
do GMD. Essas nomenclaturas são o Orçamento Matricial (OM) e o Orçamento Matricial
de Despesas (OMD). Neste artigo, opta-se por utilizar uma nomenclatura padrão para
todas as publicações que é o GMD. A Tabela 1 traz as publicações selecionadas
enquanto a distribuição temporal desses estudos é ilustrada pelo gráfico da Figura 3.

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Tabela 1
Publicações selecionadas. Referências das Abreviações: MOD – Modelo; APL – Aplicação.
Pesquisas Tipos de Estudo
Referências Base de Dados Segmentos
(Publicaçõe
(Autores) (Científicas) (Empresas) MOD APL
s)
Bartilotti (2006) Dissertação Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (FEAD) Telecomunicações 
Beber (2007) Tese Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Órgão Público 
Magalhães (2009) Dissertação Universidade de Taubaté (UNITAU) Alimentícia 
Teles de Oliveira, Prado Filho,
Artigo II Congresso Consad de Gestão Pública (CONSAD) Terceirização 
& Sales (2009)
Wanzuit (2009) Dissertação Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Órgão Público 
Marçola & Andrade (2010) Artigo XXX Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP) Metalúrgica 
Vieira (2011) Dissertação Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Saúde 
Dallora & Forster (2013) Artigo Revista de Administração em Saúde (RAS) Saúde 
Dias et al. (2013) Artigo Revista Inteligência Competitiva (RIC) Saúde 
Conte & Dutra (2014) Artigo Revista de Contabilidade, Ciência da Gestão e Finanças Metalúrgica 
Da Silva & Bezerra (2014) Artigo VIII Congresso Anpcont (ANPCONT) Celulose 
Oliveira, Ramos, Da Silva, & 
Artigo Revista Iberoamericana de Contabilidad e Gestión (RIGC) Alimentícia
Prado et al. (2015)
Claas et al. (2016) Artigo Revista Contabilidade, Ciência da Gestão e Finanças Alimentícia 
Carraro & Galvan (2016) Artigo Revista Iberoamericana de Contabilidad e Gestión (RIGC) Borracha 
Sampaio et al. (2016) Artigo XXIII Congresso Brasileiro de Custos (CBC) Saúde 
Spaniol et al. (2016) Artigo Revista Espacios Engenharia 
Damasceno (2019) Dissertação Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) Saúde 
Da Silva et al. (2020) Artigo Encontro dos Programas de Pós-Graduação em Administração (EMPRAD) Indústria Química 
Pessoa et al. (2022) Artigo XXIII International Conference in Accounting (USP) Combustíveis 
Russo, Leandro, Borinelli, &
Artigo Organizações & Sociedade (O&S) Eletrodomésticos 
Souza (2022)
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores.
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35% 6 6 6
30% 30% 30%
30%

25%

20%

15% 2
10%
10%

5%

0%
2006-2010 2011-2015 2016-2020 2021-2022

Figura 3. Distribuição temporal das pesquisas


Fonte: Elaborado pelos autores.

A Tabela 1 em concomitância com a Figura 3 evidencia a escassez de


abordagens em torno do GMD. Note que as buscas resultaram na seleção de um
número limitado de 20 estudos com a primeira publicação de Bartilotti (2006). Esses
estudos são contemporâneos e delimitam toda a fundamentação teórica e revisão de
literatura sobre o GMD. Ressalta-se que este artigo se restringiu somente ao âmbito
nacional por não encontrar pesquisas internacionais com aplicação do GMD. Por
conseguinte, a revisão de literatura proposta neste artigo contempla a análise e a
discussão dos resultados relacionados aos estudos apresentados pela Tabela 1.

