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Dip Resumos

O documento aborda a evolução e a importância dos tratados internacionais após a II Guerra Mundial, detalhando sua definição, classificações e o processo de conclusão conforme a Convenção de Viena. Ele descreve as fases de negociação, assinatura e ratificação, além de discutir as especificidades dos tratados bilaterais e multilaterais, incluindo regras sobre reservas e o papel do depositário. A análise também inclui a validade das ratificações imperfeitas e os efeitos jurídicos das reservas nos tratados.

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O documento aborda a evolução e a importância dos tratados internacionais após a II Guerra Mundial, detalhando sua definição, classificações e o processo de conclusão conforme a Convenção de Viena. Ele descreve as fases de negociação, assinatura e ratificação, além de discutir as especificidades dos tratados bilaterais e multilaterais, incluindo regras sobre reservas e o papel do depositário. A análise também inclui a validade das ratificações imperfeitas e os efeitos jurídicos das reservas nos tratados.

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DIP – RESUMOS

OS TRATADOS INTERNACIONAIS, NOÇÃO, CLASSIFICAÇÕES E


PROCESSO DE CONCLUSÃO
Depois da II Guerra Mundial é que o recurso aos tratados internacionais como forma usual de criação de direitos e
deveres internacionais tornou-se mais frequente, até então não haveria mais que 80.000 tratados de paz.

Tratado: Hoje é o instrumento internacional mais utilizado na cooperação internacional.

Art. 102º CNU – Determina que todos os tratados e todos os acordos internacionais concluidos por qualquer
membro das Nações Unidas, depois da entrada em vigor desta Carta, deverão, dentro do mais breve prazo
possível, ser registados e publicados pelo Secretariado.
- United Nations Treaty Series

Art. 28º nº1, Estatuto do TIJ


1 – O Tribunal , cuja função é decidir em conformidade com o direito internacional as controvérsias que lhe forem
submetidas, aplicará:
a) As convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que estabeleçam regras expressamente
reconhecidas pelos Estados litigantes;

Isto não significa que esteja em 1º lugar numa eventual hierarquia de fontes.

Convenção de Viena
- O direito comum ou geral dos tratados abrange normas sobre conclusão de tratados, aplicação, validade e
eficácia.
Estão codificadas na Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados.
- Entrou em vigor em 27 de Janeiro de 1980, Portugal só ratificou em 2003.

Há mais uma Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações
Internacionais ou entre Organizações Internacionais (20 março de 1986).

Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados

Artigo 1º e 2º - apresenta a definição de Tratado


- A definição não corresponde a um conceito jurídico, apenas delimita o que se entende por tratado para
efeito da CVDT.

Tratado
 Acordo de vontades, em forma escrita, regido pelo direito internacional entre sujeitos de direito
internacional, agindo nesta qualidade, de que resulta a produção de efeitos jurídicos.
 Ato voluntário, aplicando as regras da teoria geral do negócio jurídico, em forma escrita, excluindo os
acordos verbais da CVDT que não exclui o valor jurídico de tais acordos, sendo que os tratados estão
sujeitos a registo e a regências constitucionais dos direitos internos que implicam texto escrito.
 Praticado por sujeitos de direito internacional (Estados), excluindo-se em regra os Estados federados e os
próprios Estados quando agem despidos do seu ius imperii.
 Produz efeitos jurídicos, o que exclui as declarações meramente políticas e os gentlemen´s agréments.

Terminologia
Pode ser: Convenção, Pacto, Carta, Estatuto, Constituição, Acordo.

Convenção: Normalmente usado para o tratado em que uma das partes é uma Organização Internacional ou é
celebrado sob a égide de uma Organização Internacional.

Termos mais utilizados: Tratados e Convenções


- EX: ART. 36º nº2 al. a) do estatuto do Tribunal Internacional de Justiça que refere tratado.

Classificações de Tratados
Os mais importantes são: Tratados-leis e Tratados-contrato (quanto ao conteúdo das estipulações)

Tratados-lei:

 Criação de regras de direito pela vontade conforme das partes.

Tratados-contrato:

 Implicam a estipulação recíproca entre as partes das respetivos prestações e contra prestações.

Tratados- constituição:

 Tratados que instituem uma Organização Internacional e que assim contêm as regras fundamentais que
regem a Organização Internacional.

