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SGSST Material Complementar

O documento aborda Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SGSST), destacando sua importância na promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Apresenta conceitos, diretrizes e normas relacionadas, como a BS 8800 e a OHSAS 18001, que orientam a implementação de práticas eficazes de segurança. A gestão integrada de segurança do trabalho é essencial para melhorar a qualidade dos produtos e a saúde dos colaboradores.

Enviado por

Sara Monaliza
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O documento aborda Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SGSST), destacando sua importância na promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Apresenta conceitos, diretrizes e normas relacionadas, como a BS 8800 e a OHSAS 18001, que orientam a implementação de práticas eficazes de segurança. A gestão integrada de segurança do trabalho é essencial para melhorar a qualidade dos produtos e a saúde dos colaboradores.

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Segurança do

Trabalho e Saúde
Ocupacional
Unidade IV
Sistemas de Gestão de Saúde
e Segurança do Trabalho
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
ANA CARLA F. GASQUES
AUTORIA
Ana Carla F. Gasques
Olá. Sou engenheira ambiental e de segurança do trabalho e mestre
em engenharia urbana. Tenho experiência como docente do ensino
superior para os cursos de Engenharia, nos quais orientei trabalhos de
conclusão de curso com enfoque em segurança do trabalho e gestão de
projetos. Também sou orientadora em banca avaliadora de monografias de
especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. Sou apaixonada
por esta área e gosto de transmitir meus conhecimentos. Fui convidada
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes
e estou feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho.
Sendo assim, pode contar comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:

OBJETIVO: DEFINIÇÃO:
para o início do houver necessidade
desenvolvimento de apresentar um
de uma nova novo conceito;
competência;
NOTA: IMPORTANTE:
quando necessárias as observações
observações ou escritas tiveram que
complementações ser priorizadas para
para o seu você;
conhecimento;
EXPLICANDO VOCÊ SABIA?
MELHOR: curiosidades e
algo precisa ser indagações lúdicas
melhor explicado ou sobre o tema em
detalhado; estudo, se forem
necessárias;
SAIBA MAIS: REFLITA:
textos, referências se houver a
bibliográficas necessidade de
e links para chamar a atenção
aprofundamento do sobre algo a ser
seu conhecimento; refletido ou discutido;
ACESSE: RESUMINDO:
se for preciso acessar quando for preciso
um ou mais sites fazer um resumo
para fazer download, acumulativo das
assistir vídeos, ler últimas abordagens;
textos, ouvir podcast;
ATIVIDADES: TESTANDO:
quando alguma quando uma
atividade de competência for
autoaprendizagem concluída e questões
for aplicada; forem explicadas;
SUMÁRIO
Contexto, conceitos e definições de sgsst........................................ 10
Conceitos e definições................................................................................................................. 13

Normas relacionadas.................................................................................................................... 14

SGSST e PDCA................................................................................................................................... 16

Diretrizes de sgsst.......................................................................................20
Requisitos de implantação do SGSST.............................................................................. 21

Auditorias de segurança e saúde do trabalho................................29


Conceito e importância da auditoria em SST..............................................................29

Auditoria como avaliação de gestão................................................................................. 31

Processos em auditoria...............................................................................................................34

Sistemas de gestão ambiental...............................................................38


Requisitos de implantação do SGA.................................................................................... 41

Planejamento (análise inicial)...............................................................................43

Implementação e operação (implantação)................................................45

Verificação......................................................................................................................... 46

Análise pela administração................................................................................... 46


Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 7

04
UNIDADE
8 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

INTRODUÇÃO
Chegamos ao final do nosso livro didático. Nesta Unidade, vamos
abordar os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional
(SGSSO) e, para isso, é fundamental que vocês lembrem dos demais
conteúdos apresentados. É importante conhecer tais sistemas, pois,
apesar de serem de caráter voluntário, juntamente com os Sistemas de
Gestão Ambiental (SGA), visam promover à melhoria da qualidade dos
produtos, do ambiente organizacional e do meio ambiente.

Para que as ações de segurança e saúde ocupacional sejam efetivas,


é fundamental que procedimentos sejam guiados por diretrizes, bem
como definidos. A fim de garantir que as ações propostas e implantadas
são eficazes para o sistema, ao longo do tempo, são desenvolvidas
auditorias nas organizações, que buscam medir a eficácia do sistema e
da sua melhoria.

Em consonância com os Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança


do Trabalho (SGSSTs), os SGAs foram instituídos pela série ISO 14000,
que serviu de base para as normas de sistemas de gestão de segurança
do trabalho. Assim, entendemos por fim, que, ao abordar gestão de
segurança do trabalho, analisamos diretamente as condições de trabalho
e o meio ambiente, ficando claro que abordamos, também, saúde coletiva
e individual. Por isso é necessária uma gestão integrada dos diferentes
aspectos envolvidos.

Espero que vocês estejam animados para esta última Unidade,


que busca concluir os estudos desta disciplina, e, principalmente, para
continuar em busca de novos conhecimentos sobre o universo da
segurança do trabalho!
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 9

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4 – Sistemas de Gestão
de Saúde e Segurança do Trabalho. Nosso objetivo é auxiliar você no
desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término
desta etapa de estudos:

1. Reconhecer, conceituar e definir Sistemas de Gestão de Saúde e


Segurança do Trabalho (SGSST).

2. Engendrar as diretrizes para os SGSST.

3. Executar os procedimentos de auditoria de SST.

4. Discernir sobre a relação entre segurança do trabalho e gestão da


ambiência laboral.

E então? Está animado para saber mais sobre saúde e segurança


ocupacional? Vamos juntos nesta última Unidade!
10 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

Contexto, conceitos e definições de sgsst


OBJETIVO:

Ao término desta competência, você estará apto a


compreender o contexto e os conceitos envolvendo SGSST,
que são de fundamental importância para que as ações
estabelecidas sejam cumpridas, monitoradas e efetivas.
E então? Motivado para desenvolver esta competência?
Vamos lá. Avante!

No período da Revolução Industrial as máquinas promoveram


melhorias nos ambientes industriais e, ao mesmo tempo, provocaram
aumento na quantidade de acidentes em decorrência dos riscos aos quais
os trabalhadores estavam expostos. Os riscos existentes nos ambientes
de trabalho podem ser classificados como físicos, químicos, biológicos,
ergonômicos e de acidentes, de acordo com suas consequências. Além
de provocar acidentes, as condições inadequadas dos ambientes de
trabalho podem resultar em doenças ocupacionais.

Em consequência disso, foram instituídas normas para definir


diretrizes, objetivando a proteção da saúde e da integridade física do
colaborador, reduzindo a exposição dos riscos aos quais os trabalhadores
estão expostos. No Brasil, as normas regulamentadoras são o principal
marco da Segurança e Saúde do Trabalho (SST).

Entretanto, apesar de, hoje, os ambientes de trabalho estarem


mais adequados às condições de segurança do trabalho, o ritmo de
competição do mercado ainda prejudica o enfoque nesta temática, não
consideradas ações eficazes para os colaboradores. Em função disso,
as consequências da falta de segurança não são perceptíveis tanto por
colaboradores e gestores quanto pela comunidade.

Em contrapartida, o foco central em se tornar líder de mercado,


ter controle econômico e desenvolver-se, necessariamente, deve estar
relacionada ao bem-estar físico do homem, a partir de investimentos, a
fim de melhorar a relação homem, máquina e produção. Tal fato justifica-
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 11

se pelo seguinte pensamento: o homem é o maior responsável pela


qualidade dos produtos e serviços em função de sua mão de obra.

A variedade de acidentes, incidentes e situações de riscos nos


ambientes organizacionais evidencia a necessidade de não olhar mais para
a organização apenas como algo lucrativo. É necessário que estas sejam
evidenciadas em função de seu comportamento ético e responsável no
que tange a seus colaboradores.