4 ANÁLISE DE DADOS E RESULTADOS

4.1 Análise dos Estudos


Estudos que abordam aplicações ou propõem modelos de implantação do GMD
podem ser considerados recentes pela comunidade científica com a primeira
publicação de Bartilotti (2006). Inicialmente, Bartilotti (2006) analisou a implantação do
GMD em uma empresa do segmento de telecomunicações no período de 2002 até
2005. Este estudo constatou que uma ferramenta eficiente para definir e atingir metas
com foco na redução dos gastos é o GMD. Uma maior preocupação pelo controle de
custos e a busca por um melhor resultado global da empresa foram identificadas após
a implantação do GMD.
Beber (2007) operacionalizou o GMD na Secretaria de Fazenda do Rio Grande
do Sul (RS). Embora o GMD tenha sofrido adaptações, funcionou em dezenas de
Secretarias do RS. Apesar de não considerar metas e resultados prioritários, as
Secretarias conseguiram identificar oportunidades de redução de gastos fixos de curto
e médio prazos com o GMD. A falta de dados disponíveis e de uma cultura focada em
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custos dificultou as análises do GMD. A falta de tempo para a criação de novos


indicadores também foram fatores limitantes identificados por Beber (2007).
Magalhães (2009) aplicou o GMD para reduzir custos de terceirização de uma
empresa do setor vidreiro sob a ótica de gestão de classe mundial usando o PDCA
(plan, do, check, act). Este estudo analisou a viabilidade dos contratos de terceirização
por meio de uma matriz de acompanhamento orçamentário idêntica ao GMD. As
análises dos resultados ratificaram que o GMD vai além de um método eficaz de
controle de gastos. Magalhães (2009) concluiu que o GMD é uma ferramenta capaz
de subsidiar a tomada de decisões estratégicas quando associado ao PDCA.
Teles et al. (2009) firmaram convênio com o Governo do Estado de Sergipe
(SE) para implantar um projeto de GMD e Gerenciamento Matricial de Receitas
(GMR). A implantação dessas ferramentas foi fundamentada sob a ótica do PDCA e
coordenado pela Secretaria de Administração do Governo. As análises entre os
períodos de 10/2007 a 09/2008 apresentaram um ganho aproximado de R$ 160
milhões. As metas foram atingidas e possibilitaram uma melhor gestão de gastos que
repercutiram no melhor controle e na tomada de decisões mais assertivas dos
gestores do Governo. Importante resultado foi a descoberta de que a geração de
receitas também fora corroborada ao integrar o GMD com o GMR.
Wanzuit (2009) aplicou o GMD com o objetivo de melhorar o planejamento e o
controle de gastos de uma empresa do setor alimentício instalada no estado de Santa
Catarina (SC). A padronização de processos e a otimização de recursos para
aprimorar as práticas de melhoria contínua resultou na redução de gastos em cerca
de 2,1% em 2006 e 4,8% em 2007. A unificação do tratamento das despesas variáveis
e fixas sem relacioná-las com a receita é o fator de maior contestação ao estudo de
Wanzuit (2009). A maior dificuldade identificada foi como unificar o tratamento das
despesas variáveis e fixas na implementação do GMD.
Marçola & Andrade (2010) aplicaram o GMD em uma indústria metalúrgica de
grande porte no interior do estado de São Paulo (SP). As identificações das contas
contábeis e de todos os gastos foram acompanhadas junto às ações de otimização
realizados pelos gestores de Pacotes e de Entidades. Este estudo demonstrou que é
possível obter ganhos significativos e motivar ações proativas no planejamento e
controle orçamentário via implementação do GMD. A resistência dos gestores com o
aumento da carga de trabalho atrelado às dificuldades de padronização e de

