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Unid 1

O documento apresenta um material didático sobre Psicologia Escolar, abordando a atuação do psicólogo em contextos educativos e as competências que os alunos devem desenvolver. A disciplina é organizada em duas unidades que discutem a relação entre psicologia e educação, a análise crítica das políticas públicas e a intervenção frente às queixas escolares. O material enfatiza a importância de uma abordagem crítica e social na compreensão dos problemas de escolarização.
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento apresenta um material didático sobre Psicologia Escolar, abordando a atuação do psicólogo em contextos educativos e as competências que os alunos devem desenvolver. A disciplina é organizada em duas unidades que discutem a relação entre psicologia e educação, a análise crítica das políticas públicas e a intervenção frente às queixas escolares. O material enfatiza a importância de uma abordagem crítica e social na compreensão dos problemas de escolarização.
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Psicologia Escolar

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
APRESENTAÇÃO

Organização do material:

Olá, aluno!

Estamos iniciando uma jornada de estudo e pesquisa juntos e, para começar, é importante que você
receba orientações gerais sobre como está organizado este material.

Inicialmente, serão apresentadas as competências e as habilidades vinculadas à nossa disciplina.


Consideramos importante que você conheça o que esperamos que aprenda e desenvolva em relação
à cada unidade de estudo, não apenas em termos de conteúdos, mas de ferramentas e procedimentos
necessários para sua formação profissional.

O material foi organizado de forma a favorecer o desenvolvimento dos assuntos e ajudá-lo a se


localizar durante seus estudos, por isso ele foi construído com uma lógica interna, com coerência e
organização, para favorecer sua compreensão e tornar seu percurso prazeroso.

Não se esqueça de recorrer constantemente às fontes (livros, artigos etc.) que serviram como
referência para a construção deste material e onde você encontrará novas possibilidades de busca e
aprendizagem.

A DISCIPLINA

Como o nome indica, nesta disciplina, você terá oportunidade de conhecer a atuação do psicólogo
em relação aos processos educativos. Nosso objetivo é levá-lo a conhecer a atuação do psicólogo em
relação às demandas escolares no contexto clínico, institucional e comunitário. Você terá oportunidade
de estudar a multiplicidade de fatores constituintes da queixa escolar, analisar os aspectos históricos,
sociais, culturais, afetivo-emocionais, cognitivos e comportamentais envolvidos na constituição da
queixa escolar. Além disso, irá conhecer a atuação do psicólogo no processo ensino-aprendizagem,
considerando o contexto das relações institucionais, a partir da perspectiva da teoria crítica e também
no campo da orientação profissional.

Dessa forma, nossa disciplina tem como objetivo geral o desenvolvimento das seguintes competências:

— Compreensão de fenômenos e processos psicológicos constituídos a partir de relações sociais


por meio da discussão de situações-problema voltados às questões de escolarização.

— Compreensão da atuação do psicólogo em contextos educativos para promoção do


desenvolvimento humano e construção de políticas que expressem o compromisso com a
educação pública brasileira.

— Construção de recursos para atuação a partir de princípios e estratégias de intervenção frente


aos problemas de escolarização segundo uma perspectiva crítica no contexto escolar.
3
Como você pode perceber, além de adquirir um conhecimento teórico consistente, desejamos que
você compreenda seus fundamentos históricos e políticos e que possa perceber sua vinculação com a
proposição de uma metodologia e de uma atitude profissional.

Nesse sentido, indicamos as seguintes habilidades que você desenvolverá durante o curso:

— Analisar o percurso histórico da escolarização brasileira e as políticas públicas em psicologia no


Brasil.

— Conhecer a atuação do psicólogo frente às demandas escolares, a partir de uma visão crítica
em psicologia.

— Identificar as dificuldades de escolarização em uma dimensão psicossocial em oposição às


práticas biologizantes.

— Identificar e descrever criticamente os funcionamentos institucionais e a dinâmica das relações


na escola no diagnóstico e na intervenção em psicologia.

— Identificar mitos e preconceitos sobre a criança que não aprende na escola.

— Planejar e elaborar intervenções que respondam às demandas relativas às queixas escolares


segundo um enfoque crítico em psicologia escolar.

O material aqui apresentado poderá ser utilizado como orientação para seu estudo e como
complemento das atividades realizadas nas aulas presenciais e a distância.

O programa da disciplina está distribuído em duas unidades, que deve ser estudado ao longo do
semestre letivo. Alguns tópicos serão objeto de avaliação na NP1 (unidade 1) e outros serão avaliados
na avaliação NP2 (unidade 2).

Sugerimos que você siga a ordem abaixo apresentada, ao planejar seu estudo, uma vez que os temas
mantém entre si uma relação lógica.

UNIDADE 1

1. Visão crítica em psicologia escolar: aproximação histórica entre psicologia e educação.

2. Revisão histórica das principais teorias da educação.

3. Análise crítica das políticas públicas na educação brasileira. Os mitos e os preconceitos sobre a
criança que não aprende.

4. Modelo de atuação do psicólogo diante dos problemas de aprendizagem. Reflexão crítica acerca
dos instrumentos de intervenção.
4
UNIDADE 2

5. O modelo de atuação do psicólogo a partir da visão crítica em Psicologia Escolar: uma proposta
de intervenção diante das queixas escolares. Orientação à queixa escolar.

6. O psicólogo escolar como mediador do processo de conscientização dos professores, baseado na


abordagem sócio-histórica.

7. A atuação do psicólogo frente a problemas de leitura e escrita. A indisciplina no ambiente escolar.

8. Orientação profissional e o papel do psicólogo.

Em cada uma das unidades, haverá uma breve apresentação do assunto, indicação de material para
leitura, atividades de estudo e exercícios de verificação da aprendizagem.

Lembre-se de que a mera realização dos exercícios não permitirá a aprendizagem dos temas. É
imprescindível que você realize todas as atividades descritas em cada unidade, especialmente a leitura
dos textos indicados como bibliografia básica.

A bibliografia apresentada a seguir relaciona as obras consideradas importantes para o estudo dos
temas. Em cada unidade, serão indicados os trechos específicos que devem ser lidos.

Bibliografia básica:

MACHADO, A. M.; SOUZA, M. P. R. (org.). Psicologia escolar: em busca de novos rumos. 4. ed. São
Paulo: Casa do Psicólogo. 2004.

MEIRA, M. M.; ANTUNES, M. A. M. Psicologia escolar: teorias críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
2003.

MEIRA, M. M.; ANTUNES, M. A. M. Psicologia escolar: práticas críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
2003.

Bibliografia complementar:

BOCK, S. D. Orientação profissional – a abordagem sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2002.

PATTO, M. H. S. Para uma visão crítica da razão psicométrica. In: Revista Psicologia – USP v. 8, nº 1,
São Paulo. 1997, p. 47-62

PATTO, M. H. S. Exercícios de indignação – escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do


Psicólogo. 2005.

5
SAVIANI, D. As teorias da educação e o problema da marginalidade. In: Escola e Democracia. São
Paulo: Editores Associados. 2003. 38. ed. p. 03 - 34.

TANAMACHI, E.; SOUZA, M. P. R.; ROCHA, M. E. M. (org.). Psicologia e Educação – desafios teórico-
práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

Textos disponíveis na Internet

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE SÃO PAULO. Vídeos Documentários. A Psicologia


Educacional e Escolar em São Paulo. Volume 8. Disponível em: [Link]
Acesso em: 19/dezembro/2013.

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE SÃO PAULO. Psicologia e Educação: contribuições para


atuação profissional. Volume 6. Disponível em: [Link]
[Link] Acesso em: 19/dezembro/2013.

FÓRUM SOBRE MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA SOCIEDADE. Recomendações


de práticas não medicalizantes para os serviços e profissionais de educação e saúde.
Disponível em: [Link] Acesso em: 19/dezembro/2013.

