TENSÃO E DEFORMAÇÃO
Gleysson Morais
1
Gleysson Morais
TENSÃO E DEFORMAÇÃO
1ª edição
Ipatinga – MG
2024
2
EDITORA PROMINAS EDITORIAL
Diretor Geral: Valdir Henrique Valério
Diretor Executivo: William José Ferreira
Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Cristiane Lelis dos Santos
Revisão Gramatical e Ortográfica: Elislaine Patricia dos Santos Gomes
Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luiza Mendes Leite
Lorena Oliveira Silva Portugal
Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva
Élen Cristina Teixeira Oliveira
Cristiano Soares Andrade
© 2024, Editora Prominas.
Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem
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3
LEGENDA DE
ÍCONES
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VAMOS PENSAR?
Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada
unidade, associando-os a suas ações.
FIXANDO O CONTEÚDO
Atividades de múltipla escolha para ajudar na fixação
dos conteúdos abordados no livro.
GLOSSÁRIO
Apresentação dos significados de um determinado
termo ou palavras mostradas no decorrer do livro.
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4
SUMÁRIO
ESTUDO DAS TENSÕES
Introdução .............................................................................................................. 6
Força versus tensão ................................................ Erro! Indicador não definido.
Tensões normais (𝛔) ................................................ Erro! Indicador não definido.
Tensões de cisalhamento (𝝉) ................................. Erro! Indicador não definido.
Tensões de esmagamento..................................... Erro! Indicador não definido.
Tensão última – tensão admissível – fator de segurança .... Erro! Indicador não
definido.
FIXANDO O CONTEÚDO ........................................................................................... 34
GABARITO.................................................................................................................. 40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 41
CONFIRA A SEGUIR
Abordaremos a tensão normal, a tensão de cisalhamento e a tensão de
esmagamento. Iremos adotar conceitos fundamentais em projetos de
máquinas e estruturas como tensão admissível, coeficiente de segurança,
dentre outros.
5
Introdução
Um corpo quando submetido a uma carga poderá sofrer variação em
seu tamanho ou mudança na sua forma. Se esticarmos uma borracha por
exemplo, ela sofrerá alteração em seu tamanho e forma. Na engenharia,
denomina-se esse fenômeno de deformação.
No exemplo dado (da borracha), a deformação será relativamente
grande, portanto, será perceptível aos nossos olhos, ao passo que em uma
construção civil, por exemplo, a deformação estrutural proveniente da carga
resultante das pessoas circulando no prédio, é imperceptível ao olho humano.
Ocorre que o estudo das deformações é de fundamental importância no
contexto da engenharia, pois a partir das análises de 𝑡𝑒𝑛õ𝑒𝑠 𝑥 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çõ𝑒𝑠 é que
se inicia os projetos de máquinas e estruturas. Em projetos estruturais de
engenharia, estuda-se dois tipos de deformações, a deformação normal e a
deformação por cisalhamento.
A figura 27 esboça um corpo antes e depois da deformação. Imagine
que uma carga seja aplicada ao corpo, na mesma direção da reta 𝒏. Observe
também um segmento de reta de comprimento inicial ∆𝐒 sob a reta 𝑛. O
segmento de reta tem origem no ponto 𝐀 e termina no ponto 𝐁. Se imaginarmos
que o corpo seja formado por inúmeros segmentos de retas, tais como o
segmento AB, percebemos que a após a aplicação da carga externa, o
segmento AB irá se deformar, assumindo os pontos 𝐀’ e 𝐁’, e comprimento final
∆𝐒 ′ . A deformação média 𝛜𝐦é𝐝, também chamada de deformação específica,
pode ser expressa pela relação abaixo:
∆S ′ − ∆S
ϵméd = (1)
∆S
6
Figura 1 - Deformação normal
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
A equação 2 abaixo, expressa a deformação média específica. As
deformações reais em cada ponto serão diferentes em cada posição do corpo.
Se aproximarmos o ponto B em direção ao ponto A, fazendo ∆𝑆 → 0, então
podemos escrever para a deformação:
∆S ′ − ∆S
ϵ= lim (2)
B → A ao longo de n ∆S
Para segmentos de retas pequenos, se tivermos o valor da deformação,
podemos obter o comprimento final do segmento de reta, a partir da expressão:
∆S′ ≈ (1 + ϵ)∆S (3)
A figura 2 também apresenta um corpo antes e depois da aplicação de
carga externa. Dois segmentos de reta 𝑨𝑪 e 𝑨𝑩, ambos com origem em 𝑨, estão
𝜋
dispostos formando um ângulo reto, (90° ou 2 𝑟𝑎𝑑). O segmento 𝑨𝑪 pertence a
reta 𝒕 e o segmento de reta 𝑨𝑩 pertence a reta 𝒏. Após a aplicação da carga,
haverá uma variação do ângulo entre as retas, e essa variação é conhecida
como a deformação por cisalhamento. Essa variação poderá ser positiva ou
negativa. Após a aplicação da carga, o ponto 𝑪 assume a posição 𝑪’ e o ponto
𝑩 assume a posição 𝑩’. Se aproximarmos os pontos 𝑩 e 𝑪 em direção a origem
A, simultaneamente, sob as retas 𝒏 e 𝒕 respectivamente, fazendo o
comprimento dos segmentos tenderem a zero, podemos expressar a
deformação por cisalhamento real no ponto 𝑨, associadas as retas 𝒏 e 𝒕, pela
relação:
7
π
γnt = − lim θ′
2 B→A ao longo de n (4)
C→A ao longo de t
Figura 2 - Deformação por cisalhamento
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Os valores de deformação são adimensionais, mas comumente são
escritos na forma de unidade de comprimento por unidade de comprimento.
