Unid 1
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quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
APRESENTAÇÃO
Organização do material:
Olá, aluno!
Estamos iniciando uma jornada de estudo e pesquisa juntos e, para começar, é importante que você
receba orientações gerais sobre como está organizado este material.
Não se esqueça de recorrer constantemente às fontes (livros, artigos etc.) que serviram como
referência para a construção deste material e onde você encontrará novas possibilidades de busca e
aprendizagem.
A DISCIPLINA
Como o nome indica, nesta disciplina, você terá oportunidade de conhecer a atuação do psicólogo
em relação aos processos educativos. Nosso objetivo é levá-lo a conhecer a atuação do psicólogo em
relação às demandas escolares no contexto clínico, institucional e comunitário. Você terá oportunidade
de estudar a multiplicidade de fatores constituintes da queixa escolar, analisar os aspectos históricos,
sociais, culturais, afetivo-emocionais, cognitivos e comportamentais envolvidos na constituição da
queixa escolar. Além disso, irá conhecer a atuação do psicólogo no processo ensino-aprendizagem,
considerando o contexto das relações institucionais, a partir da perspectiva da teoria crítica e também
no campo da orientação profissional.
Dessa forma, nossa disciplina tem como objetivo geral o desenvolvimento das seguintes competências:
Nesse sentido, indicamos as seguintes habilidades que você desenvolverá durante o curso:
— Conhecer a atuação do psicólogo frente às demandas escolares, a partir de uma visão crítica
em psicologia.
O material aqui apresentado poderá ser utilizado como orientação para seu estudo e como
complemento das atividades realizadas nas aulas presenciais e a distância.
O programa da disciplina está distribuído em duas unidades, que deve ser estudado ao longo do
semestre letivo. Alguns tópicos serão objeto de avaliação na NP1 (unidade 1) e outros serão avaliados
na avaliação NP2 (unidade 2).
Sugerimos que você siga a ordem abaixo apresentada, ao planejar seu estudo, uma vez que os temas
mantém entre si uma relação lógica.
UNIDADE 1
3. Análise crítica das políticas públicas na educação brasileira. Os mitos e os preconceitos sobre a
criança que não aprende.
4. Modelo de atuação do psicólogo diante dos problemas de aprendizagem. Reflexão crítica acerca
dos instrumentos de intervenção.
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UNIDADE 2
5. O modelo de atuação do psicólogo a partir da visão crítica em Psicologia Escolar: uma proposta
de intervenção diante das queixas escolares. Orientação à queixa escolar.
Em cada uma das unidades, haverá uma breve apresentação do assunto, indicação de material para
leitura, atividades de estudo e exercícios de verificação da aprendizagem.
Lembre-se de que a mera realização dos exercícios não permitirá a aprendizagem dos temas. É
imprescindível que você realize todas as atividades descritas em cada unidade, especialmente a leitura
dos textos indicados como bibliografia básica.
A bibliografia apresentada a seguir relaciona as obras consideradas importantes para o estudo dos
temas. Em cada unidade, serão indicados os trechos específicos que devem ser lidos.
Bibliografia básica:
MACHADO, A. M.; SOUZA, M. P. R. (org.). Psicologia escolar: em busca de novos rumos. 4. ed. São
Paulo: Casa do Psicólogo. 2004.
MEIRA, M. M.; ANTUNES, M. A. M. Psicologia escolar: teorias críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
2003.
MEIRA, M. M.; ANTUNES, M. A. M. Psicologia escolar: práticas críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo.
2003.
Bibliografia complementar:
PATTO, M. H. S. Para uma visão crítica da razão psicométrica. In: Revista Psicologia – USP v. 8, nº 1,
São Paulo. 1997, p. 47-62
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SAVIANI, D. As teorias da educação e o problema da marginalidade. In: Escola e Democracia. São
Paulo: Editores Associados. 2003. 38. ed. p. 03 - 34.
TANAMACHI, E.; SOUZA, M. P. R.; ROCHA, M. E. M. (org.). Psicologia e Educação – desafios teórico-
práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
Além dessas referências, é desejável que você recorra a outras fontes, caso queira se aprofundar
em algum tópico específico do programa. É importante que, em sua pesquisa, você recorra a fontes
confiáveis. Indicamos a seguir alguns endereços eletrônicos cuja consulta é recomendada:
DVD Coleção Grandes Educadores – Jean Piaget com apresentação de Yves de La Taille (ATTA mídia e
educação - Editora Paulus [Link])
Passemos, então, ao conhecimento das ideias dessa ação profissional em psicologia tão importante
nos tempos atuais!
Bons estudos!
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Psicologia Escolar
Unidade I
1 VISÃO CRÍTICA EM PSICOLOGIA ESCOLAR: APROXIMAÇÃO HISTÓRICA
ENTRE PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO
Leitura básica:
O objetivo desse texto é analisar por que a psicologia tornou-se necessária para a educação e como
respondeu às demandas que lhe foram feitas. A autora aborda criticamente a relação de cumplicidade
ideológica que se estabeleceu entre psicologia e educação ao longo da história.
A Escola Tradicional (séc. VIII até o início do séc. XX), de base religiosa, não precisava da Psicologia
para acompanhar a prática educativa, acreditava que o ser humano era dotado de duas naturezas: uma
essencialmente boa e construtiva e outra corrompida pelo pecado original. O professor deveria ser um
modelo a ser seguido e a tarefa da educação era preservar o que há de bom no ser humano, através da
disciplina, das regras rígidas, da vigilância.
