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Lisboa, 2020
Educação para Todos em Cabo Verde:
o contributo da biblioteca escolar.
O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
AGRADECIMENTOS
Aos meus familiares: aos meus filhos pela paciência, aos meus pais pela insistência, ao
irmão pela motivação;
Professora Doutora Glória Bastos, Coordenadora do MGIBE da Universidade Aberta e
minha orientadora, pelo apoio incondicional;
Colegas do MGIBE que me incentivaram incansavelmente: Ana Eustáquio e Ana Jorge;
Prof. Dr. Cláudio Furtado, professor na Universidade de Cabo Verde, Praia.
Aos meus alunos que intervieram ativamente no Programa Rota dos Livros;
A todos os professores da Escola Secundária da Boa Vista, que colaboraram neste
processo, em especial:
Engenheiro Derys Rodrigues, Licenciado em Engenharia Civil pela UNICV Mindelo e
professor de Matemática e Físico-Química na ESBV.
Profª. Evanilda do Rosário, Licenciada em História pela UNIMINDELO, São Vicente e
Secretária da Direção da ESBV no ano letivo 2017-18;
Profª. Fátima dos Santos Mandjam, Mestre em Engenharia e Gestão de Sistemas de
Informação, pela Universidade do Minho e professora de Informática da ESBV.
Profª Missilde Solange Fonseca, Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas, Estudos
Ingleses, na vertente de ensino, pela Universidade de Cabo Verde e Coordenadora do
5º ano do Ensino Básico Obrigatório na Escola Básica e Secundária da Boa Vista, em
2017-18;
Direção da Escola Secundária da Boa Vista;
Profª Risandra Gabriel, Delegada do Ministério da Educação do Concelho da Boa Vista,
República de Cabo Verde;
Prof. Joaquim Moedas Duarte, Mestre em Estudos do Património, pela Universidade
Aberta.
Profª. Manuela Catarino, Mestre em História Medieval, pela Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas.
Ana Rial, Coordenadora do Programa Rota dos Livros;
Diretor da Escola Secundária de Alexandre Herculano, professora Maria Pereira e
alunos de Humanísticas: 2016-2019;
Câmara Municipal da Boa Vista;
Câmara Municipal do Porto;
Biblioteca Municipal do Porto;
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RESUMO
Este trabalho é o resultado de uma aventura que teve início aquando da identificação
de um problema: a existência do espaço de uma Biblioteca ao abandono, que provocava
o descontentamento de uma inteira comunidade educativa. Na linha mais positivista do
pensamento humano, problemas são desafios e esse foi o ponto de viragem no destino
da Biblioteca onde decidimos intervir.
Os dados recolhidos mostram que a mudança necessária para termos uma Biblioteca
Escolar, no liceu em estudo, está ao alcance de uma estreita colaboração entre a
direção, o corpo docente e os parceiros adequados.
III
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ABSTRACT
This work is the result of an adventure that began when a problem was identified: the
educational community. In the most positivist line of human thought, problems are
challenges and this was the turning point in the destiny of the Library where we decided
to intervene.
In the investigative path we have built, we initially approached a set of elements that fit
the problem, namely the role and importance of the school library and aspects related
In the empirical study, we present the procedures followed for the library
transformation path: analysis of the library situation (SWOT analysis) and proposals for
The data collected shows that the necessary change to have a School Library, in the high
school under study, is within reach of a close collaboration between the direction, the
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ÍNDICE
INTRODUÇÃO 1
PARTE I – ENQUADRAMENTO. 5
1. Os desafios da Educação na Sociedade Atual. 6
1.1. A Educação é realmente para todos? 6
1.2. Como verificar o cumprimento das Diretrizes da Educação Para Todos? 7
1.3. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. 10
2. O papel das Bibliotecas na Educação. 13
2.1. Como uma Biblioteca pode ajudar a atingir os Objetivos do milénio? 14
2.2. As Bibliotecas em Cabo Verde – breve contextualização. 18
2.2.1. Notícias sobre Bibliotecas em Cabo Verde. 19
2.3. O Papel do Professor Bibliotecário no contexto de escola. 22
2.4. O PB e o trabalho Colaborativo. 26
2.4.1. O trabalho Cooperativo. 27
2.4.2. O trabalho Colaborativo. 30
2.4.3. Conclusões sobre os termos Cooperação e Colaboração. 33
3. Breve perspetiva da Educação em Cabo Verde. 35
3.1. O ensino no período colonial. 35
3.2. O ensino liceal ou secundário em Cabo Verde. 43
3.3. O ensino no período pós-independência. 44
PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO 49
1. Apresentação do estudo empírico. 50
2. Aspetos Metodológicos. 51
2.1. Caracterização do tipo de estudo. 51
3. Contexto de estudo. 54
3.1. Contextualização histórica da ilha da Boa Vista. 54
3.2. Caracterização da ilha da Boa Vista. 58
3.3. Caracterização da Escola Secundária da Boa Vista. 62
3.3.1. Descrição física da escola. 62
3.3.2. Missão e símbolos. 63
3.3.3. Contexto histórico da ESBV. 64
V
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Quadro 1: Tipos de Cooperação, baseado em Katzenbach & Smith et al., 1993 apud Thurler,
1996, p. 154................................................................................................................................. 29
Quadro 2: Librarians and teachers: Levels of Collaboration, Washington State Library (2002).
Fonte: [Link] [consultado a 20 de janeiro de
2017]. .......................................................................................................................................... 33
Quadro 3: A construção do design da investigação. Fonte: elaboração da nossa
responsabilidade, baseada em Dobbert, 1982 apud Tuckman, 2012, p. 686. ............................ 53
Quadro 4: Análise SWOT da BE da ESBV. Fonte: elaboração da nossa responsabilidade, com
base nas informações recolhidas durante o ano letivo 2017/18. ............................................... 82
Ilustração 1: Foto da casa da família Benholiel, antes do incêndio de 2001. Fonte: Correia,
2015, p. 166................................................................................................................................. 57
Ilustração 2: Fachada do edifício recuperado depois de 2001. Atual Biblioteca Municipal e
Escola de Música. Fonte: fotografia tirada por nós (2017). ........................................................ 57
Ilustração 3: Vista da entrada da ESBV até 2017. ....................................................................... 62
Ilustração 4: Entrada da ESBV em 2018 ...................................................................................... 62
Ilustração 5:Vista aérea da ESBV durante as obras de ampliação (5ªfase)................................. 62
Ilustração 6:Foto do Diploma atribuído à Escola Padre Porfírio Pereira. Fonte: direção da ESBV.
..................................................................................................................................................... 66
Ilustração 7: Obras na ESBV (2016/17) Fonte: foto nossa. ......................................................... 73
Ilustração 8: Localização da Biblioteca da ESBV (assinalada com um ponto). Fonte: foto nossa.
..................................................................................................................................................... 73
Ilustração 9: Corredor de acesso à Biblioteca da ESBV. Fonte: foto nossa. ................................ 73
Ilustração 10: Entrada da Biblioteca da ESBV (vista do exterior). Fonte: foto nossa. ................ 73
Ilustração 11: Entrada da Biblioteca da ESBV (vista do Interior). Fonte: foto nossa. ................. 74
Ilustração 12: Interior da Biblioteca. Fonte: foto nossa. ............................................................ 74
Ilustração 13: Interior da Biblioteca. Fonte: foto nossa. ............................................................ 74
Ilustração 14: Foto do Interior da Biblioteca, funcionando como sala de aula. Fonte: Foto
nossa. .......................................................................................................................................... 74
Ilustração 15: Jogo do Uril. Fonte: Centro de Competência entre mar e serra ........................ 110
Ilustração 16 e 17: Imagens da videoconferência entre a ESBV e a ESAH. Fonte: Facebook. .. 113
Ilustração 17: Foto da pintura mural do Programa Rota dos Livros ......................................... 115
VII
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Tabela 1 Estatísticas do Ano Letivo 2016/17. Fonte: Ministério da Educação de Cabo Verde,
2017............................................................................................................................................. 46
Tabela 2 Evolução da População da Boa Vista (1940-2010). Fonte: Kasper, 1987, p. 52 ........... 59
Tabela 3 : Distribuição dos professores pelas disciplinas. Fonte: Questionário aos Professores
da ESBV........................................................................................................................................ 87
Tabela 4 : Questões sobre Gestão e Organização da Biblioteca da ESBV ................................... 89
Tabela 5 : Tipos de materiais de suporte escrito preferidos pelos docentes da ESBV ............... 92
Tabela 6 : Atividades que os professores da ESBV gostariam de desenvolver com os alunos na
BE................................................................................................................................................. 99
VIII
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IC – Instituto Camões;
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UNFPA – (United Nations Population Fund): Fundo das Nações Unidas para Atividades
Populacionais;
X
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Ver as referências à atribuição desta expressão em
[Link]
XI
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INTRODUÇÃO
Esta dissertação tem como ponto de partida a recuperação de uma sala de uma escola
em Cabo Verde, que já existia com a finalidade de ser a biblioteca da escola, mas por
motivos que veremos não funcionava como tal.
O passo seguinte para o início desta aventura fascinante foi procurar estratégias que
pudessem efetivamente fazer passar da teoria à prática todos os conhecimentos
adquiridos durante o Curso.
Numa primeira fase foi necessário despertar a consciência dos professores, alunos e
encarregados de educação para a problemática que tínhamos em estudo: recuperar a
biblioteca da escola. A estratégia usada passou por apresentarmos a nossa intenção no
seio dos professores da escola secundária onde se realizou esta experiência. Dizem que
"o segredo é a alma do negócio", mas passou-se exatamente o contrário neste caso,
onde verificámos que quantas mais pessoas tivessem conhecimento deste nosso intuito,
mais apoios conseguiríamos.
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Posto isto, e uma vez que a evolução das novas Tecnologias de Informação tem sido
acompanhada pelos nossos professores, foi-nos permitido aplicar os questionários
online, e dessa forma tornar o seu preenchimento rápido e atrativo.
Este foi o primeiro grande passo para a mudança da nossa biblioteca: ter sido colocada
na senda das questões a serem resolvidas na escola. Toda a comunidade escolar sentia
a falta de uma biblioteca, mas era um problema que estava sem solução por falta de
salas e de um Projeto da escola. É um lugar-comum dizer que tudo o que procuramos
nos procura também, mas na verdade foi assim que nasceu o Projeto Rota dos Livros
que permitiu equipar a nossa Biblioteca com um acervo adequado à faixa etária dos
alunos que temos na escola a um custo praticamente nulo para a nossa instituição. Esse
Programa, que será descrito, contou com o apoio de instituições portuguesas como: a
Escola Secundária de Alexandre Herculano, a Câmara e a Biblioteca Municipal do Porto,
motivadas por um grupo de estudantes e professores da referida escola.
Como base teórica para a elaboração deste trabalho, procurámos verificar em que
medida uma Biblioteca Escolar pode influenciar a prossecução dos objetivos do milénio
para a igualdade de oportunidades entre sexos, mas também como forma de diluir as
diferenças sociais no contexto escolar. O trabalho desenvolvido permitiu ainda criar uma
ponte entre duas culturas: a portuguesa e a cabo-verdiana, através da aplicação do
Programa Rota dos Livros em torno da biblioteca escolar.
Apesar de Cabo Verde ser uma jovem República (fundada como nação apenas em
1975), pareceu-nos pertinente indagar um pouco sobre a origem e evolução do seu
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Cabo Verde, um dos mais jovens países do mundo, com apenas 44 anos, tem procurado
resolver os desafios do ensino com os escassos meios económicos de que dispõe. Por
esse motivo, qualquer proposta concreta destinada a melhorar a situação, deve ter em
conta as condicionantes locais para que os recursos financeiros e humanos tenham a
máxima rentabilidade.
a. Uma Biblioteca Escolar pode contribuir para que a Educação seja realmente Para
Todos?
Concretizando estas perspetivas num contexto mais micro, vamos analisar o caso da
Escola Secundária de Sal Rei, na Ilha da Boa Vista, que não tem uma Biblioteca Escolar
organizada. Esta verificação é o nosso ponto de partida.
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Parece-nos indubitável que uma Biblioteca Escolar seja um recurso indispensável para o
sucesso escolar e, dessa forma, ajude a garantir a universalização do Ensino, quer para
quem frequenta a instituição quer para a comunidade envolvente que pretenda alargar
a sua escolaridade, formal ou informalmente.
Para este trabalho, que pretende demonstrar como uma BE pode contribuir para que a
Educação seja para Todos, consideramos pertinente debruçarmo-nos sobre os objetivos
do milénio preconizados pela UNESCO que constituem os desafios da Sociedade Atual.
Também é nosso intento analisarmos alguns modelos de trabalho na BE, com a
finalidade de construir um paradigma que se adeque ao que pretendemos implementar
na escola em estudo. Ainda na parte teórica do nosso trabalho, apresentaremos um
breve enquadramento histórico sobre a Educação em Cabo Verde
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Parte I - Enquadramento
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Neste capítulo efetuamos uma análise sobre a evolução da inclusão social feminina,
desde a implementação do ensino aberto a todos os cidadãos. Será feito através da
abordagem dos seguintes documentos: Declaração Mundial dos Direitos Humanos,
(ONU, 1948); Declaração Mundial sobre Educação Para Todos (UNESCO, 1990), que
inclui uma reflexão sobre as questões que se colocam à escolaridade do género
feminino; Relatório de Monitoramento Global de Educação Para Todos 2000-2015
(UNESCO, 2015) que permitirá verificar os resultados das políticas de inclusão feminina
na escola, ao nível da escolaridade básica. 10: Como nosso futuro depende de meninas
nessa idade decisiva (UNFPA, 2016), a partir do qual será feita uma reflexão sobre a nova
política de empoderamento2 das meninas com 10 anos, que pretende modificar o
panorama da exclusão das meninas no ensino básico.