No sistema internacional de unidades (S.I.U) a deformação é expressa em [𝑚⁄𝑚].
Por vezes, essa deformação é muito pequena, sendo então utilizado
𝜇𝑚
submúltiplos do metro, tais como o micrometro [ ⁄𝑚]. A deformação também
pode ser expressa na forma percentual, como 0,2%.
Diagrama Tensão X Deformação
As deformações são medidas experimentalmente e podemos relacioná-
las com as cargas aplicadas e com as tensões aplicadas. Cada material possui
propriedades diferentes. A dureza do aço evidentemente é consideravelmente
maior que a dureza de uma borracha. Ao passo que a ductilidade da borracha
é maior que a do aço. Existem diversas propriedades como dureza, resistência,
ductilidade, maleabilidade, soldabilidade, resiliência, tenacidade, dentre
outras. Será abordado cada conceito no momento oportuno.
Para obtermos algumas dessas propriedades, devemos realizar ensaios
mecânico dos materiais, como por exemplo o ensaio a tração (mais comum).
O ensaio a tração é realizado em uma amostra do material, seguindo padrões
técnicos da ABNT (Associação brasileira de normas técnicas), a essa amostra do
material denominamos de corpo de prova.
8
Figura 3 - Corpo de prova – ensaio de tração
Fonte: Disponível em <[Link] Acesso em janeiro de 2022
O ensaio a tração é realizado em uma máquina como na figura 3, onde
se aplica um esforço axial de tração sobre o corpo de prova até leva-lo a
ruptura.
Figura 4 - Máquina de ensaio de tração
Fonte: Disponível em <[Link] Acesso em janeiro de 2022
Os valores de tensão e deformação são registrados pela máquina, e
simultaneamente, um diagrama é gerado, com a plotagem desses dois eixos.
No eixo da ordenada dispõe-se os valores de tensão (𝜎), e o eixo das abscissas
dispõe-se os valores da deformação (𝜖).
9
O diagrama 𝑡𝑒𝑛𝑠ã𝑜 𝑥 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 fornece inúmeras informações acerca
do material, como por exemplo, a tensão de ruptura, a tensão última, a tensão
de escoamento, a ductilidade e a tenacidade do material, dentre outras. Todas
essas propriedades são relevantes na escolha do material para determinada
aplicação na engenharia. Em certas aplicações, como por exemplo, nos
automóveis, objetiva-se reduzir o peso do veículo (Menor gasto e menor
consumo de combustível), aumentar a resistência mecânica da lataria a fim de
proteger os passageiros em uma eventual colisão, e associado a isso, espera-se
que o material que forma a lataria do veículo absorva a maior parte da energia
de impacto, sem transferir energia para os ocupantes do veículo, para tanto, é
importantíssimo conhecer as principais propriedades dos materiais e saber
como utilizar desse ferramental teórico na seleção de materiais para projetos de
máquinas e estruturas.
A figura 5 apresenta um diagrama 𝑡𝑒𝑛𝑠ã𝑜 𝑥 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 de um aço de
baixo teor de carbono. Isso significa na prática que este aço possui boa
ductilidade e baixa dureza. Materiais com alta dureza são chamados de
materiais frágeis.
10
Figura 5 - Diagrama tensão x deformação aço baixo carbono
Fonte: Adaptado de Resistência dos materiais, Ferdinand Beer (1995)
Tensão nominal ou tensão de engenharia é a razão entre a carga (𝑃)
aplicada e a área inicial (𝐴0 ) da secção transversal do corpo de prova. Embora
a área da secção transversal sofra redução durante a aplicação da carga,
neste caso, para o cálculo da tensão de engenharia fixamos a área inicial, logo:
P
σ= (5)
A0
A deformação nominal ou deformação de engenharia corresponde à
razão entre o alongamento (𝛿) e o comprimento inicial (𝐿0 ) do corpo de prova,
logo:
δ
ϵ= (6)
L0
Usaremos como exemplo na construção do diagrama de tensão-
deformação o aço, que é um material amplamente utilizado na indústria
mecânica e civil. A partir dos conceitos de tensão e deformação nominais, por
meio de medidas experimentais estabeleceu-se o diagrama tensão (𝝈) –
deformação (𝝐) convencional para o aço. No eixo das ordenadas (𝒚) relaciona-
se os valores de tensão (𝝈) e no eixo das abscissas (𝒙) os valores de deformação
(𝝐). O resultado é o que chamamos de diagrama tensão-deformação.
11
Figura 6 – Diagrama tensão x deformação de engenharia
Fonte: Adaptado de Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
O corpo de prova fabricado em aço, com dimensões e acabamento
padronizados, é levado a máquina de ensaio de tração. A máquina inicia a
operação, aplicando um esforço axial de tração sobre o corpo de prova.
Inicialmente, o aço encontra-se na região elástica, onde a deformação
aumenta proporcionalmente com o aumento da tensão, em uma relação
linear. Durante a fase elástica, o corpo de prova sofre uma deformação em
função da aplicação da tensão, porém, o material apresenta comportamento
elástico, de maneira que, ao cessar o carregamento, o corpo de prova retoma
as suas dimensões iniciais.