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distribuição dos valores das subcontas aos respectivos CCs foram os fatores
limitantes ao GMD.
Vieira (2011) implantou o GMD no segmento de saúde por meio de três etapas
cuja primeira focou em atender clientes com menores custos comparados ao OBZ,
GMD e Custo Kaizen. Logo, o GMD foi tratado como uma ferramenta de melhoria do
resultado econômico que incluiu o GMR e o Diagnóstico de Desempenho Operacional
(DDO). Por fim, o GMD foi parcialmente implantado na unidade de um complexo
hospitalar (devido a indisponibilidade de funcionários). A formulação de indicadores
possibilitou a identificação de oportunidades de melhorias como parte do processo
orçamentário do GMD. A análise dos resultados validou a implantação e a melhoria
dos resultados econômicos obtidos por meio do GMD.
Dallora & Forster (2013) propuseram o GMD para gerenciamento de custos dos
materiais de consumo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo (HC/FMRP/USP). A pesquisa envolveu 40
gerentes cujas respostas coerentes com a gestão adequada de custos de materiais
de consumo foram de 55%. Dallora & Forster (2013) concluíram que a melhoria dos
resultados em custos requer uma melhor capacitação e conscientização do papel da
equipe e dos gestores dos CCs. Este estudo também demonstrou que o resultado
social é tão ou mais relevante que o financeiro apresentado pelo GMD.
Dias et al. (2013) aplicaram o GMD em uma Operadora de Plano de Saúde
(OPS) do RS. A pesquisa objetivou melhorar o controle de custos e o retorno sobre
os resultados da OPS. A melhoria da competitividade em termos de custos, serviços
e preços de produtos foi observada após a execução do GMD. Uma gama de
oportunidades de redução de despesas se refletiu no orçamento anual elaborado pela
OPS. A principal dificuldade ressaltada neste estudo foi o receio dos funcionários e
gestores frente às mudanças e as inovações organizacionais na OPS.
Conte & Dutra (2014) realizaram um estudo de caso com o objetivo de
desenvolver o processo de implantação do GMD em uma empresa do ramo
metalúrgico instalada em Caxias do Sul (RS). Logo, os pesquisadores identificaram e
analisaram os princípios fundamentais, as vantagens e limitações, e as etapas para
implantação do GMD. A análise do estudo mostrou que foi possível identificar os
gastos, mensurar o desempenho dos setores, avaliar o envolvimento dos funcionários
e realizar ações de melhoria proporcionadas pelo GMD. A dificuldade de encontrar
referencial teórico sobre o GMD foi uma dificuldade relatada por Conte & Dutra (2014).
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As conclusões foram de que o GMD é capaz de fornecer informações de qualidade


que orientam as tomadas de decisões em tempo hábil à empresa de Caxias do Sul.
Da Silva & Bezerra (2014) estudaram uma indústria de celulose visando
demonstrar se houve melhora nas gestões dos gastos e do orçamento após a
implementação do GMD. As análises foram realizadas a partir do confronto entre os
dados do estudo com os resultados da empresa obtidos por intermédio do controle
cruzado dos gastos em cada Pacote. As variações foram discutidas em reuniões
mensais e ações de melhoria realizadas pelos gestores de Pacotes. Melhorias na
eficácia do orçamento e no consumo de recursos também foram obtidas com o GMD.
Alguns pontos de atenção estão no fato de ser um estudo de caso isolado com curtos
tempos de análise e que podem apresentar algum viés em relação às conclusões de
Da Silva & Bezerra (2014).
Oliveira et al. (2015) propuseram o GMD em uma empresa alimentícia de
Itumbiara no estado de Goiás (GO). Este estudo objetivou verificar a utilização do
sistema orçamentário no contexto do GMD. A coleta de dados foi realizada a partir de
uma entrevista estruturada e os benefícios foram obtidos por meio da implantação do
GMD. Importante barreira identificada neste estudo foi a falta de comprometimento na
elaboração dos planos de ações junto à implantação do GMD. Isso ocorreu tanto nos
processos de reversão dos desvios negativos quanto nas etapas envolvendo as
revisões das metas de cada Pacote.
Claas et al. (2016) realizaram um estudo para identificar as percepções dos
gestores e subordinados quanto ao impacto da implementação do GMD. Este estudo
foi realizado em uma empresa de grande porte do setor alimentício situada no RS. As
análises demonstraram que o GMD é uma ferramenta eficaz na redução dos gastos
dada à lógica de Pacotes e Entidades. Também se identificou que a falta de
comprometimento e conhecimento dos gestores e subordinados sobre as
especificidades dos processos de implantação impactam na eficácia do GMD. As
limitações de tempo para as coletas, análises dos dados e percepção da empresa
estudada foram fatores restritivos às análises e conclusões do estudo de Claas et al.
(2016).
Carraro & Galvan (2016) aplicaram o GMD em uma indústria de componentes
de borracha instalada no interior do estado do RS. A questão de pesquisa se voltou
para a estrutura do GMD como uma evolução do OBZ atrelada à metodologia do ciclo
PDCA. As análises dos resultados apresentaram uma significativa redução dos gastos
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e uma série de vantagens do GMD. Além disso, permitiu a integração do planejamento


