EXCELENTISSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA XXX VARA CÍVEL
DA COMARCA DE XX/XX.
Processo nº 1007151-21.2022.8.26.0554
XXXXXXX, já devidamente qualificada nos autos do processo em epigrafe, neste
ato representada por sua advogada que ao final subscreve, vem, perante Vossa
Excelência, apresentar a presente RÉPLICA A CONTESTAÇÃO, com fundamento nos
artigos 350 e 351 ambos o Código de processo Civil, pelos fatos alegados o que
doravante passa a expor.
I - DA TEMPESTIVIDADE
Salienta-se que a presente réplica é devidamente tempestiva, haja vista que o
prazo para sua apresentação é de 15 (quinze) dias úteis, contados da intimação do autor,
nos moldes dos artigos 219, 224 e 350, CPC/15.
II - DOS FATOS
NARRAR FATOS
III - DO MÉRITO
Diante do avanço tecnológico que adveio nos últimos anos, as transações
bancárias estão sendo, cada vez mais, realizadas por meios digitais, o que gera maior
conforto e eficácia na prestação do serviço, mas também, viabiliza o crescimento do
número de casos de fraudes e crimes bancários.
Os atos fraudulentos são das mais variáveis naturezas: saques de benefícios por
terceiro não titular, realização de falsas compras em cartões de crédito, empréstimos
feitos por terceiros em nome alheio, as chamadas “amostras grátis” onde o banco
deposita valores na conta do cliente e depois realiza os descontos do empréstimo e até
mesmo estelionatários que se passam por correspondentes bancários.
Tudo isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de invasões a aplicativos
bancários, envio de e-mail em nome da instituição e vazamento de informações dos
clientes por falhas no sistema de segurança de dados.
Desta forma, perante a fragilidade na segurança oferecida pelas Instituições
financeiras e a vulnerabilidade de seus consumidores frente aos criminosos e a expansão
das técnicas utilizadas por eles para lesionar patrimônio de terceiro, torna -se
importante analisar a Responsabilidade Civil das Instituições Financeiras sob estas
práticas.
Inicialmente, importa lembrar que o Código de Defesa do Consumidor, prevê em
seu artigo 3º o enquadramento das Instituições Financeiras como fornecedores, vez que
sua principal atividade é a venda de produtos e a prestação de serviços.
A aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor é ainda ratificada pela
Súmula 297 do Supremo Tribunal de Justiça, que traz a previsão que “o Código de Defesa
do Consumidor é aplicável às Instituições Financeiras”.
Sendo assim, diante a inegável relação de consumo existente entre os
consumidores a as Instituições Bancárias, e o enquadramento destas como
fornecedores, fica demonstrada também a necessidade da reparação dos danos
causados ao consumidor por problemas relativos à venda de seus produtos e à
prestação dos seus serviços.
O artigo 14º do Código de Defesa do Consumidor prevê a imposição do dever de
indenizar exigindo dano, nexo causal e ocorrência de conduta do agente, independente
de culpa, isto é, a responsabilidade civil neste caso é objetiva.
Para reforçar ainda mais esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça
publicou em 2012 a Súmula 479 prevendo que “as instituições financeiras respondem
objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos
praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.”
Outrossim, o Código Civil também trata da reparação dos danos
independentemente de culpa em casos como os de atividade econômica. Veja-se:
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.”
“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e
187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o
dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua
natureza, risco para os direitos de outrem.”
Este entendimento tem sustentação na teoria do risco, um embasamento
jurídico elaborado ao final do Século XIX para justificar a Responsabilidade Civil Objetiva.
Por essa teoria, todo prejuízo é imputado ao seu autor e reparado por quem o causou,
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua
natureza, risco para os direitos de outrem.
Carlos Roberto Gonçalves nos ensina que:
Para esta teoria, toda pessoa que exerce alguma atividade cria um risco de dano
para terceiros. E deve ser obrigada a repará-lo, ainda que sua conduta seja isenta de
culpa. A responsabilidade civil desloca-se da noção de culpa para a ideia de risco, ora
encarada como “risco-proveito”, que se funda no princípio segundo o qual é reparável
o dano causado a outrem em consequência de uma atividade realizada em benefício do
responsável (ubi emolumentum, ibi onus); ora mais genericamente como “risco criado”,
a que se subordina todo aquele que, sem indagação de culpa, expuser alguém a suportá-
lo.
É indiscutível assim que, o risco existente na atividade bancária, principalmente
se tratando da segurança de suas transações, é inerente a sua própria natureza jurídica,
principalmente, quando as instituições financeiras passam a prestar serviços bancários
por meios eletrônicos, onde a obrigação de oferecer a máxima segurança, em todos os
sentidos, é essencial.
Portanto, demonstra-se pacífico o entendimento da responsabilidade civil
objetiva das entidades bancárias responsabilizando o banco por todos os danos sofridos
pelo consumidor, sendo estes obrigados a indenizar as vítimas pelas perdas e danos
gerados, independente de culpa, bem como, tomarem providências para reforçar a
segurança de suas operações e localizar os responsáveis pelas fraudes.
Importante lembrar que, por se enquadrar em uma relação consumerista, o ônus
da prova no caso em tela, por regra, recai sobre as instituições financeiras por força do
art. 6º, inciso VIII, do CDC. Isso significa que caberá ao Banco, comprovar a veracidade
de suas alegações, equilibrando a desigualdade existente entre os litigantes, vez que se
presume a vulnerabilidade econômica, técnica e jurídica do consumidor perante os
fornecedores de produtos e serviços.
Vale ressaltar ainda que, em relação aos clientes (correntistas) a
responsabilidade é contratual e em relação a não correntistas (por exemplo a pessoa
que tem seu nome utilizado para abertura de conta corrente), a responsabilidade é
extracontratual. Porém, em ambos os casos, a responsabilidade continua sendo
objetiva, de acordo com o artigo 17º do Código de Defesa do Consumidor: “para os
efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento”.
IV - DOS PEDIDOS
A título de indenização por Danos Morais sugerimos ao Nobre Julgadora um valor
equivalente a 100 (cem) salários mínimos em benefício da Autora; deixando, contudo,
ao sábio e justo entendimento de Vossa Excelência o arbitramento do quantum, sempre
dentro da razoabilidade e da proporcionalidade, visando punir o ofensor para que o fato
não se repita, tendo também um efeito pedagógico diante das graves consequências
morais, pessoais e psicológicas sofridas pela ora autora.
Ante o exposto, requer que sejam rechaçados todos os pedidos aventados na
contestação, bem como a existência de outro relacionamento, com o consequente
acolhimento de todos os pedidos elencados na exordial e Réplica à Contestação.
Nestes termos,
Pede deferimento
CIDADE, DATA DO PROTOCOLO
ADVOGADO
OAB/