A medida que a carga aplicada aumenta, o material se aproxima do
limite superior dessa região elástica, neste ponto, a tensão limite é denominada
de limite de proporcionalidade (𝜎𝑙𝑝 ) de maneira que, ao ultrapassar este ponto,
o material ainda poderá se comportar de maneira elástica, porém a curva do
diagrama tende a se inclinar, de tal forma que não haverá mais a relação linear
entre tensão e deformação. Continuando a aumentar a tensão sobre o corpo
de prova, o material chegará ao limite de elasticidade onde poderá ainda se
comportar de maneira elástica. No caso de materiais como o aço, é
extremamente difícil discernir entre o limite de proporcionalidade e o limite de
elasticidade. Se a tensão (𝜎) aplicada ao corpo de prova ultrapassar
minimamente o limite de elasticidade, então o corpo de prova sofrerá um
colapso, se deformando permanentemente e não retornando mais para a fase
elástica. Dizemos então que o material sofreu escoamento. Após o material
12
sofrer o fenômeno do escoamento, aumentando-se a carga, o material entra
em uma fase de endurecimento por deformação, até a inclinação da curva do
diagrama tornar-se nula. Este ponto de máxima tensão, é denominado de limite
de resistência (𝜎𝑟 ), e a partir deste ponto, ocorrerá a redução abrupta da área
da secção transversal do corpo de prova (estricção) acompanhada da ruptura
do material, a tensão registrada no momento da ruptura, é denominada de
tensão de ruptura (𝜎𝑟𝑢𝑝 ). A figura 7 abaixo mostra um corpo de prova durante a
estricção e após a ruptura.
Figura 7 – Corpo de prova após sofre estricção e ruptura
Fonte: Disponível em <[Link] Acesso em agosto de 2022
Pela observação do diagrama tensão-deformação, verifica-se que tanto
o diagrama real quanto o convencional são muito parecidos na região elástica,
e como a grande parte dos projetos estruturais são elaborados para que os
materiais trambalhem dentro da fase elástica, é mais comum a utilização do
diagrama tensão deformação convencional.
Método da deformação residual
Nem todas as ligas metálicas apresentam o ponto de escoamento bem
definido como a do aço (tensão de escoamento constante). Em alguns casos,
como a liga de alumínio, o escoamento do material ocorre sob tensão variável.
Nestes casos, deve-se adotar um procedimento gráfico a fim de se obter o
ponto de escoamento, o método da deformação residual. Tomamos o valor de
deformação igual a 0,002 (0,2%) sob o eixo das abscissas (𝜖) e a partir deste
13
ponto, traçamos uma linha paralela à reta da porção inicial da fase elástica,
até tocar o diagrama. Este ponto de interseção entre a reta traçada e o
diagrama, corresponde ao ponto de escoamento do material. A figura 8 abaixo
indica a forma de determinação correta do ponto de escoamento pelo
método da deformação residual para a liga de alumínio.
Figura 8 – Método da deformação residual
Fonte: Adaptado de Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
Fragilidade vs ductilidade
A maioria dos materiais podem ser classificados em duas categorias, os
dúcteis e os Frágeis. Os materiais dúcteis, são aqueles capazes de se
deformarem bastante antes de se romperem, portanto, são capazes de
absorver maior energia. Já os materiais frágeis, quando submetidos a esforços
de tração, quase não apresentam escoamento, uma vez que após a fase
elástica rapidamente se rompem. Um bom exemplo de material que se
enquadra na categoria dúctil é o alumínio ou o aço doce (baixo percentual de
carbono na sua composição química) e na classe dos materiais frágeis
podemos citar o ferro fundido cinzento ou o concreto. Alguns materiais dúcteis
como o aço de baixo teor de carbono são excelentes para suportar esforços
axiais de tração. Já o ferro fundido cinzento e o concreto são ótimos para
esforços axiais de compressão, todavia, péssimos quando são solicitados por
tração. A figura 9 abaixo apresenta o diagrama tensão deformação para o
ferro fundido cinzento.
14
Figura 9 - Resistência a tração x compressão
Fonte: Adaptado de Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
Quando submetido a tração, a falha do material acontece com uma
tensão 𝜎𝑓 = 152 𝑀𝑃𝑎. A temperatura também é um fator determinante no que
tange a fragilidade e a ductilidade dos materiais. Quanto menor a temperatura,
mais frágil o material tende a ficar, e menos dúctil, ao passo que ao aumentar
a temperatura o material se torna mais macio, mais dúctil. A figura 10 a seguir
apresenta a diferença no diagrama 𝜎 − 𝜖 entre os materiais dúcteis e frágeis.
Figura 10 – Diagrama tensão x deformação para materiais dúcteis e frágeis.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
15
Lei de Hooke
Conforme já esboçado no tópico anterior, durante a fase elástica, o
material apresenta uma relação linear entre a tensão (𝜎) e a deformação (𝜖). A
constante que garante a equidade dessa proporção é denominada módulo
de elasticidade ou módulo de Young (em homenagem a Thomas Young), logo,
a tensão se relaciona com a deformação durante a fase elástica pela equação
abaixo:
σ = Eϵ (7)
O módulo de elasticidade (𝑬) possui unidade de medida em Pascal [𝑃𝑎]
uma vez que a deformação (𝜖) é adimensional. Este Módulo de elasticidade
está associado à rigidez do material, quanto mais rígido o material, como por
exemplo o aço 𝐸 = 200 𝐺𝑃𝑎, maior o módulo de elasticidade. A borracha possui
módulo de elasticidade 𝐸 = 0,7 𝑀𝑃𝑎.
Módulo de Resiliência é caracterizada pela densidade de energia de
deformação durante a fase elástica do material, e pode ser calculada pelas
equações 8 e 9 abaixo:
1
ur = σlp ϵlp (8)
2
Ou
1 σ2lp
ur = (9)
2 E
Observando o diagrama tensão-deformação (𝜎 − 𝜖) de um material
qualquer, percebemos que a área sombreada do triangulo, em que a base
corresponde à deformação da fase elástica e a altura corresponde ao limite de
proporcionalidade, essa área é igual a densidade de energia de deformação
na fase elástica.