Quanto ao número de partes:


 Tratados bilaterais (2 partes)
 Tratados Multilaterais (vários)

Tratados bilaterais:

Podem abranger, de cada uma das partes, vários Estados ou Organizações Internacionais (tratados de paz que
agrupam de um lado vencedores e do outro os vencidos – ex: tratados que puseram fim à II Guerra Mundial, com
Itália [1947] e com Japão [1952]).

Tratados multilaterais:

As partes são muito numerosas, e portanto é um tratado coletivo.

Se tende para a Universalidade, é:


- Tratado multilateral geral ou Tratado multilateral normativo
Pretende conter uma disciplica potencialmente aplicável a todos os membros da Comunidade Internacional

a) Tratados gerais
- Direito convencional geral

b) Tratados restritos
- Direito convencional particular ou especial

Quanto à necessidade de ratificação:


 Tratados Solenes (celebrados de forma tradicional, exigem sempre ratificação
 Acordos em forma simplificada (não carecem de ratificação).

Processo de conclusão de tratados – Parte II da Convenção de Viena (ART. 6º a 25º)

Aspetos regulados pelo Direito Internacional


Processo com 3 fases: Negociação, assinatura, retificação.

1º Negociação
- tratado vai ser concebido, elaborado e redigido

A negociação é efetuada por plenipotenciários, com plenos poderes (Chefe de Estado, art. 2º nº1 al. C, CVDT)
Artigo 8º - gestão de negócios

A negociação pode ser efetuada por:


- via diplomática, os agentes devem ter plenos poderes especiais
- Ou conferência diplomática que consiste numa reunião de plenipotenciários

Artigo 7º CVTD - há entidades que se presume estarem sempre autorizadas a negociar tratados, para evitar a
constante emissão de plenos poderes.

Nesta fase o objetivo é conseguir o acordo dos plenipotenciários quanto ao texto do tratado.
Deve ser aprovado por:
- voto unânime de todos os 2/3 em caso de aprovação em conferência (artigo 9º CVDT – prática Internacional)

Depois da fixação do texto, passa-se à redação do mesmo: articulado, preâmbulo (partes, motivos, objeto,
local) e anexos.

Língua do Tratado
Depende das partes intervenientes.
- Pode ser redigido em várias linguas e aí haverá várias versões autênticas (ou seja, todas as versões são
obrigatórias)
Séc. VIII – latim (lingua mais usada)
Séc. XIX- francês
Séc. XX – várias linguas

2º Assinatura
Implica a assinatura dos plenipotenciários.

Tratado Solene – a assinatura não equivale ainda a vinculação do Estado ao tratado.

Gere os seguintes efeitos jurídicos:


- exprime o acordo formal dos plenipotenciários quanto ao texto do tratado
- produz para o Estado signatário o direito de ratificar o tratado
- devem os Estados abster-se de atos que privem o tratado do seu objeto ou fim - princípio da boa-fé (art. 18º
CVDT).
- autentica o texto do tratado, que fica definitivamente fixado (art. 10º alínea b da CVDT)
- marca a data e o local de celebração do tratado, pois a ratificação é posterior e é feita em datas diferentes por
cada um dos Estados.

Acordos em forma simplificada e ultra simplificada – a assinatura pode vincular imediatamente os Estados se
os plenos poderes abrangerem a faculdade de assinar (art. 12º nº 1 al. c CVDT)

- Se não poder assinar, a plenipotenciário ou apõe no texto as suas iniciais (rubrica) ou assina ad referendum,
ficando as assinaturas definitivas para mais tarde (Art. 10º CVDT). Assinatura, sob reserva de aceitação, que tem
de ser confirmada pelo Estado respetivo (Art. 12º nº2 al. b CVTD)
- A assinatura pode ter efeitos diferentes para os respetivos Estados, podendo, de acordo com o direito
constitucional respetivo, valer como tratado solene para uns e como acordo em forma simplificada para outros.

3º Ratificação

Ato jurídico individual e solene em que o órgão competente do Estado afirma a vontade deste se vincular ao
tratado, cujo texto foi por ele assinado (Art. 2º nº1 al. b CVDT / Art. 14º -> referem também a aceitação, aprovação
e em termos similares, a adesão).
- Ato político ou de Governo, por isso é insidicável pelos tribunais administrativos.
- Ato livre, a menos que haja um dever de ratificar estipulado por um tratado anterior. A recusa de ratificação
pode resultar de motivos internos sendo célebre a recusa de ratificação americana do Pacto da Sociedade
das Nações (SDN).