Conforme se referiu anteriormente, no final dos anos 40, a Declaração Universal dos
Direitos Humanos (DUDH, 1948) defendeu a igualdade no direito à Educação, através do
princípio: Toda a pessoa tem direito à educação, realidade que uma grande parte da
população mundial ainda não conhece.
2 V. empoderamento (empoderar + -mento): ato ou efeito de dar ou adquirir poder ou mais poder.
"empoderamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-
2013, [Link] [consultado em 28-10-2019].
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Declaração Mundial sobre Educação para Todos (DMEPT, 1990). O preâmbulo desta
Declaração aponta para uma realidade que persistia ainda nos anos finais do século XX:
“mais de 100 milhões de crianças, das quais pelo menos 60 milhões são meninas, não
têm acesso ao ensino primário: mais de 960 milhões de adultos – dois terços dos quais
mulheres – são analfabetos”.
Setenta anos passados sobre a adoção da DUDH pela ONU, qual é o real estado das
coisas? A Educação é realmente Para Todos? Quem ou que organismo pode
regulamentar se é cumprido esse Direito Universal?
Na sequência desta perspetiva de que a Educação deve ser Para Todos, realizou-se no
ano 2000, em Dakar no Senegal, o Fórum Mundial de Educação, onde 164 governos
concordaram com o Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos, que estabeleceu
seis objetivos educacionais até 2015. Ambiciosos, os objetivos eram os seguintes:
Com vista a verificar o cumprimento das diretrizes propostas por este documento, foi
elaborado um Relatório de Monitoramento Global de Educação Para Todos, pela
UNESCO (2015), que pretende dar conta dos progressos da aplicação das políticas
8
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Muito progresso foi feito no mundo desde 2000 – mas ainda não chegamos onde
pretendíamos. Apesar dos esforços empreendidos por governos, sociedade civil e
comunidade internacional, o mundo não alcançou a Educação para Todos. O lado
positivo é que o número de crianças e adolescentes fora da escola diminuiu quase
pela metade desde 2000. Estima-se que 34 milhões de crianças a mais terão
frequentado a escola em decorrência do progresso mais rápido desde Dakar. Muito
progresso foi feito para alcançar a paridade de gênero, principalmente na educação
primária, apesar de disparidades de gênero continuarem a existir em quase um
terço dos países com dados disponíveis. (ibidem, p. 3)
Dos seis objetivos acima referidos, destaca-se o 5º, que dá conta da Paridade e Igualdade
de género no ensino. O Relatório apresenta as seguintes constatações:
(…) no nível primário, estima-se que 69% dos países com dados disponíveis tenham
alcançado a paridade de gênero até 2015. Houve progresso na diminuição de
disparidades graves de gênero. Entre 1999 e 2012, o número de países com menos
de 90 meninas para cada 100 meninos matriculadas na educação primária caiu de
33 para 16. Entre as crianças fora da escola, meninas têm probabilidade maior que
meninos de nunca se matricularem na escola (48% contra 37%), enquanto meninos
têm uma probabilidade maior de abandonar a escola (26% contra 20%). Uma vez
matriculadas, as meninas têm mais chance de chegar às séries finais. Na África
Subsaariana, as meninas mais pobres continuam a ser quem tem maior
probabilidade de nunca se matricular na educação primária. (ibidem, p. 7)
3
Irina Georgieva Bokova, política búlgara, ex-militante comunista e deputada no parlamento búlgaro durante duas
legislaturas. Estudou em Moscovo, no Instituto de Relações Internacionais, e na Universidade de Maryland, nos
Estados Unidos. Em 22 de setembro de 2009, Bokova foi eleita diretora-geral da UNESCO, tornando-se na primeira
mulher e a primeira representante da Europa Oriental a ocupar este cargo das Nações Unidas. Disponível em:
[Link] [Consultado a 29 de fevereiro de 2020].
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quanto mais considerarmos que os fatores de desistência escolar nas meninas são o
casamento ou a gravidez precoce, muito comum em certas sociedades.
Nesta abordagem, que apresenta uma perspetiva sobre a Educação Para Todos, com
especial ênfase para a questão de equidade de género, refere-se as palavras de
Osotimehin (2015)5 sobre a Nova Agenda 2030 das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que
“buscam um desenvolvimento igualitário e inclusivo, que não deixe ninguém para trás”.
Segundo este documento, as meninas que em 2015, tinham 10 anos, em 2030, terão 25
e serão as mulheres do futuro - esposas e mães. Ao investir hoje nestas jovens, em
quinze anos a sociedade será mais igualitária.
4
Aaron Benavot é um analista de políticas de educação global e diretor do Relatório Global de
Monitoramento da Educação para Todos . Disponível em: [Link] [Consultado
a 29 de fevereiro de 2020].
5 Dr. Babatunde Osotimehin, médico nigeriano, foi Ministro da Saúde e, em 2011, tornou-se diretor executivo do
Fundo de População das Nações Unidas, ocupando o posto de subsecretário-geral das Nações Unidas, reconduzido
em agosto de 2014 até sua morte em 2017. Disponível em: [Link]
osotimehin [Consultado a 29 de fevereiro de 2020].
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Em 2030, as meninas que hoje têm 10 anos estarão com 25. Em 15 anos, como
jovens e mulheres empoderadas, elas poderiam mudar o mundo. Mas não deveria
ser necessário que elas o fizessem: o mundo é que deveria mudar para elas. Na
Agenda 2030, praticamente todos os países concordaram em transformar o
desenvolvimento com o propósito de incluir todas as pessoas e evitar a destruição
do planeta. (p.3)
6 Advogada e professora nigeriana especialmente conhecida por ser pioneira na defesa de mulheres e meninas
condenadas a apedrejamento em 12 estados do norte de Nigéria ao introduzir-se a partir de 1999, com o aumento
do fundamentalismo islâmico, o aplicativo da sharia, a lei islâmica, em casos de acusação de adultério. Foi a primeira
mulher advogada no norte de Nigéria no distrito de Yamaltu no Estado de Gombe[1] e conseguiu converter-se na
primeira advogada defensora numa corte islâmica. Disponível em : [Link]
[Consultado a 29 de fevereiro de 2020].
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Os países devem fazer cumprir os princípios propostos nas agendas dos encontros que
promovem, onde são emitidos documentos que consignam medidas, que defendem
direitos e perspetivam mudanças nas suas políticas, mas que por vezes não saem do
papel. Os cidadãos devem estar atentos e intervir, nomeadamente nos países
democráticos onde podem exercer o direito ao voto, do qual muitas vezes abdicam.
A Educação Para Todos é uma realidade em muitos países, uma utopia em outros tantos,
o que não pode ser desanimador. É necessário continuar na senda da prossecução dos
objetivos traçados, para se chegar a uma Sociedade mais justa e igualitária, onde
questões de inclusão não tenham de ser impostas por lei.
7
O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, baptizado assim em honra do dissidente e
cientista soviético Andrei Sakharov, foi estabelecido em dezembro de 1985 pelo Parlamento Europeu como meio
para homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas ou acções à defesa dos direitos humanos e
à liberdade. Disponível em: [Link] [Consultado a 29 de fevereiro
de 2020].
8 Malala Yousafzai uma “jovem que nasceu e cresceu em Mingora, a maior cidade do Vale Swat, região bastante
conservadora do Paquistão” in “Malala: conheça a menina que ganhou Nobel da Paz ao lutar por direitos das
mulheres”. Disponível em: [Link]
ativista-malala-yousafzai/ [Consultado a 18 de fevereiro de 2020]
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Atualmente consideramos que apesar da existência de BE, tal como afirma Livingston:
“para os alunos o lugar mais fácil para fazer uma pesquisa é no Google” (2012:slide 9).
Coyle regista a mesma atitude por parte do aluno: “This user no longer visits the physical
library as his primary source of information, but seeks and creates information while
connected to the global computer network”9 (2010:slide 11).
Acreditamos que poderá ter havido momentos de crise nas bibliotecas em que os seus
responsáveis técnicos, mas também os PB, sentiram que o paradigma teria de mudar ao
nível dos serviços oferecidos pela biblioteca e da forma como se disponibiliza a
informação aos utilizadores. As bibliotecas precisam de ajudar as pessoas a encontrar
coisas e isso não muda, citamos:
In the big picture, very little will change: libraries will need to be in the data
business to help people find things. In the close-up view, everything is changing--
the materials and players are different, the machines are different, and the
technologies can do things that were hard to imagine even 20 years ago. (Hellman,
slide 8)11
9 Este utilizador já não visita a biblioteca física como sua principal fonte de informações, mas procura e cria
informações quando conectado à rede global de computadores. [tradução nossa]
10 Ouvimos que há uma crise nas bibliotecas, mas ainda não compreendemos o quão disseminada ela está. [tradução
nossa]
11 No quadro geral, muito pouco mudará: as bibliotecas precisarão estar preparadas para ajudar as pessoas a
encontrar as coisas. Na visão de “close-up”, tudo está mudando: os materiais e os intervenientes são diferentes, as
máquinas são diferentes e as tecnologias podem fazer coisas difíceis de imaginar até há 20 anos atrás. [tradução
nossa]
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12 Os PB precisam ser claros sobre o que realmente é sua força motivadora e os seus papéis não instrucionais nas
escolas. [tradução nossa]
13
O objetivo não é chegar a um estudante formado em literatura de informação, mas sim ao desenvolvimento de
uma pessoa conhecedora, que seja capaz de se envolver eficazmente num mundo de informação rico e complexo e
que com habilidade para desenvolver novos estudos e ideias. É o que os professores esperam. O desenvolvimento e
uso do conhecimento humano, a construção do entendimento e do significado é o que é aprender, e isso define o
papel central do PB. [tradução nossa]
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O documento sobre o contributo das Bibliotecas14 para a meta dos ODS demonstra a
importância de uma Biblioteca na prossecução dos Objetivos que se pretendem ver
alcançados até 2030 e permite-nos concluir sobre o seu contributo em todos e cada um
dos ODS.
14
BAD. Bibliotecas para o Desenvolvimento e a Agenda 2030. Disponível em:
[Link] [Consultado a 3 de agosto de 2019]
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defesa deve ser feita em qualquer sociedade onde se invista numa educação inclusiva
de qualidade.
O segundo objetivo das Nações Unidas que queremos destacar no âmbito do nosso
trabalho, é o 5º da lista dos 17 ODS e prende-se com a Igualdade de Género e o
empoderamento de todas as mulheres e meninas.
Segundo a BAD, as bibliotecas podem ajudar a alcançar este objetivo através de medidas
como: a criação de “espaços de encontro seguros e agradáveis; o desenvolvimento de
programas e serviços pensados para satisfazer as necessidades de mulheres e raparigas
como direito e saúde”; ou ainda facultando o “acesso à informação e tecnologias que
permitam às mulheres desenvolver competências no mundo dos negócios”.
Quanto a nós, uma biblioteca servirá para empoderar uma mulher, não apenas no
mundo dos negócios, mas também na sua vida em toda a sua plenitude, porque uma
mulher ou menina informada torna-se menos vulnerável no mundo.
Neste objetivo se inclui também o direito a ter escolas, bibliotecas públicas e escolares
com boas condições, inovadoras e modernas que permitam a todos um bom
desempenho na aprendizagem quer seja em contexto escolar, quer seja ao longo da
vida.
O quarto objetivo a que gostaríamos de dar ênfase neste trabalho é o 10º dos ODS, que
consiste na Redução da Desigualdade dentro e entre países. Este tópico torna-se tanto
mais importante, se considerarmos que por vezes dentro do mesmo país existem
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Este último objetivo vem ao encontro de todas as questões que temos vindo a colocar
quando indagamos se a educação é realmente para todos e como podemos fazer com
que ela seja uma realidade para todos, através das Bibliotecas.
Esta medida permitirá ao governo de cada país decidir qual a política, o plano e o
programa de desenvolvimento no que tange o investimento em Bibliotecas, que
conduzam ao acesso à informação que “não deixe ninguém para trás”.
3º Trabalho com Bibliotecas para a criação da Consciência dos ODS e o seu significado a
nível local.
As Bibliotecas, para além de poderem ajudar a atingir os ODS, podem numa primeira
instância ajudar a divulgar esses objetivos, através da colaboração dos Bibliotecários.
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Aquela que foi considerada a primeira Biblioteca de Cabo Verde, surge referenciada por
Ana Mafalda Pereira com a seguinte informação: “Impõe-se recordar que a primeira
Biblioteca do Arquipélago foi criada, vinculada ao Convento da Ribeira Grande, na ilha
de Santiago, em 1657 e inaugurada cinco anos depois” (2015, p.284). Ficamos a saber
que esta biblioteca se encontrava agregada ao núcleo de ensino religioso da primeira
cidade fundada nas ex-colónias portuguesas, na ilha de Santiago.
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Também Baltazar Neves, citando Maria Emília Santos, refere o caso dos Jesuítas que se
“instalaram na área mais densa do tecido urbano, adquirindo um edifício destinado ao
Seminário (…), com biblioteca, onde folgam todos de ir a ela ler os livros espirituais que
ali tem” (2017, p.69). Neste caso, a biblioteca encontrava-se também ligada ao
Seminário e como tal da responsabilidade da Igreja Católica.
Humberto Lopes Elísio (1999, p. 60) refere a criação da Biblioteca Municipal do Mindelo
em 1880 como um “espaço de grande utilidade cultural, muito frequentada pelos
estudantes”. Este autor informa ainda que em 1886, com a criação do Seminário surgiu
também a Biblioteca do Seminário-Liceu, na ilha de São Nicolau.