Acreditava-se que o conhecimento poderia ser transmitido ao aluno pelo professor, valorizava-se o
domínio do conteúdo, não se preocupava com o processo, e sim com o produto, com o resultado final,
ou seja, não importava se o aluno havia compreendido um determinado conteúdo, o que importava era
que ele apresentasse a resposta correta, mesmo sendo por ter apenas decorado.
No séc. XX, com o advento da Escola Nova, assistimos a uma nova maneira de compreender a
infância, embora continuasse a ser pensada como possuidora de uma dupla natureza, a criança passou
a ser vista como naturalmente boa, desde o nascimento, mas era preciso evitar que pudesse vir a ser
corrompida.
O professor passou a ser visto como um organizador de condições para uma aprendizagem ativa. O
aluno era compreendido como sujeito ativo que construía seu próprio conhecimento e poderia escolher
o que e quando aprender. A ênfase recaiu sobre o processo de aprendizagem, não se valorizava tanto os
conteúdos escolares, o importante era aprender a aprender.
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Unidade I
No séc. XX, a psicologia também se desenvolveu, não só como conhecimento, mas como prática
capaz de contribuir aos processos educacionais. Instrumentos da psicologia tais como os testes
servem para que se possam formar classes mais homogêneas, para avaliar o desenvolvimento das
crianças. A Psicologia Clínica tradicional começou a atender individualmente as crianças com
queixa escolar.
Na medida em que se voltou prioritariamente para o mundo interno do sujeito, a psicologia contribuiu
para o fortalecimento das noções naturalizantes da pedagogia e para ocultar a educação como processo
social, daí a cumplicidade ideológica entre psicologia e educação.
A partir de tais concepções, o fracasso escolar será sempre compreendido com sendo problema
do aluno, nunca da didática, da estrutura autoritária da escola, da sua desatualização, do projeto
pedagógico, da política educacional implantada pelo Estado.
O texto também nos mostra que essa relação de cumplicidade estabelecida entre a psicologia
e a educação pode vir a acontecer em outros termos, de modo a superar as visões naturalizantes
e patologizantes acerca da queixa escolar. Segundo a perspectiva crítica, a educação é processo
social que responde às necessidades dos grupos dominantes na sociedade. Ela não é neutra, nem
desinteressada, visa à manutenção da estrutura social e das relações de poder. Assim, não é possível
continuar pensando na educação como um processo natural de desenvolvimento de potencialidades
existentes nos sujeitos.
Em seu trabalho, o psicólogo educacional deve atuar como um agente de promoção da saúde mental,
para tanto, é necessário considerar as dimensões ética e política da nossa prática. A dimensão ética se
compõe pela solidariedade ao outro e a dimensão política pelo compromisso com a transformação
social. Não é possível continuar indiferente frente à situação de miséria de muitos e de riqueza de
poucos, frente à situação de exclusão, em que se encontra um grande número de crianças que não
obtém sucesso em sua trajetória escolar.
É necessário que se faça uma psicologia escolar e não uma psicologia do escolar. Assim, há
necessidade de que se compreenda o jogo de forças que produz o fenômeno, ou seja, que se considerem
os aspectos sociais, políticos e ideológicos que produzem o fracasso escolar e não que se continue
a procurar exclusivamente no indivíduo que não aprende, no seu mundo interno, nas suas relações
familiares as razões do não aprender.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.
2) A partir da leitura, procure identificar em cada momento histórico as ideias predominantes acerca
do que é educação, qual o papel do aluno, do professor e o papel do psicólogo, observe a ideologia
presente e as mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo.
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Psicologia Escolar
3) Esteja atento. O modo como pensamos e agimos sempre está atendendo ao interesse de uma
determinada classe social. Como psicólogos, devemos atender aos interesses de quem? Reflita
sobre isso.
Exercício 1 - Uma psicóloga escolar que atua na rede pública de ensino tem como pressuposto
que durante muitos anos a psicologia e a pedagogia foram cúmplices para a manutenção da ideologia
dominante e, como profissional, busca romper com essa forma de atuação. Após um grupo de professores
se queixarem sobre os comportamentos de um aluno e os problemas de aprendizagem decorrentes, ela
provavelmente:
I – Dirá aos professores que a permanência de crianças com necessidades especiais no cotidiano
escolar exige que se especializem em relação às patologias que se apresentam e que eles poderiam
fazer um curso sobre crianças com problemas específicos de comportamento.
II – Atuará como agente de mudanças, buscando romper com os discursos já cristalizados dentro do
ambiente escolar.
III – Iniciará observando a criança e convidando-a, posteriormente, para uma avaliação selecionando
os instrumentos mais apropriados para avaliar o desenvolvimento da inteligência e da personalidade
deste aluno.
IV – Considerará a queixa escolar sob uma perspectiva mais ampla, em termos das variáveis sócio/
político/culturais na realidade escolar.
a) I e II são falsas.
c) I e V são falsas.
d) II e IV são verdadeiras.
compatíveis com o modelo clínico tradicional para o enfrentamento das questões educacionais. Apenas
as alternativas II e IV apontam para uma perspectiva mais crítica que considera os fatores sociais,
culturais, políticos e pedagógicos na análise do jogo de forças que produz o fenômeno. Essa é uma
perspectiva que vai além do olhar apenas para o aluno que não aprende.
II. A figura representa o ensino tradicional, em que a postura esperada do aluno é a de um receptáculo
de informações sendo que as suas opiniões e os conhecimentos prévios não interessam ao
professor.
III. Na figura, o professor pode ser visto como um organizador de condições para uma aprendizagem
ativa.
IV. A figura representa o aluno como sujeito ativo que constrói seu próprio conhecimento.
A) I e II estão corretas.