16
Figura 11 – Módulo de resiliência
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Módulo de tenacidade é caracterizado pela densidade de energia de
deformação de um material até a sua ruptura. A figura 12 abaixo apresenta o
módulo de tenacidade de um material qualquer. A área sob o gráfico é
numericamente igual a este módulo de tenacidade.
Figura 12 - Módulo de tenacidade
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Em projetos de elementos estruturais que podem ser submetidos a
esforços de maneira acidental, é aconselhável a utilização de materiais com
alto módulo de tenacidade, pois estes serão capazes de absorver maior
quantidade de energia antes de sofrer falha estrutural.
17
Coeficiente de Poisson
Quando um corpo de prova é submetido a um esforço axial de tração,
percebe-se um alongamento longitudinal (𝜹) na sua dimensão e
simultaneamente uma redução na secção transversal do material, evidenciado
pela redução do raio (𝑹) no caso em que o corpo de prova possua geometria
cilíndrica. O cientista Francês S.D Poisson identificou que, ao dividir o valor da
deformação longitudinal (𝝐𝒍𝒐𝒏𝒈𝒊𝒕) pela deformação transversal (𝝐𝒕𝒓𝒂𝒏𝒔𝒗 ), o
resultado obtido era sempre o mesmo, ou seja, uma constante. Essa constante
estava associada ao material, e ficou conhecida como coeficiente de Poisson
(𝒗). No caso de um corpo de prova sendo submetido a tração, ocorre um
aumento no comprimento (alongamento positivo) e redução da secção
transversal (alongamento negativo). Já no caso de uma compressão, ocorre a
redução do comprimento (alongamento negativo) e uma expansão da secção
transversal (alongamento positivo).
A figura 13 abaixo apresenta um exemplo de uma barra cilíndrica sendo
submetida a um esforço axial de tração, tendo um aumento no comprimento,
cujo alongamento é,
δ = Lfinal − Linicial (10)
E uma redução da secção transversal, cujo alongamento é
δ′ = r − R (11)
Conforme estudado nos tópicos anteriores, a deformação longitudinal
será:
Lfinal − Linicial δ
ϵlongit = = (12)
Linicial Linicial
E a deformação transversal será:
r − R δ′
ϵtransv = = (13)
R R
O coeficiente de Poisson é definido como,
ϵlongit
v=− (14)
ϵtransv
18
Figura 13 – Relação entre deformação axial e longitudinal
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Na maioria dos materiais não porosos, o coeficiente de Poisson está entre
1 1 1
4
𝑒 3, e nunca maior que 2, ou seja,
0 ≤ v ≤ 0,5 (15)
Tensão – deformação de cisalhamento
Da mesma forma que a maior parte dos materiais aplicados na
engenharia quando submetidos a uma carga axial de tração, apresentam
inicialmente um comportamento linearmente elástico, escoamento,
endurecimento por deformação até alcançar um limite de resistência e ao final
do ensaio mecânico a ruptura, também existem formas de se realizar o ensaio
do material visando compreender a relação entre a tensão e a deformação no
cisalhamento. Neste caso, para o estudo do cisalhamento puro, o ensaio é
realizado em tubos finos, submetidos a um torque controlado em que os ângulos
de torção são medidos. Os dados são registrados no diagrama tensão–
deformação de cisalhamento, em que os materiais apresentam incialmente um
comportamento linearmente elástico, uma região de escoamento (indicada
pela tensão no limite de proporcionalidade), endurecimento por deformação,
limite de resistência ao cisalhamento e por fim, a falha do material, sob uma
tensão de ruptura ao cisalhamento. Para materiais homogêneos e isotrópicos,
a lei de Hooke assume a seguinte forma para a região elástica;
τ = Gγ (16)
Onde;
19
τ → Tensão de cisalhamento [Pa]
G → Módulo de elasticidade ao cisalhamento [Pa]
γ → deformação por cisalhamento [rad]
A figura 14 abaixo apresenta um diagrama tensão – deformação de
cisalhamento para um material dúctil.
Figura 14 – Diagrama tensão x deformação para material dúctil
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Para um mesmo material, o módulo de elasticidade ao cisalhamento
poderá ser relacionado ao módulo de elasticidade normal (Módulo de Young)
por meio de uma constante 𝑣 chamada de coeficiente de Poisson, que será
estudada nos tópicos sucessivos.
E
G= (17)
2(1 + v)
G → Módulo de elasticidade ao cisalhamento [Pa]
E → Módulo de elasticidade á tração [Pa]
v → Coeficiente de Poisson [adimensional]
Falha por fluência e fadiga
Materiais como metais e cerâmicos quando são submetidos a cargas
constantes (tensão constantes) por longo período de tempo podem sofrer
ruptura repentina, em que a tensão atuante encontra-se abaixo da tensão de
20
escoamento (𝜎𝑒 ) do material. Neste caso, dizemos que o material sofreu falha
por fluência. Via de regra, a fluência é considerada em materiais que estão
sujeitos a uma temperatura de trabalho superior a 0,4 vezes a temperatura de
fusão do material na escala absoluta Kelvin. Por exemplo, a temperatura de
fusão da liga de alumínio é de 660,3 °C, ou 933,45 K. logo,
0,4 ∙ 933,45 K = 373,38 K. (18)
Passando novamente para a escala Celsius,
373,38 − 273,15 = 100,23 °C. (19)
Logo, a possibilidade de falha por fluência será levada em consideração
em situações em que a liga de alumínio esteja submetida a tensão constante,
por longo período de tempo e temperatura de trabalho superior a 100,23 °C.
Quanto maior a temperatura de trabalho ou quanto maior a tensão
atuante, menor será o limite de resistência à fluência (𝜎𝑓 ).
A figura 15 abaixo apresenta exemplos de falha por fluência em materiais
metálicos.