A história das bibliotecas em Cabo Verde seria um tema para uma outra tese, pois
existem numerosas informações que merecem ser estudadas, cruzadas e registadas.
Pela relativa escassez de dados na atualidade, optámos por recorrer à imprensa nacional
de Cabo Verde e de Portugal, que paulatinamente nos vem dando conta dos esforços
envidados pelos governos sucessivos para a criação tanto de uma rede de Bibliotecas
Escolares como da Criação de um Plano Nacional de Leitura. Assim vejamos as
declarações acerca da importância de um PNL:
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Plano Nacional de Leitura. Disponível em [Link] [Consultado em
17 de maio de 2017]
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Verde, Maritza Rozabal, bem como dos Ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos
os países: Luís Filipe Tavares (Cabo Verde) e Augusto Santos Silva (Portugal). A realidade
é que este Protocolo assinado na capital do país não se traduziu em resultados práticos
que até ao momento se refletissem na ilha da Boa Vista.
A 23 de abril de 2018, saiu no Público, edição online, uma notícia que achámos faria
sentido integrar neste trabalho que ora apresentamos, por refletir a realidade que se
vive no arquipélago cabo-verdiano. Inês Nadais, na reportagem que faz sobre o oitavo
Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, na Cidade da Praia, refere que “num país
com problemas graves de iliteracia, onde as tiragens não ultrapassam os 500 exemplares
e muitas bibliotecas escolares não têm sequer livros, a leitura tornou-se um desígnio
nacional.” O que torna esta notícia mais chocante é a revelação que é feita pela
Curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes: “Ainda hoje, em Cabo Verde, a
maioria das pessoas não pode comprar um livro: é uma despesa de 15 euros num país
em que o salário mínimo anda à volta dos 100-110 euros.” A realidade do país é esta, e
é por este mesmo motivo que consideramos de importância vital a criação e existência
de Bibliotecas Escolares, onde os alunos possam contactar com o livro impresso, tendo
acesso a ele de uma forma gratuita. Nesta notícia, Jorge Carlos Fonseca, Presidente da
República de Cabo Verde e também ele escritor, confessou a sua preocupação com a
diminuição dos índices de leitura, que gera “mais exclusão social e uma cidadania mais
débil”. A jornalista e escritora Natacha Magalhães também abordou esse problema,
acrescentando que no caso específico da Cidade da Praia, a escassez de bibliotecas
(apenas duas bibliotecas comunitárias, nenhuma biblioteca municipal) muito contribui
para perpetuar as discrepâncias sociais.
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representa ¼ das crianças de Cabo Verde. Estes dados parecem entrar em contradição
com a notícia sobre o preço dos livros. No entanto, em muitos casos, esta realidade
justifica-se se tivermos em conta que os telemóveis são enviados por familiares que se
encontram emigrados e que mantêm sempre uma forte ligação com o seu país,
remetendo encomendas com bens que de outra forma não seriam acessíveis aos
familiares residentes neste arquipélago.
A intenção de mostrar estes dados foi unicamente de apontar caminhos para diminuir
os constrangimentos por não se ter acesso a livros em formato de papel, revelando que
estes podem ser substituídos pelo formato digital. Também consideramos que as
Bibliotecas Escolares, por poderem colmatar a falta dos livros em papel, se revestem de
maior importância, pois para a maioria da população o livro é um objeto de luxo, muito
mais do que um telemóvel.
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Por exemplo, o artigo Teacher Librarian Influence contém elementos sobre a opinião
que os diretores têm acerca do Professor Bibliotecário, bem como a opinião que o PB
tem acerca de si próprio. Segundo os autores, Henri & Boyd (2002, p. 1), “this case study
of six Australian TLs analyzed the level of influence of teacher librarians as perceived by
themeslves and by their principals”16. Este texto, que reflete sobre a prática e a política
envolvida na Biblioteca Escolar, é de extrema relevância para quem se interessa por
16 Este estudo de caso de seis PB australianos analisou o nível de influência dos professores bibliotecários
vista pelos próprios e pelos seus diretores. [tradução nossa]
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melhorar a sua atitude e conduta como PB. Neste artigo também se revela a importância
de uma boa prática do PB para a aceitação do diretor e como tal uma melhor integração
na escola. O contrário será sempre tido como um constrangimento, porque uma escola
onde PB e a direção não tenham uma relação de confiança, o sucesso da BE estará
sempre comprometido.
Uma Biblioteca Escolar é um espaço que não deve ser estático, apesar de funcionar
numa sala da escola, ela deve estar em todas as outras salas da instituição. O objetivo
de sair das quatro paredes para o espaço interior e até exterior da escola deve nortear
o Professor Bibliotecário. Este tem de ser uma pessoa dinâmica, criativa e comunicativa,
consciente da importância do trabalho em equipa e sedutora no modo de envolver os
outros professores nos projetos que cria ou desenvolve. O Professor Bibliotecário será
porventura um dos melhores gestores de recursos humanos que pode existir numa
escola. Envolver professores e alunos em atividades fora e dentro da Biblioteca Escolar
é criar laços para toda a vida. São memórias que ficam nos alunos que desta forma
passam a reconhecer o valor da escola na sua formação como cidadãos.
As escolas públicas em Portugal têm vindo a ser alvo de grandes mudanças ao longo dos
últimos quarenta anos, durante o período que corresponde ao pós-25 de abril. Quase a
par desta revolução de mentalidades no ensino lusitano, nas ex-colónias portuguesas e
atuais jovens países essas mudanças têm sido muito mais visíveis. A construção de
escolas foi uma preocupação de todos os sucessivos governos, a criação de legislação
adequada, a formação de professores, tudo tem sido feito para que o ensino seja, cada
vez mais, de melhor qualidade.
Na República de Cabo Verde, a realidade foi um pouco diferente das restantes ex-
colónias africanas. Por não ter havido guerra civil como em Angola, Moçambique ou
Guiné Bissau, o clima de paz permitiu que fosse possível a construção de uma nação que
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A maioria das Escolas Secundárias em Cabo Verde possui uma Biblioteca Escolar,
algumas equipadas no âmbito da cooperação com Portugal, mas não funcionam em
rede, como no caso português onde existe uma Rede de Bibliotecas Escolares desde
1996, conforme Lançar a Rede de Bibliotecas Escolares: estudo realizado pelo grupo de
trabalho criado pelos Despachos n.º 43/ME/MC/95 de 29 de dezembro e n.º
5/ME/MC/96, de 9 de janeiro (Veiga, Lisboa, 1996).
Em Cabo Verde, o espaço que funciona como BE é na maior parte das vezes uma sala de
estudo, onde os alunos encontram algum sossego e espaço para realizarem trabalhos
de grupo.
(…) parece haver por parte de diversos quadrantes das comunidades educativas –
gestores escolares, professores, encarregados de educação, discentes – uma
tendência para confundir a Biblioteca com uma sala de estudo, o que acarreta
algumas consequências a nível educativo, como por exemplo: o uso das Bibliotecas
pelos alunos, não para saciarem a sua sede de informação e conhecimento, mas
para pesquisarem a mando dos professores. (Almeida, 2005)
No arquipélago cabo-verdiano até à data ainda não se legislou sobre BE, nem sobre o
papel do Professor Bibliotecário à semelhança de Portugal, onde o cargo de PB foi
instituído pela Portaria 756/2009, de 14 de julho para dar resposta à necessidade de
haver uma pessoa responsável pela Biblioteca Escolar que não fosse apenas um Auxiliar
de Ação Educativa, como chegou a acontecer em muitas escolas do país.
O responsável pela Biblioteca Escolar passa a ser assim um professor que é designado
dentro da especificidade da lei para desempenhar essa função, que pressupõe
responsabilidade e muito trabalho com os restantes professores da escola.
Uma vez que cada pessoa não é uma ilha, e numa instituição escolar é necessário
trabalhar em equipa, termos como Cooperação e Colaboração são tidos como os modos
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Consultados alguns autores cujos trabalhos abordam este tema, o termo Coopération, é
preferido por Thurler (1996), contrariando Montiell-Overall (2005) que sugere
Collaboration como o modelo mais eficaz. Neste último estudo são definidos os modelos
de Coordenação, Cooperação e Colaboração, por ordem crescente de envolvimento dos
participantes, sendo que na Coordenação o envolvimento é menor e na Colaboração o
nível de envolvimento dos intervenientes é total. Por vezes as palavras Cooperação e
Colaboração são tidas como sinónimas e dependendo do contexto podem usar-se uma
ou outra. Perante esta dificuldade procurámos, uma forma de as distinguir e
encontrámos uma proposta de Pimentel (2009), usando dois mapas conceptuais com
recurso a avatares nos quais são apresentados uma distinção que nos pareceu de grande
relevância para a compreensão dos significados dos dois termos.
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Staessens (1993) e de Perrenoud (1993) sugerindo que “os professores são mais eficazes
sozinhos do que fazendo parte de uma equipa pedagógica sem alma nem coerência”.
Sob esta perspetiva a autora regista as desvantagens do trabalho cooperativo, realçando
as razões para a ineficácia do trabalho em grupo. Destacam-se: “falta de animação (da
parte de quem coordena), má gestão de tempo, dificuldade em centrar-se no essencial,
incapacidade de tomar decisões concertadas”. Os professores entrevistados defendem
ainda que a cooperação pode ser feita através de conversas informais, sem as
necessárias reuniões que consideram “pesadas” e ineficazes. Nem consideram
necessárias as programações conjuntas com divergência de objetivos e conflitos de
opinião. (Thurler, ibidem, p. 148)
a) Competências de Cooperação
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fácil e exige muito por parte de cada elemento, e mesmo conscientes da necessidade de
cooperar, a boa vontade, por vezes, não chega.
Katzenbach & Smith et al. (1993 apud Thurler, 1996, p.151) revelam as características
das equipas eficazes como sendo aquelas que possuem: “1. Exigências elevadas na
procura comum de um elevado desempenho; 2. Um quadro de requisitos adequado,
com uma adequada composição das equipas; 3. Visão comum dos meios para atingir os
objetivos; 4. Responsabilidade coletiva,” ultrapassando os receios do trabalho em
equipa, como o medo de cada um, que o outro possa não saber entender, escutar ou
ver como ele próprio.
b) Tipos de Cooperação
No mesmo estudo efetuado por Thurler (1996), a autora refere os tipos de Cooperação
quando se trabalha em equipa. A partir dessas informações, apresentamos um quadro
com interpretação e tradução da nossa responsabilidade.
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Os princípios e estratégias para uma colaboração de sucesso foram definidos ainda por
Callison (1999 apud Small, 2001, p. 2). O autor valoriza “a importância de uma cuidadosa
definição de papéis para cada colaborador; um planeamento de processo compreensível
por todos, uma correta partilha de recursos, riscos e controlo e continuidade ao longo
do tempo”. Mediante esta proposta é possível concluir que a planificação do processo
colaborativo é o segredo e para tal a coordenação desse processo tem de ser também
ela bastante eficaz.
A Colaboração, por vezes, pode não ser formal, assistindo-se a casos, sobretudo em
escolas com reduzido número de professores, que desenvolvem um trabalho
colaborativo espontâneo, resultante da necessidade de troca de experiências entre
professores. De Groff (1997 apud Small, 2001, p. 2) considera que “escolas pequenas
permitem mais oportunidades e menos burocracia e mais interação entre os
educadores”. O contrário também acontece, apesar de ser apontado como um fator que
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A Colaboração integrada no meio escolar tem sido alvo da nossa análise, no entanto se
a transportarmos para a Biblioteca Escolar surgem alguns obstáculos que importa
referir. O sucesso da função do Professor Bibliotecário, mais do que a qualquer outro
professor, está dependente do nível de Colaboração que ele consegue atingir com a
classe docente.
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Quadro 2: Librarians and teachers: Levels of Collaboration, Washington State Library (2002). Fonte:
[Link] [consultado a 20 de janeiro de 2017].
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consciente e responsável, para que ele seja eficaz. Na verdade, os níveis de Cooperação
ou de Colaboração que atingimos não devem ser as nossas metas. Um bom trabalho de
Coordenação pode levar uma equipa a atingir os seus objetivos.
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Ao longo da história de Cabo Verde, jovem república e antiga colónia portuguesa (até
1975), a educação tem sido uma temática imensamente discutida e considerada fulcral,
como podemos comprovar por esta notícia de um jornal cabo-verdiano, A Voz de Cabo
Verde, que em 1911 nos dá conta do seguinte:
Refletindo um pouco sobre a colonização de Cabo Verde que foi feita por portugueses e
africanos, da Costa Ocidental, coabitando o mesmo território pouco tempo depois da
sua descoberta, cedo se percebeu que havia necessidade de criar meios para que as
populações tivessem acesso ao ensino, quer este fosse formal ou informal, caso
contrário os habitantes estariam condenados ao analfabetismo.
Devido ao facto de Cabo Verde ser um arquipélago com 10 ilhas, a colonização foi sendo
feita mais paulatinamente numas ilhas do que em outras. E esse ritmo foi marcando as
necessidades educativas de cada uma das ilhas.
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Em 1466, seis anos após a descoberta das ilhas terão chegado à ilha de Santiago, os
Franciscanos, provavelmente os primeiros mestres-escola do arquipélago. Esses
sacerdotes traziam como missão não só a catequização e a alfabetização dos cabo-
verdianos, mas também a “ladinização” de escravos. Tanto mais que os escravos,
depois de “ladinizados” (ensinados a ler e a escrever), tinham uma maior cotação
no mercado. (Trigueiros, 2010, p. 38)
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Baltazar Neves corrobora esta informação quando afirma que há que ter em conta que
no contexto da evolução do Ensino em Cabo Verde, “a Educação informal (…)
acompanha a história da descoberta, povoamento e colonização pelos portugueses e o
ensino religioso aparece em destaque.” (2017, p. 68).