Nesse contexto, aspectos de segurança e higiene no trabalho


ultrapassam os limites de caráter humano: envolvem também o âmbito
organizacional e econômico, relacionando-se aos aspectos de garantia da
qualidade do produto final e da prestação de serviço.

Para tal, as organizações vêm implantando sistemas de gestão


para melhorar a qualidade de seus processos. Em consequência disso,
produtos promovem sustentabilidade, além de melhorar os ambientes de
trabalho e a rotina de seus colaboradores. O objetivo, então, é promover
a capacidade de se destacar perante a concorrência, aperfeiçoar seus
ganhos sem prejudicar a saúde e a integridade física dos colaboradores.

Diante disso, nesta competência, veremos os conceitos envolvendo


os SGSSTs, que são uma ferramenta bastante importante para que as
organizações atinjam este objetivo. A partir do momento que a organização
for capaz de conseguir estabelecer um desempenho satisfatório em SST,
ela determina melhores condições de trabalho e, consequentemente,
torna seus colaboradores mais motivados, permitindo que estes estejam
mais sensibilizados com os aspectos organizacionais.

Embora esteja incorporada aos ambientes organizacionais,


ainda não existe uma concordância sobre um exemplo ideal de SST,
principalmente em função da alta variabilidade das empresas. Uma
publicação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresenta
diretrizes para motivar os gestores a implantarem tais sistemas, porém
sem a devida padronização. E, em decorrência disso, diferentes tipos
são aplicadas de acordo com as especificidades de cada segmento e
agrupamento de processos.
12 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

No entanto, em alguns casos, tais sistemas, por não terem um


padrão a ser seguido, ainda não são desenvolvidos de forma completa e
consistente. Algumas organizações preconizam a prevenção de acidentes
em relação às doenças relacionadas ao trabalho, enquanto outras, apesar
de não possuírem meios de comunicação para promover a integração
entre boas práticas, têm objetivos e estratégias bem definidas.

Dessa forma, partindo do pressuposto do objetivo da garantia


de promover ambientes de trabalhos mais saudáveis ao colaborador,
a gestão de segurança e saúde tem relação com situações de caráter
funcional, devendo ser interligada à gestão estratégica da organização de
forma global. Ademais, o caráter de prevenção envolve controlar, a partir
de mecanismos e indicadores, os acidentes e incidentes, tendo em vista a
variabilidade de causas possíveis.

Nesse cenário, um SGSST consiste em um conjunto de ações


da empresa, cujo enfoque está na segurança e integridade de seus
trabalhadores e de suas ações nos diferentes processos produtivos.
É importante que se tenha como princípio que um SGSST deve ser
estruturado e implantado a partir de políticas, obrigatoriedade de
legislações aplicáveis aos aspectos envolvendo segurança, de acordo
com a configuração de cada organização.

No auge da (in)segurança do trabalho, no período entre as décadas


de 1970 e 1980, foram criadas normas para direcionar a gestão em SST
para alguns setores econômicos específicos. No Brasil, a primeira norma
nessa temática foi criada em 1996, voltada para orientações sobre o que
deveria ser feito em sistemas, a BS 8800.

Essa norma ficou vigente e em implantação até 1999, quando foi


desenvolvida a OHSAS 18001, baseada nas diretrizes instituídas pela
norma brasileira (NBR) ISO 14001, de outubro de 1996, cujo foco está na
gestão ambiental. Esta apresenta bastante familiaridade com a gestão da
segurança do trabalho.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 13

EXPLICANDO MELHOR:

OHSAS é a sigla de Séries de Avaliação de Segurança e


Saúde Ocupacional, do inglês Occupational Health and
Safety Assessment Series.

Antes da implantação de SGSSTs, as organizações tinham uma


abordagem reativa, ou seja, primeiro esperava-se o acidente acontecer
para que, então, ocorresse a investigação e a análise, a fim de estabelecer
medidas de controle. Após a implantação de um SGSST, a postura passa
a ser proativa, isto é, primeiro os perigos são identificados, avaliam-se os
riscos e, a partir da avaliação é que são definidas medidas de controle.
Nesse cenário, quando ocorre um acidente, este é averiguado, originando,
outra vez, a identificação e a avaliação dos perigos e riscos, produzindo,
assim, novas formas de controle para impedir futuros acidentes análogos.

O desenvolvimento de ações para a gestão da segurança e


saúde no trabalho, sua implantação e a garantia de que essas ações
estão conforme as demandas impostas pelas leis e outros regimentos
nacionais são de responsabilidade do empregador. Entretanto, implantar
uma abordagem sistemática dessa gestão na organização garante que
prevenção e proteção sejam avaliadas de forma contínuas e sustentadas
a partir de melhorias apropriadas.

Conceitos e definições
Uma forma mais ampla que a segurança do trabalho é a capacidade
de estar seguro, porém isso ainda é um pouco vago, não é? Podemos
caracterizar a segurança do trabalho como a não ocorrência de acidentes.
Também há os conceitos de acidente, quase acidente e incidente.

Um incidente consiste em uma situação não prevista (ou não


desejada) que altera o ritmo normal de uma ação e, podendo ser um
acidente ou quase acidente. Um incidente é tido como um acidente
quando ocorre lesão corporal, perda ou redução da capacidade,
permanente ou temporária ou morte. Agora, quase acidente é quando
14 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

suas consequências podem resultar em dano à pessoa, mas que não


chegou a causar.

Além disso, há a diferença entre perigo e risco. Perigo é uma


situação com potencial para provocar perdas ou, ainda, um conjunto
de situações; enquanto risco é a combinação da probabilidade de uma
situação de perigo e de sua gravidade ou a combinação da exposição
com a gravidade dos efeitos à saúde.

No que diz respeito aos sistemas de gestão, temos aqui outros dois
termos: sistema e gestão. Um sistema, de modo geral, pode ser definido
como a soma de várias partes ou, ainda, uma rede complexa destinada
a um determinado fim; já gestão é a ação de se empenhar para alcançar
objetivos da organização.

Diante disso, entende-se que um sistema de gestão é um grupo de


mecanismos e ferramentas relacionadas entre si, que são empregados
por uma organização para que suas ações sejam planejadas, operadas e
controladas, de modo a alcançar objetivos previamente definidos.

A gestão da segurança é uma ação coletiva e, em função disso, é


preciso que seja exercida e realizada em toda organização. Conscientizar
e capacitar colaboradores para que estes sejam capazes de identificar
situações de riscos são as ações mínimas necessárias para iniciar o
processo de gestão da segurança.

Normas relacionadas
Duas normas são importantes para esta área: BS 8800 e OHSAS
18001. A BS 8800:1996 da Inglaterra foi a impulsora dos SGSSTs, e
consiste em um conjunto de diretrizes baseadas em normas de gestão
da qualidade, que são instituídas pela série ISO 9000, bem como pela ISO
referente à gestão ambiental (série 14000).

A BS 8800:1996 foi publicada na Inglaterra, tendo por objetivo


aperfeiçoar a performance de segurança do trabalho no ambiente
organizacional, servindo como um guia para a gestão da área. Essa norma
preconiza que é importante que esta gestão seja feita de forma integrada
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 15

às demais áreas da organização. A norma é formada pelos seguintes itens,


conforme pode ser visto na Figura 1.
Figura 1 – Fluxograma das etapas da gestão de segurança do trabalho segundo a BS
8800:1996

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

As diretrizes dessa norma podem ser sobrepostas em organizações,


independentemente do porte, tipo de atividade ou grau de risco. Além
disso, também podem ser compatibilizadas às normas regulamentadoras,
assim como com às demais normas que norteiam os sistemas de gestão.
As finalidades básicas dessa norma é tornar mínimos os riscos para os
colaboradores e demais envolvidos, aperfeiçoar o comportamento da
organização e auxiliá-las para instituir uma imagem responsável no
mercado em que operam.

