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A dissertação analisa a importância da biblioteca escolar na Escola Secundária da Ilha da Boa Vista, Cabo Verde, destacando a transformação de um espaço abandonado em um recurso educativo vital. A pesquisa inclui uma análise SWOT e propõe melhorias através da colaboração entre a direção, professores e parceiros. Os dados coletados indicam que a mudança é possível com um esforço conjunto da comunidade escolar.
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A dissertação analisa a importância da biblioteca escolar na Escola Secundária da Ilha da Boa Vista, Cabo Verde, destacando a transformação de um espaço abandonado em um recurso educativo vital. A pesquisa inclui uma análise SWOT e propõe melhorias através da colaboração entre a direção, professores e parceiros. Os dados coletados indicam que a mudança é possível com um esforço conjunto da comunidade escolar.
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UNIVERSIDADE ABERTA

Educação para Todos em Cabo Verde:


o contributo da biblioteca escolar.
O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista

Helena Margarida Casal Duarte

Lisboa, 2020
Educação para Todos em Cabo Verde:
o contributo da biblioteca escolar.
O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista

Helena Margarida Casal Duarte

Dissertação de mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas


Escolares

Orientadora: Doutora Gloria Bastos


Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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AGRADECIMENTOS
Aos meus familiares: aos meus filhos pela paciência, aos meus pais pela insistência, ao
irmão pela motivação;
Professora Doutora Glória Bastos, Coordenadora do MGIBE da Universidade Aberta e
minha orientadora, pelo apoio incondicional;
Colegas do MGIBE que me incentivaram incansavelmente: Ana Eustáquio e Ana Jorge;
Prof. Dr. Cláudio Furtado, professor na Universidade de Cabo Verde, Praia.
Aos meus alunos que intervieram ativamente no Programa Rota dos Livros;
A todos os professores da Escola Secundária da Boa Vista, que colaboraram neste
processo, em especial:
Engenheiro Derys Rodrigues, Licenciado em Engenharia Civil pela UNICV Mindelo e
professor de Matemática e Físico-Química na ESBV.
Profª. Evanilda do Rosário, Licenciada em História pela UNIMINDELO, São Vicente e
Secretária da Direção da ESBV no ano letivo 2017-18;
Profª. Fátima dos Santos Mandjam, Mestre em Engenharia e Gestão de Sistemas de
Informação, pela Universidade do Minho e professora de Informática da ESBV.
Profª Missilde Solange Fonseca, Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas, Estudos
Ingleses, na vertente de ensino, pela Universidade de Cabo Verde e Coordenadora do
5º ano do Ensino Básico Obrigatório na Escola Básica e Secundária da Boa Vista, em
2017-18;
Direção da Escola Secundária da Boa Vista;
Profª Risandra Gabriel, Delegada do Ministério da Educação do Concelho da Boa Vista,
República de Cabo Verde;
Prof. Joaquim Moedas Duarte, Mestre em Estudos do Património, pela Universidade
Aberta.
Profª. Manuela Catarino, Mestre em História Medieval, pela Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas.
Ana Rial, Coordenadora do Programa Rota dos Livros;
Diretor da Escola Secundária de Alexandre Herculano, professora Maria Pereira e
alunos de Humanísticas: 2016-2019;
Câmara Municipal da Boa Vista;
Câmara Municipal do Porto;
Biblioteca Municipal do Porto;

II
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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RESUMO

Este trabalho é o resultado de uma aventura que teve início aquando da identificação
de um problema: a existência do espaço de uma Biblioteca ao abandono, que provocava
o descontentamento de uma inteira comunidade educativa. Na linha mais positivista do
pensamento humano, problemas são desafios e esse foi o ponto de viragem no destino
da Biblioteca onde decidimos intervir.

No percurso investigativo que construímos, abordamos inicialmente um conjunto de


elementos que enquadram a problemática, nomeadamente o papel e a importância da
biblioteca escolar e aspetos relacionados com os desafios educativos de um jovem país
como Cabo Verde.

No estudo empírico apresentamos os procedimentos seguidos para o percurso de


transformação da biblioteca: análise da situação da biblioteca (análise SWOT) e
propostas de melhoria, aplicação de um questionário aos professores e
desenvolvimento de algumas atividades de promoção da biblioteca.

Os dados recolhidos mostram que a mudança necessária para termos uma Biblioteca
Escolar, no liceu em estudo, está ao alcance de uma estreita colaboração entre a
direção, o corpo docente e os parceiros adequados.

Palavras-chave: Biblioteca Escolar, Cabo Verde, Objetivos de Desenvolvimento


Sustentável

III
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ABSTRACT

This work is the result of an adventure that began when a problem was identified: the

existence of an abandoned Library space, which caused the discontent of an entire

educational community. In the most positivist line of human thought, problems are

challenges and this was the turning point in the destiny of the Library where we decided

to intervene.

In the investigative path we have built, we initially approached a set of elements that fit

the problem, namely the role and importance of the school library and aspects related

to the educational challenges of a young country like Cape Verde.

In the empirical study, we present the procedures followed for the library

transformation path: analysis of the library situation (SWOT analysis) and proposals for

improvement, application of a questionnaire to teachers and development of some

activities to promote the library.

The data collected shows that the necessary change to have a School Library, in the high

school under study, is within reach of a close collaboration between the direction, the

faculty and the appropriate partners.

Keywords: School Library, Cape Verde, Sustainable Development Goals

IV
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ÍNDICE

INTRODUÇÃO 1
PARTE I – ENQUADRAMENTO. 5
1. Os desafios da Educação na Sociedade Atual. 6
1.1. A Educação é realmente para todos? 6
1.2. Como verificar o cumprimento das Diretrizes da Educação Para Todos? 7
1.3. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. 10
2. O papel das Bibliotecas na Educação. 13
2.1. Como uma Biblioteca pode ajudar a atingir os Objetivos do milénio? 14
2.2. As Bibliotecas em Cabo Verde – breve contextualização. 18
2.2.1. Notícias sobre Bibliotecas em Cabo Verde. 19
2.3. O Papel do Professor Bibliotecário no contexto de escola. 22
2.4. O PB e o trabalho Colaborativo. 26
2.4.1. O trabalho Cooperativo. 27
2.4.2. O trabalho Colaborativo. 30
2.4.3. Conclusões sobre os termos Cooperação e Colaboração. 33
3. Breve perspetiva da Educação em Cabo Verde. 35
3.1. O ensino no período colonial. 35
3.2. O ensino liceal ou secundário em Cabo Verde. 43
3.3. O ensino no período pós-independência. 44
PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO 49
1. Apresentação do estudo empírico. 50
2. Aspetos Metodológicos. 51
2.1. Caracterização do tipo de estudo. 51
3. Contexto de estudo. 54
3.1. Contextualização histórica da ilha da Boa Vista. 54
3.2. Caracterização da ilha da Boa Vista. 58
3.3. Caracterização da Escola Secundária da Boa Vista. 62
3.3.1. Descrição física da escola. 62
3.3.2. Missão e símbolos. 63
3.3.3. Contexto histórico da ESBV. 64

V
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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[Link]. O nome da escola. 66


3.3.4. Organização administrativa e didático-pedagógica. 67
3.3.5. Caracterização do perfil dos professores. 69
3.3.6. Caracterização do perfil dos alunos. 70
3.4. Caracterização da Biblioteca da Escola. 71
3.4.1. O funcionamento da Biblioteca ao longo da sua existência. 72
3.4.2. O espaço exterior da Biblioteca. 73
3.4.3. O espaço interior da Biblioteca. 74
4. Apresentação e análise dos resultados 75
4.1. Análise da Biblioteca Escolar 75
4.1.1. Avaliação da Coleção da Biblioteca. 75
4.1.2. Análise SWOT da Biblioteca da ESBV 79
4.2. Análise do questionário aos professores. 84
4.2.1. Caracterização dos respondentes. 85
4.2.2. Gestão e Organização da Biblioteca. 89
4.2.3. Dinamização da Biblioteca Escolar. 97
5. Apresentação das atividades realizadas na Escola. 106
5.1. Sessão de apresentação dos resultados dos questionários aos professores. 106
5.1.1. Proposta de organização do espaço da Biblioteca aos professores. 108
5.2. O Programa Rota dos Livros. 111
5.3. A Feira do Livro Usado. 116
5.4. A Organização provisória da Biblioteca. 116
CONCLUSÕES 117
SUGESTÕES 120
RECOMENDAÇÕES 122
BIBLIOGRAFIA E WEBGRAFIA 123
ANEXOS 131

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ÍNDICE DE QUADROS, FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Quadro 1: Tipos de Cooperação, baseado em Katzenbach & Smith et al., 1993 apud Thurler,
1996, p. 154................................................................................................................................. 29
Quadro 2: Librarians and teachers: Levels of Collaboration, Washington State Library (2002).
Fonte: [Link] [consultado a 20 de janeiro de
2017]. .......................................................................................................................................... 33
Quadro 3: A construção do design da investigação. Fonte: elaboração da nossa
responsabilidade, baseada em Dobbert, 1982 apud Tuckman, 2012, p. 686. ............................ 53
Quadro 4: Análise SWOT da BE da ESBV. Fonte: elaboração da nossa responsabilidade, com
base nas informações recolhidas durante o ano letivo 2017/18. ............................................... 82

Figura 1: Imagem do Jornal da Noite. Fonte: TCV. ...................................................................... 20


Figura 2: Cooperação e Colaboração
Fonte:[Link] 27
Figura 3: Dados estatísticos sobre professores no ano letivo 2016/17
Fonte: Ministério da Educação, in [Link]/[Link] ...................................... 47
Figura 4: População de Cabo Verde comparativamente à população mundial. Fonte: INE Cabo
Verde) .......................................................................................................................................... 47
Figura 5: População da Boa Vista. Fonte: INE, 2016 ................................................................... 60
Figura 6: Dados sobre Educação na Boa Vista. Fonte: INE, 2016 ................................................ 60
Figura 7: Dados estatísticos sobre a Boa Vista. Fonte: INE Cabo Verde, 2018 ........................... 61
Figura 8: Logotipo da Escola Secundária. Fonte: direção da ESBV.............................................. 63
Figura 9: Proposta de organização da Biblioteca. Fonte: Derys Rodrigues............................... 109

Ilustração 1: Foto da casa da família Benholiel, antes do incêndio de 2001. Fonte: Correia,
2015, p. 166................................................................................................................................. 57
Ilustração 2: Fachada do edifício recuperado depois de 2001. Atual Biblioteca Municipal e
Escola de Música. Fonte: fotografia tirada por nós (2017). ........................................................ 57
Ilustração 3: Vista da entrada da ESBV até 2017. ....................................................................... 62
Ilustração 4: Entrada da ESBV em 2018 ...................................................................................... 62
Ilustração 5:Vista aérea da ESBV durante as obras de ampliação (5ªfase)................................. 62
Ilustração 6:Foto do Diploma atribuído à Escola Padre Porfírio Pereira. Fonte: direção da ESBV.
..................................................................................................................................................... 66
Ilustração 7: Obras na ESBV (2016/17) Fonte: foto nossa. ......................................................... 73
Ilustração 8: Localização da Biblioteca da ESBV (assinalada com um ponto). Fonte: foto nossa.
..................................................................................................................................................... 73
Ilustração 9: Corredor de acesso à Biblioteca da ESBV. Fonte: foto nossa. ................................ 73
Ilustração 10: Entrada da Biblioteca da ESBV (vista do exterior). Fonte: foto nossa. ................ 73
Ilustração 11: Entrada da Biblioteca da ESBV (vista do Interior). Fonte: foto nossa. ................. 74
Ilustração 12: Interior da Biblioteca. Fonte: foto nossa. ............................................................ 74
Ilustração 13: Interior da Biblioteca. Fonte: foto nossa. ............................................................ 74
Ilustração 14: Foto do Interior da Biblioteca, funcionando como sala de aula. Fonte: Foto
nossa. .......................................................................................................................................... 74
Ilustração 15: Jogo do Uril. Fonte: Centro de Competência entre mar e serra ........................ 110
Ilustração 16 e 17: Imagens da videoconferência entre a ESBV e a ESAH. Fonte: Facebook. .. 113
Ilustração 17: Foto da pintura mural do Programa Rota dos Livros ......................................... 115

VII
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ÍNDICE DE GRÁFICOS, ORGANIGRAMAS E TABELAS

Gráfico 1: Evolução da população da ilha da Boa Vista. Fonte: INE, 2016.................................. 59


Gráfico 2: Média de idade dos docentes da ESBV. Fonte: questionário realizado aos
professores, v. em anexo ............................................................................................................ 70
Gráfico 3: Distribuição de número de alunos por género e níveis de ensino. Fonte: Secretaria
da ESBV........................................................................................................................................ 71
Gráfico 4: Caracterização dos docentes da ESBV por faixa etária. ............................................. 86
Gráfico 5: Distribuição dos professores da ESBV por sexo. ........................................................ 86
Gráfico 6: Distribuição dos Professores da ESBV pelos níveis de ensino que leciona. ............... 88
Gráfico 7: Distribuição dos professores pela longevidade da sua presença na ESBV. ................ 88
Gráfico 8: Motivos para o não funcionamento da Biblioteca, segundo os professores. ............ 90
Gráfico 9: Tipos de materiais lúdicos que a biblioteca pode disponibilizar, segundo os
professores. ................................................................................................................................. 94
Gráfico 10: Horário de funcionamento da biblioteca, segundo os professores. ....................... 94
Gráfico 11: Funcionamento semanal da biblioteca, segundo os professores. ........................... 95
Gráfico 12: A implementação da Biblioteca, segundo os professores........................................ 96
Gráfico 13: Atividades lúdicas a serem disponibilizadas pela Biblioteca, segundo os professores.
..................................................................................................................................................... 97
Gráfico 14: Atividades didáticas a serem disponibilizadas na Biblioteca, segundo os professores
..................................................................................................................................................... 97
Gráfico 15: Disponibilidade dos professores da ESBV em fazer parte da equipa da Biblioteca. 99

Organigrama 1: Conselho Diretivo da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema


Educativo, 2010. .......................................................................................................................... 67
Organigrama 2: Comissões da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo,
2010............................................................................................................................................. 68
Organigrama 3: Conselho Pedagógico. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo,
2010............................................................................................................................................. 69

Tabela 1 Estatísticas do Ano Letivo 2016/17. Fonte: Ministério da Educação de Cabo Verde,
2017............................................................................................................................................. 46
Tabela 2 Evolução da População da Boa Vista (1940-2010). Fonte: Kasper, 1987, p. 52 ........... 59
Tabela 3 : Distribuição dos professores pelas disciplinas. Fonte: Questionário aos Professores
da ESBV........................................................................................................................................ 87
Tabela 4 : Questões sobre Gestão e Organização da Biblioteca da ESBV ................................... 89
Tabela 5 : Tipos de materiais de suporte escrito preferidos pelos docentes da ESBV ............... 92
Tabela 6 : Atividades que os professores da ESBV gostariam de desenvolver com os alunos na
BE................................................................................................................................................. 99

VIII
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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LISTA DE SIGLAS E ACRÓNIMOS


AASL (American Association of School Librarians): Associação Americana de
Professores Bibliotecários;
ALA (American Library Association): Associação das Bibliotecas Americanas;
ALIA (Australian Library and Information Association): Associação Australiana das
Bibliotecas e Informações;
ASLA (Australian School Library Association): Associação Australiana de Bibliotecas
Escolares;
ALV – Aprendizagem ao Longo da Vida;
BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas;
BE - Biblioteca Escolar;
CEDAW – (Committee on the Elimination of Discrimination Against Women):
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as
Mulheres;
CDU – Classificação Decimal Universal;
CIPD – Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento;
DMEPT – Declaração Mundial sobre Educação para Todos;
DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos;
EPT – Educação Para Todos;
ES - Ensino Secundário;

ESBV – Escola Secundária da Boa Vista;

IASL – (International Association of School Librarianship): Associação Internacional de


Bibliotecas Escolares;

IC – Instituto Camões;

IFLA (International Federation of Library Associations): Federação Internacional de


Associações de Bibliotecas;
IMC – Inquérito Multiobjectivo Contínuo;
INE – Instituto Nacional de Estatística;
IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento;
LBSE - Lei de Bases do Sistema Educativo;
MCIC – Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas;
MEFIS – Ministério da Educação, Família e Inserção Social;

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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MGEPT – Monitoramento Global de Educação Para Todos;


MGIBE – Mestrado em Gestão de Informação e Bibliotecas Escolares
NEE – Necessidades Educativas Especiais;
ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
ONU – Organização das Nações Unidas;
PB – Professor Bibliotecário;
RBE – Rede de Bibliotecas Escolares;
TCV – Televisão Cabo-verdiana;
TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação;
UAB – Universidade Aberta
UNESCO – (United Nations Educational Scientific and Cultural Organization):
Organização das Nações Unidas para a Educação Científica e Cultural;

UNFPA – (United Nations Population Fund): Fundo das Nações Unidas para Atividades
Populacionais;

X
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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“Think globally, act locally” 1

1
Ver as referências à atribuição desta expressão em
[Link]

XI
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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INTRODUÇÃO

Esta dissertação tem como ponto de partida a recuperação de uma sala de uma escola
em Cabo Verde, que já existia com a finalidade de ser a biblioteca da escola, mas por
motivos que veremos não funcionava como tal.

Com esse pressuposto foi necessário munirmo-nos de conhecimentos prévios sobre


como se organizam as Bibliotecas Escolares. Daí a importância da frequência do
Mestrado em Gestão de Informação e Bibliotecas Escolares. Permitiu-nos ter uma
perceção de como em Portugal, em particular, mas noutros países também, surgiram as
bibliotecas vocacionadas para os alunos e a aprendizagem e integradas, ou não, nas
escolas.

O facto de o Mestrado ser ministrado à distância, permitiu-nos não só a permanência


na escola, como também e, em simultâneo, dar início ao Projeto Educativo para o
equipamento da Biblioteca que constitui o estudo de caso que apresentamos.
Considerámos que o espaço da escola que tínhamos para recuperar foi o nosso "tubo
de ensaio" para uma experiência que pretendia transformá-lo numa verdadeira
Biblioteca.

O passo seguinte para o início desta aventura fascinante foi procurar estratégias que
pudessem efetivamente fazer passar da teoria à prática todos os conhecimentos
adquiridos durante o Curso.

Numa primeira fase foi necessário despertar a consciência dos professores, alunos e
encarregados de educação para a problemática que tínhamos em estudo: recuperar a
biblioteca da escola. A estratégia usada passou por apresentarmos a nossa intenção no
seio dos professores da escola secundária onde se realizou esta experiência. Dizem que
"o segredo é a alma do negócio", mas passou-se exatamente o contrário neste caso,
onde verificámos que quantas mais pessoas tivessem conhecimento deste nosso intuito,
mais apoios conseguiríamos.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Tratando-se de uma experiência e pela sua componente prática, sentimos necessidade


de criar um ponto de partida que consistiu na elaboração de um questionário sobre a
biblioteca da escola. Esse questionário serviu diferentes propósitos. Se, por um lado, nos
permitiu avaliar os conhecimentos que os professores, tinham acerca da biblioteca, por
outro lado despertou a consciência de muitos dos participantes para a problemática.
Mais ainda, criou em muitos dos questionados a vontade de apoiar esta tarefa a que nos
propusemos. A aplicação dos questionários na escola também gerou uma onda de apoio
por parte de todos os elementos da direção, disponibilizando meios para a aplicação dos
mesmos.

Posto isto, e uma vez que a evolução das novas Tecnologias de Informação tem sido
acompanhada pelos nossos professores, foi-nos permitido aplicar os questionários
online, e dessa forma tornar o seu preenchimento rápido e atrativo.

Este foi o primeiro grande passo para a mudança da nossa biblioteca: ter sido colocada
na senda das questões a serem resolvidas na escola. Toda a comunidade escolar sentia
a falta de uma biblioteca, mas era um problema que estava sem solução por falta de
salas e de um Projeto da escola. É um lugar-comum dizer que tudo o que procuramos
nos procura também, mas na verdade foi assim que nasceu o Projeto Rota dos Livros
que permitiu equipar a nossa Biblioteca com um acervo adequado à faixa etária dos
alunos que temos na escola a um custo praticamente nulo para a nossa instituição. Esse
Programa, que será descrito, contou com o apoio de instituições portuguesas como: a
Escola Secundária de Alexandre Herculano, a Câmara e a Biblioteca Municipal do Porto,
motivadas por um grupo de estudantes e professores da referida escola.

Como base teórica para a elaboração deste trabalho, procurámos verificar em que
medida uma Biblioteca Escolar pode influenciar a prossecução dos objetivos do milénio
para a igualdade de oportunidades entre sexos, mas também como forma de diluir as
diferenças sociais no contexto escolar. O trabalho desenvolvido permitiu ainda criar uma
ponte entre duas culturas: a portuguesa e a cabo-verdiana, através da aplicação do
Programa Rota dos Livros em torno da biblioteca escolar.

Apesar de Cabo Verde ser uma jovem República (fundada como nação apenas em
1975), pareceu-nos pertinente indagar um pouco sobre a origem e evolução do seu

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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sistema de ensino que se iniciou muito antes da independência, e, segundo alguns


autores, logo após a descoberta e início da colonização. Foi assim tarefa nossa situar
esta investigação no quadro da análise do sistema educativo de Cabo Verde.

O ensino nesta jovem República em muito se assemelha ao ensino português. Em ambos


os países existe uma Lei de Bases do Sistema Educativo que suporta toda a estrutura
educativa.

Como professora de Língua Portuguesa, em Cabo Verde, há quase 20 anos, primeiro


como cooperante e depois como efetiva, diversas questões se têm levantado ao longo
deste percurso profissional. De entre elas, destaca-se a igualdade de acesso e de
permanência de todos os alunos nas escolas, a acessibilidade de informação em geral e
de livros, em particular, bem como o nível de literacia que pretendemos para os nossos
alunos. São questões que nos motivam à reflexão com o objetivo de encontrar respostas
mais eficazes para os problemas existentes.

Cabo Verde, um dos mais jovens países do mundo, com apenas 44 anos, tem procurado
resolver os desafios do ensino com os escassos meios económicos de que dispõe. Por
esse motivo, qualquer proposta concreta destinada a melhorar a situação, deve ter em
conta as condicionantes locais para que os recursos financeiros e humanos tenham a
máxima rentabilidade.

A nossa investigação parte de um conjunto de perguntas orientadoras para o percurso


investigativo que empreendemos:

a. Uma Biblioteca Escolar pode contribuir para que a Educação seja realmente Para
Todos?

b. Uma BE pode auxiliar a escola a atingir os Objetivos do milénio?

c. Que modelo organizativo deve ter a BE no contexto da Ilha da Boa Vista?

Concretizando estas perspetivas num contexto mais micro, vamos analisar o caso da
Escola Secundária de Sal Rei, na Ilha da Boa Vista, que não tem uma Biblioteca Escolar
organizada. Esta verificação é o nosso ponto de partida.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Parece-nos indubitável que uma Biblioteca Escolar seja um recurso indispensável para o
sucesso escolar e, dessa forma, ajude a garantir a universalização do Ensino, quer para
quem frequenta a instituição quer para a comunidade envolvente que pretenda alargar
a sua escolaridade, formal ou informalmente.

Partindo deste contexto, propomo-nos:

1. Analisar as potencialidades das Bibliotecas Escolares no que respeita à garantia


de Educação para Todos;
2. Apresentar um projeto de criação de uma Biblioteca Escolar para a Escola
Secundária da Boa Vista.
3. Acompanhar o Projeto e verificar os ganhos concretizados.

Para este trabalho, que pretende demonstrar como uma BE pode contribuir para que a
Educação seja para Todos, consideramos pertinente debruçarmo-nos sobre os objetivos
do milénio preconizados pela UNESCO que constituem os desafios da Sociedade Atual.
Também é nosso intento analisarmos alguns modelos de trabalho na BE, com a
finalidade de construir um paradigma que se adeque ao que pretendemos implementar
na escola em estudo. Ainda na parte teórica do nosso trabalho, apresentaremos um
breve enquadramento histórico sobre a Educação em Cabo Verde

Em termos metodológicos, o presente estudo, por se tratar de uma Biblioteca Escolar


ainda híbrida no sentido lato da palavra, apoiou-se nos procedimentos próprios a um
estudo de caso. Recordamos que o “estudo de caso é uma investigação empírica que
investiga um fenómeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida
real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e o contexto não são
claramente evidentes” (Yin, apud Costa et aiil, 2013, p. 50).

No final do trabalho apresentamos a síntese do percurso efetuado e um conjunto de


reflexões que procuram apontar perspetivas de futuro face ao tema que foi tratado.

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Parte I - Enquadramento

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1. Os desafios da Educação na Sociedade Atual

A legislação sobre educação, em muitos países, tem vindo a acompanhar as questões


políticas mundiais que pretendem atingir uma meta de igualdade de acesso e
permanência nas escolas que não deixe ninguém para trás. Essa meta prevê diminuir o
analfabetismo a nível planetário, mas também desenvolver competências linguísticas de
leitura e compreensão que permitam que todo e qualquer ser humano, sem distinção,
possa atingir esse objetivo.

A educação na sociedade atual conduz-nos a uma reflexão sobre diversos aspetos de


que ela se reveste no mundo moderno: como evoluiu a Sociedade? Como se preparou
a Educação para a Sociedade Moderna? Serão todas as sociedades modernas? Mais
importante: como são as condições para a integração nas sociedades da atualidade? A
integração de género é uma realidade em todos os países? Atualmente, a Educação será
realmente Para Todos?
No Relatório do UNFPA: «10 – Como Nosso Futuro depende de meninas nessa idade
decisiva» procura-se um desenvolvimento igualitário e inclusivo que não deixe ninguém
para trás, através do estabelecimento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável,
pela Organização das Nações Unidas. Desses objetivos, a Educação Inclusiva, Equitativa
e de Qualidade e a promoção de oportunidades de Aprendizagem ao Longo da Vida para
todos ocupa o quarto lugar, logo seguida da igualdade de género, no quinto lugar dos
objetivos da ONU.

1.1. A Educação é realmente para todos?

Esta interrogação desafia os sistemas educativos atuais a debruçarem-se sobre temas


como o da inclusão, em particular de género, mas também de crianças com
Necessidades Educativas Especiais (NEE) e, mais recentemente, sobre o tema do
combate à iliteracia digital e do investimento em Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV).
Enquanto uma pequena percentagem da população, a dos ditos países industrializados,

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se debate com esta problemática da exclusão digital, os países em vias de


desenvolvimento procuram ainda combater as exclusões sociais, por pobreza, por
diferença de género ou por terem crianças “diferentes” cujas políticas ainda as excluem
do sistema educativo.

Neste capítulo efetuamos uma análise sobre a evolução da inclusão social feminina,
desde a implementação do ensino aberto a todos os cidadãos. Será feito através da
abordagem dos seguintes documentos: Declaração Mundial dos Direitos Humanos,
(ONU, 1948); Declaração Mundial sobre Educação Para Todos (UNESCO, 1990), que
inclui uma reflexão sobre as questões que se colocam à escolaridade do género
feminino; Relatório de Monitoramento Global de Educação Para Todos 2000-2015
(UNESCO, 2015) que permitirá verificar os resultados das políticas de inclusão feminina
na escola, ao nível da escolaridade básica. 10: Como nosso futuro depende de meninas
nessa idade decisiva (UNFPA, 2016), a partir do qual será feita uma reflexão sobre a nova
política de empoderamento2 das meninas com 10 anos, que pretende modificar o
panorama da exclusão das meninas no ensino básico.

1.2. Como verificar o cumprimento das diretrizes de Educação Para Todos?

Conforme se referiu anteriormente, no final dos anos 40, a Declaração Universal dos
Direitos Humanos (DUDH, 1948) defendeu a igualdade no direito à Educação, através do
princípio: Toda a pessoa tem direito à educação, realidade que uma grande parte da
população mundial ainda não conhece.

Entre 5 e 9 de março de 1990, reuniram-se em Jomtien, na Tailândia os participantes da


Conferência Mundial sobre Educação para Todos, com a finalidade de aprovar um plano
de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem, daí tendo resultado a

2 V. empoderamento (empoderar + -mento): ato ou efeito de dar ou adquirir poder ou mais poder.
"empoderamento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-
2013, [Link] [consultado em 28-10-2019].

7
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Declaração Mundial sobre Educação para Todos (DMEPT, 1990). O preâmbulo desta
Declaração aponta para uma realidade que persistia ainda nos anos finais do século XX:
“mais de 100 milhões de crianças, das quais pelo menos 60 milhões são meninas, não
têm acesso ao ensino primário: mais de 960 milhões de adultos – dois terços dos quais
mulheres – são analfabetos”.

Os 10 objetivos da DMEPT estão explicitados no mesmo número de artigos, dos quais


salientamos o Art.3 [que propõe] “universalizar o acesso à Educação e Promover a
Equidade”, reforçando a ideia da igualdade ao acesso à Educação tornando-a Para
Todos, quer sejam crianças, jovens ou adultos, do sexo masculino ou feminino. Nesse
mesmo artigo, se refere a inclusão de populações “nómadas”, “trabalhadores
migrantes”, “minorias étnicas raciais e linguísticas: os refugiados; os deslocados pela
guerra”, reafirmando que a nenhum destes grupos deve ser vedado o direito ao acesso
a oportunidades educacionais.