Segundo Ana Mafalda Pereira, “as missões desempenhavam um importante papel nas
colónias, não só a nível religioso e educativo, como médico e social, isto é, lutam contra
a doença, a poligamia, a escravatura, a inferiorização da mulher (…)” (2015, p. 66). E
esclarece que em Cabo Verde não havia propriamente o conceito de missões, mas sim
paróquias e por isso a evolução da instrução nas ilhas esteve ligada ao “culto da religião
católica” (2015, p. 67). Destaca-se a influência das ordens religiosas Jesuítas,
Capuchinhos, Espiritanos e Salesianos, tendo tido estes últimos uma forte influência no
ensino das Artes e Ofícios e possuindo ainda, atualmente, uma Escola Salesiana na ilha
de São Vicente.
Baltazar Neves reitera a influência não religiosa no ensino, valorizando a sua qualidade:
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Até meados do século XIX, era escassa a legislação que regulamentasse o ensino em
Cabo Verde e a legislação existente por vezes não passava do papel. A título de exemplo,
no ano letivo de 1837/38 funcionaram dez escolas régias em todo o território. Já no ano
de 1842, das trinta e três escolas previstas, só funcionaram algumas por falta de verba.
Durante anos, a instrução no território de Cabo Verde foi feita quer através do “Ensino
Oficial (regulado pelo Governo da Província); quer do Ensino Municipal (regido pelos
municípios) ou com recurso ao Ensino Particular (com escolas criadas por
individualidades)” (Pereira, 2015, p. 125). Os estabelecimentos de ensino destinavam-
se a alunos do sexo masculino e feminino.
Em 1844, após serem incluídas no orçamento, verbas para a educação, foram criadas 38
escolas em todo o Arquipélago e com a publicação de um Decreto que data de 14 de
agosto de 1845 pretende-se lançar “as bases legais da organização geral do Ensino
Primário Oficial nas Províncias Ultramarinas, através da publicação no Boletim Oficial do
Governo Geral da Província de Cabo Verde.” (Pereira, 2015, p. 69). Neste Decreto se
institui a criação de uma Escola de Instrução Primária para cada província ultramarina.
Salienta-se que, no caso de Cabo Verde, a introdução da Imprensa em 1842 muito
contribuiu para esta viragem no setor da educação e consequente implementação de
uma rede escolar no arquipélago.
A primeira tipografia foi trazida para Cabo Verde em 1842, tendo começado a
funcionar nesse mesmo ano a Imprensa Nacional de Cabo-Verde e Guiné. (…) O
advento da imprensa periódica em Cabo Verde é assinalado com a publicação, na
ilha da Boa Vista, do número I do Boletim Official do Governo Geral de Cabo-Verde,
posto a circular na quarta-feira, 24 de Agosto de 1842, sendo então Governador
Geral o Brigadeiro Francisco de Paula Bastos (1842-1845). (Brito Semedo, Esquina
do Tempo, 2012)
Refere ainda Furtado (2008) que “a Escola Principal da Instrução Primária foi instalada
na ilha Brava, por esta ilha ter condições climatéricas mais favoráveis, por Decreto de
23/11/1847, tendo começado a funcionar em 1848.” (p. 12).
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Apontamos como curiosidade particular da ilha sobre a qual recai o nosso estudo, que
o decreto Lei de 14 de agosto de 1845 também teve os seus efeitos na Boa Vista, pois
em 1848 a Câmara requereu 2 mestres para a Boa Vista. Sendo oficial que em 1856
existiam “escolas para os dois sexos na Boa Vista” (Lima, 2017, p. 352).
O Regulamento das Escolas Particulares de 1872 também contribuiu para uma maior
integração da população estudantil, tendo sido alargada a mulheres e a adultos,
inclusivamente em horário pós-laboral (Brito Semedo apud Trigueiros, 2010, p. 47).
Uma instituição que se destacou como pioneira no Arquipélago, foi a Escola Camões,
“primeira escola municipal exclusiva do sexo feminino”, iniciada em 1879 e inaugurada
no dia 10 de junho de 1880, no Mindelo, com “44 alunos femininos”, segundo nos
informa Trigueiros, citando Brito-Semedo, “na parte traseira do edifício, (…) foi
instalada, em 1882, uma Biblioteca Municipal, por iniciativa do Presidente da Câmara”
(Brito Semedo apud Trigueiros, 2010, p. 49)
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(…) nos Estados Unidos vai ser proibida por lei a entrada dos emigrantes que não
mostrem falar e escrever a sua língua. Esta proibição equivale a estancar quasi
completamente a emigração para os Estados Unidos, porque a grande maioria da
população deste Arquipélago é constituída por analfabetos. (Revista da Educação,
nº 2, Julho de 1913, p. 140 apud Carvalho, 2007, p. 63)
Neste contexto, emerge um pedido feito por uma Sociedade de Estudos Pedagógicos,
que solicita ao “Governo da República que se desenvolvessem as escolas oficiais que já
existiam, que se criassem outras em locais mais afastados ou se recorresse a escolas
móveis, bem como ao ensino particular.” (Carvalho, 2007, p. 63). Isso aconteceu, com
prevalência nas escolas das ilhas de maior emigração para os Estados Unidos, como
sendo a Brava e o Fogo, através da criação de cursos noturnos para a escolarização de
adultos e combate ao analfabetismo.
Na senda do que temos vindo a analisar sobre a igualdade de direitos concedida aos
cidadãos de sexos diferentes, verificamos que tal como na metrópole era feita a
separação de classes: havia de raparigas e de rapazes, mas por motivo de “baixa
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Artigo 10: São criadas três escolas de instrução primária na Província de Cabo Verde,
sendo uma para o sexo masculino (…) outra para os alunos do sexo feminino (…) e
outra para ambos os sexos na Povoação Velha, da Ilha da Boa Vista. (Boletim Oficial,
nº 12, 22 de Março de 1913, p.102 apud Carvalho, 2007, p. 98).
Outra forma encontrada para que as meninas tivessem escola foi criar instituições
educativas com recurso ao regime de internato, conforme anúncio no Boletim Oficial,
(nº 46, 14 de Novembro de 1925, p. 354 apud Carvalho, 2007, p. 225):
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a sua existência foi questionada, nomeadamente na imprensa nacional, tal como nos
relata Ana Mafalda Pereira:
Assim, após 51 anos de existência, o Seminário-Liceu de São Nicolau foi encerrado pelo
Decreto-lei de 13 de janeiro de 1917 e substituído pelo Liceu Nacional de Cabo Verde,
inaugurado no Mindelo a 19 de novembro deste mesmo ano. Este foi o único liceu que
existiu em Cabo Verde até 1960 (Furtado, 2008, pp. 14-15).
Inicialmente apelidado de Liceu Nacional de Cabo Verde ou Liceu Infante Dom Henrique,
em 1937 passou a designar-se de Liceu Gil Eanes, do qual se criou uma secção em 1955,
na Praia, destinada à população da região de Sotavento.17 Este liceu ganhou autonomia
e em 1960 foi inaugurado, passando a designar-se de Liceu Adriano Moreira que depois
da independência ficou a ser conhecido por Liceu Domingos Ramos até aos dias de hoje.
Quanto ao Liceu de São Vicente, depois da independência passou a designar-se por Liceu
Ludgero Lima, funcionando ainda na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente. Isto
significa que até à data da independência existiam apenas 2 liceus em Cabo Verde, um
em cada uma das regiões administrativas: Barlavento e Sotavento.
A educação em Cabo Verde não era exatamente para todos, sendo que apenas uma
minoria da população tinha acesso à mesma. Foi durante os anos que se seguiram à
independência que passou a haver um enorme investimento da parte dos sucessivos
governos em criar condições de igualdade social. Testemunho disso é o “Relatório à
17
O Arquipélago de Cabo Verde divide-se em duas regiões: Barlavento (que inclui as ilhas a Norte do país:
Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista) e Sotavento (Maio, Santiago, Fogo e Brava).
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56. Foi sob a égide desta Constituição de 1980 que foi ratificada a Convenção sobre
a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, em 5 de
Dezembro de 1980. Esta Convenção foi acolhida in totum na ordem jurídica interna
cabo-verdiana (…) (ibidem, 2007, p. 54).
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Este relatório a que tivemos acesso dá-nos conta dos ganhos obtidos pela jovem
República Cabo-verdiana no que concerne à igualdade de acesso ao ensino pelas
mulheres, conforme o exposto:
Tabela 1: Estatísticas do Ano Letivo 2016/17. Fonte: Ministério da Educação de Cabo Verde, 2017.
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Figura 4: População de Cabo Verde comparativamente à população mundial. Fonte: INE Cabo Verde.
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Se tivermos em conta que a população de Cabo Verde é de 537661 habitantes, dos quais
49,8% são mulheres, então podemos concluir que a percentagem de alunos e alunas em
idade escolar está de acordo com a percentagem da população do país, existindo uma
equidade entre ambos os sexos no acesso ao ensino em Cabo Verde.
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Este trabalho teve por objetivo principal relatar o modo como uma sala de aula com
estantes e manuais escolares pode ser transformada em Biblioteca Escolar. Queremos
frisar que este percurso continua em desenvolvimento, mas no presente estudo, que
tem naturalmente um período temporal de realização determinado, pretendemos dar
conta de todo o processo inicial que conduziu à metamorfose de um espaço dentro do
recinto escolar que não servia o propósito a que se destinava e se transformou num
local atrativo para toda a comunidade escolar.
Como mencionámos na introdução, o nosso ponto de partida foi recuperar a sala que já
existia com a finalidade de ser a biblioteca da escola.
Numa primeira fase, foi necessário despertar a consciência dos professores, alunos e
encarregados de educação para a problemática que tínhamos em estudo: recuperar a
biblioteca da escola. A estratégia usada passou por apresentar a nossa intenção no seio
dos 50 professores da escola secundária onde se realizou esta experiência,
pretendendo-se mostrar o importante papel que uma biblioteca pode desempenhar no
sucesso dos alunos e cativá-los para um envolvimento no processo de transformação.
Dos objetivos que estabelecemos para o nosso estudo empírico, tal como ficou expresso
na introdução, recuperamos aqui os dois que se articulam de forma mais estreita com a
componente empírica:
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2. Aspetos Metodológicos
O tipo de estudo que realizámos parte do geral para o particular, ou seja, analisando as
vantagens da implementação de uma Biblioteca Escolar, a nível global, vamos aplicar
esses conhecimentos a nível particular, na escola que selecionámos para ser o nosso
objeto de estudo.
À luz das teorias propostas por diversos autores, citados por Bruce W. Tuckman no
Manual de Investigação em Educação (2012), consideramos esta nossa pesquisa como
uma investigação qualitativa, e constituindo um estudo de caso, pelas características
que passamos a elencar.
Segundo Bogdan e Biklen (1992 apud Tuckman, 2012, p. 676) as cinco características
principais de uma investigação qualitativa são as seguintes: “(1) A situação natural
constitui a fonte dos dados, sendo o investigador o instrumento-chave da recolha dos
mesmos.” Na nossa investigação a situação natural, ou o nosso objeto de estudo é a sala
da biblioteca de uma escola secundária, em Cabo Verde.
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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“(4) A análise dos dados privilegia os métodos indutivos como se as partes de um puzzle
fossem reunidas em conjunto.” (ibidem). Na nossa análise dos dados, procurámos incluir
os temas abordados ao longo da exposição teórica, integrando todas as partes de modo
a podermos encontrar um fio condutor na nossa linha de pensamento.
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Finalmente, as conclusões do estudo também fazem parte das etapas e serão pontos de
partida para uma intervenção eficaz e permanente de como que o nosso objeto de
estudo, a biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista, se transforme numa verdadeira
Biblioteca Escolar.
3. Contexto de estudo
A ilha da Boa Vista, uma das 9 ilhas habitadas do Arquipélago de Cabo Verde, terá sido
descoberta no ano de 1460, mas mesmo esta data não será consensual, nem tão pouco
quem foi o descobridor que primeiramente terá aportado à ilha da Boa Vista, conforme
alerta Kasper:
Assim como não existe uma data exata para a descoberta da Ilha, também não se sabe
ao certo quem terá sido o seu descobridor, apesar de se atribuir a António da Noli a
autoria dessa descoberta, António Germano Lima (2017) problematiza a questão
apontando os quatro possíveis navegadores que poderão ter aportado à Boa Vista, a
saber: Vicente Dias, António de Noli, Luís de Cadamosto ou Diogo Gomes, concluindo o
que teria sido, segundo ele, o descobridor da ilha: “consideramos Luís de Cadamosto o
descobridor mais provável das ilhas orientais de Cabo Verde e, consequentemente, da
ilha da Boa Vista, e, 1456, como ele mesmo narra na sua “Relação de Navegação II”.”
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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(Lima, 2017, p. 49). Para corroborar a sua tese, o historiador boa-vistense transcreve o
relato deste navegador:
A ocupação da Boa Vista não terá sido feita de imediato e no dizer do autor, no início
“dependeu exclusivamente do aproveitamento de um dos seus produtos naturais, que
constituiu, aos olhos dos primeiros colonos, o seu principal potencial económico: o
pasto, que proporcionou a criação de gado, para fins económicos” (Lima, 2017, p. 63).
