Miguel Pereira - TXXI 1
PARASITOSES INTESTINAIS
CLASSIFICAÇÃO (SBP) Eliminação de ovos/larvas/cistos pode ser intermitente → a
SBP recomenda ≥3 amostras em ~10 dias para aumentar
• HELMINTOS sensibilidade.
Nematelmintos (vermes cilíndricos): Ascaris lumbricoides, TÉCNICAS CLÁSSICAS (quando pedir/para que servem):
Ancylostoma duodenale/Necator americanus, Strongyloides
stercoralis, Enterobius vermicularis, Trichuris trichiura • Hoffman/Lutz (sedimentação espontânea):
ovos/larvas de helmintos + cistos de protozoários.
Platelmintos (vermes achatados): Taenia saginata/Taenia • Ritchie/Blagg/Coprotest (sedimentação por
solium, Hymenolepis nana, Diphyllobothrium latum centrifugação): ovos/larvas + cistos/oocistos de
protozoários.
• PROTOZOÁRIOS
• Willis (flutuação): ovos leves, especialmente
• Entamoeba histolytica/dispar, Giardia, Cryptosporidium, ancilostomídeos.
Cystoisospora, Cyclospora, Blastocystis, Balantidium • Faust (centrifugação + flutuação): cistos/oocistos e
ovos leves.
MEDIDAS DE CONTROLE • Kato-Katz: quantificação de ovos (útil em estudos e
carga parasitária).
Saneamento, água tratada, higiene das mãos, lavar
• Baermann-Moraes/Rugai (cultura): larvas de
frutas/verduras.
Strongyloides.
Em creches: reforçar higiene; em suspeita de surto de • Graham (fita adesiva): Enterobius (principal) e
giardíase, acionar vigilância e tratar sintomáticos/contatos também pode auxiliar em Taenia quando há
conforme investigação; precauções de contato em crianças prurido/perianal.
com fraldas/incontinentes.
EXAMES “DE APOIO”
PREVENÇÃO ESPECÍFICA:
Hemograma: eosinofilia sugere helmintíase.
• Evitar carne crua/malcozida (tênias).
Sorologia: especialmente útil em Strongyloides (maior
• Evitar contato com solo contaminado (geo-
sensibilidade que parasitológico convencional).
helmintos).
• Amebíase: risco fecal-oral e também por práticas PCR: maior sensibilidade e útil para monitoramento/controle;
sexuais com transmissão fecal-oral (prevenção com pode detectar múltiplos parasitas.
preservativos e evitar práticas de risco).
Protozoários: para Giardia e Cryptosporidium, testes de
PROFILAXIA MEDICAMENTOSA antígeno nas fezes (ELISA/IF) têm alto desempenho e têm
substituído o exame direto em muitos cenários.
Em áreas endêmicas e com alta prevalência (condições
precárias), a OMS e a SBP recomendam o tratamento ASCARIDÍASE (ASCARIS LUMBRICOIDES)
profilático em massa para controle da morbidade
(especialmente anemia e desnutrição), independentemente de EPIDEMIOLOGIA: helminto mais prevalente no mundo e
exames. com complicações graves relevantes.
ESQUEMA: Albendazol 400 mg em dose única para crianças CICLO: ingestão de ovos embrionados → larva eclode no
> 2 anos (ou 200 mg para crianças de 1 a 2 anos). A delgado → migra via circulação para fígado-coração-
periodicidade é anual ou semestral, dependendo da pulmões → sobe árvore brônquica, é deglutida → adulto no
prevalência local. delgado → ovos nas fezes.
CLÍNICA:
MÉTODOS DIAGNÓSTICOS
Fase larvária pulmonar: síndrome de Löeffler (tosse,
EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES (EPF) dispneia, febre, eosinofilia).
Fase intestinal: muitas vezes assintomática; em cargas altas
→ desnutrição, dor, e obstrução intestinal.
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Migração: pode causar apendicite, pancreatite, TRATAMENTO:
colangite/colestase, abscesso hepático; risco até de asfixia.
• Ivermectina: 200 mcg/kg/dia VO, por 2 dias.
DIAGNÓSTICO: EPF (ovos); eventualmente vermes visíveis; • Tiabendazol: 50 mg/kg/dia (dividido em 2 doses),
US pode ajudar em formas hepatobiliares. por 3 dias (menos tolerado por efeitos colaterais).
• Albendazol: 400 mg/dia VO, por 3 a 7 dias.
TRATAMENTO:
ENTEROBÍASE (ENTEROBIUS VERMICULARIS)
• Albendazol: 400 mg dose única via oral (VO) para > 2
anos. (200 mg para 1-2 anos).
EPIDEMIOLOGIA: Muito frequente em aglomerações,
• Mebendazol: 100 mg VO, 12/12h, por 3 dias (ou instituições, asilos e creches infantis.
500mg dose única).
• Ivermectina: 200 mcg/kg/dia VO, dose única (opção CICLO: Ingestão de ovos. À noite, a fêmea adulta migra do
alternativa). intestino para a região perianal onde deposita milhares de
ovos, causando prurido. O ato de coçar leva à autoinfecção
ANCILOSTOMÍASE/NECATORÍASE (ANCYLOSTOMA/NECATOR) e contaminação de lençóis/roupas.
EPIDEMIOLOGIA: Comum em áreas rurais de clima quente e CLÍNICA: Prurido anal noturno intenso, insônia,
úmido ("amarelão"). irritabilidade e escoriações perianais. Pode haver
vulvovaginite por migração.