Setenta anos passados sobre a adoção da DUDH pela ONU, qual é o real estado das
coisas? A Educação é realmente Para Todos? Quem ou que organismo pode
regulamentar se é cumprido esse Direito Universal?

Na sequência desta perspetiva de que a Educação deve ser Para Todos, realizou-se no
ano 2000, em Dakar no Senegal, o Fórum Mundial de Educação, onde 164 governos
concordaram com o Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos, que estabeleceu
seis objetivos educacionais até 2015. Ambiciosos, os objetivos eram os seguintes:

1º Educação e cuidados na primeira infância;


2º Educação primária universal;
3º Habilidades para jovens e adultos;
4º Alfabetização de adultos;
5º Paridade e igualdade de género;
6º Qualidade da educação.

Com vista a verificar o cumprimento das diretrizes propostas por este documento, foi
elaborado um Relatório de Monitoramento Global de Educação Para Todos, pela
UNESCO (2015), que pretende dar conta dos progressos da aplicação das políticas

8
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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educacionais nos países envolvidos. O referido Relatório detetou diferentes realidades


conforme análise que seguidamente será apresentada. Segundo Bokova3 (2015),
Diretora Geral da UNESCO (desde 2009), há muito mais para ser feito no sentido de
“garantir uma educação de qualidade e aprendizagem ao longo da vida para todos”,
como declara no prefácio do documento:

Muito progresso foi feito no mundo desde 2000 – mas ainda não chegamos onde
pretendíamos. Apesar dos esforços empreendidos por governos, sociedade civil e
comunidade internacional, o mundo não alcançou a Educação para Todos. O lado
positivo é que o número de crianças e adolescentes fora da escola diminuiu quase
pela metade desde 2000. Estima-se que 34 milhões de crianças a mais terão
frequentado a escola em decorrência do progresso mais rápido desde Dakar. Muito
progresso foi feito para alcançar a paridade de gênero, principalmente na educação
primária, apesar de disparidades de gênero continuarem a existir em quase um
terço dos países com dados disponíveis. (ibidem, p. 3)

Dos seis objetivos acima referidos, destaca-se o 5º, que dá conta da Paridade e Igualdade
de género no ensino. O Relatório apresenta as seguintes constatações:

(…) no nível primário, estima-se que 69% dos países com dados disponíveis tenham
alcançado a paridade de gênero até 2015. Houve progresso na diminuição de
disparidades graves de gênero. Entre 1999 e 2012, o número de países com menos
de 90 meninas para cada 100 meninos matriculadas na educação primária caiu de
33 para 16. Entre as crianças fora da escola, meninas têm probabilidade maior que
meninos de nunca se matricularem na escola (48% contra 37%), enquanto meninos
têm uma probabilidade maior de abandonar a escola (26% contra 20%). Uma vez
matriculadas, as meninas têm mais chance de chegar às séries finais. Na África
Subsaariana, as meninas mais pobres continuam a ser quem tem maior
probabilidade de nunca se matricular na educação primária. (ibidem, p. 7)

Estas considerações continuam a ser preocupantes num mundo que se pretende


igualitário socialmente e com equidade de género. No entanto, ressalva-se a
persistência das meninas quando ingressam no ensino. Comparadas com os meninos,
elas possuem menos probabilidades de desistência. Esta afirmação é tanto mais curiosa,

3
Irina Georgieva Bokova, política búlgara, ex-militante comunista e deputada no parlamento búlgaro durante duas
legislaturas. Estudou em Moscovo, no Instituto de Relações Internacionais, e na Universidade de Maryland, nos
Estados Unidos. Em 22 de setembro de 2009, Bokova foi eleita diretora-geral da UNESCO, tornando-se na primeira
mulher e a primeira representante da Europa Oriental a ocupar este cargo das Nações Unidas. Disponível em:
[Link] [Consultado a 29 de fevereiro de 2020].

9
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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quanto mais considerarmos que os fatores de desistência escolar nas meninas são o
casamento ou a gravidez precoce, muito comum em certas sociedades.

Tendo em conta esses fatores, destacamos uma das recomendações de um outro


documento que prevê o empoderamento das meninas de 10 anos, como forma de
garantir melhores condições de vida no seu futuro e de transformar o mundo num lugar
melhor. Segundo esse documento, da UNFPA, “todos os países devem contar com
políticas educacionais que permitam que meninas grávidas permaneçam na escola, e
facilitem o seu retorno após o parto” (ibidem, p. 3). Um aspeto positivo do Relatório,
que ora se analisa, é a previsão de que “quase dois terços dos países terão alcançado a
paridade de gênero na educação primária até 2015” (Benavot4, 2015, p. 7). Das
recomendações feitas por esse documento, é assinalável o investimento dos governos
na formação de professoras, cuja presença pode diminuir os receios de alguns pais em
enviarem as suas filhas para a escola, bem como, a garantia de programas que abranjam
estratégias de género, utilizáveis nas salas de aula e a inclusão, no currículo, de questões
de género e ensino de saúde, nomeadamente reprodutiva e sexual.

1.3. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Nesta abordagem, que apresenta uma perspetiva sobre a Educação Para Todos, com
especial ênfase para a questão de equidade de género, refere-se as palavras de
Osotimehin (2015)5 sobre a Nova Agenda 2030 das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que
“buscam um desenvolvimento igualitário e inclusivo, que não deixe ninguém para trás”.
Segundo este documento, as meninas que em 2015, tinham 10 anos, em 2030, terão 25
e serão as mulheres do futuro - esposas e mães. Ao investir hoje nestas jovens, em
quinze anos a sociedade será mais igualitária.

4
Aaron Benavot é um analista de políticas de educação global e diretor do Relatório Global de
Monitoramento da Educação para Todos . Disponível em: [Link] [Consultado
a 29 de fevereiro de 2020].
5 Dr. Babatunde Osotimehin, médico nigeriano, foi Ministro da Saúde e, em 2011, tornou-se diretor executivo do

Fundo de População das Nações Unidas, ocupando o posto de subsecretário-geral das Nações Unidas, reconduzido
em agosto de 2014 até sua morte em 2017. Disponível em: [Link]
osotimehin [Consultado a 29 de fevereiro de 2020].

10
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Em 2030, as meninas que hoje têm 10 anos estarão com 25. Em 15 anos, como
jovens e mulheres empoderadas, elas poderiam mudar o mundo. Mas não deveria
ser necessário que elas o fizessem: o mundo é que deveria mudar para elas. Na
Agenda 2030, praticamente todos os países concordaram em transformar o
desenvolvimento com o propósito de incluir todas as pessoas e evitar a destruição
do planeta. (p.3)

O documento apresenta as 17 ações essenciais cujo cumprimento pelos países


beneficiará as meninas que tenham atualmente 10 anos. Dessas ações, destacam-se as
que se relacionam com a Educação que prevê mudanças legislativas em alguns países,
no sentido de proibir os casamentos antes dos 18 anos, fator para a não frequência
escolar de muitas jovens. Quanto a ações para melhoria dos Serviços, os países devem
oferecer Educação segura e de alta qualidade que apoie a igualdade de género. No que
respeita às ações normativas que devem reger os países participantes, preconiza-se que
se envolvam meninos e meninas e todas as pessoas próximas deles, no questionamento
e mudança das normas discriminatórias de género. Desta forma, estarão a abolir o
preconceito, meninas e meninos poderão frequentar escolas em todo o mundo e com
isso gerar a mudança de mentalidade que se pretende atingir até 2030.

Conforme o que foi explanado neste estudo, a igualdade de acesso à educação e a


igualdade de direitos não são apenas questões de mulheres, que afetam alguns países:
elas atingem tanto homens como mulheres. Na luta contra a exclusão feminina no
acesso à educação destacam-se duas mulheres, cujos percursos devem ser tomados
como exemplos e levantados como bandeira mundial. Hauwa Ibrahim6 foi a primeira
mulher advogada nigeriana que se dedicou a defender a causa de mulheres excluídas
por motivos sociais ou religiosos no seu país, tendo sido distinguida com o Prémio

6 Advogada e professora nigeriana especialmente conhecida por ser pioneira na defesa de mulheres e meninas
condenadas a apedrejamento em 12 estados do norte de Nigéria ao introduzir-se a partir de 1999, com o aumento
do fundamentalismo islâmico, o aplicativo da sharia, a lei islâmica, em casos de acusação de adultério. Foi a primeira
mulher advogada no norte de Nigéria no distrito de Yamaltu no Estado de Gombe[1] e conseguiu converter-se na
primeira advogada defensora numa corte islâmica. Disponível em : [Link]
[Consultado a 29 de fevereiro de 2020].

11
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Sakharov7, em 2005. Em 2013, Malala Yousafzai,8 uma jovem paquistanesa, foi


galardoada com este mesmo Prémio, tornando-se um símbolo mundial da luta pelo
direito das raparigas à Educação, no seu país natal e no mundo inteiro, pois ela foi
também a mais jovem mulher a receber o Prémio Nobel da Paz em 2014, com apenas
17 anos. Estes exemplos de mulheres que lutam pelo Direito à Educação devem estar
sempre presentes, para que a Sociedade em que hoje vivemos, em qualquer parte do
mundo, seja inclusiva, que não marginalize, nem subestime nenhum ser humano, por
nenhum motivo.

Os países devem fazer cumprir os princípios propostos nas agendas dos encontros que
promovem, onde são emitidos documentos que consignam medidas, que defendem
direitos e perspetivam mudanças nas suas políticas, mas que por vezes não saem do
papel. Os cidadãos devem estar atentos e intervir, nomeadamente nos países
democráticos onde podem exercer o direito ao voto, do qual muitas vezes abdicam.

A Educação Para Todos é uma realidade em muitos países, uma utopia em outros tantos,
o que não pode ser desanimador. É necessário continuar na senda da prossecução dos
objetivos traçados, para se chegar a uma Sociedade mais justa e igualitária, onde
questões de inclusão não tenham de ser impostas por lei.

7
O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, baptizado assim em honra do dissidente e
cientista soviético Andrei Sakharov, foi estabelecido em dezembro de 1985 pelo Parlamento Europeu como meio
para homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas ou acções à defesa dos direitos humanos e
à liberdade. Disponível em: [Link] [Consultado a 29 de fevereiro
de 2020].
8 Malala Yousafzai uma “jovem que nasceu e cresceu em Mingora, a maior cidade do Vale Swat, região bastante

conservadora do Paquistão” in “Malala: conheça a menina que ganhou Nobel da Paz ao lutar por direitos das
mulheres”. Disponível em: [Link]
ativista-malala-yousafzai/ [Consultado a 18 de fevereiro de 2020]

12
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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2. O papel das Bibliotecas na Educação

Atualmente consideramos que apesar da existência de BE, tal como afirma Livingston:
“para os alunos o lugar mais fácil para fazer uma pesquisa é no Google” (2012:slide 9).
Coyle regista a mesma atitude por parte do aluno: “This user no longer visits the physical
library as his primary source of information, but seeks and creates information while
connected to the global computer network”9 (2010:slide 11).

Este estado de coisas remete-nos para os questionamentos do aluno: o que pesquisar?


Como pesquisar? Onde está disponível a informação? Como posso ter acesso a essa
informação? Cuja resposta é hoje em dia: no Google. Parece que do ponto de vista do
aluno toda a informação de que necessita está contida na Internet. Sendo assim, que
futuro haverá para as BE? Como o PB pode tornar-se útil e interventivo novamente,
numa sociedade de abundante conhecimento apenas ao alcance de um botão? Hillmann
alerta para a crise das bibliotecas quando afirma: “we hear that there’s a crisis in
libraries, but we still haven’t realized how pervasive it is”10 (2010:slide 3).

Acreditamos que poderá ter havido momentos de crise nas bibliotecas em que os seus
responsáveis técnicos, mas também os PB, sentiram que o paradigma teria de mudar ao
nível dos serviços oferecidos pela biblioteca e da forma como se disponibiliza a
informação aos utilizadores. As bibliotecas precisam de ajudar as pessoas a encontrar
coisas e isso não muda, citamos:

In the big picture, very little will change: libraries will need to be in the data
business to help people find things. In the close-up view, everything is changing--
the materials and players are different, the machines are different, and the
technologies can do things that were hard to imagine even 20 years ago. (Hellman,
slide 8)11

9 Este utilizador já não visita a biblioteca física como sua principal fonte de informações, mas procura e cria
informações quando conectado à rede global de computadores. [tradução nossa]
10 Ouvimos que há uma crise nas bibliotecas, mas ainda não compreendemos o quão disseminada ela está. [tradução

nossa]
11 No quadro geral, muito pouco mudará: as bibliotecas precisarão estar preparadas para ajudar as pessoas a

encontrar as coisas. Na visão de “close-up”, tudo está mudando: os materiais e os intervenientes são diferentes, as
máquinas são diferentes e as tecnologias podem fazer coisas difíceis de imaginar até há 20 anos atrás. [tradução
nossa]

13
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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As respostas as estas questões levam-nos a refletir acerca da evolução que as bibliotecas


em geral e as BE em particular têm vindo a sofrer, para se manterem modernas e
atualizadas. O papel do PB é fundamental como agente facilitador no acesso à
informação, sendo para tal necessário que ele tenha consciência da sua importância, e
a este propósito ouçamos Todd: “School librarians need to be clear about what actually
is their motivating force for their unstructional roles in schools”12(IFLA, 2002:6). Para
este autor a motivação do PB na formação do aluno tem de ser mais do que
simplesmente ensinar-lhe habilidades para gerir informações. Ele não deve dar o peixe
ao aluno, mas antes ensiná-lo a pescar:

The destination is not an information literature student, but rather, the


development of a knowledgeable and knowing person, one who is able to engage
effectively with a rich and complex information world, and who is able to develop
new understandings, insights and ideas. This is what teachers would hope for. The
development and use of human knowing, the construction of understanding and
meaning is what learning is all about, and that defines the central role of the school
librarian. (Todd, IFLA, 2002, p.6)13

Apesar da importância do papel do PB se manter nas BE da atualidade, sabemos que o


conceito de biblioteca como um repositório de livros há muito que foi ultrapassado. Por
outro lado, importantes desafios continuam a colocar-se em muitos países que ainda
não alcançaram determinados patamares no equipamento e na dinamização das
bibliotecas, como é o caso que analisamos.

2.1. Como uma Biblioteca pode ajudar a atingir os Objetivos do milénio?

No ano de 2015, foram definidos os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável que


constituem a nova agenda de ação das Nações Unidas até 2030, e surge na sequência
dos progressos atingidos com os 8 Objetivos do Desenvolvimento do Milénio, entre 2000

12 Os PB precisam ser claros sobre o que realmente é sua força motivadora e os seus papéis não instrucionais nas
escolas. [tradução nossa]

13
O objetivo não é chegar a um estudante formado em literatura de informação, mas sim ao desenvolvimento de
uma pessoa conhecedora, que seja capaz de se envolver eficazmente num mundo de informação rico e complexo e
que com habilidade para desenvolver novos estudos e ideias. É o que os professores esperam. O desenvolvimento e
uso do conhecimento humano, a construção do entendimento e do significado é o que é aprender, e isso define o
papel central do PB. [tradução nossa]

14
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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e 2015. Esta agenda reflete o trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o


mundo e pretende criar um modelo global para erradicar a pobreza, promover a
prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio ambiente e combater as
alterações climáticas, sob o lema de “ninguém ficará para trás”.

Uma Biblioteca Escolar em específico, enquadrada no contexto das Bibliotecas em geral


reveste-se de particular importância para a prossecução dos 17 Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável. É neste contexto, da Agenda 2030 das Nações Unidas,
que a Federação Internacional de Associações de Bibliotecas (IFLA) surge a defender que
o incremento do acesso à informação e conhecimento da sociedade, com a ajuda das
TIC, promove o desenvolvimento sustentável e a melhoria de vida das pessoas, através
das Bibliotecas, que considera serem peças chave neste processo.

O documento sobre o contributo das Bibliotecas14 para a meta dos ODS demonstra a
importância de uma Biblioteca na prossecução dos Objetivos que se pretendem ver
alcançados até 2030 e permite-nos concluir sobre o seu contributo em todos e cada um
dos ODS.

Dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, considerámos quatro que se


relacionam mais diretamente com o tema do nosso trabalho e por esse motivo
queremos destacá-los e mostrar como uma Biblioteca pode ajudar a atingi-los.

O primeiro objetivo que destacamos, e é o 4º dos ODS, defende uma Educação de


Qualidade, preconizando a “garantia ao acesso à educação inclusiva, de qualidade e
equitativa, e a promoção de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para
todos”. Para a concretização desta meta a BAD prevê que as bibliotecas tenham
“equipas dedicadas que apoiem a educação na primeira infância; acesso à informação e
pesquisa para os estudantes em espaços inclusivos onde o custo não seja uma barreira
para adquirir novos conhecimentos e competências.”

A nosso ver, neste objetivo, o contributo das Bibliotecas parece-nos insuficiente na


forma como se manifesta a inclusão, pois nada se refere aos portadores de NEE, cuja

14
BAD. Bibliotecas para o Desenvolvimento e a Agenda 2030. Disponível em:
[Link] [Consultado a 3 de agosto de 2019]

15
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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defesa deve ser feita em qualquer sociedade onde se invista numa educação inclusiva
de qualidade.

O segundo objetivo das Nações Unidas que queremos destacar no âmbito do nosso
trabalho, é o 5º da lista dos 17 ODS e prende-se com a Igualdade de Género e o
empoderamento de todas as mulheres e meninas.

Segundo a BAD, as bibliotecas podem ajudar a alcançar este objetivo através de medidas
como: a criação de “espaços de encontro seguros e agradáveis; o desenvolvimento de
programas e serviços pensados para satisfazer as necessidades de mulheres e raparigas
como direito e saúde”; ou ainda facultando o “acesso à informação e tecnologias que
permitam às mulheres desenvolver competências no mundo dos negócios”.

Quanto a nós, uma biblioteca servirá para empoderar uma mulher, não apenas no
mundo dos negócios, mas também na sua vida em toda a sua plenitude, porque uma
mulher ou menina informada torna-se menos vulnerável no mundo.

O terceiro objetivo que nos parece bastante pertinente: é o 9º e consiste na construção


de “infraestruturas resilientes”, na promoção da “industrialização inclusiva e
sustentável” e no “fomento da inovação”. Este Objetivo que se refere à Indústria,
Inovação e Infraestruturas é de suprema importância para as sociedades que se querem
modernas e dinâmicas.

Desta forma, as Bibliotecas podem contribuir para o alcançar desta meta, se


apresentarem “uma ampla estrutura de bibliotecas públicas especializadas, com
espaços agradáveis e inclusivos, permitindo o acesso a Tecnologias de Informação e
Comunicação, como por exemplo, Internet de alta velocidade”.

Neste objetivo se inclui também o direito a ter escolas, bibliotecas públicas e escolares
com boas condições, inovadoras e modernas que permitam a todos um bom
desempenho na aprendizagem quer seja em contexto escolar, quer seja ao longo da
vida.

O quarto objetivo a que gostaríamos de dar ênfase neste trabalho é o 10º dos ODS, que
consiste na Redução da Desigualdade dentro e entre países. Este tópico torna-se tanto
mais importante, se considerarmos que por vezes dentro do mesmo país existem

16
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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realidades completamente díspares e grandes desigualdades no acesso à informação e


condições ideais para o estudo e investigação. Neste âmbito, a BAD propõe que as
Bibliotecas sejam “espaços neutros e agradáveis que permitam a aprendizagem para
todos, incluindo os grupos marginalizados, como os imigrantes, os refugiados, as
minorias, os povos indígenas e pessoas com deficiência”. Desta forma se poderá garantir
um “acesso equitativo à informação que promova a inclusão social, política e
económica”.

Este último objetivo vem ao encontro de todas as questões que temos vindo a colocar
quando indagamos se a educação é realmente para todos e como podemos fazer com
que ela seja uma realidade para todos, através das Bibliotecas.

Importa também termos aqui em consideração as recomendações para os políticos na


prossecução dos ODS. De facto, existem diretrizes muito concretas que orientam os
países para a aplicação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Segundo a IFLA
(2015) três medidas devem ser implementadas, pelos governos:

1ª Inclusão das Bibliotecas nos Planos Nacionais de Desenvolvimento.

Esta medida permitirá ao governo de cada país decidir qual a política, o plano e o
programa de desenvolvimento no que tange o investimento em Bibliotecas, que
conduzam ao acesso à informação que “não deixe ninguém para trás”.

2ª Colaboração com Bibliotecas.

As Bibliotecas podem colaborar com os governos para a implementação de estratégias


e políticas que assegurem a inclusão de todas as pessoas.

3º Trabalho com Bibliotecas para a criação da Consciência dos ODS e o seu significado a
nível local.

As Bibliotecas, para além de poderem ajudar a atingir os ODS, podem numa primeira
instância ajudar a divulgar esses objetivos, através da colaboração dos Bibliotecários.

Os ODS são universais, mas cada país se responsabilizará pela implementação,


desenvolvimento, monitorização de estratégias nacionais para os atingir e assim registar
os seus progressos. E à medida que forem sendo implementados, a comunidade

17
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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bibliotecária de cada país poderá demonstrar qual o contributo das Bibliotecas no


cumprimento dos Objetivos e a satisfação das necessidades locais nesse processo.

Neste contexto, importa ter também em atenção as orientações de organismos


internacionais na área das bibliotecas, nomeadamente a IFLA – International Federation
of Library Associations, que já mencionámos anteriormente. Segundo Donna Scheeder
(IFLA, 2015, p. 3), “uma Biblioteca oferece infraestruturas para as TIC, ajuda as pessoas
a desenvolver a capacidade de usar a informação de forma eficaz e preserva a
informação para garantir o acesso permanente de futuras gerações.”

As Bibliotecas permitem o acesso à Informação e desta forma contribuem para o


Desenvolvimento Sustentável, através das seguintes ações:

• Promoção da alfabetização universal;


• Superação das dificuldades no acesso à Informação;
• Implementação de uma rede de sítios, de programas e serviços;
• Promoção da inclusão digital através do acesso às TIC;
• Atuação como centro da comunidade educativa, académica e de investigação;
• Preservação do acesso ao conhecimento da cultura e património do Mundo;

2.2. As Bibliotecas em Cabo Verde – breve contextualização

Ao longo da história da educação da colónia cabo-verdiana e atualmente república surge


referenciada a existência de Bibliotecas que gostaríamos de aqui deixar registada numa
breve síntese sobre as mesmas. Mesmo não se tratando propriamente de Bibliotecas
Escolares, algumas das quais assim poderiam ser apelidadas “avant-la-lettre”.

Aquela que foi considerada a primeira Biblioteca de Cabo Verde, surge referenciada por
Ana Mafalda Pereira com a seguinte informação: “Impõe-se recordar que a primeira
Biblioteca do Arquipélago foi criada, vinculada ao Convento da Ribeira Grande, na ilha
de Santiago, em 1657 e inaugurada cinco anos depois” (2015, p.284). Ficamos a saber
que esta biblioteca se encontrava agregada ao núcleo de ensino religioso da primeira
cidade fundada nas ex-colónias portuguesas, na ilha de Santiago.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Também Baltazar Neves, citando Maria Emília Santos, refere o caso dos Jesuítas que se
“instalaram na área mais densa do tecido urbano, adquirindo um edifício destinado ao
Seminário (…), com biblioteca, onde folgam todos de ir a ela ler os livros espirituais que
ali tem” (2017, p.69). Neste caso, a biblioteca encontrava-se também ligada ao
Seminário e como tal da responsabilidade da Igreja Católica.

Uma curiosidade a destacar nesta breve referência às bibliotecas de Cabo Verde,


prende-se com o financiamento das mesmas em 1811, conhecido como “subsídio
literário” que era um imposto sobre cada “moio de sal” (cerca de meia tonelada)
exportado da Boa Vista. (Trigueiros, 2010, p.43)

A 8 de abril de 1871 foi inaugurada a “Bibliotheca e Museu Nacionaes” na cidade da


Praia, conforme informação do Boletim Oficial da Provincia de Cabo Verde, nº 10, citado
por Pereira (2015, p.109).

Humberto Lopes Elísio (1999, p. 60) refere a criação da Biblioteca Municipal do Mindelo
em 1880 como um “espaço de grande utilidade cultural, muito frequentada pelos
estudantes”. Este autor informa ainda que em 1886, com a criação do Seminário surgiu
também a Biblioteca do Seminário-Liceu, na ilha de São Nicolau.

A história das bibliotecas em Cabo Verde seria um tema para uma outra tese, pois
existem numerosas informações que merecem ser estudadas, cruzadas e registadas.

Atualmente existe a Biblioteca Nacional na cidade da Praia, cuja construção se iniciou


em 1999, que juntamente com o Arquivo Histórico Nacional constituem os grandes
guardiões da cultura cabo-verdiana.

2.2.1. Notícias sobre Bibliotecas em Cabo Verde

Pela relativa escassez de dados na atualidade, optámos por recorrer à imprensa nacional
de Cabo Verde e de Portugal, que paulatinamente nos vem dando conta dos esforços
envidados pelos governos sucessivos para a criação tanto de uma rede de Bibliotecas
Escolares como da Criação de um Plano Nacional de Leitura. Assim vejamos as
declarações acerca da importância de um PNL:
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Pensar a educação e a cultura como eixos de governação pressupõe a assunção da


leitura como prioridade política, tomando esta competência como básica para o
acesso plural ao conhecimento e ao enriquecimento cultural - indispensáveis ao
exercício de uma cidadania ativa e ao desenvolvimento económico e social do país.15

Em 2009, com o título “Portugal apetrecha bibliotecas de Cabo Verde”, o jornalista d’ A


Semana dá conta da entrega de 500 títulos, considerando este número suficiente para
equipar 5 bibliotecas, no âmbito do Projeto de Apetrechamento de Bibliotecas Escolares
e Municipais de Cabo Verde, financiado pelo IPAD (Instituto Português de Apoio ao
Desenvolvimento). Nesta notícia também se refere que é a quarta vez consecutiva que
Portugal contribui para o apetrechamento de Bibliotecas, tendo já beneficiado oito
escolas em cinco ilhas e nove bibliotecas municipais em outras quatro ilhas.

Figura 1 - Imagem do Jornal da Noite, da TCV.

No dia 30 de janeiro de 2018, foi noticiado no Jornal da Noite da Televisão Cabo-


Verdiana a assinatura de um Protocolo entre os governos de Portugal e Cabo Verde com
o objetivo de financiar a estruturação de uma Rede de Bibliotecas e a elaboração de um
Plano Nacional de Leitura, no valor de 50 000€. Este Protocolo foi assinado pela
Curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes, pelo Diretor do Planeamento do
Ministério da Educação de Cabo Verde, José Marques, e pelo Presidente do Instituto
Camões, Luís Faro Ramos, sob o olhar atento dos Ministros da Cultura e Indústrias
Criativas, Abraão Vicente e da Ministra da Educação, Família e Inserção Social de Cabo

15
Plano Nacional de Leitura. Disponível em [Link] [Consultado em
17 de maio de 2017]

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Verde, Maritza Rozabal, bem como dos Ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos
os países: Luís Filipe Tavares (Cabo Verde) e Augusto Santos Silva (Portugal). A realidade
é que este Protocolo assinado na capital do país não se traduziu em resultados práticos
que até ao momento se refletissem na ilha da Boa Vista.

A 23 de abril de 2018, saiu no Público, edição online, uma notícia que achámos faria
sentido integrar neste trabalho que ora apresentamos, por refletir a realidade que se
vive no arquipélago cabo-verdiano. Inês Nadais, na reportagem que faz sobre o oitavo
Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, na Cidade da Praia, refere que “num país
com problemas graves de iliteracia, onde as tiragens não ultrapassam os 500 exemplares
e muitas bibliotecas escolares não têm sequer livros, a leitura tornou-se um desígnio
nacional.” O que torna esta notícia mais chocante é a revelação que é feita pela
Curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes: “Ainda hoje, em Cabo Verde, a
maioria das pessoas não pode comprar um livro: é uma despesa de 15 euros num país
em que o salário mínimo anda à volta dos 100-110 euros.” A realidade do país é esta, e
é por este mesmo motivo que consideramos de importância vital a criação e existência
de Bibliotecas Escolares, onde os alunos possam contactar com o livro impresso, tendo
acesso a ele de uma forma gratuita. Nesta notícia, Jorge Carlos Fonseca, Presidente da
República de Cabo Verde e também ele escritor, confessou a sua preocupação com a
diminuição dos índices de leitura, que gera “mais exclusão social e uma cidadania mais
débil”. A jornalista e escritora Natacha Magalhães também abordou esse problema,
acrescentando que no caso específico da Cidade da Praia, a escassez de bibliotecas
(apenas duas bibliotecas comunitárias, nenhuma biblioteca municipal) muito contribui
para perpetuar as discrepâncias sociais.

