REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTERIO DA EDUCAÇÃO
ESCOLA DE MAGISTÉRIO Nº 29 COMANDANTE BENEDITO (IMNE)
NDALATANDO
LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO DRAMÁTICO
Docente
____________________________
Catarina J. Nazare
Ndalatando, Fevereiro de 2026
ESCOLA DE MAGISTÉRIO Nº 29 COMANDANTE BENEDITO (IMNE)
NDALATANDO
TEXTO DRAMÁTICO
10ª Classe
Curso: Geografia e História
Turma: A
Sala n.º: 05
Período: Noite
INTEGRANTES DO GRUPO N.º 04
João Gaspar Paulo
Jocelmo Diogo Francisco
Josimário Domingos Mateus
Júlia Alfredo Pires
Lukénia Manuel Sengula
Manuel António Neto
Maria de Fátima António
Maria João de Oliveira
Marlene José da Costa
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho aos nossos pais, colegas e professores que a nos terem dado força e coragem
ao longo desta formação.
I
AGRADECIMENTOS
A Deus, pоr tеr nos concedidos saúde е determinação para não desanimar durante a realização deste
trabalho.
Aos nossos pais e encarregados de educação que são os motores da nossa formação.
II
ÍNDICE
DEDICATÓRIA ................................................................................................................ I
AGRADECIMENTOS ..................................................................................................... II
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1
Conceito de Texto Dramático ........................................................................................... 2
O trabalho das unidades .................................................................................................... 2
Estrutura do Texto Dramático .......................................................................................... 3
Elementos do Texto Dramático ........................................................................................ 3
Subgéneros do Texto Dramático ...................................................................................... 4
Importância do Texto Dramático ...................................................................................... 7
CONCLUSÃO .................................................................................................................. 8
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
INTRODUÇÃO
O texto dramático é um dos principais géneros literários e tem como característica
essencial a representação de uma história por meio de diálogos, destinada à encenação.
Diferente do texto narrativo, que apresenta um narrador contando os acontecimentos, o
texto dramático é construído para ser representado no palco, diante de um público. Ele é
a base do teatro e tem como objetivo principal apresentar conflitos humanos por meio da
ação e da fala das personagens. Este trabalho tem como objetivo explicar o que é o texto
dramático, apresentar as suas principais características, a sua estrutura interna e externa,
os seus elementos constituintes, bem como os seus principais subgéneros.
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Conceito de Texto Dramático
Ao falar no gênero dramático não podemos perder de vista o palco, pois para lá é que se
destina o texto, entretanto, um e outro são fatos diferentes. Para melhor compreensão das
explicações que virão, colocamos abaixo um trecho da peça Édipo Rei, de Sófocles,
escrita em torno de 427 a.C.
O texto dramático é um género literário escrito para ser representado. A palavra
“dramático” vem do grego drama, que significa “ação”. Portanto, o texto dramático
baseia-se na ação das personagens, que desenvolvem a história através do diálogo.
Este tipo de texto é utilizado no teatro e pode ser apresentado em palco, televisão ou
cinema.
No gênero dramático, o narrador desaparece completamente atrás do mundo criado e esse
elemento da estrutura – o desaparecimento do narrador – confere à personagem uma
importância muito grande, pois é ela que faz acontecerem as ações e dá a impressão de
que as ações existem por si mesmas tal como na vida real.
Dentro desse gênero, as espécies mais presentes atualmente são o drama, a tragédia, a
comédia, a ópera, o auto e a revista (teatro de revista), mas situando algumas criações
dramáticas no tempo, podemos chegar ao seguinte esquema:
a) Criações clássicas: a tragédia e a comédia;
b) Criações medievais: o auto, o mistério e a farsa;
c) Criação renascentista: a tragicomédia;
d) Criação romântica: o drama. Na verdade o romantismo lhe deu desenvolvimento
pois quem o criou realmente foi Shakespeare no século XVI;
e) Criações populares: o teatro de revista (ou teatro de variedades) e a mágica;
f) Criações musicais: a ópera e o vaudeville.
O trabalho das unidades
Esse trabalho diz respeito à forma coesa de organização em que a ação principal atrai para
si as ações secundárias. É a unidade de ação. Se o autor diversifiar demasiadamente os
episódios, dispersa a ação e enfraquece um outro elemento dessa coesão: a concentração.