Além dessas referências, é desejável que você recorra a outras fontes, caso queira se aprofundar
em algum tópico específico do programa. É importante que, em sua pesquisa, você recorra a fontes
confiáveis. Indicamos a seguir alguns endereços eletrônicos cuja consulta é recomendada:

BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES (USP) [Link]

PEPSIC – PERIÓDICOS ELETRÔNICOS EM PSICOLOGIA [Link]

BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS) - [Link]

PERIÓDICOS CAPES - [Link]

DVD Coleção Grandes Educadores – Jean Piaget com apresentação de Yves de La Taille (ATTA mídia e
educação - Editora Paulus [Link])

Se você necessitar de informações adicionais para ampliar seus conhecimentos, solicite-as ao


professor, nas aulas presenciais ou nos plantões de tutoria da disciplina.

Passemos, então, ao conhecimento das ideias dessa ação profissional em psicologia tão importante
nos tempos atuais!

Bons estudos!

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Psicologia Escolar

Unidade I
1 VISÃO CRÍTICA EM PSICOLOGIA ESCOLAR: APROXIMAÇÃO HISTÓRICA
ENTRE PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO

Leitura básica:

BOCK, A. M. B. Psicologia e Educação: Cumplicidade ideológica. In: Psicologia Escolar: Teorias


Críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, p. 79 – 103.

O objetivo desse texto é analisar por que a psicologia tornou-se necessária para a educação e como
respondeu às demandas que lhe foram feitas. A autora aborda criticamente a relação de cumplicidade
ideológica que se estabeleceu entre psicologia e educação ao longo da história.

A Escola Tradicional (séc. VIII até o início do séc. XX), de base religiosa, não precisava da Psicologia
para acompanhar a prática educativa, acreditava que o ser humano era dotado de duas naturezas: uma
essencialmente boa e construtiva e outra corrompida pelo pecado original. O professor deveria ser um
modelo a ser seguido e a tarefa da educação era preservar o que há de bom no ser humano, através da
disciplina, das regras rígidas, da vigilância.

Acreditava-se que o conhecimento poderia ser transmitido ao aluno pelo professor, valorizava-se o
domínio do conteúdo, não se preocupava com o processo, e sim com o produto, com o resultado final,
ou seja, não importava se o aluno havia compreendido um determinado conteúdo, o que importava era
que ele apresentasse a resposta correta, mesmo sendo por ter apenas decorado.

No séc. XX, com o advento da Escola Nova, assistimos a uma nova maneira de compreender a
infância, embora continuasse a ser pensada como possuidora de uma dupla natureza, a criança passou
a ser vista como naturalmente boa, desde o nascimento, mas era preciso evitar que pudesse vir a ser
corrompida.

A educação era pensada como um processo natural de desenvolvimento das potencialidades


humanas.

Os vigilantes disciplinares da Escola Tradicional foram trocados pelos vigilantes do desenvolvimento


(psicólogos e pedagogos).

O professor passou a ser visto como um organizador de condições para uma aprendizagem ativa. O
aluno era compreendido como sujeito ativo que construía seu próprio conhecimento e poderia escolher
o que e quando aprender. A ênfase recaiu sobre o processo de aprendizagem, não se valorizava tanto os
conteúdos escolares, o importante era aprender a aprender.
7
Unidade I

No séc. XX, a psicologia também se desenvolveu, não só como conhecimento, mas como prática
capaz de contribuir aos processos educacionais. Instrumentos da psicologia tais como os testes
servem para que se possam formar classes mais homogêneas, para avaliar o desenvolvimento das
crianças. A Psicologia Clínica tradicional começou a atender individualmente as crianças com
queixa escolar.

Na medida em que se voltou prioritariamente para o mundo interno do sujeito, a psicologia contribuiu
para o fortalecimento das noções naturalizantes da pedagogia e para ocultar a educação como processo
social, daí a cumplicidade ideológica entre psicologia e educação.

A partir de tais concepções, o fracasso escolar será sempre compreendido com sendo problema
do aluno, nunca da didática, da estrutura autoritária da escola, da sua desatualização, do projeto
pedagógico, da política educacional implantada pelo Estado.

O texto também nos mostra que essa relação de cumplicidade estabelecida entre a psicologia
e a educação pode vir a acontecer em outros termos, de modo a superar as visões naturalizantes
e patologizantes acerca da queixa escolar. Segundo a perspectiva crítica, a educação é processo
social que responde às necessidades dos grupos dominantes na sociedade. Ela não é neutra, nem
desinteressada, visa à manutenção da estrutura social e das relações de poder. Assim, não é possível
continuar pensando na educação como um processo natural de desenvolvimento de potencialidades
existentes nos sujeitos.

Em seu trabalho, o psicólogo educacional deve atuar como um agente de promoção da saúde mental,
para tanto, é necessário considerar as dimensões ética e política da nossa prática. A dimensão ética se
compõe pela solidariedade ao outro e a dimensão política pelo compromisso com a transformação
social. Não é possível continuar indiferente frente à situação de miséria de muitos e de riqueza de
poucos, frente à situação de exclusão, em que se encontra um grande número de crianças que não
obtém sucesso em sua trajetória escolar.

           É necessário que se faça uma psicologia escolar e não uma psicologia do escolar. Assim, há
necessidade de que se compreenda o jogo de forças que produz o fenômeno, ou seja, que se considerem
os aspectos sociais, políticos e ideológicos que produzem o fracasso escolar e não que se continue
a procurar exclusivamente no indivíduo que não aprende, no seu mundo interno, nas suas relações
familiares as razões do não aprender.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.

2) A partir da leitura, procure identificar em cada momento histórico as ideias predominantes acerca
do que é educação, qual o papel do aluno, do professor e o papel do psicólogo, observe a ideologia
presente e as mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo.

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Psicologia Escolar

3) Esteja atento. O modo como pensamos e agimos sempre está atendendo ao interesse de uma
determinada classe social. Como psicólogos, devemos atender aos interesses de quem? Reflita
sobre isso.

4) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 1 - Uma psicóloga escolar que atua na rede pública de ensino tem como pressuposto
que durante muitos anos a psicologia e a pedagogia foram cúmplices para a manutenção da ideologia
dominante e, como profissional, busca romper com essa forma de atuação. Após um grupo de professores
se queixarem sobre os comportamentos de um aluno e os problemas de aprendizagem decorrentes, ela
provavelmente:

I – Dirá aos professores que a permanência de crianças com necessidades especiais no cotidiano
escolar exige que se especializem em relação às patologias que se apresentam e que eles poderiam
fazer um curso sobre crianças com problemas específicos de comportamento.

II – Atuará como agente de mudanças, buscando romper com os discursos já cristalizados dentro do
ambiente escolar.

III – Iniciará observando a criança e convidando-a, posteriormente, para uma avaliação selecionando
os instrumentos mais apropriados para avaliar o desenvolvimento da inteligência e da personalidade
deste aluno.

IV – Considerará a queixa escolar sob uma perspectiva mais ampla, em termos das variáveis sócio/
político/culturais na realidade escolar.

V – Inicialmente, fará um diagnóstico do caso e, se necessário, encaminhará para atendimento com


uma psicóloga clínica, buscando evitar que o problema do aluno se agrave.

Assinale a alternativa correta:

a) I e II são falsas.

b) III e V são falsas.

c) I e V são falsas.

d) II e IV são verdadeiras.

e) II, IV e V são verdadeiras.

Se você compreendeu adequadamente a proposta da autora do texto, você assinalou a alternativa


D. As afirmações I, III e V contemplam a ideia de que devemos buscar na criança a origem do problema,
que o não aprender necessariamente é uma patologia a ser tratada, também indicam procedimentos
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Unidade I

compatíveis com o modelo clínico tradicional para o enfrentamento das questões educacionais. Apenas
as alternativas II e IV apontam para uma perspectiva mais crítica que considera os fatores sociais,
culturais, políticos e pedagógicos na análise do jogo de forças que produz o fenômeno. Essa é uma
perspectiva que vai além do olhar apenas para o aluno que não aprende.