Não há dever jurídico de ratificar. Em regra, é o chefe de Estado que emite a carta de ratificação, incorporada
no instrumento de ratificação, a que é junto o texto do tratado. Depois procede-se à troca de ratificações.
- A ratificação exprime a vontade do Estado no plano Internacional e processa-se nos termos previstos nas
diversas constituições sendo livre mesmo quanto ao prazo.

RATIFICAÇÕES IMPERFEITAS

REGRAS ESPECÍFICAS SOBRE TRATADOS MULTILATERAIS

Ratificações imperfeitas

No processo de conclusão de um tratado, pode suceder que o Estado não respeite os requisitos formais
estabelecidos no seu direito interno, do seu direito constitucional.
EX: As formalidades definidas para aprovação parlamentar do tratado, exigências quanto ao plenipotenciário.

- Em que medida é que essa irregularidade formal na conclusão de um tratado Internacional afeta a validade da
vinculação do Estado no plano Internacional.
Problema das ratificações imperfeitas.
 Solucionada pelo artigo 46º CVDT

A solução:
- É a validade internacional do tratado, salvo se a violação do direito interno é manifesta (evidente) e não diz
respeito a uma norma interna de importância fundamental.
V. artigo 277º, nº2 CRP
Se a ratificação for feita por organização internacional, pode haver vários órgãos intervenientes, havendo um
órgão competente para ratificação (artigo 218º TFUE)

Acordos em forma simplificada

- Surgiram, por dispensar a ratificação, normalmente sendo assinados pelo órgão executivo = executive
agréments

Não é a importância da matéria que faz com que uma convenção internacional seja objeto de tratado solene ou
de acordo em forma simplificada.
Em princípio, é a própria convenção que indica se está sujeita ou não a ratificação. E se nada estipular? A CVTD
nada dispõe sobre o assunto que fica assim indefinido perante o direito Internacional.
É o Direito Constitucional dos Estados a definir quais as matérias que podem ou não ser objeto de um acordo de
forma simplificada (o mesmo tratado pode ser solene para uma parte e não ser para a outra parte).

Regras dos tratados multilaterais

Os tratados apresentam problemas específicos que convém considerar (ex: problema da adesão e das reservas).

Na elaboração do tratado, este é adotado numa conferência Internacional convocada para o efeito ou no âmbito
de uma Organização Internacional, sendo neste caso aprovado por resolução.
E por votação maioritária – artigo 9º nº2 CVDT

Fala-se em adoção do tratado.


- Os que votaram contra por vezes assinam ou ratificam mas com reservas.
A assinatura pode fazer-se no texto do tratado ou da ata final da conferência em que o texto tenha sido
consignado – artigo 10º al. b) CVDT

A participação dos Estados pode dar-se pela assinatura, e depois pela ratificação.
- Mas o tratado pode estar aberto a outros Estados que não participaram na sua negociação = Tratado Aberto

A abertura do tratado aberto pode ser:


- A abertura pode ser maior ou menor (em termos geográficos, políticos ou económicos)
- Total (aberto a todos os Estados – v. Artigo 4º CNO)
- Sem restrições (v. Artigo 84º CV sobre o Direitos dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais)
- Com restricões (tratado semiaberto)

O próprio tratado pode exigir a unanimidade para a adesão de novos Estados (v. Artigo 49º do TUE).

A participação dos Estados pode ter lugar ainda através da assinatura diferida ou da adesão.

Assinatura diferida:
- O Estado ou participou na negociação e não assinou na ocasião própria ou não participou e assina no período
em que o tratado fica aberto à assinatura dos Estados que não participaram na negociação inicial.
Na adesão, o Estado que não participou na negociação do tratado exprime o seu consentimento definido quanto
ao texto e vincula-se a ele (v. Artigos 11º e 15º CVDT)

Tratados multilaterais – instrumentos de ratificação e adesão:


- Os instrumentos de ratificação e adesão não são trocados, mas depositados junto de uma entidade que é
escolhida como depositária e que nas organizações internacionais normlamente é o secretário geral respetivo.
- Se não for uma Organização Internacional ou esta ainda não estiver instituída, a prática internacional é a de
escolher governo do Estado em cujo território se realizou a conferência de onde provém o tratado.
EX: O governo dos Estados Unidos da América é o depositário da CNU (adotada na conferência de S. Francisco).

A entrada em vigor do tratado depende do depósito de um certo número de ratificações.


