Oates e Riley voltaram para o escritório. Oates estava intrigado com tudo aquilo que estava acontecendo.
Duas
emboscadas numa noite davam o que pensar. Foi apanhar o fuzil militar que haviam tentado usar contra eles algumas
horas antes. — O que o preocupa, Oates? — indagou Riley. — Não sei, companheiro, mas há alguma coisa errada nisso
tudo. — Sim, muito errada. Estão nos usando como alvo. — Não é isso. Na primeira emboscada, alguém deixou escapar
o plano para Rose. Na segunda, também, só que eles tiveram chance de atirar. Você erraria daquela distância? —
Mesmo considerando a escuridão, eu acho que não. Atirando no escuro eu acho que acertei um deles... — Também tive
essa impressão. Mas por que homens treinados ou hábeis para atirar teriam errado o alvo tão vergonhosamente? —
Acha que erraram deliberadamente? — É uma hipótese. — Por quê? — Por que talvez querem que pensemos que
alguém quer nos matar. — Não vejo lógica nisso. — Nem eu, mas é o que me vem à cabeça. Enquanto os dois
pensavam, lá fora, num beco, os quatro homens que haviam participado da emboscada diante do saloon conversavam.
Um deles havia sido atingido e estava inconformado. — As ordens foram claras, Pete. Só tínhamos que assustá-los. — E
isto é susto? — retrucou o rapaz, mostrando a mão suja de sangue. Um dos tiros de Riley havia acertado seu braço
esquerdo, deixando ali alguns caroços de chumbo grosso. — Foi aquele maldito com a espingarda e eu vou acertar
contas com ele — disse o rapaz, sacando seu Colt. — Vai ter que explicar isso ao Coronel depois. — Dane-se o Coronel
— respondeu ele, atravessando a rua com a arma engatilhada. — Então vai fazer isso sozinho — disseram os outros,
indo apanhar seus cavalos. Aproximou-se de uma janela aberta, espreitando sorrateiramente. Viu Riley em pé, de costas
e não hesitou. Levantou a arma e atirou. Riley foi jogado para cima da mesa de Oates, que sacou rapidamente a arma,
enquanto amparava o amigo. — Riley! — gritou, ao sentir sangue em sua mão. Acomodou-o no assoalho e correu para a
porta. Viu o homem que corria na direção de um beco e fez fogo. O matador rodopiou e caiu na poeira. — Oates! —
chamou-o Riley. Ele retornou para junto do amigo. — Estou mal... Estou mal, Oates! — murmurou Riley. — Vou chamar
o médico, Riley. Agüente firme! — disse o delegado, levantando-se e indo até a porta. Não viu o homem em quem
atirava. Havia um médico logo ali perto e, com alívio, Oates viu que já havia luz naquela casa. Quando abriu a porta para
ir até lá, o médico já vinha saindo com sua maleta. Foi ao encontro dele. — Lá dentro, foi meu amigo, acertaram-no nas
costas — avisou, retornando. O médico fez um rápido exame. — Teve sorte, a bala não atingiu nenhum órgão vital. Vou
tentar tirá-la a parar a hemorragia. — Precisa de ajuda? — Não, só traga aquela luz para mais perto. Oates fez o que ele
pedira, depois apanhou seu rifle e foi no encalço do homem que havia disparado contra Riley. Aquilo mudava todas as
suas conclusões. Estavam querendo matá-los de verdade. — Demônios! — murmurou ele. — Foi para o lado rebelde da
cidade — concluiu, seguindo a trilha de sangue que havia entrado pelo beco e saído na outra rua. Dali rumava na
direção da linha férrea. Aquele homem tinha poucos minutos de dianteira. Estava rumando para um lugar definido. Se
descobrisse para onde iam, tudo se tornaria mais fácil, pois poderia antecipar suas ações. Naquele caso, tinha uma
motivação especial. Apanhar aquele homem vivo era uma questão de honra. Poderia fazêlo falar e descobrir o que
estava acontecendo na cidade realmente. Atravessou a linha férrea. A trilha de sangue continuava na poeira na direção
de um saloon que havia ali perto. Era para lá que o ferido se dirigia. Deixou seu rifle engatilhado e caminhou lentamente
na direção do saloon. Não havia movimento nas ruas. Diante daquele saloon, havia apenas dois cavalos amarrados.