Exercício 2 -  Observe a figura abaixo

Relacione a figura com os assuntos que estudamos no texto de Ana Bock.

Leia as afirmativas abaixo e depois escolha a alternativa correta.

I. A figura representa claramente os pressupostos da Escola Nova. Segundo tais pressupostos, os


alunos não deveriam trazer seus sentimentos, curiosidades e ideias para a escola.

II. A figura representa o ensino tradicional, em que a postura esperada do aluno é a de um receptáculo
de informações sendo que as suas opiniões e os conhecimentos prévios não interessam ao
professor.

III. Na figura, o professor pode ser visto como um organizador de condições para uma aprendizagem
ativa.

IV. A figura representa o aluno como sujeito ativo que constrói seu próprio conhecimento.

Assinale a alternativa correta:

A) I e II estão corretas.

B) II e III estão corretas.

C) Somente II está correta.

D) Somente I está correta.

E) I, III e IV estão corretas.

10
Psicologia Escolar

Se você escolheu a alternativa C é sinal de que compreendeu alguns dos principais conceitos do
nosso texto. A afirmativa I confunde os conceitos da Escola Tradicional com os conceitos da Escola Nova.
As afirmativas III e IV apresentam pressupostos da Escola Nova que não podem ser relacionados com a
figura apresentada.

Exercício 3 -  Leia a situação problema a seguir e responda à questão:

Marilda é professora da 2º ano e possui alguns alunos que não estão acompanhando o ritmo da
classe. Quando indagada sobre as possíveis causas de tais dificuldades, ela nos diz: - As crianças desse
bairro são pobres e desnutridas, suspeito que devam ter alguma disfunção neurológica, não sabem falar
direito, falam fosque quando se diria fósforo, fungão quando se diria fogão, nessas condições como é
que podem aprender?

Analisando o discurso da professora, a partir de uma perspectiva crítica, é correto afirmar que:

I. A fala da professora nos mostra que ela leva em conta condições econômicas e sociais, mostrando
seu engajamento político com a situação.

II. Marilda nos apresenta um discurso repleto de preconceitos e que reflete o processo de biologização.

III. Seu discurso visa a naturalizar e patologizar o que nem deve ser visto como natural, nem
necessariamente é consequência de doença. Marilda não leva em conta a rede de relações e as
diferentes versões da situação, dirigindo seu olhar apenas para a criança e sua família.

Assinale a alternativa correta:

a)  As alternativas I, II e III estão corretas.

b)  As alternativas II e III estão corretas.

c)  As alternativas I e III estão corretas.

d)  As alternativas I e II estão corretas.

e)  Apenas a alternativa I está correta.

Nesse exercício você deve ter assinalado a alternativa B. Apenas as afirmativas II e III correspondem
ao referencial teórico solicitado.

Exercício 4 -  A frase abaixo é constituída por duas proposições unidas por uma implicação lógica
(portanto). Para facilitar a identificação, a implicação lógica está grafada em negrito na frase. Examine-a
e assinale a alternativa correta:

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Unidade I

Para a perspectiva crítica, as explicações para o fracasso escolar não podem ser encontradas apenas
no indivíduo encaminhado para a avaliação psicológica, portanto, para compreendermos o fracasso
escolar é necessário estar atento ao campo de forças no qual esse fenômeno se manifesta.

a) se somente a 1ª proposição for verdadeira.

b) se somente a 2ª proposição for verdadeira.

c) se ambas forem falsas.

d) se ambas forem verdadeiras, mas a implicação lógica torna a frase falsa.

e) se ambas forem verdadeiras e mantiverem a relação lógica estabelecida na frase.

Você deve ter assinalado a alternativa E. As duas proposições estão corretas, mantêm a relação
lógica estabelecida na frase e correspondem ao referencial teórico proposto.

Muito bem. Após realizar e acompanhar os argumentos de cada questão acima, faça novamente
uma leitura cuidadosa do texto indicado no início dessa aula e realize os exercícios que estão anexos,
anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução. Essas dúvidas devem ser motivo de novas
pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.

2 REVISÃO HISTÓRICA DAS PRINCIPAIS TEORIAS DA EDUCAÇÃO.

Leitura básica:

SAVIANI, D. Teorias da educação e o problema da marginalidade. In: Escola e Democracia. 38. ed. São
Paulo: Editores Associados. 2003, p. 3-34.

O texto nos possibilita uma compreensão mais sistemática e crítica acerca das diferentes teorias da
educação. Destaca os principais pressupostos teóricos de cada uma delas e o modo como estas vêm
compreendendo a questão da marginalidade. Marginalidade aqui compreendida como estar à margem
do processo educacional, referindo-se aos indivíduos que de alguma forma estão excluídos de tal
processo, por exemplo: as crianças em idade escolar que não têm acesso à educação, os que fracassam
ou desistem nesse processo, os analfabetos.

Saviani classifica as teorias educacionais em dois grandes grupos: as teorias não críticas e as
teorias crítico-reprodutivistas. Cada uma delas explica a questão da marginalidade a partir de uma
determinada maneira de compreender as relações entre educação e sociedade.

Para as teorias não críticas, a sociedade é harmoniosa, busca a integração dos indivíduos, a igualdade
entre eles. Assim sendo, a marginalidade é um fenômeno acidental, individual, um desvio a ser corrigido.
A educação é um instrumento capaz de corrigir tal desvio, de auxiliar na superação da marginalidade,
garantindo a construção de uma sociedade igualitária.
12
Psicologia Escolar

As teorias crítico-reprodutivistas concebem a sociedade como sendo composta por classes sociais
antagônicas, que disputam o poder, possuem interesses e visões de mundo diferentes. A marginalidade
é compreendida como um fenômeno inerente à própria estrutura social. Pensa na educação como um
instrumento a favor da manutenção da estratificação social, seu papel é reforçar a dominação dos
grupos que detêm o poder, é a reprodução das desigualdades sociais. Pensando dessa forma, o fracasso
(do) escolar é, na verdade, o êxito da escola.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.

2) Assista ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (Direção Peter Weir, EUA, 1990) e faça uma análise
da história com os principais conceitos propostos por Saviani em seu texto.

Sinopse: Em 1959, na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno se torna o
novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos
cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos
sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

3) Acompanhe agora um exemplo de exercício:

Exercício 1 - Segundo Demerval Saviani (2003), as teorias educacionais podem ser classificadas em
dois grupos. Em um primeiro grupo, as teorias colocam a educação como um instrumento de equalização
social. O segundo grupo entende que a educação é um instrumento de discriminação social. Segundo o
autor, as teorias procuram explicar a questão da marginalidade a partir de uma determinada forma de
entender as relações entre educação e sociedade. Tendo-se em conta os principais pressupostos desses
grupos teóricos, analise as afirmativas abaixo:

I – As teorias crítico-reprodutivistas defendem que a escola é um instrumento de equalização social


e, portanto, de superação da marginalidade.

II – Para as teorias não críticas, a sociedade está marcada pela divisão entre grupos ou classes que
se relacionam à base da força.

III – Segundo as teorias não críticas, a marginalidade é um desvio a ser corrigido pela educação.

IV - As teorias crítico-reprodutivistas defendem que a função da educação é a reprodução das


desigualdades sociais.

Assinale a alternativa correta:

a) Apenas III está correta.

13
Unidade I

b) Apenas I e II estão corretas.

c) Apenas I e III estão corretas.

d) Apenas II e IV estão corretas.

e) Apenas III e IV estão corretas.

Você deve ter percebido que nas afirmativas I e II os conceitos estão invertidos. O que se afirma
acerca das teorias crítico-reprodutivistas são pressupostos das teorias não críticas e vice-versa. Apenas
as afirmativas III e IV apresentam as ideias corretamente. Dessa forma, a alternativa correta é a E.