EX: artigos 77º e 78º CVDT

Por vezes faz-se depender a participação dos Estados não da adesão ou da ratificação, mas da aceitação.
Engloba tanto a adesão como a ratificação ou qualquer outra forma de participação que seja válida segundo o
direito constitucional dos Estados.
Este termo é empregue para permitir que se possa dispensar, quando internamente possível o processo de
ratificação (v. Artigo 2º nº1 al. b) CVDT).

As reservas. O depósito, registo e publicação dos tratados. A interpretação dos tratados.

Reserva:
- Declaração feita por um Estado, em determinado momento do processo de conclusão do tratado, em que este
manifesta a sua vontade de se eximir de uma ou mais obrigações dele resultantes ou de exprimir o entedimento
que se dá a essas obrigações.
Definição de reserva: artigo 2º nº1 al. a) CVDT

Mas nem sempre as reservas são admissíveis ou aceites

Regime das reservas: artigo 19º a 23º CVDT

Momento da formulação: v. proémio do artigo 19º

Inadmissibilidade:
Alínea A) As reservas podem ser proibidas pelo tratado.
Alínea B) Se permitidas determinas reservas, pode a reserva formulada não estar incluída.
Alínea C) Nos restantes casos, podem ser incompatíveis com o objeto e fim do tratado.

Nos tratados celebrados entre um número restrito de Estados, pode a reserva exigir a aceitação de todas as
partes (artigo 20º nº2)

Nos tratados constitutivos de organizações internacionais, pode a reserva exigir a aceitação do órgão competente
dessa organização (artigo 20º nº3)

Nos restantes tratados, a reserva em regra exige:


- A aceitação pelos Estados partes no tratado.
- A não aceitação implica a formulação de objeção à reserva, devendo ser expressamente manifestada se o
Estado que formulou a objeção pretende que o tratado não entre em vigor entre ele e o Estado que formulou a
reserva (artigo 20º nº4 al. b).
- Pode haver aceitação implícita da reserva nos 12 meses seguintes à data em que recebeu a notificação (artigo
20º nº5)

Efeitos jurídicos das reservas e objeções às reservas:


- Os efeitos jurídicos refletem-se nas relações entre o Estado que formolou a reserva e o Estado aceitante, mas
não quanto às outras partes (artigo 21º CVDT).
- A reserva e a objeção podem ser retiradas a todo o tempo, e por escrito (artigo 22º e 23º nº4)

Procedimento aplicável – artigo 23º

As reservas não se confundem com as declarações interpretativas que se limitam a esclarecer o alcance ou a
interpretação a dar a uma ou algumas disposições do tratado, mas cuja intenção não é o de o Estado se eximir ao
seu cumprimento.

Depósito dos tratados

Nota-se que o destinatário tem importantes tarefas de custódia do tratado e do correspondente processo de
ratificações.
O regime jurídico do depósito está contemplado no artigo 76º CVDT, que refere à escolha do depositário,
prevendo-se que pode ser um ou mais Estados, uma organização internacional ou o principal funcionário
administrativo de uma organização internacional.
EX: A própria CVDT é depositada junto do Secretariado-Geral da ONU (artigo 85º nº1 CVDT)

Os Tratados são objeto de registo e publicação

Registo:
- artigo 102º ONU
- Nº1 = Estabelece um dever jurídico que abrange os membros da ONU de registo dos tratados e acordos
que venham a concluir.
- Nº2 = É mais vasto, abrange todos os Estados e outros sujeitos de Direito Internacional, mesmo não
membros da ONU, e estipula um ónus para estes que, não satisfeitp, gera inoponibilidade do tratado não
registado perante os órgãos da ONU, incluindo o TIJ.

Publicação prevista: artigo 80º CVDT

Recueil des Traités / Treaty Series = está disponível online no sítio na Internet das NU.

A determinação das normas contidas no tratado efetua-se pela sua interpretação.


Em direito Internacional esta levanta algumas dificuldade, dadas as grandes diferenças com a interpretação do
direito interno.

O objeto da interpretação do tratado é, desde logo, a averiguação da vontade das partes.


