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Verde

O verde é uma cor que simboliza a natureza, a vida e a esperança, atuando como uma cor intermediária que transmite calma e segurança. É associada à fertilidade, juventude e frescor, mas também possui conotações negativas, como veneno e imaturidade. A cor verde é utilizada em contextos sociais e políticos, representando a burguesia e a consciência ambiental, além de ser uma cor tranquilizadora e funcional em sinalizações.

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Verde

O verde é uma cor que simboliza a natureza, a vida e a esperança, atuando como uma cor intermediária que transmite calma e segurança. É associada à fertilidade, juventude e frescor, mas também possui conotações negativas, como veneno e imaturidade. A cor verde é utilizada em contextos sociais e políticos, representando a burguesia e a consciência ambiental, além de ser uma cor tranquilizadora e funcional em sinalizações.

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Verde

O verde é mais do que uma cor, o verde é a quintessência da


natureza. O verde é uma ideologia, um estilo de vida:
consciência ambiental, amor à natureza, ao mesmo tempo a
recusa a uma sociedade dominada pela tecnologia. O verde é
a cor resultante da mistura do azul com o amarelo. Mas em
todas as antigas teorias cromáticas o verde consta como cor
primária. Porque para essas teorias antigas, as cores não
eram classificadas de acordo com suas propriedades
cromáticas técnicas, e sim por sua ação psicológica. E como o
verde é uma cor elementar em nossa vivência e em nossa
simbologia, num sentido psicológico ela é, sim, uma cor
primária.

A cor do meio

O vermelho dá a impressão de proximidade, o azul de


distância; no meio fica o verde, essa é a lei da perspectiva das
cores. O verde é a cor intermediária nas mais diversas
dimensões: o vermelho é quente, o azul é frio; a temperatura
do verde é agradável. O verde fica entre o masculino
vermelho e o feminino azul. Fica entre o vermelho da matéria
e o azul do espírito. O verde, em sua mais completa
neutralidade entre todos os extremos, atua de uma maneira
que acalma e transmite segurança.
A natureza e o natural

Pela perspectiva da civilização, o verde aparece como cor


simbólica da natureza. Só quem está na cidade pode ir “para
o verde”, descrever a floresta como “pulmões verdes”; só nas
cidades existem “zonas”, “áreas” ou “espaços verdes”, que
são governados pelos departamentos do meio ambiente.
Existem muitos fenômenos da civilização que podem ganhar
uma pincelada “natural” através do predicado “verde”. Uma
“cosmética verde” dá a entender o emprego de ingredientes
naturais, e uma “medicina verde” é aquela que pretende
curar somente com substâncias naturais. O “Partido Verde”
só pode surgir numa sociedade altamente industrializada,
quando a natureza se tornou uma questão menor,
transformada em “meio ambiente”. A escolha do nome foi
inteligente: “verde”, como a cor da natureza, a cor que
resumia os objetivos do partido; como cor em si, simbolizava
sua posição independente entre os dois blocos políticos, os
vermelhos e os pretos. A organização ecologista Greenpeace
também escolheu a palavra “verde” – e os próprios
ecologistas são chamados de “verdes”. O efeito naturalista
do verde não depende de nenhum tom especial de verde, e
sim das cores que a ele são combinadas: com azul e branco –
as cores do céu – e marrom – cor da terra – o verde se
mostra absolutamente natural. A cor que, em termos
psicológicos, mais contrasta com o verde é o antinatural, o
artificial violeta.