Já a norma OHSAS 18001 foi publicada em 1999 a partir de uma união


de diversos organismos certificadores. É a primeira norma certificadora
desta área, tendo sido desenvolvida com base na estrutura da ISO 14001
de 1996, que aborda sistemas de gestão ambiental.

A OHSAS começou a vigorar em 1997 e, em 2007, passou por sua


primeira revisão, que não modificou sua estrutura de forma significativa,
16 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

mas incluiu melhorias em suas diretrizes, principalmente no que se refere


a ações preventivas a partir do gerenciamento de incidentes. Essa norma
é aplicável a qualquer organização, desde que esteja disposta a implantar
um sistema de gestão e, depois de implantado, garantir que este seja
mantido e passado por melhorias contínuas ao longo dos anos, bem
como revisado com relação à conformidade com a política. A estruturação
dessa norma é apresentada na Figura 2.
Figura 2 – Fluxograma das seções estabelecidas na OHSAS 18001:2007

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

As seções definidas por essa norma possibilitam às organizações


um monitoramento mais efetivo dos riscos, definindo os responsáveis
acerca da política de segurança estabelecida, bem como reforçando
exaustivamente a necessidade de treinamentos e controle das ações
desenvolvidas. Entretanto, não são estabelecidos indicadores para
monitorar o desempenho referente à SST.

SGSST e PDCA
Quando falamos de sistemas de gestão envolvendo segurança
do trabalho, por mais que o foco esteja nos ambientes organizacionais,
nós também relacionamos questões indiretas às condições ambientais,
ou seja, aos efeitos indiretos e, muitas vezes, de difícil compreensão,
quantificação e avaliação. Em decorrência disso, para que um profissional
da segurança do trabalho seja respeitado, é preciso que ele olhe para sua
área de atuação sob três perspectivas: legal, gestão e técnica, que são
integradas e relacionam-se entre si.

No que diz respeito à estrutura básica de implantação desse sistema,


existe um consenso na literatura sobre as atividades necessárias para que
seja efetivo, tendo por base o ciclo de Deming, também conhecido como
“ciclo PDCA”, que significa planejar, fazer, verificar e agir, do inglês plan, do,
check, act, conforme apresentado na Figura 3.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 17

Figura 3 – Ciclo de Deming (PDCA) no contexto da segurança do trabalho

Fonte: Elaborado pela autora com base em OIT (2011).

De modo geral, os sistemas de gestão de segurança do trabalho


fazem parte de um sistema integrado de qualquer empresa, tendo em
vista promover mecanismos com potencial para melhorar a eficiência da
gestão de riscos, no que diz respeito a todas as atividades desenvolvidas
nesta. Como consequência disso, há uma redução dos acidentes de
trabalho e das doenças ocupacionais, bem como ambientes de trabalho
mais saudáveis.

É importante que cada empresa analise suas características e


adapte os requisitos de seu SGSST, a fim de fazer com que este seja
efetivo quanto às suas finalidades. A gestão deve incluir todos os aspectos
que interferem em sua produção e funcionalidade, além dos impactos
negativos de suas ações tanto nos envolvidos diretamente (gestores
e colaboradores) quanto indiretamente (população de entorno, meio
ambiente e sociedade de modo geral).

Nesse contexto, entende-se que consiste em uma metodologia


lógica e gradativa para definir o que precisa ser feito, a melhor maneira
18 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

de fazer, monitorar a evolução daquilo foi definido, buscando atingir os


objetivos, bem como desenvolver avaliações para promover melhorias.
É fundamental que essa metodologia seja adaptativa, conforme ocorram
mudanças nos processos operacionais das empresas ou nas legislações.

Aplicar o ciclo PDCA em sistemas de gestão possibilita um maior


controle sobre as ações a serem executadas e, principalmente, a melhoria
contínua dos processos. Além disso, este enfoque para sistemas de gestão
garante que medidas de prevenção sejam implantadas efetivamente e
com coerência ao perfil da organização; sejam estabelecidas políticas
relacionadas; sejam definidos compromissos a serem seguidos; todos os
setores da organização façam parte da avaliação de riscos; e, por fim, que
gestores e colaboradores atuem juntos neste processo.

SAIBA MAIS:

Quer saber mais sobre aspectos gerais de SGSST? Indico


que você faça a leitura do artigo intitulado Diretrizes para
implementação de um sistema de gestão da saúde e
segurança do trabalho segundo a OHSAS 18001: estudo de
caso em uma indústria química. Para acessar, clique aqui .
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 19

RESUMINDO:

Além de cumprir com suas obrigatoriedades legislativas, as


organizações precisam estabelecer ambientes de trabalho
mais seguros e que propiciem melhor qualidade de vida
a seus colaboradores. Cada vez mais é possível perceber
a importância destas instituírem boas práticas, a fim de
garantir segurança e higiene ocupacional que, além de
fundamentais para reduzir acidentes, também servem de
aspecto motivacional para que os colaboradores sintam-se
comprometidos com sua própria segurança e a segurança
do ambiente de forma geral.
Ambientes organizacionais seguros, além de melhorar os
índices de produção, também interferem positivamente
nos gastos do produto final, pois reduzem as paradas de
processos para manutenção e/ou em função de acidentes.
Neste cenário, os SGSSTs foram definidos a partir de
duas normas (BS 8800 e OHSAS 18001), sendo instituídos
como mecanismos organizacionais, objetivando promover
melhores condições de trabalho e, consequentemente,
interferindo no desempenho financeiro, operacional e
social.
O SGSST consiste, então, em um conjunto de ações
associadas a partir do estabelecimento de políticas,
programas, métodos e procedimentos, a fim de promover
a execução das condições judiciárias dirigidas pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pelas normas
regulamentadores (NR) no que tange à segurança e a
saúde ocupacional. Esses sistemas, quando implantados
no ambiente organizacional, promovem tanto melhorias
nos processos e na capacidade produtiva, quanto de
caráter pessoal aos colaboradores, por auxiliar para que a
organização apresente melhores condições de trabalho.
20 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

Diretrizes de sgsst
OBJETIVO:

Ao final desta competência, você estará apto a identificar


as diretrizes para implantar os SGSSTs. A identificação
das diretrizes é o passo inicial para que você consiga
estabelecer e implantar SGSSTs eficazes em relação aos
objetivos propostos.

Aa prioridade do SGSST é gerenciar os riscos, objetivando excluir os


perigos, fazer avaliação dos riscos, lidar com os riscos na fonte, adaptar o
trabalho ao homem, considerar o estado de desenvolvimento da técnica,
trocar o ameaçador pelo menos perigoso, projetar a prevenção, priorizar
a proteção coletiva ante a individual e, por fim, sensibilizar todos os
envolvidos.

Neste cenário, a norma OHSAS 18001 estabelece condições


a serem adotadas a fim de instituir uma padronização em SGSST. A
concordância e o aproveitamento dessas condições são direcionadores
para que uma organização adote padrões internacionais relacionados à
SST. Para desenvolver sistematicamente esse tipo de sistema é preciso
que algumas etapas sejam seguidas, que são precedidas por etapas de
análise e validação.

Compreender as diretrizes relacionadas a esses sistemas


de gestão é um processo sistematizado, que envolve definição de
princípios, organização de estrutura e delimitação de processos a serem
considerados. Esses fatores são determinados pela cultura organizacional
e definidos de acordo com os recursos existentes (ou disponibilizados) e
o contexto externo.

É importante que sejam estabelecidos os responsáveis pela


elaboração e implantação de SGSSTs, que podem ser externos (a partir
de empresas de consultoria) ou internos (por meio de representantes
de colaboradores e gestores). Em seguida, é importante que a alta
administração defina a política de SST, segundo os requisitos mínimos
estabelecidos pela norma selecionada (BS 8800, OHSAS 18001 ou ISO
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 21

45001), além de seguir o estabelecido no planejamento estratégico da


organização e nas legislações vigentes.