e do controle orçamentário a um sistema de indicadores de desempenho atrelado ao
GMD. Esse foi um estudo de caso único no setor industrial de borracha em que uma
série de benefícios obtidos pelo GMD foram apresentados por Carraro & Galvan
(2016).
Sampaio et al. (2016) aplicaram o OBZ alinhado ao GMD na Unimed Vitória
localizada no estado do Espírito Santo (ES). Este estudo identificou as vantagens e
desvantagens relacionadas aos processos de planejamento e controle orçamentário
com a aplicação do OBZ e do GMD. As análises constataram que houve melhoras
nos resultados da empresa (maior controle sobre a origem de receitas e despesas) e
aperfeiçoamento da gestão orçamentária (menor desvio entre orçado e realizado) em
muitos Pacotes. Essa aplicação, semelhante a outros estudos de caso único, não
possibilitou a realização de comparações entre outras empresas e a Unimed Vitória.
Spaniol et al. (2016) estruturaram o GMD em uma empresa líder no segmento
de projetos de Software e Engenharia Multidisciplinar no Brasil. A planta da empresa
abordada está localizada na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Esse estudo mostrou que
o GMD vai além da redução de gastos para ser uma ferramenta gerencial que prove
melhorias e otimização financeira quando associada ao PDCA. Entretanto, a perda de
foco, os atrasos no cronograma, os graus de insatisfação dos envolvidos e a perda de
credibilidade dos gestores foram algumas deficiências identificadas por Spaniol et al.
(2016). As conclusões foram de que a implantação e maturidade do GMD exigem
mudanças significativas de cultura e de visão (funcional para transversal) frente às
novas responsabilidades dos gestores de Pacotes e de Entidades.
Damasceno (2019) propôs o GMD na gestão de gastos de um Hospital
instalado no Sul de Minas Gerais (MG). Este estudo constatou que o GMD corrobora
de forma efetiva com o gerenciamento dos gastos e a competitividade econômica do
referido Hospital. Além disso, este estudo apontou as mudanças necessárias na
estrutura de gestão para a aplicação personalizada do GMD. Algumas dificuldades
foram verificadas em razão da forte barreira cultural e no quadro enxuto de gestores
de Pacotes. A disposição de uma estrutura de implementação que dê suporte à
incorporação do GMD foi uma importante questão levantada por Damasceno (2019).
Da Silva et al. (2020) realizaram um estudo de caso em uma indústria química
norte-americana que produz defensivos agrícolas no Brasil. Este estudo objetivou
evidenciar as dificuldades e fatores de sucesso enfrentados na implementação do
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GMD. Análises documentais e entrevistas semiestruturadas foram realizadas com