A unidade de ação acarreta uma consequência sobre o tempo e o espaço. Com a ação
condensada não há margem para uma movimentação grande no tempo nem tão pouco no
espaço. Aristóteles destaca apenas a unidade de ação, mas a Idade Média não teve essa
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preocupação, enchendo suas peças de muitas ações, o que levava a uma dispersão da
condensação dramática.
Características do Texto Dramático
As principais características do texto dramático são:
Ausência de narrador;
Predomínio do diálogo;
Presença de personagens;
Indicações cénicas (didascálias);
Divisão em atos e cenas;
Destinado à representação.
Estrutura do Texto Dramático
Estrutura Externa
A estrutura externa refere-se à organização visível do texto:
Atos – Grandes divisões da peça;
Cenas – Partes menores dentro dos atos;
Falas das personagens – Diálogos;
Didascálias – Indicações do autor (movimentos, emoções, cenário).
Estrutura Interna
A estrutura interna está relacionada com o desenvolvimento da ação:
1. Exposição – Apresentação das personagens e do contexto;
2. Conflito – Surgimento do problema;
3. Clímax – Momento de maior tensão;
4. Desfecho – Resolução do conflito.
Elementos do Texto Dramático
Os principais elementos são:
Personagens – Podem ser principais ou secundárias;
Ação – Conjunto de acontecimentos;
Espaço – Local onde ocorre a história;
Tempo – Momento ou época dos acontecimentos;
Diálogo – Conversa entre personagens;
Monólogo – Fala de uma personagem sozinha;
Apartes – Comentário feito para o público, sem que outras personagens ouçam.
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Subgéneros do Texto Dramático
O texto dramático divide-se em diferentes tipos:
Tragédia
Pertence ao período dos séculos XVI a XVIII. Nesse tempo se trabalha em função da
pureza dos gêneros. Essa palavra era usada indicando as peças que misturavam elementos
da tragédia como o assunto e as personagens com elementos da comédia: os incidentes e
o desfecho. Das quarenta e quatro peças de Gil Vicente, no teatro português, dez são
consideradas tragicomédias.
Nesse gênero literário, podem estar misturadas a realidade com a imaginação. Como no
épico, pode estar presente até mesmo o elemento maravilhoso. Com a chegada do
Romantismo, no século XIX, e o anseio de liberdade das formas, houve uma recusa às
regras clássicas. As peças que misturavam o riso cômico e a lágrima trágica e eram
elaboradas ao gosto do escritor foram chamadas de DRAMA.
Apresenta acontecimentos tristes e geralmente termina de forma trágica.
Exemplo: Romeu e Julieta, de William Shakespeare.
Comédia
A origem do termo é controversa. Talvez derive de “Kômos”, festa popular, ou de
“kómas”, aldeia, pois, de acordo com Aristóteles, os comediantes eram assim chamados
por viverem circulando pelas aldeias em decorrência de não serem bem considerados nas
cidades. Da mesma forma que o termo, a origem da comédia também não é certa.
A partir de Aristóteles, diz-se que é o resultado dos cantos fálicos, em homenagem a
Dionísio (ou Baco) em festividades populares livres. Supõe-se que, com o tempo, os
cantos se tornaram irreverentes ou mesmo satíricos, e foram causa de manifestações mais
espontâneas do povo até que algum poeta, talvez se orientando pela tragédia, reuniu essas
manifestações num único texto. Com o passar do tempo, esses textos se teriam
transformado na comédia e, nesse momento, já estávamos em torno de 486 a.C.
Para Aristóteles (1966, p. 73), a comédia é a “imitação de homens inferiores; não, todavia,
quanto a toda espécie de vícios, mas só quanto àquela parte do torpe que é o ridículo.
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O ridículo é apenas certo defeito, torpeza anódina e inocente; que bem o demonstra, por
exemplo, a máscara cômica, que, sendo feia e disforme, não tem expressão de dor”. Mas,
nos estudos atuais, a comédia não equivale ao ridículo, mesmo que este também faça parte
dela. Aliás, o cômico também está presente em situações que não são nem ridículas nem
engraçadas, mas apenas fora do que em geral se espera.
Tem como objetivo provocar riso e geralmente apresenta um final feliz.
Exemplo: O Auto da Índia, de Gil Vicente.
Drama
Mistura elementos trágicos e cómicos, retratando conflitos da vida real.
A Concentração da Acção
Emil Staiger defie a essência dramática como a tensão, que consiste em levar, sem perda
de tempo, a ação para o seu fial. Esse ritmo contínuo e acelerado para a fialização obriga
o texto a cortar quaisquer acessórios que comprometam essa intensidade do ritmo.