De modo geral, os SGSSTs têm por objetivos colocar a organização


em conformidade com as legislações vigentes, prevenir acidentes e
doenças do trabalho, obter vantagem competitiva perante o mercado e
estabelecer conformidade segundo os princípios e valores da organização.
Além disso, esses objetivos podem variar de acordo com os critérios
estabelecidos na missão da organização.

A gestão da segurança do trabalho em uma organização pode ser,


ainda, de caráter obrigatório (a partir de uma exigência legal) ou voluntário.
Entretanto, os sistemas são unicamente de caráter voluntário, ou seja, a
organização (ou sua alta administração) define que este vai ser implantado
e inicia o processo com a contextualização de suas características e, em
seguida, a identificação das legislações relacionadas.

Requisitos de implantação do SGSST


A norma OHSAS aponta os requisitos para um sistema de gestão
da segurança e saúde do trabalho que possibilite à organização o
desenvolvimento e a implementação de uma política e objetivos
específicos, considerando tais requisitos. A norma foi estruturada a fim de
ser possível sua aplicação em diferentes organizações, bem como sua
adaptação a diferentes contextos geográficos, culturais e sociais.

A política de segurança do trabalho da organização deve ser


documentada, implantada e publicada a todos os envolvidos (stakeholders),
para que todos sejam sensibilizados e capazes de fomentá-la e cumpri-
la. A política é o passo inicial para o estabelecimento dos objetivos e das
metas a serem atingidas a partir deste sistema.

É importante ressaltar, antes de prosseguir com as etapas/


requisitos, que, para que esse sistema seja eficaz, é necessário que todos
estejam comprometidos, principalmente a alta administração. Ademais, os
elementos estruturantes demandam um processo constante de revisão e
atualização, bem como aperfeiçoamento, treinamento e sensibilização.
22 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

O objetivo geral da norma é promover suporte às boas práticas em


consonância a aspectos socioeconômicos. Outrossim, alguns requisitos
precisam ser considerados de forma simultânea, passando por avaliação
a qualquer momento.
Figura 4 – Etapas do SGSST relacionadas ao ciclo PDCA

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Conforme é possível observar na fase de planejamento (primeira


etapa do PDCA) é estabelecida a política de SST, definida pela alta
administração. A política pode ser definida como uma carta de objetivos,
aprovada pela alta direção da empresa, que situa os alvos globais
de segurança e saúde, bem como o empenho para aperfeiçoar o
comportamento da SST, porém não constitui alvos passíveis de serem
quantificados.

Na fase de planejamento, são estabelecidos três fatores:


identificação de perigos, avaliação de riscos e determinação de controles;
selecionar requisitos legais e outros; e, objetivos e programas. Nessa fase,
é essencial que seja elaborado um plano de ação, que deve contemplar,
pelo menos, os seguintes aspectos: definição de responsabilidades,
identificação das demais etapas a serem desenvolvidas e dos recursos
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 23

necessários para a execução de cada uma dela e delimitação do prazo


para conclusão.

Dentro da fase de planejamento, também devem ser definidos


aspectos relacionados a documentações e registros, ou seja, como
será feita a transmissão de informações e o processo de comunicação.
Gerenciar documentações é uma etapa fundamental para qualquer
sistema de gestão.

Na fase de planejamento, é preciso que sejam identificados os


riscos associados às mudanças previstas para a organização a partir da
implantação de SGSST. É preciso que sejam assegurados os resultados
desejados, dentro de condições adequadas, a partir de medidas de
controle, que devem priorizar a redução de riscos a partir da seguinte
hierarquia, conforme pode ser visto na Figura 5.

Figura 5 – Hierarquia da redução de riscos

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Dando continuidade às diretrizes, a fase de implementação e


operação é a mais extensa, sendo composta para desenvolver e organizar
sete sub-requisitos, sendo eles:
24 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

• Recursos, funções, responsabilidades, prestação de contas e


autoridade.

• Competência, treinamento e conscientização.

• Comunicação, participação e consulta.

• Documentação.

• Controle de documentos.

• Controle operacional.

• Preparação e resposta às emergências.

Com base nisso, a organização, ao implantar seu SGSST, deve


considerar esses sete itens, bem como realizar análises críticas dos
documentos relacionados, controlando a emissão e seu processo de
arquivamento e registro. Comumente, esse item da norma é estruturado
a partir de um documento único chamado, o manual do SGSST, no qual
são definidos aspectos como procedimentos gerenciais (tal como eleição
e estruturação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – Cipa)
e procedimentos operacionais (referentes à operação de máquinas e
equipamentos), além das documentações.

Ainda, é necessário organizar no manual um diagrama indicando a


integração entre os diferentes documentos e as fases correspondentes
de cada um. Mesmo que esteja organizada de forma clara e objetiva, a
documentação precisa estar em fácil acesso, devendo refletir as metas
estabelecidas. A documentação não é comprovação de eficiência ou de
que o SGSST está sendo executado corretamente, mas é uma forma de
manter o acompanhamento do processo e identificar falhas.

Tendo por base os sistemas da qualidade, que são os precursores


dos sistemas de gestão, é possível organizar a documentação a partir de
uma hierarquização estrutural, sendo ela:

• Nível 1 – Documento que contém a política de SST e descreve a


organização do SGSST. É tipicamente constituído pelo manual de
segurança.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 25

• Nível 2 – Procedimentos do sistema ou operacionais de gestão da


SST.

• Nível 3 – Procedimentos operativos e/ou instruções de trabalho


documentadas.

• NÍVEL 4 – Registros da SST.


Figura 6 – Hierarquização da documentação em um SGSST

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Na verificação, é preciso analisar o monitoramento e a medição de


desempenho, além de avaliar o atendimento a requisitos legais e outros;
investigar incidentes, não conformidades, ações corretivas e preventivas;
controlar os registros; e realizar auditorias internas. Segundo a norma, a
gestão de topo é a responsabilidade final da gestão, devendo comprovar
o seu empenho em critérios como garantir que os recursos necessários
estarão disponíveis em quantidade e no momento demandado e que as
atribuições e responsabilidades serão definidas e delegadas de forma
adequada.

Além disso, nesse momento, é preciso que seja designada uma


pessoa responsável pela gestão de topo, que terá autoridade para garantir
os itens anteriores, bem como controlar os relatórios de desempenho,
a fim de realizar o monitoramento e o controle, acompanhando as
26 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

evoluções a partir do SGSST. É importante que todos saibam quem é a


pessoa designada e que tenham a possibilidade de conversar com esse
membro, caso aconteça algum imprevisto ou situação indesejada.

Por fim, a última etapa consiste em definir o requisito sobre a análise


crítica pela direção. Neste momento, a alta direção confere os indicadores
do processo de forma geral, de modo a conferir o nível de atingimento
das metas estabelecidas. Dessa forma, é possível verificar até que nível
as mudanças desenvolvidas forma positivas (ou não) frente ao resultado
esperado.

A OHSAS 18001 apresenta, ainda, cinco fatores para que um SGSST


seja implementado em uma organização:

• Conscientização da alta administração.

• Estruturação de procedimentos.

• Capacitação de todos os envolvidos.

• Avaliação de oportunidades de melhoria.

• Aplicação de tecnologias.

Os sistemas são bastante funcionais, ajudando a definir metas mais


claras à organização, com o intuito de que esta alcance um nível mais
elevado de segurança do trabalho. Esses cincos passos ajudam, porém
é necessária a sensibilização de cada um, que é a principal peça para a
eficiência do processo de forma geral.

Apesar de não estar claramente definido como uma etapa do


processo, o envolvimento dos colaboradores é uma demanda de grande
parte das normativas relacionadas. A participação dos colaboradores
pode ocorrer de diferentes maneiras em função de quem está sendo
convidado para participar, quando e por que essa participação ocorrerá.