analistas e gerentes de Controladoria. A implementação se mostrou complexa frente
ao desconhecimento dos gerentes sobre despesas infladas, premissas do orçamento
e critérios de rateio aplicados aos CCs. Este estudo também apresentou risco de
influência na análise dos conteúdos advindos das entrevistas junto à Controladoria.
As conclusões explicitaram que a capacidade do GMD para a redução dos desvios
entre orçado e realizado superou os supracitados entraves e melhorou o desempenho
da empresa no Brasil.
Pessoa et al. (2022) realizaram um estudo de caso único em multinacional do
segmento de combustíveis sediada em Recife no estado de Pernambuco (PE). Este
estudo propôs demonstrar como as dimensões da cultura organizacional se
manifestam nas práticas do GMD. A coleta de dados foi estruturada em três etapas;
análises documentais, questionário fechado com seis gerentes de unidades e
entrevista com o Controller. As análises evidenciaram que a cultura organizacional se
manifesta e tem relevante influência nas práticas orçamentárias que abarcam o GMD.
Importantes resultados em toda a cadeia de valor e no alcance das metas
orçamentárias foram confirmados com o emprego do GMD.
Russo et al. (2022) analisaram a substituição do OC pelo GMD em uma
empresa de grande porte do segmento de eletrodomésticos localizada em São Paulo
(SP). Este estudo foi realizado a partir de observações de entrevistas
semiestruturadas e de análises documentais nos períodos de 2017 a 2020. As
análises das deliberações da área de Controladoria fizeram a empresa optar por não
dar andamento à troca do sistema operacional e continuar com a prática do OC. As
conclusões comprovaram que questões pertinentes às diretrizes e a adaptabilidade
da empresa são fatores determinantes para a escolha e um emprego bem-sucedido
do GMD.

4.2 Discussão dos Resultados


A análise da literatura foi realizada com base nos resultados dos estudos
apresentadas na seção 4.1. Essa análise foi dividida em dois grupos que consistem
respectivamente nas pesquisas que propuseram modelos e naquelas com aplicações
do GMD. As classificações e os objetivos dos estudos são apresentados pela Tabela
2 enquanto os percentuais inerentes as abordagens por segmento de mercado são

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exibidas pela Figura 4. Logo, a Figura 4 especifica os segmentos com dois ou mais
estudos e agrupa aqueles com apenas uma publicação no item “Outros Segmentos”.

Tabela 2
Classificação das pesquisas. Referências das Abreviações: MOD – Modelo; APL – Aplicação.

Referências Objetivo dos Estudos Tipos de Estudo


(Autores) (Modelos e Aplicação) MOD APL
Bartilotti Analisar se o GMD é uma ferramenta apropriada e eficiente para o
(2006) acompanhamento e controle dos gastos fixos operacionais da Empresa. 
Beber Avaliar se o GMD é uma ferramenta adequada e eficiente para a gestão

(2007) de desempenho e dos gastos públicos na Secretaria de Fazenda do RS.
Magalhães Aplicar o GMD para reduzir custos de terceirização de uma empresa do

(2009) setor vidreiro e avaliá-lo sob a ótica da gestão de classe mundial e PDCA.
Teles et al. Aplicar GMD e GMR usando PDCA em gastos, estrutura, arrecadação e

(2009) satisfação de servidores da Secretaria de Administração do Governo (SE).
Wanzuit Propor uma sistemática de apoio e de discussão de ações de melhoria à

(2009) implementação do GMD em uma empresa do setor alimentício de SC.
Marçola & Andrade Implantar o GMD em empresa metalúrgica de grande porte que fabrica

(2010) bens de capital sob encomenda e está instalada no interior de SP.
Vieira Fornecer uma modelagem dos processos e análises qualitativas para

(2011) implementar o GMD ao segmento de saúde (OBZ, DDO e Custo Kaizen).
Dallora & Forster Analisar o gerenciamento de custos dos materiais de consumo realizados

(2013) pelos gerentes do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (FMRP/USP).
Dias et al. Avaliar formas de gerenciar planos de saúde de uma OPS localizada no

(2013) RS de forma a obter competitividade e sustentabilidade mediante o GMD.
Conte & Dutra Realizar estudo de caso com o objetivo de desenvolver a implantação do

(2014) GMD em uma empresa do ramo metalúrgico de Caxias do Sul (RS)
Da Silva & Bezerra Estudar uma indústria de celulose visando explicar se houve melhora nas

(2014) gestões dos gastos e do orçamento após a implementação do GMD.
Oliveira et al. Implantar o GMD para verificá-lo no contexto de uma ferramenta

(2015) orçamentária em uma empresa alimentícia localizada em Itumbiara (GO).
Claas et al. Identificar as percepções dos gestores e subordinados quanto ao impacto

(2016) da implementação do GMD em uma empresa do setor alimentício do RS.
Carraro & Galvan Aplicar o GMD em uma indústria de componentes de borracha do interior