Segundo dados recolhidos por Kasper (1987, p. 38), a primeira colonização da Boa Vista
terá ocorrido a partir do século XVII, tendo-se fixado a população na Povoação Velha. É
muito interessante verificar que a ilha da Boa Vista conheceu um aumento exponencial
da sua população em 70 anos (de 1650 a 1720), mas como nos explica Kasper, nas suas
notas, este aumento deveu-se à imigração para a ilha e não a uma explosão
demográfica. Assim, “até ao ano de 1720, a população da Boa Vista aumentou seis vezes
mais e contava, então, com cerca de mil habitantes” (ibidem, p. 38).
Segundo Kasper, uma nova mudança aconteceu porque “a Boa Vista conheceu um
importante desenvolvimento das actividades comerciais, o que estará certamente
ligado ao facto do aglomerado principal ter mudado de Rabil para Sal-Rei (chamava-se
antes Porto Inglez) em 1820” (1987, p. 45). A causa dessa mudança está relacionada com
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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a exploração das salinas existentes na atual cidade de Sal-Rei, que deve ao seu nome à
qualidade do sal dali extraído. Conforme Lima: “O topónimo “Sal-Rei” tirou-o do
excelente sal das salinas próximas do porto que, por isso mesmo, granjeara o epíteto de
Rei, por isso “Sal-Rei”” (2017, p. 94). Aponta-se também como motivo da mudança do
centro populacional para Sal-Rei a facilidade de carga e descarga dos produtos no porto
e em consequência o estabelecimento de comerciantes nessa localidade. Assim sendo,
Sal Rei ter-se-á tornado “sede administrativa em 1820 e, mais tarde (…) sede paroquial.
A sede da freguesia em Sal-Rei passaria a chamar-se de Santa Isabel cerca de 1857, altura
em que terá sido construída a igreja de invocação à Santa.” (Lima, 2017, p. 88).
Sal-Rei é uma povoação que foi evoluindo pela procura de comerciantes que aportavam
à ilha, movimentando a cidade e fazendo aumentar a sua população, quer pela fixação
de residência própria, como atestam a presença de muitas casas senhoriais que
remontam a esta época, quer pelos escravos que eram trazidos da costa de África para
trabalhar nas salinas e transporte do sal.
Kasper afirma: “Sal Rei tornou-se rapidamente a localidade mais importante de todo o
Arquipélago” e acrescenta: “Em 1834 chegou mesmo a ser feita a proposta de fazer de
Sal Rei a capital de Cabo Verde” (1987, p. 46). Corroborando esta tese, apresenta-se
como argumento, que enfatiza a importância da Boa Vista nesta época, o facto do 1º
número do Boletim Oficial do Governo-Geral da Província de Cabo Verde ter sido lançado
em Sal-Rei a 24 de agosto de 1842.
Esta prosperidade da ilha foi interrompida por uma epidemia de febre-amarela (Lima,
2017, p. 397) que dizimou muitos habitantes da ilha, tanto nativos como estrangeiros, e
levou à fuga da ilha, do Governador, que aí tinha fixado residência, altos funcionários
estrangeiros e nacionais. O Diretor da Alfândega também se mudou para a ilha do Sal,
desviando assim o centro nevrálgico do comércio. Segundo relatos da época, esta
epidemia terá levado a um declínio económico da ilha, do qual teve imensas dificuldades
em recuperar.
Em meados do século XIX, chega à Boa Vista uma família de judeus, oriundos de Rabat,
os irmãos Benholiel, Abraão e Isaac, que dinamizaram o comércio e assumiram o
monopólio de uma grande parte das riquezas da ilha. Esta família deixou marcas da sua
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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presença, nas casas conhecidas em Cabo Verde como Sobrados18. Como curiosidade se
apresenta o Sobrado da família Benholiel, que foi adquirido pela Câmara Municipal da
Boa Vista e onde funcionava a “Escola de Música”. Em 2001, este edifício foi consumido
pelas chamas, tendo sido recuperado pelo município e onde funciona atualmente a
Biblioteca Municipal, a Escola de Música Olímpio Estrela e o Quintal da música Pedro
Magala.
Ilustração 1: Foto da casa da família Benholiel, antes do incêndio de 2001. Fonte: Correia, 2015, p. 166.
Ilustração 2: Fachada do edifício recuperado depois de 2001. Atual Biblioteca Municipal e Escola de
Música. Fonte: fotografia tirada por nós (2017).
Foi David Benoliel (1872-1950), filho de Esther e Abraão, o que porventura terá deixado
a sua marca mais indelével, tendo mandado construir, entre 1935 e 1938 (Lima, 2017,
18
Lima dedica uma parte do seu estudo à referência dessas casas senhoriais que ainda existem em Sal-
Rei.
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p. 373), uma capela cristã, dedicada a Nossa Senhora de Fátima em honra da sua esposa
e com isso ficado perpetuado na memória coletiva do povo. Acrescente-se ainda que,
segundo Correia (2015, p. 76), “em 1897, David Benholiel é nomeado pela primeira vez
professor interino na freguesia de Santa-Isabel, em Sal-Rei, ilha da Boa Vista, conforme
informação do Suplemento ao Boletim Oficial, Ano, 1917. Nº21.”
Em suma, a ilha da Boa Vista tem conhecido momentos de prosperidade, mas ao longo
da sua história sempre foi vetada ao abandono, tanto das autoridades portuguesas,
durante o período colonial, como das espanholas, durante a vigência filipina, como no
pós-independência, onde se verifica a periferia da ilha em relação à capital. Esta
afirmação é tanto mais verdadeira quanto em diversos momentos da história houve
fomes cíclicas e nem sempre as autoridades puderam intervir no sentido de minorar as
consequências dessas catástrofes provocadas pela falta de chuva.
Boa Vista (também escrito Boavista) é uma ilha do grupo do Barlavento de Cabo
Verde. De todas as 10 ilhas do arquipélago, é a situada mais a leste, distando apenas
455 km da costa africana.
A sua superfície de 620 km² torna-a a terceira maior ilha do país, depois de Santiago
e Santo Antão. Tem cerca de 31 km de norte a sul e 29 km de leste para oeste. A
maior povoação da ilha é a vila de Sal Rei, com cerca de 2500 habitantes.19
19
Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde Disponível em:
[Link] [Consultado a 3 de abril de
2018]
58
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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são simples indicadores de como a população na Boa Vista se manteve quase inalterada
até ao final do século XX, verificando-se o aumento na primeira década deste século.
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Um aspeto muito importante desta estatística prende-se com a origem dos habitantes
da Boa Vista. Tal como em tempos idos o aumento demográfico deveu-se a migrações
de outras ilhas para esta e imigração tanto de europeus como de africanos, oriundos de
países da costa de África e que aqui buscam trabalho, conforme se verifica nos dados
consultados: 56,1% da população é oriunda de outro concelho, 12,8% da população é
imigrante, sendo que a população da Boa Vista é de apenas 31,1%, ou seja, menos de
um terço da população total da ilha. (Fonte: INE, 2016).
No que tange os números relacionados com a Educação, os dados do INE apontam para
uma Taxa de Alfabetização bastante elevada, conforme a figura que se segue.
Quanto ao nível de instrução, o mesmo folheto do INE aponta para os seguintes dados:
O número médio de anos de estudo da população ronda os 7,4 anos. No entanto
destaca-se que 2% da população nunca frequentou a escola, 1% é considerada
60
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Figura 7: Dados estatísticos sobre a Boa Vista (Fonte: INE Cabo Verde, 2018)
20
O Ensino Básico Integrado em Cabo Verde (EBI) é de 6 anos escolares. Decreto-Lei nº 32/2009, de 14
de setembro.
21
Considera-se o Ensino Secundário do 7º ao 12º ano de escolaridade, Decreto-Lei nº 32/2009, de 14 de
setembro.
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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A Escola Secundária da Boa Vista situa-se na cidade de Sal Rei, capital do Concelho da
Boa Vista, uma das 9 ilhas habitadas do arquipélago da República de Cabo Verde.
A ESBV conta, em 2017/18, com 21 salas de aula, 1 Secretaria, 1 sala de Direção, 1 sala
de Subdireção, Cantina, Biblioteca (que funciona como sala de aula), 1 Laboratório de
Físico-Química, 1 Laboratório de Biologia e Ciências Naturais, 1 sala de Informática, 1
Anfiteatro (em construção) e 1 polivalente (em construção).
Ilustração 3: Vista da entrada da ESBV até 2017.22 Ilustração 4: Entrada da ESBV em 201823
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A Escola Secundária da Boa Vista tem como missão oferecer aos jovens em idade escolar
(dos 10 aos 18 anos) a possibilidade de estudarem na sua ilha de residência, sem que
necessitem de se deslocar para outras ilhas com esse fim.
Este logotipo é um dos símbolos da instituição que ora se descreve e ele é ostentado
nas fardas dos alunos da escola. Em Cabo Verde, os alunos que frequentam o ensino
público são obrigados a trajar uniforme constituído por camisa “pólo” de manga curta
de cor creme e calças de cor castanha, tanto para o sexo masculino, como para o sexo
feminino. Existe ainda um equipamento específico para as aulas de Educação Física
constituído por T-shirt de manga curta e calções de cor azul escuro e com o símbolo da
escola estampado.
25&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj1mrvGmbDZAhWSCuwKHRldAHgQ_AUICigB&biw=1366&bih=662
#imgrc=jlvf2amhl5JusM [Consultada em 18 de fevereiro de 2018]
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A Escola Secundária da Boa Vista foi criada no ano letivo de 1996/97, com o intuito de
oferecer a possibilidade de prossecução dos estudos liceais aos jovens boa-vistenses,
eliminando assim a necessidade dos estudantes e suas famílias se deslocarem para
outras ilhas, onde havia ensino secundário e era possível concluir o 12º ano, tal como
na ilha do Sal, de São Vicente ou de Santiago.
A Escola Secundária da Boa Vista iniciou funções por ordem ministerial de José Luís
Livramento, pela intervenção da Delegada do Ministério da Educação e Desporto, Dália
Benoliel, com uma parceria da Câmara Municipal, com cerca de 100 alunos distribuídos
por 4 turmas de 7º ano e com 9 professores, sob a direção de uma Comissão Instaladora
composta por: Mário Almeida, como diretor, Amílcar Costa e Emanuel Silva.25 Salienta-
se que o edifício da escola não foi criado de raiz para servir o fim a que se destinava. O
primeiro edifício utilizado para as aulas do ensino secundário fora anteriormente
construído para o Ensino Básico Complementar e era composto por quatro salas de
aulas, uma Oficina de Trabalhos Manuais, a Sala da Direção, a Sala de Professores, a
Secretaria, casas de banho para alunos e para professores. Oferecia ainda a
possibilidade da prática desportiva no Pavilhão Desportivo Djindjung, situado ao lado da
escola e construído na mesma época. Este último era constituído por uma placa para a
prática de andebol e futebol de 5, bem como de bancadas para os espetadores.
Em 1997 foram construídas quatro salas a cerca de 50 metros das primeiras, com o
propósito de aumentar a oferta a outros níveis de ensino. No ano de 1998/99
funcionaram na Escola Secundária da Boa Vista o 7º ano, o 8º ano e o 9º ano em regime
diurno e o 7º ano em regime noturno, curso organizado por iniciativa de Amílcar Costa,
2º Diretor da ESBV: 1998-2000.
25
Informação facultada por Mário Almeida, 1º Diretor da ESBV (1996-1998), Dália Benoliel, Delegada do
Ministério da Educação e Desporto (1991-1998) e Emanuel Silva, da Comissão Instaladora 1996/97.
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Em 1999/2000 já esta escola contava com quatro níveis de ensino do 7º ao 10º ano
(sendo os 7º e 8º anos no período da manhã e os 9º e 10ª anos, no período da tarde).
Destaca-se, e a título de curiosidade, no final dos anos 90, as turmas eram compostas
por cerca de 40 alunos, podendo atingir o limite de 45 discentes dentro de uma sala de
aula. Desta forma se procedeu à democratização do ensino em Cabo Verde, e
concretamente na ilha da Boa Vista.
A ESBV continuou a evoluir e a partir do ano letivo de 2000/2001, sob a direção de José
Pedro Marques, 3º Diretor da ESBV: 2000-2002, implementou-se o 11º ano da Via Geral,
com a criação de 2 turmas na área de Humanísticas. Isto foi possível devido à construção
de mais sete salas de aula e de uma Sala de Informática.
26
Informação facultada por Abel Ramos, Subdiretor Administrativo da ESBV 2017/18
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A instalação desta escola foi feita no edifício onde funcionava anteriormente o, hoje
extinto, Ensino Básico Complementar, cujo nome: Padre Porfírio Pereira Tavares havia
sido atribuído sob proposta do Grupo Recreativo e Cultural “27 de Setembro”, em
198927.
Ilustração 6: Foto do Diploma atribuído à Escola Padre Porfírio Pereira. Fonte: direção da ESBV.
O edifício foi então batizado sob a égide de um Padre que também desempenhou as
funções de professor e viveu na ilha da Boa Vista, aqui deixando uma prole de 14 filhos
entre os quais aquele que veio a ser o 1º Presidente da República de Cabo Verde:
Aristides Maria Pereira.
27
Disponível em:
[Link]
8bbwe/LocalState/Files/S0/319/Proposta_Nomes%20Ruas%20Boavista[3552].pdf. [Consultado em 18
de fevereiro de 2018]
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Diretor da escola
Organigrama 1: Conselho Diretivo da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.