Natural

A cor da vida e da saúde

A cor verde é o símbolo da vida em seu mais amplo sentido,


não só com relação à humanidade, mas a tudo que cresce.
“Verde” é o oposto de murcho, de seco, de morto. O trevo de
quatro folhas, símbolo da sorte, é comum nos cartões de
felicitações para o Ano Novo; nesse dia é costume presentear
com um vasinho de trevos de quatro folhas é uma forma de
se desejar que tudo de melhor floresça. O verde é a cor da
vida vegetal, o vermelho a cor da vida animal.
Saúde

A cor da primavera, dos negócios que


florescem e da fertilidade

Germinar, brotar, verdejar. O verde é a cor da primavera. Em


sentido extensivo, o verde entra como cor simbólica da
prosperidade. Quando antigamente se dizia: “nos tempos
verdes”, não era a primavera que se tinha em mente, mas
um tempo de florescimento econômico e cultural. A
primavera é a estação da fertilidade. Na China, o jade, a
pedra verde ornamental, é a mais bela de todas as pedras;
com ela são decorados móveis, instrumentos e armas. O jade
é, além disso, um símbolo muito especial de fertilidade:
segundo a simbologia chinesa, o jade é o esperma do dragão
celeste, símbolo da maior força vital masculina, a celestial. A
rã é também um símbolo de fertilidade. Ela é verde, põe
numerosos ovos e assemelha-se a um embrião humano. Por
isso, o rei dos sapos da lenda deseja a todo custo ir para a
cama com a princesa.

A cor do frescor

A conexão entre “verde” e “fresco” se faz notar também na


língua. “Fresco” é o oposto de conservado, preparado,
defumado, desidratado. Tudo o que é verde transmite uma
sensação de frescor. Até mesmo perfumes na coloração
verde sugerem aromas cheios de frescor; deles se diz que
têm “uma fragrância verde”. Ao lado do azul, o verde atua de
modo especialmente fresco – nessa combinação, o azul atual
como cor da água. O verde azulado, o assim chamado
“turquesa”, é a cor favorita das piscinas e de todos os
acessórios de banho que devam propiciar uma sensação de
frescor. O verde, perto do marrom, é o acorde → do ácido e
do amargo. Pensa-se no sabor de bebidas preparadas à base
de ervas; os licores de cor verde acastanhada são
especialmente ácidos e amargos.
Frescor

A imaturidade e os jovens

O processo da maturação na natureza pode compreender


vários estágios: pode ir do verde ao amarelo até chegar ao
vermelho, no caso das cerejas. Porém, não existe nenhuma
planta, nenhuma flor que percorra o caminho inverso – o
estágio da imaturidade é sempre verde. Essa experiência é
tão difundida que pode ser transposta a outras esferas. O
verde é a cor da juventude. Um “jovem verde” é alguém cuja
fisionomia é ainda imatura como uma “fruta verde”. Há
também a descrição “bico verde”, que faz referência à pele
esverdeada apresentada pelos pássaros jovens.
Juventude

A cor do amor precoce, de Vênus

Os sentimentos também se desenvolvem, crescem. Na poesia


dos trovadores, o verde é a cor do amor que desabrocha.
Nesse mesmo sentido, uma “jovem verde” significava uma
jovem solteira. E isso era óbvio: nas festividades em que se
usassem trajes típicos, o verde-claro era a cor das moças
jovens, em idade de se casar. No entanto elas não usavam
vestidos dessa cor, pois eles não eram nada práticos; verde-
claros eram apenas os acessórios. Para os romanos, verde era
a cor de Vênus. Vênus é a deusa dos jardins, das hortas e das
vinhas. E entre os gregos, Afrodite (Vênus) era a deusa da
beleza e do amor.

Verde é esperança
A ideia de a esperança ser verde sobrevive porque está
aparentada com a experiência da primavera. As analogias
idiomáticas tornam isso visível: a esperança germina como a
semente na primavera. A primavera significa renovação após
um tempo de escassez. Também a esperança é um
sentimento de que os tempos de privação estão ficando para
trás. “Quanto mais duros os tempos, mais verde é a
esperança”, diz o ditado. “Meu coração fica verde”, quer
dizer que a pessoa já pode novamente ter esperanças.
Renovação, no sentido religioso, significa livrar-se do pecado,
significa ressureição. Os que participam do jejum de quarenta
dias depois da quarta-feira de cinzas ficam verdes outra vez.