Figura 15 - falha por fluência
Fonte: Disponível em <[Link] >. Acesso em julho de
2022.
A figura 16 abaixo apresenta um esquema de realização de ensaio de
fluência. Onde um corpo de prova é submetido a um esforço de tração no
interior de um forno que mantêm a temperatura do corpo de prova simulando
uma situação real de carregamento.
21
Figura 16 – Ensaio de fluência
Fonte: Disponível em <[Link] >. Acesso em julho de
2022.
Alguns materiais de engenharia, são submetidos a esforços cíclicos e
reversíveis, como por exemplo, eixos de vagões ferroviários, bielas e eixos
virabrequim. Neste caso, o material pode sofrer ruptura, neste caso, este
comportamento é denominado de fadiga. A figura 17 abaixo apresenta um
componente mecânico (eixo de torção) que sofreu falha por fadiga.
Figura 17 – Eixo apresentando falha por fadiga
Fonte: Disponível em < [Link] Acesso em julho de
2022.
A falha por fadiga representa uma grande parcela das falhas de um
modo geral nas indústrias. Duas considerações importantes, são que a fadiga
acontece em situações em que a tensão atuante no material está abaixo da
tensão de escoamento (𝜎𝑎𝑡𝑢𝑎𝑛𝑡𝑒 < 𝜎𝑒 ), e a falha no material é similar a uma
fratura frágil, ou seja, em materiais de alta dureza e baixa ductilidade.
Em projetos de máquinas e estruturas, deve-se levar em consideração o
limite de resistência a fadiga (𝜎𝑓𝑎𝑑 ) do material a ser aplicado. Para isso, um
22
diagrama 𝜎 − 𝑁 (Tensão – número de ciclos) obtido experimentalmente por
meio de ensaio de fadiga, é muito utilizado nesta análise. A figura 18 abaixo
apresenta os valores de 𝜎 e 𝑁 para dois materiais amplamente utilizados na
indústria mecânica e civil, o aço e o alumínio. Os valores de 𝑵 são grandes,
portanto, utilizou-se a escala logarítmica.
Figura 18 – Diagrama tensão x número de ciclos em análise de falha por fadiga
Fonte: Adaptado de Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
O limite de resistência a fadiga (𝜎𝑓𝑎𝑑 ) se configura na região do diagrama
em que a tensão tende a permanecer constante. Observa-se no diagrama
acima, que o limite de resistência a fadiga para o aço liga é bem definido, em
torno de 186 𝑀𝑝𝑎, já para o alumínio, em torno de 131 𝑀𝑃𝑎.
Princípio de Saint-Venant
A figura 19 abaixo apresenta numa barra de secção transversal
retangular, fixada na base, e sendo submetida a um esforço axial de tração
pela carga 𝑃, por meio de um furo. Uma vez sendo submetida ao
carregamento, ocorrerá um alongamento (𝛿) positivo, na direção longitudinal
(aumentando a altura da barra), e devido ao “efeito Poisson” haverá também
um alongamento negativo (𝛿′) reduzindo a secção transversal da barra.
Todavia, perceba que nas regiões próximas ao ponto de aplicação do
carregamento 𝑃 (parte superior da barra) bem como próximo ao apoio (parte
inferior), as deformações localizadas são maiores, ao passo que nas regiões
suficientemente afastadas das regiões de carregamento, as linhas de
23
deformação são mais uniformes, e, portanto, as tensões também são maiores.
Esse comportamento é conhecido como o princípio de Saint Venant.
Figura 19 – Princípio de Saint-Venant – parte I
Fonte: Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
De acordo com Hibeller (2010)
[...] o princípio de Saint-Venant afirma que a tensão e a
deformação produzidas em pontos de um corpo suficientemente
distantes da região da aplicação da carga serão iguais à tensão e à
deformação produzidas por quaisquer carregamentos aplicados que
tenha a mesma resultante estaticamente equivalente e sejam
aplicados ao corpo dentro da mesma região (HIBELLER, P.86).
A afirmação acima indica que, em um ponto suficientemente distante
da aplicação de carga, a distribuição de tensão é a mesma para quaisquer
carregamentos estaticamente equivalentes. Como na figura 20 abaixo.
Figura 20 Princípio de Saint-Venant – parte II
Fonte: Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
24
Como a distância do plano 𝑐 − 𝑐 com relação ao ponto de aplicação
das cargas, a distribuição das tensões neste plano é a mesma em situações cujo
carregamento são estaticamente equivalentes, uma vez que haverá
equivalência no módulo das forças bem como simetria na orientação dos
vetores de força.
Deformação elástica em barras sujeita a carregamento axial
Iremos desenvolver uma equação que seja capaz de exprimir o
alongamento (𝛿) de uma barra de comprimento inicial 𝐿, com área da secção
transversal 𝐴(𝑥) variando de maneira gradativa em função da posição 𝒙, e
sujeita a um carregamento concentrado axial externo, bem como outro
carregamento P(x) distribuído, ao longo da barra, variando também em função
da posição 𝑥. Este carregamento distribuído 𝑃(𝑥) poderia ser, no caso de uma
barra na posição vertical a própria distribuição do peso ao longo da sua
extensão, e no caso de uma barra na posição horizontal, como neste exemplo,
forças de atrito externo, realizado sobre a superfície lateral da barra. Observe
na figura 21 abaixo. Pelo método das secção, retiramos uma porção
infinitesimal da barra, localizada em uma posição 𝑥 qualquer. Essa porção da
barra possui comprimento 𝒅𝒙 e área da secção transversal em função da
posição, 𝑨(𝒙). O carregamento a que é submetido essa porção infinitesimal é
apresentado na parte 𝑏 da figura 21 abaixo.