A par do Conselho Diretivo existe também um Conselho de Disciplina, que tal como o
nome indica, vela para que se cumpram as regras de boa convivência entre alunos e
entre estes e os professores dentro do recinto escolar. Este órgão tem um caráter
preventivo e também punitivo, fazendo executar sanções por não cumprimento do
estabelecido nas normas do Estatuto do Aluno ou no Regulamento Interno da Escola. É
constituído por professores, um representante dos pais, um representante dos alunos,
um representante dos auxiliares de ação educativa e um secretário.
Sob a jurisdição do Conselho Diretivo, existem diversas comissões cujas tarefas são
atribuídas no início do ano letivo aos professores por incumbência da Direção. Estas
Comissões destinam-se a fazer com que sejam realizadas atividades extracurriculares.
Existem atualmente na Escola Secundária da Boa Vista cinco comissões, conforme
organigrama apresentado no Esquema 2.
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Comissão de Higiene e
Manutenção
Comissão de Informação,
Conselho Diretivo
Cultura e Desporto
Comissão de Organização de
Eventos
Comissão de Orientação
Vocacional e Profissional
Comissão de atribuição de
Quadro de Honra e
Excelência
Organigrama 2: Comissões da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.
A Escola Secundária da Boa Vista, tal como o consignado na Lei de Bases do Sistema
Educativo, Decreto Legislativo, nº 2/2010, de 7 de maio de 2010, possui um Subdiretor
Pedagógico que tem como funções: a distribuição de Professores, a elaboração de
turmas e de horários, a coordenação do Conselho Pedagógico, a verificação do
cumprimento dos programas junto dos Coordenadores de Disciplina e a assistência às
aulas, entre outras tarefas. No final do ano letivo, também cabe ao Subdiretor
Pedagógico, em conjunto com o Diretor, a avaliação anual dos professores, que consiste
no preenchimento de uma Ficha de Avaliação Docente onde constam os itens acerca
dos quais os professores são avaliados.
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Conselho
Pedagógico
Diretor da Subdiretor
ESBV Pedagógico
Organigrama 3: Conselho Pedagógico. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.
A Escola Secundária da Boa Vista conta, no ano letivo de 2017/18, com um total de 50
professores de nacionalidade cabo-verdiana distribuídos, segundo o género, em 15
professores do sexo masculino e 35 do sexo feminino.
No que tange a idade dos professores da instituição que ora se analisa, verificamos que
a maior parte dos professores (58% dos docentes) pertencem a uma faixa etária
bastante jovem (entre 26 e 35 anos). O gráfico nº 2 ilustra a distribuição etária.
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2%
6%
34% 20 e 25
58% 26 e 35
36 e 45
mais de 46
Gráfico 2: Média de idade dos docentes da ESBV. Fonte: questionário realizado aos professores.
Na Escola Secundária da Boa Vista estudam no ano letivo de 2017/18: 974 alunos, dos
quais 462 são do sexo masculino e 512 do sexo feminino.
Durante o ano letivo em que se efetuou este questionário houve uma mudança no
curriculum dos alunos do 5º ano, sendo introduzidas disciplinas como o Inglês e o
Francês, Educação Física e Educação Artística em regime de pluridocência, o que levou
a que as seis turmas fossem integradas na Escola Secundária. Os alunos de 6º ano não
foram abrangidos por esta reforma e por esse motivo não integraram as instalações da
Escola Secundária. Estas mudanças também se prendem com a adoção do Sistema de
Agrupamentos que entra em vigor apenas em 2019, pelo Decreto Lei nº 9/2019, de 22
de fevereiro de 2019.
70
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250
200
150
100
50
0
5º ano 7ºano 8ºano 9ºano 10ºano 11ºano 12ºano
Gráfico 3: Distribuição de número de alunos por género e níveis de ensino. Fonte: Secretaria da ESBV.
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Esses livros foram sofrendo sucessivas arrumações e muitos acabaram por se deteriorar
e extraviar, apesar dos esforços das sucessivas direções que procuraram uma solução
para o funcionamento da Biblioteca.
Ao longo dos anos de existência da Escola Secundária, à Biblioteca foi sendo dada uma
importância relativa, conforme o Diretor que ocupou o cargo.
Com o diretor José Pedro Marques houve uma tentativa de organizar os livros existentes
na escola, mas como não havia ainda um espaço adequado para os colocar, nem
estantes, os livros mantiveram-se dentro de caixotes aguardando por esse espaço.
Salienta-se o facto de não existir na Boa Vista uma única livraria, ou seja, na ilha era
impossível comprar livros até 2017. Esta situação tem vindo a reverter-se pois a nível
nacional também foram criadas duas livrarias particulares na ilha de Santiago,
conhecidas pelos nomes de escritores cabo-verdianos dos primórdios da literatura
crioula: a livraria Eugénio (Tavares) e a Pedro Cardoso. Atualmente, existem 2 espaços
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Com as direções seguintes não houve possibilidade de organizar a Biblioteca, pela falta
de salas existentes na escola, ou seja, a Biblioteca tem funcionado como uma sala de
aulas até ao ano letivo de 2017/18.
A Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista é constituída por uma sala apenas,
situada no 1º piso do Bloco 3 da ESBV.
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A sala tem quatro janelas em toda a extensão de duas das paredes, paralelas, o que lhe
confere uma luz natural muito eficaz.
Ilustração 11: Entrada da Biblioteca da ESBV Ilustração 12: Interior da Biblioteca. Fonte: foto
(vista do Interior). Fonte: foto nossa. nossa.
Ilustração 13: Interior da Biblioteca. Fonte: foto Ilustração 14: Foto do Interior da Biblioteca,
nossa. funcionando como sala de aula. Fonte: Foto
nossa.
Possui um total de seis estantes, com dez prateleiras cada e um armário embutido na
parede. As quinze mesas, estão distribuídas pela sala e possui ainda vinte e oito cadeiras.
Funciona neste momento como uma sala de aula, daí que possua uma secretária para o
professor e um quadro de ardósia, assente provisoriamente numa secretária. Existem
seis estantes organizadas por disciplina (Português, Inglês, Francês, Química, Física,
Matemática e Biologia) e um armário embutido na parede.
Até ao ano letivo de 2017/18 a Biblioteca funciona como sala de aula, conforme se pode
observar pela organização das carteiras e a presença de um quadro de ardósia.
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Primeiro, uma análise da situação atual da biblioteca, efetuada com base na ferramenta
de análise SWOT para uma perspetiva mais global, e um olhar mais específico sobre o
acervo da biblioteca, tendo em atenção as possibilidades que oferece aos seus
potenciais utilizadores. Em seguida, os resultados da aplicação de um questionário aos
professores com vista a identificar o seu entendimento sobre a biblioteca existente e as
possibilidades de desenvolvimento futuro.
Segundo Bertrand Calenge (2004), só se pode definir uma coleção tendo em conta a
comunidade em que esta se insere e os seus utilizadores, porque uma coleção é um
conjunto coerente de documentos, coligidos para um fim específico, no quadro de
prioridades sociais e cognitivas, definidas a nível coletivo e geridas num quadro material
finito de espaços, orçamentos, tempo e competências.
28
“Avaliamos a nossa coleção para averiguar o seu grau de adequação às necessidades dos nossos
usuários” [tradução nossa]
75
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A Coleção existente na Biblioteca Escolar da ESBV é composta por livros, sem possuir
qualquer material diverso, quer se trate de revistas ou de jornais, nem de materiais em
suporte digital. Acresce ainda o facto de esses livros serem, na sua maior parte, manuais
escolares doados à escola, sem que tenha havido qualquer critério na aceitação desses
materiais. Outra parte dos livros, que se encontra na BE, resulta também de ofertas de
Câmaras geminadas que muitas vezes partilham monografias e livros sobre os seus
concelhos e freguesias.
A Biblioteca contém atualmente um acervo de 1140 livros, dos quais 956 são manuais e
por isso não são considerados como parte da Coleção, restando apenas 184 livros,
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a) Processo de Seleção
Tempos houve em que a Biblioteca recebeu manuais em segunda mão, recolhidos com
muito boas intenções, mas com efeitos práticos desastrosos. Qual é o jovem que sente
curiosidade por um livro já usado e escrito? Das inúmeras ofertas à ESBV, coube,
sobretudo, manuais de diversas disciplinas e de diferentes níveis de ensino, muitas vezes
chegando aos 20 e 30 livros iguais.
b) Processo de Aquisição
A aquisição de acervos pode ser feita por compra, troca ou oferta. No caso da Biblioteca
a que reporta este trabalho, a aquisição é feita exclusivamente pelo processo de doação.
Posto o que foi apresentado não existem, de momento, muitas alternativas disponíveis
para selecionar os itens a adquirir. A Biblioteca continua a depender exclusivamente da
boa vontade de outras bibliotecas e entidades interessadas em apoiar a nossa
instituição.
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É aqui que se insere uma nova perspetiva para o equipamento da Biblioteca, fruto de
uma parceria com as Rotas Solidárias, sediada no Porto. Após ter sido criado um
Programa de intercâmbio entre escolas, intitulado Rota dos Livros, 1000 livros foram
oferecidos pela Biblioteca Municipal do Porto à Biblioteca da ESBV. No âmbito deste
Programa, os alunos da Escola Secundária Alexandre Herculano, também ela na cidade
do Porto, recolheram livros em segunda mão para enviar para a Boa Vista.
c) Processo de desbaste
Segundo Póvoa (2008, p.27) “o desbaste surge devido a dois tipos de fatores: intrínsecos
e extrínsecos à coleção. Os primeiros são determinados pela natureza e estado dos
documentos (deterioração física) e pela qualidade da informação que veicula
(atualidade, correção, adequação aos utilizadores e suas necessidades)”.
No que tange à BE que ora se analisa, a avaliação da Coleção a ser feita, segundo estes
dois fatores propostos por Póvoa, levaria a um abate quase completo de todos os
acervos, principalmente se tivermos em conta os fatores extrínsecos. Estamos em crer
que a avaliação de uma Coleção para o desbaste deve ter em conta outros fatores como
a contextualização da realidade social em que se insere uma Biblioteca.
Quanto à forma de desbaste, que a Biblioteca em análise pode levar a cabo, parece-me
ser o da venda ao público em feiras de livro, promovidas pelo responsável da BE da
referida escola, em parceria com entidades camarárias para que o evento seja exterior
ao recinto escolar.
d) Sugestões
Não querendo deixar uma impressão negativa da forma como os processos de Aquisição
e de Seleção se processam na BE da ESBV, quase sempre por doação, limitando assim a
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- Promoção de feiras do livro usado com o objetivo de angariar fundos para a compra de
livros mais atualizados e de acordo com os interesses da população estudantil;
As Bibliotecas Escolares podem utilizar este método para verificarem se estão a servir
bem os seus utilizadores, se o seu modo de funcionamento está a ser eficaz, quais são
os aspetos que carecem de mudança ou de melhoramento, que fatores externos podem
constituir uma ameaça às suas práticas e que ligações devem ser estabelecidas,
promovidas ou reforçadas com o meio envolvente.
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Para realizar a chamada “ação defensiva” neste processo, utilizando as Forças para
neutralizar as Ameaças, há que ter em conta que certas ameaças não iremos conseguir
mudar, mas que elas não podem ser impeditivas do funcionamento da Biblioteca. Por
exemplo: o facto da mesma se encontrar no primeiro andar. De igual modo, não haver
salas com o tamanho da Biblioteca e que fazem com que usemos o espaço como sala de
aula, será resolvido com o término das obras do Anfiteatro, e não deve, por isso,
constituir um impedimento. Cremos que a maior ameaça poderá ser a falta de um
Professor Bibliotecário, aliado ao facto de não haver uma legislação que sustente a sua
nomeação para o cargo. No entanto, consideramos que o empenho da Direção deva
manifestar-se pela melhor distribuição dos horários dos professores que possa permitir
aos que queiram colaborar com a Biblioteca o possam fazer. Por outro lado, achamos
que, provisoriamente, se poderia nomear um Auxiliar de Ação Educativa para que o
espaço da Biblioteca se mantivesse em funcionamento. Na nossa opinião, a Direção da
Escola pode demonstrar o seu empenho tomando medidas que mudem o atual estado
das coisas.
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Concluindo a análise que fizemos e com base nestas informações recolhidas, a partir da
observação da Biblioteca, verifica-se que existe uma grande necessidade de organização
do espaço físico da mesma, nomeadamente pela disposição das estantes, das cadeiras
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e das mesas, que servem única e exclusivamente o propósito de lecionação, tal como
atesta a presença de um quadro de ardósia, instalado provisoriamente numa das
secretárias. Esta situação deve-se ao facto de não haver salas em número suficiente e
com espaço para os alunos de turmas mais numerosas. Foi-nos informado que assim
que for possível, a direção irá disponibilizar a sala, canalizando as aulas para outro
espaço, a fim de que se invista num espaço que funcione como Biblioteca. Não haver
um Bibliotecário ou uma equipa de professores a trabalhar e desenvolver atividades,
advém do facto do espaço não estar a ser utilizado para o fim a que se destina.
Tendo em conta este estado de coisas, a Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista
tornou-se uma preocupação por parte de um grupo de professores, mas também pela
pressão exercida pelos alunos que permanentemente mostravam o seu
descontentamento e vontade de mudança.
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Para melhor nos apoderarmos de informações sobre o que pensam os inquiridos acerca
do tema do nosso estudo, optámos por usar o inquérito por questionário. E tal como
afirma Tuckman (2012, p. 432) “Os questionários (…) ajudam os investigadores a
transformar em dados a informação diretamente recolhida das pessoas (sujeitos de
investigação)”.
Já aqui explicitámos o duplo objetivo da aplicação dos questionários para este trabalho:
recolher informações acerca do que pensam os nossos inquiridos sobre a Biblioteca da
escola que estamos a estudar e ao mesmo tempo despertar o interesse pelo debate e
discussão de como reorganizar a nossa Biblioteca.