CICLO: larva L3 no solo penetra pela pele → ciclo pulmonar
→ deglutição → adulto no delgado (onde espoliam sangue); DIAGNÓSTICO: fita adesiva (Graham) em 3 manhãs
pode haver infecção por ingestão de L3 (sem ciclo pulmonar). consecutivas antes da higiene; EPF costuma ser pouco
sensível.
CLÍNICA: Dermatite pruriginosa no local de penetração.
Síndrome de Löffler. TRATAMENTO: dose única (albendazol/mebendazol/pirantel)
repetida em 2 semanas; tratar domicílio quando há múltiplos
Fase intestinal: dor abdominal, anemia ferropriva (marca
casos/recorrência + medidas com roupas/unhas.
registrada pela espoliação sanguínea crônica), palidez, astenia,
atraso no desenvolvimento e pica (geofagia - vontade de TENÍASE (TAENIA SAGINATA/TAENIA SOLIUM)
comer terra). Pode haver edema em casos intensos.
EPIDEMIOLOGIA: associada a consumo de carne
DIAGNÓSTICO: EPF (ovos) e, em alguns cenários, cultura/EDA crua/malcozida e saneamento inadequado; grande impacto
com biópsia. por neurocisticercose (T. solium).
TRATAMENTO: CICLO: humano é hospedeiro definitivo; bovino (T. saginata)
• Albendazol: 400 mg dose única VO. e suíno (T. solium) intermediários; ingestão de carne com
• Mebendazol: 100 mg VO, 12/12h, por 3 dias. cisticerco → tênia adulta no intestino. Ingestão de ovos da
T. solium pode causar cisticercose (humano vira
ESTRONGILOIDÍASE (STRONGYLOIDES STERCORALIS) intermediário).
EPIDEMIOLOGIA: >50 milhões; grave em imunossuprimidos. CLÍNICA: muitas vezes assintomática; pode cursar com dor
Predomina em áreas tropicais e subtropicais. abdominal, alteração do hábito intestinal, eosinofilia;
complicações raras (suboclusão etc).
CICLO: complexo: fase intestinal + fase no solo; transmissão
por penetração cutânea e destaque para autoinfecção (larvas DIAGNÓSTICO: ovos/proglotes no EPF; espécie definida
viram infectantes ainda no intestino/perianal). melhor por proglote/escólex (ovos não diferenciam).
CLÍNICA: Pode ser assintomática ou GI (dor epigástrica tipo Tratamento: praziquantel 5–10 mg/kg dose única;
“pseudoúlcera”, diarreia/má absorção). alternativa niclosamida 50mg/kg (máximo 2g). Controle com
reexame.
Hiperinfecção/disseminada: em uso de
corticoide/imunodeficiência → larvas disseminam e podem AMEBÍASE (ENTAMOEBA HISTOLYTICA VS E. DISPAR)
“carregar” enterobactérias → bacteremia/sepse/meningite.
EPIDEMIOLOGIA: Áreas com infraestrutura de saneamento
DIAGNÓSTICO: EPF seriado (até 7 amostras) + métodos de precária (transmissão fecal-oral por água e alimentos).
detecção/cultura; aspirado duodenal mais sensível.
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CICLO: ingestão de cistos → trofozoítos no cólon →
encistamento e eliminação; invasão pode causar úlceras e
disseminação via porta (abscesso hepático).
CLÍNICA (FORMAS): 90% dos casos assintomáticos
• Colite não disentérica, disenteria, colite
necrosante/fulminante (megacólon tóxico,
perfuração), ameboma.
• Extraintestinal: abscesso hepático (febre alta, dor
HCD, hepatomegalia dolorosa).
DIAGNÓSTICO: EPF não diferencia bem Entamoeba histolytica
(patogénica) da Entamoeba dispar (não-patogénica); antígeno
fecal (ELISA) ajuda a diferenciar e tem alta
sensibilidade/especificidade; PCR e sorologia têm papéis
específicos.
TRATAMENTO
Assintomático com cistos: apenas amebicida intraluminal
• Etofamida 500mg, 2x/dia, 3 dias OU
• Teclosan 100mg, 3x/dia, 5 dias
Sintomático intestinal/extraintestinal:
• Metronidazol 500 a 750mg, 3x/dia, 10 dias OU 35 a
50 mg/kg/dia VO, 3x/dia, 10 dias.
GIARDÍASE (GIARDIA DUODENALIS/LAMBLIA)
EPIDEMIOLOGIA: muito prevalente em pré-escolar/escolar;
transmissão por água não potável e surtos em creches.
CICLO/PATOGENIA: ingestão de cistos → trofozoítos no
duodeno/jejuno; pode causar má absorção por múltiplos
mecanismos (atrofia vilositária, redução dissacaridases etc).
CLÍNICA: assintomática na maioria; quando sintomática:
diarreia aguda ou persistente, distensão, flatulência, dor
abdominal; pode simular doença celíaca (esteatorreia, perda
ponderal, déficit de crescimento).
DIAGNÓSTICO: testes de antígeno fecal (ELISA/IFD) com alta
acurácia; PCR; EPF tem sensibilidade menor.
TRATAMENTO:
Metronidazol: 15 a 20 mg/kg/dia VO, 3x/dia, por 5 a 7 dias.
Albendazol: 400mg/dia, 5 dias.
Tinidazol: 50 mg/kg VO dose única (máximo 2g).
Secnidazol: 30 mg/kg VO dose única (máximo 2g). (Excelente
para crianças pela facilidade posológica).
Nitazoxanida: 7,5 mg/kg 12/12h (máx 500mg/dose) por 3 dias
(para >1 ano).