A participação pode ocorrer em diferentes graus, que variam desde


a simples disponibilização de informações depois de tomada de decisão,
ou consultar os colaboradores antes de deferir a tomada de decisão
para permitir que estes influenciem nesta, ou delegar algum cargo de
autoridade aos colaboradores ou a seus representantes ou, por fim, o
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 27

nível mais avançado, que consiste na autogerência, isto é, transmite a


responsabilidade para os colaboradores e estes fazem o planejamento,
estipulando formas de monitoramento e controle de suas atividades.

Estudos evidenciam que permitir que os colaboradores participem


do processo, de uma forma geral, auxilia na comunicação efetiva entre
gestores e a alta administração no que se refere a assuntos de SST.
Contudo, para que a participação destes seja efetiva, é necessário que
sejam realizados treinamentos, além de disponibilizadas informações
adequadas, para que estes compreendam o que está sendo debatido
e para que sejam definidas as formas de participação acordantes ao
contexto.

Acerca disso, a realização de treinamentos nas organizações deve


ser feita regularmente, sendo um assunto comum nas áreas de segurança
do trabalho para garantir uma boa performance neste quesito. Sabe-se,
inclusive, que a falta de treinamentos ou treinamentos inadequados são
responsáveis por acidentes de trabalho.

Dessa forma, além das diretrizes estabelecidas, a comunicação


adequada e o bom relacionamento interpessoal entre gestores e
colaboradores torna possível um diálogo mais aberto, favorecendo
tanto os aspectos organizacionais e processuais como os de caráter
motivacional e de segurança dos colaboradores.

SAIBA MAIS:

Quer saber mais sobre aspectos gerais relativos aos


sistemas de gestão de segurança e saúde do trabalho?
Leia o artigo Sistema de gestão de segurança e saúde no
trabalho: uma proposta de avaliação da conformidade para
a administração pública federal brasileira. Para acessar,
clique aqui .
28 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

RESUMINDO:

Aspectos relacionados à gestão da segurança do trabalho


estão sendo demandados por legislações cada vez mais
e, em função disso, algumas normas definem requisitos e
diretrizes para que as organizações implantem sistemas
de gestão desta área, a fim de melhorar seu desempenho,
diminuindo, assim, acidentes de trabalho.
No entanto, para que isso seja possível, é essencial
que todos os membros da organização (gestores, alta
administração e colaboradores) estejam comprometidos
com o processo. Além disso, é importante que sejam
realizados treinamentos, definidos critérios e condições
de certificações, bem como o controle do período de
adaptação.
Por fim, entendemos que os requisitos estabelecidos para a
implantação de sistemas são bastante funcionais, ajudando
a definir metas mais claras à organização, a fim de que esta
alcance um nível mais elevado de segurança do trabalho.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 29

Auditorias de segurança e saúde do


trabalho
OBJETIVO:

Ao final desta competência, você conhecerá os principais


objetivos das auditorias em saúde e segurança do
trabalho. Isso será fundamental para entender como avaliar
as condições de trabalho e de segurança e saúde do
trabalhador por meio de uma auditoria. E então? Animado
para este conhecimento? Vamos lá!

Conceito e importância da auditoria em


SST
Um elemento fundamental nos SGSSTs é a auditoria. Esta é a
responsável por fornecer não somente uma avaliação dos fatos, mas,
principalmente, orientar as tomadas de decisões, auxiliando na otimização
dos processos do sistema.

Muitas pessoas confundem a ação de fiscalizar com o fato de


a organização estar realizando atividades em não conformidade com
as normas. Entretanto, as auditorias devem ser realizadas em todas
as empresas, com a finalidade de avaliar as condições de trabalho
e de segurança e saúde do trabalhador. Caso haja divergências nos
ambientes de trabalho, devem ser realizadas atuações e multas pelo não
cumprimento da legislação e normas vigentes.

As organizações utilizam a auditoria como uma ferramenta de


medida para o seu sistema de gestão de saúde e segurança no trabalho.
A auditoria torna-se fundamental, pois irá indicar o atual estágio de
implantação do sistema, bem como auxiliar na definição do plano
estratégico das ações a médio e longo prazo. Com isso, é possível auxiliar
a empresa a atingir um nível de desempenho satisfatório.

De maneira geral, a auditoria pode ser definida como um exame para


verificar se as atividades e os resultados gerados estão em conformidade
30 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

com as ações planejadas, bem como se essas ações estão adequadas com
as políticas e os objetivos da organização. Ainda, pode ser definida como
uma avaliação independente, realizada por um profissional especialista
no assunto, que utilize do julgamento profissional para a validação dos
resultados e, ao final, reporte aos interessados o resultado da avaliação.

A inspeção de segurança, da investigação de acidentes e da auditoria


de saúde e segurança do trabalho são atividades complementares,
porém apresentam finalidades distintas quando são realizadas. A
inspeção de segurança engloba atividades rotineiras que visam verificar
se existe divergência entre os trabalhos prescritos e os que estão sendo
realizados. Essa inspeção tem como objetivo verificar o cumprimento dos
procedimentos e validar os treinamentos.

A investigação de acidentes é realizada quando uma não


conformidade foi registrada pelo sistema de segurança e saúde do
trabalho. Nesse caso, ela ocorre em caráter preventivo e corretivo. As
ações são voltadas a compreender o que levou a registrar as ocorrências
de não conformidade. Essas ocorrências são todas aquelas que podem
resultar em danos ao sistema de produção, ameaça à integridade física
dos trabalhadores e do meio ambiente ocupacional.

Já a auditoria de segurança e saúde do trabalho tem como objetivo


verificar o cumprimento do sistema de saúde e segurança ocupacional
de acordo com os procedimentos estabelecidos pelas normas e
procedimentos acertados. A partir da verificação e da avaliação são
realizadas as ações corretivas necessárias para a organização.

Dessa forma, a auditoria de segurança e saúde do trabalho está


relacionada aos sistemas de gestão e consiste em uma avaliação da
organização no exercício da função segurança, visto que deverá ser
documentada e realizada de maneira periódica. O processo é estruturado
e a coleta de informações determinará a eficiência do sistema de gestão
de segurança e saúde para, então, propor planos de ações corretivas.
Entre os objetivos e as justificativas para a realização de auditorias relativas
a aspectos de saúde e segurança do trabalho, têm-se (BARBOSA FILHO,
2011):
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 31

1. Determinar a conformidade ou não com a especificação.

2. Determinar a eficácia do SSST implementado no atendimento dos


objetivos especificados.

3. Prover ao auditado oportunidade de melhoria.

4. Atender aos requisitos regulamentares.

5. Avaliar uma organização, tendo em vista estabelecer uma relação


contratual, inclusive no caso de fusões ou aquisições.

6. Verificar a continuidade do SSST aos requisitos especificados e a


sua evolução na organização ou nas contratadas.

7. Avaliar o SSST em face de uma norma de sistema de SST.

Para isso, a auditoria deverá ser planejada a partir de critérios


predefinidos. O planejamento deve ser realizado com tempo para que
todas as partes se organizem, uma vez que as atividades iniciam antes da
verificação in loco.

As auditorias são atividades que devem ser planejadas, e seu


período de aplicação deve ser baseado no seu escopo e na importância
do assunto, bem como nas exigências contratuais e dos recursos humanos
e financeiros disponíveis na organização.

Auditoria como avaliação de gestão


As auditorias como parte do sistema de avaliação da gestão
buscam pela coerência entre as atividades realizadas e planejadas. Com a
avaliação, é possível verificar a efetividade da gestão. Ao final da auditoria,
a organização conhecerá o nível de aderência do seu sistema em relação
aos critérios necessários.