Em contraponto com esta informação acima relatada, existem dados surpreendentes


que apontam para que em Cabo Verde mais de 70% da população possui telemóvel e
acesso à internet. São dados do Instituto Nacional de Estatística que apresentam o
resultado de um Inquérito Multiobjectivo Contínuo apresentado em 2019. Nesse
inquérito se refere que em 2018, 70,2% da população cabo-verdiana possui telemóvel e
que 67,8% tem acesso à internet. O mesmo IMC revela que a população estudantil da
faixa etária entre os 10 e os 14 anos de idade, que possui um telemóvel pessoal,

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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representa ¼ das crianças de Cabo Verde. Estes dados parecem entrar em contradição
com a notícia sobre o preço dos livros. No entanto, em muitos casos, esta realidade
justifica-se se tivermos em conta que os telemóveis são enviados por familiares que se
encontram emigrados e que mantêm sempre uma forte ligação com o seu país,
remetendo encomendas com bens que de outra forma não seriam acessíveis aos
familiares residentes neste arquipélago.

A análise destas notícias revela-se importante na medida em que podemos concluir


acerca de diversos aspetos, designadamente que as Tecnologias de Informação e
Comunicação estão fortemente disseminadas no seio da população em geral,
nomeadamente na população estudantil, mas isto não significa que a população tenha
acesso a leitura digital de qualidade.

A intenção de mostrar estes dados foi unicamente de apontar caminhos para diminuir
os constrangimentos por não se ter acesso a livros em formato de papel, revelando que
estes podem ser substituídos pelo formato digital. Também consideramos que as
Bibliotecas Escolares, por poderem colmatar a falta dos livros em papel, se revestem de
maior importância, pois para a maioria da população o livro é um objeto de luxo, muito
mais do que um telemóvel.

2.3. O papel do Professor Bibliotecário no contexto da escola

Tomando como referência a legislação portuguesa, publicada em Diário da República,


através da Portaria nº 755/2009 de 14 de julho, consigna-se a designação do Professor
Bibliotecário, art.º 2, bem como as funções a ele atribuídas, no art.º 3: “Ao professor
bibliotecário cabe, com apoio da equipa da biblioteca escolar, a gestão da biblioteca da
escola não agrupada ou do conjunto das bibliotecas das escolas do agrupamento.”
(p.4489)

O Manifesto da Biblioteca Escolar da IFLA/UNESCO (1999) refere o Professor


Bibliotecário, ou bibliotecário escolar, como sendo:

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(…) o membro profissionalmente qualificado, responsável pelo planeamento e


gestão da biblioteca escolar. Deve ser apoiado tanto quanto possível por uma
equipa adequada, trabalha em conjunto com todos os membros da comunidade
escolar e deve estar em sintonia com bibliotecas públicas e outras. (p.3)

Segundo a Associação de Professores Bibliotecários do Canadá (1997), o PB deve possuir


Competências Profissionais, tais como: curriculum, conhecimento de estratégias
educativas e domínio das TIC, mas também Competências Pessoais, como: capacidade
comunicativa, inspirador de confiança e respeito e contínua evolução.

Nesta nossa reflexão introdutória sobre o Professor Bibliotecário, gostaríamos de


destacar novamente a informação preconizada no Manifesto (1999) que refere:

O papel dos bibliotecários escolares varia consoante o orçamento, Curriculum e


metodologias de ensino das escolas, de acordo com o quadro legal e financeiro
nacional. Em termos específicos, existem grandes áreas de conhecimento que são
vitais se os bibliotecários desejarem desenvolver serviços efetivos nas bibliotecas
escolares: gestão de recursos, gestão de bibliotecas e de informação e ensino. (p.3)

Com estas referências, pretendemos demonstrar que o papel, as funções e as


competências exigidas para o desempenho de um Professor Bibliotecário já foram
estudadas, legisladas e divulgadas em muitos países do mundo, sendo que em Cabo
Verde já existe uma comissão para organizar as Bibliotecas Escolares do ensino básico e
prevê-se a extensão ao ensino secundário e publicação de legislação, também como
uma forma de atingir os ODS.

Por exemplo, o artigo Teacher Librarian Influence contém elementos sobre a opinião
que os diretores têm acerca do Professor Bibliotecário, bem como a opinião que o PB
tem acerca de si próprio. Segundo os autores, Henri & Boyd (2002, p. 1), “this case study
of six Australian TLs analyzed the level of influence of teacher librarians as perceived by
themeslves and by their principals”16. Este texto, que reflete sobre a prática e a política
envolvida na Biblioteca Escolar, é de extrema relevância para quem se interessa por

16 Este estudo de caso de seis PB australianos analisou o nível de influência dos professores bibliotecários
vista pelos próprios e pelos seus diretores. [tradução nossa]

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melhorar a sua atitude e conduta como PB. Neste artigo também se revela a importância
de uma boa prática do PB para a aceitação do diretor e como tal uma melhor integração
na escola. O contrário será sempre tido como um constrangimento, porque uma escola
onde PB e a direção não tenham uma relação de confiança, o sucesso da BE estará
sempre comprometido.

Uma Biblioteca Escolar é um espaço que não deve ser estático, apesar de funcionar
numa sala da escola, ela deve estar em todas as outras salas da instituição. O objetivo
de sair das quatro paredes para o espaço interior e até exterior da escola deve nortear
o Professor Bibliotecário. Este tem de ser uma pessoa dinâmica, criativa e comunicativa,
consciente da importância do trabalho em equipa e sedutora no modo de envolver os
outros professores nos projetos que cria ou desenvolve. O Professor Bibliotecário será
porventura um dos melhores gestores de recursos humanos que pode existir numa
escola. Envolver professores e alunos em atividades fora e dentro da Biblioteca Escolar
é criar laços para toda a vida. São memórias que ficam nos alunos que desta forma
passam a reconhecer o valor da escola na sua formação como cidadãos.

O trabalho em equipa, quer através de Cooperação ou de Colaboração, apresenta-se


atualmente como a forma mais eficaz de executar os programas curriculares escolares
ou extraescolares, que pretendem preparar o aluno para a vida. A aprendizagem faz-se
pelo exemplo e alunos que observam adultos a colaborar, serão também eles mais
colaborativos no futuro.

As escolas públicas em Portugal têm vindo a ser alvo de grandes mudanças ao longo dos
últimos quarenta anos, durante o período que corresponde ao pós-25 de abril. Quase a
par desta revolução de mentalidades no ensino lusitano, nas ex-colónias portuguesas e
atuais jovens países essas mudanças têm sido muito mais visíveis. A construção de
escolas foi uma preocupação de todos os sucessivos governos, a criação de legislação
adequada, a formação de professores, tudo tem sido feito para que o ensino seja, cada
vez mais, de melhor qualidade.

Na República de Cabo Verde, a realidade foi um pouco diferente das restantes ex-
colónias africanas. Por não ter havido guerra civil como em Angola, Moçambique ou
Guiné Bissau, o clima de paz permitiu que fosse possível a construção de uma nação que

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investisse na educação de uma forma rápida e eficaz. Desde 1975, data da


independência nacional, passou-se de dois Liceus para trinta e oito Escolas Secundárias
(Barreto, 2012), sendo cinquenta o número atual. Esta é uma realidade digna de louvor
e desta forma Cabo Verde tem contado sempre com ajudas externas para melhorar as
condições de vida no arquipélago, pelo exemplo de boa aplicação do dinheiro público.

A maioria das Escolas Secundárias em Cabo Verde possui uma Biblioteca Escolar,
algumas equipadas no âmbito da cooperação com Portugal, mas não funcionam em
rede, como no caso português onde existe uma Rede de Bibliotecas Escolares desde
1996, conforme Lançar a Rede de Bibliotecas Escolares: estudo realizado pelo grupo de
trabalho criado pelos Despachos n.º 43/ME/MC/95 de 29 de dezembro e n.º
5/ME/MC/96, de 9 de janeiro (Veiga, Lisboa, 1996).

Em Cabo Verde, o espaço que funciona como BE é na maior parte das vezes uma sala de
estudo, onde os alunos encontram algum sossego e espaço para realizarem trabalhos
de grupo.

(…) parece haver por parte de diversos quadrantes das comunidades educativas –
gestores escolares, professores, encarregados de educação, discentes – uma
tendência para confundir a Biblioteca com uma sala de estudo, o que acarreta
algumas consequências a nível educativo, como por exemplo: o uso das Bibliotecas
pelos alunos, não para saciarem a sua sede de informação e conhecimento, mas
para pesquisarem a mando dos professores. (Almeida, 2005)

No arquipélago cabo-verdiano até à data ainda não se legislou sobre BE, nem sobre o
papel do Professor Bibliotecário à semelhança de Portugal, onde o cargo de PB foi
instituído pela Portaria 756/2009, de 14 de julho para dar resposta à necessidade de
haver uma pessoa responsável pela Biblioteca Escolar que não fosse apenas um Auxiliar
de Ação Educativa, como chegou a acontecer em muitas escolas do país.

O responsável pela Biblioteca Escolar passa a ser assim um professor que é designado
dentro da especificidade da lei para desempenhar essa função, que pressupõe
responsabilidade e muito trabalho com os restantes professores da escola.

Uma vez que cada pessoa não é uma ilha, e numa instituição escolar é necessário
trabalhar em equipa, termos como Cooperação e Colaboração são tidos como os modos

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mais eficazes de trabalhar em grupo de modo a atingir um objetivo comum. O conceito


de Colaboração ganhou tanta importância no seio da sociedade portuguesa que
frequentemente ouvimos um empresário a referir-se aos empregados da sua empresa
como colaboradores e não como funcionários.

A necessidade de se pensar e trabalhar em equipa fez com que em sociedade se


criassem modelos de trabalho em equipa: Colaboração e Cooperação são porventura os
mais utilizados no meio educativo, no entanto nem sempre reúnem consenso quanto à
sua eficácia. Existem estudos realizados sobre Cooperação e Colaboração que o
demonstram.

Levanta-se a questão: como nos relacionamos na escola com os nossos colegas


docentes? Cooperamos ou colaboramos?

2.4. O PB e o trabalho Cooperativo/Colaborativo

Na sequência das observações feitas anteriormente, focamos agora de forma mais


próxima as questões relacionadas com a problemática da Cooperação e da Colaboração
no âmbito da ação do Professor Bibliotecário.

Consultados alguns autores cujos trabalhos abordam este tema, o termo Coopération, é
preferido por Thurler (1996), contrariando Montiell-Overall (2005) que sugere
Collaboration como o modelo mais eficaz. Neste último estudo são definidos os modelos
de Coordenação, Cooperação e Colaboração, por ordem crescente de envolvimento dos
participantes, sendo que na Coordenação o envolvimento é menor e na Colaboração o
nível de envolvimento dos intervenientes é total. Por vezes as palavras Cooperação e
Colaboração são tidas como sinónimas e dependendo do contexto podem usar-se uma
ou outra. Perante esta dificuldade procurámos, uma forma de as distinguir e
encontrámos uma proposta de Pimentel (2009), usando dois mapas conceptuais com
recurso a avatares nos quais são apresentados uma distinção que nos pareceu de grande
relevância para a compreensão dos significados dos dois termos.

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Figura 2: Cooperação e Colaboração.


Fonte:[Link]

Conforme o primeiro esquema, Cooperação consiste na resolução de um problema


dividindo as tarefas pelos diferentes intervenientes, em que cada um resolve a sua
tarefa, contribuindo individualmente para a resolução do problema. Já no segundo
esquema, Colaboração é apresentada como a resolução de um problema em que cada
um dos intervenientes interage com os outros, de forma a realizar as tarefas em
conjunto. A diferença entre Cooperação e Colaboração está ao nível da interação entre
os colaboradores, que no primeiro caso não existe e no segundo caso é uma condição
fundamental. Vamos perceber o que distingue Cooperação de Colaboração, partindo da
análise de estudos efetuados, para avaliar a eficácia do trabalho de equipa e qual dos
métodos será o mais adequado para o bom funcionamento de uma Biblioteca.

2.4.1. O trabalho Cooperativo

Em Educação, “Cooperação envolve dois ou mais indivíduos, trabalhando em conjunto,


em mútuo acordo com objetivos em comum”, Montiel-Overall (2005, p.11) podendo
gerar um alto nível de confiança entre eles. A Cooperação pode melhorar as relações de
trabalho. Apesar de, hoje em dia, ser unanimemente aceite a vantagem do trabalho
cooperativo, no universo da educação, autores defendem que nem sempre isso
acontece. No estudo feito por Thurler (1996, p.147), a autora apresenta as posições de

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Staessens (1993) e de Perrenoud (1993) sugerindo que “os professores são mais eficazes
sozinhos do que fazendo parte de uma equipa pedagógica sem alma nem coerência”.
Sob esta perspetiva a autora regista as desvantagens do trabalho cooperativo, realçando
as razões para a ineficácia do trabalho em grupo. Destacam-se: “falta de animação (da
parte de quem coordena), má gestão de tempo, dificuldade em centrar-se no essencial,
incapacidade de tomar decisões concertadas”. Os professores entrevistados defendem
ainda que a cooperação pode ser feita através de conversas informais, sem as
necessárias reuniões que consideram “pesadas” e ineficazes. Nem consideram
necessárias as programações conjuntas com divergência de objetivos e conflitos de
opinião. (Thurler, ibidem, p. 148)

Coloca-se a questão: se os professores estiverem atualizados, porquê obrigá-los a


interagirem em Cooperação? Thurler considera o “individualismo eficaz” como um mito
e defende que a Cooperação faz parte da profissão de professor, acrescentando que,
atualmente, as realidades com que são confrontados os professores apelam à
Cooperação.

a) Competências de Cooperação

Tomando como princípio que a Cooperação se pode tornar um modelo de trabalho em


equipa eficaz no seio do trabalho entre professores, apontamos as suas três
competências referidas em Thurler (1996). A primeira é “saber cooperar eficazmente
num espírito que transforme uma “pseudo-equipa” numa verdadeira equipa; a segunda
competência exige a identificação dos problemas que realmente necessitam de ser
resolvidos em equipa, numa cooperação intensiva”. Para isso o professor deve ser:
aberto, saber negociar e procurar a forma de ultrapassar os obstáculos que lhe vão
sendo colocados. A terceira competência exige do professor “capacidades como
perceção, análise e resistência aos obstáculos e paradoxos da cooperação”. Nesta
competência o professor deve saber autoavaliar-se para saber encontrar o seu real
contributo no trabalho de equipa. Saber trabalhar em grupo, eficazmente não é tarefa

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fácil e exige muito por parte de cada elemento, e mesmo conscientes da necessidade de
cooperar, a boa vontade, por vezes, não chega.

Katzenbach & Smith et al. (1993 apud Thurler, 1996, p.151) revelam as características
das equipas eficazes como sendo aquelas que possuem: “1. Exigências elevadas na
procura comum de um elevado desempenho; 2. Um quadro de requisitos adequado,
com uma adequada composição das equipas; 3. Visão comum dos meios para atingir os
objetivos; 4. Responsabilidade coletiva,” ultrapassando os receios do trabalho em
equipa, como o medo de cada um, que o outro possa não saber entender, escutar ou
ver como ele próprio.

b) Tipos de Cooperação

No mesmo estudo efetuado por Thurler (1996), a autora refere os tipos de Cooperação
quando se trabalha em equipa. A partir dessas informações, apresentamos um quadro
com interpretação e tradução da nossa responsabilidade.

Tipo de equipas Características das equipas


Os grupos de trabalho Reúnem-se para tomar decisões. Não têm causa comum, nem
objetivos comuns. Não existem resultados comuns.
A “pseudo-equipa” Trabalham em equipa, mas não buscam um desempenho
coletivo. Taxas de eficácia modestas. Não há consenso, nem
ação coletiva.
Possuem um plano de trabalho e uma visão de objetivos
A equipa potencial comuns, mas não existe responsabilidade comum e sendo mal
exploradas as competências de cada um.
São pessoas com capacidades que se complementam, buscam
A verdadeira equipa uma causa comum. Possuem objetivos semelhantes e
partilham responsabilidades.
Têm as mesmas características de uma verdadeira equipa,
A equipa de alto nível mas praticam a “liderança cooperativa”. Estão atentas ao
de eficácia desenvolvimento pessoal e ao sucesso dos colegas. Definem,
analisam e resolvem os problemas em conjunto. Refletem
sobre as práticas e a evolução da sua cultura pedagógica.
Quadro 1: Tipos de Cooperação, baseado em Katzenbach & Smith et al., 1993 apud Thurler, 1996, p. 154.

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2.4.2. O trabalho Colaborativo

Vera John-Steiner (1992 apud Montiel-Overall, 2005) define “Colaboração como um


modo promissor do ser humano se engajar, mas que seja mais do que uma moda
passageira, é necessária uma estrutura teórica e bem enquadrada para guiar os
indivíduos e os grupos.”

Colaboração é para Montiel-Overall (2005) um termo omnipresente que já foi definido


em diversos campos. É um processo em que dois ou mais indivíduos trabalham juntos
partilhando informação de modo a melhorar o ensino-aprendizagem. Colaboração
implica interdependência e respeito mútuos. “Cada um dos participantes tem de colocar
na mesa das conversações algo de valor”, segundo Small (2001). Autores como
Muronaga & Harada, (1999 apud Small, 2001, p.1), referem que o sucesso da
colaboração se baseia em quatro pré-requisitos: “visão partilhada, objetivos comuns,
clima de confiança e respeito mútuo”. Acrescentam ainda: “para estarem motivados
para colaborar, todos os participantes precisam primeiramente de ver algum valor
pessoal na colaboração e acreditar que possuem os conhecimentos e habilidades
necessárias para serem colaboradores de sucesso”.

Os princípios e estratégias para uma colaboração de sucesso foram definidos ainda por
Callison (1999 apud Small, 2001, p. 2). O autor valoriza “a importância de uma cuidadosa
definição de papéis para cada colaborador; um planeamento de processo compreensível
por todos, uma correta partilha de recursos, riscos e controlo e continuidade ao longo
do tempo”. Mediante esta proposta é possível concluir que a planificação do processo
colaborativo é o segredo e para tal a coordenação desse processo tem de ser também
ela bastante eficaz.

A Colaboração, por vezes, pode não ser formal, assistindo-se a casos, sobretudo em
escolas com reduzido número de professores, que desenvolvem um trabalho
colaborativo espontâneo, resultante da necessidade de troca de experiências entre
professores. De Groff (1997 apud Small, 2001, p. 2) considera que “escolas pequenas
permitem mais oportunidades e menos burocracia e mais interação entre os
educadores”. O contrário também acontece, apesar de ser apontado como um fator que

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facilite a colaboração. O trabalho colaborativo depende sempre da vontade dos


intervenientes, caso ela não exista, ninguém pode ser obrigado a colaborar.

a) O trabalho Colaborativo nas Bibliotecas Escolares

A Colaboração integrada no meio escolar tem sido alvo da nossa análise, no entanto se
a transportarmos para a Biblioteca Escolar surgem alguns obstáculos que importa
referir. O sucesso da função do Professor Bibliotecário, mais do que a qualquer outro
professor, está dependente do nível de Colaboração que ele consegue atingir com a
classe docente.

Small (2002) sublinha que “a necessidade do PB e outros educadores colaborarem entre


si abriu novas vias de colaboração. Mas por vezes os esforços para colaborar ainda não
funcionam. Porquê?” Os motivos que têm sido apontados pelos PB para a dificuldade
do trabalho colaborativo são sobejamente conhecidos, mas Haycock, ( 1999 apud Small,
2002) resume-os em três queixas mais comuns dos PB:

1ª: não consigo convencer os professores da minha escola a colaborarem; 2ª eu


adorava colaborar com os professores, mas eles não me veem como um parceiro e
3ª: os professores não fazem a mínima ideia do que eu faço ou do que eu posso
fazer pelos seus alunos. (p.3)

A tarefa de envolver a comunidade escolar nas atividades promovidas pela BE é, por


vezes, hercúlea, pois exige um grande e continuado esforço por parte do PB, que tem
de desenvolver parcerias a todos os níveis e o seu sucesso depende muito de uma
vontade inabalável de atingir os seus objetivos. No entanto, acredito que os professores
da instituição também devem desempenhar o seu papel no que tange à comunicação
com o PB. Ao longo da carreira, inúmeras são as vezes em que um professor se depara
com a necessidade de apoio do PB. Nesses casos, é o próprio professor a procurar o
responsável pela BE, e não o contrário. Os professores que não buscam parcerias com
um PB é porque não têm a noção do que é ter uma escola sem este profissional. Não
imaginam a falta que ele faz.

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b) Estratégias para estabelecer uma cultura Colaborativa na BE

Existem sugestões apontadas em diversos estudos que procuram apoiar os PB na sua


tarefa de desenvolver atitudes colaborativas na instituição escolar aonde pertencem.
Exemplo disso são as estratégias apontadas por Hartzell (1997 apud Small, 2001, p. 2)
das quais destacamos dois exemplos: “estabelecer uma boa relação com um professor
e desenvolver projetos colaborativos: exemplos de sucesso contagiam outros
professores e ser aberto e amigável com todos os professores. Ir em busca deles, pois
eles não irão procurar o PB.”

No que diz respeito ao primeiro exemplo, concordamos, em parte, com a ideia de


desenvolver projetos com um só professor para contagiar os restantes, mas por vezes
não funciona, porque os restantes professores podem sentir-se excluídos, ao invés de
contagiados pelas boas práticas. Quanto a ser aberto e amigável, acreditamos ser uma
das condições mais importantes para se desempenhar eficazmente a função de PB. Não
concordamos totalmente que o PB tenha sempre de ir ao encontro dos professores, em
muitas escolas, os professores que necessitam do apoio do PB sabem procurá-lo.

A importância do trabalho colaborativo para o funcionamento das Bibliotecas Escolares


já foi apontada por diversos autores, que nos seus estudos procuraram demonstrar as
vantagens, as estratégias e as dificuldades que podem surgir usando esta metodologia.
Foi elaborado um quadro-síntese (Librarians and Teachers, Levels of Collaboration,
2002), de autor anónimo, que apresenta os níveis de Colaboração que podem existir
entre o Professor Bibliotecário e os professores.

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Quadro 2: Librarians and teachers: Levels of Collaboration, Washington State Library (2002). Fonte:
[Link] [consultado a 20 de janeiro de 2017].

A tabela 2 divide em quatro os níveis de colaboração existentes entre Professores


Bibliotecários e professores. Destacamos o nível 3 como o mais comum existente entre
a figura do PB e os professores. Na maioria das vezes PB e professores colaboram,
planeiam o currículo juntos, mas a avaliação recai sempre sobre o professor, cabendo
ao PB um papel secundário nessa avaliação. Consideramos que muitas vezes não se
atinge o nível de “equal partner” entre os professores da instituição e o PB, devido à
avaliação final, que não é feita por todos.

2.4.3. Conclusões sobre os termos Cooperação e Colaboração

Após análise detalhada sobre os termos Cooperação e Colaboração, verificamos que é


necessária uma reflexão teórica por parte dos diversos parceiros educativos, acerca
desta temática.

Uma coisa é indiscutível: o trabalho em equipa é necessário na instituição escolar. A


escolha do modelo que adotamos para esse trabalho é que deve ser alvo de reflexão

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consciente e responsável, para que ele seja eficaz. Na verdade, os níveis de Cooperação
ou de Colaboração que atingimos não devem ser as nossas metas. Um bom trabalho de
Coordenação pode levar uma equipa a atingir os seus objetivos.

Depois de se verificar o modo como trabalhamos em equipa, verifica-se que para o


sucesso de qualquer atividade com os alunos, numa instituição escolar ou fora dela, é
necessário um profundo conhecimento das necessidades que vão ser encontradas, um
planeamento consciente e uma equipa voluntariosa, capaz de fazer frente a qualquer
obstáculo encontrado.

Concluímos esta reflexão acerca dos modelos de Cooperação e Colaboração


acrescentando a importância de os conhecer profundamente, para melhor sabermos
aplicá-los na nossa prática docente.

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3. Breve perspetiva da Educação em Cabo Verde

3.1. O ensino no período colonial

Para contextualizar a evolução educativa na atual República de Cabo Verde, é necessário


apresentá-la na sua perspetiva diacrónica e remontar ao passado menos recente,
abordando a sua origem ainda enquanto província ultramarina.

Ao longo da história de Cabo Verde, jovem república e antiga colónia portuguesa (até
1975), a educação tem sido uma temática imensamente discutida e considerada fulcral,
como podemos comprovar por esta notícia de um jornal cabo-verdiano, A Voz de Cabo
Verde, que em 1911 nos dá conta do seguinte:

A primeira necessidade em Cabo Verde para, fazendo resistência ao actual estado


das cousas, poder desenvolver-se e progredir, é crear escolas muitas e muitas
escolas bem organizadas, com bons mestres, que ensinem instrucção primária e
um pouco de secundaria, afim de que o homem fique habilitado a lêr e a
comprehender. (…) Supprimir a ignorância, ou senão refreal-a é a estrada que
conduz a um futuro próspero e risonho. (A Voz de Cabo Verde, nº 1, 1 de Março de
1911, p.2 apud Carvalho, 2007, p.57)

Refletindo um pouco sobre a colonização de Cabo Verde que foi feita por portugueses e
africanos, da Costa Ocidental, coabitando o mesmo território pouco tempo depois da
sua descoberta, cedo se percebeu que havia necessidade de criar meios para que as
populações tivessem acesso ao ensino, quer este fosse formal ou informal, caso
contrário os habitantes estariam condenados ao analfabetismo.

Devido ao facto de Cabo Verde ser um arquipélago com 10 ilhas, a colonização foi sendo
feita mais paulatinamente numas ilhas do que em outras. E esse ritmo foi marcando as
necessidades educativas de cada uma das ilhas.

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No entanto, o facto de Cabo Verde ter sido um interposto comercial no triângulo


atlântico do tráfico de escravos foi decisivo para a implementação de um sistema de
ensino, ainda que rudimentar, mas absolutamente necessário e economicamente
rentável.

As diferenças de classes sociais entre os colonos e os escravos também ditaram a forma


como foi instituído o ensino no território cabo-verdiano. Se por um lado era necessário
dotar os escravos de ensinamento de leitura e escrita, por outro era fundamental que
os colonos que se deslocavam para esta província com as suas famílias pudessem ter
acesso ao ensino, tal como este se apresentava na metrópole.

Segundo Trigueiros, citando Teixeira de Sousa:

Em 1466, seis anos após a descoberta das ilhas terão chegado à ilha de Santiago, os
Franciscanos, provavelmente os primeiros mestres-escola do arquipélago. Esses
sacerdotes traziam como missão não só a catequização e a alfabetização dos cabo-
verdianos, mas também a “ladinização” de escravos. Tanto mais que os escravos,
depois de “ladinizados” (ensinados a ler e a escrever), tinham uma maior cotação
no mercado. (Trigueiros, 2010, p. 38)

A ladinização é uma corruptela da palavra Latinização, e significava a instrução dos


escravos durante o período que se seguiu ao início da colonização. Os escravos ladinos
eram preparados para os trabalhos domésticos, desenvolvendo as suas tarefas junto dos
seus senhores e, por conseguinte, podendo comunicar com eles, por oposição aos
escravos boçais, acabados de chegar de África e que não falavam o português. Para
António Germano Lima:

O processo de ladinização visava tirar da memória dos escravos todos os vestígios


da sua herança cultural africana, substituindo-a pela cultura ocidental, através
nomeadamente da doutrinação cristã e da aprendizagem da língua do colonizador.
Já o processo de ensino em escolas regulares visava transmitir a cultura do
colonizador e a preparar os nativos para a vida produtiva. (Lima, 2017, p. 414)

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Se no início a educação estava a cargo da Igreja Católica, cedo se percebeu que a


condição arquipelágica conduziria a diferenças sociais, caso não fossem tomadas
medidas. A par da intervenção católica no ensino, surgiram escolas particulares e
mestres que lecionavam muitas vezes em suas casas, com o intuito de combater o
analfabetismo das populações.

A Igreja Católica na pessoa dos missionários, teve um papel fundamental na vida


cultural e social dos povos do Ultramar português. (…) Os Clérigos foram
responsáveis pelo ensino nas colónias. (Pereira, 2015, p.65)

Baltazar Neves corrobora esta informação quando afirma que há que ter em conta que
no contexto da evolução do Ensino em Cabo Verde, “a Educação informal (…)
acompanha a história da descoberta, povoamento e colonização pelos portugueses e o
ensino religioso aparece em destaque.” (2017, p. 68).

Segundo Ana Mafalda Pereira, “as missões desempenhavam um importante papel nas
colónias, não só a nível religioso e educativo, como médico e social, isto é, lutam contra
a doença, a poligamia, a escravatura, a inferiorização da mulher (…)” (2015, p. 66). E
esclarece que em Cabo Verde não havia propriamente o conceito de missões, mas sim
paróquias e por isso a evolução da instrução nas ilhas esteve ligada ao “culto da religião
católica” (2015, p. 67). Destaca-se a influência das ordens religiosas Jesuítas,
Capuchinhos, Espiritanos e Salesianos, tendo tido estes últimos uma forte influência no
ensino das Artes e Ofícios e possuindo ainda, atualmente, uma Escola Salesiana na ilha
de São Vicente.