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Psicologia Escolar
Se você escolheu a alternativa C é sinal de que compreendeu alguns dos principais conceitos do
nosso texto. A afirmativa I confunde os conceitos da Escola Tradicional com os conceitos da Escola Nova.
As afirmativas III e IV apresentam pressupostos da Escola Nova que não podem ser relacionados com a
figura apresentada.
Marilda é professora da 2º ano e possui alguns alunos que não estão acompanhando o ritmo da
classe. Quando indagada sobre as possíveis causas de tais dificuldades, ela nos diz: - As crianças desse
bairro são pobres e desnutridas, suspeito que devam ter alguma disfunção neurológica, não sabem falar
direito, falam fosque quando se diria fósforo, fungão quando se diria fogão, nessas condições como é
que podem aprender?
Analisando o discurso da professora, a partir de uma perspectiva crítica, é correto afirmar que:
I. A fala da professora nos mostra que ela leva em conta condições econômicas e sociais, mostrando
seu engajamento político com a situação.
II. Marilda nos apresenta um discurso repleto de preconceitos e que reflete o processo de biologização.
III. Seu discurso visa a naturalizar e patologizar o que nem deve ser visto como natural, nem
necessariamente é consequência de doença. Marilda não leva em conta a rede de relações e as
diferentes versões da situação, dirigindo seu olhar apenas para a criança e sua família.
Nesse exercício você deve ter assinalado a alternativa B. Apenas as afirmativas II e III correspondem
ao referencial teórico solicitado.
Exercício 4 - A frase abaixo é constituída por duas proposições unidas por uma implicação lógica
(portanto). Para facilitar a identificação, a implicação lógica está grafada em negrito na frase. Examine-a
e assinale a alternativa correta:
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Unidade I
Para a perspectiva crítica, as explicações para o fracasso escolar não podem ser encontradas apenas
no indivíduo encaminhado para a avaliação psicológica, portanto, para compreendermos o fracasso
escolar é necessário estar atento ao campo de forças no qual esse fenômeno se manifesta.
Você deve ter assinalado a alternativa E. As duas proposições estão corretas, mantêm a relação
lógica estabelecida na frase e correspondem ao referencial teórico proposto.
Muito bem. Após realizar e acompanhar os argumentos de cada questão acima, faça novamente
uma leitura cuidadosa do texto indicado no início dessa aula e realize os exercícios que estão anexos,
anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução. Essas dúvidas devem ser motivo de novas
pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.
Leitura básica:
SAVIANI, D. Teorias da educação e o problema da marginalidade. In: Escola e Democracia. 38. ed. São
Paulo: Editores Associados. 2003, p. 3-34.
O texto nos possibilita uma compreensão mais sistemática e crítica acerca das diferentes teorias da
educação. Destaca os principais pressupostos teóricos de cada uma delas e o modo como estas vêm
compreendendo a questão da marginalidade. Marginalidade aqui compreendida como estar à margem
do processo educacional, referindo-se aos indivíduos que de alguma forma estão excluídos de tal
processo, por exemplo: as crianças em idade escolar que não têm acesso à educação, os que fracassam
ou desistem nesse processo, os analfabetos.
Saviani classifica as teorias educacionais em dois grandes grupos: as teorias não críticas e as
teorias crítico-reprodutivistas. Cada uma delas explica a questão da marginalidade a partir de uma
determinada maneira de compreender as relações entre educação e sociedade.
Para as teorias não críticas, a sociedade é harmoniosa, busca a integração dos indivíduos, a igualdade
entre eles. Assim sendo, a marginalidade é um fenômeno acidental, individual, um desvio a ser corrigido.
A educação é um instrumento capaz de corrigir tal desvio, de auxiliar na superação da marginalidade,
garantindo a construção de uma sociedade igualitária.
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Psicologia Escolar
As teorias crítico-reprodutivistas concebem a sociedade como sendo composta por classes sociais
antagônicas, que disputam o poder, possuem interesses e visões de mundo diferentes. A marginalidade
é compreendida como um fenômeno inerente à própria estrutura social. Pensa na educação como um
instrumento a favor da manutenção da estratificação social, seu papel é reforçar a dominação dos
grupos que detêm o poder, é a reprodução das desigualdades sociais. Pensando dessa forma, o fracasso
(do) escolar é, na verdade, o êxito da escola.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.
2) Assista ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (Direção Peter Weir, EUA, 1990) e faça uma análise
da história com os principais conceitos propostos por Saviani em seu texto.
Sinopse: Em 1959, na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno se torna o
novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos
cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos
sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.
Exercício 1 - Segundo Demerval Saviani (2003), as teorias educacionais podem ser classificadas em
dois grupos. Em um primeiro grupo, as teorias colocam a educação como um instrumento de equalização
social. O segundo grupo entende que a educação é um instrumento de discriminação social. Segundo o
autor, as teorias procuram explicar a questão da marginalidade a partir de uma determinada forma de
entender as relações entre educação e sociedade. Tendo-se em conta os principais pressupostos desses
grupos teóricos, analise as afirmativas abaixo:
II – Para as teorias não críticas, a sociedade está marcada pela divisão entre grupos ou classes que
se relacionam à base da força.
III – Segundo as teorias não críticas, a marginalidade é um desvio a ser corrigido pela educação.
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Unidade I
Você deve ter percebido que nas afirmativas I e II os conceitos estão invertidos. O que se afirma
acerca das teorias crítico-reprodutivistas são pressupostos das teorias não críticas e vice-versa. Apenas
as afirmativas III e IV apresentam as ideias corretamente. Dessa forma, a alternativa correta é a E.
PEDAGOGIA TRADICIONAL
Dando continuidade ao nosso texto, Demerval Saviani, como já foi dito anteriormente, classifica as
teorias educacionais em dois grandes grupos: as teorias não críticas e as teorias crítico-reprodutivistas.