O desempenho do sistema de gestão consiste, de maneira


simplificada, em avaliar se os planos de SST foram implementados e
estão sendo cumpridos. Além disso, verifica se as medidas de controle
dos riscos são efetivas, se as falhas estão sendo reportadas de maneira
correta, se as avaliações estão sendo repassadas às partes interessadas e
como melhorar os processos do SGSST.
32 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

As auditorias do SGSST podem ser realizadas a partir de três


abordagens. A primeira consiste na auditoria baseada no cumprimento de
requisitos, denominada “abordagem estrutural”. A segunda é baseada nos
processos, conhecida como “abordagem operacional”. A terceira auditoria
consiste naquela baseada nos resultados, chamada de “abordagem por
desempenho”.

O primeiro tipo de abordagem, a estrutural, é a mais utilizada


pelas organizações. Esta pode ser realizada conforme os procedimentos
estabelecidos em normas como a OSHAS 18001 e ILO-OSH. Nessa
auditoria, é realizada a verificação do grau de cumprimento dos itens de
segurança e saúde do trabalho, especificada pelas normas em vigência
que se aplicam à organização.

A abordagem operacional está baseada nos processos que a


organização apresenta. Nessa etapa, a auditoria mensura o desempenho
na prática de cada processo que constitui o SGSST. Para isso, são
realizadas entrevistas com os colaboradores, tanto da área operacional
quanto da área gerencial da organização.

A terceira abordagem, por desempenho, é realizada com base em


indicadores, usualmente, reativos. As auditorias avaliam o sistema de
desempenho com base na frequência e gravidade dos acidentes. Nesse
caso, a auditoria pode não retratar com clareza as situações reais do
SGSST.

Independentemente do tipo de abordagem realizada para


uma auditoria, esta deverá ser realizada por profissionais habilitados.
Recomenda-se que seja feita por membros independentes e externos à
organização. O auditor deve ser um participante neutro no processo, pois
não pode influenciar, tampouco ser influenciado pelas partes interessadas.

Não obstante, isso não é uma obrigação, as auditorias podem ser


realizadas por profissionais da própria empresa desde que não estejam
ligados diretamente à área ou ao setor do ambiente que será avaliado.
Geralmente, os profissionais internos realizam as atividades iniciais da
auditoria, principalmente quando a empresa passará por alguma avaliação
de certificação.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 33

Os auditores apresentam um papel fundamental na eficácia


de uma auditoria. Os auditores devem conhecer os objetivos da
auditoria, os indicadores que serão utilizados, a população-alvo e as
pessoas envolvidas, além da verdade dos fatos, as possíveis causas, as
consequências da intervenção e a forma de comunicação.

A postura do auditor é uma “chave” no processo da avaliação.


A imparcialidade e a forma de comunicação são características que
um bom auditor apresenta. Existem algumas posturas que podem ser
consideradas inadequadas podendo comprometer o desempenho da
atividade, quais sejam:

• Indução – o auditor deve ser imparcial durante todas as entrevistas


com os colaboradores, ou seja, ele não pode induzir ao entrevistado
respostas, por meio de falas, gestos ou feições.

• Desatenção ou descrédito – durante uma entrevista, o auditor não


deve conversar com o funcionário de maneira a causar dúvidas
ou indicar julgamentos, conforme as respostas são expostas pelo
entrevistado.

• Envolvimento emocional – um dos motivos por recomendar


auditores externos ou, quando internos, que sejam de outros
setores, é evitar que os auditores conheçam os colaboradores
de tal forma que possa haver algum vínculo pessoal que cause
envolvimento emocional. Caso haja, o recomendado é que seja
solicitado outro auditor. Essa questão deve ser observada antes de
definir o auditor responsável.

• Indulgência ou prepotência – o auditor não deve apresentar uma


postura de superioridade no processo. Os funcionários que estão
envolvidos no processo de auditoria não devem ser considerados
subordinados, mas sim como parte do processo de avaliação.

• Questionamentos – o auditor deve ser capaz de conduzir as


entrevistas e as avaliações de tal forma que não haja inversão
dos papéis. Muitas vezes, os funcionários acabam iniciando um
questionamento com o auditor e o foco da entrevista se perde, de
forma que o objetivo final não é cumprido.
34 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

• Indiscrição – é fundamental que o auditor seja discreto durante


e após o processo de auditoria. Além disso, é necessário que as
informações coletadas sejam confidenciais e utilizadas apenas
para o fim proposto.

Processos em auditoria
Existem quatro principais tipos de auditorias, conforme o objetivo
da parte interessada. As auditorias podem ser internas, externas ou de
seguimento. As auditorias internas, também conhecidas como “primeira
parte”, são aquelas solicitadas pela própria organização e, geralmente, são
realizadas por funcionários da própria organização. Também é possível
também recorrer a pessoas externas.

As auditorias externas podem ser divididas em segunda parte


e terceira parte. As auditorias externas de segunda parte são aquelas
realizadas por uma organização a um contratado, neste caso, também
pode haver pessoas externas no processo. As auditorias de terceira parte
são realizadas, principalmente, com o intuito de a organização obter
certificações de normatização ou de outras entidades. Geralmente, esta
ocorre em grandes empresas.

Após a realização de qualquer auditoria, pode ser solicitada uma


nova auditoria denominada “auditoria de seguimento”. Esta será realizada
e definida a partir dos resultados obtidos nas auditorias anteriores,
principalmente com relação ao número e ao tipo de não conformidades
encontradas durante a avaliação.

A auditoria consiste em uma avaliação sistemática e, de maneira


geral, deve contemplar: plano de auditoria com cronograma; divulgação
do planejamento entre os funcionários da empresa; escolha dos auditores
e as respectivas responsabilidades de cada um; quais áreas e quais
recursos humanos são necessários para a auditoria, como normas,
procedimentos e funções que serão auditadas; e estudos preliminares
de revisão e preparação de documentos e materiais, como listas de
verificação que serão utilizadas nas auditorias.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 35

A comunicação a todos os envolvidos e a programação das etapas


da auditoria da organização são itens fundamentais, pois evitam que boatos
sejam espalhados pela empresa, de maneira que o trabalho executado
por cada colaborador seja questionado. Assim, tem-se transparência e
clareza quanto aos objetivos da avaliação.

Para a execução da avaliação são utilizadas, geralmente, checklists


ou listas de verificações. As checklists servem como orientação
para o auditor, e não como restrição, ou seja, o auditor não precisa,
necessariamente, verificar somente os itens que constam na lista. Os
principais objetivos dessas listas são uniformizar a atuação das pessoas
que irão aplicá-las; evidenciar itens importantes que não podem ser
omitidos; reduzir o tempo de aplicação, pois erve como um guia para
o processo; e registrar e documentar as observações e verificações
encontradas ao longo da avaliação.

A auditoria é considerada um processo complexo, podendo ser


dividida em três etapas: pré-auditoria, auditoria e pós-auditoria. A pré-
auditoria consiste no planejamento da auditoria. A auditoria é o processo
da verificação in loco. Por fim, há a etapa pós-auditoria, que consiste na
elaboração de ações futuras para a organização.
Figura 7 – Etapas de um processo de auditoria

Fonte: Elaborada pela autora (2020).


36 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

Na Figura 7 foram apresentados os processos de uma auditoria. A


pré-auditoria consiste em todas as atividades que devem ser realizadas
antes de executar a auditoria propriamente dita. Para ser possível realizar o
planejamento, devem ser coletadas todas as informações necessárias da
organização, além de escolher a equipe que irá atuar e a responsabilidade
de cada auditor, realizar um cronograma e todos os equipamentos e
demais itens que serão essenciais para a auditoria.

No processo de auditoria, será feita a reunião de abertura com


todas as partes envolvidas. Na sequência, deve-se realizar uma visita
para reconhecimento das instalações da empresa. A auditoria do sistema
em uso poderá compreender entrevistas com os gerentes, engenheiros
e técnicos de segurança do trabalho, médicos do trabalho e demais
colaboradores, além da verificação dos registros, como documentos,
listas, atas e inspeções. Por fim, deve ser efetuada uma reunião de
encerramento.