- A principal regra da interpretação é a boa-fé, sendo que os tratatos são negócios bone fide e devem ser
interpretados de forma a excluir a fraude (artigo 31º nº1 CVDT)
Daí decorre:

I. Regra do efeito útil – O tratado não pode ser privado de efeito prático;
II. A interpretação não pode conduzir a um resultado absurdo (artigo 32º al. a));
III. Efeitos implícitos – Pode dever ser considerado não apenas o que está expressamente consignado mas
também o que for dispensável para a realização dos fins do tratado;
IV. Interpretação teleológica – Interpretação de acordo com os fins prosseguidos pelo tratado (artigo 31º nº1)

Os métodos de interpretação são os tradicionais como o:


- elemento literal = artigo 31º nº1
- elemento sistemático = artigo 31º nº1
- elemento teleológico = artigo 31º nº1
- elemento histórico = artigo 32º
- Interpretação atualista – artigo 32º nº3 al. a) e b)
Pode haver interpretação restritiva, não sendo geralmente admitida a interpretação extensiva por poder
implicar limitações à vontade dos Estados.

Efeitos dos tratados em relação a terceiros

Cessação da Vigência de Tratados

Os tratados produzem efeitos em relação a terceiros?

A regra geral é a regra res inter alios acta nec nocere nec prodesse potest, pois pacta tertiis nec nocent nec
prosunt.

Que os terceitos Estados devem respeitar os tratados celebrados por outros Estados resulta desde logo do facto
de não estarem vinculados a eles, pois eles normalmente só produzem efeitos inter partes.

Regra – inter alios acta (artigo 34º CVDT)


- Um tratado não cria direitos nem obrigações para um terceito Estado sem o consentimento dele.

Artigo 35º CVDT - Contempla o regime dos direitos.


Artigo 36º CVDT – Regime das obrigações
Artigo 37º CVDT – Estipula os termos em que pode ter lugar a revogação ou modificação de obrigações ou de
direitos de terceitos Estados.

A manifestação do consentimento do terceiro Estado, seja qual for o momento em que esse consentimento se
manifesta ou a forma utilizada, é imprescindível. Pode, contudo, esse consentimento ser expresso, por escrito,
ou implícito, resultando de um comportamento.

Artigo 38º CVDT – Determina a cedência daqueles preceitos quando se trate de uma norma consuetudinária de
direito internacional. Ou seja, os tratados internacionais podem produzir efeitos em relação a terceiros com se
fora uma norma consuetudinária.
Há que distinguir os efeitos obrigacionais dos tratados para com terceiros da oponibilidade erga omnes do
tratado.
EX: a oponibilidade erga omnes de um tratado bilateral de fixação de fronteiras.

A extinção (definitiva) ou a suspensão (provisória) da eficácia de um tratado dá-se por um facto jurídico ou ato
jurídico posteriores à conclusão do tratado e ao preenchimento das condições perfetivas da respetiva eficácia.

As causas de cessação de vigência dos tratados previstas na CVDT são:

I. As que decorram do próprio tratado, incluindo a caducidade ou suspensão por termo final, condição final
ou por execução integral do tratado.
- artigo 54º al. a)
- artigo 57º

II. A perda do número necessário de partes


- artigo 55º

III. A revogação, positiva ou meramente negativa, ou suspensão por acordo entre todas as partes
- artigo 54º al. b)
- artigo 57º al. b)
- artigo 59º

IV. A extinção ou suspensão da vigência por ato jurídico unilateral discricionário o qual toma o nome de
denúncia nos tratados bilaterais e de recesso nos tratados multilaterais.
- artigo 54º al. a)
- artigo 57º

V. Artigo 60º - invocação da exceção do não cumprimento


Artigo 61º - impossibilidade superveniente decorrente de circusntâncias de facto
Artigo 63º - ou da rutura de relações diplomáticas
Artigo 62º - alteração fundamental das circusntâncias relativamente às que existiam no momento da
conclusão do tratado e que não fora prevista pelas partes (cláusula rebus sic stantibus)
Artigo 64º - revogação por norma costumeira iuris congentis contrária

Importa deixar recordado que em relação aos tratados de delimitação de fronteiras bem como àqueles em que as
partes tenham previsto ou causado a alteração de circunstâncias não pode ser invocada a cláusula rebus sic
stantibus – artigo 62º, nº 2.

Nem sempre estas causas conduzem em bom rigor à cessação de vigência do tratado, caso por exemplo de
recesso num tratado multilateral, já que este subsiste com as Partes restantes.

Aliás o próprio tratado pode incluir normas prevendo causas de cessação ou suspensão da própria vigência –
artigo 42.º, n.º 2.

A invocação da cessação de vigência deve seguir o procedimento previsto nos artigos 65. º a 68.º da CVDT.
Recordar que o direito de invocar uma causa de cessação de vigência de tratado não procede se o Estado tiver
continuado a aplicar o tratado ou, em função da sua conduta considerou o tratado como permanecendo em vigor.

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