No grupo das teorias não críticas, encontramos a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a
pedagogia tecnicista.
Apresentaremos a seguir algumas das principais ideias defendidas por cada uma delas. A marginalidade
é identificada com a ignorância, o marginalizado é quem não é esclarecido. O papel da escola, no sentido
de superar a marginalização, é transmitir informação que deve ser acumulada, armazenada pelo aluno.
Essa teoria da educação não conseguiu o seu intento de universalização do saber. Nem todos os
indivíduos tinham acesso à escola, dentre os que tinham acesso à escola nem todos foram bem sucedidos
e dentre os bem sucedidos nem todos se ajustavam à sociedade que se pretendia construir.
PEDAGOGIA NOVA
É uma teoria pedagógica baseada nos princípios da biologia e da psicologia. Acredita-se que os
homens são essencialmente diferentes, cada indivíduo é único, não se repete. Portanto, marginalizado
é o rejeitado, aquele que pelas suas diferenças não é aceito pelo grupo. Assim, o papel da educação é
contribuir para a construção de uma sociedade que aceite todo e qualquer tipo de diferença individual,
cujos membros se respeitem mutuamente.
O professor deve ser um estimulador, um orientador da aprendizagem cuja principal iniciativa deve
ser do aluno, não há preocupação com o conteúdo pedagógico, mas com o processo de aprendizagem,
o importante é aprender a aprender.
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Psicologia Escolar
O tipo de escola proposto implicava em custos mais elevados que a Escola Tradicional, um dos
motivos pelos quais ela não altera positivamente o panorama educacional na rede pública de ensino,
mas aprimora a qualidade de ensino destinado às elites.
PEDAGOGIA TECNICISTA
Atividades recomendadas:
1) Faça uma tabela para organizar seus estudos: coloque no alto os dois grandes grupos das teorias
indicadas por Saviani: não críticas e as teorias crítico-reprodutivistas. Depois vá completando com
as demais informações. Ao final, você terá um esquema organizado da matéria.
Exercício 2 - Joana é professora em uma escola e está enfrentando algumas dificuldades para
desenvolver o conteúdo com alguns de seus alunos que não estão conseguindo o desempenho esperado.
Conversando com a coordenadora pedagógica da escola, ela respondeu que a saída para a resolução
de tal questão é analisar e programar estratégias mais eficientes de controle, planejando eventos
antecedentes e consequentes que permitam a melhoria da aprendizagem.
a) Pedagogia tradicional, pois enfatiza a importância do bom relacionamento entre professor e aluno.
d) Pedagogia Nova cuja ênfase recai sobre o processo de aprendizagem e não sobre o conteúdo de
ensino.
e) Pedagogia tradicional, que se preocupa com o domínio dos conteúdos escolares pelo aluno.
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Unidade I
Todas as sociedades organizam-se como um sistema de relações de força material entre grupos
e classes. À violência material (dominação econômica) corresponde a violência simbólica (dominação
cultural). A violência simbólica se manifesta pela imposição ideológica, pela formação de opinião pública,
pelos meios de comunicação, pela pregação religiosa, pela propaganda, moda, educação familiar etc.
A ação pedagógica é uma imposição arbitrária da cultura dos dominantes aos dominados. Não há
superação das desigualdades pela educação. A escola não é espaço de luta pela transformação social.
Nesse sentido, marginalizados são os grupos dominados.
Para a manutenção do poder e da estrutura social, o Estado conta com aparelhos repressivos (governo,
polícia, exército, prisões etc.) e ideológicos (religioso, escolar, familiar, sindical, informativo, cultural).
A escola, como aparelho ideológico do Estado, reproduz as relações do capitalismo, busca impor aos
alunos a ideologia da burguesia no intuito de manter sua dominação.
A escola pode vir a ser um espaço para a luta de classes, no entanto, Althusser acredita que essa
será uma luta heroica e inglória. Para essa teoria marginalizada é a classe trabalhadora, cuja força de
trabalho é explorada pelos capitalistas.
Establet também acredita que a escola é aparelho ideológico do Estado. Para essa teoria, a escola
está dividida em duas grandes redes que correspondem à classe social da burguesia e do proletariado.
A educação cumpre duas funções básicas: formação da força de trabalho e imposição da ideologia
burguesa. A escola é um instrumento de luta da burguesia contra o proletariado. Nesse sentido,
marginalizado é o proletariado.
Admite a existência da ideologia do proletariado que tem origem fora da escola, nas massas operárias
e em suas organizações. A luta de classes se trava nas relações de produção e exploração.
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Psicologia Escolar
Atividades recomendadas:
2) A partir da leitura, procure identificar em cada uma das teorias as ideias predominantes acerca
do conceito de marginalidade; da função da educação na sociedade, do papel do aluno e do
professor. Observe a ideologia presente nessas teorias e as mudanças que foram ocorrendo ao
longo do tempo.
3) Reflita sobre as seguintes questões: É possível superar a marginalização? Lutar contra a seletividade,
a discriminação e a baixa qualidade do ensino?
Exercício 3 - Maria é professora em uma escola pública, acredita que os alunos devem dominar todo
o conteúdo passado pela professora, para tanto, realiza muitos exercícios, faz com que os alunos repitam
várias vezes o que foi ensinado, acredita que assim está contribuindo para a superação das desigualdades
sociais. Maria, no entanto, está frustrada, muitos de seus alunos não conseguem acompanhar o ritmo
que ela tenta impor à sala e ela não sabe mais o que fazer, afinal trata todos os alunos igualmente. A
qual teoria da educação corresponde a postura de Maria?
a) Pedagogia Nova.
b) Pedagogia Tradicional.
d) Pedagogia Tecnicista.