Baltazar Neves reitera a influência não religiosa no ensino, valorizando a sua qualidade:

O ensino informal no Arquipélago era ministrado não só pelas Missões Religiosas,


como também por particulares (a nível da instrução primária mais concretamente)
disputando com muito zelo, com uma concorrência muitas vezes superior ao ensino
eclesiástico oficial. (Neves, 2017, pp. 70,71)

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Como principal marco, considerado de extrema importância, para o início da história do


ensino em Cabo Verde, aponta-se a criação da escola da Ribeira Grande, na ilha de
Santiago, por alvará de 12 de março de 1535, especialmente vocacionada para o ensino
da Moral e Gramática Latina. Esta escola surgiu no seguimento da criação do 1º Bispado
em África: a Diocese de Santiago, em 1533 (Furtado, 2008, p. 11).

De destacar que em 1546, segundo Trigueiros:

(…) o rei autorizara expressamente que alguns negros e mestiços, devidamente


qualificados, pudessem ingressar nos cargos públicos, o que pressupunha (…) a
existência e o funcionamento de escolas que pudessem capacitar os indivíduos a
desempenhar os cargos que eram chamados a ocupar. (Trigueiros, 2010, p. 40)

A 12 de janeiro de 1570 a Carta Régia de Dom Sebastião estabelece a Criação do primeiro


Seminário a existir em Cabo Verde, mas que nunca foi materializado. Em 1657 foi
fundado o Convento dos Capuchos, na cidade de Ribeira Grande, onde funcionava o
ensino de Teologia, Latim e Moral.

Durante o século XVIII, a 12 de janeiro de 1740, assistiu-se ao despacho régio que


pretendia fixar o salário de mestre em Latim e Moral, para o ensino no Arquipélago, e
que nomeia um Mestre de Gramática para a ilha de Santiago.

As ideias iluministas começavam a influenciar o pensamento e isso também se reflete


nas ilhas:

Em 1773, os homens bons da comunidade fizeram uma petição junto das


autoridades solicitando a nomeação de um Mestre de Português (…) “para
esclarecimento e ensino do povo”. Segundo Trigueiros, nessa mesma petição
solicitava-se que fosse criada uma casa onde pudessem ser recolhidas “as crioulas”
para nela serem educadas. Pela primeira vez aparece uma preocupação explícita
para com a formação escolar das raparigas. (Trigueiros, 2010, p. 41)

A verdade é que a solicitação de oficializar o ensino e torná-lo mais laicizado, acontece


em 1817, aquando da instituição da primeira Escola de Instrução Primária Oficial do
Arquipélago, na Vila de Santa Maria da Praia, tal como nos relata Ana Mafalda Pereira
(2015, p. 68), mas que teve uma vida curta por morte do seu mestre e impossibilidade
da sua substituição. Esta escola só veio a ser reativada em 1821.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Até meados do século XIX, era escassa a legislação que regulamentasse o ensino em
Cabo Verde e a legislação existente por vezes não passava do papel. A título de exemplo,
no ano letivo de 1837/38 funcionaram dez escolas régias em todo o território. Já no ano
de 1842, das trinta e três escolas previstas, só funcionaram algumas por falta de verba.

Durante anos, a instrução no território de Cabo Verde foi feita quer através do “Ensino
Oficial (regulado pelo Governo da Província); quer do Ensino Municipal (regido pelos
municípios) ou com recurso ao Ensino Particular (com escolas criadas por
individualidades)” (Pereira, 2015, p. 125). Os estabelecimentos de ensino destinavam-
se a alunos do sexo masculino e feminino.

Na perspetiva de Baltazar Neves, “existiam quatro instituições responsáveis pelo Ensino


em Cabo Verde: Régia, Municipal, Eclesiástica e Particular.” (2017, p. 71).

Em 1844, após serem incluídas no orçamento, verbas para a educação, foram criadas 38
escolas em todo o Arquipélago e com a publicação de um Decreto que data de 14 de
agosto de 1845 pretende-se lançar “as bases legais da organização geral do Ensino
Primário Oficial nas Províncias Ultramarinas, através da publicação no Boletim Oficial do
Governo Geral da Província de Cabo Verde.” (Pereira, 2015, p. 69). Neste Decreto se
institui a criação de uma Escola de Instrução Primária para cada província ultramarina.
Salienta-se que, no caso de Cabo Verde, a introdução da Imprensa em 1842 muito
contribuiu para esta viragem no setor da educação e consequente implementação de
uma rede escolar no arquipélago.

A primeira tipografia foi trazida para Cabo Verde em 1842, tendo começado a
funcionar nesse mesmo ano a Imprensa Nacional de Cabo-Verde e Guiné. (…) O
advento da imprensa periódica em Cabo Verde é assinalado com a publicação, na
ilha da Boa Vista, do número I do Boletim Official do Governo Geral de Cabo-Verde,
posto a circular na quarta-feira, 24 de Agosto de 1842, sendo então Governador
Geral o Brigadeiro Francisco de Paula Bastos (1842-1845). (Brito Semedo, Esquina
do Tempo, 2012)

Refere ainda Furtado (2008) que “a Escola Principal da Instrução Primária foi instalada
na ilha Brava, por esta ilha ter condições climatéricas mais favoráveis, por Decreto de
23/11/1847, tendo começado a funcionar em 1848.” (p. 12).

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Em 1860 deu-se a transferência da Escola Principal da Brava para a Praia, tendo-se


designado de Escola Central da Praia e englobava o ensino primário e secundário
(Trigueiros, 2010). Também conhecido por Liceu Nacional de Cabo Verde, foi criado pelo
Governador Interino Januário Correia de Almeida, e publicado em Boletim Oficial no
final de 1860. Infelizmente este Liceu encerrou logo no final do seu primeiro ano letivo
por falta de docentes e pelos baixos salários auferidos.

Quanto ao ensino primário, este proliferou em todo o Arquipélago em sequência da


legislação, mas também fruto da boa vontade e empenho de particulares nas diferentes
ilhas. Segundo nos relata Ana Mafalda Pereira:

Os Particulares que mesmo sem serem habilitados para o magistério preparavam


crianças, jovens e adultos que posteriormente seriam avaliados nas escolas oficiais
possibilitando (…) aos pobres e àqueles que viviam longe das escolas, o acesso à
instrução. (Pereira, 2015, p. 316)

Apontamos como curiosidade particular da ilha sobre a qual recai o nosso estudo, que
o decreto Lei de 14 de agosto de 1845 também teve os seus efeitos na Boa Vista, pois
em 1848 a Câmara requereu 2 mestres para a Boa Vista. Sendo oficial que em 1856
existiam “escolas para os dois sexos na Boa Vista” (Lima, 2017, p. 352).

O Regulamento das Escolas Particulares de 1872 também contribuiu para uma maior
integração da população estudantil, tendo sido alargada a mulheres e a adultos,
inclusivamente em horário pós-laboral (Brito Semedo apud Trigueiros, 2010, p. 47).

Uma instituição que se destacou como pioneira no Arquipélago, foi a Escola Camões,
“primeira escola municipal exclusiva do sexo feminino”, iniciada em 1879 e inaugurada
no dia 10 de junho de 1880, no Mindelo, com “44 alunos femininos”, segundo nos
informa Trigueiros, citando Brito-Semedo, “na parte traseira do edifício, (…) foi
instalada, em 1882, uma Biblioteca Municipal, por iniciativa do Presidente da Câmara”
(Brito Semedo apud Trigueiros, 2010, p. 49)

As instituições de ensino proliferaram e em “1889 existiam 56 escolas primárias para


três mil alunos em todo o território de Cabo Verde”. Esse número aumentou para “73
escolas para quatro mil alunos, em 1898” (Furtado, 2008, p. 13), “das quais 47 eram
régias, 16 municipais e 10 particulares” (Trigueiros, 2010, p. 47).

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Comparativamente, “em 1960, o número de estabelecimentos de ensino era de 234,


sendo 85% destes pertencentes ao ensino primário” (Furtado, 2008, p. 15). O que terá
estado na origem desta mudança? Segundo Carvalho, “o ensino e a alfabetização, como
condições de progresso social, integraram o ideário cabo-verdiano, no primeiro quartel
do século XX.” (2007, p. 61).

É nesse contexto que é feita a primeira reforma educativa republicana, através do


Decreto de 29 de março de 1911 que preconiza o ensino “obrigatório para todas as
crianças, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os sete e os catorze anos”
(ibidem: 81-82). A partir de dados recolhidos pela autora citada, esta reforma não pode
ser cumprida, pois “a situação real da colónia [Cabo Verde] não era compatível com a
utopia da reforma.” (Carvalho, 2007, p. 82). No entanto, o problema do analfabetismo
foi sempre considerado importante e quando passou a ser um impeditivo para os
emigrantes com destino aos Estados Unidos, tornou-se premente a urgência de
alfabetizar a população, que segundo dados recolhidos pela “estatística oficial de 1911
publicada em 1912 no Boletim da Provincia.” (Carvalho, 2007, p. 63) se situava entre os
85% e os 95% da população da colónia.

(…) nos Estados Unidos vai ser proibida por lei a entrada dos emigrantes que não
mostrem falar e escrever a sua língua. Esta proibição equivale a estancar quasi
completamente a emigração para os Estados Unidos, porque a grande maioria da
população deste Arquipélago é constituída por analfabetos. (Revista da Educação,
nº 2, Julho de 1913, p. 140 apud Carvalho, 2007, p. 63)

Neste contexto, emerge um pedido feito por uma Sociedade de Estudos Pedagógicos,
que solicita ao “Governo da República que se desenvolvessem as escolas oficiais que já
existiam, que se criassem outras em locais mais afastados ou se recorresse a escolas
móveis, bem como ao ensino particular.” (Carvalho, 2007, p. 63). Isso aconteceu, com
prevalência nas escolas das ilhas de maior emigração para os Estados Unidos, como
sendo a Brava e o Fogo, através da criação de cursos noturnos para a escolarização de
adultos e combate ao analfabetismo.

Na senda do que temos vindo a analisar sobre a igualdade de direitos concedida aos
cidadãos de sexos diferentes, verificamos que tal como na metrópole era feita a
separação de classes: havia de raparigas e de rapazes, mas por motivo de “baixa
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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densidade da população escolar” poderia haver classes mistas, conforme investigação


de Carvalho.

Artigo 10: São criadas três escolas de instrução primária na Província de Cabo Verde,
sendo uma para o sexo masculino (…) outra para os alunos do sexo feminino (…) e
outra para ambos os sexos na Povoação Velha, da Ilha da Boa Vista. (Boletim Oficial,
nº 12, 22 de Março de 1913, p.102 apud Carvalho, 2007, p. 98).

É importante confrontar os dados anteriormente recolhidos com uma outra fonte, o


jornal A Voz de Cabo Verde que, quatro anos depois desta divulgação, constatava como
“era vergonhoso numa freguesia de sete mil almas não existisse uma só escola para o
sexo feminino” (Carvalho, 2007, p. 98), referindo-se à justiça que fora feita em se ter
criado, apenas nesse ano, uma escola na Calheta de S. Miguel, em Santiago.

Outra forma encontrada para que as meninas tivessem escola foi criar instituições
educativas com recurso ao regime de internato, conforme anúncio no Boletim Oficial,
(nº 46, 14 de Novembro de 1925, p. 354 apud Carvalho, 2007, p. 225):

Internato para meninas


Recebem-se alunas em idade escolar que pretendam frequentar o Instituto Cabo-
verdiano de Instrução estabelecido nesta ilha. [S. Nicolau]

A política educativa do Estado Novo pouco traz de novo na busca de democratização do


ensino. Tal como refere Carvalho, baseada em Nóvoa: “as reformas educativas foram
pautadas por uma estratégia de compartimentação do ensino, que se manifestou pela
separação dos sexos e grupos sociais.” (2011, p. 97). Na verdade, os programas do
ensino primário são reformados em 1929 e foram publicados no Boletim Oficial da
Província preconizando de alguma forma a igualdade de acesso à educação entre os
cidadãos da colónia e da metrópole através da seguinte alínea: “O exame do 2º grau
feito nesta colónia [Cabo Verde] dá ao aluno direito a matricular-se na metrópole”.

No entanto, o mesmo documento propõe que fossem postos em vigor os programas de


instrução primária em vigor na metrópole, o que para a época representaria um fator
de igualdade. Sabe-se, hoje em dia, que a não aceitação da diversidade cultural entre a
metrópole e as colónias foi, e ainda é, um fator desencadeador de desigualdades. Esta

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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política prossegue com o propósito de “nivelar a equivalência em todo o império”,


quando é emitido um Decreto, em 1947, cujo objetivo era “guardar a unidade do plano
de ensino, em todas as parcelas da Nação Portuguesa.” Mais uma vez se insiste na
uniformização do ensino, sob pena de se anular a cultura da colónia. E as medidas
realmente igualitárias começam a surgir só em 1960, quando se dá “a obrigatoriedade
da frequência escolar das crianças do sexo feminino.” (Carvalho, 2011, p. 111). Em 1968
também foi aprovado um Diploma que cria as escolas preparatórias nas cidades da Praia
e Mindelo, tal como já existia em Portugal (ibidem, p. 113).

No dizer de Adriana Carvalho a “democratização” do ensino pecou por ser tardia e


ironicamente, “a educação de todos e para todos chegou a Cabo Verde 7 dias antes do
fim do regime do Estado Novo. Segundo a autora, o Arquipélago, de 18 de abril de 1974,
noticiava: “Acaba de ser tornada extensiva às províncias ultramarinas a Lei nº5/73 sobre
a Reforma do Sistema Educativo.” (ibidem, p. 114).

3.2. O ensino liceal ou secundário em Cabo Verde

Em 1848 foi publicado no Boletim Oficial de 8 de abril, o “Estatuto do Ensino Liceal”.


Depois vigorou para o ensino secundário o decreto de 29 de agosto de 1905, até à
implantação da República. “O ensino liceal foi instituído na colónia pela Lei 701, de
13/6/1917, com 2 cursos: geral e profissional” (Carvalho, 2011, p. 95). Segundo alguns
autores, os primórdios do ensino secundário na colónia cabo-verdiana tiveram início em
1866 quando se assiste à inauguração do Seminário em São Nicolau, institucionalizado
pelo prelado D. José Luís Alves Feijó, responsável pela Diocese de Cabo Verde,
cumprindo assim o decreto de 3 de setembro de 1886, conforme a Lei 12 de Agosto de
1856 que “esclarece que o Seminário de Cabo Verde deveria ser instituído no ponto que
parecer mais conveniente” (Neves, 2017, p. 132). Este Seminário destinava-se a formar
alunos para a carreira eclesiástica, bem como para o ensino e manteve-se durante várias
décadas como único estabelecimento de ensino secundário desta colónia. Pelo facto de
ser vocacionado apenas para discentes do sexo masculino, a dado momento da história

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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a sua existência foi questionada, nomeadamente na imprensa nacional, tal como nos
relata Ana Mafalda Pereira:

Um dos temas abordados nesses periódicos era o ensino, nomeadamente o


Seminário Liceu, O Liceu Nacional de Cabo Verde em relação ao qual sempre existiu
uma divergência de opiniões sobre a sua existência, acabando, inclusive, por se
transformar num “dos grandes cavalos de batalha” da imprensa cabo-verdiana da
época, a luta contra o analfabetismo, a instrução da mulher cabo-verdiana com
vista a sua emancipação, entre outros. (Pereira, 2015, p. 109).

Assim, após 51 anos de existência, o Seminário-Liceu de São Nicolau foi encerrado pelo
Decreto-lei de 13 de janeiro de 1917 e substituído pelo Liceu Nacional de Cabo Verde,
inaugurado no Mindelo a 19 de novembro deste mesmo ano. Este foi o único liceu que
existiu em Cabo Verde até 1960 (Furtado, 2008, pp. 14-15).

Inicialmente apelidado de Liceu Nacional de Cabo Verde ou Liceu Infante Dom Henrique,
em 1937 passou a designar-se de Liceu Gil Eanes, do qual se criou uma secção em 1955,
na Praia, destinada à população da região de Sotavento.17 Este liceu ganhou autonomia
e em 1960 foi inaugurado, passando a designar-se de Liceu Adriano Moreira que depois
da independência ficou a ser conhecido por Liceu Domingos Ramos até aos dias de hoje.
Quanto ao Liceu de São Vicente, depois da independência passou a designar-se por Liceu
Ludgero Lima, funcionando ainda na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente. Isto
significa que até à data da independência existiam apenas 2 liceus em Cabo Verde, um
em cada uma das regiões administrativas: Barlavento e Sotavento.

3.3. O ensino no período pós-independência

A educação em Cabo Verde não era exatamente para todos, sendo que apenas uma
minoria da população tinha acesso à mesma. Foi durante os anos que se seguiram à
independência que passou a haver um enorme investimento da parte dos sucessivos
governos em criar condições de igualdade social. Testemunho disso é o “Relatório à

17
O Arquipélago de Cabo Verde divide-se em duas regiões: Barlavento (que inclui as ilhas a Norte do país:
Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista) e Sotavento (Maio, Santiago, Fogo e Brava).

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as


Mulheres” (Cabo Verde, 2007), que nos informa sobre os anos subsequentes à
independência.

46. A República de Cabo Verde proclamou solenemente a sua independência em 5


de julho de 1975, rompendo com o colonialismo e tornando-se uma nação livre,
soberana, unitária e democrática. (…)
47. Em 13 de outubro de 1980, a primeira Constituição Política da República de
Cabo Verde foi aprovada estabelecendo os princípios, as políticas e disposições que
seriam aplicadas no país. (Cabo Verde, 2007, pp. 51-52).

O art.44º da Constituição da República legisla sobre o direito à educação em todos os


níveis de escolaridade obrigatória. Dois meses após a Constituição, a 5 de dezembro de
1980, a República de Cabo Verde ratificou o tratado estabelecido entre 21 países sobre
a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres.

56. Foi sob a égide desta Constituição de 1980 que foi ratificada a Convenção sobre
a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, em 5 de
Dezembro de 1980. Esta Convenção foi acolhida in totum na ordem jurídica interna
cabo-verdiana (…) (ibidem, 2007, p. 54).

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Este relatório a que tivemos acesso dá-nos conta dos ganhos obtidos pela jovem
República Cabo-verdiana no que concerne à igualdade de acesso ao ensino pelas
mulheres, conforme o exposto:

282. A situação concreta do ensino demonstra que os esforços feitos pelos


governos de Cabo Verde a fim de permitir que as mulheres acedam a todos os níveis
de ensino deram e estão a dar frutos. O número de meninas e meninos nos diversos
graus do sistema educativo é praticamente equivalente. (ibidem, 2007, p. 103).

Atualmente, segundo informações estatísticas do ano letivo 2016/17, publicadas pelo


Ministério da Educação de Cabo Verde em outubro de 2017, foi possível elaborar o
seguinte quadro:

Nível de ensino Nº de escolas Nº de professores Total de alunos Masc. % Fem.%

Pré-escolar 566 1 262 22 905 50,2% 49,8%

Ensino Básico 413 3 016 62 494 52% 48%

Ensino Secundário 44 3 210 50 889 48,1% 51,9%

TOTAL 1023 7 488 136 288 50,1% 49,9%

Tabela 1: Estatísticas do Ano Letivo 2016/17. Fonte: Ministério da Educação de Cabo Verde, 2017.

Verifica-se que em termos de número de total de alunos a frequentar os


estabelecimentos de ensino em Cabo Verde, há uma enorme equidade entre os sexos,
o que corrobora os resultados da análise do Relatório da CEDAW, anteriormente
apresentados.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Figura 3: Dados estatísticos sobre professores no ano letivo 2016/17.


Fonte: Ministério da Educação, in [Link]/[Link])

Figura 4: População de Cabo Verde comparativamente à população mundial. Fonte: INE Cabo Verde.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Se tivermos em conta que a população de Cabo Verde é de 537661 habitantes, dos quais
49,8% são mulheres, então podemos concluir que a percentagem de alunos e alunas em
idade escolar está de acordo com a percentagem da população do país, existindo uma
equidade entre ambos os sexos no acesso ao ensino em Cabo Verde.

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PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO

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1. Apresentação do estudo empírico

Este trabalho teve por objetivo principal relatar o modo como uma sala de aula com
estantes e manuais escolares pode ser transformada em Biblioteca Escolar. Queremos
frisar que este percurso continua em desenvolvimento, mas no presente estudo, que
tem naturalmente um período temporal de realização determinado, pretendemos dar
conta de todo o processo inicial que conduziu à metamorfose de um espaço dentro do
recinto escolar que não servia o propósito a que se destinava e se transformou num
local atrativo para toda a comunidade escolar.

Como mencionámos na introdução, o nosso ponto de partida foi recuperar a sala que já
existia com a finalidade de ser a biblioteca da escola.

Numa primeira fase, foi necessário despertar a consciência dos professores, alunos e
encarregados de educação para a problemática que tínhamos em estudo: recuperar a
biblioteca da escola. A estratégia usada passou por apresentar a nossa intenção no seio
dos 50 professores da escola secundária onde se realizou esta experiência,
pretendendo-se mostrar o importante papel que uma biblioteca pode desempenhar no
sucesso dos alunos e cativá-los para um envolvimento no processo de transformação.

Dos objetivos que estabelecemos para o nosso estudo empírico, tal como ficou expresso
na introdução, recuperamos aqui os dois que se articulam de forma mais estreita com a
componente empírica:

 Apresentar um projeto de criação de uma Biblioteca Escolar para a Escola


Secundária da Boa Vista.
 Acompanhar o Projeto e verificar os ganhos concretizados.

No contexto do desenvolvimento deste percurso, vamos dar conta aqui de vários


aspetos envolvidos na intervenção realizada. Em primeiro lugar apresentamos o
contexto de estudo, depois os resultados de um questionário aplicado aos professores
da escola, analisando-se os principais aspetos que emergem, nomeadamente em
relação à biblioteca da escola. Relatamos também um conjunto de atividades e ações

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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que foram desencadeadas no sentido de, paulatinamente, se ir implementando uma


verdadeira biblioteca na escola em que exercemos a nossa atividade docente.

2. Aspetos Metodológicos

Este trabalho teve como orientação metodológica primeiramente a escolha de um


objeto de estudo e a análise exploratória do nosso ponto de partida, apresentando
reflexões teóricas e enquadrando o contexto que pretendíamos examinar.

2.1. Caracterização do tipo de estudo

O nosso trabalho pretendeu seguir um fio condutor que articulasse as informações


recolhidas e apresentadas em teoria, com os aspetos práticos que desejamos aplicar.
Assim, se ficámos a saber a importância de uma Biblioteca Escolar no contexto não
apenas de uma escola, nem de uma Comunidade Educativa, mas sobretudo numa
Sociedade que se quer atual e moderna, pretendemos que essa Biblioteca seja uma
realidade na escola sobre a qual recai o nosso trabalho.

O tipo de estudo que realizámos parte do geral para o particular, ou seja, analisando as
vantagens da implementação de uma Biblioteca Escolar, a nível global, vamos aplicar
esses conhecimentos a nível particular, na escola que selecionámos para ser o nosso
objeto de estudo.

À luz das teorias propostas por diversos autores, citados por Bruce W. Tuckman no
Manual de Investigação em Educação (2012), consideramos esta nossa pesquisa como
uma investigação qualitativa, e constituindo um estudo de caso, pelas características
que passamos a elencar.

Segundo Bogdan e Biklen (1992 apud Tuckman, 2012, p. 676) as cinco características
principais de uma investigação qualitativa são as seguintes: “(1) A situação natural
constitui a fonte dos dados, sendo o investigador o instrumento-chave da recolha dos
mesmos.” Na nossa investigação a situação natural, ou o nosso objeto de estudo é a sala
da biblioteca de uma escola secundária, em Cabo Verde.

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“(2) Nesse tipo de estudo a (…) primeira preocupação é descrever e só secundariamente


analisar os dados” (ibidem), tal como foi feito na nossa investigação: procurámos
descrever a realidade que contextualiza e circunda o nosso objeto de estudo, quer
através do relato da situação atual das bibliotecas, seguida de uma breve perspetiva do
ensino em Cabo Verde e por fim de uma apresentação do contexto do nosso objeto de
estudo: enquadrando-o social e historicamente no espaço e no tempo e também
integrando-o no contexto escolar.

“(3) Os investigadores envolvem-se eles próprios no processo de investigação, ou seja,


envolvem-se com acontecimentos que aparecem como produto ou resultado final.”
(ibidem). Consideramos este tópico como fundamental na nossa investigação, pois é
devido ao envolvimento que nós, como investigadores, temos com a biblioteca da escola
que esta se tornou o nosso objeto de estudo. Para além de que este estudo tem como
perspetiva uma futura intervenção no terreno.

“(4) A análise dos dados privilegia os métodos indutivos como se as partes de um puzzle
fossem reunidas em conjunto.” (ibidem). Na nossa análise dos dados, procurámos incluir
os temas abordados ao longo da exposição teórica, integrando todas as partes de modo
a podermos encontrar um fio condutor na nossa linha de pensamento.

Finalmente, a última característica proposta dita que: “(5) os investigadores se centrem


essencialmente naquilo que as coisas significam, ou seja, no porquê dos acontecimentos
e no que aconteceu” (ibidem). Assim é a nossa investigação: descrevemos o porquê do
estado de coisas e apresentamos o que aconteceu até à data da nossa intervenção,
propondo, no final, uma mudança.

Procurámos integrar a nossa investigação na metodologia proposta por Dobbert (1982


apud Tuckman, 2012, p. 686), que segmenta as etapas da metodologia da investigação
etnográfica em seis tópicos principais que destacamos e relacionamos com o nosso
trabalho de uma forma direta e intrínseca. A “formulação das questões de investigação”
foi o primeiro passo da nossa investigação, apresentado o nosso objeto de estudo e as
preocupações que o mesmo nos suscitava e que “nos levava a essas questões”. Foi
realizada uma “investigação fundamental (background) e teoria que nos” ajudou “a

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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refinar as questões”. Posto isto, avançámos para a “construção do design da


investigação” seguindo os subtópicos propostos pelo mesmo autor.

Passamos a apresentar o nosso design de investigação com recurso a um quadro que


nos permitiu controlar e aplicar de uma forma sistemática a teoria exposta.

A construção do design da investigação


a) Conhecimento da situação A situação de abandono e de aproveitamento inadequado
antes da entrada do em que se encontrava a biblioteca durou 4 anos letivos
investigador em campo. consecutivos.
b) Como se realizou a entrada No ano letivo de 2016/17 o investigador decidiu frequentar
inicial. o Curso do MGIBE da Universidade Aberta, para se munir de
ferramentas para observar e intervir na sala da biblioteca.
c) Como é que o investigador O investigador fazia parte da escola onde a biblioteca era
teve consciência da usada apenas como sala de aula.
situação.
d) Como é que a presença do Os participantes da investigação tiveram conhecimento da
investigador foi explicada mesma, através de uma reunião de Preparação
aos participantes Metodológica na escola, onde foi explicado em plenário o
(explicação do papel do objeto de estudo (a biblioteca), os objetivos do estudo
investigador). (conhecer a real situação da biblioteca e traçar estratégias
para a sua mudança) e o papel de um colega seu de escola,
como investigador.
e) A especificação de cada Consideramos as seguintes técnicas de investigação:
técnica de investigação - Recolha de dados e informação, através de bibliografia e
utilizada. webgrafia;
- Análise SWOT da sala da biblioteca;
- Avaliação da Coleção da Biblioteca;
- Aplicação de questionários aos professores da escola em
estudo.
f) As relações entre o A relação existente é de trabalho, ou seja, lecionam na
investigador e os mesma escola, onde se realiza o estudo.
intervenientes na situação.
g) Os problemas Não consideramos ter havido problemas que afetassem a
enfrentados, a sua disposição final ou os efeitos sobre a validade e a finalidade
disposição final e os seus da investigação. A necessidade do estudo e intervenção
efeitos sobre a validade e a urgente de que carecia a sala de biblioteca funcionaram
finalidade. como um fator de coesão no seio dos professores que se
disponibilizaram de imediato em participar no estudo, mas
também posteriormente em participar ativamente na
instalação da Biblioteca.
Quadro 3: A construção do design da investigação. Fonte: elaboração da nossa responsabilidade, baseada em
Dobbert, 1982 apud Tuckman, 2012, p. 686.

As etapas da metodologia de investigação, consignadas por Dobbert (1982 apud


Tuckman, 2012), incluem ainda “a apresentação dos dados”, feita neste estudo, que

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engloba a referência à apresentação dos dados aos professores, igualmente em


plenário, para que tomassem conhecimento dos resultados do questionário a que
responderam. Com este procedimento pretendeu-se, como mencionámos em
anteriores momentos, mobilizar para as ações que se consideravam ser necessário
implementar.

Finalmente, as conclusões do estudo também fazem parte das etapas e serão pontos de
partida para uma intervenção eficaz e permanente de como que o nosso objeto de
estudo, a biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista, se transforme numa verdadeira
Biblioteca Escolar.