Aproximou-se cuidadosamente da porta. Antes de entrar, sondou o interior. Apenas dois homens bebiam, conversando
com o bartender. Nenhum deles estava ferido. A trilha de sangue era nítida, no entanto, entrando, passando pelo salão
e subindo as escadas na direção do pavimento superior. Entrou e dirigiu-se calmamente ao balcão. — O que vai ser,
delegado? — indagou-lhe o bartender. — Uísque. O homem serviu-o rapidamente. — Parece assustado, delegado. O
que houve? — Procuro um homem — respondeu Oates, os olhos atentos aos dois homens ao seu lado e ao alto da
escada. — Acho que veio ao lugar errado, delegado. Se quiser uma garota... — ironizou o bartender. Os dois homens ao
lado riram. O homem atrás do balcão também segurou-se para não rir. Oates fuzilou-o com seu olhar mais glacial. —
Procuro um homem ferido. Deve ter entrado aqui há poucos minutos — disse ele. — Não me lembro de ter visto
ninguém entrar... Viram alguma coisa assim, rapazes? — indagou aos dois homens que bebiam ao lado. — Depende de
quem quer saber — respondeu um deles e os dois se viraram para encarar Oates . — Eu quero saber — falou o delegado
federal.— E quem é você? — Meus amigos me chamam de Oates ... Meus inimigos costumavam me chamar de Fordd —
afirmou ele, desabotoando a capa e abrindo-a para revelar o Colt. — Fordd? Oates Fordd? — repetiu o homem,
engolindo seco. — Sim, você ouviu bem, rapaz. Viu um homem ferido entrar ainda há pouco? — Não estava de costas...
Sinto muito, Sr. Fordd . Uma garota estava tirando garrafas de uma caixa e arrumando-as na prateleira, atrás do balcão.
Parou e voltouse para encarar Oates. — Eu vi aquele rapaz ferido, o amiguinho de Norma. Os dois estão juntos lá
encima — falou ela. — Há mais alguém com eles? — Apenas os dois. — Não sei. — Em que quarto estão? — Quarto
cinco, no meio do corredor, à direita. Oates entornou o uísque, depois retirou o Colt do coldre, verificando sua carga.
Guardou-o em seguida. Apanhou o rifle que deixara sobre o balcão, já engatilhado. Caminhou na direção da escada. —
Espere um pouco, homem! O que pretende fazer? — Vou pegar aquele filho da mãe! — respondeu Oates, sem se deter.
— Bob, vá chamar o xerife ou um de seus auxiliares. Deve encontrar alguém no Saloon da Rose! — pediu o bartender a
um dos homens que bebiam ali. — Vai haver encrenca da grossa — falou Bob, apressando-se em fazer o que o outro lhe
pedira. Enquanto ele saía, Oates subia a escada. Avançou lentamente pelo corredor, até parar diante da porta. A trilha
de sangue era bem nítida. Respirou fundo. Não sabia o que encontraria pela frente, mas sabia como enfrentar uma
situação como aquelas. Não era diferente de muitas que enfrentara antes. Segurou firme o rifle. Em seguida, meteu o
pé na porta. Com um barulho de madeira sendo lascada lascando, a porta se abriu até o fim. Na cama, Pete assustou-se
ao ver aquele homem entrar com a arma apontada para ele. A garota que lhe fazia um curativo pulou para um canto., —
O que está havendo aqui? — indagou ela, assustada. Pete olhava para o coldre de seu cinturão, que pendia ao lado de
sua cabeça, preso na cabeceira da cama. — Quem é você? O que pensa que está fazendo aqui? — indagou o pistoleiro,
assustado. Oates aproximou-se, apanhou o cinturão dele e jogou-o para longe. Olhou o ferimento no braço, feito por
uma espingarda, e o outro na coxa, feito por um Colt. — Onde conseguiu esses ferimentos? — indagou. — Numa briga...
— Onde? — Por que quer saber? — retrucou o rapaz.