25
Figura 21 – Deformação em barra sujeita a carregamento axial
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
A tensão interna atuante no elemento da barra é definida pela razão
entre o carregamento 𝑃(𝑥) no elemento e a área da secção transversal A(x).
P(x)
σ= (20)
A(x)
A deformação será definida pela razão entre o alongamento infinitesimal
e o comprimento infinitesimal inicial do elemento da barra, logo:
dδ
ϵ= (21)
dx
A equação que estamos desenvolvendo é aplicável para o cálculo do
alongamento total da barra sujeita a um carregamento axial, de maneira que
a barra permaneça na sua região elástica, ou seja, o limite de
proporcionalidade (𝜎𝑙𝑝 ) não pode ser alcançado. Considerando apenas a fase
elástica do material, podemos lançar mão da lei de Hooke.
σ = Eϵ (22)
Teremos para a fase elástica:
P(x) dδ
=E (23)
A(x) dx
Explicitando o alongamento infinitesimal:
P(x)dx
dδ = (24)
A(x)E
Para encontrar o alongamento ao longo de todo o comprimento L da
barra, integramos ambos os membros (os dois lados) da equação:
26
L
P(x)dx
δ=∫ (25)
0 A(x)E
Para o caso de uma barra com área da secção transversal constante,
material homogêneo (𝐸 → 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒) e carregamento constante ao longo da
posição 𝑥, como a figura 22 abaixo:
Figura 22 – Deformação em barra com secção uniforme
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Podemos escrever o alongamento relativo (𝛿) da barra:
L
P(x)dx
δ=∫ (26)
0 A(x)E
PL
δ= (27)
AE
Para barras submetidas a vários esforços axiais diferentes ou barras com
mudança repentina de módulo de elasticidade, o alongamento total da barra
será a soma algébrica de cada segmento da barra, logo:
PL
δ=∑ (28)
AE
Onde:
δ → Alongamento relativo das duas extremidades da barra [m];
P → Carregamento constante ao longo da posição [N];
L → Comprimento inicial da barra [m];
E → Módulo de elasticidade (módulo de Yong) do material [Pa]
27
Barra submetida a carregamento estaticamente indeterminado
Uma barra qualquer, fixada em apenas uma de suas extremidades e livre
na outra, submetida a um carregamento axial, é considerada estatiacamente
determinada, uma vez que a a reação no ponto de fixação pode ser obtida
aplicando-se a condição de equilíbrio na direção. Porém, em algumas
situações, como por exemplo, uma barra rígida fixada em ambas as
extremidades (barra engastada) como na figura 23 abaixo, têm-se apenas uma
equação e duas variáveis (duas reações). Neste caso, a barra é dita como
estaticamente indeterminada.
Para solucinar problemas com carregamento estaticamente
indeterminado desta natureza, deve-se adicionar uma nova equação
observando a geometria do sistema estrutural. Na configuração esboçada na
figura 23 abaixo, o deslocamento é limitado pela existencia dos apoios fixos em
ambas as extremidades da barra, portanto, pode-se assumir que o
alongamento relativo entre os pontos A e B será nulo. Essa equação que
especifica as condições do alongamento é denominada de condição de
compatibilidade ou condição cinemática.
Figura 23 - Condição cinemática ou condição de compatibilidade
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
28
Como o deslocamento relativo entre os pontos A e B é nulo, podemos
escrever:
δA/B = 0 (29)
Caso a força resultante interna no elemento AC é +𝐹𝐴 e no elemento BC
é −𝐹𝐵 , pode-se escrever:
FA LAC FB LCB
− =0 (30)
AE AE
Por meio dessa segunda relação, é possível determinar as reações em A
e B.
Concentração de Tensão em Esforços Axiais
Um elemento estrutural submetido a um esforço axial de tração conforme
esboçado na figura 24 que apresenta uma distribuição de tensão e
deformação não uniforme, em função das existências de pontos de
descontinuidades. Conforme já abordado em tópicos anteriores, as tensões e
deformações serão maiores próximos a essas descontinuidades, fazendo com
que esses pontos de concentração de tensão receba uma atenção especial
por partes dos engenheiros projetistas.
Observe a figura 24 abaixo em que uma barra prismática é submetida a
um esforço axial de tração por meio do carregamento 𝑷. Uma secção
transversal escolhida arbitrariamente nesta barra está submetida a uma tensão
normal média σ𝑚é𝑑 = 𝑃⁄𝐴, entretanto, a região da barra que é seccionada pelo
plano 𝑎𝑎, possui menor área de secção transversal que resiste ao
carregamento.
Figura 24 – Descontinuidade e a concentração de tensão;.
Fonte: Google Imagens. Acesso em agosto de 2022.
29
Analisando-se a distribuição de tensão ao longo da secção seccionada
pelo plano aa, percebemos que haverá uma maior concentração de tensão
próximo da descontinuidade (neste caso, o furo na barra).
Figura 25 – Distribuição de tensão média e real nas regiões de concentração de
tensão
Fonte: Google Imagens. Acesso em agosto de 2022.
Em casos em que a análise da concentração de tensão é de extrema
relevância, como por exemplo quando se utiliza materiais frágeis, adotamos um
fator de concentração de tensão 𝑲, de maneira que K é definido como a razão
entre tensão máxima permitida (𝜎𝑚á𝑥 ) e a tensão média (𝜎𝑚é𝑑 ) atuante sobre a
menor secção transversal do elemento, ou seja:
σmáx
K= (31)
σméd
Os valores de 𝑲, são obtidos utilizando-se diagramas como os
apresentados na figura 26 abaixo. Os valores de 𝑲 não estão associados ao tipo
de material empregado no elemento, mas sim à geometria dos pontos de
concentração de tensão.