3. Contexto de estudo

3.1. Contextualização histórica da ilha da Boa Vista

A ilha da Boa Vista, uma das 9 ilhas habitadas do Arquipélago de Cabo Verde, terá sido
descoberta no ano de 1460, mas mesmo esta data não será consensual, nem tão pouco
quem foi o descobridor que primeiramente terá aportado à ilha da Boa Vista, conforme
alerta Kasper:

Não existem, portanto, documentos que provem com exatidão a data da


descoberta da Ilha da Boa Vista. Provavelmente, a primeira Ilha descoberta por
António da Noli foi “Mais” (nome antigo para Maio), depois “San Jacomo”
(=Santiago) e “San Filipe” ou San Felipo (=Fogo), mais tarde – em 3 de Maio de
1460? – São Cristóvão ou “S. Christhovam” e, por conseguinte, “Bonavista” (=Boa
Vista) e a “Ilha Lana” ou “Lhana” (=Sal). (Kasper, 1987, pp. 35,36)

Assim como não existe uma data exata para a descoberta da Ilha, também não se sabe
ao certo quem terá sido o seu descobridor, apesar de se atribuir a António da Noli a
autoria dessa descoberta, António Germano Lima (2017) problematiza a questão
apontando os quatro possíveis navegadores que poderão ter aportado à Boa Vista, a
saber: Vicente Dias, António de Noli, Luís de Cadamosto ou Diogo Gomes, concluindo o
que teria sido, segundo ele, o descobridor da ilha: “consideramos Luís de Cadamosto o
descobridor mais provável das ilhas orientais de Cabo Verde e, consequentemente, da
ilha da Boa Vista, e, 1456, como ele mesmo narra na sua “Relação de Navegação II”.”

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(Lima, 2017, p. 49). Para corroborar a sua tese, o historiador boa-vistense transcreve o
relato deste navegador:

Neste sentido, a primeira referência sobre a presença humana na ilha da Boavista


fê-la Luís de Cadamosto, um dos seus prováveis descobridores, no seu relato de
viagem “Navegação II”, impresso pela primeira vez em Veneza em 1507. No seu
relato, diz Luís de Cadamosto que, ao aportar a ilha da Boavista, em 1456, enviou à
terra dez homens, “[…] pelo que, foram e não acharam senão que aquela ilha não
era habitada a não ser por uma quantidade de pombos, os quais se deixavam
apanhar à mão, não sabendo que coisa fosse o homem. (Lima, 2017, p. 62)

A ocupação da Boa Vista não terá sido feita de imediato e no dizer do autor, no início
“dependeu exclusivamente do aproveitamento de um dos seus produtos naturais, que
constituiu, aos olhos dos primeiros colonos, o seu principal potencial económico: o
pasto, que proporcionou a criação de gado, para fins económicos” (Lima, 2017, p. 63).

Segundo dados recolhidos por Kasper (1987, p. 38), a primeira colonização da Boa Vista
terá ocorrido a partir do século XVII, tendo-se fixado a população na Povoação Velha. É
muito interessante verificar que a ilha da Boa Vista conheceu um aumento exponencial
da sua população em 70 anos (de 1650 a 1720), mas como nos explica Kasper, nas suas
notas, este aumento deveu-se à imigração para a ilha e não a uma explosão
demográfica. Assim, “até ao ano de 1720, a população da Boa Vista aumentou seis vezes
mais e contava, então, com cerca de mil habitantes” (ibidem, p. 38).

Posteriormente a população ter-se-á deslocado para o interior da ilha, fixando-se junto


à bacia hidrográfica, conhecida por Ribeira do Rabil, onde era possível criar gado e
praticar a agricultura, por ser um terreno fértil e com reservas de água. No entanto, e
tendo em conta os estudos realizados por Lima, não foi encontrado “qualquer registo
sobre a data da fundação da povoação do Rabil”, mas no “início do século XIX já era,
porém, um importante centro para a época e no contexto da Boavista” (Lima, 2017, p.
85).

Segundo Kasper, uma nova mudança aconteceu porque “a Boa Vista conheceu um
importante desenvolvimento das actividades comerciais, o que estará certamente
ligado ao facto do aglomerado principal ter mudado de Rabil para Sal-Rei (chamava-se
antes Porto Inglez) em 1820” (1987, p. 45). A causa dessa mudança está relacionada com

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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a exploração das salinas existentes na atual cidade de Sal-Rei, que deve ao seu nome à
qualidade do sal dali extraído. Conforme Lima: “O topónimo “Sal-Rei” tirou-o do
excelente sal das salinas próximas do porto que, por isso mesmo, granjeara o epíteto de
Rei, por isso “Sal-Rei”” (2017, p. 94). Aponta-se também como motivo da mudança do
centro populacional para Sal-Rei a facilidade de carga e descarga dos produtos no porto
e em consequência o estabelecimento de comerciantes nessa localidade. Assim sendo,
Sal Rei ter-se-á tornado “sede administrativa em 1820 e, mais tarde (…) sede paroquial.
A sede da freguesia em Sal-Rei passaria a chamar-se de Santa Isabel cerca de 1857, altura
em que terá sido construída a igreja de invocação à Santa.” (Lima, 2017, p. 88).

Sal-Rei é uma povoação que foi evoluindo pela procura de comerciantes que aportavam
à ilha, movimentando a cidade e fazendo aumentar a sua população, quer pela fixação
de residência própria, como atestam a presença de muitas casas senhoriais que
remontam a esta época, quer pelos escravos que eram trazidos da costa de África para
trabalhar nas salinas e transporte do sal.

Kasper afirma: “Sal Rei tornou-se rapidamente a localidade mais importante de todo o
Arquipélago” e acrescenta: “Em 1834 chegou mesmo a ser feita a proposta de fazer de
Sal Rei a capital de Cabo Verde” (1987, p. 46). Corroborando esta tese, apresenta-se
como argumento, que enfatiza a importância da Boa Vista nesta época, o facto do 1º
número do Boletim Oficial do Governo-Geral da Província de Cabo Verde ter sido lançado
em Sal-Rei a 24 de agosto de 1842.

Esta prosperidade da ilha foi interrompida por uma epidemia de febre-amarela (Lima,
2017, p. 397) que dizimou muitos habitantes da ilha, tanto nativos como estrangeiros, e
levou à fuga da ilha, do Governador, que aí tinha fixado residência, altos funcionários
estrangeiros e nacionais. O Diretor da Alfândega também se mudou para a ilha do Sal,
desviando assim o centro nevrálgico do comércio. Segundo relatos da época, esta
epidemia terá levado a um declínio económico da ilha, do qual teve imensas dificuldades
em recuperar.

Em meados do século XIX, chega à Boa Vista uma família de judeus, oriundos de Rabat,
os irmãos Benholiel, Abraão e Isaac, que dinamizaram o comércio e assumiram o
monopólio de uma grande parte das riquezas da ilha. Esta família deixou marcas da sua

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presença, nas casas conhecidas em Cabo Verde como Sobrados18. Como curiosidade se
apresenta o Sobrado da família Benholiel, que foi adquirido pela Câmara Municipal da
Boa Vista e onde funcionava a “Escola de Música”. Em 2001, este edifício foi consumido
pelas chamas, tendo sido recuperado pelo município e onde funciona atualmente a
Biblioteca Municipal, a Escola de Música Olímpio Estrela e o Quintal da música Pedro
Magala.

Ilustração 1: Foto da casa da família Benholiel, antes do incêndio de 2001. Fonte: Correia, 2015, p. 166.

Ilustração 2: Fachada do edifício recuperado depois de 2001. Atual Biblioteca Municipal e Escola de
Música. Fonte: fotografia tirada por nós (2017).

Foi David Benoliel (1872-1950), filho de Esther e Abraão, o que porventura terá deixado
a sua marca mais indelével, tendo mandado construir, entre 1935 e 1938 (Lima, 2017,

18
Lima dedica uma parte do seu estudo à referência dessas casas senhoriais que ainda existem em Sal-
Rei.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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p. 373), uma capela cristã, dedicada a Nossa Senhora de Fátima em honra da sua esposa
e com isso ficado perpetuado na memória coletiva do povo. Acrescente-se ainda que,
segundo Correia (2015, p. 76), “em 1897, David Benholiel é nomeado pela primeira vez
professor interino na freguesia de Santa-Isabel, em Sal-Rei, ilha da Boa Vista, conforme
informação do Suplemento ao Boletim Oficial, Ano, 1917. Nº21.”

Em suma, a ilha da Boa Vista tem conhecido momentos de prosperidade, mas ao longo
da sua história sempre foi vetada ao abandono, tanto das autoridades portuguesas,
durante o período colonial, como das espanholas, durante a vigência filipina, como no
pós-independência, onde se verifica a periferia da ilha em relação à capital. Esta
afirmação é tanto mais verdadeira quanto em diversos momentos da história houve
fomes cíclicas e nem sempre as autoridades puderam intervir no sentido de minorar as
consequências dessas catástrofes provocadas pela falta de chuva.

3.2. Caracterização da ilha da Boa Vista

De seguida se procede a uma breve apresentação da ilha da Boa Vista na atualidade.

Boa Vista (também escrito Boavista) é uma ilha do grupo do Barlavento de Cabo
Verde. De todas as 10 ilhas do arquipélago, é a situada mais a leste, distando apenas
455 km da costa africana.
A sua superfície de 620 km² torna-a a terceira maior ilha do país, depois de Santiago
e Santo Antão. Tem cerca de 31 km de norte a sul e 29 km de leste para oeste. A
maior povoação da ilha é a vila de Sal Rei, com cerca de 2500 habitantes.19

A partir de informações disponibilizadas no site da Associação Nacional de Municípios


de Cabo Verde, de 1940 a 2010 a população quase triplicou, conforme quadro que ora
se reproduz. Realça-se, porém, que estes dados não são exatamente coincidentes com
os dados de Kasper (1987, p. 52). No entanto, as diferenças são pequenas e os dados

19
Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde Disponível em:
[Link] [Consultado a 3 de abril de
2018]

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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são simples indicadores de como a população na Boa Vista se manteve quase inalterada
até ao final do século XX, verificando-se o aumento na primeira década deste século.

População de Boa Vista (concelho de Cabo Verde) (1940–2010)

1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

2779 2985 3263 3569 3372 3452 4209 6233

Tabela 2 Evolução da População da Boa Vista (1940-2010). Fonte: Kasper, 1987, p. 52

O grande boom da Boa Vista verificou-se na 2ª década do século XXI, em que a


população aumentou devido à internacionalização do aeroporto, em 2007, e construção
de unidades hoteleiras, que trouxeram investidores, turistas e trabalhadores em busca
de emprego nos hotéis, conforme gráfico seguinte:

Gráfico 1: Evolução da população da ilha da Boa Vista. Fonte: INE, 2016.

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, recolhidos


em 2016, a população residente na ilha da Boa Vista é de 15 533 habitantes,
representando 2,9% da população de Cabo Verde. Com base nesses dados, verifica-se
que 58,8% dessa população é de sexo masculino, contra 41,2% do sexo feminino e que
a média de idades se cifra em 29 anos, ou seja, uma população extremamente jovem.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Figura 5: População da Boa Vista. Fonte: INE, 2016.

Um aspeto muito importante desta estatística prende-se com a origem dos habitantes
da Boa Vista. Tal como em tempos idos o aumento demográfico deveu-se a migrações
de outras ilhas para esta e imigração tanto de europeus como de africanos, oriundos de
países da costa de África e que aqui buscam trabalho, conforme se verifica nos dados
consultados: 56,1% da população é oriunda de outro concelho, 12,8% da população é
imigrante, sendo que a população da Boa Vista é de apenas 31,1%, ou seja, menos de
um terço da população total da ilha. (Fonte: INE, 2016).

No que tange os números relacionados com a Educação, os dados do INE apontam para
uma Taxa de Alfabetização bastante elevada, conforme a figura que se segue.

Figura 6: Dados sobre Educação na Boa Vista. Fonte: INE, 2016.

Quanto ao nível de instrução, o mesmo folheto do INE aponta para os seguintes dados:
O número médio de anos de estudo da população ronda os 7,4 anos. No entanto
destaca-se que 2% da população nunca frequentou a escola, 1% é considerada

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alfabetizada, 46,4% frequentaram o Ensino Básico20, 43,2% possuem o Ensino


Secundário21 e 5,5% da população da ilha da Boa vista possui diploma do Ensino Superior
(Vieira, 2012).

Figura 7: Dados estatísticos sobre a Boa Vista (Fonte: INE Cabo Verde, 2018)

20
O Ensino Básico Integrado em Cabo Verde (EBI) é de 6 anos escolares. Decreto-Lei nº 32/2009, de 14
de setembro.
21
Considera-se o Ensino Secundário do 7º ao 12º ano de escolaridade, Decreto-Lei nº 32/2009, de 14 de
setembro.

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3.3. Caracterização da Escola Secundária da Boa Vista

A Escola Secundária da Boa Vista situa-se na cidade de Sal Rei, capital do Concelho da
Boa Vista, uma das 9 ilhas habitadas do arquipélago da República de Cabo Verde.

3.3.1. Descrição física da escola

A ESBV conta, em 2017/18, com 21 salas de aula, 1 Secretaria, 1 sala de Direção, 1 sala
de Subdireção, Cantina, Biblioteca (que funciona como sala de aula), 1 Laboratório de
Físico-Química, 1 Laboratório de Biologia e Ciências Naturais, 1 sala de Informática, 1
Anfiteatro (em construção) e 1 polivalente (em construção).

Ilustração 3: Vista da entrada da ESBV até 2017.22 Ilustração 4: Entrada da ESBV em 201823

Ilustração 5:Vista aérea da ESBV durante as obras de ampliação (5ªfase) 24

22Foto disponível em:


[Link]
ms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiqhJKXl7DZAhWL-
qQKHYH5AeUQ_AUICigB&biw=1366&bih=662#imgrc=jinDcwiCyKWMfM [Consultada em 18 de fevereiro de 2018]
23Foto nossa, tirada em 03.04.2018.
24Foto disponível em:
[Link]

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3.3.2. Missão e símbolos da ESBV

A Escola Secundária da Boa Vista tem como missão oferecer aos jovens em idade escolar
(dos 10 aos 18 anos) a possibilidade de estudarem na sua ilha de residência, sem que
necessitem de se deslocar para outras ilhas com esse fim.

Durante o ano letivo 2017/18, a oferta educativa deste estabelecimento educativo


engloba os alunos de 5º ano da cidade de Sal Rei, bem como os alunos do 7º ao 12º ano,
oriundos de todas as povoações da ilha.

Os alunos do 5º ano foram integrados no espaço da escola secundária devido à reforma


implementada pelo Ministério da Educação cabo-verdiano que adotou o conceito de
agrupamentos de escola. O 6º ano não foi abrangido pela Reforma e por isso continuou
a ser lecionado numa escola de Ensino Básico Integrado (EBI).

O logotipo da Escola Secundária da Boa Vista baseia-se na forma da ilha, contendo a


imagem de 2 livros, dispostos perpendicularmente, conforme a figura abaixo.

Figura 8: Logotipo da Escola Secundária. Fonte: direção da ESBV

Este logotipo é um dos símbolos da instituição que ora se descreve e ele é ostentado
nas fardas dos alunos da escola. Em Cabo Verde, os alunos que frequentam o ensino
público são obrigados a trajar uniforme constituído por camisa “pólo” de manga curta
de cor creme e calças de cor castanha, tanto para o sexo masculino, como para o sexo
feminino. Existe ainda um equipamento específico para as aulas de Educação Física
constituído por T-shirt de manga curta e calções de cor azul escuro e com o símbolo da
escola estampado.

25&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj1mrvGmbDZAhWSCuwKHRldAHgQ_AUICigB&biw=1366&bih=662
#imgrc=jlvf2amhl5JusM [Consultada em 18 de fevereiro de 2018]

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3.3.3. Contexto histórico da ESBV

A Escola Secundária da Boa Vista foi criada no ano letivo de 1996/97, com o intuito de
oferecer a possibilidade de prossecução dos estudos liceais aos jovens boa-vistenses,
eliminando assim a necessidade dos estudantes e suas famílias se deslocarem para
outras ilhas, onde havia ensino secundário e era possível concluir o 12º ano, tal como
na ilha do Sal, de São Vicente ou de Santiago.

A Escola Secundária da Boa Vista iniciou funções por ordem ministerial de José Luís
Livramento, pela intervenção da Delegada do Ministério da Educação e Desporto, Dália
Benoliel, com uma parceria da Câmara Municipal, com cerca de 100 alunos distribuídos
por 4 turmas de 7º ano e com 9 professores, sob a direção de uma Comissão Instaladora
composta por: Mário Almeida, como diretor, Amílcar Costa e Emanuel Silva.25 Salienta-
se que o edifício da escola não foi criado de raiz para servir o fim a que se destinava. O
primeiro edifício utilizado para as aulas do ensino secundário fora anteriormente
construído para o Ensino Básico Complementar e era composto por quatro salas de
aulas, uma Oficina de Trabalhos Manuais, a Sala da Direção, a Sala de Professores, a
Secretaria, casas de banho para alunos e para professores. Oferecia ainda a
possibilidade da prática desportiva no Pavilhão Desportivo Djindjung, situado ao lado da
escola e construído na mesma época. Este último era constituído por uma placa para a
prática de andebol e futebol de 5, bem como de bancadas para os espetadores.

A ampliação da Escola Secundária da Boa Vista dividiu-se em fases, obedecendo cada


uma dessas fases às necessidades sentidas ao longo do tempo de existência do liceu.

Em 1997 foram construídas quatro salas a cerca de 50 metros das primeiras, com o
propósito de aumentar a oferta a outros níveis de ensino. No ano de 1998/99
funcionaram na Escola Secundária da Boa Vista o 7º ano, o 8º ano e o 9º ano em regime
diurno e o 7º ano em regime noturno, curso organizado por iniciativa de Amílcar Costa,
2º Diretor da ESBV: 1998-2000.

25
Informação facultada por Mário Almeida, 1º Diretor da ESBV (1996-1998), Dália Benoliel, Delegada do
Ministério da Educação e Desporto (1991-1998) e Emanuel Silva, da Comissão Instaladora 1996/97.

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Em 1999/2000 já esta escola contava com quatro níveis de ensino do 7º ao 10º ano
(sendo os 7º e 8º anos no período da manhã e os 9º e 10ª anos, no período da tarde).

Os diferentes níveis de ensino da escola funcionavam apenas no período da manhã ou


no período da tarde, para que os alunos que se deslocavam do interior da ilha não
tivessem de passar o dia inteiro longe de casa. Inicialmente, os transportes públicos
eram escassos e os alunos tinham de se deslocar em carros alugados, as “pick-up’s”,
viajando muitas vezes sentados na caixa do carro, onde eram colocados bancos de
madeira. Realça-se que atualmente existe um autocarro que faz o transporte dos alunos,
realizando 4 viagens por dia: 2 de manhã e 2 à tarde.

Destaca-se, e a título de curiosidade, no final dos anos 90, as turmas eram compostas
por cerca de 40 alunos, podendo atingir o limite de 45 discentes dentro de uma sala de
aula. Desta forma se procedeu à democratização do ensino em Cabo Verde, e
concretamente na ilha da Boa Vista.

A ESBV continuou a evoluir e a partir do ano letivo de 2000/2001, sob a direção de José
Pedro Marques, 3º Diretor da ESBV: 2000-2002, implementou-se o 11º ano da Via Geral,
com a criação de 2 turmas na área de Humanísticas. Isto foi possível devido à construção
de mais sete salas de aula e de uma Sala de Informática.

No ano letivo de 2004/2005, sob a direção de Benvindo Mendes Neves, 4º Diretor da


ESBV: 2003-2006, foi criada a opção de Económico Social na escola, seguida da abertura
da opção de Ciência e Tecnologia em 2005/2006.26 Esta última deveu-se à inauguração
de dois laboratórios: um de Físico-Química e outro de Ciências Naturais e Biologia. Nesta
fase da construção foram também contempladas a Cantina e a Biblioteca, bem como
casas de banho para alunos, incluindo também casa de banho destinada a pessoas com
Necessidades Educativas Especiais.

26
Informação facultada por Abel Ramos, Subdiretor Administrativo da ESBV 2017/18

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[Link]. O nome da escola

A instalação desta escola foi feita no edifício onde funcionava anteriormente o, hoje
extinto, Ensino Básico Complementar, cujo nome: Padre Porfírio Pereira Tavares havia
sido atribuído sob proposta do Grupo Recreativo e Cultural “27 de Setembro”, em
198927.

Ilustração 6: Foto do Diploma atribuído à Escola Padre Porfírio Pereira. Fonte: direção da ESBV.

O edifício foi então batizado sob a égide de um Padre que também desempenhou as
funções de professor e viveu na ilha da Boa Vista, aqui deixando uma prole de 14 filhos
entre os quais aquele que veio a ser o 1º Presidente da República de Cabo Verde:
Aristides Maria Pereira.

Estando a escola em obras de ampliação no decorrer deste trabalho, aguarda-se pelo


término das mesmas para uma inauguração do espaço e com ela o batismo definitivo
desta instituição.

27
Disponível em:
[Link]
8bbwe/LocalState/Files/S0/319/Proposta_Nomes%20Ruas%20Boavista[3552].pdf. [Consultado em 18
de fevereiro de 2018]

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3.3.4. Organização administrativa e didático-pedagógica

A organização administrativa da Escola Secundária da Boa Vista está a cargo de um


Conselho Diretivo, liderado por um Diretor nomeado pelo Delegado Escolar ou pelo
Ministro da Educação, que escolhe para a sua equipa: um Subdiretor Pedagógico, um
Subdiretor Administrativo, um Subdiretor de Assuntos Sociais e um Secretário.

Diretor da escola

Subdiretor Subdiretor Subdiretor Secretário da


Administrativo Pedagógico Assuntos Sociais direção

Organigrama 1: Conselho Diretivo da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.

A par do Conselho Diretivo existe também um Conselho de Disciplina, que tal como o
nome indica, vela para que se cumpram as regras de boa convivência entre alunos e
entre estes e os professores dentro do recinto escolar. Este órgão tem um caráter
preventivo e também punitivo, fazendo executar sanções por não cumprimento do
estabelecido nas normas do Estatuto do Aluno ou no Regulamento Interno da Escola. É
constituído por professores, um representante dos pais, um representante dos alunos,
um representante dos auxiliares de ação educativa e um secretário.

Sob a jurisdição do Conselho Diretivo, existem diversas comissões cujas tarefas são
atribuídas no início do ano letivo aos professores por incumbência da Direção. Estas
Comissões destinam-se a fazer com que sejam realizadas atividades extracurriculares.
Existem atualmente na Escola Secundária da Boa Vista cinco comissões, conforme
organigrama apresentado no Esquema 2.

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Comissão de Higiene e
Manutenção

Comissão de Informação,

Conselho Diretivo
Cultura e Desporto

Comissão de Organização de
Eventos

Comissão de Orientação
Vocacional e Profissional

Comissão de atribuição de
Quadro de Honra e
Excelência

Organigrama 2: Comissões da ESBV. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.

A Escola Secundária da Boa Vista, tal como o consignado na Lei de Bases do Sistema
Educativo, Decreto Legislativo, nº 2/2010, de 7 de maio de 2010, possui um Subdiretor
Pedagógico que tem como funções: a distribuição de Professores, a elaboração de
turmas e de horários, a coordenação do Conselho Pedagógico, a verificação do
cumprimento dos programas junto dos Coordenadores de Disciplina e a assistência às
aulas, entre outras tarefas. No final do ano letivo, também cabe ao Subdiretor
Pedagógico, em conjunto com o Diretor, a avaliação anual dos professores, que consiste
no preenchimento de uma Ficha de Avaliação Docente onde constam os itens acerca
dos quais os professores são avaliados.

Desta forma, sob a superintendência da figura do Subdiretor Pedagógico encontram-se


os Coordenadores Disciplinares ou de Disciplinas afins, eleitos pelos seus pares, ou no
caso de algumas disciplinas, nomeados em regime de rotatividade. O Conselho
Pedagógico reúne mensalmente, ou, pelo menos, uma vez por trimestre.

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Conselho
Pedagógico

Diretor da Subdiretor
ESBV Pedagógico

Secretário Coordenador Coordenador Coordenador Coordenador


da Direção de Disciplina de Disciplina de Disciplina de Disciplina

Organigrama 3: Conselho Pedagógico. Fonte: Baseado na Lei de Bases do Sistema Educativo, 2010.

Os Coordenadores de Disciplina reúnem semanalmente com os seus colegas para


verificarem o cumprimento dos programas, para elaborarem os testes de avaliação e
trabalhos didáticos, para organizarem atividades no âmbito das suas disciplinas, quer
em aula, quer como extracurricular. Tudo o que se realiza na escola passa pela
Coordenação Disciplinar e é consertado em equipa, na maioria das vezes.

Os Coordenadores ao longo do ano devem assistir às aulas dos colegas e vice-versa,


juntamente com o Subdiretor Pedagógico, no sentido de melhor conhecer os métodos
e estratégias dos colegas e assim poderem discutir formas de melhorar o processo de
ensino-aprendizagem.

3.3.5. Caracterização do perfil dos professores

A Escola Secundária da Boa Vista conta, no ano letivo de 2017/18, com um total de 50
professores de nacionalidade cabo-verdiana distribuídos, segundo o género, em 15
professores do sexo masculino e 35 do sexo feminino.

No que tange a idade dos professores da instituição que ora se analisa, verificamos que
a maior parte dos professores (58% dos docentes) pertencem a uma faixa etária
bastante jovem (entre 26 e 35 anos). O gráfico nº 2 ilustra a distribuição etária.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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2%
6%

34% 20 e 25
58% 26 e 35
36 e 45
mais de 46

Gráfico 2: Média de idade dos docentes da ESBV. Fonte: questionário realizado aos professores.

3.3.6. Caracterização do perfil dos alunos

Na Escola Secundária da Boa Vista estudam no ano letivo de 2017/18: 974 alunos, dos
quais 462 são do sexo masculino e 512 do sexo feminino.

Durante o ano letivo em que se efetuou este questionário houve uma mudança no
curriculum dos alunos do 5º ano, sendo introduzidas disciplinas como o Inglês e o
Francês, Educação Física e Educação Artística em regime de pluridocência, o que levou
a que as seis turmas fossem integradas na Escola Secundária. Os alunos de 6º ano não
foram abrangidos por esta reforma e por esse motivo não integraram as instalações da
Escola Secundária. Estas mudanças também se prendem com a adoção do Sistema de
Agrupamentos que entra em vigor apenas em 2019, pelo Decreto Lei nº 9/2019, de 22
de fevereiro de 2019.

Os alunos que frequentam a ESBV encontram-se distribuídos pelos seguintes níveis de


ensino: no 5º ano, dos 169 alunos, 91 são do sexo masculino e 78 são do sexo feminino;
no 7º ano, dos 241 discentes, 128 são do sexo masculino, contra 113 do sexo feminino;
no 8º ano dos 183 alunos, 81 são do sexo masculino e 102 são do sexo feminino; no 9º
ano, dos 176 discentes, 83 são rapazes, contra 93 raparigas; no 10º ano, do total de 91
alunos, apenas 32 são do sexo masculino contra 59 do sexo feminino; no 11º ano, há um
certo equilíbrio de género novamente, dos 55 alunos, 28 são rapazes e 27 são raparigas,

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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finalmente no 12ºano dos 59 discentes, 19 são do sexo masculino e 40 são do sexo


feminino.

250

200

150

100

50

0
5º ano 7ºano 8ºano 9ºano 10ºano 11ºano 12ºano

masculino feminino total

Gráfico 3: Distribuição de número de alunos por género e níveis de ensino. Fonte: Secretaria da ESBV.

3.4. Caracterização da Biblioteca da Escola

A Biblioteca da ESBV destina-se a um público de jovens em idade escolar, entre os 12 e


os 18 anos, de nacionalidade cabo-verdiana, mas também de todas as comunidades de
migrantes e nacionalidades de imigrantes que frequentam a escola. O espaço da
Biblioteca foi criado no ano letivo de 2005/06, conforme informação já referida.

Anteriormente a Biblioteca funcionara numa sala de trabalhos manuais, com um acervo


constituído maioritariamente por livros escolares oferecidos à escola através de um
Programa de Cooperação entre Portugal e Cabo Verde, das câmaras do Seixal e Boa
Vista, cidades geminadas. A organização da Biblioteca era bastante rudimentar, não
havendo a possibilidade de requisitar livros para casa. Os livros estavam apenas
disponíveis para uso dos alunos no espaço da Biblioteca.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Esses livros foram sofrendo sucessivas arrumações e muitos acabaram por se deteriorar
e extraviar, apesar dos esforços das sucessivas direções que procuraram uma solução
para o funcionamento da Biblioteca.

3.4.1. O funcionamento da Biblioteca da Escola, ao longo da sua existência

Ao longo dos anos de existência da Escola Secundária, à Biblioteca foi sendo dada uma
importância relativa, conforme o Diretor que ocupou o cargo.

Inicialmente e aquando da fundação da escola, esta instituição beneficiou de uma


doação da Câmara Municipal do Seixal, ao abrigo do Programa “Povos, Culturas e
Pontes”. A maior parte desses livros eram manuais escolares, segundo informações de
professores que participaram na fundação da escola.

Com o diretor José Pedro Marques houve uma tentativa de organizar os livros existentes
na escola, mas como não havia ainda um espaço adequado para os colocar, nem
estantes, os livros mantiveram-se dentro de caixotes aguardando por esse espaço.