(2016) do RS usando uma metodologia de evolução do OBZ e do PDCA.
Sampaio et al. Aplicar o OBZ alinhado ao GMD para identificar as vantagens e

(2016) desvantagens no gerenciamento orçamentária da Unimed Vitória (ES).
Spaniol et al. Estruturar o GMD em uma empresa líder no segmento de projetos de

(2016) Software e Engenharia Multidisciplinar da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Damasceno Demonstrar que o GMD corrobora de forma efetiva com o gerenciamento

(2019) dos gastos e a competitividade econômica de um Hospital do Sul de MG.
Da Silva et al. Expor as dificuldades e fatores de sucesso enfrentados na implementação

(2020) do GMD em uma empresa de defensivos agrícolas no Brasil.
Pessoa et al. Evidenciar como a cultura organizacional se manifesta nas práticas do

(2022) GMD em uma empresa do segmento de combustíveis de Recife (PE).

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Russo et al. Avaliar a prática de deliberação da Controladoria na decisão de troca do



(2022) OC pelo GMD em uma empresa de eletrodomésticos de São Paulo (SP).
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores.

45%
8
40%
40%
35%
30%
5
25%
25%
20%
3
15% 2 2
15%
10% 10%
10%
5%
0%
Outros Segmentos Saúde Alimentícia Metalúrgica Órgão Público

Figura 4. Percentual de participação por segmento


Fonte: Elaborado pelos autores.

A Tabela 2 aponta que houve um intervalo de tempo considerável entre as


primeiras publicações de aplicação do GMD e o estudo inicial na Ambev. A seguir, a
Figura 4 expõe a quantidade desses estudos por segmento; Saúde (5), Alimentícia
(3), Metalúrgica (2) e Órgãos Públicos (2). Note que o item “Outros Segmentos”
(Borracha, Celulose, Engenharia, Combustíveis, Terceirização, Eletrodomésticos,
Indústria Química e Telecomunicações) correspondem a 40% (8) dos estudos acerca
do GMD. Isso demostra que, para diversos segmentos, ainda há uma significativa
escassez de aplicações do GMD.
Estudos nas áreas da saúde estão centradas nas regiões Sul e Sudeste do
Brasil e foram realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e
Rio Grande do Sul. Esses estudos focaram na redução dos gastos, na melhoria dos
indicadores para a tomada de decisão e na mudança da estrutura organizacional para
diferentes empresas do segmento da Saúde. Isso ocorreu por meio da identificação
de diversos pontos de melhoria e do envolvimento de todos os funcionários nos
processos de implantação e implementação do GMD.
Em geral, esses estudos obtiveram resultados satisfatórios ao equilibrar a visão
econômica e saúde do paciente na implantação do GMD. A quase totalidade combina
o GMD com o OBZ estruturado por meio do PDCA. Estudos em outros segmentos
ocorreram em variadas regiões (Goiás, Sergipe, São Paulo, Minas Gerais, Espírito
Santo, Rio de Janeiro e Pernambuco). Tais estudos apresentaram reduções de

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gastos, melhoria dos processos e aumento dos controles gerenciais alcançados pela
matriz cruzada do GMD. A Tabela 3 classifica os tipos de pesquisas e cujas
representatividades percentuais são ilustradas pelo gráfico da Figura 5.

Tabela 3
Modelos e aplicações do Gerenciamento Matricial de Despesas

Tipos de Estudo Segmentos Referências


(Modelos e Aplicações) (Empresas) (Autores)
Saúde Dallora & Forster (2013)
Modelos Celulose Da Silva & Bezerra (2014)
Eletrodomésticos Russo et al. (2022)
Telecomunicações Bartilotti (2006)
Órgão Público Beber (2007)
Terceirização Magalhães (2009)
Órgão Público Teles et al. (2009)
Alimentícia Wanzuit (2009
Metalúrgica Marçola & Andrade (2010)
Saúde Vieira (2011)
Saúde Dias et al. (2013)
Aplicações Metalúrgica Conte & Dutra (2014)
Alimentícia Oliveira et al. (2015)
Alimentícia Claas et al. (2016)
Borracha Carraro & Galvan (2016)
Saúde Sampaio et al. (2016)
Engenharia Spaniol et al. (2016)
Saúde Damasceno (2019)
Química Da Silva et al. (2020)
Combustíveis Pessoa et al. (2022)
Nota. Fonte: Elaborado pelos autores.