Exercício 4 - De acordo com o que foi estudado sobre as teorias da educação e o problema da
marginalidade, pode-se considerar que as afirmativas abaixo correspondem aos pressupostos da
Pedagogia Tradicional. Leia atentamente as afirmativas e responda à questão:
a) Somente em I.
b) Somente em II.
c) Somente em III.
Você deve ter assinalado a alternativa E. Todas as afirmativas correspondem à Abordagem Tradicional
I. A educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador, o
depositante. O educador é o que disciplina e os educandos são os disciplinados. O educador é o que sabe
e os educandos aqueles que não sabem.
Muito bem. Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados para cada resposta.
Agora para “fechar com chave de ouro”, releia esse belíssimo texto de Saviani e realize os exercícios
anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução. Essas dúvidas devem ser motivo de
novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso persistam, apresente-as ao professor, na
tutoria.
Leitura básica:
Leitura básica:
PATTO, M. H. S. Democratização do ensino e políticas públicas: desafios para a pesquisa. In: Exercícios
de Indignação – escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005, p. 57-67.
Os textos nos trazem reflexões acerca de algumas das mudanças na política educacional, em relação
ao processo de escolarização na rede pública, tendo como referência pesquisas de base etnográfica que
se pautam pela perspectiva crítica.
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Psicologia Escolar
A autora aborda mais especificamente as seguintes reformas que foram sendo implantadas
ao longo dos anos: ciclo básico, classes de aceleração, progressão continuada e os programas de
inclusão. Embora algumas das propostas não tenham vindo para ficar, por exemplo: as classes de
aceleração, nesse sentido, interessante é observar como, em cada diferente momento da educação,
os indivíduos foram se apropriando dessas mudanças e o resultado de cada uma delas no processo
educacional.
Segundo Roger Bastide, para que a transformação ocorra é necessário que a novidade possa “entrar
em harmonia com o campo de significações da cultura receptora”. Assim, não basta que o Estado
determine estas ou aquelas transformações, a vontade estatal inevitavelmente vai encontrar a vontade
popular, o que significa dizer que, muitas vezes, a intenção das reformas propostas é uma e a realidade,
o que realmente acontece nas escolas, é outra.
Conforme nos coloca a autora, uma política educacional, como é o caso da nossa, que se pauta pelo
descaso pela boa qualidade de ensino, em um país marcado pelas desigualdades sociais e econômicas,
pelo cinismo com o direito dos cidadãos acaba por refletir também nas relações que se estabelecem
dentro da escola. Tais relações, muitas vezes, resultam em atrito entre os níveis hierárquicos, na inimizade
entre professores e alunos, no descaso, no fatalismo, no preconceito social e racial entre outros. E é
dentro desse contexto que professores e diretores são atropelados por mudanças intempestivas nas
diretrizes administrativas e pedagógicas.
Visava a eliminar a repetência nas séries iniciais do Ensino Fundamental, estava organizada como
Ciclo Básico Inicial – CBI (1ª. e 2ª. séries) e Ciclo Básico Continuidade - CBC (3ª. e 4ª. série), não deveria
haver reprovação durante os ciclos.
Era uma proposta de base construtivista, que colocava o aluno como sujeito do processo de
aprendizagem, mas esse não era o olhar dos professores.
Constata a autora do texto que as escolas resistiram à mudança e alteraram a proposta, de modo
que entrasse em conformidade com a lógica institucional anterior à reforma, ou seja, instituiu-se a
repetência que se propunha a eliminar.
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Unidade I
CLASSES DE ACELERAÇÃO
Foram criadas com o intuito de resolver o problema de defasagem idade-série. Afinal, a reprovação
aumentou o custo da educação para o Estado.
PROGRESSÃO CONTINUADA
PROGRAMAS DE INCLUSÃO
Camuflado pelo discurso oficial que proclamava o direito universal à educação, os alunos com
necessidades especiais foram colocados em sala de aula regular, isso sem o devido cuidado e preparo da
comunidade e dos profissionais que trabalhavam com estas crianças.
Estar em sala de aula e não ser aceito ou não receber um trabalho de qualidade é garantia
de inclusão?
Segundo Patto, muitos são os problemas enfrentados pela educação e a saída para nossos problemas
não está na técnica, são as concepções e as relações que precisam ser o objeto de atenção dos projetos.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.
2) A partir da leitura, observe como em cada diferente momento da educação os indivíduos foram
se apropriando das reformas propostas pelo Estado e o resultado de cada uma delas no processo
educacional.
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Psicologia Escolar
— No momento atual do capitalismo e das manobras em escala mundial para proteger o capital,
a massa de pessoas cujo trabalho vem se tornando desnecessário aumenta. Qual o papel da
educação nesse contexto?
Exercício 1 - A Psicologia Escolar tem sido convocada a participar das discussões sobre Políticas
Públicas em Educação, na medida em que, para compreender e contribuir com a realidade escolar, é
preciso considerar como se concretizam essas propostas e medidas. Qual das alternativas abaixo não
reflete a realidade no que diz respeito das Políticas Públicas em Educação?
a) O discurso oficial a respeito da equalização de oportunidades tem girado em torno de três eixos:
garantia de universalização do acesso à escola, garantia de permanência nela e garantia de bom
ensino a todos.
b) Uma das grandes contradições da política educacional brasileira é a relação entre o crescimento
quantitativo de vagas nas escolas e a qualidade do ensino.
Dizer que o professor não participa da elaboração das Políticas Públicas porque não quer é uma
falácia. Os professores não são consultados, as mudanças são impostas pelo Estado. A alternativa
incorreta é a D.