Durante a direção de Benvindo Mendes Neves, foi inaugurado o espaço da Biblioteca e


esta funcionou com uma equipa de professores cujo horário incompleto era completado
com horas dedicadas à Biblioteca. Ainda sob a sua direção, foi destacado um professor
para a Biblioteca, tendo havido melhorias devido ao aumento do número de horas de
funcionamento da mesma, bem como ao apoio prestado aos alunos pelo bibliotecário.
Este terá sido o Professor Bibliotecário “avant la lettre” que mais dinamizou o espaço.
No entanto, devido à boa vontade do referido professor, muitos livros foram
emprestados e nunca devolvidos, por não existir um sistema de controlo eficaz para o
empréstimo dos mesmos.

Salienta-se o facto de não existir na Boa Vista uma única livraria, ou seja, na ilha era
impossível comprar livros até 2017. Esta situação tem vindo a reverter-se pois a nível
nacional também foram criadas duas livrarias particulares na ilha de Santiago,
conhecidas pelos nomes de escritores cabo-verdianos dos primórdios da literatura
crioula: a livraria Eugénio (Tavares) e a Pedro Cardoso. Atualmente, existem 2 espaços

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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camarários e um particular onde se podem encontrar livros, à venda, alguns editados


pela Livraria Pedro Cardoso. A realidade é que é mais fácil adquirir um livro de um autor
cabo-verdiano em Portugal, do que em Cabo Verde.

Com as direções seguintes não houve possibilidade de organizar a Biblioteca, pela falta
de salas existentes na escola, ou seja, a Biblioteca tem funcionado como uma sala de
aulas até ao ano letivo de 2017/18.

3.4.2. Espaço exterior da Biblioteca

A Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista é constituída por uma sala apenas,
situada no 1º piso do Bloco 3 da ESBV.

Ilustração 7: Obras na ESBV (2016/17) Fonte: Ilustração 8: Localização da Biblioteca da ESBV


foto nossa. (assinalada com um ponto). Fonte: foto nossa.

Ilustração 9: Corredor de acesso à Biblioteca Ilustração 10: Entrada da Biblioteca da ESBV


da ESBV. Fonte: foto nossa. (vista do exterior). Fonte: foto nossa.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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3.4.3. Espaço interior da Biblioteca

A sala tem quatro janelas em toda a extensão de duas das paredes, paralelas, o que lhe
confere uma luz natural muito eficaz.

Ilustração 11: Entrada da Biblioteca da ESBV Ilustração 12: Interior da Biblioteca. Fonte: foto
(vista do Interior). Fonte: foto nossa. nossa.

Ilustração 13: Interior da Biblioteca. Fonte: foto Ilustração 14: Foto do Interior da Biblioteca,
nossa. funcionando como sala de aula. Fonte: Foto
nossa.

Possui um total de seis estantes, com dez prateleiras cada e um armário embutido na
parede. As quinze mesas, estão distribuídas pela sala e possui ainda vinte e oito cadeiras.
Funciona neste momento como uma sala de aula, daí que possua uma secretária para o
professor e um quadro de ardósia, assente provisoriamente numa secretária. Existem
seis estantes organizadas por disciplina (Português, Inglês, Francês, Química, Física,
Matemática e Biologia) e um armário embutido na parede.

Até ao ano letivo de 2017/18 a Biblioteca funciona como sala de aula, conforme se pode
observar pela organização das carteiras e a presença de um quadro de ardósia.
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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4. Apresentação e análise dos resultados

Como foi referido no ponto anterior, a componente de análise empírica contemplou


fundamentalmente dois aspetos que apresentamos nos subcapítulos seguintes.

Primeiro, uma análise da situação atual da biblioteca, efetuada com base na ferramenta
de análise SWOT para uma perspetiva mais global, e um olhar mais específico sobre o
acervo da biblioteca, tendo em atenção as possibilidades que oferece aos seus
potenciais utilizadores. Em seguida, os resultados da aplicação de um questionário aos
professores com vista a identificar o seu entendimento sobre a biblioteca existente e as
possibilidades de desenvolvimento futuro.

4.1 . Análise da Biblioteca Escolar

4.1.1. Avaliação da Coleção da Biblioteca

A avaliação da Coleção é uma atividade que exige periodicidade e critério, ou seja, é


necessário ser feita em períodos de tempo regulares e deve ser feita em parâmetros
bem claros e comummente aceites por todos os interessados no sucesso da BE. A
finalidade última da avaliação, verifica-se na afirmação de Massimo & Boado quando
defendem que “evaluamos nuestra colección para averiguar su grado de adecuación a
las necesidades de nuestros usuários”(2002, p. 247)28. Segundo os autores, uma Coleção
deve ter em conta as necessidades de quem utiliza a BE.

Segundo Bertrand Calenge (2004), só se pode definir uma coleção tendo em conta a
comunidade em que esta se insere e os seus utilizadores, porque uma coleção é um
conjunto coerente de documentos, coligidos para um fim específico, no quadro de
prioridades sociais e cognitivas, definidas a nível coletivo e geridas num quadro material
finito de espaços, orçamentos, tempo e competências.

28
“Avaliamos a nossa coleção para averiguar o seu grau de adequação às necessidades dos nossos
usuários” [tradução nossa]

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A Coleção da Escola Secundária da Boa Vista, estando integrada dentro de uma


Biblioteca de escola, é suis generis por diversos motivos: O primeiro prende-se com a
localização. Esta Biblioteca existe em Cabo Verde, país constituído por dez ilhas
habitadas, sendo esta uma das ilhas onde funciona apenas uma Escola Secundária
dotada de uma biblioteca. A mesma não se encontra em rede, isto porque as bibliotecas
escolares em Cabo Verde ainda não funcionam assim. Acresce ainda, que também não
existe a figura do Professor Bibliotecário, pois não há legislação que consigne as suas
atribuições.

A Coleção da Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista é composta exclusivamente


por ofertas de livros que, desde o ano de 2005 (data da inauguração do espaço) até a
esta data, têm sido feitas por diferentes instituições. Destacam-se as doações da Câmara
Municipal da Boa Vista, do Centro Cultural Português, na cidade da Praia e de escolas
do Concelho do Seixal, município português geminado com Sal Rei, capital da ilha da Boa
Vista.

A referida Biblioteca está equipada essencialmente com manuais escolares, oferecidos


pela Câmara Municipal da Boa Vista, resultado de doações de países estrangeiros com
os quais têm acordos de cooperação. Soma-se a estes fatores a falta de verba para a
aquisição de novos acervos, resultado da não existência de uma política orçamental que
contemple o espaço destinado à biblioteca.

A Coleção existente na Biblioteca Escolar da ESBV é composta por livros, sem possuir
qualquer material diverso, quer se trate de revistas ou de jornais, nem de materiais em
suporte digital. Acresce ainda o facto de esses livros serem, na sua maior parte, manuais
escolares doados à escola, sem que tenha havido qualquer critério na aceitação desses
materiais. Outra parte dos livros, que se encontra na BE, resulta também de ofertas de
Câmaras geminadas que muitas vezes partilham monografias e livros sobre os seus
concelhos e freguesias.

A Biblioteca contém atualmente um acervo de 1140 livros, dos quais 956 são manuais e
por isso não são considerados como parte da Coleção, restando apenas 184 livros,

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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passíveis de serem considerados como Coleção de uma Biblioteca Escolar. As seis


estantes estão organizadas por disciplinas: Português, Inglês, Francês, Química, Física,
Matemática e Biologia.

a) Processo de Seleção

O facto de a Coleção da Biblioteca depender exclusivamente de doações pode, por


vezes, limitar a escolha dos títulos adequados ao interesse do público alvo sobre os
temas disponíveis e até a qualidade dos acervos.

Tempos houve em que a Biblioteca recebeu manuais em segunda mão, recolhidos com
muito boas intenções, mas com efeitos práticos desastrosos. Qual é o jovem que sente
curiosidade por um livro já usado e escrito? Das inúmeras ofertas à ESBV, coube,
sobretudo, manuais de diversas disciplinas e de diferentes níveis de ensino, muitas vezes
chegando aos 20 e 30 livros iguais.

Segundo Póvoa (2008, p. 30), “o desbaste é um processo ainda mais importante na


Gestão da Coleção das BE, pois os utilizadores principais são adolescentes e jovens que
dificilmente se sentirão atraídos por uma coleção com aspeto deteriorado,
desatualizado e visualmente pouco atrativa”. Pensamos que as ofertas de que somos
alvo não são mais do que o resultado do desbaste, se não o abate, de Coleções em outras
paragens. E com esta observação não se pretende demonstrar ingratidão pelo esforço
despendido para colocar na Biblioteca da escola os referidos livros, apenas se constata
uma realidade.

b) Processo de Aquisição

A aquisição de acervos pode ser feita por compra, troca ou oferta. No caso da Biblioteca
a que reporta este trabalho, a aquisição é feita exclusivamente pelo processo de doação.

Posto o que foi apresentado não existem, de momento, muitas alternativas disponíveis
para selecionar os itens a adquirir. A Biblioteca continua a depender exclusivamente da
boa vontade de outras bibliotecas e entidades interessadas em apoiar a nossa
instituição.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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É aqui que se insere uma nova perspetiva para o equipamento da Biblioteca, fruto de
uma parceria com as Rotas Solidárias, sediada no Porto. Após ter sido criado um
Programa de intercâmbio entre escolas, intitulado Rota dos Livros, 1000 livros foram
oferecidos pela Biblioteca Municipal do Porto à Biblioteca da ESBV. No âmbito deste
Programa, os alunos da Escola Secundária Alexandre Herculano, também ela na cidade
do Porto, recolheram livros em segunda mão para enviar para a Boa Vista.

A seleção desses livros ficou a cargo da Bibliotecária e da responsável pelo referido


Programa na cidade do Porto, por impossibilidade de se deslocar alguém da ESBV a
Portugal. Mais uma vez a BE da ESBV foi beneficiada por uma doação de outra
instituição.

c) Processo de desbaste

Segundo Póvoa (2008, p.27) “o desbaste surge devido a dois tipos de fatores: intrínsecos
e extrínsecos à coleção. Os primeiros são determinados pela natureza e estado dos
documentos (deterioração física) e pela qualidade da informação que veicula
(atualidade, correção, adequação aos utilizadores e suas necessidades)”.

No que tange à BE que ora se analisa, a avaliação da Coleção a ser feita, segundo estes
dois fatores propostos por Póvoa, levaria a um abate quase completo de todos os
acervos, principalmente se tivermos em conta os fatores extrínsecos. Estamos em crer
que a avaliação de uma Coleção para o desbaste deve ter em conta outros fatores como
a contextualização da realidade social em que se insere uma Biblioteca.

Quanto à forma de desbaste, que a Biblioteca em análise pode levar a cabo, parece-me
ser o da venda ao público em feiras de livro, promovidas pelo responsável da BE da
referida escola, em parceria com entidades camarárias para que o evento seja exterior
ao recinto escolar.

d) Sugestões

Não querendo deixar uma impressão negativa da forma como os processos de Aquisição
e de Seleção se processam na BE da ESBV, quase sempre por doação, limitando assim a

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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escolha de acervo adequado ao público a que se destina, apresentam-se sugestões de


como se pode alterar o real estado das coisas, executando algumas atividades que
possam render um fundo monetário para a aquisição de outro género de livros:

- Promoção de feiras do livro usado com o objetivo de angariar fundos para a compra de
livros mais atualizados e de acordo com os interesses da população estudantil;

- Promoção de atividades lúdicas e pedagógicas, em parceria com os professores para


angariar fundos para a compra de livros;

- Promoção de atividades que divulguem e valorizem os livros existentes na BE,


incutindo nos jovens o espírito de gratidão e de partilha;

- Execução de Projetos e solicitação de parcerias com editoras cabo-verdianas e com a


Biblioteca Nacional.

4.1.2. Análise SWOT da Biblioteca da Escola da Boa Vista

A Análise SWOT é um instrumento de autoavaliação utilizado por muitas empresas. A


sigla SWOT significa: S- Strenghts (pontos fortes); W- Weaknesses (pontos fracos); O-
Opportunities (oportunidades); T- Threats (ameaças). Em português do Brasil, este
processo é conhecido por análise FOFA (Pontos Fortes, Oportunidades, Pontos Fracos e
Ameaças). Este género de diagnóstico permite examinar o funcionamento da
organização em causa através de um momento de reflexão introspetiva de modo a
estabelecer novas estratégias e objetivos para otimizar as suas práticas e relações com
os seus pares. Este processo subdivide-se em 2 tipos de avaliação, interna e externa.

As Bibliotecas Escolares podem utilizar este método para verificarem se estão a servir
bem os seus utilizadores, se o seu modo de funcionamento está a ser eficaz, quais são
os aspetos que carecem de mudança ou de melhoramento, que fatores externos podem
constituir uma ameaça às suas práticas e que ligações devem ser estabelecidas,
promovidas ou reforçadas com o meio envolvente.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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A partir do quadro que se segue: quadro de análise SWOT da Biblioteca da ESBV,


podemos elencar os desafios estratégicos da mesma. Considerando que as capacidades
de “ação ofensiva” passam por utilizar as Forças para aproveitar as Oportunidades,
verificamos que a sala de Biblioteca da Escola em estudo tem possibilidade de se tornar
uma Biblioteca Escolar, pois as Forças de que dispõe e as Oportunidades de que goza
permitem que se chegue a esse objetivo. A maior vantagem é o espaço amplo, arejado
e bem iluminado, possuindo uma coluna ao meio que permite a divisão da sala em
espaços separados pelas estantes existentes.

O empenho da Direção da escola, em concertação com o apoio da Câmara Municipal,


são oportunidades fortes que é necessário manter. O Programa Rota dos Livros, que se
assumiu como um forte parceiro da instituição que estudamos, muito pode contribuir
para que as Forças superem as Fraquezas.

Para realizar a chamada “ação defensiva” neste processo, utilizando as Forças para
neutralizar as Ameaças, há que ter em conta que certas ameaças não iremos conseguir
mudar, mas que elas não podem ser impeditivas do funcionamento da Biblioteca. Por
exemplo: o facto da mesma se encontrar no primeiro andar. De igual modo, não haver
salas com o tamanho da Biblioteca e que fazem com que usemos o espaço como sala de
aula, será resolvido com o término das obras do Anfiteatro, e não deve, por isso,
constituir um impedimento. Cremos que a maior ameaça poderá ser a falta de um
Professor Bibliotecário, aliado ao facto de não haver uma legislação que sustente a sua
nomeação para o cargo. No entanto, consideramos que o empenho da Direção deva
manifestar-se pela melhor distribuição dos horários dos professores que possa permitir
aos que queiram colaborar com a Biblioteca o possam fazer. Por outro lado, achamos
que, provisoriamente, se poderia nomear um Auxiliar de Ação Educativa para que o
espaço da Biblioteca se mantivesse em funcionamento. Na nossa opinião, a Direção da
Escola pode demonstrar o seu empenho tomando medidas que mudem o atual estado
das coisas.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Quanto às Debilidades da sala da Biblioteca, apontamos o não aproveitamento das


Oportunidades em função das Fraquezas. Neste caso consideramos que a sala sofre de
um acervo reduzido e constituído praticamente por manuais escolares, mas que essa
debilidade pode ser eliminada através da oportunidade em participar e beneficiar do
Programa Rota dos Livros, que permitirá a renovação do acervo, ainda que em segunda
mão, mas com títulos diversificados e adequados à faixa etária dos alunos. Outra
Fraqueza da sala é não possuir mobiliário adequado, mas com o empenho da Direção e
outros parceiros poderá vir a ter. No que tange o número de estantes disponíveis,
poderá desenvolver-se atividades como a Feira do Livro Usado, para que os manuais
com mais do que um exemplar possam dar lugar a espaço para um novo acervo.
Julgamos que com esse lucro pode investir-se em cabides, escaparates e novos livros.

Na nossa análise SWOT, destacaríamos ainda as vulnerabilidades que constituem a


incapacidade de enfrentar as Ameaças em função das Fraquezas. Consideramos que as
ameaças à nossa Biblioteca são todas passíveis de ser contornáveis, pois apesar de não
haver um Bibliotecário, nem professores com horários disponíveis, nem legislação
ministerial, o simples empenho da Direção da Escola, com o apoio das entidades que
possam ser envolvidas neste projeto, é suficiente para modificar o atual estado das
coisas. Realçaríamos aqui a importância da divulgação deste Projeto, no seio de toda a
Comunidade Educativa, para que haja mudanças e se consiga disponibilizar a Biblioteca
aos professores e alunos da Escola em estudo, mas também de todo o Agrupamento,
ainda que seja feita de uma forma provisória, mas eficaz.

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Quadro de análise SWOT da Sala de Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista


FORÇAS / STRENGHTS FRAQUEZAS/ WEAKNESSES
 O espaço é muito amplo, arejado e  O acervo é muito reduzido, está em
bem iluminado; mau estado e é constituído
 O piso está em bom estado de maioritariamente por manuais
conservação; escolares;
 As paredes não se encontram sujas,  O equipamento é insuficiente: há
AMBIENTE INTERNO

necessitando apenas de pinturas poucas cadeiras e mesas, não há


alusivas ao espaço; sofás ou cadeiras confortáveis;
 Existem estantes em bom estado de  O mobiliário encontra-se muito
conservação; degradado, nomeadamente as
 A sala tem uma coluna ao meio que cadeiras estão em mau estado de
permite a sua divisão em quatro conservação;
espaços;  O número de estantes é reduzido;
 Há um armário embutido na parede  As janelas são grandes, mas não se
com porta que pode servir para encontram seguras, ou seja, não
armazenamento; fecham bem e não têm
gradeamento;
 Não existe um espaço para os alunos
deixarem as mochilas;
OPORTUNIDADES/OPPORTUNITIES AMEAÇAS/THREATS
 A direção da escola está empenhada  Está localizada no primeiro andar;
em colocar a Biblioteca a funcionar;  Funciona como uma sala de aula;
 Os professores e alunos estão  Não existem outras salas de aula
sensibilizados e mostram-se com o tamanho da Biblioteca, daí
empenhados em colaborar para que o que seja usada como sala de aula;
espaço funcione;  Não tem Bibliotecário;
AMBIENTE EXTERNO

 Os pais e encarregados de educação  Não há professores com horários


também se mostraram disponíveis que permitam acumular as funções
para colaborar; de Professor Bibliotecário;
 Beneficia do Programa Rota dos  Não existe legislação da parte do
Livros, das Rotas Solidárias sediada no Ministério da Educação que valorize
Porto que promoveu o intercâmbio e regularize as Bibliotecas Escolares;
entre a ESBV e a Escola Secundária
Alexandre Herculano;
 Beneficia de oferta de livros da
Biblioteca Municipal do Porto,
conseguidos pelo Programa Rota dos
Livros;
 Tem o apoio da Câmara Municipal da
Boa Vista;
Quadro 4: Análise SWOT da BE da ESBV. Fonte: elaboração da nossa responsabilidade, com base nas
informações recolhidas durante o ano letivo 2017/18

Concluindo a análise que fizemos e com base nestas informações recolhidas, a partir da
observação da Biblioteca, verifica-se que existe uma grande necessidade de organização
do espaço físico da mesma, nomeadamente pela disposição das estantes, das cadeiras

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e das mesas, que servem única e exclusivamente o propósito de lecionação, tal como
atesta a presença de um quadro de ardósia, instalado provisoriamente numa das
secretárias. Esta situação deve-se ao facto de não haver salas em número suficiente e
com espaço para os alunos de turmas mais numerosas. Foi-nos informado que assim
que for possível, a direção irá disponibilizar a sala, canalizando as aulas para outro
espaço, a fim de que se invista num espaço que funcione como Biblioteca. Não haver
um Bibliotecário ou uma equipa de professores a trabalhar e desenvolver atividades,
advém do facto do espaço não estar a ser utilizado para o fim a que se destina.

O não funcionamento da Biblioteca em última instância, ou em primeira, dependendo


do ponto de vista em que nos posicionamos: é que se não existe uma legislação que
obrigue cada escola a possuir a sua Biblioteca Escolar, também não há forma de exigir
que as escolas invistam os seus orçamentos em bibliotecas.

Tendo em conta este estado de coisas, a Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista
tornou-se uma preocupação por parte de um grupo de professores, mas também pela
pressão exercida pelos alunos que permanentemente mostravam o seu
descontentamento e vontade de mudança.

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4.2. Análise do questionário aos professores

Para melhor nos apoderarmos de informações sobre o que pensam os inquiridos acerca
do tema do nosso estudo, optámos por usar o inquérito por questionário. E tal como
afirma Tuckman (2012, p. 432) “Os questionários (…) ajudam os investigadores a
transformar em dados a informação diretamente recolhida das pessoas (sujeitos de
investigação)”.

Já aqui explicitámos o duplo objetivo da aplicação dos questionários para este trabalho:
recolher informações acerca do que pensam os nossos inquiridos sobre a Biblioteca da
escola que estamos a estudar e ao mesmo tempo despertar o interesse pelo debate e
discussão de como reorganizar a nossa Biblioteca.

Como objetivos específicos apontamos os seguintes:

 Recolher as informações sobre os nossos inquiridos;


 Verificar em que medida os nossos inquiridos estão sensibilizados para a
temática do nosso objeto de estudo;
 Encontrar pontos em comum nas informações recolhidas, que permitam
estabelecer estratégias de atuação no nosso objeto de estudo.

O questionário foi realizado e aplicado com recurso à internet, via Messenger, através
da ferramenta do Google Drive: formulário. Foi disponibilizado um link:
[Link] com o título: Questionário aos Professores
sobre a Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista que os professores abriram,
preencheram e submeteram. Deste modo os dados foram armazenados no drive onde
foi feito o tratamento dos mesmos.

O presente questionário destinou-se aos cinquenta professores a lecionar na Escola


Básica e Secundária da Boa Vista, desde o 5º ao 12º ano, durante o ano letivo de
2017/18. Registou-se uma adesão de 100% dos professores inquiridos. Apenas não
participaram professores do 6º ano de escolaridade porque no decorrer desse ano letivo
estavam a lecionar noutra escola.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Este estudo foi realizado num período de transição para o sistema de agrupamento de
escolas e no decorrer da introdução de uma reforma educativa para o 5º ano de
escolaridade, daí que 6 turmas desse nível tivessem sido colocadas, a título
experimental, no espaço da Escola Secundária. As turmas de 6º ano de escolaridade, por
não se encontrarem abrangidas pela referida reforma, mantiveram-se nas escolas
básicas a que pertenciam.

Por se tratar de uma escola com poucos professores decidiu-se que a totalidade dos
docentes seria abrangida por este inquérito, até porque também seria uma forma de
motivar os docentes.

O questionário, conforme pode ser verificado na matriz que foi elaborada (cf. Anexo 1:
Matriz do questionário aplicado aos professores), integra 3 secções centrais:
A - Caracterização dos inquiridos;
B – Gestão e Organização da Biblioteca;
C – Dinamização da Biblioteca Escolar.

Seguidamente apresentamos e analisamos os dados recolhidos através do questionário


aplicado aos professores.

4.2.1. Caracterização dos respondentes

a) Faixa Etária Dos Professores


A idade dos professores foi a primeira questão para a caracterização do quadro de
docentes da ESBV. Conclui-se que 60% dos docentes têm uma idade inferior a 35 anos.
Este gráfico revela que a quase totalidade dos docentes desta escola é muito jovem.
Muitos destes professores são recém-formados que aqui adquirem o seu primeiro
emprego.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Gráfico 4: Caracterização dos docentes da ESBV por faixa etária.

Verifica-se que os docentes estão distribuídos da seguinte forma: apenas 1 dos


professores tem idade compreendida entre 20 e 25 anos, ou seja, apenas 2% do total;
29 professores encontram-se na faixa etária entre 26 e 35 anos, representando a
maioria, ou seja 58%; 17 docentes estão na faixa etária dos 36 aos 45 anos e apenas 3
professores possuem mais de 46 anos, perfazendo a percentagem de 6% dos inquiridos.

b) Distribuição dos Professores por Sexo

Gráfico 5: Distribuição dos professores da ESBV por sexo.

Partindo da segunda questão, conclui-se que o género que prevalece nesta instituição é
o feminino, com 35 professoras, que representam 70% do corpo docente, contra 15
professores que representam apenas 30% dos docentes.

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c) Disciplinas que lecionam os professores.

A questão seguinte procurou saber que disciplinas cada um dos inquiridos leciona, no
entanto, ressalva-se que existem professores que lecionam mais do que uma disciplina
e mais do que um nível. Assim, optámos por elaborar uma tabela com o número de
professores por cada disciplina:

Disciplina Nº prof Disciplina Nº prof Disciplina Nº prof


Português 7 E.P.C. 1 Ut. Comput. 2
Inglês 5 Psicologia 1 Ciências 2
Francês 5 Sociologia 1 Biologia 1
História 2 Matemática 6 Desen. Econ. 1
H.G.C.V. 2 Química 1 Economia 1
Geografia 1 Física 1 Geom. Desc. 1
Filosofia 1 Fís-Química 1 Desenho 1
Direito 1 Ed. Física 3 Ed. Artística 2
Total 24 Total 15 Total 11
TOTAL 50
Tabela 3 : Distribuição dos professores pelas disciplinas. Fonte: questionário aos professores da ESBV.

d) Níveis de ensino que leciona.


Da mesma forma que os professores lecionam disciplinas diferentes, também os
níveis de ensino são diversificados. O mesmo professor pode lecionar, por exemplo:
Geografia de 9ºano e Geografia de 11º e 12ºano, para que o horário de 22 horas
semanais esteja completo.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Gráfico 6: Distribuição dos Professores da ESBV pelos níveis de ensino que leciona.

A distribuição está feita da seguinte forma: 10% dos professores leciona apenas ao
5ºano, 12% leciona 7ºano; 18% leciona 8ºano; 10% leciona 9ºano; 8% leciona 10ºano;
12% leciona 11ºano e 12% leciona 12ºano. Deste gráfico também se conclui que 18%
dos professores desta escola lecionam mais do que um nível.

e) Há quanto tempo leciona nesta escola?

Gráfico 7: Distribuição dos professores pela longevidade da sua presença na ESBV.

A questão da longevidade da presença na escola permitiu-nos verificar que no gráfico


que corresponde ao número de anos de presença na escola, apenas um quarto dos
professores leciona neste estabelecimento de ensino há mais de dez anos, contra três
quartos de professores que estão na escola secundária mais recentemente.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Nesta questão reforça-se a ideia de que o quadro docente desta escola é instável, sendo
a maioria dos professores que aqui leciona professores em situação de primeiro
emprego, deslocados das suas ilhas e que por esse motivo acabam por pedir
transferência logo que possível.

4.2.2. Gestão e Organização da Biblioteca

Nesta secção do questionário apresentamos na tabela seguinte os resultados de um


conjunto de perguntas que pretendem recolher dados sobre o conhecimento dos
professores em relação à BE da escola e ao uso que dela fazem.

Questão Sim Não


1. Conhece alguma biblioteca escolar? 88% 12%
2. Conhece o espaço da Biblioteca da ESBV? 92% 8%
3. Já usou a Biblioteca da ESBV? 52% 48%
4. Considera que a Biblioteca funciona adequadamente? 0% 100%
Tabela 4 : Questões sobre Gestão e Organização da Biblioteca da ESBV. Fonte: questionário aos
professores da ESBV.

Na questão 1, verificamos que 88% dos inquiridos afirmou conhecer uma biblioteca
escolar, contra 12% que afirma desconhecer. Tendo em conta que a totalidade dos
professores da Boa Vista frequentaram uma Universidade, acreditamos que ao
responderem afirmativamente estão a referir-se a bibliotecas universitárias. Os
professores que responderam não (12%) talvez estejam a reconhecer que não
conhecem o conceito de biblioteca escolar ou na sua experiência como professores ou
mesmo previamente como estudantes não facultou o contacto com esse tipo de
estrutura pedagógica.

Quanto à questão 2, sobre se os professores conhecem o espaço da Biblioteca da escola,


justifica-se que 8% não o conheça porque na escola lecionam professores há menos de
um ano e que por esse motivo seria natural que não conhecessem a Biblioteca, até
porque não funciona como tal, como já foi referido anteriormente.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Na questão 3, partimos do pressuposto que há professores que já usaram a sala da


Biblioteca para lecionar, uma vez que o espaço está disponível quer como sala de aula,
quer como sala para reuniões com pais e encarregados de educação, para aplicação de
testes ou para palestras, quando se pretende juntar turmas mais numerosas ou
conjuntos de turmas.

Na questão 4, verifica-se que mesmo os professores que desconhecem a sala da


Biblioteca responderam negativamente à questão sobre se achava que a Biblioteca
funcionava adequadamente. A realidade é que se há professores que no segundo
trimestre ainda desconhecem a Biblioteca é porque ela não funciona adequadamente,
caso contrário promoveria atividades que a divulgassem e os professores
reconheceriam o seu funcionamento.

Na questão seguinte pretendia-se que os docentes atribuíssem uma explicação ao não


funcionamento da Biblioteca.