Aplicações
Modelos 85%
15%

Figura. 5 Percentual por tipos de estudo


Fonte: Elaborado pelos autores.

A Tabela 3 junto com a Figura 5 mostram que estudos de Aplicações (17)


superam em larga escala àqueles que apenas propõem Modelos (3) do GMD. Em

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todos esses estudos, as implantações do GMD têm como base de dados os relatórios
extraídos da Contabilidade. É a partir do agrupamento das despesas e dos relatórios
contábeis que se pode analisar e tomar as decisões necessárias para a redução dos
gastos no GMD. As oportunidades econômicas e as melhorias no gerenciamento dos
gastos são as questões centrais dos estudos que abordam o GMD.
As análises dos referidos estudos também revelaram que o GMD é muito eficaz
na redução de gastos para empresas de diferentes segmentos no Brasil. É uma
ferramenta que ao fornecer indicadores e controles de gastos mais precisos torna a
tomada de decisão mais ágil e a gestão mais eficiente. Entretanto, a maioria dos
estudos não deixa claro qual foi a estrutura de implantação e o sistema utilizado para
implementar o GMD. Estudos de casos únicos também impossibilitaram a realização
de análises comparativas entre empresas e os resultados do GMD.
Além disso, outras limitações foram observadas nos estudos apresentados
pelas Tabelas 2 e 3. As limitações predominantes foram aquelas oriundas da cultura
das empresas e das influências e resistências dos gestores e funcionários diante da
implantação do GMD. É notório que em muitas abordagens não houve a total
aplicação de todas as etapas do processo de implantação do GMD. Em alguns casos,
verificou-se a falta de treinamentos e de comprometimento na elaboração dos planos
de ação para reverter desvios negativos frente ao GMD. Isso se estendeu às perdas
de foco e de credibilidade dos gestores responsáveis pelo GMD.
As análises também identificaram incoerências relacionadas às classificações
e tratamentos únicos para despesas fixas e variáveis. Além disso, houve casos em
que foram comparados valores de divergentes entre o GMD e a Contabilidade. A
efetivação de gastos não orçados e estudos realizados em curtos intervalos de tempo
são outros fatores que se demonstraram complicadores à Controladoria. Estudos em
empresas públicas apresentaram especificidades que demandam atenção na
implantação do GMD. A execução orçamentária nessas empresas é muitas vezes
transformada em centros de barganhas políticas e os gastos reais deve ser o foco
dado à avaliação do GMD. Evidentemente, os segmentos comerciais também
carecem de estudos em torno do GMD.
É importante enfatizar que implantar o GMD implica em lidar com muitos
desafios, em especial, àqueles relacionados as barreiras culturais e o engajamento
dos gestores no Brasil. Essas questões tornam a matriz de controle cruzado e os

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donos de Pacotes elementos de importância fundamental no processo de implantação


do GMD. Via de regra, o GMD é ainda pouco utilizado e o sucesso em implementá-lo
requer adaptações à realidade das mais diversas empresas no Brasil. Ações efetivas
direcionadas à definição de metas e a mudança da cultura são fatores chaves para a
satisfatória funcionalidade do GMD. A realização de estudos com mais empresas é
mister para a incorporação e aprimoramento da metodologia do GMD.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo apresentou uma revisão da literatura brasileira sobre estudos