Como diz Staiger (1975, p. 135):
Nenhum retardamento da ação é permitido. Episódios são considerados
prejudiciais. Todas essas são consequências práticas da ideia do estilo problemático, em
que o objetivo da história está no fi, e, assim sendo, cada parte terá que ser examinada
exclusivamente em função do todo que no fi virá a se revelar.
O Uso do Diálogo
Esse expediente linguístico no teatro é um verdadeiro fi articulador entre as personagens
e a ação. É o diálogo que revela as forças contrárias que antagonizam as personagens e
geram os conflitos. As oposições ocultas também se manifestam por ele, aliás, não só
elas, mas tudo se mostra a partir do diálogo. Cabe ressaltar aqui que o monólogo não
prejudica o andamento da peça nem quebra a situação do diálogo porque nele a
personagem exterioriza seu modo de pensar e de sentir, que está integrado à trama.
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O Nó.
É o conjunto de fatores que desequilibram o estado inicial das coisas, a tranquilidade da
situação e dá início à ação. No caso de Romeu e Julieta, o nó está na atração amorosa que
ocorreu entre eles, rompendo o afastamento que marcava a inimizade entre suas famílias.
O estado de rutura entre essas famílias fia comprometido e começa a luta para retomá-lo,
o que dá a matéria para o conflito.
A peripécia
Esse termo vem da poética clássica e significa a mudança de rumo das coisas, ou seja, a
alteração do feliz destino das personagens. Se considerarmos a tragédia, a peripécia vai
mudar o estado de paz da situação inicial em estado de angústia. De acordo com
Aristóteles, a peripécia precisa ser motivada por um ato ilícito do herói a fi de que, ao
sofrer as consequências do seu ato, sua infelicidade exerça um efeito catártico,
purificador, diante do público, ou seja, o crime deve ser evitado. A peripécia produz uma
virada completa nas expectativas que se tem sobre a ação até aquele momento. Em Romeu
e Julieta, ela está situada no homicídio de Romeu contra Teobaldo na luta de rua que
enfrentaram. Na tragédia Édipo Rei, a peripécia está na informação a Édipo de que ele
mesmo é a causa da epidemia que se abate sobre Tebas. Essa epidemia é o castigo
decorrente do fato de ele ter matado o pai e casado com a mãe.
O Reconhecimento
É o conhecimento sobre alguma coisa que vai mudar o destino da personagem central (ou
personagens centrais). Em Romeu e Julieta é o momento em que Julieta toma consciência
do crime cometido por Romeu, que o obriga a fugir. Em Édipo Rei há uma coincidência
entre a peripécia e o reconhecimento, porque o fato que muda o rumo das coisas é o
próprio reconhecimento do homicídio e do incesto praticados por Édipo.
O Clímax
É a parte principal do drama, depois da qual a história deve encerrar-se. O clímax está
sempre perto do desfecho, mas pode não se dar tão imediatamente. Em Romeu e Julieta,
ele está bem próximo porque depois que Romeu encontra Julieta na cripta e pensa que ela
está morta, o desfecho se precipita imediatamente: ele se suicida, levando Julieta ao
mesmo fi. Em Édipo Rei o clímax está no momento em que Édipo reconhece seus crimes.
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Portanto, nessa tragédia há um encontro de categorias: a peripécia, o reconhecimento e o
clímax se dão no mesmo momento. Vamos agora comentar ligeiramente algumas espécies
do gênero dramático.
Importância do Texto Dramático
O texto dramático é importante porque:
Desenvolve a expressão oral;
Estimula a criatividade;
Promove o trabalho em grupo;
Ajuda na compreensão de conflitos humanos;
Valoriza a cultura e a arte teatral.
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CONCLUSÃO
Conclui-se que o texto dramático é um género literário fundamental na literatura e na arte
teatral. Ele é caracterizado pela ação, pelo diálogo e pela representação. Através das suas
estruturas e elementos, permite transmitir mensagens importantes sobre a vida, a
sociedade e os sentimentos humanos. Além disso, possui diferentes subgéneros, como a
tragédia, a comédia e o drama, que enriquecem ainda mais este tipo de texto. O estudo do
texto dramático é essencial para compreender o teatro e a forma como as histórias podem
ganhar vida através da encenação.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RISTÓTELES. Poética. Porto Alegre: Globo, 1966.
AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel. Teoria da literatura. 8 ed. Coimbra: Almedina, 1997.
MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974.