À questão 4.1 : se respondeu negativamente, qual o motivo para que a Biblioteca não
funcione, os professores manifestaram as suas opiniões, conforme gráfico seguinte:

Gráfico 8: Motivos para o não funcionamento da Biblioteca, segundo os professores da ESBV.

Verificamos que, face às razões apontadas para o não funcionamento da BE, a maioria
(quase metade) dos respondentes tem consciência de que o espaço destinado à
biblioteca de facto não apresenta as condições para isso. Referem sobretudo a questão
do acervo: 40% dos inquiridos, que corresponde a 20 professores, atribui o não
funcionamento da biblioteca à falta de acervo.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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A questão do apoio institucional, expressa nas razões “falta de empenho da direção”


(24%) e “falta de um bibliotecário” (18%), também é apontada por quase metade dos
inquiridos. Lembramos aqui a afirmação de Humberto Elísio Lopes acerca dos
bibliotecários no arquipélago:

Reside no pessoal o principal problema das nossas bibliotecas. Em Cabo Verde


existem poucos técnicos formados na área de biblioteconomia pelas seguintes
razões: inexistência de uma sensibilização dos estudantes (…); ausência de uma
“cultura bibliotecária”. O Bibliotecário é ainda visto como um funcionário que não
precisa ser formado. (Lopes, 1999, pp. 60 e 61)

No entanto, se somarmos os motivos para o não funcionamento da Biblioteca numa


perspetiva de recursos humanos, verificamos que cerca de 46% dos inquiridos atribui a
causas humanas o não funcionamento desse espaço: “falta de empenho da direção”
(24%), aliada à “falta de empenho dos professores (2%) e à “falta de um Bibliotecário”
(18%). Neste ponto, há que recuperar os temas da cooperação e da colaboração
referidos anteriormente, para fazer face às dificuldades em organizar um Projeto que
possa equipar a Biblioteca com acervo atraente para os nossos alunos, mas também
para os professores. Conforme já foi referido na fundamentação teórica deste trabalho,
quando afirmámos que o sucesso da função do Professor Bibliotecário, mais do que a
de qualquer outro professor, está dependente do nível de Colaboração que ele
consegue atingir com a classe docente.

Os motivos que levam à dificuldade de Colaboração entre professores e professores


bibliotecários têm sido apontados por estes últimos e são sobejamente conhecidos, mas
Haycock resume-os em três queixas mais comuns dos PB:

1ª: não consigo convencer os professores da minha escola a colaborarem; 2ª eu


adorava colaborar com os professores, mas eles não me veem como um parceiro e
3ª: os professores não fazem a mínima ideia do que eu faço ou do que eu posso
fazer pelos seus alunos. (1999, apud Small, 2002 p. 3)

A estas dificuldades apontadas pelos PB, alia-se, no caso específico da Escola Secundária
da Boa Vista, o facto de não haver legislação que defina o papel do Professor
Bibliotecário, nem a obrigatoriedade por parte da direção da escola em definir um

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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professor responsável pela Biblioteca, pois ainda nada está legislado pelo Governo de
Cabo Verde.

Aguardamos o desenrolar dos próximos acontecimentos, pois sabemos, pelas notícias


também já partilhadas no contexto deste trabalho, que há um processo de
implementação de uma Rede das Bibliotecas Escolares, bem como do Plano Nacional de
Leitura.

Prosseguimos na senda de averiguar quais os materiais que os professores consideram


mais importantes para a Biblioteca, questionando-os acerca de que materiais de suporte
escrito gostariam de ter ao seu dispor. Abaixo apresentamos uma tabela elaborada a
partir dos resultados obtidos.

Materiais de suporte escrito Percentagem de professores


Manuais Escolares 42%
Manuais de Apoio 2%
Livros didáticos 2%
Manuais didáticos 2%
Todos os tipos 2%
Enciclopédias 24%
Dicionários/Gramáticas 14%
Jornais/Revistas 10%
Livros de Banda Desenhada 2%
Tabela 5 : Tipos de materiais de suporte escrito preferidos pelos docentes da ESBV. Fonte: questionário
aos professores da ESBV

A resposta a esta questão aponta para uma dimensão que merece a nossa atenção e
que temos de articular com duas vertentes: o conceito de biblioteca que transparece e
as condições dos professores para o exercício da sua função.

Em relação ao primeiro aspeto, verificamos que transparece uma visão muito tradicional
da BE, já que a maior parte dos docentes inquiridos refere que a BE deveria ser reforçada
com manuais escolares, manuais de apoio, livros didáticos e manuais didáticos, no seu
conjunto representa 48% dos inquiridos. Se considerarmos ainda dicionários, gramáticas

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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e enciclopédias como material didático, então somamos mais 38% dos inquiridos,
perfazendo 86% das necessidades de materiais com fins educativos. Na verdade, para
apenas uma pequena minoria, 10%, a biblioteca deve ter uma componente informativa,
ficando apenas 2% de quem considera que a biblioteca deve ter um caráter lúdico.

Como apontámos na parte de enquadramento, não é essa a perspetiva que se tem hoje
para uma biblioteca escolar.

Missão da BE: A biblioteca escolar proporciona informação e ideias fundamentais


para sermos bem-sucedidos na sociedade atual, baseada na informação e no
conhecimento. A biblioteca escolar desenvolve nos estudantes, competências para
a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, permitindo-lhes
tornarem-se cidadãos responsáveis. (IFLA, 2006, p. 3)

Embora esta questão merecesse ser mais aprofundada, e isso não foi possível fazer
apenas através de um inquérito, pensamos que este aspeto se articula com as próprias
condições dos professores, que têm poucos materiais de apoio para o seu trabalho.
Neste sentido, questionamos se verão a BE mais do ponto de vista de apoio ao seu
trabalho? Ou se estarão também a pensar nos alunos e consideram que mais manuais
poderão ajudá-los a aprofundar alguns conhecimentos?

Importa ressalvar neste ponto que, tal como já foi referido, não existem livrarias na ilha
da Boa Vista e não há uma política de fornecer manuais aos professores anualmente, no
início de cada ano letivo, como acontece em Portugal. O Governo de Cabo Verde é que
institui os manuais a serem adotados em todas as escolas e fornece esses manuais para
venda, em todas as ilhas, a quantias que vão de cerca de 2€ a 4€ por manual. Isto
acontece do 1º ao 8º ano de escolaridade (que constitui o ensino obrigatório). Para o
ensino secundário não existe nenhum manual em nenhuma disciplina, vendo-se os
professores obrigados a socorrerem-se de fotocópias, internet ou manuais que
consigam fazer trazer de Portugal ou do Brasil. Esta é a realidade, daí que a necessidade
de materiais didáticos seja tão premente.

Prosseguimos para a questão 6, da qual destacamos a mesma conceção da biblioteca


escolar muito mais como um local de trabalho e aprofundamento do estudo, do que

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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propriamente como um espaço de lazer. Realçamos que a hipótese de disponibilização


da Playstation não foi sequer considerada por nenhum dos inquiridos.

Gráfico 9: Tipos de materiais lúdicos que a biblioteca pode disponibilizar, segundo os professores da ESBV.

Na verdade, podemos também considerar que o conteúdo desta questão contém um


certo contrassenso: questiona sobre materiais lúdicos e depois disponibiliza a hipótese
de DVD’s didáticos, que pressupõe uma política de ensino-aprendizagem de aprender,
brincando. A verdade é que mesmo em se tratando de materiais lúdicos, a esmagadora
maioria dos professores inquiridos 86% se inclina para DVD’s didáticos, contra apenas
6% que consideram a aposta numa cultura cinematográfica para a biblioteca, havendo
espaço para 8% dos inquiridos que consideraram os jogos de tabuleiro como materiais
a serem disponibilizados. Mais adiante, neste trabalho apresenta-se uma explicação do
que é o jogo do Uril, muito popular em Cabo Verde.

Gráfico 10: Horário de funcionamento da biblioteca, segundo os professores da ESBV.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Na questão 7, sobre o horário do funcionamento da biblioteca, os resultados também


foram surpreendentes: dos 50 professores inquiridos apenas 16% sente necessidade
que a biblioteca esteja aberta à hora do almoço, contra os 84% que preferem que haja
um intervalo entre o período da manhã e o da tarde. Apesar de sabermos que a escola
funciona em dois períodos e os níveis de ensino são distribuídos pela manhã ou a tarde,
havendo apenas aulas de educação física em período contrário, também consideramos
invulgar uma maioria tão esmagadora dos professores em não escolher um horário sem
hora de almoço para a biblioteca.

Gráfico 11: Funcionamento semanal da biblioteca, segundo os professores da ESBV.

Na questão 8, inquiridos sobre o funcionamento da biblioteca durante a semana, os


docentes maioritariamente (74%) responderam que gostariam que a biblioteca
funcionasse ao sábado, contra 26% que se contentaria com o seu funcionamento de
segunda a sexta-feira. Esta opção da maioria explica-se tendo em conta que em Cabo
Verde há aulas ao sábado, nalgumas escolas apenas na parte da manhã, mas noutras há
aulas também no período da tarde de sábado, daí a opção dos professores.

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Gráfico 12: A implementação da Biblioteca, segundo os professores da ESBV.

A questão 9 é uma pergunta que suscita alguns comentários pela forma tão expressiva
como os professores se manifestaram. 92% dos inquiridos consideram que para a
implementação da BE deve ser feita a contratação de um Bibliotecário que trabalhe em
colaboração com os professores. Apenas 6% afirma que a implementação possa ser feita
por um professor responsável e 2% consideram que a biblioteca dependeria da boa
vontade dos professores. Podemos relacionar esta questão com a questão número 13,
que pretende saber da disponibilidade dos professores para fazer parte da equipa da
biblioteca.

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4.2.3. Dinamização da Biblioteca Escolar

Na questão 10, que inicia a terceira parte do questionário e cujo tema é a Dinamização
da Biblioteca Escolar, solicitámos aos professores que elencassem as atividades lúdicas
que consideram mais importantes a ser disponibilizadas aos alunos.

Gráfico 13: Atividades lúdicas a serem disponibilizadas pela Biblioteca, segundo os professores da ESBV.

Como se pode observar no gráfico, 78% considera que a atividade fundamental numa
biblioteca é a leitura. Novamente, estamos perante uma ideia tradicional do que deve
ser uma biblioteca escolar. Apenas 14% considera a visualização de um filme como
atividade a ser oferecida numa biblioteca e 8% acha que pode ser um local para os
alunos conviverem ou conversarem com outros colegas.

Gráfico 14: Atividades didáticas a serem disponibilizadas na Biblioteca da ESBV, segundo os professores.

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Na questão 11, das atividades didáticas que foram dadas a escolher aos professores,
estudar em grupo ou realizar trabalhos é a que recolhe a maior percentagem dos
inquiridos (40%), seguida da opção de requisição de livros com 38% do total, contra 18%
que considera a Biblioteca como um lugar de pesquisa na internet. Por último surge
como local para a prática de atividades extracurriculares, com apenas 4% dos inquiridos
a selecionar esta opção.

Quase 20 anos sobre a publicação de Humberto Lopes na revista a&b, sobre “Bibliotecas
em Cabo Verde”, a visão redutora de uma Biblioteca como espaço de estudo mantém-
se: “Os alunos do liceu acabam por constituir o principal utente das nossas bibliotecas
uma vez que nelas encontram ao menos um local de estudo” (1999, p.61). A verdade é
que este facto se deve à inexistência de acervo diversificado ou equipamentos
modernos, que tornem atrativas as bibliotecas.

Na questão 12, foi dada a possibilidade de escolher apenas uma de entre várias opções
ou de apresentar uma opção à sua escolha. E neste caso, a realização das atividades
relacionadas com clubes de leitura foi a que recolheu mais opções (30%), seguida da
atividade de Sessões de contos (16%), também ela relacionada com a leitura. Em terceira
opção, ambas com 12% das opções dos inquiridos, encontramos a apresentação de
livros e de encontros com escritores, bem como a realização de Concursos. Ficamos a
saber que 58% dos inquiridos gostaria de participar em atividades relacionadas com a
leitura na Biblioteca.

De destacar nesta questão a percentagem, ainda que reduzida (2% dos respondentes),
que pretende ensinar os alunos a trabalhar nos software matemáticos e os 2% que
gostariam de ver a Biblioteca como um laboratório fonético, conforme o quadro
seguinte:

Opções dadas:
Sessões de contos 16%
Apresentação de livros/Encontros com escritores 12%
Clubes de leitura 30%
Concursos 10%

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Feiras do Livro 4%
Discussão em grupo sobre temas do interesse da Comunidade Educativa -
Exposições temáticas 10%
Grupos de estudo 12%
Outras opções
Todos os anteriores 2%
No Clube de Leitura gostaria que a Biblioteca disponibilizasse uma sala para 2%
trabalharem a escuta e a fonética nas aulas de línguas
Ensinar os alunos a trabalhar nos software matemáticos 2%
Tabela 6 : Atividades que os professores da ESBV gostariam de desenvolver com os alunos na BE. Fonte:
questionário aos professores da ESBV.

A propósito desta questão citamos as diretrizes da IFLA/UNESCO, sobre os Docentes e a


Biblioteca, onde se afirma:

Os docentes que têm uma ideologia educativa mais progressista e aberta


costumam ser utilizadores mais entusiastas da biblioteca (…) podem integrar a
biblioteca como um espaço de ensino, e fazendo isto, afastar-se dos métodos de
ensino tradicionais. Para tornar os alunos activos no processo de aprendizagem e
desenvolver as suas competências de aprendizagem autónoma, os professores
podem cooperar com a biblioteca em áreas tais como: (…) real motivação para a
leitura com os alunos de todos os níveis, individualmente ou em grupo. (2006,
pp.17,18)

Gráfico 15: Disponibilidade dos professores da ESBV em fazer parte da equipa da Biblioteca, segundo os
próprios.

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Vendo as respostas dadas, nenhum dos professores apresenta total disponibilidade para
fazer parte da equipa, optando por colaborar segundo a sua disponibilidade (84% dos
respondentes), ou até apresentar-se como totalmente indisponível para o efeito (16%
dos respondentes). As razões prendem-se com os horários multidisciplinares, horários
mistos, horas extraordinárias, mas também algum desconhecimento por parte dos
mesmos.

A maioria dos professores desconhece a possibilidade de ser Professor-Bibliotecário, à


semelhança do que se consigna na lei portuguesa na Portaria 756/2009, de 14 de julho,
Diário da República, 1.ª série, n.º 134, bem como as suas atribuições. Isto porque em
Cabo Verde ainda não há legislação sobre esta situação. Caso houvesse, aos professores
seria reconhecido o direito de:

Os docentes que se encontram no exercício de funções de professor bibliotecário


são dispensados da componente lectiva, excepto se o número de alunos
matriculados no agrupamento ou escola não agrupada for inferior a 400, cujo
professor bibliotecário tem uma redução da componente lectiva de treze horas.
(Artº2).

Gostaríamos, aqui neste ponto, de aproveitar para lembrar uma afirmação de Ana Maria
Pessoa, apesar de já ter sido feita há algum tempo, consideramos atual e a propósito
desta visão redutora de que a biblioteca deva estar a cargo de um Bibliotecário. A autora
refere:

Alguns docentes, (…), pensam que o professor responsável pela biblioteca/ (…)
deveria ser, em cada escola, um bibliotecário, diplomado. Partilhar esta opinião não
parece ser o mais correcto. Porquê? É óbvio que as tarefas técnicas (catalogação,
classificação, etc.) só devem ser feitas por quem para tal foi preparado. Porém, há
imensas outras actividades que devem ser atribuídas ao professor. A escola deve
promover a pedagogia da documentação e é o professor que a deve aplicar.
(Pessoa, 1994, p.25)

Esta afirmação vem ao encontro da nossa ideia sobre como deve ser um professor
bibliotecário: alguém que pode orientar o aluno na pesquisa de informação,
promovendo a “pedagogia da documentação”.

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A partir desta questão optámos por aumentar a possibilidade de resposta livre e criativa
de cada um dos inquiridos, colocando três afirmações em aberto para serem
completadas pelos respondentes.

Na pergunta 14 do questionário, o inquirido deveria completar a frase: “A Biblioteca


seria melhor se…”.

Os professores responderam com muitas sugestões, algumas semelhantes, outras


divergentes, que optámos por agrupar em temas e assinalar o número de respostas que
obtivemos. Em alguns casos as respostas abordavam dois ou mais dos temas que
selecionámos, como se verifica nos resultados que seguidamente apresentamos:

a. A função que a Biblioteca deve ter: (7 respostas);


b. O público a que se destina uma Biblioteca: (4);
c. A questão da Política de Gestão: (2);
d. O funcionamento e organização da Biblioteca: (12);
e. A questão do trabalho colaborativo: (10);
f. O equipamento necessário a uma Biblioteca: (14);
g. A questão do Bibliotecário: (13);
h. A importância do horário: (2);
i. Não sabe/não respondeu: (1)

Verificamos nestas respostas que os inquiridos abordaram a função da Biblioteca,


considerando-a como uma forma de incentivo à leitura, mas também como um espaço
de consulta de materiais didáticos. A falta de materiais didáticos aparece sempre como
o principal obstáculo colocado pelos professores, que colocam a Biblioteca como uma
fonte de recursos que não encontram disponíveis noutro local.
Numa era como esta em que nos encontramos, onde se pode pesquisar tudo na
internet, os professores desta escola ainda encontram nos manuais escolares o maior
recurso e apoio para a sua prática letiva. E a falta desses manuais e de materiais
didáticos vêm sempre à cabeça da lista das necessidades que, segundo os mesmos, uma
Biblioteca deve colmatar.

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Grande parte dos professores atribui também a melhoria do funcionamento da


Biblioteca à sua organização, à colaboração entre professores e direção e à política de
gestão.

O facto de não haver um Bibliotecário, parece ser também a preocupação de 13 dos


inquiridos, o que revela, uma vez mais, a ideia dos professores que o responsável pela
Biblioteca deve ser alguém qualificado para tal e não um Professor Bibliotecário, como
anteriormente já foi referido. Acerca deste aspeto cabe-nos lembrar as diretrizes da
IFLA/UNESCO (2006) para Bibliotecas Escolares que consigna a criação de uma equipa
da Biblioteca (p.11), descrevendo as suas competências (p.13), que prevê um Auxiliar da
Biblioteca (p.12) e atribui deveres ao Bibliotecário Escolar (p.13). Compete-nos referir
que nesta matéria falta legislação governamental em Cabo Verde, que como já
referimos está em estudo.
No que tange a Política de Gestão da Biblioteca Escolar, cabe-nos salientar que apesar
de a Biblioteca ainda não estar em funcionamento, foi elaborada uma Proposta de
Política de Gestão para ser votada em Conselho Pedagógico no decorrer da
reorganização do espaço da Biblioteca da Escola Secundária da Boa Vista e que se
apresenta em Anexo 2.

Na questão 15, que consistia em completar a frase: “Eu usaria melhor a Biblioteca se…”,
optámos por agrupar as ideias principais também por temas que se assemelharam aos
temas da questão 14, mas que foram mais específicos no que concerne o equipamento
necessário. Os professores abordaram ainda temas como: a necessidade de dinamizar a
biblioteca, disponibilizar materiais didáticos, facultar acesso às Tecnologias de
Informação e Comunicação e à Internet. As opiniões foram agrupadas nos seguintes
temas:

a) Funcionamento da Biblioteca: 8 dos inquiridos;


b) Organização da mesma: 5 dos inquiridos;
c) Necessidade de um Bibliotecário: 2 dos inquiridos;
d) Condições e equipamento: 9 dos inquiridos;
e) Questão de falta de acervo adequado: 12 dos inquiridos;

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f) Problema de falta de materiais didáticos: 10 dos inquiridos;


g) Referência às Tecnologias de Informação e Comunicação: 10 dos inquiridos;
h) Alusão às atividades que a Biblioteca pode proporcionar: 1 dos inquiridos;
i) A questão do Horário de Funcionamento: 3 dos inquiridos;
j) Não sabe/não respondeu: 1

No que tange a questão de um melhor uso da Biblioteca, os professores centraram-se


mais nas questões do material e equipamentos a serem disponibilizados pela Biblioteca.
Se somarmos as questões das alíneas d), e), f) e g) teremos 41 dos inquiridos a referir as
falhas na Biblioteca a nível de equipamento, e em específico: falta de acervos, de
materiais didáticos e de acesso às TIC. Essa é a principal questão quando se refere a
utilização da Biblioteca. O seu funcionamento e organização passam para segundo
plano, sendo apenas referido por 13 dos inquiridos, mas novamente a questão do
Bibliotecário e a do Horário de funcionamento da Biblioteca surgem como entraves à
sua utilização.

Na questão 16 os professores exprimiram livremente as suas opiniões, manifestando um


sério descontentamento sobre o não funcionamento da Biblioteca, bem como a
urgência em alterar essa situação. Os professores manifestaram assim o seu desagrado
e a urgência numa intervenção eficaz no espaço da escola, destinado a Biblioteca, mas
usado como sala de aula. Esta questão serviu não apenas para aferir as opiniões, mas
permitiu, a partir das mesmas, construir o conceito que os professores têm da função
que uma Biblioteca deve ter. Assim, optámos por apresentar os temas referidos pelos
inquiridos e em seguida mostrar detalhadamente esse conceito.

1. Urgência da organização da Biblioteca: 10 dos inquiridos;


2. Necessidade de materiais didáticos: 7 dos inquiridos;
3. Falta de acervo: 6 dos inquiridos;
4. Necessidade de organização: 5 dos inquiridos;
5. Falta de um Bibliotecário: 6 dos inquiridos;
6. Referência à localização e espaço da Biblioteca: 4 dos inquiridos;

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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7. Alusão ao equipamento da Biblioteca: material audiovisual (2), equipamento


informático (3) e necessidade de mobiliário adequado (3);
8. Referência ao Horário da Biblioteca (1);
9. Necessidade de regras de funcionamento para a Biblioteca (2)
10. Importância da divulgação da Biblioteca (2)
11. Alusão à importância da requisição de livros (1);
12. Explicitação da Função da Biblioteca (29).

Nesta questão foi assinalada uma referência ao espaço e localização da Biblioteca, na


alínea 6), que gostaríamos de comentar. Segundo as diretrizes da IFLA/UNESCO (2006,
p.7) a localização da Biblioteca deve ser central, sempre que possível, em piso térreo.
Infelizmente a nossa Biblioteca localiza-se no primeiro andar, o que pode ser um fator
de promoção de desigualdade a médio e longo prazo, por não permitir o fácil acesso a
um aluno que se desloque em cadeira de rodas.

A alínea 10), que refere a importância da divulgação da Biblioteca por dois dos inquiridos
também merece a nossa atenção, pelo facto de estar consignada nas diretrizes
IFLA/UNESCO (2006): “A biblioteca escolar deve dispor de uma política de marketing e
de promoção, especificando objectivos e estratégias”, acrescentando que “é importante
adequar o tipo de promoção à natureza da escola e aos diferentes públicos-alvo.” (p.20).

A questão de requisição de livros também é uma questão bastante delicada no contexto


da ilha da Boa Vista. Infelizmente, na única Biblioteca Municipal existente não é
permitido requisitar livros para levar para casa. Na Escola Secundária, já foi permitido
numa altura em que havia muita diversidade de manuais e outros acervos. Alguns
professores são sensíveis a esta necessidade de requisitar livros para levar para casa.

A partir dos comentários que reunimos na alínea 12, foi-nos permitido explicitar a
função que uma Biblioteca deve ter, segundo os nossos inquiridos, e que vem ao
encontro da análise que fizemos acerca do papel de uma Biblioteca no cumprimento dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, mas que aborda também aspetos das
diretrizes da IFLA/UNESCO.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Segundo os nossos inquiridos, uma Biblioteca tem a função de:

1) Servir a Comunidade Educativa: (3);


2) Local onde se possam realizar pesquisas: (7);
3) Espaço de aquisição de conhecimento: (4);
4) Espaço que proporcione sucesso na aprendizagem dos alunos (1), melhorando o
seu aproveitamento (1) e minimizando a indisciplina (1);
5) Espaço de encontros e de desenvolvimento intelectual (2);
6) Local de convívio e de desenvolvimento da liberdade criativa (1), onde se possa
ver filmes (1) e realizar atividades lúdicas (3);
7) Local onde se criam hábitos de leitura (2) e onde se pode desenvolver um Clube
de Leitura (1).
8) Local para realizar trabalhos de grupo (1)
9) Espaço para desenvolver atividades de prática oral nas disciplinas de língua (1).

Estas funções de uma Biblioteca referidas nas respostas dos professores, remetem-nos
para o Manifesto da IFLA/UNESCO (1999) sobre o papel de uma Biblioteca Escolar no
desenvolvimento das capacidades dos alunos nomeadamente: a nível da Pesquisa:
“resource-based capabilities”; a nível do Pensamento: “thinking-based capabilities”; do
Conhecimento: “knowledge-based capabilities”; a nível da Leitura: “reading and literacy
capabilities” e ainda a nível do Relacionamento Interpessoal: “personal and
interpersonal capabilities”, quando se refere a Biblioteca como local de encontros e de
minimização da indisciplina.

Segundo este manifesto, a missão de uma Biblioteca Escolar deve ser preparar os
estudantes para o seu trabalho futuro e para o pleno exercício da sua cidadania, tal
como assinalou um dos nossos inquiridos quando afirmou que este espaço deve
“contribuir para a formação e cultura do aluno”.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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5. Apresentação das atividades realizadas na escola

Como já foi referido, na intervenção que realizámos com vista à dinamização da


biblioteca da escola secundária da Boa Vista, foram efetuadas várias atividades,
destacando-se em seguida os elementos mais relevantes nesse processo.

5.1 Sessão de Apresentação dos resultados do questionário sobre a Biblioteca


da Escola Secundária da Boa Vista aos Professores

No dia 9 de abril de 2018, pelas 12h, no decorrer da Preparação Metodológica29 e com


a presença da maioria dos professores do Ensino Secundário, foi feita a socialização do
resultado do questionário feito aos professores da referida escola.

A apresentação foi feita em power-point e nela se definiu os objetivos da mesma:

 Dar conta dos resultados do questionário sobre a Biblioteca da Escola Básica e


Secundária da Boa Vista, realizado aos professores no decorrer do mês de janeiro
de 2018;

 Fazer uma reflexão em conjunto sobre a real situação da Biblioteca da Escola, de


modo a conseguirmos mudar o atual estado das coisas.

Também foi explicada aos professores a metodologia usada na realização dos


questionários, bem como o público-alvo a que se destina o questionário: todos os
professores que lecionam na Escola Básica e Secundária da Boa Vista, desde o 5º ao 12º
ano. Os docentes foram também informados que, dos 50 professores aos quais foi feito
o convite de participação, houve uma adesão de 100%. Isto deixou-os bastante
satisfeitos e criou um espírito de união, pelo facto de o coletivo ter entendido que há
uma preocupação comum a todos.

29
A Preparação Metodológica consiste num conjunto de atividades que decorre no início de cada
trimestre nas escolas em Cabo Verde. É um momento em que todos os professores se reúnem e onde são
apresentados temas de interesse pedagógico e as estatísticas do aproveitamento.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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De seguida passou-se à apresentação dos slides, tendo alguns deles despertado mais
discussão e comentários do que outros.

A idade dos professores foi a primeira questão para a caracterização do quadro de


docentes da ESBV e foi curiosa a reação de alguns professores que não tinham a noção
de que 94% dos docentes têm uma idade inferior a 35 anos. Ficou claro que a quase
totalidade dos docentes da escola era muito jovem. Muitos destes professores são
jovens recém-formados que aqui adquirem o seu primeiro emprego.

Uma questão que gerou alguns comentários foi a questão 13, que abordava a
disponibilidade dos docentes para participarem no funcionamento da Biblioteca, e estes
reagiram quando se viram confrontados com o gráfico que revelava que nenhum deles
se apresentou com total disponibilidade para fazer parte da equipa da Biblioteca. Houve
muitos que se justificaram, dizendo que não era por falta de vontade, mas por serem
realistas e não poderem mesmo estar disponíveis senão de acordo com os seus horários.
A percentagem de professores que afirmou ter nenhuma disponibilidade para fazer
parte da equipa pertence ao grupo de docentes com horas extraordinárias ou que
lecionam três níveis de ensino.

Nas questões 14 e 15, os professores surpreenderam-se pela quantidade de temas


referidos, mas que revelam a sua plena consciência das verdadeiras deficiências da
biblioteca.

Quanto à questão 16, verificou-se a satisfação dos professores em poderem ter


exprimido e ter sido registado o real descontentamento sobre o não funcionamento da
biblioteca, bem como a urgência em alterar o real estado das coisas.

Durante a apresentação não houve espaço para muita discussão por uma questão de
tempo, mas no final procedeu-se à apresentação de uma proposta de organização do
espaço da Biblioteca que gerou a intervenção de muitos professores.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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5.1.1 Proposta da organização do espaço apresentada aos professores

A par da apresentação dos resultados do questionário sobre a biblioteca da Escola


Secundária da Boa Vista, foi apresentada a proposta para uma melhor organização do
espaço e foram recolhidas as opiniões dos professores no que diz respeito às áreas em
que se pode dividir a sala da Biblioteca.