A partir desse breve relato, pode-se perceber um conjunto de características sobre a escola na qual
Alisson está matriculado. Assinale a alternativa incorreta:
a) Pelo relato de Alisson, a escola parece um espaço deslocado do contexto social no qual o garoto
se insere.
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Unidade I
b) A educação, da maneira como ocorre na escola da Alisson, parece ser um esforço para que haja uma
apropriação, por todos, da produção cultural, garantindo possibilidades para todos participarem e
modificarem a dinâmica social.
c) Outra característica dessa escola pode ser a concepção de que a busca pela aprendizagem deve
partir do aluno, desconsiderando a importância do educador favorecer o interesse e o desejo por
aprender.
d) Nessa concepção, a escola não tem contribuições para a solução dos problemas da marginalidade.
Ao contrário, é mais uma fonte de reprodução social ao invés de transformação.
e) A dinâmica escolar apresentada por Alisson, muitas vezes, serve mais para justificar as desigualdades
sociais presentes na sociedade, ao invés de pensar em possibilidades de mudanças.
Leitura básica:
MOYSÉS, M. A. A. e COLLARES, C. A. L. Sobre alguns preconceitos no cotidiano escolar. In: Ideias 19,
FDE – Fundação para o desenvolvimento da Educação. São Paulo, 1993, p. 9-25.
As autoras nos mostram como determinados mitos e preconceitos acerca das causas das dificuldades
de aprendizagem acabam por interferir de forma negativa na compreensão que se pode produzir sobre
o não aprender. Desvelam a ideologia presente no modo pelo qual alguns segmentos da sociedade
compreendem a questão do fracasso escolar.
O texto nos mostra uma definição de preconceito baseada no referencial teórico oferecido por Agnes
Heller. Segundo Heller, é característico da vida cotidiana a existência de juízos provisórios, tal juízo é
considerado provisório na medida em que se constitui em uma ideia que se faz sobre determinada
situação e que se antecipa a ela. Muitas vezes, no confronto com a realidade, percebemos que a ideia
que havíamos formado sobre determinada situação não corresponde à verdade, ao que realmente é.
Quando um juízo provisório é refutado pelo confronto com a realidade e mesmo assim permanece
inalterado, não estamos mais diante de um juízo provisório, mas de um preconceito. “Dois afetos podem
nos ligar a uma concepção, opinião, convicção: a fé e a confiança. O afeto do preconceito é a fé (...) a fé
resiste sem abalos e sem conflitos ao pensamento e à experiência” (p. 12).
Considerando o que foi exposto é possível concluir que o preconceito se coloca como um obstáculo
à transformação do sistema educacional. Vários são os preconceitos existentes na escola, um deles é
atribuir às características inatas, biológicas, da criança as causas do fracasso escolar. A escola é uma
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Psicologia Escolar
instituição, que atende a determinados interesses políticos e sociais, ao olhamos apenas para o aluno,
desconsiderando toda rede de relações e interesses que estão em jogo na escola, estamos na verdade
culpabilizando a própria vítima, no caso, o aluno.
O preconceito da desnutrição
Em linhas gerais, as pesquisas mostram que a desnutrição grave, no início da vida e de longa duração
pode vir a comprometer o raciocínio abstrato superior.
Vejamos algumas das conclusões das autoras do texto acerca de tal questão:
— A maioria das crianças com desnutrição grave morre antes de entrar para a escola.
Sem respaldo científico, relacionarmos desnutrição com fracasso escolar nada mais é que preconceito.
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Unidade I
Dessa forma, ao contrário do que aconteceu com o preconceito acerca da desnutrição, o preconceito
acerca das disfunções neurológicas foi encontrado naquilo que foi divulgado como ciência.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os principais conceitos e os argumentos
utilizados pelas autoras.
2) A partir da leitura, observe como os mitos e os preconceitos são criados, como são difundidos e
quais seus efeitos no processo educacional e na vida das pessoas.
a) com o desenvolvimento das pesquisas, novos transtornos têm sido identificados, o que permite
refinamento nos diagnósticos.
c) os professores têm sido treinados para realizar diagnóstico precoce do transtorno do déficit de
atenção, o que pode trazer muitos benefícios para os alunos.
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Psicologia Escolar
Exercício 2 – Leia a frase abaixo, considere o raciocínio proposto pela questão e depois assinale a
alternativa correta.
“O que na ciência é apenas opinião pode considerar-se como saber na vida cotidiana” (Agnes Heller)
No trato dos problemas de aprendizagem, esta autoridade da Ciência pode gerar consequências:
a) positivas, uma vez que esta autorização à Ciência valoriza a Psicologia e auxilia na descoberta de
causas biológicas e psicológicas para as dificuldades de aprendizagem.
d) negativas porque a maioria dos autores que estuda os distúrbios de aprendizagem tem reconhecido
como principais responsáveis pelos problemas de aprendizagem as questões sociopolíticas e econômicas.
e) que não são nem positivas nem negativas, uma vez que os conhecimentos científicos a este
respeito têm mantido a devida neutralidade, uma vez garantidos os critérios metodológicos nas
pesquisas realizadas.
Observe que apenas a alternativa C apresenta uma análise pautada pela perspectiva crítica.
Parabéns! Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados em cada resposta. Agora
releia os textos e realize os exercícios anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução.
Essas dúvidas devem ser motivo de novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso
persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.
Leitura básica:
KUPFER, M. C. O que toca à/a Psicologia Escolar. In: MACHADO, A. M. S. Marilene P. R. (org.). Psicologia
Escolar: em busca de novos rumos. 4. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004, p. 55 a 65.