Esperança

Verde masculino e verde feminino


Em meio ao deserto a natureza verde é grandiosa, o verde
passa a significar o mesmo que bem-estar material e
espiritual. Como cor sagrada do Irã, como cor da vida eterna,
o verde é compreensivelmente masculino. Para os antigos
egípcios, o verde também era uma cor masculina. Aliás, o
deus Osíris tinha a pele verde. Ele é o deus da vida e,
simultaneamente, o deus da morte. Os animais verdes eram
sagrados também. Foram encontrados nas pirâmides
milhares de crocodilos mumificados. Por isso, adquire duplo
significado o fato de o Deus do Antigo Testamento ter
enviado ao Egito uma praga de gafanhotos. O Egito deveria
sucumbir a seus animais verdes. Porém, no Norte da Europa,
onde o verde existe em abundância, a experiência ensinou
que a exuberância verde não é garantia de riqueza, nem
sequer de sobrevivência. Onde o verde é cotidiano, ele
aparece também como cor de alguns demônios. E como cor
cotidiana e também como cor negativa ele é, no pensamento
tradicional, uma cor preferencialmente feminina: com a
serpente verde e com Eva, segundo os ensinamentos dos
cristãos, o mal entrou para o mundo. O verde é feminino
quando ele é a cor da natureza profanada.

O verde venenoso

Verde é a cor de tudo que é venenoso. Surpreendentemente


verde também é a cor da saúde. Ninguém conhece um
“vermelho veneno”, embora vermelho seja a cor do perigo.
Ninguém nunca ouviu falar em “azul veneno”. O verde se
tornou a cor do veneno em função da tinta usada para
pinturas artísticas. Esse é o verde intenso que vemos nos
telhados de cobre, que é também chamado de “verde
cobre”, e que tem efeito tóxico. Aliás, o arsênico é um dos
venenos mais fortes. Não era apenas sua fabricação que
causava malefícios à saúde mesmo depois de processado,
esse verde continuava perigoso, pois o veneno se dissolvia
com a umidade e o arsênico, invisível, evaporava. Verde era a
cor predileta de Napoleão, e foi a cor que o levou à ruína. Seu
exílio em Santa Helena era todo atapetado de verde. Há
algumas décadas, químicos franceses examinaram o que
sobrou dos restos mortais de Napoleão, para investigar se ele
havia efetivamente morrido por causas naturais, em 1821,
aos 52 anos. O que eles descobriram foi uma grande
quantidade de arsênico em seus cabelos e nas unhas. Mas
Napoleão não foi envenenado por seus guardas. No clima
úmido de Santa Helena, o arsênico contido na tapeçaria
verde das paredes, na forração dos móveis e nos couros
verdes foi se dissolvendo. Napoleão morreu insidiosamente
envenenado por arsênico.
Venenoso

O verde horripilante

Qual é a cor de um dragão, de um demônio ou de um


monstro? “Verde”, responde a maioria, de modo
espontâneo. Por quê? Porque essa é mais “antihumana” das
cores. Qualquer coisa cuja pele seja verde não pode ser
humana, não pode nem ser um mamífero, pois não existem
mamíferos verdes. Pele verde nos remete a serpentes e
lagartos, animais repulsivos para muitos, e a dragões e outras
criaturas míticas que amedrontam. Os seres das fábulas
modernas também são verdes. Os extraterrestres de Marte,
por exemplo, parecem ser criaturinhas verdes. O diabo é
frequentemente descrito como uma mistura de serpente e
dragão. Quando acontece de o diabo aparecer em forma
humana, ele está frequentemente vestido de verde, como
um caçador; pois ele é o caçador das almas. E em nossa
fantasia, todos os seres demoníacos têm olhos verdes. Os
demônios da Europa são, em sua maioria, verdes e pretos.
Pela simbologia antiga, o preto transforma toda e qualquer
cor que a ele se associe em seu oposto. Verde, a cor da vida,
quando se combina com o preto, forma o acorde da
aniquilação. Na China também não existem dragões
malvados, pois lá o dragão é símbolo da humanidade e do
imperador. Aos dragões estão incorporadas muitas
características boas: um dragão verde é o símbolo da
primavera e da fertilidade.