Tal como é referido nas diretrizes IFLA/UNESCO (2006, p.7), “quando se planeia uma
nova biblioteca é de considerar a lista de áreas diferentes.” Na nossa proposta aos
professores procurámos integrar essas áreas com a nossa realidade escolar e o público
a que se destina.

Foi apresentada uma planta elaborada pelo professor de Matemática, formado em


Engenharia Civil, Derys Rodrigues, que desta forma se disponibilizou a colaborar com o
projeto da Biblioteca. Acreditamos que se visualizarmos a forma como podemos
organizar o espaço da Biblioteca poderemos assim mais depressa alcançar o nosso
intento de a colocar a funcionar, ainda que rudimentarmente, mas que isso seja um
princípio.

A hipótese baseia-se no espaço que existe na escola secundária, onde já funcionou a


Biblioteca e que, mantendo esse nome, atualmente é usado como sala de aula; também
tem em atenção o público a que se destina.

Com já referimos na análise SWOT, o espaço tem como características principais: as


janelas enormes que iluminam a sala abundantemente, um armário fixo na parede, seis
estantes movíveis e uma coluna ao centro da sala que permite dividi-la exatamente em
quatro partes. A proposta, apresentada aos professores, aproveita essa coluna para
dividir a sala em quatro áreas diferentes, colocando as estantes de forma a provocar a
separação física dessas áreas. A proposta foi a seguinte:

A sala fica separada nos espaços seguintes: Área de Leitura, Área de Trabalho
Colaborativo, Área Web e Área de Lazer. A zona do Professor Bibliotecário situa-se junto
à Área Web e à de Trabalho Colaborativo, pois é nesses espaços que os alunos
necessitam de orientação do profissional.

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Proposta de Planta para Organização do Espaço da Biblioteca Escolar

Figura 9: Proposta de organização da Biblioteca. Fonte: Derys Rodrigues.

a) Área de Leitura, corresponde à zona de leitura informal, proposta pelas


diretrizes da IFLA: “zona de leitura informal para livros e periódicos que
estimulem a literacia, a aprendizagem ao longo da vida e a leitura por prazer”
(IFLA, 2006, p.7). Esta área fica isolada da Área do Trabalho Colaborativo pela
separação feita pelas estantes, mas com acesso à Área de Lazer;

b) Área de Trabalho Colaborativo, espaço que privilegiamos para a elaboração


de trabalhos de grupo, corresponde juntamente com o Espaço Web à “zona
de produção e de trabalho de grupo/trabalho de projecto para trabalho operativo
e de encontro de indivíduos, grupos ou turmas, incluindo recursos para a produção
multimédia” (IFLA, 2006, p.7)

c) Área Web, espaço destinado à consulta de informação pelos alunos, nos


computadores, disponibilizados pela escola, corresponde à zona de produção:

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A biblioteca escolar desempenha uma função importante enquanto portal para a


nossa sociedade actual, cada vez mais baseada na informação. Por esse motivo,
deve disponibilizar acesso a todos os equipamentos necessários: eletrónicos,
informáticos e audiovisuais. Tais como: (…) Postos de trabalho informáticos, com
computadores com acesso à Internet. (IFLA, 2006, p.8)

Consideramos que a Área Web deva ficar junto à zona do Professor Bibliotecário,
também descrita como “zona administrativa para balcão de empréstimo.” (IFLA,
2006, p.7), por acharmos que o a orientação nas pesquisas dos alunos deva ser dada
pelo PB.

d) Área de lazer, onde os alunos possam estar a conversar, a jogar (jogos de


tabuleiro como xadrez, damas ou uril30). Esta última não vem especificada nas
diretrizes da IFLA (2006), mas foi incluída sob proposta da maioria dos
professores, como uma área importante, onde os alunos possam ocupar o seu
tempo de uma forma lúdica, que não seja necessariamente a leitura. Uma
minoria dos professores manifestou o seu desagrado por considerar que a
Biblioteca não deva ser confundida com uma sala de alunos, onde os mesmos
possam desenvolver atividades lúdicas e por considerar que esta Área possa
perturbar o normal funcionamento das restantes, pelo ruído que possa causar.
Na nossa opinião a questão do ruído passa por uma educação na forma de estar
dos alunos que apenas pela prática na frequência de uma Biblioteca se pode
adquirir. Quem nunca esteve numa Biblioteca não sabe o valor do silêncio.

Ilustração 15: Jogo do Uril. Fonte: Centro de Competência entre mar e serra31.

30
Uril: é um dos jogos de tabuleiro mais antigos do mundo, pertencente à família de jogos Mancala.
Disponível em: [Link] [consultado em 25 de
julho de 2019]
31
Foto disponível em: [Link] [consultada em 25 de julho de 2019]

110
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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5.2. O Programa “Rota dos Livros”

O Programa “Rota dos Livros” resultou de uma proposta promovida por um programa
intitulado: “Laboratório do Erro”, promovido pela Escola Secundária de Alexandre
Herculano, que integrou no seu Projeto de 2017, a Escola Secundária da Boa Vista (ESBV),
em Cabo Verde e o Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano (AEAH), no Porto.
Estão envolvidas Ana Rial, responsável pelo Programa “Rotas Solidárias”; Maria José
Pereira e Carla Silva, professoras da Escola Secundária de Alexandre Herculano e Helena
Duarte, professora da Escola Secundária da Boa Vista. O trabalho que estava a ser
desenvolvido neste âmbito acabou por ser depois integrado no projeto de organização
e dinamização da biblioteca escolar, como adiante explicitamos.
O Programa “Rota dos Livros” contou com a parceria de:

Na Ilha Da Boa Vista


• Delegação Ministério da Educação do Concelho da Boa Vista;
• Direção da Escola Secundária da Boa Vista;
• Grupo de Coordenação de Língua Portuguesa
• Projeto Arte e Letra,
• Câmara Municipal da Boa Vista, sector da Educação e Cooperação.

No Porto
 Direção da Escola Secundária de Alexandre Herculano;
 Bibliotecas Alexandre Herculano;
 Junta de Freguesia do Bonfim, pelouro da Educação, Cultura e Lazer;
 Divisão Municipal das Bibliotecas do Porto.
 Câmara Municipal do Porto.

Em que consistiu este Programa?

Pretendeu-se o desenvolvimento de um Intercâmbio entre o Agrupamento de escolas


da Alexandre Herculano, no Porto e a Escola Secundária da Boa Vista, em Cabo Verde,
com os objetivos de:

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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• Promover o contacto entre a realidade dos alunos do agrupamento de escolas


Alexandre Herculano e os alunos da Escola Secundária da Boa Vista.
• Sensibilizar os alunos, de ambas as escolas, para a importância da leitura não só
como forma de enriquecimento ao nível do saber, mas também como forma de
viajar para outros mundos;
• Consciencializar os alunos para a importância de conhecer a sua cultura e a
cultura de outro país;
• Contribuir para o desenvolvimento de competências sociais e profissionais dos
alunos;
• Melhorar o acervo da Biblioteca Escolar da ESBV com a oferta de livros recolhidos
em campanha pelos alunos da Escola Secundária de Alexandre Herculano.

Cronograma das Atividades do Programa Rota dos Livros.

Na Boa Vista o Programa “Rota dos Livros” teve início com as seguintes atividades:

Janeiro de 2017: Leitura e análise dos contos cabo-verdianos do livro Contra Mar e Vento
de Henrique Teixeira de Sousa (“Menos um” e “Barrilinho de azeite”) pelos alunos do
8ºano;

Fevereiro de 2017: Elaboração de trabalhos em power-point sobre a biobibliografia de


Henrique Teixeira de Sousa e sobre o conto “Barrilinho de Azeite”.

Estas atividades estiveram a cargo das professoras de Língua Portuguesa do 8ºano:


Helena Duarte e Missilde Fonseca.

No Porto o Programa “Rota dos Livros” teve início com as seguintes atividades:

Janeiro de 2017

• Estudo dos contos do livro de Teixeira de Sousa, Contra mar e vento;


• Apresentação do Programa nas nove escolas do Agrupamento A.H.
• Angariação de livros pelos alunos para a ESBV;

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Fevereiro de 2017

• Criação de um blogue e uma página do facebook pelos alunos da turma do 10ºB


da Escola Alexandre Herculano para a partilha dos trabalhos dos alunos de ambas
as escolas: [Link]/rotadoslivrosptcv
• [Link]
• Produção de um vídeo sobre a cidade do Porto para divulgação junto dos alunos
da Boa Vista

Atividades em comum entre as duas escolas:


Março de 2017: Atividade de Videoconferência que constituiu o 1º encontro entre os
alunos da turma do 10ºB do AEAH Porto e alunos do 8ºano da ESBV.

 Boa Vista: anfiteatro do Centro de Juventude, dia 20, pelas 9h;


 Porto: auditório da Empresa Tecnológica: BLIP, cidade do Porto.

Atividades desenvolvidas durante a videoconferência:

Troca de experiências musicais, Visualização de trabalhos feitos pelos alunos sobre o


Porto e um filme sobre a ilha da Boa Vista;

Ilustração 16 e 17: Imagens da videoconferência entre a ESBV e a ESAH. Fonte: Facebook.32

32
[Link]
type=3&theater

113
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Atividades desenvolvidas no Porto:

Março de 2018

Envio dos livros recolhidos, em 67 caixotes, por via marítima, para a ilha da Boa Vista.
Uma vez que esse transporte teve de ser executado via Praia, a chegada dos livros foi
morosa;

Atividades desenvolvidas na Boa Vista:

Junho de 2018

Colocação de grades nas janelas da sala da Biblioteca, pela Direção da ESBV, tendo em
conta o facto de a escola ir receber livros e materiais didáticos, provenientes do
Programa a ser desenvolvido.

4 de julho de 2018:

Chegada dos livros, à ilha da Boa vista, doados pela Câmara Municipal do Porto através
da Direção Municipal de Cultura e Ciência. 1344 livros da Biblioteca Municipal do Porto,
que se vão juntar aos 200 livros angariados pelo IESF (Instituto de Estudos Superiores de
Fafe) e aos 552 angariados pelos alunos da ESAH.

17 de julho de 2018

Chegada dos livros à Escola Secundária da Boa Vista, depois de terem sido recebidos
pela Câmara Municipal da Boa Vista, que os desalfandegou e procedeu à entrega, na
pessoa do Secretário para Assuntos da Juventude;

Os livros angariados foram entregues à Escola Secundária da Boa Vista - Cabo Verde no
âmbito do Programa Rota dos Livros promovido pelas Rotas Solidárias em parceria com
o Laboratório do Erro, Escola Secundária Alexandre Herculano, Junta de Freguesia do
Bonfim e Escola Secundária da Boa Vista.33

Início da organização dos livros que teve um interregno durante as férias de verão;

33
Disponível em: [Link]

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Setembro de 2018

Organização dos livros por uma equipa nomeada pela Direção da Escola Secundária da
Boa Vista;

Outubro de 2018

Realização da 1ª Feira do Livro Usado da Escola Secundária da Boa Vista.

Janeiro de 2019

Abertura oficial da Biblioteca Escolar, sem Professor Bibliotecário, apenas com um


grupo de professores, com horário incompleto, indigitados pela Direção.

Atividade final de intercâmbio entre os alunos das escolas.

Junho de 2019

Encerramento do Programa “Rota dos Livros” através de uma visita de estudo dos alunos
portugueses que desenvolveram este Projeto, acompanhados por duas professoras, à
Escola Secundária da Boa Vista. Nesta atividade houve um intercâmbio entre uma turma
de alunos finalistas da ESAH e os alunos da ESBV que se encontravam a frequentar o 10º
ano.

Também houve oportunidade para os alunos da ESAH desenvolverem uma atividade de


Hora do Conto, com alunos da ESBV, e ainda produzirem uma pintura mural numa das
paredes de acesso à Biblioteca.

Ilustração 18: Foto da pintura mural do Programa Rota dos Livros

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5.3. A Feira do Livro Usado

Já muito foi referido neste trabalho que na nossa escola abundavam manuais escolares,
muitos deles usados e outros muito antigos e até em mau estado de conservação, mas
que ocupavam as nossas estantes.

Após a realização do Programa “Rota dos Livros” e com a perspetiva de receber novos
livros para a Biblioteca, vimo-nos na necessidade de criar espaços nas estantes. Assim,
iniciámos um processo de desbaste, tendo sido alguns livros oferecidos e outros
vendidos numa Feira do Livro Usado, a um preço simbólico.

Essa Feira, cujo cartaz apresentamos em anexo, (cf. Anexo 6) rendeu à escola algum
dinheiro que foi investido em melhoramentos da referida Biblioteca, nomeadamente na
instalação de cabides para as mochilas dos alunos, fabricados por um carpinteiro local.

5.4. Organização provisória da Biblioteca

A Biblioteca começou a funcionar a partir do dia 14 de janeiro de 2019, sem Professor


Bibliotecário, nem funcionário a tempo inteiro, mas com a colaboração dos docentes
com horário incompleto. O seu horário de funcionamento é das 8h30 às 11h15 no
período da manhã e das 14h40 às 17h30 no período da tarde, de 2ª a 6ª feira.

Foi elaborado um documento com as Normas de utilização da Biblioteca Escolar.

Começaram a ser desenvolvidas diversas atividades promotoras e dinamizadoras do


espaço que a comunidade docente e discente tanto almejava.

Foi elaborada uma Política de Gestão da Biblioteca a ser apresentada e votada em


Conselho Pedagógico.

Os livros não estão disponíveis para empréstimo para casa, pois ainda não foi feita a sua
catalogação de uma forma sistemática. Apenas podem ser consultados no espaço da
Biblioteca.

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CONCLUSÕES

Chegando ao fim do nosso trabalho de investigação sobre “Educação para Todos em


Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da
Boa Vista”, verificámos que obtivemos ganhos ao desenvolver este Projeto, em duas
vertentes:
Se por um lado adquirimos conhecimentos sobre o tema das Bibliotecas Escolares,
frequentando o Mestrado Gestão de Informação em Bibliotecas Escolares, por outro,
esses conhecimentos serviram como base para a aplicação prática em contexto
educativo, num país onde ainda não está oficializada a existência da BE em rede.

Esta dissertação teve por objetivo principal relatar o modo como uma sala de aula com
estantes e manuais escolares pode ser transformada em Biblioteca Escolar. Ao longo
deste trabalho demos conta do processo que conduziu à metamorfose de um espaço
dentro do recinto escolar que não servia o propósito a que se destinava e se transformou
num local atrativo para toda a comunidade escolar.

Num plano teórico, apresentámos o contexto histórico-social e educativo da jovem


República de Cabo Verde e depois da Ilha da Boa Vista, tarefa que para nós fazia sentido,
pelo enquadramento que pretendíamos fazer sobre a existência das Bibliotecas até às
Bibliotecas Escolares.

Também verificámos em que contexto uma Biblioteca Escolar poderia ser importante
na prossecução do cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável,
procedendo a uma reflexão sobre os desafios da Educação na Sociedade Atual. Nesse
capítulo, procurámos responder às questões que nortearam a nossa investigação e
concluímos que:

a. Uma Biblioteca Escolar pode contribuir para que a Educação seja realmente para
todos, por disponibilizar livros e outros recursos para a melhoria do processo de
ensino-aprendizagem a alunos cuja possibilidade de acesso a livros é reduzida,
quer pelo seu elevado custo, quer pela inexistência de locais de venda dos
mesmos.

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b. Uma BE pode auxiliar a escola a atingir os objetivos do milénio, cumprindo a


diretriz de “Uma educação igualitária que não deixe ninguém para trás”,
promovendo um espaço de conhecimento, mas também de trabalho e de lazer
disponível a todos os alunos, mas também à Comunidade Educativa.
c. O modelo organizativo de uma Biblioteca Escolar na Ilha da Boa Vista deve seguir
as diretrizes da IFLA/UNESCO para as Bibliotecas Escolares, proposto em 2002,
mas de uma forma flexível e adaptável às condições da escola, ao público a que
se destina e a toda a comunidade.

Ao longo deste trabalho, analisámos as potencialidades das Bibliotecas Escolares, nas


suas valências que mais dúvidas suscitavam na sua aplicação nesta escola,
nomeadamente na implementação de uma conceção atual de BE e na promoção de um
Trabalho Colaborativo eficaz entre os professores.

A nossa preocupação em levar a bom termo o nosso intento inicial levou-nos a incluir os
professores da escola em estudo, nas nossas atividades, através da aplicação de
questionários aos mesmos. O que nos permitiu captar a atenção dos docentes, mas
também o seu empenho em participar neste Projeto. As respostas que obtivemos com
esse questionário permitiram-nos traçar diretrizes que resultassem na criação da
Biblioteca Escolar.

Neste processo, há a referir também a interferência de um Projeto que se cruzou com o


nosso a dado momento do percurso. Refiro-me ao Programa “Rota dos Livros”, que
numa das suas diretrizes preconizava o equipamento da nossa biblioteca com um acervo
mais atrativo para os alunos. Esse Programa envolveu alunos e professores dos dois
países: Portugal e Cabo Verde, e resultou no equipamento da Biblioteca da ESBV com
um acervo de 2096 livros, sem custos para a instituição escolar em estudo. No final do
Programa foi realizado um encontro na Biblioteca, onde alunos portugueses e alunos
cabo-verdianos, participantes no Programa, promoveram uma atividade que assinalasse
o seu término.

Houve uma preocupação da nossa parte em manter informados os alunos, da escola em


estudo, deste nosso intento de colocar a biblioteca em funcionamento, tendo havido
espaço para a participação dos mesmos no Programa Rota dos Livros. Inicialmente no

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nosso plano queríamos incluir também questionários aos alunos, mas por motivos
organizacionais não foi possível fazê-lo. No entanto, o facto de estarmos em contacto
direto com os alunos em ambiente de sala de aula, permitiu-nos perceber a ânsia com
que os alunos acompanhavam este processo e demandavam pela abertura urgente do
espaço da biblioteca, como Biblioteca Escolar. O envolvimento dos alunos é tão grande
que a própria Associação de Estudantes desta escola, procurou meios para que fossem
financiados computadores com ligação à internet, tendo apresentado um projeto a uma
operadora de telecomunicações com representatividade na ilha. Neste momento
aguardam confirmação do apoio.

Esperamos ter apresentado ao longo desta dissertação, de uma forma clara e concisa:
os objetivos que nortearam o nosso trabalho, todo o processo que desenvolvemos para
cumprir esses objetivos e por fim os ganhos que conquistámos.

Resta-nos reforçar a ideia exposta no provérbio inglês que ao longo de todo este
trabalho árduo, mas gratificante, inspirou a nossa conduta: “Where there’s a will, there’s
a way”.34 Nada é impossível de realizar quando há uma vontade para o fazer, mas
quando se juntam várias vontades a uma só, tudo se torna muito mais exequível.

34
Tradução nossa: “Onde há uma vontade, há um caminho”

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SUGESTÕES

Em seguida apresentamos algumas sugestões que nos foram transmitidas ao longo de


todo este processo, tanto pelos professores com os quais contactámos, como pela
consulta de temas relacionados com a Promoção da Biblioteca Escolar. Assim achamos
pertinente elencar algumas dessas atividades que são passíveis de ser realizadas na
Biblioteca Escolar da Escola Básica e Secundária da Boa Vista.

 Realização de feiras do livro com o objetivo de angariar fundos para a compra de


livros mais atualizados e de acordo com os interesses da população estudantil;
 Promoção de atividades lúdicas e pedagógicas, em parceria com os professores
para angariar fundos para a compra de livros;
 Promoção de atividades que divulguem e valorizem os livros existentes na BE,
incutindo nos jovens o espírito de gratidão e de partilha;
 Execução de Projetos e convites a parcerias com editoras cabo-verdianas e com
a Biblioteca Nacional;
 Organização do Concurso de Logotipo e Mascote da Biblioteca no seio dos alunos
da escola onde a mesma se encontra inserida;
 Pintura de paredes da Biblioteca com os desenhos concebidos pelos alunos;
 Pintura das escadas de acesso à Biblioteca com as máximas do escritor Daniel
Pennac sobre os 10 direitos inalienáveis do leitor;
 Promoção do Dia do Livro, do Dia do Livro Infantil, e de outras datas
comemorativas pertinentes de serem comemoradas com atividades
extracurriculares;
 Realização de exposições de caráter cultural, por exemplo de autores luso-
caboverdianos;
 Lançamento de livros ou convite a escritores e autores cabo-verdianos e
estrangeiros a participarem em conversas abertas sobre as suas atividades
literárias;
 Promoção do Projeto: “Um turista, um livro” para equipamento da Biblioteca
com acervo recente e diversificado. Este Projeto baseia-se na tentativa de

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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contornar a maior dificuldade para equipar uma Biblioteca em Cabo Verde que
é o transporte. A ideia é que os alunos da escola elaborem um folheto a distribuir
nas agências de viagens, via digital, de forma a que cada turista que compre
passagem de férias para a Boa Vista, seja convidado a trazer um livro na mão e
que o ofereça à Biblioteca. Num avião com duzentos passageiros podem vir cem
livros ou mais, no voo semanal de Lisboa.

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RECOMENDAÇÕES

Em termos mais amplos, consideramos que há também um conjunto de ações que


podem conduzir a um melhor conhecimento da realidade nacional no que concerne às
bibliotecas, e consequentemente, a uma atuação mais consentânea com os desafios
educativos que todos enfrentamos, sempre partindo da verificação consolidada em
vários países, nomeadamente em Portugal, de que a biblioteca escolar, quando bem
apetrechada e dinamizada constitui uma valência pedagógica de grande importância no
apoio ao sucesso educativo dos alunos. Assim, neste plano recomendamos:

 Criação de uma Comissão Nacional de Bibliotecas Escolares que trabalhe para a


implementação de uma rede de BE;
 Recolha de dados sobre todas as Bibliotecas Escolares existentes no país;
 Publicação dos dados sobre Bibliotecas Escolares em Estudos Estatísticos do
Ministério da Educação;
 Publicação de legislação sobre Bibliotecas Escolares, Professores Bibliotecários,
bem como do funcionamento em Rede;
 Criação de uma página Web que ponha em contacto todas as Bibliotecas
Escolares do país;
 Organização de ações de capacitação para profissionais que queiram assumir a
organização das BE nas diversas ilhas;
 Criação de um Plano Nacional de Leitura;

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ANEXO 1: MATRIZ DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES

SECÇÃO OBJETIVO QUESTÃO OPÇÕES


 Apresentação do
autor do estudo;
Apresentação

1  Explicação do âmbito
do questionário;
 Explanação do
objetivo do
questionário.
entre 20 e 25 anos
• Caracterizar a idade Qual a sua idade? entre 26 e 35 anos
dos inquiridos; entre 36 e 45 anos
mais de 46 anos
• Caracterizar a M
distribuição de Sexo F
professores quanto ao
sexo;
A. Caracterização

• Caracterizar as Disciplina (s) que Questão aberta


disciplinas que leciona
lecionam os
2 professores;
• Identificar os níveis de Níveis de ensino que 5º,
ensino que lecionam leciona 7º, 8º,
os professores; 9º, 10º,
11º, 12º
outra opção

• Saber há quanto Há quanto tempo há menos de 1 ano;


tempo cada professor leciona nesta escola? entre 1 e 5 anos;
leciona na escola em entre 5 e 10 anos;
estudo; há mais de 10 anos;
• Saber se os inquiridos 1. Conhece alguma Sim
conhecem alguma Biblioteca Escolar? Não
Biblioteca Escolar;
• Saber se conhece o 2. Conhece o espaço Sim
espaço da Biblioteca da Biblioteca da Não
B. Gestão e organização da Biblioteca

Gestão e organização da Biblioteca

da ESBV; ESBV?
• Verificar se os 3. Já usou a Sim
inquiridos já usaram a Biblioteca da Não
Biblioteca da ESBV; ESBV?
• Interrogar os 4. Considera que a
inquiridos sobre se Biblioteca Sim
acham que a funciona Não
Biblioteca funciona; adequadamente?
3
falta de empenho da direção;
falta de empenho dos
• Solicitar que escolham 4.1. Se respondeu professores;
a opção que mostra os afirmativamente, falta de salas na escola;
B.

motivos do seu não qual o motivo para falta de acervos adequados a


funcionamento; que não funcione? uma biblioteca
falta de 1 Bibliotecário
outra opção
3

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OBJETIVO QUESTÃO OPÇÕES


• Questionar sobre os 5. Que tipo de Livros de histórias
materiais de suporte materiais de suporte Livros de BD
escrito que gostaria de escrito gostaria de ter Enciclopédias
encontrar na ao seu dispor na Dicionários/Gramáticas
Biblioteca da escola; Biblioteca da escola? Manuais escolares
Jornais/Revistas
Outra opção
• Saber que materiais 6. Que materiais DVD’s didáticos
lúdicos gostaria de ver lúdicos acha que a DVD’s de filmes
disponibilizados na Biblioteca pode CD’s de música
Biblioteca; disponibilizar? Jogos de tabuleiro (xadrez,
damas, uril)
Playstation
3 Outra opção
• Saber a opinião dos 7. Qual seria o horário 8h-12h/14h-18h
inquiridos sobre qual o de funcionamento 8h-18h (sem hora de almoço)
Horário que mais adequado à Outra opção
consideram mais Biblioteca?
adequado à
Biblioteca;
• Saber junto dos 8. Quanto a si a
inquiridos qual o seria Biblioteca serviria de 2ª a 6ª feira
o melhor período de melhor a comunidade
funcionamento educativa se de 2ª a sábado
semanal; funcionasse:
outra opção
Organização da mesma por
um professor responsável e
um grupo de colaboradores;
Organização da mesma por
• Questionar sobre o 9. Como acha que deva todos os professores
modelo de ser feita a interessados em colaborar;
implementação da implementação da Contratação de um
Biblioteca no que Biblioteca? Bibliotecário que trabalhe em
tange os recursos colaboração com os
humanos; Organização da mesma professores
por: Outra opção
• Solicitar que os 10. Que atividades Ler
inquiridos selecionem lúdicas considera mais Jogar
as atividades lúdicas importantes que a
Dinamização da Biblioteca Escolar

Ver um filme
que consideram mais Biblioteca possa Ouvir música
pertinentes na BE; disponibilizar aos Conviver/conversar com
alunos? outros colegas
Requisitar livros ou outros
materiais para casa
4 • Solicitar que os 11. Que atividades Fazer pesquisas na Internet
inquiridos selecionem didáticas julga Estudar em grupo
as atividades didáticas fundamentais que uma Fazer os trabalhos de casa
que consideram mais Biblioteca permita aos Participar em atividades
pertinentes na BE; alunos? extracurriculares
C.

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SECÇÃO OBJETIVO QUESTÃO OPÇÕES


Sessões de contos
Apresentação de
• Saber que atividades 12. Que atividade livros/Encontros com
os professores gostaria de escritores
gostariam de desenvolver com os Clubes de leitura
desenvolver com os seus alunos na Concursos
seus alunos na Biblioteca da escola? Feiras do livro
Biblioteca; Discussão em grupo sobre
temas do interesse da
comunidade educativa
Exposições temáticas
Grupos de estudo
4 Outra opção
c. Dinamização da Biblioteca Escolar

Verificar •
a [Link] a sua
disponibilidade dos disponibilidade para
inquiridos para fazer parte da equipa
colaborarem na da Biblioteca Escolar?
equipa da Biblioteca
Escolar;
• Dar oportunidade a 14. Complete a frase: A Questão aberta
que os inquiridos Biblioteca seria melhor
respondam se…
livremente à questão
sobre como a
Biblioteca poderia ser
melhor;
• Dar oportunidade a 15. Complete a frase: Questão aberta
que os inquiridos Eu usaria melhor a
respondam Biblioteca da escola
livremente à questão se…
sobre como usaria
melhor a Biblioteca;
• Dar oportunidade a 16. Espaço para outros Questão aberta
que os inquiridos comentários e opiniões
deixem os seus que ache pertinentes
comentários e acerca da Biblioteca da
opiniões sobre a escola.
Biblioteca da escola.
5 Mensagem de agradecimento aos participantes do questionário.

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ANEXO 2: QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES

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ANEXO 3: RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO AOS PROFESSORES SOBRE A BIBLIOTECA


DA ESCOLA SECUNDÁRIA DA BOA VISTA

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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149
Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ANEXO 4: IMAGENS DA BIBLIOTECA DA ESCOLA SECUNDÁRIA DA BOA VISTA (ANTES)

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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ANEXO 5: IMAGENS DA BIBLIOTECA DA ESCOLA SECUNDÁRIA DA BOA VISTA


(ATUALMENTE)

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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1ª feira do
livro usado
EVENTO PARA
QUANDO TODAS AS IDADES

18 de outubro 2018 COM


9h30-11h30 Grupo Disciplinar de
15h30-17h30 Língua Portuguesa

Comissão de
ONDE Informação, Cultura
e Desporto
pátio da Escola Secundária
Comissão de
da Boa Vista Finalistas de 12º
ano, 2018/19

PREÇO DOS
LIVROS
50$00

BENEFICIÁRIOS
Alunos
Professores
Comunidade Escolar

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Educação para Todos em Cabo Verde: o contributo da biblioteca escolar. O caso da Escola Secundária da Ilha da Boa Vista
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