PEDAGOGIA TRADICIONAL

Dando continuidade ao nosso texto, Demerval Saviani, como já foi dito anteriormente, classifica as
teorias educacionais em dois grandes grupos: as teorias não críticas e as teorias crítico-reprodutivistas.

No grupo das teorias não críticas, encontramos a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a
pedagogia tecnicista.

Apresentaremos a seguir algumas das principais ideias defendidas por cada uma delas. A marginalidade
é identificada com a ignorância, o marginalizado é quem não é esclarecido. O papel da escola, no sentido
de superar a marginalização, é transmitir informação que deve ser acumulada, armazenada pelo aluno.

O professor é o centro do processo de ensino, o aluno deve assimilar o conhecimento selecionado e


transmitido pelo professor.

Essa teoria da educação não conseguiu o seu intento de universalização do saber. Nem todos os
indivíduos tinham acesso à escola, dentre os que tinham acesso à escola nem todos foram bem sucedidos
e dentre os bem sucedidos nem todos se ajustavam à sociedade que se pretendia construir.

PEDAGOGIA NOVA

É uma teoria pedagógica baseada nos princípios da biologia e da psicologia. Acredita-se que os
homens são essencialmente diferentes, cada indivíduo é único, não se repete. Portanto, marginalizado
é o rejeitado, aquele que pelas suas diferenças não é aceito pelo grupo. Assim, o papel da educação é
contribuir para a construção de uma sociedade que aceite todo e qualquer tipo de diferença individual,
cujos membros se respeitem mutuamente.

O professor deve ser um estimulador, um orientador da aprendizagem cuja principal iniciativa deve
ser do aluno, não há preocupação com o conteúdo pedagógico, mas com o processo de aprendizagem,
o importante é aprender a aprender.

14
Psicologia Escolar

O tipo de escola proposto implicava em custos mais elevados que a Escola Tradicional, um dos
motivos pelos quais ela não altera positivamente o panorama educacional na rede pública de ensino,
mas aprimora a qualidade de ensino destinado às elites.

PEDAGOGIA TECNICISTA

Considerando os pressupostos da neutralidade científica, racionalidade, eficiência e


produtividade,  prega a necessidade de tornar o processo educativo objetivo e operacional. Isso deve ser
feito através do planejamento cuidadoso das condições de aprendizagem. O planejamento educacional
deve ser feito por técnicos e professores, os alunos cumprem a programação. A escola deve treinar os
indivíduos para a execução das tarefas demandadas pelo social, deve ensinar a fazer. Nesse contexto,
marginalizado é o incompetente, o improdutivo.

A pedagogia tecnicista, ao tentar transpor para a educação a forma de funcionamento do sistema


fabril, perdeu de vista a especificidade da educação.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma tabela para organizar seus estudos: coloque no alto os dois grandes grupos das teorias
indicadas por Saviani: não críticas e as teorias crítico-reprodutivistas. Depois vá completando com
as demais informações. Ao final, você terá um esquema organizado da matéria.

2) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 2 - Joana é professora em uma escola e está enfrentando algumas dificuldades para
desenvolver o conteúdo com alguns de seus alunos que não estão conseguindo o desempenho esperado.
Conversando com a coordenadora pedagógica da escola, ela respondeu que a saída para a resolução
de tal questão é analisar e programar estratégias mais eficientes de controle, planejando eventos
antecedentes e consequentes que permitam a melhoria da aprendizagem.

É possível articular a proposta de trabalho apresentada com a seguinte abordagem educacional:

a) Pedagogia tradicional, pois enfatiza a importância do bom relacionamento entre professor e aluno.

b) Pedagogia Nova que valoriza o domínio dos conteúdos pelos alunos.

c) Pedagogia Tecnicista que destaca a importância do planejamento educacional considerando a


abordagem comportamental como base científica para a elaboração de estratégias de ensino.

d) Pedagogia Nova cuja ênfase recai sobre o processo de aprendizagem e não sobre o conteúdo de
ensino.

e) Pedagogia tradicional, que se preocupa com o domínio dos conteúdos escolares pelo aluno.

15
Unidade I

Embora os conceitos apresentados nas alternativas D e E correspondam às respectivas abordagens,


eles não se encaixam com o que está proposto na questão. As alternativas A e B apresentam conceitos
errôneos. Apenas a alternativa C corresponde ao que foi proposto pela questão. Ao contrário do grupo
composto pelas teorias não críticas, as teorias crítico-reprodutivistas não resultaram em uma proposta
pedagógica a ser implantada pelo sistema educacional.

TEORIA DA VIOLÊNCIA SIMBÓLICA (Bourdieu e Passeron)

No grupo das teorias crítico-reprodutivistas, encontramos a teoria da violência simbólica, a teoria


do aparelho ideológico do Estado e a teoria da escola dualista. Vejamos algumas das principais ideias de
cada uma das teorias.

Todas as sociedades organizam-se como um sistema de relações de força material entre grupos
e classes. À violência material (dominação econômica) corresponde a violência simbólica (dominação
cultural). A violência simbólica se manifesta pela imposição ideológica, pela formação de opinião pública,
pelos meios de comunicação, pela pregação religiosa, pela propaganda, moda, educação familiar etc.

A ação pedagógica é uma imposição arbitrária da cultura dos dominantes aos dominados. Não há
superação das desigualdades pela educação. A escola não é espaço de luta pela transformação social.
Nesse sentido, marginalizados são os grupos dominados.

TEORIA DO APARELHO IDEOLÓGICO DO ESTADO (Althusser)

Para a manutenção do poder e da estrutura social, o Estado conta com aparelhos repressivos (governo,
polícia, exército, prisões etc.) e ideológicos (religioso, escolar, familiar, sindical, informativo, cultural).

A escola, como aparelho ideológico do Estado, reproduz as relações do capitalismo, busca impor aos
alunos a ideologia da burguesia no intuito de manter sua dominação.

A escola pode vir a ser um espaço para a luta de classes, no entanto, Althusser acredita que essa
será uma luta heroica e inglória. Para essa teoria marginalizada é a classe trabalhadora, cuja força de
trabalho é explorada pelos capitalistas.

TEORIA DA ESCOLA DUALISTA (Establet)

Establet também acredita que a escola é aparelho ideológico do Estado. Para essa teoria, a escola
está dividida em duas grandes redes que correspondem à classe social da burguesia e do proletariado.
A educação cumpre duas funções básicas: formação da força de trabalho e imposição da ideologia
burguesa. A escola é um instrumento de luta da burguesia contra o proletariado. Nesse sentido,
marginalizado é o proletariado.

Admite a existência da ideologia do proletariado que tem origem fora da escola, nas massas operárias
e em suas organizações. A luta de classes se trava nas relações de produção e exploração.

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Psicologia Escolar

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os conceitos e os argumentos


apresentados pelo autor.

2) A partir da leitura, procure identificar em cada uma das teorias as ideias predominantes acerca
do conceito de marginalidade; da função da  educação na sociedade, do papel do aluno e do
professor.  Observe a ideologia presente nessas teorias e as mudanças que foram ocorrendo ao
longo do tempo.

3) Reflita sobre as seguintes questões: É possível superar a marginalização? Lutar contra a seletividade,
a discriminação e a baixa qualidade do ensino?

4) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios.

Exercício 3 - Maria é professora em uma escola pública, acredita que os alunos devem dominar todo
o conteúdo passado pela professora, para tanto, realiza muitos exercícios, faz com que os alunos repitam
várias vezes o que foi ensinado, acredita que assim está contribuindo para a superação das desigualdades
sociais. Maria, no entanto, está frustrada, muitos de seus alunos não conseguem acompanhar o ritmo
que ela tenta impor à sala e ela não sabe mais o que fazer, afinal trata todos os alunos igualmente. A
qual teoria da educação corresponde a postura de Maria?

Assinale a alternativa correta:

a) Pedagogia Nova.

b) Pedagogia Tradicional.

c) Teoria do Aparelho Ideológico do Estado.

d) Pedagogia Tecnicista.

e) Teoria da Violência Simbólica.