A cor da burguesia

O tingimento é simples: a lã é lavada com uma lixívia para


que possa receber a cor, e então é colocada ali de molho
junto com as plantas, durante alguns dias. Essas cores eram
mais baratas e não eram venenosas, embora desbotavam
com facilidade. Em virtude dessa instabilidade, o verde
também se tornou a cor simbólica da infidelidade. Um
decreto de Brunswick, de 1653, estabelecia que as cores das
arcas de madeira nas quais as mulheres guardavam seus
dotes: “para as de primeiro escalão, arcas vermelhas;
segundo escalão, verde e vermelho; terceiro, verde-claro e
escuro, e para o quarto escalão de colorido discreto.” O
vermelho é a cor da nobreza; verde, a cor da burguesia, e aí
existe ainda uma subdivisão: um verde mais fraco, como o
verde-claro ou o verde escuro para os burgueses mais
pobres; o verde puro para a alta burguesia. Também a Mona
Lisa de Leonardo da Vinci (1503) trajava um vestido verde.
Até os nossos dias não se sabe quem foi Mona Lisa – só do
que se tem certeza é que ela não pertencia à nobreza.
Por que o verde e o azul não combinam?
Em sua teoria, Goethe fez uma representação sob a forma de
um círculo de cores, para “simbolizar a vida do espírito e da
alma humanos”. Nesse círculo, ele classificava as cores em
categorias intelectuais, nomeadamente a razão, a
inteligência, o sentimento ou a fantasia; e também em
categorias morais – o belo, o nobre, o útil. De acordo com a
simbologia cromática medieval, é possível constatar quais
cores convinham a cada classe social. O verde é a cor da
burguesia – Goethe denomina essa cor de “útil”, como de
fato o são os comerciantes, os artesãos e os empregados.
Azul é a cor dos trabalhadores – Goethe a denomina
“comum”. Entre os burgueses e os trabalhadores, as relações
de comércio e os casamentos eram sempre possíveis, mas,
naturalmente, do ponto de vista dos burgueses, essas
ligações eram indesejáveis; a burguesia se distanciava
ostensivamente dos trabalhadores – sendo assim,
naturalmente que o verde e o azul não combinavam. Ambas
eram cores que só os ricos estavam autorizados a usar, cores
que idealmente se harmonizavam. Foi somente quando o
ramo têxtil se desenvolveu a tal ponto que os tecidos em
cores luminosas se tornaram acessíveis a todos, só então o
azul e o verde passaram a destoar.

A cor que acalma


“O verde alegra a vista, sem cansá-la”, estabeleceu Plinius. O
imperador Nero, durante os espetáculos circenses – em que
prisioneiros eram devorados por leões, e tanto homens
quanto leões ficavam cobertos de sangue – para aliviar seus
olhos dessas visões, costumava observar o espetáculo
através de uma lente plana, feita de esmeralda polida. A cor
de identificação do famoso analgésico Aspirina é um verde
azulado. E seu acorde sinaliza tranquilidade sem fadiga. O
verde é a mais calmante dentre todas as cores, é a cor do
sentimento de estar em segurança.

Tranquilizador

O verde funcional

Os semáforos desempenham um papel importante na vida


moderna; consequentemente, essa simbologia foi
universalizada. Também nos edifícios cartazes verdes
sinalizam acesso livre, saídas de emergência são iluminadas
de verde. Em geral os caminhos para socorro são
demarcados com setas brancas sobre um fundo verde.
Quando alguém “dá sinal verde a alguém”, simboliza que
está apoiando a intenção da outra. A cor “verde padrão” é
um verde-escuro, cinzento. É tido como a mais agradável das
cores para ser observada por períodos longos, por isso é
adotado como cor padrão para as lousas escolares. Garrafas
de vinho são, em sua maioria, verdes. O motivo: o verde-
garrafa é a espécie mais em conta de vidro. Os uniformes dos
cirurgiões são também, por uma questão de funcionalidade,
verdes. Além da ação calmante que confere aos olhos do
cirurgião, os uniformes verdes têm a vantagem de que o
sangue, caindo sobre um tecido verde, fica marrom,
assustando menos.

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