Após a realização da auditoria, há a etapa da pós-auditoria. O


processo consiste em elaborar um relatório final com todas as informações
e avaliações realizadas. No relatório, além dos dados da avaliação, como
área e setores avaliados, número de entrevistados, método aplicado,
deverá compreender os índices avaliados e as respostas, os pontos
críticos definidos e um plano de ação de melhorias. Por fim, deve-se
planejar e executar as atividades de melhoria propostas à organização.

SAIBA MAIS:

Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso


à seguinte tese de doutorado do curso de Engenharia de
Produção, que trata do método de avaliação de sistemas
de gestão de segurança e saúde no trabalho. Para acessar,
clique aqui .
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 37

RESUMINDO:

As auditorias são elementos fundamentais nos sistemas de


gestão de segurança e saúde do trabalho. Elas podem ser
definidas como avaliações independentes, com o objetivo
de verificar a conformidade em uma área/setor de uma
organização, conforme alguns requisitos, sejam normativos,
objetivos e de políticas da empresa e sistemas de SST da
organização.
A auditoria deve ser conduzida por um especialista, de
preferência externo à empresa ou ao setor em processo de
avaliação, que apresente as competências adequadas para
a atividade. Um processo de auditoria apresenta três etapas
definidas: pré-auditoria, auditoria e pós-auditoria.
A etapa de pré-auditoria consiste no planejamento. Serão
realizadas atividades tais como as de coleta e preparo das
informações, documento e listas necessárias, formação da
equipe que irá atuar e definição de escopo e objetivos. A
auditoria, então, consiste no processo in loco da avaliação,
com entrevistas, verificações e coleta de informações e
documentos.
Por fim, deve ser realizada a etapa de pós-auditoria.
Deverá ser elaborado um relatório final com resultados e
observações, bem como as ações definidas para o futuro
da organização,
38 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

Sistemas de gestão ambiental


OBJETIVO:

Esta competência tem por objetivo permitir que você


conheça a relação entre a gestão da segurança do trabalho
e a gestão ambiental. O contexto atual das organizações
vem demandando, cada vez mais, profissionais holísticos
e multidisciplinares que sejam capazes de compreender o
contexto global das implicações resultantes dos processos
organizacionais.

Partindo do pressuposto que a gestão da segurança do trabalho


está interligada à gestão ambiental, ao abordar a condição e o ambiente
fica claro que estamos falando de saúde coletiva e individual, ou seja, de
cada colaborador e da sociedade como um todo.

Ademais, eventos adversos resultantes da falta de segurança de


trabalho podem transcender o contexto da organização e dar origem
a consequências negativas no campo socioambiental e econômico,
prejudicando, assim, a sustentabilidade da organização. Dessa forma,
torna-se cada vez mais necessário entender as normas que regem tanto
aspectos de segurança do trabalho como aquelas relacionadas ao meio
ambiente, a fim de tornar a organização um sistema complexo e integrado,
com uma visão mais ampla e abrangente.

Preocupar-se com questões tanto ambientais como sociais, vem


ganhando destaque nos dias atuais e, neste cenário, o comportamento,
a ação, a auditoria e a inovação social corporativa são caminhos que
devem ser unificados nas organizações, para que fins estratégicos sejam
verdadeiramente concretizados. Dessa forma, a gestão empresarial com
enfoque no aspecto socioambiental consiste em um processo integrado
e coordenado com o planejamento estratégico, de modo a reduzir danos
de seus processos, bem como aplicar meios que provoquem menos
impactos negativos. E, como consequência, garantir o bem-estar de seus
colaboradores e da sociedade de forma geral.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 39

Infelizmente, para algumas organizações, analisar aspectos sociais


e ambientais ainda é um empecilho, e estes são tratados como fatores
externos negativos (ou até ameaças). Entretanto, mesmo organizações
com fins puramente lucrativos podem pensar de forma a promover mais
igualdade entre os diferentes aspectos relacionados. Como consequência
dessa visão de reduzir as desigualdades, as organizações passam a ter
clientes com maior poder aquisitivo, mais vendas e, consequentemente,
mais lucros.

A preocupação ambiental das organizações, ao longo dos anos,


pode ser dividida em quatro estágios: reconhecimento, controle,
planejamento e sistema de conceitos (ou sustentabilidade), conforme
apresentado na Figura 8.
Figura 8 – Estágios da preocupação organizacional acerca do meio ambiente

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

O conceito de sustentabilidade é tido como aquela condição de


ambiente que visa atender às necessidades das atuais, sem comprometer
as futuras gerações. Segundo diversos estudiosos, para ser possível
sustentar o planeta até 2030 nas condições atuais de consumismo e
40 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

crescimento econômico, seriam necessários dois, três ou quatro planetas


Terra até 2050.

A partir dessa constatação, é fundamental que seja criado um novo


modelo de desenvolvimento, que considere a questão ambiental sob
o ponto de vista da intervenção humana e da extração desenfreada de
recursos naturais. Dessa forma, é necessário que aspectos ambientais
sejam considerados de forma integrada às organizações, tendo por
finalidade a compatibilidade econômica, social e ambiental.

O SGA é organizado pela norma técnica ISO 14000, redigida em


1996 pela organização não governamental intitulada International
Standardization Organization, cujo principal objetivo é a criação de um
SGA. Este pode ser conceituado como um conjunto de processos e
metodologias destinadas a desenvolver e manter uma política ambiental
organizacional atualizada. Esse conjunto passa por um período de
adaptação junto a todos os gestores e demais colaboradores.

A série ISO 14000 foi criada em 1996 e atualizada em 2015,


apresentando a seguinte estrutura: objetivo, referências normativas, termos
e definições, e os principais itens dessa estrutura, ou seja, os requisitos
do SGA. A norma define as condições para que um sistema da gestão
ambiental habilite uma empresa, no que diz respeito ao desenvolvimento
e a implantação de política e finalidades que considerem requisitos legais
e informações sobre aspectos ambientais significativos.

Entre os princípios fundamentais que regem um SGA, pode-se citar


autorresponsabilidade; responsabilidade da direção; e melhoria contínua.
Dessa forma, entende-se que a ideia central está no fato de que as
organizações precisam controlar as consequências ambientais de suas
atividades, produtos e serviços, reduzindo seus impactos ambientais.

Ademais, a gestão ambiental tem três pilares fundamentais:


promover cumprimento de requisitos, prevenir poluição e melhorar
continuamente o desempenho ambiental. Segundo a ISO 14001, o
desempenho ambiental consiste em resultados quantificáveis da gestão
organizacional acerca de seus fatores ambientais (ABNT, 2004).
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 41

Requisitos de implantação do SGA


A implantação de um SGA tem por finalidade otimizar a relação
entre atividade produtiva, preservação ambiental e sociedade. O processo
de implantação de um SGA pode parecer bastante difícil em um primeiro
momento, principalmente em função da escassez de recursos. Entretanto,
quando bem empregados, a partir de um plano de ação simples e eficaz, é
possível concluir com sucesso essa implantação. As razões para que uma
empresa adote uma vertente estratégica para otimizar seu desempenho
ambiental são variadas, e podem incluir:
Figura 9 – Motivos para a implantação de um SGA

Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Assim, identificar atividades que podem causar impactos negativos


ao ambiente é a primeira etapa desse processo. Além disso, é fundamental
que a organização, durante esse processo, tenha alguns princípios, como:
42 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

comprometimento, planejamento, implementação, medição e avaliação,


além de análise crítica e melhoria contínua.

Os sistemas de gestão ambiental também são baseados no ciclo


PDCA de melhoria contínua. A ISO 14001:2004 define quatro estágios para
um SGA, sendo eles: planejamento, implementação, verificação e análise
crítica (ABNT, 2004).
Figura 10 – Estágios de implantação de um SGA

Fonte: ABNT (2004).