Observe que Maria se coloca como transmissora do conhecimento e valoriza  muito o conteúdo,


a repetição por parte do aluno, acredita que a escola é instrumento de superação das desigualdades
sociais. Tais concepções e posturas correspondem à alternativa B.

Exercício 4 - De acordo com o que foi estudado sobre as teorias da educação e o problema da
marginalidade, pode-se considerar que as afirmativas abaixo correspondem aos pressupostos da
Pedagogia Tradicional. Leia atentamente as afirmativas e responda à questão:

I. A educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador,


o depositante.
17
Unidade I

II. O educador é o que disciplina e os educandos são os disciplinados.

III. O educador é o que sabe e os educandos, aqueles que não sabem.

Está correto o que se afirma em:

a) Somente em I.

b) Somente em II.

c) Somente em III.

d) Estão corretas I e II.

e) Estão corretas I, II e III.

Você deve ter assinalado a alternativa E. Todas as afirmativas correspondem à Abordagem Tradicional
I. A educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador, o
depositante. O educador é o que disciplina e os educandos são os disciplinados. O educador é o que sabe
e os educandos aqueles que não sabem.

Muito bem. Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados para cada resposta.
Agora para “fechar com chave de ouro”, releia esse belíssimo texto de Saviani e realize os exercícios
anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução. Essas dúvidas devem ser motivo de
novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso persistam, apresente-as ao professor, na
tutoria.

3 ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA.

Leitura básica:

PATTO, M. H. S.  Acelerando a escolarização: em nome do quê? In: Exercícios de


Indignação  – escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005, p. 17-28.

Leitura básica:

PATTO, M. H. S.   Democratização do ensino e políticas públicas: desafios para a pesquisa. In: Exercícios
de Indignação  – escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005, p. 57-67.

Os textos nos trazem reflexões acerca de algumas das mudanças na política educacional, em relação
ao processo de escolarização na rede pública, tendo como referência pesquisas de base etnográfica que
se pautam pela perspectiva crítica.

18
Psicologia Escolar

A autora aborda mais especificamente as seguintes reformas que foram sendo implantadas
ao longo dos anos: ciclo básico, classes de aceleração, progressão continuada e os programas de
inclusão. Embora algumas das propostas não tenham vindo para ficar, por exemplo: as classes de
aceleração, nesse sentido, interessante é observar como, em cada diferente momento da educação,
os indivíduos foram se apropriando dessas mudanças e o resultado de cada uma delas no processo
educacional.

Como as escolas recebem as mudanças que são impostas pelo governo?

Segundo Roger Bastide, para que a transformação ocorra é necessário que a novidade possa “entrar
em harmonia com o campo de significações da cultura receptora”. Assim, não basta que o Estado
determine estas ou aquelas transformações, a vontade estatal inevitavelmente vai encontrar a vontade
popular, o que significa dizer que, muitas vezes, a intenção das reformas propostas é uma e a realidade,
o que realmente acontece nas escolas, é outra.

Conforme nos coloca a autora, uma política educacional, como é o caso da nossa, que se pauta pelo
descaso pela boa qualidade de ensino, em um país marcado pelas desigualdades sociais e econômicas,
pelo cinismo com o direito dos cidadãos acaba por refletir também nas relações que se estabelecem
dentro da escola. Tais relações, muitas vezes, resultam em atrito entre os níveis hierárquicos, na inimizade
entre professores e alunos, no descaso, no fatalismo, no preconceito social e racial entre outros. E é
dentro desse contexto que professores e diretores são atropelados por mudanças intempestivas nas
diretrizes administrativas e pedagógicas.

Vejamos brevemente algumas dessas mudanças e os resultados obtidos.

PROPOSTA DO CICLO BÁSICO

Visava a eliminar a repetência nas séries iniciais do Ensino Fundamental, estava organizada como
Ciclo Básico Inicial – CBI (1ª. e 2ª. séries) e Ciclo Básico Continuidade - CBC (3ª. e 4ª. série), não deveria
haver reprovação durante os ciclos.

Era uma proposta de base construtivista, que colocava o aluno como sujeito do processo de
aprendizagem, mas esse não era  o olhar dos professores.

Na implantação da proposta foram criadas as classes intermediárias, nessas classes ficavam os


alunos que, de acordo com o critério dos professores, não podiam seguir adiante. Dessa forma, as
escolas repuseram a reprovação que se queria eliminar na passagem da primeira para a segunda série.

Constata a autora do texto que as escolas resistiram à mudança e alteraram a proposta, de modo
que entrasse em conformidade com a lógica institucional anterior à reforma, ou seja, instituiu-se a
repetência que se propunha a eliminar.

19
Unidade I

CLASSES DE ACELERAÇÃO

Foram criadas com o intuito de resolver o problema de defasagem idade-série. Afinal, a reprovação
aumentou o custo da educação para o Estado.

De um lado, o modo como aconteceu o processo contribuiu para a diminuição da qualidade do


ensino e, ao reunir na mesma classe todos os “alunos indesejáveis”, tais classes passaram a ser vistas
como perigosas, acirrando o preconceito e a discriminação para os alunos. Por outro lado, barateou os
custos e melhorou as estatísticas educacionais que passaram a apresentar uma diminuição no índice de
repetência.

PROGRESSÃO CONTINUADA

Proposta desenvolvida originalmente com a intenção de, ao eliminar a repetência, possibilitar


condições de igualdade, em hipótese, o aluno teria mais tempo para dominar os conteúdos. Pelo modo
como foi implantada, gerou o caos, por exemplo, havia (e ainda há) alunos que chegavam na 5ª série ou
na  6ª série, completamente analfabetos.

PROGRAMAS DE INCLUSÃO

Camuflado pelo discurso oficial que proclamava o direito universal à educação, os alunos com
necessidades especiais foram colocados em sala de aula regular, isso sem o devido cuidado e preparo da
comunidade e dos profissionais que trabalhavam com estas crianças.

Estar em sala de aula e não ser aceito ou não receber um trabalho de qualidade é garantia
de inclusão?

Segundo Patto, muitos são os problemas enfrentados pela educação e a saída para nossos problemas
não está na técnica, são as concepções e as relações que precisam ser o objeto de atenção dos projetos.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.

2) A partir da leitura, observe como em cada diferente momento da educação os indivíduos foram
se apropriando das reformas propostas pelo Estado e o resultado de cada uma delas no processo
educacional.

3) Reflita sobre as seguintes questões:

— A política pública de educação escolar no Brasil tem sido democratizante?

20
Psicologia Escolar

— No momento atual do capitalismo e das manobras em escala mundial para proteger o capital,
a massa de pessoas cujo trabalho vem se tornando desnecessário aumenta. Qual o papel da
educação nesse contexto?

4) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 1 - A Psicologia Escolar tem sido convocada a participar das discussões sobre Políticas
Públicas em  Educação, na medida em que, para compreender e contribuir com a  realidade escolar, é
preciso considerar como se concretizam essas propostas e medidas. Qual das alternativas abaixo não
reflete a realidade no que diz respeito das Políticas Públicas em Educação?

a) O discurso oficial a respeito da equalização de oportunidades tem girado em torno de três eixos:
garantia de universalização do acesso à escola, garantia de permanência nela e garantia de bom
ensino a todos.

b) Uma das grandes contradições da política educacional brasileira é a relação entre o crescimento
quantitativo de vagas nas escolas e a qualidade do ensino.

c) As políticas educacionais refletem, inevitavelmente, as condições existentes nas três esferas:


econômica, política e social.

d) Os professores, embora frequentemente convidados a participar da elaboração das Políticas


Públicas, não têm se envolvido por estarem desmotivados em função da desvalorização da
profissão docente.

e) Um dos principais problemas em relação às Políticas Públicas em Educação diz respeito à


descontinuidade em relação às trocas de governo.