publicados acerca do Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD). É o primeiro
artigo a fornecer uma revisão de literatura sobre as abordagens do GMD publicadas
nas bases científicas do Brasil. A metodologia de pesquisa empregou uma revisão de
literatura de natureza exploratória e descritiva em torno do GMD. As buscas nas bases
de dados científicas se estenderam até junho de 2022. A pesquisa englobou teses,
dissertações e artigos de periódicos nacionais publicados por meio eletrônico (on-line)
e no idioma da Língua Portuguesa.
As buscas resultaram na seleção de 20 publicações classificadas em propostas
de Modelos (3) e Aplicações (17) do GMD. Esses estudos incluíram diferentes
empresas de diversos segmentos no Brasil. As análises da literatura foram realizadas
sob uma perspectiva de entendimento do GMD, do Orçamento Convencional (OC) e
do Orçamento Base-Zero (OBZ). Também foi discutido sobre como o GMD vem sendo
proposto aos diversos segmentos empresariais do Brasil. As análises demostraram
que o GMD é mais aplicado nos segmentos de Saúde (25%), Alimentícia (15%),
Metalúrgica (10%) e Órgãos Públicos (10%).
A totalidade dos estudos confirmaram que estruturar as contas contábeis por
Pacotes torna o processo de tomada de decisão mais ágil e eficaz para os gerentes
de Entidades. A mudança de cultura e o engajamento foram identificados como sendo
os fatores chaves para empresas que decidam optar pelo GMD. Além disso, há a
necessidade de adaptação do GMD aos contextos operacionais (estrutura, processos,
especificidades, contas contábeis etc.) das empresas no Brasil. Não obstante,
algumas fragilidades, desvantagem e a impossibilidade de análises comparativas
entre as empresas resultaram em algumas críticas ao GMD.

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Entretanto, o GMD é uma ferramenta muito eficaz para a redução de gastos em


empresas de diferentes segmentos no Brasil. Em todos as empresas estudadas foi
possível obter uma redução de gastos muito satisfatória com a implementação do
GMD. Uma série de melhorias referentes à redução dos gastos e a obtenção de
ganhos foram obtidas com a aplicação do OBZ e do GMD. Todavia, amplas mudanças
tanto nas estruturas tradicionais dos orçamentos quanto na cultura e engajamento dos
gestores se mostraram fundamentais ao êxito do GMD.
A principal contribuição deste artigo está em divulgar e fornecer um arcabouço
teórico que corrobora com os avanços na aplicação do GMD no Brasil. Este artigo
pode apoiar gestores, estudantes e pesquisadores sobre os processos de implantação
e implementação do GMD. A revisão de literatura apresentada fornece um arcabouço
científico relevante para estudantes e pesquisadores que têm como escopo estudos
relacionados à gestão de gastos como responsabilidade da Controladoria. À vista
disso, este artigo é muito útil para estudos que tem como objetivo a maximização dos
resultados da empresa e o aprimoramento da metodologia do GMD. É também uma
fonte de apoio à melhor compreensão e direcionamento da comunidade científica para
pesquisas futuras abordando o OBZ e o GMD.
Em termos práticos, este artigo fornece para profissionais de diferentes
segmentos um importante embasamento teórico direcionado à gestão de gastos sob
a perspectiva do GMD. Enfatiza também a importância de se avaliar as estratégias
que auxiliam nas tomadas de decisões e que são resultantes da aplicação das
técnicas do GMD. Há ainda uma evidente escassez de estudos com abordagens
empregando visões mais abrangentes para a área de Controladoria. Portanto, existe
um vasto campo e amplas oportunidade de estudos com foco em inovações,
extensões ou melhorias adaptativas daquilo que já fora proposto como modelo do
GMD. Sugere-se a realização de pesquisas propondo modelos de aplicação do GMD
melhor adaptados à realidade das diferentes empresas no Brasil.

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REFERÊNCIAS

Aleixo, C. F. (2020). Gerenciamento Matricial de Despesas (GMD): como funciona na


empresa? BCN Treinamentos. Recuperado de:
[Link] Acesso
em: 20/jun./2020.

Bartilotti, V. F. (2006). O orçamento matricial e o controle de gastos fixos: estudo de caso


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Data de Submissão: 21/10/2022


Data de Aceite: 01/09/2023

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