É importante que a organização estabeleça e documente o escopo


de seu SGA. Contudo, antes de iniciar o planejamento, é preciso que seja
definida a política ambiental da organização, ou seja, é preciso que a
organização determine sua política ambiental, na qual serão identificados
aspectos como áreas propícias a provocar impactos ambientais e outras
informações relacionadas. De acordo com a referida norma, cabe à alta
administração estabelecer a política ambiental e garantir que esta (ABNT,
2004):

a. Seja apropriada à natureza, à escala e aos impactos ambientais de


suas atividades, produtos e serviços.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 43

b. Inclua um comprometimento com a melhoria contínua e a


prevenção de poluição.

c. Inclua um comprometimento em atender aos requisitos legais


aplicáveis e outros requisitos subscritos pela organização que se
relacionem a seus aspectos ambientais.

d. Forneça uma estrutura para o estabelecimento e a análise dos


objetivos e as metas ambientais.

e. Seja documentada, implementada e mantida.

f. Seja comunicada a todos que trabalham na organização ou que


atuem em seu nome.

g. Esteja disponível para o público.

O escopo de uma política ambiental consiste em identificar a


natureza, a escala e os impactos ambientais de suas atividades, além
de definir seu compromisso com a melhoria contínua e a definição dos
objetivos a serem seguidos. Essa etapa de definição da política ambiental
é feita a partir de observação, e essa é a palavra-chave aqui. A observação
é feita de forma direta a partir de visitas à organização para coletar o
máximo possível de informações. A partir dessa coleta de dados inicial,
faz-se um reconhecimento de não conformidades e/ou problemas
ambientais. Então, de posse desses dados, estes são confrontados a partir
de uma avaliação preliminar para definir o escopo de trabalho e as áreas
críticas a serem englobadas no SGA.

Planejamento (análise inicial)


A etapa de planejamento é de fundamental importância, pois é
a partir desta que são definidos os aspectos das demais etapas. Caso
a empresa ainda não tenha nenhum tipo de sistema de gestão, deve,
inicialmente, definir sua posição atual em relação aos aspectos ambientais
a partir de uma análise inicial.

O setor de atividade e o porte da organização são considerados


para que sejam estabelecidas estruturas e responsabilidades. Em
44 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

organizações de porte pequeno, não é necessário que seja criado um


setor exclusivo para isso, o proprietário pode ser o responsável; enquanto
em médias e grandes, deve-se criar um setor (departamento) próprio
de gestão ambiental com colaboradores capacitados. O planejamento
compreende três elementos principais: aspectos ambientais, requisitos
legais e outros, objetivos, metas e programas.
Quadro 1 – Elemento do planejamento e sua contextualização

Elemento Contextualização

Reconhecer os aspectos ambientais de


suas atividades, produtos e serviços e
Aspectos ambientais
definir quais têm ou podem ter impactos
significativos sobre o meio ambiente.

Reconhecer requisitos aplicáveis e definir


Requisitos legais e
como estes estão relacionados aos seus
outros
aspectos ambientais.

Definir objetivos, metas e programas


Objetivos, metas e
mensuráveis, responsabilidades e meios e
programas
prazos para alcançá-los.
Fonte: Elaborada pela autora (2020).

É importante constatar que essas etapas são subsequentes, ou


seja, uma depende da outra para ser definida. Além disso, é necessário
que todas as documentações referentes às decisões tomadas sejam
guardadas e mantidas atualizadas.

Nessa fase, é elaborado um dos principais (se não o principal)


documentos do SGA, o manual. Esse documento é tido como um guia e
deve conter todas as informações relacionadas ao sistema estabelecido,
bem como especificar clara e objetivamente todas as etapas envolvidas
na gestão ambiental.

Outra ação executada no planejamento é o estabelecimento do


cronograma orçamentário físico e financeiro do SGA, que consiste em
listar todas as medidas e os valores necessários para atingir o que foi
previamente estabelecido.
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 45

Implementação e operação (implantação)


É importante constatar que essas etapas são subsequentes, isto
é, uma depende da outra para ser definida. Além disso, é necessário
que todas as documentações referentes às decisões tomadas sejam
guardadas e mantidas atualizadas.

A etapa de implementação e operação é a que demanda mais


compromisso, colaboração e convencimento de todos os membros da
organização (dos mais variados níveis hierárquicos). Em suma, também é
de extrema importância que haja a participação do maior número possível
de envolvidos.
Figura 11 – Fases da etapa de implementação e operação

Fonte: Elaborada pela autora com base em ABNT (2004).


46 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

Além das fases supracitadas na Figura 11, é nessa etapa que serão
definidas as medidas para constante avaliação do SGA e sua correta
aplicação na organização.

Verificação
A etapa de verificação é composta pelas seguintes subetapas:
monitoramento e medição; avaliação do atendimento a requisitos legais
e outros; identificação de não conformidades, ação corretiva e preventiva;
controle de registros e auditoria interna.

O monitoramento e a medição têm por foco os impactos significativos


da organização, a fim de garantir que as metas estejam sendo atingidas.
A avaliação do atendimento a requisitos legais e outros busca avaliar de
forma periódica tais critérios.

Na subetapa de identificação de não conformidades, ação corretiva


e preventiva, é necessário identificar e corrigi-las, bem como propor e
executar ações para mitigar suas consequências. Além disso, devem ser
investigadas as causas, além de avaliar a necessidade de prevenir as não
conformidades constatadas.

O controle de registros é aplicado a todos os casos, devendo ser


estabelecidos mecanismos para armazenar, proteger, recuperar, reter e
descartá-los.

Por fim, a auditoria interna consiste em verificar o SGA, ou seja,


identificar se ele está em conformidade com aquilo que foi estabelecido
previamente, se sua implantação foi adequada e está sendo mantida,
bem como obter e organizar as informações como um todo.

Análise pela administração


É de responsabilidade da alta administração avaliar o SGA implantado
periodicamente, a fim de garantir que este seja continuado, que se
mantenha adequado, pertinente e eficaz. A avaliação deve ser registrada
e documentada, buscando busca identificar possibilidades de melhorias
e demandas de atualizações e/ou modificações. É importante que as
documentações de entradas (resultados de auditorias, comunicação entre
Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 47

todos os envolvidos, desempenho ambiental e cumprimento de metas e


objetivos, status de ações corretivas e preventivas, alterações necessárias)
e saídas (lista de decisões para mudanças em política ambiental, objetivos,
metas e programas) sejam registradas e mantidas pela alta administração.

SAIBA MAIS:

Quer se aprofundar e verificar um estudo de caso sobre


a integração entre os diferentes tipos de gestão em uma
organização? Indico o acesso ao artigo Da gestão ao
sistema: estudo de caso na Universidade Federal da Fronteira
Sul – Campus Chapecó. Para acessar, clique aqui .

RESUMINDO:

Nos últimos anos, junto com a preocupação de segurança


do trabalho, as demandas por soluções para os impactos
ocasionados ao ambiente pelos processos produtivos
e pelas organizações no geral vêm crescendo. Em
decorrência disso, de forma gradual, as empresas
vêm buscando se adaptar e tentando desenvolver sua
sustentabilidade a partir de boas práticas em todas as fases
(gerencial, operacional e tática).
Neste cenário, um sistema de gestão ambiental é uma
ferramenta que objetiva auxiliar as organizações na
identificação, no gerenciamento, no monitoramento e no
controle de aspectos ambientais de maneira holística. Foi
instituído pela ISO 14001 e adapta-se a qualquer tipo e
porte organizacional, sejam elas governamentais ou não.
Para sua implantação, é exigido das organizações que
todos os aspectos ambientais sejam considerados, e estes
envolvem poluição do ar, consumo e poluição de água,
gestão de resíduos, entre outros impactos possíveis.
O sucesso de um SGA depende do comprometimento
da organização e de seus colaboradores, bem como de
quão eficiente é a integração e o engajamento dos demais
setores, além da condução de cada etapa. Em geral, o
processo é estruturado em quatro fases: planejamento,
implementação, verificação e análise pela administração.
48 Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional

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Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional 49

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