Dizer que o professor não participa da elaboração das Políticas Públicas porque não quer é uma
falácia. Os professores não são consultados, as mudanças são impostas pelo Estado. A alternativa
incorreta é a D.

Exercício 2 - Alisson prefere quebrar pedras a estudar. Ao despertar, já se imagina no garimpo,


ganhando dinheiro e, não na escola, que frequenta quase por obrigação. Às vezes, assiste a uma aula
com “ódio”. A palavra é dura. Quando peço uma resposta para o professor e ele diz “cace no livro”, fico
com ódio. Sinto raiva dele. O relato de Alisson traz uma das principais dificuldades enfrentadas pelo
ensino atual: a escola estar preparada para receber e trabalhar com a diversidade de alunos que chegam
e, principalmente, manter esse aluno.

A partir desse breve relato, pode-se perceber um conjunto de características sobre a escola na qual
Alisson está matriculado. Assinale a alternativa incorreta:

a) Pelo relato de Alisson, a escola parece um espaço deslocado do contexto social no qual o garoto
se insere.
21
Unidade I

b) A educação, da maneira como ocorre na escola da Alisson, parece ser um esforço para que haja uma
apropriação, por todos, da produção cultural, garantindo possibilidades para todos participarem e
modificarem a dinâmica social.

c) Outra característica dessa escola pode ser a concepção de que a busca pela aprendizagem deve
partir do aluno, desconsiderando a importância do educador favorecer o interesse e o desejo por
aprender.

d) Nessa concepção, a escola não tem contribuições para a solução dos problemas da marginalidade.
Ao contrário, é mais uma fonte de reprodução social ao invés de transformação.

e) A dinâmica escolar apresentada por Alisson, muitas vezes, serve mais para justificar as desigualdades
sociais presentes na sociedade, ao invés de pensar em possibilidades de mudanças.

Apenas a alternativa B não corresponde à perspectiva crítica. O proposto corresponde à ideologia


do discurso oficial que visa a camuflar os processos de exclusão.

3.1 OS MITOS E OS PRECONCEITOS ACERCA DA CRIANÇA QUE NÃO


APRENDE

Leitura básica:

MOYSÉS, M. A. A.  e COLLARES, C. A. L. Sobre alguns preconceitos no cotidiano escolar. In: Ideias 19,
FDE – Fundação para o desenvolvimento da Educação. São Paulo, 1993, p. 9-25.

As autoras nos mostram como determinados mitos e preconceitos acerca das causas das dificuldades
de aprendizagem acabam por interferir de forma negativa na compreensão que se pode produzir sobre
o não aprender. Desvelam a ideologia presente no modo pelo qual alguns segmentos da sociedade
compreendem a questão do fracasso escolar.

O texto nos mostra uma definição de preconceito baseada no referencial  teórico oferecido por Agnes
Heller. Segundo Heller, é característico da vida cotidiana a existência de juízos provisórios, tal juízo é
considerado provisório na medida em que se constitui em uma ideia que se faz sobre determinada
situação e que se antecipa a ela. Muitas vezes, no confronto com a realidade, percebemos que a ideia
que havíamos formado sobre determinada situação não corresponde à verdade, ao que realmente é.

Quando um juízo provisório é refutado pelo confronto com a realidade e mesmo assim permanece
inalterado, não estamos mais diante de um juízo provisório, mas de um preconceito. “Dois afetos podem
nos ligar a uma concepção, opinião, convicção: a fé e a confiança. O afeto do preconceito é a fé (...) a fé
resiste sem abalos e sem conflitos ao pensamento e à experiência” (p. 12).

Considerando o que foi exposto é possível concluir que o preconceito se coloca como um obstáculo
à transformação do sistema educacional. Vários são os preconceitos existentes na escola, um deles é
atribuir às características inatas, biológicas, da criança as causas do fracasso escolar. A escola é uma
22
Psicologia Escolar

instituição, que atende a determinados interesses políticos e sociais, ao olhamos apenas para o aluno,
desconsiderando toda rede de relações e interesses que estão em jogo na escola, estamos na verdade
culpabilizando a própria vítima, no caso, o aluno.

O processo de transformar questões sociais em questões biológicas é chamado de biologização. Na


escola, tal processo pode ser observado quando se coloca em alguma doença ou  disfunção a causa
do problema de aprendizagem. O deslocamento da discussão acerca das causas dos problemas de
aprendizagem das questões político-pedagógico para as questões médicas é chamado de medicalização
do processo ensino-aprendizagem.  Sugere-se também o termo patologização na medida em que outros
profissionais (psicólogos, fonoaudiólogos etc.) possam estar envolvidos.

O preconceito da desnutrição

As consequências da desnutrição sobre o cérebro é um tema controverso, não conclusivo e bastante


estudado na área médica. Convém lembrar que nenhum dos principais pesquisadores desse tema
relacionou a desnutrição com o fracasso escolar.

Em linhas gerais, as pesquisas mostram que a desnutrição grave, no início da vida e de longa duração
pode vir a comprometer o raciocínio abstrato superior.

Vejamos algumas das conclusões das autoras do texto acerca de tal questão:

— A alfabetização é o momento do processo de escolarização no qual se concentram o maior


número de queixas escolares. O raciocínio abstrato que poderia vir a ser comprometido pela
desnutrição não é condição para que a criança se alfabetize, basta o raciocínio operatório
concreto.

— A maioria das crianças com desnutrição grave morre antes de entrar para a escola.

Sem respaldo científico, relacionarmos desnutrição com fracasso escolar nada mais é que preconceito.

O preconceito das “disfunções neurológicas”

Considera-se como disfunções neurológicas a disfunção cerebral mínima, o distúrbio de déficit de


atenção e hiperatividade, o distúrbio de aprendizagem, a dislexia etc.

As autoras do texto, ao revisarem as pesquisas acerca dos distúrbios de aprendizagem (mais


precisamente a dislexia), concluem que muitas dessas pesquisas foram embasadas em premissas falsas
e, portanto, sem sustentação científica.

Mesmo os autores defensores da existência dos distúrbios de aprendizagem não se preocuparam ou


não conseguiram estabelecer critérios seguros ou precisos para o seu diagnóstico.

23
Unidade I

Dessa forma, ao contrário do que aconteceu com o preconceito acerca da desnutrição, o preconceito
acerca das disfunções neurológicas foi encontrado naquilo que foi divulgado como ciência.

Após desvelarem a ideologia e os mecanismos de dominação presentes nas questões anteriormente


abordadas, as autoras nos dizem que “se pretendemos ser agentes efetivos de transformação social,
sujeitos da história, fica o desafio de sermos capazes de nos infiltrarmos na vida cotidiana, quebrar seu
sistema de preconceitos e retomar a cotidianidade em outra direção.” (p. 24).

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os principais conceitos e os argumentos
utilizados pelas autoras.

2) A partir da leitura, observe como  os mitos e os preconceitos são criados, como são difundidos e
quais seus efeitos no processo educacional e na vida das pessoas.

3) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 1 – (Fonte: ENADE 2006) Caracterizado por quadros de agitação, impulsividade e


dificuldade de concentração, o transtorno do déficit de atenção, nos últimos dez anos, ganhou maior
atenção de médicos, psicólogos e pedagogos porque se passou a creditar a esse distúrbio boa parte
dos casos de mau desempenho escolar [...]. Pais acusam escolas de rotular suas crianças de hiperativas
indiscriminadamente, antes mesmo de obter um diagnóstico médico, por falta de paciência dos
professores para lidar com crianças irrequietas. (Revista Veja, outubro 2004).

O texto permite afirmar que:

a) com o desenvolvimento das pesquisas, novos transtornos têm sido identificados, o que permite
refinamento nos diagnósticos.

b) a descoberta de novos diagnósticos estimula a pesquisa de medicamentos mais eficazes.

c) os professores têm sido treinados para realizar diagnóstico precoce do transtorno do déficit de
atenção, o que pode trazer muitos benefícios para os alunos.

d) o mau desempenho escolar é causado pelo transtorno do déficit de atenção.

e) observa-se uma ênfase na medicalização da educação, ao se classificarem como patologia aspectos


da singularidade do indivíduo.