O questionário foi realizado e aplicado com recurso à internet, via Messenger, através
da ferramenta do Google Drive: formulário. Foi disponibilizado um link:
[Link] com o título: Questionário aos Professores
sobre a Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista que os professores abriram,
preencheram e submeteram. Deste modo os dados foram armazenados no drive onde
foi feito o tratamento dos mesmos.
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Este estudo foi realizado num período de transição para o sistema de agrupamento de
escolas e no decorrer da introdução de uma reforma educativa para o 5º ano de
escolaridade, daí que 6 turmas desse nível tivessem sido colocadas, a título
experimental, no espaço da Escola Secundária. As turmas de 6º ano de escolaridade, por
não se encontrarem abrangidas pela referida reforma, mantiveram-se nas escolas
básicas a que pertenciam.
Por se tratar de uma escola com poucos professores decidiu-se que a totalidade dos
docentes seria abrangida por este inquérito, até porque também seria uma forma de
motivar os docentes.
O questionário, conforme pode ser verificado na matriz que foi elaborada (cf. Anexo 1:
Matriz do questionário aplicado aos professores), integra 3 secções centrais:
A - Caracterização dos inquiridos;
B – Gestão e Organização da Biblioteca;
C – Dinamização da Biblioteca Escolar.
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Partindo da segunda questão, conclui-se que o género que prevalece nesta instituição é
o feminino, com 35 professoras, que representam 70% do corpo docente, contra 15
professores que representam apenas 30% dos docentes.
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A questão seguinte procurou saber que disciplinas cada um dos inquiridos leciona, no
entanto, ressalva-se que existem professores que lecionam mais do que uma disciplina
e mais do que um nível. Assim, optámos por elaborar uma tabela com o número de
professores por cada disciplina:
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Gráfico 6: Distribuição dos Professores da ESBV pelos níveis de ensino que leciona.
A distribuição está feita da seguinte forma: 10% dos professores leciona apenas ao
5ºano, 12% leciona 7ºano; 18% leciona 8ºano; 10% leciona 9ºano; 8% leciona 10ºano;
12% leciona 11ºano e 12% leciona 12ºano. Deste gráfico também se conclui que 18%
dos professores desta escola lecionam mais do que um nível.
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Nesta questão reforça-se a ideia de que o quadro docente desta escola é instável, sendo
a maioria dos professores que aqui leciona professores em situação de primeiro
emprego, deslocados das suas ilhas e que por esse motivo acabam por pedir
transferência logo que possível.
Na questão 1, verificamos que 88% dos inquiridos afirmou conhecer uma biblioteca
escolar, contra 12% que afirma desconhecer. Tendo em conta que a totalidade dos
professores da Boa Vista frequentaram uma Universidade, acreditamos que ao
responderem afirmativamente estão a referir-se a bibliotecas universitárias. Os
professores que responderam não (12%) talvez estejam a reconhecer que não
conhecem o conceito de biblioteca escolar ou na sua experiência como professores ou
mesmo previamente como estudantes não facultou o contacto com esse tipo de
estrutura pedagógica.
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À questão 4.1 : se respondeu negativamente, qual o motivo para que a Biblioteca não
funcione, os professores manifestaram as suas opiniões, conforme gráfico seguinte:
Verificamos que, face às razões apontadas para o não funcionamento da BE, a maioria
(quase metade) dos respondentes tem consciência de que o espaço destinado à
biblioteca de facto não apresenta as condições para isso. Referem sobretudo a questão
do acervo: 40% dos inquiridos, que corresponde a 20 professores, atribui o não
funcionamento da biblioteca à falta de acervo.
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A estas dificuldades apontadas pelos PB, alia-se, no caso específico da Escola Secundária
da Boa Vista, o facto de não haver legislação que defina o papel do Professor
Bibliotecário, nem a obrigatoriedade por parte da direção da escola em definir um
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professor responsável pela Biblioteca, pois ainda nada está legislado pelo Governo de
Cabo Verde.
A resposta a esta questão aponta para uma dimensão que merece a nossa atenção e
que temos de articular com duas vertentes: o conceito de biblioteca que transparece e
as condições dos professores para o exercício da sua função.
Em relação ao primeiro aspeto, verificamos que transparece uma visão muito tradicional
da BE, já que a maior parte dos docentes inquiridos refere que a BE deveria ser reforçada
com manuais escolares, manuais de apoio, livros didáticos e manuais didáticos, no seu
conjunto representa 48% dos inquiridos. Se considerarmos ainda dicionários, gramáticas
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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e enciclopédias como material didático, então somamos mais 38% dos inquiridos,
perfazendo 86% das necessidades de materiais com fins educativos. Na verdade, para
apenas uma pequena minoria, 10%, a biblioteca deve ter uma componente informativa,
ficando apenas 2% de quem considera que a biblioteca deve ter um caráter lúdico.
Como apontámos na parte de enquadramento, não é essa a perspetiva que se tem hoje
para uma biblioteca escolar.
Embora esta questão merecesse ser mais aprofundada, e isso não foi possível fazer
apenas através de um inquérito, pensamos que este aspeto se articula com as próprias
condições dos professores, que têm poucos materiais de apoio para o seu trabalho.
Neste sentido, questionamos se verão a BE mais do ponto de vista de apoio ao seu
trabalho? Ou se estarão também a pensar nos alunos e consideram que mais manuais
poderão ajudá-los a aprofundar alguns conhecimentos?
Importa ressalvar neste ponto que, tal como já foi referido, não existem livrarias na ilha
da Boa Vista e não há uma política de fornecer manuais aos professores anualmente, no
início de cada ano letivo, como acontece em Portugal. O Governo de Cabo Verde é que
institui os manuais a serem adotados em todas as escolas e fornece esses manuais para
venda, em todas as ilhas, a quantias que vão de cerca de 2€ a 4€ por manual. Isto
acontece do 1º ao 8º ano de escolaridade (que constitui o ensino obrigatório). Para o
ensino secundário não existe nenhum manual em nenhuma disciplina, vendo-se os
professores obrigados a socorrerem-se de fotocópias, internet ou manuais que
consigam fazer trazer de Portugal ou do Brasil. Esta é a realidade, daí que a necessidade
de materiais didáticos seja tão premente.
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Gráfico 9: Tipos de materiais lúdicos que a biblioteca pode disponibilizar, segundo os professores da ESBV.
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A questão 9 é uma pergunta que suscita alguns comentários pela forma tão expressiva
como os professores se manifestaram. 92% dos inquiridos consideram que para a
implementação da BE deve ser feita a contratação de um Bibliotecário que trabalhe em
colaboração com os professores. Apenas 6% afirma que a implementação possa ser feita
por um professor responsável e 2% consideram que a biblioteca dependeria da boa
vontade dos professores. Podemos relacionar esta questão com a questão número 13,
que pretende saber da disponibilidade dos professores para fazer parte da equipa da
biblioteca.
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Na questão 10, que inicia a terceira parte do questionário e cujo tema é a Dinamização
da Biblioteca Escolar, solicitámos aos professores que elencassem as atividades lúdicas
que consideram mais importantes a ser disponibilizadas aos alunos.
Gráfico 13: Atividades lúdicas a serem disponibilizadas pela Biblioteca, segundo os professores da ESBV.
Como se pode observar no gráfico, 78% considera que a atividade fundamental numa
biblioteca é a leitura. Novamente, estamos perante uma ideia tradicional do que deve
ser uma biblioteca escolar. Apenas 14% considera a visualização de um filme como
atividade a ser oferecida numa biblioteca e 8% acha que pode ser um local para os
alunos conviverem ou conversarem com outros colegas.
Gráfico 14: Atividades didáticas a serem disponibilizadas na Biblioteca da ESBV, segundo os professores.
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Na questão 11, das atividades didáticas que foram dadas a escolher aos professores,
estudar em grupo ou realizar trabalhos é a que recolhe a maior percentagem dos
inquiridos (40%), seguida da opção de requisição de livros com 38% do total, contra 18%
que considera a Biblioteca como um lugar de pesquisa na internet. Por último surge
como local para a prática de atividades extracurriculares, com apenas 4% dos inquiridos
a selecionar esta opção.
Quase 20 anos sobre a publicação de Humberto Lopes na revista a&b, sobre “Bibliotecas
em Cabo Verde”, a visão redutora de uma Biblioteca como espaço de estudo mantém-
se: “Os alunos do liceu acabam por constituir o principal utente das nossas bibliotecas
uma vez que nelas encontram ao menos um local de estudo” (1999, p.61). A verdade é
que este facto se deve à inexistência de acervo diversificado ou equipamentos
modernos, que tornem atrativas as bibliotecas.
Na questão 12, foi dada a possibilidade de escolher apenas uma de entre várias opções
ou de apresentar uma opção à sua escolha. E neste caso, a realização das atividades
relacionadas com clubes de leitura foi a que recolheu mais opções (30%), seguida da
atividade de Sessões de contos (16%), também ela relacionada com a leitura. Em terceira
opção, ambas com 12% das opções dos inquiridos, encontramos a apresentação de
livros e de encontros com escritores, bem como a realização de Concursos. Ficamos a
saber que 58% dos inquiridos gostaria de participar em atividades relacionadas com a
leitura na Biblioteca.
De destacar nesta questão a percentagem, ainda que reduzida (2% dos respondentes),
que pretende ensinar os alunos a trabalhar nos software matemáticos e os 2% que
gostariam de ver a Biblioteca como um laboratório fonético, conforme o quadro
seguinte:
Opções dadas:
Sessões de contos 16%
Apresentação de livros/Encontros com escritores 12%
Clubes de leitura 30%
Concursos 10%
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Feiras do Livro 4%
Discussão em grupo sobre temas do interesse da Comunidade Educativa -
Exposições temáticas 10%
Grupos de estudo 12%
Outras opções
Todos os anteriores 2%
No Clube de Leitura gostaria que a Biblioteca disponibilizasse uma sala para 2%
trabalharem a escuta e a fonética nas aulas de línguas
Ensinar os alunos a trabalhar nos software matemáticos 2%
Tabela 6 : Atividades que os professores da ESBV gostariam de desenvolver com os alunos na BE. Fonte:
questionário aos professores da ESBV.
Gráfico 15: Disponibilidade dos professores da ESBV em fazer parte da equipa da Biblioteca, segundo os
próprios.
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Vendo as respostas dadas, nenhum dos professores apresenta total disponibilidade para
fazer parte da equipa, optando por colaborar segundo a sua disponibilidade (84% dos
respondentes), ou até apresentar-se como totalmente indisponível para o efeito (16%
dos respondentes). As razões prendem-se com os horários multidisciplinares, horários
mistos, horas extraordinárias, mas também algum desconhecimento por parte dos
mesmos.
Gostaríamos, aqui neste ponto, de aproveitar para lembrar uma afirmação de Ana Maria
Pessoa, apesar de já ter sido feita há algum tempo, consideramos atual e a propósito
desta visão redutora de que a biblioteca deva estar a cargo de um Bibliotecário. A autora
refere:
Alguns docentes, (…), pensam que o professor responsável pela biblioteca/ (…)
deveria ser, em cada escola, um bibliotecário, diplomado. Partilhar esta opinião não
parece ser o mais correcto. Porquê? É óbvio que as tarefas técnicas (catalogação,
classificação, etc.) só devem ser feitas por quem para tal foi preparado. Porém, há
imensas outras actividades que devem ser atribuídas ao professor. A escola deve
promover a pedagogia da documentação e é o professor que a deve aplicar.
(Pessoa, 1994, p.25)
Esta afirmação vem ao encontro da nossa ideia sobre como deve ser um professor
bibliotecário: alguém que pode orientar o aluno na pesquisa de informação,
promovendo a “pedagogia da documentação”.
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A partir desta questão optámos por aumentar a possibilidade de resposta livre e criativa
de cada um dos inquiridos, colocando três afirmações em aberto para serem
completadas pelos respondentes.
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Na questão 15, que consistia em completar a frase: “Eu usaria melhor a Biblioteca se…”,
optámos por agrupar as ideias principais também por temas que se assemelharam aos
temas da questão 14, mas que foram mais específicos no que concerne o equipamento
necessário. Os professores abordaram ainda temas como: a necessidade de dinamizar a
biblioteca, disponibilizar materiais didáticos, facultar acesso às Tecnologias de
Informação e Comunicação e à Internet. As opiniões foram agrupadas nos seguintes
temas:
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A alínea 10), que refere a importância da divulgação da Biblioteca por dois dos inquiridos
também merece a nossa atenção, pelo facto de estar consignada nas diretrizes
IFLA/UNESCO (2006): “A biblioteca escolar deve dispor de uma política de marketing e
de promoção, especificando objectivos e estratégias”, acrescentando que “é importante
adequar o tipo de promoção à natureza da escola e aos diferentes públicos-alvo.” (p.20).
A partir dos comentários que reunimos na alínea 12, foi-nos permitido explicitar a
função que uma Biblioteca deve ter, segundo os nossos inquiridos, e que vem ao
encontro da análise que fizemos acerca do papel de uma Biblioteca no cumprimento dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, mas que aborda também aspetos das
diretrizes da IFLA/UNESCO.
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Estas funções de uma Biblioteca referidas nas respostas dos professores, remetem-nos
para o Manifesto da IFLA/UNESCO (1999) sobre o papel de uma Biblioteca Escolar no
desenvolvimento das capacidades dos alunos nomeadamente: a nível da Pesquisa:
“resource-based capabilities”; a nível do Pensamento: “thinking-based capabilities”; do
Conhecimento: “knowledge-based capabilities”; a nível da Leitura: “reading and literacy
capabilities” e ainda a nível do Relacionamento Interpessoal: “personal and
interpersonal capabilities”, quando se refere a Biblioteca como local de encontros e de
minimização da indisciplina.