30
Figura 26 – Fatores de concentração de tensão.
Fonte: Resistência dos materiais, Hibeller (2010)
No primeiro diagrama, em que um determinado elemento sofre uma
descontinuidade, aqui caracterizada pela redução da área da secção
transversal, o valor do fator de concentração de tensão 𝐾 irá depender das
relações (𝑟/ℎ) e (𝑤/ℎ). Ou seja, quanto maior o raio 𝒓 aplicado na região de
redução de secção, maior a relação 𝑟/ℎ e, portanto, menor valor de 𝑘. Partindo
dessa premissa, é de fundamental importância que o engenheiro saiba
identificar os pontos de concentração de tensão, sobretudo em materiais
frágeis a fim de ser avaliado no projeto de máquinas ou estruturas.
Exemplo resolvido
A barra prismática da figura 53 abaixo, é submetida a um carregamento
axial de tração de intensidade 𝑷. A barra sofre uma redução de secção
transversal, apresentando, portanto, uma região de concentração de tensão.
A fim de reduzir o fator de concentração de tensão, um filete de raio 𝒓 = 10 𝑚𝑚,
objetivando cadenciar a redução de secção, foi inserido. Sabendo-se que a
tensão admissível para esse elemento é de 110 Mpa, qual o valor máximo do
carregamento 𝑷 que poderá ser aplicado sobre a barra?
31
Figura 27 - Exemplo resolvido
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
P P
σméd = = (32)
A 20 ∙ 10 ∙ (mm2 )
P = σméd ∙ 200 mm2 (33)
Como,
σmáx
K= (34)
σméd
Então,
σmáx
P= ∙ 200 mm2 (35)
K
Avaliando os parâmetros da geometria da descontinuidade, o fator de
concentração de tensão 𝐾 pode ser obtido pelo diagrama da figura 53.
r 10 mm
= = 0,5 (36)
h 20 mm
w 40 mm
= = 2,0 (37)
h 20 mm
Logo:
K = 1,4 (38)
32
Como a tensão máxima que poderá atuar sobre o elemento é a tensão
admissível, então:
110 Mpa
P= ∙ 200 mm2 (39)
1,4
Logo,
P = 15,7 KN (40)
33
FIXANDO O CONTEÚDO
1. (Adaptada de Hibbeler, 2010). A barra rígida é sustentada por um pino
em 𝐴 e pelos cabos 𝐵𝐷 e 𝐶𝐸. Se a carga 𝑃 aplicada à viga provocar um
deslocamento de 10 𝑚𝑚 para baixo na extremidade C, determine a
deformação normal desenvolvida nos cabos 𝐶𝐸 e 𝐵𝐷.
mm mm
a) ϵCE = 0,00250 , ϵBD = 0,00107
mm mm
mm mm
b) ϵCE = 0,250 mm , ϵBD = 0,107 mm
mm mm
c) ϵCE = 0,00360 mm , ϵBD = 0,00209 mm
mm mm
d) ϵCE = 0,360 mm , ϵBD = 0,209 mm
mm mm
e) ϵCE = 0,00250 , ϵBD = 0,00107
m m
2. (Adaptada de Hibbeler, 2010). A figura mostra o diagrama tensão-
deformação de formação para duas Barras de poliestireno. Se a área da
seção transversal da barra 𝐴𝐵 for 950 𝑚𝑚² e a de 𝐵𝐶 for 2500 𝑚𝑚²
determine a maior força 𝑷 que pode ser suportada antes que qualquer
dos elementos sofra ruptura. Considere que não ocorre nenhuma
flambagem.
34
a) P = 54,27 kN
b) P = 122,38 kN
c) P = 656,3 kN
d) P = 5,427 kN
e) P = 65,63 kN
3. (Adaptada de Hibbeler, 2010). O tampão tem diâmetro de 30 𝑚𝑚 e
ajusta-se ao interior de uma luva rígida com diâmetro interno de 32 𝑚𝑚.
Ambos, tampão e luva, têm 50 𝑚𝑚 de comprimento. Determine a
pressão axial 𝒑 que deve ser aplicada à parte superior do tampão para
que ele entre em contato com as laterais da luva. Determine também a
que distância o tampão deve ser comprimido para baixo para que isso
aconteça. O material do tampão tem 𝐸 = 5 𝑀𝑃𝑎 e 𝑣 = 0,45.
a) p = 327 kPa, δ = 74,1 mm
b) p = 826 Pa, δ = 2,36 mm
c) p = 901 Pa, δ = 2,36 mm
d) p = 741 kPa, δ = 7,41 mm
35
e) p = 652 kPa, δ = 0,741 mm
4. (Adaptada de BEER, 1995). Duas Barras cilíndricas, uma de aço é igual
(𝐸 = 200 𝐺𝑃𝑎) e outra de latão (𝐸 = 105 𝐺𝑃𝑎), são ligadas em 𝐶, e
engastadas em 𝐴 e 𝐸. Para o carregamento indicado, determinar as
Reações em 𝐴 e 𝐵, e a deflexão do ponto 𝐶.
a) R A = 125,6 kN (→); R E = 74,4 kN (→); δC = 46,3 mm
b) R A = 55,7 kN (←); R E = 29, kN (←); δC = 46,3 μm
c) R A = 62,8 kN (←); R E = 37,2 kN (←); δC = 46,3 μm
d) R A = 125,6 kN (←); R E = 74,4 kN (←); δC = 46,3 μm
e) R A = 62,8 kN (→); R E = 37,2 kN (→); δC = 56,7 mm
5. (Adaptada de BEER, 1995). Em um teste de tração, uma barra de 20 𝑚 de
diâmetro feita de plástico que acaba de ser desenvolvida, é submetida
a uma força 𝑷 de intensidade 6 𝑘𝑁. Sabendo-se que um alongamento
de 14 𝑚𝑚 e um decréscimo de 0,85 𝑚𝑚 no diâmetro são observados, tem
um trecho central de 150 𝑚𝑚 de comprimento, determinar o módulo de
elasticidade longitudinal (𝐸) o módulo de elasticidade transversal (𝐺) e o
coeficiente de Poisson (𝑣) do material.