As alternativas A, B, C e D estão embasadas em mitos e preconceitos, portanto, a correta é a E.

24
Psicologia Escolar

Exercício 2 – Leia a frase abaixo, considere o raciocínio proposto pela questão e depois assinale a
alternativa correta.

“O que na ciência é apenas opinião pode considerar-se como saber na vida cotidiana” (Agnes Heller)

No trato dos problemas de aprendizagem, esta autoridade da Ciência pode gerar consequências:

a) positivas, uma vez que esta autorização à Ciência valoriza a Psicologia e auxilia na descoberta de
causas biológicas e psicológicas para as dificuldades de aprendizagem.

b) positivas porque as pesquisas responsáveis pela comprovação de que disfunções neurológicas e


desnutrição são causas de problemas de aprendizagem têm representado um grande benefício
para a Educação.

c) negativas porque em nome do desenvolvimento de conhecimentos científicos sobre as causas


dos problemas de aprendizagem, a ideologia tem sido camuflada, facilitando a incorporação de
preconceitos à cotidianidade.

d) negativas porque a maioria dos autores que estuda os distúrbios de aprendizagem tem reconhecido
como principais responsáveis pelos problemas de aprendizagem as questões sociopolíticas e econômicas.

e) que não são nem positivas nem negativas, uma vez que os conhecimentos científicos a este
respeito têm mantido a devida neutralidade, uma vez garantidos os critérios metodológicos nas
pesquisas realizadas.

Observe que apenas a alternativa C apresenta uma análise pautada pela perspectiva crítica.

Parabéns! Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados em cada resposta. Agora
releia os textos e realize os exercícios anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução.
Essas dúvidas devem ser motivo de novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso
persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.

4 MODELO DE ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO DIANTE DOS PROBLEMAS DE


APRENDIZAGEM

Leitura básica:

KUPFER, M. C. O que toca à/a Psicologia Escolar. In: MACHADO, A. M. S. Marilene P. R. (org.). Psicologia
Escolar: em busca de novos rumos. 4. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004, p. 55 a 65.

Qual deve ser o papel do psicólogo no contexto escolar?

A autora do texto inicia suas reflexões a esse respeito estabelecendo uma crítica às atuações
profissionais que se pautam pelo modelo clínico tradicional.
25
Unidade I

O modelo clínico tradicional busca no indivíduo, no seu mundo interno, nas suas relações familiares
as causas para as dificuldades de aprendizagem.

Segundo Kupfer, tal modelo é ultrapassado, sem funcionalidade e visa à manutenção do sistema
que produz o fracasso escolar. Assim, torna-se necessário pensar em outras e diferentes formas de
intervenção.

A partir de uma perspectiva crítica de atuação profissional, que leva em conta a realidade social
dos indivíduos, quais teorias poderiam contribuir para uma ação compromissada com a transformação
social, que rompesse como o processo de alienação?

Dentre as várias possibilidades existentes, a autora destaca o referencial teórico oferecido pela
psicanálise. Tal teoria “não pode auxiliar diretamente o professor, a não ser que esse professor se analise,
não pode criar métodos pedagógicos inspirados por ela e não tem os mesmos objetivos da instituição”
(p. 54), então, de que forma a psicanálise pode auxiliar na atuação do psicólogo que se pretende um
agente de mudanças, que busca a ação preventiva e a otimização dos processos de aprendizagem?

Para a psicanálise, todo trabalho psicológico tem como alvo o eu, esse eu que é constituído por
identificações, que se molda a papéis sociais e varia com as condições históricas. “Os problemas de
aprendizagem são na sua maioria problemas no funcionamento egóico e, portanto amplamente
determinados pelas relações vividas pelas crianças no interior da instituição escolar.” (p. 54).

Outra forma de contribuição da psicanálise está relacionada com a possibilidade de leitura dos
discursos institucionais. Tais discursos tendem a produzir repetições, cristalizações, é como se todos
pensassem e falassem sempre as mesmas coisas. Dessa forma, não há lugar para o diferente, para se
pensar os mesmos e velhos problemas a partir de outro lugar, para buscar novas possibilidades de
olhar, compreender e consequentemente agir diante dos desafios. Esse é um papel importante para
o psicólogo escolar: auxiliar no sentido de que o grupo possa romper com os discursos e relações
cristalizadas. Assim, a psicanálise que irá nos ajudar não é a que se preocupa com as determinações
inconscientes ou que descreve as fases psicossexuais.

Em quais espaços o psicólogo escolar pode atuar?

Atua junto aos vários segmentos envolvidos no processo educacional: professores, diretores,
funcionários, pais e alunos.

Com os professores e diretores pode, por exemplo, trabalhar nos programas de formação continuada,
montar grupos de estudo, auxiliar na avaliação e na implantação de programas de ensino. Com os
pais, pode fazer orientações, estimular a participação na vida escolar etc. Desenvolve ações voltadas
aos alunos com defasagem escolar, problemas de relacionamento, orientação profissional, entre outros.
Também pode trabalhar com educação especial, assessoria e consultoria para as escolas. Em linhas
gerais, o objetivo final de seu trabalho é a garantia do desenvolvimento das habilidades da criança.

26
Psicologia Escolar

Há também alguns espaços que não são de atuação do psicólogo escolar, por exemplo: os métodos
de ensino, as técnicas de alfabetização são do espaço pedagógico. Há aspectos psicológicos que não
devem ser abordados: a relação da professora com a própria mãe, por exemplo.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.

2) A partir da leitura, esteja atento aos conceitos da psicanálise que podem ser utilizados no trabalho
do psicólogo escolar quando faz essa opção teórica.

3) Verifique qual o papel proposto para o psicólogo no contexto educacional e quais as possibilidades
de atuação apontadas pelo texto.

4) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 1: A professora da escola de V lhe faz o seguinte relato: V. sempre chega à escola com
fome. Logo no início da aula, faz a refeição. Normalmente, repete três vezes o prato de sopa e come
a mesma quantidade de sobremesa, normalmente uma fruta. Depois disso, dorme até o horário do
intervalo. Após o descanso, torna-se muito bem disposto e faz todas as tarefas. A professora está muito
preocupada com V, pois fica sempre atrasada em relação aos seus colegas, pois “perde uma parte da aula
dormindo” e gostaria de encaminhar a criança para avaliação.

A partir do que foi estudado sobre o fazer do psicólogo, considerando a perspectiva crítica, analise
as afirmativas apresentadas a seguir:

I - Quando o psicólogo pisa no território escolar (em muitas instituições educativas), intensifica as
expectativas e os olhares classificatórios e comparativos dos indivíduos tomados isoladamente.
Educadores querem saber “o que as crianças têm” e o psicólogo tem o papel de fornecer as
respostas.

II - O objetivo do trabalho do psicólogo na escola é abrir um espaço para a circulação das falas e,
principalmente, para romper com os discursos cristalizados.

III - Um dos fatores que favoreceram a inserção do psicólogo no contexto escolar foi que sempre
estiveram presentes subsídios teóricos críticos que possibilitassem ao profissional ter uma prática
que levasse em consideração à realidade social.

IV - A fala da diretora é pertinente, uma vez que o local de trabalho do psicólogo, ao se inserir no
contexto escolar, é a sala de atendimento, situada à margem da dinâmica escolar.

Assinale a alternativa correta em relação à atuação deste profissional.

27
Unidade I

a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.

b) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.

c) Apenas a afirmativas II está correta.

d) Apenas a afirmativas III está correta.

e) As afirmativas I, II, III e IV estão corretas.