Segundo este manifesto, a missão de uma Biblioteca Escolar deve ser preparar os
estudantes para o seu trabalho futuro e para o pleno exercício da sua cidadania, tal
como assinalou um dos nossos inquiridos quando afirmou que este espaço deve
“contribuir para a formação e cultura do aluno”.
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A Preparação Metodológica consiste num conjunto de atividades que decorre no início de cada
trimestre nas escolas em Cabo Verde. É um momento em que todos os professores se reúnem e onde são
apresentados temas de interesse pedagógico e as estatísticas do aproveitamento.
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De seguida passou-se à apresentação dos slides, tendo alguns deles despertado mais
discussão e comentários do que outros.
Uma questão que gerou alguns comentários foi a questão 13, que abordava a
disponibilidade dos docentes para participarem no funcionamento da Biblioteca, e estes
reagiram quando se viram confrontados com o gráfico que revelava que nenhum deles
se apresentou com total disponibilidade para fazer parte da equipa da Biblioteca. Houve
muitos que se justificaram, dizendo que não era por falta de vontade, mas por serem
realistas e não poderem mesmo estar disponíveis senão de acordo com os seus horários.
A percentagem de professores que afirmou ter nenhuma disponibilidade para fazer
parte da equipa pertence ao grupo de docentes com horas extraordinárias ou que
lecionam três níveis de ensino.
Durante a apresentação não houve espaço para muita discussão por uma questão de
tempo, mas no final procedeu-se à apresentação de uma proposta de organização do
espaço da Biblioteca que gerou a intervenção de muitos professores.
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Tal como é referido nas diretrizes IFLA/UNESCO (2006, p.7), “quando se planeia uma
nova biblioteca é de considerar a lista de áreas diferentes.” Na nossa proposta aos
professores procurámos integrar essas áreas com a nossa realidade escolar e o público
a que se destina.
A sala fica separada nos espaços seguintes: Área de Leitura, Área de Trabalho
Colaborativo, Área Web e Área de Lazer. A zona do Professor Bibliotecário situa-se junto
à Área Web e à de Trabalho Colaborativo, pois é nesses espaços que os alunos
necessitam de orientação do profissional.
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Consideramos que a Área Web deva ficar junto à zona do Professor Bibliotecário,
também descrita como “zona administrativa para balcão de empréstimo.” (IFLA,
2006, p.7), por acharmos que o a orientação nas pesquisas dos alunos deva ser dada
pelo PB.
Ilustração 15: Jogo do Uril. Fonte: Centro de Competência entre mar e serra31.
30
Uril: é um dos jogos de tabuleiro mais antigos do mundo, pertencente à família de jogos Mancala.
Disponível em: [Link] [consultado em 25 de
julho de 2019]
31
Foto disponível em: [Link] [consultada em 25 de julho de 2019]
110
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O Programa “Rota dos Livros” resultou de uma proposta promovida por um programa
intitulado: “Laboratório do Erro”, promovido pela Escola Secundária de Alexandre
Herculano, que integrou no seu Projeto de 2017, a Escola Secundária da Boa Vista (ESBV),
em Cabo Verde e o Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano (AEAH), no Porto.
Estão envolvidas Ana Rial, responsável pelo Programa “Rotas Solidárias”; Maria José
Pereira e Carla Silva, professoras da Escola Secundária de Alexandre Herculano e Helena
Duarte, professora da Escola Secundária da Boa Vista. O trabalho que estava a ser
desenvolvido neste âmbito acabou por ser depois integrado no projeto de organização
e dinamização da biblioteca escolar, como adiante explicitamos.
O Programa “Rota dos Livros” contou com a parceria de:
No Porto
Direção da Escola Secundária de Alexandre Herculano;
Bibliotecas Alexandre Herculano;
Junta de Freguesia do Bonfim, pelouro da Educação, Cultura e Lazer;
Divisão Municipal das Bibliotecas do Porto.
Câmara Municipal do Porto.
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Na Boa Vista o Programa “Rota dos Livros” teve início com as seguintes atividades:
Janeiro de 2017: Leitura e análise dos contos cabo-verdianos do livro Contra Mar e Vento
de Henrique Teixeira de Sousa (“Menos um” e “Barrilinho de azeite”) pelos alunos do
8ºano;
No Porto o Programa “Rota dos Livros” teve início com as seguintes atividades:
Janeiro de 2017
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Fevereiro de 2017
32
[Link]
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Março de 2018
Envio dos livros recolhidos, em 67 caixotes, por via marítima, para a ilha da Boa Vista.
Uma vez que esse transporte teve de ser executado via Praia, a chegada dos livros foi
morosa;
Junho de 2018
Colocação de grades nas janelas da sala da Biblioteca, pela Direção da ESBV, tendo em
conta o facto de a escola ir receber livros e materiais didáticos, provenientes do
Programa a ser desenvolvido.
4 de julho de 2018:
Chegada dos livros, à ilha da Boa vista, doados pela Câmara Municipal do Porto através
da Direção Municipal de Cultura e Ciência. 1344 livros da Biblioteca Municipal do Porto,
que se vão juntar aos 200 livros angariados pelo IESF (Instituto de Estudos Superiores de
Fafe) e aos 552 angariados pelos alunos da ESAH.
17 de julho de 2018
Chegada dos livros à Escola Secundária da Boa Vista, depois de terem sido recebidos
pela Câmara Municipal da Boa Vista, que os desalfandegou e procedeu à entrega, na
pessoa do Secretário para Assuntos da Juventude;
Os livros angariados foram entregues à Escola Secundária da Boa Vista - Cabo Verde no
âmbito do Programa Rota dos Livros promovido pelas Rotas Solidárias em parceria com
o Laboratório do Erro, Escola Secundária Alexandre Herculano, Junta de Freguesia do
Bonfim e Escola Secundária da Boa Vista.33
Início da organização dos livros que teve um interregno durante as férias de verão;
33
Disponível em: [Link]
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Setembro de 2018
Organização dos livros por uma equipa nomeada pela Direção da Escola Secundária da
Boa Vista;
Outubro de 2018
Janeiro de 2019
Junho de 2019
Encerramento do Programa “Rota dos Livros” através de uma visita de estudo dos alunos
portugueses que desenvolveram este Projeto, acompanhados por duas professoras, à
Escola Secundária da Boa Vista. Nesta atividade houve um intercâmbio entre uma turma
de alunos finalistas da ESAH e os alunos da ESBV que se encontravam a frequentar o 10º
ano.
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Já muito foi referido neste trabalho que na nossa escola abundavam manuais escolares,
muitos deles usados e outros muito antigos e até em mau estado de conservação, mas
que ocupavam as nossas estantes.
Após a realização do Programa “Rota dos Livros” e com a perspetiva de receber novos
livros para a Biblioteca, vimo-nos na necessidade de criar espaços nas estantes. Assim,
iniciámos um processo de desbaste, tendo sido alguns livros oferecidos e outros
vendidos numa Feira do Livro Usado, a um preço simbólico.
Essa Feira, cujo cartaz apresentamos em anexo, (cf. Anexo 6) rendeu à escola algum
dinheiro que foi investido em melhoramentos da referida Biblioteca, nomeadamente na
instalação de cabides para as mochilas dos alunos, fabricados por um carpinteiro local.
Os livros não estão disponíveis para empréstimo para casa, pois ainda não foi feita a sua
catalogação de uma forma sistemática. Apenas podem ser consultados no espaço da
Biblioteca.
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CONCLUSÕES
Esta dissertação teve por objetivo principal relatar o modo como uma sala de aula com
estantes e manuais escolares pode ser transformada em Biblioteca Escolar. Ao longo
deste trabalho demos conta do processo que conduziu à metamorfose de um espaço
dentro do recinto escolar que não servia o propósito a que se destinava e se transformou
num local atrativo para toda a comunidade escolar.
Também verificámos em que contexto uma Biblioteca Escolar poderia ser importante
na prossecução do cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável,
procedendo a uma reflexão sobre os desafios da Educação na Sociedade Atual. Nesse
capítulo, procurámos responder às questões que nortearam a nossa investigação e
concluímos que:
a. Uma Biblioteca Escolar pode contribuir para que a Educação seja realmente para
todos, por disponibilizar livros e outros recursos para a melhoria do processo de
ensino-aprendizagem a alunos cuja possibilidade de acesso a livros é reduzida,
quer pelo seu elevado custo, quer pela inexistência de locais de venda dos
mesmos.
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A nossa preocupação em levar a bom termo o nosso intento inicial levou-nos a incluir os
professores da escola em estudo, nas nossas atividades, através da aplicação de
questionários aos mesmos. O que nos permitiu captar a atenção dos docentes, mas
também o seu empenho em participar neste Projeto. As respostas que obtivemos com
esse questionário permitiram-nos traçar diretrizes que resultassem na criação da
Biblioteca Escolar.
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nosso plano queríamos incluir também questionários aos alunos, mas por motivos
organizacionais não foi possível fazê-lo. No entanto, o facto de estarmos em contacto
direto com os alunos em ambiente de sala de aula, permitiu-nos perceber a ânsia com
que os alunos acompanhavam este processo e demandavam pela abertura urgente do
espaço da biblioteca, como Biblioteca Escolar. O envolvimento dos alunos é tão grande
que a própria Associação de Estudantes desta escola, procurou meios para que fossem
financiados computadores com ligação à internet, tendo apresentado um projeto a uma
operadora de telecomunicações com representatividade na ilha. Neste momento
aguardam confirmação do apoio.
Esperamos ter apresentado ao longo desta dissertação, de uma forma clara e concisa:
os objetivos que nortearam o nosso trabalho, todo o processo que desenvolvemos para
cumprir esses objetivos e por fim os ganhos que conquistámos.
Resta-nos reforçar a ideia exposta no provérbio inglês que ao longo de todo este
trabalho árduo, mas gratificante, inspirou a nossa conduta: “Where there’s a will, there’s
a way”.34 Nada é impossível de realizar quando há uma vontade para o fazer, mas
quando se juntam várias vontades a uma só, tudo se torna muito mais exequível.
34
Tradução nossa: “Onde há uma vontade, há um caminho”
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SUGESTÕES
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contornar a maior dificuldade para equipar uma Biblioteca em Cabo Verde que
é o transporte. A ideia é que os alunos da escola elaborem um folheto a distribuir
nas agências de viagens, via digital, de forma a que cada turista que compre
passagem de férias para a Boa Vista, seja convidado a trazer um livro na mão e
que o ofereça à Biblioteca. Num avião com duzentos passageiros podem vir cem
livros ou mais, no voo semanal de Lisboa.
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RECOMENDAÇÕES
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BIBLIOGRAFIA E WEBGRAFIA
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acesso-a-internet-bate-recorde-
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VIDEOS
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1 Explicação do âmbito
do questionário;
Explanação do
objetivo do
questionário.
entre 20 e 25 anos
• Caracterizar a idade Qual a sua idade? entre 26 e 35 anos
dos inquiridos; entre 36 e 45 anos
mais de 46 anos
• Caracterizar a M
distribuição de Sexo F
professores quanto ao
sexo;
A. Caracterização
da ESBV; ESBV?
• Verificar se os 3. Já usou a Sim
inquiridos já usaram a Biblioteca da Não
Biblioteca da ESBV; ESBV?
• Interrogar os 4. Considera que a
inquiridos sobre se Biblioteca Sim
acham que a funciona Não
Biblioteca funciona; adequadamente?
3
falta de empenho da direção;
falta de empenho dos
• Solicitar que escolham 4.1. Se respondeu professores;
a opção que mostra os afirmativamente, falta de salas na escola;
B.
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Ver um filme
que consideram mais Biblioteca possa Ouvir música
pertinentes na BE; disponibilizar aos Conviver/conversar com
alunos? outros colegas
Requisitar livros ou outros
materiais para casa
4 • Solicitar que os 11. Que atividades Fazer pesquisas na Internet
inquiridos selecionem didáticas julga Estudar em grupo
as atividades didáticas fundamentais que uma Fazer os trabalhos de casa
que consideram mais Biblioteca permita aos Participar em atividades
pertinentes na BE; alunos? extracurriculares
C.
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Verificar •
a [Link] a sua
disponibilidade dos disponibilidade para
inquiridos para fazer parte da equipa
colaborarem na da Biblioteca Escolar?
equipa da Biblioteca
Escolar;
• Dar oportunidade a 14. Complete a frase: A Questão aberta
que os inquiridos Biblioteca seria melhor
respondam se…
livremente à questão
sobre como a
Biblioteca poderia ser
melhor;
• Dar oportunidade a 15. Complete a frase: Questão aberta
que os inquiridos Eu usaria melhor a
respondam Biblioteca da escola
livremente à questão se…
sobre como usaria
melhor a Biblioteca;
• Dar oportunidade a 16. Espaço para outros Questão aberta
que os inquiridos comentários e opiniões
deixem os seus que ache pertinentes
comentários e acerca da Biblioteca da
opiniões sobre a escola.
Biblioteca da escola.
5 Mensagem de agradecimento aos participantes do questionário.
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1ª feira do
livro usado
EVENTO PARA
QUANDO TODAS AS IDADES
Comissão de
ONDE Informação, Cultura
e Desporto
pátio da Escola Secundária
Comissão de
da Boa Vista Finalistas de 12º
ano, 2018/19
PREÇO DOS
LIVROS
50$00
BENEFICIÁRIOS
Alunos
Professores
Comunidade Escolar
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