A autora do texto inicia suas reflexões a esse respeito estabelecendo uma crítica às atuações
profissionais que se pautam pelo modelo clínico tradicional.
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Unidade I
O modelo clínico tradicional busca no indivíduo, no seu mundo interno, nas suas relações familiares
as causas para as dificuldades de aprendizagem.
Segundo Kupfer, tal modelo é ultrapassado, sem funcionalidade e visa à manutenção do sistema
que produz o fracasso escolar. Assim, torna-se necessário pensar em outras e diferentes formas de
intervenção.
A partir de uma perspectiva crítica de atuação profissional, que leva em conta a realidade social
dos indivíduos, quais teorias poderiam contribuir para uma ação compromissada com a transformação
social, que rompesse como o processo de alienação?
Dentre as várias possibilidades existentes, a autora destaca o referencial teórico oferecido pela
psicanálise. Tal teoria “não pode auxiliar diretamente o professor, a não ser que esse professor se analise,
não pode criar métodos pedagógicos inspirados por ela e não tem os mesmos objetivos da instituição”
(p. 54), então, de que forma a psicanálise pode auxiliar na atuação do psicólogo que se pretende um
agente de mudanças, que busca a ação preventiva e a otimização dos processos de aprendizagem?
Para a psicanálise, todo trabalho psicológico tem como alvo o eu, esse eu que é constituído por
identificações, que se molda a papéis sociais e varia com as condições históricas. “Os problemas de
aprendizagem são na sua maioria problemas no funcionamento egóico e, portanto amplamente
determinados pelas relações vividas pelas crianças no interior da instituição escolar.” (p. 54).
Outra forma de contribuição da psicanálise está relacionada com a possibilidade de leitura dos
discursos institucionais. Tais discursos tendem a produzir repetições, cristalizações, é como se todos
pensassem e falassem sempre as mesmas coisas. Dessa forma, não há lugar para o diferente, para se
pensar os mesmos e velhos problemas a partir de outro lugar, para buscar novas possibilidades de
olhar, compreender e consequentemente agir diante dos desafios. Esse é um papel importante para
o psicólogo escolar: auxiliar no sentido de que o grupo possa romper com os discursos e relações
cristalizadas. Assim, a psicanálise que irá nos ajudar não é a que se preocupa com as determinações
inconscientes ou que descreve as fases psicossexuais.
Atua junto aos vários segmentos envolvidos no processo educacional: professores, diretores,
funcionários, pais e alunos.
Com os professores e diretores pode, por exemplo, trabalhar nos programas de formação continuada,
montar grupos de estudo, auxiliar na avaliação e na implantação de programas de ensino. Com os
pais, pode fazer orientações, estimular a participação na vida escolar etc. Desenvolve ações voltadas
aos alunos com defasagem escolar, problemas de relacionamento, orientação profissional, entre outros.
Também pode trabalhar com educação especial, assessoria e consultoria para as escolas. Em linhas
gerais, o objetivo final de seu trabalho é a garantia do desenvolvimento das habilidades da criança.
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Psicologia Escolar
Há também alguns espaços que não são de atuação do psicólogo escolar, por exemplo: os métodos
de ensino, as técnicas de alfabetização são do espaço pedagógico. Há aspectos psicológicos que não
devem ser abordados: a relação da professora com a própria mãe, por exemplo.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pela autora,
em defesa de sua tese.
2) A partir da leitura, esteja atento aos conceitos da psicanálise que podem ser utilizados no trabalho
do psicólogo escolar quando faz essa opção teórica.
3) Verifique qual o papel proposto para o psicólogo no contexto educacional e quais as possibilidades
de atuação apontadas pelo texto.
Exercício 1: A professora da escola de V lhe faz o seguinte relato: V. sempre chega à escola com
fome. Logo no início da aula, faz a refeição. Normalmente, repete três vezes o prato de sopa e come
a mesma quantidade de sobremesa, normalmente uma fruta. Depois disso, dorme até o horário do
intervalo. Após o descanso, torna-se muito bem disposto e faz todas as tarefas. A professora está muito
preocupada com V, pois fica sempre atrasada em relação aos seus colegas, pois “perde uma parte da aula
dormindo” e gostaria de encaminhar a criança para avaliação.
A partir do que foi estudado sobre o fazer do psicólogo, considerando a perspectiva crítica, analise
as afirmativas apresentadas a seguir:
I - Quando o psicólogo pisa no território escolar (em muitas instituições educativas), intensifica as
expectativas e os olhares classificatórios e comparativos dos indivíduos tomados isoladamente.
Educadores querem saber “o que as crianças têm” e o psicólogo tem o papel de fornecer as
respostas.
II - O objetivo do trabalho do psicólogo na escola é abrir um espaço para a circulação das falas e,
principalmente, para romper com os discursos cristalizados.
III - Um dos fatores que favoreceram a inserção do psicólogo no contexto escolar foi que sempre
estiveram presentes subsídios teóricos críticos que possibilitassem ao profissional ter uma prática
que levasse em consideração à realidade social.
IV - A fala da diretora é pertinente, uma vez que o local de trabalho do psicólogo, ao se inserir no
contexto escolar, é a sala de atendimento, situada à margem da dinâmica escolar.
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Unidade I
A afirmativa I propõe um papel inadequado para o psicólogo que se pauta pela perspectiva crítica. Na
afirmativa III há um equívoco, nem sempre houve subsídios teóricos críticos, essa é uma mais realidade
recente. A ideia de que o lugar do psicólogo é em uma sala de atendimento que deve estar à margem
da dinâmica escolar pertence ao modelo clínico. Assim, a resposta correta é a C, apenas a afirmativa
II está correta.