A afirmativa I propõe um papel inadequado para o psicólogo que se pauta pela perspectiva crítica. Na
afirmativa III há um equívoco, nem sempre houve subsídios teóricos críticos, essa é uma mais realidade
recente. A ideia de que o lugar do psicólogo é em uma sala de atendimento que deve estar à margem
da dinâmica escolar pertence ao modelo clínico. Assim, a resposta correta é a C, apenas a afirmativa
II está correta.

Exercício 2: (Questão adaptada do Concurso de Provas e Títulos para Psicólogo Escolar do Conselho
Federal de Psicologia, do ano de 2003) Dentre as contribuições que o psicólogo escolar pode oferecer
para a comunidade escolar, podemos listar aquelas que se referem ao processo de gestão educacional.
Em relação a essa temática e a partir de uma perspectiva crítica, analise os itens abaixo.

I. Reforçar crenças e tradições já consolidadas para que não se percam frente a mudanças necessárias
no processo de organização escolar.

II. Promover discussões coletivas que busquem viabilizar as disposições de cada membro do grupo
para participação nos projetos da escola.

III. Fortalecer o diretor como especialista na gestão da escola com o objetivo de contribuir para a
perspectiva burocrática de organização escolar.

IV. Buscar referências para a sua atuação em pesquisas que estudaram os aspectos psicológicos
envolvidos na organização escolar.

V. Oferecer propostas para a equipe de gestão a partir de deduções de uma psicologia que já esteja
com os seus princípios definidos e consolidados para que não haja conflitos de interesses entre os
participantes da gestão escolar.

Levando em consideração os materiais estudados, podemos assinalar que:

a) apenas I e IV são falsas.

b) apenas I, II e III são falsas.

c) apenas I, II, IV e V são falsas.


28
Psicologia Escolar

d) apenas II, III e IV são falsas.

e) apenas I, III e V são falsas.

Apenas as afirmativas II e IV correspondem à perspectiva solicitada, logo, a alternativa correta é


a E.

4.1 REFLEXÃO CRÍTICA ACERCA DOS INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO

Leitura básica:

MACHADO, A. M. Avaliação psicológica na escola: mudanças necessárias. In: Psicologia e Educação –


desafios teórico-práticos. TANAMACHI, E; PROENÇA, M. R.; ROCHA, M. M.(org.). São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2002, p. 143-167.

As autoras do texto estabelecem uma distinção entre o modelo clínico tradicional e o modelo
preventivo em relação ao processo de avaliação psicológica diante da queixa escolar.

No modelo clínico tradicional, o objeto de análise é a criança. Nesse sentido, busca-se compreender
o que ela tem, o problema está na criança, nas suas relações familiares, no seu mundo interno. Em
concordância com esse paradigma, para a avaliação da queixa escolar, algumas ações são realizadas, tais
como: entrevista com os pais, anamnese, sessões lúdicas com a criança, aplicação de testes, diagnóstico,
prognóstico, entrevista devolutiva com os pais, encaminhamento para tratamento.

Pensar no processo de avaliação da queixa escolar em harmonia com o modelo preventivo requer
uma mudança paradigmática. Observe que ao alterarmos nosso paradigma alteramos nosso olhar e,
consequentemente, as nossas ações. Assim, se no modelo preventivo o objeto de análise passa a ser
o contexto das relações que produzem o fenômeno (não aprender), o objetivo do nosso trabalho será
intervir no processo de produção da queixa escolar para rompê-lo.

A partir dessa perspectiva quais seriam as possíveis ações do psicólogo escolar?

— Pesquisar os bastidores dos encaminhamentos, as versões dos vários profissionais e a história


de vida da criança. Para tanto se pode pedir ao professor que escreva a queixa, leia o prontuário
dos alunos, verifique a versão e as expectativas dos diversos segmentos envolvidos no processo,
as práticas pedagógicas cotidianas etc.;

— Realizar encontros com o grupo de crianças e com os pais. Com o intuito de pensar o processo
de produção da queixa e o que poderia se feito para modificá-la, pode-se verificar a participação
dos pais e dos alunos nos processos de decisão na vida escolar, conhecer as diferentes versões
dos fatos, observar as relações de poder, obter o consentimento dos pais para o trabalho a ser
realizado, entre outras ações;

— Conversas com os professores para discussão dos acontecimentos em classe;


29
Unidade I

— Devolver os aspectos percebidos no processo aos professores, pais e crianças, verificar as


possibilidades, as modificações, problematizar as questões, colher e oferecer sugestões para
que a queixa possa vir a se superada.

— Por fim, cabe ressaltar que avaliar o processo de produção da queixa implica em buscar o
quanto é possível alterar essa produção afetando os fenômenos nos quais ela se viabiliza.

Atividades recomendadas:

1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pelas autoras,
em defesa de suas teses.

2) A partir da leitura, esteja atento aos paradigmas e às ações presentes em cada modelo utilizado
para a avaliação da queixa escolar.

3) Verifique qual o papel proposto para o psicólogo no contexto educacional e quais as possibilidades
de atuação apontadas pelo texto.

4) Acompanhe os seguintes exemplos de exercícios:

Exercício 1: (Fonte: Provão 2001) O psicólogo é chamado a uma escola de Ensino Fundamental, em
função de problemas de indisciplina em uma quinta série.

A partir dessa demanda, baseado em concepções recentes de Psicologia Escolar que consideram como
fundamental a análise da constituição da queixa escolar, na sua dimensão institucional, o profissional
deverá atuar:

a) de maneira individual, ouvindo cada aluno, avaliando-o particularmente para buscar em aspectos
de sua personalidade as causas do comportamento da indisciplina.

b)) como interlocutor qualificado, levantando diferentes versões sobre as questões escolares com
pais, educadores e alunos, discutindo com tais protagonistas as possibilidades de intervenção.

c) de maneira tão somente grupal, reunindo os alunos indisciplinados e realizando sessões terapêuticas
em grupo, tendo a indisciplina como tema.

d) como psicoterapeuta, encaminhando os alunos indisciplinados para atendimento em psicoterapia


individual e grupal fora do ambiente escolar.

e) como educador, organizando um ciclo de, pelo menos, três palestras com pais e professores sobre
indisciplina escolar.

As alternativas A, C e D correspondem ao modelo clínico tradicional na avaliação da queixa escolar. A


alternativa E propõe um papel que não corresponde àquele que deve ser reservado ao psicólogo escolar.
30
Psicologia Escolar

Apenas a alternativa B propõe uma intervenção pautada pela perspectiva crítica, que considera a
dimensão institucional conforme o solicitado pelo enunciado da questão.

Exercício 2: Ao ser indagado sobre a razão de seu encaminhamento para avaliação, Clara (nove
anos) responde à psicóloga: “Eu tenho uma doença chamada idade mental”.

Tendo em conta a perspectiva crítica, as ações que podem ser consideradas mais adequadas para o
psicólogo escolar em relação à avaliação psicológica de crianças nestas condições são:

a) Analisar o resultado de testes que revelem o grau de inteligência da criança para poder saber o
que pode estar produzindo a dificuldade de aprendizagem.

b) Analisar o processo de aprendizagem da criança com professores, pais e as próprias crianças com
o objetivo de apontar a causa dessa dificuldade.

c) Analisar as relações e problematizar a respeito dos “campos de forças” e da realidade em que


ocorrem os encaminhamentos das crianças para avaliação.

d) Analisar as relações entre as crianças, sua forma de agir e de brincar, a fim de detectar suas
limitações e dificuldades de aprendizagem.

e) Analisar os dados estatísticos referentes aos problemas de aprendizagem, identificar seus prováveis
distúrbios físicos e mentais e encaminhá-la para ludoterapia.

Apenas a alternativa C corresponde à perspectiva crítica, ao modelo preventivo, as demais


alternativas correspondem ao modelo clínico tradicional.

Parabéns! Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados em cada resposta. Agora
releia os textos e realize os exercícios anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução.
Essas dúvidas devem ser motivo de novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso
persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.

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