a) E = 98 MPa; G = 56,3 MPa; v = 0,104
b) E = 205 MPa; G = 70,3 MPa; v = 0,455
c) E = 410 MPa; G = 70,3 MPa; v = 0,355
d) E = 615 MPa; G = 7,03 MPa; v = 0,5
e) E = 106 MPa; G = 56,3 MPa; v = 0,225
36
6. (Adaptada de BEER, 1995). O corpo de prova de alumínio mostrado é
submetido a duas forças centradas e axiais e opostas, de intensidade 𝑷.
Pede-se: a) sabendo-se que 𝐸 = 70 𝐺𝑃𝑎 e 𝜎𝑎𝑑𝑚 = 200 𝑀𝑃𝑎, determinar o
máximo valor admissível de 𝑷 e correspondente alongamento para
amostra total; b) resolver o ítem a, considerando que o corpo de prova
foi substituído por uma barra de alumínio de mesmo comprimento, mas
de seção transversal retangular uniforme de 60 𝑥 15 𝑚𝑚.
a) (a) P = 97,3 kN; δ = 0,834 mm (b) P = 180 kN; δ = 1,714 mm
b) (a) P = 9,73 kN; δ = 8,34 mm (b) P = 18,0 kN; δ = 17,14 mm
c) (a) P = 194,6 kN; δ = 1,668 mm (b) P = 360 kN; δ = 3,428 mm
d) (a) P = 291,9 kN; δ = 8,34 mm (b) P = 180 kN; δ = 3,428 mm
e) (a) P = 3,26 MN; δ = 8,34 mm (b) P = 180 kN; δ = 3,428 mm
7. (Adaptada de BEER, 1995). Uma força axial e centrada, de intensidade
𝑷 = 40 𝑘𝑁, é aplicado a barra de aço mostrada. Determinar o máximo
valor da atenção normal em A e em b.
37
a) (a)325 Mpa (b)404 MPa
b) (a)3,25 Mpa (b)2,96 MPa
c) (a)582 Mpa (b)3,25 MPa
d) (a)296 Mpa (b)202 MPa
e) (a)2,96 Mpa (b)2,02 MPa
8. (Adaptado de J. M. GERE, 2009). Um pedestal de concreto reforçado
(𝐸 = 25 𝐺𝑃𝑎) tendo dimensões 𝐿1 = 2 𝑚 e 𝐿2 = 1,5 𝑚 é ilustrado na figura
abaixo. As cargas aplicadas ao pedestal são 𝑃1 = 400 𝑘𝑁 e 𝑃2 = 650 𝑘𝑁.
Sob a ação dessas cargas, o máximo encurtamento permitido do
pedestal é 1,0 𝑚𝑚. Sejam 𝐴1 𝑒 𝐴2 as áreas de seção transversal das partes
superior e inferior, respectivamente, do pedestal. (a) Se a área 𝐴2 for três
vezes a área 𝐴1 , qual é a máxima área permitida 𝐴1 ? Se as áreas 𝐴1 𝑒 𝐴2
forem tais que as tensões de compressão em ambas as partes do
pedestal forem as mesmas, qual é a máxima área permitida 𝐴1 ?
38
a) (a)(A1 )min = 43.000 mm2 ; (b)(A1 )min = 63.000 mm2
b) (a)(A1 )min = 50.000 mm2 ; (b)(A1 )min = 65.000 mm2
c) (a)(A1 )min = 53.000 mm2 ; (b)(A1 )min = 56.000 mm2
d) (a)(A1 )min = 50.000 mm2 ; (b)(A1 )min = 59.000 mm2
e) (a)(A1 )min = 47.000 mm2 ; (b)(A1 )min = 54.000 mm2
39
GABARITO
QUESTÃO 1 A
QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 C
QUESTÃO 4 B
QUESTÃO 5 C
QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 A
QUESTÃO 8 E
40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MELCONIAN, Sarkis. Mecânica Técnica e Resistência dos Materiais - 20ª Edição
Revisada. Editora Saraiva, 2018. E-book. 9788536528564. Disponível em: <
[Link] Acesso
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HIBBELER, Russell Charles. Resistência dos materiais. [Link]. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2010. 637 p.
BARRIOS, D. B. Demonstração do efeito da concentração de tensões
empregando o método dos elementos finitos no processo de ensino na
engenharia mecânica. São Paulo, 2005. Disponível em
<[Link]
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BOTELHO, Manoel H. C. Resistência dos materiais. 2° ed. São Paulo: Blucher,
2013. Disponível em <
[Link] Acesso
em agosto de 2022.
POPOV, E. P. Introdução à Mecânica dos sólidos. São Paulo: Blucher, 1978.
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BEER, Ferdinand P.; E. JOHNSTON, Russell Jr., DEWOLF, John T.; MAZUREK, David.
F. Estática e Mecânica dos Materiais. 1. ed. AMGH, 2013.
BEER, Ferdinand, JOHNSTON, E. Russell. Resistência dos Materiais. 3° ed. São
Paulo: Pearson Makron Books, 1995.
GERE, James M. Mecânica dos Materiais. Editora Cengage Learning.
BEER, F. P. JOHNSTON, E. R. Mecânica Vetorial para Engenheiros: Estática. 7ª
ed., São Paulo: McGraw Hill, 2006.
41
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