Exercício 2: (Questão adaptada do Concurso de Provas e Títulos para Psicólogo Escolar do Conselho
Federal de Psicologia, do ano de 2003) Dentre as contribuições que o psicólogo escolar pode oferecer
para a comunidade escolar, podemos listar aquelas que se referem ao processo de gestão educacional.
Em relação a essa temática e a partir de uma perspectiva crítica, analise os itens abaixo.
I. Reforçar crenças e tradições já consolidadas para que não se percam frente a mudanças necessárias
no processo de organização escolar.
II. Promover discussões coletivas que busquem viabilizar as disposições de cada membro do grupo
para participação nos projetos da escola.
III. Fortalecer o diretor como especialista na gestão da escola com o objetivo de contribuir para a
perspectiva burocrática de organização escolar.
IV. Buscar referências para a sua atuação em pesquisas que estudaram os aspectos psicológicos
envolvidos na organização escolar.
V. Oferecer propostas para a equipe de gestão a partir de deduções de uma psicologia que já esteja
com os seus princípios definidos e consolidados para que não haja conflitos de interesses entre os
participantes da gestão escolar.
Leitura básica:
As autoras do texto estabelecem uma distinção entre o modelo clínico tradicional e o modelo
preventivo em relação ao processo de avaliação psicológica diante da queixa escolar.
No modelo clínico tradicional, o objeto de análise é a criança. Nesse sentido, busca-se compreender
o que ela tem, o problema está na criança, nas suas relações familiares, no seu mundo interno. Em
concordância com esse paradigma, para a avaliação da queixa escolar, algumas ações são realizadas, tais
como: entrevista com os pais, anamnese, sessões lúdicas com a criança, aplicação de testes, diagnóstico,
prognóstico, entrevista devolutiva com os pais, encaminhamento para tratamento.
Pensar no processo de avaliação da queixa escolar em harmonia com o modelo preventivo requer
uma mudança paradigmática. Observe que ao alterarmos nosso paradigma alteramos nosso olhar e,
consequentemente, as nossas ações. Assim, se no modelo preventivo o objeto de análise passa a ser
o contexto das relações que produzem o fenômeno (não aprender), o objetivo do nosso trabalho será
intervir no processo de produção da queixa escolar para rompê-lo.
— Realizar encontros com o grupo de crianças e com os pais. Com o intuito de pensar o processo
de produção da queixa e o que poderia se feito para modificá-la, pode-se verificar a participação
dos pais e dos alunos nos processos de decisão na vida escolar, conhecer as diferentes versões
dos fatos, observar as relações de poder, obter o consentimento dos pais para o trabalho a ser
realizado, entre outras ações;
— Por fim, cabe ressaltar que avaliar o processo de produção da queixa implica em buscar o
quanto é possível alterar essa produção afetando os fenômenos nos quais ela se viabiliza.
Atividades recomendadas:
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, observando os argumentos utilizados pelas autoras,
em defesa de suas teses.
2) A partir da leitura, esteja atento aos paradigmas e às ações presentes em cada modelo utilizado
para a avaliação da queixa escolar.
3) Verifique qual o papel proposto para o psicólogo no contexto educacional e quais as possibilidades
de atuação apontadas pelo texto.
Exercício 1: (Fonte: Provão 2001) O psicólogo é chamado a uma escola de Ensino Fundamental, em
função de problemas de indisciplina em uma quinta série.
A partir dessa demanda, baseado em concepções recentes de Psicologia Escolar que consideram como
fundamental a análise da constituição da queixa escolar, na sua dimensão institucional, o profissional
deverá atuar:
a) de maneira individual, ouvindo cada aluno, avaliando-o particularmente para buscar em aspectos
de sua personalidade as causas do comportamento da indisciplina.
b)) como interlocutor qualificado, levantando diferentes versões sobre as questões escolares com
pais, educadores e alunos, discutindo com tais protagonistas as possibilidades de intervenção.
c) de maneira tão somente grupal, reunindo os alunos indisciplinados e realizando sessões terapêuticas
em grupo, tendo a indisciplina como tema.
e) como educador, organizando um ciclo de, pelo menos, três palestras com pais e professores sobre
indisciplina escolar.
Apenas a alternativa B propõe uma intervenção pautada pela perspectiva crítica, que considera a
dimensão institucional conforme o solicitado pelo enunciado da questão.
Exercício 2: Ao ser indagado sobre a razão de seu encaminhamento para avaliação, Clara (nove
anos) responde à psicóloga: “Eu tenho uma doença chamada idade mental”.
Tendo em conta a perspectiva crítica, as ações que podem ser consideradas mais adequadas para o
psicólogo escolar em relação à avaliação psicológica de crianças nestas condições são:
a) Analisar o resultado de testes que revelem o grau de inteligência da criança para poder saber o
que pode estar produzindo a dificuldade de aprendizagem.
b) Analisar o processo de aprendizagem da criança com professores, pais e as próprias crianças com
o objetivo de apontar a causa dessa dificuldade.
d) Analisar as relações entre as crianças, sua forma de agir e de brincar, a fim de detectar suas
limitações e dificuldades de aprendizagem.
e) Analisar os dados estatísticos referentes aos problemas de aprendizagem, identificar seus prováveis
distúrbios físicos e mentais e encaminhá-la para ludoterapia.
Parabéns! Você realizou os exercícios e acompanhou os argumentos dados em cada resposta. Agora
releia os textos e realize os exercícios anexos, anotando as dúvidas que surgirem durante a resolução.
Essas dúvidas devem ser motivo de novas pesquisas bibliográficas, na tentativa de saná-las. Caso
persistam, apresente-as ao professor, na tutoria.
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